O primeiro contato do TIO SÉRGIO com o CURVED AIR deu-se lá por 1973, quando comprei o “SECOND ALBUM” lançado em 1971.
Claro, eu vinha fascinado pelo RENAISSANCE, o concorrente direto já em pleno voo e bastante sucesso.
O violinista “DARRYL WAYS” e o tecladista “FRANCIS MONKMAN”, ambos formados no “ROYAL COLLEGE OF MUSIC”, compuseram o arranjo para a canção “JUMBO” mostrando com leveza e nuances musicais, o conforto de voltar para casa em uma viagem no “super-avião”. É canção linda, “sonoramente visual e descritiva”. E ao mesmo tempo reconfortante, tensa e plena de boas sensações!
O “CURVED AIR” foi concebido e criado por eles, que se encontraram por acaso em uma loja de instrumentos musicais em Londres. Ambos divergiam muito. No entanto, auxiliados pelo bom baterista de nome intrigante e vampiresco, “FLORIAN PILKINGTON-MIKSA”, e por vários baixistas que por lá passaram eles conseguiram forjar um conceito e formar grupo que e se tornou o embrião do futuro “CURVED AIR”.
Mas a banda realmente floresceu quando a cantora “SONJA KRISTINA LINWOOD” entrou. Ela fazia parte do elenco da encenação inglesa da peça “HAIR”… e sempre usou do lado “atriz” para sedimentar e integrar a sua performance ao grupo.
Além de moça bonita e de presença marcante, a maioria das letras foram compostas por ela – uma figura ao mesmo tempo diferenciada e típica do ROCK INGLÊS.
KRISTINA começou tocando e cantando FOLK. Gostava de “DUSTY SPRINGFIELD”, “BUFFY SAINTE-MARIE”, “INCREDIBLE STRING BAND” e DONOVAN – é claro! Um arsenal estilístico e artístico de forte impacto.
“SONJA” tem voz pequena mas clara, afinada, expressiva e delicada. Treinou muito e a ponto de se tornar, depois, professora de técnica e empostação vocal. Ela canta muito bem – e dizem que até hoje!
Para o “CURVED AIR”, “SONJA LINWOOD” trouxe outras bagagens. Ela gostava da voz “fantasmagórica” de “JANE RELF”, a vocalista da primeira encarnação do “RENAISSANCE” – com quem o “CURVED AIR” concorria diretamente na mesma pista no ROCK PROGRESSIVO: a fusão criativa e oscilante entre o FOLK, o CAMERÍSTICO e o PROGRESSIVO SINFÔNICO.
KRISTINA foi influenciada inclusive pela “improvável” “DOROTHY MOSCOWITZ”, cantora de voz ácida e doce da banda americana cult e alternativa, “THE UNITED STATES OF AMERICA” – que legou apenas um álbum, lançado em 1968.
Mas os caras estão entre os pioneiros do ROCK DE VANGUARDA. Experimentais e algo melódicos, combinavam eletrônica e violino. É nítido: uma banda que faz música de nome “I WON´T LEAVE MY WOODEN WIFE FOR YOU, SUGAR”, precisa ser redescoberta. Vocês concordam?
Este background formou a cabeça de SONJA KRISTINA e a base do CURVED AIR, um compósito em parte inspirado pelos também americanos “FLOCK” e “IT´S A BEAUTIFUL DAY” e até o “JEFFERSON AIRPLANE” em sua transição para “JEFFERSON STARSHIP”. Todos já usavam o violino – mesmo que em contexto mais “FOLK / COUNTRY ROCK”.
O “CURVED AIR” era impactante no palco, comprovado em “LIVE”, álbum de 1975… Eram craques principalmente em estúdio. Talvez porque músicos formados em conservatórios e universidades.
As sequências construídas em cada música fluem. As passagens engendradas tema-solos-tema ou riffs e soam perfeitas, confirmando a qualidade dos arranjos.
É muito bom observar “YOUNG MOTHER” e “PEACE OF MIND”, também no “SECOND ALBUM”. E não deixem de escutar o disco de estreia, AIR CONDITIONING, 1971, o primeiro “PICTURE DISC” da história. É objeto cult e de coleção onde está o clássico predileto do público: “VIVALDI”. E procurem o excelente terceiro LP, PHANTASMAGORIA, lançado em 1972. Os três formam a série mais criativa entre os sete álbuns que gravaram!
Depois do terceiro disco, os desacordos entre DARRYL WAY e FRANCIS MONKMAN levaram à desintegração da banda.
E sobrou KRISTINA, que recompôs o grupo com o tecladista “KIRBY GREGORY”, e o menino – prodígio do violino, “EDDIE JOBSON”, de apenas 17 anos de idade. Eles gravaram AIR CUT, em 1973.
A carreira de SONJA tornou-se algo instável. Em 1974, estavam todos duros, ela contou. Aliás, sempre foram. Empresários ficavam com a maior parte da grana, e a carga absurda de impostos na Inglaterra da época fazia músicos e outros profissionais trabalharem dobrado e loucamente para se manterem.
Ela foi, ainda com a banda existindo, auxiliar de escritório, e depois “croupier” no PLAYBOY CLUB!!!! Um acinte!!!!
No final da saga, já casada com o novo baterista do grupo, “STEWART COPLAND” – sim, ele mesmo! que anos depois formou o “POLICE” com “STING” e “ANDY SUMMERS” -, “SONJA” voltou vez por outra aos palcos como atriz, e fez mestrado ligado à área da música e virou também professora de canto. KRISTINE gravou alguns discos solo. Entre eles, MASK, considerado muito interessante.
Da mesma forma que outros artistas de talento, o “CURVED AIR” reformou-se e existe até hoje com certo sucesso nos circuitos de shows mundo afora.
Estiveram no BRASIL junto com o “RENAISSANCE”, de “ANNIE HASLAN”, em 2022 – e agradaram. Ambos permanecem na vida dura e contínua na perigosa rodovia do ROCK. São ícones; e nós eternos carentes de música criativa.
Tentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 15\06\2026

POSTAGEM ORIGINAL: 15\06\2026









