GOTHIK ROCKERS, DARK WAVERS, ET CATERVA! VOLTARAM COM TUDO – “E O PULSO AINDA PULSA!!!”

Uns trinta anos atrás, JEAN YVES de NEUFVILLE, amigo muito próximo, jornalista e crítico musical importante, cobriu o ciclo de shows da primeira passagem do THE CURE pelo BRASIL. Foi em 1987, e ele estava lá em nome da REVISTA BIZZ.
JEAN contou-me que no final da turnê foram todos jantar no restaurante indiano GOVINDA, e comemorar o aniversário dele. Era casa TOP e descolada, em São Paulo. Ele confirmou que os caras da banda eram muito agradáveis, inclusive o ROBERT SMITH. Todos se tornaram amigos.
Eu vi as fotos do encontro no apto onde JEAN YVES morava. E reli a matéria que ele publicou. Excelente reportagem, culminando em ótima entrevista exploratória, detalhada e interessante. ROBERTINHO expõe a sua visão de mundo enquanto cidadão; o que estava fazendo naqueles tempos hoje remotos; e a fama crescente e surpreendente do grupo!
ROBERT JAMES SMITH é um cara tímido e algo recatado. Faz parte da minoria de artistas que mantêm longo casamento com a primeira mulher. Casou-se na Igreja, em 1978, com MARY THEREZE POOLE. Ela de véu, grinalda e vestido de noiva. Ele de terno convencional. Há fotos na rede. Os dois se conheceram na escola ainda adolescentes. Tinham 14 anos!
ROBERT é apaixonado por ela, o que explica o “bacobufo” quando um irreverente jornalista brasileiro perguntou, numa coletiva a imprensa, se MARY era namorada “só dele, ou…” A entrevista foi interrompida. E, contou o JEAN YVES, quase atrapalhou irremediavelmente o clima entre a banda e a mídia…
Vocês conhecem a simples, bela e emocional “LOVESONG”? É uma das canções de amor feitas pra ela. Existem mais de 300 versões gravadas por outros artistas. A canção entrou em 50 trilhas sonoras de filmes, etc… É uma das músicas mais regravadas de todos os tempos e foi vista no YOUTUBE milhões e milhões de vezes.
LOVESONG é um CLÁSSICO POP ABSOLUTO! E certamente ajudou ROBERT a formar um patrimônio líquido estimado em $ 25 MILHÕES DE DÓLARES… E ao THE CURE entrar para o “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”, em 2019!
Eu recordo uma rádio de SAMPA que fez promoção desse jeito: “Quer assistir ao SHOW? A Rádio Tal… DÁ “O CURE” PRA VOCÊ!!!”. Reforço na primeira sílaba, claro… Lembro, inclusive, de show em 1996, quando estiveram aqui pela segunda vez: atrasaram mais de duas horas pra subir ao palco! Foi televisionado madrugada adentro; e a apresentadora – esqueci o nome – anunciou desse jeito: Porra! Pararam de “embaçar”! Com a gente THE CURE!
Três anos passaram desde a última vez que me desfiz de quantidade apreciável de CDS. Discos já ouvidos que, pensei, seriam dispensáveis. E, nessas, fiz redução na ala dos GÓTICOS, PUNKS e outros da geração pós 1976. Percebo, hoje, como fazem falta certos artistas e alguns discos!!! Quem sabe um dia novamente os reencontre…
Os GÓTICOS e seus companheiros de geração, a turma de 1977 e 1978, voltou com tudo! E faz sentido: é história importante, reconhecida; construída durante mais de há 45 anos e constituindo imenso acervo cultural. Existem centenas de artistas e milhares de discos, filmes e bibliografias sobre tudo o que ensejaram. Legaram identidades, modas e comportamentos.
A revista RECORD COLLECTOR, No: 547, AGOSTO de 2023, fez matéria arrasadora com 12 páginas expondo o que é preciso para entender a DARK WAVE. Hoje, a denominação que abarca boa parte de que foi feito após o PUNK e a NEW WAVE.
Engloba o GOTHIC ROCK, A COLD WAVE, DARK ROCK, TECHNO POP… E tudo o que soar algo depressivo.
Os acordes são graves; o som é pesado, com “delays”; câmaras de eco; reverberações; guitarras e eletrônica. Pega, inclusive, alguma onda no KRAUTROCK!
Os vocais soam “lúgubres e desolados”: os masculinos oscilam entre o barítono e o baixo. E os femininos têm algo de operístico, lírico, e por aí vão…
As letras abordam temas soturnos, niilistas; e falam de solidão e desolação; são eivadas por um romantismo sombrio, e flertes com a morte. Vez por outra, aparecem bruxas, esoterismos e vampiros, também.
Há antecessores do estilo nas décadas de 1960 e 1970. Vão do BLUES insalubre de SCREAMING JAY HAWKINS; ao show de horror anárquico do SCREAMING LORD SUTCH. E tragam fumaças góticas como em “STILL I AM SAD”, dos YARDBIRDS, gravada em 1965!
Ninguém comentou, até hoje, que no primeiro LP dos ELECTRIC PRUNES estão várias músicas que são “GOTHIC ROCK PURO E ANCESTRAL”. Toda a sonoridade, e os conceitos estão lá demonstrados. Os PRUNES de 1967 antecipam os góticos de 1977; THE CURE, principalmente.
