KID VINIL: MINHAS MEMÓRIAS NA “WOP BOP” E PELAÍ

Eu recordo a morte do KID VINIL, em 2017, aos 62 anos. Eu e ele sempre tangenciamos. Gostamos de ROCK e colecionamos discos. Não chegamos a ser amigos; porém, nos conhecíamos e cruzamos em incontáveis lojas de discos, feiras e ambientes do ROCK, do meados dos anos 1970 até sua morte.
Quando eu tinha lojas de CDs, ele de vez em quando aparecia por lá. Depois que fechei a CITY RECORDS nos encontrávamos , vez por outra, principalmente na encantadora e também falecida concorrente a “NUVEM NOVE”.
Por temperamento e interesses fomos um o inverso do outro. Ele gostava e colecionava discos de PUNK e adjacências. Eu sou do BEAT, do BLUES , do ROCK PROGRESSIVO, PSICODELIA, JAZZ e arredores. Com o tempo, nossos gostos se expandiram, se aproximaram, e, claro, houve alguma convergência musical.
No entanto, para mim foi marcante termos participado de um artefato cultural inédito e que teve pouca divulgação: Ambos escrevemos no primeiro FANZINE brasileiro sobre ROCK , em 1976/77, chamado “WOP BOP”.
Durou poucos números, e hoje é objeto de colecionadores. A revisteca mimeografada foi criada por outro mito recôndito do ROCK PAULISTA, Rene Ferri – que era dono da loja de discos do mesmo nome, a WOP BOP. Aliás, a primeira a se instalar na hoje GALERIA DO ROCK. O Facebook também reaproximou-nos bastante. E eu sou grato à vida!
A revista WOP-BOP era necessariamente precária, mas circulou bem entre os roqueiros e a turma da contracultura.
Eu escrevi no primeiro número, março 1977, sobre os YARDBIRDS. Há outras colaborações minhas ao longo do tempo… No índice o meu nome saiu correto, SÉRGIO de MORAES. No editorial cometeram equívoco recorrente na minha vida inteira, grafaram o MORAES com I” grrr!!!
O KID escreveu muito por lá sobre o PUNK, usando o próprio nome: “Antonio Carlos Senefonte”. Também publicou no FANZINE muita gente interessante e conhecedora de música, como o advogado Valdir Montanari dos Santos, que escreveu livros sobre ROCK; um deles bastante instrutivo sobre “ROCK PROGRESSIVO”.
Valdir é outro escondido, que vez por outra ressurge.
Enfim, KID VINIL foi ( é ) um ícone alternativo paulistano muito conhecido. Merece nome de logradouro, se já não houver. Por onde passasse distribuía autógrafos e simpatia. De fã a cantor de ROCK, viveu sua própria decisão com dignidade.
Além da música e da escrita vai ser lembrado, principalmente, por seu personagem, estilo de vida, propósitos e ilusões a que deu forma.
KID VINIL era um anti-herói do Brasil. E faz muita falta neste hospício.
POSTAGEM ORIGINAL: 20\05\2025
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“HARMONIA MUNDI”, A HISTÓRIA PECULIAR DE UMA GRAVADORA DE ALTO NIVEL, E OUTRAS MEMÓRIAS

Ser velho é tropeçar no Paraíso. E na rua, também!!!!
Dia desses, aqui por SAMPA, fui a um antigo SEBO na zona sul. Anda decadente, e tratado como armazenador de refugos e outras iniquidades que o mercado ou o caminhar da vida mostram.
Fui bem atendido. Ao contrário de outros locais onde tentei me aproximar. Eu dispunha de meia hora e resolvi revolver uns LONG PLAYS. Claro, a imensa maioria era de supérfluos ultrajantes no caminho da ignomínia a que merecidamente foram relegados. Quem vai a SEBOS garimpa monturos buscando joias. E geralmente não encontra…
Mas dei de cara com oito LONG PLAYS de primeira estirpe! A bateia metafórica do TIO SÉRGIO prospectou coisas de seu passado mais profundo.
Dou “cavalo de pau” para 1973/75, imprecisamente…
Dia qualquer, eu li artigo no “De Cujos” ( eepppaaa!!! ) JORNAL DA TARDE, a publicação… digamos… progressista … do grupo que edita o ESTADÃO. Foi por lá que parte do novo escoava naqueles tempos de ditadura.
O jornalista, cujo nome agora não recordo – mas craque em resenhas e informações culturais -, mostrou um pacote de LONG PLAYS lançados no BRASIL pela gravadora alemã “HARMONIA MUNDI”, à época recém assumida pelo grupo BASF.
Agora, uma história sensacional! Em meados da década de 1950, o francês BERNARD COUTAZ e o alemão RODOLF RUBY se cruzaram em uma viagem de trem. Conversando, perceberam afinidades imensas com a MÚSICA CLÁSSICA. Ficaram amigos.
Em 1958, COUTAZ criou em SAINT MICHEL – de – PROVENCE, a gravadora HARMONIA MUNDI. Ao mesmo tempo, RUBY fundou a DEUTCHE HARMONIA MUNDI.
Durante anos, compartilharam o mesmo nome e objetivos como gravar e produzir MÚSICA ANTIGA e BARROCA, com rigor acadêmico na pesquisa de repertórios e na interpretação das obras. Inclusive o uso de instrumentos de época. A produção e gravação sempre foram de alta qualidade. Compartilharam, também o marketing, e vários artistas e lançamentos.
Ou seja, visão revolucionária e civilizada para um projeto realizado por duas empresas distintas, em dois países diferentes, que até 1945 haviam sido inimigos!!!
COUTAZ e RUBY caminharam paralelamente juntos, e conseguiram competir com a inglesa DECCA; a DEUTCHE GRAMMOPHON – ahhh, vocês sabem de onde; e a francesa ÉDITION L’OISEAUX – LIRE. Até que, no início dos 1970, RUBY se associou, e depois vendeu, a DEUTCHE HARMONIA MUNDI para a BASF.
A História se alonga em várias frentes. Mas sob o nome geral de HARMONIA MUNDI houve “mais de 4 mil lançamentos ao longo do tempo”! Um experimento vencedor e original! Hoje, o acervo pertence à B.M.G.
Meninos, meninas e adjacências, a HARMONIA MUNDI é o fino do TOP em certas tendências da MÚSICA CLÁSSICA (tá; também vou escrever ERUDITA para evitar melindres… ): a MÚSICA BARROCA, e ancestralidades várias.
Foram lançados, no Brasil, uns vinte álbuns espetaculares técnica e artisticamente! São do acervo da DEUTCHE HARMONIA MUNDI. O vinil é de alta qualidade, espesso como deve ser; a captação sonora e a masterização feitas em estado da arte! O acabamento gráfico é de muito bom gosto, e há vários com capas duplas. O texto foi redigido por especialistas, e traduzidos em alemão, francês e inglês.
Mas TIO SÉRGIO, please, forgive-me: e por que não em português? Sei lá!!!! Estou descrevendo objetos magníficos de uns 50 anos atrás, e ainda hoje muito acima do que temos por aí!!!
Alguns eu tive. Foram comprados na filial da BRENO ROSSI, em loja situada no BROOKLIN VELHO, aqui em SAMPA. O bairro, a vizinhança, os bares e tudo o mais exalavam “Europa”, e bucolismo. Clima e ambiente perfeitos para esses discos!
