MÚSICAS E DISCOS PARA AQUECER O INVERNO. PENSANDO MELHOR, SÓ PARA CURTIR NO FRIO…

A memória profunda não se prospecta com sondas furando para ver se jorram conteúdos encobertos. É preciso escavar com pás, cuidadosamente, camada por camada revolvendo entulhos e preservando fragmentos.
Vez por outra, dou de cara com pepitas ou coleções autônomas de possíveis preciosidades que pedem observação minuciosa.
É imprescindível fazer espécie de arqueologia da própria alma: reconstruir o passado de si mesmo; juntar os cacos significativos, e os significantes para outras escavações. Depois, tentar extrair sentidos – talvez efêmeros…
É também necessário esquecer convicções. Falando claro, eu já venho deixando de lado as minhas no processo de viver. Meu modo preferido de expressão é a escrita sobre as músicas que escuto e gosto. Tento deslindar o aproveitável para mim, e talvez para outros.
Dias mais frios trazem à memória certos discos e sensações que, penso, expressam suposta profundidade. E aqui estão alguns, e em vários deles apenas certas músicas. Foram escavados com pás, cuidadosamente ao longo do tempo. Vou repassar as pepitas a vocês.
Mas, “nonada”, é tudo impressão pessoal:
1) LOVE, “Forever Changes”, 1967. Lindo e triste, mesmo quando evoca um certo SUNSHINE POP da época. Tenham e ouçam inteiro. Mas repitam “ad infinitum” “ALONE AGAIN OR”.
2) STEVE MILLER BAND, “Recall the Begining… a Jorney from Eden”, lançado em 1972. É considerado disco menor da banda – mas eu não acho! Ouçam “Nothing Lasts” e “Journey from Eden”. Retrogosto de nostalgia, e frio na alma.
3) DAVID CROSBY, “If I Could Only Remember My Name”, 1972. Disco lindo, triste, sinuoso e sofisticado. CROSBY é personagem enfurnado em si mesmo desde quando perdeu a namorada em acidente de trânsito, no preciso dia em que o clássico DJAVU, do CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG, 1971 chegou ao primeiro lugar na parada americana! Lúgubre.
4) PAT METHENY GROUP, “American Garage”, de 1979. É maravilhoso, preciso e “falso-radiante”! O resquício de tristeza decorre da produção “nórdica” de MANFRED EICHER, na gravadora ECM. É álbum imperdível. Ah, a opinião sobre temperaturas e humores é absolutamente pessoal do TIO SÉRGIO aqui!
5) GENE CLARK, em quaisquer de suas excelentes gravações. Aqui, nas 60 faixas da portentosa coletânea tripla “COLLECTED”, de 2021. CLARK sempre dá pena e compaixão quando canta! Era criatura tão desolada que sempre dizia estar indo ao encontro de GRAM PARSONS, um dos precursores do COUNTRY ROCK. GRAM esteve com os BYRDS e era seu amigo. Ele morreu de overdose…
Há música de CLARK na obra dos ingleses do THIS MORTAL COIL – gente alegre como o velório do melhor amigo…
6) LOU REED… Ora!!!??? É preciso explicar? Ouçam a “solar” “Perfect Day”, no álbum TRANSFORMER, de 1972. Deixa qualquer um em lágrimas…
7) JONI MITCHELL, “The Hissing of Summer Lawns”, saiu em 1975. Para mim, é o melhor entre os memoráveis discos que sempre fez!!! Pois, bem: JONI é a grande dama da carência afetiva; mestra em discutir a relação; poetisa de imagens precisas e delicadas; como as pinturas que faz. E, sempre, a voz doce e bem postada nas melodias soberbas que compõe.
JONI é canadense. E lá, calorosas somente lareiras e eventuais fogueiras. Ou, quem sabe, o abraço de um urso polar… Para terminar ela teve poliomielite perto dos 50 anos de idade…Infeliz!
