PAUL WINTER CONSORT – ICARUS – 1972. A PRODUÇÃO É DE GEORGE MARTIN!

Tempo atrás recebi outro CD do grupo OREGON, um blend bendito entre a FUSION e a “VANGUARDA JAZZY – WORLD MUSIC”.
Lendo alguma coisa a mais sobre eles descobri que quase todos haviam tocado com PAUL WINTER; um sax soprano que circundou e gravou muita coisa de BOSSA NOVA e MPB; e circulou WORLD MUSIC afora.
Dei de cara com esse disco na estante e nem me recordava se havia escutado! Peguei, abri e bingo! (pode ser eureka, também).
Estavam lá PAUL McCANDLESS, sopros; COLIN WALCOTT, percussão; e o guitarrista RALPH TOWNER: o núcleo do OREGON. E juntos com o baterista BARRY ALTSCHULL, o percussionista e baterista MILT HOLLAND; e DAVID DARLING, violoncelista sutil e melodioso. Todos no futuro cast da gravadora ECM.
Ahhh, BILLY COBHAN ( não vou dizer o que ele toca… ) também participa.
E quem produziu a obra? GEORGE MARTIN! Sim, ele mesmo! Fez um disco delicioso. Mas não sei ao certo onde começa o JAZZ FUSION leve, europeu, da linha ECM; ou, os flertes com o ROCK PROGRESSIVO meio SOFT MACHINE 3, ou do 5 em diante. Tudo vem mesclado em incursões ao WORLD JAZZ AFRO.
Talvez o termo NEW AGE seja em parte cabível. Indeed! É muito bonito e melodioso. Fiquei alegre e surpreso. Resumindo, é muito criativo e antecipatório de novas tendências. O disco é de 1972
Para completar talvez seja o CD com a edição mais antiga em minha coleção. Parece que prensado em 1984, pela subsidiária da CBS chamada LIVING MUSIC, o que explica a qualidade hoje precária do áudio.
Ouçam. É colecionável, algo raro e certamente precioso.
Especulem.
POSTAGEM ORIGINAL: 26\07\2020
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MIROSLAV VITOUS: EM TRÊS CDS NOTÁVEIS DA GRAVADORA E.C.M.

Que delícia, orgulho e vitória pessoal deve ser ligar para os amigos ou parceiros profissionais, artistas em nível de JAN GARBAREK, CHICK COREA, JOHN McLAUGHLIN e JACK DEJOHNETTE e convidá-los para gravar um disco!
Tá certo, MIROSLAV VITOUS toca contrabaixo. É um dos grandes do instrumento, e demonstra nos álbuns aqui postados.
Reunir um time em que todos estavam no auge criativo e técnico; gravar com a solidez e segurança da produção de MANFRED EICHER, um diferenciado que deixa espaços para que cada músico demonstrar o porquê de estar no disco; é proeza reverenciada por quem ama o melhor JAZZ!
UNIVERSAL SYNCOPATIONS, lançado em 2003, é perfeito indicativo de maturidade e conteúdo artístico. Cada músico intervém a seu tempo com liberdade, estilo, e capacidade técnica para transmitir a mensagem e arte pretendidas.
É música de Vanguarda. Exala harmonia e andamentos bem concatenados e melodias encantadoras. As performances individuais estão sempre ajustada perfeitamente ao “timing” coletivo. É álbum de unicidade explícita. Não há onanismo instrumental solitário e narcisista.
Então, TIO SÉRGIO trouxe de carona outros MIROSLAV VITOUS & GROUP, 1981; e E JOURNEY´S END, 1983. Ele é um artista extraordinário e sempre acompanhado por time de alto luxo e pertinência: JOHN SURMAN, soprano; JOHN TAYLOR e KENNY KIRKLAND, piano; e JON CHRISTENSEN, bateria. É interação de amor completa e completada traduzida em música.
Cumpram a sina e ouçam os discos – e, se possível, comprem os três. É impossível se arrepender!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2023
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SPANKY AND OUR GANG, e OUTROS MESTRES DO POP VOCAL AMERICANO

Cantar é atividade lúdica ancestral. Se alguém é muito pobre e gosta de música, qual é o recurso mais imediato e barato para começar?
A VOZ, é claro! O princípio, o fim e o meio!
Os negros americanos se reuniam nas esquinas de bairros pobres para cantar, inventar harmonias, etc… E a técnica vocal deles de desenvolveu de tal maneira na década de 1940/1950, que se distinguiu do RHYTHM’N’ BLUES para se tornar sub – gênero autônomo:
O “DOO – WOP”, coleção de onomatopeias cantadas para dar ritmo e andamento ao vocal principal; eram utilizadas, também, na ausência de alguma palavra que fizesse sentido no contexto da letra. Mal comparando, seria coisa tipo Olê-Olá; Lá, lá, lá; e tantas encontradas em nossa música popular. E, certamente, na de outros povos.
TIO SÉRGIO trouxe um exemplo claríssimo. É o volume14 da série STREET CORNER SYMPHONIES, lançada pela BEAR FAMILY RECORDS, em 2013, coligindo grupos como SHIRELLES, CONTOURS, FOUR SEASONS, IMPRESSIONS, e outros vários. Brancos e Pretos fazem DOO-WOP nessas canções de sucesso, em 1962.
