KEITH TIPPET & CENTIPEDE – SEPTOBER ENERGY – 1971 JAZZ AVANT GARDE + ROCK PROGRESSIVO + FUSION JAZZ

O TIO SÉRGIO tem duas edições diferentes do álbum: A “INGLESA” vem com a CAPA BRANCA, e as letras em preto. É derivada do ORIGINAL. As quatro partes da obra estão em ÚNICO CD.
A “EDIÇÃO AMERICANA” é colorida, mais bonita e atraente. SÃO DOIS CDS, como os “LONG PLAYS” duplos ORIGINAIS. Ambas foram lançadas pela R.C.A.
Conheço o disco faz décadas. É um CULT do COLECIONISMO para os que procuram jacarés nos pântanos da música. E tanto para a turma do ROCK PROGRESSIVO, quanto para o pessoal do JAZZ mais experimental, ou da FUSION.
O álbum é um ORNITORRINCO!
Imagine o seguinte: KEITH TIPPET é pianista, arranjador e compositor desta peça difícil, e muito complicada para ser gravada.
É obra cheia de sutilezas requeridas ou expressas, que junta uma orquestra com 50 músicos ( na verdade 55 ) – daí o nome “CENTIPEDE”, centopeia .
O quebra cabeças é imenso para organizar e executar as quatro partes que compõem a obra. Há vinte violinos, 7 cellos, 3 baterias, 5 baixos ( elétricos, ou não ), 1 guitarra, 1 piano e 4 vocalistas. E todos servem de suporte para 5 trompetes, 4 saxes tenores, 4 altos 3 barítonos; e 4 quatro trombones!!!! Que tal?
E, não para por aí!
O disco foi pensado em núcleos, por assim dizer; e é executado nos instrumentos de sopro por duplas, trios, quartetos, e quintetos de “solistas” !!! E todos procuram tocar em contraponto, ou em massa, suportados pela turma das cordas, que faz base harmônica, em alguns momentos um pouco mais identificável e mais próxima do tradicional. Em outros, porém, gerando “pseudo anarquia”!
Captaram?
Seria FREE JAZZ?
Eu acho que não totalmente.
Mas vamos caminhar com “os ouvidos” um pouco além, e ver no que dá…
KEITH TIPPET é o pianista inglês de vanguarda que, em 1971, já havia participado em 3 discos do KING CRIMSON: “LIZARD”, “ISLAND” e “IN THE WAKE OF THE POSEIDON”. Ele consegue ser simultaneamente lírico e ousado. É um MESTRE DAS SUTILEZAS!
Para fazer o disco, TIPPET convocou amigos. Gente do SOFT MACHINE, DO KING CRIMSON, do IAN CARR & NUCLEUS, e outros luminares da linha de frente da música contemporânea britânica.
Se vocês clarificarem o tamanho da encrenca, vão encontrar:
Trompetes e corneta (?) com IAN CARR e MARK CHARING; saxes altos: ELTON DEAN, IAN McDONALD; tenor: ALAN SKIDMORE; barítono: KARL JENKINS; trombones: NICK EVANS, PAUL RUTHERFORD; bateristas: JOHN MARSHALL e ROBERT WYATT; baixos: ROY BABBINGTON, JEFF CLINE, DAVE MARKEE. Em resumo, a raiz, o caule e as folhas do novo JAZZ INGLÊS da época!
Nos vocais, e só para garantir anarquia, MIKE PATTO ( literalmente grasnando!!! ), ZOOT MONEY; e JULIE TIPPET, ex – JULIE DRISCOLL, conhecida e CULT cantora que participou com o tecladista BRIAN AUGER em vários discos legais no ” melting pot que abrange R&B, ROCK PROGRESSIVO, JAZZ, BLUES, e vasto enfim…
Pois, então: e para coordenar os trabalhos, produzir, organizar o caos possível e comprovável?
ROBERT FRIPP.
Mas, o FRIPP????!!!, TIO SÉRGIO?
Sim, escolha exata!
Ele retribuiu a TIPPET a participação nos discos do KING CRIMSON. É o cara certo para botar ordem, convencer e mandar. Tem um intelecto organizado, sabe deixar rolar, colocar, vírgulas, e mandar parar… E conhece as experimentações e vanguardas.
FRIPP é ousado e meticuloso. E conhecido como um déspota do bem: discute; mas, quando diz “não”, é “não”!!!
Quanto ao disco em si, li que a ideia de KEITH TIPPET era “ROMPER FRONTEIRAS FEROZMENTE”; buscando no “momento executado” o “AGORA”; mas dentro de uma lógica que fugisse do “conforto” e das regras rígidas da “HIGH ART”!
Entenderam? Eu ainda estou tentando…
Talvez, como também está no livreto, “ele orientasse os riffs básicos do JAZZ – ROCK para sustentar estruturas mais “soltas”, mais próximas do FREE-JAZZ.” Ou, a ideia central quem sabe fosse captar a energia das BIG BANDS com a sensibilidade dos pequenos grupos!
Sacaram? Eu continuo a desvendar e a descontruir o quebra-cabeças!!!
Presumo, resumindo, que ele pretendesse deixar o time improvisar com liberdade, mas dentro da melhor técnica musical possível. Em alguns momentos, a turma da base também participa do forrobodó; em outros, a turma de frente volta-se à base harmônica. É bonito, e distinguível quando se ouve a obra com mais atenção…
Curiosamente, em alguns momentos tudo parece rompido ou consolidado por alguns riffs e solos de guitarra, feitos por BRIAN GODDING. Porque FRIPP não tocou uma linha sequer no disco!
Lembram-se do show do KING CRIMSON, no ROCK IN RIO?
FRIPP comandava a banda com a guitarra; mandava e desmandava; rompia o construído, ou deixava andar a seu comando. Vi semelhanças entre os dois gestos…
Quando o disco foi lançado, houve uma avalanche de críticas. A turma do ROCK, que o comprou por causa de ROBERT FRIPP, frustrou-se. Ele “apenas” produziu. A turma da VANGUARDA achou o disco não coeso, um monumento desencontrado…
Talvez merecesse uma remasterização com algum craque de estúdio contemporâneo. Fico imaginando STEVEN WILSON. Ou algum japonês meticuloso em atividade. Mas quem sabe um alemão desses que fazem o trabalho espetacular com a BEAR FAMILY RECORDS?
Gente capaz de colocar as coisas no lugar, limpar excessos, realçar trechos esquecidos ou mal masterizados. Essas coisas complexas, que deixam audiófilos e ouvintes sofisticados de orelhas em riste!
TIO SÉRGIO aqui passou duas tardes escutando para ver se compreendia o que foi esboçado e feito… Comparei, observei, bebi…. depois, tomei a vacina contra a COVID e fui ouvir o disco de novo…
E de tanto pensar virei jacaré!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\04\2021
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JOE WALSH – UM DIFERENCIADO EM VIAGEM POR DESVÃOS DO ROCK:

“JOE WALSH” é tamanco sem couro: é pau puro!”
Porra, TIO SÉRGIO, o que você quer dizer com isso aí?
A resposta é: Sei lá, entende… Como sempre dizia o nosso único rei putativo, EDISON ARANTES DO NASCIMENTO I, o PELÉ.
Vez por outra eu cito a frase, que li sei lá onde? Mas pega o espírito, digamos, primevo do grande JOSEPH FIDLER – sobrenome que, se acrescentarmos um “E” depois do “I”, significa “violinista”… enfim.
