UM DEUS EM MINHA JANELA

Indiferente como sempre, Atlântico saiu de si mesmo e veio nos perscrutar. Quase sempre faz isto no inverno. A praia para ele pouco importa. E gente tanto faz. Construções, avenidas, postes? Ele não sabe. Ultrapassa, contorna, deforma e retorna.
Até quando? Não sabemos e ele também não sabe.
Não sabe, mas continua belo. Ele não sabe que nós sabemos. Valores? Ele não os tem – e nem precisa deles. Quando a gente o machuca, ele não está nem aí: apenas se vinga. E quando e se quiser. E do jeito dele.
Nós passamos, ele permanece. Século após século, era após era, presta contas somente ao Cosmos, ao “Sistema”. Ele não sabe que é vivo. Mas, nós sabemos. Ele não é amistoso e não está nem aí com isso…
Início da madrugada, eu insone tentei decifrar o Atlântico.
Taciturno? Achei que sim. Mas, ele não sabia. Noite azul de lua cheia velada por nuvens? Ele não dá a mínima.
E os Namorados? sempre eles e ainda bem! Mas para o ATLÂNTICO tanto faz… Diamonds in the Sky? Rhyanna? Beatles e Lucy in the Sky with Diamonds? Ele nem reparou. Simplesmente não sabe; não liga!
E prosseguiu lentamente, em metástase sobre a pele da areia. Hipnótico, perturbador, sedutor irrefreável como Kate Blanchet, em”Carol”. E eu surpreso, tímido e perplexo, como a Thérèze, de Rooney Mara – que foi seduzida por “Carol” naquele filme cult e famoso…
Mas, para ele tanto faz. Ele nunca sabe…
POSTAGEM ORIGINAL: 16\09\2021
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JOSS STONE, A DIVA POP DESCALÇA, AMY WINEHOUSE; E A CONCORRÊNCIA QUE A MORTE EXTIRPOU

Duas meninas inglesas, talentos explosivos e incontornáveis, cruzaram vidas e vozes nas rádios, shows e gravadoras. E, talvez, nunca tenham se encontrado pessoalmente!
Elas foram a bola da vez quase ao mesmo tempo, entre 2003 e 2011. E, de certa forma, pagaram preço alto em momento histórico de transformações de mercados e tecnologias. A indústria da música estava e continua em crise.
Então, o que fazer quando surgem pedras valiosas, semilapidadas e ocupando praticamente o mesmo espaço artístico? JOSS e AMY são excelentes cantoras e basicamente de música negra, e suas imensas variações.
A gravadora ISLAND, filiada à UNIVERSAL MUSIC, contratou AMY WINEHOUSE. E uma pequena gravadora, a S CURVE, levou JOSS STONE – que depois foi para EMI.
AMY WINEHOUSE, garota pobre, família disfuncional e consumidora de drogas; voz contralto nítida e atitudes antissociais, cantava REGGAE/SKA, HIP-HOP… em bares da Inglaterra.
Gravou pela primeira vez em 2003. “FRANK”, o álbum de estreia seguindo o novo R&B , HIP-HOP, foi elogiado e fez algum barulho. Mas AMY somente arrasou em 2006, com “BACK TO BLACK”. Disco de letras agressivas mas calcado na sonoridade tradicional do R&B. Foi o álbum mais vendido de 2007, com seis milhões de cópias!!!
JOSS STONE, adolescente de classe média descoberta em Londres foi enviada para NOVA YORK, onde imediatamente se transformou em sensação internacional. Era o ano de 2003 – e tinha aos 16 anos de idade!
JOSS saiu “cantando…pneus”. Os dois primeiros discos, SOUL SESSIONS em 2003; e MIND, BODY AND SOUL lançado em 2004, e também de R&B / SOUL tradicionais, venderam mais de 5 milhões de cópias!
Observe as estratégias: são inversas. AMY WINEHOUSE começa, no mesmo ano que JOSS, 2003, gravando o R&B modernizado da época. E vai para o “tradicional” em seu disco seguinte, onde está claramente influenciada pelo cantar de DINAH WASHINGTON e BILLIE HOLIDAY.
AMY infelizmente teve pouco tempo. Mas deixou quase pronto o que poderia oferecer dali em frente. Em 2011, LIONESS, HIDDEN TREASURES, seu disco póstumo, ela ensaia repertório mais abrangente.
Vai de clássicos POP da década de 1960, como OUR DAY WILL COME, canção com dezenas de versões, a de JULIE LONDON, por exemplo. Ou WILL YOU LOVE ME TOMORROW, hit das SHIRELLES, também de outras com outras versões, ao longo das décadas.
AMY fez dueto com TONY BENNETT, teste definitivo do POP ADULTO, e adequado para o seu background e características vocais.
Quatro anos mais jovem, JOSS STONE é “cria espiritual” de ARETHA FRANKLIN e JANIS JOPLIN, e com respingos de DONNA SUMMER, e DUSTY SPRINGFIELD – a referência inevitável para qualquer cantora inglesa dos últimos 50 anos. Ela começou tutorada por BETTY WRIGHT, veterana de R&B, com sucessos marcantes na década de 1970.
