B.M.G. MUSIC PUBLISHING – ENCICLOPÉDIA E CATÁLOGO DE TRILHAS SONORAS ORIGINAIS

Eu conheci um advogado que escondia discos no meio do jornal. Entrava em casa, enfiava tudo na estante do jeito que dava…
Depois, longe da mulher, olhava o butim e o reposicionava adequadamente. Claro, sumiam todos na “mata densa”- quer dizer, no meio de outros discos!
A esposa não compreendia o porquê da coleção engordar tanto! Afinal, o “doutor causídico” dizia ter parado de comprar discos???!!! Um crime quase perfeito!
Outro fanático era funcionário público apaixonado por vinis. Adorava TRILHAS SONORAS. E procurava onde pudesse encontrar músicas que embalavam STREAP TEASES!
Conseguiu de montão! E quase chorou, lá pela década de 1990 quando a RHINO RECORDS lançou uma série só com músicas de… ahnnn… provocação: safadezas mesmo! Sensacional! Essa até eu gostaria de ter…
O mais compulsivo deles, na época, era o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo. Pasmem! Décadas atrás, eu e meu amigo Silvio Dean, outro” gostador” de discos, fomos ao apto onde ele morava! Havia estantes por todo canto, e discos até debaixo das camas! A coleção de trilhas sonoras era quilométrica!
ERIC nos mostrou sua enorme e incrível discoteca de vinis! E, lá, a invejável e rara COLEÇÃO de TRILHAS!.
Colecionar trilhas é doideira incontrolável. Imaginem que é estimado em mais de “milhão” os filmes de longa metragem lançados até agora!!!! Sem contar as séries para TV, e o imenso universo adjacente e paralelo!!!
TIO SÉRGIO engasgou e não vai repetir… são músicas e discos pra dedéu!!! Talvez sessenta por cento deles tenham trilhas sonoras originais. Fora músicas coligidas e organizadas para “fazer pintar um clima entre o som e os filmes”! Não consigo estimar quantidades. Todo mundo mantém uma trilhazinha na discoteca. E hajam Djs, organizadores, entendidos de música e etc… trabalhando. Pensem no número que você quiser. Pouco importa…
É quase impossível pesquisar e catalogar completamente tal variedade, os países de origem e outras dificuldades para acesso. Principalmente quando se pensa sobre as novas séries ou filmes que, além do tema principal composto especificamente, na maioria das vezes são agregadas músicas de outros artistas.
Em uma frase até desanimadora: colecionar trilhas não tem fim!
Mas é possível especular sobre o talvez padroeiro dessa atividade de compor “trilhas”. Sempre penso em “VIVALDI”. Diz a lenda que o “padreco” fazia uma composição por dia para entreter seus “alunos”. Fez mais de 1000. Trabalhou a tal ponto que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso adorado santinho: “ele não compôs mil músicas, mas a mesma música 1000 vezes!”
Julgue, mas seja compassivo..
Não há criação musical mais realista e avessa à hipocrisia do que compor sob encomenda. Dá um trabalhão doido! Tem prazo de entrega e nenhum glamour se pensarmos no processo; e na absoluta imposição de profissionalismo para refletir a obra sob a qual ela será inserida… É magia, técnica e tecnologia.
Pensem nos caras e nas meninas que produzem tais “artesanias” para abastecer filmes, novelas, peças teatrais e publicitárias!
Estou tentando cada vez mais assistir a filmes, vídeos, essas coisas…
Mas, confesso, não tenho ânimo para colecionar TRILHAS: BELEZAS CONSTRUÍDAS DE PROPÓSITO E COM ESFORÇO. E NAS QUAIS SE OBSERVAM QUALIDADES ARTÍSTICAS INDISCUTÍVEIS.
Porém, morro de vontade e vez por outra compro alguma. E, apesar de não ser a mesma coisa, penso em baixar o que me agrada e manter no computador. Porque isoladamente formariam “pout-pourri” temático sensacional!
Este BOX com dez CDS, “THE FAMOUS MUSIC CATALOGUE”, produzido pela BMG em cima das TRILHAS SONORAS feitas para filmes da PARAMOUNT. O conjunto revela uma incrível MISCELÂNEA TEMÁTICA de músicas conhecidas coligidas com objetivo claro.
Foi distribuído promocionalmente, lá por em 1997, e apareceu por acaso quando eu era dono da CITY RECORDS, loja de CDs em SAMPA. Alguém, um jornalista ou gente do meio de comunicações, veio trocar por outros discos. E retive para mim.
O BOX traz indicações como nome do FILME ou da MÚSICA, o COMPOSITOR, a data de estreia, e mais nada… Não divulgaram o nome dos artistas que interpretam!!! Estão aqui, coisas desde os anos 1930 até gravações contemporâneas. Há de tudo gravado durante décadas: R&B, ROCK, COUNTRY, EASY LISTENING, JAZZ, BLUES e o capeta a quatro….
As gravações são todas originais. E confesso , é um dos vários casos em que tenho o disco e jamais ouvi direito – quando cheguei a ouvir…
Então, tentei identificar. Dou de cara com “EYES OF THE TIGER”, com o SURIVIVAL, tema de ROCKY 1; CALL ME, com a BLONDIE; e clássicos maravilhosos como JACK JONES cantando CALL ME IRRESPONSIBLE. Ou a baba ostensiva de JOHNNY MATHIS (HUMM… PHODIS…, como dizia minha turma, na décadas de 1960/70) interpretando o tema de ROMEU e JULIETA. Há, também, o clássico BONANZA, série de televisão mundialmente famosa, exibida bem mais de meio século atrás!
Estão ali, variedade intrigante desde CARLY SIMON, em COMING AROUND AGAIN; ao LIVING COLOR, em CULT OF PERSONALITTY. E o belo tema de GHOAST, de MICHEL JARRE. Não faltou THE GODFATHER, conhecidíssimo. Além de “surpresas ultra conhecidas”, rodadas frequentemente nas FMS e filmes. Deve ter mais – obviamente, não posso comentar o que ainda não consegui ouvir… Enfim, um mundo à disposição revivido nesta postagem.
Para meu “gáudio” – ooopppsss, volte ao presente, TIO SÉRGIO! -encontrei a versão original do espetacular tema de “PERRY MASON” – uma série que rolou entre 1957 e 1966, onde o astro é um advogado criminal craque – muito craque! Foi composto por FRED STEINER, e gravado por RAY CONNIFF e sua Orquestra.
