ZÉ RAMALHO E A SAGA INDEPENDENTE DO ROCK PSICODÉLICO NORDESTINO.

VIAGEM AO SUB REINO DOS DISCORDANTES, A TERCEIRA MARGEM DO RIO:
Insone como sempre, noite qualquer assisti ao vídeo dessa conjunção extraordinária entre ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO DO RECIFE.
Ambos são casos à parte na cultura nacional: profundamente brasileiros, porém ligados, e quase soldados de muitas formas ao ROCK INTERNACIONAL.
Talvez seja o que os torne distintos, por exemplo, de “OS NOVOS BAIANOS”. Há clara percepção que BABY, MORAES, GALVÃO, PEPEU e turma eram, antes de tudo, “ligados basicamente” à MPB. O lado ROCK dos NOVOS BAIANOS é incidental. Não bastam guitarras e a eletrificação dos instrumentos para ser ROCK.
E ROCK é ROCK e ponto! ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO sabem perfeitamente os pontos de integração e da completa distinção. Criaram no último trabalho, que ainda não encontrei em CD, outra intersecção possível.
ZÉ RAMALHO e LULA CÔRTES, para os que sabem dos escaninhos do POP BRASILEIRO, são os autores de PAEBIRÚ, o fantástico álbum duplo de FOLK-PSICODÉLICO com vestimenta nordestina, lançado em 1974. É talvez, o disco mais raro e colecionável do Brasil, decorrência da história trágica que o tornou internacionalmente CULT.
Vou contar: a gravadora ROZEMBLIT, do RECIFE, estocava a produção inteira do PAEBIRU, álbum gravado pela SOLAR, o selo de música experimental e alternativa que fundara. Foi quando houve a inundação que destruiu 700 das 1.000,00 cópias estocadas. A tragédia levou o disco original a tornar-se raro, precioso e, portanto caro. E no meio foram os MASTERES ORIGINAIS, e os discos de outros contratados, que também são comentados nesse texto.
É bom explicar que o disco não basta ser raro; tem de ser bom, também. ROBERTO CARLOS e o LOUCO POR VOCÊ é, também, raríssimo – mas ruim….
Na filmagem das gravações desse novo disco vemos um ZÉ RAMALHO que é ouro puro e duro. Metal bruto.
Durável?
Está cantando bem, com vozeirão entre o barítono e o baixo, extensão, intensidade e pique, contrastando com a sua frágil atual aparência – consequência de uma vida derretida em… viver!
A voz de DYLAN envelheceu sem gás; WILLIE NELSON retumbou pra baixo; e BRUCE SPRINGSTEEN em maturidade sorumbática e baixo-astral, nos lega lega decepção.
ZÉ RAMALHO, ao contrário , impõe a voz e assume o ROCK com a naturalidade do veterano. E se mescla à sonoridade criada pela banda METALMANIA: 3 jovens + ROBERTINHO DO RECIFE – guitarrista de talento imenso e comprovado!
Senhoras, senhores e adjacências: o som resultante é o “PORTAL DAS ENTIDADES”, que saiu em 2019: ZÉ RAMALHO + HEAVY METAL+GÓTICO+FOLK DE MATIZES DIVERSOS.
Há versões do MOTORHEAD e de OZZY com a qualidade lírica de ZÉ RAMALHO! É barulhinho bom, concordaria MARISA MONTE!
Acho que haverá repercussão do trabalho. Por via das certezas, postei abaixo. E o restante que ouvi é, também, da melhor qualidade. Procure o vídeo no YOUTUBE.
Eu vou comprar esse disco!
Aproveitando o ZÉ e o ROBERTINHO, junto à saga outros retumbantes mal conhecidos.
MARCONI NOTARO é um médico sanitarista criador de híbrido curioso entre o SAMBA e o RAUL SEIXAS.
NO SUB-REINO DOS METAZOÁRIOS é diferente de tudo o que conheço! O VINIL original também é raro e precioso. Há, porém, reedição em VINIL e CD lançados pela gravadora SHADDOCK, especializada em raridades brasileiras colecionáveis.
Postei, também, outra raridade CULT, mas… sei lá… FLAVIOLA é FOLK PSICODÉLICO com jeito de JETHRO TULL, mas devidamente
curtido em baião mais comportado.
SATWA, de LULA CÔRTES e LAILSON, 1973, é mais ou menos na linha do PAEBIRU, mas feito um ano antes. E HUGO FILHO, com PARAIBÔ, 1978, faz psicodelia menos escancarada, mas nítida.
Há o próprio ZÉ RAMALHO, em seu álbum de estreia em 1978, onde está o clássico AVOHAI!
E, talvez o melhor de todos, porque mais distante do ROCK: o álbum ELOMAR, EM CONCERTO, lançado pela QUARUP, em 1990. É um espetáculo à parte! Conjunto de Câmara com motivos de música do sertão, acompanhando este ultra original artista brasileiro. Eu ouso dizer que é o “JETHRO TULL” do sertão. Um FOLK PROGRESSIVO à brasileira de beleza e criatividade surpreendentes…
Eu defendo que o discos
nas fotos são a essência da PSICODELIA NORDESTINA.
“Por assim dizer”, já que somam além dos rótulos; e são mais originais e importantes do que muitos imaginam!
TIO SÉRGIO recomenda: conheçam, desfrutem e colecionem!
POSTAGEM  ORIGINAL: 27\07\2023
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto

DOIS RADIALISTAS DO ROCK: JAQUES “KALEIDOSCÓPIO” GERSGORIN – O CRIATIVO ERRANTE . E CARLOS ALBERTO LOPES, O “SOSSEGO”

TIO SÉRGIO é um sujeito discreto. Uma espécie de satélite siderando universo da música e redondezas.
Mas profissionalmente só entrei para valer em 1991. Eu e meu “amigoirmão”, SILVIO DEAN criamos a CITY RECORDS. E depois, a CITY MUSIC, com outro amigo nosso, Edison Batistella Jr, o JUNINHO.
Nesse percurso esburacado e divertido eu convivi com dois radialistas de personalidades opostas, mas exuberantes! Fui amigo do CARLOS ALBERTO LOPES, o SOSSEGO – talvez o primeiro a fazer um programa de rádio exclusivamente dedicado ao ROCK. Foi em meados da década de 1960.
De lá em diante, ele sofreu “incontáveis recaídas” – outros programas – mais ou menos reeditando o que fizera nos tempos áureos dos BEATLES, STONES, SEARCHERS e outros um pouco anteriores, ou logo a frente. SOSSEGO se tornou amigo meu e do SILVIO. E nos ensinou a gostar do ROCK clássico.
O purgatório com certeza já o liberou, e sua voz de autofalante “TWITER”, língua ferina e vasto conhecimento do mundo da música, devem estar catequisando anjos, querubins, e outros nem tanto… Que DEUS O TENHA – ou melhor: o “RETENHA”!
O JAQUES GERSGORIN foi outro personagem carismático que passou por minha vida. Aconteceu uns vinte e cinco anos antes de abrir as lojas. Lá por 1977, se bem recordo.
Era um carioca de sotaque expressivo, identificável; libertário convicto; homem criativo que borbulhava ideias. O apresentador adequado para um programa de vanguarda e sem roteiro.
Aconteceu mais ou menos o seguinte: da mesma forma que o Claudio Finzi Foá e outros por aqui, eu fui atraído por aquele programa de rádio suis-generis, o KALEIDOSCÓPIO. Ia ao ar tarde da noite, diariamente e tocava, digamos, a “CRISTA DA ONDA” – ooopppsss! – do ROCK PROGRESSIVO e adjacências!!! Coisas não imagináveis em outras rádios da época!
Eu já gostava, comprava, e colecionava discos não convencionais. Incerta noite, em vez de ir para casa fui até a RÁDIO AMÉRICA, em São Paulo, e perguntei ao porteiro se poderia falar com o JAQUES. Ele deixou.
O KALEIDOSCÓPIO estava no ar, as músicas longas rolando e no fundo do estúdio enorme estava sentado frente ao microfone a mesma imagem hoje lendária.
Fiquei esperando ele se manifestar. No intervalo, JAQUES me recebeu cordialmente mas sem efusividade. Entre as músicas, conversamos. Eu disse platitudes, o que fazia, onde estudava, e perguntei se de alguma forma poderia colaborar, sei lá… fazer, sugerir ou trazer algum disco para ir ao “AR”. Ou voltar e “assistir” ao vivo o programa
Ele apenas disse: “tudo bem, traz aí, e a gente vê…”
Na década de 1970, era comum estudantes ou gente com pretensões intelectuais, frequentar o CINE MARACHÁ às sextas feiras à noite. Lá, exibiam filmes de arte, ou não convencionais. Eu estava na fila com o meu amigo SILVIO, quando um sujeito discreto e de óculos entregou um panfleto de nova loja de discos que seria aberta na, hoje, Galeria do ROCK. Era o Rene Ferri.
E a loja era a histórica WOP-BOP! Uns dias depois, fui visitar! Caí de costas!!! Só discos importados sensacionais! Virei cliente.
Eu já estava meio entrosado com o JAQUES e falei sobre o RENE, a loja, etc… E ele respondeu: “Pô, convida o cara para eu entrevistá-lo, no KALEIDOSCÓPIO”.
Fui lá e marquei. O RENE apareceu de terno e gravata…. 😀😀🤣🤣! O JACQUES fez uma baita entrevista como ele, levantou a bola, e apresentou a loja para a galera!!!
Aos poucos, comecei a trazer alguns K7s feitos com ajuda de meu amigo PAULINHO CALDEIRA. Gravei músicas que achava legais. Quando o JAQUES gostava incluía no programa. Ele era razoavelmente eclético. O foco estava no PROGRESSIVO, mas rolava HARD ROCK, e alguns cantores fora de esquadro como MICHAEL MURPHY. E, sempre, LED ZEPPELIN, o PREMIATA FORNERIA MARCONI, VAN DER GRAAF GENERATOR, e um progressivo venezuelano muito legal chamado VYTAS BRENNER (na foto).
Ah, ele gostava e tocava o disco de LUIZA MARIA, também na foto, uma loira espetacular, cantora de timbre grave que gravou um bom álbum acompanhada pelos MUTANTES.
O JAQUES tinha domínio e noção total do que devia tocar. Orientava o técnico de som para fazer MIXAGENS. Marcava os discos com “giz de alfaiate” para o cara interromper a música em ponto mais ou menos preciso, “emendando” outro disco em outro pick-up, e mantendo clima e o balanço do que ia ao ar.
Acreditem: é uma arte!
Na rádio vivia um imenso PASTOR ALEMÃO, vez por outra entorpecido pela fumaça dos cigarros de maconha (que eu odeio!), maldade carinhosa que deixava o bicho dócil.
Sempre aparecia por lá o produtor PENINHA SCHMIDT, amigo do JAQUES. Certa vez, conversei com o WALTER FRANCO. Em noite outra observei o SÉRGIO DIAS BATISTA, dos MUTANTES, ouvindo atentamente o primeiro disco solo de JON ANDERSON, do YES, lançado em 1976.
Durante certo tempo, convenci o JAQUES a fazer uma hora de BLUES, de 15 EM 15 dias, às sextas feiras. Mas ele não gostava de BLUES. Achava monótono e repetitivo. Porém, delegou para eu fazer a seleção musical de um programa que ia ao ar nos sábados antes do KALEIDOSCÓPIO.
Eu dei um ar mais dançável, misturando alguma MPB de qualidade. Tocava CAETANO, GIL, “pelaí”; juntava com ROCK, POP, etc… Algumas vezes, selecionei “VOCÊ ME ACENDE”, um FUNK ultra pesado e faixa de álbum solo do CORNÉLIUS, vocalista do MADE IN BRASIL. E assim, eu aquecia o ambiente para o JAQUES, e o KALEIDOSCÓPIO entrarem!
Fizemos essas coisas informalmente por quase um ano. Mas por causa de uma bobagem nos desentendemos. Rompemos. Ele seguiu carreira em outra rádio; mudou-se para Goiânia e, depois, foi pro mundo – errático e libertário como sempre.
Nos reencontramos anos atrás, aqui no FACEBOOK. Rimos do assunto no privado, e reatamos.
Um dos anunciantes da rádio AMÉRICA era a DIMEP, famosa fábrica de relógios de ponto e outras funcionalidades. Hoje, produz sistemas correlatos complexos. O JAQUES precisava dar a hora certa o tempo inteiro, e odiava fazer isso, portanto:
“SÃO 21 HORAS e CENTO E OITENTA MINUTOS”! FAZ A CONTA AÍ PÔ” …
POSTAGEM ORIGINAL: 29\07\202