Mas o foco da postagem é outro:
Uma seleção muito boa da SPANKY AND OUR GANG. Quatro álbuns de 1967/1968, em dois CDS. E agora lançado pela inglesa B.G.O. RECORDS. O grupo foi algo famoso, onde o destaque é a cantora FOLK/POP/ETC… ELAINE McFARLANE, a SPANKY. Uma gorduchinha de voz potente, extensa e clara, capaz de cantar “de tudo”! Nos discos, ela e banda desfilam HITS do chamado SUNSHINE POP como “LAZY DAY”, “SUNDAY WILL NEVER BE THE SAME”, “LIKE TO GET TO KNOW YOU”, bem conhecidos na década de 1960, e beyond…
Quem ouvir a SPANKY AND OUR GANG vai recordar, de cara, “THE MAMAS & THE PAPAS” – o grupo americano mais famoso do SUNSHINE POP. Não foi por acaso que SPANKY anos depois substituiu MAMA CASS, no quarteto.
TIO SÉRGIO teve o prazer de assisti-los em SAMPA, com ela e o “One Hit Wonder” , SCOTT McKENZIE ( San Francisco ), integrando a banda com JOHN PHILLIPS e a sua filha, McKENZIE PHILLIPS – que também é atriz.
Claro, o foco na destreza vocal nos conduz a dois grandes mais próximo ao estilo da S.A.O.G – Epa! deu acrônimo!: os BEACH BOYS e THE ASSOCIATION. Por isso, vale recordar mais um ilustre desconhecido na foto: CURT BOETTCHER. Superdotado que trabalhou essas duas bandas em arranjos, principalmente vocais.
No entanto, a SPANKY AND OUR GANG fugiu bastante do FLOWER POWER, mercado muito concorrido e congestionado. O repertório deles traz exemplos de ecletismo. Há clássicos da GRANDE CANÇÃO AMERICANA, do FOLK não psicodélico, algum BLUES, e até versão de SUZANNE , de LEONARD COHEN. Há, também, boas composições de autores menos conhecidos.
O que dá unidade aos discos é a beleza melódica, e o excelente trabalho vocal, principalmente de ELAINE. Por esse aspecto, é possível aproximar a banda ao MANHATTAN TRANSFER, grupo vocal de excelência que iniciou carreira, em 1969. Foram craques nesse vasto híbrido que vai do JAZZ ao POP, instilado por BLUES, ROCK, R&B, e até BOSSA NOVA e MPB de primeira linha!
E para confirmar os arranjos vocais de alto nível, estão aqui FRANK VALLI e THE FOUR SEASONS, ídolos do POP VOCAL. E LAMBERT, HENDRICKS & ROSS, trio espetacular concentrado no JAZZ e na GRANDE CANÇÃO AMERICANA. Eles foram os criadores do “VOCALISE JAZZ”. E JON HENDRICKS colaborou com TOM JOBIM em SHOWS e inclusive traduzindo algumas letras para o Inglês.
Mas, TIO SÉRGIO, e este BOX aí dos BEACH BOYS, THE PET SOUNDS SESSIONS, que tal?
Suponho que seja bom! Um amigo comprou, manteve os CDS e o LIVRETO. Disse que não tinha espaço para o BOX, e o vendeu para mim!!!
Inacreditável!
POSTAGEM ORIGINAL: 26\07\2025
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GENESIS – ROCK PROGRESSIVO: A PRIMEIRA FASE 1969/1974

PETER GABRIEL,TONY BANKS, MICHAEL RUTHERFORD E ANTHONY PHILLIPS estudaram no final dos anos 1960, na “Chaterhouse Public School”, escola inglesa de alto nível, onde os alunos eram tidos como algo esnobes e diferenciados.
Ao contrário da imensa maioria da turma do ROCK, eles não vieram da classe trabalhadora. Os quatro fundaram o GENESIS com a intenção de compor canções e não apenas tocar ou mostrar destreza nos instrumentos. O foco era quase literário.
O primeiro álbum, “FROM GENESIS TO REVELATION”, lançado em 1969, lembra muito o “ODISSEY & ORACLE”, dos ZOMBIES, clássico de 1968; e as gravações dos MOODY BLUES na fase próxima a “DAYS of FUTURE PASSED”, 1967/1968.
São melodias muito bonitas mas não definíveis a qual estilo pertenceriam. É álbum carente de produção elaborada; mas apontando direções nítidas. Os fãs e os próprios integrantes do GENESIS simplesmente abominam o disco!
TIO SÉRGIO gosta!
A banda Fechou com a CHARISMA RECORD e nesta fase mantiveram linha sonora não muito diferente de um disco para outro. As letras geralmente são longas e cheias de “sub-histórias”. Imagino que impusessem aos produtores o que desejavam fazer. Sabiam o que pretendiam…
É claro, se o som não fosse interessante e contemporâneo ao de sua geração e concorrentes, eles certamente não teriam conseguido o sucesso que obtiveram.
Se observarmos o cenário, eles estão mais próximos dos MOODY BLUES que do YES – a referência usual para compara-los. Menos magia e pirotecnia instrumental, e mais integração entre os componentes e a estrutura do grupo.
Os centros de atenção da banda, na fase PROGRESSIVA, sempre foram os teclados exatos de TONY BANKS, e o vocal e figura cênica espetaculares de PETER GABRIEL.
Os músicos restantes, adequados e competentes, compunham grupo sólido e coeso que deu sustentação a um projeto bastante bem formulado.
Para testar a hipótese ouçam GENESIS LIVE, de 1973. É o disco que fecha o ciclo dos claramente progressivos. Eles fizeram ao vivo com arranjos quase copiados das gravações de estúdio.
