BRITISH BEAT – INÍCIO DOS ANOS 1960 – PARTE 1

Há discussão ainda não muito divulgada sobre como classificar os discos lançados há mais de 50 anos. Até pouco tempo atrás, eram todos jogados no supergrupo dos “OLDIES”.
Porém, passado é tudo o que não é “presentemente contemporâneo”. Então, para rechear a linguiça com pimenta brava e dizer além, é bom notar que vivemos um “eterno presente”: onde tudo convive junto ao mesmo tempo agora – para recordar a poesia precisa de OS TITÃS – aqueles…
Portanto, se isto “é” um fato, “LED ZEPPELIN” e “THE CLASH” continuam presentes tanto quanto a RHIANNA e o FOO FIGHTERS.
Então o quê fazer para colecionar discos
com alguma organização e disciplina?
TIO SÉRGIO percebe que as coisas estão sendo reclassificadas: de 1970 para frente, e até mais ou o ano 2.000, se pode incluir os artistas na categoria OLDIES.
Grosso modo, tornaram-se OLDIES discos passados de ROCK PROGRESSIVO, HARD ROCK, METAL, PUNKS, e tudo o mais produzido naquele período, incluindo a BLACK MUSIC e os ELETRÔNICOS em geral.
Mas e a turma daquele período para trás? PSICODELIA, BEAT, DOO-WOP, ROCK and ROLL, SURF e o o que se imaginar em produção POP, como ficam? Vêm sendo classificados como VINTAGE.
E é sobre discos de coleção da primeira metade dos anos 1960 que vou comentar.
São todos VINTAGES. E a imensa maioria é de bandas consagradas, em discos importantes, porquê o “primeirão” de cada um dos grupos citados.
The KINKS, 1964, trouxe “You really got me”, uma das precursoras do metal, surgido anos depois. BEATLES, em “Please, Please Me”, 1963, é histórico por razão óbvia. Assim como o primeiro dos TROGGS, 1966, onde está o clássico indiscutível, WILD THING.
Por esquecimento puro e simples deixei de postar a foto do primeiro disco dos HOLLIES, a imensa e transcendente banda que revelou o ainda contemporâneo GRAHAN NASH. Eles fizeram, inclusive, álbuns PSICODÉLICOS e PROGRESSIVOS, durante a extensa carreira.
Estão por aqui BILLY J. KRAMER e GERRY & THE PACEMAKERS, os SWINGING BLUE JEANS e os SEARCHERS – quatro bandas BEAT típicas de LIVERPOOL, juntamente com os BEATLES.
É bom não esquecer o DAVE CLARK FIVE, com mais de cem milhões de discos vendidos, a banda que realmente conquistou os EUA e rivalizou, enquanto existiu, pau a pau com os quatro caras famosos de LIVERPOOL!
E, claro, THE WHO, sobrevivente até hoje por ter conseguido um crossover musical e cultural que os mantêm entre os mais importantes da história.
Aqui, MY GENERATION, o SINGLE e primeiro e significativo álbum, lançados em 1965. Um grito rebelde em nível de SATISFACTION, dos STONES.
A um passo pequeno atrás, e com status de CULT em permanente ascensão, THE SMALL FACES eram concorrentes e contraponto direto ao THE WHO, entre os MODs londrinos; e também gravaram álbuns importantes e SINGLES inesquecíveis.
Se você gosta do BEAT BRITÂNICO temos, aqui, a gênese da farra que ajudou a mudar uma “era”.
POSTAGEM ORIGINAL:25/10/2020
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JACKIE BROWN – TRILHA SONORA PARA FILME DE QUENTIN TARANTINO – 1997

Acho que compreendo TARANTINO filmando de maneira detida e detalhista uma “SAGA AMERICANA”, repleta de gente comum – alguns desvalidos e outros simplesmente marginais ou bandidos.
É um jeito antissistema de ver a luta para realizar e desfrutar do sonho americano. Muita gente derrotada e pela realidade competitiva, desumana e cruel.
TARANTINO filma e revela uma das faces tristes da América. No entanto, o lado fortíssimo de seus filmes são as trilhas sonoras: populares, compreensíveis por gente comum, e com pequenas joias e grandes hits mesclados.
Por isso, se acharem este JACKIE BROWN pelaí enfrentem.
Há coisas fantásticas: “Across the 110th Street”, de BOBBY WOMACK, é R&B de alto nível. E ao menos cinco músicas memoráveis com BROTHERS JOHNSON, THE DELPHONICS, THE GRASS ROOTS, MINNIE RIPERTON e RANDY CRAWFORD.
