JETHRO TULL – 25TH ANNIVERSARY – BOX SET – CHRYSALIS RECORD – 1993

O PROJETO GRÁFICO É MATADOR!
OS 4 CDS E TUDO O MAIS ESTÃO EM UMA “CAIXA DE CHARUTOS”, COM SELO E TUDO. SOFISTICAÇÃO EM NÍVEL ADEQUADO PARA COMEMORAR EVENTO INESQUECÍVEL: O ANIVERSÁRIO DE 25 ANOS DE UMA DAS MAIS BEM SUCEDIDAS BANDAS DA HISTÓRIA.
O ARTEFATO É MUITO BONITO E TRAZ EXCELENTE LIVRETO, COM TEXTOS E FOTOS. A CAPA INTERNA EXPÕE FLAUTAS QUE LEMBRAM CHARUTOS… UM MUST!
SIM, O “JETHRO TULL” É UM PROJETO MUITO BEM CONDUZIDO PELO FLAUTISTA IAN ANDERSON”, EM SINERGIA REFINADA COM O GUITARRISTA “MARTIN BARRE” – QUE POR LÁ APORTOU EM 1970, E PERMANECEU. O TEMPO CONSOLIDOU O SUCESSO COMERCIAL INEQUÍVOCO.
A CAIXA FOCA NO PERÍODO ENTRE 1968 E 1993. É O SOMATÓRIO DE MOMENTOS ESPETACULARES NA CARREIRA DO GRUPO.
EM UM DOS CDs. ESTÃO AS PRINCIPAIS FAIXAS GRAVADAS EM SHOWS INÉDITOS. OUTRO CD. COLIGE AS MÚSICAS MAIS POPULARES DO GRUPO, ESPÉCIE DE GREATEST HITS.
MAS O “TIO SÉRGIO” NÃO GOSTOU DAS REMIXAGENS E REMASTERIZAÇÕES DO MATERIAL INÉDITO, JUNTADAS EM CD ESPECÍFICO. A SONORIDADE É ALGO METÁLICA, PLANA, E SEM O VIGOR E O PESO CARACTERÍSTICOS DA BANDA.
MESMO ASSIM, AO VIVO OU EM “OUT – TAKES” DE ENSAIOS, DESPONTAM OTIMAS E EXCITANTES PERFORMANCES, CARACTERÍSTICA QUE SEMPRE OS DESTINGUEM.
TUDO CONSIDERADO, É UM PRODUTO CULT E DIRIGIDO AOS FÃS; E TALVEZ SUPÉRFLUO PARA OS NÃO COLECIONADORES. NO ENTANTO, É MUITO LEGAL POSSUIR E APRECIAR.
AOS NÃO FANÁTICOS EU RECOMENDO AS EDIÇÕES ORIGINAIS, OU REEDIÇÕES MAIS LUXUOSAS AGORA DISPONÍVEIS.
JETHRO TULL NÃO DÁ PRA NÃO TER!
POSTAGEM ORIGINAL:12\03\2021
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NINA SIMONE: GENIOSA, ERRÁTICA, TALENTOSA E INCONFUNDÍVEL!

DEVEMOS RECONHECER NOS ALEMÃES UM EFETIVO PRECIOSISMO TÉCNICO; E PACIÊNCIA PARA RESGATAR, ATÉ ANTROPOLOGICAMENTE, A MÚSICA DO PASSADO.
ELES TROUXERAM À TONA A HISTÓRIA DO “COUNTRY WESTERN”, DO “RHYTHM BLUES ” E DO “ROCK AND ROLL”. EDIÇÕES ALEMÃS SÃO DEFINIDORAS E DEFINITIVAS!
AOS JAPONESES AGRADECEMOS PORQUE FIZERAM O MESMO COM A M.P.B E O SAMBA DE RAIZ. E PRECISAMOS CONSIDERAR O “APROACH” DELES EM ESTILOS E ACEPÇÕES VARIADOS, NO “ROCK” E NO “POP” INTERNACIONAL”.
OS IRMÃOS DE OLHINHOS PUXADOS SÃO PRIMOROSOS NO RESGATE, NA ACUIDADE, E NA OBSERVAÇÃO DOS DETALHES MUSICAIS. A PERFEIÇÃO COMO MÉTODO E META, SEMPRE RONDA POR AQUELAS ILHAS!
O MUNDO TAMBÉM RECONHECE NOS FRANCESES O RESGATE, E O ACOLHIMENTO DE INCONTÁVEIS ARTISTAS COMO “EXILADOS CULTURAIS” – E DETENTORES DE ARTE RELEVANTE, ÀS VEZES DESDENHADA ONDE SURGIRAM.
A FRANÇA COMO O JAPÃO, APOIOU, E MUITO, A M.P.B E A BOSSA NOVA. E GRANDES MÚSICOS BRASILEIROS, DESDE A DÉCADA DE 1950 SEMPRE ENCONTRARAM LÁ PAIXÃO E COMPREENSÃO MUITO ALÉM DO EXÓTICO QUE TALVEZ CARREGASSEM. NÃO É, CHICO, CAETANO, GIL, GAL, BETHÂNIA . SÓ PRA FICAR NO PRIMEIRO TIME.
OS FRANCESES POSSIBILITARAM, POR EXEMPLO, A PROJEÇÃO DE MÚSICOS NORTE-AMERICANOS RELEVANTES. AJUDARAM UMA GALÁXIA DE ARTISTAS PRETOS DETENTORES DA HISTÓRIA, VIVÊNCIA E CULTURA DO POVO DOS E.U.A.
BASTA IMAGINAR O QUE TERIA ACONTECIDO AO JAZZ SE OS FRANCESES NÃO PRESTIGIASSEM DE “THELONIOUS MONK” A “CHARLIE PARKER”; DE “NINA SIMONE” A “DEXTER GORDON”?
