CHRISSIE HYNDE & THE PRETENDERS, E A GERAÇÃO PÓS-PUNK RETORNAM MAIS PESADOS

Em 1981, em MEMPHIS no TENESSEE, CHRISSIE HYNDE e os PRETENDERS estavam em um bar lotado. Ela, apertada, foi ao banheiro. Lá, fila imensa de mulheres esperando a vez.
CHRISSIE não teve dúvidas: entrou no banheiro dos homens. Os seguranças tentaram impedir; ela xingou e reagiu. Chegou a polícia, foi algemada e colocada na viatura.
Sentada no banco de traz, CHRISSIE conseguiu soltar as mãos, abriu a janela e chamou o guarda, entregou as algemas: “Isso aqui é teu”.
Aí, piorou: algemaram os pés e as mãos Ela esperneou, chutou e quebrou os vidros da viatura.
Foram pra delegacia e ela dormiu na cadeia. Foi processada por danos ao patrimônio público.
A história correu mundo, viralizou, o que aumentou sua fama de independente, assertiva e isca de encrencas – mas há um certo exagero aí.
CHRISSIE é americana do OHIO. Adorava os BEATLES, SOUL MUSIC e IGGY POP!
Em 1973, decidiu ir para a INGLATERRA porquê falava a língua e a maioria de seus ídolos eram de lá.
CHRISSIE também queria viajar e dar um jeito na vida – que andava perigosa. Ela tinha se metido com drogas e gente barra pesada.
CHRISSIE tem 72 anos. Está no ROCK profissional gravando faz 45! É personalidade muito interessante. Teve duas filhas belas com dois músicos conhecidos:
NATALIE RAY – HYNDE, 40 anos, é fruto de um relacionamento com RAY DAVIES é compositor importante e um de seus ídolos. RAY é o líder dos KINKS, banda cult e inevitável à partir da década de 1960.
YASMIN KERR, 38 anos, nasceu de um relacionamento mais longo com JIM KERR, líder e cantor dos SIMPLE MINDS – sucesso desde a década de 1980.
CHRISSIE HYNDE tem trajetória no POP – ROCK reconhecida e respeitada. Um entrevistador perguntou se, por acaso, alguém já havia dito “NÃO” pra ela? E CHRISSIE respondeu: “O NEIL YOUNG, quando nos encontramos para gravar fez a mesma pergunta…”
Ninguém diz não para CHRISSIE HYNDE!
Os PRETENDERS iniciaram a carreira com dois SINGLES de sucesso: “STOP YOUR SOBBING” e “I GO TO SLEEP”, lá por 1978/79. Duas músicas do repertório dos KINKS, e compostas por RAY DAVIES.
CHRISSIE e a banda são famosos por terem criado o mais nítido e representativo som da NEW WAVE. Eles se juntaram na INGLATERRA. O estilo, sonoridade, e a voz de HYNDE são emblemáticos e inconfundíveis.
CHRISSIE é pessoa carismática, corajosa, assertiva e independente. E mantém características da cultura americana como a resiliência e individualismo. É uma empreendedora!
Liderou os PRETENDERS e, ao mesmo tempo, assumiu as filhas. Contratou duas babás e foi pra estrada fazer turnês.
Perguntaram se ela havia sofrido discriminações para construir e tocar a carreira?
CHRISSIE nega. Diz que sofreu tanto quanto os caras da banda, o que sempre deixou as feministas perplexas e contrariadas!
Ela pratica boxe e preferia andar com homens. “Porque falam menos”; “e a relação com eles é mais direta e igualitária”…
É uma BANDLEADER antenada e profissional. Montou e administra os PRETENDERS, desde 1978. E, como JOHN MAYALL e ROBERT FRIPP sabe mandar e obter resultados com seus grupos. Dizem que vai no foco, percebe os pontos altos dos músicos e faz acontecer.
Na longa entrevista que deu à revista RECORD COLLECTOR ela tocou para o jornalista alguns discos. Perguntou se ele conhecia o SPOOKY TOOTH?
Negativo.
Então, tocou o SPOOKY TWO, e comentou que, hoje, não há cantor de R&B tão espetacular quanto MIKE HARRISON!
Depois, tocou “GO NOW”, 1964, do álbum THE MAGNIFICENTS MOODY BLUES. E sentenciou a excelência daquele POP quase LOW FI, curto, rápido, direto na veia. Observou que os PRETENDERS pretendiam mais ou menos aquilo!
E conseguiram, digo eu!