TIO SÉRGIO gosta de submergir buscando histórias, origens. E foi encontrar o JOE em mar profundo e quase inatingível. Quase.
Observe os dois primeiros CDs na foto. Moram nas catacumbas da minha discoteca. São raros e meio irrelevantes, artisticamente falando. Porém, contudo, todavia, JOE WALSH treinou lá suas garras, em 1967.
O “RARE BREED” foi banda prá cá de obscura; os caras tinham algum talento, e tocavam num espaço qualquer em Nova York, quando foram “cooptados” pelos produtores JERRY KASENETZ e JEFF KATZ – craques do BUBBLEGUN, a baba dançável da moda.
O detalhe, é que o “RARE BREED” tornou-se o “OHIO EXPRESS”, que aproveitou e regravou a faixa BEG, BORROW AND STEAL – um GARAGE ROCK perfeito! Ahhhh, se ainda existe o vinil? Ninguém sabe, ninguém viu….
A gravação foi em N.Y.C, mesmo. E quem tocou a guitarra?
Claro, ele mesmo… “JOE WALSH”. Ouça, é muito legal! Aproveite e ouça “TRY IT “, com o “OHIO EXPRESS”; é pesada e foi censurada. Pra mim, o JOE também está lá…
“JAMES GANG” veio logo depois e foi caso interessante no ROCK americano. Era um POWER TRIO com sonoridade inspirada “IN ENGLAND”, digamos. São contemporâneos do “TRAPEZE”, do “HUMBLE PIE”, do “MOUNTAIN”… Portanto, herdeiros do “CREAM” e do “BLUE CHEER”; e antecessores da “BAD COMPANY”- para ficar entre poucos.
Os caminhos que a banda tomou à partir do segundo disco; e o seguido principalmente por JOE WALSH, mais à frente, os recolocou em contato com o “ROCK AMERICANO”. E a influência de “TED NUGENT e os AMBOY DUKES” vai ficando nítida.
Dia qualquer, dando uma passeada pela ilha, apareceu em minha “play – list” um CD só com músicas ao vivo.
Pus lá duas faixas em sequência, pinçadas no magnífico “JAMES GANG LIVE IN CONCERT”, gravado em 1971, no CARNEGIE HALL, em NOVA YORK!
Uns 50 anos atrás, comprei o álbum original, lançado por aqui em 1972. Ele me acompanha até hoje; é vulcânico! Uma coleção de terremotos, erupções em HARD ROCK e HARD BLUES, perpetradas por um TRIO de jovens talentosos em estado de fúria e criatividade!
O disco abre com “STOP,” um HARD ROCK / R&B; emenda “YOU GONNA NEED ME”, HARD BLUES como poucos, em que JOE WALSH simplesmente aniquila a plateia com sua guitarra e interpretação! Vai em sequência a tal ponto matadora; que, lá pelo meio do SHOW, quando a banda desacelera para tomar fôlego e continuar a pauleira brava, a plateia no austero CARNEGIE HALL reage, “ruge”, como estivesse numa tourada, ou em um rodeio!
Os gritos animalescos de HEYA, HEYA… incitam WALSH, o baixista DALE PETERS e o baterista JIM FOX a explodir em ROCK PESADO e BARULHENTO!
Não, eles não estavam no TEXAS – ou em BARRETOS! Mas em lugar “civilizado”, rico e urbanizado, bem no centro financeiro deste planeta… A foto icônica da capa revela três cavalos amarrados na porta do TEATRO!!! E justifica o TAMANCO SEM COURO: PAU PURO, do título.
Quem coleciona discos é sempre surpreendido.. Tenho apenas dois discos do “JAMES GANG”, o referido ao VIVO; e o primeiro, “YER ALBUM”, de 1969, que há décadas eu não escutava. É ótimo álbum de HARD ROCK PSICODÉLICO. Cadenciado, têm algo de FUNK, muita noção de ritmo, e fica ao mesmo tempo na fronteira do ROCK PSICODÉLICO e do PROGRESSIVO. Estão lá três das músicas mais famosas do TRIO: STOP, TAKE A LOOK AROUND e FUNK #48.
O álbum abre com micro introdução Sinfônica de uns 30 segundos; é peça criativa, progressiva, e bem mais típica de grupos ingleses do que de americanos. O clima e andamento geral do disco é à inglesa.
A banda desempenha bem, as músicas são legais, mas não se desenvolvem com espontaneidade. É “travado”, como seus colegas britânicos. É o som daqueles tempos – final dos 1960, início do 70. O disco foi bem de crítica e vendas, mas não estourou. A gravação foi feita em Nova York, na HIT FACTORY, estúdio muito requisitado naqueles tempos. E a primeira coisa que ouviram da equipe técnica foi: “FAÇAM UM HIT”. O disco foi produzido por “BILL SZYMCZYK”, famoso pelo nome impronunciável, e a notória qualidade do que faz. Ele trabalhou muito com WALSH, e principalmente para os “EAGLES”.
O JAMES GANG era muito bom como grupo – e individualmente, inclusive. Fizeram duas versões matadoras de músicas importantes de bandas ícones: BLUEBIRD, do “BUFFALO SPRINGFIELD”, ficou diferente da original; é mais lenta e muito bem arranjada. E LOST WOMAN, dos “YARDBIRDS” é muito inventiva, empolgante, longa; e foi gravada direto e sem “overdubs” – uma proeza!
Imaginem: os caras foram fazer COVERS do fino do ROCK!
O TRIO abriu temporadas para “THE WHO”, principalmente na América, e PETE TOWNSHEND dizia que JOE WALSH era o seu guitarrista favorito! Outros que gravaram com WALSH foram “STEVIE WINWOOD” e a “STEVIE NICKS”.
Os membros originais da banda se conheceram na UNIVERSIDADE DE KENT, em OHIO. Eu nem cheguei a ouvir dois dos três LONG PLAYS seguintes, RIDES AGAIN, 1970; e THIRDS, 1972, que juntos com o LIVE, aqui postado, estouraram nas paradas americanas.
É minha impressão que JOE WALSH percebeu, depois do primeiro álbum, que o grupo, e principalmente ele, estavam muito orientados para o ROCK PESADO INGLÊS. E desenvolveram sonoridades mais próximas ao ROCK AMERICANO.
Em 1972, JOE WALSH saiu da banda e partiu para carreira solo. Criou um sucedâneo pesado, porém mais sofisticado, o “BARNSTORM”, com o baterista “JOE VITALE” e o baixista “KENNY PASSARELLLI”, dois músicos posteriormente ligados à turma da Califórnia, “STEPHEN STILLS” e “NEIL YOUNG”, principalmente.
Gravaram três álbuns já tangenciando a transição do PSICODÉLICO para o PROGRESSIVO, mas com viés para um tipo de “BLUES- COUNTRY – ROCK, atualizado. O mais famoso é “THE SMOKER YOU DRINK, TH PLAYER YOU GET, 1973, onde está o sucesso “ROCK MOUNTAIN WAY, standard inescapável da discografia dele.
Aqui na foto está “YOU CAN´T ARGUE WITH A SICK MIND”, já em nome dele mesmo, e gravado ao vivo. É já bem diferente do “JAMES GANG”. Há muita percussão, ritmo, alguma latinidade e a musicalidade típica do ROCK americano daqueles tempos.
Eu gosto, mas não tem o pique do LIVE inicial. E vai ficando paulatinamente claro que “JOE WALSH” confluiu para o “SOUTHERN ROCK” e se aproxima do COUNTRY e do FOLK, e da sonoridade em voga na linha de grupos como “MANASSAS” e “DOOBIE BROTHERS”.
