UM SÁBADO A TARDE, EM 1973… COM BOB SEGER e THE BLUE OYESTER CULT!

Eu me lembro com nitidez de certo sábado à tarde, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia e suponho que tenha sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas desfrutando raro momento de completude. Mais de 50 anos se foram. Porém, aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973 já havia grandes lojas que importavam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é – e sempre foram. Mas ainda não existiam a WOP BOP e a BARATOS AFINS, duas lojas que fizeram história por terem congregado um certo público UNDERGROUND que curtia ROCK e seus arredores.
Informações do exterior existiam; e mesmo poucas e truncadas aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE – já circulando por aqui. E, também, nos jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o “novo’: as notícias da pós suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não duraram o suficiente, mas deixaram marcas feito tatuagens mal removidas.
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, na segunda metade dos 1960: “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”. Estilingadas certeiras.
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN naquela mística do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD”, e torturado pela imprecisão psicológica, feito JAMES DEAN ou JIM MORRISON. E daí o fascínio que me causava.
BOB chegou ao sucesso de verdade anos depois, em 1977/1978. Mas jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”.
O disco foi feito no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite do SOUL e R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
“BACK IN 72” é um “espécime” perfeitamente integrado ao HARD ROCK & RHYTHM ‘n’ BLUES, também em voga naqueles tempos. Aqui, BOB SEGER está acompanhado por craques: J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e quase desconhecido álbum! E continua brilhando para ser pescado no fundo do poço do tempos.
Experimente. Vale a pena!
Também recordo ter separado o BOB SEGER enquanto rolava no PICK UP disco chegado naquele momento: o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Outro impacto fulminante! Um míssil direto no cérebro e no corpo
TIO SÉRGIO considera o melhor disco que fizeram. Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY e algumas novidades tecnológicas como “delays” e outros “babados”. As faixas estão interligadas e sem espaços; o que emite a sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
É álbum bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, é claramente americano; como o CAPTAIN BEYOND e o KANSAS. Ou o DUST e o GRANDFUNK RAILROAD.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso na década de 1970/80. E gravou outros discos bastante bons. O BOX aqui postado – aliás lançado no BRASIL não sei exatamente quando – traz os três primeiros álbuns da banda. São bons; mas nenhum se equipara ao primeiro – na foto, inclusive em edição para audiófilos.
Talvez seja por causa desses discos que a memória daquele inesquecível sábado me sequestra até hoje.
Eu desejo a todos vocês uma experiência tão definidora e cativante quanto a que tive. Foi um dia que vivi, e existi de verdade.
POSTAGEM ORIGINAL: 31\07\2025
Pode ser uma imagem de texto

VERVE RECORDS – THE SOUND OF AMERICA – 2013 THE SINGLES COLLECTION – 1947 / 2001

COLEÇÃO DESSA DEMOCRÁTICA E REVOLUCIONÁRIA MARAVILHA: OS “SINGLES”
Há dias em que o TIO SÉRGIO agradece à vida e as Céus por existir, e ter o privilégio de ser contemporâneo a certas maravilhas quase indescritíveis!
O tempo inteiro estamos submetidos a quantidade imensa de irrelevâncias ou a bens culturais simplesmente ruins. Em geral, há pouco incentivo para ultrapassar o hipermercado de vulgaridades que nos oferecem.
Mas nem sempre. E, se procurarmos bem, há muita coisa além do meio-fio. E como há!
Dia desses, caçando “pelaí” via internet, dei de cara com esta caixinha espetacular! Eu já sabia dela; havia dado uma biscoitada, anos atrás. Mas, como a FADINHA MASTERCARD não aceita desaforos, fui adiando até que rolou cachoeira virtual abaixo…e sumiu.
Hoje, é um objeto raro e precioso!
É BOX com cinco CDS contendo CEM SINGLES de JAZZ e seus arredores, lançados pela VERVE RECORDS durante sua fase áurea. E traz artistas magníficos e gravações mais ainda!
O BOX em si não está bem conservado. Mas o LIVRETO, os CDS e respectivas capas estão em núpcias com a perfeição! Custou relativamente pouco. Anos atrás, saiu por uns R$ 160 mandacarus, incluindo o frete. Algo em torno de $ 35,00 TRUMPS. Foi comprado através da AMAZON.
Há várias gravações lançadas em 78RPM, e principalmente SINGLES – aqui no BRASIL conhecidos por COMPACTOS – simples ou duplos. São artefatos que simbolizaram o máximo da popularização e popularidade que um artista podia almejar.
É o produto mais democrático que a indústria da música criou e dispôs para os seus consumidores. Satisfazem do milionário ao pobre. É o hit em “gotas” pronto e barato para os fãs; ideal para as rádios; e meio simpático para divulgação do artista. Todo mundo gosta!
Dos anos 1940 em diante, o SINGLE tornou-se tão importante, que em 1956 havia mais de 750 mil JUKEBOX, as máquinas de tocar os discos, espalhados pelos EUA!!! Não vou repetir!!!
Os SINGLES deram vida aos bares; foram instrumentos para disseminação de HITS; portanto, fomentadores de vendas. Além de meio eficaz de produzir receitas financeiras através de royalties, sempre que postos a tocar em JUKE BOXES que formavam o “STREAMING” da era do vinil.
FRANK SINATRA foi quem modernizou a estratégia de marketing da música. Ele exigia das gravadoras lançar SINGLES um atrás do outro. Era o seu compromisso com os fãs, e ele jamais deixou de lado.
SINATRA somente trocou a COLUMBIA RECORDS nos 1950, quando teve certeza de que a CAPITOL usaria os LPS para o seu trabalho mais refinado; e manteria para o consumidor normal SINGLES em profusão. Um respeito à livre escolha do cliente…E uma ideia de gênio!
A VERVE mesmo especializada em JAZZ, BLUES e imediações, aproveitou-se bem esse mercado. Usou e divulgou talentos como CHARLIE PARKER, LESTER YOUNG, OSCAR PETERSON, ELLA FITZGERALDO, JIMMY SMITH, BILLIE HOLIDAY e tantos e tontos…
Depois, lançou a BOSSA NOVA com STAN GETZ, TOM JOBIM, ASTRUD e JOÃO GILBERTO, já na fronteira com a década de1960. O SINGLE “GAROTA DE IPANEMA” vendeu feito chicletes.
A VERVE foi além do JAZZ e do POP sofisticado e incentivou lançamento em SINGLES de canções temas de filmes.
E gravou, também, artistas como WES MONTGOMERY, BILL EVANS e WILTON KELLY em HITS melodiosos e melosos – precursores do LOUNGE.
A gravadora jamais perdeu o foco no que era vendável. E animou festas incontáveis através de seu elenco primoroso tocando músicas dançáveis em alto astral! Jamais se ouvirá HOOCHIE COOCHIE MAN, de MUDDY WATERS , como na versão de JIMMY SMITH! Suprema!
A gente costuma esquecer, mesmo porque fora do “core” da gravadora VERVE, que o VELVET UNDERGROUND; THE BLUES PROJECT, RIGHTEOUS BROTHERS, RICK NELSON e FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION também gravaram por lá! Mas não fazem parte desse BOX – focado no JAZZ, BOSSA e algum BLUES.
Tudo considerado, o SINGLE é o artista em essência iluminado para consumo. A maioria dos LONG PLAYS, em qualquer época, não resiste ao filtro de audição mais crítica. Grande parte das músicas é para preencher o espaço. Um SINGLE, ou um EP são mais honestos. Os tempos que fogem e os custos de produção poderão impor um novo padrão.
Seja como for, é um BOX espetacular, animado e variado; retrato perfeito do talento de seus artistas. Se aparecer na frente, não deixe passar!
POSTAGEM ORIGINAL: 31\07\2021
Nenhuma descrição de foto disponível.

