THE FUGS – FIRST ALBUM

Inspiradores do Lou Reed, da turma do Velvet Underground, da Patti Smith e dos suspeitos de sempre. Estão tocando para (contra?) mim, agora!
Formalmente, eram um bando de poetas beatniks sobreviventes fazendo algo parecido com folk. Musicalmente é muito ruim. Mas, se você escutar o primeiro álbum deles, de 1965, encontrará o ovo da serpente do Velvet Underground. Inaudíveis, curiosos, iconoclastas, cultura do contra e o que mais as línguas de cobra e os escorpiões de plantão quiserem.
Eu tenho; não vendo, não troco e não ouço nunca mais!
POSTAGEM ORIGINAL: 06\02\2018
The Fugs - Boobs a Lot

P.I.L. – PUBLIC IMAGE LTD, COM 3 FAIXAS, DUAS AO VIVO, GRAVADAS EM 2010. E HARMONIA: LIVE, 1974. AMBOS EM VINIL!

Eles chegaram na porta do TIO SÉRGIO por $ 22,00 BIDENS, ou TRUMPS, uns R$ 110,00 MANDACARUS.
O P.I.L , BANDA EXPERIMENTAL DE JOHN LYDON, o inefável JOHNNY ROTEN, ícone com os SEX PISTOLS, custou abaixo de R$ 40,00 MANDACARUS! E o HARMONIA… façam as contas.
Eu só compro VINIL na marmita das almas.
HARMONIA é banda de KRAUTROCK formada por três luminares da cena: MICHAEL ROTHER, HANS -JOACHIM ROEDELIUS e DIETER MOEBIUS.
O disco foi gravado na fase áurea, em 1974.
Os caras são tão importantes que BRIAN ENO, criador da AMBIENT MUSIC, e um dos pioneiros do experimentalismo contemporâneo, gravou discos junto com eles.
Aqui, dois vinis caprichados, 180g, etc..
O que tem dentro eu não tenho a menor ideia! Não possuo PICK-UP!
Texto original 04/02/2023
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HISTÓRIAS DA GLOBALIZAÇÃO QUE TIO SÉRGIO SABE E VIU

Anos atrás, a Rádio Bandeirantes de São Paulo fez matéria longa no “AMPARO MATERNAL”, hospital público famoso, antigo e peculiar da cidade de São Paulo, que trata gestantes, mães solteiras e quem mais o procurar faz quase 80 anos
Pois, bem; A repórter entrevistou uma CIDADÃ ANGOLANA, JORNALISTA DE EMPRESA DE SEU GOVERNO que, pela segunda vez, saiu de Angola para ter o filho no Hospital brasileiro! Estava satisfeitíssima com o atendimento, serviço e etc. Na mesma entrevista, a repórter identificou outras várias estrangeiras em situação semelhante…
Quer dizer, o nosso tão criticado SUS, uma construção institucional fantástica, que anos depois demonstrou enorme valia e competência na COVID, era desfrutado por gente de posses de outros países aliados, durante os governos petistas.
Quer dizer, falta verba para a população do Brasil, mas sobrava para fazer populismo externo.
2) Grande amigo meu foi passar 3 meses na Inglaterra e hospedou-se em casa de família cadastrada para receber estudantes. Ração diária regulada, tudo muito apertado e restrito.
Certo dia, ele deixou um dedo de leite no copo. Nos dias seguintes, a mesma quantidade foi descontada de seu copo diário…Voltou magérrimo e a primeira coisa que pediu quando chegou foi carne e massa em quantidade…
3) Casamento. A noiva, moça de família abastada, casou-se com rapaz inglês de classe média. Vieram os pais do noivo, gente simpática e trabalhadora de Londres… faltava visivelmente um dente na boca da mãe do noivo… e com toda a tradição de serviço de saúde pública dos ingleses…
O Brexit tem a ver com isso, também: faltam recursos para a população local, enquanto o país globalizava seu mercado interno de trabalho…
4) Esposa de amigo é dentista e tem consultório na periferia de São Paulo. Contou que tem alguns clientes que vêm dos EUA para tratar os dentes com ela… No mundo rico isso é caríssimo, e também não tem para todos…
5) Conhecida minha emigrou legalmente para a Alemanha para estudar. Casou-se e teve filhos por lá. Mora em padrão bem abaixo do que desfrutava por aqui.
Ela vem ao Brasil e traz os filhos para cuidar dos dentes e outros procedimentos médicos mais sofisticados. Na socialdemocracia alemã as coisas são mais difíceis…
Escrevi tudo isso para tentar entender um pouco os que acham o globalismo um problema para suas sobrevivências.
E alguns porquês do nacionalismo e da xenofobia. A vida em países mais igualitários é medida em conta-gotas. Os serviços públicos são enxutos e o mais exatos possível. Não há sobras para serem distribuídas.
É impensável ocorrer por lá o que há por aqui, como no Amparo Maternal e outros. Somos pobres e nada frugais com os poucos recursos que detemos, e fazem falta para os “nossos” pobres, necessitados e remediados.
O globalismo é uma ideia humanista e humanitária sofisticada. Um ideal desde os tempos da expansão das navegações, no século XVI. E é correto que continue se expandindo.
Receber imigrantes é uma questão de civilidade e ética. Mas, quais os limites que o bom senso impõe?
Entendem o por quê político – econômico desse “contrafluxo civilizatório”? Entendem melhor o significado do Trump, e de outros, déspotas ou não?