JOE WALSH sempre foi um guitarrista diferenciado e talentoso. Mas tem voz limitada e algo esganiçada; e o timbre um tanto para o “PATO DONALD”, o que o cerceava como líder.
Em 1976, passou a fazer parte do “EAGLES”, supergrupo de excelência vocal, onde vários cantam, e a voz diferente de WALSH integrou-se com personalidade. O efeito foi semelhante ao da entrada de “NEIL YOUNG”, para complementar o “CROSBY, STILLS & NASH”. JOE WALSH controlou o ímpeto e ficou mais POP e, daí, caminhou definitivamente para a fama.
JOE FIDLER continua ativo com seu jeito escrachado e meio hippie. Eu já o assisti nos vídeos do CROSSROADS FESTIVAL GUITAR, produzido por “ERIC CLAPTON”, na América.
TIO SÉRGIO e muita gente continuam gostando dele
POSTAGEM ORIGINAL: 12\05\2026
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“A NEW JAZZ LANGUAGE” – NJL – 1994 -COLEÇÃO DE CDS RAROS DE ARTISTAS CONSAGRADOS

Esta SÉRIE traz artistas do “JAZZ MODERNO”, “CONTEMPORÂNEO”, e, inclusive ,”FUSION”.
EM 1994, houve momentos em que o câmbio andava negativo, por aqui. Pagávamos preços reais em dólar, e não percebíamos… O evento foi uma das consequências do PLANO REAL.
COMPACT DISCS, CDs, eram o ponto máximo da TECNOLOGIA em REPRODUÇÃO MUSICAL, e as vendas explodiram aqui e no mundo. A demanda era excessiva, e os preços “SIDERAVAM” nas lojas. A INDÚSTRIA da MÚSICA FATUROU MUITO!
No BRASIL, importou-se muitos CDS. E, ao mesmo tempo, eclodiu diversos tipos de PIRATARIAS. Muitas bastante requintadas, e até hoje COLECIONÁVEIS. TIO SÉRGIO manteve algumas imperdíveis!
A presente COLEÇÃO foi produzida na INGLATERRA. São GRAVAÇÕES ao VIVO, e de ESTUDIO, tambbém. Os “ESTOJOS” que abrigam os CDS são de LATA; e, claro, tendem a ENFERRUJAR. O DESIGN é ótimo, e muito ATRAENTE. É um diferencial notável na DISCOTECA!
Foram lançados DEZ VOLUMES, com TRÊS CDs, CADA. Porém, eu nunca mais encontrei quaisquer deles! A QUALIDADE do SOM é até boa. Com os recursos disponíveis hoje, certamente comportariam, suportariam, REMIXAGEM e REMASTERIZAÇÃO.
TIO SÉRGIO mantêm TRÊS desses BOXES:
1) “BLACK AND WHITE”, Gente consagrada no PIANO: “EARL FATHA HINES”, “McCOY TYNER” E “CHICK COREA”. Resumindo, um pianista “CLÁSSICO” do JAZZ; outro CONTEMPORÂNEO beirando o EXPERIMENTAL. O terceiro é FUSION, e dispensa maiores apresentações…. A “CAPA DE LATA” é muito EXPRESSIVA – um TECLADO ESTILIZADO.
2) Outro BOX é “SHINING LIGHTS”. Traz SAXOFONISTAS; todos CRAQUES! Mais ou menos segue a proposta do anterior: “STAN GETZ”, é REFERÊNCIA no JAZZ MODERNO; “DEXTER GORDON”, é ESTILOSO, original, e conhecido por sua “EMISSÃO” mais ALTERNATIVA – algo “ROUCA”. Já “SONNY ROLLINS” fica entre o MODERNO e o CONTEMPORÂNEO. A foto de capa RECRIA as PALHETAS DO INSTRUMENTO. E, tal qual as outras, é MUITO CRIATIVA!
3) EM “BLOWING HOT AND COOL” habitam os TROPETISTAS: Há uma das sumidades do JAZZ MODERNO, “DIZZY GILLESPIE”. “FREDDIE HUBBARD”, é destaque em várias linhas do MODERNO para diante. E o representante do JAZZ CONTEMPORÂNEO é “WYNTON MARSALIS”, próximo às VANGUARDAS. A composição da capa também é macante: PONTOS NEGROS representam as VÁLVULAS do instrumento. É OBJETO muito INTERESSANTE!
Procurei a SÉRIE na INTERNET para refinar informações, etc… E nada encontrei. Desconfio que seja PIRATARIA SOFISTICADA.
Mas por que, TIO SÉRGIO?
Porque vários CDS são GRAVAÇÕES “RECUPERADAS”, e de origem não identificada… HUMMMM!!!!
Há coisas feitas em ESTÚDIO. Outras, foram captadas em SHOWS – performances possivelmente extraídas direto das MESAS de GRAVAÇÃO, nos CONCERTOS. Quase todas interessantes – talvez RARAS! E, curiosamente, têm as CARACTERÍSTICAS ARTÍSTICAS dos ANOS 1980!
Provocam impressões instigantes. Quando ouvimos, nos defrontamos com TIMBRES DIFÍCEIS DE SEREM REPRODUZIDOS, principalmente os AGUDOS. A maioria das gravações foi BEM CAPTADA E GRAVADA.
No entanto, não têm QUALIDADE SUFICIENTE para lançamento comercial. Falta melhor produção e acabamento – aquele toque final, o “VERNIZ” que os distinguem do “LOW-FI”.
São discos divertidos. Raramente se ouve um “DIZZY GILLESPIE” tão FUNKY! E “CHICK COREA”, talvez com GARY BURTON e BANDA, é FUSION IMPERDÍVEL! O mesmo se pode concluir do “POST-BOP – ALGO VANGUARDA – MEZZO FUSION POP” de “FREDDIE HUBBARD”. ( UAU!!! que DEFINIÇÃO CAPRICHADA expeliu “O TIO SÉRGIO”, HEIM!”)
Os “TEXTOS SÃO “DESINFORMATIVOS”. Entre o ÓBVIO e a ENROLAÇÃO tipo “SE SUMIU NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU”. O AUTOR, um certo NICK BROWN, é tão identificável como chamar JOÃO DA SILVA, no BRASIL, e não ter CPF….
Pra terminar, não esqueçam de que nas décadas de 1970/1980 boa parte da ELITE dos músicos de JAZZ estava catando latas, e fazendo SHOWZINHOS para sobreviver.
Ainda assim, se alguém encontrar, por aí, a preço barato algum desses BOXES; deve e pode comprar – ahhh, e me avise! A COLEÇÃO compensa pela RIQUEZA ARTÍSTICA, e o clima musical de época. e ainda não foram reavaliados, revalorizados.

Mas são objetos colecionáveis, e VERY COOL!

POSTAGEM ORIGINAL: 05\05\2020
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COLIN BLUNSTONE – ONE YEAR – COLUMBIA, 1971 – 50 ANOS DE UM “CLÁSSICO-CULT EM ASCENÇÃO”

COLIN BLUNSTONE é um cara tímido que entrou para o mundo da música meio por acaso, e foi ser vocalista de banda.
Mas deu alguma sorte: os ZOMBIES estouraram mundialmente, em 1964, com um MEGA HIT que trouxe peculiaridade ao BEAT INGLÊS: em SHE´S NOT THERE há um solo de teclado bem jazzístico. Uns doze segundos que serviram de cartão de visitas para ROD ARGENT, músico profissional de verdade….