“TREPASS”, lançado em1970, é o meu Genesis predileto e o último com o guitarrista ANTHONY PHILLIPS. Depois, com STEVE HACKETT na guitarra e PHIL COLLINS na bateria, fizeram “NURSERY CRIME”, 1971 e “FOX TROT”, em 1972. O disco seguinte, “SELLING ENGLAND BY THE POUND” lançado em 1973, confirmou o GENESIS estrela em ascensão. Para muitos, é o melhor álbum que fizeram. E consolidou a transição para um grande sucesso de público.
Observem o ano de 1973, um marco na história do ROCK, com três e tendências disputando a atenção do público:
O PINK FLOYD lançou “DARK SIDE OF THE MOON”. Em tempos em que o HARD ROCK sofisticado do DEEP PURPLE e do LED ZEPPELIN; e o HEAVY METAL do BLACK SABBATH estavam no auge.
Emergiu, também, o GLITTER ROCK destacando o sucesso POP de DAVID BOWIE, MARK BOLAN e o T.REX, do “evolucionário” e criativo ROXY MUSIC, e outros muitos.
E houve tantas intercorrências, consequências e opções a ponto de qualquer artista que lançasse discos, daí para frente, ter de compreender o novo e rico cenário.
Se o PINK FLOYD bombava renovando o PROGRESSIVO, o que fez o GENESIS, em 1974?
O sétimo disco da carreira:
” THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY “, álbum duplo obscuramente conceitual. A maioria das músicas são mais curtas, e as letras mais longas; resultando em inequívoco ROCK PROGRESSIVO – no entanto, mais contido… É álbum bem produzido, enxuto e organizado. Foi o derradeiro com PETER GABRIEL no vocal. E TONY BANKS está menos dominante e mais integrado, ainda, à banda.
Há um elemento fundamental e desconcertante: BRIAN ENO com seu aparato AVANT-GARDE e a influência recebida estudando compositores como TERRY RILLEY e PHILLIP GLASS – gente ultra CONTEMPORÂNEA e artíficies da música do futuro.
BRIAN criou efeitos precisos em algumas faixas esparsas, que diferenciaram o álbum do que o YES, MOODY BLUES, PINK FLOYD e outros vinham fazendo. Ele ter participado com o GENESIS firmou o diferencial.
ENO havia brigado com BRIAN FERRY e deixado o ROXY MUSIC anos antes. Vinha de carreira solo; e também feito parcerias e gravado com ROBERT FRIPP, JOHN CALE, e alternativos PROG daqueles momentos… Por esta vereda, BRIAN ENO forjou a ponte entre o GLAM ROCK e o ART ROCK – opção certeira e historicamente importante!
Em seguida, ENO envolveu-se com o KRAUT ROCK, ajudou a criar a famosa TRILOGIA BERLIM com DAVID BOWIE; e tornou-se capítulo importante da música de vanguarda.
O GENESIS migrou, paulatinamente, para um híbrido POP diferenciado que pode ser considerado ART ROCK. E que se tornou o período de maior sucesso comercial da banda – e da projeção esfuziante da carreira de PHIL COLLINS.
Resumindo o imperfeito: viver e navegar não são precisos! Mas curtir o GENESIS e os artistas aqui citados é necessário, agradável, e muito estimulante!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2020
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ENYA PATRICIA BRENNAN, ELA! FINALMENTE COM VOCÊS!

TIO SÉRGIO não é crítico ou resenhista de artistas ou discos mortos. Não faço necropsias. Não sou “legista cultural”.
Entendo a música e artes em geral como objetos de pensamento em dinâmica perpétua. Procuro sensibilidades relevantes. E, no máximo, ressuscito hipotéticos mortos e trago até a UTI do tempo presente. Procuro conseguir que tenham “alta” e voltem para as ruas da memória cultural para embates e debates.
ENYA PATRICIA é personagem e artista relevante. É a segunda maior vendedora de discos em todos os tempos, entre os artistas irlandeses. Mais de 80 milhões! As vendas de VAN MORRISON, THIN LIZZY e RORY GALLAGHER juntos, não chegam perto dela! ENYA só perde para o U2!
A moça tem fortuna estimada em $140 milhões de dólares e mora na IRLANDA isolada em um castelo. Fez apenas 9 discos solo, três coletâneas, e vários singles e remixes, em mais de 35 anos de carreira. É onipresente na WEB, com as músicas STREAMING. Há várias mixagens e outras combinações que a deixam em perene evidência.
Ela ganhou, também, vários GRAMMYS como cantora NEW AGE, estilo facilmente constatável escutando sua produção. E Isso tudo sem “jamais” ter feito uma turnê. e se apresentou ao vivo em raras e honrosas exceções:
Cantou única música em concerto de Natal, no Vaticano, em 1995. ENYA é católica; e foi convidada pelo papa JOÃO PAULO II. “Cantou” , também, uma ou duas com playback em cerimônia do Oscar, em 2002. E deu sua graça no aniversário do rei da Suécia – um “enyófilo” vigoroso!
Em 1996, os japoneses ofereceram 500 mil libras por um concerto!!!! Só um! Ela recusou. Dizem que já planejaram mega apresentação, com orquestra e banda, que seria transmitida ao vivo mundialmente! Mas não rolou!
Talvez ela seja tímida, ou sem o desembaraço para enfrentar palcos. O mais provável, é ter concluído que sua música é artefato de estúdio – o que lhe garante distância física do público e qualidade técnica para manter o mito criado em torno de si.
ENYA conseguiu o mais difícil: libertar-se da sacrificante vida nas turnês, e viver do que faz em estúdios – desejo de muita, mas muita gente mesmo! Ela trabalha e produz barato: canta todas as vozes e toca os instrumentos, com exceção de percussão e sopro. Com NICK RYAN, seu produtor e arranjador; e ROMA RYAN, sua parceira e letrista dão conta de tudo. Estão juntos desde o primeiro disco, lançado em1987. Bastam-se lucrativamente.