GRATEFUL DEAD – ELEMENTOS PARA OUTRA AUDIÇÃO DA OBRA

Tempos atrás li, no Estadão que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. As que ficaram, claro! Sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os anos 1960/1970, da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, jam-sessions ininterruptas, “raves sem D.Js.” , que notabilizaram a banda.
JERRY GARCIA, mito do rock, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação. Teve um infarto, em 1995, aos 53 anos. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente.
Não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Bidú! Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK – também conhecido como PSICODELIA – mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. Feito o KING CRIMSON, e todo o mundo! E quem não faz, é explorado e morre. Portanto, vivas à boa administração!
O DEAD começou como todos: Inspirados nos BEATLES, STONES, e na turma do COUNTRY e do BLUES americanos. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época, DESBUNDARAM. E nunca mais REBUNDARAM – como gosta de dizer o TIO SÉRGIO.
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos gravados ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ, pela tentativa de expandir a música ad-infinitum.
Mas percebe-se, nitidamente, alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as músicas, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; – e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC. Claro, são muito legais, e imprescindíveis para entender a evolução do ROCK.
Entre os seus contemporâneos eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto, musical, experimental na medida certa. E tão desviante filosófica e comportamentalmente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
Eu não percebi que colecionara tantos álbuns da banda!
O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eu tangencio. No entanto, para os que gostam, é perfeitamente possível ter acesso a tudo já gravado, porque lançado em incontáveis discos… “póstumos”?
Não. Eles prosseguem, de um jeito ou de outro…
POSTAGEM ORIGINAL: 05\02\2026
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ROD STEWART, O “RODESTRUDE”, E SUA CARREIRA LONGA E OSCILANTE