As restantes, compõem o álbum com dignidade.
TIO SÉRGIO recomenda.
POSTAAGEM ORIGINAL: 27/10/2021
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BOB STANLEY – MÚSICO, PRODUTOR, COLECIONADOR E INTELECTUAL DO POP – ANOS 1990 EM DIANTE

Incerto final de semana recebi a RECORD COLLECTOR, bíblia mensal que me insere no colecionismo e no “como anda” a música lá pelas “estranjas”.
Abri, e vi no interior da primeira capa série de lançamentos da cult, eclética e vanguardista gravadora inglesa ACE – que sempre encontra o inusitado e imprescindível de todas as tendências e épocas. Estão lá um monte de miscelâneas concebidas por BOB STANLEY, o lado pensante do excepcional pop – group inglês SAINT ETIENNE, de grande sucesso nos anos 1990 e além.
STANLEY é um refinado colecionador e intelectual do pop. Há tempos ele vem escrevendo coluna fixa na RECORD COLLECTOR, onde aborda, compara, resenha e indica pepitas e barras de ouro feitas ao longo das décadas. Eu diria que ele seleciona temas e repertórios sob pontos de vista mais atuais. Aliás, essencial para tornar – se relevante; perdurar.
Ler STANLEY é sempre instigante, prazeroso e criativo. E a razão desta postagem é a capacidade que ele tem para estender-se,
voar pelos tempos; conceber e perceber interrelações entre vários estilos concomitantes que circularam pela capilaridade do POP contemporâneo.
Além de ter ideia clara sobre as transições, STANLEY sempre nos traz pequenas coisas esquecidas ou desleixadas, e consegue informar e argumentar porquê são importantes. Atitude que o torna um verdadeiro crítico musical.
As coletâneas/miscelâneas produzidas por ele e vários parceiros, dão água na boca até quando o conteúdo não é de meu interesse direto. Acessem e vejam. Os mais jovens curiosos certamente sacarão…
Mas para não ficar no texto árduo, mandei junto o que deixei em minha discoteca feito pelo SAINT ETIENNE: a deliciosa coletânea dupla de singles e adjacências, lançada 2001. E o que talvez seja seu disco mais legal e importante: “TIGER BAY”, de 1994. É TECHNOPOP light, alto astral e ultra dançante. É adoravelmente cantado por SARAH CRACKNELL – uma vocalista algo “naive” e politicamente correta, mas irresistível. A turma que gosta de cantoras pop contemporâneas precisa escutar e curtir o SAINT ETIENNE!
Quase tudo dito, porquê o cara é muito interessante, então fiquem de olho no STANLEY – o cara à esquerda na capa do disco. E ouvidos atentos em seus discos. Ele tem muito para dizer, ensinar e divertir a todos nós.
POSTAGEM ORIGINAL: 26/10/2020
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A FORÇA DO “RHYTHM AND BLUES” NO BEAT ROCK INGLÊS, E CLIFF BENNETT & THE REBEL ROUSERS

Sempre posto coisas de minha discoteca e tento enriquecer as perspectivas para evitar “diagnósticos definitivos”.
Claro, discos, artistas e obras de arte em geral submetem-se aos condicionamentos das sociedades onde foram criados; e sofrem ação das reinterpretações ao longo tempos. Os discos postados fazem parte da complexa rede que formou o ROCK INGLÊS, na década de 1960.
A maioria são de personagens menores que tinham o R&B na base e outros componentes da grande feijoada (fish and chips?) POP daqueles tempos.
Mal comparando, aqui são todos mais para os ROLLING STONES do que para os BEATLES. E a quase totalidade gravou em um desvão que junta o estilo das duas bandas mais importantes da GRÃ – BRETANHA.
Sacaram? Aceito de bom grado um talvez…
Postei essa enxurrada de raridades porquê CLIFF BENNETT & THE REBEL ROUSERS teve matéria que li na revista RECORD COLLECTOR. O grupo foi batizado com o nome de música de DUANE EDDY, guitarrista americano criador da maioria dos “RIFFS LUGAR COMUM” do ROCK que a gente ouve por aí, até hoje!!!!
A banda é bem legal. Tem um QUÊ do DAVE CLARK FIVE. Inclusive no vocal de BENNETT, que emula MIKE SMITH mas oscila de VAN MORRISON a STEVE MARIOTT. Um retrato definidor.
Claro, a voz e interpretação de CLIFF BENNETT contêm alfinetes de WILSON PICKETT e ARTHUR CONLEY. E de seu ídolo mor: JERRY LEE LEWIS. O ROCK e a BLACK MUSIC americana estão na genética sonora deles. A foto está no meio e abaixo com os dois principais discos que gravaram em único CD.
