E COLECIONAR TRILHAS SONORAS, QUE TAL?

Colecionadores de trilhas eu conheci alguns. O mais diversificado e compulsivo é o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo.
Pasmem! Uns 40 e tantos anos atrás eu e meu amigo Silvio Dean, outro refinado cultor de discos, fomos ao apartamento do ERIC, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
E conhecemos a incrível discoteca de LONG PLAYS, principalmente a extensa, rara e “caçada” por todo o planeta COLEÇÃO de TRILHAS SONORAS. Havia alguns milhares!!!!! Hoje, nem consigo imaginar quantos…. Doideira magistral!
Considere as dificuldades para erguer um patrimônio daqueles. É impossível saber quantos filmes de longa metragem foram produzidos ao longo da história – e até agora!!!! Fora outros vídeos, curtas metragem, trilhas para o teatro, novelas, séries de Tv, documentários, e vasto etc… não tabulável!!!
Talvez cinquenta por cento dos longas tenham TRILHAS SONORAS ORIGINAIS. As que foram lançadas em discos ou disponibilizadas por outros meios são milhares. Pense nos números que você quiser. Pouco importa… Coleciona’ – las dá trabalho, e certamente prazer infindável!
Só para esquentar o papo, quem sabe o padroeiro na atividade de “compor profissionalmente” tenha sido VIVALDI. Diz a lenda que fazia uma composição por dia para educar os alunos dele. Fez mais de 1000…
Era um WORKHOLIC. E trabalhou a tal ponto que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso querido padreco: “ele não compôs mil músicas; mas a mesma música 1000 vezes.” Julgue esta possível catilinária, mas seja compassivos…
O fato é que não há criação musical mais realista e avessa à hipocrisia do que escrever música sob encomenda. Pense nos caras e meninas que se dedicam a tal artesania. Dá um trabalhão doido! Existe prazo de entrega mas nenhum glamour, se pensarmos no processo e na implícita necessidade do produto refletir e se adequar ao filme sob o qual ela é inserida…
Dia desses oscilando entre o lusco-fusco mental e a sonolência da fria madrugada, eu assisti a um filme brasileiro sobre jovens algo além da adolescência e a caminho da maturidade: “A ÚLTIMA FESTA” é melhor do que eu suporia; e a trilha sonora é simples, moderninha e adequada ao filme.
Um bom compositor profissional de trilhas precisa deter conhecimento técnico e imaginação para combinar magia e tecnologia, ambas imprescindíveis para completar e materializar uma ilusão: o filme.
Estou cada vez mais tentado a assistir a filmes e vídeos. E talvez seja coisa de velho, mas não tenho ânimo para tentar colecionar TRILHAS SONORAS.
Mas vez por outra compro coisas correlatas ao JAZZ e ao ROCK – principalmente trilhas de filmes da década de 1960. E aqui estão algumas delas.
Então, jovens ou joviais desbravadores deem boa olhada nas telas. Ouçam mestres como ENIO MORICONNE, e outros modernos tipo ANGELO BADALLAMENTI.
E sem falar na complementação óbvia que são as trilhas acessórias, compostas por músicas caçadas por décadas afora recheando projetos… Aliás, formam o grosso do que postei…
Se tiverem coragem, há incontáveis milhares de discos soltos “pelaí”. TIO SÉRGIO deseja aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
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QUANDO O PAU CANTA QUEM TÁ FORA SE ENCANTA. O SHOW DE JERRY LEE LEWIS E OUTROS “CONTATOS DE PRIMEIRO GRAU” NADA CIVILIZADOS.

TIO SÉRGIO já vai esclarecendo que as fotos de discos do JERRY LEE LEWIS e dos AMBOY DUKES, a banda do guitarrista TED NUGENT em sua fase psicodélica, são meros pretextos para contar historinhas.
Os dois sempre foram “ISCAS DE POLÍCÍA”, para recordar o ITAMAR ASSUMPÇÃO que até onde sei não era encrenqueiro, mas atraía a repressão por outros motivos e preconceitos.
TED NUGENT é um reacionário e militante de extrema direita. Conta-se que acompanhava a polícia dentro dos camburões à procura de bandidos nas ruas…
Em minha casa ele não entra.
Nunca fui de briga. Sou um sujeito light e diplomático. Da turma do deixa disso… Passei a minha vida negociando, construindo convivências e conveniências, considerando o lado do carneiro e dialogando com a onça pra ver se ela se interessava por um gambá, digamos; ou, quem sabe, por uma saladinha de tomates e alface… essas coisas.
Compus vários acordos em situações inacreditáveis. Perdi outros. Na média, ainda pago e como a minha pizza com eventuais transações e negócios no mercado imobiliário.
Mas tio SÉRGIO, what porra was that? Você era arregão?
Eu diria que fui e sou um profissional da “Porrada Interrompida”. Um administrador de contrariedades. Muito comuns entre condôminos, proprietários e inquilinos e outras picuinhas cotidianas.
Porém, sempre que o ápice do impasse culmina em porrada, literais ou metafóricas, lá vou eu ver se dá pra contornar, deixar a coisa menos brusca, acomodar… Mas vi coisas. E não tão poucas; em que não intervim, e nem deveria.
