LENNIE DALE & BOSSA TRÊS – UM SHOW DE BOSSA ELENCO – 1963 – EDIÇÃO JAPONESA

Passei uns 20 anos tentando encontrar esse disco. Eu coleciono Bossa Nova e, aos poucos, venho reconstituindo o selo da gravadora Elenco. Pra mim, o equivalente nacional da BLUE NOTE, ATLANTIC, VERVE, etc…
Muita coisa não existe disponível, e é possível que não seja relançada. Imagine um CD de TOM JOBIM e VINÍCIUS DE MORAIS juntos! A turma que hoje toma conta dos espólios de ambos criaria empecilhos intransponíveis !!!???? O mesmo serve para outros importantes e já esquecidos.
Vocês conhecem o LENNIE DALE?
Era um dançarino e coreógrafo americano. Veio e ficou no Brasil. Trabalhou com Deus e mundo. ELIS REGINA, por exemplo. A turma gostava muito dele.
LENNIE gravou 4 discos e só dois foram lançados em CDS. O BOSSA 3, que o acompanhou, era um trio com LUIZ CARLOS VINHAS, ao piano; TIÃO NETO, baixo acústico e o histórico baterista EDISON MACHADO. Muito bom, é claro! Ah, DALE tentava cantar…
Pois bem, comprei o disco; não foi barato, mas encarei, ouvi e… LENNIE DALE mal falava português e não cantava bem.
O repertório é adequado. SAMBA, BOSSA, JAZZ e tudo o que ainda se espera de um clássico daquela época. Foi gravado ao vivo, é muito bem tocado e o público ajuda. Mas, deixa a desejar… É compreensível.
Seja como for, eu o incorporei ao acervo com a devida honra e pompa. Se TIO SÉRGIO acha que vocês devem comprar?
É só para os completistas. Há inclusive, edição inglesa em LP que tentei trazer quando custava “leite de pato”. Sumiu no caminho…
Artisticamente falando, todos temos coisas melhores pra garimpar. Mas do ponto de vista histórico é troféu de caça a ser conquistado.
Decidam!
POSTAGEM ORIGINAL: 09\07\2020
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PINK FLOYD – TRILHAS E TRANSIÇÕES – 1967/1972

Em 1972, talvez, eu fui pela primeira e única vez a um Salão do Automóvel. Meu interesse por máquinas é mínimo. Porém, havia um stand em que, de hora em hora, dançarinas apresentavam um balé guiado por trilha sonora instigante e de vanguarda para aqueles tempos.
Fiquei fascinado, e quis saber o que era. Resposta: “PINK FLOYD”, PARTY SEQUENCE, DO LP “MORE”, de 1969. Assisti duas vezes! Ouçam e compreendam porquê o FLOYD é uma das bandas mais “visuais” do rock.
Há músicas deles que você “assiste” ouvindo. Exemplo? “SEE-SAW” , em a “A SAUCERFUL OF SECRETS, de 1968! E a suíte em “ATOM HEART MOTHER” entre mais um montão discografia adentro. Foi essa constatação que fez cineastas perceberem o potencial para trilhas sonoras que a banda apresentava.
A banda sempre esteve ligada a shows de luzes, e quem sabe criou o primeiro sistema de som “surround” da história, mesmo que precário. E o usavam em concertos no início de carreira. Claro, a invenção ajudou a forjar e ampliar o culto e a fama do grupo.
O PINK FLOYD é um tanto diferente de seus contemporâneos, principalmente os americanos. Criava música viajante “PARA FORA”. O tal “ROCK ESPACIAL”. Ouvi-los é participar de aventura visual, climática e, como seus pares e para quem gosta, “maconhante” – o que não é o meu caso.
O lado “SIDERAL” está no DNA do grupo desde SYD BARRET.
Os músicos compuseram, em 1967, a trilha para um documentário chamado “TONITE, LET´S ALL MAKE LOVE IN LONDON”. A música “INTERESTELAR OVERDRIVE” está em várias cenas.
Criaram, também, para outro curta: “THE COMMITTÉ”! E haja “CAREFUL WITH THE AXES, EUGENE” e outras invenções eletrônicas de “ROGER WATERS”. Todas essas, curiosamente não aparecem nem nos boxes de imersão total do que haviam gravado ou testado, e onde “tudo” foi lançado!
Mas a primeira trilha de verdade, integrante da discografia da banda, foi para o filme “MORE”, de BARBET SCHROEDER, lançada em 1969.
E mais experimentações eletrônicas de WATERS; e também RICK WRIGHT definindo o clima “ONÍRICO-ESTELAR”; NICK MASON e sua competência percussiva pontuando climaticamente. E o estilo de tocar guitarra que definirá o futuro da banda, com DAVID GILMOUR, que ali ficou mais explícito.
O PINK FLOYD entrou em sintonia com o quasi-HEAVY METAL no ano de 1969. Afinal, já contemporâneos do SPOOKY TOOTH, do ZEPPELIN e do HUMBLE PIE. E todos tateavam o PROGRESSIVO, apontando para o HARD ROCK e o METAL, que dominaria o ROCK para sempre!
Através de “MORE”, MICHELANGELO ANTONIONI os contratou para musicar ZABRISKIE POINT, filme ícone da época, também em 1969.