Esticando o assunto, todos na foto publicada tocavam para animar bares e clubes. Vários foram admirados por outros artistas e são históricos: LONG JOHN BALDRY, CHRIS FORLOWE, ALEXIS KORNER, GEORGE FAME, ARTWOODS, JOHN MAYALL, GRAHAN BOND, MANFRED MANN , e o STEAMPACKET. Os discos excelentes, e mais para o R&B, SOUL incluído.
CLIFF BENNETT não foi nenhum ídolo e gravou relativamente pouco. Ele e banda profissionalizaram-se antes dos BEATLES. Depois, foram empresariados por BRIAN EPSTEIN; e o maior HIT que tiveram foi em 1966, com uma composição de “JOHN & PAUL”. “GOT GET YOU INTO MY LIFE” – que está no álbum REVOLVER. A versão de CLIFF e REBEL ROUSERS é um R&B vigoroso e a cara deles.
PETE TOWSHEND escreve no prefácio da biografia de CLIFF que THE WHO em peso gostava do grupo. Porque dançante, coeso e “very ” COOL…
E quem sabe um pouco sobre as bandas e músicos que agitavam as noites inglesas, na primeira metade da década de 1960, percebe que os REBEL ROUSERS tinham o quê de R&B misturado ao ROCK com pitadinhas de JAZZ, o que botava os “nossos ídolos” para festejar, beber e dançar.
Claro, o repertório é cheio de covers e alguns plágios, muito comum naqueles tempos. O grupo tinha a base daqueles tempos: vocalista, duas guitarras, baixo, bateria e teclado. E para soar ao R&B autêntico, criaram uma sessão de metais. No entanto, em vez de juntar um TROMPETE ao SAX convocaram outro SAX. Esta fusão deu em sonoridade original. E anos depois, VAN MORRISON articulou mais ou menos isso.
Passaram incontáveis músicos pelo “COMBO”, no decorrer dos tempos. Os mais famosos foram o guitarrista DAVE EDMUNDS e o pianista NICKY HOPKINS . E de lá também saíram o “duo POP” CHAS & DAVE, bastante longevo no cenário.
Com o fim do grupo, lá por 1968, CLIFF BENNETT seguiu o caminho de MANFRED MANN, do PROCOL HARUM e dos MOODY BLUES, e deu salto mortal em direção ao ROCK PROGRESSIVO. Fundou o influente e colecionável “TOE FAT”, onde esiveram JOHN GLASCOCK, futuro baixista do JETHRO TULL. E foram revelados KEN HENSLEY, teclados e guitarra, e o baterista LEE KERSLAKE. Ambos saíram em 1970, e consolidaram a formação histórica do URIAH HEEP.
Não sei se alguém salivará. Mas, é um naco de história e música muito divertida e com ramificações importantes. Vale uma ouvida no STREAMING… Muitos gostarão.
POSTAGEM ORIGINAL: 20/10/2023

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HINOS JOVIAIS: O ROCK FALANDO DE SEU PÚBLICO E MAIS ALÉM!

Tá legal, eu aceito o argumento! ( Pô, Paulinho da Viola!!! Você chegando sem avisar ???!!!!)
Mas tome cuidado, TIO SÉRGIO! Porquê tem outras coisas por aí e o time na foto vai apontar…
De resto, alterem as hipóteses como quiserem!
1) THE ROLLING STONES, “SATISFACTION”, 1965, talvez o primeirão da perspectiva “jovem” das pequenas desilusões, insatisfações, incompreensões e sinalizando frustrações sexuais.
Enfim, um passeio por incompletudes… Um clássico pesado e inesquecível.
2) THE WHO, “MY GENERATION”, 1965. Rock pesadíssimo, com final apoteótico ao estilo da banda, quebrando tudo…
Letra iconoclasta, niilista, descreve a situação do jovem meio sem perspectivas frente a um mundo hostil. Talvez o hino maior da rebeldia no ROCK.
3) ALICE COOPER: “I´M EIGHTEEN” Para o tio Sérgio é um dos grandes ROCKS da história. Tipicamente americano, fala sobre a confusão adolescente de não saber para que lado ir, incerteza de gênero e a vontade de “cair fora” de tudo isso.
ROCK pesado, algo PSICH, e tia ALICE e banda botando pra quebrar. Eu tive em COMPACTO brasileiro, e ainda hoje acho a melhor música que fizeram….
4) GEORGE THOROGOOD & DESTROYERS, “HAIRCUT”, 1993. Um grande e pesado BLUES ROCK AMERICANO! Letra hilária e bem escrita; e é para cantar dirigindo, ou no BAR tomando cervejas.