ENYA é mais impressiva do que bela; tem o jeito de quem saiu do filme “O SENHOR DOS ANÉIS” para refugiar-se em campos e castelos recônditos na Grã Bretanha e vizinhanças. É criatura contidamente SOLAR, dentro do limite que se pode ser luminoso naquelas paragens frias, chuvosas – ensimesmadas.
Para entender parte do mito que a cerca, é preciso considerar que silêncio e mistério são apetrechos de marketing eficazes. Pensem em MARISA MONTE.
E vejam KATE BUSH, silenciosa, insondável e reclusa; e também operando nos limites do FOLK com o ROCK PROGRESSIVO e a MÚSICA EXPERIMENTAL. O anúncio de quaisquer discos de ENYA torna-se evento memorável. Vendem na hora.
Mas por favor, não confundam as duas: KATE BUSH é um gênio musical complexo. Vocal intenso e lindíssimo; é “soprano lírica” de timbre que pode variar do agudo ao grave. Suas composições têm arranjos instrumentais de primeira linha; e letras elaboradas em alto nível. KATE é estrela distinta em espaço único, há décadas!
ENYA é mezzo – soprano, tem voz agradável, melíflua mas previsível. Encontrou mercado enorme em plateia ávida pelo esotérico, o misticismo e os mistérios e religiosidades múltiplas e indefinidas, típicas da modernidade.
ENYA está em cada esquina do mundo onde haja classe média: nos pequenos templos, nas lojas de incenso e velas, nas leituras de tarô, na imensa literatura da “gurulândia”; ofertas de autoajuda e conforto espiritual requisitados por esses tempos confusos. É a trilha sonora dos etéreos existenciais.
Seus arranjos instrumentais são mais simples. Simplistas, na maioria das vezes. ENYA é tecladista óbvia; e compositora talentosa de música e instrumentação “climática e viajante”, que emoldura o “multivocal” – este sim tecnicamente refinado, bem produzido e arranjado por NICK RYAN.
As músicas compostas por ela são realçadas por letras feitas por ROMA RYAN, poetisa e sua parceira, que escreve bem, diga-se. São baseadas no folclore ou mitologias e, claro, compõe sobre temas existenciais como solidão, viagem, perdas pessoais, amor e sensibilidades variadas.
O resultado é poética acessível, “feminina” e eficaz. Há um certo sentimentalismo melancólico, que permeia todos os discos, e finca profundamente a impressão de que certas canções são quase orações, ou rituais religiosos. É o nítido o lado NEW AGE, que o trio assume sem pudor. E sabe como fazer.
Fiz maratona ouvindo ENYA PATRÍCIA para mais bem ressuscitá-la em mim, entendê-la “hoje”. Escuta-la é bastante agradável. Mas deve-se dar desconto ao excesso de açúcar, talvez mortal para “diabéticos musicais”, como eu – e certamente muitos por aqui…
A primeira vez que a escutei foi em 1988/89 no Long Play WATERMARK, que mantenho na discoteca. É o mais bem trabalhado, sofisticado e criativo feito por ENYA e parceiros. É dinâmico, variado, POP PROGRESSIVO misturando elementos do WORLD MUSIC. É música eletrônica com sintetizadores e toda a parafernália que passou a viger – hummm!!! – a partir dos anos 1980.
A instrumentação é climática e expressionista. É muito bem cantado em gaélico, inglês e latim, e com dois hits arrasadores dançáveis e viajantes: ORINOCO FLOW e STORM IN AFRICA.
Há também a triste, “gregoriana” e exuberante “CURSUM PERFICIO” (traduzindo: Minha jornada termina aqui ), cantada em latim. A letra estava impressa sobre um ladrilho da última casa em que MARYLIN MONROE morou. Augúrio de morte; finitude.
A inspiração de ENYA vem do FOLK irlandês, celta, inglês, escocês. É mundo imenso de músicas, músicos, estilos e regionalismos, abarcando as ilhas britânicas e se espalhando até os Estados Unidos e os imigrantes que, para lá, foram. Movimenta grana imensa na indústria discográfica e cultural!
Há quantidade imensurável de artistas e discos produzidos; incontáveis fusões e imbricações, que vão da tradição ao FOLK- BLUES, ao FOLK – JAZZ, ao FOLK – PSICODÉLICO, abrindo para o ROCK PROGRESSIVO e o pós PUNK. É ambiente cultural riquíssimo.
Postei, também, a coletânea do CLANNAD, a “banda” da família”, por onde ENYA passou por uns tempos, no início dos anos 1980. Eles fazem um FOLK – POP comercial e bem feito. Está no disco música famosa, “IN A LIFETIME”, sucesso em 1986, que o grupo gravou junto com BONO do U2,
Ouvi todos os discos por ENYA gravados, inclusive via SPOTFY. Ela os lança com distância média de 7 anos entre um e outro. São o que se esperaria de ENYA: bem desenhados, profissionais, bem produzidos, musicalmente simplificados, bem cantados e… açucarados. Ahhh! eu acho conceitualmente repetitivos. Como sempre, faixas com ela ao piano – uma instrumentista pouco inspirada. Mas é NEW AGE na veia, e sem escalas.
