CURVED AIR & SONJA KRISTINA LINWOOD, E OUTROS MEMORÁVEIS

O primeiro contato do TIO SÉRGIO com o CURVED AIR deu-se lá por 1973, quando comprei o “SECOND ALBUM” lançado em 1971.
Claro, eu vinha fascinado pelo RENAISSANCE, o concorrente direto já em pleno voo e bastante sucesso.
O violinista “DARRYL WAYS” e o tecladista “FRANCIS MONKMAN”, ambos formados no “ROYAL COLLEGE OF MUSIC”, compuseram o arranjo para a canção “JUMBO” mostrando com leveza e nuances musicais, o conforto de voltar para casa em uma viagem no “super-avião”. É canção linda, “sonoramente visual e descritiva”. E ao mesmo tempo reconfortante, tensa e plena de boas sensações!
O “CURVED AIR” foi concebido e criado por eles, que se encontraram por acaso em uma loja de instrumentos musicais em Londres. Ambos divergiam muito. No entanto, auxiliados pelo bom baterista de nome intrigante e vampiresco, “FLORIAN PILKINGTON-MIKSA”, e por vários baixistas que por lá passaram eles conseguiram forjar um conceito e formar grupo que e se tornou o embrião do futuro “CURVED AIR”.
Mas a banda realmente floresceu quando a cantora “SONJA KRISTINA LINWOOD” entrou. Ela fazia parte do elenco da encenação inglesa da peça “HAIR”… e sempre usou do lado “atriz” para sedimentar e integrar a sua performance ao grupo.
Além de moça bonita e de presença marcante, a maioria das letras foram compostas por ela – uma figura ao mesmo tempo diferenciada e típica do ROCK INGLÊS.
KRISTINA começou tocando e cantando FOLK. Gostava de “DUSTY SPRINGFIELD”, “BUFFY SAINTE-MARIE”, “INCREDIBLE STRING BAND” e DONOVAN – é claro! Um arsenal estilístico e artístico de forte impacto.
“SONJA” tem voz pequena mas clara, afinada, expressiva e delicada. Treinou muito e a ponto de se tornar, depois, professora de técnica e empostação vocal. Ela canta muito bem – e dizem que até hoje!
Para o “CURVED AIR”, “SONJA LINWOOD” trouxe outras bagagens. Ela gostava da voz “fantasmagórica” de “JANE RELF”, a vocalista da primeira encarnação do “RENAISSANCE” – com quem o “CURVED AIR” concorria diretamente na mesma pista no ROCK PROGRESSIVO: a fusão criativa e oscilante entre o FOLK, o CAMERÍSTICO e o PROGRESSIVO SINFÔNICO.
KRISTINA foi influenciada inclusive pela “improvável” “DOROTHY MOSCOWITZ”, cantora de voz ácida e doce da banda americana cult e alternativa, “THE UNITED STATES OF AMERICA” – que legou apenas um álbum, lançado em 1968.
Mas os caras estão entre os pioneiros do ROCK DE VANGUARDA. Experimentais e algo melódicos, combinavam eletrônica e violino. É nítido: uma banda que faz música de nome “I WON´T LEAVE MY WOODEN WIFE FOR YOU, SUGAR”, precisa ser redescoberta. Vocês concordam?
Este background formou a cabeça de SONJA KRISTINA e a base do CURVED AIR, um compósito em parte inspirado pelos também americanos “FLOCK” e “IT´S A BEAUTIFUL DAY” e até o “JEFFERSON AIRPLANE” em sua transição para “JEFFERSON STARSHIP”. Todos já usavam o violino – mesmo que em contexto mais “FOLK / COUNTRY ROCK”.
O “CURVED AIR” era impactante no palco, comprovado em “LIVE”, álbum de 1975… Eram craques principalmente em estúdio. Talvez porque músicos formados em conservatórios e universidades.
As sequências construídas em cada música fluem. As passagens engendradas tema-solos-tema ou riffs e soam perfeitas, confirmando a qualidade dos arranjos.
É muito bom observar “YOUNG MOTHER” e “PEACE OF MIND”, também no “SECOND ALBUM”. E não deixem de escutar o disco de estreia, AIR CONDITIONING, 1971, o primeiro “PICTURE DISC” da história. É objeto cult e de coleção onde está o clássico predileto do público: “VIVALDI”. E procurem o excelente terceiro LP, PHANTASMAGORIA, lançado em 1972. Os três formam a série mais criativa entre os sete álbuns que gravaram!
Depois do terceiro disco, os desacordos entre DARRYL WAY e FRANCIS MONKMAN levaram à desintegração da banda.
E sobrou KRISTINA, que recompôs o grupo com o tecladista “KIRBY GREGORY”, e o menino – prodígio do violino, “EDDIE JOBSON”, de apenas 17 anos de idade. Eles gravaram AIR CUT, em 1973.
A carreira de SONJA tornou-se algo instável. Em 1974, estavam todos duros, ela contou. Aliás, sempre foram. Empresários ficavam com a maior parte da grana, e a carga absurda de impostos na Inglaterra da época fazia músicos e outros profissionais trabalharem dobrado e loucamente para se manterem.