Então, vamos em frente rezar ao som da MISSA IN F, obra seminal dos ELECTRIC PRUNES, lançada em 1968. E observar ARTHUR BROWN, JIM MORRISON, THE DOORS; e ALICE COOPER, também!
Que tal resvalar em VELVET UNDERGROUND, NICO, MARIANNE FAITHFUL e SCOTT WALKER? E pegar força com o ROXY MUSIC, e a fase BERLIM de DAVID BOWIE? E se juntarmos o IGGY POP?
Todos alimentam as fontes de onde saem rios caudalosos como BAUHAUS, THE CURE, SOUXIE & THE BANSHEES e o JOY DIVISION; que abastecem os “afluentes” ALL ABOUT EVE, SISTERS OF MERCY, FIELDS OF THE NEPHLIN, ALIEN SEX FIEND, EINSTURZENDE NEUBAUTEN, CLAN OF XYMOX, KILLING JOKE, THE CULT, CRAMPS, SEX GANG CHILDREN, CHRISTIAN DEATH… Resumindo por baixo, os CASTS das gravadoras 4AD, BEGGAR´S BANQUET e PROJEKT.
E não se deve esquecer o DEPECHE MODE, THE MISSION e o DEAD CAN DANCE. E que tal focar a luneta nos SUGARCUBES – e, principalmente, na BJORK? Aliás, DARKÉSIMA a cada dia mais.
E, por fim, é bom,mergulhar e não se afogar no mar revolto eletrônico do NINE INCH NAILS, e de MARILYN MANSON. Até cair nas praias de hoje com BILLIE EILICH – ou, se preferir, com LANA DEL REY, a musa ensimesmada e DARK…
A história não para e nem arrefece, não é ARNALDO ANTUNES?
CODA
No verão de 2023, no hemisfério norte SIOUXIE & THE BANSHEES abriu festivais e atraiu público. Aliás, SUZY JANET, ooops…, talvez a decana do MOVIMENTO, está caminhando para os 70 anos, e parece em forma. Viver na FRANÇA fez bem a ela.
Dia incerto assisti ao THE CURE em show de 2014. Achei espetacular! Hoje, ROBERT SMITH e grupo atualizaram-se e apresentam grandes shows e lotações esgotadas.
A banda continua afiadíssima, encorpada por som mais pesado; etéreo e cheio de “delays”; baixo evidente, e tudo o mais que define o bom ROCK GÓTICO.
E, aos 64 anos, ROBERT e o THE CURE estiveram no BRASIL ainda naquele ano. Entavam tinindo! E consolidaram estilo e sonoridade únicos. Magníficos!
SIOUXIE E ROBERTINHO são os dois astros históricos do GOTHIC ROCK e suas combinações. Acho que não tem pra ninguém! O PULSO CONTINUA PULSANTE.
POSTAGEM ORIGINAL: 08\08\2023
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“IN BLUES” – PRIMO BETÃO E SEU LEGADO

BETO faleceu em 2018, e deixou tristeza, lembranças e saudades ainda não totalmente computadas. O tempo desvelará aos parentes e amigos a dimensão da perda.
O BETÃO gostava de música e compartilhávamos gostos. Ele curtia HARD ROCK e seus fundadores. Admirava guitarristas: PAGE, JEFF BECK, o CREAM, RORY GALLAGHER, o GOV’T MULE, e por aí voava no HARD BLUES”, SOUTHERN ROCK e algum JAZZ. Tinha bom gosto e discoteca pequena e marcante.
A prima Olga Garini deixou para mim vários CDs imprescindíveis – que me comprometi a manter, enquanto eu existir.
Estão na foto: ALLMAN BROTHERS; TEN YEARS AFTER; LYNYRD SKYNYRD; YARDBIRDS; CANNED HEAT; RED DEVILS e DELBERT McCLINTON. Alguns pouco usuais; e todos muito bons!
Sou eternamente grato aos dois primos. Estou triste para sempre pela perda de um dos melhores amigos que “tenho”. Eu ouço a voz do BETÃO – que permanece íntegra em minha mente – presença emocional indelével. Ele não morreu!!
Espero que, no andar de cima, a qualidade do som e das conversas permaneçam impecáveis. E as cervejas tenham sido escolhidas e geladas por JESUS CRISTO “in person”.
Privilégio que só as pessoas realmente boas merecem. Eu rezo bastante em memória ao BETÃO! E assim será para sempre.
POSTAGEM ORIGINAL: 08\08\2018
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HARD ROCK CANADENSE, “THE GUESS WHO?” E LEMBRANÇAS DO “BACHMAN, TURNER OVERDRIVE” 


No lusco-fusco dos anos 1960, “THE GUESS WHO?” espocou feito rolha de CHAMPAGNE!
JONI MITCHELL e NEIL YOUNG estavam iniciando carreira. PAUL ANKA, LEONARD COHEN e GORDON LIGHTFOOT já estavam bem conhecidos. O RUSH veio depois, transitando de tipo de HARD em direção ao ROCK PROGRESSIVO.
O GUESS WHO? era de WINNIPEG e afeito ao BEAT INGLÊS. iniciaram a partir de1962 e do jeito que puderam. RANDY BACHMANN, guitarrista, e o explosivo cantor BURTON CUMMINGS estiveram juntos em diversos grupos, até gravar o álbum “WHEAT FIELD SOUL”, em 1969, como THE GUESS WHO? Estão lá, dois SINGLES e gloriosos HITS: “THESE EYES” e “LAUGHING”. Discos de Ouro na AMÉRICA, mais de meio século atrás, com acima de um milhão de cópias vendidas! Curiosamente, “UNDUN” o lado B de LAUGHING, e canção na linha LATIN-POP na linha do nascente SANTANA, também explodiu!