MEDESKY, SCOFIELD, MARTIN & WOOD: JUICY, 2014 e LIVE – IN CASE THE WORLD CHANGES ITS MIND, 2011

Eu conheci o M.M&W quando era apenas o trio, sem o JOHN SCOFIELD. Foi em dia incerto, talvez 25 anos atrás. Um amigo jornalista havia recebido da gravadora e iria fazer uma RESENHA para o ESTADÃO, se bem recordo. Naqueles tempos, quem trabalhava na imprensa especializada tinha essas regalias: recebia um monte de CDS, a maioria tralha, ouvia e repassava para as lojas em troca de coisa melhor…
Ouvimos juntos. Eu achei tipo assim…. Ritmo quebrado, andamento interrompido, como estava na onda no final do século passado e início deste. Aliás, todo mundo, inclusive a turma do R&B entrou nessa parada. Baixou a bola, partiu para o coito interrompido, e a vida seguiu. É meio chato.
TIO SÉRGIO, você gostou do que ouviu hoje?
Hummmmm, sei lá entende! Agrega JAZZ, há um teclado pesado, e os caras tocam bem a ponto que persistirem e continuarem por aí desenvolvendo o estilo. É diferente, sem dúvida. Tem certo charme recôndito demais para o meu “paladar” ….
Enquanto rolava o disco ao vivo que o quarteto pariu, eu fui cozinhar; fazer outras coisas. É CD duplo, uns 80 minutos cada um. É tremendamente longo e sem clímax  – interminável! Cozinhei, lavei a louça, limpei a cozinha – e o disco não acabava!!!!
Talvez algo semelhante ao que dizem do SEXO TÂNTRICO: muito toque delicado, muita filosofia, muita procura sutil, muita extensão de afetos – diálogos entre instrumentos – mas cadê o “Gran Finale”?!?!
Mas diz aí, tio, que tal?
Hummm! é tipo assim: sei lá, entende?
Escute quando perder o sono.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\07\2025
Pode ser uma imagem de texto