Professora exigente, BETTY ensinou JOSS a voz e os maneirismos dos clássicos da SOUL MUSIC e do R&B, em canções intensas e difíceis de cantar e interpretar. BETTY ainda participou nos vocais em gravações e shows.
Eu só me lembro de ter assistido uma vez a estreia de gente tão jovem e com tanta energia: foi MARIA BETHANIA cantando CARCARÁ, quando tinha uns19/20 anos. A voz, já marcante, abalou as estruturas do teatro!!!! Eu estava lá e tinha 14 anos… Inesquecível!!!
JOSS STONE fez o DVD da foto, em 2004. Juntou o repertório dos discos iniciais e, acompanhada por banda impecável, gravou show simplesmente fantástico!
Aos 16 anos, a voz diferenciada já estava mudando. JOSS cantou belamente, demonstrou carisma, descontração e domínio de palco. Para uma adolescente já linda, mas corpo ainda em formação, ficou justificada sua fama de grande promessa.
Depois, foi preciso testa-la no mercado jovem. Porque não faria o menor sentido uma quase menina dedicar-se a repertórios tão adultos, que exigem maturidade e sensualidade. Os pais cuidavam dela. A mãe ia junto nas viagens, etc… e certamente não permitiriam exageros.
Assim, a sequência de discos já sem o sucesso dos iniciais, é composta por SKAS, o novo R&B; HIP-HOP voltados para a moçada, em geral. A exigência da voz também é menor, mais compatível ao repertório.
São discos bons – mas não memoráveis:
“INTRODUCING”, 2007, mescla NEO SOUL, HIP-HOP, e boa participação de LAUREN HILL, o sucesso mais notório da época. “COLOUR ME FREE”, 2009, é menos intenso e vai na mesma linha. JOSS fez com DAVID STEWART, ex – EURYTHMICS, um bom álbum, em 2011. É POP mais pesado, com guitarras e arranhando o ROCK. E a voz de JOSS já está bem madura. O volume dois de “SOUL SESSIONS”, saiu em 2012 – ensaio para a volta ao R&B mais original.
Finalmente, em 2015, lançou “WATER FOR SOUL”, a sequência POP, SKA, REGGAE e R&B. Foi o derradeiro álbum de inéditas. E talvez haja relação com a briga e processos contra a gravadora EMI, para o rompimento de contrato.
Em vinte anos, JOSS STONE gravou relativamente poucos discos. Mas cantou com muita gente, JAMES BROWN, SLY STONE: MICK JAGGER, STING, PAT LABELLE, AL GREEN, etc… Ela vendeu mais de 40 milhões de discos, nos diversos formatos.
E não deixou de excursionar e a bem sucedida turnê de 20 anos de carreira passou pelo BRASIL e girou o mundo, Prestem atenção na banda fantástica; principalmente no guitarrista STEPHEN DOWN – um exuberante!!!
Eu assisti a vários SHOWS COMPLETOS e de épocas diferentes, que ela fez. JOSS, quando publiquei esta resenha, estava com 35 anos, e cantando melhor do nunca! Madura, linda, carismática e dona do palco. Estava claramente transitando para repertório mais adulto de R&B, SOUL, e adjacências; rearranjando o acervo base e os antigos sucessos para o seu público que, é lógico, também amadureceu.
A grande vantagem de JOSS STONE foi nunca ter sido uma SANDY, por exemplo. Ela não começou carreira cantando músicas que jamais se adequariam à maturidade. JOSS não entrou em crise com a própria História, como provam shows atuais.
Oito anos de distância do último disco certamente ajudaram JOSS a retornar em outro nível. E com suas marcas registradas: cantar descalça e distribuir girassóis ao público.
Ela é SUPER DUPER!
POSTAGEM ORIGINAL: 16\09\2023
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THE WHO – TOMMY – 1969 – EDIÇÃO JAPONESA – SHMCD

“TOMMY” é álbum ícone do ROCK MODERNO PÓS BEAT. Tem sonoridade que se desvia para o ROCK PSICODÉLICO com pitadas de PROGRESSIVO.
Vale mais pelo conceito pretendido do que pelo desenvolvimento da música em si. Que, pensando bem, é melódica, rítmica e harmonicamente conservadora.
“TOMMY” foi concebido como um álbum CONCEITUAL’ na esteira de “S.F.SORROW”, dos PRETTY THINGS , lançado em 1968. É disco bastante admirado por “PETER TOWNSHEND”, o guitarrista e compositor principal do WHO.
Porém, “TOMMY” foi espertamente VENDIDO e posteriormente reinventado como ÓPERA ROCK. Foi gravado, filmado e encenado diversas vezes, o que lhe garantiu merecida fama e perenidade.
O álbum, em tese, representa o amadurecimento de uma banda que havia se firmado como ídolo para para os adolescentes rebeldes. “THE WHO” como THE ROLLING STONES sempre foram sinônimos e paradigmas de rebeldia e iconoclastia.
Em 1968, a banda estava em crise financeira e de criatividade. Os quatro precisavam fazer algo para resolver. E “TOMMY” foi um achado e a solução.