O sucesso da experiência e o trabalhão que deu, geraram a ideia-base para “ATOM HEART MOTHER” e depois “MEDDLE”, discos de transição para o PINK FLOYD de sucesso extremo que conhecemos.
A obra final dessa fase, “OBSCURED BY CLOUDS” é, também, uma trilha sonora composta para “LA VALLÉE”, outro filme dirigido por SCHROEDER, já em 1972.
É curioso! O disco foi gravado na França, em estúdio comparativamente precário, e o som ficou…digamos próximo ao do ROCK DE GARAGEM!!!! Mas foi o que os impulsionou para o estrelato nos EUA, e daí em frente para os mais de 250 milhões de discos vendidos!
Então, pessoal, prestigie os meninos desde os tempos remotos. Eles merecem… e muito!
POSTAGEM ORIGINAL: 09\07\2020
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VETERANOS DO R&B, DO BLUES E DO ROCK, E SEUS DISCÍPULOS

A postagem provavelmente atrairá também os mais jovens. Além de discos clássicos, históricos e colecionáveis, a maioria foi produzida nos últimos 40 anos – o que os aproxima do presente. A qualidade técnica e artística é muito boa! São exemplos do melhor BLUES, SOUL e R&B mesclados com o ROCK!
Dia incerto, eu postei algo semelhante concentrado na geração do ROCK INGLÊS dos anos 1960, e seus ídolos e mestres AMERICANOS.
Então, dei busca sem muito empenho em outras correlações e colaborações. Se eu focar atentamente, descubro mais discos na discoteca. Sem falar do que sei mas ainda não tenho…
Vão aqui mergulhos que vez por outra faço, e continuo sem me afogar. Preparar o texto foi uma delícia, porque temperado por nova audição de alguns discos que se perderam na coleção.
Então, de cima para baixo, à partir da esquerda:
1) CANNED HEAT & JOHN LEE HOOKER, foi lançado em 1971. Esta edição em CD traz coisas antes deixadas de fora. É a banda americana TOP e CULT, acompanhando um de seus ídolos e motivação para existir. “HOOKER ‘N HEAT” é lição sobre o estilo do velho mestre que inspirou quase todo mundo. Sim, todo mundo!
Alguns recordarão de SHOW dos ROLLING STONES bem mais de 20 anos atrás, em que HOOKER era um dos convidados, junto com ERIC CLAPTON. O “Seo JOÃO LEE PUTA” tocou seus RIFS de maneira desordenada, mas emotivamente. Ao sair, foi cumprimentado por todos e principalmente KEITH RICHARDS. É um ícone como poucos.
2) ERIC BURDON & JIMMY WITHERSPOON , “BLACK AND WHITE”, 1971. É disco raro e precioso! O nome do L. P. original é GUILTY, e traz composições de BURDON e WITHERSPOON, JOHN MAYALL, e etc…
Uma das faixas foi gravada na prisão de “ST QUENTIN” com a banda dos presidiários. Iconoclasta como ERIC BURDON sempre foi, aqui em parceria com uma das grandes vozes do R&B. Imperdível!
3) CHAMPION JACK DUPREE & TONY S. McPHEE, ‘THE COMPLETE SESSION”. É o guitarrista do inglês GROUNDHOGS, mais o piano, e a voz de DUPREE. A edição original é da gravadora BLUE HORIZON, também inglesa, e saiu em 1967 no auge do BRITISH BLUES.
Os GROUNDHOGS também acompanharam JOHN LEE HOOKER e JIMMY REED em turnês por lá. Foi antes de criarem o próprio estilo de BLUES, algo rude e truncado e tendendo ao PSICODÉLICO que os consagrou. Outro álbum imperdível!
4) THE ANIMALS featuring SONNY BOY WILLIAMSON, 1963: Misto de empresário e bandido, GEORGIO GOMELSKY montou turnês pela Inglaterra para SONNY BOY. Contratou bandas locais. Em NEWCASTLE foram os ANIMALS. Ensaiaram na raça uma só vez, e ficou tão vibrante que gravaram parte de duas apresentações!
5) SONNY BOY WILLIAMSON & THE YARDBIRDS, 1965. GOMELSKI seguindo o esquema, agora gravando ao vivo no CROWDADDY CLUB em LONDRES. Na guitarra, ERIC CLAPTON. O disco é referência básica do BRITISH BLUES.
6) SONNY TERRY, JOHNNY WINTER e WILLIE DIXON. “WHOOPPING”, 1984. Dizer o quê? Álbum clássico reunindo duas gerações de grandes do BLUES americano. Gravação da ALLIGATOR RECORDS, uma referência na década de 1980/1990.
7) B.B. KING “IN LONDON”, 1971. Gravado por uma das maiores concentração de craques por metro quadrado reunida!
RINGO, PETER GREEN, ALEXIS KORNER, JIM PRICE, BOB KEYS, GARY WRIGHT, STEVE MARRIOT, e outros eleitos menos votados. É ter ou se arrepender!
😎 AVERAGE WHITE BAND & BEN E. KING – BENNY AND US, 1977. A sensacional banda britânica que fundia R&B+JAZZ+ROCK + adjacências, com mais de 15 LPS gravados, e aqui acompanhando um
grande SOUL MAN americano.