SOUL + POP + ADRENALINA dos anos 1980, e sem frescuras. E, nessa toada, gravaram 12 álbuns, dezenas de SINGLES, e permanecem sucesso.
CHRISSIE tem várias semelhanças com RITA LEE. Cantoras muito boas e contemporâneas, ambas articulam o POP e o ROCK com estilos próprios e proficiência.
CHRISSIE morou uns tempos na Avenida São Luiz, em São Paulo. Foi em 2004. Disse que adorou a energia da cidade.
Entrosou-se com MORENO VELLOSO, e grupo, e filho de vocês sabem quem. Há um vídeo, no YOUTUBE, de show acústico deles em BUENOS AYRES.
Mas, encaixou?
Tio SÉRGIO achou que não. MORENO, KASSIM + 2 são lights demais pra ela. Faltou um link para o ROCK, fundamental em CHRISSIE como foi para RITA LEE. O show dá soninho.
No momento, está rolando uma efeméride POP significativa. As tendências do PÓS-PUNK estão comemorando 45 anos!
45 anos, turma! Isto quer dizer que o público original dos PRETENDERS, NEW ORDER, SIOUXIE & THE BANSHEES, THE CURE, SMITHS, U2 e outros, hoje tem entre 50 e 65 anos!
ORRA, MEU???
NÃO: PORRA, MEU!!!
Com exceção do U2, mega sucesso ininterrupto e de carreira muito específica; os artistas daquela geração de músicos e bandas estão em atividade frenética, fechando grandes SHOWS mundo afora, e no BRASIL, também.
O som que faziam sofreu atualização, “ma non tropo”. E todos se tornaram mais pesados. Assisti vídeos de diversos deles.
Se interpreto corretamente, a sonoridade básica das bandas se inspira no que fez NEIL YOUNG, na fase RUSTY NEVER SLEEP, ou no disco MIRROR, gravado com o PEARL JAM: ROCK ALTERNATIVO PESADO e AGRESSIVO, de uns 30 anos atrás…
Estão mais ou menos soando como THE CURE em WISH, acrescidos por “DELAYS”, e guitarras como tocava THE CURVE e a turma do “SHOEGAZE”!
Fazem som pesado e alternativo, e são inspirados herdeiros da vanguarda a qual pertenceram anos atrás! Talvez a dose certa para que o público deles interaja e curta…
O muito bom último disco de CHRISSIE e os novos PRETENDERS, “RELENTLESS” é isso aí – e os vários bons SHOWS disponíveis demonstram. Inclusive em GLASTONBURY, onde DAVID GROHL e JOHNNY MARR, fãs declarados, subiram ao palco e tocaram com ela…
Estava lá, também, seu grande amigo e confidente, PAUL McCARTNEY ( TIO SÉRGIO acha que é mais do que isso… ) – que saiu do backstage para cumprimentar a plateia.
CHRISSIE HYNDE sempre foi bela e continua cantando bem. E, paradoxalmente, as guitarras pesadas atraem o público e poupam a voz de CHRISSIE, que também precisa de backing vocals… Assim, como seguram ROBERT SMITH com THE CURE…
É só uma opinião. Mas, não esqueçam as bandas pesadas atuais formadas por meninas, como a ótima e aguerrida DEMY LOVATTO.
Tudo considerado, o ROCK pesado com retrogosto oitentista / noventista voltou à moda.
Confesso que gosto…
Mas não fui só eu quem envelheceu…
POSTAGEM ORIGINAL: 31/10/2023
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FOCUS – HOLANDESES VOADORES! – HOCUS POCUS – BOX SET

Comprei este BOX tempos atrás. Claro, é muito legal e bastante completo. Porém, a masterização é precária. Dá impressão de as gravações terem sido simplesmente transferidas do vinil para o digital, sem os necessários cuidados.
Vários discos no BOX mereceriam tratamento melhor, principalmente porque o FOCUS foi o grupo de ROCK PROGRESSIVO da Europa Continental – eram holandeses – que fez mais sucesso na GRÃ BRETANHA, na década de 1970 e até parte dos 1980.
A identidade do FOCUS se forjou com algo do JETHRO TULL; outro tanto do PROCOL HARUM e dos MOODY BLUES, e condimentados por elementos da música de câmara. Há genes do PINK FLOYD escondidos ali.
Esta banda original, técnica e artisticamente refinada, era guiada pela FLAUTA e ÓRGÃO de THEJS VAN LEAR. E a guitarra do ótimo JAN ACKERMAN – que combinou características do JAZZ FUSION a um SOM PESADO e simultaneamente VIAJANTE.