Por isso, aqui estão os meus recentes “tropeços no Paraíso”. São oito álbuns memoráveis. Seis estão na foto. Cinco edições nacionais da DEUTCHE HARMONIA MUNDI trazendo o COLLEGIUM AUREUM, entre os mais perfeitos CONJUNTO de CÂMARA de todos os tempos! As gravações, claro, usando instrumentos de época, históricos e raros! A sonoridade é “ANGELICAL”
O sexto, é HERBERT VON KARAJAN regendo a FILARMÔNICA DE BERLIM em BEETHOVEN e TCHAIKOWSKY. Edição alemã da DEUTCHE GRAMMOPHON, em 1969! Há mais outros dois com PIERRE BOULEZ e KARL RICHTER nas regências…
Depois de lavados, recuperados, etc… descobri que a conservação é impecável, apesar do tempo passado! Os preços???? Abaixo do ridículo, eu garanto!
Mas, TIO SÉRGIO, onde fica este SEBO?
Eu só conto depois. Primeiro, vou tentar achar mais algumas coisinhas para restaurar!!!!
Procurem conhecer.
POSTAGEM ORIGINAL: 17\05\2025
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DARK WAVE e GOTHIC ROCK: “MONSTERS OF GOTH” E “GOTHIC ROCK” – SETE CDS PARA CONHECER O MOVIMENTO

TIO SÉRGIO Já vai avisando: no repertório não tem a “TAYLOR SWIFT” cantando “THE FATE of OPHELIA”. Mas cairia muito bem!!!!!
São “C.Ds PROMO” indicados para os que têm ALMA FORTE. A turma que SUPLANTOU o “PUNK”. Gente que aprecia curtir ARQUITETURA de TÚMULOS e MAUSOLÉUS. Aquele “PEOPLE” que acha andar por CEMITÉRIOS passatempo agradável.
Ou, quem sabe seja SIMPLESMENTE para degustadores do ROCK MAIS LÚGUBRE e PESADO, e muitos passos além do CONVENCIONAL. É o caso do TIO SÉRGIO, aqui. Eu adoro o som que essa turma produz!
Aqui estão duas MISCELÂNAS DUPLAS, chamadas “GOTHIK ROCK”. Há ENCARTES apresentando as MOÇAS e os CARAS… Foram produzidas na AMÉRICA, e lançadas em 1993 e 1995, pela GRAVADORA “CLEOPATRA”: uma das catacumbasdo “DARK ROCK” e do “GÓTICO” NOS EUA.
Os CDs são féretros insepultos contendo a escuridão mental e barulhenta de “ÍNCUBUS e SÚCUBOS”, escorpiões e dragões, mortos muito vivos, tipo “FIELDS OF THE NEPHLIN”, “ALIEN SEX FIEND”, “ROSETTA STONE”, “CHRISTIAN DEATH”, e mais uns 48 AMERICANOS e INGLESES que submergiam nas trevas – e quase todos se esconderam da FAMA…
TIO SÉRGIO não se responsabiliza por conflitos domésticos que, eventualmente, decorram da audição “com os pais” desses discos. Eles não são para candidatos a COROINHAS na IGREJA da paróquia. E, menos ainda, para os que curtem AXÉ, SERTANEJO, e etc… A “SOFRÊNCIA” dos criadores e do público alvo é de outra natureza e método. MÉTODO…
É pra gente que pode achar ARANHAS e LACRAIAS “PETS FOFINHOS”. Aquele PEOPLE que prefere um “TERRÁRIO” a uma CAMINHA PARA O GATINHO.
DURMA-SE COM PICADAS COMO ESSAS!
“MONSTERS OF GOTH “, 1997, é para a mesma turma que elege cemitérios “PARQUES TEMÁTICOS”; se veste de preto, e votaria em uma chapa com “BÉLA LUGOSI” e NOSFERATU para Presidente e Vice; e gosta desse tipo de comédia romântica “macabro-sexual” envolvendo jovens belos mortos – vivos, vampiros milenares, essas coisas…. Ou apenas curte os RECÔNDITOS DA ALMA DO ROCK DOS ANOS 1980/1990 – Claro, o tio aqui admite gostar – mas com certa parcimônia….
É um BOX INGLÊS muito simples, COM TRÊS CDS e nenhum LIVRETO. Foi lançado por um POOL de GRAVADORAS sob o expressivo nome “DRESSED TO KILL”.
O material é bem gravado, com a NATA OBSCURA dos PRIMÓRDIOS do GOTHIC ROCK. Vieram para jantar “RED LORRY”\ “YELLOW LORRY”, “LYDIA LUNCH”, E e outros vizinhos da MESMA QUADRA no CEMITÉRIO.
É BOX algo RARO e, obviamente, nada CONVENCIONAL. E, também, para MENINOS, MENINAS E ADJACÊNCIAS, já mais madurinhos, e que ainda perscrutam ABISMOS que a música oferece à alma.
Informação crucial. Não caem bem em quaisquer festinhas. É PESADO e LÚGUBRE – como soe acontecer. Mas pode servir de TRILHA SONORA para COLETA de SANGUE em LABORATÓRIO. Ou ACOMPANHAR COLONOSCOPIA…
Ainda assim, É CULT ATÉ NO CREMATÓRIO!
POSTAGEM ORIGINAL:19\05\2026\

MADAME TROGNEUX, PROFESSEUR… E OUTRAS RELAÇÕES PERIGOSAS PROFESSOR – ALUNO

E TRILHA SONORA COM UM FRANCÊS E FRANCESINHAS IRREQUIETAS
Tempos loucos!
Se BRIGITTE TROGNEUX, conhecida por MADAME EMMANUEL MACRON – bidú! é a primeira dama francesa! – tivesse posto as manguinhas e outras vestimentas de fora nos dias de hoje, é muito possível que fosse presa e processada por pedofilia e corrupção de menor.
Ela tinha 39 anos. El ele uns 15, quando a conheceu, se apaixonou, e supostamente, começou a namorar MADAME – sua PROFESSORA, que era casada…
Se ocorresse hoje, o “efebo” EMMANUEL iria parar em alguma “Fundação Casa” , lá na “ZOOROPA”. E seria submetido a terapia por ter sido “estuprado”. E não se tornaria o “PRESIDENTE DA FRANÇA” …
Quá, Patos-cidadãos! Qual é a moral dessa história?
Arrisquem palpites.
Uma coisa é nítida: vivemos tempos moralistas (ou moralizadores?), e certas restrições tornaram-se normas; e, nesses casos, lei mesmo!
Casar ou namorar a professora , ou a chefe mais velha, é comum? Eu conheço casos – e não são poucos.
Em 1967, cursava o segundo grau (ginásio) no “ALCIDES DA COSTA VIDIGAL”, escola pública que existe até hoje, na AVENIDA PAULISTA. Lá, tínhamos a… vou chamar de LiLi, jovem e bela PROFESSORA DE MATEMÁTICA.
Claro, moça moderna, universitária engajada politicamente na oposição à ditadura, ela militava na contestação geral dos valores da época.
LILI envolveu-se com um aluno, nosso colega de classe. Era sujeito um tanto rude, obviamente ignorante, e bem mais velho do que a média de todos nós..
Bem, se hoje o machismo subsiste mesmo contestado pra valer; naqueles tempos era a regra.
O grosso quis impor a BURCA MORAL à professora. E foi expelido em meio a memorável cena pública de choro, gritos, e bregas juras de amor! A escola entrou em catarse!
Na USP, lá por 1975/76, virou fuxico geral a história de uma colega que foi “arrestada”, durante uma carona, por notável PROFESSOR DE SOCIOLOGIA – famoso por ser FAUNO comprovado. Houve um quase sequestro relâmpago romântico…
Ela adorou! E repetiram doses, mas sem a emoção bandida do primeiro achego. O FAUNO depois foi lecionar no RIO de JANEIRO, onde não faltam as estudantes de pulcritude indiscutível para FAUNEAR…
Sei de mais dois casos. No primeiro, ele era mais jovem, mas com idade mais próxima de sua professora, também de matemática, no último ano do ensino médio. O outro, muito jovem, era OFFICE BOY e conquistou a chefe. Os dois “di menor”. Hoje, os quatro continuam felizes em direção ao eterno sempre.