Show de balanço e estilo algo diferente do feito pela ATLANTIC RECORDS e outras grandes gravadoras americanas. É prenhe de originalidades, molho e gás! Garante qualquer festa em alto estilo!
9) STEVE CROPPER, POP STAPLES & ALBERT KING – JAMMED TOGETHER, 1988: Três estilistas da guitarra, em show de balanço e técnica. O som é da STAX RECORDS. Em resumo, é imperdível. A produção é de ISAAC HAYES. Cabe em qualquer festa e discoteca.
10) GARY MOORE: COLD DAY IN HELL, EP. de 1992, com trechos de famoso SHOW ao vivo da época. Tem versão “não superada” de STORMY MONDAY BLUES, com ALBERT KING na outra guitarra. Para BLUES ROCKERS e HARD ROCKERS não botarem defeito. Escutei uivando na janela do apartamento!
11) MUDDY WATERS, JOHNNY WINTER e JAMES COTON – BREAKIN’N IT UP, BREAKIN’ IT DOWN. É a tour dos craques gravada em 1977. Completa o time BOB MARGOLIN, guitarra, PINETOP PERKINS, piano, para ficar nos mais famosos.
BLUES como deve ser. E é!
12) JIMMY ROGERS ALL STAR. BLUES, BLUES, BLUES , 1999. Homenagem ao grande JIMMY. Estão aqui ERIC CLAPTON, LOWELL FULSON, JEFF HEALEY, MICK JAGGER, TAJ MAHAL, JIMMY PAGE, ROBERT PLANT, KEITH RICHARDS e STEPHEN STILLS. Universo de grandes de três gerações.
Tá bom, né!?!?
Claro que tá.
13) B.B.KING & ERIC CLAPTON – RIDING WITH THE KING, 2000.
Bem, é ERIC CLAPTON E B.B.KING juntos. Um marco, talvez mais CULT do que original. Porém, obrigatório!
Tudo considerado, TIO SÉRGIO cumpriu a meta. Aliás, superou.
POSTAGEM ORIGINAL:09\07\2023
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FUNDADORES DO ROCK AND ROLL E A NATA DO ROCK INGLÊS DOS ANOS 1960/1970.

Quem gosta de ROCK sabe que durante a década de 1960, os ingleses trouxeram a velha geração do BLUES, do R&B e do ROCK
and ROLL para o conhecimento do público jovem.
A geração dos ROLLING STONES, BEATLES, ANIMALS… sempre respeitou e acolheu sem preconceito os velhos ídolos americanos. Pretos e brancos são reverenciados: “CHUCK BERRY”, “B.B.KING”, “JOHN LEE HOOKER” e RAY CHARLES; e, também”, “ELVIS PRESLEY”, “JERRY LEE LEWIS”, “BUDDY HOLLY,” “JOHNNY CASH” – e séquito enorme.
Vários desses patriarcas excursionaram pela Inglaterra acompanhados por bandas locais como “YARDBIRDS”, “ANIMALS”, “GROUNDHOGS” e contemporâneos, devedores espirituais e profissionais da velha guarda.
No início dos 1970, muitos LONG PLAYS – TRIBUTOS foram gravados em Londres com os mestres acompanhados por seus fãs, e se tornaram um “must” entre os colecionadores.
A elite do ROCK daqueles tempos participa formando verdadeiros “supergrupos”. Alguns potencialmente milionários porque impossíveis de serem reunidos novamente.
Claro, em alguns desses discos também estão membros originais das bandas dos mestres fundadores. O que “potencializa o teor” do evento e a curiosidade.
Querem ver?
1)) Acompanhando “HOWLIN’ WOLF” estão “ERIC CLAPTON”, “STEVE WINWOOD” e a “cozinha” dos ROLLING STONES, “BILL WYMAN” e “CHARLIE WATTS!!! Que tal?
2) Com “MUDDY WATERS” a presença de RORY GALLAGHER, WINWOOD e GEORGIE FAME, além de americanos como MIKE BLOOMFIELD e PAUL BUTTERFIELD. “Cult” absoluto!
3) BO DIDDLEY está com os menos votados, porém excelentes ROY WOOD, RAY FENWICK e EDDIE HARDIN;
4) CHUCK BERRY juntou KENNY JONES e IAN McLAGEN, do FACES e mais alguns.
5) Por último, o predileto do TIO SÉRGIO: JERRY LEE LEWIS em álbum duplo de 1973, lançado no BRASIL pela MERCURY RECORDS.
JERRY LEE regravou seus clássicos acompanhado por um imenso time de craques. Reinam PETER FRAMPTON, RORY GALLAGHER, ALVIN LEE, GARY WRIGHT e mais uns dez da mesma grandeza.
Os quatro primeiros foram gravados sob o selo CHESS, e lançados no BRASIL pela MOVIEPLAY. Os mencionados na postagem são LPS ou CDs imperdíveis, mas não tão caros ou raros. É possível adquirir.
Eu penso em reunir os cinco álbuns em um BOX . Se realmente fizer, posto pra vocês verem o resultado.
Ponham na lista. Têm certamente lugar pra todos em quaisquer discotecas.