NINA SIMONE “SINGS ELLINGTON” – COLPIX, 1962

VINIL BRANCO – 180 GR – EDIÇÃO LIMITADA
Eu recordo de versão sacana de OH, SUZANA, canção popular do folclore americano que a garotada no início da década de 1960 costumava cantar pra chatear a professora no recreio. Vai aí:
“OH SUZANA, NÃO CHORES POR MIM… PORQUE VOU PRO ALABAMA TOCANDO BANDOLIM” . A segunda frase os pequerrucho substituíam, gargalhando, por: “JACARÉ COMPROU CADEIRA, E NÃO TEM BUNDA PRA SENTAR…”
Pois, é: eu vez por outra compro algum LP, alguma edição oficial alternativa à primeira no país de origem. Sempre da mesma época, mas lançada em outro país, essas coisas. Acho bonito.
Na começo dos 1960, era normal as edições inglesas e americanas serem diferentes. Algumas totalmente modificadas combinando dois, três LPS em um só. Inclusive com outras fotos de capas.
E comparem, também, com os lançamentos da época no BRASIL! Se considerar edições suecas e japonesas, então… permitam o neologismo, eram muitas vezes, “reoriginalizadas” da capa ao conteúdo. Com o tempo, isso tudo virou item de coleção. E me interessa.
Eu venho pensando: se tenho todas as músicas do artista em algumas das edições em CDS; então, por que não conseguir, aos poucos, outras peças interessantes em VINIL? E mesmo que eu não as ouça; e apenas para completar coleções?
E assim, dei de cara com este LONG PLAY atualizado: NINA SIMONE “SINGS ELLINGTON”, original da COLPIX, lançado em 1962! A capa tem foto ultra expressiva! E a prensagem em VINIL BRANCO é de qualidade e beleza nítidas.
O álbum chegou via “FADINHA MASTERCARD” por $ 20,00 – uns R$ 100,00 MANDACARUS…Aproveitei porquê a festa pode estar acabando…
A maioria das músicas eu tenho em CDS. E, claro, posso ouvir o disco inteiro via “STREAMING” – se eu quiser…
É um bom disco, e pega EUNICE WAYMAN já artista madura, com 29 anos, e a voz expressiva de sempre. Porém, ainda sem o acento grave e rústico que desenvolveu posteriormente – e a celebrizou.
O repertório é DUKE ELLINGTON, clara garantia de qualidade, mesmo sem a orquestração do mestre.
Os “VINTAGES” como o TIO SÉRGIO aqui, identificam a intenção e sonoridade em gravações de orquestras acrescidas por corais de gostinho GOSPEL pós DOO-WOP. Por exemplo, em RAY CHARLES, no mega HIT “I CAN´T STOP LOVING YOU”, que explodiu mundo adentro, em 1962, também…
Resumindo, o disco segue mais ou menos por este caminho: conteúdo algo POP, comercial, e não jazzístico. Ainda assim, está presente aquela fleuma BLACK – BLUESY, do RHYTHM´N´BLUES quase ROCK do final dos 1950, até por volta de 1964.
Nem sempre NINA SIMONE é boa cantora. Contudo e todavia, ela e LOUIS ARMSTRONG são os mais expressivos intérpretes da negritude vocal americana!
NINA SIMONE é o nome criativamente artístico que EUNICE adotou juntando a expressão espanhola “NINA”, que significa “MENININHA”, com homenagem à grande atriz francesa SIMONE SIGNORET.
NINA pretendia tornar-se a primeira americana preta pianista de música clássica. Estudou pra valer. Tinha talento, técnica e determinação. A vida, no entanto, a levou para polo correlato.
Para manter-se começou a tocar e cantar em clubes, bares, e foi descoberta. O vozeirão magnífico a desviou da meta.
Gravou os compositores essenciais da canção americana. Foi de GERSHWIN a COLE PORTER, passando por o que você lembrar… Trouxe ao repertório do POP ululante dos BEE GEES ao refinamento alternativo de LEONARD COHEN. Passou por SANDY DENNY… ziguezagueou OVER, UNDER , SIDEWAYS DOWN…
Muito sintética e inteligente, ela dizia fazer “BLACK CLASSIC MUSIC”, aquela somatória imensa de influências da cultura negra na moderna música popular americana.
NINA SIMONE é um patrimônio da humanidade! Deixou 69 ÁLBUNS; deu 3535 concertos e gravou 152 SINGLES e EPS. Construiu STATUS enorme como cantora e intérprete diferenciada, até morrer ao 70 anos, em 2003.
Eu adoraria encontrar um EP. onde estão três músicas em gravações estelares que ela deixou: “I LOVE YOU PORGY”, “I PUT SPELL ON YOU” e “DON´T LET ME BE MISUNDERSTOOD”. Cairia bem na coleção que vou fazendo com os discos dela.
E se JACARÉ COMPROU CADEIRA E NÃO TEM BUNDA PRA SENTAR; O TIO SÉRGIO COMPRA VINIL MAS SEM PICK UP PRA TOCAR!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\08\2023
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto

MULHERES ARRASANDO NO CONTRABAIXO! E COMO TOCAM!!!

É interessante o que há de mulheres arrasando no CONTRABAIXO! Impressiona! Estão em diversos ritmos, estilos, e são de várias nacionalidades.
Início de madrugada qualquer, fui desligar a televisão; mas dei com show do JEFF BECK, em TÓQUIO. Pois bem, talvez pela primeira vez ouvi BECK tocando telegraficamente. VERSÕES mais curtas, fabulosas, entre os seus clássicos, novidades e beyond. O gênio em ação.
Mas, como de costume, não era só ele. A banda coesa e formada por músicos virtuosos; o trivial variado que sabemos desde sempre. Entre eles, a baixista, RHONDA SMITH, canadense, preta, e dez anos tocando com o PRINCE. Um arraso em técnica e ritmo.
O surpreendente ( seria ? ) é que RHONDA substituiu TAL WILKENFELD, australiana e loira, que também esteve com JEFF BECK no famoso concerto no RONNIE SCOTT, e por um tempão mais.
Quem ouviu TAL sabe do que estou falando – e HERBIE HANCOCK, os ALLMANN BROTHERS, CLAPTON e mais um monte de gente concorda. É muito jovem, quase menina! E toca o fino!
Existe uma tradição no BAIXO ELÉTRICO muito bem simbolizada por CAROL KAYE, “The First Lady of Bass”, nome de um documentário sobre ela. CAROL participou em mais de 10.000 sessões de gravações e pode ser ouvida em discos dos BEACH BOYS a FRANK ZAPPA; passou pelos SINATRA ( o FRANK e a NANCY ); coloriu o BUFFALO SPRINGFIELD, os ELECTRIC PRUNES; e tanta gente que nem é possível relacionar.
Ela escreveu diversos livros tutoriais sobre como tocar GUITARRA e BAIXO; ensinou a muitos, como o cara do KISS, de quem não recordo o nome. A “tia” é o fino do fino; eclética musicalmente; e pessoalmente conservadora, recatada e… magistral…
Quem ouviu o último concerto do BOWIE, a turnê “REALITY TOUR”, reparou em GAIL ANN DORSEY, que arrasa tocando e fazendo dueto com DAVID em “UNDER PRESURE”, clássico dele com FREDDIE MERCURY. E que tal não esquecer a vanguarda? Temos KIM GORDON, do SONIC YOUTH, e certamente outras é incontáveis!
Para encerrar, mas muito longe de esgotar o assunto, eu recomendo ouvir uma garota que toca na banda que acompanha o programa do BIAL, no final das noites, na Globo.
O nome dela é ANNA CARINA SEBASTIÃO. Do SAMBA ao FUNK, ao ROCK e ao que vier. E como toca e sustenta o ritmo esta menina!!!
Acho que as meninas estão dominando o baixo melhor do que dominam as guitarras. Mas, só por enquanto, né LARI BASILIO?
POSTAGEM ORIGINAL:28\07\2022 Pode ser uma imagem de 5 pessoas

STEVIE RAY VAUGHAN & DOUBLE TROUBLE, NAS MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE “MALÍCIAS” – O TIO SÉRGIO AQUI…