Sim! Certa vez um amigo que trabalhava em distribuidora de discos mandou o pedido feito por um cliente. Ele queria, entre vários, os novos discos do “RODESTRUDE”, do “MAICON DIAKSON”, do “JOLENO” e do “JOCOQUI”…
Vou traduzir para vocês, gente maldosa: ele encomendou ROD STEWART, MICHAEL JACKSON, JOHN LENNON e JOE COCKER. Pedido feito e confirmado na fonte, o lojista recebeu tudo direitinho…
Sei lá por quais maremotos, encontrei sobre o meu rack esta “preciosidade”: ROD cantando o “THE AMERICAN SONGBOOK”, em um dos volumes que gravou. É uma fratura exposta em algum escaninho de casa.
“Ponhei” pra rodar! Santo Colombino! É pior do que pareceu quando escutei faixas em rádios, e até em CDs, pelas andanças na vida!
Os fãs de ROD STEWART vão me odiar. Mas, tenho opinião nada abonadora sobre o moço, formada nos últimos ( glup? glub? cof!, cof! ) mais de 50 anos!
A turma do ROCK geralmente gosta de seus 3 primeiros LONG PLAYS solos: “THE ROD STEWART ALBUM”, 1969; “GASOLINE ALLEY”, 1970; e “EVERY PICTURE TELLS A STORY”, 1971. São realmente originais e diferenciados. FOLK-BLUES-ROCK vanguardeiro para aqueles tempos, destacando a voz única de ROD.
Para os completistas, saiu por aqui anos atrás, uma coletânea de SINGLES RAROS, gravados na década de 1960, lançados pela COLUMBIA, IMMEDIATTE, e outros descartes. É album que mapeia o ROD antes da fama.
Mas se deve ir além e aquém, claro. São imperdíveis os dois clássicos LPS com o “JEFF BECK GROUP”, TRUTH, de 1968; e “OLA”, 1969. E os esfuziantes e tipicamente HARD ROCK feitos com os FACES – a banda MOD/BEAT espetacular e famosa antes conhecida por SMALL FACES.
ROD STEWART assumiu no lugar do lendário vocalista e guitarrista STEVE MARRIOTT. E lá já estavam o guitarrista RON WOOD, hoje nos ROLLING STONES; e músicos craques como IAN McLAGAN, tecladidta; RONNIE LANE, baixo; e o baterista KENNY JONES, que depois foi para o “THE WHO”, no lugar de KEITH MOON.
Aqui estão os melhores discos lançados por eles: “LONG PLAYER”, cujo original vinha em capa transparente para destacar o vinil; “A NOD IS AS GOOD AS WINK…”; e “OOH, LALA”. Todos legais, e feitos entre 1972 e 1974.
Eu concordo e afirmo que ROD STEWART estava no auge da forma, entre 1968 e talvez 1975. E com prolongamento bem menos criativo até o início dos 1980. Ele ainda cantava bem, e foi acompanhado condignamente em músicas comerciais e de qualidade aceitável.
A passagem de ROD pelo BRASIL, em apresentação na PRAIA DE COPACABANA, na passagem do ano ano de 1994, foi merecido e enorme sucesso de público. Sua voz original emulava FRANK VALLI, dos FOUR SEASONS, e a quase rouquidão dos grandes do R&B, como OTIS REDDING, SAM COOKE e JIMMY WITHERSPOON. Um diferencial nítido que, à partir dele, foi usada e abusada no POP usual com grande apelo popular.
O tempo passou e a voz e o canto de ROD STEWART foram decaindo acentuadamente. Se há muito tempo não havia discos artisticamente relevantes, o seu POP já medíocre despencou de qualidade espiral abaixo; “SAILING”, drifting away…
E deu nisso:
A série “THE AMERICAN SONGBOOK”, em 4 volumes, tem o repertório de STANDARDS DO POP CLÁSSICO de sempre. É filha de modismo no final dos anos 1980 e início dos 1990: artistas POP gravando a “GRANDE CANÇÃO AMERICANA”, como se “quase – jazzistas” fossem. Tentavam ressuscitar repertório na linha de ELLA FITZGERALD, BILLIE HOLIDAY, SARAH VAUGHN, SINATRA, TONY BENNETT, etc…, essa gente “medíocre”.
O experimento ficou, em geral, abaixo do padrão. Mesmo assim, dá para escutar “LINDA RONSTAND”, e “ROBERT PALMER”, por exemplo…
Porém, com o RODESTRUDE, não rolou! A voz pequenina não consegue dar conta do desafio com a indispensável afinação. Eu acho os discos ruins, mesmo! E os duetos? Deixa pra lá… bem pra lá…
No entanto, o ROD STEWART do início de carreira vale a pena retomar, escutar e curtir. E o TIO SÉRGIO recomenda a vocês.
POSTAGEM ORIGINAL: 06\02\2022
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VIAGEM À MINHA “ADEGA DE ÓDIOS”, A INSÔNIA! NOTAS SOBRE PROCOL HARUM, GRATEFUL DEAD, PIXIES E AS DANÇAS DO “QUEBRA-BUNDAS”!