Os quatro tiveram muita sorte. “ARTHUR”, dos KINKS, lançado no mesmo ano, também é musicalmente conservador. No entanto, é mais pretensioso e bem escrito. A obra narra a HISTÓRIA e o modo de vido dos BRITÂNICOS com muita ironia e SARCASMO. Postura em dia com aqueles tempos de insubordinação e contestação política. Comparem, por exemplo, o que faziam CHICO, GIL e CAETANO, aqui no BRASIL. Todos artistas relevantes em pari passu com a HISTÓRIA.
No entanto – e haja “no entanto” significativo! – “TOMMY” anteviu uma sociedade crescentemente baseada na ELETRÔNICA, que vinha se caracterizando pela incomunicabilidade e alienação entre os indivíduos, uma chaga marcante do mundo contemporâneo. “TOMMY”, o personagem central, é CEGO, SURDO e MUDO. E um craque em jogos eletrônicos.
Resumindo, o mundo em que hoje vivemos foi exposto há mais de meio século neste álbum que THE WHO legou!
Para quem duvida, basta observar em volta. Nos metrôs, mesas de bares, reuniões de família, escolas e enxergará no presente aquele futuro que PETE “TOWNSHEND” intuiu.
Deste ponto de vista, “TOMMY” É OBRA DE GÊNIO; metáfora duradoura. E quem não conhece “NÃO PASSA DE ANO EM ROCK’N’ROLL…”
PS: Esta edição é japonesa, remasterizada em “SHMCD”, o que lhe garante estar entre as melhores tecnologias possíveis para reprodução musical.
POSTAGEM ORIGINAL: 13/09/2020
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BOB DYLAN, O PRINCÍPIO – ORIGINAL MONO RECORDINGS – 1962/1967 – BOX SET – COLUMBIA RECORDS – 2010

É o BOB DYLAN no início da carreira, em CDS com formato de “Mini L.P, trazendo os primeiros oito álbuns que gravou, acondicionados em um BOX SET edição limitada. Os discos são mixados e remasterizados em MONO; com todo o capricho e a histórica qualidade sonora da COLUMBIA RECORDS. Claro, acompanham ótimo livreto, fotos, etc..
As mixagens em MONOAURAL foram originalmente realizadas para LPS lançados entre 1962 e 1967. A experiência de ouvir soa mais “natural” e integrada, pois destaca a percepção para o todo. E se adequa muito bem ao FOLK acústico.
Colecionadores acham o fino!
BOB DYLAN é questão de gosto. Sua linearidade melódica é enriquecida pela poética sofisticada que revolucionou o POP/ROCK, e lhe garantiu um PRÊMIO NOBEL de LITERATURA. No entanto, é para muitos, um porre potencializado por sua voz quase fanha e monocórdica.
De outro lado, é o brado da contestação e iconoclastia que incentivou o surgimento dos “cantautores”: os “Cantores-Compositores” intérpretes originais das próprias obras.
O mundo ganhou – e muito – ao admitir a expressão de tantas vozes novas. CHICO BUARQUE e BELCHIOR; LEONARD COHEN e TOM WAITS são exemplos de vozes talvez algo fustigantes. No entanto, de personalidade marcante.
Coube a DYLAN a honra do primeiro experimento do chamado FOLK-ROCK. Seu produtor, TOM WILSON, eletrificou a MÚSICA FOLK. Em 1965, ele uniu as guitarras elétricas do “BEAT ROCK” ao órgão, no clássico seminal “Like a Rolling Stone”.
Repetiu a experimentação com os BYRDS, em MR. TAMBOURINE MAN, canção de DYLAN que se espalhou mundo afora. E chegou ao “Estado da Arte” quando em 1966 SIMON & GARFUNKEL lançaram “The Sound of Silence” – clássico definitivo.
TOM WILSON, que era negão, inventou o FOLK ROCK!
A COLUMBIA RECORDS tornou-se referência com a invenção do FOLK ROCK. E propiciou as primeiras experiências com o JAZZ ROCK, lançando bandas como CHICAGO TRANSIT AUTHORIT e BLOOD SWEAT & TEARS.
E fez a mesma coisa no sentido contrário, fundindo o JAZZ ao ROCK e abrigando a fase FUSION/ELECTRIC de MILES DAVIES. E, também, com JOHN McLAUGHLIN e a MAHAVSHNU ORCHESTRA; e o WEATHER REPORT, de JOE ZAWINUL e WAYNE SHORTER.
Todos referências de qualidade técnica e invenção artística!
POSTAGEM ORIGINAL: 15/12/2019
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VIAGEM AOS CONFINS DA ESTANTE: PUB ROCK , PUNK, GÓTICOS, ALTERNATIVOS …

Eu os conheço. Porém, a convivência não é próxima.
Escolhi exemplares de meninos e uma garota. Todos travessos.
Durante anos, tomei algumas com eles, e outros que já mandei para coleções que não a minha. Ficou a nata da “cárie” musical.
