VIAGEM AOS CONFINS DA ESTANTE: PUB ROCK , PUNK, GÓTICOS, ALTERNATIVOS …

Eu os conheço. Porém, a convivência não é próxima.
Escolhi exemplares de meninos e uma garota. Todos travessos.
Durante anos, tomei algumas com eles, e outros que já mandei para coleções que não a minha. Ficou a nata da “cárie” musical.
TIO SERGIO, o dentista metafórico, obturou alguns, extraiu outros. E todos têm bons e afiados dentes para mostrar… Mordem!
Então, segurem a onda: DR. FEELGOOD, DAVE EDMUNDS E GRAHAM PARKER são três ícones do PUB ROCK.
Vocês sabem o que é isso?
Em primeiro lugar, tendência britânica de ROCK´N´ROLL na veia e sem frescura. Guitarra, baixo, bateria e adequado barulho com muita vibração. Claro, é para tocar e ouvir em PUBS e bares, locupletado por cervejas e alguma comidinha horrorosa feita naquela ilha cinzenta.
São para quem não chegou ao rascante, malcriado e malfeito universo do PUNK. E acha ROCK PROGRESSIVO uma chateação sonolenta e traidora do clássico ROCK AND ROLL.
Os três perfilam entre os melhores do subgênero
No segundo “renque” – oooopss! – vem a genial cantora e poetisa PATTI SMITH. É moça da pesada, amiga de LOU REED e BRUCE SPRINGSTEEN. Ela é Rocker alternativa beirando, mas não caindo, na podreira. Está lá, também, incrustada feito craca em casco de navio, a coletânea dos PIXIES – grupo americano precursor do GRUNGE e amigo do non – sense e da barulheira.
Ou seja, são duas encrencas anticonvencionais que não acompanham bem jantares à luz de vela – e muito menos morar próximo a DELEGACIAS DE POLÍCIA…
Na terceira fila, e parte da quarta fileira mora o BOX sofisticado dos SISTERS OF MERCY; exemplo de DARK ROCK inglês da melhor cepa. Não serve para colóquios amorosos – a não ser que sejam em algum cemitério… Na mesma cova, adormece nada pacificamente a ANTHOLOGY dos RAMONES – a primeiro “conjunto” verdadeiramente PUNK da História. Eles precedem aos SEX PISTOLS e outros excrescentes.
Pena que o TIO SÉRGIO tenha esquecido de colocar o espetacular disco de WILCO JOHNSON, guitarrista do DR. FELLGOOD, gravado com ROGER DALTREY, vocalista do… Ah, vocês sabem “quem”…. Exemplo mais recente do melhor PUB ROCK.
Passou “bem apercebido”; mas sumiu e o TIO não sabe, o tio não viu… Está na coleção – sei lá onde -ROOTS, do SEPULTURA, que não saiu na foto. Eu gosto, porque eles metem medo de verdade!
É o mais famoso e influente grupo de ROCK surgido no BRASIL. Venderam entre entre vinte e cinquenta millhões de discos – não descobri quanto. É obrigatório que sejam indicados para o “ROCK´N´ROLL” HALL OF FAME. É banda seminal!
Toda essa turma insalubre continua na toca do TIO SÉRGIO. Quando ouço algo resmungando, grunhindo na estante, vou no interfone e chamo o zelador para ver o quê é…
Às vezes, eu tenho medo…
POSTAGEM ORIGINAL: 15\09\2019
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JIMMY SMITH, O CARA!

JIMMY estabeleceu o jeito moderno de tocar órgão. E influenciou todo mundo de BRIAN AUGER a KEITH EMERSON; de STEVIE WINWOOD a JOE DE FRANCESCO.
E, também, WALTER WANDERLEY, VALDIR CALMON e ARI BORGER, para ficar nos três brasileiro talvez mais notáveis. Resumindo, ele é modelo para músicos do JAZZ ao POP. Unanimidade!
JIMMY SMITH foi um dos que trouxeram o R&B mais próximo do que viria a ser o JAZZ MODERNO. E o caminho inverso, também. Perfeição paradoxal e dançante, ele fazia base e solo simultaneamente!
SMITH nasceu, supõe-se em 1925, e gravou profissionalmente de 1956, em diante. Talvez algo tarde; mas, é daí?
Não parou mais até 2005, quando morreu aos 79 anos.
Grande músico, começou na BLUE NOTE, foi para a VERVE, depois migrou para a PRESTIGE, três gravadoras boutiques de alta qualidade na história do JAZZ.
Ergueu DISCOGRAFIA imensa e talvez integralmente acessível. Tocou, gravou e foi parceiro de Deuses e demônios da música moderna. Um astro em torno de quem muitos sideraram – e ainda sideram.
No entanto, colecioná-lo para valer talvez seja para os completistas. Para mim, basta uma quantidade razoável abrangendo todas as fases.
Talvez porque o Órgão seja instrumento versátil e onipresente além da conta; por isso, limita os conteúdos: tudo tende a ficar “pasteurizado demais”.
É o que me parece. De qualquer forma, vá de JAIME SILVA -oooopppss, JIMMY SMITH! Ele sempre nos faz dançar e brinca com o cérebro e a sensibilidade do ouvinte.
Acompanhe com alegria e bebidas esfuziantes!