Para rockers e bluezeiros mais jovens, existe versão ao vivo com os BLUES BROTHERS; muito pesada, excelente!
Acho este o mais espetacular entre todos os temas principais de TRILHAS SONORAS! Casamento perfeito entre o enredo, o filme e a música. Todo o clima de mistério “NOIR” expondo o que vamos assistir, e interpretado com intensidade talvez não superada!
Não incluído no BOX, mas está entre os meus temas prediletos a abertura da “série inacabável” “LAW AND ORDER”, da UNIVERSAL, escrito por MIKE POST: É perfeito! Denso, tenso, rápido e incisivo!!!
Então, jovens ou joviais desbravadores deem uma olhada nas telas, ouçam alguns compositores consagrados tipo ENNIO MORICONNE; e modernos como ANGELO BADALAMENTI. Observem os trabalhos, a beleza e os resultados. E foquem na complementação óbvia, as trilhas acessórias, as músicas captadas décadas afora recheando projetos e trazendo significado diferente à composição – e sentido mais amplo aos filmes…
Se tiverem coragem há incontáveis milhares de discos para vocês caçarem; e refinarem audição, texto e visual. Eu desejo aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 26\02\2022
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LANA DEL REY – ANGUSTIADA E BELA; CRAVO E CANELA

LANA DEL REY é a “IMPERATRIZ DA ANGST”, disse a revista RECORD COLLECTOR.
ANGST é a definição para um estado de espírito que mistura medo e apreensão antecipada por algo, ruim ou não, que vai ou possa acontecer. Um misto de solidão e ansiedade .
Seu disco, “DID YOU KNOW THAT THERE´S A TUNNEL UNDER OCEAN BOULEVARD?”, lançado em 2023, tem quase 78 minutos de duração. Há tempos eu não vejo disco original tão longo em único CD!!!
A capa saiu em três versões diferentes, à escolha do freguês, ou todas juntas em um BOX com três Compact Discs. Os LONG PLAYS devem estar, também, em álbuns duplos, e capas diferentes. Eu não conferi.
LANA é moça de pulcritude indiscutível. Mostrou sua bela e instigante “CARTOGRAFIA” na capa de uma das três versões em que o disco foi lançado. Exatamente a que eu possuo.
A exposição do relevo da fronteira entre vales, colinas e os picos que os consagram, tem despertado exames acurados de observadores. A vista é muito bonita…
Ela esteve por aqui, retomando a carreira de shows. Disseram que os cinco anos que passou sem excursionar a tornaram menos delgada, mais cheinha. LANA DEL REY teria extrapolado a silhueta que apresentava em 2013, na primeira vez em que deu concerto no Brasil, aos 27 anos de idade.
Certamente há exagero. Não é possível que tenha se esvaído feito um ARCO-ÍRIS aquele magnífico espécime que deixou em êxtase meninos, meninas e meninex. LANA os gratificou com simpatia. Desceu à plateia logo no início da performance para dar autógrafos, fazer selfies; e, apesar da segurança que a acompanhava, suportar até beijos roubados!!!???
A capa do disco comprova a maledicência. LANA continua bela.
Eu li, na RECORD COLLECTOR, que este disco é muito bom. Talvez o mais bem realizado dentro de seu estilo algo recorrente e perto do repetitivo no andamento e nas melodias. LANA é cantora reconhecível porque suas canções mantêm características…hum já testadas e conhecidas… ( minha nossa!!! A que ponto cheguei???!!! )
Eu já a conhecia. E desta vez a moça conseguiu fazer melhor. Tipo construir algo além, mais refinado, consagrando um jeito de cantar, compor e postar-se enquanto artista. Não é inovador, mas é o ápice de uma proposta.
Eu ouvi o disco diversas vezes. E com muito interesse e prazer. É belíssimo!
A sonoridade, em minha opinião, busca e mescla elementos do DREAM POP; e tem muito do FOLK PROGRESSIVO MODERNO.
Ela conseguiu ultrapassar o ROCK ALTERNATIVO do qual é mais ou menos parte. É, também, contemporânea do HIP-HOP; e a presença de JON BATISTE, um quase-astro em ascensão, serve à diversificação necessária elegantemente encaixada.
Há um condimento explícito e onipresente de JAZZ/BLUES/GOSPEL que permeia as músicas. Além de algumas experimentações adequadas, mas sem exageros.
O ritmo e andamento continuam lentos, como em tudo o que dela escutei. E o clima sombrio, DARK, envolve feito placenta o transcorrer da obra e se revela paulatinamente. É fascinante!
A voz distinta e delicada de LANA DEL REY, uma contralto de timbre encorpado, é simultaneamente melodiosa e seca. Talvez lembre LIZ FRAZER, do COCTEAU TWINS. Mas com a doçura e o lirismo de KATE BUSH nas brumas de seus versos uivantes. Porém, quando no limite do grave, recorda MARIANNE FAITHFULL por sua aspereza.
LANA tem jeito e porte de artista de FILME NOIR – mas transposto e atualizado para o presente. A moça é sensual sem ser vulgar. Assume o jeito de uma garota não tão recatada que parece reter, ou controlar, uma explosão vulcânica de sexo e desejos.
Mas, até que ponto seria ela mesma? Quem sabe ela esteja construindo um personagem…
Infelizmente, as letras não acompanham o CD. Uma perda e um empecilho para mais bem compreendê-la. Mesmo assim, tudo combinado resultou em trabalho amplo, pensado e coeso.
Algo neste último disco recorda os arranjos de ANGELO BADALAMENTI para a trilha sonora da série TWIN PEAKS: uma languidez nervosa, componente de certa… ANGST…
A senhorita ELIZABETH WOOLRIDGE GRANT nasceu em NOVA YORK, é filha de dois publicitários que entraram em BURNOUT (estresse total), e resolveram mudar para uma pequena cidade vizinha que, segundo LANA – oooopsss – lembra a fictícia “TWIN PEAKS”.