Vou contar algumas;
Lá pelos doze anos de idade, tarde incerta cabulei aula junto com outros coleguinhas. Sei lá como ou porquê fomos parar em campinho no PLANALTO PAULISTA, perto da escola, e jogamos futebol contra a molecada dos arredores. Tudo foi de mal a pior, e acabamos enxotados pela turba local debaixo de pedras. Ainda bem que fuga foi em uma descida… Você se recorda disso, Renato César Cury?
Mais uma; Acho que até hoje existe a “PORTUGUESINHA”, que tinha um digamos…. estádio…. em terreno vago perto da rua LOEFGREN, nos limites da hoje CHÁCARA INGLESA, também em SAMPA.
Estávamos eu e meu “primoirmão” BETÃO assistindo a um jogo/batalha entre duas milícias futebolísticas rivais. Terminou em briga. Tínhamos nada a ver com aquilo. Mas um delinquente grandalhão tentou me afogar em um córrego, na verdade um corredor de fezes a céu aberto.
Apareceu sei lá de onde um adulto que impediu a minha execução.
Fui crescendo e as histórias melhoraram. Assisti a uma das grandes brigas em campo de futebol do meu tempo. Foi no estádio do NACIONAL ATLÉTICO CLUBE, time hoje quase inexistente mas que defendia sua honra em um estádio razoável, na Barra Funda, naquela época, um bairro operário.
Era a final do campeonato da segunda divisão, lá por 1969, sei lá…
Fomos assistir eu e o BETÃO, levados pelo tio ANTONIO GARINI, o TONICO, jornalista que virou nome de rua.
Tudo corria mal, muito mal, quando de repente eclodiu bacobufo generalizado. Começou dentro do gramado e, como bomba de napalm, espalhou-se e incendiou geral e arquibancadas.
Só foi contido quando chegou a polícia, muitas vezes Instituição especializada em transformar desentendimento em guerra fratricida… e botou pra quebrar.
Não fugiu de minha memória o “huno barrigudo” sentado no topo do alambrado cobrindo de porrada e porretadas qualquer um que se aproximasse. Mas foi derrubado por uma facção de torcedores e teve a bunda chutada, ritmicamente, por uns 5 minutos enquanto tentava escapar.
Não conseguiu… e foi resgatado pela milicada, que aproveitou para “crismá-lo” para ver se acalmava.
Outra;
Eu tinha, sei lá, uns 19 anos quando em um bailinho duas tropas de joviais projetos de criminosos se confrontaram, depois de um dos líderes ter sido jogado escada abaixo na casa da menina que os convidou para o aniversário… A coisa ficou incontrolável; e a polícia cercou as duas pontas da pequena e bucólica rua onde a infeliz e chorosa aniversariante morava.
Estávamos eu e meu outro “amigoirmão” Aldahyr Ramos. Conseguimos, milagrosamente , fugir da festa sei lá como… Foi literalmente todo mundo preso! Menos a gente.
A última encrenca de que me recordo foi no SHOW que o grande pianista e ROCKER , JERRY LEE LEWIS, deu em SAMPA, anos atrás.
O PALACE, casa de shows que não existe mais, no bairro de MOEMA, estava cheio. A banda segurava o míssil enquanto a produção tentava trazer JERRY LEE para o palco. Ele estava bebasso e demorou a eternidade!!! A plateia estava indócil, xingava e, gritava. Havia muita gente tão bêbada e drogada quando o astro.
Em certo momento entra o JERRY. Senta-se ao piano e detona do jeito que conseguiu uma sequência de seus clássicos. A turba reagiu empática dançando, gritando, e alguns tentando invadir o palco, e sendo impedidos pela segurança.
Em meio ao furdunço, um guapo etilizado suspendeu a namorada no ombro. Tampou geral a visão dos hooligans em volta… As consequências vieram imediatamente. Uns sujeitos reclamaram na base da grossura. Mas nem a bunda desceu do ombro, e nem os braços do namorado recolocaram a bunda e a moça no chão…
E não deu outra: alguém tascou certeira dedada no centro do rabo da menina, que ainda estava suspenso no pescoço do cara. Um berro! xingamentos e o pau cantou perto de mim mais alto do que o JERRY LEE!!!!!
Separa daqui, tira de lá; enquanto os seguranças distribuíam fartamente pescoções, porradas e chutes. Um festival de MMA ao som de ROCK AND ROLL. Um monte de gente foi “convencida” a se retirar.
O show inteiro durou menos do que uma hora. JERRY LEE saiu de cena sob protestos generalizados. A banda procurou manter o clima, com o baixista tentando cantar, etc. e tal.
Resumo: foi uma merda. Inesquecível merda para esses nada tristes trópicos… 😀Daquele momento em diante, fugi da maioria dos shows ao vivo.
POSTAGEM ORIGINAL: 21\06\2025
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THE UNTHANKS – DIVERSIONS VOL 1 – 2011 THE SONGS OF ROBERT WYATT and ANTONY AND THE JOHNSONS

São duas irmãs: RACHEL e BECKY UNTHANK. Aliás, que sobrenome se verdadeiro! Cantam muito bem e com suavidade. Em uníssono, algumas vezes – o que nos dá a dimensão e a intensidade pretendidas para um projeto sui-generis.
Foi gravado ao vivo na UNION CHAPEL, capela com acústica espetacular onde o PROCOL HARUM também gravou um DVD imprescindível, háuns 20 anos.