😎 STRAWBERRY ALARM CLOCK, “Anthology”, 1971. Banda psicodélica americana de algum sucesso nos 1960. Normalmente são “alto astral”. Porém, contudo, todavia procurem e ouçam uma das mais belas canções do “SUNSHINE POP”, a melodicamente nostálgica e sofisticada “Pretty Song from Psyched – Out”. O vocal é muito bem arranjado para uma canção nada cálida, e nada aconchegante. É ouro puro!
9) PEARLS BEFORE SWINE, “The Use of Ashes”, 1970. O líder do grupo, TOM RAPP, desativou a banda depois de sete álbuns e sumiu! Virou “Case Pop”. Dia incerto, foi reencontrado em um Fórum nos Estados Unidos pelo advogado da parte contrária, que o reconheceu e divulgou o fato ao mundo.
TOM RAPP havia vencido um certo ROBERT ZIMMERMAN em concurso de poesias, no início dos 1960. Anos depois, fundou o P.B.S e fez discos ótimos, cults e colecionáveis. Depois, pulou fora e foi estudar economia. E tornou-se advogado de direitos civis.
RAPP é musicalmente tão caloroso que tem música incluída em repertório do já citado “THIS MORTAL COIL”. Procurem conhecê-lo.
Espero que vários discos aqueçam vocês neste inverno, e muitos outros subsequentes. E que tudo o mais vá para o inferno!
POSTAGEM ORIGINAL: 05\06\2022
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WISHBONE ASH: COLETÂNEA DUPLA JAPONESA COM “OUTROS STANDARDS” DO REPERTÓRIO – MCA- GEFFEN, 2021

Uma característica das grandes bandas de ROCK PROGRESSIVO é raramente colocar SINGLES nas paradas de sucesso. Em compensação, criam repertórios com inúmeros standards, que são revelados a cada novo disco, e não faltam nos SHOWS.
Aliás, as principais canções sempre são exigidas pelo público há décadas.
No caso do WISHBONE ASH, excelente banda no palco, e com diversos CDs, DVDs e outras mídias gravados ao vivo, estão em quaisquer concertos “BLOWING FREE”, PHOENIX, JAIL BAIT, THE KING WILL COME, etc…, intercalados com material um pouco menos conhecido – alguns deste “SEGUNDO TIME” de primeira linha.
O álbum duplo, lançado originalmente em 1981, está na terceira fila à esquerda. É a remasterização mais atual feita no JAPÃO, com tecnologia UHQCD – “Ultra High Quality Compact Disc”. O som é nítido, claro à “beira da transparência”; os recortes estão perfeitos, e ouve-se cada instrumento nitidamente, e inclusive a textura composta por todos. O palco sonoro ficou muito bom. No entanto, eu dei um reforço nos graves – e a profundidade ampliou-se.
Foram selecionadas 14 faixas retiradas de nove LONG PLAYS gravados em estúdio, e lançados entre 1971 e 1980. Excelentes, todas; e não são aquelas muito conhecidas. Por isso, pode ser um complemento imprescindível para os que não possuem os discos originais, aqui postados pelo TIO SÉRGIO. Ou, para quem preferir ter a “parte dois” do suprassumo em edição tecnicamente atualizada.
Os japoneses são competentes. E muquiranas! Cada CD tem a duração aproximada de 43 minutos. Resumindo, caberia mais, bem mais faixas! O que justificaria o preço exorbitante que paguei por ele!
E outra chateação: a produção gráfica e editorial não é lá essas coisas. O texto é em japorongo, e ponto final! E cada CD vem dentro de uma embalagem plástica “ultra escorregadia” – os discos pularam da “capa” e caíram no chão umas 15 vezes – não estou exagerando! Então, muito cuidado.
O produto, taxas, fretes e estupro fiscal incluídos, assaltaram o meu bolso em aproximadamente $105,00 ( Isso mesmo, cento e cinco dólares)!!!! Uns R$ 530,00!!!! Na Europa e EUA, este singelo disquinho custa muito menos de $38 dólares!!!!