O FOCUS foi produzido pelo eclético MIKE VERNON, que sabia do BLUES ao PROGRESSIVO e tinha noção clara de como forjar sucessos. É bem possível que do HIT instrumental, “OH, WELL”, que produziu para o FLEETWOOD MAC, em 1969, ele tenha aproveitado ideias para trabalhar com os “holandeses voadores”.
Procurem escutar clássicos como “Sylvia”, em “FOCUS 3” e “Hocus Pocus”, no álbum “MOVING WAVES” . E ouçam os discos “LIVE AT THE RAINBOW” e “HAMBURGER CONCERTO”, que dão a medida clara do fizeram. De maneira geral, os discos todos são bastante bons.
MEMÓRIA:
Eu assisti ao “JAN ACKERMAN” em SHOW da TURNÊ “NIGHT OF THE GUITAR, em 1989”, na mesma noite em que tocaram “LESLIE WEST”. do “MOUTAIN”, e o “WISHBONE ASH” com a formação original, em um teatro improvisado em SÃO PAULO, chamado PROJETO SP!
Foi inesquecível. Havia pouca gente e muita cerveja. E as três bandas arrasaram no palco!
POSTAGEM ORIGINAL: 31/10/2017
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DOIS “ÁLBUNS CONCEITUAIS PIONEIROS”: “MANHATTAN TOWER” , 1956. E “THE STORY OF SIMON SIMONPATH”, 1967

A busca pelo “paraíso” pôs em choque os dois NIRVANAS.
Quando o “NIRVANA AMERICANO”, aquele de KURT COBAIN e DAVE GROHL, surgiu no Estado de Washington, em 1987, e invadiu o planeta; o “NIRVANA INGLÊS” já havia sido recolhido aos verbetes de enciclopédias do ROCK.
O sucesso do primeiro despertou a ganância do segundo. Houve processo, indenização de 100 mil dólares e um acordo para os dois usarem o mesmo nome. Os ingleses acrescentaram o UK…
Havia motivos. Apesar dos ingleses terem aparecido pouco, gravaram disco hoje CLÁSSICO do ROCK CONCEITUAL – por assim dizer. “THE STORY OF SIMON SIMOPATH”, foi lançado em 10 de outubro de 1967. Aqui está excelente versão com bônus, livreto e etc…
É uma história “infantil” muito bem contada. Tem início, meio e fim; e bom entrecho onde cada música refere-se a um momento da narrativa.
Em linhas gerais, discorre sobre um garoto que desejava ter asas para poder voar… E terminou encontrando a garota ideal em outro mundo, onde se tornaram rei e rainha do Paraíso Perdido…
É bobagem, claro. No entanto, o desenrolar da coisa é interessante.
Mas TIO SÉRGIO, o disco é musicalmente bom?
Mais ou menos, em minha opinião. As músicas são bastante óbvias e os cantores medianos até demais…
Porém, tem o “doce sabor da época”: é SUNSHINE POP mesclado por ROCK-BARROCO, alguma orquestra e uns toques de FOLK INGLÊS acrescido de PSICODELIA simplificada. É mais para colecionadores do que para os habitantes exigentes do mundo POP-ROCK.
Contudo, há outro motivo “histórico” : o álbum é mais um daqueles tidos como “o primeiro” disco conceitual da História do ROCK. Saiu em novembro de 1967, um mês antes do “THE DAYS OF FUTURE PASSED”, dos MOODY BLUES – o que é irrelevante, já que a gestação deste álbum levou muito tempo até desaguar.
E, claro, o NIRVANA UK lançou o disco antes de outros clássicos do gênero: “S.F.SORROW”, dos PRETTY THINGS, saiu em dezembro de 1968. “TOMMY”, obra consagrada criada por THE WHO, surgiu em maio de 1969. E “ARTHUR” , THE KINKS, veio ao público em 10 de outubro de 1969.
São todos discos artística e historicamente importantíssimos.
Mas interessante, mesmo, é observar que o PRIMEIRO DISCO CONCEITUAL é um misto de JAZZ e POESIA com a “GRANDE CANÇÃO AMERICANA”. “MANHATTAN TOWERS” foi concebido aos poucos e a versão definitiva foi gravada em 1956, pelo autor e maestro GORDON JENKINS.
A obra conta história de um jovem e sua vida cotidiana no condomínio onde morava – um conjunto de prédios em NOVA YORK.