Não os desdenhem! Eles não pararam por ali.
Em 1970, fizeram “AMERICAN WOMAN”, álbum recordista de vendas e evolução lógica para o HARD ROCK vigente. Há dois SINGLES com mais de um milhão de cópias vendidas mundo afora.
O primeiro é o clássico da incorreção política, a misógina e algo xenófoba “AMERICAN WOMAN” – mais bem conhecida na boa versão de LENNY KRAVITZ. ” A canção é uma ode selvagem sobre um cara despejando ódio contra a ex-mulher; uma – hummmm… americana… E, melhor ainda, não percam a “YARDBIRDIANA” “NO TIME”, o outro single de sucesso no LONG PLAY.
O disco inteiro é bom demais! HARD ROCK condimentado com pitadas de BLUES, FOLK etc… Há ótimo trabalho de guitarras, destacando RANDY BACHMAN. Ainda em 1970, RANDY BACHMAN saiu do grupo. Dizem que por “impossibilidade comportamental”. Ele é mórmon, acreditem.
E a havia na banda a performance de um vocalista como poucos: BURTON CUMMINGS. Ele tem voz distinta e original, lembrando um pouco o PHILL MOGG do U.F.O. Ele cantava com eficiência POP ROCK na tradição americana; e transitava para o ROCK PESADO com naturalidade, como fez DAVID COVERDALE.
Com a saída de BACHMAN, BURTON assume de vez a direção da banda, que seguiu com sucesso por um bom tempo. A banda gravou uns dez “Long Plays” legais! Inclusive o excelente, LIVE AT PARAMOUNT, 1972. Continuaram produzindo SINGLES cativantes, continuam tocando nas rádios. A coletânea aqui postada é boa referência.
BURTON CUMMINGS encerrou o “GUESS WHO?”, em 1975. Disseram os linguarudos que o grupo acabou por causa dos maus modos e brigas constantes; pancadarias de verdade! Eram quatro “animais de grande porte”, e quando se atracavam …

Em 1973, RANDY BACHMAN conseguiu emplacar o BACHMANN, TURNER, OVERDRIVE, depois de “24 audições fracassadas” em diversas gravadoras. Foram contratados pela MERCURY.
Eram PESADOS, também HARD ROCK, e meio que tangenciando o SOUTHERN ROCK, a bola da vez no HOSPÍCIO DO NORTE. O disco “NOT FRAGILE”, lançado em 1974, é muito popular entre a turma do ROCK também no BRASIL.
O “B.T.O” fez som descomplicado e permaneceu correndo no vácuo do FOGHAT – o similar inglês. Eram tempos de concorrência mortal na área: DEEP PURPLE, LED ZEPPELIN, BLACK SABBATH, GRAND FUNK RAILROAD e QUEEN davam as cartas! Resumindo, era um mar só para tubarões!

Há um fato mórbido e recorrente no mundo da música. Sempre que dentro de um grupo alguém se destaca, ofídios à volta pregam a separação e a ciumeira. E, na maioria das vezes a mudança dá errado…
TIO SÉRGIO também se lembra de casos emblemáticos em bandas famosas: PAUL REVERE & THE RAIDERS, americanos de extremo sucesso em meados dos anos 1960, faziam um POP ROCK PESADO e GARAGEIRO, muito animado e bem tocado! Uma espécie de precursores do BON JOVI (seriam?)
Eles tinham MARK LINDSAY, menino bonito, um TEENAGE IDOL e festa para a mulherada. No entanto, cantor no limite inferior do bom. E quando chegaram ao topo a própria gravadora COLUMBIA prometeu mundos e fundos para LINDSAY, que deixou a banda; e repaginou-se no POP ROMÂNTICO…
Não deu certo; e ele despontou para o anonimato progressivo. Houve momento em que os royalties residuais de seu tempo com os RAIDERS ficaram maiores do que os dele próprio! Foi demitido e sumiu.
Outro caso foi o próprio BURTON CUMMINGS. Voz diferenciada e versátil, ia do POP usual até o ROCK; enfeitava alguma BOSSA NOVA e tentou carreira solo. Migrou aos poucos em direção à irrelevância…
Para velhinhos quase à beira de um copo de leite, como o TIO SÉRGIO, essa gente ainda faz som estimulante… E, de quando em vez, o TIO bota pra rolar aqui em casa, à beira mar…
Recomendo sem contraindicações! É POP ROCK de verdade.
POSTAGEM ORIGINAL: 07\08\2022
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THE CRITTERS – ANTHOLOGY – 1965/1967 – E OUTRAS INCURSÕES DA GRAVADORA ROZEMBLIT NO POP\ROCK INTERNACIONAL

A capa desta coletânea é a mesma do primeiro LP ORIGINAL da banda, lançado inclusive no BRASIL, em 1966, pela KAPP ROCORDS via MOCAMBO, o selo da hoje CULT “FÁBRICA DE DISCOS ROZEMBLIT”.
A gravadora ROZEMBLIT era de médio porte e de alguma importância. Criada no RECIFE, em 1954, chegou a representar a DECCA, a MERCURY, a KAPP; e a BARCLAY e a VOGUE – francesas. E também a MOTOWN, lançando LONG PLAYS e COMPACTOS de STEVIE WONDER, THE FOUR TOPS, DIANA ROSS entre diversos.