Ela foi, ainda com a banda existindo, auxiliar de escritório, e depois “croupier” no PLAYBOY CLUB!!!! Um acinte!!!!
No final da saga, já casada com o novo baterista do grupo, “STEWART COPLAND” – sim, ele mesmo! que anos depois formou o “POLICE” com “STING” e “ANDY SUMMERS” -, “SONJA” voltou vez por outra aos palcos como atriz, e fez mestrado ligado à área da música e virou também professora de canto. KRISTINE gravou alguns discos solo. Entre eles, MASK, considerado muito interessante.
Da mesma forma que outros artistas de talento, o “CURVED AIR” reformou-se e existe até hoje com certo sucesso nos circuitos de shows mundo afora.
Estiveram no BRASIL junto com o “RENAISSANCE”, de “ANNIE HASLAN”, em 2022 – e agradaram. Ambos permanecem na vida dura e contínua na perigosa rodovia do ROCK. São ícones; e nós eternos carentes de música criativa.
Tentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 15\06\2026
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HEAVENLY VOICES: DREAM POP, O CONTRAPONTO AO DARK E AO TECHNO.

Essa postagem mereceria um amplo ensaio porque fala de artistas e bandas, obscuros ou não, que são emblemáticos.
Vou resumir e muito. No início da década de 1990, a música eletrônica explodiu em várias tendências:
Houve o lado pesado genericamente chamado de TECHNO. Porém, na verdade formava aglomerado de estilos que tinham em comum a vocação para as pistas de dança. Saíram amplamente vencedores da corrida, porque dançar é atividade lúdica imemorial, então…
E despontou outro lado, mais suave, identificado com a NEW AGE, a WORLD MUSIC e a estética GOTHIC. É quase sempre é cantado por mulheres, e foi batizado por DREAM POP – também conhecido por ETHEREAL ou HEAVENLY VOICES.
É com eles, na verdade elas, que eu me identifico e também coleciono. Mas perderam a proeminência, infelizmente. Continuam assombrando recantos de espíritos e mentes.
Pode ser enquadrada como música eletrônica de vanguarda. É agradável e bonita; e feita por artistas ou grupos com nomes intrigantes, tipo “TARAS BULBA”, “CAMERATA MEDIOLANESE”, “AURORA”, “CHANDEEN”, “KIRLIAN CAMERA””, “LOVE SPIRALS DOWNWARDS”, “BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL”, e vários diversos…
No limite, claro, aparecem alguns mais conhecidos, como “COCTEAU TWINS”, “LEGENDARY PINK DOTS” e as famosíssimas “ENYA” e “LOREENA McKENNITH”. Este segmento proporciona viagem imperdível nos dias de inverno – e talvez nos de “inferno”…
Tentem. Não percam!
POSTAGEM ORIGINAL: 15\06\2019
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ORNETTE COLEMAN & DOUBLE QUARTET – “FREE JAZZ”, A COLLECTIVE IMPROVISATION, ATLANTIC RECORDS, 1961

Imagine você e mais sete amigos partindo para um rolezinho no Shopping Iguatemi ou no Shopping da Barra?
Vocês chegam, combinam encontro de dez em dez minutos em ponto pré definido e saem, cada um para qualquer lado, fazendo o que bem entender. Só que dentro de um esquema de transgressões inteligíveis, engraçadas, estudadas e libertárias a ponto de não serem identificadas por quaisquer outros dos seus amigos.
Louco, não?
Pois é; isto é o FREE JAZZ!
TOCAR FREE não é fazer qualquer barulho, coisa qualquer com o instrumento. E, sim, dar fluxo à imaginação com técnica, liberdade, espontaneidade; e de jeito que um compasso não seja como o seguinte; tornando a execução sempre diferente, renovando a música a cada performance.
Assim, mesmo um disco gravado, portanto limitado no espaço físico, sempre será inovador e surpreendente a cada audição.
É por aí!
Pois bem, essa experiência revolucionária foi realizada em 1961 por ORNETTE COLEMAN e mais SETE MÚSICOS, em um disco inigualável, seminal e perturbador, chamado simplesmente “FREE JAZZ”.
O álbum se apresenta inovador desde a capa. A edição original tem pinturas que remetem a JACKSON POLLOCK e à modernidade das artes plásticas. E rompe com o padrão “hip- sofisticado-recatado-desafiador” das capas dos LPS de JAZZ dos anos 1950. Há, inclusive, uma janela que comunica parte externa da primeira capa do LP com a interna. É arte moderna da melhor qualidade!
Eu comprei o disco por volta de 1975, mas não era a primeira edição que descrevi – infelizmente! Procuro uma original até hoje! Custa o “terceiro olho” e é quase impossível de se conseguir!
A experiência de ouvir DOIS QUARTETOS DE BAIXO, BATERIA, SAX e PIANO TOCANDO SIMULTANEAMENTE é avassaladora.
Existe um tema central que todos compartilham, e alguns pontos de encontro em que todos tocam juntos. O resto é improvisação.