A discografia de ENYA não é a minha praia. Mesmo assim, deixo ressuscitado o WATERMARK. Acreditem: vale a pena; é um grande disco!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2021
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HEAVENLY VOICES, DREAM POP, NEW AGE – O ELETRÔNICO DE VANGUARDA MELODIOSO

No início dos 1990, o POP se renovava. Uma erupção ruidosa efervescia em direções diversas e para gostos variados. Abrangia da NEW AGE à WORLD MUSIC em “CROSSOVERS” antes impensáveis entre as variadas e ricas possibilidades da MÚSICA ELETRÔNICA.
Aqui está o lado mais leve do DARK ROCK, dos GÓTICOS inclusive, e também conhecido por ETHEREAL MUSIC.
É música de base ELETRÔNICA feita por duplas e grupos com vocais femininos, sonoridades sensíveis e algo estranhas. Mas se perderam na cachoeira do tempo do ROCK…
Hoje, a tendência é conhecida por “DREAM POP”. O TIO SÉRGIO e o Gerson Périco gostam muito! E vários de vocês gostarão, também.
Então, posto coletâneas exemplares abduzidas e guardadas no belíssimo BOX ao lado batizado por nome reluzente: “HEAVENLY VOICES”. É um artefato lançado pela ROUGH TRADE, em 1993. E originalmente concebido apenas para duas delas. E lá estão ilustres “não conhecidos” como “Love is Colder than Death”, In the Nursery”, “Black Tape for a Blue Girl”, Kirllian Camera”, Chandeen, Stoa, e diversos da mesma estirpe.
Na gênese, o projeto “HEAVENLY VOICES” é coisa de alemão. “Luxo espartano mas reluzente”, graficamente bem feito, gravações corretas e expressivas coligidas entre pérolas de gravadoras especialíssimas como a PROJEKT e a HYPERIUM.
Para o caldo entornar de vez juntei, na caixa, outras miscelâneas como BENEATH ICY FLOE, centrada na PROJEKT RECORDS, e lançada em dois volumes. E THE HYPERIUM COMPILATION, também com dois CDS;
Há mais duas coletâneas nacionais condensando repertório e artistas já mencionados, e outros semelhantes: “MUSICA CELESTIA SAMPLER”, VOL 1 e 2, lançadas pela GRAVADORA ELDORADO, e organizadas por ALEXANDRE TWIN e ENEAS NETO, da “CRI DU CHAT DISQUES. Os dois são pioneiros na cena de MÚSICA ELETRÔNICA de São Paulo, e profundos conhecedores da tendência.
É música e sonoridade para quem curte “BRIAN ENO”, “COCTEAU TWINS” e gosta de “ENYA” e “LOREENA McKENNIT”. Claro, e da “KATE BUSH”, também! E quando se viaja em direção ao passado, vislumbra – se o RENAISSANCE e ANNIE HASLAN; e o CURVED AIR – o reino da “darkérrima” SONJA CHRISTINA LINWOOD! Já nas fronteiras do “KRAUTROCK”, emergem vizinhanças e adjacências imprescindíveis.
No entanto, houve guerra UNDERGROUND em disputa por territórios. E muitos foram anexados pela DANCE MUSIC ELETRÔNICA, D.J.s e RAVES de todo tipo. A vitória do TECHNO et CATERVA… é notória. São os Inspiradores da MÚSICA ELETRÔNICA de hoje.
“Os VENCIDOS”, todavia, fincaram bases de seus guerreiros nas fronteiras. E uma espécie de ARMISTÍCIO já dura mais de trinta anos… E até um dia, até talvez; e até quem sabe.
Procure conhecer. É música bonita, diferente, agradável e colecionável.
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2019
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O PIANO E SUAS VANGUARDAS EM DOIS CONCEITOS

Se você quiser construir uma casa é bom pensar o projeto desde o início.
Supondo-se que já exista o terreno e uma certa grana disponível, a próxima atitude é “ESBOÇAR” o que se pretende. Ter ideia básica de tamanho e funcionalidades.Em seguida, contrate um arquiteto para refinar o projeto e torná-lo o mais exato possível à sua necessidade, intenção e conceito de beleza. Assim, “o espírito da sua vontade” toma a sua primeira materialidade formal.
Mas antes de pôr mãos à obra há um terceiro passo imprescindível: a elaboração de um PROJETO EXECUTIVO onde tudo estará definido: os roteiros, etapas, prazos, custos, etc…
Agora, observe as semelhanças com a COMPOSIÇÃO MUSICAL ESCRITA. Principalmente na MÚSICA CLÁSSICA, por aqui conhecida como ERUDITA:
O COMPOSITOR tem uma ideia, desenvolve e sugere a melodia. Em seguida, vai escrevendo a PARTITURA onde constam o ritmo, o andamento, harmonias… E estabelece no curso desta CONSTRUÇÃO outros elementos constituintes que procuram expressar o que ele esboçou.
A PARTITURA É O PROJETO EXECUTIVO DA MÚSICA!
O local onde as orientações para a execução da obra estarão definidas. É o parâmetro para a SENSIBILIDADE de cada músico e a correta regência do maestro realizarem a intenção do COMPOSITOR.
Se na MÚSICA ESCRITA é possível orientar para que não se improvise, na vida nem sempre é possível, necessário, ou até desejável que isto ocorra. O acaso e a criatividade contam e podem ser perfeitos e pertinentes.
Dia qualquer comprei CDS na lojinha do SESC de São Paulo. Um deles deixou-me fascinado! “PIANO PRESENTE”, 2013, da exímia pianista, pesquisadora e professora JOANA HOLANDA. É obra de ousadia exata e planejada.