CHET BAKER – O PARADIGMA DO CANTO MODERNO

Falar bem do CHET é fácil: modelo para gênios como CAETANO VELOSO e JOÃO GILBERTO, e incentivo para qualquer pessoa com voz de pequena extensão cantar.
CHET BAKER liberou, existencial e conceitualmente, para que surgissem astros da grandeza de NARA LEÃO, ERIC CLAPTON e uma cordilheira de outros talentosos, que certamnte seriam colocados de lado por terem vozes limitadas .
BAKER foi um cara bonito. Mas o consumo de drogas injetáveis destruiu e tornou seu rosto mais vincado do que o de KEITH RICHARDS! Certo dia, despencou da janela de um hotel, e “realizou” a própria morte que há muito vinha ocorrendo…
Pobre e sensível CHARLES BAKER!
Críticas sobravam: autodestrutivo, errático, e o monte de adjetivos e maledicências que se queira lembrar, ou lhe imputar.
Portanto, ser justo com o CHET transcende a decência e a necessária empatia e compaixão:
Ele era muito além do talentoso. Foi trompetista classe mundial, tocava o fino e com estilo; além de um comprovado paradigma da modernidade no cantar.
CHET BAKER era muito produtivo, apesar de seus graves e notórios problemas. Gravou bastante; legou belezas indiscutíveis!
Na foto, estão parte dos discos que tenho em minha discoteca. Ele vai sobreviver a todos nós, porque escutá-lo é contatar o divino! É distinguir a existência de um gênio na tormenta de sua viagem interminável ao sofrimento. É, também, parte da contínua redenção que outras gerações certamente reconhecerão e vão desfrutar.
CHET BAKER É IMPRESCINDÍVEL!
POSTAGEM ORIGINAL: 20\07\2017
Nenhuma descrição de foto disponível.

YARDBIRDS – LIVE YARDBIRDS FEATURING COM JIMMY PAGE, 1968. E OUTRA HISTORINHA QUE SÓ O TIO SÉRGIO CONTA!

Um grande amigo também colecionador de discos, no início dos 1970 pendurava na parede da sala um poster antigo dos YARDBIRDS, com o JIMMY PAGE na guitarra.
A imagem era, digamos… um tanto fora do comum para uma banda já de HARD ROCK. Os quatro caras posaram envolvidos em peles, um tanto “AQUALIRADOS”, como diria o escritor JOSÉ SARNEY – hummm! Cenário mais adequado aos PET SHOP BOYS, A-HA, DEPECHE MODE, ou PABLO VITTAR – só para usar exemplos notórios…
E, entra na sala uma tia velha e pergunta:
– Silvinho, quem são esses cabeludos aí na parede?
– São os YARDBIRDS, tia…
– QUEM?!?!?!?!, os VEADOS VERDES?!?!?!
Não eram…
Comecei por piadinha datada e infame; mas o diálogo aconteceu de verdade. E aproveito para juntar o CD, edição argentina e provavelmente pirata, de um LONG PLAY lançado pela EPIC RECORDS, em 1971, mas só na América.
É ao vivo, gravado em NOVA YORK, no dia 30 de março de 1968, quando os YARDBIRDS já estavam na gargalhada final. PAGE na guitarra, claro; o vocalista KEITH RELF; na bateria JIM McCARTHY e o baixista CHRIS DREJAS tocavam juntos pelas últimas vezes. Foi a excursão final, que terminou semanas depois.
O destino e sequência é fato histórico sabido: sobraram apenas JIMMY PAGE e CHRIS DREJAS, que contrataram ROBERT PLANT e JOHN BONHAN para cumprir compromissos restantes dos YARDBIRDS pela Europa, e finito.
Com a entrada de JOHN PAUL JONES no lugar de CHRIS DREJAS, o LED ZEPPELIN aconteceu.
Este álbum é oportunismo puro e nítido. O grupo quando ouviu o resultado da gravação recusou-se a lançar o disco. É técnica e artisticamente um fracasso. RELF canta nada e PAGE parece exausto. E mesmo tentando reproduzir os HITS mais clássicos da fase com JEFF BECK, a coisa não rolou. A gravação é tão ruim que a gente não sabe se o público está “apulpando”, ou gostando…
Mas com o sucesso do LED ZEPPELIN, a EPIC forçou a barra e lançou o disco. Eu me lembro quando comprei, na época meus amigos adoraram! É um disco barulhento, garageiro e mal feito. E, admito agora, é um bom motivo para tê-lo!
Hoje, é bastante raro. E não lembro de tê-lo visto em CDS oficiais por aí. Enfim, vale por documentar o velório de uma banda seminal.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\07\2024
Pode ser um doodle de abutre, coruja e texto

PAUL WINTER CONSORT – ICARUS – 1972. A PRODUÇÃO É DE GEORGE MARTIN!

Tempo atrás recebi outro CD do grupo OREGON, um blend bendito entre a FUSION e a “VANGUARDA JAZZY – WORLD MUSIC”.
Lendo alguma coisa a mais sobre eles descobri que quase todos haviam tocado com PAUL WINTER; um sax soprano que circundou e gravou muita coisa de BOSSA NOVA e MPB; e circulou WORLD MUSIC afora.
Dei de cara com esse disco na estante e nem me recordava se havia escutado! Peguei, abri e bingo! (pode ser eureka, também).
Estavam lá PAUL McCANDLESS, sopros; COLIN WALCOTT, percussão; e o guitarrista RALPH TOWNER: o núcleo do OREGON. E juntos com o baterista BARRY ALTSCHULL, o percussionista e baterista MILT HOLLAND; e DAVID DARLING, violoncelista sutil e melodioso. Todos no futuro cast da gravadora ECM.
Ahhh, BILLY COBHAN ( não vou dizer o que ele toca… ) também participa.
E quem produziu a obra? GEORGE MARTIN! Sim, ele mesmo! Fez um disco delicioso. Mas não sei ao certo onde começa o JAZZ FUSION leve, europeu, da linha ECM; ou, os flertes com o ROCK PROGRESSIVO meio SOFT MACHINE 3, ou do 5 em diante. Tudo vem mesclado em incursões ao WORLD JAZZ AFRO.
Talvez o termo NEW AGE seja em parte cabível. Indeed! É muito bonito e melodioso. Fiquei alegre e surpreso. Resumindo, é muito criativo e antecipatório de novas tendências. O disco é de 1972
Para completar talvez seja o CD com a edição mais antiga em minha coleção. Parece que prensado em 1984, pela subsidiária da CBS chamada LIVING MUSIC, o que explica a qualidade hoje precária do áudio.
Ouçam. É colecionável, algo raro e certamente precioso.
Especulem.
POSTAGEM ORIGINAL: 26\07\2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

MIROSLAV VITOUS: EM TRÊS CDS NOTÁVEIS DA GRAVADORA E.C.M.