Você sabia que, para nós, as tais compras de até $50 dólares não valem porque somente empresas do exterior cadastradas na RECEITA FEDERAL podem escapar um pouco da curra fiscal!!!????
Pois, é!
Apesar do prazer que tive o produto é um “convite” para não mais importar nada!
Como tenho feito, vou continuar encomendando com a POPS DISCOS. Eles trabalham bem, e por preço muito mais em conta.
POSTAGEM ORIGINAL: 07\06\2026\
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DISCOTECA: REORGANIZAR É PORTA PARA O CAOS – E ALGUNS PERDIDOS REENCONTRADOS

Eu entrava no meu canto de música e tinha arrepios. Sobrevinha a sensação de estar perdido em meio aos CDs, vinis, etc… Se procurava um disco, frequentemente não encontrava. Às vezes, ele “morava” – ou havia mudado – mais pra frente na estante; outras pra baixo; ao lado, quem sabe? E obliquamente, sem rumo, caído em lugar qualquer: “OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN, como na música dos “YARDBIRDS”…
O meu amigo JUNINHO enfatizava que “pra organizar direito tem de ter critério. Qualquer critério.” Na minha discoteca há certas “ideossincrasias” – vou definir assim.
Eu estou simultaneamente além e aquém de ser um colecionador. Gosto e acompanho várias tendências. E coleciono diversos artistas.
Então, pra começar eu organizo as estantes em macro setores: ROCK, JAZZ, BLUES/FOLK, BLACK MUSIC , M.P.B e CLÁSSICOS.
Tá bom assim?
Não; Não está. Porque desse jeito o TIO SÉRGIO não dá conta mínima da exuberante diversidade que exibe a porra da música – e mais ainda, dos estilos, épocas, artistas, e o vasto escambau!
E aí, começa pra valer a confusão e a complexidade insanável. A minha customização é complicada, insuficiente, cheia de furos e temerária….
Então, deixa prá lá.
Vou comentar alguns discos da foto. Formam parte dos que “reencontrei” no meio da confusão em que a discoteca se encontrava. Eles “tocaram” enquanto eu trabalhava. Foram todos resgatados de lugares onde não deviam estar.
“ROSCOE MITCHELL” – SUSTAIN and RUN – 2013: Ele é americano, está vivo e com mais de 80 anos, e toca muito! É um criador de sonoridades experimentais – coisas para iniciados. Dá verdadeira aula de técnicas de respiração, e vasto etc…
Porém, é um masturbador de saxofones, soprano e “sopranino” – “What porra it´s that????” – instrumentos que também podem ser usados para tortura…
O concerto é “SOLO”; foi gravado ao vivo em SAMPA, no SESC POMPEIA, em 2013. ROSCOE veio sem cúmplices para infligir os sofrimentos.
TIO SÉRGIO ouviu, se irritou, e mandou pra estante – para o todo sempre. O disco é mais chato do que a propaganda do “OVO MANTIQUEIRA”.
PRIAM – DIFFRACTION, 2001: É disco muito aclamado pela crítica. O grupo é francês, e faz JAZZ FUSION e ROCK PROGRESSIVO, estruturando o eletrônico, o elétrico e o acústico de jeitos criativos. É bonito, e agradável, e dura quase 70 minutos.
Foi lançado pela cult MUSEA RECORDS; está comigo há quase um quarto de século. E não me recordo de ter ouvido antes! Achei muito bom e instigante. Recomendo pra valer!
VAN MORRISON – ASTRAL WEEKS – 1968. O disco é icônico e idolatrado. Mas o TIO SÉRGIO sempre achou superestimado.
E ouvindo novamente, eu confirmei.
O venerável MORRISON exagera na gritaria histérica. A banda e os arranjos criativos submergem na tentativa de VAN ser um BLUES SHOUTER. É disco de um jovem promissor, mas ainda em formação.
Enfim;
LESLIE WEST: – FIVE ORIGINALS – 2021. Adorei e curti muito! Contém os cinco álbuns mostrados na capa. E a voz potente e agressiva de LESLIE se une à guitarra delicadamente tocada. É um “slowhand” . Sua técnica criativa coordena força e sutileza. WEST solo é tão bom quanto o MOUNTAIN; e talvez melhor do que o WEST, BRUCE & LAING.