O PIANO é a maior invenção musical da humanidade, leio na apresentação do álbum. É instrumento de incontáveis recursos. Nele é possível “reproduzir tudo”; o que o torna ideal para criar composições, ajustar ideias e até conceber iconoclastias variadas.
O PIANO É UMA ORQUESTRA EM SI MESMO.
JOANA neste seu único disco – pelo que sei – grava composições de NOVE autores da vanguarda musical “CONTEMPORÂNEA” brasileira (vá lá, talvez acrescentar o ERUDITA, como se prefere no Brasil) abrindo mentes e possibilidades para um gênero difícil, pouco divulgado e necessariamente elitista – ao menos num primeiro momento….
JOANA HOLANDA expõe o trabalho deles como foram escritos, e nos faz perceber as dificuldades técnicas impostas por cada uma das obras escolhidas. Os COMPOSITORES são todos professores universitários de música, renomados em suas respectivas cátedras, e atuantes em sala de aula e recitais.
É instigante perceber em cada uma das obras linhas que as compõe; os impasses em que chegam e as soluções encontradas. Foram todas pensadas para fugir de algum desfecho óbvio, vez por outra parecendo inevitáveis.
Um dos papéis da ESCRITA MUSICAL é controlar os impasses, exibir soluções; portanto, procurar não perder o artístico que sempre se reivindica. E, claro, ajudar a encontrar o diferente mesmo quando “NÃO NOVO” – se me expressei de maneira inteligível.
Quanto à intérprete, é pianista estudiosa, competente e dedicada à música brasileira ERUDITA DE VANGUARDA CONTEMPORÂNEA. JOANA literalmente estuda e dedilha o instrumento buscando expressar o inédito com seus detalhes e armadilhas. Embate muito difícil!
É como recriar e não apenas armar um quebra-cabeças. Ela vai encaixando as peças adequadamente com fluidez, ritmo e, muito importante, naturalidade. É preciso ser craque para transmutar o lido e pensado na PARTITURA em espontaneidade artisticamente reconhecivel.
JOANA HOLANDA pertence ao universo de outras duas professoras brasileiras fundamentais: JOCY de OLIVEIRA a pioneira, no BRASIL, da música ELETROACÚSTICA. E MARISA REZENDE, pianista e compositora de “MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA”, com extensa obra escrita e gravada e, também, representada nesse disco.
Realizar esse trabalho imenso requer apoio. Compor e dedicar-se à MÚSICA DE VANGUARDA, ou a qualquer arte de ponta, é atividade com riscos de mercado evidentes. E só pode ser realizada se houver incentivos e subvenções oficiais de INSTITUIÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS como o SESC. Ou de a gatos pardos dedicados ao mecenato – mais raros ainda….
É arte necessariamente permeada pelo mérito. Mas é preciso descobrir os talentosos ou esforçados nas escolas e ambientes propícios. Portanto, é imprescindível incentivar, desenvolver e financiar posturas de iconoclastia consciente para atingir outro nível de criatividade. Resumindo, criar arte do futuro exige um sentido de cidadania que no BRASIL está em falta.
E este “papo de urubus” nos leva à hipótese de que A MÚSICA CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA seja a antítese da IMPROVISAÇÃO JAZZÍSTICA. Ambas são plenas de criatividade. Porém, a atitude frente ao piano é o fundamental.
JOANA HOLANDA claramente não é e nem pretende ser KEITH JARRETT, CHICK COREA ou HERBIE HANCOCK. Mas na coletânea PIANO 1 estão outros pianistas também chegados ao JAZZ FUSION e de criatividade variada:
Temos o consagrado RYUICHI SAKAMOTO, que trabalhou de TOM JOBIM a DAVID SYLVIAN, passando por outros mundos. EDDIE JOBSON, musicista fantástico, e bem conhecido pela turma do ROCK como violinista que esteve com o CURVED AIR e o ROXY MUSIC. E JOACHIM KUHN, craque alemão com vários discos gravados para ECM. E aqui fazendo versão criativa da “internacional-brega” “FEELINGS”. Acredite, a versão dele ficou bem legal!
Então, vamos apreciar a Professora JOANA HOLANDA e seus múltiplos conhecimentos. TIO SÉRGIO garante que ninguém vai se arrepender!
POSTAGEM ORIGINAL: 22\07\2022
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COLECIONADORES, CÃES E GATOS: INSTINTOS – RARIDADES E OUTRAS HISTÓRIAS

Três animais de instinto aguçado: sentem o cheiro e vão atrás das caças. Ouvi de uma veterinária que o gato deixa tudo e persegue por quilômetros, dias, cheiro qualquer que o interessou! Os cães farejam, encontram e apontam o alvo.
Colecionadores fazem mais ou menos a mesma coisa: correm obsessivamente por décadas atrás de uma ideia, de um som, um livro, um sei lá o quê… No meu caso, sismo com determinada música às vezes ouvida há trinta, quarenta, cinquenta anos atrás!
Os discos da postagem são eivados por canções memoráveis – ao menos para mim – e ilustram o texto. Escutei durante a vida incontáveis melodias e não esqueci. Eu não sabia quem eram os artistas, e nem onde estavam as gravações. Mas fui xeretar e tentar conseguir.
Desde criança, alguns desses fragmentos sonoros impregnam-me. Instalaram-se em minha cabeça; e tocam durante anos dentro do cérebro. São coisas, eu acho – melhor dizer eu tenho certeza! – que de certa maneira ouvi….
Antes da INTERNET era muito difícil encontrar os discos, origens. TIO SÉRGIO exercitava um jogo de memória e comparações para tentar concluir quem estaria cantando ou tocando. Farejava, ruminava cérebro adentro. E deu certo na maioria das vezes.