Para musicar a memória, uma seleção com um francês emblemático nos “sixties”, MICHEL POLNAREFF. Ótimo pianista, aparência e timbre de voz que lembram o BELCHIOR; gravou “LA POUPÉE QUI FAIT NON” – BEAT que fez muito sucesso, em 1966!
E adivinhem quem faz o famoso RIFF de entrada?
Sim, JIMMY PAGE. Ele e JOHN PAUL JONES tocaram na música!!!! E hoje ouvi bem alto umas cinco vezes! Os dois merecem a fortuna que por décadas amealharam com trabalho duro, intenso e criativo. MICHEL gravou parte do disco em LONDRES, no estúdio PYE!!!!!
E também compareceram, aqui no “Post”, algumas francesinhas e adjacentes; belas e feras do passado e do presente, que “NE FONT PAS NON”- parafraseando “La Poupée”… , em homenagem” ao clima liberal, “libertário – existencialista”, que a França representa e inocula em todos nós.
Assim:
CARLA BRUNI, a senhora SARKOSY – ahhh vejam aí!!! – linda, charmosa e cantora interessante; e cidadã do mundo capaz imersões e transgressões feitas com estudada precisão. Ouçam a versão de “ENJOY DE SILENCE”, do DEPECHE MODE. É espetacular!
FRANÇOISE HARDY, a PROGRESSISTA e antenada cantora e compositora, que navegou com proficiência do BEAT aos PET SHOP BOYS e outras parcerias. Seu vasto talento, inclusive para captar a M.P.B., a tornou um compósito de RITA LEE e NARA LEÃO.
Veio, também, SYLVIE VARTAN, nascida na BULGÁRIA, mas francesa de fato e direito. Seu apelido é “LA PLUS BELLE”… uma ícone de sua geração; e até hoje, a predileta dos nossos irredentos e admirados parceiros europeus.
Presentes, também, STACEY KENT, canadense, precisa, estudiosa, mega talentosa, e capaz de cantar e interpretar em diversos idiomas – inclusive o português.
E, para terminar, LAETITIA SADIER, mais atual e ‘alternativa’. Francesa, claro, e vocalista do grupo “POP VANGUARDA MINIMIALISTA” “STEREOLAB”.
Para o TIO SÉRGIO, estas são francesas dos sonhos, e não protótipos como se esperaria…
Desfrutem.
POSTAGEM ORIGINAL: 17\05\2026
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MADAME TROGNEUX, PROFESSEUR… E OUTRAS RELAÇÕES PERIGOSAS PROFESSOR – ALUNO. E TRILHA SONORA COM UM FRANCÊS E FRANCESINHAS IRREQUIETAS

Tempos loucos!
Se BRIGITTE TROGNEUX, conhecida por MADAME EMMANUEL MACRON – bidú! é a primeira dama francesa! – tivesse posto as manguinhas e outras vestimentas de fora nos dias de hoje, é muito possível que fosse presa e processada por pedofilia e corrupção de menor.
Ela tinha 39 anos. El ele uns 15, quando a conheceu, se apaixonou, e supostamente, começou a namorar MADAME – sua PROFESSORA, que era casada…
Se ocorresse hoje, o “efebo” EMMANUEL iria parar em alguma “Fundação Casa” , lá na “ZOOROPA”. E seria submetido a terapia por ter sido “estuprado”. E não se tornaria o “PRESIDENTE DA FRANÇA” …
Quá, Patos-cidadãos! Qual é a moral dessa história?
Arrisquem palpites.
Uma coisa é nítida: vivemos tempos moralistas (ou moralizadores?), e certas restrições tornaram-se normas; e, nesses casos, lei mesmo!
Casar ou namorar a professora , ou a chefe mais velha, é comum? Eu conheço casos – e não são poucos.
Em 1967, cursava o segundo grau (ginásio) no “ALCIDES DA COSTA VIDIGAL”, escola pública que existe até hoje, na AVENIDA PAULISTA. Lá, tínhamos a… vou chamar de LiLi, jovem e bela PROFESSORA DE MATEMÁTICA.
Claro, moça moderna, universitária engajada politicamente na oposição à ditadura, ela militava na contestação geral dos valores da época.
LILI envolveu-se com um aluno, nosso colega de classe. Era sujeito um tanto rude, obviamente ignorante, e bem mais velho do que a média de todos nós..
Bem, se hoje o machismo subsiste mesmo contestado pra valer; naqueles tempos era a regra.
O grosso quis impor a BURCA MORAL à professora. E foi expelido em meio a memorável cena pública de choro, gritos, e bregas juras de amor! A escola entrou em catarse!
Na USP, lá por 1975/76, virou fuxico geral a história de uma colega que foi “arrestada”, durante uma carona, por notável PROFESSOR DE SOCIOLOGIA – famoso por ser FAUNO comprovado. Houve um quase sequestro relâmpago romântico…
Ela adorou! E repetiram doses, mas sem a emoção bandida do primeiro achego. O FAUNO depois foi lecionar no RIO de JANEIRO, onde não faltam as estudantes de pulcritude indiscutível para FAUNEAR…
Sei de mais dois casos. No primeiro, ele era mais jovem, mas com idade mais próxima de sua professora, também de matemática, no último ano do ensino médio. O outro, muito jovem, era OFFICE BOY e conquistou a chefe. Os dois “di menor”. Hoje, os quatro continuam felizes em direção ao eterno sempre.
Para musicar a memória, uma seleção com um francês emblemático nos “sixties”, MICHEL POLNAREFF. Ótimo pianista, aparência e timbre de voz que lembram o BELCHIOR; gravou “LA POUPÉE QUI FAIT NON” – BEAT que fez muito sucesso, em 1966!
E adivinhem quem faz o famoso RIFF de entrada?
Sim, JIMMY PAGE. Ele e JOHN PAUL JONES tocaram na música!!!! E hoje ouvi bem alto umas cinco vezes! Os dois merecem a fortuna que por décadas amealharam com trabalho duro, intenso e criativo. MICHEL gravou parte do disco em LONDRES, no estúdio PYE!!!!!
E também compareceram, aqui no “Post”, algumas francesinhas e adjacentes; belas e feras do passado e do presente, que “NE FONT PAS NON”- parafraseando “La Poupée”… , em homenagem” ao clima liberal, “libertário – existencialista”, que a França representa e inocula em todos nós.
Assim:
CARLA BRUNI, a senhora SARKOSY – ahhh vejam aí!!! – linda, charmosa e cantora interessante; e cidadã do mundo capaz imersões e transgressões feitas com estudada precisão. Ouçam a versão de “ENJOY DE SILENCE”, do DEPECHE MODE. É espetacular!
FRANÇOISE HARDY, a PROGRESSISTA e antenada cantora e compositora, que navegou com proficiência do BEAT aos PET SHOP BOYS e outras parcerias. Seu vasto talento, inclusive para captar a M.P.B., a tornou um compósito de RITA LEE e NARA LEÃO.
Veio, também, SYLVIE VARTAN, nascida na BULGÁRIA, mas francesa de fato e direito. Seu apelido é “LA PLUS BELLE”… uma ícone de sua geração; e até hoje, a predileta dos nossos irredentos e admirados parceiros europeus.