Pois, é; o SINGLE vendeu mais de um milhão de cópias, mundo afora! Porém, vida de músico é difícil. Os ZOMBIES gravaram um LP e outros SINGLES; a maioria foi mal. Participaram de shows, excursionaram, ganharam uns trocos. E finito.
No crepúsculo, em 1967, deixaram pronto um álbum conceitual de “PSYCH – BAROQUE ROCK”, o clássico inesperado ODISSEY & ORACLE. Procuraram seguir a onda que aparecera na sequência do BEAT, com o SGT PEPPERS, dos BEATLES; e DAYS OF FUTURE PASSED, dos MOODY BLUES.
Mas somente “ROD ARGENT”, tecladista, e o guitarrista “CHRIS WHITE”, os compositores na banda, recebiam alguma grana. Tinham direito a royalties. Por absoluta insustentabilidade financeira, os ZOMBIES romperam em fins de 1967.
E cada um foi cuidar da própria vida. COLIN BLUNSTONE aceitou o emprego de “recepcionista/atendente” em uma Companhia de Seguros. E contou : “eu topei o primeiro emprego que apareceu, em vez de passar fome.”
Vocês sabem para o que serve um PRODUTOR?
Bem, para muitas coisas artístico – práticas. No entanto, poucos, muito poucos mesmo, têm a visão do todo e das possibilidades, como “AL KOOPER’; músico e arranjador americano muito inspirado, mas cantor nada empolgante.
Para ampliar a história, “KOOPER” esteve com os “BLUES PROJECT” e havia gravado com “BOB DYLAN”. Inclusive o clássico seminal LIKE A ROLLING STONE. Em 1968, estava envolvido com BLOOD, SWEAT & TEARS e outros projetos na COLUMBIA RECORDS.
“AL KOOPER” passeava em LONDRES e, por algum descaminho, acabou conhecendo e comprando o ODISSEY & ORACLE. Adorou e compreendeu o tamanho da obra. Convenceu a EPIC RECORDS a bancar a edição do disco nos Estados Unidos, através de uma de suas subsidiárias, a DATE.
Para mais bem expor os talentos do cara, vamos lembrar que ele descobriu e produziu um dos maiores fenômenos do ROCK AMERICANO, a banda “LYNYRD SKYNYRD”. Entre outros e outros…
Pois, ótimo! O restante é a história da fama crescente de ODISSEY & ORACLE, álbum hoje entre os 50 maiores da música popular!
COLIN EDWARD MICHAEL BLUNSTONE, tem nome “british”, sonoro e formal. Disse que ouviu “TIME OF THE SEASON”, o “SINGLE” retirado de ODISSEY & ORACLE, quando trabalhava na seguradora.
E, a partir daí, o interesse na voz dele renasceu.
CHRIS WHITE e ROD ARGENT haviam fundado uma produtora e o convidaram para gravar alguns demos. Fizeram. e, daí, outros SINGLES…
Mas COLIN ultrapassou aqueles momentos, e detém enorme legitimidade descrita por frases de colegas admiradores – muitos de tendências musicais antagônicas.
NEIL TENNANT, considera “ONE YEAR”, o primeiro disco solo de BLUNSTONE, um incrível e romântico álbum POP”. Tudo bem! Ele se afina com a linha musical dos “PET SHOP BOYS”.
Mas que tal a opinião de “THURSTON MOORE”, guitarrista do “SONIC YOUTH”: “É um exemplo clássico do melhor BRITISH POP. Um disco muito sofisticado e pessoal”! Aí, pessoal, já é admiração pelo talento explícito mesmo!
Para confirmar a reputação, após gravar três LPS para a EPIC, ele foi convidado pela ROCKET RECORDS, propriedade de ELTON JOHN, onde fez mais três álbuns. Depois, foi trabalhar com ALLAN PARSONS, e gravou com bastante frequência.
E daí seguiu errática, mas ininterrupta carreira – e até hoje!
Sem dúvidas, COLIN BLUNSTONE tem voz única, frágil, de pouca extensão e marcante originalidade. Levemente metálica, talvez “sparkling”, como um champagne; e algo “enfumarada” – um sutil aproach a tabaco? Se consigo definir assim…
Na voz dele habita um quê de DUSTY SPRINGFIELD; um timbre tangenciando o feminino, como DEMIS ROUSSOS, do APHRODITE’S CHILD; ou JON ANDERSON, do YES…. Mas, ele é um tenor sem arroubos – controlado. E suas eventuais “alegrias incontidas” duram micro segundos.
Quem sabe?
“ONE YEAR, lançado em 1971, completou 50 anos e foi relançado com destaque. A obra vem subindo paulatinamente de STATUS junto aos colecionadores, e à turma que conhece música POP e ROCK PROGRESSIVO.
Para mais ou menos definir, é tido como sequência ( ou seria consequência? ) de ODISSEY & ORACLE. Um dos focos, é óbvio, está no excelente vocal de COLIN, também compositor de quatro faixas, e que se revelou talentoso para baladas e músicas românticas.
O disco foi produzido por CHRIS WHITE; gestado e gravado, em 1971, por outra derivação dos ZOMBIES, o ARGENT: ótimo grupo de ROCK PROGRESSIVO inglês, com RUSS BALLARD, na guitarra; BOB HENRITT, baterista; JIM RODFORD, no baixo. E ROD ARGENT, teclados e vocal, e também o arranjador da parte instrumental da banda para acompanhar COLIN BLUNSTONE. Foi dele a sugestão para usar cordas e alguns sopros.
Foi assim: ROD andava escutando os “quartetos” de BELA BARTÓK, e inspirou o diferencial marcante, e hoje definidor desse disco. Mas foram os arranjos para grupo de câmara feitos pelo compositor inglês de trilhas sonoras, CHRIS GUNNING, que deram o clima e o acabamento final da obra. Duas faixas foram produzidas por TONY VISCONTI, à época entretido com MARK BOLAN e DAVID BOWIE; e, mesmo sendo boas, estavam pouco encaixadas no todo. Ainda assim, o que conseguiram gravar foi aproveitado.
O projeto foi realizado com orçamento muito limitado, gravado quando dava, e no decorrer de um ano – por isso o nome “ONE YEAR”.
A produção de CHRIS WHITE conseguiu dar cara e coesão à obra. Ouça a versão de MISTY ROSES, de TIM HARDIN – naqueles tempos, um compositor de sucesso. É um “compósito-amálgama” altamente criativo entre a BOSSA NOVA “quasi” JOÃO GILBERTO, justaposta a uma pequena obra de câmara nitidamente evocando BELA BARTÓK, e que se estende até o final da faixa! O efeito é lindíssimo! Como, aliás, toda intervenção dos arranjos de GUNNING!
Alguns talvez considerem o resultado um pouco açucarado. Mas, os MOODY BLUES, ALLAN PARSONS e KATE BUSH também são. E todos entregam trabalhos de alto nível.
O disco teve relativo sucesso; e de lá foram retirados três excelentes SINGLES que venderam razoavelmente: “SAY YOU DON´T MIND”, “CAROLINE GOOD BYE” e “I DON´T BELIEVE IN MIRACLES”.
COLIN saiu em turnê, mesmo dificultado pela necessidade em levar a banda e mais um quarteto de cordas. E, também, atrapalhado pela timidez e problemas na voz, que se tornaram recorrentes por muito tempo.