Tarde incerta em 1987, fui ao centro velho da cidade para fechar a venda de um imóvel. Era uma boa propriedade, no Paraíso, ótimo bairro de SAMPA.
Um dos vendedores representava mais uns quatro ou cinco, e as reuniões foram com ele. Boa gente, mas chatinho ao limite da exaustão mental. Ele vendia selos e moedas para colecionadores. Detalhista, voz chata e monocórdica feito mantra num templo TIBETANO – não confundir com a SIMONE TEBET… -; o cara perguntava, truncava, voltava, e não definia…Voltei lá umas três vezes até resolver.
Feito; ele propôs “TOMAR UM NEGOCINHO” pra comemorar. E sacou uma garrafa de WHISKY DRURYS, monumento da infâmia etílica brasileira e atentado contra o aparelho digestivo de algumas gerações de brasileiros daqueles tempos…
Por sorte, colocou dois copinhos molambentos, e sem gelo despejou o “limpador de privadas”: Tomamos em gole único!
Saúde! Disse o cara… Duvido, pensei eu…
Ele perguntou o que eu iria fazer em seguida. Eu disse que, dali, daria uma passada no MUSEU DO DISCO, ainda loja ícone que ficava nas imediações. Fui ver as novidades…
E o chato arrematou pra fora: “nem recebeu a comissão e já vai gastar por conta?” Rimos. Eu de raiva, e ele porque era um chato mesmo…
E foi naquela tarde, no MUSEU DO DISCO, que vi e ouvi discos de STEVIE RAY VAUGHAN pela primeira vez. Estava rolando no PICK UP o TEXAS FLOOD, de 1983. Fiquei fascinado!
Eu sempre gostei de HARD BLUES, BLUES ROCK e imediações. E, no final da década de 1980, acontecia um REVIVAL de BLUES mundo afora. E graças principalmente ao chamado TEXAS BLUES, estilo em que as guitarras estão em foco. Solos espetaculares, muito balanço, sensualidade, swing; e tudo o que tornou BLUES uma festa por gerações várias.
Vou contar mais um pouco:
O VINIL ainda imperava, e o MUSEU estava lançando com exclusividade, em acordo com a CBS – COLUMBIA, os três discos feitos por STEVIE RAY VAUGHAN & DOUBLE TROUBLE.
Trio integradíssimo, tanto profissional como pessoalmente, tocavam quase por telepatia. O baixista TOMMY SHANNON, a bateria de CHRIS LAYTON e a guitarra mágica de STEVIE RAY fizeram vibrar a turma do ROCK, e um cenário nascente de BLUES.” Resumo da tarde: comprei os três, e fui pra casa ouvir e comemorar tomando cervejas.
É impossível dizer qual deles é o melhor. Tanto “COULN´T STAND THE WEATHER”, 1983; ou “SOUL TO SOUL”, 1985, estão em mesmo nível do primeiro. Eles fizeram outro álbum de estúdio, em 1989, “IN STEP”, lançado depois de um período inativo de STEVE para tratamento contra o uso de drogas.
STEVIE RAY tinha 1.65m de altura. Era um baixinho de voz BLUESY, intensa, afinada e adequada para o estilo. E guitarrista “infernalmente divino” e muito criativo! Foi indicado 12 vezes ao GRAMMY! Levou SEIS!!! Ele está, é claro!, no “BLUES HALL OF FAME”.
Além de solo, gravou com JACKSON BROWNE e DAVID BOWIE – que todo mundo sabe, cheirava talentos e hipóteses de utiliza-los independentemente de qual estilo proviessem…
STEVIE RAY VAUGHAN é de uma geração posterior a de ERIC CLAPTON, BECK, PAGE, JOHNNY WINTER, MIKE BLOOMFIELD, e vários. Então, além de CLÁSSICOS DO BLUES GUITAR, como ALBERT KING, BUDDY GUY, FREDDIE KING e ALBERT COLLINS, a estirpe que mais diretamente o inspirou, ele observou HENDRIX atentamente. E se percebe uma garoa forte de ROY BUCHANAN e LONNIE MACK, em sua levada e jeito de tocar.
Anos atrás, a SONY lançou este BOX da foto com os três primeiros álbuns. Edição à época barata, CDS remasterizados acrescidos com faixas bônus. Há no exterior o excelente “STEVIE RAY VAUGHAN AND DOUBLE TROUBLE” LIVE AT CARNEGIE HALL, gravado em 1984, e lançado em 1997. Existem “otras cositas mas” pelaí. Porém, o sumo desse guitarrista fantástico está nas fotos.
Em 27 de agosto de 1990, depois de um show e sob tempo ruim, STEVIE RAY aproveitou lugar no helicóptero que levava a equipe técnica de ERIC CLAPTON – que já flertou com a morte várias vezes! Mas naquele dia escapou por sorte e acaso, porque embarcou em outro aparelho. Resguardo feito pelos Deuses? Sob nevasca, o piloto dirigiu o helicóptero para o lado oposto, chocou-se com uma pista de SKI e todos morreram!
STEVIE RAY encerrou a carreira cedo demais e possivelmente por causa de negligências. O DOUBLE TROUBLE, consternado, entrou em crise por algum tempo. Depois, acompanharam guitarristas, como NUNO MINDELIS – ótimo BLUESMAN moçambicano bem conhecido por aqui.
Sobre o cliente chatinho nunca mais tive notícias. Mas de alguma forma ele me jogou nos braços de STEVIE RAY VAUGHAN. Então, uma dose de “OLD EIGHT” pra ele!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\077\2023
Pode ser uma imagem de 3 pessoas e texto

