NINA SIMONE e DEE DEE BRIDGEWATER: DUAS ÉPOCAS, E DUAS FACES DO R&B

O tempo esvai-se, e as modas vão e vêm.
É sempre bom observar como as coisas se deram, e os conceitos de JAZZ, BLUES, ROCK e vasto etc… se formaram, ao longo da década de 1950, para serem mais bem definidos nos “sixties”.
Mas o assunto, agora, é outro:
Foi lançada, por aqui, uma ilustrativa COLETÂNEA de ‘NINA SIMONE”, abrangendo o que ela fez antes do enorme e merecido prestígio. São coisas entre 1959 e 1963. E apenas SINGLES.
É pertinente lembrar que ela não é “exatamente” cantora de JAZZ. Aliás, Nina sempre foi cantora de R&B; e foi trazida para o “conceito de JAZZ”, nos anos 1960 e 1970.
Erradamente, diga-se. Cantoras monumentais como SARAH, ELLA, BILLIE, DINAH WASHINGTON, e etc… são todas POP e basicamente R&B.
No entanto, NINA é única! Por vários motivos: sua formação sofisticada e erudita, opção de carreira, a voz especialíssima, E, especialmente, mal comportamento e certas atitudes, como andar armada, e dar uns tiros “pelaí “!
Hoje em dia, o que se ouve nesta COLETÂNEA DUPLA é o que está sendo chamado de “VINTAGE”. O conceito de “OLDIES”, parece ter migrado para coisas de 1967 para frente… É, também, um artefato belíssimo e barato! Para os não preconceituosos eu recomendo. Mas TIO SÉRGIO pondera: os mais jovens talvez estranhem o que ouvirão…
“DEE DEE BRIDGEWATER” é outra representante desta linhagem. Boa cantora; em seu repertório, ela flerta dos STANDARDS do “JAZZ” ao POP/R&B sofisticados e modernos. É antenada.
Este álbum foi gravado no MALI, em 2007 e, como a imensa parte do que vem da ÁFRICA, tem sua força principal na percussão e no ritmo.
Neste caso, não somente. “RED EARTH” é um “cross-over”, simbiose de culturas. Quem aprecia muita percussão vai adorar. Os mais calmos talvez dispensem.
Se vocês cruzarem com esses discos – se puderem, tentem. É risco aceitável. Valem a pena!.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\05\2019
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JANIS SIEGEL – A CULTIVADORA DE PÉROLAS

Ela é parte do excelente JAZZY/POP sofisticado e talentoso grupo vocal americano, MANHATAN TRANSFER.
Quatro cantores capazes de elevar em nível máximo COLE PORTER, JONI MITCHELL, DJAVAN, SLY & THE FAMILY STONE, TOM JOBIM, e tantos outros. Os caras sabem cantar tudo!
JANIS SIEGEL tem carreira solo tão virtuosa e versátil quanto em grupo. Vai muito bem com trios, quartetos e outras formações. E ajusta em estado da arte a sua voz expressiva e controlada, bela e quente, ao piano de “FREDDIE HERSCH”.
Aliás, tenham o prazer em conhecê-lo: FREDDIE é músico e artista de altíssima qualidade. Arranjador de bom gosto, capaz de realçar repertórios extensos e inusitados, dando-lhes a tintura jazzística adequada e imprescindível aos que procuram seu talento e competências.
Os discos aqui postados são todos recomendáveis. Relaxantes sem serem vulgares; e melodiosos sem pieguices. São gravações em alto nível artístico e técnico – seguramente!
O meu predileto é “SLOW HOT WIND”, de 1989, em que SIEGEL & HERSCH iluminam compositores modernos como JAMES TAYLOR, JULIA FORDHAN, JUDY COLLINS e outros vários. Escolheram músicas e repertório pouco usuais. E muito interessantes. TIO SÉRGIO garante!
Um instigante bálsamo para esses tempos vorazes e doentios. Descubram e curtam! Valem a pena!