POSTAGEM ORIGINAL: 08\07\2020\
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BJORK : BASTARDS! – 2 LPS. REMIXES – 2012

TIO SÉRGIO, você gosta de remixes?
Eu gosto muito, muito, é da BJORK!
Pulando de pato pra sapato, eu acho que fazer remixes na própria composição, ou na de qualquer artista que autorize, é estética e artisticamente legítimo e amplamente democrático. REMIXAGENS ampliam o escopo da criação original, e abrem para novos entendimentos, intervenções e reinvenções.
Remixar não é mutilar ou conspurcar um trabalho. E, sim, não se conformar e potencializar a criação original sugerindo interação homenageando e respeitando o criador.
Ao mesmo tempo e talvez seja um paradoxo, é antídoto ao ego ou possível egoísmo do compositor. É “mais uma discussão” que propõe divulgar trabalhos alternativos e complementares ao original. Vários REMIXES são recriações de alto nível.
Este álbum duplo da BJORK ostenta uma das capas mais bonitas que já vi! É uma pintura impressionante e magistral – É obra de arte autônoma!
Nos discos há vários DJs, REMIXERS – e sei lá mais o quê…, retrabalhando a obra de uma gênio musical contemporâneo.
BJORK é artista original, surpreendente, arrojada e talvez atrevida. É muito difícil de ser resenhada por causa de sua enorme versatilidade e criatividade. Ela não se repete; portanto, esconde possíveis parâmetros de comparação. É sempre imperdível e desafiadora sob quaisquer pontos de vista.
Este álbum duplo chegou em minha toca por R$ 170,00 MANDACARUS. Uns $ 34,00, BIDENS, ou TRUMPS, ou simplesmente dólares!!!
RECOMENDO SEM OUVIR. Deve ser bom por definição.
POSTAGEM ORIGINAL: 31\07\2023
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DAVID BOWIE, BRIAN ENO & PHILLIP GLASS – PERIGEU E APOGEU DE TRÊS GÊNIOS QUE ALINHARAM ÓRBITAS

AS SINFONIAS BASEADAS EM THE BERLIN YEARS – 1977/1979
A intuição também é instrumento de trabalho para gênios e superdotados. Do palmilhar sobre as ideias até pensa-las como transcendentes há grande caminho a percorrer.
Tudo é plural. Ao enxergar magnitudes é preciso criar estratégias e perspectivas para realizá-las. O que é intuído pode esconder – e sempre esconde – armadilhas que observadores menos sagazes não conseguem ver.
Em quaisquer artes ´- e na música talvez principalmente – ouvir, pensar, compreender, dissecar e recompor fragmentos pode trazer diferenças. E grandes compositores fazem isso.
Paul McCartney, talvez o maior compositor popular vivo, também compôs música erudita (por que não clássica, como se define em quase todo o mundo?), trilhas e música eletrônica. Searas complexas. Mas a dele é fazer música POP.
A chamada FASE BERLIM de BOWIE, 1977/1979 , que não foi gravada só em BERLIM, traz os discos “LOW”, 1977; “HEROES”, 1978; e “LODGER”, 1979. E, também, o SHOW ao vivo no espetacular álbum duplo STAGE, lançado em 1978.
Este momento na carreira dele foi antecedido e sucedido por discos próximos aos que fez com ENO.
O álbum “STATION TO STATION”, 1976, tem algo do KRAUT e da vanguarda eletrônica daqueles tempos. “SCARY MONSTERS” ressoa ao PUNK antecipando o P.I.L., banda experimental de JOHN LYDON.
Seriam?
O ROCK criativo e mutante de BOWIE ao juntar-se com a música eletrônica “AMBIENTE” e ao “KRAUTROCK” – hoje, nome genérico para o ROCK PROGRESSIVO ALEMÃO E SUAS ADJACÊNCIAS E ANTECEDÊNCIAS – que BRIAN ENO vinha desenvolvendo, gerou a TRILOGIA.
Nem DAVID BOWIE ou BRIAN ENO tinham a intenção de compor música erudita / clássica; em compensação apareceu PHILLIP GLASS, o grande compositor minimalista contemporâneo, que ouviu e intuiu na obra elementos para três grandes sinfonias. E pediu para compor em cima da FASE BERLIM.
BOWIE adorou a ideia e a primeira das SINFONIAS, LOW, veio a lume em 1993; depois saiu HEROES, 1996. E, por último, em 2022 foi lançado LODGER, a Sinfonia No. 12 do catálogo de GLASS.
Para dizer o mínimo, são três álbuns espetaculares, essenciais inclusive para a produção erudita contemporânea.
As Sinfonias não são simplesmente “músicas orquestradas baseadas nos temas propostos pelas canções”. PHILLIP GLASS não é o maestro GEORGE MELACHRINO, nem RAY CONNIFF, ou PAUL MAURIAT.
Uma sinfonia é outra “escritura” original baseada nos temas componentes, que, em certos momentos, mal lembram as músicas que lhes deram vida. É obra muitíssimo mais complexa.
GLASS colheu os vários temas de cada um dos discos originais e os retrabalhou. Eram todos ROCKs.