COM BOB SEGER e THE BLUE OYESTER CULT – NUM SÁBADO A TARDE EM 1973…

Eu me lembro com nitidez de certo sábado à tarde, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia e suponho que tenha sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas desfrutando de raro momento de completude. Mais de meio séeculo se foram, porém aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, já existiam grandes lojas que importavam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é – e sempre foram. Mas ainda não existiam a WOP BOP e a BARATOS AFINS, duas lojas que fizeram história por terem congregado um certo público UNDERGROUND que curtia ROCK e seus arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas; e aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE – já circulando por aqui – e jornais alternativos onde esforçados jornalistas como LUIZ CARLOS MACIEL, que nos informavam sobre o novo “perenizado” ; e, também, o pós suposta revolução trazida por HIPPIES, e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas feito tatuagens mal removidas.
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS, ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, na segunda metade dos 1960: “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras.
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN naquela mística do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD”, e torturado pela imprecisão psicológica, feito JAMES DEAN ou JIM MORRISON. E daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade anos depois, em 1977/1978. Mas jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”.
O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite do SOUL e R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
“BACK IN 72” é um “espécime” perfeitamente integrado ao HARD ROCK & RHYTHM ‘n’ BLUES, também em voga naqueles tempos. Aqui, BOB SEGER está acompanhado por craques: J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e mal conhecido álbum, brilhando para ser pescado no fundo do poço dos tempos. Experimente. Vale a pena!
Também recordo ter separado o BOB SEGER, na loja, enquanto rolava no PICK UP disco chegado naquele momento: o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Impacto fulminante! Um míssil direto no cérebro e no corpo!
Para mim, é o melhor disco que fizeram. Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY e algumas novidades tecnológicas como “delays” e outros “babados”. As faixas estão interligadas sem espaços, o que emite a sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
É disco bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, é claramente americano; como o CAPTAIN BEYOND e o KANSAS. Ou o DUST e o GRANDFUNK RAILROAD.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso na década de 1970/80. E gravou outros discos bastante bons. O BOX aqui postado, aliás lançado no BRASIL não sei exatamente quando, traz os três primeiros álbuns da banda. São bons. Mas nenhum se equipara ao primeiro; na foto, inclusive em edição para audiófilos.
Talvez seja por causa desses LONG PLAYS que a memória daquele inesquecível sábado me sequestra até hoje. Desejo a todos experiência tão definidora e cativante quanto a que o TIO SÉRGIO teve.
POSTAGEM ORIGINAL: POSTAGEM ORIGINAL 30\07\2022 Nenhuma descrição de foto disponível.

MANIA DE VOCÊS: OS BENDITOS DISCOS QUE ME ASSOLAM!

HOJE, R&B MODERNO E CLÁSSICO, PARA ESQUENTAR O SÁBADO!
E a querida RITA LEE entrou na postagem não à revelia do próprio gosto e vício! Ela também era gamada (nossa, TIO SÉRGIO, essa é do seu tempo! ) por discos, etc…, eternos objetos do desejo.
Acabei de receber do correio mais outra “intimação” para o pagamento das taxas e impostos sobre a compra de umas “rodelas prateadas” que busquei nas “estranjas”.
Aviso de curra: R$ 137,00! Eu já esperava. Ficaram retidas por quase trinta dias pela Receita Federal. São dois CDs japoneses: Um do “JEFF BECK”; e o “RARE EARTH” que me faltava: “MA”. São edições caras, especiais!
O detalhe é que o “RARE EARTH” EU COMPREI EM DUPLICATA!!!
Errei! Coisa rara de acontecer. Chegou dias atrás… Agora, virá outro… Meu SANTO COLOMBINO!
Brasileiros adoram impostos escorchantes. Contanto que aplicados sobre os outros. E não faltam argumentos: é o social que requer; a péssima distribuição da renda exige; há mil desculpas e motivos.
Mas controlar o Estado e seus gastos mal realizados? ahhh… aí caímos em ideologias e seus interesses, explicações, justificativas. Azar dos que pagam, porque fiscalizados à lupa!
Estou postando discos de RHYTHM ‘N’ BLUES. Sim! Prefiro o nome genérico em vez de reter-me a filigranas discutíveis. Discos antigos e recentes. Porque são bálsamos para dias turbulentos. Geralmente melodiosos, músicas belas e “atemporais”, agradam a muito mais gente.
1) Dois são de “JOSS STONE”: INTRODUCING, 2007; e COLOUR ME FREE, 2009. Tenho alguns outros. É boa cantora da geração surgida em meados da primeira década de 2000. Ela faz o R&B moderno, às vezes com algum RAP e cheio de referências históricas. Dá pra “dissecar” ARETHA FRANKLIN, DINAH WASHINGTON , um quê de GLADYS KNIGHT, e tantas e nada tontas.
São dois CDS muito bons; cheios de ritmo, batida e bateria que se pretendem diferenciadas. “JOSS” é boa de palco; faz grandes shows e instalou-se pelo mundo. Busca alternativas, mas assumiu o R&B. Segue intensa e continua linda! Seus discos são joviais e dançantes.
2) “MICK HUCKNALL” já é veterano e ainda a cara “SIMPLY RED”. Tocou a carreira bombardeando tendências várias, graças à sua voz versátil e capacidade para oscilar do R&B ao ROCK. E até navegar pela música latina, como visto em DVD de sucesso gravado em Cuba. O ruivinho segue. E a mim agrada. Então, duas opções na foto.
3) “SEAL”. Acho que é o grande nome do POP/R&B/ NEO SOUL. E talvez o melhor dos últimos 35 anos. Seus dois primeiros e sensacionais álbuns foram brindados com oceano de craques participando; gente em nível de JEFF BECK, por exemplo.
Aqui estão três discos relativamente recentes: SEAL, 7; STANDARDS; e SOUL 2. Seguramente bons. Acredite. O cara continua ativo “pelaí” cantando, fazendo e agradando.
Agora, alguns clássicos da “BLACK MUSIC”:
4) “MARVIN GAYE”. COLETÂNEA TRIPLA com 50 músicas. O essencial de um cantor imenso. Não tem erro! Gosto demais desse pretão cheio de problemas emocionais e tangenciando a psicopatia.
5) “ISAAC HAYES”, THE POLYDOR YEARS. Coletânea muito diferente da fase STAX. Aqui também o SOUL e R&B muito identificáveis e a classe de sempre. Tente – se for barato.
6) “DR JOHN”, THE VERY BEST. Coleção de clássicos de outro diferenciado que jamais decepciona: BLUES, R&B, COUNTRY, e tudo junto e misturado por um artista único e obrigatório.
7) Encerro com um CLÁSSICO MODERNO, artistas CULTS do R&B. E desconfio, só o TIO SÉRGIO aqui ousaria indicar. É BOM PRA LHALHALO!
A conjunção astral entre dois grandes e históricos: STEVE CROPPER, mestre da guitarra e reverenciado músico do arco R&B, ROCK, COUNTRY, SOUL, e o que vier. Ele vem com FELIX CAVALIERI, tecladista e a voz dos RASCALS – o bem sucedido e famoso grupo americano da década de 1960.
FELIX, era o principal cantor da banda e fez OTIS REDDING invadir o estúdio da ATLANTIC RECORDS, em 1968, onde os RASCALS gravavam porque duvidou quando lhe disseram que era um BRANCÃO “italiano/americano” cantando; e não um NEGÃO!
E não era mesmo! FELIX foi um dos inventores do BLUE EYED SOUL!
Eles gravaram dois álbuns sensacionais; soltos, bem captados e produzidos; cantados com charme e arranjados em alto estilo. Na postagem, o álbum lançado em 2008. Anima quaisquer festas e reuniões.
Procure por essa turma no Youtube, e confira.
POSTAGEM ORIGINAL: 29\07\2023
Pode ser uma imagem de 5 pessoas e texto