POSTAGEM ORIGINAL: 14\09\2019
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FRONTEIRAS ESTÉTICAS: MÚSICA PARA DIAS FRIOS EM TEMPOS ABRASIVOS. NICO, CARLY SIMON, JANIS SIEGEL E JONI MITCHELL

O tempo anda mais ou menos do jeito sombrio que, vez por outra, acontece dentro de mim: nublado. Hoje mais fresco; e um quase frio aos poucos esquentando. O litoral norte paulista é assim no inverno.
A seca está pedindo chuva. Talvez, emulando as paragens nórdicas ou irlandesas – mesmo sendo o Guarujá de frente para o mar tropical.
Eu gosto disso. Prefiro tanto quanto os dias luminosos e bonitos.
O inverno é um “habitat” em que me dou bem. Ele convida à introspecção. É adequado à reflexão contida, cautelosa e discreta.
No calor, eu tomo cervejas. No frio, também – mas alterno com vinhos. Sou amigo dos fermentados. Evito destilados – alcoólicos demais para o meu gosto.
Parece que a indústria da música está encontrando jeito de sobreviver e ganhar algum dinheiro na era digital.
Há tempos a bola da vez se tornou o “STREAMING”, serviço que toca e oferecem músicas a preços certamente competitivos. O som é o melhor possível!
Aliás, sem o artefato limitador, o COMPACT DISC, a música digital se expande, ganha contornos e qualidade jamais alcançados!
Goste-se ou não, a qualidade do som digital superou há muito o som do DISCO DE VINIL, agora redivivo. É objeto caro e ainda para poucos. No entanto, ao contrário de minhas previsões e até vaticínios, leva jeito de permanecer.
Os taxistas ficaram em polvorosa por causa do Huber. Mas pouca gente se importou com a derrocada em que entrou a indústria da música dos anos 1990 em diante. A culpa foi da pirataria, ultra simples de realizar. E dos preços altos, e do quase enterrado MP3.
Uma parte importantíssima da indústria cultural foi à bancarrota e teve de se reinventar na marra.
Porém, a maioria do mundo gostou das novas tecnologias – os CDS, DVDS e LDS. E, agora, do STREAMING. E gostou principalmente de saborear o delicioso trabalho dos artistas sem pagar. Bater bumbo, tocar guitarra, reger, compor, cantar produzir, investir, etc… não comove muita gente. Seria “não trabalho”; e por isso teria de ser de graça…”um direito adquirido”, acham…
Somos hipócritas e ignorantes, isto sim!
Enquanto penso nisso, escutei quatro cantoras bem diversas artística e existencialmente.
Vocês devem e precisam conhecer o espetacular grupo vocal americano, THE MANHATTAN TRANSFER, de bastante sucesso dos anos 1980 e 1990.
Os caras cuidaram em alto nível da formação do repertório. Gravaram o fino da GRANDE CANÇÃO AMERICANA. E, também, artistas brasileiros de ponta como DJAVAN, IVAN LINS, MILTON NASCIMENTO, TOM JOBIM, entre vários. O MANHATTAN TRANSFER fez um delicioso, competente, e dançante JAZZ – POP. Procurem ouvi-lo.
Na formação do quarteto está JANIS SIEGEL, espetacular cantora que desenvolveu carreira solo independente – como, aliás, todos no grupo -, e grava discos bonitos e sofisticados.
Mais uma vez, escutei o álbum onde ela é acompanhada somente pelo pianista FRED HERSH: “SHORTY STORIES”, lançado em 1989 pela ATLANTIC RECORDS. O fabuloso repertório é de compositores atuais. É sensível, atual e irrepreensível.
Está no clima dessa época do ano; e ajuda a espantar o horror que estamos enfrentando nesses dias politicamente cálidos, burros e destrutivos.
Ouvi um pouco de CARLY SIMON, e hoje gosto mais do que antes. Ela sempre me pareceu pouco profunda em sua perene crise existencial de menina rica. No entanto, encontrou sentido e nicho próprio no tempo e no espaço. Ouvi-la é delicioso; e compreendê-la talvez seja imprescindível: CARLY canta o cotidiano da mulher urbana, liberada e autônoma. A “modernidade” daqueles tempos influencia e sobrevive.
De passagem, observo a foto da capa de “NO SECRETS”, que discretamente nos fazia imaginar o que JAMES TAYLOR desfrutara, quando foram namorados, na década de 1970…
Saiu por aqui no HOSPÍCIO DO SUL, um pequeno BOX com os cinco primeiros CDs de CARLY. Barato, quando lançado. Permanece muito agradável e adequado para os mais adultos.
Então, emendei para JONI MITCHELL, a minha dileta cantora e artista múltipla. Busquei o queixoso, lúgubre e solitário clássico pleno de “D.R”s – discutir a relação, todos sabem: “BLUE” foi lançado em 1971 e é obra de arte explícita. Obrigatório para quem aprecia música mais introspectiva, e que dê conta das trovoadas e maremotos que incidem sobre almas sensíveis.
E adentrei o portal cósmico para o suicídio virtual.
Tomei nave para os dois gélidos CDS cometidos por NICO, entre 1968 e 1970, no BOX THE FROZEN BORDERLINE: “The MARBLE INDEX” e “DESERT SHORE”.