As sinfonias individualmente são obras coesas em si próprias, mas que se comunicam e abrangem cada uma das outras seguintes.
As três foram regidas pelo maestro DENNIS RUSSEL DAVIES e são, na verdade, estágios de um “TRÍPTICO”.
Não apenas pelos temas principais selecionados, mas também as “pontes” compostas por GLASS amalgamando e expandindo cada tema até gerar um novo “Movimento” singular.
As duas primeiras obras são totalmente orquestrais. Porém a terceira, “LODGER”, além da primorosa composição traz CHRISTIAN SCHMIDT no órgão de tubo, um artista grandioso! E inclui a sensacional cantora ANGELIQUE KIDJO. Preta do BENIN e ganhadora de três GRAMMYS, é considerada a “PRIMEIRA DIVA DA ÁFRICA”. Sua arte é combinar a voz e interpretação, que ressoam aos cantos tribais com influências do JAZZ e do R&B. A emissão potente, libertária, explícita e aberta, lembra VAN MORRISON em sua emoção derramada.
A participação de ANGELIQUE expõe o lado limite quase PUNK de algumas canções de LODGER – e de SCARY MONSTER, o disco seguinte e fora da FASE BERLIM e da sinfonia. Tudo se casa com a sofisticação moderna dos arranjos.
As composições minimalistas de GLASS envolvem, desenvolvem e destacam os elementos componentes em um todo orgânico e abrangente. O resultado é belíssimo, tenso, empolgante. Inesquecível!
As três sinfonias alinham o talvez apogeu criativo de ENO e BOWIE, com o perigeu de GLASS. Órbitas que se justapuseram em viagem cósmica rara. São discos imprescindíveis!
Procure ouvir e, se possível, ter. São obrigatórios.
POSTAGEM ORIGINAL: 05\07\2023
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“LADY DI”, OOOOOOOOOOOPPPSS: DIANA KRALL! ATUALIZADORA DA “GRANDE CANÇÃO AMERICANA”!

DIANA KRALL é a mais importante e conhecida “atualizadora” da GRANDE CANÇÃO AMERICANA. Foi ela quem divulgou para os mais jovens a beleza monumental do acervo de grandes compositores como COLE PORTER, GERSWIN, LORENZ & HART, JOHNNY MERCER, e pequena “entourrage” magnífica.
E devemos incluir aí TOM JOBIM, contemporâneo a todos, discípulo e continuador da tradição do belo como propósito!
Mas vamos falar sério:
O que essa turma fazia não era JAZZ. E, sim, música popular de altíssimo nível técnico: harmonias e construções complexas passíveis de de serem “JAZZIFICADAS”.
Exemplo claro é a BOSSA NOVA, que também não é JAZZ mas “SAMBA METAMORFOSEADO”. Portanto, MÚSICA POP em nível de excelência e perfeitamente tocada com todo o requinte do melhor JAZZ.
A GRANDE CANÇÃO AMERICANA cantada por SARAH VAUGHN, ELLA FITZGERALD, BILLIE HOLLIDAY, PEGGY LEE, SINATRA e grande elenco de contemporâneos imortais, fala sobre temas tópicos para o bicho-homem: solidão, amor, paixões, o dia-a-dia… é MÚSICA POP.
DIANA KRALL nasceu no Canadá e é superdotada. Toca piano desde os quatro anos e estudou no BERKLEE COLLEGE de BOSTON. É, também, cantora talentosa de personalíssima voz CONTRALTO . Tornou-se pianista refinada na tradição de OSCAR PETERSON, e seguindo ensinamentos do NAT KING COLE TRIO.
Porém, em relação às suas antecessoras, DIANA não faria parte do primeiro time. É só a minha opinião, claro.
Mas e daí?
Ela conseguiu trazer ao proscênio de forma contemporânea e não apelativa um acervo artístico inestimável! É competente pesquisadora e selecionadora de repertório. E o toca liderando excepcionais trios, quartetos e grupos maiores. Inclusive ressuscitando, vez por outra, o trabalho orquestral não açucarado gravando com gente em nível do maestro e arranjador ALAN BROADBENT.
Dizem as lacraias e os querubins de plantão, que DIANA não é flor de aroma agradável para se conviver. Dizem…
Mas está casada desde 2003, com o grande compositor POP ELVIS COSTELLO – um transgressor do PÓS-PUNK que emergiu para coisas muito, muito maiores.
COSTELLO tem parcerias com BURT BACHARACH. E, na MÚSICA CLÁSSICA, com a cantora ANNE SOPHIE VON OTTER. Gente grande!
A sensibilidade JAZZY de DIANA, associada ao refinamento do letrista ELVIS COSTELLO, é demonstrada no CD “THE GIRL IN THE OTHER ROOM, lançado em 2004. O casal divide parcerias em várias canções. E dividir é o conceito: ela compõe as músicas; e ele as letras. São dois egocêntricos que se complementam.
Os primeiros discos de DIANA KRALL, ONLY TRUST YOUR HEART, 1995; e ALL FOR YOU de 1996, e vários outros contêm diversos STANDARDS do repertório “JAZZÍSTICO”.