ZÉ RAMALHO E A SAGA INDEPENDENTE DO ROCK PSICODÉLICO NORDESTINO.

VIAGEM AO SUB REINO DOS DISCORDANTES, A TERCEIRA MARGEM DO RIO:
Insone como sempre, noite qualquer assisti ao vídeo dessa conjunção extraordinária entre ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO DO RECIFE.
Ambos são casos à parte na cultura nacional: profundamente brasileiros, porém ligados, e quase soldados de muitas formas ao ROCK INTERNACIONAL.
Talvez seja o que os torne distintos, por exemplo, de “OS NOVOS BAIANOS”. Há clara percepção que BABY, MORAES, GALVÃO, PEPEU e turma eram, antes de tudo, “ligados basicamente” à MPB. O lado ROCK dos NOVOS BAIANOS é incidental. Não bastam guitarras e a eletrificação dos instrumentos para ser ROCK.
E ROCK é ROCK e ponto! ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO sabem perfeitamente os pontos de integração e da completa distinção. Criaram no último trabalho, que ainda não encontrei em CD, outra intersecção possível.
ZÉ RAMALHO e LULA CÔRTES, para os que sabem dos escaninhos do POP BRASILEIRO, são os autores de PAEBIRÚ, o fantástico álbum duplo de FOLK-PSICODÉLICO com vestimenta nordestina, lançado em 1974. É talvez, o disco mais raro e colecionável do Brasil, decorrência da história trágica que o tornou internacionalmente CULT.
Vou contar: a gravadora ROZEMBLIT, do RECIFE, estocava a produção inteira do PAEBIRU, álbum gravado pela SOLAR, o selo de música experimental e alternativa que fundara. Foi quando houve a inundação que destruiu 700 das 1.000,00 cópias estocadas. A tragédia levou o disco original a tornar-se raro, precioso e, portanto caro. E no meio foram os MASTERES ORIGINAIS, e os discos de outros contratados, que também são comentados nesse texto.
É bom explicar que o disco não basta ser raro; tem de ser bom, também. ROBERTO CARLOS e o LOUCO POR VOCÊ é, também, raríssimo – mas ruim….
Na filmagem das gravações desse novo disco vemos um ZÉ RAMALHO que é ouro puro e duro. Metal bruto.
Durável?
Está cantando bem, com vozeirão entre o barítono e o baixo, extensão, intensidade e pique, contrastando com a sua frágil atual aparência – consequência de uma vida derretida em… viver!
A voz de DYLAN envelheceu sem gás; WILLIE NELSON retumbou pra baixo; e BRUCE SPRINGSTEEN em maturidade sorumbática e baixo-astral, nos lega lega decepção.
ZÉ RAMALHO, ao contrário , impõe a voz e assume o ROCK com a naturalidade do veterano. E se mescla à sonoridade criada pela banda METALMANIA: 3 jovens + ROBERTINHO DO RECIFE – guitarrista de talento imenso e comprovado!
Senhoras, senhores e adjacências: o som resultante é o “PORTAL DAS ENTIDADES”, que saiu em 2019: ZÉ RAMALHO + HEAVY METAL+GÓTICO+FOLK DE MATIZES DIVERSOS.
Há versões do MOTORHEAD e de OZZY com a qualidade lírica de ZÉ RAMALHO! É barulhinho bom, concordaria MARISA MONTE!
Acho que haverá repercussão do trabalho. Por via das certezas, postei abaixo. E o restante que ouvi é, também, da melhor qualidade. Procure o vídeo no YOUTUBE.
Eu vou comprar esse disco!
Aproveitando o ZÉ e o ROBERTINHO, junto à saga outros retumbantes mal conhecidos.
MARCONI NOTARO é um médico sanitarista criador de híbrido curioso entre o SAMBA e o RAUL SEIXAS.
NO SUB-REINO DOS METAZOÁRIOS é diferente de tudo o que conheço! O VINIL original também é raro e precioso. Há, porém, reedição em VINIL e CD lançados pela gravadora SHADDOCK, especializada em raridades brasileiras colecionáveis.
Postei, também, outra raridade CULT, mas… sei lá… FLAVIOLA é FOLK PSICODÉLICO com jeito de JETHRO TULL, mas devidamente
curtido em baião mais comportado.
SATWA, de LULA CÔRTES e LAILSON, 1973, é mais ou menos na linha do PAEBIRU, mas feito um ano antes. E HUGO FILHO, com PARAIBÔ, 1978, faz psicodelia menos escancarada, mas nítida.
Há o próprio ZÉ RAMALHO, em seu álbum de estreia em 1978, onde está o clássico AVOHAI!
E, talvez o melhor de todos, porque mais distante do ROCK: o álbum ELOMAR, EM CONCERTO, lançado pela QUARUP, em 1990. É um espetáculo à parte! Conjunto de Câmara com motivos de música do sertão, acompanhando este ultra original artista brasileiro. Eu ouso dizer que é o “JETHRO TULL” do sertão. Um FOLK PROGRESSIVO à brasileira de beleza e criatividade surpreendentes…
Eu defendo que o discos
nas fotos são a essência da PSICODELIA NORDESTINA.
“Por assim dizer”, já que somam além dos rótulos; e são mais originais e importantes do que muitos imaginam!
TIO SÉRGIO recomenda: conheçam, desfrutem e colecionem!
POSTAGEM  ORIGINAL: 27\07\2023
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto

DOIS RADIALISTAS DO ROCK: JAQUES “KALEIDOSCÓPIO” GERSGORIN – O CRIATIVO ERRANTE . E CARLOS ALBERTO LOPES, O “SOSSEGO”

TIO SÉRGIO é um sujeito discreto. Uma espécie de satélite siderando universo da música e redondezas.
Mas profissionalmente só entrei para valer em 1991. Eu e meu “amigoirmão”, SILVIO DEAN criamos a CITY RECORDS. E depois, a CITY MUSIC, com outro amigo nosso, Edison Batistella Jr, o JUNINHO.
Nesse percurso esburacado e divertido eu convivi com dois radialistas de personalidades opostas, mas exuberantes! Fui amigo do CARLOS ALBERTO LOPES, o SOSSEGO – talvez o primeiro a fazer um programa de rádio exclusivamente dedicado ao ROCK. Foi em meados da década de 1960.
De lá em diante, ele sofreu “incontáveis recaídas” – outros programas – mais ou menos reeditando o que fizera nos tempos áureos dos BEATLES, STONES, SEARCHERS e outros um pouco anteriores, ou logo a frente. SOSSEGO se tornou amigo meu e do SILVIO. E nos ensinou a gostar do ROCK clássico.
O purgatório com certeza já o liberou, e sua voz de autofalante “TWITER”, língua ferina e vasto conhecimento do mundo da música, devem estar catequisando anjos, querubins, e outros nem tanto… Que DEUS O TENHA – ou melhor: o “RETENHA”!
O JAQUES GERSGORIN foi outro personagem carismático que passou por minha vida. Aconteceu uns vinte e cinco anos antes de abrir as lojas. Lá por 1977, se bem recordo.
Era um carioca de sotaque expressivo, identificável; libertário convicto; homem criativo que borbulhava ideias. O apresentador adequado para um programa de vanguarda e sem roteiro.
Aconteceu mais ou menos o seguinte: da mesma forma que o Claudio Finzi Foá e outros por aqui, eu fui atraído por aquele programa de rádio suis-generis, o KALEIDOSCÓPIO. Ia ao ar tarde da noite, diariamente e tocava, digamos, a “CRISTA DA ONDA” – ooopppsss! – do ROCK PROGRESSIVO e adjacências!!! Coisas não imagináveis em outras rádios da época!
Eu já gostava, comprava, e colecionava discos não convencionais. Incerta noite, em vez de ir para casa fui até a RÁDIO AMÉRICA, em São Paulo, e perguntei ao porteiro se poderia falar com o JAQUES. Ele deixou.
O KALEIDOSCÓPIO estava no ar, as músicas longas rolando e no fundo do estúdio enorme estava sentado frente ao microfone a mesma imagem hoje lendária.
Fiquei esperando ele se manifestar. No intervalo, JAQUES me recebeu cordialmente mas sem efusividade. Entre as músicas, conversamos. Eu disse platitudes, o que fazia, onde estudava, e perguntei se de alguma forma poderia colaborar, sei lá… fazer, sugerir ou trazer algum disco para ir ao “AR”. Ou voltar e “assistir” ao vivo o programa
Ele apenas disse: “tudo bem, traz aí, e a gente vê…”
Na década de 1970, era comum estudantes ou gente com pretensões intelectuais, frequentar o CINE MARACHÁ às sextas feiras à noite. Lá, exibiam filmes de arte, ou não convencionais. Eu estava na fila com o meu amigo SILVIO, quando um sujeito discreto e de óculos entregou um panfleto de nova loja de discos que seria aberta na, hoje, Galeria do ROCK. Era o Rene Ferri.
E a loja era a histórica WOP-BOP! Uns dias depois, fui visitar! Caí de costas!!! Só discos importados sensacionais! Virei cliente.
Eu já estava meio entrosado com o JAQUES e falei sobre o RENE, a loja, etc… E ele respondeu: “Pô, convida o cara para eu entrevistá-lo, no KALEIDOSCÓPIO”.
Fui lá e marquei. O RENE apareceu de terno e gravata…. 😀😀🤣🤣! O JACQUES fez uma baita entrevista como ele, levantou a bola, e apresentou a loja para a galera!!!
Aos poucos, comecei a trazer alguns K7s feitos com ajuda de meu amigo PAULINHO CALDEIRA. Gravei músicas que achava legais. Quando o JAQUES gostava incluía no programa. Ele era razoavelmente eclético. O foco estava no PROGRESSIVO, mas rolava HARD ROCK, e alguns cantores fora de esquadro como MICHAEL MURPHY. E, sempre, LED ZEPPELIN, o PREMIATA FORNERIA MARCONI, VAN DER GRAAF GENERATOR, e um progressivo venezuelano muito legal chamado VYTAS BRENNER (na foto).
Ah, ele gostava e tocava o disco de LUIZA MARIA, também na foto, uma loira espetacular, cantora de timbre grave que gravou um bom álbum acompanhada pelos MUTANTES.
O JAQUES tinha domínio e noção total do que devia tocar. Orientava o técnico de som para fazer MIXAGENS. Marcava os discos com “giz de alfaiate” para o cara interromper a música em ponto mais ou menos preciso, “emendando” outro disco em outro pick-up, e mantendo clima e o balanço do que ia ao ar.
Acreditem: é uma arte!
Na rádio vivia um imenso PASTOR ALEMÃO, vez por outra entorpecido pela fumaça dos cigarros de maconha (que eu odeio!), maldade carinhosa que deixava o bicho dócil.
Sempre aparecia por lá o produtor PENINHA SCHMIDT, amigo do JAQUES. Certa vez, conversei com o WALTER FRANCO. Em noite outra observei o SÉRGIO DIAS BATISTA, dos MUTANTES, ouvindo atentamente o primeiro disco solo de JON ANDERSON, do YES, lançado em 1976.
Durante certo tempo, convenci o JAQUES a fazer uma hora de BLUES, de 15 EM 15 dias, às sextas feiras. Mas ele não gostava de BLUES. Achava monótono e repetitivo. Porém, delegou para eu fazer a seleção musical de um programa que ia ao ar nos sábados antes do KALEIDOSCÓPIO.
Eu dei um ar mais dançável, misturando alguma MPB de qualidade. Tocava CAETANO, GIL, “pelaí”; juntava com ROCK, POP, etc… Algumas vezes, selecionei “VOCÊ ME ACENDE”, um FUNK ultra pesado e faixa de álbum solo do CORNÉLIUS, vocalista do MADE IN BRASIL. E assim, eu aquecia o ambiente para o JAQUES, e o KALEIDOSCÓPIO entrarem!
Fizemos essas coisas informalmente por quase um ano. Mas por causa de uma bobagem nos desentendemos. Rompemos. Ele seguiu carreira em outra rádio; mudou-se para Goiânia e, depois, foi pro mundo – errático e libertário como sempre.
Nos reencontramos anos atrás, aqui no FACEBOOK. Rimos do assunto no privado, e reatamos.
Um dos anunciantes da rádio AMÉRICA era a DIMEP, famosa fábrica de relógios de ponto e outras funcionalidades. Hoje, produz sistemas correlatos complexos. O JAQUES precisava dar a hora certa o tempo inteiro, e odiava fazer isso, portanto:
“SÃO 21 HORAS e CENTO E OITENTA MINUTOS”! FAZ A CONTA AÍ PÔ” …
POSTAGEM ORIGINAL: 29\07\202