Que delícia, orgulho e vitória pessoal deve ser ligar para os amigos ou parceiros profissionais, artistas em nível de JAN GARBAREK, CHICK COREA, JOHN McLAUGHLIN e JACK DEJOHNETTE e convidá-los para gravar um disco!
Tá certo, MIROSLAV VITOUS toca contrabaixo. É um dos grandes do instrumento, e demonstra nos álbuns aqui postados.
Reunir um time em que todos estavam no auge criativo e técnico; gravar com a solidez e segurança da produção de MANFRED EICHER, um diferenciado que deixa espaços para que cada músico demonstrar o porquê de estar no disco; é proeza reverenciada por quem ama o melhor JAZZ!
UNIVERSAL SYNCOPATIONS, lançado em 2003, é perfeito indicativo de maturidade e conteúdo artístico. Cada músico intervém a seu tempo com liberdade, estilo, e capacidade técnica para transmitir a mensagem e arte pretendidas.
É música de Vanguarda. Exala harmonia e andamentos bem concatenados e melodias encantadoras. As performances individuais estão sempre ajustada perfeitamente ao “timing” coletivo. É álbum de unicidade explícita. Não há onanismo instrumental solitário e narcisista.
Então, TIO SÉRGIO trouxe de carona outros MIROSLAV VITOUS & GROUP, 1981; e E JOURNEY´S END, 1983. Ele é um artista extraordinário e sempre acompanhado por time de alto luxo e pertinência: JOHN SURMAN, soprano; JOHN TAYLOR e KENNY KIRKLAND, piano; e JON CHRISTENSEN, bateria. É interação de amor completa e completada traduzida em música.
Cumpram a sina e ouçam os discos – e, se possível, comprem os três. É impossível se arrepender!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2023
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto

SPANKY AND OUR GANG, e OUTROS MESTRES DO POP VOCAL AMERICANO

Cantar é atividade lúdica ancestral. Se alguém é muito pobre e gosta de música, qual é o recurso mais imediato e barato para começar?
A VOZ, é claro! O princípio, o fim e o meio!
Os negros americanos se reuniam nas esquinas de bairros pobres para cantar, inventar harmonias, etc… E a técnica vocal deles de desenvolveu de tal maneira na década de 1940/1950, que se distinguiu do RHYTHM’N’ BLUES para se tornar sub – gênero autônomo:
O “DOO – WOP”, coleção de onomatopeias cantadas para dar ritmo e andamento ao vocal principal; eram utilizadas, também, na ausência de alguma palavra que fizesse sentido no contexto da letra. Mal comparando, seria coisa tipo Olê-Olá; Lá, lá, lá; e tantas encontradas em nossa música popular. E, certamente, na de outros povos.
TIO SÉRGIO trouxe um exemplo claríssimo. É o volume14 da série STREET CORNER SYMPHONIES, lançada pela BEAR FAMILY RECORDS, em 2013, coligindo grupos como SHIRELLES, CONTOURS, FOUR SEASONS, IMPRESSIONS, e outros vários. Brancos e Pretos fazem DOO-WOP nessas canções de sucesso, em 1962.
Mas o foco da postagem é outro:
Uma seleção muito boa da SPANKY AND OUR GANG. Quatro álbuns de 1967/1968, em dois CDS. E agora lançado pela inglesa B.G.O. RECORDS. O grupo foi algo famoso, onde o destaque é a cantora FOLK/POP/ETC… ELAINE McFARLANE, a SPANKY. Uma gorduchinha de voz potente, extensa e clara, capaz de cantar “de tudo”! Nos discos, ela e banda desfilam HITS do chamado SUNSHINE POP como “LAZY DAY”, “SUNDAY WILL NEVER BE THE SAME”, “LIKE TO GET TO KNOW YOU”, bem conhecidos na década de 1960, e beyond…
Quem ouvir a SPANKY AND OUR GANG vai recordar, de cara, “THE MAMAS & THE PAPAS” – o grupo americano mais famoso do SUNSHINE POP. Não foi por acaso que SPANKY anos depois substituiu MAMA CASS, no quarteto.
TIO SÉRGIO teve o prazer de assisti-los em SAMPA, com ela e o “One Hit Wonder” , SCOTT McKENZIE ( San Francisco ), integrando a banda com JOHN PHILLIPS e a sua filha, McKENZIE PHILLIPS – que também é atriz.
Claro, o foco na destreza vocal nos conduz a dois grandes mais próximo ao estilo da S.A.O.G – Epa! deu acrônimo!: os BEACH BOYS e THE ASSOCIATION. Por isso, vale recordar mais um ilustre desconhecido na foto: CURT BOETTCHER. Superdotado que trabalhou essas duas bandas em arranjos, principalmente vocais.
No entanto, a SPANKY AND OUR GANG fugiu bastante do FLOWER POWER, mercado muito concorrido e congestionado. O repertório deles traz exemplos de ecletismo. Há clássicos da GRANDE CANÇÃO AMERICANA, do FOLK não psicodélico, algum BLUES, e até versão de SUZANNE , de LEONARD COHEN. Há, também, boas composições de autores menos conhecidos.
O que dá unidade aos discos é a beleza melódica, e o excelente trabalho vocal, principalmente de ELAINE. Por esse aspecto, é possível aproximar a banda ao MANHATTAN TRANSFER, grupo vocal de excelência que iniciou carreira, em 1969. Foram craques nesse vasto híbrido que vai do JAZZ ao POP, instilado por BLUES, ROCK, R&B, e até BOSSA NOVA e MPB de primeira linha!
E para confirmar os arranjos vocais de alto nível, estão aqui FRANK VALLI e THE FOUR SEASONS, ídolos do POP VOCAL. E LAMBERT, HENDRICKS & ROSS, trio espetacular concentrado no JAZZ e na GRANDE CANÇÃO AMERICANA. Eles foram os criadores do “VOCALISE JAZZ”. E JON HENDRICKS colaborou com TOM JOBIM em SHOWS e inclusive traduzindo algumas letras para o Inglês.
Mas, TIO SÉRGIO, e este BOX aí dos BEACH BOYS, THE PET SOUNDS SESSIONS, que tal?
Suponho que seja bom! Um amigo comprou, manteve os CDS e o LIVRETO. Disse que não tinha espaço para o BOX, e o vendeu para mim!!!
Inacreditável!
POSTAGEM ORIGINAL: 26\07\2025
Pode ser uma imagem de 3 pessoas, banca de jornais e texto