Pois, é;
O que vocês acham da seguinte frase: “Esse disco é um artefato, e não uma mercadoria. Você não pode vender suicídio!… É de JOHN CALE, parceiro dela e de LOU REED no VELVET UNDERGROUND, comentando a respeito do LP “THE MARBLE INDEX”…
Na mosca! Ou na lápide?
NICO é um caso à parte na história do ROCK! Voz cavernosa e comportamento digno de admiração e da concordância de sua companheira de geração, a inglesa MARIANNE FAITHFULL. Duas artistas claramente autodestrutivas. MARIANNE, quando jovem, namorava e se drogava com KEITH RICHARDS.
E, se você já ouviu falar do casal SYD VICIOUS e NANCY LAURA SPUNGEN, agora acabei de apresentar o modelo acabado seguido pelos dois….
Alemã, bonita e modelo na FACTORY, de ANDY WARHOL; a notória notável NICO participou do CULT e seminal primeiro disco do VELVET UNDERGROUND, “derramado” em 1966. É aquele da banana…
Bem, se você pensa que a segunda metade dos 1960 foi um período só de alegrias inconsequentes; cheio de perspectivas otimistas, coalhado de HIPPIES, e harmonizado pelo SUNSHINE POP de grupos como MAMAS & THE PAPAS, 5TH DIMENSION, THE ASSOCIATION… É porque não assistiu “ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, de QUENTIN TARANTINO.
O VELVET UNDERGROUD e a NICO não entraram na trilha do TARANTINO, porque formaram a outra vertente que influenciou o futuro.
A turma o VELVET influenciou de várias formas o ALICE COOPER, IGGY POP, STOOGES e DAVID BOWIE. E, também, o espírito lúgubre que assombrou as bandas do “DARK WAVE” inglês – do início da segunda metade da década de 1970 em diante: o GOTHIC ROCK de SIOUXIE and the BANSHEES, THE CURE, FIELDS OF THE NEPHLIN, JOY DIVISION… e ilustre caterva beyond.
Se refinarmos um pouco mais observamos que vincou fundo niilistas como LEONARD COHEN, TOM WAITS e NICK CAVE…
Alguns discos dessa prole sucessora lembram as trilhas sonoras de FILMES DE TERROR. As coisas de BORIS KARLOFF, de NOSFERATU, e das incontáveis séries sobre amores vampiros.
Ouvir NICO, MARIANNE e o VELVET UNDERGROUD é um jeito CULT de pavimentar caminhos para o cemitério, a depressão, rondando WILD SIDES da vida.
Mas há consolo sublime ( ou sublimado? ): eles também enriquecem esteticamente a compreensão do presente iníquo que vivemos… É arte cabível até que dias e tempos melhores advenham.
Chegarão.
( Será? )
POSTAGEM ORIGINAL REVISTA: 12\09\2021
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QUERIDA E AMADA TIA DIVA GARINI

“A vida é o que acontece com você, enquanto você faz planos para ela”. Encontrei esta frase atribuída a John Lennon, em um cartão de aniversário, enquanto procurava documentos para providenciar o enterro de tia Diva. Ela morreu, dia 29 passado, muito rapidamente aos 88 anos. Não sofreu.
Toda vida é completa por si mesma. Não é o que cada um pensa a respeito de sua própria. Mas ela é. Quando se acaba e a energia que nos mantém solares cessa, a feição de luas pálidas sobrevém e se mantém, até nos autoconsumirmos e voltarmos ao nada – pelo menos o corpo que a suporta. Sobre o espírito especulamos e desejamos que seja eterno. Não pedimos para nascer e a maioria de nós vai embora compulsoriamente. Somos assim: segmentos de reta, finitos num universo impensável; Inesquecíveis num círculo pequeno de amigos e parente – enquanto não nos esquecem… definitivamente.
Tia Diva era pessoa de fé. Católica por formação e quase espírita por aprendizado. Como boa brasileira não resistiu aos apelos por algo a mais que lhe tornasse inteligível o viver. Tinha um quê de budista no comedimento, na recusa às grandes emoções, às paixões súbitas e a quaisquer arroubos ou cenas.
Viveu bem; mas a meio pau. Não exacerbou, não sofreu intensamente por nada ( que se saiba ) mesmo tendo sido constantemente solidária com os que convivia e gostava. Era amada por todos e certamente nos amou, também.
Foi professora, era solteira, independente, e algo severa e rígida. Jamais soubemos de algum alguém que a tivesse tirado do sério. Duílio, um dos irmãos, que também já cumpriu a tabela, certa vez brincou perguntando se ela pretendia morrer “invicta”. Ninguém sabe, ninguém viu; em família, pouco se especulou sobre isso – eu acho. Diva viveu como quis e às próprias custas. Foi feliz?
Na juventude e na maturidade foi mulher bonita e atraente. Era simpática, educada e fina. Aldahyr, amigo de todos nós que também já percorreu os dezoito buracos do “green”, quando adolescente nela reparava atributos que, para nós, sobrinhos, não seria, digamos, legal observar. Acho que ela jamais soube. Mas o que acharia disso na intimidade?
Eu e os primos mais próximos convivemos com ela a vida inteira. Quando criança, morei em sua casa e com os outros tios solteiros – Tonico, Norma, Juliano e a vó Maria, também. Foi um período interessante, de formação, que deixou em mim detalhes de caráter marcantes.