Presentes, também, STACEY KENT, canadense, precisa, estudiosa, mega talentosa, e capaz de cantar e interpretar em diversos idiomas – inclusive o português.
E, para terminar, LAETITIA SADIER, mais atual e ‘alternativa’. Francesa, claro, e vocalista do grupo “POP VANGUARDA MINIMIALISTA” “STEREOLAB”.
Para o TIO SÉRGIO, estas são francesas dos sonhos, e não protótipos como se esperaria…
Desfrutem.
POSTAGEM ORIGINAL: 17\05\2026
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B.B.KING, SEU LEGADO E TRANSCENDÊNCIA

A diversidade imensa de artistas e propostas à disposição do público, é parte do encanto de viver nos tempos atuais.
TIO SÉRGIO sempre foi um desviante, principalmente quando a estética e a arte estão envolvidas. Concordo com a subversão progressista de tentar enxergar o novo, abrir caminhos, estender horizontes; e usar das liberdades para agir e modificar. Eu sou amigo de fronteiras perigosas.
Hoje, é normal curtir ROCK, BLUES, MPB, RAP, JAZZ, ou seja lá o que for, sem a limitação nacionalista, muito comum nas décadas de 1960 e 1970.
Claro! Era explicável: sob ditadura a gente se volta para a defesa do que é mais legítimo na cultura popular do país, e suas tradições. Gostar “só” de MPB era ato de preservação e militância contra o autoritarismo.
Eu sempre gostei e preferi a música internacional – ROCK, BLUES e JAZZ – em vez da MÚSICA BRASILEIRA. Eu sei o quê e o quanto perdi por minha ignorância e até preconceito! Da mesma forma reconhecem os nacionalistas intransigentes de antes, que hoje também respeitam, e até curtem o legado de outros povos.
Mudei; aprendi, sofistiquei o meu gosto e incorporei a MPB MODERNA a meu dia-a-dia. No final, ganhamos todos com a amplitude, visão e tolerância. É postura civilizatória.
E tudo isso para falar do “B.B.KING”. Ele morreu em 15 da maio de 2015, aos 89 anos. No entanto, perto de outros deixou fortuna pequena, uns $10 milhões de dólares. Para efeito de comparação, até agora, JOE WALSH juntou $75milhões de dólares!!!, e ROBERT SMITH já passa dos $ 40 milhões… Nem é preciso dizer que “B.B.KING” está no “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”, no “BLUES” , e no R&B, ambos também “HALLs OF FAME”.
Claro, como velho ROCKER e colecionador de discos, ele. sempre caminhou a meu lado… No começo, não. B.B. KING ERA ÍDOLO DOS MEUS ÍDOLOS. Eu estava para a música dos 1950, como os PUNKS estiveram para o ROCK PROGRESSIVO na década de 1970; e a turma de hoje em relação ao que foi feito de 1980 para trás:
TIO SÉRGIO e muitos e muitos, achavam que os novos eram os nossos contemporâneos; e não a história traçada, geração após geração, que sempre desemboca na contemporaneidade de nossos sentimentos. Eu era um combo em rebeldia, ignorância e rejeição.
O novo é sempre o eterno movimento que a História nos traz… Mesmo que raramente alguém identifique com discernimento e clareza, o que nunca antes havia sido feito. E menos ainda o quê permanecerá.
Eu estava cego e surdo, é claro! E peço vênia a SANTO COLOMBINO, BUDHA, CRISTO e outros santos e gurus!!!!!!! Por isso, nas cinco últimas décadas, vim convergindo para outros espectros, vivências alternativas – sejam em direção ao passado ou para o futuro…
Meu amigo FÁBIO DEAN, também colecionador de discos, especialista e profundo conhecedor do ROCK, BEAT, R&B… e tudo o que for sonoro dos 1950 a meados dos 1970, e beyond! – sempre defendeu que a rotulagem de estilos é, no fundo, apenas classificatória, orienta para os sucessores mais bem compreenderem.
Então, o que chamamos de ROCK, BLUES, DO-WOP, R&B…, na década de 1950 vinham todos embolados, e muito próximos: “ELLA FITZGERALD” era perfeitamente possível de ser colocada lado – a -lado com “B.B.KING”; e, se bobear, nos arredores de “ELVIS PRESLEY”.
É verdade. Tenham certeza!
Em 1978, eu tive o privilégio de “ouvi-lo”, ao vivo e no ato, via RÁDIO CULTURA , no FESTIVAL INTERNACIONAL DE JAZZ, de São Paulo. Impossível conter-se ouvindo a “B.B.KING ORCHESTRA”!
Enquanto escrevia sobre isto, coloquei no CD player um disco do B.B.KING ,com gravações feitas entre o final dos anos 1940 até 1962, mais ou menos.
Uma delas, “Don´t get around much anymore”, de 1961, foi gravada com a sessão de metais e ritmos da “ORQUESTRA de DUKE ELLINGTON”. Querem mais? Então, consigam este pequeno BOX, na foto, que traça a obra do KING de 1949 até 1962. Ou, o maior deles, que é abrangente, porém, com menos gravações.
É argumentável que mestre KING tenha sido o principal “BLUESMAN” da história; e quem mais bem representa a tendência do BLUES mais próxima ao ROCK. É a minha opinião.
B.B. KING foi o inventor do chamado “FLUTTER”, o vibrato de pulso usando alavanca no corpo da guitarra, para modificar e ampliar o som do instrumento. E apresento-lhes a “LUCILLE”, a guitarra, que fazia “flutuar” o som, acompanhando as letras em perfeita sintonia.
O legado de B.B.KING como influência e mestria está por todo lado, nas mídias: JORNAIS, REVISTAS ESPECIALIZADAS, LIVROS, VÍDEOS, ETC… E se a guitarra é icônica e sempre identificável, mesmo que monocórdica; a voz de “B.B.KING” ganhou força e expressão na maturidade, em meados dos anos 1960, e se manteve até grande parte de sua velhice. Esta voz e timbre, reconhecemos no ato! E compõem um achado estilístico!
B.B.KING gravou, até onde pude pesquisar, comparar e certificar, em torno de 60 álbuns – claro, alguns já na era do CD. E mais de 14 LONG PLAYS de COMPILAÇÕES, HITS e o escambau à oitava!
Legou gloriosos e catalogados 290 SINGLES – o primeiro deles, gravado em 1949!! – Hey, BIG BROTHERS !!! eu escrevi 290 SINGLES ! É só acessar um site chamado “45 CAT”. Herança fabulosa!
Existe um disco de B.B. com o ERIC CLAPTON, “Ridding with the King”. Não é estruturante, digamos. Mas vale a pena ter pelo encontro de dois gênios que se admiravam mutuamente. E anima reuniões entre amigos e festinhas. E há outro álbum delicioso e beirando o “espetacular”, com a cantora de JAZZ, DIANA SCHURR – que é branca e cega.
Ele fez outros e outros álbuns mais. Gravou com muitos que importam, como BOBBY BLUE BLAND, VAN MORRISON, U-2, e os ROLLING STONES. E influenciou tontos e tantos guitarristas, que seria prudente citar ao menos dez – mas fico em quatro notórios: BUDDY GUY, ERIC CLAPTON, GARY MOORE e SLASH. Estejam à vontade para continuar descobrindo…
Talvez a minha única frustração tenha sido B.B. KING não ter gravado com JOHN MAYALL, seu contraparte inglês. Uma pena; e certamente uma falha histórica!
Além desse ponto, é e sempre será ” THE B.B.KING ORCHESTRA”!
É para ouvir pelo resto da vida, “e per omnia secula seculorum”!