A EPIC lançou mais dois LPS interessantes; e um tanto disformes, mas com momentos que lembram o primeiro álbum. Eu aconselho aos que tiverem interesse em ONE YEAR, que procurem um pequeno, bem gravado e barato box da série “ORIGINAL ALBUM CLASSICS”. Lá estão, também, ENNISMORE, 1972 e JOURNEY, 1974, tudo o que ele produziu nesta fase.
COLIN BLUNSTONE é talentosos e diferente! E vale a pena descobrir sua voz inesquecível.
POSTAGEM ORIGINAL: 02\05\2022
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CARAVAN – WATERLOO LILLY – 1972 – DERAM RECORDS. ENTRE O ROCK PROGRESSIVO E O “JAZZ – FUSION”

Em 1973, havia no centro de SÃO PAULO três excelentes lojas de discos; todas muito próximas: “MUSEU DO DISCO”, na rua DOM JOSÉ DE BARROS, mais procurada pela turma do ROCK e do POP. “BRENO ROSSI” e “BRUNO BLOIS” – ENORMES! -, ambas na 24 de MAIO, que focavam mais o público da MPB, do JAZZ e, principalmente, dos CLÁSSICOS e ÓPERAS.
Incerto dia, fui na BRENNO ROSSI, onde havia lugar para escutar discos, logo após ter lido, no “JORNAL DA TARDE”, resenha perspicaz escrita pelo jornalista EZEQUIEL NEVES – depois produtor/inventor do BARÃO VERMELHO e do CAZUZA.
“ZECA JAGGER” – um dos apelidos de EZEQUIEL – incitava a “curtir” o recém lançado álbum da banda inglesa CARAVAN.
Fui lá, peguei o Long – Play WATERLOO LILLY, e outros também, e comecei a ouvir. Eu já havia assimilado o PINK FLOYD, MOODY BLUES e o PROCOL HARUM. Mas, ainda não conhecia o SOFT MACHINE e outros progressivos.
Pouco depois, tive contato com o “IN A SILENT WAY” de MILES DAVIS, e consolidei a correção de rumos. Estava amadurecendo e me abrindo para “outras músicas”. Mesmo jamais abandonando o bom e velho ROCK.
Confesso que fiquei entre confuso e instigado com o disco do CARAVAN; e resolvi comprar. O álbum foi revelando a complexidade sonora, que era simultaneamente JAZZ e ROCK, “ma no tropo.” Ainda não havia a expressão FUSION para definir “parte” do disco. Aliás, eu acho que fica mais preciso se denominado por ROCK PROGRESSIVO.
Recebi a minha a quarta ou quinta cópia daquele disco. Estou com três edições diferentes em CD. Excelentes, todas; mas com variações na masterização e mixagem – sempre de ótima qualidade técnica. A mais recente, é um “SHMCD” japonês! O som voa!!!
Sei lá; talvez por já estar há quase 50 anos repetindo o mesmo disco, surgiu ofuscada em minha memória canção lançada, na década de 1960, pelo cantor americano de “POP para adultos”, JACK JONES: “CALL ME IRRESPONSIBLE”- é um de seus HITS.
E irresponsável é certamente o que sou, em se tratando de música e discos…
O CARAVAN foi uma das principais bandas do CANTERBURY SCENE, polo de ROCK PROGRESSIVO da cidade, onde surgiu, entre vários, o SOFT MACHINE. A banda faz um som diferente dos grandes nomes que a gente conhece. Porém, elaborado ao extremo e bastante ousado.
“WATERLOO LILLY” sucedeu ao consagrado e pouco vendido – sempre normal na indústria musical -“IN THE LAND OF GREY AND PINK”, de 1971, outro clássico do gênero.
Mas são discos bem diferentes. Naqueles tempos, entrou e saiu gente da banda, e acabaram por contratar um novo tecladista, STEVE MILLER – não, não, não confundam!!!! -, de orientação mais JAZZY. E isto acabou alterando o ROCK PROGRESSIVO que vinham fazendo, para incursão mais decidida em direção ao “JAZZ – ROCK”. A denominação FUSION, como disse o TIO SÉRGIO, surgiu depois.
A derivação entre as vertentes foi definidora. Mas não definitiva.
O disco “WATERLOO LILLY”, em minha opinião, é o triunfo artístico. Expõe a integração perfeita entre o “ROCK PROGRESSIVO” e laivos de “FREE JAZZ” , com as inovações que MILES DAVIS trouxe em “IN A SILENT WAY”.
É extremamente musical, audaz, e bem humorado, como quase tudo o que gravaram. Também não vendeu! ( grande novidade…)
Ouçam atentamente “o lado ROCK”, no baixo de RICHARD SINCLAIR – um show de bola! E a inquietação JAZZY nas texturas do teclado e guitarras, e nos solos decididamente vanguarda do sax de “LOL COXHILL”. Arrasadores!
Na época do lançamento, surpreendentemente não foi bem recebido pela crítica, claro. Porém, no decorrer dos tempos, sobe paulatinamente de STATUS junto ao público, os colecionadores e a crítica atual. É justo, acreditem.
O CARAVAN continuou a carreira, claramente tornou-se mais PROGRESSIVO, e desfrutou mais sucesso. Então, percam-se por aí; mas não percam WATERLOO LILLY – que, vez por outra, é relançado.
O disco é espetacular! Portanto, é mandatório frequentar e morar na discoteca de todos nós!!!!
POSTAGEM ORIGINAL 08\05\2021
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“O QUAM TRISTIS” … “( 2000 – 2008 ) – THE COMPLETE WORKS – BOX EDIÇÃO LIMITADA COM 5 CDS E BOOKLET. DARK WAVE!

A professora, compositora e pianista JOCY de OLIVEIRA, é a criadora da MÚSICA ELETROACÚSTICA NO BRASIL, na década de 1950. Portanto, é influenciadora da moderna MÚSICA ELETRÔNICA.
JOCY talvez não sonhasse o “QUAM” longe sua opção repercutiu. Ponto!
Existe no mundo, inclusive em São Paulo, um cenário “GÓTICO UNDERGROUND” rico e muito diferenciado. Vem desde a década de 1980, e persiste com muita distinção até os dias atuais.
A expressão “GOTHIC ROCK” é algo limitadora para atividade musical ativa e vulcânica. Melhor usar DARK WAVE, mais ampla, que transcende as origens, e de certa maneira mantêm sob sua definição quase tudo o que foi feito posteriormente.
Hoje, são vistos como DARK WAVE originais, e mesmo ainda no final dos 1970, THE CURE e SIOUXIE & THE BANSHEES. E invadindo a década de 1980, o BAUHAUS, JOY DIVISION, SISTERS OF MERCY, CLAN OF XYMOX, THE CULT, e vasta “entourage”.
O espectro penetra a década de 1990, com o “DREAM POP”; passa por expressivas formas de WORLD MUSIC, e pela expansão da AMBIENT MUSIC.
Esta resenha focará em discos e sonoridades produzidos por gravadoras alternativas espalhadas mundo afora. Gravadoras diferenciadas como DISCHORDIA, CLEOPATRA, PROJEKT, e HYPERIUM… E, também, a “PALACE OF WORMS”, que lançou “O QUAM TRISTIS…”São todas eivadas por ELETRÔNICOS DE VANGUARDA e música não convencional.