Recentemente, eu soube que de certa maneira “os meus direitos federativos” foram “emprestados” para que Diva e irmãos dessem um jeito em mim. Parece que dona Helena, a minha mãe, não me aguentava, porque eu dava trabalho além da conta.
Jamais me vi assim, no entanto… Vai saber…
Por essas e outras – muitas outras – sou grato à Diva pela convivência que ela a mim e a todos propiciou. Na semana derradeira, como sempre eu e Angela estivemos presentes quase todos os dias. Os outros primos, também. Um dia antes de entrar em coma conversamos bastante e ela me agradeceu por estar lá. Não precisava, todos fizemos por afeto e gratidão.
DIVA se foi tão discretamente quanto viveu. E nós permanecemos feridos e saudosos dos capítulos que escrevemos juntos. Deixou memórias.
POSTAGEM ORIGINAL: 13\09\2015

ERIC BURDON EM EVOLUÇÃO: DO ROCK PSICODÉLICO, “FUSION R&B” AO ” BLUESY HARD ROCK”

Estão aqui os discos que mostram a METAMORFOSE na carreira de “ERIC BURDON” após o BEAT/R&B com “THE ANIMALS”, no início dos 1960. Ele seguiu jornada variando para um compósito entre o “ROCK PSICODÉLICO/PROGRESSIVO” e o “BLUES ROCK”, passando por uma criativa “FUSION FUNK/R&B” com o grupo WAR.
Os quatro primeiros discos foram gravados por “ERIC BURDON & THE ANIMALS” e lançados entre 1966 e 1969: “WINDS OF CHANGES”, 1967 e “EVERY ONE OF US”, 1968. E saíram, inclusive no BRASIL, “THE TWIN SHALL MEET” e “LOVE IS”, ambos em 1968.
São todos muito bons E feitos dentro da estética do ROCK PSICODÉLICO.
Mas a caminho de um PROTO-HARD ROCK. O que os tornou vizinhos do que fizeram, de 1968 em diante, o “HUMBLE PIE”, “FREE”, “SPOOKY TOOTH” e o “DEEP PURPLE” – para ficar em alguns….
TIO SÉRGIO convida vocês todos para curtir o exemplo matador que ERIC & THE ANIMALS perpetraram: “RIVER DEEP, MOUTAIN HIGH”, clássico de “IKE & TINA TURNER”! É versão espetacular e selvagem. Um “GUMBO” de ingredientes para um “BLUES-ROCK” que tangencia o “PROGRESSIVO”. E destaca a imensa e inacreditável potência da VOZ de BURDON! É UM “TOUR DE FORCE” imperdível!
E, para complementar, é uma das primeiras gravações profissionais do consagrado guitarrista “ANDY SUMMERS” – que depois fundou “THE POLICE”; e hoje é atuante universo musical afora em parceria com DEUS e o MUNDO. Inclusive os nossos “ROBERTO MENESCAL” e “FERNANDA TAKAI”… ANDY permanece artista de ponta!
Porém, existe algo na “GENÉTICA BLUESY” de “BURDON” que não orna com a necessária sutileza e complexidade do ROCK PSICODÉLICO/PROGRESSIVO. É questão de gosto, é claro. Mas e daí ?!?!
Se “JANIS JOPLIN” “JUSTAPÔS” o BLUES e a PSICODELIA com sua voz peculiar, por que ERIC BURDON não poderia tentar o mesmo? Afinal, ele era o maior “BLUES-SHOUTER” da INGLATERRA. E quem o assistiu ao vivo – E o TIO SÉRGIO “did it” – esteve lá e sabe que ele CANTAVA bem afastado do microfone, tal a potência da voz que emitia!!!
“ERIC BURDON” não é como “GARY BROOKER”, o “crooner” do “PROCOL HARUM”, outra voz buscada nas entranhas do BLUES. Mas temperada pela sofisticação das letras de “KEITH REID” e certa contenção até acadêmica.
“ERIC BURDON” era moleque das ruas e não um GENTLEMAN. Por isso, encaixou-se à perfeição quando se juntou ao “WAR” – ótima banda de “R&B” criadora de “FUSION” algo JAZZÍSTICA de RITMOS LATINOS e POP NEGRO percussivo e dançante. Gravaram juntos três “Long Plays” e tiveram enorme sucesso de público e crítica, entre 1970 e 1972
Dali em diante e até hoje, ele se apresenta, grava de vez em quando e continua o MITO ERRÁTICO DO “BLUES”.
Curiosidade: foi “ERIC BURDON” quem indicou o guitarrista “JUSTIN HAYWARD” para os “MOODY BLUES”. Na época, o grupo estava perdido e sem futuro no R&B…
A entrada de JUSTIN E e do baixista JOHN LODGE revolucionou a ESTÉTICA da banda. Em 1967, gravaram “DAYS OF FUTURE PASSED, e surgiu o “ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO”.
São as surpresas que o acaso engendra.
Houve uma CANJA RESERVADA em BAR FAMOSO DE SAMPA, numa das vezes em que “ERIC BURDON” esteve por aqui.
Não pude ir mas três amigos estiveram lá. E um deles levou seus discos raros e originais dos ANIMALS para serem autografados.