POSTAGEM ORIGINAL:
29\05\2020
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YARDBIRDS EM METÁSTASE, OS PROGRESSIVOS: RENAISSANCE, ILLUSION E UM POUQUINHO DE ANNIE HASLAN

Todos sabem que THE YARDBIRDS foi banda fundamental, porque lançou três ícones da guitarra, ERIC CLAPTON, JEFF BECK e JIMMY PAGE.
Portanto, estão nas bases do HEAVY METAL e do HARD ROCK, com PAGE e o LED ZEPPELIN. E menos verticalmente com o JEFF BECK GROUP.
Pouco lembrado é que estiveram na gênese da PSICODELIA INGLESA, com várias gravações entre 1965 e 1967. E tão importante quanto: ajudaram a consolidar o desenvolvimento do ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO, com o RENAISSANCE, também consequência do mesmo espólio.
Quando os YARDBIRDS entraram em colapso, o baterista JIM McCARTHY e o cantor KEITH RELF experimentaram outros caminhos com JENY RELF, irmã de KEITH, e também cantora de estilo e voz mais lúgubres. E trouxeram o pianista JOHN HAWKEN e o baixista. LOUIS CENNAMO. Aliás, a mesma base que retomou o PROGRESSIVO em 1977/1978, com o ILLUSION, na cola do sucesso feito pelo RENAISSANCE.
Voltando à história, o pulo do tigre foi a FUSÃO de FOLK INGLÊS e MÚSICA CLÁSSICA DE CÂMARA. E gravaram dois discos: RENAISSANCE, 1970; e ILLUSION, 1971, em que o guitarrista MICHAEL DUNFORD, também participa.
Ambos são criações interessantes, embrionárias, mas longe da experiência SOLAR e de grande sucesso, que o grupo totalmente modificado passou a viver com a icônica vocalista ANNIE HASLAN, o próprio DUNFORD; o tecladista JOHN TOUT, o baixista JOHN CAMP e o baterista TERRY SULLIVAN, ‘a partir de 1972, com o álbum “PROLOGUE”.
A ascensão do RENAISSANCE foi vertiginosa, com discos sempre melodiosos, bem produzidos, muitas vezes excessivamente melífluos, mas colecionáveis e inesquecíveis. “ASHES AR BURNING”, 1973; “TURN OF THE CARDS”, 1974; “SCHEHERAZADE”, 1975; “LIVE AT CARNEGIE HALL”, 1976; “NOVELLA”, 1977, são os que tenho e postei. Há outros.
Os que curtem ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO não deixam de notar a inspiração que o RENAISSANCE buscou nos MOODY BLUES, por exemplo. E que a banda está na origem da música NEW AGE, disseminada e autônoma, de uns 40 anos para cá.
“ANNIE HASLAN” sempre teve carreira própria. Inspirou cantoras como “KATE BUSH” e “ENYA”. E é nítida a influência em “FLORENCE & THE MACHINE” e seu progressivo light contemporâneo.
Ela fez discos instigantes como ANNIE IN THE WONDERLAND, 1977, produzido “ROY WOOD”, notório e CULT maluco beleza criador dos clássicos grupos britânicos “THE MOVE”, e “ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA”, na década de 1970.
Em 1989, ela gravou para a EPIC outro disco interessante, chamado simplesmente “ANNIE HASLAN”. A versão de “MOONLIGHT SHADOW”, de “MIKE OLDFIELD”, e “THE ANGELS CRY” , de e com a participação de “JUSTIN HAYWARD”, dos ‘MOODY BLUES”, são deliciosas.
Vale relembrar outro CULT e RARO: “UNDER THE BRAZILIAN SKY”, foi gravado em PETRÓPOLIS, no PALÁCIO DE CRISTAL. Não sei precisar se é o mesmo que vi PIRATA, com “FLAVIO VENTURINI e BANDA”. Mas, é, também, disco imperdível e colecionável.
Curiosamente, em 02 de junho de 2022, ANNIE e o RENAISSANCE, ainda com DUNFORD, tocaram no RIO DE JANEIRO. Estão excursionando com outra “banda discípula”: o “CURVED AIR”, de “SONJA CHRISTINA” – cantora mais na linha de …”JANE RELF”; quer dizer: nada SOLAR.