E os GRANTS refizeram suas vidas e profissões. LANA DEL REY, é um pseudônimo, Ela cresceu por lá. É moça de classe média, estudou filosofia, gosta de escrever e lê gente alternativa como NABOKOV, de quem emula falsamente uma quasi-LOLITA. E´ crescida demais para posar de ninfeta. Já disse gostar de homens mais velhos… Há fotos comprovando…
LANA é fã da poesia da geração BEAT. Mas tambémleu outros poetas americanos, como WALT WHITMAN e SILVIA PLATT. Assistiu a filmes NOIR. E gostou de CIDADÃO KANE…
Ela diz ter sido inspirada pelo GRUNGE. Principalmente o NIRVANA, de quem empresta aquela ansiedade explosiva – e nela apenas latente. Tornou-se muito amiga de COURTNEY LOVE, a mulher de KURT COBAIN. Mas, claro, LANA artisticamente foi por outros caminhos. É madura, e compõe como tal. Mesmo quando age feito adolescente.
Eu procurei ouvir os SINGLES de sucesso de sua carreira. São bons. Ela tem um jeito pessoal de compor letras que viajam do explicitamente romântico e flertam com o idilicamente trágico – como despedidas dolorosas de namoros, vistas como pequenas mortes, ou suicídio anunciados. Há sempre um quê de incestuoso rondando suas letras. Que fazem menções a drogas, e a sexo às vezes explicitamente.
A solidão, outra constante, é descrita para e do ponto de vista da geração dela. Deixa a impressão imprecisa de “estar sempre vestida para ir a lugar nenhum”…
Depressiva? Quem sabe. Solitária ela certamente é.
Há o fascínio pela vida bandida, e por marginais e Bad Boys. Mas vistos de um ponto de vista das garotas educadas e de classe média, que eventualmente se envolvem com o perigo… Acho que ela não se expôs, mas flertou, excitou-se com isso. E escreveu.
Talvez essa criatividade revele apenas estilo, letras mais ousadas de menina sonhadora. Mas quem sabe seja estrutura de um projeto de marketing , como jeito de consolidar sua já peculiar persona artística. Seus pais eram publicitários, eu não esqueço…
As músicas de LANA incorporam parte da mitologia americana do indivíduo livre, indomável e fora do sistema. Há um quê de BRUCE SPRINGSTEEN, e aquela vontade de fugir das amarras da sociedade – um fascínio pelo “BORN TO RUN”; ou, como em um dos hits dela, “BORN TO DIE”…
É também possível identificar influências de LOU REED; alguma irreverência à ALANIS MORRISETTE, e um não sei o quê de SINEAD O´CONNOR… Escavei pelaí a urgência ansiosa de ALISON MOYET (lembram – se dela? ) Se bem compreendi, é um ótimo COMBO, talvez um GUMBO artístico…
No seu primeiro SHOW em São Paulo, em 2013, no FESTIVAL PLANETA TERRA, a garotada urrava enquanto LANA desfilava no palco sua elegância de modelo, o corpo escultural, e o rosto hummm…. angelical…
Ela ria e brincava com a banda; e todos pareciam adorar estar lá apresentando a irreverência construída que LANA criou.
Para mostrar a quê veio e provocar, o SET abre com música dizendo explicitamente que a VAGINA dela tem gosto de “PEPSI COLA”!
E LANA enfatiza que é verdade. E que foi o namorado quem constatou… Aquilo deixou onanistas à beira de uma “PAN ESPERMIA”!
Tá bom;
Se tem gosto de PEPSI COLA, então: LANA, ANGUSTIADA E BELA; CRAVO e CANELA!
Tentem; mesmo sob tentação….
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
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THE RASCALS – “SEE” – 1970, E “SEARCH AND NEARNESS”, 1971, OS DISCOS FINAIS PARA A ATLANTIC RECORDS

Certa vez, “OTIS REDDING”, o grande “SOUL MAN” de carreira sólida na década de 1960 quis conhecer os RASCALS no estúdio da ATLANTIC RECORDS, onde ele e a banda estavam gravando. OTIS não acreditava que fossem brancos!
Eram três “ITALIANOS” : “EDDIE BRIGATTI”, vocal; “FELIX CAVALIERI”, órgão e vocais e “DINO DANELLI”, baterista. E havia um “IRLANDÊS” na guitarra, “GENE CORNISH”.
Os quatro RASCALS se juntaram em NOVA JERSEY, onde surgiram “FRANK VALLI e os FOUR SEASONS”, “BRUCE SPRINGSTEEN”, “MADONNA” e mais pra frente o “BON JOVI”.
Todos fãs dessa marcante e talentosa banda local que inaugurou o chamado “BLUE EYED SOUL – não, não vou traduzir!
“STEVE VAN ZANDT”, da turma de “SPRINGSTEEN”, os “introduziu” na cerimônia do “ROCK AND ROLL HALL OF FAME” onde merecidamente os quatro estão. Disse maravilhas sobre o talento, a excitação e histeria que os “RASCALS” provocaram de 1965 até 1972. Foram 7 anos de sucesso. Depois… enfim;
Entre 1966 e 1969, foram os donos do HIT PARADE americano. Eles e os BEATLES. O BLEND de “R&B”, “BLUES-EYED SOUL”, “PSICODELIA” e um tipo de “PROTO-ROCK-JAZZ” os elevou ao topo! Sim, fizeram SUCESSO de PÚBLICO e CRÍTICA.
Dia qualquer o meu amigo FABIO DEAN provocou argumentando que “SEE” era mais bem realizado e sucedido do que um dos CLÁSSICOS da FASE PSICODÉLICA, “ONCE UPON A DREAM”, lançado em1968. Fiquei surpreso! Seria?
Voltei a escutar o álbum após décadas! E gostei bem mais! Constatei, inclusive, que também estão por lá “RON CARTER”, “BARRY GOLDBERG”, “HUBERT LAWS” e “CHUCK RAYNES”, músicos de alta performance – ahhh, vocês vão saber qual instrumento cada um tocou.
O nível TÉCNICO-ARTÍSTICO da banda experimentou o efeito de um “VIAGRA”! Subiu.
Artistas criativos, os “RASCALS” costumam não se conterem nos moldes. O que é mérito e risco.
Está no DNA da banda mesclar ou alternar ingredientes num cardápio onde a PSICODELIA, SOUL, R&B e ROCK se articulam na “FUSION POP” agradável e sofisticada que legaram. Em vários sentidos há vizinhança e influência no que fez o STEELY DAN – vizinhos de época e um quarteirão a frente no tempo.
O risco talvez tenha sido confundir o seu público tradicional. Os “RASCALS” fizeram em profusão SINGLES de muito sucesso. Contrastavam com LONG PLAYS mais elaborados e bem pensados.