É um artefato inovador. Há música variada, monólogos, diálogos e efeitos sonoros acerca do tema. E o mais surpreendente: primeiro, foi gravado em 78RPM; depois, lançado em SINGLES. E, quando surgiram os LONG PLAYS foi completado, e a versão definitiva foi “relançada”, em 1956. É o disco da postagem.
A versão de JENKINS está sendo considerada o “PRIMEIRO DISCO CONCEITUAL DA HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR”. É muito instigante e surpreendente. Portanto, TIO SÉRGIO recomenda que vocês procurem nas plataformas virtuais e ouçam…
Há, também, há outra versão / gravação do grande cantor MEL TORMÉ , nos anos 1950… Portanto, mais um indício de que, mesmo sem querer, quase tudo o que está por aí deriva de algo original já concebido no passado.
“MANHATTAN TOWER” é essencial para incrédulos e colecionadores.
Tentem!
POSTAGEM ORIGINAL: 02/11/2022
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DOIS “ÁLBUNS CONCEITUAIS PIONEIROS”: “MANHATTAN TOWER” , 1956. E “THE STORY OF SIMON SIMONPATH”, 1967

A busca pelo “paraíso” pôs em choque os dois NIRVANAS.
Quando o “NIRVANA AMERICANO”, aquele de KURT COBAIN e DAVE GROHL, surgiu no Estado de Washington, em 1987, e invadiu o planeta; o “NIRVANA INGLÊS” já havia sido recolhido aos verbetes de enciclopédias do ROCK.
O sucesso do primeiro despertou a ganância do segundo. Houve processo, indenização de 100 mil dólares e um acordo para os dois usarem o mesmo nome. Os ingleses acrescentaram o UK…
Havia motivos. Apesar dos ingleses terem aparecido pouco, gravaram disco hoje CLÁSSICO do ROCK CONCEITUAL – por assim dizer. “THE STORY OF SIMON SIMOPATH”, foi lançado em 10 de outubro de 1967. Aqui está excelente versão com bônus, livreto e etc…
É uma história “infantil” muito bem contada. Tem início, meio e fim; e bom entrecho onde cada música refere-se a um momento da narrativa.
Em linhas gerais, discorre sobre um garoto que desejava ter asas para poder voar… E terminou encontrando a garota ideal em outro mundo, onde se tornaram rei e rainha do Paraíso Perdido…
É bobagem, claro. No entanto, o desenrolar da coisa é interessante.
Mas TIO SÉRGIO, o disco é musicalmente bom?
Mais ou menos, em minha opinião. As músicas são bastante óbvias e os cantores medianos até demais…
Porém, tem o “doce sabor da época”: é SUNSHINE POP mesclado por ROCK-BARROCO, alguma orquestra e uns toques de FOLK INGLÊS acrescido de PSICODELIA simplificada. É mais para colecionadores do que para os habitantes exigentes do mundo POP-ROCK.
Contudo, há outro motivo “histórico” : o álbum é mais um daqueles tidos como “o primeiro” disco conceitual da História do ROCK. Saiu em novembro de 1967, um mês antes do “THE DAYS OF FUTURE PASSED”, dos MOODY BLUES – o que é irrelevante, já que a gestação deste álbum levou muito tempo até desaguar.
E, claro, o NIRVANA UK lançou o disco antes de outros clássicos do gênero: “S.F.SORROW”, dos PRETTY THINGS, saiu em dezembro de 1968. “TOMMY”, obra consagrada criada por THE WHO, surgiu em maio de 1969. E “ARTHUR” , THE KINKS, veio ao público em 10 de outubro de 1969.
São todos discos artística e historicamente importantíssimos.
Mas interessante, mesmo, é observar que o PRIMEIRO DISCO CONCEITUAL é um misto de JAZZ e POESIA com a “GRANDE CANÇÃO AMERICANA”. “MANHATTAN TOWERS” foi concebido aos poucos e a versão definitiva foi gravada em 1956, pelo autor e maestro GORDON JENKINS.
A obra conta história de um jovem e sua vida cotidiana no condomínio onde morava – um conjunto de prédios em NOVA YORK.
É um artefato inovador. Há música variada, monólogos, diálogos e efeitos sonoros acerca do tema. E o mais surpreendente: primeiro, foi gravado em 78RPM; depois, lançado em SINGLES. E, quando surgiram os LONG PLAYS foi completado, e a versão definitiva foi “relançada”, em 1956. É o disco da postagem.