GENESIS – ROCK PROGRESSIVO: A PRIMEIRA FASE 1969/1974

PETER GABRIEL,TONY BANKS, MICHAEL RUTHERFORD E ANTHONY PHILLIPS estudaram no final dos anos 1960, na “Chaterhouse Public School”, escola inglesa de alto nível, onde os alunos eram tidos como algo esnobes e diferenciados.
Ao contrário da imensa maioria da turma do ROCK, eles não vieram da classe trabalhadora. Os quatro fundaram o GENESIS com a intenção de compor canções e não apenas tocar ou mostrar destreza nos instrumentos. O foco era quase literário.
O primeiro álbum, “FROM GENESIS TO REVELATION”, lançado em 1969, lembra muito o “ODISSEY & ORACLE”, dos ZOMBIES, clássico de 1968; e as gravações dos MOODY BLUES na fase próxima a “DAYS of FUTURE PASSED”, 1967/1968.
São melodias muito bonitas mas não definíveis a qual estilo pertenceriam. É álbum carente de produção elaborada; mas apontando direções nítidas. Os fãs e os próprios integrantes do GENESIS simplesmente abominam o disco!
TIO SÉRGIO gosta!
A banda Fechou com a CHARISMA RECORD e nesta fase mantiveram linha sonora não muito diferente de um disco para outro. As letras geralmente são longas e cheias de “sub-histórias”. Imagino que impusessem aos produtores o que desejavam fazer. Sabiam o que pretendiam…
É claro, se o som não fosse interessante e contemporâneo ao de sua geração e concorrentes, eles certamente não teriam conseguido o sucesso que obtiveram.
Se observarmos o cenário, eles estão mais próximos dos MOODY BLUES que do YES – a referência usual para compara-los. Menos magia e pirotecnia instrumental, e mais integração entre os componentes e a estrutura do grupo.
Os centros de atenção da banda, na fase PROGRESSIVA, sempre foram os teclados exatos de TONY BANKS, e o vocal e figura cênica espetaculares de PETER GABRIEL.
Os músicos restantes, adequados e competentes, compunham grupo sólido e coeso que deu sustentação a um projeto bastante bem formulado.
Para testar a hipótese ouçam GENESIS LIVE, de 1973. É o disco que fecha o ciclo dos claramente progressivos. Eles fizeram ao vivo com arranjos quase copiados das gravações de estúdio.
“TREPASS”, lançado em1970, é o meu Genesis predileto e o último com o guitarrista ANTHONY PHILLIPS. Depois, com STEVE HACKETT na guitarra e PHIL COLLINS na bateria, fizeram “NURSERY CRIME”, 1971 e “FOX TROT”, em 1972. O disco seguinte, “SELLING ENGLAND BY THE POUND” lançado em 1973, confirmou o GENESIS estrela em ascensão. Para muitos, é o melhor álbum que fizeram. E consolidou a transição para um grande sucesso de público.
Observem o ano de 1973, um marco na história do ROCK, com três e tendências disputando a atenção do público:
O PINK FLOYD lançou “DARK SIDE OF THE MOON”. Em tempos em que o HARD ROCK sofisticado do DEEP PURPLE e do LED ZEPPELIN; e o HEAVY METAL do BLACK SABBATH estavam no auge.
Emergiu, também, o GLITTER ROCK destacando o sucesso POP de DAVID BOWIE, MARK BOLAN e o T.REX, do “evolucionário” e criativo ROXY MUSIC, e outros muitos.
E houve tantas intercorrências, consequências e opções a ponto de qualquer artista que lançasse discos, daí para frente, ter de compreender o novo e rico cenário.
Se o PINK FLOYD bombava renovando o PROGRESSIVO, o que fez o GENESIS, em 1974?
O sétimo disco da carreira:
” THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY “, álbum duplo obscuramente conceitual. A maioria das músicas são mais curtas, e as letras mais longas; resultando em inequívoco ROCK PROGRESSIVO – no entanto, mais contido… É álbum bem produzido, enxuto e organizado. Foi o derradeiro com PETER GABRIEL no vocal. E TONY BANKS está menos dominante e mais integrado, ainda, à banda.
Há um elemento fundamental e desconcertante: BRIAN ENO com seu aparato AVANT-GARDE e a influência recebida estudando compositores como TERRY RILLEY e PHILLIP GLASS – gente ultra CONTEMPORÂNEA e artíficies da música do futuro.
BRIAN criou efeitos precisos em algumas faixas esparsas, que diferenciaram o álbum do que o YES, MOODY BLUES, PINK FLOYD e outros vinham fazendo. Ele ter participado com o GENESIS firmou o diferencial.
ENO havia brigado com BRIAN FERRY e deixado o ROXY MUSIC anos antes. Vinha de carreira solo; e também feito parcerias e gravado com ROBERT FRIPP, JOHN CALE, e alternativos PROG daqueles momentos… Por esta vereda, BRIAN ENO forjou a ponte entre o GLAM ROCK e o ART ROCK – opção certeira e historicamente importante!
Em seguida, ENO envolveu-se com o KRAUT ROCK, ajudou a criar a famosa TRILOGIA BERLIM com DAVID BOWIE; e tornou-se capítulo importante da música de vanguarda.
O GENESIS migrou, paulatinamente, para um híbrido POP diferenciado que pode ser considerado ART ROCK. E que se tornou o período de maior sucesso comercial da banda – e da projeção esfuziante da carreira de PHIL COLLINS.
Resumindo o imperfeito: viver e navegar não são precisos! Mas curtir o GENESIS e os artistas aqui citados é necessário, agradável, e muito estimulante!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