No final dos anos 1960, comprei por preço extorsivo três fitas
“FITAS K7”, gravadas por um sujeito cheio de grana e acesso a discos e “tapes”.
Sei lá como cheguei até o cara! Joaquim era um playboy curtidor da noite e possuía um amontoado de compactos e fitas importados. E os punha pra rolar em boates da moda – lugares onde jamais estive, e que depois se perderam na cachoeira dos tempos.
As músicas foram captadas – capturadas? – principalmente do HIT PARADE americano em momento determinado daqueles tempos. Coisas escondidas, escorregadas no PICK-UP de um D.J. anônimo em recanto qualquer da AMÉRICA. Mal atingiam a parada nacional do “HOSPÍCIO DO NORTE”. Pilhas de lixo e preciosidades convivendo lado-a-lado esquecidas, subestimadas, negligenciadas.
O acesso `aquilo tudo era difícil e, como sempre, impermanente, surpreendente, porque gravados em discos legais, mas que ninguém conhecia. A imensa maioria permaneceu no limbo.
Pois bem, comprei muito daquelas coisa posteriormente, e ao longo de décadas. Fui descolando aos poucos.
Dia incerto, anos atrás li matéria na “RECORD COLLECTOR” sobre um produtor da década de 1960, chamado “CURT BOETTCHER”. O jornalista que o entrevistou citou o hipotético nome de certa música, “MRS. BLUE BIRD”… Era uma das minhas memórias!
Pesquisei, encontrei o CD dos “ETERNITY´S CHILDREN”, lançado em 1968. É delicioso.
SUNSHINE POP para quem aprecia o “MAMAS & THE PAPAS”, “THE ASSOCIATION”, e a linha soft da PSICODELIA.
Aos poucos fui descobrindo música por música da fita. No álbum “A CHILD IS A FATHER TO THE MAN”, o primeirão do “BLOOD, SWEAT and TEARS”, 1968, está a encantadora “MORNING GLORY”, um show de interpretação e voz de STEVE KATZ. Encontrei outra mais ouvindo o “VANILLA FUDGE”: “SOME VELVET MORNING”, 1968.
E descolei por absoluto acaso pérola em um disco da banda “OHIO EXPRESS”: procurem ouvir “BEG, BORROW & STEAL”, 1968, um sensacional GARAGE ROCK! Assim como “I SEE THE LIGHT”, lado B de “A LITTLE BIT OF SOUL” , 1968, sucesso de outra banda de “BUBBLEGUM” algo “GARAGE-FAKE”, “THE MUSIC EXPLOSION”.
E assim, diversas várias foram surgindo feito espinhas na cara de adolescentes…
A turma que aprecia R&B precisa conhecer “THE GOODEES”, trio de mulheres brancas que fez um “PSICHEDELIC SOUL” matador chamado “CONDITION RED”, em 1969. É na mesma linha do excelente HIT menor “NATHAN JOHN”, gravado pelas “SUPREMES”. Toda essa turma habita minhas estantes.
Acho que faltaram umas três ou quatro músicas interessantes naquelas fitas que jamais identifiquei ou descolei. E, confesso, tenho “RETROGOSTO AUDITIVO” – humm!!! – de apenas uma que, também, não tenho pista do que seja. Era violentíssima, em 1968, até para coisas do BLUE CHEER!
E assim, cacei, comprei, troquei e aos poucos fui colecionando “NUGGETS” “BANDAS DE GARAGEM”. Muita música legal escondida na bruma do tempo faz parte do repertório de bandas “quase inexistentes” como “SOUTHWEST FOB”, “FORUM QUORUM”, “THE HOBBITS”, “NEW COLONY SIX”, “PEPPERMINT TROLLEY CO.” Ou CULTS quase famosos como “THE BEAU BRUMMELS”, “THE STANDELLS”, e centenas encontrados no cheiro, na raça e no chute em décadas de capinagens por sebos, livros, revistas, acasos e o vasto etc… que a vida desvela.
CODA
Dia qualquer, em uma das lojas de CD que tive, a CITY RECORDS, apareceu um cliente mais ou menos da minha idade e perguntou se eu identificaria certa música que açoitara o cérebro dele por décadas dele. Cantarolou. E eu matei de cara: “THE WORST THAT COULD HAPPEN”, com THE BROOKLIN BRIDGE, 1968. Importei e vendi o disco. Ah, essa eu não tenho…
Assistindo a filme antigo e banal na televisão, descobri outra canção que me torturava desde 1971! De repente, ela impregnou meu cérebro e imaginação. Fui ao GOOGLE, escrevi trechos da letra, informei que poderia estar em alguma trilha sonora. E vá lá, Bingo! ENCONTREI!
É um filme francês chamado “UN BEAU MONSTRE”, e a música se chama “STAY”. Foi gravada por um grupo “POP/PROGRESSIVO” BELGA e quase famoso na época: “WALLACE COLLECTION”.
A música é BABA PURA, e hoje parece-me um tanto óbvia. Mas e daí? Está na coleção guardadinha.
Os que apreciam o POP romântico daqueles tempos vão gostar dessas duas “babas.
Da minha parte, fico satisfeito por ter usado a expressão CODA em outro contexto. Ela vem da música. É um restinho da música, ou acorde, que soa depois da música ter tecnicamente acabado. E, aqui, é um restinho de texto agregado à ideia principal da postagem.
POSTAGEM ORIGINAL:  20\07\2022
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VAMOS “RIFFAR” ? ALGUNS RIFFS CLÁSSICOS DO ROCK E PELAÍ. E FALTAM MUITOS E MUITOS!!!!