Aos poucos, ela calibrou o acervo com autores menos conhecidos, estendendo-o ao POP consagrado por compositores em nível de PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, JONI MITCHELL, BOB DYLAN… Exemplos nítidos: os discos WALLFLOWER, 2014 e QUIET NIGHTS lançado em 2009.
DIANA seguiu de certa maneira seus colegas e contemporâneos JOHN PIZZARELLI, STACEY KENT, PATRICIA BARBER e BRAD MEHLDAU. E “desvelou hipóteses para fazer JAZZ” de canções POP mais atuais. Expandiu o alcance para futuros STANDARDS, e ajudou a renovar o belo perene.
DIANA KRALL vem progressivamente cantando em tom mais baixo, “ROUCO-BLUESY”. Talvez pela perda de potência da voz, fato audível nos últimos trabalhos. Inclusive o lançado em 2020 – mas gravado anteriormente – THIS DREAM OF YOU, bem focado em “STADARDS – CULTS” do passado, “ma non troppo”…
A senhora COSTELLO construiu trajetória com mais de 40 milhões de discos vendidos. E ganhou pletora de GRAMMYS, discos de ouro, platina, entre outros.
DIANA KRALL em aspectos como inovação do tradicional e outras ousadias POP, nos faz recordar a nossa “VANGUARDISTA-POP-COOL- CONTIDA” MARISA MONTE.
Só para dar uma palinha: o ELVIS COSTELLO de MARISA MONTE é o ARNALDO ANTUNES. Ambos letristas especialíssimos e cantores chatos com vozes desagradáveis. Porém, imprescindíveis pela qualidade.
DIANA KRALL é uma das provas de que há muita coisa boa pra gente tentar continuar vivo!
Desfrutemos, pois.
POSTAGEM ORIGINAL: 04\07\2021
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BJORK: AVENTURA SINGULAR DO GELO AO COSMOS

O TIO SÉRGIO foi ótimo office boy. Desde os 14 anos, desenvolvi o senso de direção adquirido intuitivamente, e que me levava e trazia dos confins da cidade até onde horizontes fossem vistos. Durante uns sete meses, passei buscando coisas, pacotes, processos, e o escambau determinado pelas secretárias da diretoria. Eram amorosas e despóticas – e bem ao gosto brasileiro…
A remuneração em um grande banco da época, o NOVO MUNDO, era um atentado aos direitos humanos. Eu ganhava, em 1967, o chamado “SALÁRIO MÍNIMO DO MENOR”. A exata metade do mínimo de um adulto para trabalhar o dia inteiro, de segunda a sexta feira – e durante certo tempo, aos sábados até o meio-dia!!!!
Se hoje vivemos tempos de abusos, há cinquenta e tantos anos era “proto-escravidão” impingida.
Valeu a pena: eu girava São Paulo e, vez por outra, parava em lojas de discos, minha eterna paixão!
Mas também fui péssimo jogador de futebol. Não tinha orientação espacial para jogar em espaços curtos, e muito menos habilidade motora para dribles, marcação, essas coisas que definem um garoto até, digamos, uns 16 anos.
Fui estudante ruim, medíocre, e perdi dois anos no antigo ginásio tentando aprender a jogar bola. Aprendi? Claro que não! Vocês lembram, Renato César CuryJoão Raphael Ditommaso?
Então, fui mesmo em direção aos discos, e depois aos livros.
Por isso, TIO SÉRGIO descobriu fácil a BJORK; mas deixou de lado BRUCE SPRINGSTEEN – hipoteticamente, mais afeito à vida de garoto pobre em metrópole incipiente do terceiro mundo. Eu deveria ter estado mais para o “BORN TO RUN”, do que para “HEART FULL OF SOUL”, dos YARDBIRDS. Mas, não foi.
A BJORK eu conheci no final dos anos 1980, com os SUGARCUBES – que pouco me diziam. Mas ela saiu do gelo para o mundo; olhar de “laser”, talvez lince, enxergou seu diferencial até agora não transposto: um cantar único auxiliado por um timbre soprano raro, mesclado com a estranheza do sotaque “islandês” imposto como regra e não exceção. BJORK entrou no mundo POP e submeteu-o, colocou-se.
TIO SÉRGIO, apesar da idade, tem o estranho orgulho de conhecer mais HITS da nórdica excêntrica, do que do BRUCE SPRINGSTEEN.
E por que seria? Fácil. O americano é óbvio, mesmo que talentoso. Então, TIO atentou-se mais para ela.
A moça islandesa autotransplantada para o REINO UNIDO espanta! Como alguém vinda do gelo interessou-se por gente tão tropical como MILTON NASCIMENTO e ELIS REGINA, e convocou EUMIR DEODATO para produzi-la? E mais agora de seu tempo, incorporou e digeriu DJs do mundo inteiro para amplia-la? Pois, é!
E, pasme! Como não se desfigurou sob influências tão exóticas? Eu não sei: de alguma forma assimilou, foi em frente – expandiu as próprias hipóteses.