É digno lembrar a brasileira “WAVE RECORDS”, talvez sucessora da “CRI DU CHAT”, e detentora de bom acervo e de lançamentos. Ela é tocada por ALEX TWIN, músico, agitador cultural, e idealista da VANGUARDA MUSICAL UNDERGROUND, com serviços prestados nada silenciosamente… Ele é resiliente; e está de seu jeito original no seleto conclave dos criadores do UNDERGROUND paulista.
TWIN também criou e participa de dois projetos da vanguarda eletrônica brasileira. Os “Cults”e reconhecidos “INDIVIDUAL INDUSTRY” e o “3 COLD MEN”. Fez ou produziu outros. E toca a loja, a gravadora e um espaço cultural, em SÃO PAULO, dedicado a essas tendências.
Há uma profusão de artistas e vertentes influenciados pela “DARK WAVE”. Os conhecidos DEAD CAN DANCE, BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL, CHANDEEN, CLOCK DVA, e THIS MORTAL COIL, por exemplo. Há mais!
Claro, sobram estilhaços e resquícios para incensados como DAVID SYLVIAN, BJORK e COCTEAU TWINS; e até para ENYA e LOREENA MACKENITT. Todos “solares” como aurora boreal…
Para muitos cultores do não óbvio, o OPERA MULTI STEEL, e o grupo que o sucedeu, “O QUAM TRISTIS…” também são representantes perfeitos da DARK WAVE.
É interessante buscar em passado algo “remoto” sinais dessa onda toda.
Os que conhecem o ROCK PSICODÉLICO INGLÊS, talvez se recordem dos YARDBIRDS em música totalmente fora de seu repertório, mas instigante e experimental.
Com JEFF BECK na guitarra, em 1965 gravaram “STILL I’M SAD”, onde há “CANTO GREGORIANO” acompanhado por banda de ROCK. É fenomenal e imperdível!!! E “DARK” de dar medo!
Se a viagem se estender para 1968, ouviremos a talvez primeira banda digamos…”DARK PSICODÉLICA” da História!
Os americanos THE ELECTRIC PRUNES, na verdade um “projeto”, são, para o TIO SÉRGIO, os primeiros inspiradores do “GOTHIC ROCK”! E gravaram, além de SINGLES matadores e tremendamente experimentais, a seminal MASS IN F MINOR (aí na foto).
É MISSA CATÓLICA cantada em latim; e em formato de ROCK DE VANGUARDA! A inspiração direta de JIMI HENDRIX nas guitarras é óbvia. O disco é um clássico UNDERGROUND.
Os que viveram os anos 1990, recordarão das gravações de cantores líricos, como PAVAROTTI, em incursões no POP e, às vezes acompanhados por grupos de ROCK. O encontro com o U2 é notório.
Muitos têm na memoria os CDS gravados por COROS de Igrejas. Os MONGES BENEDITINOS fizeram enorme sucesso no mundo inteiro. E até foram sampleados por D.Js; e tocados em danceterias e RAVES….Um must, naquele momento!
Nesse “melting pot” da DARK WAVE, em 1983, ERICH MIHIETT, PATRICK ROBIN, CATHERINE MARIE, e FRANCK LOPES criaram, em BOURGES, na FRANÇA, o “OPERA MULTI STILL”.
Todos cantam e são multi-instrumentistas. O grupo gravou 13 LPS/CDS, vários K7s, e fizeram incontáveis contribuições em miscelâneas e compilações de GOTH ROCK, AMBIENTE MUSIC e DARK WAVE – um espectro muito abrangente. Mas não conseguiram viver somente de música, e todos são profissionais em outras áreas…
Ainda assim, andaram e se apresentaram em vários lugares do planeta. Tocaram em SÃO PAULO, em 2011; e o show é tido como inesquecível.
Para constatar o intercâmbio e a característica multicultural desses artistas, FRANCK LOPEZ participa do 3 COLD MEN, com TWIN, e têm 4 discos gravados.
Vale a pena escutar a todos. Há vídeos e etc… no YOUTUBE.
“O QUAM TRISTIS” é o OPERA MULTI STEEL ampliado com a vocalista CARINE GRIEG. E foi reformatado depois de o proprietário da gravadora alternativa PALACE OF WORMS, GUIDO BORGHETTI, ter ouvido LAUDAMUS, música do O.M.S, cantada em latim.
BORGHETTI ofereceu-se para produzir um álbum inteirinho com músicas naquele idioma. E, para que não se confundissem com o OPERA MULTI STEEL, todos gravaram sob pseudônimo, e batizaram o novo projeto de “O QUAM TRISTIS”.
É nome bastante adequado – só ouvindo… Um “blend” de música acústica… “MEDIEVAL” feita com instrumentos antigos, como DULCIMER, FLAUTAS, CRAVOS, VIOLAS, etc…; mesclados a uma parafernália eletrônica; e acompanhando CANTOS LITÚRGICOS SACROS e / ou PROFANOS. E também CANTOS GREGORIANOS.
É tudo junto e ao mesmo tempo redivivo sob critérios contemporâneos, em cantares típicos do POP ETHEREAL feminino, muito em voga nas década de 1990 e 2000. E ali se juntou vocal masculino associado ao GOTHIC ROCK!
O tédio e a mesmice não habitam! Ao contrário: a sonoridade vai além do NEW AGE. Mas aquém do eletrônico de danceterias. É curioso, moderno e, quem sabe, atemporal… enquanto dure.
As letras incorporam poemas profanos e poesias recônditas, pinçados de autores anônimos – ou não – em séculos passados. Há, também, textos religiosos e litúrgicos, compostos na Idade Média. Uma espaçonave reversa…
E trazê-los sob arranjos contemporâneos, expõe a estranheza deste mix de tempos e eras, garantindo impacto para quem os escutam hoje…
É bonito e nada óbvio!
Os cinco discos que compõe o BOX são diferentes entre si. Em quaisquer deles, se percebe a integração com a sonoridade da época em que foram lançados, entre 2000 e 2008.
O títulos são bastante elucidativos. O primeiro disco FUNÉRAILLES DES PETITS ENFANTS, foi lançado em 2000. LES RITUEL SACRÉ saiu em 2002. MEDITATIONS ULTIMES veio àààà luz (?) em 2005; e LES CHANTS FUNESTES, de 2008, encerra o ciclo de álbuns originais e talvez da banda.
Para o BOX, há uma coletânea de RARE TRACKS, COVERS e REMIXES. Estamos no outono e a caminho do inverno. Tente! Quem sabe com vinho tinto, chocolate quente ou cognac… Não é para festas…, e sim, para público mais reflexivo.
O desafio de todo artista é resguardar o próprio estilo e características, dialogando com a contemporaneidade. O U2, o RADIOHEAD e DAVID BOWIE fazem ou fizeram isso muito bem!
O pessoal d’ “O QUAM TRISTIS” procura impor-se por um diferencial que os aproxima e, ao mesmo tempo os diferencia do OPERA MULTI STEEL e outros contemporâneos de estilo.
Não é para qualquer “paladar auditivo”. Mas, desperta ouvintes mais curiosos em busca do não óbvio.
Dedico o texto para o meu amigo Gerson Périco , que flutua e mergulha muito bem nesse mar interno…
POSTAGEM ORIGINAL: 09\05\2022
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VIAGEM MUSICAL PARA DENTRO DA NOITE

Na década de 1990, o TIO SÉRGIO, aqui, foi dono de LOJAS DE CDs. E um dos estilos predominantes, a “MÚSICA ELETRÔNICA”, dividiu-se em várias TENDÊNCIAS.