Descreve agonias de um adolescente cabeludo, e os perrengues pelos quais passou com os mais velhos exigindo que cortasse o cabelo. O final é irônico e até apoteótico com a vitória contra o “estabelecido”. Ouço sempre rindo, e aconselho!!!! Pra mim, é a melhor música do GEORGE!!!!
5) DIRE STRAITS, “MONEY FOR NOTHING”, 1985. Grande música! É deliciosa, altamente dançável, e sucesso enorme, sempre!
É um tipo de HINO INFORMAL dos músicos ingleses de quaisquer vertentes. Já vi gente de orquestra dançando e curtindo.
Descreve o papo entre vendedores de uma loja de departamentos ironizando, com inveja e incompreensão maldosa, a vida dos músicos que, supostamente não trabalhariam, mas ganham bem e pegam geral!!!
Ou seja, “Dinheiro fácil e pra nada”!
Pronto, está dito. Quem souber de outras, que publique!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 23/10/2023
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ROXY MUSIC – A SAGA POP FUNDAMENTAL – 1972/1982

O ROXY MUSIC produziu oito álbuns de estúdio, duas coletâneas, diversos SINGLES e dois discos ao VIVO, em dez anos intensos. Começaram com o essencial e definidor ROXY MUSIC, em 1972; e terminaram com AVALON, obra prima do POP-ROCK, lançada em 1982.
Currículo soberbo!
No início, foram definidos como “GLAM ROCK” – o que, no caso deles, nunca entendi corretamente o que significava…
BRIAN ENO fez parte da banda, no primeiro LONG PLAY, ROXY MUSIC e No segundo, FOR YOUR PLEASURE, 1973. Ele e se autodefinia como “não músico”. E já trabalhava sonoridades eletrônicas influenciadas pela música eletro acústica desenvolvida pelo KRAUT ROCK. E, paulatinamente, se tornou um dos mestres do ROCK CONTEMPORÂNEO e o criador da AMBIENT MUSIC.
Porém, desentendeu-se com BRYAN FERRY, o líder supremo, que propunha um POP-VANGUARDA “mais assimilável” e não gostava da presença excessiva de ENO no palco. Acabou prevalecendo, e levou o ROXY MUSIC ao sucesso…
FERRY e o restante da banda tinham um acordo suis-generis: BRYAN compunha as melodias no piano. Entregava a progressão harmônica e rítmica para a banda, que construía os arranjos, e as intervenções eletrônicas.
As letras escritas por FERRY entravam depois, em cima da música pronta, o que dava um trabalhão para adaptar. Era um processo colaborativo, e com alto grau de liberdade. Juntos, seguiram viagem por diversas formas do PROGRESSIVO e do ART ROCK. Fizeram discos como STRANDED, em 1973; COUNTRY LIFE, 1974 e SIREN, em 1975.
E arremataram com um dos melhores discos ao vivo da história: “VIVA!”, gravado em 1976. No palco, o ROXY sempre fez o ROCK sofisticado entrar na alma do público. Este concerto é “DARK PROGRESSIVO” e curiosamente vibrante, onde ovações irrompem durante o SHOW, culminando no, talvez, maior pedido de bis que já escutei até hoje! Um assombro!
É interessante observar que o “barítono másculo” de BRYAN FERRY é um curioso contraponto à tibieza estudada de BOWIE durante o período GLAM, em álbuns como ZIGGY STARDUST, por exemplo. Mas o DAVID da fase BERLIM, em diante, aderiu ao registro vocal que emulava SCOTT WALKER e BRYAN FERRY…
BOWIE e BRYAN, aliás, são dois símbolos nessa transição do ambiente sócio-musical “líquido” existente no início dos anos 1970; em direção a posturas ainda mais abertas do que as de após a revolução de comportamentos vividas na década anos 1960. O tal GLITER ROCK incorporava e prenunciava isso.
No entanto, o ROXY MUSIC sempre ditou “música” antes de moda.
E, foram criando uma sonoridade POP-EXPERIMENTAL em ambiente onde o PÓS-PUNK se impunha. E legaram álbuns de alto nível: “MANIFESTO”, em 1979; “FLESH AND BLOOD”,1980. E desaguaram no mar aberto artístico, em 1982 com “AVALON” – para o TIO SÉRGIO aqui, um álbum essencial em toda discoteca!
No conjunto da obra, hoje podemos defini-los como “ART-ROCK”, ou simplesmente PROG – nova nomenclatura abrangente para tudo o que ultrapassa gêneros pré-definidos.