Aqui, foto de alguns discos, e dois em CDS cujos originais no formato vinil sabe-se lá por quais mistérios, também foram lançados cá no “HOSPÍCIO DO SUL” .
Já postei sobre a SOLAR, a subsidiária para música experimental brasileira da ROZEMBLIT, onde foi gravado o raro e internacionalmente colecionável PAEBIRU. Mas o papo aqui é outro.
Os “CRITTERS” fizeram a minha adolescência mais alegre. Gostava e ainda gosto muito. Toquei tanto o vinil que, anos depois, comprei outra cópia!
Banda americana muito boa de BEAT-FOLK-ROCK, surgiu em NOVA JERSEY, a terra do BRUCE SPRINGSTEEN, dos RASCALS e do BON JOVI. E, meio de soslaio, digamos, onde MADONNA também pôs as perninhas de fora….
Os caras fizeram o primeiro LONG PLAY, em 1966. É simplesmente delicioso e ultra colecionável. Estão lá dois HITS menores e inesquecíveis do “SUNSHINE POP”: “YOUNGER GIRL”, cover de música dos “LOVIN’ SPOONFUL” – em versão muito melhor do que a original. E “MR. DIEINGLY SAD”, mais conhecida, tocou bastante nas rádios da época. Hoje, ainda é catálogo nas FMS AMERICANAS de “OLDIES”.
Dois membros originais do grupo seguiram carreira na música:
O guitarrista “JIMMY RYAN” tocou e gravou por anos com “CARLY SIMON”. E o baterista e cantor, “DON CICCONE”, fez parte muito tempo do grupo “FRANK VALLI & THE 4 SEASONS”.
DON não é parente da MADONNA! E nem eu; que tenho primos na família CICCONE lá de BAURU e adjacências. Mas acho que a “primaiada” também está há milhares de quilômetros distante dos CICCONE, do MICHIGAN.
Essa turma toda, o TIO SÉRGIO Recomenda muito, mesmo!
POSTAGEM REFORMULADA: 07\08\2026
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INCERTO SÁBADO À TARDE, EM 1973… DISCOS LAPIDADOS NA MEMORIA

Eu me lembro com bastante nitidez de certo sábado, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia; deve ter sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas desfrutando momento de rara completude. Palavra mágica e conclusiva.
Quase 50 anos se foram, mas aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, ainda não existiam a WOP BOP ou a BARATOS AFINS, as duas lojas que fizeram história por congregar um certo público que curtia o UNDERGROUND, o ROCK e arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas. Aguçavam desejos condensadas em publicações como a ROLLING STONE, já circulando por aqui e jornais alternativos onde esforçados jornalistas – LUIZ CARLOS MACIEL, entre poucos – que nos informavam sobre o novo “perenizado” após a suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não durou o suficiente mas feito tatuagem, deixou marcas não removidas.
Existiam grandes lojas que importavam, traziam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é, e sempre foram…
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras!
SEGER é uma espécie de antecessor do BRUCE SPRINGSTEEN, naquela coisa do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD” e torturado pela imprecisão psicológica – feito um JAMES DEAN ou JIM MORRISON – que antenados de minha geração conheceram.
Veio daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade alguns anos depois, lá por 1977/1978. No entanto, jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”. O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite da SOUL MUSIC e do R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
No Long Play, BOB ele está acompanhado por craques tipo J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e desconhecido álbum, brilhando no fundo do poço do ROCK. Experimentem. O TIO SERGIO GARANTE!
Separei. Enquanto isso, rolava no PICK UP outro chegado naquele momento, o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Mais um Impacto fulminante. Míssil direto no cérebro e no corpo! Até hoje, é o melhor disco que fizeram – na opinião do TIO aqui, por supuesto!
Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY, algumas novidades tecnológicas, como “delays” e outros “babados”; e faixas interligadas e sem espaço, que dão sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso durante a década de 1970 e beyond… Fez outros discos bastante bons. Sim, é ROCK claramente “Made in America”, como o CAPTAIN BEYOND, o KANSAS e o eternamente remido GRANDFUNK RAILROAD!
No espírito daquela tarde e tempos, um pouco antes eu havia comprado o HUMBLE PIE – ROCK ON, de 1971. Foi no MUSEU DO DISCO. Meus amigos SILVIO DEAN, FRED FRANCO JR. e ALDAHYR RAMOS, estavam lá – “partners in crime”!
A capa bizarra não descreve o conteúdo magnífico. E a sequência é matadora: Inicia com SHINE ON; prossegue em altíssimo nível e repertório variado, expondo habilidades instrumentais e vocais de STEVE MARRIOTT e PETER FRAMPTON; e as performances corretas do baterista JERRY SHIRLEY e de GREG RIDLEY, no baixo.
O álbum vai do BLUES ao HARD ROCK. Feito vulcão, entra em erupção derramando lavas em incêndio devastador.
Não há jeito de não empunhar um “AIR GUITAR” no final, quando FRAMPTON e MARRIOTT duelam e se complementam. E vocês jamais ouvirão “ROLLING STONE”, de MUDDY WATERS, em gravação tão precisa, empolgante e explosiva como aqui. É um dos melhores discos da década de 1970! Só isso! Obra de arte notável e vibrante.