“IN THE AUTUMN OF MY MADNESS, WHEN MY HAIR IS TURNING GREY” ..canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, de 1968, do genial, subavaliado e não-repetível “PROCOL HARUM”.
CLÁSSICO DO ROCK em transição entre a PSICODELIA e o ROCK PROGRESSIVO, é recomendável para quaisquer paladares. O disco é lindo; e é triste. E a construção das letras é sublime.
O PROCOL HARUM tinha um letrista exclusivo, erudito e sofisticadíssimo: KEITH REID. Ouçam! será marcante.
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa quando a INSÔNIA RECORRENTE assola e desencadeia os medos e paranoias; as desconexões entre os fatos objetivos. Mas realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
Nada mais humano do que sofrer por algo que talvez não aconteça!!! É parte do outono da minha vida – loucura? – estou envelhecendo.
Tempos atrás li, no Estadão, que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. As que ficaram, claro! Sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os anos 1960/1970, da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, jam-sessions ininterruptas, “raves sem D.Js.” , que notabilizaram a banda.
JERRY GARCIA, mito do rock, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação.
Teve um infarto, em 1995, aos 53 anos. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. Não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Bidú! Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. Feito o KING CRIMSON, e todo o mundo! E quem não faz, é explorado e morre. Portanto, vivas à boa administração!
O DEAD começou como todos: Inspirados nos BEATLES, STONES, e na turma do COUNTRY e do BLUES americanos. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época, DESBUNDARAM. E nunca mais REBUNDARAM – como gosta de dizer o TIO SÉRGIO.
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos gravados ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ, pela tentativa de expandir a música ad-infinitum.
Mas percebe-se, nitidamente, alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as música, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC. Claro, são muito legais, e imprescindíveis, para entender a evolução do ROCK.
Entre os seus contemporâneos eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto, musical, experimental na medida certa; e tão desviante filosófica e comportamentalmente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eu tangencio. Mas, para os que gostam, é perfeitamente possível ter acesso a tudo o que gravaram, porque lançaram em incontáveis discos… “póstumos”, não. Eles prosseguem, de um jeito ou de outro…
Por causa da insônia acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre pato e sapato. É ROCK, claro, mas de outra estirpe. Talvez sejam a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991, e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá e resiste até hoje. Já estiveram por aqui, não faz tempo. Continuam por aí, impunes…
É interessante notar que os PIXIES são o inverso do DEAD e do PROCOL HARUM. Criam música dura, curta, visceral, mas bem tocada. JOEY SANTIAGO, guitarrista, é lenda no PUNK e no GRUNGE;
O vocalista gorducho e gritalhão BLACK FRANCIS, é improvável misto de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias ou sensações de alguma vivência.
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED, “WALKS ON THE WILD SIDE, espreitando os portais do inferno urbano. SANTIAGO, et caterva, parecem haver saído de um curso para dragões, e cospem fogo para todo lado!
E há, também, KIM DEAL, a baixista. Espiroqueta abrasiva, com longo prontuário prestado ao ROCK nada convencional; CONTRA-MUSA da mesma forma que ANITA PALLEMBERG, PATTY SMITH, MARIANNE FAITHFULL, NICO…
O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge, de repente, casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, e energético!
Os PIXIES Fazem show legal para assistir. Mas será que eu gosto disso?
E por falar em dissonâncias comportamentais, bem mais do que sonoras, dei uma espreitada em algumas performances das moderninhas do PROTO-PORNO-DANCE – GLÚTEO RETAL, que assola o POP.
Haja contravenção, e LUBRIFICANTES e XUCAS, antes e pós BAILES e “RAVES”! As praticantes são, também, notórias ANTI-MUSAS…
E acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! A vida nem sempre é linear! E ainda bem!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\02\2021
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PAUL BADURA-SKODA E ALFRED BRENDEL. MEUS DOIS PIANISTA DE MÚSICA CLÁSSICA PREDILETOS