A versão de JENKINS está sendo considerada o “PRIMEIRO DISCO CONCEITUAL DA HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR”. É muito instigante e surpreendente. Portanto, TIO SÉRGIO recomenda que vocês procurem nas plataformas virtuais e ouçam…
Há, também, há outra versão / gravação do grande cantor MEL TORMÉ , nos anos 1950… Portanto, mais um indício de que, mesmo sem querer, quase tudo o que está por aí deriva de algo original já concebido no passado.
“MANHATTAN TOWER” é essencial para incrédulos e colecionadores.
Tentem!
POSTAGEM ORIGINAL: 02/11/2022
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“WE’RE AN AMERICAN BAND” – A JOURNEY THROUGH THE USA HARD ROCK SCENE – 1967/1973

Temos aqui 62 faixas de HARD ROCK americano selecionadas criteriosamente. Entre elas, dezessete clássicos inequívocos.
No entanto, é importante considerar que quase nada existe em estado puro. Tudo contém História e percurso; portanto, influências e interferências. O fundamental é o conceito: não existe HARD ROCK sem o BLUES como baliza.
Três CDS compõe o BOX – que é muito bem concebido. Traz livreto explicativo com biografias, fotos, etc… E é uma instigante miscelânea de bandas e artistas; a maioria imprescindível. Os organizadores trafegaram por sete anos de História. Desde origens identificadas com o PSICHEDELIC ROCK, até chegar à definição mais clara do que é considerado, hoje, o HARD ROCK!
Mas, TIO SÉRGIO, dá uma luz para nós, pô!
Claro, sobrinhos.
Em primeiro lugar, não há como criar o HARD ROCK, o PROGRESSIVO e o HEAVY METAL, sem considerar o que foi ditado pelo ROCK PSICODÉLICO, entre 1967 e 1969.
Os clássicos daquela transição, VANILLA FUDGE, IRON BUTTERFLY, BLUE CHEER, STEPPENWOLF, SPIRIT e FRIJID PINK são facilmente identificáveis. Não eram PROGRESSIVOS e nem METAL: eram claramente ROCK PSICODÉLICO PESADO – e algo mais próximo ao HARD ROCK – mesmo quase ultrapassando os ditamos do BLUES! Pois, é: não fosse o “quase”, seria contrassenso questionável
Então, como concebê-los?
O jogo fica mais claro, e também mais complicado, à partir de 1969. Temos ALICE COOPER, MOUNTAIN, Z.Z.TOP, CACTUS, BLUE OYESTER CULT, DUST, JAMES GANG – e aquela banda que todos gostamos e conhecemos… Como se chama, mesmo?
Mas TIO SÉRGIO, aqui aparecem maluquices pesadas, inusitadas, surpreendentes, e anteriores e posteriores, fazendo muito barulho. Bandas como QUICKSILVER MESSENGER SERVICE, BLUES MAGOOS, HUMAN BEINZ; e buscaram ARTHUR LEE, TOD RUNDGREN, o LOVE. E até o reverenciado MUDDY WATERS – inequívoco clássico do BLUES, dá uma passada por aqui.
E, para jogar gasolina e nitroglicerina na fogueira, convocaram o MC5 e os STOOGES!!!! E tudo classificado como HARD ROCK?
Pode?
E, se não não pode, o que fazer?
Pode, sim, defendo eu. São fronteiriços e contemporâneos. Então, compõem a explicação.
Ahhh, e tem mais, muito mais! Um montão de gente “sabida”, mas não tão “reputada”. E pencas de desconhecidos “siderantes” pelo espaço/tempo do POP ROCK . TIO SÉRGIO também os incluiria nesta feijoada deliciosa e pouco digestiva.
Uma nota pessoal: finalmente consegui uma faixa que me persegue desde o final da década de 1960. Não era tão difícil, mas foi postergada feito precatório: THE BUBBLE PUPPY, com HOT SMOKE AND SASSAFRASS – psicodelia pura, que saiu por aqui, também. É algo reverenciada e muito lega! Eu não comprei o LP original, de 1968, acho. E agora já posso ouvir em casa…
O fato é que não dá pra deixar de lado a imensidão de bandas “legais” e de talentos limitados. Gente que mal transcendeu o elementar, mas frequenta o imaginário de colecionadores com o TIO SÉRGIO, e muitos que conheço na rede, pelas postagens que fazem.
Para resumir, é BOX a cobiçar! A edição é da nobre GRAPEFRUIT RECORDS, ingleses dedicados e conhecedores. Aconselho a vocês prospectarem. O produto não é tão caro. Uns $35,00 BIDENS/TRUMPS, com extorsão fiscal e tudo o mais incluídos.