“SEE” foi o penúltimo. Depois, encerraram carreira na “ATLANTIC” com “SEARCH AND NEARNESS”, de 1971, e que talvez seja o mais fraco de toda a discografia.
Em seguida saíram para a”COLUMBIA RECORDS”, onde feneceram com dois ótimos e derradeiros álbuns de “JAZZ-ROCK”: “PEACEFUL WORLD”, 1971; e “THE ISLAND OF REAL”, 1972. Em 1973, FELIX CAVALIERI seguiu e permaneceu em carreira solo; ainda canta bastante bem! Dizem as boas línguas que ele é um cara legal para conviver e trabalhar.
Então, procurem os dois discos que fez com o HIPER-CULT “guitar heroe” “STEVE CROPPER” . Em 2008 saiu “NUDGE IT UP A NOTCH”. E veio ao lume – eeepa! – “MIDNIGHT FLYER”, em 2010. São álbuns de R&B; dançantes e deliciosos de ouvir.
Algum tempo atrás, foi lançado um BOX com 7 CDS cobrindo tudo ou quase tudo o que os “RASCALS” fizeram. E apesar de eu já ter cada álbum e SINGLE, pus olho grande para consegui. Sou fã de carteirinha dos caras e recomendo que vocês também se tornem.
Experimentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
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E COLECIONAR TRILHAS SONORAS, QUE TAL?

Colecionadores de trilhas eu conheci alguns. O mais diversificado e compulsivo é o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo.
Pasmem! Uns 40 e tantos anos atrás eu e meu amigo Silvio Dean, outro refinado cultor de discos, fomos ao apartamento do ERIC, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
E conhecemos a incrível discoteca de LONG PLAYS, principalmente a extensa, rara e “caçada” por todo o planeta COLEÇÃO de TRILHAS SONORAS. Havia alguns milhares!!!!! Hoje, nem consigo imaginar quantos…. Doideira magistral!
Considere as dificuldades para erguer um patrimônio daqueles. É impossível saber quantos filmes de longa metragem foram produzidos ao longo da história – e até agora!!!! Fora outros vídeos, curtas metragem, trilhas para o teatro, novelas, séries de Tv, documentários, e vasto etc… não tabulável!!!
Talvez cinquenta por cento dos longas tenham TRILHAS SONORAS ORIGINAIS. As que foram lançadas em discos ou disponibilizadas por outros meios são milhares. Pense nos números que você quiser. Pouco importa… Coleciona’ – las dá trabalho, e certamente prazer infindável!
Só para esquentar o papo, quem sabe o padroeiro na atividade de “compor profissionalmente” tenha sido VIVALDI. Diz a lenda que fazia uma composição por dia para educar os alunos dele. Fez mais de 1000…
Era um WORKHOLIC. E trabalhou a tal ponto que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso querido padreco: “ele não compôs mil músicas; mas a mesma música 1000 vezes.” Julgue esta possível catilinária, mas seja compassivos…
O fato é que não há criação musical mais realista e avessa à hipocrisia do que escrever música sob encomenda. Pense nos caras e meninas que se dedicam a tal artesania. Dá um trabalhão doido! Existe prazo de entrega mas nenhum glamour, se pensarmos no processo e na implícita necessidade do produto refletir e se adequar ao filme sob o qual ela é inserida…
Dia desses oscilando entre o lusco-fusco mental e a sonolência da fria madrugada, eu assisti a um filme brasileiro sobre jovens algo além da adolescência e a caminho da maturidade: “A ÚLTIMA FESTA” é melhor do que eu suporia; e a trilha sonora é simples, moderninha e adequada ao filme.
Um bom compositor profissional de trilhas precisa deter conhecimento técnico e imaginação para combinar magia e tecnologia, ambas imprescindíveis para completar e materializar uma ilusão: o filme.
Estou cada vez mais tentado a assistir a filmes e vídeos. E talvez seja coisa de velho, mas não tenho ânimo para tentar colecionar TRILHAS SONORAS.
Mas vez por outra compro coisas correlatas ao JAZZ e ao ROCK – principalmente trilhas de filmes da década de 1960. E aqui estão algumas delas.
Então, jovens ou joviais desbravadores deem boa olhada nas telas. Ouçam mestres como ENIO MORICONNE, e outros modernos tipo ANGELO BADALLAMENTI.
E sem falar na complementação óbvia que são as trilhas acessórias, compostas por músicas caçadas por décadas afora recheando projetos… Aliás, formam o grosso do que postei…
Se tiverem coragem, há incontáveis milhares de discos soltos “pelaí”. TIO SÉRGIO deseja aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
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QUANDO O PAU CANTA QUEM TÁ FORA SE ENCANTA. O SHOW DE JERRY LEE LEWIS E OUTROS “CONTATOS DE PRIMEIRO GRAU” NADA CIVILIZADOS.

TIO SÉRGIO já vai esclarecendo que as fotos de discos do JERRY LEE LEWIS e dos AMBOY DUKES, a banda do guitarrista TED NUGENT em sua fase psicodélica, são meros pretextos para contar historinhas.
Os dois sempre foram “ISCAS DE POLÍCÍA”, para recordar o ITAMAR ASSUMPÇÃO que até onde sei não era encrenqueiro, mas atraía a repressão por outros motivos e preconceitos.
TED NUGENT é um reacionário e militante de extrema direita. Conta-se que acompanhava a polícia dentro dos camburões à procura de bandidos nas ruas…
Em minha casa ele não entra.
Nunca fui de briga. Sou um sujeito light e diplomático. Da turma do deixa disso… Passei a minha vida negociando, construindo convivências e conveniências, considerando o lado do carneiro e dialogando com a onça pra ver se ela se interessava por um gambá, digamos; ou, quem sabe, por uma saladinha de tomates e alface… essas coisas.
Compus vários acordos em situações inacreditáveis. Perdi outros. Na média, ainda pago e como a minha pizza com eventuais transações e negócios no mercado imobiliário.
Mas tio SÉRGIO, what porra was that? Você era arregão?
Eu diria que fui e sou um profissional da “Porrada Interrompida”. Um administrador de contrariedades. Muito comuns entre condôminos, proprietários e inquilinos e outras picuinhas cotidianas.
Porém, sempre que o ápice do impasse culmina em porrada, literais ou metafóricas, lá vou eu ver se dá pra contornar, deixar a coisa menos brusca, acomodar… Mas vi coisas. E não tão poucas; em que não intervim, e nem deveria.