ESSE DISCO É O PREGO NO CAIXÃO DA GRANDE CANÇÃO AMERICANA DOS ANOS 1950 – um passo bem além de SINATRA, ELLA, BILLIE, SARAH, DINAH… Um salto a frente incomparavelmente desafiador!
Se você pensa que o ROCK, principalmente o clássico dos anos 1950 é vanguarda, então não desenvolveu menor noção do que é transgredir!
Claro, a obra tem origens; não veio do nada. No final da década de 1950 MILES DAVIS, JOHN COLTRANE, CHARLIE PARKER e mais pequena infinidade de outros já faziam, ou haviam feito, um som totalmente fora do melódico e harmônico tradicional…
Para mal comparar, mas orientar quem se interesse por essas coisas, eu suponho que os admiradores do CHICO BUARQUE, do MILTON NASCIMENTO ou do ROBERTO fujam disso aí.
No entanto, se você gosta do CAETANO, do TOM Zé, do ARRIGO BARNABÉ e do HERMETO PASCOAL, procure ouvir.
Celerados mansos como eu e certos amigos, quando tomamos algumas diversas várias juntos até colocamos discos de JAZZ FUSION e ROCK PROGRESSIVO.
Mas não me recordo de ficarmos ouvindo um admirador de COLEMAN, o FRANK ZAPPA, também vida torta na música, só que mais palatável…
E isto dá uma dica do que estou dizendo: a sonoridade do FREE JAZZ é tão radical que jamais cogitamos….
Em poucas e finais provocações, se você gosta da ELIS REGINA fuja; se gosta da BJORK fique; se o seu maestro arranjador for o EDUARDO LAJE – então, suma! E se for o GIL EVANS ou ROGÉRIO DUPRAT permaneça.
E quem gosta de arte de vanguarda, procure na internet o tinhoso aqui cuidadosamente reverenciado. Fará um bem a si mesmo e abrirá algumas portas fechadas do céu – e do inferno, também.
Só que é dieta calórica demais e pode estragar paladares menos treinados.
Tente! Com moderação.
POSTAGEM ORIGINAL:13\062023
Pode ser uma imagem de ‎saxofone e ‎texto que diz "‎DOL inE PINT FREE JAZZ COLLECTIVE EER ORNETTE BY THE DOUBLE COLEMAN QUARTET شاد COLEMAN 株式 없고 SIIREO HEDIAN COLEMAN ising F140 錦 BO ထသောငဆှသ FREE FREEJAZ JAZ DOUBLE QUARTET COLLE COLLECTI ECTIVE IMPROVISATION BY ΗΕ ORNETT COLEMAN OUBL QUARTET بليد SER8D‎"‎‎

BLOW – UP – 1966 – O GRANDE FILME DE MICHELANGELO ANTONIONI E SUA TRILHA SONORA EMBLEMÁTICA.

ANTONIONI gostava de JAZZ CONTEMPORÂNEO, conhecia ALBERT AYLER, estudou economia política e antes de se tornar cineasta fez críticas de filmes.
Nada mais “COOL” e relevante no mundo intelectual do ocidente lá por 1960 e 1970, do que estudar e admitir o cinema como arte de inovação, renovação e até esclarecimento popular. Alguns o pensaram como aliado das revoluções políticas vindouras…
Tornar-se um cineasta foi glamour contemporâneo ao de ser publicitário ou “modelo”. No desenvolvimento do capitalismo atual, tornaram-se duas profissões imprescindíveis na comunicação de massa para a divulgação de produtos, ideias, serviços e as benesses do consumo.
Aqui estão os dois paradigmas que definirão os personagem centrais de BLOW-UP, título original do filme, vertido horrendamente para o português brasuca para “Depois Daquele Beijo” : publicidade e moda.
BLOW-UP em fotografia hoje significa ZOOM! A aproximação total em detalhes de uma imagem. O cerne do (talvez?) aparente mistério do filme.
Mas o sub – tema principal relevante é outro: a mudança de costumes explodindo uma sociedade tradicional, que se atualiza em contraponto à caretice “imutável” aceita como característica da Inglaterra do pós-guerra. A Londres em meados dos anos 1960, era mais pobre do que se pensaria, e fervia quase indiscretamente em contestação aos valores, uso de drogas, sexo, indecisão moral e liberdades sem foco. Alienação e falta de habilidade no trato pessoal e hedonismo completavam o cardápio. Algo tipo um existencialismo errático e sem finalidade.
O personagem central, THOMAZ, interpretado por DAVID HEMMINGS, é um fotógrafo de moda assediado, disputado e bem remunerado, que certo momento cisma em adquirir um antiquário apenas por comprá-lo. Desiste porque no fundo tanto faz…
A trama de BLOW UP, baseado em um conto do escritor argentino JULIO CORTAZAR, “cult” na época, é conhecida por sua modernidade isem respostas; inconclusiva, nublada e DARK como a fria Inglaterra. Um enigma? Acho que não, porém…
Enfim, fotografando a esmo num parque THOMAZ flagra o que seria um assassinato. E aí entra em cena VANESSA REDGRAVE… Deixo para vocês verem como a trama se desenvolve. Talvez o mostrado não seja o que realmente aconteceu. Porém, como tudo no filme, também tanto faz…
Quem sabe seja possível definir o filme como “REALISMO ABSTRATO” – li por aí; e sei lá que isto significaria… No final, THOMAZ se mescla e se evapora na névoa onírica – existencial, que é o filme.