Fica para outra conversa, até talvez, até quem sabe… distinguir o HARD ROCK feito por ARTISTAS INGLESES do concebido e tocado pelos americanos. Há trilhas e descaminhos nessa mata perigosa….
Sei lá… é isso.
Ahhh, qual é mesmo o nome daquela banda americana que todo mundo gosta?
GRAND FUNK RAILROAD.
POSTAGEM ORIGINAL: 01/11/2023
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JANIS SIEGEL, CHERYL BENTYNE “POP SINGERS” DE ALTA QUALIDADE!

Seriam todos artistas de JAZZ? Acho que não.
Aliás, existem mesmo cantoras e cantores de JAZZ? Claro que sim! Mas a discussão é infindável.
As cantoras populares que eu mais gosto são basicamente POP: ELLA. BILLIE, SARAH, DINAH, DIANA KRALL, PEGGY LEE, JULIE LONDON, PATRICIA BARBER, e vasto etc…, talvez sejam erradamente classificadas como JAZZ.
E, tanto quanto elas, já que sem pudores injustificáveis de serem POP, adoro JANIS SIEGEL E CHERYL BENTYNE – a metade feminina do MANHATTAN TRANSFER.
Gosto do deles todos, e adoro principalmente JANIS SIEGEL. É Cantora completa e versátil; aberta a novos compositores e gente de outras terras. Inclusive, DJAVAN e IVAN LINS.
Ela é craque quando acompanhada por trios e quartetos. E memorável se apenas solo. Principalmente quando o pianista é o grande FRED HERSCH!
JANIS é o fino porque sempre recolhe e acolhe o melhor do que há pelo mundo. E, como discípula das grandes e dos grandes, sempre traduz seu repertório para a melhor tradição americana do POP REFINADO.
Sentem, escutem e colecionem JANIS SIEGEL.
CHERYL BENTYNE é mais explicitamente POP. E, com certa grandiosidade que nos deixa desconfiados de ela sempre apostar contra a concorrência de menor nível: algo tipo “Há POP SINGERS? Então sou melhor”… Vale demais o risco de comprar os discos da moça!
Tudo isto para incentivar vocês a questionarem a força dos rótulos e suas abrangências. Se prestarem atenção, há muita arte passando desapercebida, porquê não apreciada em seu contexto contemporâneo. Inclusive muita música boa quase envergonhada por não se encaixar em dogmas e formatos mais tradicionais.
Ser POP não é compor com a mediocridade. Não, mesmo!
POSTAGEM ORIGINAL: 28/10/20019
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JACK BRUCE – UM GÊNIO DE VERDADE, EM ALGUNS CDS E DVDS IMPERDÍVEIS

O escocês JOHN SIMON ASCHER BRUCE morreu em 25 de outubro de 2014, aos 71 anos. E foi um dos maiores contrabaixistas de seu tempo, musicista proficiente em diversos instrumentos, compositor sofisticado e cantor sempre reconhecível e admirado.
JACK era um SUPERDOTADO capaz de transitar criativamente pelo BLUES; em diversas tendências do ROCK; pela MÚSICA EXPERIMENTAL de vanguarda; e várias formas de JAZZ – do MODERNO ao FREE, e principalmente pelo FUSION.
Alguém escreveu que JACK fundiu “BACH” com “CHUCK BERRY”. Ele gravou, tocou, esteve com os que lhe interessaram, em sua época.
Acho impossível conseguir a discografia completa em que participou, ou foi autor. E descrevê-lo, disco a disco, tomaria tempo quase biográfico. Um currículo enorme! Encantamento e competência espalhados por décadas!
Com a GRAHAN BOND ORGANIZATION, a primeira experiência profissional relevante, JACK esteve ao lado de GINGER BAKER e JOHN MCLAUGHLIN. Só! E, ao longo do tempo, Gravou com MICK TAYLOR, JOHN MAYALL, LESLIE WEST, GARY MOORE, MANFRED MANN… e foi além, muito além….
BRUCE também participou do espetacular clássico da vanguarda jazzística inglesa, lançado em 1991, ESCALATOR OVER THE HILL, da pianista e maestrina de vanguarda, CARLA BLAY. E lá apenas cantou, ao lado de gente variada, como LINDA RONSTAND, naquele projeto CULT, espetacular e seminal.
Não vou comentar o inigualado e mítico CREAM, com CLAPTON e BAKER, entre dezenas de reuniões e apresentações. E a fulgurante carreira solo do FUSION JAZZ à VANGUARDA EXPERIMENTAL em dezenas de álbuns. JACK não negava fogo.