ERIC autografou com boa vontade; mas, xingando, rabiscou em cima da foto de “ALAN PRICE”, o organista da banda. Os dois se odiavam!!!
O meu amigo ficou possesso!!!!! Hoje, até ri do entrevero….
Há no meio da postagem o ingresso para o SHOW, no extinto “PALACE”, em SAMPA, acontecido na década de 1990.
“BURDON” e outro MITO, o tecladista “BRIAN AUGER”, e BANDA! Está autografado por ambos. E foi um privilégio e grande prazer assisti-los.!
Ouçam ERIC BURDON. É um CLÁSSICO MARCANTE!
POSTAGEM ORIGINAL:06\09\2019
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THE ESSENCIAL: SÉRIE COM DIVERSOS VOLUMES: BOX COM 3 CDS E UMAS 50 MÚSICAS.

Coleção ideal para quem prefere não ser completista. Gravações originais bem remasterizadas; que dão panorama preciso de cada artista, e como se desenvolveram tanto em estúdio quanto ao vivo.
THE WHO
Entre as 49 músicas do repertório estão hits seminais e faixas clássicas. Os SINGLES mais importantes nas versões originais em MONO – “pedradas” espetaculares. E, também, o essencial de cada álbum em STEREO.
A seleção é representativa e foi bem feita! Não faltam “MY GENERATION”, “PINBALL WIZARD”, “BABA O`RILEY”, “WHO ARE YOU”, “YOU BETTER YOU BET”; e mais, muito mais!
As gravações ao vivo foram bem captadas ou melhoradas ao infinito; como “SEE ME, FEEL ME”, na arrepiante e demolidora versão gravada no FESTIVAL DE WOODSTOCK, em 1969. Onde o quarteto deixa claro o quanto eferveciam os shows! Um dos motivos da fama que ostentam!
Também no box a minha preferida, “atualmente”: “EMINENCE FRONT”, é “FUNK” anos 1970/80, que passou batido por mim. É irresistível; tocou ninguém fica parado!
Não estranhem: THE WHO era, principalmente nos anos 1960, um compósito de “R&B/MOD/BEAT”, que sabia emular JAMES BROWN e combinava o ROCK visceral com sons ‘a MOTOWN, STAX e seus herdeiros.
Observem o quanto fica explícita a maior entre as qualidades da banda: o peso enorme que conseguiam dar a cada música! “Gentileza” do “conúbio sonoro” entre o baterista KEITH MOON e o baixista JOHN ENTWISTLE. Ouçam o single original de “I CAN SEE FOR MILES”, em MONO! , e “ARMENIA CITY IN THE SKY” em STEREO, ambas de 1967. Ninguém se aproximava em expressividade, volume e peso. É ROCK de verdade!
Nesta coletânea você perceberá nitidamente a evolução da banda; e quanto PETE TOWNSHEND e a molecagem de rua de um ROGER DALTREY fizeram para que THE WHO atingisse aonde chegaram.
Imprescindíveis!
THIN LIZZY
Com as devidas diferenças de estilo, as observações gerais feitas sobre THE WHO valem para o THIN LIZZY, nas 51 faixas desta coletânea.
Eram muito pesados graças à liderança do baixista e vocalista PHIL LYNNOTT, que tocava bem e é marcante no som do grupo. Ele morreu em 1986 e tem estátua em sua homenagem no centro de DUBLIN, pela contribuição cultural à IRLANDA. PHIL é um ícone nacional!
O THIN LIZZY foi basicamente uma banda de guitarras. Durante os anos 1970 e parte dos 80, SCOTT GORHAN, BRIAN ROBERTSON, JOHN SYKES e GARY MOORE, cada qual a seu tempo e sempre em duplas, compuseram o som pesado e seco, que os definia: sempre fieis ao HARD-ROCK, com pitadas FOLK e, vez por outra, POP.
O THIN LIZZY fez bastante sucesso, e tocou mundo afora. E discos de meados dos anos 1970, como JAILBREAK e JOHNNY THE FOX, são colecionáveis e legais de ter!
O LIZZY é claramente influente no que fizeram as modernas bandas de METAL, a chamada NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal ). O IRON MAIDEN é tributário e um dos descendentes do THIN LIZZY !
Esse “box” abrange de 1969 a 1983. Aqui estão os hits, as faixas legais de LPS e SHOWS ao VIVO – em que sempre foram vibrantes e muito bons!
Coletâneas abrangentes e bem feitas servem para isso. Mesmo os completistas aproveitam muito as gravações remasterizadas e atualizadas.
Ah, se encontrarem, por aí, um DVD em tributo ao PHILL LYNNOTT, em que o GARY MOORE é o anfitrião, podem comprar sem susto: é sonzasso e pauleira brava!
Valem a pena.
POSTURA ORIGINAL: 11\09\2021
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ROLLING STONES – SÉRIE ESPECIAL – 1970 – 1981 – A RESTAURAÇÃO DO RITO

Tá bom! A DECCA RECORDS recusou os BEATLES, em 1962, mas não titubeou e contratou os ROLLING STONES, pouco tempo depois. Então, pessoal, jogo empatado.
Digam o que disserem, o mais completo espírito do ROCK pós ELVIS PRESLEY foi erguido pelos ROLLING STONES!