MEDESKY, SCOFIELD, MARTIN & WOOD: JUICY, 2014 e LIVE – IN CASE THE WORLD CHANGES ITS MIND, 2011

Eu conheci o M.M&W quando era apenas o trio, sem o JOHN SCOFIELD. Foi em dia incerto, talvez 25 anos atrás. Um amigo jornalista havia recebido da gravadora e iria fazer uma RESENHA para o ESTADÃO, se bem recordo. Naqueles tempos, quem trabalhava na imprensa especializada tinha essas regalias: recebia um monte de CDS, a maioria tralha, ouvia e repassava para as lojas em troca de coisa melhor…
Ouvimos juntos. Eu achei tipo assim…. Ritmo quebrado, andamento interrompido, como estava na onda no final do século passado e início deste. Aliás, todo mundo, inclusive a turma do R&B entrou nessa parada. Baixou a bola, partiu para o coito interrompido, e a vida seguiu. É meio chato.
TIO SÉRGIO, você gostou do que ouviu hoje?
Hummmmm, sei lá entende! Agrega JAZZ, há um teclado pesado, e os caras tocam bem a ponto que persistirem e continuarem por aí desenvolvendo o estilo. É diferente, sem dúvida. Tem certo charme recôndito demais para o meu “paladar” ….
Enquanto rolava o disco ao vivo que o quarteto pariu, eu fui cozinhar; fazer outras coisas. É CD duplo, uns 80 minutos cada um. É tremendamente longo e sem clímax  – interminável! Cozinhei, lavei a louça, limpei a cozinha – e o disco não acabava!!!!
Talvez algo semelhante ao que dizem do SEXO TÂNTRICO: muito toque delicado, muita filosofia, muita procura sutil, muita extensão de afetos – diálogos entre instrumentos – mas cadê o “Gran Finale”?!?!
Mas diz aí, tio, que tal?
Hummm! é tipo assim: sei lá, entende?
Escute quando perder o sono.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\07\2025
Pode ser uma imagem de texto