E A OUTROS TANTOS E TONTOS CRIADORES DO IMENSO COMPÊNDIO CULTURAL QUE SOBREVIVEU ATÉ NÓS! A LISTA É IMENSA, VARIADA, GRATA E IMPRESCINDÍVEL. E AINDA BEM!
O CINEMA E A MÚSICA
VOCÊS SE LEMBRAM DE UM FILME CHAMADO “ROUND MIDNIGHT”, COM O SAXOFONISTA “DEXTER GORDON” NO PAPAEL PRINCIPAL? E QUE TAL A TRILHA SONORA IMPECÁVEL?
POIS, É! TAMBÉM ASSISTI A FILME TIPO “VINHO CHAPITALIZADO”, COM “ETHAN HAWKE” E “JULIE DELPI”. PARIS ERA O CENÁRIO.
EM CERTO MOMENTO, ENTRA “NINA SIMONE NO CD PLAYER”. E JULIE A IMITA EM SUA PRESENÇA DE PALCO, ICONOCLASTIA, E TODA A CARGA EMOCIONAL DA LUTA PELA IGUALDADE RACIAL, FEMINISMO E IGUALITARISMO – EM QUE OS JOVENS FRANCESES QUASE SEMPRE ESTÃO NA VANGUARDA!
NINA SIMONE FOI UM FENÔMENO RARO E PRECIOSO. SUPERDOTADA MUSICAL, APRENDEU A TOCAR PIANO NA IGREJA, ONDE A MÃE ERA PASTORA.
ESTUDAVA, E TRABALHAVA COMO EMPREGADA DOMÉSTICA, QUANDO OS PATRÕES A VIRAM TOCAR, E A MANDARAM A UM PROFESSOR DE PIANO CLÁSSICO.
DEPOIS, ORGANIZARAM VAQUINHA PARA ENVIÁ – LA À “JULIARD SCHOOL”, EM NOVA YORK, ONDE “NINA “OBTEVE BOLSA PARA ESTUDAR, E CONTINUAR COM O PIANO CLÁSSICO.
VERDADEIROS MECENAS, VOCÊS NÃO ACHAM? E UM PÉRIPLO DE GIGANTES PARA UMA GAROTA PRETA, NOS ANOS 1950!
“NINA” ERA O NOME DE UM BICHINHO CRIADO PELO IRMÃO DELA. E O SIMONE VEIO DA ATRIZ FRANCESA “SIMONE SIGNORET” – UM MITO, NA ÉPOCA.
A COMBINAÇÃO AFETIVA É SENSACIONAL, VAMOS CONVIR, HEIM? E QUE NOME ARTÍSTICO “MARQUETÁVEL”! CONCORDAMOS?
“EUNICE WAYMON” VIROU “NINA SIMONE” PARA DESPISTAR DOS PAIS QUE FATURAVA ALGUM TOCANDO NA NOITE, EM NOVA YORK. MULHER DETERMINADA, IRASCÍVEL, ESBANJANDO POTENCIAL, FOI SE TORNANDO CONHECIDA.
MAS PARA CONTINUAR TOCANDO BLUES, FOLK, R&B, E OS TOQUES DE MÚSICA CLÁSSICA QUE SEMPRE INTRODUZIA EM SEUS ARRANJOS, FICOU NÍTIDO QUE ALÉM DA NOTÁVEL PIANISTA QUE ERA, DEVERIA TAMBÉM CANTAR!
E POTENCIAL NÃO LHE FALTAVA! TINHA UM VOZEIRÃO ALTO, NÃO MUITO EXTENSO, MAS ÚNICO, IMPONENTE – “VULCÂNICO”!
A VOZ É INSTRUMENTO NATURAL, E UM DIFERENCIAL IMENSO. MAS SABER USA-LA, E DESENVOLVER TÉCNICA, REQUER APRENDIZADO CONTÍNUO E CONCENTRADO. É COMUM EM GRAVAÇÕES DE “NINA” MOMENTOS DESAFINADOS. SEMPRE CATIVANTE, PRINCIPALMENTE QUANDO AO VIVO, FOI INTÉRPRETE CARISMÁTICA – MAS BOA CANTORA NEM SEMPRE…
E DAÍ?
POIS, É! DO SEU JEITO E AO LONGO DO TEMPO, CRIOU ESTILO INCONFUNDÍVEL. E MONTOU REPERTÓRIO BASTANTE RICO E ABRANGENTE DEMAIS. IA DO POP AO BLUES; DEAMBULOU, INCLUSIVE ,PELO FOLK DE RAIZ.
E CANTOU DE “BOB DYLAN” A “BURT BACHARACH”; PASSOU POR ‘EDITH PIAF”, “LEONARD COHEN”, E “SANDY DENNY'”; GRAVOU SALADA MISTA SABOROSA, MAS ALGO DESARMÔNICA…
QUEM SABE? OPINE;
“NINA” PRODUZIU MUITO ENTRE 1957 E 1993. INÚMEROS SHOW E GRAVAÇÕES AO VIVO. E, QUASE SEMPRE, NUM BLEND JUNTANDO POLÍTICA MILITANTE COM PERFORMANCE EXUBERANTE.
“NINA SIMONE” MANTEVE-SE ÍCONE DOS MOVIMENTOS DE CONTESTAÇÃO E AFIRMAÇÃO RACIAL. O ESPERADO DE QUEM FOI À ESCOLA, E DEPOIS ASSUMIU ATITUDES CONSCIENTES. (MUITOS DE NÓS FIZEMOS ISSO!)
OS DISCOS AQUI POSTADOS DÃO UMA GERAL NA CARREIRA DE “NINA”. É O SUFICIENTE, PARA MIM.