Então, postei dois BOXES: “THE THRILL OF IT ALL”, quatro CDs e um livreto excelente, coligido em 1995. É ótima trilha para conhecê-los, extrapolando o essencial. Se encontrar por aí, não se acanhe.
E mais outro: “THE COMPLETE STUDIO RECORDINGS” , lançado em 2012, é “quase” maravilhoso, com todos os discos de estúdio (😎, as capas originais completas; e mais um álbum duplo de SINGLES, B-SIDES e REMIXES abrangendo além o que se precisa deles!
Mas cadê o LIVRO? Há nenhum roteiro escrito para introduzir o público no trabalho desta banda espetacular… Não fizeram! Lamentavelmente! – o que explica o “quase” no texto. Se encontrar e puder comprar, considere.
A produção do ROXY MUSIC sempre foi esmerada, e feita por gente em nível de “PETER SINFIELD”, letrista do KING CRIMSON, que os descobriu. E, também, o histórico CHRIS THOMAS, produtor craque de artistas fundamentais, como PROCOL HARUM, entre vários diversos de grande sucesso universo afora!
Para terminar, um toque pessoal.
Em novembro de 1994, eu estava passeando com Angela, a minha mulher, por NOVA YORK. O ônibus parou junto a um poste. E havia panfleto informando que naquela noite estrearia a turnê mundial de BRYAN FERRY, em um teatro nas proximidades.
Descemos do ônibus, entramos no espetacular e histórico BEACON THEATRE, compramos ingressos, e assistimos a um dos grandes shows de nossas vida!
Certo momento, eu estive de pé junto ao palco. Fotografei livremente, a poucos passos da performance… Ninguém me incomodou,
Assisti a tudo por um bom tempo; fiquei de cara para o ROBIN TROWER, o histórico guitarrista que infelizmente não veio ao BRASIL, na sequência da turnê. O ingresso está na postagem.
E, para comprovar que a vida conspira contra a perfeição, a banda que abriu o SHOW, a horrorosa COMBUSTIBLE EDSON, talvez tenha sido a pior performance que já assisti!!!
Quem não gosta do ROXY não percebeu, ainda, o que está perdendo.
POSTAGEM ORIGINAL: 21/10/2021
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CARAVAN: IT’S NONE OF YOUR BUSINESS – MAD FISH MUSIC, 2021

Não acho elegante e muito menos razoável desmontar ou destruir a reputação de quaisquer profissionais, principalmente artistas.
Muitos discordarão, uma vez que se o cara ou os caras gravam, põem a público, etc… e tal, estão obrigados a ouvir e respeitar as críticas que recebem.
É também verdade!
Eu vejo de maneira menos contundente. E sempre me pergunto: se não gosto, por que devo resenhar, criticar, ou discutir?
Há, no entanto, motivos para fazer. A começar pela importância do artista perante o público, ou pela imagem que construiu durante a carreira. E as carreiras seguem.
É difícil e talvez injusto falar sobre profissionais que apenas sobrevivem sem propor nada de novo; só cumprindo tabela para pagar as contas. É legítimo e necessário.
E há os fãs fieis que apoiam. E sempre haverá quem goste. Então, não é afronta tornar-se um ex-criativo em atividade vendendo o de sempre… Há bandas e artistas importantes que se repetem modificados por décadas, sempre empolgando…
Se o TIO SÉRGIO começar a declamar nomes, sobrará muita, mas muita pouca gente “artisticamente” ainda relevante. Inclusive e principalmente no poleiro de ouro frequentado pelos grandes.
É notório: o tempo inteiro profissionais da música aportam aqui no Hospício do Sul. Aliás, circulam o mundo exibindo carreiras já saturadas. Alguns poucos conseguem se revalidarem reinventando-se. THE CURE, ELTON JOHN e o IRON MAIDEN, por exemplo, têm ainda algo a dizer, mas pouco a acrescentar…
Estou enchendo alheiras para repetir o que os fãs do CARAVAN já sabem há quase meio século: a fase relevante encerrou-se lá por 1976/77. A banda encarou a realidade que pega geral: tornou-se infértil. Mas prosseguiu vivendo do trabalho que as diversas formações construiu.
E tudo bem! Afinal, quem os conheceu na fase áurea sabe que estiveram entre o ótimo e o excelente na maior parte do tempo. Mesmo sem o justo e grande êxito comercial que mereceriam.
No entanto, quando ouvimos esse disco as coisas ficam nítidas. Foi lançado em 2021; e da banda considerada “original”, a turma que foi até 1977, restam apenas o guitarrista e cantor PYE HASTINGS e GEOFFREY RICHARDSON, guitarra e viola, que participaram, por exemplo, do clássico WATERLOO LILLY, em 1972, e de outros discos memoráveis.