Quando a gente está ou esteve com uns 19 anos; e acha que a vida vai sorrir para sempre; observará que certas coisas e momentos marcam no “fundo profundo…”
CODA
Aproveitei e trouxe aqui outros discos que rodeavam o meu espírito naqueles tempos. Parte e motivos de a memória daquele inesquecível sábado me sequestrar até hoje.
Desejo a todos que tenham ou venham a ter experiências tão cativantes…
Justificam o viver!
POSTAGEM ORIGINAL: 06\08\2025
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GREGORY PORTER – A BOLA DA VEZ NO RHYTHM ‘N’ BLUES

Dia desses, vi o moço e banda na televisão. Gostei; e resolvi tentar.
GREGORY PORTER está por aí faz um bom tempo. E faturou GRAMMY, em 2014, por seu álbum LIQUID SPIRIT. Foi premiado na categoria de melhor cantor de JAZZ.
JAZZ? Eu acho que não é.
Coisa imprecisa e irritante nos tempos atuais, é classificar qualquer música que tenha arranjos mais elaborados, usem instrumentos presentes na tradição jazzística e sejam tocados de maneira similar ao “JAZZ”, como sendo verdadeiramente JAZZ.
Nem tudo; pensando melhor, quase nada é JAZZ.
Venderam também a BOSSA NOVA como JAZZ. E ela não é; ainda que música de alta qualidade, portanto “jazzificável”… BOSSA NOVA é MPB.
GREGORY PORTER não canta JAZZ, mas RHYTHM ´N´BLUES – o popular R&B. Ele é bom e versátil cantor, e tem iniciativas e estratégias de repertório muito adequadas. Está dentro da tradição da melhor música negra – ooopss!, melhor dizer BLACK MUSIC americana.
E vem bem acompanhado por banda competente e integrada. E TIVON PENNICOTT, o sax tenor, é muito bom; com fraseado elegante, pessoal, inteligível e cheio de balanço. Ouvir GREGORY é muito agradável. Mesmo ele tendo sutis deficiências nos registros baixos, e pouca extensão de voz para tentar alcança-los.
Paciência; porque isto não o diminui. Apenas o torna um cantor um pouco menos interessante do que supõe-se que seria… É BARÍTONO. Vai bastante bem em registros médios, e atinge fácil o TENOR.
STILL RISING, CD DUPLO lançado pela UNIVERSAL mundo afora, através do selo BLUE NOTE ( que não se perca pelo Status ), saiu também no BRASIL.
É um projeto bem pensado. O primeiro disco é coletânea de sucessos e melhores faixas. E PORTER segura o jogo em repertório com várias possibilidades do R&B e da SOUL MUSIC MODERNA.
Estão por lá, inclusive, surpresas como “WHY DOES MY HEART FEEL SO BAD, música do famoso D.J. MOBY; além de faixas acompanhadas por ORQUESTRA. Tudo é adequadamente produzido e cantado. GREGORY foge do açucarado nas músicas românticas. E o jeito NEGÃO de cantar cobre legal as faixas mais ritmadas e dançáveis.
O segundo disco é, também, surpresa interessante. Virou prática na indústria da música pegar um artista de sucesso e testa-lo em duplas com outros artistas – mortos ou vivíssimos. E, também, em repertórios além do encontrado em seu estilo habitual.
Eu acho muito bom, porque expõe os limites e as potencialidades. E de alguma forma renova em tempo real o próprio artista. Aqui há outra música dele e MOBY; e duplas com gente atual: JAMIE CULLUM, PALOMA FAITH, RENÉE FLEMING, LAURA MVULA, a para mim desconhecida e impronunciável TRIJTJE OOSTERHUIS. O venerável violoncelista YO YO MA também contribuiu refinando PORTER um pouco mais ainda.
Muito legais são as duplas com “de cujos” famosos. GREGORY foi bem com ELLA FITZGERALD, BUDDY HOLLY, JULIE LONDON, NAT KING COLE e DIANE REEVES. Ressuscitou defuntos célebres, eternamente insepultos. O NEGÃO mostra talento, versatilidade, bom gosto e competência cantado com todos.
O seu estilo de cantar é influenciado por gente do naipe de RAY CHARLES, DONNY HATHAWAY, BILL WITHERS e, acrescento eu, GIL SCOTT- HERON e BOBBY WOMACK. Tudo fica mais nítido enquanto ouvimos.
Outro disco agradável e bem feito por GREGORY PORTER é “NAT KING COLE & ME”, outro lançamento pela BLUE NOTE, em 2017.
Achei as versões muito boas porque fogem do jeito de cantar do grande NAT COLE, e de seus contemporâneos JOHNNY MATHIS e EARL GRANT: aquele “algo mais exótico, tipo um certo branqueamento” da VOZ NATURAL da maioria dos PRETOS.
GREGORY mantém o jeitão mais R&B, e o resultado é uma atualização dos clássicos para os tempos correntes. Ele vem acompanhado pela LONDON STUDIO ORCHESTRA, regida por EVERTON NELSON, que emula o estilo do grande maestro e arranjador alemão CLAUS OGERMAN. Os que ouviram as orquestrações que ele fez para TOM JOBIM, JOÃO DONATO, e DIANA KRALL entenderão.
Aqui, a orquestra soa “ao POP romântico” e algo açucarado dos tempos áureos de COLE, MATHIS, etc. Agradará aos mais velhos e saudosistas; e, inclusive, a turma que aprecia BLACK MUSIC artística, melódica e mais tradicional.
Tente. É interessante e bonito!