POSTAGEM REDEFINIDA EM 15\05\2026
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KEITH TIPPET & CENTIPEDE – SEPTOBER ENERGY – 1971 JAZZ AVANT GARDE + ROCK PROGRESSIVO + FUSION JAZZ

O TIO SÉRGIO tem duas edições diferentes do álbum: A “INGLESA” vem com a CAPA BRANCA, e as letras em preto. É derivada do ORIGINAL. As quatro partes da obra estão em ÚNICO CD.
A “EDIÇÃO AMERICANA” é colorida, mais bonita e atraente. SÃO DOIS CDS, como os “LONG PLAYS” duplos ORIGINAIS. Ambas foram lançadas pela R.C.A.
Conheço o disco faz décadas. É um CULT do COLECIONISMO para os que procuram jacarés nos pântanos da música. E tanto para a turma do ROCK PROGRESSIVO, quanto para o pessoal do JAZZ mais experimental, ou da FUSION.
O álbum é um ORNITORRINCO!
Imagine o seguinte: KEITH TIPPET é pianista, arranjador e compositor desta peça difícil, e muito complicada para ser gravada.
É obra cheia de sutilezas requeridas ou expressas, que junta uma orquestra com 50 músicos ( na verdade 55 ) – daí o nome “CENTIPEDE”, centopeia .
O quebra cabeças é imenso para organizar e executar as quatro partes que compõem a obra. Há vinte violinos, 7 cellos, 3 baterias, 5 baixos ( elétricos, ou não ), 1 guitarra, 1 piano e 4 vocalistas. E todos servem de suporte para 5 trompetes, 4 saxes tenores, 4 altos 3 barítonos; e 4 quatro trombones!!!! Que tal?
E, não para por aí!
O disco foi pensado em núcleos, por assim dizer; e é executado nos instrumentos de sopro por duplas, trios, quartetos, e quintetos de “solistas” !!! E todos procuram tocar em contraponto, ou em massa, suportados pela turma das cordas, que faz base harmônica, em alguns momentos um pouco mais identificável e mais próxima do tradicional. Em outros, porém, gerando “pseudo anarquia”!
Captaram?
Seria FREE JAZZ?
Eu acho que não totalmente.
Mas vamos caminhar com “os ouvidos” um pouco além, e ver no que dá…
KEITH TIPPET é o pianista inglês de vanguarda que, em 1971, já havia participado em 3 discos do KING CRIMSON: “LIZARD”, “ISLAND” e “IN THE WAKE OF THE POSEIDON”. Ele consegue ser simultaneamente lírico e ousado. É um MESTRE DAS SUTILEZAS!
Para fazer o disco, TIPPET convocou amigos. Gente do SOFT MACHINE, DO KING CRIMSON, do IAN CARR & NUCLEUS, e outros luminares da linha de frente da música contemporânea britânica.
Se vocês clarificarem o tamanho da encrenca, vão encontrar:
Trompetes e corneta (?) com IAN CARR e MARK CHARING; saxes altos: ELTON DEAN, IAN McDONALD; tenor: ALAN SKIDMORE; barítono: KARL JENKINS; trombones: NICK EVANS, PAUL RUTHERFORD; bateristas: JOHN MARSHALL e ROBERT WYATT; baixos: ROY BABBINGTON, JEFF CLINE, DAVE MARKEE. Em resumo, a raiz, o caule e as folhas do novo JAZZ INGLÊS da época!
Nos vocais, e só para garantir anarquia, MIKE PATTO ( literalmente grasnando!!! ), ZOOT MONEY; e JULIE TIPPET, ex – JULIE DRISCOLL, conhecida e CULT cantora que participou com o tecladista BRIAN AUGER em vários discos legais no ” melting pot que abrange R&B, ROCK PROGRESSIVO, JAZZ, BLUES, e vasto enfim…
Pois, então: e para coordenar os trabalhos, produzir, organizar o caos possível e comprovável?
ROBERT FRIPP.
Mas, o FRIPP????!!!, TIO SÉRGIO?
Sim, escolha exata!
Ele retribuiu a TIPPET a participação nos discos do KING CRIMSON. É o cara certo para botar ordem, convencer e mandar. Tem um intelecto organizado, sabe deixar rolar, colocar, vírgulas, e mandar parar… E conhece as experimentações e vanguardas.
FRIPP é ousado e meticuloso. E conhecido como um déspota do bem: discute; mas, quando diz “não”, é “não”!!!
Quanto ao disco em si, li que a ideia de KEITH TIPPET era “ROMPER FRONTEIRAS FEROZMENTE”; buscando no “momento executado” o “AGORA”; mas dentro de uma lógica que fugisse do “conforto” e das regras rígidas da “HIGH ART”!
Entenderam? Eu ainda estou tentando…
Talvez, como também está no livreto, “ele orientasse os riffs básicos do JAZZ – ROCK para sustentar estruturas mais “soltas”, mais próximas do FREE-JAZZ.” Ou, a ideia central quem sabe fosse captar a energia das BIG BANDS com a sensibilidade dos pequenos grupos!
Sacaram? Eu continuo a desvendar e a descontruir o quebra-cabeças!!!
Presumo, resumindo, que ele pretendesse deixar o time improvisar com liberdade, mas dentro da melhor técnica musical possível. Em alguns momentos, a turma da base também participa do forrobodó; em outros, a turma de frente volta-se à base harmônica. É bonito, e distinguível quando se ouve a obra com mais atenção…
Curiosamente, em alguns momentos tudo parece rompido ou consolidado por alguns riffs e solos de guitarra, feitos por BRIAN GODDING. Porque FRIPP não tocou uma linha sequer no disco!
Lembram-se do show do KING CRIMSON, no ROCK IN RIO?
FRIPP comandava a banda com a guitarra; mandava e desmandava; rompia o construído, ou deixava andar a seu comando. Vi semelhanças entre os dois gestos…
Quando o disco foi lançado, houve uma avalanche de críticas. A turma do ROCK, que o comprou por causa de ROBERT FRIPP, frustrou-se. Ele “apenas” produziu. A turma da VANGUARDA achou o disco não coeso, um monumento desencontrado…
Talvez merecesse uma remasterização com algum craque de estúdio contemporâneo. Fico imaginando STEVEN WILSON. Ou algum japonês meticuloso em atividade. Mas quem sabe um alemão desses que fazem o trabalho espetacular com a BEAR FAMILY RECORDS?
Gente capaz de colocar as coisas no lugar, limpar excessos, realçar trechos esquecidos ou mal masterizados. Essas coisas complexas, que deixam audiófilos e ouvintes sofisticados de orelhas em riste!
TIO SÉRGIO aqui passou duas tardes escutando para ver se compreendia o que foi esboçado e feito… Comparei, observei, bebi…. depois, tomei a vacina contra a COVID e fui ouvir o disco de novo…
E de tanto pensar virei jacaré!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\04\2021
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JOE WALSH – UM DIFERENCIADO EM VIAGEM POR DESVÃOS DO ROCK:

“JOE WALSH” é tamanco sem couro: é pau puro!”
Porra, TIO SÉRGIO, o que você quer dizer com isso aí?
A resposta é: Sei lá, entende… Como sempre dizia o nosso único rei putativo, EDISON ARANTES DO NASCIMENTO I, o PELÉ.
Vez por outra eu cito a frase, que li sei lá onde? Mas pega o espírito, digamos, primevo do grande JOSEPH FIDLER – sobrenome que, se acrescentarmos um “E” depois do “I”, significa “violinista”… enfim.
TIO SÉRGIO gosta de submergir buscando histórias, origens. E foi encontrar o JOE em mar profundo e quase inatingível. Quase.