O projeto consiste em repertório de dois dos mais solitários e desolados compositores do POP/FOLK/VANGUARDA: ANTONY HEGARTY e ROBERT WYATT, são ingleses.
Se você acha NEIL YOUNG e JONI MITCHELL desamparados, reflexivos e tristes, vai sentir pena desses dois eleitos. Perto dos quatro, BJORK é um monumento ao calor humano e alegria explícita em estado viral contagiante!
A interpretação das duas moças e adequada banda que as acompanham, capta a essência alternativo-expressivo do repertório escolhido.
O público vibra empolgado a cada intervalo!!!! Depressão, melancolia e recato têm seus fãs. O cantar bem mais ainda. Elas transmitem a desolação solitária das melodias. É belo, adequada e suavemente triste. Não lembram ANAVITÓRIA.
Tente.
POSTAGEM OIGINAL: 21\06\2020
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BLUE NOTE RECORDS: FUNK & SOUL JAZZ & “EVERYTHING I DO GONNA BE FUNKY…FROM NOW ON”…

“My friends calll me LOU… LOU DONNNNAALLLDSONNN!”
Assim começa a entrevista em documentário sobre a CULT GRAVADORA-BOUTIQUE “BLUE NOTE”.
O grande “LOU DONALDSON” e aquele jeito “BLACK/HIP” que consagrou “LOUIS ARMSTRONG”, se apresenta ao documentarista falando com essa entonação!
A respeito da “BLUE NOTE” há muito a dizer. Aqui, um pequeno enclave com discos “FUNKEADOS”, DANÇANTES, para esquentar quaisquer festas!
Ninguém fica imune ao ÓRGÃO de “JIMMY SMITH”; ao SAX de “LOU DONALDSON”; e muito menos resiste ao PIANO com travo “AFRO-LUSO” de “HORACE SILVER”. E todo mundo sai dançando ao som do TROMPETE de “DONALD BYRD”. É uma ordem enviada pelo corpo!
Essa gente faz CEMITÉRIO VIRAR BAILE. Levanta os vivos e os mortos-vivos, também. E há quem afirme: “DEADS CAN DANCE” – pois até defuntos “convictos”, autopsiados e enterrados sacodem! Fiquem atentos, porque há ZUMBIS CONVERTIDOS em FÃS – seguramente!
Os churrascos na casa do meu cunhado, o TONINHO PAES, deixaram lembranças. TIO SÉRGIO gravou muitos CDS “FESTEIROS” com repertório escolhido na turma da BLUE NOTE, em R&B sofisticado, e muita, – mas muita mesmo -, MPB de qualidade.
Eu propiciei antessalas para aquecer o ambiente. Ao mesmo tempo, o pessoal do “RAIZ 40” – que faz ao vivo SAMBA, CHORO e a MELHOR MPB – preparava os INSTRUMENTOS para entrar em cena. E, claro, todo mundo afiava o paladar com caipirinhas, diversas várias cervejas, linguiças, carnes e o que mais houvesse!
A turma na foto ajudou a incendiar a festa. São artistas do balacobaco! Mestres do BALANÇO, veículos de alegria com o charme peculiar da negritude.
Mas TIO SÉRGIO, e o “ALLEN TOUSSAINT”? O que faz aqui ?
Ora, mesmo sendo de outra gravadora, é artista raro e precioso. E a frase “EVERYTHING I DO GONNA BE FUNKY… FROM NOW ON” é canção e título de um ÁLBUM do cara”.
E balanço mais refinado vai ser difícil encontrar neste planeta!
Tentem; porque vocês vão comprovar!
POSTAGEM ORIGINAL: 19\06\2020
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COMPACTOS, SINGLES E O INÍCIO DA MINHA DISCOTECA.

“Jacaré comprou cadeira e não tem bunda pra sentar… E “TIO SÉRGIO compra discos sem vitrola pra tocar!”
Pronto; tomei emprestado verso maroto de uma velha “canção infantil” e fiz paráfrase… Hummmm!
Foi assim até 1968. Eu comprava discos – long plays, compactos e “singles” – e ia para a casa de meus tios ou a dos amigos SILVIO DEAN ou FRED FRANCO JR. para escutar.
Naquele ano, FERNANDO, o meu pai, afiançou o primeiro “CONJUNTO DE SOM” que comprei: um PICK-UP GARRARD; AMPLIFICADOR LAB – 20 e par de CAIXAS ACÚSTICAS – ambos da GRADIENTE. Todos excelentes equipamentos que mantive até o final dos anos 1970.
Eu paguei em 36 meses no “carnê”, porque era possível naqueles tempos pré inflação galopante da era GEISEL (1974/1979) em diante, e até o governo F.H.C (1994/2002) dar jeito definitivo no flagelo.
Há muitos equipamentos “VINTAGE” ainda em uso. Aguentam o tranco por anos a fio e com o som permanecendo bastante bom. Não é incomum se dar de cara com algum POLYVOX, GRADIENTE, GARRARD, BANG & OLUFSEN e outros. E quando bem conservados honram discotecas e colecionadores.
Com o tempo, fui aos poucos substituindo COMPACTOS e SINGLES por LONG PLAYS. E aqui estão os que restaram na discoteca.
1)”FOUR TOPS” foi o primeiro disco que adquiri com a minha própria grana, em 1965. Eu lavava louças para minha mãe e recebia – quando recebia… – o equivalente ao preço de um COMPACTO SIMPLES.