Vou contar algumas;
Lá pelos doze anos de idade, tarde incerta cabulei aula junto com outros coleguinhas. Sei lá como ou porquê fomos parar em campinho no PLANALTO PAULISTA, perto da escola, e jogamos futebol contra a molecada dos arredores. Tudo foi de mal a pior, e acabamos enxotados pela turba local debaixo de pedras. Ainda bem que fuga foi em uma descida… Você se recorda disso, Renato César Cury?
Mais uma; Acho que até hoje existe a “PORTUGUESINHA”, que tinha um digamos…. estádio…. em terreno vago perto da rua LOEFGREN, nos limites da hoje CHÁCARA INGLESA, também em SAMPA.
Estávamos eu e meu “primoirmão” BETÃO assistindo a um jogo/batalha entre duas milícias futebolísticas rivais. Terminou em briga. Tínhamos nada a ver com aquilo. Mas um delinquente grandalhão tentou me afogar em um córrego, na verdade um corredor de fezes a céu aberto.
Apareceu sei lá de onde um adulto que impediu a minha execução.
Fui crescendo e as histórias melhoraram. Assisti a uma das grandes brigas em campo de futebol do meu tempo. Foi no estádio do NACIONAL ATLÉTICO CLUBE, time hoje quase inexistente mas que defendia sua honra em um estádio razoável, na Barra Funda, naquela época, um bairro operário.
Era a final do campeonato da segunda divisão, lá por 1969, sei lá…
Fomos assistir eu e o BETÃO, levados pelo tio ANTONIO GARINI, o TONICO, jornalista que virou nome de rua.
Tudo corria mal, muito mal, quando de repente eclodiu bacobufo generalizado. Começou dentro do gramado e, como bomba de napalm, espalhou-se e incendiou geral e arquibancadas.
Só foi contido quando chegou a polícia, muitas vezes Instituição especializada em transformar desentendimento em guerra fratricida… e botou pra quebrar.
Não fugiu de minha memória o “huno barrigudo” sentado no topo do alambrado cobrindo de porrada e porretadas qualquer um que se aproximasse. Mas foi derrubado por uma facção de torcedores e teve a bunda chutada, ritmicamente, por uns 5 minutos enquanto tentava escapar.
Não conseguiu… e foi resgatado pela milicada, que aproveitou para “crismá-lo” para ver se acalmava.
Outra;
Eu tinha, sei lá, uns 19 anos quando em um bailinho duas tropas de joviais projetos de criminosos se confrontaram, depois de um dos líderes ter sido jogado escada abaixo na casa da menina que os convidou para o aniversário… A coisa ficou incontrolável; e a polícia cercou as duas pontas da pequena e bucólica rua onde a infeliz e chorosa aniversariante morava.
Estávamos eu e meu outro “amigoirmão” Aldahyr Ramos. Conseguimos, milagrosamente , fugir da festa sei lá como… Foi literalmente todo mundo preso! Menos a gente.
A última encrenca de que me recordo foi no SHOW que o grande pianista e ROCKER , JERRY LEE LEWIS, deu em SAMPA, anos atrás.
O PALACE, casa de shows que não existe mais, no bairro de MOEMA, estava cheio. A banda segurava o míssil enquanto a produção tentava trazer JERRY LEE para o palco. Ele estava bebasso e demorou a eternidade!!! A plateia estava indócil, xingava e, gritava. Havia muita gente tão bêbada e drogada quando o astro.
Em certo momento entra o JERRY. Senta-se ao piano e detona do jeito que conseguiu uma sequência de seus clássicos. A turba reagiu empática dançando, gritando, e alguns tentando invadir o palco, e sendo impedidos pela segurança.
Em meio ao furdunço, um guapo etilizado suspendeu a namorada no ombro. Tampou geral a visão dos hooligans em volta… As consequências vieram imediatamente. Uns sujeitos reclamaram na base da grossura. Mas nem a bunda desceu do ombro, e nem os braços do namorado recolocaram a bunda e a moça no chão…
E não deu outra: alguém tascou certeira dedada no centro do rabo da menina, que ainda estava suspenso no pescoço do cara. Um berro! xingamentos e o pau cantou perto de mim mais alto do que o JERRY LEE!!!!!
Separa daqui, tira de lá; enquanto os seguranças distribuíam fartamente pescoções, porradas e chutes. Um festival de MMA ao som de ROCK AND ROLL. Um monte de gente foi “convencida” a se retirar.
O show inteiro durou menos do que uma hora. JERRY LEE saiu de cena sob protestos generalizados. A banda procurou manter o clima, com o baixista tentando cantar, etc. e tal.
Resumo: foi uma merda. Inesquecível merda para esses nada tristes trópicos… 😀Daquele momento em diante, fugi da maioria dos shows ao vivo.
POSTAGEM ORIGINAL: 21\06\2025
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THE UNTHANKS – DIVERSIONS VOL 1 – 2011 THE SONGS OF ROBERT WYATT and ANTONY AND THE JOHNSONS

São duas irmãs: RACHEL e BECKY UNTHANK. Aliás, que sobrenome se verdadeiro! Cantam muito bem e com suavidade. Em uníssono, algumas vezes – o que nos dá a dimensão e a intensidade pretendidas para um projeto sui-generis.
Foi gravado ao vivo na UNION CHAPEL, capela com acústica espetacular onde o PROCOL HARUM também gravou um DVD imprescindível, háuns 20 anos.
O projeto consiste em repertório de dois dos mais solitários e desolados compositores do POP/FOLK/VANGUARDA: ANTONY HEGARTY e ROBERT WYATT, são ingleses.
Se você acha NEIL YOUNG e JONI MITCHELL desamparados, reflexivos e tristes, vai sentir pena desses dois eleitos. Perto dos quatro, BJORK é um monumento ao calor humano e alegria explícita em estado viral contagiante!
A interpretação das duas moças e adequada banda que as acompanham, capta a essência alternativo-expressivo do repertório escolhido.
O público vibra empolgado a cada intervalo!!!! Depressão, melancolia e recato têm seus fãs. O cantar bem mais ainda. Elas transmitem a desolação solitária das melodias. É belo, adequada e suavemente triste. Não lembram ANAVITÓRIA.
Tente.
POSTAGEM OIGINAL: 21\06\2020
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BLUE NOTE RECORDS: FUNK & SOUL JAZZ & “EVERYTHING I DO GONNA BE FUNKY…FROM NOW ON”…

“My friends calll me LOU… LOU DONNNNAALLLDSONNN!”