POSTAGEM ORIGINAL:05\08\2023
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TRAFFIC – DA PSICODELIA AO CROSSOVER “R&B – PROGRESSIVO – JAZZ FUSION” – 1967/1974

Em quaisquer atividades há precoces, superdotados e gênios. PETER FRAMPTON é um superdotado: aos dezesseis anos era profissional; aos dezoito tinha tido três SINGLES de relativo sucesso com o grupo THE HERD; e tornou-se um guitarrista e cantor admirado até hoje.
Há, também, STEVIE WONDER, que aos doze anos gravou um Long Play ao vivo na MOTOWN; aos dezesseis ostentava série de SINGLES e LPS. Hoje, é INSTITUIÇÃO, e gênio consumado entre os precoces. ALGUÉM DISCUTE?
E temos STEVE WINWOOD, mais um caso interessante.
Algum tempo atrás, a revista RECORD COLLECTOR o entrevistou. Em dado momento perguntaram algo assim: ” STEVE, aos 13 anos você tocava piano em pubs e já cantava com voz peculiar. Você não sente falta de não ter jogado bola, e coisas que todo adolescente faz?
A resposta: Rindo; “Fiz coisas e adquiri vivências que os garotos se matavam para conseguir muito, mas muito mais tarde do que eu.” Ele falava de farras e mulheres. Aos 15 anos, com o SPENCER DAVIS GROUP ele tocava em boates de Strip Tease !
Vocês dirão: “Mas como, TIO SÉRGIO? Na Inglaterra “poser” e conservadora de 1964?”
Funcionava assim: colocavam o órgão na porta da cozinha, e estendiam um lençol em frente para o nosso garoto não assistir às “saliências”.
Mas não adiantava. Menino bonito e talentoso atraía meninas (muitas!) para fazer o que o jovem Macron fez com a professora… (hum …. alguém se lembra?)
Vamos falar sobre a carreira do espetacular e diferenciado TRAFFIC. A intenção inicial de WINWOOD era formar banda para veicular suas ideias. Mas não aconteceu bem assim:
Ele se juntou a JIM CAPALDI, bom baterista e letrista; CHRIS WOOD, sax, flauta, etc… e, também, a DAVE MASON, multi-instrumentista, cantor, compositor, e outro caso à parte na história do POP. Todos, exceto WOOD, tiveram carreira solo de sucesso.
No entanto, MASON e STEVE tinham visões diferentes sobre a condução do grupo. Discordaram muito, mas se entenderam por algum tempo.
Os dois primeiros álbuns, “MR. FANTASY”, de 1967 e “TRAFFIC”, lançado em 1968, são joias da PSICODELIA INGLESA. O trio CAPALDI, MASON E WINWOOD compôs o repertório. E a eficiência e bom gosto de WOOD e CAPALDI
garantiram a solidez para dois músicos criativos: WINWOOD e DAVE.
Tudo o que você queira saber sobre o ROCK PSICODÉLICO INGLÊS dos 1960, de certa forma está contido no “TRAFFIC”: WORLD MUSIC HINDU; resquícios de JAZZ e de MÚSICA CLÁSSICA; base em BLUES, e algo indefinido do R&B, com STEVE cantando.
O som em geral é algo “triste e melancólico”. Agrega o FOLK PSICODÉLICO em transição para o ROCK PROGRESSIVO, culminando em FUSION peculiar – Inédita!
Não deixem de ouvir uma das canções mais inventivas de todos os tempos. Completamente ROCK e VANGUARDA, é tocada com SITAR, CRAVO, FLAUTA, e etc… “PAPER SUN” é monumental!
Antecipa, de certa maneira, a ideia dos MOODY BLUES para outro grande disco da PSICODELIA INGLESA: “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, feito em 1968 – Também álbum inovador e grandioso!
Quer dizer, TIO SÉRGIO, que a gente deve considerar a sonoridade do TRAFFIC, nesta fase, um tipo de FUSION?
Sim; e por que não? E também ROCK PROGRESSIVO, por supuesto! E que tal defini-lo “CROSSOVER” entre estilos que se interpõe,” intrapõe “, e se amalgamam? Sugiro que assim seja. É genial e belíssimo!
Porém, como a vida e as relações entre pessoas são imperfeitas; se de certa forma o produto agradava MASON, ficava um tanto longe da ideia concebida por WINWOOD – que buscava por um som mais JAZZY, mais BLUESY – e um tanto percussivo!
Quem sabe, na linha do que JOHN MAYALL fez em “CRUZADE”, por exemplo? E acrescido com outro sabor da moda: o LATIN ROCK do SANTANA. “Vícios emulados” que habitam WINWOOD, até hoje!
DAVE MASON saiu do TRAFFIC porque pretendia algo mais autoral e menos chegado ao BLUES. Especulou-se.
Mas com STEVE no comando o TRAFFIC transitou para outro universo. JOHN BARLEYCORN MUST DIE, de 1970, é álbum entre os melhores que fizeram. É mais instrumental. Apoiou-se no R&B e no JAZZ com aproximações equidistantes do BLUES e do FOLK – por assim dizer. Esqueçam alavancagens psicodélicas e outras originalidades pregressas.
E se alguém quiser comprovar o fascínio de STEVE por percussão, vá lá e ouça os discos ao vivo do TRAFFIC. Ela é linguagem integrante – e não acessória.