“REACH OUT I,’LL BE THERE” é CLÁSSICO da “SOUL MUSIC”! ESPETACULAR!
2) “SOUL SURVIVORS”, banda americana de BEAT/R&B em SINGLE MATADOR! Eram de Nova Jersey e quase clones dos “RASCALS”!
Foi o primeiro disco importado que consegui, lá por 1968. Os dois lados são muito legais: EXPRESSWAY TO YOUR HEART fez sucesso.
Tenho em CD. Porém, o lado B, “HEY GIP”, composição de DONOVAN, foi arranjado como GARAGE ROCK e é infinitamente superior ‘a versão do LP. Órgão ‘a “THE DOORS”, mas sem o talento e “SPIRIT” de “RAY MANZAREK”, dá sabor ao caldo.
Busquem no YOUTUBE este SINGLE SENSACIONAL!!!!
3) “MOODY BLUES”, um raro COMPACTO SIMPLES brasileiro do selo DERAM. O lado “B” é a minha música predileta: “TUESDAY AFTERNOON”, do CLÁSSICO álbum “DAYS OF FUTURE PASSED”, lançado em 1967.
No lado “A” está “VOICES IN THE SKY”, faixa do LP seguinte, la
de 1968, “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”. A mistura de repertório de discos diferentes era tipica daqueles tempos.
Em 1968, inebriado por cansar de ouvir “NIGHTS IN THE WHITE SATIN”, dia incerto desci do ônibus, entrei em uma “lojeca” e vi este COMPACTO. Houve um PROBLEMA: o meu salário entraria dois dias depois. RESUMO: NUNCA MAIS ENCONTREI O DISCO!
No entanto, CONSEGUI ESSA CÓPIA UNS 45 ANOS DEPOIS, VIA INTERNET!!!!!!
4) “THE PLASTIC PEOPLE”, 1967. É americano. ROCK DE GARAGEM PSICODÉLICO. A produção é de um GÊNIO quase obscuro chamado “CURT BOETTCHER”, produtor muito próximo aos “BEACH BOYS” e ao “THE ASSOCIATION”.
Anos atrás, encontrei na INTERNET e COMPREI! É RARÍSSIMO, a EDIÇÃO BRASILEIRA é da “MOCAMBO ROZEMBLIT”. Conheci porque o meu amigo-irmão SILVIO DEAN teve este compacto.
Sei lá como e porquê saiu no BRASIL!
E curiosamente, na mesma “SAFRA” com “MY LITTLE BLACK EGG”, um cult subterrâneo gravado por THE NIGHTCRAWLERS”, hoje quase famoso “ROCK DE GARAGEM” que aparece em várias COLETÂNEAS DE “NUGGETS”.
5) Adicionei mais dois que consegui em SINGLES e hoje tenho em CDs: “OHIO EXPRESS”, em BEG, BORROW AND STEAL ; e “THE MUSIC EXPLOSION”, com I SEE THE LIGHT. São “GARAGE ROCK” PRA VALER, gravadas por duas bandas mais identificadas com o “BUBBLEGUM”. Repetindo, foi o que restou da discoteca primal que mantive até mais de MEIO SÉCULO ATRÁS.
HOJE, tenho saudades e algum arrependimento por a ter descartado. Então, vez por outra recompro o que aparece quando é barato é bem conservado.
Procurem conhecer esses artefatos. São bem interessantes!
POSTAGEM ORIGINAL: 16\06\2020
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BEATLES, PRIMEIRA FASE 1963/1965 – EM BOX JAPONÊS: OU COMO RECLAMAVAM, CHORAVAM E BALIAM ESSES “CABRITLES”!!!!!!!!!!!!!!

Comprei o BOX anunciado diretamente pela UNIVERSAL MUSIC. Lá estão os cinco primeiros LONG PLAYS lançados no Japão, na década de 1960 – é claro!
Tudo o que fazem nossos brothers de olhinhos puxados quase sempre é trabalho exuberante, meticuloso e graficamente; e a qualidade sonora é a melhor possível naquele momento.
Está tudo lá. Por isso, justificam os R$ 999,00 MANDACARUS que paguei pelo produto. Algo tipo $40,00 ( quarenta dólares!!! ) por cada disco. Incluídos o BOX e o LIVRETO escrito em japorongo, e com as letras originais das canções em inglês.
Coloquei na foto outro raro CD em edição japonesa: “INTRODUCING THE BEATLES”, lançado em 1964, pela VEE JAY RECORDS, nos EUA… O vinil original custa uma baba!
Esta fase dos BEATLES situa-se num período anterior ao que hoje é a fronteira do conceito de OLDIES: os lançamentos após 1966, mais ou menos. Em linguagem de Rocker vai da PSICODELIA PRA FRENTE – de 1966 até, quem sabe, ao surgimento do BRITPOP, lá por meados da década de 1990 …. Seria?
Os BEATLES antes de “REVOLVER”, 1966, é VINTAGE, mesmo!
Mas, TIO SÉRGIO, e daí?
Pois, é: do ponto de vista das letras juvenis e rasas que tive a paciência de velho aposentado para revisitar, é um compêndio de “sofrências” que devem nada aos atuais sertanejos”made in Brasil” !!!