Você sabia que BJORK coleciona discos da ELIS REGINA? E que ISOBEL foi composta em homenagem a ela? Não notou? Não tem importância – mas certamente tem substância…
Ela é moderníssima, multiartista e multimídia. Quando assisti a “DANCING IN THE DARK”, filme do… ahnn psicopata… LARS VON TRIERS, grande cineasta do mal (desculpem – me se não concordam) fiquei mais fascinado ainda por ela! Principalmente pela crueldade do epílogo, em que acaba sendo executada injustamente por enforcamento, em cena horrorosamente brilhante. Está no filme CATHERINE DENEUVE – musa recorrente de minha adolescência “anarcoetílicointelectualizada”.
A reação que tive depois do filme foi desfazer-me da trilha sonora, tal a repulsa por aquilo tudo! Não consegui escutar mais, ou sequer manter na coleção! Faltará sempre.
Conclusão lateral inescapável: BJORK é, além de grande, criativa, e sempre mutante compositora e arranjadora, ótima atriz! Conclusão lateral número dois: sou fascinado por VON TRIER, assisti e assisto a todos os filmes que ele faz. Mas o quero preso em algum hospício. Ele não é humano!
BJORK é diferenciada. Não repete coisas. Compõe melodias, todas “DARK”, “DISMAL”, TRISTES, como sinopse de filme de terror. E orienta arranjos misteriosos que lembram “FILMES NOIR”. Tudo o que ela faz é relevante e de qualidade artística indiscutível.
A voz de BJORK determina o andamento de suas músicas, é simbiótica às suas criações, composições, sei lá o quê! O senso melódico da moça é meticulosamente ajustado à sua voz e ideias. É única! Tem estilo.
É minha opinião que DAVID SYLVIAN, BJORK e o RADIOHEAD são os mais importantes artistas de relevância do ROCK DE VANGUARDA, surgidos nos últimos 40 anos. Seriam?
Fui atrás do que pensam sobre a música dela. A quantidade de fusões identificadas é imensa! Talvez a maior que vi por aí! Cito poucas: MÚSICA CONCEITUAL, TRIP-HOP, ETHEREAL, DREAM POP, e tantas mais e tão bonitas que tanto faz…E são dez álbuns originais de estúdio e várias coletâneas.
Nem vou me concentrar em seus CONCERTOS! Diferentes, com a banda organizando outras sonoridades. São visualmente intrigantes, e é onde mais bem ela exerce seu lado teatral. Muita gente a estranha, e nem sempre dela gosta.
BJORK é um pequeno gênio nórdico? Superdotada seguramente ela é! Ah, sim!
Como sempre, eu escrevo sobre impressões pessoais. Sou um memorialista, digamos… Por isso as digressões, falas e resmungos espalhados ao longo do texto.
A hoje madura senhora é um sucesso de público. Também por isso, tempos atrás colocou à venda um apto, em Nova York, por $ 4,2 milhões dólares. Saiu na RECORD COLLECTOR – que também baba-ovo por ela, como o TIO SÉRGIO aqui.
Ah, o imóvel já foi vendido….
POSTAGEM ORIGINAL: 03\07\2024
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HERMAN’S HERMITS – INTO SOMETHING GOOD – BOX COM CINCO CDS, 121 MÚSICAS, E LIVRETO – EMI 1964/1972

Quase uma “BOY BAND”, o HERMAN’S HERMITS tiveram muito sucesso nos dias áureos, entre 1964/1967. Faziam o BEAT óbvio daquele momento – Bonitinho, dançável e agradável. Tinham caras, jeitos e atitudes de bons meninos. Venderam no decorrer da carreira 60 milhões de discos! Foi uma das poucas bandas que esteve no Brasil enquanto era
sucesso. Apareceram ao vivo na TV. RECORD, em 1968, se bem recordo.
Eram fortes nos ESTADOS UNIDOS, como outros ingleses contemporâneos: “BEATLES”, “DAVE CLARK FIVE”, “HOLLIES”… Na época, o MERCADO AMERICANO tinha tamanho e faturamento quase dez vezes maior do que o inglês.
“HERMAN´S HERMITS” estiveram muitas vezes no show de “ED SULLIVAN”, o maior programa televisivo no “HOSPÍCIO DO NORTE”. Assistido de costa-a-costa levantava ou enterrava qualquer pretendente ao sucesso.
SULLIVAN gostava deles porque eram moços educados, ao contrário da concorrência. E levantou os meninos, que aproveitaram bem as chances.
Não contei o número de HITS mas passaram de quinze, fora os menores… “THERE´S A KIND OF HUSH”, por exemplo, bombou e foi sucesso global. Outro que fervia em bailinhos da época, “THE END of THE WORLD” foi clássico baba ideal para tentar “roer o pescoço da mulherada, enquanto se dançava” – ooops… frase inescrupulosa rolava entre adolescentes… É Incrível o que a falta de sexo gerava na garotada e marmanjos conexos…
Porém, “NO MILK TODAY” – sucesso por aqui – fracassou na América. O tema era inglês demais… Aliás, a canção é um caso interessante: estourou em várias partes do mundo, Inglaterra, Japão e na Europa toda. E foi composta por um digamos… “BOY GÊNIO” da composição POP naqueles tempos:
GRAHAN GOODMAN, também inglês, compôs a canção em 1966, ainda adolescente, e a ofereceu a PETER NOONE, o “HERMAN” que era seu amigo. GOODMAN também compôs “HEART FULL OF SOUL”, 1965, gravada pelos YARDBIRDS; e “BUS STOP”, grande sucesso internacional dos HOLLIES, em 1966.