Por óbvio que seja, é impossível saber ou informar-se completamente sobre assunto qualquer. Ninguém sabe tudo, ou de forma efetiva sobre os macro temas da vida.
Se você gosta de música e quer saber um pouco mais, convém não ter ilusões. É recomendável privilegiar entre o CLÁSSICO e o POPULAR e, dentro deles, períodos, estilos ou seja mais o que for.
Ninguém sabe tudo sobre MPB, ou JAZZ, BLUES, ou ROCK, etc… São subdivisões enormes dentro de universo vastíssimo, espalhado e tão inconsistente e variado, que é bom ir com modéstia e calma.
Entendo quase nada sobre a música CLÁSSICA, ou de CONCERTO. Há quem prefira o nome música “ERUDITA”. Aliás, no BRASIL é assim denominada. Mas eu não vejo motivo: no mundo quase inteiro é simplesmente chamada de MÚSICA CLÁSSICA – Veja Europa, EUA….
O que sei a respeito é superficial e foi aprendido por algum objetivo ou gosto transitório. Mesmo assim, mantenho discos que aprecio, e para mim, são significativos.
Ando, no entanto, paulatinamente renovando o meu interesse. Voltei a comprar mais discos.
Gosto de PIANO em suas variações possíveis, do CLÁSSICO ao POPULAR. E os dois cavalheiros aqui postados estão entre os maiores pianistas do século XX . E, mais: são intelectuais da música, estilistas do piano e concertistas magníficos, de obra gravada enorme gravada; prêmios ao redor do universo e tudo o mais a que têm direito.
Ambos são austríacos. E ALFRED BRENDEL, hoje, 2024, continua vivo aos 92 anos.
O que me leva à única percepção mais detida sobre o assunto: os pianistas alemães, como WILHEM KAMPF, fazem um ataque mais incisivo ao instrumento. Os dois austríacos não. Seria uma escola? Ou apenas personalíssimas interpretações do mesmo repertório?
Adoro BRENDELL por causa do dedilhado perfeito, onde se ouve nota por nota. Ele controla a música de maneira soberba. Aliás, ele se auto – identifica como um executor fiel dos objetivos e ideias do compositor.
Seu ciclo de BEETHOVEN, das sonatas aos concertos para piano, parecem supremos! De uma leveza contrastante com o estilo de seus primos alemães…
BADURA-SKODA coleciona pianos e gravou muita coisa. Fez, inclusive, ciclos de obras com instrumentos de épocas diversas, portanto com resultados diferentes.
Para mim, ele retira sonoridade única dos teclados. O TRÍPLICE CONCERTO de BEETHOVEN, na foto, é de beleza ímpar. E a execução do COLLEGIUM AUREUM é espetacular em quaisquer aspectos: compreensão da obra, sentimento e técnica.
Eu incentivo os meus amigos a buscar o vinil original da gravadora alemã “HARMONIA MUNDI”, lançado por aqui em 1974. Ou, quem sabe importá-lo. Talvez não sejam caros demais. Da capa à qualidade técnica e artística da gravação vale muito além do que custa.
E quanto aos CDs?
Esqueçam. O que recentemente vi disponível custa mais de R$ 500,00!!!!
Magia, mestria e refinamento esperam os que ousarem.
O TIO SÉRGIO, aqui, ainda ousa.
POSTAGEM ORIGINAL: 26\01\2018
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ORNETTE COLEMAN, FREE JAZZ, ATLANTIC RECORDS, 1961. A MAIS RADICAL EXPERIÊNCIA DA MÚSICA POPULAR

Dia desses acordei com a “macaca ” e fui dar uma repassada em alguns discos “relaxantes”. Comecei com MILES DAVIS em “KIND OF BLUE”, disco elegante mas nervoso como todo o BE-BOP.
Depois, fui direto para o ORNETTE COLEMAN e a mais avassaladora experiência musical até aqueles tempos, 1961!
Ainda seria?
É curioso. A música popular moderna havia chegado a seu ápice técnico e de bom gosto, com as grandes cantoras e cantores americanos fazendo os ciclos de compositores como GERSHWIN, COLE PORTER e diversos vários. E, quase ao mesmo tempo, o JAZZ instrumental vivia um refinamento estético brilhante: JOHN COLTRANE, MILES, DIZZY, CHARLIE PARKER e outros mais.
O interessante é que ao invés de expandir-se e repetir-se houve implosão: a DESCONSTRUÇÃO RADICAL da MELODIA, a SUBVERSÃO da HARMONIA, e a RECONCEITUAÇÃO do RITMO.
Pareando, mas sem comparar, foi o equivalente à aparição de STOCKHAUSEN na “música clássica moderna”, após SCHOEMBERG e DEBUSSY. Em poucas palavras, o advento do caos após revoluções quase radicais. Terremotos destrutivos exigindo construções em cima de outras bases.
COLEMAN teve a ideia libertária e libertadora de propor a IMPROVISAÇÃO TOTAL. E foi além: juntou dois quartetos de formação igual, com sax, trompete, baixo e bateria. Os músicos são todos de primeira linha, e com recursos técnicos e formação para compreender a VANGUARDA DA ÉPOCA.
No estúdio havia dois gravadores registrando o que estava sendo feito. Ficou estabelecido que, em alguns pontos pré-definidos, todos tocam ao mesmo tempo. E a “coisa (des) andou” por 38 minutos, em take único. Cada músico atua em ANDAMENTO, RITMO ou MELODIA à sua própria escolha! Radical mesmo!
Resultado: O caos?
Não!
O que resultou é obra com início, meio e fim. E simplesmente porque depois de gravada, se consolida um produto que se mantém intacto para a eternidade. Portanto lógico, autossuficiente e coeso em si mesmo. Criação espontânea, e indiscutível!
“FREE JAZZ, A COLLECTIVE IMPROVISATION”… é obra revolucionária e libertária ao mesmo tempo. Mas pronta e acabada, e inteligível para quem vier ouvi-la a qualquer tempo e época!!!!
Você está obrigado a conhecê-la!
Inigualável!
POSTAGEM ORIGINAL: 28\01\2018
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UTE LEMPER – THE PUNISHING KISS – DECCA 2000

IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO observou em seu livro de 1984, “O VERDE VIOLENTOU O MURO”, que “NA ALEMANHA ATÉ PUNK É DISCIPLINADO”: contou que viu em rua deserta um jovem PUNK esperar o semáforo abrir para atravessar “na faixa”… E isso diz muito sobre o povo alemão, para o bem e para o mal, não é mesmo?
E abre hipóteses para entender esse disco intrigante de UTE LEMPER, atriz e cantora alemã, que faz um…”TAKE A WALK ON THE WILD SIDE” das PAIXÕES UNDERGROUND do íntimo humano.
BERLIM é cidade tida como “afetivamente fria”. Mas intensa, porque expõe o sexo e suas implicações; os relacionamentos casuais; os desejos; a prostituição sem pieguice. Em suma, mostra o desalento e o desamparo; a falta de grana; e, também, o não arrependimento reflexivo de seus viventes. É o existir com suas dores explicitadas, portanto.
No repertório, vem tudo descrito em letras de autores excelentes e sofisticados. E compositores íntimos do UNDERGROUND CONTEMPORÂNEO, que pintam um quadro DARK sem ilusões ou desesperos. Algo depressivo, mas COOL. Controlado e reprimido simultaneamente.
Coisa de alemão?
Do ponto de vista musical há direção estudada, produção firme, portanto obra coesa como se a pretensão fosse um álbum CONCEITUAL. E talvez seja. Há música de CABARÉ, TANGO, CHANSON FRANÇAISE… e POP ROCK, também.
Enquanto escuta, a gente viaja pela translúcida selva da marginália CULT. Há NICK CAVE, ELVIS COSTELLO, PHILLIP GLASS, DIVINE COMEDY, TOM WAITS, SCOTT WALKER E KURT WEILL. Autores escolhidos e apresentados de forma a dar sentido ao que, imagino, seja a essência da frieza proficiente e ativa dos alemães, também para lidar com as emoções e desejos…
Claro, é tudo sob o ponto de vista dos produtores e da cantora; já que também buscados em autores americanos, ingleses, etc… Enfim, onde há DARKS é instigante colher metáforas.
UTE LEMPER é competente sem ser brilhante. A maior parte da obra é feita por NEIL HANNON e o DIVINE COMEDY. No disco há música e uma orquestração de SCOTT WALKER, naquele estilo próprio de expressar maremotos e inundações; refluxos e desolação.
Amedrontador!
Você ouvirá, também, um PHILLIP GLASS “quase minimalista”, e fazendo um POP ROCK com a sonoridade básica e o estilo transposto para as sinfonias compostas sobre a fase BERLIM de DAVID BOWIE. Mas é adequado ao disco. E há muito, muito mais…
TIO SÉRGIO recomenda. Mas questiona: será que gosto, mesmo, disso?
E você gostará?
Tente, porque é fascinante!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\01\2020
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BLUES – ROCK DA INGLATERRA E ADJACÊNCIAS 1960/1990

 