TIO SÉRGIO, está faltando música de montão?!?!
Está, sim! Ou não lembrei, ou não tenho na discoteca!
TIO SÉRGIO, cadê o SWEET CHILD OF MINE, do GUNS & ROSES? E o METTALICA, com ENTER SANDMAN? E o COME AS YOU ARE, do NIRVANA?
O TIO SÉRGIO também adora, mas deixou de ter. E o motivo é motivo meu, pô! E vocês os encontram fácil por aí…
Mas generoso como manda o BUDAH, o TIO trouxe estes:
Começo pelo início, humm!!! DUANE EDDY: A enciclopédia dos RIFFS. Tudo o que inventaram mais ou menos passou por lá!
Selecionei os BEATLES, claro! Em “I Feel Fine”, a mais YARDBIRDIANA gravação deles! Os KINKS? Ora! ” You Realy Got Me”! The TROGGS? “Wild Thing” – tá bom?
Agora, ponto e parágrafo:
Jamais esqueceria os YARDBIRDS nem sob tortura. E vamos de “Heart Full Of Soul” com JEFF BECK expondo o porquê tornou-se quem foi!! LED ZEPPELIN? “Whole Lotta Love”, por supuesto, em meio a vários legados pelo JIMMY PAGE.
Os ROLLING STONES? “Jumping Jack Flash” funciona? Trouxe o FREE, nítido e cristalino: “All Right Now” é clássico atemporal nas cordas de PAUL KOSSOF. Recrutar o BLACK SABBATH é fácil!!! “Paranoid” é imbatível, né TOMMY IOMMI?
E vamos a outro parágrafo:
JETHRO TULL? Não pode faltar “Acqualung”, é óbvio – MARTIN BARRE arrasa; DEREK & THE DOMINOS, com ERIC CLAPTON na “infaltável” (meu Santo Colombino!!!! ) “Layla”, concordam? DEEP PURPLE entra redondinho, facinho, “Smoke On The Water” cravando com RITCHIE BLACKMORE. Para WEST, BRUCE & LAING, o TIO pensou em “Why Dont´cha”! DAVID BOWIE é certeiro e direto com “Rebel, Rebel”. AHHH, recuperei mais um perdido no espaço: JAMES, em “Born Of Frustration”, hit lá pelo ano 2000. É pop pegajoso, com RIFF plantado no meu cérebro!
Agora, trancado por cadeado de ouro, o maior criador de RIFFS do HARD-BLUES de 1970 em diante: RORY GALLAGHER. Escolhi “Shadow Play”! Mas na discografia dele a gente encontra mais, muito, muito mais… Então, finalizando para o todo sempre (definitivamente talvez?), o IRON MAIDEN em “The Number Of The Beast””.
TIO SERGIO propõe uma questãozinha: Será que existe RIFF de CONTRABAIXO?
Bom, se existir invoco MILES DAVIS:
Em “So What?”, 1959, lá pelos 65 segundos PAUL CHAMBERS faz um “RIFF HISTÓRICO” introduzindo a bateria de JIMMY COBB!!!
E o JAZZ assestou rumo em direção à eternidade!!!
Experimentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 19\07\2020
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BRAD MEHLDAU TRIO , LIVE , 2008 – E OUTROS QUITUTES EM MESMO NÍVEL

O disco foi gravado em Nova York, no “VILLAGE VANGUARD”, em curta temporada entre 11 E 15 de outubro de 2006. São três feras lideradas pelo excepcional pianista “BRAD MEHLDAU”.
É JAZZ CONTEMPORÂNEO sem masturbações exibicionistas e de alta qualidade técnica e musical. A gravação é da NONESUCH RECORDS, garantia de audiofilia.
“MELDHAU” é um superdotado estilista e vem acompanhado pelo baixo exato de “LARRY GRANADIER”, que mantém criativamente o andamento para “BRAD” e o fantástico baterista “JEFF BALLARD” – que faz solos em ritmo e intensidade alucinantes!
O TRIO perfirma “Wonderwall”, do “OASIS” e “BLACK HOLE SUN”, do “SOUNDGARDEN”. Dois clássicos do ROCK ALTERNATIVO da década de 1990. Viaja por “JOHN COLTRANE” e “CHICO BUARQUE DE HOLANDA”. E visita outras músicas contemporâneas.
Os arranjos são “TRANSFIGURADOS” e se abrem para formas que tornam as “peças” quase irreconhecíveis – como é característico no JAZZ CONTEMPORÂNEO.
Em conjunto eles realizam “CONTRA – OBVIEDADES” nas quase duas horas e meia de música deste álbum duplo.
É um enorme “HAMBURGÃO”. Verdadeiro “BIG BRAD” feito para saciar a fome de JAZZ e seus arredores!
“MEHLDOU et CATERVA” cozinham pratos de alto teor nutritivo para ouvidos atentos. E liberam energias que iluminam o quarteirão em repertório temperado com “BALADAS” e “BLUES”, completando um cardápio de bom gosto e bem temperado, “mas sem Cravo” – que piadinha sem graça, TIO SÉRGIO…
O trio sempre expõe versatilidade tecendo no espaço sonoridades melódicas, mas sem capotar no convencional. Arte relevante incorpora essas coisas…
Para abrir o apetite, trouxe aqui um supermercado com a “BRADOLOGIA”, que venho colecionando.
Confiem no TIO SÉRGIO, procurem pelaí e alimentem – se. Porque é um arraso!
POSTAGEM ORIGINAL 19\07\2026
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