Assim começa a entrevista em documentário sobre a CULT GRAVADORA-BOUTIQUE “BLUE NOTE”.
O grande “LOU DONALDSON” e aquele jeito “BLACK/HIP” que consagrou “LOUIS ARMSTRONG”, se apresenta ao documentarista falando com essa entonação!
A respeito da “BLUE NOTE” há muito a dizer. Aqui, um pequeno enclave com discos “FUNKEADOS”, DANÇANTES, para esquentar quaisquer festas!
Ninguém fica imune ao ÓRGÃO de “JIMMY SMITH”; ao SAX de “LOU DONALDSON”; e muito menos resiste ao PIANO com travo “AFRO-LUSO” de “HORACE SILVER”. E todo mundo sai dançando ao som do TROMPETE de “DONALD BYRD”. É uma ordem enviada pelo corpo!
Essa gente faz CEMITÉRIO VIRAR BAILE. Levanta os vivos e os mortos-vivos, também. E há quem afirme: “DEADS CAN DANCE” – pois até defuntos “convictos”, autopsiados e enterrados sacodem! Fiquem atentos, porque há ZUMBIS CONVERTIDOS em FÃS – seguramente!
Os churrascos na casa do meu cunhado, o TONINHO PAES, deixaram lembranças. TIO SÉRGIO gravou muitos CDS “FESTEIROS” com repertório escolhido na turma da BLUE NOTE, em R&B sofisticado, e muita, – mas muita mesmo -, MPB de qualidade.
Eu propiciei antessalas para aquecer o ambiente. Ao mesmo tempo, o pessoal do “RAIZ 40” – que faz ao vivo SAMBA, CHORO e a MELHOR MPB – preparava os INSTRUMENTOS para entrar em cena. E, claro, todo mundo afiava o paladar com caipirinhas, diversas várias cervejas, linguiças, carnes e o que mais houvesse!
A turma na foto ajudou a incendiar a festa. São artistas do balacobaco! Mestres do BALANÇO, veículos de alegria com o charme peculiar da negritude.
Mas TIO SÉRGIO, e o “ALLEN TOUSSAINT”? O que faz aqui ?
Ora, mesmo sendo de outra gravadora, é artista raro e precioso. E a frase “EVERYTHING I DO GONNA BE FUNKY… FROM NOW ON” é canção e título de um ÁLBUM do cara”.
E balanço mais refinado vai ser difícil encontrar neste planeta!
Tentem; porque vocês vão comprovar!
POSTAGEM ORIGINAL: 19\06\2020
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COMPACTOS, SINGLES E O INÍCIO DA MINHA DISCOTECA.

“Jacaré comprou cadeira e não tem bunda pra sentar… E “TIO SÉRGIO compra discos sem vitrola pra tocar!”
Pronto; tomei emprestado verso maroto de uma velha “canção infantil” e fiz paráfrase… Hummmm!
Foi assim até 1968. Eu comprava discos – long plays, compactos e “singles” – e ia para a casa de meus tios ou a dos amigos SILVIO DEAN ou FRED FRANCO JR. para escutar.
Naquele ano, FERNANDO, o meu pai, afiançou o primeiro “CONJUNTO DE SOM” que comprei: um PICK-UP GARRARD; AMPLIFICADOR LAB – 20 e par de CAIXAS ACÚSTICAS – ambos da GRADIENTE. Todos excelentes equipamentos que mantive até o final dos anos 1970.
Eu paguei em 36 meses no “carnê”, porque era possível naqueles tempos pré inflação galopante da era GEISEL (1974/1979) em diante, e até o governo F.H.C (1994/2002) dar jeito definitivo no flagelo.
Há muitos equipamentos “VINTAGE” ainda em uso. Aguentam o tranco por anos a fio e com o som permanecendo bastante bom. Não é incomum se dar de cara com algum POLYVOX, GRADIENTE, GARRARD, BANG & OLUFSEN e outros. E quando bem conservados honram discotecas e colecionadores.
Com o tempo, fui aos poucos substituindo COMPACTOS e SINGLES por LONG PLAYS. E aqui estão os que restaram na discoteca.
1)”FOUR TOPS” foi o primeiro disco que adquiri com a minha própria grana, em 1965. Eu lavava louças para minha mãe e recebia – quando recebia… – o equivalente ao preço de um COMPACTO SIMPLES.
“REACH OUT I,’LL BE THERE” é CLÁSSICO da “SOUL MUSIC”! ESPETACULAR!
2) “SOUL SURVIVORS”, banda americana de BEAT/R&B em SINGLE MATADOR! Eram de Nova Jersey e quase clones dos “RASCALS”!
Foi o primeiro disco importado que consegui, lá por 1968. Os dois lados são muito legais: EXPRESSWAY TO YOUR HEART fez sucesso.
Tenho em CD. Porém, o lado B, “HEY GIP”, composição de DONOVAN, foi arranjado como GARAGE ROCK e é infinitamente superior ‘a versão do LP. Órgão ‘a “THE DOORS”, mas sem o talento e “SPIRIT” de “RAY MANZAREK”, dá sabor ao caldo.
Busquem no YOUTUBE este SINGLE SENSACIONAL!!!!
3) “MOODY BLUES”, um raro COMPACTO SIMPLES brasileiro do selo DERAM. O lado “B” é a minha música predileta: “TUESDAY AFTERNOON”, do CLÁSSICO álbum “DAYS OF FUTURE PASSED”, lançado em 1967.
No lado “A” está “VOICES IN THE SKY”, faixa do LP seguinte, la
de 1968, “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”. A mistura de repertório de discos diferentes era tipica daqueles tempos.
Em 1968, inebriado por cansar de ouvir “NIGHTS IN THE WHITE SATIN”, dia incerto desci do ônibus, entrei em uma “lojeca” e vi este COMPACTO. Houve um PROBLEMA: o meu salário entraria dois dias depois. RESUMO: NUNCA MAIS ENCONTREI O DISCO!
No entanto, CONSEGUI ESSA CÓPIA UNS 45 ANOS DEPOIS, VIA INTERNET!!!!!!
4) “THE PLASTIC PEOPLE”, 1967. É americano. ROCK DE GARAGEM PSICODÉLICO. A produção é de um GÊNIO quase obscuro chamado “CURT BOETTCHER”, produtor muito próximo aos “BEACH BOYS” e ao “THE ASSOCIATION”.