Porém, o que sobreviveu e disseminou-se, foi o TECHNO E SEUS DECORRENTES; talvez porque voltados para as PISTAS DE DANÇA.
Aqui, amostra pequena do que submergiu na CACHOEIRA DOS TEMPOS: uma SIMBIOSE ampliada entre o ROCK GÓTICO e a NEW AGE, geralmente cantada por mulheres. Foi divulgada como “ETHEREAL MUSIC”, ou “HEAVENLY VOICES”. E, depois , batizada por “DREAM POP”.
Se vocês quiserem ter uma ideia, imaginem a “ENYA” ou a “LOREENA MCKENNIT” mescladas com o “COCTEAU TWINS”. É tudo melódico, bonito, e até RELAXANTE…. No entanto, mais próximo da PAZ DOS CEMITÉRIOS, do que de um TEMPLO BUDISTA…
Na postagem, o que seria um vídeo, virou a foto de um raro BOX que descolei na época, o “HEAVENLY VOICES” – Bidú! Era bem espaçoso, e o conteúdo foi turbinado com outros CDs correlatos. Virou um MISTO QUENTE de MÚSICA FRIA…
APRECIEM – se conseguirem.
POSTAGEM ORIGINAL: 08\05\2017
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Ver menos

“LUCY IN THE SKY” – FILME DE NOAH HAWLEY, COM “NATALIE PORTMAN” & JON HAMM, 2021 E A DISCOGRAFIA PERTINENTE: DAVID BOWIE, BEATLES E RIHANNA

LUCY COLA é astronauta. E isto significa disciplina, inteligência acima do normal, determinação, autocontrole e coragem. E mais um acúmulo estruturado de informações, conhecimentos científicos e tecnológicos. E tudo para “sair da TERRA”!
Eis a tórrida e definitiva observação de “MAJOR TOM” , o astronauta depressivo. Personagem criado por DAVID BOWIE, em seu primeiro clássico, “SPACE ODDITY,” gravado em 1969: “THE PLANET EARTH IS BLUE, AND THERE’S NOTHING I CAN DO!”. Diz o “MAJOR” para o Controle de Terra.
Não,😒 queridões, queridonas, e queridexes, TIO SÉRGIO não vai traduzir…
Assistam a este filme. É inquietante, inteligente e filosoficamente demolidor, como deveria ser – concordo eu, um agnóstico relutante, mesmo rezando todas as noites…
A questão é: será que um ser humano treinado, recheado de lógica e álgebra; e condicionado a responder com a eficácia de um robô às circunstâncias que humanos não conseguiriam, se deveria esperar respostas e decisões excepcionais?
Definitivamente, talvez;
Oi, pessoal, apresento-lhes uma “NATALIE PORTMAN” em grande performance interpretativa. Ela e o elenco adequado e afiado.
Pois, bem; LUCY fez viagem espacial. É da elite da NASA, e ficou encantada com o que viu lá de cima… Mas retorna à sua vida aqui na terra; tem marido e filha, e dá de cara com o cotidiano.
Não foi um choque óbvio, mediano, trivial. E, sim, uma verdadeira desconstrução do “EU”. As perguntas e possíveis respostas se transportaram para dentro – e não para fora dela, como “LUCY” esperaria…
Afinal, aquela “dimensão incomensurável”, que todos observamos daqui da Terra, repleta de luzes de estrelas emitidas milhões, sei lá, bilhões de anos atrás; e talvez provindas de corpos que não existam mais, não são assimiláveis e, menos ainda, traduzíveis às dimensões humanas. Mesmo para uma superdotada como ela.
Pessoas vivem até 70/90 anos, se superestimamos o prazo para o “countdown” rumo à extinção de cada um de nós… É muito pouco frente ao Universo!
Resumindo, como lidar com o vazio imenso e a nossa insignificância em relação ao “INFINITO”? Foi o que LUCY sentiu.
Então, como e por que estar metido nisso, se todos somos segmentos de retas; frutos, em geral, da ejaculação de um homem em uma mulher, num momento de prazer – ou não? Vamos viver tão pouco e ser interrompidos…
Em viagens rumo ao desconhecido, se encontrará “nada” por distâncias que podem ultrapassar vidas e vidas? Centenas, milhares de anos… para chegar a … algo.
Devemos concordar: com a tecnologia disponível, nos defrontar com isto é um monumento à frustração. E nem a expectativa de ser filho de um DEUS criador, e mitigador de sofrimentos, está no aprendizado de um astronauta!
Então, como aguentar o retorno para dentro de si mesmo?
LUCY COLA pirou porque precisava, no mínimo, identificar um propósito para perceber-se “gente”. E tentou. Mas, isso deixo para vocês concluírem, quando assistirem ao filme.
O médico da famosa série “Dr. HOUSE”, em rara discussão com uma paciente, ouve dela que “Se Deus não existe, a vida não faz sentido”. E responde: “A vida não faz sentido se não tiver um propósito”! E é aí que os problemas começam.
De BOWIE voltamos aos BEATLES, 1967.
“LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS” é um clássico alternativo e cult do ROCK. A letra é totalmente lisérgica e surrealista. Melodia e harmonia são ricas e bem trabalhadas.
Mas a viagem interior através das drogas também contempla a mente expandida em direção ao Universo. Os diamantes, metáforas para estrelas, refletem a imaginação sobre algo parcialmente visível, mas de grandeza e riquezas inimagináveis.
Estão aí os telescópios, as novas tecnologias e as descobertas assombrando crédulos e agnósticos; céticos e nefelibatas.
A viagem que faz RIHANNA é terrena, palpável, enamorada, e mostra um bom propósito para continuar vivo: amar. Mesmo que o eterno seja breve.
Em DIAMONDS, 2012, seu clássico POP instantâneo, ela identifica a pessoa que está com ELA como “BEAUTIFUL LIKE DIAMONDS IN THE SKY. A música belíssima foi produzida por “STARGATE”. Aliás, nome mais significativo é difícil de imaginar… Através de RIHANNA, eu compreendi melhor os BEATLES…
Pois, é! A viagem de LUCY COLA refletiu a inquietação de DAVID BOWIE, a ousadia de JOHN LENNON, e o romantismo de RIHANNA.
E, também, a imaginação de bilhões de terráqueos – e talvez de habitantes de outras galáxias.
Mas…
POSTAGEM ORIGINAL: 06\05\2023
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UM PROJETO FRUSTRADO DE VAGABUNDO: EU!

Minha pré-adolescência foi um fracasso. Foi muito ruim.
Pois é, saí da antiga “QUINTA SÉRIE”, em 1963, e fui para o “GINÁSIO”; sei lá como se chama, hoje? Segundo grau?
Escola pública de bom nível, o “RUI BLOEN”, com trema no O, continua instalado há quase 70 anos no bairro do Planalto Paulista, em São Paulo.
Vivi horror escatológico! Eu era criança um tanto imatura. Muito preso, morei uns 4 anos com meus tios e tias durante o ensino primário, por superproteção de meus pais que moravam “longe” em, hoje, bairro muito bom de classe média e próximo ao Aeroporto de Congonhas.
Morar com os tios não foi ruim, não! Solitário, eu gostava meio sem muita noção de ler. Mas, era reprimido; não tinha amigos, não socializava, não tinha conflitos com a garotada, portanto não amadureci com as devidas cautelas e defesas.