Observe os dois primeiros CDs na foto. Moram nas catacumbas da minha discoteca. São raros e meio irrelevantes, artisticamente falando. Porém, contudo, todavia, JOE WALSH treinou lá suas garras, em 1967.
O “RARE BREED” foi banda prá cá de obscura; os caras tinham algum talento, e tocavam num espaço qualquer em Nova York, quando foram “cooptados” pelos produtores JERRY KASENETZ e JEFF KATZ – craques do BUBBLEGUN, a baba dançável da moda.
O detalhe, é que o “RARE BREED” tornou-se o “OHIO EXPRESS”, que aproveitou e regravou a faixa BEG, BORROW AND STEAL – um GARAGE ROCK perfeito! Ahhhh, se ainda existe o vinil? Ninguém sabe, ninguém viu….
A gravação foi em N.Y.C, mesmo. E quem tocou a guitarra?
Claro, ele mesmo… “JOE WALSH”. Ouça, é muito legal! Aproveite e ouça “TRY IT “, com o “OHIO EXPRESS”; é pesada e foi censurada. Pra mim, o JOE também está lá…
“JAMES GANG” veio logo depois e foi caso interessante no ROCK americano. Era um POWER TRIO com sonoridade inspirada “IN ENGLAND”, digamos. São contemporâneos do “TRAPEZE”, do “HUMBLE PIE”, do “MOUNTAIN”… Portanto, herdeiros do “CREAM” e do “BLUE CHEER”; e antecessores da “BAD COMPANY”- para ficar entre poucos.
Os caminhos que a banda tomou à partir do segundo disco; e o seguido principalmente por JOE WALSH, mais à frente, os recolocou em contato com o “ROCK AMERICANO”. E a influência de “TED NUGENT e os AMBOY DUKES” vai ficando nítida.
Dia qualquer, dando uma passeada pela ilha, apareceu em minha “play – list” um CD só com músicas ao vivo.
Pus lá duas faixas em sequência, pinçadas no magnífico “JAMES GANG LIVE IN CONCERT”, gravado em 1971, no CARNEGIE HALL, em NOVA YORK!
Uns 50 anos atrás, comprei o álbum original, lançado por aqui em 1972. Ele me acompanha até hoje; é vulcânico! Uma coleção de terremotos, erupções em HARD ROCK e HARD BLUES, perpetradas por um TRIO de jovens talentosos em estado de fúria e criatividade!
O disco abre com “STOP,” um HARD ROCK / R&B; emenda “YOU GONNA NEED ME”, HARD BLUES como poucos, em que JOE WALSH simplesmente aniquila a plateia com sua guitarra e interpretação! Vai em sequência a tal ponto matadora; que, lá pelo meio do SHOW, quando a banda desacelera para tomar fôlego e continuar a pauleira brava, a plateia no austero CARNEGIE HALL reage, “ruge”, como estivesse numa tourada, ou em um rodeio!
Os gritos animalescos de HEYA, HEYA… incitam WALSH, o baixista DALE PETERS e o baterista JIM FOX a explodir em ROCK PESADO e BARULHENTO!
Não, eles não estavam no TEXAS – ou em BARRETOS! Mas em lugar “civilizado”, rico e urbanizado, bem no centro financeiro deste planeta… A foto icônica da capa revela três cavalos amarrados na porta do TEATRO!!! E justifica o TAMANCO SEM COURO: PAU PURO, do título.
Quem coleciona discos é sempre surpreendido.. Tenho apenas dois discos do “JAMES GANG”, o referido ao VIVO; e o primeiro, “YER ALBUM”, de 1969, que há décadas eu não escutava. É ótimo álbum de HARD ROCK PSICODÉLICO. Cadenciado, têm algo de FUNK, muita noção de ritmo, e fica ao mesmo tempo na fronteira do ROCK PSICODÉLICO e do PROGRESSIVO. Estão lá três das músicas mais famosas do TRIO: STOP, TAKE A LOOK AROUND e FUNK #48.
O álbum abre com micro introdução Sinfônica de uns 30 segundos; é peça criativa, progressiva, e bem mais típica de grupos ingleses do que de americanos. O clima e andamento geral do disco é à inglesa.
A banda desempenha bem, as músicas são legais, mas não se desenvolvem com espontaneidade. É “travado”, como seus colegas britânicos. É o som daqueles tempos – final dos 1960, início do 70. O disco foi bem de crítica e vendas, mas não estourou. A gravação foi feita em Nova York, na HIT FACTORY, estúdio muito requisitado naqueles tempos. E a primeira coisa que ouviram da equipe técnica foi: “FAÇAM UM HIT”. O disco foi produzido por “BILL SZYMCZYK”, famoso pelo nome impronunciável, e a notória qualidade do que faz. Ele trabalhou muito com WALSH, e principalmente para os “EAGLES”.
O JAMES GANG era muito bom como grupo – e individualmente, inclusive. Fizeram duas versões matadoras de músicas importantes de bandas ícones: BLUEBIRD, do “BUFFALO SPRINGFIELD”, ficou diferente da original; é mais lenta e muito bem arranjada. E LOST WOMAN, dos “YARDBIRDS” é muito inventiva, empolgante, longa; e foi gravada direto e sem “overdubs” – uma proeza!
Imaginem: os caras foram fazer COVERS do fino do ROCK!
O TRIO abriu temporadas para “THE WHO”, principalmente na América, e PETE TOWNSHEND dizia que JOE WALSH era o seu guitarrista favorito! Outros que gravaram com WALSH foram “STEVIE WINWOOD” e a “STEVIE NICKS”.
Os membros originais da banda se conheceram na UNIVERSIDADE DE KENT, em OHIO. Eu nem cheguei a ouvir dois dos três LONG PLAYS seguintes, RIDES AGAIN, 1970; e THIRDS, 1972, que juntos com o LIVE, aqui postado, estouraram nas paradas americanas.
É minha impressão que JOE WALSH percebeu, depois do primeiro álbum, que o grupo, e principalmente ele, estavam muito orientados para o ROCK PESADO INGLÊS. E desenvolveram sonoridades mais próximas ao ROCK AMERICANO.
Em 1972, JOE WALSH saiu da banda e partiu para carreira solo. Criou um sucedâneo pesado, porém mais sofisticado, o “BARNSTORM”, com o baterista “JOE VITALE” e o baixista “KENNY PASSARELLLI”, dois músicos posteriormente ligados à turma da Califórnia, “STEPHEN STILLS” e “NEIL YOUNG”, principalmente.
Gravaram três álbuns já tangenciando a transição do PSICODÉLICO para o PROGRESSIVO, mas com viés para um tipo de “BLUES- COUNTRY – ROCK, atualizado. O mais famoso é “THE SMOKER YOU DRINK, TH PLAYER YOU GET, 1973, onde está o sucesso “ROCK MOUNTAIN WAY, standard inescapável da discografia dele.
Aqui na foto está “YOU CAN´T ARGUE WITH A SICK MIND”, já em nome dele mesmo, e gravado ao vivo. É já bem diferente do “JAMES GANG”. Há muita percussão, ritmo, alguma latinidade e a musicalidade típica do ROCK americano daqueles tempos.
Eu gosto, mas não tem o pique do LIVE inicial. E vai ficando paulatinamente claro que “JOE WALSH” confluiu para o “SOUTHERN ROCK” e se aproxima do COUNTRY e do FOLK, e da sonoridade em voga na linha de grupos como “MANASSAS” e “DOOBIE BROTHERS”.
JOE WALSH sempre foi um guitarrista diferenciado e talentoso. Mas tem voz limitada e algo esganiçada; e o timbre um tanto para o “PATO DONALD”, o que o cerceava como líder.