Eu assisti ao gordão de muito perto! E agradeço à vida e a ele por isso!!!!
ARTHUR PRYSOCK – MILESTONE YEARS – 2000: Um grande cantor, baixo-barítono e estilista supremo, põe todo mundo para dançar ou curtir. Gravou mais de 40 álbuns originais!
Esse disco estava perdido em meio ao JAZZ – que ele também domina competentemente.
Ouvi e adorei. E mandei o pretão de volta para o R&B, onde ele é imperdível. Hey, BIG BROTHERS and SISTERS!!!! TIO SÉRGIO escreveu imperdível!
Uma palavrinha sobre o grande NEIL YOUNG. Ele sempre causou “problemas de moradia” , aqui na minha toca. Sempre inclassificável e recalcitrante, andava perdido e meio sem rumo. Parei, olhei, pensei um pouco mais, e mandei o cara para morar com os ALTERNATIVOS. Ele é um dos pioneiros daquela turma.
Os restantes, entraram na fila para ouvir, quando eu for limpar e organizar o outro lado.
POSTAGEM ORIGINAL: 04\06\2026
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MILES AND MILES AWAY: PARTE DA GRANDEZA DO TALVEZ MELHOR DE TODOS!

Miles é um gênio em meio a outros gênios da música. Não são tão poucos.
Estou com pressa, e digo apenas que, de 1948 em diante, ele influenciou toda – toda mesmo! – cena musical do planeta.
Nem os BEATLES, nem TOM JOBIM, ELVIS, ou BOWIE , e o KRAFTWERK – e podem recordar quaisquer outros – foi tão inovador, contemporâneo da vanguarda quanto ele.
E como trabalhou, produziu, inovou e gravou esse artista incontrastável na “espécie humana” – um exagero retórico, eu sei.
Escolhi mais alguns hiperdotados que venho colecionando, ouvindo, ouvindo de novo; concordando ou discordando, compreendendo e amando:
Talvez BEETHOVEN? Quem sabe MOZART? SIBELIUS!!!??? o superem? Você escolhe.
TIO SÉRGIO, neste “post” apenas fecha com MILES DAVIS! Tô com. o “pretinho” – ele era baixinho, eu vi de perto.
Peguem uma taça de vinho e calibrem qualquer MILES DAVIS no STREAMING, no CD PLAYER, no PICK UP, no que você pinçar.
E, bom feriado, dia, e quando houver e tempo e por toda a existência humana, nesta GALÁXIA.
MILES DAVIS É INFINITO.
POSTAGEM ORIGINAL: 03\06\2024
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NINA SIMONE e DEE DEE BRIDGEWATER: DUAS ÉPOCAS, E DUAS FACES DO R&B

O tempo esvai-se, e as modas vão e vêm.
É sempre bom observar como as coisas se deram, e os conceitos de JAZZ, BLUES, ROCK e vasto etc… se formaram, ao longo da década de 1950, para serem mais bem definidos nos “sixties”.
Mas o assunto, agora, é outro:
Foi lançada, por aqui, uma ilustrativa COLETÂNEA de ‘NINA SIMONE”, abrangendo o que ela fez antes do enorme e merecido prestígio. São coisas entre 1959 e 1963. E apenas SINGLES.
É pertinente lembrar que ela não é “exatamente” cantora de JAZZ. Aliás, Nina sempre foi cantora de R&B; e foi trazida para o “conceito de JAZZ”, nos anos 1960 e 1970.
Erradamente, diga-se. Cantoras monumentais como SARAH, ELLA, BILLIE, DINAH WASHINGTON, e etc… são todas POP e basicamente R&B.
No entanto, NINA é única! Por vários motivos: sua formação sofisticada e erudita, opção de carreira, a voz especialíssima, E, especialmente, mal comportamento e certas atitudes, como andar armada, e dar uns tiros “pelaí “!