Os CDs na foto são da minha coleção, e a maioria, edições japonesas. O RENAISSANCE é Imprescindível para compreender e gostar de uma das mais belas e sofisticadas tendências do ROCK: o PROGRESSIVO SINFÔNICO E SUAS ADJACÊNCIAS.
POSTAGEM ORIGINAL: 01\06\2019
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QUEENS LOGIC – TRILHA SONORA – 1990, MÚSICAS LEGAIS E UMA PÉROLA ESCONDIDA

O FILME não é grande coisa. Foca em jovens nem tão jovens, de classe média bem média do BROOKLIN, em NOVA YORK. Mostra suas pequenas aventuras e amores, a mediocridade esperada; a vida comum. Vez por outra, passa nas TVS.
A TRILHA SONORA é, digamos, sociologicamente interessante. Mistura SOUL MUSIC, com “MARVIN GAYE”, “EMOTIONS” e “DELPHONICS”. Estão lá, R&B e “DISCO”, sucessos de “EARTH WIND AND FIRE”, “SLY & FAMILY STONE”, “EDDIE MONEY”, ‘WILD CHERRY”, e “CHERYLL LYNN”. E o toque fino do bolo: “VAN MORRISON” e sua absoluta distinção artística. Também não faltam ROCKS, presentes com “ARGENT”, “CHEAP TRICK” e ‘MOTT THE HOOPLE”.
É tudo bem legal, dançável e emblemático. Era o que a turma ouvia em rádios, e dançava em clubes e bailes: o som POP do meio pro final da década de 1970, início dos 1980.
Nem tudo aqui é bem gravado, mas é gostoso de ouvir. Animado sem ser esfuziante.
Porém, há um grande sucesso inesperado: “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE”. A gravação original é de “ELVIN BISHOP”, excelente guitarrista, que participou do lendário “PAUL BUTTERFIELD BLUES BAND”.
A história da composição é a seguinte: Em 1975, quando foi completar o sétimo disco solo, “STRUTTIN´MY STUFF”, o produtor de nome impronunciável, “BILL SZYMCYZK”, percebeu que havia espaço para mais outra faixa. E
revira de lá, busca daqui, “BISHOP” sugeriu essa música, bem longe do estilo e repertório que ele fazia.
Porém, “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE” é um grande e marcante POP/ SLOW DANCE – canção deliciosa, jovial, com um quê de macho pegador; e o final inevitável quando o “mocinho” cai de quatro por uma … “presa”. A letra e a música se integram.
Mas ainda havia um problema: para ELVIN cantar não dava. Sua voz é algo “BLUESY/INSOSSA” – inadequada. E ficou para um dos membros da banda, MICKEY THOMAZ – bom cantor que, depois, substituiu MARTY BALIN, no STARSHIP. E assim, ELVIN BISHOP obteve o maior HIT de sua carreira bem construída.
O curioso é que a trilha abre com “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE”, em versão feita pelo obscuro HENRY LEE SUMMER, com JOE WALSH – o guitarrista de estimação do “impronunciável”. Só! Diferencial berrante!
Se você bobear, acaba confundindo com a original, tal a proximidade entre os vocais e o arranjo! “É igual, mas é diferente”- epistemologicamente definindo…
Há outras versões ‘pelaí’. ROD STEWART fez uma AO VIVO, adequadamente boa, no estilo dele combinando falta de capricho com despretensão. E a cantora COUNTRY / POP, “MIRANDA LAMBERT” também gravou, e pôs seu pitaco… sei lá…
Eu adoro ouvir esse POP extraordinário! Um clássico nas FMS americanas de OLDIES. E sigam o conselho de ELVIN BISHOP: se pular a cerca, cuidado para não se apaixonar…
POSTAGEM ORIGINAL: 29\05\2022
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ELTON DEAN – DOIS MOMENTOS DO JAZZ INGLÊS DE VANGUARDA, ANOS 1970 / 1980

TIO SÉRGIO está envelhecendo, e continua resguardando.