Há umas 60 canções narrando casinhos semelhantes, mas com a essência do BEAT – melodia e ritmo que a todos encantou e trouxe muita grana para JOHN, RINGO, PAUL e GEORGE. E, claro, para a PARLOPHONE, a gravadora que os lançou. Tudo legítimo, consagrado – e no passado…
A maioria os contemporâneos dos BEATLES estava nessa juvenília estacionária que mal dava dicas do que viria a ser o ano de 1968 e suas repercussões: o marco da verdadeira REVOLUÇÃO de COMPORTAMENTOS, na POLÍTICA e na sociedade.
Do ponto de vista musical, aqueles HITS são pegajosos e aderentes, poucos de minha geração deixavam de gostar. Eu confesso: continuo gostando.
Porém, há uma PULGA de mais ou menos 1,80 metros de altura bem atrás de minha orelha direita, que permanece retumbando e picando a lucidez que desconfio possuir… E me pergunto se são “esses BEATLES” que as gerações atuais dizem gostar?
Eu acho que não. Mas será?
Resumindo: quanto mais ouço esta fase dos “CABRITLES”, mais gosto dos KINKS e de RAY DAVIES, o letrista principal. E dos YARDBIRDS, outro convivente inigualado. E, mesmo dos SEARCHERS, para muitos a melhor banda de LIVERPOOL naqueles dias; mas com a vantagem/desvantagem de gravarem covers ou composições inéditas de profissionais mais “capacitados”…
Nem vou citar os ROLLING STONES, já transgressivos e desviantes em 1965 com SATISFACTION, o HIT atemporal que demarcou a diferença entre eles e aqueles “meninos sofrência choramingões” – sempre sujeitos a pés-na-bunda descritos nas canção que gravaram…
Eu compreendo a inevitabilidade da supremacia de BOB DYLAN, PAUL SIMON e outros. Letristas capazes de oxigenar aquele ar intelectualmente rarefeito, e que trouxeram o ROCK a patamares bem mais elevados. Para não citar a notável criação POP da concorrência. Não esqueça de BRIAN WILSON e os BEACH BOYS – quase sempre encostando ou ultrapassando os caras de LIVERPOOL…
Claro, cometo exageros. Afinal de contas, no espaço/tempo histórico de de uns 3 anos os BEATLES conseguiram produzir REVOLVER, RUBBER SOUL e SGT PEPPERS..
TIO SÉRGIO acha que naquela primeira fase os BEATLES foram melhores no ROCK do que no POP. Músicas do naipe de “I SAW HER STANDING THERE”, “BOYS”, “TWIST and SHOUT”; e já em outro nível “I FEEL FINE”, são muito melhores do que “I WANNA HOLD YOUR HAND”, “FROM ME TO YOU”, e etc.
E HELP é um disco de sofrível para baixo, desvelando o buraco criativo em que estavam metidos, entre 1964/1965. Apesar de “YESTERDAY”, talvez a primeira composição de LENNON e McCARTNEY cuja letra tenha superado o óbvio esperneante.
Pois é, pessoal; eu convido vocês à imersão nos BEATLES dessa fase. Se puderem consigam edições mais bem elaboradas do ponto de vista técnico. Será elucidativo encarar e comparar com os passos à frente – não muito tempo depois. Com RUBBER SOUL, REVOLVER e SGT PEPPERS, acrescidos dos SINGLES e EPS da fase PSICODÉLICA ( 1966 em diante ), a conversa muda de pato a sapato.
A minha aposta é que a turma gosta, mesmo, é dali pra frente.
POSTAGEM ORIGINAL: 16\06\2022
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CURVED AIR & SONJA KRISTINA LINWOOD, E OUTROS MEMORÁVEIS

O primeiro contato do TIO SÉRGIO com o CURVED AIR deu-se lá por 1973, quando comprei o “SECOND ALBUM” lançado em 1971.
Claro, eu vinha fascinado pelo RENAISSANCE, o concorrente direto já em pleno voo e bastante sucesso.
O violinista “DARRYL WAYS” e o tecladista “FRANCIS MONKMAN”, ambos formados no “ROYAL COLLEGE OF MUSIC”, compuseram o arranjo para a canção “JUMBO” mostrando com leveza e nuances musicais, o conforto de voltar para casa em uma viagem no “super-avião”. É canção linda, “sonoramente visual e descritiva”. E ao mesmo tempo reconfortante, tensa e plena de boas sensações!
O “CURVED AIR” foi concebido e criado por eles, que se encontraram por acaso em uma loja de instrumentos musicais em Londres. Ambos divergiam muito. No entanto, auxiliados pelo bom baterista de nome intrigante e vampiresco, “FLORIAN PILKINGTON-MIKSA”, e por vários baixistas que por lá passaram eles conseguiram forjar um conceito e formar grupo que e se tornou o embrião do futuro “CURVED AIR”.
Mas a banda realmente floresceu quando a cantora “SONJA KRISTINA LINWOOD” entrou. Ela fazia parte do elenco da encenação inglesa da peça “HAIR”… e sempre usou do lado “atriz” para sedimentar e integrar a sua performance ao grupo.
Além de moça bonita e de presença marcante, a maioria das letras foram compostas por ela – uma figura ao mesmo tempo diferenciada e típica do ROCK INGLÊS.