Mas TIO SÉRGIO, você perdeu a razão? Como é possível esquecer o CHUCK BERRY, LITTLE RICHARDS e outros seminais?
Não esqueço; mas argumento:
JAGGER e RICHARDS são antípodas e complementares. A energia e saúde que MICK esbanja nos palcos se contrapõe à progressiva e – até agora – não consumada autodestruição de KEITH. EROS E THANATOS em dupla inseparável.
Nenhum ícone POP foi mais perfeito do que a somatória de qualidades e defeitos desses dois: Rebeldia, talento, insurgência, sexo, drogas e ROCK´N´ROLL expostos à visitação pública por décadas! Mais de 60 anos em cena, e ainda incólumes ( ou nem tanto…)
A morte da rainha ELIZABETH II, símbolo do conservadorismo aceitável e da integração do REINO UNIDO à sua ideia de existência; representou a vitória da ALBION constatada intelectual e artisticamente pelos KINKS – mesmo que, por eles expressada por injeções de sarcasmos e ironias quase mortais. Quase…
Já MICK JAGGER e KEITH RICHARDS simbolizaram e mantiveram o MITO da desagregação que não houve. Mas eles bem que tentaram… contanto que não atrapalhasse as finanças…
E do RITO destrutivo exarado da década de 1960, os dois recomeçaram a manutenção do MITO; que expandiu-se mais ainda a partir dos 1980 e sobrevive até hoje – Beyond?
O RITO maior é a DISCOGRAFIA realizada e consolidada. Se nos tempos dos sixties eles tiveram o período mais produtivo; durante a década de 1970 pretenderam e conseguiram expandir. Inclusive para compensar o roubo descarado que sofreram durante a primeira e mais criativa fase da carreira, entre 1964 e 1970, mafiosamente perpetrado pela “administração” ALLEN KLEIN.
Hoje, aquela criação da dupla JAGGER & RICHARDS pertence aos KLEIN. Porém, um acordo judicial melhorou o recebimento de ROYALTIES, e permite que os STONES usem o repertório em shows e nas coletâneas com o material dos “seventies”, em diante.
Os ROLLING STONES mantêm a lucrativa “empresa” no jogo, sob a direção geral de MICK JAGGER. No entanto, a criatividade artística de outrora diminuiu. Aliás, é comum acontecer:
Na década de 1970, “Los ROLLINGS” fizeram SETE discos de estúdio. Nos 1980 restringiram a produção. E a mesma coisa de 1990 em diante. O trabalho da “multinacional” é administrar a “escassez” e manter o culto inalterado. Eles conseguem…
Então, expandiram o MITO. Realizam shows milionários e bem recebidos. Lançam uma profusão de discos ao vivo escavando o passado, documentando para o futuro e aproveitando o presente. Permanecem ativos e desejáveis. E ainda bem!
MITO E RITO convivem e consolidam a inserção na História. O mundo gosta dos ROLLING STONES. E muitos colecionam seus discos, etc… – inclusive o TIO SÉRGIO, aqui.
Todo artista mantém faixas gravadas não lançadas que garantem a preservação do MITO e a gana dos fãs. Os STONES legaram poucas, muito poucas… Mas venderam supostamente 250 milhões de discos em vários formatos, durante a carreira. Deve ser mais – bem mais. O que garante vida boa aos integrantes – e nababesca a KEITH RICHARDS e a MICK JAGGER.
Os discos aqui postados fazem parte de uma série limitada americana. Saíram no decorrer dos 1990 e são itens de coleção.
Uma boa definição para MITO afirma ser “algo que sempre existiu – mas jamais aconteceu”. Com os STONES foi diferente. São mitológicos porque existiram de fato; mas ultrapassaram em fama as próprias realizações.
Como todo mundo, eles também envelheceram.
Porém, sem os excessos de JAGGER no palco e sem o comportamento exuberante de RICHARDS pelaí na vida, não haveria FREDDIE MERCURY, OZZY ou AXL ROSE e nem a performance iconoclasta do THE WHO; ou a transgressão de LIAN GALLAGHER – isto para resumir em poucos.
E o ELVIS, TIO SÉRGIO?
Certamente, é o MITO supremo do ROCK. Mas convenhamos: era um sujeito conservador por vocação. E dominado pelo empresário, o boçal e reacionário CORONEL PARKER. A autodestruição de PRESLEY provavelmente está ligada à falta de autonomia pessoal – o que não falta a MICK e KEITH.
Através de JAGGER, o rebolado que ELVIS iniciou e divulgou tornou-se muito mais crível e autêntico. Um símbolo de autonomia lúdica, descontração e autoconfiança de uma geração contestadora.
Seria?
Com a palavra ANITTA.
POSTAGEM ORIGINAL REVISTA: 09\09\2026
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JIM CAPALDI, EM ÁLBUM CULT. E A VERSÃO DE ANNA JÚLIA, DE “LOS HERMANOS”!!!

TIO SÉRGIO, o imprevisível, foi buscar em sua coleção os discos do baterista do TRAFFIC, JIM CAPALDI. Para os que não sabem, ele morou no Rio de Janeiro e foi casado com brasileira.
O primeiro na foto, é SINGLE PROMOCIONAL lançado em 2001. JIM CAPALDI canta ANNA JÚLIA, sucesso com LOS HERMANOS. É versão BEAT, quase no POP ALTERNATIVO, muito agradável e colecionável.