TIO SERGIO, o dentista metafórico, obturou alguns, extraiu outros. E todos têm bons e afiados dentes para mostrar… Mordem!
Então, segurem a onda: DR. FEELGOOD, DAVE EDMUNDS E GRAHAM PARKER são três ícones do PUB ROCK.
Vocês sabem o que é isso?
Em primeiro lugar, tendência britânica de ROCK´N´ROLL na veia e sem frescura. Guitarra, baixo, bateria e adequado barulho com muita vibração. Claro, é para tocar e ouvir em PUBS e bares, locupletado por cervejas e alguma comidinha horrorosa feita naquela ilha cinzenta.
São para quem não chegou ao rascante, malcriado e malfeito universo do PUNK. E acha ROCK PROGRESSIVO uma chateação sonolenta e traidora do clássico ROCK AND ROLL.
Os três perfilam entre os melhores do subgênero
No segundo “renque” – oooopss! – vem a genial cantora e poetisa PATTI SMITH. É moça da pesada, amiga de LOU REED e BRUCE SPRINGSTEEN. Ela é Rocker alternativa beirando, mas não caindo, na podreira. Está lá, também, incrustada feito craca em casco de navio, a coletânea dos PIXIES – grupo americano precursor do GRUNGE e amigo do non – sense e da barulheira.
Ou seja, são duas encrencas anticonvencionais que não acompanham bem jantares à luz de vela – e muito menos morar próximo a DELEGACIAS DE POLÍCIA…
Na terceira fila, e parte da quarta fileira mora o BOX sofisticado dos SISTERS OF MERCY; exemplo de DARK ROCK inglês da melhor cepa. Não serve para colóquios amorosos – a não ser que sejam em algum cemitério… Na mesma cova, adormece nada pacificamente a ANTHOLOGY dos RAMONES – a primeiro “conjunto” verdadeiramente PUNK da História. Eles precedem aos SEX PISTOLS e outros excrescentes.
Pena que o TIO SÉRGIO tenha esquecido de colocar o espetacular disco de WILCO JOHNSON, guitarrista do DR. FELLGOOD, gravado com ROGER DALTREY, vocalista do… Ah, vocês sabem “quem”…. Exemplo mais recente do melhor PUB ROCK.
Passou “bem apercebido”; mas sumiu e o TIO não sabe, o tio não viu… Está na coleção – sei lá onde -ROOTS, do SEPULTURA, que não saiu na foto. Eu gosto, porque eles metem medo de verdade!
É o mais famoso e influente grupo de ROCK surgido no BRASIL. Venderam entre entre vinte e cinquenta millhões de discos – não descobri quanto. É obrigatório que sejam indicados para o “ROCK´N´ROLL” HALL OF FAME. É banda seminal!
Toda essa turma insalubre continua na toca do TIO SÉRGIO. Quando ouço algo resmungando, grunhindo na estante, vou no interfone e chamo o zelador para ver o quê é…
Às vezes, eu tenho medo…
POSTAGEM ORIGINAL: 15\09\2019
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JIMMY SMITH, O CARA!

JIMMY estabeleceu o jeito moderno de tocar órgão. E influenciou todo mundo de BRIAN AUGER a KEITH EMERSON; de STEVIE WINWOOD a JOE DE FRANCESCO.
E, também, WALTER WANDERLEY, VALDIR CALMON e ARI BORGER, para ficar nos três brasileiro talvez mais notáveis. Resumindo, ele é modelo para músicos do JAZZ ao POP. Unanimidade!
JIMMY SMITH foi um dos que trouxeram o R&B mais próximo do que viria a ser o JAZZ MODERNO. E o caminho inverso, também. Perfeição paradoxal e dançante, ele fazia base e solo simultaneamente!
SMITH nasceu, supõe-se em 1925, e gravou profissionalmente de 1956, em diante. Talvez algo tarde; mas, é daí?
Não parou mais até 2005, quando morreu aos 79 anos.
Grande músico, começou na BLUE NOTE, foi para a VERVE, depois migrou para a PRESTIGE, três gravadoras boutiques de alta qualidade na história do JAZZ.
Ergueu DISCOGRAFIA imensa e talvez integralmente acessível. Tocou, gravou e foi parceiro de Deuses e demônios da música moderna. Um astro em torno de quem muitos sideraram – e ainda sideram.
No entanto, colecioná-lo para valer talvez seja para os completistas. Para mim, basta uma quantidade razoável abrangendo todas as fases.
Talvez porque o Órgão seja instrumento versátil e onipresente além da conta; por isso, limita os conteúdos: tudo tende a ficar “pasteurizado demais”.
É o que me parece. De qualquer forma, vá de JAIME SILVA -oooopppss, JIMMY SMITH! Ele sempre nos faz dançar e brinca com o cérebro e a sensibilidade do ouvinte.
Acompanhe com alegria e bebidas esfuziantes!
POSTAGEM ORIGINAL: 14\09\2019
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FRONTEIRAS ESTÉTICAS: MÚSICA PARA DIAS FRIOS EM TEMPOS ABRASIVOS. NICO, CARLY SIMON, JANIS SIEGEL E JONI MITCHELL

O tempo anda mais ou menos do jeito sombrio que, vez por outra, acontece dentro de mim: nublado. Hoje mais fresco; e um quase frio aos poucos esquentando. O litoral norte paulista é assim no inverno.