WELCOME TO THE CANTEEN, o primeiro deles. Foi captado em concerto em 1971. É claramente “SANTANISTA”, com focos nos bateristas JIM GORDON e CAPALDI, e no percussionista ganense REEBOP KWAKU BAAH. O álbum encerra a fase psicodélica com o repertório dos primeiros discos. DAVE MASON está lá. Retornou à banda pela última vez.
Em seguida, veio o que é para muitos o melhor e mais conhecido álbum do TRAFFIC: THE LOW SPARK OF HIGH HEELED BOYS, 1971. Lá está agregado RICK GRETSCH, baixista que estivera com o quase natimorto cult BLIND FAITH. O LONG PLAY traz, também, uma inovação no design da capa, que se repetiu no disco seguinte: ela é criativamente “oitavada”. É disco que forma com o subsequente SHOOT OUT AT THE FANTASY FACTORY , 1973, o “intercurso estético” entre o ROCK PROGRESSIVO e a FUSION-JAZZ-BLUES que os consagrou. Foram os dois maiores sucessos comerciais da banda, ambos DISCOS de OURO. Aliás, o TRAFFIC foi muito famoso nos EUA.
Nesses dois álbuns o grupo atingiu o seu clímax em performance artística e técnica. WOOD, CAPALDI e WINWOOD trouxeram a consagrada cozinha rítmica dos americanos do MUSCLE SCHOALS STUDIO: ROGER HAWKINS, bateria; e DAVID HOOD, baixo – que estão presentes em diversos HITS da SOUL MUSIC e do R&B gravados para a ATLANTIC RECORDS. REEBOP também permaneceu na banda.
Para selar em definitivo a nova sonoridade e a integração entre todos, gravaram, em 1973, o disco duplo ao vivo TRAFFIC ON THE ROAD. STEVE WINWOOD toca como se fora “THELONIOUS MONK”, cheio de silêncios e intervalos. O espaço dado ao sopro para CHRIS WOOD também funciona magicamente: sutil, compassado, efetivo. É outro álbum indispensável em qualquer discoteca de bom gosto.
A saga do TRAFFIC termina em 1974 com WHEN THE EAGLE FLIES. Menos ambicioso e bastante bom. Álbum a caminho do que hoje se chamaria de “PROG”. Quer dizer, parece ROCK PROGRESSIVO, mas não é, necessariamente…
O TRAFFIC foi elevado ao ROCK & ROLL HALL of FAME, em 1994. E fizeram tentativa para retornar ‘a ativa. Deixo de lado o álbum que lançaram. Acho que “não ornou”.
CODA
Muita gente sabe que JIM CAPALDI morou no RIO de JANEIRO. Foi casado com uma brasileira. Era figura conhecida por lá.
Resumindo, o TRAFFIC construiu uma discografia e perspectiva musical que se justifica por ela mesma. É parte relevante da História do ROCK.
Percam-se neles! Encontrem – se no EDEN!
POSTAGEM ORIGINAL: 03\08\2020
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PETER GREEN, O ERRÁTICO

Eu e ele nascemos no mesmo dia 29 de outubro. Eu em 1952, e “VERDINHO” em 1946. Até prova em contrário, eu continuo vivo. E GREENY” nos deixou tempos atrás; infelizmente.
Conheci 3 grandes guitarristas de BLUES de origem judáica: MIKE BLOOMFIELD, que dispensa apresentações; DANNY KALB, dos BLUES PROJECT; e GREEN – GREENY, para os que conseguiram ser dele íntimos. Os três “melhoraram” a técnica do BLUES. Talvez porquê sabiam o que é ser diferente; intuíam como serem “pretos”. Mas isto é assunto para um “possível talvez”…
JOHN MAYALL percorreu o BLUES de cima a baixo em dezenas e dezenas de gravações. Era, antes de tudo, um grande incentivador de talentos e BANDLEADER. E matou a charada, em 1967: PETER GREEN substituíra ERIC CLAPTON nos BLUESBREAKERS e o jogo seguiu. Foi diferente e talvez melhor, segundo MAYALL.
Ouçam um clássico atemporal do BLUES INSTRUMENTAL: “THE SUPERNATURAL”. Está em “A HARD ROAD”, dos BLUESBREAKERS. Tirem conclusões.
É o GREENY perfeito. Entre a reverberação controlada e o dedilhar na guitarra nota por nota. Sutil, inteligível e vanguarda. Um WES MONTGOMERY do ELECTRIC BLUES… ( nossa! TIO SERGIO caprichou, e bem!!! ).
PETER ajudou a fazer o FLEETWOOD MAC. Dois anos de tudo ou quase tudo, entre 1967 e 1969. O mix BLUES – PSICODELIA em progressão artística: Da raiz aos galhos voando árvore acima.
Depois, fez pausa para meditação; viveu dúvidas… Foi enfermeiro profissional, inclusive. E voltou. Lapidou seu estilo e arte; gravou mais discos e morreu no auge.
GREENY deixou fãs entre os colegas. B.B. KING também gostava dele. Há dois tributos interessantes aqui na postagem. E meu veredito nada vero, capenga: PETER GREEN não conseguiu conjugar seu estilo e talento ao “timing” produtivo necessário. Perdeu – se. Desperdiçou-se? O tempo dirá.
Ele não trabalhou tanto feito CLAPTON e MAYALL, ou MILES DAVIS. Ou CAETANO ou GIL, ou VAN MORRISON.