CAPALDI está acompanhado por nada menos que GEORGE HARRISON; IAN PAICE, baterista do DEEP PURPLE; e PAUL WELLER – também guitarrista, é um ícone do ROCK CONTEMPORÂNEO e fundador da seminal banda PUNK inglesa THE JAM. O GEORGE vocês lembram quem foi, né?
O outro álbum na foto é o delicioso primeiro disco de “JIM CAPALDI”, “OH, HOW WE DANCED”, “lançado em 1972 inclusive no BRASIL.
O time que participou estava no auge da fama:
O TRAFFIC inteiro – Steve Winwood, CHRIS WOOD e DAVID MASON. E, também, o lendário guitarrista PAUL KOSSOFF, do excelente FREE – grupo inglês de HARD ROCK. E mais a banda do MUSCLE SHOALS STUDIO, onde o fino da SOUL MUSIC e do R&B, principalmente da ATLANTIC RECORDS, gravavam na década de 1960. Por lá, fizeram discos ARETHA FRANKLIN, WILSON PICKETT e muitos mais.
JIM CAPALDI era bom compositor; mas cantor medíocre. Ele desenvolveu carreira e alguns de seus discos são bem agradáveis. Se você quiser arriscar procure este da foto!
CAPALDI morreu em 2005. Infelizmente.
POSTAGEM ORIGINAL: 07/07\2017
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TRIÂNGULO AMOROSO: NARA, RITA E “FRANCISQUINHA”

É como vejo as três. Mais próximas do que suporíamos.
“FRANÇOISE HARDY” é um cruzamento simbiótico entre “NARA LEÃO” e ‘RITA LEE”. Ela tem a “brasilidade cool” e bossanovista de “NARA”; e o espírito roqueiro de “RITA”. Funciona!
“FRANCISQUINHA” – para os íntimos – em MESSAGES PERSONELLLS, a exuberante coletânea com 3 CDS, 64 músicas, livreto, fotos, etc…, foi lançada em 2002. Sai do FOLK meio protesto, típico anos 1960; e passa pelo POP FRANCÊS temperado por BOSSA NOVA, durante as décadas de 1970/1980. E dos 1990 em diante, encara o ROCK ALTERNATIVO sofisticado. E deságua no DANCE com os PET SHOP BOYS, o AIR e o BLUR!
É viagem ampla, geral e irrestrita de música e charme, com a voz celestial e sem exageros que FRANÇOISE sempre nos brinda!
FRANCISQUINHA sempre foi moderninha.
NARA LEÃO mesmo nascida no Espírito Santo, é a “carioca antiprotótipo” – e nunca “estereótipo”. Tem o espírito da turma do LEBLON: aquela verve natural de moça sofisticada de alta classe média.
Era antenada, a NARINHA! E vanguardista, educada e visionária; e, talvez, a primeira a juntar o SAMBA do MORRO CARIOCA à BOSSA NOVA, no início dos 1960.
NARA ampliou muito o público para coisas brasileiras fundamentais. Ela compreendeu e jamais esnobou o novo POP de seu tempo, a TROPICÁLIA; o grande fenômeno sócio – cultural aqui no HOSPÍCIO do SUL, em meados daquela década. NARA defendeu o uso de guitarras elétricas; inovações artísticas subversoras; e a integração benvinda com o POP INTERNACIONAL.
Pessoa generosa, NARA LEÃO enxergou um Brasil virtuoso e tolerante, onde conviveriam a curiosidade, a gentileza e a liberdade.
A voz pequena e bem colocada, e o sotaque delicioso de carioca refinada expressavam a modernidade – já minimalista, precisa e concisa. NARA cantava bem – muito bem!!! – e com a naturalidade dos que são donos de si mesmos. Foi uma glória brasileira “IDEAL TIPO”! – Alô, Alô, MAX WEBER, baixa o teu espírito no TIO SÉRGIO aqui!
O box que congrega os CDs que expõe sua obra é muito bonito!
E RITA LEE?
Ora, CAETANO VELOSO a definiu como a mais perfeita tradução da modernidade que SÃO PAULO exalava! RITA era excelente cantora de POP-ROCK. Das três, talvez tenha sido a mais limitada artisticamente. O talvez é fundamental… Porque é uma questão de opinião.
Mas tem história e arte, a nossa RITA! Criou e desenvolveu estilo próprio identificável. A importância da obra que deixou não foi, ainda, adequadamente mensurada. Ela partiu para o infinito há relativamente pouco tempo. E haverá estudos sobre o legado, e descobertas, compreensões e conclusões mais amplas e justas.
RITA LEE representa o lado irreverente e iconoclasta do Brasil contemporâneo, que se pretende cosmopolita, tolerante, liberal; e mais integrado a modernidade internacional. Será esse o destino? Ou viveremos entropia?
Postei dessa forma e com tais palavras porque vejo nas três continuidades presentes em cada uma delas.
Acho que discotecas e coleções civilizadas revelam completude com a presença dessas três mulheres fascinantes.
Ouse; use e abuse!