A seca está pedindo chuva. Talvez, emulando as paragens nórdicas ou irlandesas – mesmo sendo o Guarujá de frente para o mar tropical.
Eu gosto disso. Prefiro tanto quanto os dias luminosos e bonitos.
O inverno é um “habitat” em que me dou bem. Ele convida à introspecção. É adequado à reflexão contida, cautelosa e discreta.
No calor, eu tomo cervejas. No frio, também – mas alterno com vinhos. Sou amigo dos fermentados. Evito destilados – alcoólicos demais para o meu gosto.
Parece que a indústria da música está encontrando jeito de sobreviver e ganhar algum dinheiro na era digital.
Há tempos a bola da vez se tornou o “STREAMING”, serviço que toca e oferecem músicas a preços certamente competitivos. O som é o melhor possível!
Aliás, sem o artefato limitador, o COMPACT DISC, a música digital se expande, ganha contornos e qualidade jamais alcançados!
Goste-se ou não, a qualidade do som digital superou há muito o som do DISCO DE VINIL, agora redivivo. É objeto caro e ainda para poucos. No entanto, ao contrário de minhas previsões e até vaticínios, leva jeito de permanecer.
Os taxistas ficaram em polvorosa por causa do Huber. Mas pouca gente se importou com a derrocada em que entrou a indústria da música dos anos 1990 em diante. A culpa foi da pirataria, ultra simples de realizar. E dos preços altos, e do quase enterrado MP3.
Uma parte importantíssima da indústria cultural foi à bancarrota e teve de se reinventar na marra.
Porém, a maioria do mundo gostou das novas tecnologias – os CDS, DVDS e LDS. E, agora, do STREAMING. E gostou principalmente de saborear o delicioso trabalho dos artistas sem pagar. Bater bumbo, tocar guitarra, reger, compor, cantar produzir, investir, etc… não comove muita gente. Seria “não trabalho”; e por isso teria de ser de graça…”um direito adquirido”, acham…
Somos hipócritas e ignorantes, isto sim!
Enquanto penso nisso, escutei quatro cantoras bem diversas artística e existencialmente.
Vocês devem e precisam conhecer o espetacular grupo vocal americano, THE MANHATTAN TRANSFER, de bastante sucesso dos anos 1980 e 1990.
Os caras cuidaram em alto nível da formação do repertório. Gravaram o fino da GRANDE CANÇÃO AMERICANA. E, também, artistas brasileiros de ponta como DJAVAN, IVAN LINS, MILTON NASCIMENTO, TOM JOBIM, entre vários. O MANHATTAN TRANSFER fez um delicioso, competente, e dançante JAZZ – POP. Procurem ouvi-lo.
Na formação do quarteto está JANIS SIEGEL, espetacular cantora que desenvolveu carreira solo independente – como, aliás, todos no grupo -, e grava discos bonitos e sofisticados.
Mais uma vez, escutei o álbum onde ela é acompanhada somente pelo pianista FRED HERSH: “SHORTY STORIES”, lançado em 1989 pela ATLANTIC RECORDS. O fabuloso repertório é de compositores atuais. É sensível, atual e irrepreensível.
Está no clima dessa época do ano; e ajuda a espantar o horror que estamos enfrentando nesses dias politicamente cálidos, burros e destrutivos.
Ouvi um pouco de CARLY SIMON, e hoje gosto mais do que antes. Ela sempre me pareceu pouco profunda em sua perene crise existencial de menina rica. No entanto, encontrou sentido e nicho próprio no tempo e no espaço. Ouvi-la é delicioso; e compreendê-la talvez seja imprescindível: CARLY canta o cotidiano da mulher urbana, liberada e autônoma. A “modernidade” daqueles tempos influencia e sobrevive.
De passagem, observo a foto da capa de “NO SECRETS”, que discretamente nos fazia imaginar o que JAMES TAYLOR desfrutara, quando foram namorados, na década de 1970…
Saiu por aqui no HOSPÍCIO DO SUL, um pequeno BOX com os cinco primeiros CDs de CARLY. Barato, quando lançado. Permanece muito agradável e adequado para os mais adultos.
Então, emendei para JONI MITCHELL, a minha dileta cantora e artista múltipla. Busquei o queixoso, lúgubre e solitário clássico pleno de “D.R”s – discutir a relação, todos sabem: “BLUE” foi lançado em 1971 e é obra de arte explícita. Obrigatório para quem aprecia música mais introspectiva, e que dê conta das trovoadas e maremotos que incidem sobre almas sensíveis.
E adentrei o portal cósmico para o suicídio virtual.
Tomei nave para os dois gélidos CDS cometidos por NICO, entre 1968 e 1970, no BOX THE FROZEN BORDERLINE: “The MARBLE INDEX” e “DESERT SHORE”.