A trilha sonora é de HERBIE HANCOCK. Contratado por MICHELANGELO ANTONIONI, ele disse que ficou fascinado porque o diretor conhecia JAZZ MODERNO e de VANGUARDA.
Então, montou banda para fazer a TRILHA SONORA com a elite da modernidade americana daqueles tempos: FREDDIE HUBBARD, PHIL WOODS, JOE HENDERSON, PAUL GRIFFIN, JIM HALL, RON CARTER, JACK DEJOHNETTE e, claro, ele HANCOCK. Vejam por aí o que cada um toca. Foi tudo gravado em Nova York, em 1966.
Boa música, obviamente!
É interessante ouvir como HANCOCK fez tudo soar à “VERVE RECORDS”, com sotaque à “BLUE NOTE”. Se isto é possível – ou se entendi corretamente ao escutar… Há evidente inspiração em JIMMY SMITH e seu FUNK-JAZZ para cenas cruciais. Alguém disse que fotografar moda combina com o som dele. E a turma do ROCK ouvia JAZZ DANÇANTE… Portanto, bingo!
O momento mais agitado do filme foi gravado em um simulacro cênico do “RICKY-TIKY”, club de rock londrino. A cult e seminal participação dos YARDBIRDS com JIMMY PAGE e JEFF BECK, nas guitarras, em rompimento total do clima do filme, é onde a SWINGING LONDON se expressa musicalmente com sua irreverência, falta de limites e rebelião sonora.
A guitarra que JEFF BECK quebra agredindo um amplificador foi construída em papelão. Caos no palco e a plateia quieta, inexplicavelmente atônita, o contrário do que geralmente acontecia…
Mas quem deveria ter feito a cena seria STEVE HOWE, do YES, à época guitarrista do sofrível TOMORROW que também está na trilha sonora… Para sorte de todos e a eficácia do filme, nem THE WHO – também sondado para a cena – teria expressado melhor o que foram aqueles tempos.
TIO SÉRGIO acha culturalmente imprescindível assistir ao filme. E, se possível, conseguir a trilha sonora. As fotos da postagem refletem o que você verá!
Recomendo com entusiasmo!
POSTAGEM ORIGINAL: 06\06\2020
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MILES DAVIS – “IN A SILENT WAY”, 1969 – A FUSÃO FUTURISTA ENTRE “AMBIENT MUSIC – JAZZ VANGUARDA – ROCK PROGRESSIVO E NEW AGE” – CONCEBIDA NUM LAPSO DE TEMPO

Viver e sonhar? Ou fazer enquanto sonhando? Quem sabe dar forma ao sonho depois de acordado, e tudo feito meio “sem querer – querendo”?
Tudo isso junto, provavelmente…
Talvez MILES DAVIS tenha sido um predestinado. Foi contratado pela COLUMBIA RECORDS em 1957, e permaneceu por lá até 1989.
O legado ficou no estupendo BOX com 70 CDS e um DVD, abrangendo tudo o que foi lançado, e inclusive o descartado na época reaproveitado no decorrer das décadas.
O lapso temporal aconteceu entre o final de um dos “MILES DAVIS QUINTET”, aquele criado em 1965 com o pianista HERBIE HANCOCK; RON CARTER, no contrabaixo; TONY WILLIANS, baterista; e WAYNE SHORTER, saxofones. Músicos excepcionais, herdeiros do JAZZ MODERNO da década de 1950. Juntos gravaram quatro LPS, e faixas que saíram em mais três álbuns lançados posteriormente.
Quando o grupo foi dissolvido, em 1968, MILES montou o próximo com músicos mais jovens, também extraordinários, e depois ultraconhecidos: JOE ZAWINUL e CHICK COREA, teclados; JOHN McLAUGHLIN, guitarra e DAVID HOLLAND, no baixo. Manteve TONY WILLIANS e HANCOCK para completar o combo.
Este é o time que atuou no álbum ” IN A SILENT WAY” original. E acrescido por outros músicos tocou nas faixas que compõem a presente edição. O BOX contém 3 CDs e livreto bem informativo de fino acabamento gráfico.
Segundo JOHN McLAUGHLIN, o estúdio era amplo, os músicos ficavam mais espalhados, e MILES circulava dirigindo, orientando e falando baixinho no ouvido de cada um…
As sessões que resultaram no “IN A SILENT WAY”, o BOX SET, seguem dois caminhos não tão distantes.
Claro, MILES também procurou ficar próximo à sua sonoridade “histórica” para não fugir radicalmente do público que conquistara. Afinal, continuava trabalhando e fazendo turnês. A estratégia funcionou. E grande parte do que não entrou no álbum original acabou sendo aproveitada nos discos posteriores: “FILLES DE KILIMANJARO”, 1969; “DIRECTIONS”, 1971; “WATER BABIES”, 1976 e “CIRCLE IN THE ROUND”, 1979. Esse material é menos experimental, e facilmente identificável com a evolução “normal” de sua carreira.
