Há possíveis mitos e verdades sobre o JETHRO TULL. Aprendi com meus alfarrábios que IAN ANDERSON foi assistir a um show de SIMON & GARFUNKEL, e comentou: “Mas é só isso? Pô, eu consigo fazer melhor!!!”
E fez, em minha opinião! Aliás, fizeram…
Mito ou verdade?
Em um dos encartes, ANDERSON conta que trocou sua guitarra que havia pertencido a LEMMY – AHHHH… vocês sabem quem é!!! – por uma flauta “Selmer” “de entrada”. E foi o que deu o tom diferenciado à banda e fama a ele mesmo.
Porém, o TRAFFIC, também inglês surgido em 1967, já usava flautas, sopros; e, sabe-se lá, pode ter sido a inspiração…
É também verdade que TOMMY IOMMI, futuro BLACK SABBATH, tocou uns meses no TULL, em 1968, mas não gravou com a banda. Porém, ele toca guitarra naquele disco famoso lançado posteriormente, chamado “ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS”, onde o TULL participa.
Tudo isto é acessório e imagem. O que vale, mesmo, é a imensa obra concebida, burilada e parida, onde MARTIN BARRE despontou e se firmou como o “guitar man” sinônimo da banda.
É bastante curioso que o JETHRO TULL não tenha ao menos tangenciado a PSICODELIA. O primeiro álbum, “THIS WAS”, era algo garageiro e próximo ao “ENGLISH BLUES” daqueles tempos. Damos graças à MICK ABRAHAMS, o guitarrista.
O JETHRO justapôs o BLUES ao FOLK, e ornamentou com tingimentos JAZZÍSTICOS. Em “Serenade to a Cockoo”, de ROLAND KIRK – Um multi-saxofonista e outros “metais” ligado à vanguarda – a versão do TULL deixou o som ficou áspero e rude. Mas tem algo de “DAVE BRUBECK”, digamos… E um quê injetado por ANDERSON impede que a música descambe de vez para o “EASY LISTENIN”, e se tornar “rocksticamente” delicada.
IAN ANDERSON toca e faz “scating” com a voz, como fazia ROLAND KIRK. E o caminho não ficou tão longe para aproximar o grupo ao JAZZ.
O FLEETWOOD MAC, SAVOY BROWN, TEN YEARS AFTER, PINK FLOYD, FREE e HUMBLE PIE e, claro o JETHRO TULL, são “vizinhos” de geração. E todos entre 1967 e 1969, estavam naquele “lusco-fusco” sonoro `a época não muito bem especificado. Não eram PSICH, nem FOLK, e nem BLUES. Ainda não fora definido completamente o conceito de ROCK PROGRESSIVO.
Não durmam com um barulho desses!!!!
O JETHRO TULL como o conhecemos surge à partir do segundo L.P, “STAND-UP”, lançado em 1969; e se estabiliza no magnífico BENEFIT, em 1970 – ambos entre o pesado e o FOLK; o urbano e o bucólico. E Sempre no primeiro time do ROCK.
Prestem atenção no craque JOHN EVANS arrasando no piano! Ouçam e tenham o imprescindível e “quasi”- coletânea dupla “LIVING IN THE PAST” (1972), um artefato gráfico dos mais sofisticados já produzido na indústria musical!! Atentem para a espetacular gravação ao vivo! Eles foram e são um grande sucesso nos EUA e mundo afora!Ultra merecidamente, diga-se!
Em 1971, a banda sobe como foguete com “ACQUALUNG”. Arquivem na mente aquele riff histórico e matador. É álbum conceitual que marcou época, inclusive pela capa impactante.
Para a imensa legião de fãs é o melhor disco deles. Ainda bem que não há concordância plena! Já que alguns de seus LPs estão em mesmo nível!
E, por que tal impulso?
Uma das razões é a simbiose entre a flauta de IAN e o virtuoso guitarrista MARTIN BARRE, que incrustou no grupo a essência da guitarra pós HENDRIX, BECK, PAGE E CLAPTON: Distorção controlada, agressiva e ao mesmo tempo melódica e fora dos cânones do BLUES. A guitarra soa mais próxima a DAVID GILMOUR – vocês conhecem, é claro! – portanto mais progressiva; mais tempos futuros…
MITO e RITO prontos; e o foguete permaneceu siderando. É o JETHRO TULL clássico e inconfundível que paira na estratosfera da música! Magnífico até hoje.
“THICK AS A BRICK”, também lançado em 1972 é o começo de nova história. E tão grande e variada quanto essa. Mas cheia de percalços exigindo outras atenções para decifra-la. Qualquer hora, o TIO SÉRGIO tenta.
Ah, tá; se alguém não lembra do LEMMY, eu refresco a memória. Foi o histórico baixista e cantor de voz rouca, fundador do MOTORHEAD. Nada a ver com o TULL? Sabe-se lá…
Percam-se no som e talento desta banda inigualada!
POSTAGEM ORIGINAL: 16\07\2026

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