Pois, é;
O que vocês acham da seguinte frase: “Esse disco é um artefato, e não uma mercadoria. Você não pode vender suicídio!… É de JOHN CALE, parceiro dela e de LOU REED no VELVET UNDERGROUND, comentando a respeito do LP “THE MARBLE INDEX”…
Na mosca! Ou na lápide?
NICO é um caso à parte na história do ROCK! Voz cavernosa e comportamento digno de admiração e da concordância de sua companheira de geração, a inglesa MARIANNE FAITHFULL. Duas artistas claramente autodestrutivas. MARIANNE, quando jovem, namorava e se drogava com KEITH RICHARDS.
E, se você já ouviu falar do casal SYD VICIOUS e NANCY LAURA SPUNGEN, agora acabei de apresentar o modelo acabado seguido pelos dois….
Alemã, bonita e modelo na FACTORY, de ANDY WARHOL; a notória notável NICO participou do CULT e seminal primeiro disco do VELVET UNDERGROUND, “derramado” em 1966. É aquele da banana…
Bem, se você pensa que a segunda metade dos 1960 foi um período só de alegrias inconsequentes; cheio de perspectivas otimistas, coalhado de HIPPIES, e harmonizado pelo SUNSHINE POP de grupos como MAMAS & THE PAPAS, 5TH DIMENSION, THE ASSOCIATION… É porque não assistiu “ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, de QUENTIN TARANTINO.
O VELVET UNDERGROUD e a NICO não entraram na trilha do TARANTINO, porque formaram a outra vertente que influenciou o futuro.
A turma o VELVET influenciou de várias formas o ALICE COOPER, IGGY POP, STOOGES e DAVID BOWIE. E, também, o espírito lúgubre que assombrou as bandas do “DARK WAVE” inglês – do início da segunda metade da década de 1970 em diante: o GOTHIC ROCK de SIOUXIE and the BANSHEES, THE CURE, FIELDS OF THE NEPHLIN, JOY DIVISION… e ilustre caterva beyond.
Se refinarmos um pouco mais observamos que vincou fundo niilistas como LEONARD COHEN, TOM WAITS e NICK CAVE…
Alguns discos dessa prole sucessora lembram as trilhas sonoras de FILMES DE TERROR. As coisas de BORIS KARLOFF, de NOSFERATU, e das incontáveis séries sobre amores vampiros.
Ouvir NICO, MARIANNE e o VELVET UNDERGROUD é um jeito CULT de pavimentar caminhos para o cemitério, a depressão, rondando WILD SIDES da vida.
Mas há consolo sublime ( ou sublimado? ): eles também enriquecem esteticamente a compreensão do presente iníquo que vivemos… É arte cabível até que dias e tempos melhores advenham.
Chegarão.
( Será? )
POSTAGEM ORIGINAL REVISTA: 12\09\2021
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QUERIDA E AMADA TIA DIVA GARINI

“A vida é o que acontece com você, enquanto você faz planos para ela”. Encontrei esta frase atribuída a John Lennon, em um cartão de aniversário, enquanto procurava documentos para providenciar o enterro de tia Diva. Ela morreu, dia 29 passado, muito rapidamente aos 88 anos. Não sofreu.
Toda vida é completa por si mesma. Não é o que cada um pensa a respeito de sua própria. Mas ela é. Quando se acaba e a energia que nos mantém solares cessa, a feição de luas pálidas sobrevém e se mantém, até nos autoconsumirmos e voltarmos ao nada – pelo menos o corpo que a suporta. Sobre o espírito especulamos e desejamos que seja eterno. Não pedimos para nascer e a maioria de nós vai embora compulsoriamente. Somos assim: segmentos de reta, finitos num universo impensável; Inesquecíveis num círculo pequeno de amigos e parente – enquanto não nos esquecem… definitivamente.
Tia Diva era pessoa de fé. Católica por formação e quase espírita por aprendizado. Como boa brasileira não resistiu aos apelos por algo a mais que lhe tornasse inteligível o viver. Tinha um quê de budista no comedimento, na recusa às grandes emoções, às paixões súbitas e a quaisquer arroubos ou cenas.
Viveu bem; mas a meio pau. Não exacerbou, não sofreu intensamente por nada ( que se saiba ) mesmo tendo sido constantemente solidária com os que convivia e gostava. Era amada por todos e certamente nos amou, também.
Foi professora, era solteira, independente, e algo severa e rígida. Jamais soubemos de algum alguém que a tivesse tirado do sério. Duílio, um dos irmãos, que também já cumpriu a tabela, certa vez brincou perguntando se ela pretendia morrer “invicta”. Ninguém sabe, ninguém viu; em família, pouco se especulou sobre isso – eu acho. Diva viveu como quis e às próprias custas. Foi feliz?
Na juventude e na maturidade foi mulher bonita e atraente. Era simpática, educada e fina. Aldahyr, amigo de todos nós que também já percorreu os dezoito buracos do “green”, quando adolescente nela reparava atributos que, para nós, sobrinhos, não seria, digamos, legal observar. Acho que ela jamais soube. Mas o que acharia disso na intimidade?
