TIO SÉRGIO vai começar por mais uma historinha edificante, que revela como era a indústria da música, ainda na década de 1960.
TOMMY JAMES escreveu um livro de memórias chamado “ME, THE MOB AND THE MUSIC” , em tradução literal “EU, A MÁFIA E A MÚSICA”.
Ele conta que a Máfia estava envolvida com os negócios da música, desde os tempos da LEI SECA. Os gangsteres estavam metidos em NIGHT CLUBS, BARES, BOATES, e lugares onde além da atividade principal, havia música ao vivo, ou caía bem no perfil. Em decorrência, passaram a empresariar artistas, controlar direitos autorais, editoras musicais, e depois gravadoras.
É o tipo de história que conhecemos aos montões, até aqui no HOSPÍCIO DO SUL…
OS JUKE BOX quando surgiram foram imediatamente controlados pela Máfia. Era o veículo ideal para eles “selecionarem e patrocinarem” o que tocava, ou não, em locais onde mandavam. O SET LIST” era todo manipulado com discos de artistas empresariados pelos “MOBSTERS”.
Se vocês acham que ALLEN KLEIN, empresário dos ROLLING STONES; ou GEORGIO GOMELSKY, dono de clubes e boates, na Inglaterra – e empresário de bandas como os YARDBIRDS -, eram exceções? Observem a carreira de TOMMY JAMES:
Ele acabou assinando com um empresário chamado MORRIS LEVY, ligado à “FAMIGLIA GAMBINO”, de Nova York – a sócia oculta de clubes como o BYRDLAND, e da gravadora ROULETTE, onde TOMMY JAMES gravou a vida inteira.
O cara era especialista em comprar e fechar pequenas gravadoras e se apossar de acervos, e direitos autorais… Era tão maluco e inescrupuloso, que tentou até registrar em nome dele a marca do glorioso nome “ROCK AND ROLL”, patrimônio cultural da humanidade, e tido como invenção do histórico D. J. ALAN FREED, que foi por ele empresariado…
Em poucas palavras, era duro receber os royalties de LEVY e mais ainda se livrar dele. A única vantagem, conta TOMMY JAMES, é que jamais tomou cano no pagamento dos shows que fazia. Imaginem o porquê…
TOMMY JAMES & THE SHONDELS, eram concorrentes menores dos RASCALS, por exemplo; e uma espécie de antecessores do BON JOVI.
Faziam POP/ROCK dançável e descompromissado. Um misto de R&B com BEAT, mesclado com vários covers de artistas como JAMES BROWN. Entre 1966 e 1971, gravaram SETE álbuns; e colocaram 27 SINGLES nas paradas americanas.
O primeiro sucesso foi HANKY PANKY, música menor de JEFF BERRY e ELLEN GRENWICH, que se envergonhavam de tê-la composto… TOMMY JAMES & THE SHONDELS a lançaram, em 1966, e o sucesso foi estrondoso a ponto do promotor de shows BOB MACK, TER PIRATEADO 80 MIL CÓPIAS, QUE FORAM VENDIDAS EM DEZ DIAS!
E a banda saiu dos boteco da esquina para shows para 20 mil pessoas em questão de semanas!!! HANKY PANKY chegou ao primeiro lugar nas paradas e foi “destronada” por WILD THING, dos TROGGS.
Convenhamos, uma substituição à altura!
Eles fizeram vários outros, com algum êxito; até que em abril de 1968, lançaram o SINGLE de maior sucesso da carreira deles, e que está em seu melhor LONG PLAY da fase BEAT: MONY, MONY, foi hit internacional. E, talvez, a música mais dançada daquele ano, junto com NOBODY BUT ME, dos HUMAN BEINZ!
Aliás, as duas músicas se parecem um bocado e eram emendadas nos bailinhos e baladas da época. Eu me lembro muito bem!
A partir de 1968, o mundo da música POP mudou radicalmente. O advento do ROCK PSICODÉLICO e da música mais pesada, junto com o surgimento das rádios FM, que passaram a tocar ROCK e faixas mais longas, impôs um novo formato, produto dessa “destruição criativa”.
Os que sobreviveram do BEAT passaram a compor e produzir a própria música, seguindo o LED ZEPPELIN, O JEFFERSON AIRPLANE, GRATEFUL DEAD e a turma a caminho do ROCK PROGRESSIVO.
TOMMY JAMES conseguiu introduzir o psicodélico leve na própria carreira, mais conhecido por SUNSHINE POP. E gravou o LP de maior sucesso da banda, CRIMSON & CLOVER, também em 1968. A música é muito conhecida por aqui. E foi lançada em duas versões:
No Long Play é mais longa, conforme ensinam os cânones da PSICODELIA. Porém, o SINGLE, outro sucesso internacional, é melhor. Porque mais enxuto, mais denso e pesado, com todos os recursos técnicos e artísticos da faixa longa, mas sem a dispersão algo viajante da versão do LP.
E o BOX vale a pena, TIO SÉRGIO?
Eu diria que é supérfluo. Para o consumidor e o colecionador normal bastam o CD TOMMY JAMES AND THE SHONDELS ANTHOLOGY. E, talvez para os mais interessados, o CD DUPLO , com os três primeiros discos deles.
TOMMY JAMES continua por aí e se apresenta de vez em quando. Os discos que fez após a fase de sucesso são medianos, às vezes emulam GOSPEL, a maioria POP sem relevância.
TOMMY é o autor de uma das pérolas do SUNSHINE POP. A história é a seguinte: a babá que ele contratara tinha uma banda, “ALIVE AND KICKING”; e pediu pra ele uma música para gravar.
E a deliciosa TIGHTER AND TIGHTER, tornou-se “ONE HIT WONDER”, lá por 1968/1969! E rola até hoje em rádios de “OLDIES”!
Há, também, uma involuntária curiosidade. Em 1987, uma cantora POP chamada TIFFANY chegou ao topo nas paradas com “I THINK WE´RE ALONE”, versão de um dos sucessos dele e os SHONDELLS.
E a música foi sucedida no primeiro
lugar pela versão de BILLY IDOL para MONY MONY!
E, daí, TIO SÉRGIO? I NÓIS CUM ISSO?
Nada, ué! Só que isso jamais aconteceu na história das paradas de sucesso!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/10/2021

POSTAGEM ORIGINAL: 03/10/2021