ENYA PATRICIA BRENNAN, ELA! FINALMENTE COM VOCÊS!

TIO SÉRGIO não é crítico ou resenhista de artistas ou discos mortos. Não faço necropsias. Não sou “legista cultural”.
Entendo a música e artes em geral como objetos de pensamento em dinâmica perpétua. Procuro sensibilidades relevantes. E, no máximo, ressuscito hipotéticos mortos e trago até a UTI do tempo presente. Procuro conseguir que tenham “alta” e voltem para as ruas da memória cultural para embates e debates.
ENYA PATRICIA é personagem e artista relevante. É a segunda maior vendedora de discos em todos os tempos, entre os artistas irlandeses. Mais de 80 milhões! As vendas de VAN MORRISON, THIN LIZZY e RORY GALLAGHER juntos, não chegam perto dela! ENYA só perde para o U2!
A moça tem fortuna estimada em $140 milhões de dólares e mora na IRLANDA isolada em um castelo. Fez apenas 9 discos solo, três coletâneas, e vários singles e remixes, em mais de 35 anos de carreira. É onipresente na WEB, com as músicas STREAMING. Há várias mixagens e outras combinações que a deixam em perene evidência.
Ela ganhou, também, vários GRAMMYS como cantora NEW AGE, estilo facilmente constatável escutando sua produção. E Isso tudo sem “jamais” ter feito uma turnê. e se apresentou ao vivo em raras e honrosas exceções:
Cantou única música em concerto de Natal, no Vaticano, em 1995. ENYA é católica; e foi convidada pelo papa JOÃO PAULO II. “Cantou” , também, uma ou duas com playback em cerimônia do Oscar, em 2002. E deu sua graça no aniversário do rei da Suécia – um “enyófilo” vigoroso!
Em 1996, os japoneses ofereceram 500 mil libras por um concerto!!!! Só um! Ela recusou. Dizem que já planejaram mega apresentação, com orquestra e banda, que seria transmitida ao vivo mundialmente! Mas não rolou!
Talvez ela seja tímida, ou sem o desembaraço para enfrentar palcos. O mais provável, é ter concluído que sua música é artefato de estúdio – o que lhe garante distância física do público e qualidade técnica para manter o mito criado em torno de si.
ENYA conseguiu o mais difícil: libertar-se da sacrificante vida nas turnês, e viver do que faz em estúdios – desejo de muita, mas muita gente mesmo! Ela trabalha e produz barato: canta todas as vozes e toca os instrumentos, com exceção de percussão e sopro. Com NICK RYAN, seu produtor e arranjador; e ROMA RYAN, sua parceira e letrista dão conta de tudo. Estão juntos desde o primeiro disco, lançado em1987. Bastam-se lucrativamente.
ENYA é mais impressiva do que bela; tem o jeito de quem saiu do filme “O SENHOR DOS ANÉIS” para refugiar-se em campos e castelos recônditos na Grã Bretanha e vizinhanças. É criatura contidamente SOLAR, dentro do limite que se pode ser luminoso naquelas paragens frias, chuvosas – ensimesmadas.
Para entender parte do mito que a cerca, é preciso considerar que silêncio e mistério são apetrechos de marketing eficazes. Pensem em MARISA MONTE.
E vejam KATE BUSH, silenciosa, insondável e reclusa; e também operando nos limites do FOLK com o ROCK PROGRESSIVO e a MÚSICA EXPERIMENTAL. O anúncio de quaisquer discos de ENYA torna-se evento memorável. Vendem na hora.
Mas por favor, não confundam as duas: KATE BUSH é um gênio musical complexo. Vocal intenso e lindíssimo; é “soprano lírica” de timbre que pode variar do agudo ao grave. Suas composições têm arranjos instrumentais de primeira linha; e letras elaboradas em alto nível. KATE é estrela distinta em espaço único, há décadas!
ENYA é mezzo – soprano, tem voz agradável, melíflua mas previsível. Encontrou mercado enorme em plateia ávida pelo esotérico, o misticismo e os mistérios e religiosidades múltiplas e indefinidas, típicas da modernidade.