Em 1976, passou a fazer parte do “EAGLES”, supergrupo de excelência vocal, onde vários cantam, e a voz diferente de WALSH integrou-se com personalidade. O efeito foi semelhante ao da entrada de “NEIL YOUNG”, para complementar o “CROSBY, STILLS & NASH”. JOE WALSH controlou o ímpeto e ficou mais POP e, daí, caminhou definitivamente para a fama.
JOE FIDLER continua ativo com seu jeito escrachado e meio hippie. Eu já o assisti nos vídeos do CROSSROADS FESTIVAL GUITAR, produzido por “ERIC CLAPTON”, na América.
TIO SÉRGIO e muita gente continuam gostando dele
POSTAGEM ORIGINAL: 12\05\2026
Pode ser uma imagem de texto

“A NEW JAZZ LANGUAGE” – NJL – 1994 -COLEÇÃO DE CDS RAROS DE ARTISTAS CONSAGRADOS

Esta SÉRIE traz artistas do “JAZZ MODERNO”, “CONTEMPORÂNEO”, e, inclusive ,”FUSION”.
EM 1994, houve momentos em que o câmbio andava negativo, por aqui. Pagávamos preços reais em dólar, e não percebíamos… O evento foi uma das consequências do PLANO REAL.
COMPACT DISCS, CDs, eram o ponto máximo da TECNOLOGIA em REPRODUÇÃO MUSICAL, e as vendas explodiram aqui e no mundo. A demanda era excessiva, e os preços “SIDERAVAM” nas lojas. A INDÚSTRIA da MÚSICA FATUROU MUITO!
No BRASIL, importou-se muitos CDS. E, ao mesmo tempo, eclodiu diversos tipos de PIRATARIAS. Muitas bastante requintadas, e até hoje COLECIONÁVEIS. TIO SÉRGIO manteve algumas imperdíveis!
A presente COLEÇÃO foi produzida na INGLATERRA. São GRAVAÇÕES ao VIVO, e de ESTUDIO, tambbém. Os “ESTOJOS” que abrigam os CDS são de LATA; e, claro, tendem a ENFERRUJAR. O DESIGN é ótimo, e muito ATRAENTE. É um diferencial notável na DISCOTECA!
Foram lançados DEZ VOLUMES, com TRÊS CDs, CADA. Porém, eu nunca mais encontrei quaisquer deles! A QUALIDADE do SOM é até boa. Com os recursos disponíveis hoje, certamente comportariam, suportariam, REMIXAGEM e REMASTERIZAÇÃO.
TIO SÉRGIO mantêm TRÊS desses BOXES:
1) “BLACK AND WHITE”, Gente consagrada no PIANO: “EARL FATHA HINES”, “McCOY TYNER” E “CHICK COREA”. Resumindo, um pianista “CLÁSSICO” do JAZZ; outro CONTEMPORÂNEO beirando o EXPERIMENTAL. O terceiro é FUSION, e dispensa maiores apresentações…. A “CAPA DE LATA” é muito EXPRESSIVA – um TECLADO ESTILIZADO.
2) Outro BOX é “SHINING LIGHTS”. Traz SAXOFONISTAS; todos CRAQUES! Mais ou menos segue a proposta do anterior: “STAN GETZ”, é REFERÊNCIA no JAZZ MODERNO; “DEXTER GORDON”, é ESTILOSO, original, e conhecido por sua “EMISSÃO” mais ALTERNATIVA – algo “ROUCA”. Já “SONNY ROLLINS” fica entre o MODERNO e o CONTEMPORÂNEO. A foto de capa RECRIA as PALHETAS DO INSTRUMENTO. E, tal qual as outras, é MUITO CRIATIVA!
3) EM “BLOWING HOT AND COOL” habitam os TROPETISTAS: Há uma das sumidades do JAZZ MODERNO, “DIZZY GILLESPIE”. “FREDDIE HUBBARD”, é destaque em várias linhas do MODERNO para diante. E o representante do JAZZ CONTEMPORÂNEO é “WYNTON MARSALIS”, próximo às VANGUARDAS. A composição da capa também é macante: PONTOS NEGROS representam as VÁLVULAS do instrumento. É OBJETO muito INTERESSANTE!
Procurei a SÉRIE na INTERNET para refinar informações, etc… E nada encontrei. Desconfio que seja PIRATARIA SOFISTICADA.
Mas por que, TIO SÉRGIO?
Porque vários CDS são GRAVAÇÕES “RECUPERADAS”, e de origem não identificada… HUMMMM!!!!
Há coisas feitas em ESTÚDIO. Outras, foram captadas em SHOWS – performances possivelmente extraídas direto das MESAS de GRAVAÇÃO, nos CONCERTOS. Quase todas interessantes – talvez RARAS! E, curiosamente, têm as CARACTERÍSTICAS ARTÍSTICAS dos ANOS 1980!
Provocam impressões instigantes. Quando ouvimos, nos defrontamos com TIMBRES DIFÍCEIS DE SEREM REPRODUZIDOS, principalmente os AGUDOS. A maioria das gravações foi BEM CAPTADA E GRAVADA.
No entanto, não têm QUALIDADE SUFICIENTE para lançamento comercial. Falta melhor produção e acabamento – aquele toque final, o “VERNIZ” que os distinguem do “LOW-FI”.
São discos divertidos. Raramente se ouve um “DIZZY GILLESPIE” tão FUNKY! E “CHICK COREA”, talvez com GARY BURTON e BANDA, é FUSION IMPERDÍVEL! O mesmo se pode concluir do “POST-BOP – ALGO VANGUARDA – MEZZO FUSION POP” de “FREDDIE HUBBARD”. ( UAU!!! que DEFINIÇÃO CAPRICHADA expeliu “O TIO SÉRGIO”, HEIM!”)
Os “TEXTOS SÃO “DESINFORMATIVOS”. Entre o ÓBVIO e a ENROLAÇÃO tipo “SE SUMIU NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU”. O AUTOR, um certo NICK BROWN, é tão identificável como chamar JOÃO DA SILVA, no BRASIL, e não ter CPF….
Pra terminar, não esqueçam de que nas décadas de 1970/1980 boa parte da ELITE dos músicos de JAZZ estava catando latas, e fazendo SHOWZINHOS para sobreviver.
Ainda assim, se alguém encontrar, por aí, a preço barato algum desses BOXES; deve e pode comprar – ahhh, e me avise! A COLEÇÃO compensa pela RIQUEZA ARTÍSTICA, e o clima musical de época. e ainda não foram reavaliados, revalorizados.

Mas são objetos colecionáveis, e VERY COOL!

POSTAGEM ORIGINAL: 05\05\2020
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COLIN BLUNSTONE – ONE YEAR – COLUMBIA, 1971 – 50 ANOS DE UM “CLÁSSICO-CULT EM ASCENÇÃO”

COLIN BLUNSTONE é um cara tímido que entrou para o mundo da música meio por acaso, e foi ser vocalista de banda.
Mas deu alguma sorte: os ZOMBIES estouraram mundialmente, em 1964, com um MEGA HIT que trouxe peculiaridade ao BEAT INGLÊS: em SHE´S NOT THERE há um solo de teclado bem jazzístico. Uns doze segundos que serviram de cartão de visitas para ROD ARGENT, músico profissional de verdade….
Pois, é; o SINGLE vendeu mais de um milhão de cópias, mundo afora! Porém, vida de músico é difícil. Os ZOMBIES gravaram um LP e outros SINGLES; a maioria foi mal. Participaram de shows, excursionaram, ganharam uns trocos. E finito.