Mas aqui não se encontram vestígios do passado glorioso. Não está presente a prodigiosa “FUSION PROGRESSIVE ROCK” que os destacou. E nada de quebra nos andamentos ou ritmos; nem o baixo espetacular de RICHARD SINCLAIR. E menos ainda a capacidade de construção de sequências melódicas e harmônicas que, de certa forma, durante carreira coligavam as faixas. A capa é risível, feia. Incomparável em relação às que ornamentaram os LONG PLAYS iniciais!
IT´S NOT OF YOUR BUSINESS certamente é o título adequado para um álbum de PROG ROCK sem graça, enfadonho, repetitivo e descaracterizado. Mas o preço saiu barato. E mesmo depois de submetido à curra fiscal custou menos do que $10 dólares, uns R$ 55,00 MANDACARUS…
Eu respeito a história dos caras. Então, vou deixar na estante – mas sem prometer que será para sempre.
POSTAGEM ORIGINAL: 20/10/2024

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HOLLIES – NA IMPERIAL RECORDS – 1964/1967 – LONG PLAYS RELANÇADOS PELA SUNDAZED MUSIC – 2010/ 2011

Foi só pra contrariar.
Tenho poucos LONG PLAYS, não muitos mais do que 150. E comprei as reedições de 2010 / 2011, da SUNDAZED MUSIC. São quatro dos cinco álbuns dos HOLLIES lançados pela IMPERIAL RECORDS americana, em meados da década de 1960. Eu ainda não ouvi. Estão intactos. Eu não tenho “VITROLA”.
Por enquanto.
Para os que não sabem, THE HOLLIES foi a banda de onde saiu GRAHAN NASH, em 1968, e juntou-se a DAVID CROSBY, STEPHEN STILLS e NEIL YOUNG, para formar um dos quartetos mais influentes da história do ROCK.
TIO SÉRGIO adora e coleciona os HOLLIES. E tem os CDs ingleses que reproduzem as edições originais dos LPs lançados antes de 1967. E que seguem o critério absurdo, antiquado e anticomercial da época, usado para quaisquer artistas:
Funcionava assim: as músicas de sucesso, lançadas em “compactos” – oooppss, SINGLES -, não entravam no repertório do álbum. O que diminuía o impulso e o motivo para o fã comprar.
Os americanos, “visionários pragmáticos” e craques de marketing, acabaram com essa história: passaram a incluir os HITS também nos LONG PLAYS, valorizando o artista e aumentando o desejo de consumo dos eternamente caros LONG PLAYS.
Por causa da diferença de estratégias, até 1967 o repertório dos LONG PLAYS lançados na América por artistas ingleses, era diferentes do original feito na Inglaterra.
As gravadoras americanas impunham às parceiras inglesas o direito de modificar e lançar os discos como quisessem: mudavam capas e fotos; excluíam e incluíam músicas; remontavam “um novo disco” agregando gravações de outros diferentes, e etc… Faziam o diabo – oi, Dona Dilma!
Os HOLLIES, contratados da PARLOPHONE, a mesma gravadora dos… ahhh, vocês sabem qual banda… também ficaram famosos. Tinham os cuidados reservados às estrelas: gravavam no estúdio ABBEY ROAD, com produtor de primeira linha, RON RICHARDS, e etc… Na América, a representante da PARLOPHONE era a IMPERIAL RECORDS.
Os discos da foto seguem palidamente os lançamentos originais na Grã Bretanha: “HERE I GO AGAIN”, 1964, é versão modificada do primeiro álbum, “Stay with the Hollies”. “HEAR! HERE! é baseado no terceiro LP, “Hollies”, lançado em 1965. “BEAT GROUP”, de 1966, é compilação de alguns EPs com músicas de sucesso. E “BUS STOP” – o nome do grande HIT deles de 1966 -, é a remontagem do original “Would you Believe” acrescido por alguns SINGLES. Houve mais outro álbum por lá: “STOP, STOP, STOP”, que a SUNDAZED não relançou.
Quando venceu o contrato com IMPERIAL, a banda mudou para uma subsidiária da COLUMBIA, a EPIC RECORDS e continuou a carreira.
Resumindo, as gravadoras americanas adaptavam o produto ao mercado dos Estados Unido. E tinham toda a razão!
Pois, é! Só pra contrariar o que fazia – só adquirir CDs – eu aproveitei uma boa oportunidade. Os vinis ainda não estavam na moda; o dólar tinha preço não escorchante; havia certo afrouxamento na curra fiscal, e o frete não aleijava.