Meu amigo era o BETÃO, primo coetâneo, de quem fui próximo a vida inteira, até a morte dele. Tenho saudades irrecorríveis…
Vou contar um pouco
Eu gostava de jogar “botão”. Um sucedâneo caseiro do futebol de rua que eu não praticava. Fui bom no jogo. Fiz esforços enormes para montar times, sei lá como…
Dinheiro não havia. Mesadas? Quá!!! nem as literais; meus pais eram ponderados…, mesmo que o Seo Fernando, com sua voz de Baixo barítono, bonita, extensa e forte, colocasse ordem na casa pelo terror que não praticava. Jamais apanhei do velho; e raramente levei merecidas palmadas de dona Helena – opa! minha mãe.
Pois bem, no ginásio eu ia bem em português, história geografia…, Educação física? Como? Eu não sabia jogar futebol. Sempre o foco das aulas.
Meu horror e cadafalso foi a matemática. Eu simplesmente não entendia e não sabia como aprender. Minha falta de noção era tanta que acabei levando pau na primeira série.
Naquele tempo, ser reprovado em qualquer matéria te condenava a repetir novamente a série inteira. Um crime contra qualquer motivação e autoestima do aluno, que perdia os colegas promovidos para outra classe, outros desafios.
Para mim, foi uma desgraça e vexame demolidores…
Enfrentei a repetência. Consegui passar de ano, e fui para a segunda série; e quase fui reprovado novamente.
Junto com a escola eu jogava botão com alguns amigos, e passei a cabular aulas. Eu e outros projetos de vagabundos fugíamos da escola, íamos para a casa de um deles, o Cury, e passávamos a tarde jogando….
E aconteceu o inevitável. Fiquei para a chamada segunda época! Foi aí que minha vocação marginal começou a ser desmontada.
Quando os meus pais examinaram a minha caderneta de notas, perto do final do ano de 1966, houve uma explosão nuclear a céu aberto em minha casa!!! Hiroshima foi brincadeira perto do que eu tive de enfrentar. Houve um complô contra, digamos, o meu desempenho. Fui intimado a passar de ano nem que fosse a última coisa que fizesse vivo…
Fui colocado em quarentena durante as férias de fim de ano,
janeiro e fevereiro – antes era assim: 2 meses. Arranjaram uma professora particular que inculcou em mim o básico em matemática, tive aprender na marra, quase a tapa. Passei de ano.
E meu prêmio?
Fui retirado da escola diurna e fui estudar à noite e trabalhar. E com a incumbência e ameaça de não fazer besteira. Fiquei sob intervenção “Federal”.
Eu mal havia completado 14 anos e nova revolução estrutural baixou em minha vida. E foi aí que fracassou o projeto de eu me tornar um vagabundo.
E ainda bem! Mas, em lugar do botão, entrou o futebol…
Aí é outra história…
Para complementar, vai aqui sugestão de trilha sonora. Afinal, um pouco depois, ou algo antes, era mais ou menos isso que o futuro TIO SÉRGIO gostava.

JORGE LUIS BORGES E O UNIVERSO CONCENTRADO EM “EL ALEPH” 

TENHO PENSADO BASTANTE, SOBRE QUAL SERIA O PRESENTE DEFINTIVO PARA QUAISQUER DE MEUS AMIGOS, PRINCIPALMENTE OS QUE GOSTAM DE PENSAR, ESPECULAR, PERSCRUTAR?
PESSOAL, SE EU PUDESSE LHES DARIA “EL ALEPH”: AQUELE PONTO NO VÉRTICE DO TETO DO QUARTO, ONDE O ESCRITOR ARGENTINO E GÊNIO DA LITERATURA, “JORGE LUIS BORGES”, “IDENTIFICOU” O LUGAR ONDE ACONTECIMENTOS, HIPÓTESES, SABEDORIAS E IDEIAS; O PRESENTE, O PASSADO E O FUTURO ESTARIAM CONCENTRADOS, E PODERIAM SER VISTOS POR QUEM OS ACESSASSE.
PROCUREM LER ESSE CONTO ESPETACULAR E CURTO; REALISMO MÁGICO DA MELHOR QUALIDADE; PLENO DE IMAGINAÇÃO E VIAGENS MENTAIS. É OBRA DE CONCISÃO E BELEZA ABSOLUTAS!
POIS, É! FALARAM MUITO MAL DO VELHO BORGES. FOI ACUSADO DE APOIAR A DITADURA ARGENTINA DOS ANOS 1970.
É VERDADE. MAS APOIOU A INTERVENÇÃO DA MESMA FORMA QUE MUITA GENTE BOA APOIOU A DITADURA BRASILEIRA, AMBAS CONTEMPORÂNEAS.
BORGES NÃO ERA UM OGRO REACIONÁRIO E VIOLENTO. APENAS LAMENTAVA NO QUE A ARGENTINA, PAÍS PUJANTE, DESENVOLVIDO E CULTO, ESTAVA PROGRSSIVAMENTE SE TORNANDO; UM PAISECO DE TERCEIRO MUNDO, GOVERNADO POR POPULISTAS INCOMPETENTES E INCONSEQUENTES – NO CASO, OS PERONISTAS E SUCESSORES…
CLARO, BORGES, E MUITOS EM DESESPERO, APOSTARAM EM OUTRO CAVALO ERRADO. O FATO É QUE, SOB DITADURA OU NÃO, LOS HERMANOS MANTÊM-SE EM SUCESSIVAS CRISES; AGRURAS E AMARGURAS PERENES.
PORÉM, REGIMES AUTORITÁRIOS SÓ PIORAM AS COISAS: DESMONTAM AS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS, QUE DEPOIS DEMORAM DÉCADAS PARA SEREM RESTAURADAS.
“JORGE LUIS BORGES” JAMAIS COMPACTUOU COM A REPRESSÃO E A TORTURA. A ENTREVISTA EM QUE ELE DEU, DIGAMOS, AS BOAS VINDAS À “REAÇÃO”, É EIVADA POR SAUDOSISMOS E VERGONHAS. EU LI.
O VELHO BORGES ERA UM CONSERVADOR ALGO ARISTOCRÁTICO E NEFELIBATA, E SÓ NÃO GANHOU O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA POR CAUSA DO APOIO AOS MILITARES.
EM MINHA OPINIÃO, O VELHO FOI TRATADO COM RIGOR EXCESSIVO POR CAUSA DAQUELAS DECLARAÇÕES INTERPRETADAS COMO DESASTROSAS. AINDA ASSIM, ELE É PATRIMÔNIO CULTURAL DA AMÉRICA LATINA E DE TODA A HUMANIDADE.
E, VAMOS FALAR SÉRIO: ELE TINHA RAZÃO NO DIAGNÓSTICO. A ARGENTINA É CASO ÚNICO DE PAÍS QUE TRANSITOU DO PRIMEIRO PARA O TERCEIRO MUNDO. UM FEITO DELETÉRIO INÉDITO. NA REVISÃO DESSE TEXTO, AGORA EM ABRIL.DE 2026, A DECADÊNCIA E OS MESMOS PROBLEMAS PERMANECEM PIORADOS…
HOJE, “EL ALEPH” PODE SER METAFORICAMENTE IDENTIFICADO COM OS COMPUTADORES QUE POSSUÍMOS: ATALHOS E SÍNTESES PARA MUNDOS. ENTÃO, DESEJO A TODOS QUE ABRAM A CABEÇA E LEIAM UM “BORGES DE BOA CEPA”, ACOMPANHADO POR UM VINHO ARGENTINO.
PODE SER NA TELA DE UM TABLET…
POSTAGEM ORIGINAL: 03\05\2014