Uso máscaras, tenho anti-térmicos e caixas de “Parabucetamol”, oooopppsss. Tudo pra fugir do COVID 19.
Agora, estou à espreita da VARÍOLA DO MACACO. Mas já estou vacinado (contra o MACACO, não, pô…).
Só falta a antirrábica, pra aguentar a vida e a política.
Porém, uns anos 40 anos atrás, TIO SÉRGIO esteve todo pimpão com a patroa no “TEATRO CULTURA ARTÍSTICA, em SÃO PAULO, que passou por incêndio destruidor, e lá assistimos a um show do mito inglês do SAX, ELTON DEAN, e sua banda de craques! O ticket do ingresso está na foto.
Detalhes marcam a memória: ELTON subiu no palco com chinelos tipo havaianas, em quente noite de março. Foi em 1986.
Na banda, o incrível e complexo BATERISTA, JOHN MARSHALL, exposto fielmente por Fernando Naporano, em artigo na FOLHA de SÃO PAULO, como a “MÁQUINA PERCUSSIVA”. Ele é, mesmo, um espetáculo, e mostrou os porquês!
Meninos, meninas e intervalos de orientação sexual entre um polo e outro: esteve por aqui a VANGUARDA JAZZÍSTICA INGLESA daquele momento! EMPOLGANTES e ANTI-ÓBVIOS deram aula sem monotonia. Sensacional!
Aqui, estão exemplos da arte incrustada em discos por ELTON DEAN. Experimentos PÓS-FREE JAZZ, mas com suas tradições e cacoetes:
O quarto álbum do SOFT MACHINE, de 1971. E outro de seus filhotes, o quarteto composto pelo baixista HUGH HOPPER; ELTON DEAN; o pianista de vanguarda KEITH TIPPETT; e o baterista JOE GALLIVAN, em “CRUEL BUT FAIR”.
Ambos discos recomendáveis de montão para a turma que transita pelas aerovias siderais da FUSION RADICAL.
Aos que assistiram ao filme-biografia do “REGINALDO” DWIGHT, também conhecido por ELTON JOHN, vou esclarecer: seu nome artístico é homenagem ao xará ELTON DEAN, de quem é fã e com ele tocou. E o JOHN é referência ao “BLUESMAN” inglês LONG JOHN BALDRY, e não ao BEATLE “LENNON”, como foi insinuado.
Referências refinadas, heim pessoal?
Então, mergulhem de cabeça na obra de ELTON DEAN! O arrependimento vai matar quem não fizer…
POSTAGEM ORIGINAL: 30\05\2020
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TIERNEY SUTTON – CANTORA DE JAZZ “I’M WITH THE BAND” – TELARC, 20O5

Faz tempo que você não ouve uma cantora de JAZZ de verdade? E discos onde certas regras, repertório e orientação da banda não deixam dúvidas?
Demorou; e a fumaça branca apareceu: o conclave consagrou nova PAPISA!” Habemus TIERNEY SUTTON!
Mas TIO SÉRGIO, a moça é loira, branquela e nada novinha! E “tem nenhum” pretão na banda?!?!? Perfeitamente, BOYS and GIRLS e adjacências! É tudo impecavelmente moderno e no solfejo final da tradição jazzística. Aqui, não há “FUSION” ou “EXPERIMENTALISMO” gratuito. Apenas VOZ e CANTO muito bem acompanhados e adequadamente arranjados. O álbum foi gravado ao VIVO no “BIRDLAND”, em março de 2005. Mais adequado e respeitoso impossível: a plateia fica em silêncio durante a performance, e urra no final de cada música. SHOW!
Vocês conhecem a tradição do “VOCALISE”, arte que os melhores do gênero cultivam – ou cultivavam?
Pois ali tem, sim!
Aliás, a moça abre cada música com um perfeito, afinadíssimo e diferenciado vocal. Tão puro e “clássico”, que lembra CHRISTIANE LEGRAND, dos “SWINGLES SINGERS” – lembram-se deles? –
O repertório escolhido équase 80% de STANDARDS ou CLÁSSICOS. O restante, e completado por músicas de clara beleza, escolhidas muito bem em contexto contemporâneo e nada óbvio.