KRISTINA começou tocando e cantando FOLK. Gostava de “DUSTY SPRINGFIELD”, “BUFFY SAINTE-MARIE”, “INCREDIBLE STRING BAND” e DONOVAN – é claro! Um arsenal estilístico e artístico de forte impacto.
“SONJA” tem voz pequena mas clara, afinada, expressiva e delicada. Treinou muito e a ponto de se tornar, depois, professora de técnica e empostação vocal. Ela canta muito bem – e dizem que até hoje!
Para o “CURVED AIR”, “SONJA LINWOOD” trouxe outras bagagens. Ela gostava da voz “fantasmagórica” de “JANE RELF”, a vocalista da primeira encarnação do “RENAISSANCE” – com quem o “CURVED AIR” concorria diretamente na mesma pista no ROCK PROGRESSIVO: a fusão criativa e oscilante entre o FOLK, o CAMERÍSTICO e o PROGRESSIVO SINFÔNICO.
KRISTINA foi influenciada inclusive pela “improvável” “DOROTHY MOSCOWITZ”, cantora de voz ácida e doce da banda americana cult e alternativa, “THE UNITED STATES OF AMERICA” – que legou apenas um álbum, lançado em 1968.
Mas os caras estão entre os pioneiros do ROCK DE VANGUARDA. Experimentais e algo melódicos, combinavam eletrônica e violino. É nítido: uma banda que faz música de nome “I WON´T LEAVE MY WOODEN WIFE FOR YOU, SUGAR”, precisa ser redescoberta. Vocês concordam?
Este background formou a cabeça de SONJA KRISTINA e a base do CURVED AIR, um compósito em parte inspirado pelos também americanos “FLOCK” e “IT´S A BEAUTIFUL DAY” e até o “JEFFERSON AIRPLANE” em sua transição para “JEFFERSON STARSHIP”. Todos já usavam o violino – mesmo que em contexto mais “FOLK / COUNTRY ROCK”.
O “CURVED AIR” era impactante no palco, comprovado em “LIVE”, álbum de 1975… Eram craques principalmente em estúdio. Talvez porque músicos formados em conservatórios e universidades.
As sequências construídas em cada música fluem. As passagens engendradas tema-solos-tema ou riffs e soam perfeitas, confirmando a qualidade dos arranjos.
É muito bom observar “YOUNG MOTHER” e “PEACE OF MIND”, também no “SECOND ALBUM”. E não deixem de escutar o disco de estreia, AIR CONDITIONING, 1971, o primeiro “PICTURE DISC” da história. É objeto cult e de coleção onde está o clássico predileto do público: “VIVALDI”. E procurem o excelente terceiro LP, PHANTASMAGORIA, lançado em 1972. Os três formam a série mais criativa entre os sete álbuns que gravaram!
Depois do terceiro disco, os desacordos entre DARRYL WAY e FRANCIS MONKMAN levaram à desintegração da banda.
E sobrou KRISTINA, que recompôs o grupo com o tecladista “KIRBY GREGORY”, e o menino – prodígio do violino, “EDDIE JOBSON”, de apenas 17 anos de idade. Eles gravaram AIR CUT, em 1973.
A carreira de SONJA tornou-se algo instável. Em 1974, estavam todos duros, ela contou. Aliás, sempre foram. Empresários ficavam com a maior parte da grana, e a carga absurda de impostos na Inglaterra da época fazia músicos e outros profissionais trabalharem dobrado e loucamente para se manterem.
Ela foi, ainda com a banda existindo, auxiliar de escritório, e depois “croupier” no PLAYBOY CLUB!!!! Um acinte!!!!
No final da saga, já casada com o novo baterista do grupo, “STEWART COPLAND” – sim, ele mesmo! que anos depois formou o “POLICE” com “STING” e “ANDY SUMMERS” -, “SONJA” voltou vez por outra aos palcos como atriz, e fez mestrado ligado à área da música e virou também professora de canto. KRISTINE gravou alguns discos solo. Entre eles, MASK, considerado muito interessante.
Da mesma forma que outros artistas de talento, o “CURVED AIR” reformou-se e existe até hoje com certo sucesso nos circuitos de shows mundo afora.
Estiveram no BRASIL junto com o “RENAISSANCE”, de “ANNIE HASLAN”, em 2022 – e agradaram. Ambos permanecem na vida dura e contínua na perigosa rodovia do ROCK. São ícones; e nós eternos carentes de música criativa.
Tentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 15\06\2026
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HEAVENLY VOICES: DREAM POP, O CONTRAPONTO AO DARK E AO TECHNO.

Essa postagem mereceria um amplo ensaio porque fala de artistas e bandas, obscuros ou não, que são emblemáticos.
Vou resumir e muito. No início da década de 1990, a música eletrônica explodiu em várias tendências:
Houve o lado pesado genericamente chamado de TECHNO. Porém, na verdade formava aglomerado de estilos que tinham em comum a vocação para as pistas de dança. Saíram amplamente vencedores da corrida, porque dançar é atividade lúdica imemorial, então…
E despontou outro lado, mais suave, identificado com a NEW AGE, a WORLD MUSIC e a estética GOTHIC. É quase sempre é cantado por mulheres, e foi batizado por DREAM POP – também conhecido por ETHEREAL ou HEAVENLY VOICES.
É com eles, na verdade elas, que eu me identifico e também coleciono. Mas perderam a proeminência, infelizmente. Continuam assombrando recantos de espíritos e mentes.