“IN A SILENT WAY”, lançado em 1969, faz fronteira com “BITCHES BREW”, 1970; e ambos são marcos fundadores do “JAZZ FUSION”.
O disco foi produzido por “TEO MACERO” e é diferente de tudo o que MILES DAVIS fizera, fazia, e veio a fazer depois. O álbum foi sendo concebido e realizado durante as diversas sessões de gravação que resultaram neste BOX. E a mudança de foco em direção ao mais experimental é nítida.
DAVIS integrou ao time três tecladistas com estilos diferentes, para desempenharem funções distintas. Todos assumiram a música de “base elétrica”. E MILES deu liberdade para o super “Guitar Hero”, JOHN McLAUGHLIN, expor seus talentos. Resumindo, com os novos integrantes o lado ROCK afluiu.
A música título foi composta por JOE ZAWINUL, austríaco, e tecladista de vanguarda que se inspirou no “clima” do Natal, de 1968, que passara com a família em VIENA. A ideia foi expressar a intensa paz, calor humano, a proximidade com suas origens e a natureza. O resultado é artístico e pleno de simbolismo!
DAVIS gostou do que ouviu. E mesmo que fuja da “tensão” característica de seu estilo, o produto é obra coesa e inovadora, onde foram experimentadas novas texturas e harmonias.
As músicas são “oníricas”, digamos – com inícios “fluidos”; sem final explícito, e reinícios no decorrer das faixas. Moderníssimas.
MILES DAVIS compôs SHHHH / PEACEFULL, e ABOUT THAT TIME, para completar o LONG PLAY. São quatro músicas experimentais enunciando FUSION JAZZ e o início da FASE ELÉTRICA, na carreira dele. Há diversas faixas no BOX indo também para esse lado.
Depois de concluído o trabalho de estúdio, houve a seleção das faixas a serem lançadas. E o resultado é uma construção peculiar entre o ROCK PROGRESSIVO e o JAZZ de VANGUARDA que abriu, tempos depois, novos caminhos agora definidos como NEW AGE, AMBIENTE MUSIC, TRANCE, e tendências outras da moderna música eletrônica.
É preciso perceber que a impermanência de tudo é a regra da vida. Os conceitos até então consolidados sobre estilos, suas origens, consequências e influências, também estão sob escrutínio.
Hoje, encara-se os já falecidos RICK WRIGHT, no PINK FLOYD; e MIKE PINDER, um dos fundadores dos MOODY BLUES, como tecladistas mestres na criação dos climas e conceitos marcantes das bandas. Tanto o FLOYD como os MOODIES seriam totalmente diferentes sem a presença desses dois.
Neste sentido, não é estranho que as sonoridades encontradas no álbum “IN A SILENT WAY” possam ter influenciado BRIAN ENO na criação da AMBIENT MUSIC. E daí, os caminhos da “música elétrica” para os “eletrônicos de vanguarda modernos”, tipo a NEW AGE e o TRANCE.
E é imprescindível citar a gravadora ECM em sua imensidão criativa, que abre portais desde a música totalmente acústica até o eletrônico. E grava artistas do JAZZ ao CLÁSSICO; e do experimental ao conservador modernizado.
Em tantas palavras, TIO SÉRGIO propõe que o MILES DAVIS possa ter sido pioneiro e deixado sua benção por aqui, também!
E DURMA-SE COM UM SILÊNCIO DESSES!
POSTAGEM ORIGINAL: 08\06\2024
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MÚSICAS E DISCOS PARA AQUECER O INVERNO. PENSANDO MELHOR, SÓ PARA CURTIR NO FRIO…

A memória profunda não se prospecta com sondas furando para ver se jorram conteúdos encobertos. É preciso escavar com pás, cuidadosamente, camada por camada revolvendo entulhos e preservando fragmentos.
Vez por outra, dou de cara com pepitas ou coleções autônomas de possíveis preciosidades que pedem observação minuciosa.
É imprescindível fazer espécie de arqueologia da própria alma: reconstruir o passado de si mesmo; juntar os cacos significativos, e os significantes para outras escavações. Depois, tentar extrair sentidos – talvez efêmeros…
É também necessário esquecer convicções. Falando claro, eu já venho deixando de lado as minhas no processo de viver. Meu modo preferido de expressão é a escrita sobre as músicas que escuto e gosto. Tento deslindar o aproveitável para mim, e talvez para outros.
Dias mais frios trazem à memória certos discos e sensações que, penso, expressam suposta profundidade. E aqui estão alguns, e em vários deles apenas certas músicas. Foram escavados com pás, cuidadosamente ao longo do tempo. Vou repassar as pepitas a vocês.
Mas, “nonada”, é tudo impressão pessoal:
1) LOVE, “Forever Changes”, 1967. Lindo e triste, mesmo quando evoca um certo SUNSHINE POP da época. Tenham e ouçam inteiro. Mas repitam “ad infinitum” “ALONE AGAIN OR”.
2) STEVE MILLER BAND, “Recall the Begining… a Jorney from Eden”, lançado em 1972. É considerado disco menor da banda – mas eu não acho! Ouçam “Nothing Lasts” e “Journey from Eden”. Retrogosto de nostalgia, e frio na alma.