TIERNEY além de cantar muito bem interpreta cada música de um jeito que você nunca ouviu. Ela estudou e recriou cada canção. Estão lá “S’WONDERFUL”, “CHEEK TO CHEEK” , “I GET A KICK OUT OF YOU”, “SOFTLY, AS IN A MORNING SUNRISE” e outras e mais outras, todas adequadas para repertório de luxo – e impecavelmente jazzístico! É criativo e artístico de verdade!
A banda desempenha – e como! E há dois baixistas: um deles somente para solar ou pontuar o fraseado da moça. Estratégia eventualmente usada pela turma da “FUSION” e do “ROCK PROGRESSIVO”.
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A gravação, mixagem e masterização estão em altíssimo nível. Afinal, é um lançamento da TELARC… Garantia de qualidade técnica.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\05\2020
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LITTLE RICHARD – “HERE IS” – SPECIALTY. 1956 e “ROCKS” – COLETÂNEA ESPETACULAR DA BEAR FAMILY, 2010

Disco seminal da história do ROCK, “HERE IS”, É o primeirão dele. Aliás, esse disco e o segundo, “LITTLE RICHARD, VOL 2, de 1958 – que aproveitou as sobras de estúdio do primeiro – formam um imenso latifúndio de clássicos essenciais. Tudo o que importa está nos dois…Para os completistas, é indispensável.
Mas, para arrasar mesmo, nada como a excepcional coletânea ROCKS, da veneranda BEAR FAMILY RECORDS. Está lá tudo o que ele fez em suas diversas fases, em masterização soberba. É “o” disco para se ter!!!!
RICARDINHO nasceu em Macon, Georgia, em 1935. São de lá os também “enormes” ALLMAN BROTHERS BAND.
Ricardinho da mesma forma que Miguelzinho era talentoso bailarino e cantor. RICARDINHO com 7 anos levantava uns trocos na rua dançando e cantando. Com essa grana, aos poucos, foi pagando lições de piano.
MIGUELZINHO sofreu mais. Ele e os quatro outros irmãos JACKSON foram domados a pau pelo pai psicopata que, na marra, lhes desenvolveu a arte e arruinou o emocional.
Eram, pois, duas crianças; e ambos geniais e históricos.
RICARDINHO tocava muito. Ele e outro contemporâneo irrequieto e trabalhoso fincaram a estaca do piano no ROCK: JERRY LEE LEWISs acrescentou ao RHYTHM AND BLUES, a praia de RICHARD, a levada melódica do COUNTRY. Ambos são a linguagem pianística fundamental do ROCK. “As consequências vieram depois”…
O disco da postagem é o primeiro de LITTLE RICHARD. Este Cd reproduz a edição original do LP para a SPECIALTY, gravado entre 1955 e 1956, todo recuperado, e masterizado em Mono, e som de qualidade. Há livreto e esse poster grandão.
Estou com preguiça de enumerar. Mas, sete faixas são STANDARDS e clássicos do rock. Tá bom, tá bom; tem “Tutti Frutti”? Tem, sim senhor! Tem “Slipping and Slidin`? Tem, sim senhor! E “Long Tall Sally”; “Miss Ann”; “Rit it up”; “Jenny, Jenny”; e “Ready Teddy” também estão todos na marmita. As clássicas restantes: “Good Golly Miss Molly”; “Keep on knocking” “Lucille” e “Girl Can´t help it”, todas gravadas nas mesmas sessões, ficaram para o volume 2. E, claro, estão no BOX ROCKS, aí na postagem.
Em poucas e berrantes palavras, um escandaloso império de clássicos compostos e gravados em menos de 3 anos! O restante da carreira, seus problemas e dilemas? Bem, vieram depois.
LITTLE RICHARD tinha talento esfuziante e característico: Cantar! Era um … digamos “RHYTHM AND BLUES “SHOULTER!” Nenhum dos fundadores, nem ELVIS, nem CHUCK BERRY ou quem você recordar soltava a voz como ele!