Pode ser enquadrada como música eletrônica de vanguarda. É agradável e bonita; e feita por artistas ou grupos com nomes intrigantes, tipo “TARAS BULBA”, “CAMERATA MEDIOLANESE”, “AURORA”, “CHANDEEN”, “KIRLIAN CAMERA””, “LOVE SPIRALS DOWNWARDS”, “BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL”, e vários diversos…
No limite, claro, aparecem alguns mais conhecidos, como “COCTEAU TWINS”, “LEGENDARY PINK DOTS” e as famosíssimas “ENYA” e “LOREENA McKENNITH”. Este segmento proporciona viagem imperdível nos dias de inverno – e talvez nos de “inferno”…
Tentem. Não percam!
POSTAGEM ORIGINAL: 15\06\2019
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ORNETTE COLEMAN & DOUBLE QUARTET – “FREE JAZZ”, A COLLECTIVE IMPROVISATION, ATLANTIC RECORDS, 1961

Imagine você e mais sete amigos partindo para um rolezinho no Shopping Iguatemi ou no Shopping da Barra?
Vocês chegam, combinam encontro de dez em dez minutos em ponto pré definido e saem, cada um para qualquer lado, fazendo o que bem entender. Só que dentro de um esquema de transgressões inteligíveis, engraçadas, estudadas e libertárias a ponto de não serem identificadas por quaisquer outros dos seus amigos.
Louco, não?
Pois é; isto é o FREE JAZZ!
TOCAR FREE não é fazer qualquer barulho, coisa qualquer com o instrumento. E, sim, dar fluxo à imaginação com técnica, liberdade, espontaneidade; e de jeito que um compasso não seja como o seguinte; tornando a execução sempre diferente, renovando a música a cada performance.
Assim, mesmo um disco gravado, portanto limitado no espaço físico, sempre será inovador e surpreendente a cada audição.
É por aí!
Pois bem, essa experiência revolucionária foi realizada em 1961 por ORNETTE COLEMAN e mais SETE MÚSICOS, em um disco inigualável, seminal e perturbador, chamado simplesmente “FREE JAZZ”.
O álbum se apresenta inovador desde a capa. A edição original tem pinturas que remetem a JACKSON POLLOCK e à modernidade das artes plásticas. E rompe com o padrão “hip- sofisticado-recatado-desafiador” das capas dos LPS de JAZZ dos anos 1950. Há, inclusive, uma janela que comunica parte externa da primeira capa do LP com a interna. É arte moderna da melhor qualidade!
Eu comprei o disco por volta de 1975, mas não era a primeira edição que descrevi – infelizmente! Procuro uma original até hoje! Custa o “terceiro olho” e é quase impossível de se conseguir!
A experiência de ouvir DOIS QUARTETOS DE BAIXO, BATERIA, SAX e PIANO TOCANDO SIMULTANEAMENTE é avassaladora.
Existe um tema central que todos compartilham, e alguns pontos de encontro em que todos tocam juntos. O resto é improvisação.
ESSE DISCO É O PREGO NO CAIXÃO DA GRANDE CANÇÃO AMERICANA DOS ANOS 1950 – um passo bem além de SINATRA, ELLA, BILLIE, SARAH, DINAH… Um salto a frente incomparavelmente desafiador!
Se você pensa que o ROCK, principalmente o clássico dos anos 1950 é vanguarda, então não desenvolveu menor noção do que é transgredir!
Claro, a obra tem origens; não veio do nada. No final da década de 1950 MILES DAVIS, JOHN COLTRANE, CHARLIE PARKER e mais pequena infinidade de outros já faziam, ou haviam feito, um som totalmente fora do melódico e harmônico tradicional…
Para mal comparar, mas orientar quem se interesse por essas coisas, eu suponho que os admiradores do CHICO BUARQUE, do MILTON NASCIMENTO ou do ROBERTO fujam disso aí.
No entanto, se você gosta do CAETANO, do TOM Zé, do ARRIGO BARNABÉ e do HERMETO PASCOAL, procure ouvir.
Celerados mansos como eu e certos amigos, quando tomamos algumas diversas várias juntos até colocamos discos de JAZZ FUSION e ROCK PROGRESSIVO.
Mas não me recordo de ficarmos ouvindo um admirador de COLEMAN, o FRANK ZAPPA, também vida torta na música, só que mais palatável…
E isto dá uma dica do que estou dizendo: a sonoridade do FREE JAZZ é tão radical que jamais cogitamos….
Em poucas e finais provocações, se você gosta da ELIS REGINA fuja; se gosta da BJORK fique; se o seu maestro arranjador for o EDUARDO LAJE – então, suma! E se for o GIL EVANS ou ROGÉRIO DUPRAT permaneça.
E quem gosta de arte de vanguarda, procure na internet o tinhoso aqui cuidadosamente reverenciado. Fará um bem a si mesmo e abrirá algumas portas fechadas do céu – e do inferno, também.
Só que é dieta calórica demais e pode estragar paladares menos treinados.
Tente! Com moderação.