Há entre os discos, um raro e precioso do percussionista KIP HANRAHAN, lançado em 1991, com a participação do pianista de vanguarda DON PULLEN! É doideira brava! Acredite!
Em um dos DVDs postados estão presentes BILLY COBHAN, CLEM CLEMPSON, DAVID SANCIOUS…, na Alemanha, em show de 1980. Em outro, tocam CARLA BLEY e MICK TAYLOR. Apresentação ao vivo, em 1975. Todos, excelentes, performances, diga-se! E isso é pequena parte do que JACK BRUCE fez, gravou e felizmente nos legou!
Enquanto eu viver, tentarei encontrar o que for possível de JACK BRUCE. Eu o assisti, em SÃO PAULO, já doente, no show inesquecível de 24 de outubro de 2012. E, mesmo assim, mandando ver em seu espetacular e peculiar estilo de cantar e tocar o baixo!
JACK é um dos cinco melhores e mais criativos baixistas da História. Não está em primeiro lugar porquê, em minha opinião, a honraria pertence à norte-americana CAROL KAYE; craque emérita dos estúdios e figura lendária, com mais de dez mil sessões de gravação, acompanhando de SINATRA aos BEACH BOYS – e até ensinando rudimentos para o pessoal do KISS!
Ouçam e cultuem JACK BRUCE. Mas não esqueçam da tia CAROL KEYE. Ambos imprescindíveis, musicalmente elegantes e incomparáveis!
E, claro: “JACK BRUCE “É” UM GÊNIO”!
POSTAGEM ORIGINAL: 21/10/2020
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BRITISH BEAT – INÍCIO DOS ANOS 1960 – PARTE 1

Há discussão ainda não muito divulgada sobre como classificar os discos lançados há mais de 50 anos. Até pouco tempo atrás, eram todos jogados no supergrupo dos “OLDIES”.
Porém, passado é tudo o que não é “presentemente contemporâneo”. Então, para rechear a linguiça com pimenta brava e dizer além, é bom notar que vivemos um “eterno presente”: onde tudo convive junto ao mesmo tempo agora – para recordar a poesia precisa de OS TITÃS – aqueles…
Portanto, se isto “é” um fato, “LED ZEPPELIN” e “THE CLASH” continuam presentes tanto quanto a RHIANNA e o FOO FIGHTERS.
Então o quê fazer para colecionar discos
com alguma organização e disciplina?
TIO SÉRGIO percebe que as coisas estão sendo reclassificadas: de 1970 para frente, e até mais ou o ano 2.000, se pode incluir os artistas na categoria OLDIES.
Grosso modo, tornaram-se OLDIES discos passados de ROCK PROGRESSIVO, HARD ROCK, METAL, PUNKS, e tudo o mais produzido naquele período, incluindo a BLACK MUSIC e os ELETRÔNICOS em geral.
Mas e a turma daquele período para trás? PSICODELIA, BEAT, DOO-WOP, ROCK and ROLL, SURF e o o que se imaginar em produção POP, como ficam? Vêm sendo classificados como VINTAGE.
E é sobre discos de coleção da primeira metade dos anos 1960 que vou comentar.
São todos VINTAGES. E a imensa maioria é de bandas consagradas, em discos importantes, porquê o “primeirão” de cada um dos grupos citados.
The KINKS, 1964, trouxe “You really got me”, uma das precursoras do metal, surgido anos depois. BEATLES, em “Please, Please Me”, 1963, é histórico por razão óbvia. Assim como o primeiro dos TROGGS, 1966, onde está o clássico indiscutível, WILD THING.
Por esquecimento puro e simples deixei de postar a foto do primeiro disco dos HOLLIES, a imensa e transcendente banda que revelou o ainda contemporâneo GRAHAN NASH. Eles fizeram, inclusive, álbuns PSICODÉLICOS e PROGRESSIVOS, durante a extensa carreira.
Estão por aqui BILLY J. KRAMER e GERRY & THE PACEMAKERS, os SWINGING BLUE JEANS e os SEARCHERS – quatro bandas BEAT típicas de LIVERPOOL, juntamente com os BEATLES.
É bom não esquecer o DAVE CLARK FIVE, com mais de cem milhões de discos vendidos, a banda que realmente conquistou os EUA e rivalizou, enquanto existiu, pau a pau com os quatro caras famosos de LIVERPOOL!
E, claro, THE WHO, sobrevivente até hoje por ter conseguido um crossover musical e cultural que os mantêm entre os mais importantes da história.