Isso mesmo! O cara é influência direta em JAMES BROWN, MICK JAGGER, VAN MORRISON, ROBERT PLANT, JOHN LENNON e quaisquer rockers que não se envergonhassem de cantar, expor entranhas e vísceras. Sua rouquidão controlada é o lusco-fusco entre o cantar bem e corretamente e o simplesmente berrar.
RICARDINHO ERA UM GRANDE CANTOR!
Nesse disco, existe uma faixa pouco notada. Mas, é a minha predileta porque faz a ponte que a turma do ROCK sabe existir entre o “DOO-WOP” e a “SURF MUSIC” dos BEACH BOYS e companhia, na década de 1960.
Então, saiam do óbvio e procurem ouvir “TRUE, FINE MAMA”. Está tudo lá, BRIAN WILSON deve ter escutado até aprender. É o fino!
Não vou comentar sobre a vida, opções e outras influências pioneiras de RICARDINHO. Mas, quero pontuar que a turma dos anos 1950 fazia ‘ROCK AND ROLL”. E o AND é fundamental para separar eras e consequências. A redução “N” foi coisa de meados dos anos 1960.
E devo lembrar que a primeira loja brasileira de discos usados só de ROCK foi “composta” por outro fundamental, e se chamava eloquentemente: WOOP-BOP! – as palavras iniciais de “TUTTI FRUTTI”. Rene Ferri não cantava. Mas, conhece muito bem quem sabe fazê-lo, inclusive o LITTLE RICHARD!
POSTAGEM ORIGINAL: 14\05\2023
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MILES DAVIS AO VIVO! A ÍNFIMA PARTE DO QUE EXISTE!!! A BIBLIOTECA DOADA, E OUTRAS QUEIXAS SOBRE A MODERNIDADE…

Acordei lá pelas 8 horas, e passei o café como diariamente faço. Abri a porta da cozinha para ver se a REVISTA VEJA havia chegado.
Não!!! Virou rotina nos finais de semana: atrasam dias, às vezes semanas, e só tomam providência quando telefono para reclamar. O ESTADÃO eu já havia desistido de esperar em casa; deixei pra lá e fiquei no digital. Vez por outra leio no computador.
TIO SÉRGIO é da turma do papel. E todo mundo, inclusive jornais e revistas, já migrou para o digital! Ler no computador é um puta saco!!! ! E odeio não tocar em coisas impressas – uma das paixões de minha vida.
Eu e a ANGELA tivemos de nos desfazer de parte da nossa biblioteca. Vocês não têm ideia da maratona/martírio que sofri!!! Havia ótimos livros. A maioria relevantes, e todos bem conservados.
Nós preferimos doar. Então, fui a bibliotecas; liguei para sebos, faculdades locais e vasto escambau… Ninguém queria saber!
O diretor da BIBLIOTECA MUNICIPAL DO GUARUJÁ se recusava a me receber. Insisti e persisti. Trouxas da modernidade, feito eu, perdem o contato com o novo real. É fato consumado: O mundo atual abomina o papel – até em bibliotecas públicas! E ponto.
Demorou um pouco; mas tomei coragem: carreguei dezenas de caixas. Voltei à Biblioteca na cara dura com umas três delas.
Aceitaram. Dia seguinte mais três… e sucessivamente. No final, doamos e entregamos um montão! Elogiaram, fotografaram, etc… e tal….
Quando uma sociedade formada por imensa maioria de iletrados migra para o digital; a falta de base, a dispensa da escrita à mão e correta, essas coisas…, baixa mais ainda o nível dos cidadãos.
Para consumar a tragédia, a má vontade oficial está incrustada na “Res pública”!
Tá bom, tá bom!!!!
Sobraram os discos; ao menos eles – e por enquanto, me dizem…
Voltando à parte séria da minha cantilena, enfiei a mão numa das braguilhas da minha discoteca e puxei um dos CDS que comprei: MILES DAVIS, LIVE AT VIENNE. Foi gravado em 1991; é FUSION moderna. É da fase WARNER.