TIO SÉRGIO e suas buscas e predileções. Agora, os ingleses. Eles são, possivelmente, os inventores do BLUES-ROCK; e de suas extensões para o HARD ROCK, HARD BLUES, PSICHEDELIC BLUES, e o que mais houver!
E fiquei envergonhado!!!!
Cadê o JOHN MAYALL, ALEXIS KORNER e CYRIL DAVIES, os antecessores da bagaça local? E o TEN YEARS AFTER? E o HUMBLE PIE? Não lembrou dos GROUNDHOGS, TIO SÉRGIO?
Acertaram! Cadê? O gato comeu? Ou “eu esqueceu”?
“Eu não esqueceu”. Ou, melhor: “eu optou” por não incluir. Já escrevi muito sobre MAYALL, e tenho uns 60 e tantos discos dele. Do FREE e do HUMBLE PIE o TIO SÉRGIO tem tudo”. E também da banda do ALVIN LEE! Quanto aos “MARMOTAS”, ficaram entocados aqui na estante.
Xiiii!!!! E a banda do PAGE, do PLANT, do JOHN PAUL JONES e do BONHAN? Perderam o avião? Inclusive há mais dois óbvios que surgiram em minha frente e eu “pegou pra foto”: JEFF BECK e DEREK & THE DOMINOS – CLAPTON, por supuesto!

Em compensação, arrastei artistas mais RAROS e “BELICOSOS” – gente que não se encontra por aí com facilidade. Mas há esquecidos e escondidos; raros, caros e preciosos; e, talvez, desvalidos e amotinados.
Apenas uma garantia o TIO SÉRGIO “garante”: são todos legais e colecionáveis – cutucados um por um. Eu me orgulho por tê-los prospectado, coletado, guardado e, vez por outra, vou exibindo para a turma.
As fotos são lavras da minha festejada e relevada incompetência. Acho que é possível identificar disco a disco, e vou contar ao menos sobre “uns alguns”:

1) THE BRITISH INVASION ALL – STARS, lançado em 1991, é um ônibus que pôs na estrada um amálgama de gente dos YARDBIRDS, PROCOL HARUM, CREATION, DOWNLINER SECT, NASHVILLE TEENS e PRETTY THINGS: é “mexido” cult com fragmentos de bandas legais dos 60’s fazendo BLUES e outros “HITS”. Para mim, é imperdível!

2) CHRIS YOULDEN foi o vocalista da fase áurea do SAVOY BROWN. Legal, muito legal. Mas ele próprio não achava. Dizia que era só uma pecinha no almoxarifado do BLUES – ROCK. Ele exagerou pra baixo, claro!

3) DIRTY BLUES BAND, 1968, revelou um quase famoso gaitista chamado ROD PIAZZA. O disco é muito raro e não faz feio….

4) NIGHTS OF THE BLUES TABLE, 1992, é miscelânea ultra legal: os suspeitos de sempre, e outros quase imprescindíveis. Procurem por aí;

5) PRETTY THINGS / YARDBIRDS BLUES BAND. Bem, vocês imaginam o que seja ligar o ferro de solda e fundir gente das duas bandas… Imperdoável é ter.

6) JOHN DUMMER BLUES BAND, raro e colecionável; muito legal e pouco citado. O vinil original vale a terceira margem do rio…

7) Um espetacular EP de GARY MOORE, ao vivo com ALBERT KING, tocando “STORMY MONDAY BLUES”. “Must imperdível” de quase dez minutos! Foi gravado lá por 1994! Saiu por aqui integrando o conhecido SHOW ao vivo de GARY.

8) Também posto a CLIMAX BLUES BAND; o CHICKEN SHACK, com o guitarrista STAN WEBB; ERIC BURDON BAND; KEEF HARTLEY BAND; SAVOY BROWN, TEN YEARS AFTER; CHRIS FORLOWE, PETER YORK – ahhh, vão pesquisar quem são os caras…
E não esqueci o organista BRIAN AUGER, músico celebrado, de carreira extensa. É criador de FUSIONS entre o JAZZ e o BLUES; e militou em torno do PROGRESSIVO. É técnico, estudioso e competente.
Finalmente, a magnífica THE BLUES BAND, um coletivo de “blueseiros” que militam desde os anos 1960. É gente conhecida, de carreira longa e sólida.
Enfim, sirvo sofisticado repasto para “gostantes” do BLUES-ROCK inglês, adjacências, e paragens mais longínquas. Ou seja, a maior parte de nós todos!
Prospectem, desvendem e curtam essa galáxia esfuziante.
Infinita est!
POSTAGEM ORIGINAL: 31\01\2021
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