POSTAGEM ORIGINAL: 07\09\2019
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JAN GARBAREK GROUP – ECM YEARS – E OBSERVAÇÕES SOBRE “PHOTO WITH BLUE SKY…” – 1978

JAN GARBAREK é norueguês e artista diferenciado, E tão importante que ao consultar o nome do cara em minhas resenhas achei umas 50 menções!!!!!
Ele está com 79 anos e semiaposentado. Mas ainda ativo e bem – ao que tudo indica. A sonoridade “nórdica” da gravadora se deve à atuação de JAN – um dos patronos daquele JAZZ FRIO, original, belíssimo e, contraditoriamente, acolhedor!
Na ECM, acrônimo para “EDITIONS OF CONTEMPORARY MUSIC”, Ele e o pianista KEITH JARRET se tornaram os artistas mais destacados.
A quantidade de discos solo e de participações em obras de mestres e colegas como EGBERTO GISMONTI, MIROSLAV VITOUS, BILL FRISELL, CHARLIE HADEN, RALPH TOWNER e TERJE RYPDAL…, somam perto de cinquenta álbuns. E nem vou retroceder a outros cantos, associações, encontros, fluências e influências, desde 1962…
JAN GARBAREK toca principalmente SAX ALTO. É um superdotado de talento notório. Criou um “SMORSGASBORD” suculento fundindo o que aprendeu em JOHN COLTRANE, PHAROAH SANDERS, ARCHIE SHEPP, ALBERT AYLER, DEXTER GORDON, BEN WEBSTER…
Esteve, também, quatro anos com o grupo do pianista, compositor americano de vanguarda e grande teórico do JAZZ, GEORGE RUSSELL, quando ele morou e trabalhou na Escandinávia, em meados da década de 1960 – e, por lá, cruzou com outros craques da futura ECM: RYPDAL, ANDERSEN e CHRISTENSEN, e o pianista BOBO STENSON.
A isso tudo, GARBAREK agregou música hindu, latino americana e folclórica dos países nórdicos. E desenvolveu seu estilo distinto de tocar: um som agudo, de notas longas e o uso do silêncio e do espaço entre as frases.
JAN GARBAREK é um estilista!
A primeira gravação que realizou na gravadora foi “AFRIC PAPPER BIRD”, em 1970, consolidando “a linguagem sonora” da ECM. Ele prosseguiu carreira por lá. E fez sua participação derradeira em “OFFICIUM NOVO”, álbum famoso e imprescindível, gravado em 2010 com o quarteto masculino britânico especializado em música antiga, THE HILLIARD ENSEMBLE.
Contudo, seu último trabalho “de carreira” para ECM foi “IN PRAISE OF DREAMS”, lançado em 2004. O álbum foi indicado ao GRAMMY, em 2005, concorrendo como o melhor disco de JAZZ. Mas não levou.
E a meu ver, corretamente. Porque não é JAZZ.
No entanto, é audição rica, deliciosa, e interessante! Tangencia uma volta à NEW AGE salpicada com WORLD MUSIC.
E não por acaso: GARBAREK está inspirado e “sonda” o FOLK JAZZ NÓRDICO, sua principal morada, com a sonoridade aconchegante dos SAXES TENOR e SOPRANO. E deixa um pouco de lado a sua “expertise” principal, o SAX ALTO. Ele também opera “teclados climatizantes” para aquecer o “ambiente do repertório”.
Ao, hummm, ágape, se junta a VIOLISTA ( não violeira, se toquem…) americana, KIM KASHKASHIAN, que depois levou o GRAMMY de melhor artista de música clássica SOLO e de ORQUESTRA, na edição de 2012. Só isso! Acho que nunca percebi o som de uma VIOLA “clássica” tão insinuante, delicadamente grave, e integrado aos SAXES!
E para salgar adequadamente o molho está a percussão afro do franco – marfinense MANU KATCHÉ, unindo ritmo e andamento e pontuando com a sutileza que um “disco tão fronteiriço” de gêneros merece.
PHOTOS WITH BLUE SKY, WHITE CLOUD, WIRES AND RED ROOF
Um grupo jazzístico que tenha músicos excepcionais como o baixista EBERHARD WEBER; JON CHRISTENSEN, na bateria; e JOHN TAYLOR, no piano é infenso a vulgaridades e caminha para longe do óbvio!
O disco é de 1978 e a minha edição em CD é alemã dos anos 1990. Talvez ajudado pelos ajustes de cabos em meu “set-up”, o som está “demoniacamente angelical” !
Sobre a música?
O melhor que se pode desejar num disco de JAZZ contemporâneo é que traduza avanços artísticos em harmonias e melodias inteligíveis. E traga o conhecimento das vanguardas expostos em musicalidade explícita; mas de jeito que a beleza da obra construída fique distante do convencional, e soe para quaisquer ouvidos bem equilibrada e agradável.
É difícil alguém não gostar deste álbum, porquê o quarteto conseguiu tudo isso! E nem vou comentar o espetacular e meticuloso sax tocado por GARBAREK!
Se você tiver de escolher somente um disco da sideral gravadora ECM escolha este “PHOTO WITH BLUE SKY…, resumo das obras intensas e indispensáveis criadas pelo compositor.
Ouça o quanto antes! E compre se puder. É para a vida inteira. E a bela capa te convida a viajar.
JAN GARBAREK nos legou arte notável e “ocultou-se” em cena.
POSTAGEM ORIGINAL: 06\09\2026
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