Depois, na década de 1970, tornou-se além de compositor um produtor, e formou com outros músicos o “10 CC” grupo POP de razoável fama com um grande HIT, que até hoje rola por ai nas rádios FM. “I´M NOT IN LOVE”, é agradável e “progressiva” – cheia de efeitos produzidos em estúdio.
Em discos dos HERMAN´S HERMITS tocaram parte dos músicos de estúdios importantes do ROCK INGLÊS. No primeiro álbum está JIMMY PAGE, por exemplo. O destaque é um RIFF e SOLO em “SILHOUETTE”, 1964, HIT SINGLE baba e… “chicletável” – também no BOX.
No final dos 1960, PETER NOONE abandonou o “HERMAN”, e saiu para carreira solo. Discreta. E ainda assim, em 2008 quando saiu essa compilação, ele fazia cerca de cem shows por ano! Nada mal!!!
Como tantos, PETER NOONE vive muito bem da glória passada. Que não foi pouca!
O BOX é muito legal para a turma que gosta do “BEAT POP LIGHT” e de cabeça vazia. ROCKERS de verdade teriam acesso de fúria homicida.
TIO SERGIO gosta e recomenda.
POSTAGEM ORIGINAL:  01\07\2020
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MOODY BLUES – A QUESTION OF BALANCE – THRESHOLD RECORDS, 1970

Entre os melhores discos gravados pelos MOODIES, e um dos primeiros a falar abertamente sobre ecologia. O primeirão, saiu em 1967: “VILLAGE GREEN & THE PRESERVATION SOCIETY”, dos “KINKS”.
Depois e quase simultaneamente, foram lançados este álbum dos “MOODY BLUES”, e “WHATS GOING ON”, clássico absoluto de MARVIN GAYE. O tema é pulsante, prioritário e inesgotável há mais de meio século.
“A QUESTION OF BALANCE” é magnífico! Fala sobre temas universais do humanismo não ideológico, amor, direitos humanos, oposição à guerra, pacifismo… Agenda permanente de pessoas civilizadas.
Os “MOODY BLUES” eram sagazes para fazer letras. Iam do sublime – “NIGHTS IN THE WHITE SATIN” e “TUESDAY AFTERNOON”, por exemplo – ao piegas açucarado de fazer inveja a “JOHN LENNON” e “MILTON NASCIMENTO”. E esta é uma das razões terem sido enormes na AMÉRICA – terra de letristas magníficos, e da breguice deslavada. Em quaisquer das hipóteses, faziam bem feito; e formavam na estirpe que tinha pudores e não se misturava a essa “COPROFILIA PANDÊMICA” em que se tornou grande parte das letras e músicas do POP.
Neste álbum, é referência para o sublime a música e letra de “QUESTION”. O amor é colocado em um contexto mais amplo, transcendendo o pessoal. E a letra é construída mixando sentimentos e as preocupações humanistas da banda.
A integração entre o MELOTRON e a guitarra acústica, violenta e memorável, foi certamente inspiradora da versão do U2, para “EVERLASTING LOVE”. Ouçam e comprovem.
A variação de andamentos na música; a melodia elaborada; e o vocal de JUSTIN HAYWARD formam composição notável! Mas a faixa boboca, eu acho, é “THE MINSTREL´S SONG” – breguice açucarada de matar diabéticos incautos!
“A QUESTION OF BALANCE” é um álbum que se pode classificar como “PROG”: conceito atual para colocar enorme gama de artistas sob uma classificação ampla e aceitável, e que transcende o POP mais comum, mas sem a pretensão de se equipararem ao GENESIS, ao KING CRIMSON, ou ao PINK FLOYD.
Os discos anteriores dos MOODY BLUES, “DAYS OF FUTURE PASSED”, 1967; “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”,1968; “ON THE THRESHOLD OF A DREAM”, 1969; “TO OUR CHILDREN´S, CHILDREN´S, CHILDREN, também lançado em 1969; e o posterior a este, “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, são “ROCK PROGRESSIVO”, com nuances variadas.
Durante a década de 1970, a turma da vanguarda renegou os “MOODY BLUES” ao segundo time. Hoje, recuperaram o prestígio. Merecidamente.
As gravações de todos os discos que realizaram são tecnicamente invejáveis! Todos em alto nível de criação artística, originalidade e inventividade no estúdio . E como tinham vozes bonitas e cantavam bem, esses caras!
A produção gráfica e o DESIGN das capas estão entre os melhores e mais bonitos da época! E também por isso, os lançamentos da banda eram eventos culturais e de mídia ansiosamente aguardados!
OS MOODY BLUES lotavam e teatros sempre que voltavam à cena, e isto até poucos anos atrás – apesar de ao vivo não serem tão marcantes. Com exceção do “PINK FLOYD”, os “MOODIES” certamente foram a banda de maior sucesso nos ESTADOS UNIDOS e no JAPÃO, entre os “PROGRESSIVOS”.
Conheçam os “MOODY BLUES”. Eles fazem parte do primeiro time do “ROCK” de todos os tempos.
POSTAGEM ORIGINAL: 01\07\2020
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