No disco, vem “TIME AFTER TIME” da CINDY LAUPER; e, também, música do PRINCE; umas coisas do baixista MARCUS MILLER e, claro do próprio MILES. Tudo muito legal!
A banda tem bastante proeminência. E é formada por gente menos famosa, mas, como sempre, o som é a deliciosa qualidade que DAVIS sempre nos entrega. Saiu aqui em 2021, e vale a Pena. Então, resolvi dar uma sapeada na produção desse gênio, ver outras gravações feitas ao VIVO….
QUÁ!!! Patos-Cidadãos dessa imensa PATÓPOLIS TROPICAL, e URBI ET ORBI: São incontáveis!!! E de todo jeito: edições locais, internacionais, pirataria fina, e o que vocês imaginarem!!!!
Como dizia o FAUSTÃO, “Quem sabe faz ao vivo”. Mr. DAVIS talvez seja a prova mais bem fundamentada deste axioma!!!
MILES DAVIS viveu 65 anos!!! Só. Foi muito pouco!!!
Mas deixou 161 álbuns, quase a metade ao vivo!!!! Postei pouquíssimos. Devo ter mais uns trinta LIVES!!! Ele nos legou, também, 177 SINGLES e EPS; E são 886 compilações em VINIL ou em CDs; Nem fui atrás dos DVDS… As Informações estão no DISCOG. Ouse procurar, se tiver saco e perplexidade!
Vocês sabiam que MILES DAVIES é o único JAZZISTA que está no ROCK AND ROLL HALL OF FAME? Ele foi indicado em 2006! Eu soube que a PREFEITURA DE NOVA YORK mudou o nome de um trecho da RUA 77, onde ele morou por 20 anos, para MILES DAVIS WAY!!! Homenagem justíssima!
Quando morreu, em 1991, deixou um patrimônio líquido de $ 10 milhões de dólares. Achei pouco. Mas certamente foi multiplicado “pós – mortem”: a indústria musical respira MILES DAVIS até hoje. Espero que os poucos herdeiros usufruam. E nós, os fãs, sempre o tenhamos à mesa…
Nesta publicação coloquei o BOX “BITCHES BREW”, lançado no início da década de 1970. Aqui, existe DVD ao vivo daquela fase. O mesmo acontece no BOX “THE WARNER YEARS”, 2011, com tudo o que ele fez para a nova gravadora. Procurem está MILES & QUINCY JONES, LIVE AT MONTREUX!!!
O TIO SÉRGIO aqui assistiu MILES ao VIVO, EM SÃO PAULO, no dia 28/05/1974! Já contei em detalhes pelaí. Lançaram, em 2022, um CD DUPLO PIRATA com o SHOW!!! Vou ver se consigo.
Na época, meio século atrás, um músico da ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO, colega dos meus tios ABRAMO E JULIANO GARINI, comentou:
“Eu estava na plateia, quase no palco. E sei lá o que o negão tava fazendo com aquele trompete ligado a uma traquitana!!!” – era um pedal de guitarra elétrica. “Só sei que era fenomenal, e o som que ele tirava era difícil demais para fazer” . “Adorei!”
TIO SÉRGIO e o mundo inteiro também amaram e sempre amarão!!!!
MILES DAVIS, “is miles and miles away”.
POSTAGEM ORIGINAL: 20\08\2023
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ESTIRPE – MODOS DE OBSERVAR

A turma chamada para este CONDOMÍNIO METAFÓRICO, é parte do supra sumo da música popular. Vou chamar ERIC CLAPTON para exemplo, e talvez síndico;
Quando iniciou a carreira, em 1963, foi nada menos do que genial no restrito esquadro do BLUES e do ROCK. Na opinião do TIO SÉRGIO, depois de 1972, com altos “E” baixos permaneceu competente, fazendo música deliciosa para se ouvir, curtir; e, vez por outra, ressuscitou o TOQUE de GÊNIO.
CLAPTON está entre os poucos que se pode cogitar, e até afirmar, não ter gravado DISCOS RUINS. Alguns são bastante medianos. Porém, MEDÍOCRES JAMAIS!