3) DAVID CROSBY, “If I Could Only Remember My Name”, 1972. Disco lindo, triste, sinuoso e sofisticado. CROSBY é personagem enfurnado em si mesmo desde quando perdeu a namorada em acidente de trânsito, no preciso dia em que o clássico DJAVU, do CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG, 1971 chegou ao primeiro lugar na parada americana! Lúgubre.
4) PAT METHENY GROUP, “American Garage”, de 1979. É maravilhoso, preciso e “falso-radiante”! O resquício de tristeza decorre da produção “nórdica” de MANFRED EICHER, na gravadora ECM. É álbum imperdível. Ah, a opinião sobre temperaturas e humores é absolutamente pessoal do TIO SÉRGIO aqui!
5) GENE CLARK, em quaisquer de suas excelentes gravações. Aqui, nas 60 faixas da portentosa coletânea tripla “COLLECTED”, de 2021. CLARK sempre dá pena e compaixão quando canta! Era criatura tão desolada que sempre dizia estar indo ao encontro de GRAM PARSONS, um dos precursores do COUNTRY ROCK. GRAM esteve com os BYRDS e era seu amigo. Ele morreu de overdose…
Há música de CLARK na obra dos ingleses do THIS MORTAL COIL – gente alegre como o velório do melhor amigo…
6) LOU REED… Ora!!!??? É preciso explicar? Ouçam a “solar” “Perfect Day”, no álbum TRANSFORMER, de 1972. Deixa qualquer um em lágrimas…
7) JONI MITCHELL, “The Hissing of Summer Lawns”, saiu em 1975. Para mim, é o melhor entre os memoráveis discos que sempre fez!!! Pois, bem: JONI é a grande dama da carência afetiva; mestra em discutir a relação; poetisa de imagens precisas e delicadas; como as pinturas que faz. E, sempre, a voz doce e bem postada nas melodias soberbas que compõe.
JONI é canadense. E lá, calorosas somente lareiras e eventuais fogueiras. Ou, quem sabe, o abraço de um urso polar… Para terminar ela teve poliomielite perto dos 50 anos de idade…Infeliz!
😎 STRAWBERRY ALARM CLOCK, “Anthology”, 1971. Banda psicodélica americana de algum sucesso nos 1960. Normalmente são “alto astral”. Porém, contudo, todavia procurem e ouçam uma das mais belas canções do “SUNSHINE POP”, a melodicamente nostálgica e sofisticada “Pretty Song from Psyched – Out”. O vocal é muito bem arranjado para uma canção nada cálida, e nada aconchegante. É ouro puro!
9) PEARLS BEFORE SWINE, “The Use of Ashes”, 1970. O líder do grupo, TOM RAPP, desativou a banda depois de sete álbuns e sumiu! Virou “Case Pop”. Dia incerto, foi reencontrado em um Fórum nos Estados Unidos pelo advogado da parte contrária, que o reconheceu e divulgou o fato ao mundo.
TOM RAPP havia vencido um certo ROBERT ZIMMERMAN em concurso de poesias, no início dos 1960. Anos depois, fundou o P.B.S e fez discos ótimos, cults e colecionáveis. Depois, pulou fora e foi estudar economia. E tornou-se advogado de direitos civis.
RAPP é musicalmente tão caloroso que tem música incluída em repertório do já citado “THIS MORTAL COIL”. Procurem conhecê-lo.
Espero que vários discos aqueçam vocês neste inverno, e muitos outros subsequentes. E que tudo o mais vá para o inferno!
POSTAGEM ORIGINAL: 05\06\2022
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WISHBONE ASH: COLETÂNEA DUPLA JAPONESA COM “OUTROS STANDARDS” DO REPERTÓRIO – MCA- GEFFEN, 2021

Uma característica das grandes bandas de ROCK PROGRESSIVO é raramente colocar SINGLES nas paradas de sucesso. Em compensação, criam repertórios com inúmeros standards, que são revelados a cada novo disco, e não faltam nos SHOWS.
Aliás, as principais canções sempre são exigidas pelo público há décadas.
No caso do WISHBONE ASH, excelente banda no palco, e com diversos CDs, DVDs e outras mídias gravados ao vivo, estão em quaisquer concertos “BLOWING FREE”, PHOENIX, JAIL BAIT, THE KING WILL COME, etc…, intercalados com material um pouco menos conhecido – alguns deste “SEGUNDO TIME” de primeira linha.
O álbum duplo, lançado originalmente em 1981, está na terceira fila à esquerda. É a remasterização mais atual feita no JAPÃO, com tecnologia UHQCD – “Ultra High Quality Compact Disc”. O som é nítido, claro à “beira da transparência”; os recortes estão perfeitos, e ouve-se cada instrumento nitidamente, e inclusive a textura composta por todos. O palco sonoro ficou muito bom. No entanto, eu dei um reforço nos graves – e a profundidade ampliou-se.