“TO BE FREE: THE NINA SIMONE STORY”, É UM ÓTIMO E MUITO BEM DESENHADO BOX COM 3 CDS E 1 DVD, GARANTINDO “AUDIÇÃO PANORÂMICA”. AQUI, TAMBÉM, MAIS DUAS COLETÂNEAS E UM DISCO DE SÉRIE.
“NINA” ESTEVE NO BRASIL, E FOI SUCESSO ABSOLUTO, – COMO SEMPRE, E POR ONDE PASSASSE. ESTEVE NO MUNDO E NA MODA. VIVEU SEU TEMPO; CRIOU E MOSTROU SUA ARTE. CANTOU, TAMBÉM, EM PEÇA MUSICAL ESCRITA POR “PETE TOWNSHEND”, DO “THE WHO”, CHAMADA “IRON MAN”. FOI EM 1989. ELA ERA DE ECLETISMO CONFIRMADO.
ELA VIVEU E METEU-SE EM MUITA CONFUSÃO. A ÚLTIMA, DISSERAM, FOI DISPARAR UNS TIROS NO VIZINHO COM QUEM SE DESENTENDERA – FOI DIAGNOSTICADA COMO BIPOLAR.
NINA SIMONE ERA DE ESQUERDA E DA FUZARCA! E ANDAVA ARMADA – COMO FICOU SABENDO O VIZINHO!
O TEMPO ESCORREU E ELA PERMANECE ÍCONE, ATRAVESSANDO GERAÇÕES.
TER ALGUMA COISA DE “NINA SIMONE” NA DISCOTECA É “MANDATÓRIO”!
NO MEU CASO, MISSÃO DADA – MISSÃO CUMPRIDA!
POATAGEM ORIGINAL: 01\03\2021
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CLÁSSICOS DO ROCK LANÇADOS NO BRASIL NA DÉCADA DE 1960.

Alguém conhece, tem, ou já viu algum dos discos na foto?
Então, vamos a pequenas resenhas para introduzir coisas CULTS que saíram por aqui, e passaram meio desapercebidas. TIO SÉRGIO teve todos em vinil – hoje, os CDs estão na discoteca bem guardadinhos:
1) HULLABALLOOS: OS DOIS LPs. foram lançados pela ROULETTE, em 1966: “ENGLAND´S NEWEST SINGING SENSATIONS” e “ON HULLABALLOO”. São imperdíveis! É BEAT ROCK da melhor qualidade, feito por banda exímia que emulava e atualizou o som e o jeito de cantar de BUDDY HOLLY.
Os dois HULLABALLOOS saíram por aqui ao mesmo tempo. Mas um “erro imperdoável” da gráfica que fez as capas, deixou ambos mais CULTS e colecionáveis do que seriam: as contracapas foram “invertidas, trocadas”!
Por isso, TIO SÉRGIO o perfeccionista, trocou as duas contracapas para corrigir o problema. E perdeu a originalidade…
2) JEFFERSON AIRPLANE: TAKES OFF, R.C.A., 1966
Primeiro disco da banda. Ainda FOLK ROCK e pré-PSICODÉLICO; algo na linha dos BYRDS, naquele momento.
A vocalista, SIGNE TOLLY ANDERSON, foi substituída por GRACE SLICK, à partir do segundo disco. E a banda transitou para o ROCK PSICODÉLICO “Cum Laude”. O VINIL é raro e precioso!
3) THE TROGGS, 1966\1968, R.G.E:
No BRASIL saíram os 4 LPS originais da banda. Esses da foto são os dois primeiros, 1966 e 1967 – “GARAGE PUNK ROCK SEMINAL”.
Ouvi tanto, que “ficaram gastos”. O segundo, TROGGLODYNAMITE, de1967, foi o primeiro LONG PLAY que comprei com o meu salário, em julho daquele ano!
Colecionáveis e imperdíveis!
4) SEEDS – THE SEEDS: 1966. Se os TROGGS foram os protótipo da GARAGE PUNK BAND, na GRÃ BRETANHA; os SEEDS foram mais ou menos o mesmo nos EUA.
ROCK escrachado, mal feito, mal tocado e simultaneamente genial! O tipo do disco que tirava papai, mamãe, titias e vizinhos do sério. Este quem comprou foi meu amigo SILVIO. É Colecionável e mundialmente CULT!
Não percam; percam-se neles!!!!!
5) THE BLUES PROJECT: LIVE AT CAFE AU GO-GO – VERVE FOLKWAYS, 1966/67.
Banda americana espetacular de BLUES/ROCK/FOLK/PSICODELIA, e pelaí around.
É um SHOW CLÁSSICO E MONUMENTAL, feito em clube pequeno. O consagrado tecladista AL KOOPER, e o cantor e guitarrista STEVE KATZ, saíram do “PROJECT” e fundaram o BLOOD, SWEAT & TEARS, em 1967.
Já o sensacional guitarrista ,DANNY KALB, levou o grupo em frente por mais alguns discos. Este é imprescindível para a turma do BLUES ROCK. Saiu por aqui, também, o LIVE AT CENTRAL PARK, álbum duplo muito difícil de achar.
6) PEPPERMINT RAINBOW, DECCA RECORDS, 1968.
Excelente grupo de SUNSHINE POP descoberto e incentivado por CASS ELLIOT. Durou três anos e fez grande sucesso na linha dos MAMAS & THE PAPAS.
O único álbum que lançaram, traz um clássico da época que se tornou tema de programa de televisão nos EUA: “WILL YOU BE STAYING AFTER SUNDAY” é uma delícia inesquecível, e até hoje toca em rádios americanas de OLDIES.