Hoje em dia, o que se ouve nesta COLETÂNEA DUPLA é o que está sendo chamado de “VINTAGE”. O conceito de “OLDIES”, parece ter migrado para coisas de 1967 para frente… É, também, um artefato belíssimo e barato! Para os não preconceituosos eu recomendo. Mas TIO SÉRGIO pondera: os mais jovens talvez estranhem o que ouvirão…
“DEE DEE BRIDGEWATER” é outra representante desta linhagem. Boa cantora; em seu repertório, ela flerta dos STANDARDS do “JAZZ” ao POP/R&B sofisticados e modernos. É antenada.
Este álbum foi gravado no MALI, em 2007 e, como a imensa parte do que vem da ÁFRICA, tem sua força principal na percussão e no ritmo.
Neste caso, não somente. “RED EARTH” é um “cross-over”, simbiose de culturas. Quem aprecia muita percussão vai adorar. Os mais calmos talvez dispensem.
Se vocês cruzarem com esses discos – se puderem, tentem. É risco aceitável. Valem a pena!.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\05\2019
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JANIS SIEGEL – A CULTIVADORA DE PÉROLAS

Ela é parte do excelente JAZZY/POP sofisticado e talentoso grupo vocal americano, MANHATAN TRANSFER.
Quatro cantores capazes de elevar em nível máximo COLE PORTER, JONI MITCHELL, DJAVAN, SLY & THE FAMILY STONE, TOM JOBIM, e tantos outros. Os caras sabem cantar tudo!
JANIS SIEGEL tem carreira solo tão virtuosa e versátil quanto em grupo. Vai muito bem com trios, quartetos e outras formações. E ajusta em estado da arte a sua voz expressiva e controlada, bela e quente, ao piano de “FREDDIE HERSCH”.
Aliás, tenham o prazer em conhecê-lo: FREDDIE é músico e artista de altíssima qualidade. Arranjador de bom gosto, capaz de realçar repertórios extensos e inusitados, dando-lhes a tintura jazzística adequada e imprescindível aos que procuram seu talento e competências.
Os discos aqui postados são todos recomendáveis. Relaxantes sem serem vulgares; e melodiosos sem pieguices. São gravações em alto nível artístico e técnico – seguramente!
O meu predileto é “SLOW HOT WIND”, de 1989, em que SIEGEL & HERSCH iluminam compositores modernos como JAMES TAYLOR, JULIA FORDHAN, JUDY COLLINS e outros vários. Escolheram músicas e repertório pouco usuais. E muito interessantes. TIO SÉRGIO garante!
Um instigante bálsamo para esses tempos vorazes e doentios. Descubram e curtam! Valem a pena!
POSTAGEM ORIGINAL:
29\05\2020
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YARDBIRDS EM METÁSTASE, OS PROGRESSIVOS: RENAISSANCE, ILLUSION E UM POUQUINHO DE ANNIE HASLAN

Todos sabem que THE YARDBIRDS foi banda fundamental, porque lançou três ícones da guitarra, ERIC CLAPTON, JEFF BECK e JIMMY PAGE.
Portanto, estão nas bases do HEAVY METAL e do HARD ROCK, com PAGE e o LED ZEPPELIN. E menos verticalmente com o JEFF BECK GROUP.
Pouco lembrado é que estiveram na gênese da PSICODELIA INGLESA, com várias gravações entre 1965 e 1967. E tão importante quanto: ajudaram a consolidar o desenvolvimento do ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO, com o RENAISSANCE, também consequência do mesmo espólio.
Quando os YARDBIRDS entraram em colapso, o baterista JIM McCARTHY e o cantor KEITH RELF experimentaram outros caminhos com JENY RELF, irmã de KEITH, e também cantora de estilo e voz mais lúgubres. E trouxeram o pianista JOHN HAWKEN e o baixista. LOUIS CENNAMO. Aliás, a mesma base que retomou o PROGRESSIVO em 1977/1978, com o ILLUSION, na cola do sucesso feito pelo RENAISSANCE.