Foram selecionadas 14 faixas retiradas de nove LONG PLAYS gravados em estúdio, e lançados entre 1971 e 1980. Excelentes, todas; e não são aquelas muito conhecidas. Por isso, pode ser um complemento imprescindível para os que não possuem os discos originais, aqui postados pelo TIO SÉRGIO. Ou, para quem preferir ter a “parte dois” do suprassumo em edição tecnicamente atualizada.
Os japoneses são competentes. E muquiranas! Cada CD tem a duração aproximada de 43 minutos. Resumindo, caberia mais, bem mais faixas! O que justificaria o preço exorbitante que paguei por ele!
E outra chateação: a produção gráfica e editorial não é lá essas coisas. O texto é em japorongo, e ponto final! E cada CD vem dentro de uma embalagem plástica “ultra escorregadia” – os discos pularam da “capa” e caíram no chão umas 15 vezes – não estou exagerando! Então, muito cuidado.
O produto, taxas, fretes e estupro fiscal incluídos, assaltaram o meu bolso em aproximadamente $105,00 ( Isso mesmo, cento e cinco dólares)!!!! Uns R$ 530,00!!!! Na Europa e EUA, este singelo disquinho custa muito menos de $38 dólares!!!!
Você sabia que, para nós, as tais compras de até $50 dólares não valem porque somente empresas do exterior cadastradas na RECEITA FEDERAL podem escapar um pouco da curra fiscal!!!????
Pois, é!
Apesar do prazer que tive o produto é um “convite” para não mais importar nada!
Como tenho feito, vou continuar encomendando com a POPS DISCOS. Eles trabalham bem, e por preço muito mais em conta.
POSTAGEM ORIGINAL: 07\06\2026\
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DISCOTECA: REORGANIZAR É PORTA PARA O CAOS – E ALGUNS PERDIDOS REENCONTRADOS

Eu entrava no meu canto de música e tinha arrepios. Sobrevinha a sensação de estar perdido em meio aos CDs, vinis, etc… Se procurava um disco, frequentemente não encontrava. Às vezes, ele “morava” – ou havia mudado – mais pra frente na estante; outras pra baixo; ao lado, quem sabe? E obliquamente, sem rumo, caído em lugar qualquer: “OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN, como na música dos “YARDBIRDS”…
O meu amigo JUNINHO enfatizava que “pra organizar direito tem de ter critério. Qualquer critério.” Na minha discoteca há certas “ideossincrasias” – vou definir assim.
Eu estou simultaneamente além e aquém de ser um colecionador. Gosto e acompanho várias tendências. E coleciono diversos artistas.
Então, pra começar eu organizo as estantes em macro setores: ROCK, JAZZ, BLUES/FOLK, BLACK MUSIC , M.P.B e CLÁSSICOS.
Tá bom assim?
Não; Não está. Porque desse jeito o TIO SÉRGIO não dá conta mínima da exuberante diversidade que exibe a porra da música – e mais ainda, dos estilos, épocas, artistas, e o vasto escambau!
E aí, começa pra valer a confusão e a complexidade insanável. A minha customização é complicada, insuficiente, cheia de furos e temerária….
Então, deixa prá lá.
Vou comentar alguns discos da foto. Formam parte dos que “reencontrei” no meio da confusão em que a discoteca se encontrava. Eles “tocaram” enquanto eu trabalhava. Foram todos resgatados de lugares onde não deviam estar.
“ROSCOE MITCHELL” – SUSTAIN and RUN – 2013: Ele é americano, está vivo e com mais de 80 anos, e toca muito! É um criador de sonoridades experimentais – coisas para iniciados. Dá verdadeira aula de técnicas de respiração, e vasto etc…
Porém, é um masturbador de saxofones, soprano e “sopranino” – “What porra it´s that????” – instrumentos que também podem ser usados para tortura…
O concerto é “SOLO”; foi gravado ao vivo em SAMPA, no SESC POMPEIA, em 2013. ROSCOE veio sem cúmplices para infligir os sofrimentos.
TIO SÉRGIO ouviu, se irritou, e mandou pra estante – para o todo sempre. O disco é mais chato do que a propaganda do “OVO MANTIQUEIRA”.
PRIAM – DIFFRACTION, 2001: É disco muito aclamado pela crítica. O grupo é francês, e faz JAZZ FUSION e ROCK PROGRESSIVO, estruturando o eletrônico, o elétrico e o acústico de jeitos criativos. É bonito, e agradável, e dura quase 70 minutos.
Foi lançado pela cult MUSEA RECORDS; está comigo há quase um quarto de século. E não me recordo de ter ouvido antes! Achei muito bom e instigante. Recomendo pra valer!
VAN MORRISON – ASTRAL WEEKS – 1968. O disco é icônico e idolatrado. Mas o TIO SÉRGIO sempre achou superestimado.
E ouvindo novamente, eu confirmei.
O venerável MORRISON exagera na gritaria histérica. A banda e os arranjos criativos submergem na tentativa de VAN ser um BLUES SHOUTER. É disco de um jovem promissor, mas ainda em formação.
Enfim;
LESLIE WEST: – FIVE ORIGINALS – 2021. Adorei e curti muito! Contém os cinco álbuns mostrados na capa. E a voz potente e agressiva de LESLIE se une à guitarra delicadamente tocada. É um “slowhand” . Sua técnica criativa coordena força e sutileza. WEST solo é tão bom quanto o MOUNTAIN; e talvez melhor do que o WEST, BRUCE & LAING.