Os álbuns aqui, são todos RAROS, COLECIONÁVEIS e CULTS! E muitos vão adorar.
Tente conseguir!
POSTAGEM ORIGINAL: 13\03\2018
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KRAUT! O ROCK PROGRESSIVO ALEMÃO E ADJACÊNCIAS: EPOPEIA SONORA – 1968/1979/1982.

TIO SÉRGIO está mais PIMPÃO do que sempre! E começou a organizar OUTRA COLEÇÃO, que sempre assolou o imaginário! Está baseada em lançamento da “BEAR FAMILY”, em 6 BOXES DUPLOS INDIVIDUAIS. E outros artistas e grupos, e eventuais BOXES coligindo o que aparecer de KRAUTROCK!
A BEAR FAMILY RECORDS é alemã. E, mais do que gravadora, é uma INSTITUIÇÃO que faz ANTROPOLOGIA CULTURAL e ARQUEOLOGIA da música popular.
Em 2020, lançou quatro BOXES DUPLOS, contendo 96 músicas, em 4 BOXES de 8 CDs, percorrendo a saga do KRAUTROCK, entre 1968 e 1979. Desde a gênese até o período áureo de seu desenvolvimento. São bandas da extinta ALEMANHA OCIDENTAL.
Está lá quase tudo o que se deseja saber, ou eventualmente não se conseguia acesso: é o ROCK PROGRESSIVO ALEMÃO e adjacências, incluindo a PSICODELIA, HEAVY METAL, HARD ROCK, etc…
Cada um dos álbuns foi realizado no capricho. Perfeccionismo que só os alemães e os japoneses perseguem e conseguem!!!! A produção gráfica é matadora – como sempre!
O BOX traz Livreto com a escalação completa dos “times” que se apresentam; há fotos de bandas, de artistas, e dos discos originários – vários contratados por gravadoras CULTS e colecionáveis, como VERTIGO, BRAIN… O texto, como sempre, é informativo e primoroso! Eu acredito piamente! E, se eu soubesse ler o alemão ficaria mais pimpão ainda!!!!😂😂😂😂😂
Pois, é! A falha no projeto é não haver o texto vertido para o francês ou inglês – línguas por onde a maioria absoluta se viraria.
Teria sido fundamental; portanto, ausência lamentável…😟😟😟😟😟
Há uma novidade interessante na abordagem: cada volume é dedicado a uma região da ALEMANHA, onde surgiram os artistas selecionados: NORTE: HAMBURGO, por exemplo. Da REGIÃO CENTRAL, há cidades como DUSSELDORF, KOLN – ooopppsss! COLÔNIA. Depois, OESTE, onde está BERLIM. E o SUL do país.
Os quatro primeiros álbuns foram juntados em BOX maior, opcional e meio chocho. Eu deixei pra lá. É caro demais! Ainda assim, é colecionável no “ÚRTIMO FURO DO CINTO” !!!!!
Voltando ao ‘CHUCRUTE ELÉTRICO CHEIO DE FARPAS METÁLICAS”, a qualidade do som é excelente. A maioria das gravações é irretocável! Performam lá “LUCIFER`S FRIENDS”, “ATLANTIS”, “JANE”, “FRUMPY”, “ELOY”, “NEKTAR”, “TANGERINE DREAM”, “TRIUNVIRAT”; e uma plêiade composta por menos notáveis, mas tão legais e representativos quanto os mais conhecidos.
No entanto, não trouxeram o KRAFTWERK!!!! Com certeza, questões contratuais e ganâncias insuperáveis impediram a participação da mais significativa banda surgida na Alemanha! É falha gritante! Fazer o quê?
No princípio, eram considerados KRAUTROCK artistas ligados ao “ROCK PROGRESSIVO”; e, também, bandas de HARD ROCK e HEAVY METAL, que emulavam principalmente os ingleses da época – mas não só eles.
Existe na SÉRIE uma infinidade tangenciando o “LED ZEPPELIN” (Oi, “LUCIFER´S FRIENDS”! – vida eterna, “JOHN LAWTON”, que morreu, infelizmente). Há fãs do “HUMBLE PIE”, (né, “ATLANTIS”); e variações em torno do “JETHRO TULL”, “EMERSON LAKE & PALMER” e “DEEP PURPLE”.
Assim, vasta constelação de viajantes infestou a Alemanha, Japão, França, EUA, Brasil – o mundo inteiro. Todos muito bons de ouvir e legais de ter! Há músicas cantadas em inglês, claro! Porém, naqueles tempos e por todo planeta, a maioria dos artistas aderiu, lógica e corretamente, aos idiomas pátrios. O mesmo aconteceu na Alemanha. E tudo ficou mais original, ainda.
A segunda SÉRIE de BOXES, foi batizada por “OST – KRAUT”! É composta por artistas da ex – ALEMANHA ORIENTAL, em gravações realizadas entre 1970 e e 1982.
Eu não conhecia ninguém! Perfeitamente justificável, já que o regime comunista era fechado demais, e a comunicação com os próprios irmãos, e outros países a Oeste, era dificultada, ou até impedida. Mas tudo mudou.
Hoje, o rótulo KRAUTROCK tem significado ampliado. Abarca do BEAT feito na década de 1960 por bandas como “LORDS”, e vai ao infinito…
O KRAUTROCK tornou-se um “ESTADO de ESPÍRITO” talvez apátrida – e um vasto e importante capítulo na História da música POP. O seu diferencial marcante é a MÚSICA ELETRÔNICA DE VANGUARDA, herdeira das MÚSICAS CONCRETA e ELETROACÚSTICA, criadas por compositores na linha de STOCKHOUSEN, BÉRIO, XENAKIS, e outros experimentalistas iconoclastas.