POSTAGEM ORIGINAL:13\062023
Pode ser uma imagem de ‎saxofone e ‎texto que diz "‎DOL inE PINT FREE JAZZ COLLECTIVE EER ORNETTE BY THE DOUBLE COLEMAN QUARTET شاد COLEMAN 株式 없고 SIIREO HEDIAN COLEMAN ising F140 錦 BO ထသောငဆှသ FREE FREEJAZ JAZ DOUBLE QUARTET COLLE COLLECTI ECTIVE IMPROVISATION BY ΗΕ ORNETT COLEMAN OUBL QUARTET بليد SER8D‎"‎‎

BLOW – UP – 1966 – O GRANDE FILME DE MICHELANGELO ANTONIONI E SUA TRILHA SONORA EMBLEMÁTICA.

ANTONIONI gostava de JAZZ CONTEMPORÂNEO, conhecia ALBERT AYLER, estudou economia política e antes de se tornar cineasta fez críticas de filmes.
Nada mais “COOL” e relevante no mundo intelectual do ocidente lá por 1960 e 1970, do que estudar e admitir o cinema como arte de inovação, renovação e até esclarecimento popular. Alguns o pensaram como aliado das revoluções políticas vindouras…
Tornar-se um cineasta foi glamour contemporâneo ao de ser publicitário ou “modelo”. No desenvolvimento do capitalismo atual, tornaram-se duas profissões imprescindíveis na comunicação de massa para a divulgação de produtos, ideias, serviços e as benesses do consumo.
Aqui estão os dois paradigmas que definirão os personagem centrais de BLOW-UP, título original do filme, vertido horrendamente para o português brasuca para “Depois Daquele Beijo” : publicidade e moda.
BLOW-UP em fotografia hoje significa ZOOM! A aproximação total em detalhes de uma imagem. O cerne do (talvez?) aparente mistério do filme.
Mas o sub – tema principal relevante é outro: a mudança de costumes explodindo uma sociedade tradicional, que se atualiza em contraponto à caretice “imutável” aceita como característica da Inglaterra do pós-guerra. A Londres em meados dos anos 1960, era mais pobre do que se pensaria, e fervia quase indiscretamente em contestação aos valores, uso de drogas, sexo, indecisão moral e liberdades sem foco. Alienação e falta de habilidade no trato pessoal e hedonismo completavam o cardápio. Algo tipo um existencialismo errático e sem finalidade.
O personagem central, THOMAZ, interpretado por DAVID HEMMINGS, é um fotógrafo de moda assediado, disputado e bem remunerado, que certo momento cisma em adquirir um antiquário apenas por comprá-lo. Desiste porque no fundo tanto faz…
A trama de BLOW UP, baseado em um conto do escritor argentino JULIO CORTAZAR, “cult” na época, é conhecida por sua modernidade isem respostas; inconclusiva, nublada e DARK como a fria Inglaterra. Um enigma? Acho que não, porém…
Enfim, fotografando a esmo num parque THOMAZ flagra o que seria um assassinato. E aí entra em cena VANESSA REDGRAVE… Deixo para vocês verem como a trama se desenvolve. Talvez o mostrado não seja o que realmente aconteceu. Porém, como tudo no filme, também tanto faz…
Quem sabe seja possível definir o filme como “REALISMO ABSTRATO” – li por aí; e sei lá que isto significaria… No final, THOMAZ se mescla e se evapora na névoa onírica – existencial, que é o filme.
A trilha sonora é de HERBIE HANCOCK. Contratado por MICHELANGELO ANTONIONI, ele disse que ficou fascinado porque o diretor conhecia JAZZ MODERNO e de VANGUARDA.
Então, montou banda para fazer a TRILHA SONORA com a elite da modernidade americana daqueles tempos: FREDDIE HUBBARD, PHIL WOODS, JOE HENDERSON, PAUL GRIFFIN, JIM HALL, RON CARTER, JACK DEJOHNETTE e, claro, ele HANCOCK. Vejam por aí o que cada um toca. Foi tudo gravado em Nova York, em 1966.
Boa música, obviamente!
É interessante ouvir como HANCOCK fez tudo soar à “VERVE RECORDS”, com sotaque à “BLUE NOTE”. Se isto é possível – ou se entendi corretamente ao escutar… Há evidente inspiração em JIMMY SMITH e seu FUNK-JAZZ para cenas cruciais. Alguém disse que fotografar moda combina com o som dele. E a turma do ROCK ouvia JAZZ DANÇANTE… Portanto, bingo!
O momento mais agitado do filme foi gravado em um simulacro cênico do “RICKY-TIKY”, club de rock londrino. A cult e seminal participação dos YARDBIRDS com JIMMY PAGE e JEFF BECK, nas guitarras, em rompimento total do clima do filme, é onde a SWINGING LONDON se expressa musicalmente com sua irreverência, falta de limites e rebelião sonora.
A guitarra que JEFF BECK quebra agredindo um amplificador foi construída em papelão. Caos no palco e a plateia quieta, inexplicavelmente atônita, o contrário do que geralmente acontecia…
Mas quem deveria ter feito a cena seria STEVE HOWE, do YES, à época guitarrista do sofrível TOMORROW que também está na trilha sonora… Para sorte de todos e a eficácia do filme, nem THE WHO – também sondado para a cena – teria expressado melhor o que foram aqueles tempos.
TIO SÉRGIO acha culturalmente imprescindível assistir ao filme. E, se possível, conseguir a trilha sonora. As fotos da postagem refletem o que você verá!
Recomendo com entusiasmo!
POSTAGEM ORIGINAL: 06\06\2020
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