ENYA está em cada esquina do mundo onde haja classe média: nos pequenos templos, nas lojas de incenso e velas, nas leituras de tarô, na imensa literatura da “gurulândia”; ofertas de autoajuda e conforto espiritual requisitados por esses tempos confusos. É a trilha sonora dos etéreos existenciais.
Seus arranjos instrumentais são mais simples. Simplistas, na maioria das vezes. ENYA é tecladista óbvia; e compositora talentosa de música e instrumentação “climática e viajante”, que emoldura o “multivocal” – este sim tecnicamente refinado, bem produzido e arranjado por NICK RYAN.
As músicas compostas por ela são realçadas por letras feitas por ROMA RYAN, poetisa e sua parceira, que escreve bem, diga-se. São baseadas no folclore ou mitologias e, claro, compõe sobre temas existenciais como solidão, viagem, perdas pessoais, amor e sensibilidades variadas.
O resultado é poética acessível, “feminina” e eficaz. Há um certo sentimentalismo melancólico, que permeia todos os discos, e finca profundamente a impressão de que certas canções são quase orações, ou rituais religiosos. É o nítido o lado NEW AGE, que o trio assume sem pudor. E sabe como fazer.
Fiz maratona ouvindo ENYA PATRÍCIA para mais bem ressuscitá-la em mim, entendê-la “hoje”. Escuta-la é bastante agradável. Mas deve-se dar desconto ao excesso de açúcar, talvez mortal para “diabéticos musicais”, como eu – e certamente muitos por aqui…
A primeira vez que a escutei foi em 1988/89 no Long Play WATERMARK, que mantenho na discoteca. É o mais bem trabalhado, sofisticado e criativo feito por ENYA e parceiros. É dinâmico, variado, POP PROGRESSIVO misturando elementos do WORLD MUSIC. É música eletrônica com sintetizadores e toda a parafernália que passou a viger – hummm!!! – a partir dos anos 1980.
A instrumentação é climática e expressionista. É muito bem cantado em gaélico, inglês e latim, e com dois hits arrasadores dançáveis e viajantes: ORINOCO FLOW e STORM IN AFRICA.
Há também a triste, “gregoriana” e exuberante “CURSUM PERFICIO” (traduzindo: Minha jornada termina aqui ), cantada em latim. A letra estava impressa sobre um ladrilho da última casa em que MARYLIN MONROE morou. Augúrio de morte; finitude.
A inspiração de ENYA vem do FOLK irlandês, celta, inglês, escocês. É mundo imenso de músicas, músicos, estilos e regionalismos, abarcando as ilhas britânicas e se espalhando até os Estados Unidos e os imigrantes que, para lá, foram. Movimenta grana imensa na indústria discográfica e cultural!
Há quantidade imensurável de artistas e discos produzidos; incontáveis fusões e imbricações, que vão da tradição ao FOLK- BLUES, ao FOLK – JAZZ, ao FOLK – PSICODÉLICO, abrindo para o ROCK PROGRESSIVO e o pós PUNK. É ambiente cultural riquíssimo.
Postei, também, a coletânea do CLANNAD, a “banda” da família”, por onde ENYA passou por uns tempos, no início dos anos 1980. Eles fazem um FOLK – POP comercial e bem feito. Está no disco música famosa, “IN A LIFETIME”, sucesso em 1986, que o grupo gravou junto com BONO do U2,
Ouvi todos os discos por ENYA gravados, inclusive via SPOTFY. Ela os lança com distância média de 7 anos entre um e outro. São o que se esperaria de ENYA: bem desenhados, profissionais, bem produzidos, musicalmente simplificados, bem cantados e… açucarados. Ahhh! eu acho conceitualmente repetitivos. Como sempre, faixas com ela ao piano – uma instrumentista pouco inspirada. Mas é NEW AGE na veia, e sem escalas.
A discografia de ENYA não é a minha praia. Mesmo assim, deixo ressuscitado o WATERMARK. Acreditem: vale a pena; é um grande disco!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\07\2021
Nenhuma descrição de foto disponível.