Voltando à história, o pulo do tigre foi a FUSÃO de FOLK INGLÊS e MÚSICA CLÁSSICA DE CÂMARA. E gravaram dois discos: RENAISSANCE, 1970; e ILLUSION, 1971, em que o guitarrista MICHAEL DUNFORD, também participa.
Ambos são criações interessantes, embrionárias, mas longe da experiência SOLAR e de grande sucesso, que o grupo totalmente modificado passou a viver com a icônica vocalista ANNIE HASLAN, o próprio DUNFORD; o tecladista JOHN TOUT, o baixista JOHN CAMP e o baterista TERRY SULLIVAN, ‘a partir de 1972, com o álbum “PROLOGUE”.
A ascensão do RENAISSANCE foi vertiginosa, com discos sempre melodiosos, bem produzidos, muitas vezes excessivamente melífluos, mas colecionáveis e inesquecíveis. “ASHES AR BURNING”, 1973; “TURN OF THE CARDS”, 1974; “SCHEHERAZADE”, 1975; “LIVE AT CARNEGIE HALL”, 1976; “NOVELLA”, 1977, são os que tenho e postei. Há outros.
Os que curtem ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO não deixam de notar a inspiração que o RENAISSANCE buscou nos MOODY BLUES, por exemplo. E que a banda está na origem da música NEW AGE, disseminada e autônoma, de uns 40 anos para cá.
“ANNIE HASLAN” sempre teve carreira própria. Inspirou cantoras como “KATE BUSH” e “ENYA”. E é nítida a influência em “FLORENCE & THE MACHINE” e seu progressivo light contemporâneo.
Ela fez discos instigantes como ANNIE IN THE WONDERLAND, 1977, produzido “ROY WOOD”, notório e CULT maluco beleza criador dos clássicos grupos britânicos “THE MOVE”, e “ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA”, na década de 1970.
Em 1989, ela gravou para a EPIC outro disco interessante, chamado simplesmente “ANNIE HASLAN”. A versão de “MOONLIGHT SHADOW”, de “MIKE OLDFIELD”, e “THE ANGELS CRY” , de e com a participação de “JUSTIN HAYWARD”, dos ‘MOODY BLUES”, são deliciosas.
Vale relembrar outro CULT e RARO: “UNDER THE BRAZILIAN SKY”, foi gravado em PETRÓPOLIS, no PALÁCIO DE CRISTAL. Não sei precisar se é o mesmo que vi PIRATA, com “FLAVIO VENTURINI e BANDA”. Mas, é, também, disco imperdível e colecionável.
Curiosamente, em 02 de junho de 2022, ANNIE e o RENAISSANCE, ainda com DUNFORD, tocaram no RIO DE JANEIRO. Estão excursionando com outra “banda discípula”: o “CURVED AIR”, de “SONJA CHRISTINA” – cantora mais na linha de …”JANE RELF”; quer dizer: nada SOLAR.
Os CDs na foto são da minha coleção, e a maioria, edições japonesas. O RENAISSANCE é Imprescindível para compreender e gostar de uma das mais belas e sofisticadas tendências do ROCK: o PROGRESSIVO SINFÔNICO E SUAS ADJACÊNCIAS.
POSTAGEM ORIGINAL: 01\06\2019
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QUEENS LOGIC – TRILHA SONORA – 1990, MÚSICAS LEGAIS E UMA PÉROLA ESCONDIDA

O FILME não é grande coisa. Foca em jovens nem tão jovens, de classe média bem média do BROOKLIN, em NOVA YORK. Mostra suas pequenas aventuras e amores, a mediocridade esperada; a vida comum. Vez por outra, passa nas TVS.