Inclusive a grande professora, compositora, pianista e verdadeira GÊNIO BRASILEIRA chamada JOCY de OLIVEIRA! A primeira a compor e executar MÚSICA ELETROACÚSTICA, no BRASIL. Sua obra ,”APAGUE MEU SPOTLIGHT”, foi encenada no TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, em 1961. Foi sucesso iconoclasta retumbante.
A vertente alemã do ROCK PROGRESSIVO adotava, construía e explorava sintetizadores, computadores, melotrons, e quaisquer invenções da eletrônica contemporânea. Observar a parafernália de instrumentos utilizada pelo TANGERINE DREAM, por exemplo, já é indicativo desse diferencial.
É crucial reconhecer a influência decisiva do KRAFTWERK no POP contemporâneo. Está nas músicas para pistas de dança; vai do EURODANCE ao RAP e R&B; e influencia os DJS, e todas e quaisquer “RAVES” mundos afora.
“BRIAN ENO” e “DAVID BOWIE” foram, talvez, os primeiros “complementadores e divulgadores” dessa música original e vanguardista. Procure conhecê-los antes e depois da fase BERLIM criada por ambos. Acesse coisas entre 1976 a 1979…
TIO SÉRGIO vem pesquisando várias simbioses, e destaca o velho e conhecido gênio “não músico”… Epa!!!! é o BRIAN ENO; que fez álbuns com diversos “luminares chucrúticos”.
Procure saber sobre o “HARMONIA”, “colisão criativa” entre MICHAEL ROTHER, do “NEU”; HANS-JOACHIM ROEDELIUS e DIETER MORBIUS, do “CLUSTER” – um verdadeiro SUPERGRUPO alternativo, que atuou entre 1974 e 1976! BRIAN ENO juntou-se a eles, em 1976, para gravar “TRACKS and TRACES”, álbum perdido, mas recentemente “reencontrado e recuperado”.
Ah!!!! se gostou do que escrevi, prepare-se para sacar e atentar contra o seu cartão de crédito! Porque são artefatos caros, muito caros!
Desfrute.
POSTAGEM ORIGINAL: 11\03\2024
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POPOL VUH – TRILHAS PARA OS FILMES DE WERNER HERZOG

POPOL VUH é o livro sagrado dos MAIAS, expresso em poema de 8.580 VERSOS, narrando a História da criação dos homens. São vários poemas interligados que falam de ciência, política, filosofia, rituais fúnebres, e até noções de ecologia… É uma cosmogonia.
A banda, ou como se queira denominar essa aventura complexa de FLORIAN FRICKE, um diferenciado explícito, já intriga pelo nome e significado.
A primeira vez que escutei o POPOL VUH foi na BARATOS & AFINS, do Luiz Calanca lá por 1977/78. Havia um disco rolando no pick-up. Recordo que fiquei fascinado com o som! É um CROSSOVER entre o ROCK PROGRESSIVO e o KRAUTROCK que vinha se definindo enquanto conceito – denominação que eu ainda não conhecia, naqueles tempos.
Por décadas, jamais consegui discos desse grupo. Eles atuaram mais ou menos da metade dos anos 1970 em diante.
O SOM é nada RECONFORTANTE. Atraiu COLECIONADORES e gente de vanguarda. É CULT e memorável. E deu o que falar!
As TRILHAS SONORAS compostas por FLORIAN FRICKE & BANDA são totalmente diferentes do que se produzia na época. Lembro de ter assistido ao filme HEART OF GLASS. E ficar encantado com a música! Continuei fissurado…
THE WERNER HERZOG SOUNDTRACKS, é BOX LUXUOSO, lançado em 2010, com excelente LIVRETO e som de qualidade. É para malucos e curiosos pensantes. No entanto, é parte pequena da produção de FRICKE, um superdotado hiperativo e diferenciado.
O TIO SÉRGIO preserva essa caixa como fosse uma JOIA. E, PENSANDO BEM, É MESMO! ALÉM DE RARO É PRECIOSO! POPOL VU é um dos grupos que preciso fazer resenha mais densa e compreensiva. Mas, confesso aqui, prevejo um retorno talvez não tão em breve!
A turma do ART ROCK, PROGRESSIVO, KRAUTROCK e galáxias próximas deve uma parada nessa estação espacial. É artefato tentador; quase tara; Volúpia incontível!
POSTAGEM ORIGINAL: 20/03/2018
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RARE EARTH: R&B + PSICODELIA + HARD ROCK EM DISCOS VIBRANTES E ORIGINAIS!

EXCELENTE GRUPO AMERICANO DE RHYTHM AND BLUES, SOUL, FUNK, JAZZ – E PSICODELIA E HARD ROCK, TAMBÉM. FOI A PRIMEIRA BANDA DE BRANCOS CONTRATADA PELA LENDÁRIA “MOTOWN”, EM SUA FASE ÁUREA, ENTRE AS DÉCADAS DE 1960 E 1970.
O ‘RARE EARTH” SE DESTACAVA E PERFILAVA JUNTO A BANDAS QUE GRAVAVAM PARA A “COLUMBIA RECORDS”, EM MEADOS DA DÉCADA DE 1960 EM DIANTE, AJUDANDO A FORMATAR O “JAZZ ROCK”: CHICAGO TRANSIT AUTHORITY”, “BLOOD SWEAT & TEARS” E “ELECTRIC FLAG”; E OS POUCO LEMBRADOS “MADURA” E “CHASE”.
CLARO, É IMPOSSÍVEL ESQUECER “MILES DAVIS”, A REFERÊNCIA MAIOR QUANDO ESSA TENDÊNCIA FOI CONSOLIDADA; E DEPOIS EXPANDIDA E REBATIZADA PARA “FUSION” – ABRIGANDO PROFUSÃO DE TALENTOS QUE EVOLUÍRAM ALÉM DO BEAT, DO COUNTRY, DO POP, E DO R&B CONVENCIONAIS; E SE IMBRICARAM NO “JAZZ ” SOFISTICANDO A MÚSICA POPULAR CONTEMPORÂNEA.