Eu e os primos mais próximos convivemos com ela a vida inteira. Quando criança, morei em sua casa e com os outros tios solteiros – Tonico, Norma, Juliano e a vó Maria, também. Foi um período interessante, de formação, que deixou em mim detalhes de caráter marcantes.
Recentemente, eu soube que de certa maneira “os meus direitos federativos” foram “emprestados” para que Diva e irmãos dessem um jeito em mim. Parece que dona Helena, a minha mãe, não me aguentava, porque eu dava trabalho além da conta.
Jamais me vi assim, no entanto… Vai saber…
Por essas e outras – muitas outras – sou grato à Diva pela convivência que ela a mim e a todos propiciou. Na semana derradeira, como sempre eu e Angela estivemos presentes quase todos os dias. Os outros primos, também. Um dia antes de entrar em coma conversamos bastante e ela me agradeceu por estar lá. Não precisava, todos fizemos por afeto e gratidão.
DIVA se foi tão discretamente quanto viveu. E nós permanecemos feridos e saudosos dos capítulos que escrevemos juntos. Deixou memórias.
POSTAGEM ORIGINAL: 13\09\2015

ERIC BURDON EM EVOLUÇÃO: DO ROCK PSICODÉLICO, “FUSION R&B” AO ” BLUESY HARD ROCK”

Estão aqui os discos que mostram a METAMORFOSE na carreira de “ERIC BURDON” após o BEAT/R&B com “THE ANIMALS”, no início dos 1960. Ele seguiu jornada variando para um compósito entre o “ROCK PSICODÉLICO/PROGRESSIVO” e o “BLUES ROCK”, passando por uma criativa “FUSION FUNK/R&B” com o grupo WAR.
Os quatro primeiros discos foram gravados por “ERIC BURDON & THE ANIMALS” e lançados entre 1966 e 1969: “WINDS OF CHANGES”, 1967 e “EVERY ONE OF US”, 1968. E saíram, inclusive no BRASIL, “THE TWIN SHALL MEET” e “LOVE IS”, ambos em 1968.
São todos muito bons E feitos dentro da estética do ROCK PSICODÉLICO.
Mas a caminho de um PROTO-HARD ROCK. O que os tornou vizinhos do que fizeram, de 1968 em diante, o “HUMBLE PIE”, “FREE”, “SPOOKY TOOTH” e o “DEEP PURPLE” – para ficar em alguns….
TIO SÉRGIO convida vocês todos para curtir o exemplo matador que ERIC & THE ANIMALS perpetraram: “RIVER DEEP, MOUTAIN HIGH”, clássico de “IKE & TINA TURNER”! É versão espetacular e selvagem. Um “GUMBO” de ingredientes para um “BLUES-ROCK” que tangencia o “PROGRESSIVO”. E destaca a imensa e inacreditável potência da VOZ de BURDON! É UM “TOUR DE FORCE” imperdível!
E, para complementar, é uma das primeiras gravações profissionais do consagrado guitarrista “ANDY SUMMERS” – que depois fundou “THE POLICE”; e hoje é atuante universo musical afora em parceria com DEUS e o MUNDO. Inclusive os nossos “ROBERTO MENESCAL” e “FERNANDA TAKAI”… ANDY permanece artista de ponta!
Porém, existe algo na “GENÉTICA BLUESY” de “BURDON” que não orna com a necessária sutileza e complexidade do ROCK PSICODÉLICO/PROGRESSIVO. É questão de gosto, é claro. Mas e daí ?!?!
Se “JANIS JOPLIN” “JUSTAPÔS” o BLUES e a PSICODELIA com sua voz peculiar, por que ERIC BURDON não poderia tentar o mesmo? Afinal, ele era o maior “BLUES-SHOUTER” da INGLATERRA. E quem o assistiu ao vivo – E o TIO SÉRGIO “did it” – esteve lá e sabe que ele CANTAVA bem afastado do microfone, tal a potência da voz que emitia!!!
“ERIC BURDON” não é como “GARY BROOKER”, o “crooner” do “PROCOL HARUM”, outra voz buscada nas entranhas do BLUES. Mas temperada pela sofisticação das letras de “KEITH REID” e certa contenção até acadêmica.
“ERIC BURDON” era moleque das ruas e não um GENTLEMAN. Por isso, encaixou-se à perfeição quando se juntou ao “WAR” – ótima banda de “R&B” criadora de “FUSION” algo JAZZÍSTICA de RITMOS LATINOS e POP NEGRO percussivo e dançante. Gravaram juntos três “Long Plays” e tiveram enorme sucesso de público e crítica, entre 1970 e 1972
Dali em diante e até hoje, ele se apresenta, grava de vez em quando e continua o MITO ERRÁTICO DO “BLUES”.
Curiosidade: foi “ERIC BURDON” quem indicou o guitarrista “JUSTIN HAYWARD” para os “MOODY BLUES”. Na época, o grupo estava perdido e sem futuro no R&B…
A entrada de JUSTIN E e do baixista JOHN LODGE revolucionou a ESTÉTICA da banda. Em 1967, gravaram “DAYS OF FUTURE PASSED, e surgiu o “ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO”.
São as surpresas que o acaso engendra.