A TRILHA SONORA é, digamos, sociologicamente interessante. Mistura SOUL MUSIC, com “MARVIN GAYE”, “EMOTIONS” e “DELPHONICS”. Estão lá, R&B e “DISCO”, sucessos de “EARTH WIND AND FIRE”, “SLY & FAMILY STONE”, “EDDIE MONEY”, ‘WILD CHERRY”, e “CHERYLL LYNN”. E o toque fino do bolo: “VAN MORRISON” e sua absoluta distinção artística. Também não faltam ROCKS, presentes com “ARGENT”, “CHEAP TRICK” e ‘MOTT THE HOOPLE”.
É tudo bem legal, dançável e emblemático. Era o que a turma ouvia em rádios, e dançava em clubes e bailes: o som POP do meio pro final da década de 1970, início dos 1980.
Nem tudo aqui é bem gravado, mas é gostoso de ouvir. Animado sem ser esfuziante.
Porém, há um grande sucesso inesperado: “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE”. A gravação original é de “ELVIN BISHOP”, excelente guitarrista, que participou do lendário “PAUL BUTTERFIELD BLUES BAND”.
A história da composição é a seguinte: Em 1975, quando foi completar o sétimo disco solo, “STRUTTIN´MY STUFF”, o produtor de nome impronunciável, “BILL SZYMCYZK”, percebeu que havia espaço para mais outra faixa. E
revira de lá, busca daqui, “BISHOP” sugeriu essa música, bem longe do estilo e repertório que ele fazia.
Porém, “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE” é um grande e marcante POP/ SLOW DANCE – canção deliciosa, jovial, com um quê de macho pegador; e o final inevitável quando o “mocinho” cai de quatro por uma … “presa”. A letra e a música se integram.
Mas ainda havia um problema: para ELVIN cantar não dava. Sua voz é algo “BLUESY/INSOSSA” – inadequada. E ficou para um dos membros da banda, MICKEY THOMAZ – bom cantor que, depois, substituiu MARTY BALIN, no STARSHIP. E assim, ELVIN BISHOP obteve o maior HIT de sua carreira bem construída.
O curioso é que a trilha abre com “FOOLED AROUND AND FELL IN LOVE”, em versão feita pelo obscuro HENRY LEE SUMMER, com JOE WALSH – o guitarrista de estimação do “impronunciável”. Só! Diferencial berrante!
Se você bobear, acaba confundindo com a original, tal a proximidade entre os vocais e o arranjo! “É igual, mas é diferente”- epistemologicamente definindo…
Há outras versões ‘pelaí’. ROD STEWART fez uma AO VIVO, adequadamente boa, no estilo dele combinando falta de capricho com despretensão. E a cantora COUNTRY / POP, “MIRANDA LAMBERT” também gravou, e pôs seu pitaco… sei lá…
Eu adoro ouvir esse POP extraordinário! Um clássico nas FMS americanas de OLDIES. E sigam o conselho de ELVIN BISHOP: se pular a cerca, cuidado para não se apaixonar…
POSTAGEM ORIGINAL: 29\05\2022
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ELTON DEAN – DOIS MOMENTOS DO JAZZ INGLÊS DE VANGUARDA, ANOS 1970 / 1980

TIO SÉRGIO está envelhecendo, e continua resguardando.
Uso máscaras, tenho anti-térmicos e caixas de “Parabucetamol”, oooopppsss. Tudo pra fugir do COVID 19.
Agora, estou à espreita da VARÍOLA DO MACACO. Mas já estou vacinado (contra o MACACO, não, pô…).
Só falta a antirrábica, pra aguentar a vida e a política.
Porém, uns anos 40 anos atrás, TIO SÉRGIO esteve todo pimpão com a patroa no “TEATRO CULTURA ARTÍSTICA, em SÃO PAULO, que passou por incêndio destruidor, e lá assistimos a um show do mito inglês do SAX, ELTON DEAN, e sua banda de craques! O ticket do ingresso está na foto.
Detalhes marcam a memória: ELTON subiu no palco com chinelos tipo havaianas, em quente noite de março. Foi em 1986.
Na banda, o incrível e complexo BATERISTA, JOHN MARSHALL, exposto fielmente por Fernando Naporano, em artigo na FOLHA de SÃO PAULO, como a “MÁQUINA PERCUSSIVA”. Ele é, mesmo, um espetáculo, e mostrou os porquês!