O “RARE EARTH” E OS “RASCALS”, DUAS BANDAS DE “BRANCOS” EIVADAS MUSICALMENTE PELO R&B EM FUSÃO COM O POP E MUITO MAIS, SOAVAM TÃO NEGROS, QUE ENGANAVAM QUEM NÃO OS CONHECIAM.
DIZ O MITO, QUE CERTO DIA EM 1967, NA ATLANTIC RECORDS, “OTIS REDDING” GRAVAVA NO ESTÚDIO AO LADO DAQUELE ONDE OS “RASCALS” ESTAVAM. ELE NÃO ACREDITAVA QUE FOSSEM BRANCOS, E FOI CONFERIR IN LOCO!
ERAM BRANCOS, SIM!
ESTÃO AQUI A EXCELENTE COLETÂNEA DUPLA DO “RARE EARTH”, COM 36 FAIXAS E LIVRETO. E OS SETE ÁLBUNS ORIGINAIS QUE GRAVARAM. TODOS MUITO BONS, CRIATIVOS, ECLÉTICOS E DANÇÁVEIS.
COMECEM PELO ÁLBUM “ECOLOGY”, 1970; OBRA MONUMENTAL FUNDINDO “ROCK PSICODÉLICO”, “R&B” E “JAZZ”. OBSERVEM O ARRANJO MATADOR QUE FIZERAM DE “I’M LOSING YOU”, UM CLÁSSICO DO “R&B”, QUE TEM ÓTIMAS VERSÕES COM “ROD STEWART” E “THE TEMPTATIONS”.
E SE GOSTAM DE HARD ROCK COM ACENTUADO GOSTO DE R&B, PROCUREM CONHECER A VERSÃO DE ESTÚDIO PARA “WHAT I’D SAY”, DE RAY CHARLES, NO VIBRANTE LP. “ONE WORLD”, DE 1973!
NEM PRECISO CITAR A ÉPICA “GET READY”, GRAVADA AO VIVO, ENORME ODE “JAZZY/PSICODÉLICA / TUDO”! E QUE, VEZ POR OUTRA , SE OUVE NAS RÁDIOS DO MUNDO APENAS A PARTE FINAL – UM “R&B” DANÇANTE E FESTIVO!
O “RARE EARTH” TEVE COMO VOCALISTA PRINCIPAL O MARCANTE “PETE RIVERA” – QUE ERA O BATERISTA DA BANDA. ELE FOI COOPTADO VÁRIAS VEZES POR “RINGO STARR” PARA SUA BANDA ITINERANTE DE “EX-IDOLOS”; QUE GRAVOU VÍDEOS E DISCOS DE COVERS, INCLUINDO AS MÚSICAS DOS CONVIDADOS, GARANTIAS DO TOM NOSTÁLGICO.
SE ALGUÉM TOCAR O “RARE EARTH” EM ALTO NO MAR, HAVERÁ UM BAILE”. E GOLFINHOS E BALEIAS CACHALOTE VÃO NADAR DANÇANDO!
PROCUREM OUVIR. VALE A PENA!
POSTAGEM ORIGINAL: 09\\03\2024
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RUSH: PROGRESSIVE POWER TRIO, 1974 EM DIANTE…

VALIAM POR UMA ORQUESTRA.
OUVIRAM À EXAUSTÃO E APRENDERAM COM O “CREAM” E O “EXPERIENCE, DE JIMI HENDRIX”. NO DECORRER DO TEMPO, MUITO EMPENHO E TRABALHO DURO, DESENVOLVERAM ESTILO PRÓPRIO – E TALVEZ ÚNICO. AS BANDAS QUE ELES INSPIRARAM, SEUS IMITADORES, CONTAM-SE ÀS CENTENAS – TALVEZ MILHARES!
NO COMEÇO, TENDERAM PARA UM “BLEND” ENTRE O “HEAVY METAL” E O “HARD ROCK”. SEGUIRAM MAIS OU MENOS O QUE FIZERAM OS GRUPOS DA ÉPOCA, COMO O “LED ZEPPELIN”, “HUMBLE PIE”, O “DEEP PURPLE”… E, PAULATINAMENTE, FORAM DESENVOLVENDO UM ROCK PROGRESSIVO ESTILOSO E ORIGINAL. NO FINAL DA CARREIRA, SITUARAM-SE NO QUE HOJE É CONHECIDO COMO “PROG”…
“NEIL PEART” FOI BATERISTA TOP NO ROCK; UM DOS TRÊS MAIORES. TORNOU-SE LETRISTA ORIGINAL E CHEIO DE IMAGINAÇÃO. MORREU MUITO CEDO, INFELIZMENTE.
O GUITARRISTA “ALEX LIFESON”, SEMPRE ADEQUADO E EFICIENTE, ERA PERFEITO PARA O GRUPO. E “GEDDY LEE” ESTÁ ENTRE OS MELHORES BAIXISTAS DAQUELA GERAÇÃO – E APESAR DE SUA VOZ DE “GALINÁCEO CURRADO NO TERREIRO”, IMPRIMIU VOCAL DISTINTO E MARCANTE À BANDA.
AS PERFORMANCES AO VIVO ERAM, “SÃO”, ESTACULARES! ALGUMAS HISTÓRICAS! ENCHIAM A CENA COM SONORIDADE AMPLA, VIGOROSA E PRECISA. NÃO À TOA, GRAVARAM TANTO EM CONCERTO. ASSISTI – LOS É VIBRANTE; EMOCIONA PLATEIAS E O MUNDO!