Neste sentido, pertence a uma ESTIRPE, ELITE MUSICAL, em que despontam não tão poucos, mas certamente RAROS ARTISTAS. Aí vão, sem comentários e alguns em fotos.
Então, acordem com o “barulhos deles”:
KING CRIMSOM, CHICO BUARQUE DE HOLANDA, JOHN COLTRANE, DAVID BOWIE, MILES DAVIS, CAETANO VELOSO, BJORK, ROLLING STONES, BEATLES, EGBERTO GISMONTI, PROCOL HARUM, TOM JOBIM, RADIOHEAD ( ATÉ AGORA ), GILBERTO GIL, JOHN MAYALL, PAT METHENY, MARISA MONTE, DAVID SYLVIAN, PAUL McCARTNEY…
Não estamos sós. E, GRAÇAS AOS DEUSES, existe vasta MINORIA em meio à INESGOTÁVEL PRODUÇÃO MUSICAL em todos os tempos.
Sintam-se bem acompanhados, quando cruzarem com quaisquer deles – e outros.
POSTAGEM ORIGINAL; 21\05\2026
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KID VINIL: MINHAS MEMÓRIAS NA “WOP BOP” E PELAÍ

Eu recordo a morte do KID VINIL, em 2017, aos 62 anos. Eu e ele sempre tangenciamos. Gostamos de ROCK e colecionamos discos. Não chegamos a ser amigos; porém, nos conhecíamos e cruzamos em incontáveis lojas de discos, feiras e ambientes do ROCK, do meados dos anos 1970 até sua morte.
Quando eu tinha lojas de CDs, ele de vez em quando aparecia por lá. Depois que fechei a CITY RECORDS nos encontrávamos , vez por outra, principalmente na encantadora e também falecida concorrente a “NUVEM NOVE”.
Por temperamento e interesses fomos um o inverso do outro. Ele gostava e colecionava discos de PUNK e adjacências. Eu sou do BEAT, do BLUES , do ROCK PROGRESSIVO, PSICODELIA, JAZZ e arredores. Com o tempo, nossos gostos se expandiram, se aproximaram, e, claro, houve alguma convergência musical.
No entanto, para mim foi marcante termos participado de um artefato cultural inédito e que teve pouca divulgação: Ambos escrevemos no primeiro FANZINE brasileiro sobre ROCK , em 1976/77, chamado “WOP BOP”.
Durou poucos números, e hoje é objeto de colecionadores. A revisteca mimeografada foi criada por outro mito recôndito do ROCK PAULISTA, Rene Ferri – que era dono da loja de discos do mesmo nome, a WOP BOP. Aliás, a primeira a se instalar na hoje GALERIA DO ROCK. O Facebook também reaproximou-nos bastante. E eu sou grato à vida!
A revista WOP-BOP era necessariamente precária, mas circulou bem entre os roqueiros e a turma da contracultura.
Eu escrevi no primeiro número, março 1977, sobre os YARDBIRDS. Há outras colaborações minhas ao longo do tempo… No índice o meu nome saiu correto, SÉRGIO de MORAES. No editorial cometeram equívoco recorrente na minha vida inteira, grafaram o MORAES com I” grrr!!!
O KID escreveu muito por lá sobre o PUNK, usando o próprio nome: “Antonio Carlos Senefonte”. Também publicou no FANZINE muita gente interessante e conhecedora de música, como o advogado Valdir Montanari dos Santos, que escreveu livros sobre ROCK; um deles bastante instrutivo sobre “ROCK PROGRESSIVO”.
Valdir é outro escondido, que vez por outra ressurge.
Enfim, KID VINIL foi ( é ) um ícone alternativo paulistano muito conhecido. Merece nome de logradouro, se já não houver. Por onde passasse distribuía autógrafos e simpatia. De fã a cantor de ROCK, viveu sua própria decisão com dignidade.
Além da música e da escrita vai ser lembrado, principalmente, por seu personagem, estilo de vida, propósitos e ilusões a que deu forma.
KID VINIL era um anti-herói do Brasil. E faz muita falta neste hospício.
POSTAGEM ORIGINAL: 20\05\2025
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