Comprei os vinis de 180 gramas, objetos magníficos, bonitos e perfeitos; acabamento gráfico de primeira linha em prensagem confiável. Espero que esteja corretamente mixado e remasterizado.
E foi assim que incrementei a coleção com edições diferentes das que tenho.
POSTAGEM ORIGINAL: 18/10/2026
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ERIC CLAPTON – BACK HOME – REPRISE RECORDS – 2005

É isso aí! ERIC PATRICK foi pegador serial. Esteve com tantas e tontas que é difícil e desnecessário nomeá-las. Mas TIO SÉRGIO, o mundano, não se furtará: vocês se lembram da PATTIE BOYD, que ele tomou de GEORGE HARRISON, e mesmo assim continuaram amigos?
ERIC CLAPTON também esteve com a “socialite”, modelo, mulher bela, fascinante e diferenciada cantora CARLA BRUNI – que percorreu a pista com MICK JAGGER, DONALD LARANJÃO, KEVIN COSTNER… e estacionou em NICOLAS SARKOSY, ex-presidente da França.
E vá no Google para buscar o restante do prontuário que o jacaré abraçou, traçou e desfrutou ao longo do périplo…
Mas tio Sérgio é um cara sério. Em almoço incerto botou pra rebolar este CD adquirido nas estranjas – que palavras mau escolhidas! – há não tanto tempo atrás.
ERIC CLAPTON é um ícone da melhor música popular dos últimos 60 anos. Portanto, não faz discos ruins ou inaudíveis. Ao contrário, produz música agradável, às vezes algo LOUNGE, mesclando BLUES, POP, REGGAE, SOUL, R&B e tudo aquilo que faz a turma bater a patinha no chão, enquanto bate papo e se diverte ou come alguma coisa – gente incluída…
A banda que toca em BACK HOME é de veteranos capazes de fazer de PADRE MARCELO a XUXA; ou de SEAL ao GIL renderem no auge dos respectivos talentos…
O álbum é muito legal se vocês – como eu fiz – esquecerem que o gênio explícito ficou no passado, mas nos legando o profissional completo. O cara canta, compõe e toca bem ainda toca baseado em certa centelha artística ancestral.
O momento atual de ERIC CLAPTON, quase, quase 80 anos, é de um senhor dedicado à família; homem riquíssimo, próximo do feliz, e sóbrio há três décadas. Está casado com MELLIA McNERY, a esposa invicta desde 2002, e vive rodeado pelos filhos que ajudou rebentar e criar. Parece ter soterrado o fauno priapico do passado.
Enfim, é o ERIC CLAPTON que aprendemos gostar na alegria e na tristeza; na saúde e na doença. E forever and ever.
Angela, a minha mulher, MICHELLE e PAULO, nossos amigos presentes naquele almoço, ouviram e adoraram o disco. Chegou a preço baixo antes da curra cambial e do PHALUS DEI entumecido ordenado pelo CONGRESSO, HADDAD e LUIZ INÁCIO.
Se o preço for bom, então comprem.
Para ERIC CLAPTON não há contra indicações!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/10/ 2024
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RAY DAVIES e CHICO BUARQUE DE HOLANDA: E TUDO POR CULPA DO WALDICK SORIANO….

TIO SÉRGIO é um impreciso sensível. Vez por outra, opera feito um RADAR TÃ TÃ ou como os foguetes do HAMAS nos céus do LEVANTE: cai um pouco fora do alvo. Mas é necessário um DOMO DE FERRO para abatê-lo. Eu dou trabalho para as defesas contra o imponderável empoderado – ou não… e seja lá o que eu tenha tentado explicar…
Estava quieto em meu canto espocando latinhas de cervejas, quando apareceu na tela notícia sobre magnífica coleção de LPS do WALDICK SORIANO, nosso preclaro e inefável ídolo popular. Ele é um CULT rematado, e teve os discos digitalizados para os pósteros desfrutarem de suas criações!
TIO SÉRGIO é espécie de piloto de bombardeiro intelectual
algo incompetente, e sempre cheira encrencas. Vive chamuscado no rabo feito FRANGO DEPENADO em casa – técnica das vovós muito antes de a indústria ter aprendido a abatê-lo higienicamente. Alguém se lembra disso?
Então, encarei a parada e prospectei memórias indeléveis.
Lá por 1966/1967/, ainda com poucos discos e sem vitrola, eu costumava escutar a parada de sucessos no rádio. E lembro que na esteira do sucesso de A BANDA, outra música deliciosa e bem CHICO BURQUE despontou: CAROLINA… aquela que não via o mundo passar pela janela.