OS TRABALHOS EM ESTÚDIO SÃO CHEIOS DE NUANCES, DETALHADOS. E ALIAM ESFORÇO, INSPIRAÇÃO E ALTO NIVEL TÉCNICO E ARTÍSTICO; PERTINÊNCIA E PRECISÃO. NEM É PRECISO CITAR ALBUNS, PORQUE TODOS SÃO, E CADA UM A SEU MODO, EXCELENTES. E ALGUNS TORNARAM-SE CLÁSSICOS DO ROCK.
O “TIO SÉRGIO” GOSTA; MAS NÃO OS PREFERE. TALVEZ SEJA IMPLICÂNCIA COM O “GEDDY” CANTANDO. ELE ME FAZ PENSAR EM UM GALETO CANORO – QUE PREFIRO ASSADO.
O “RUSH” FOI IMENSO, E É IMPRESCINDÍVEL. MAS, CURIOSAMENTE, OS TRÊS NÃO GOSTAVAM DE VIAJAR; OU FAZER TURNÊS MUITO LONGE DO CANADÁ E DOS ESTADOS UNIDOS. AINDA ASSIM, PERMANECEM CULTS E VENDEM BASTANTE MUNDO AFORA – MESMO DEPOIS DE ENCERRAR ATIVIDADES.
JÁ PENSEI QUE O RUSH TALVEZ FOSSE A BANDA PREDILETA DOS BRASILEIROS, PAREANDO COM O “PINK FLOYD”. MAS NÃO. OS INGLESES SUPERAM OS CANADENSES EM FAMA E FÃS BRASIL ADENTRO…
ESTÃO AÍ ALGUNS DISCOS E O DVD QUE TENHO. E, MESMO ESCUTANDO POUCO, NÃO VOU DEIXAR DE COMPRAR OS QUE APARECEREM À MINHA FRENTE, QUANDO O PREÇO E A OPORTUNIDADE COMPENSAREM.
ENTÃO, VOCÊS TRATEM DE GOSTAR E COLECIONAR!
É GRUPO ARTISTICAMENTE ACIMA DO MUITO BOM. UM CLÁSSICO DEFINIDOR E DEFINITIVO!
TER DISCOS DO “RUSH” É MANDATÓRIO!
POSTAGEM ORIGINAL: 08\03\2021
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ALICE COLTRANE: DO LEGADO AVANT – GARDE À FUSION e NEW AGE

ALICE McLEOD foi apresentada a JOHN COLTRANE, em 1963, por TERRY GIBBS, vibrafonista e líder do grupo onde ela tocava piano. São os cruzamentos que a vida traz. Todos eram músico se apresentando no mesmo local, quando ALICE ficou fascinada pela música que JOHN COLTRANE estava fazendo: O AVANT GARDE JAZZ – que auxiliou na progressiva desconstrução da sonoridade tradicional já desafiada pelo BE-BOP e o FREE JAZZ, e apontava para o incerto criativo que perdura até hoje!
Seria?
Ela, obviamente, foi além. Casou-se com JOHN, ainda em 1963, e tiveram 3 filhos. Permaneceram juntos até julho de 1967, quando COLTRANE morreu vítima de um câncer de fígado diagnosticado tardiamente.
ALICE COLTRANE, moça alta, esguia, discreta e cool. Ah, claro: ótima pianista, excelente harpista! E, contou GIBBS, vibrafonista eficiente. Criatura multitalentosa, por supuesto!
ELa tomou lições de música em casa, e foi se desenvolvendo. Tornou-se profissional. Depois, virou lenda.
Nunca se sabe o que a vida faz, realmente, a cada um de nós.
É fato que os anos 1960 foram abrasivos para os jazzistas. A desconstrução da música mais sofisticada, do CLÁSSICO ao JAZZ, foi minando as tradições. Tempos difíceis para os mais criativos!
A GRANDE CANÇÃO AMERICANA estava em fase descendente, com o fim do predomínio de ELLA, SARAH, BILLIE e SINATRA… Ainda assim, continuou sobrevivendo com o rugido global da BOSSA NOVA…
Mas TIO SÉRGIO, o que tem o BRASIL a ver com isso?
Tudo, ué?!!!?
Como vocês encaram a BOSSA NOVA?
Foi o último espasmo de uma sofisticação no molde conservador que chegara ao fim. Dizendo de maneira mais precisa, tudo foi substituído pelo POP – ROCK. E a trajetória do JAZZ, música de construção complexa, também ia cachoeira abaixo.
ALICE COLTRANE entrou em cena no final daquela era magnífica!
Em 1966, substituiu o pianista McCOY TYNER ( TIO SÉRGIO o assistiu ao vivo, no Rio de Janeiro!!! ), no grupo de COLTRANE. Esteve na última fase da carreira de JOHN por cerca de um ano.
Participou de “STELLAR REGIONS”, o penúltimo de JOHN, gravado em 1967, disco de performances mais contidas ( ele já sabia que estava com câncer ). E, também, em COSMIC MUSIC, 1966, doideira AVANT GUARDE fronteiriça ao inaudível. Ambos foram lançados postumamente.
Com a morte de “TRANE”, ALICE tentou retomada, mas sem grande convicção. Ela havia mudado. Gravou um disco de transição, “A MONASTIC TRIO”, 1968, acompanhada por músicos da banda de COLTRANE – PHAROAH SANDERS, tenor, etc; JIMMY GARRISON, baixo; BEN RILLEY e RASHID ALI, na bateria. Tocou harpa e piano.
Fez melhor, depois.