Anos atrás, encontrei na INTERNET e COMPREI! É RARÍSSIMO, a EDIÇÃO BRASILEIRA é da “MOCAMBO ROZEMBLIT”. Conheci porque o meu amigo-irmão SILVIO DEAN teve este compacto.
Sei lá como e porquê saiu no BRASIL!
E curiosamente, na mesma “SAFRA” com “MY LITTLE BLACK EGG”, um cult subterrâneo gravado por THE NIGHTCRAWLERS”, hoje quase famoso “ROCK DE GARAGEM” que aparece em várias COLETÂNEAS DE “NUGGETS”.
5) Adicionei mais dois que consegui em SINGLES e hoje tenho em CDs: “OHIO EXPRESS”, em BEG, BORROW AND STEAL ; e “THE MUSIC EXPLOSION”, com I SEE THE LIGHT. São “GARAGE ROCK” PRA VALER, gravadas por duas bandas mais identificadas com o “BUBBLEGUM”. Repetindo, foi o que restou da discoteca primal que mantive até mais de MEIO SÉCULO ATRÁS.
HOJE, tenho saudades e algum arrependimento por a ter descartado. Então, vez por outra recompro o que aparece quando é barato é bem conservado.
Procurem conhecer esses artefatos. São bem interessantes!
POSTAGEM ORIGINAL: 16\06\2020
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BEATLES, PRIMEIRA FASE 1963/1965 – EM BOX JAPONÊS: OU COMO RECLAMAVAM, CHORAVAM E BALIAM ESSES “CABRITLES”!!!!!!!!!!!!!!

Comprei o BOX anunciado diretamente pela UNIVERSAL MUSIC. Lá estão os cinco primeiros LONG PLAYS lançados no Japão, na década de 1960 – é claro!
Tudo o que fazem nossos brothers de olhinhos puxados quase sempre é trabalho exuberante, meticuloso e graficamente; e a qualidade sonora é a melhor possível naquele momento.
Está tudo lá. Por isso, justificam os R$ 999,00 MANDACARUS que paguei pelo produto. Algo tipo $40,00 ( quarenta dólares!!! ) por cada disco. Incluídos o BOX e o LIVRETO escrito em japorongo, e com as letras originais das canções em inglês.
Coloquei na foto outro raro CD em edição japonesa: “INTRODUCING THE BEATLES”, lançado em 1964, pela VEE JAY RECORDS, nos EUA… O vinil original custa uma baba!
Esta fase dos BEATLES situa-se num período anterior ao que hoje é a fronteira do conceito de OLDIES: os lançamentos após 1966, mais ou menos. Em linguagem de Rocker vai da PSICODELIA PRA FRENTE – de 1966 até, quem sabe, ao surgimento do BRITPOP, lá por meados da década de 1990 …. Seria?
Os BEATLES antes de “REVOLVER”, 1966, é VINTAGE, mesmo!
Mas, TIO SÉRGIO, e daí?
Pois, é: do ponto de vista das letras juvenis e rasas que tive a paciência de velho aposentado para revisitar, é um compêndio de “sofrências” que devem nada aos atuais sertanejos”made in Brasil” !!!
Há umas 60 canções narrando casinhos semelhantes, mas com a essência do BEAT – melodia e ritmo que a todos encantou e trouxe muita grana para JOHN, RINGO, PAUL e GEORGE. E, claro, para a PARLOPHONE, a gravadora que os lançou. Tudo legítimo, consagrado – e no passado…
A maioria os contemporâneos dos BEATLES estava nessa juvenília estacionária que mal dava dicas do que viria a ser o ano de 1968 e suas repercussões: o marco da verdadeira REVOLUÇÃO de COMPORTAMENTOS, na POLÍTICA e na sociedade.
Do ponto de vista musical, aqueles HITS são pegajosos e aderentes, poucos de minha geração deixavam de gostar. Eu confesso: continuo gostando.
Porém, há uma PULGA de mais ou menos 1,80 metros de altura bem atrás de minha orelha direita, que permanece retumbando e picando a lucidez que desconfio possuir… E me pergunto se são “esses BEATLES” que as gerações atuais dizem gostar?
Eu acho que não. Mas será?
Resumindo: quanto mais ouço esta fase dos “CABRITLES”, mais gosto dos KINKS e de RAY DAVIES, o letrista principal. E dos YARDBIRDS, outro convivente inigualado. E, mesmo dos SEARCHERS, para muitos a melhor banda de LIVERPOOL naqueles dias; mas com a vantagem/desvantagem de gravarem covers ou composições inéditas de profissionais mais “capacitados”…
Nem vou citar os ROLLING STONES, já transgressivos e desviantes em 1965 com SATISFACTION, o HIT atemporal que demarcou a diferença entre eles e aqueles “meninos sofrência choramingões” – sempre sujeitos a pés-na-bunda descritos nas canção que gravaram…
Eu compreendo a inevitabilidade da supremacia de BOB DYLAN, PAUL SIMON e outros. Letristas capazes de oxigenar aquele ar intelectualmente rarefeito, e que trouxeram o ROCK a patamares bem mais elevados. Para não citar a notável criação POP da concorrência. Não esqueça de BRIAN WILSON e os BEACH BOYS – quase sempre encostando ou ultrapassando os caras de LIVERPOOL…
Claro, cometo exageros. Afinal de contas, no espaço/tempo histórico de de uns 3 anos os BEATLES conseguiram produzir REVOLVER, RUBBER SOUL e SGT PEPPERS..
TIO SÉRGIO acha que naquela primeira fase os BEATLES foram melhores no ROCK do que no POP. Músicas do naipe de “I SAW HER STANDING THERE”, “BOYS”, “TWIST and SHOUT”; e já em outro nível “I FEEL FINE”, são muito melhores do que “I WANNA HOLD YOUR HAND”, “FROM ME TO YOU”, e etc.
E HELP é um disco de sofrível para baixo, desvelando o buraco criativo em que estavam metidos, entre 1964/1965. Apesar de “YESTERDAY”, talvez a primeira composição de LENNON e McCARTNEY cuja letra tenha superado o óbvio esperneante.
Pois é, pessoal; eu convido vocês à imersão nos BEATLES dessa fase. Se puderem consigam edições mais bem elaboradas do ponto de vista técnico. Será elucidativo encarar e comparar com os passos à frente – não muito tempo depois. Com RUBBER SOUL, REVOLVER e SGT PEPPERS, acrescidos dos SINGLES e EPS da fase PSICODÉLICA ( 1966 em diante ), a conversa muda de pato a sapato.