Houve uma CANJA RESERVADA em BAR FAMOSO DE SAMPA, numa das vezes em que “ERIC BURDON” esteve por aqui.
Não pude ir mas três amigos estiveram lá. E um deles levou seus discos raros e originais dos ANIMALS para serem autografados.
ERIC autografou com boa vontade; mas, xingando, rabiscou em cima da foto de “ALAN PRICE”, o organista da banda. Os dois se odiavam!!!
O meu amigo ficou possesso!!!!! Hoje, até ri do entrevero….
Há no meio da postagem o ingresso para o SHOW, no extinto “PALACE”, em SAMPA, acontecido na década de 1990.
“BURDON” e outro MITO, o tecladista “BRIAN AUGER”, e BANDA! Está autografado por ambos. E foi um privilégio e grande prazer assisti-los.!
Ouçam ERIC BURDON. É um CLÁSSICO MARCANTE!
POSTAGEM ORIGINAL:06\09\2019
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THE ESSENCIAL: SÉRIE COM DIVERSOS VOLUMES: BOX COM 3 CDS E UMAS 50 MÚSICAS.

Coleção ideal para quem prefere não ser completista. Gravações originais bem remasterizadas; que dão panorama preciso de cada artista, e como se desenvolveram tanto em estúdio quanto ao vivo.
THE WHO
Entre as 49 músicas do repertório estão hits seminais e faixas clássicas. Os SINGLES mais importantes nas versões originais em MONO – “pedradas” espetaculares. E, também, o essencial de cada álbum em STEREO.
A seleção é representativa e foi bem feita! Não faltam “MY GENERATION”, “PINBALL WIZARD”, “BABA O`RILEY”, “WHO ARE YOU”, “YOU BETTER YOU BET”; e mais, muito mais!
As gravações ao vivo foram bem captadas ou melhoradas ao infinito; como “SEE ME, FEEL ME”, na arrepiante e demolidora versão gravada no FESTIVAL DE WOODSTOCK, em 1969. Onde o quarteto deixa claro o quanto eferveciam os shows! Um dos motivos da fama que ostentam!
Também no box a minha preferida, “atualmente”: “EMINENCE FRONT”, é “FUNK” anos 1970/80, que passou batido por mim. É irresistível; tocou ninguém fica parado!
Não estranhem: THE WHO era, principalmente nos anos 1960, um compósito de “R&B/MOD/BEAT”, que sabia emular JAMES BROWN e combinava o ROCK visceral com sons ‘a MOTOWN, STAX e seus herdeiros.
Observem o quanto fica explícita a maior entre as qualidades da banda: o peso enorme que conseguiam dar a cada música! “Gentileza” do “conúbio sonoro” entre o baterista KEITH MOON e o baixista JOHN ENTWISTLE. Ouçam o single original de “I CAN SEE FOR MILES”, em MONO! , e “ARMENIA CITY IN THE SKY” em STEREO, ambas de 1967. Ninguém se aproximava em expressividade, volume e peso. É ROCK de verdade!
Nesta coletânea você perceberá nitidamente a evolução da banda; e quanto PETE TOWNSHEND e a molecagem de rua de um ROGER DALTREY fizeram para que THE WHO atingisse aonde chegaram.
Imprescindíveis!
THIN LIZZY
Com as devidas diferenças de estilo, as observações gerais feitas sobre THE WHO valem para o THIN LIZZY, nas 51 faixas desta coletânea.
Eram muito pesados graças à liderança do baixista e vocalista PHIL LYNNOTT, que tocava bem e é marcante no som do grupo. Ele morreu em 1986 e tem estátua em sua homenagem no centro de DUBLIN, pela contribuição cultural à IRLANDA. PHIL é um ícone nacional!
O THIN LIZZY foi basicamente uma banda de guitarras. Durante os anos 1970 e parte dos 80, SCOTT GORHAN, BRIAN ROBERTSON, JOHN SYKES e GARY MOORE, cada qual a seu tempo e sempre em duplas, compuseram o som pesado e seco, que os definia: sempre fieis ao HARD-ROCK, com pitadas FOLK e, vez por outra, POP.
O THIN LIZZY fez bastante sucesso, e tocou mundo afora. E discos de meados dos anos 1970, como JAILBREAK e JOHNNY THE FOX, são colecionáveis e legais de ter!
O LIZZY é claramente influente no que fizeram as modernas bandas de METAL, a chamada NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal ). O IRON MAIDEN é tributário e um dos descendentes do THIN LIZZY !
Esse “box” abrange de 1969 a 1983. Aqui estão os hits, as faixas legais de LPS e SHOWS ao VIVO – em que sempre foram vibrantes e muito bons!
Coletâneas abrangentes e bem feitas servem para isso. Mesmo os completistas aproveitam muito as gravações remasterizadas e atualizadas.
Ah, se encontrarem, por aí, um DVD em tributo ao PHILL LYNNOTT, em que o GARY MOORE é o anfitrião, podem comprar sem susto: é sonzasso e pauleira brava!
Valem a pena.
POSTURA ORIGINAL: 11\09\2021
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