Meninos, meninas e intervalos de orientação sexual entre um polo e outro: esteve por aqui a VANGUARDA JAZZÍSTICA INGLESA daquele momento! EMPOLGANTES e ANTI-ÓBVIOS deram aula sem monotonia. Sensacional!
Aqui, estão exemplos da arte incrustada em discos por ELTON DEAN. Experimentos PÓS-FREE JAZZ, mas com suas tradições e cacoetes:
O quarto álbum do SOFT MACHINE, de 1971. E outro de seus filhotes, o quarteto composto pelo baixista HUGH HOPPER; ELTON DEAN; o pianista de vanguarda KEITH TIPPETT; e o baterista JOE GALLIVAN, em “CRUEL BUT FAIR”.
Ambos discos recomendáveis de montão para a turma que transita pelas aerovias siderais da FUSION RADICAL.
Aos que assistiram ao filme-biografia do “REGINALDO” DWIGHT, também conhecido por ELTON JOHN, vou esclarecer: seu nome artístico é homenagem ao xará ELTON DEAN, de quem é fã e com ele tocou. E o JOHN é referência ao “BLUESMAN” inglês LONG JOHN BALDRY, e não ao BEATLE “LENNON”, como foi insinuado.
Referências refinadas, heim pessoal?
Então, mergulhem de cabeça na obra de ELTON DEAN! O arrependimento vai matar quem não fizer…
POSTAGEM ORIGINAL: 30\05\2020
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TIERNEY SUTTON – CANTORA DE JAZZ “I’M WITH THE BAND” – TELARC, 20O5

Faz tempo que você não ouve uma cantora de JAZZ de verdade? E discos onde certas regras, repertório e orientação da banda não deixam dúvidas?
Demorou; e a fumaça branca apareceu: o conclave consagrou nova PAPISA!” Habemus TIERNEY SUTTON!
Mas TIO SÉRGIO, a moça é loira, branquela e nada novinha! E “tem nenhum” pretão na banda?!?!? Perfeitamente, BOYS and GIRLS e adjacências! É tudo impecavelmente moderno e no solfejo final da tradição jazzística. Aqui, não há “FUSION” ou “EXPERIMENTALISMO” gratuito. Apenas VOZ e CANTO muito bem acompanhados e adequadamente arranjados. O álbum foi gravado ao VIVO no “BIRDLAND”, em março de 2005. Mais adequado e respeitoso impossível: a plateia fica em silêncio durante a performance, e urra no final de cada música. SHOW!
Vocês conhecem a tradição do “VOCALISE”, arte que os melhores do gênero cultivam – ou cultivavam?
Pois ali tem, sim!
Aliás, a moça abre cada música com um perfeito, afinadíssimo e diferenciado vocal. Tão puro e “clássico”, que lembra CHRISTIANE LEGRAND, dos “SWINGLES SINGERS” – lembram-se deles? –
O repertório escolhido équase 80% de STANDARDS ou CLÁSSICOS. O restante, e completado por músicas de clara beleza, escolhidas muito bem em contexto contemporâneo e nada óbvio.
TIERNEY além de cantar muito bem interpreta cada música de um jeito que você nunca ouviu. Ela estudou e recriou cada canção. Estão lá “S’WONDERFUL”, “CHEEK TO CHEEK” , “I GET A KICK OUT OF YOU”, “SOFTLY, AS IN A MORNING SUNRISE” e outras e mais outras, todas adequadas para repertório de luxo – e impecavelmente jazzístico! É criativo e artístico de verdade!
A banda desempenha – e como! E há dois baixistas: um deles somente para solar ou pontuar o fraseado da moça. Estratégia eventualmente usada pela turma da “FUSION” e do “ROCK PROGRESSIVO”.
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A gravação, mixagem e masterização estão em altíssimo nível. Afinal, é um lançamento da TELARC… Garantia de qualidade técnica.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\05\2020
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