Aqui, MY GENERATION, o SINGLE e primeiro e significativo álbum, lançados em 1965. Um grito rebelde em nível de SATISFACTION, dos STONES.
A um passo pequeno atrás, e com status de CULT em permanente ascensão, THE SMALL FACES eram concorrentes e contraponto direto ao THE WHO, entre os MODs londrinos; e também gravaram álbuns importantes e SINGLES inesquecíveis.
Se você gosta do BEAT BRITÂNICO temos, aqui, a gênese da farra que ajudou a mudar uma “era”.
POSTAGEM ORIGINAL:25/10/2020
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JACKIE BROWN – TRILHA SONORA PARA FILME DE QUENTIN TARANTINO – 1997

Acho que compreendo TARANTINO filmando de maneira detida e detalhista uma “SAGA AMERICANA”, repleta de gente comum – alguns desvalidos e outros simplesmente marginais ou bandidos.
É um jeito antissistema de ver a luta para realizar e desfrutar do sonho americano. Muita gente derrotada e pela realidade competitiva, desumana e cruel.
TARANTINO filma e revela uma das faces tristes da América. No entanto, o lado fortíssimo de seus filmes são as trilhas sonoras: populares, compreensíveis por gente comum, e com pequenas joias e grandes hits mesclados.
Por isso, se acharem este JACKIE BROWN pelaí enfrentem.
Há coisas fantásticas: “Across the 110th Street”, de BOBBY WOMACK, é R&B de alto nível. E ao menos cinco músicas memoráveis com BROTHERS JOHNSON, THE DELPHONICS, THE GRASS ROOTS, MINNIE RIPERTON e RANDY CRAWFORD.
As restantes, compõem o álbum com dignidade.
TIO SÉRGIO recomenda.
POSTAAGEM ORIGINAL: 27/10/2021
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BOB STANLEY – MÚSICO, PRODUTOR, COLECIONADOR E INTELECTUAL DO POP – ANOS 1990 EM DIANTE

Incerto final de semana recebi a RECORD COLLECTOR, bíblia mensal que me insere no colecionismo e no “como anda” a música lá pelas “estranjas”.
Abri, e vi no interior da primeira capa série de lançamentos da cult, eclética e vanguardista gravadora inglesa ACE – que sempre encontra o inusitado e imprescindível de todas as tendências e épocas. Estão lá um monte de miscelâneas concebidas por BOB STANLEY, o lado pensante do excepcional pop – group inglês SAINT ETIENNE, de grande sucesso nos anos 1990 e além.
STANLEY é um refinado colecionador e intelectual do pop. Há tempos ele vem escrevendo coluna fixa na RECORD COLLECTOR, onde aborda, compara, resenha e indica pepitas e barras de ouro feitas ao longo das décadas. Eu diria que ele seleciona temas e repertórios sob pontos de vista mais atuais. Aliás, essencial para tornar – se relevante; perdurar.
Ler STANLEY é sempre instigante, prazeroso e criativo. E a razão desta postagem é a capacidade que ele tem para estender-se,
voar pelos tempos; conceber e perceber interrelações entre vários estilos concomitantes que circularam pela capilaridade do POP contemporâneo.
Além de ter ideia clara sobre as transições, STANLEY sempre nos traz pequenas coisas esquecidas ou desleixadas, e consegue informar e argumentar porquê são importantes. Atitude que o torna um verdadeiro crítico musical.
As coletâneas/miscelâneas produzidas por ele e vários parceiros, dão água na boca até quando o conteúdo não é de meu interesse direto. Acessem e vejam. Os mais jovens curiosos certamente sacarão…
Mas para não ficar no texto árduo, mandei junto o que deixei em minha discoteca feito pelo SAINT ETIENNE: a deliciosa coletânea dupla de singles e adjacências, lançada 2001. E o que talvez seja seu disco mais legal e importante: “TIGER BAY”, de 1994. É TECHNOPOP light, alto astral e ultra dançante. É adoravelmente cantado por SARAH CRACKNELL – uma vocalista algo “naive” e politicamente correta, mas irresistível. A turma que gosta de cantoras pop contemporâneas precisa escutar e curtir o SAINT ETIENNE!
Quase tudo dito, porquê o cara é muito interessante, então fiquem de olho no STANLEY – o cara à esquerda na capa do disco. E ouvidos atentos em seus discos. Ele tem muito para dizer, ensinar e divertir a todos nós.
POSTAGEM ORIGINAL: 26/10/2020
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