No crepúsculo, em 1967, deixaram pronto um álbum conceitual de “PSYCH – BAROQUE ROCK”, o clássico inesperado ODISSEY & ORACLE. Procuraram seguir a onda que aparecera na sequência do BEAT, com o SGT PEPPERS, dos BEATLES; e DAYS OF FUTURE PASSED, dos MOODY BLUES.
Mas somente “ROD ARGENT”, tecladista, e o guitarrista “CHRIS WHITE”, os compositores na banda, recebiam alguma grana. Tinham direito a royalties. Por absoluta insustentabilidade financeira, os ZOMBIES romperam em fins de 1967.
E cada um foi cuidar da própria vida. COLIN BLUNSTONE aceitou o emprego de “recepcionista/atendente” em uma Companhia de Seguros. E contou : “eu topei o primeiro emprego que apareceu, em vez de passar fome.”
Vocês sabem para o que serve um PRODUTOR?
Bem, para muitas coisas artístico – práticas. No entanto, poucos, muito poucos mesmo, têm a visão do todo e das possibilidades, como “AL KOOPER’; músico e arranjador americano muito inspirado, mas cantor nada empolgante.
Para ampliar a história, “KOOPER” esteve com os “BLUES PROJECT” e havia gravado com “BOB DYLAN”. Inclusive o clássico seminal LIKE A ROLLING STONE. Em 1968, estava envolvido com BLOOD, SWEAT & TEARS e outros projetos na COLUMBIA RECORDS.
“AL KOOPER” passeava em LONDRES e, por algum descaminho, acabou conhecendo e comprando o ODISSEY & ORACLE. Adorou e compreendeu o tamanho da obra. Convenceu a EPIC RECORDS a bancar a edição do disco nos Estados Unidos, através de uma de suas subsidiárias, a DATE.
Para mais bem expor os talentos do cara, vamos lembrar que ele descobriu e produziu um dos maiores fenômenos do ROCK AMERICANO, a banda “LYNYRD SKYNYRD”. Entre outros e outros…
Pois, ótimo! O restante é a história da fama crescente de ODISSEY & ORACLE, álbum hoje entre os 50 maiores da música popular!
COLIN EDWARD MICHAEL BLUNSTONE, tem nome “british”, sonoro e formal. Disse que ouviu “TIME OF THE SEASON”, o “SINGLE” retirado de ODISSEY & ORACLE, quando trabalhava na seguradora.
E, a partir daí, o interesse na voz dele renasceu.
CHRIS WHITE e ROD ARGENT haviam fundado uma produtora e o convidaram para gravar alguns demos. Fizeram. e, daí, outros SINGLES…
Mas COLIN ultrapassou aqueles momentos, e detém enorme legitimidade descrita por frases de colegas admiradores – muitos de tendências musicais antagônicas.
NEIL TENNANT, considera “ONE YEAR”, o primeiro disco solo de BLUNSTONE, um incrível e romântico álbum POP”. Tudo bem! Ele se afina com a linha musical dos “PET SHOP BOYS”.
Mas que tal a opinião de “THURSTON MOORE”, guitarrista do “SONIC YOUTH”: “É um exemplo clássico do melhor BRITISH POP. Um disco muito sofisticado e pessoal”! Aí, pessoal, já é admiração pelo talento explícito mesmo!
Para confirmar a reputação, após gravar três LPS para a EPIC, ele foi convidado pela ROCKET RECORDS, propriedade de ELTON JOHN, onde fez mais três álbuns. Depois, foi trabalhar com ALLAN PARSONS, e gravou com bastante frequência.
E daí seguiu errática, mas ininterrupta carreira – e até hoje!
Sem dúvidas, COLIN BLUNSTONE tem voz única, frágil, de pouca extensão e marcante originalidade. Levemente metálica, talvez “sparkling”, como um champagne; e algo “enfumarada” – um sutil aproach a tabaco? Se consigo definir assim…
Na voz dele habita um quê de DUSTY SPRINGFIELD; um timbre tangenciando o feminino, como DEMIS ROUSSOS, do APHRODITE’S CHILD; ou JON ANDERSON, do YES…. Mas, ele é um tenor sem arroubos – controlado. E suas eventuais “alegrias incontidas” duram micro segundos.
Quem sabe?
“ONE YEAR, lançado em 1971, completou 50 anos e foi relançado com destaque. A obra vem subindo paulatinamente de STATUS junto aos colecionadores, e à turma que conhece música POP e ROCK PROGRESSIVO.
Para mais ou menos definir, é tido como sequência ( ou seria consequência? ) de ODISSEY & ORACLE. Um dos focos, é óbvio, está no excelente vocal de COLIN, também compositor de quatro faixas, e que se revelou talentoso para baladas e músicas românticas.
O disco foi produzido por CHRIS WHITE; gestado e gravado, em 1971, por outra derivação dos ZOMBIES, o ARGENT: ótimo grupo de ROCK PROGRESSIVO inglês, com RUSS BALLARD, na guitarra; BOB HENRITT, baterista; JIM RODFORD, no baixo. E ROD ARGENT, teclados e vocal, e também o arranjador da parte instrumental da banda para acompanhar COLIN BLUNSTONE. Foi dele a sugestão para usar cordas e alguns sopros.
Foi assim: ROD andava escutando os “quartetos” de BELA BARTÓK, e inspirou o diferencial marcante, e hoje definidor desse disco. Mas foram os arranjos para grupo de câmara feitos pelo compositor inglês de trilhas sonoras, CHRIS GUNNING, que deram o clima e o acabamento final da obra. Duas faixas foram produzidas por TONY VISCONTI, à época entretido com MARK BOLAN e DAVID BOWIE; e, mesmo sendo boas, estavam pouco encaixadas no todo. Ainda assim, o que conseguiram gravar foi aproveitado.
O projeto foi realizado com orçamento muito limitado, gravado quando dava, e no decorrer de um ano – por isso o nome “ONE YEAR”.
A produção de CHRIS WHITE conseguiu dar cara e coesão à obra. Ouça a versão de MISTY ROSES, de TIM HARDIN – naqueles tempos, um compositor de sucesso. É um “compósito-amálgama” altamente criativo entre a BOSSA NOVA “quasi” JOÃO GILBERTO, justaposta a uma pequena obra de câmara nitidamente evocando BELA BARTÓK, e que se estende até o final da faixa! O efeito é lindíssimo! Como, aliás, toda intervenção dos arranjos de GUNNING!
Alguns talvez considerem o resultado um pouco açucarado. Mas, os MOODY BLUES, ALLAN PARSONS e KATE BUSH também são. E todos entregam trabalhos de alto nível.
O disco teve relativo sucesso; e de lá foram retirados três excelentes SINGLES que venderam razoavelmente: “SAY YOU DON´T MIND”, “CAROLINE GOOD BYE” e “I DON´T BELIEVE IN MIRACLES”.
COLIN saiu em turnê, mesmo dificultado pela necessidade em levar a banda e mais um quarteto de cordas. E, também, atrapalhado pela timidez e problemas na voz, que se tornaram recorrentes por muito tempo.
A EPIC lançou mais dois LPS interessantes; e um tanto disformes, mas com momentos que lembram o primeiro álbum. Eu aconselho aos que tiverem interesse em ONE YEAR, que procurem um pequeno, bem gravado e barato box da série “ORIGINAL ALBUM CLASSICS”. Lá estão, também, ENNISMORE, 1972 e JOURNEY, 1974, tudo o que ele produziu nesta fase.
COLIN BLUNSTONE é talentosos e diferente! E vale a pena descobrir sua voz inesquecível.
POSTAGEM ORIGINAL: 02\05\2022
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