Eu assisti ao gordão de muito perto! E agradeço à vida e a ele por isso!!!!
ARTHUR PRYSOCK – MILESTONE YEARS – 2000: Um grande cantor, baixo-barítono e estilista supremo, põe todo mundo para dançar ou curtir. Gravou mais de 40 álbuns originais!
Esse disco estava perdido em meio ao JAZZ – que ele também domina competentemente.
Ouvi e adorei. E mandei o pretão de volta para o R&B, onde ele é imperdível. Hey, BIG BROTHERS and SISTERS!!!! TIO SÉRGIO escreveu imperdível!
Uma palavrinha sobre o grande NEIL YOUNG. Ele sempre causou “problemas de moradia” , aqui na minha toca. Sempre inclassificável e recalcitrante, andava perdido e meio sem rumo. Parei, olhei, pensei um pouco mais, e mandei o cara para morar com os ALTERNATIVOS. Ele é um dos pioneiros daquela turma.
Os restantes, entraram na fila para ouvir, quando eu for limpar e organizar o outro lado.
POSTAGEM ORIGINAL: 04\06\2026
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MILES AND MILES AWAY: PARTE DA GRANDEZA DO TALVEZ MELHOR DE TODOS!

Miles é um gênio em meio a outros gênios da música. Não são tão poucos.
Estou com pressa, e digo apenas que, de 1948 em diante, ele influenciou toda – toda mesmo! – cena musical do planeta.
Nem os BEATLES, nem TOM JOBIM, ELVIS, ou BOWIE , e o KRAFTWERK – e podem recordar quaisquer outros – foi tão inovador, contemporâneo da vanguarda quanto ele.
E como trabalhou, produziu, inovou e gravou esse artista incontrastável na “espécie humana” – um exagero retórico, eu sei.
Escolhi mais alguns hiperdotados que venho colecionando, ouvindo, ouvindo de novo; concordando ou discordando, compreendendo e amando:
Talvez BEETHOVEN? Quem sabe MOZART? SIBELIUS!!!??? o superem? Você escolhe.
TIO SÉRGIO, neste “post” apenas fecha com MILES DAVIS! Tô com. o “pretinho” – ele era baixinho, eu vi de perto.
Peguem uma taça de vinho e calibrem qualquer MILES DAVIS no STREAMING, no CD PLAYER, no PICK UP, no que você pinçar.
E, bom feriado, dia, e quando houver e tempo e por toda a existência humana, nesta GALÁXIA.
MILES DAVIS É INFINITO.
POSTAGEM ORIGINAL: 03\06\2024
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NINA SIMONE e DEE DEE BRIDGEWATER: DUAS ÉPOCAS, E DUAS FACES DO R&B

O tempo esvai-se, e as modas vão e vêm.
É sempre bom observar como as coisas se deram, e os conceitos de JAZZ, BLUES, ROCK e vasto etc… se formaram, ao longo da década de 1950, para serem mais bem definidos nos “sixties”.
Mas o assunto, agora, é outro:
Foi lançada, por aqui, uma ilustrativa COLETÂNEA de ‘NINA SIMONE”, abrangendo o que ela fez antes do enorme e merecido prestígio. São coisas entre 1959 e 1963. E apenas SINGLES.
É pertinente lembrar que ela não é “exatamente” cantora de JAZZ. Aliás, Nina sempre foi cantora de R&B; e foi trazida para o “conceito de JAZZ”, nos anos 1960 e 1970.
Erradamente, diga-se. Cantoras monumentais como SARAH, ELLA, BILLIE, DINAH WASHINGTON, e etc… são todas POP e basicamente R&B.
No entanto, NINA é única! Por vários motivos: sua formação sofisticada e erudita, opção de carreira, a voz especialíssima, E, especialmente, mal comportamento e certas atitudes, como andar armada, e dar uns tiros “pelaí “!
Hoje em dia, o que se ouve nesta COLETÂNEA DUPLA é o que está sendo chamado de “VINTAGE”. O conceito de “OLDIES”, parece ter migrado para coisas de 1967 para frente… É, também, um artefato belíssimo e barato! Para os não preconceituosos eu recomendo. Mas TIO SÉRGIO pondera: os mais jovens talvez estranhem o que ouvirão…
“DEE DEE BRIDGEWATER” é outra representante desta linhagem. Boa cantora; em seu repertório, ela flerta dos STANDARDS do “JAZZ” ao POP/R&B sofisticados e modernos. É antenada.
Este álbum foi gravado no MALI, em 2007 e, como a imensa parte do que vem da ÁFRICA, tem sua força principal na percussão e no ritmo.
Neste caso, não somente. “RED EARTH” é um “cross-over”, simbiose de culturas. Quem aprecia muita percussão vai adorar. Os mais calmos talvez dispensem.
Se vocês cruzarem com esses discos – se puderem, tentem. É risco aceitável. Valem a pena!.
POSTAGEM ORIGINAL: 27\05\2019
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