A minha aposta é que a turma gosta, mesmo, é dali pra frente.
POSTAGEM ORIGINAL: 16\06\2022
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CURVED AIR & SONJA KRISTINA LINWOOD, E OUTROS MEMORÁVEIS

O primeiro contato do TIO SÉRGIO com o CURVED AIR deu-se lá por 1973, quando comprei o “SECOND ALBUM” lançado em 1971.
Claro, eu vinha fascinado pelo RENAISSANCE, o concorrente direto já em pleno voo e bastante sucesso.
O violinista “DARRYL WAYS” e o tecladista “FRANCIS MONKMAN”, ambos formados no “ROYAL COLLEGE OF MUSIC”, compuseram o arranjo para a canção “JUMBO” mostrando com leveza e nuances musicais, o conforto de voltar para casa em uma viagem no “super-avião”. É canção linda, “sonoramente visual e descritiva”. E ao mesmo tempo reconfortante, tensa e plena de boas sensações!
O “CURVED AIR” foi concebido e criado por eles, que se encontraram por acaso em uma loja de instrumentos musicais em Londres. Ambos divergiam muito. No entanto, auxiliados pelo bom baterista de nome intrigante e vampiresco, “FLORIAN PILKINGTON-MIKSA”, e por vários baixistas que por lá passaram eles conseguiram forjar um conceito e formar grupo que e se tornou o embrião do futuro “CURVED AIR”.
Mas a banda realmente floresceu quando a cantora “SONJA KRISTINA LINWOOD” entrou. Ela fazia parte do elenco da encenação inglesa da peça “HAIR”… e sempre usou do lado “atriz” para sedimentar e integrar a sua performance ao grupo.
Além de moça bonita e de presença marcante, a maioria das letras foram compostas por ela – uma figura ao mesmo tempo diferenciada e típica do ROCK INGLÊS.
KRISTINA começou tocando e cantando FOLK. Gostava de “DUSTY SPRINGFIELD”, “BUFFY SAINTE-MARIE”, “INCREDIBLE STRING BAND” e DONOVAN – é claro! Um arsenal estilístico e artístico de forte impacto.
“SONJA” tem voz pequena mas clara, afinada, expressiva e delicada. Treinou muito e a ponto de se tornar, depois, professora de técnica e empostação vocal. Ela canta muito bem – e dizem que até hoje!
Para o “CURVED AIR”, “SONJA LINWOOD” trouxe outras bagagens. Ela gostava da voz “fantasmagórica” de “JANE RELF”, a vocalista da primeira encarnação do “RENAISSANCE” – com quem o “CURVED AIR” concorria diretamente na mesma pista no ROCK PROGRESSIVO: a fusão criativa e oscilante entre o FOLK, o CAMERÍSTICO e o PROGRESSIVO SINFÔNICO.
KRISTINA foi influenciada inclusive pela “improvável” “DOROTHY MOSCOWITZ”, cantora de voz ácida e doce da banda americana cult e alternativa, “THE UNITED STATES OF AMERICA” – que legou apenas um álbum, lançado em 1968.
Mas os caras estão entre os pioneiros do ROCK DE VANGUARDA. Experimentais e algo melódicos, combinavam eletrônica e violino. É nítido: uma banda que faz música de nome “I WON´T LEAVE MY WOODEN WIFE FOR YOU, SUGAR”, precisa ser redescoberta. Vocês concordam?
Este background formou a cabeça de SONJA KRISTINA e a base do CURVED AIR, um compósito em parte inspirado pelos também americanos “FLOCK” e “IT´S A BEAUTIFUL DAY” e até o “JEFFERSON AIRPLANE” em sua transição para “JEFFERSON STARSHIP”. Todos já usavam o violino – mesmo que em contexto mais “FOLK / COUNTRY ROCK”.
O “CURVED AIR” era impactante no palco, comprovado em “LIVE”, álbum de 1975… Eram craques principalmente em estúdio. Talvez porque músicos formados em conservatórios e universidades.
As sequências construídas em cada música fluem. As passagens engendradas tema-solos-tema ou riffs e soam perfeitas, confirmando a qualidade dos arranjos.
É muito bom observar “YOUNG MOTHER” e “PEACE OF MIND”, também no “SECOND ALBUM”. E não deixem de escutar o disco de estreia, AIR CONDITIONING, 1971, o primeiro “PICTURE DISC” da história. É objeto cult e de coleção onde está o clássico predileto do público: “VIVALDI”. E procurem o excelente terceiro LP, PHANTASMAGORIA, lançado em 1972. Os três formam a série mais criativa entre os sete álbuns que gravaram!
Depois do terceiro disco, os desacordos entre DARRYL WAY e FRANCIS MONKMAN levaram à desintegração da banda.
E sobrou KRISTINA, que recompôs o grupo com o tecladista “KIRBY GREGORY”, e o menino – prodígio do violino, “EDDIE JOBSON”, de apenas 17 anos de idade. Eles gravaram AIR CUT, em 1973.
A carreira de SONJA tornou-se algo instável. Em 1974, estavam todos duros, ela contou. Aliás, sempre foram. Empresários ficavam com a maior parte da grana, e a carga absurda de impostos na Inglaterra da época fazia músicos e outros profissionais trabalharem dobrado e loucamente para se manterem.
Ela foi, ainda com a banda existindo, auxiliar de escritório, e depois “croupier” no PLAYBOY CLUB!!!! Um acinte!!!!
No final da saga, já casada com o novo baterista do grupo, “STEWART COPLAND” – sim, ele mesmo! que anos depois formou o “POLICE” com “STING” e “ANDY SUMMERS” -, “SONJA” voltou vez por outra aos palcos como atriz, e fez mestrado ligado à área da música e virou também professora de canto. KRISTINE gravou alguns discos solo. Entre eles, MASK, considerado muito interessante.
Da mesma forma que outros artistas de talento, o “CURVED AIR” reformou-se e existe até hoje com certo sucesso nos circuitos de shows mundo afora.
Estiveram no BRASIL junto com o “RENAISSANCE”, de “ANNIE HASLAN”, em 2022 – e agradaram. Ambos permanecem na vida dura e contínua na perigosa rodovia do ROCK. São ícones; e nós eternos carentes de música criativa.
Tentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 15\06\2026
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