Talvez a produtividade de um JOÃO GILBERTO? Muito pouco e muito bom? Quem sabe…
No entanto, ele ter se tornado
guitarrista de referência para outros músicos, como o nosso JOÃO, talvez seja imortalidade suficiente para PETER GREEN.
Algumas lágrimas de gratidão ao ainda quase segredo “VERDINHO”.
Persiga, descubra, compare e curta.
POSTAGEM ORIGINAL:27\07\2020
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THE “BLUE HORIZON” STORY 1965/1970 – SENSACIONAL!

Gravadora “BOUTIQUE” inglesa especializada em BLUES e criada pelo produtor “MIKE VERNON”, em 1965.
Foram cinco anos de vida, mais de 70 SINGLES e 60 ÁLBUNS com gente histórica. Vou começar pelo BLUES AMERICANO. Gravaram por lá “CHAMPION JACK DUPREE” ; “BUCKA WHITE”, ” B.B.KING”, “HUBERT SUMLIN” e vários diversos…
No entanto, importante mesmo foi a capacidade que VERNON demonstrou para trazer ao proscênio e promover os futuros ídolos do BLUES INGLÊS!
Despontaram com VERNON músicos do calibre de “PETER GREEN & FLEETWOOD MAC”; “JOHN MAYALL”; “ERIC CLAPTON”; “CHICKEN SHACK”; “AYNSLEY DUNBAR” e pletora ultra significativa.
“MIKE VERNON” era muito arrojado; empreendia sem medo. Você sabe quem é a portorriquenha “MARTA VELEZ”? Então procure saber, porque a banda juntada por VERNON, na BLUE HORIZON, para gravar o LONG PLAY da moça era uma cordilheira de ícones! Estavam o estúdio “ERIC CLAPTON”, “JACK BRUCE” E “MITCH MITCHELL” em meio a outros craques destacados! O CD existe por aí. E, claro, é muito legal!
A “BLUE HORIZON” era um prodígio de abrangência: MIKE VERNON xeretou pra valer! Enxergou onde havia talentos potenciais, e conseguiu formar bandas de estúdio estupendas para gravar os contratados. Não tão recentemente, foram relançados vários desses LONG PLAYS na versão em CD, enriquecendo a coleção de quem gosta de BLUES. “TIO SÉRGIO”, descolou alguns…
“CHRISTINE McVIE”, por exemplo, entrou para o “FLEETWOOD MC” depois do sucesso artístico e comercial da versão de “I’D RATHER GO BLIND”, clássico do R&B de “ETTA JAMES”, que levou CHRSTINE ao topo da parada inglesa em 1969. Claro, a gravação e lançamento foi da BLUE HORIZON.
Em poucas palavras, este é um BOX pra lá de colecionável. Está na capa que seria o primeiro de uma série – mas acho que não rolou. Eu não conheço outros.
Então, vá atrás, porque vale a pena de verdade. TIO SÉRGIO recomenda de olhos fechados e garrafas abertas!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\08\2020
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UM SÁBADO A TARDE, EM 1973… COM BOB SEGER e THE BLUE OYESTER CULT!

Eu me lembro com nitidez de certo sábado à tarde, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia e suponho que tenha sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas desfrutando raro momento de completude. Mais de 50 anos se foram. Porém, aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973 já havia grandes lojas que importavam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é – e sempre foram. Mas ainda não existiam a WOP BOP e a BARATOS AFINS, duas lojas que fizeram história por terem congregado um certo público UNDERGROUND que curtia ROCK e seus arredores.
Informações do exterior existiam; e mesmo poucas e truncadas aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE – já circulando por aqui. E, também, nos jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o “novo’: as notícias da pós suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não duraram o suficiente, mas deixaram marcas feito tatuagens mal removidas.
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, na segunda metade dos 1960: “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”. Estilingadas certeiras.
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN naquela mística do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD”, e torturado pela imprecisão psicológica, feito JAMES DEAN ou JIM MORRISON. E daí o fascínio que me causava.
BOB chegou ao sucesso de verdade anos depois, em 1977/1978. Mas jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”.
O disco foi feito no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite do SOUL e R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
“BACK IN 72” é um “espécime” perfeitamente integrado ao HARD ROCK & RHYTHM ‘n’ BLUES, também em voga naqueles tempos. Aqui, BOB SEGER está acompanhado por craques: J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e quase desconhecido álbum! E continua brilhando para ser pescado no fundo do poço do tempos.
Experimente. Vale a pena!
Também recordo ter separado o BOB SEGER enquanto rolava no PICK UP disco chegado naquele momento: o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Outro impacto fulminante! Um míssil direto no cérebro e no corpo
TIO SÉRGIO considera o melhor disco que fizeram. Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY e algumas novidades tecnológicas como “delays” e outros “babados”. As faixas estão interligadas e sem espaços; o que emite a sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
É álbum bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, é claramente americano; como o CAPTAIN BEYOND e o KANSAS. Ou o DUST e o GRANDFUNK RAILROAD.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso na década de 1970/80. E gravou outros discos bastante bons. O BOX aqui postado – aliás lançado no BRASIL não sei exatamente quando – traz os três primeiros álbuns da banda. São bons; mas nenhum se equipara ao primeiro – na foto, inclusive em edição para audiófilos.
Talvez seja por causa desses discos que a memória daquele inesquecível sábado me sequestra até hoje.
Eu desejo a todos vocês uma experiência tão definidora e cativante quanto a que tive. Foi um dia que vivi, e existi de verdade.
POSTAGEM ORIGINAL: 31\07\2025
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