Meu tio TONICO GARINI, jornalista de esquerda, intelectual algo militante, muito bem humorado e corrosivo, respondeu a “somebody” que o questionou sobre o WALDICK SORIANO – que também se espalhava do nordeste para o HOSPÍCIO DO SUL INTEIRO…hummm.
E saiu-se com esta: “Prefiro o WALDICK porque é sujeito do povo, analfabeto e ignorante, mas autêntico…
“O CHICO é filho de intelectual importante, o SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA. E é parente de um “DICIONÁRIO”, o “AURÉLIO”. Mas fez “A BANDA”, música e letra conservadoras e saudosistas”… “Esse cara é jovem, mas não está percebendo as mudanças na sociedade brasileira. Eu vou de WALDICK”, argumentou o GARINI.
A reação da turma em volta foi confusa. As tias, discordando e adorando o lirismo do CHICO. Os tios não se meteram; e o “sobrinho” SÉRGIO arquivou o fato na cachola…
Claro, os tempos eram de completa contestação cultural e radicalização política. A família quase toda votara, no JÂNIO, em 1961. O TONICO votou no LOTT. A maioria dos mais velhos de certa maneira apoiaram ou aceitaram o golpe de 1964. O TONICO, não”.
Hoje, sabe-se que o CHICO paulatinamente foi mudando e que suas letras iniciais – de grande qualidade, como sempre – escondiam ironias e revelavam alguém ainda imaturo, mas não alienado.
O TIO SÉRGIO sempre desconfiou que RAY DAVIES, o líder e principal figura da lendária banda inglesa, THE KINKS, enquanto compositor tinha algo a ver conosco… E tive um INSIGHT:
RAY está entre os maiores compositores da HISTÓRIA da música POP. Nunca foi um “revolucionário”, um propositor de revoltas juvenis. E muito menos um conservador…
É contemporâneo do CHICO BUARQUE. A visão dele também “era” da “JANELA”, de onde observava o mundo à sua volta. Porém, ao contrário da CAROLINA do CHICO, RAY enxergou nitidamente; percebeu e descreveu as mudanças – e as cantou!
RAY DAVIES e CHICO BUARQUE são dois observadores argutos de pessoas, fatos e ambientes.
As mulheres enxergam em CHICO um desvelador de suas percepções íntimas. E RAY DAVIES escreveu letra magnífica sobre o fascínio e as incertezas que um ser “feminino”, exuberante e inesperado, exercia bem mais de meio século atrás.
Espero que todos conheçam LOLA, canção sobre um travesti, sucesso dos KINKS, DE 1969. Então, ouçam novamente e acompanhem a letra instigante, irônica e bem construída que leva ao desfecho.
Tanto RAY quanto CHICO têm talento especial para conhecer e escrever sobre pessoas. Aliás, RAY tem uma filha com CHRISSIE HINDE, a musa POP alternativa, líder dos PRETENDERS.
Ele e o irmão DAVE DAVIES são torcedores do ARSENSAL e sabiam jogar bola, como ROD STEWART, ROBERT PLANT… e o CHICO BUARQUE DE HOLANDA.
Vejo outras semelhanças entre o CHICO e RAY. Ambos têm vozes peculiares, e talvez desagradáveis. São preservadores de suas origens; escrevem sobre as respectivas sociedades, entornos, deficiências, injustiças…
Na sequência de carreira, RAY e os KINKS enveredaram para um tipo de híbrido que mesclava MUSIC HALL inglês com resquícios do SKIFFLE e, claro, do ROCK! Depois, alinharam-se por uns tempos ao PUNK – aliás, decorrência quase natural da evolução do BEAT primordial da banda.
Hoje, RAY é um intimista diferenciado, por assim dizer (seria, Ayrton Mugnaini Jr.?) Se o percebo adequadamente, anda lembrando BRUCE SPRINGSTEEN nessa introspecção em busca da raiz…
CHICO BUARQUE entre os grandes compositores do BRASIL sempre foi o mais explicitamente nacionalista. Quase toda obra dele gira em torno da MPB mais tradicional. O samba, principalmente. E a sua evolução artística revela esta opção. Ele não ousa fora do mapa… não faz concessões para FUSIONS.
RAY e CHICO não são almas gêmeas, e talvez mal se conheçam. Mas que há idiossincrasias e possíveis paralelos isto há: são coetâneos, nasceram em 1944. O CHICO em 19 de junho, e RAY no dia 21! São quase “gêmeos”.
POSTAGEM ORIGINAL: 16/10/2023
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