Seu disco mais elaborado e técnico é “PTAH THE EL DAOUD”. Que não se perca pelo nome: é pós FREE JAZZ puro! Com PHAROAH SANDERS e JOE HENDERSON, nos saxes tenores, e RON CARTER e BEN RILLEY, baixo e bateria. Foi gravado em janeiro de 1970. Eu recomendo. É disco melódico e avançado, e ALICE está tocando muito bem!
Depois disso, ALICE COLTRANE desbundou de vez. Havia assumido o hinduísmo antes; passou a administrar um museu e memorial, e a fazer um “blend” de MÚSICA ORIENTAL, ROCK PROGRESSIVO, JAZZ FUSION E NEW AGE. Assestou a mira para os tempos correntes. Seu disco mais famoso, “JOURNEY IN SATCHIDANANDA”, novembro de 1970, é marco da NEW AGE.
Eu adorava esse disco! Hoje, gosto.
A fusão de JAZZ VANGUARDA e MÚSICA HINDU, instigante por definição, esbarra no uso implacável do TAMBOURA, instrumento que lembra o visual do SITAR, mas tem o som de uma “cigarra pentelha”, insistente, monocórdica e recorrente. Serviu de base para as loucuras de SANDERS, no tenor, e ALICE na harpa e no piano, acompanhada de jeito monótono por CECIL McBEE, e CHARLIE HADEN no baixo.
O DISCO FICA ENTRE O PSICODÉLICO E O TREMENDAMENTE CHATO! É um orgasmo cósmico, infindável e não resolvido. Eu preferiria uma ejaculação “mais” precoce… Porém… é um sucesso, e vá lá, bom de ter na coleção!
ALICE fez outros discos. Em 1976, lançou ETERNITY. Inicia com orquestração interessante, algo etérea, mas despenca para as “SANTANISSES” ( da banda SANTANA…) da época: percussão latina, mais órgão e harpa. É dispensável, mas tem o colorido de seu tempo e dentro do estilo por ela desenvolvido.
Curiosamente, ALICE nos faz perceber o quanto CARLOS SANTANA é marcante. Ele recolocou e mantém a música latina no mapa de várias maneiras, via FUSION, inclusive.
Resumindo temas tão amplos, ouçam os três. JOHN COLTRANE, ALICE e o SANTANA, também! Gente que nos faz voar!
POSTAGEM ORIGINAL: 07\03\2021
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COLIN VALLON: “RRUGA”, 2011 & ELINA DUNI QUARTET: “DALLENDYSHE”, 2015 – JAZZ – FUSION COM ELEMENTOS DE MÚSICA DOS BALCÃS

As mulheres albanesas criaram metáfora poética para definir o amado que partiu, ou aquele cara que veio ao primeiro encontro e nunca mais apareceu: ARCO-ÍRIS. Porque é bonito, desaparece nas brumas, no céu, esvaece no horizonte, e deixa imagem longínqua e, às vezes, saudades…
É um jeito belo e triste para definir algo que todos já vivenciaram. Poético e criativo.
Quem fala isto sobre homens que partiram é ELINA DUNI, mulher atraente e excelente cantora de FOLK-JAZZ, que saiu da ALBÂNIA para estudar na SUÍÇA, onde começou a cantar MÚSICA FOLCLÓRICA de seu país, canções de exílio eivadas por saudades. E acabou evoluindo para uma forma de FUSION – JAZZ COM ELEMENTOS TRADICIONAIS DOS BALCÃS.
Funciona. Acredite!
Para mim, a comunicação entre universos tão distintos tem de ser feita através de alguma forma compreensível e universal, acessível a outras culturas.
Penso que o JAZZ e a MÚSICA CLÁSSICA são as mais sofisticadas maneiras contemporâneas de combinar e transmitir vivências únicas. Têm legitimidade e tradição para intermediar e inspirar outras gentes a conhecer o diferente.
Lembre-se de VILLA LOBOS, no Brasil; BELA BARTÓK, na Hungria; e GERSHWIN, na América.
Mirem TOM JOBIM e a BOSSA NOVA levando o SAMBA brasileiro ao mundo; ou EGBERTO GISMONTI cantando o interior do Rio; e MILTON NASCIMENTO expondo Minas de forma inteligível a outros povos.
Mas, não esqueçam ELOMAR criando a simbiose entre o SERTÃO o e a MÚSICA DE CÂMARA (ARMORIAL?), sonoridade simultaneamente POPULAR e CLÁSSICA. Um quase “JETHRO TULL DO SERTÃO”. Linguagens originais e comunicáveis.
ELINA DUNI E COLIN VALLON ( pronunciem o nome do moço, pianista excelente em ascensão, como um francês ) ambos fazem isto.
COLIN VALLON fez parte do soberbo quarteto de ELINA. Desenvolveu um fraseado no piano que capta a emissão do cantar, e põe em relevo o jeito de falar dos povos dos Balcãs. O efeito é belíssimo. É um JAZZ com sotaque peculiar!
VALLON inspira-se nas fronteiras de outros povos; tem influência da MÚSICA TURCA e da MÚSICA dos povos lindeiros à RÚSSIA. Ele é um suíço que prospectou a Europa Oriental.
A produção da ECM é a base comum a ambos. A fluidez e o som etéreo da FUSION que a gravadora de MANFRED EICHER injeta em seus artistas, garante essa comunicabilidade universal. Mas sem a perda do vigor da cultura regional.
Se vocês querem algo novo em perspectiva instigante, então procurem os discos da foto, gravados por esses dois quase jovens.
TIRANA, hoje, é cidade integrada ao mundo, exemplo de recuperação urbana e soluções arquitetônicas baratas. E o caminhar do centro ao periférico, dentro da Europa, é estrada curta. Entre a SUÍÇA e a ALBÂNIA, são pouco mais que 1.150km! Algo como ir de SÃO PAULO a PORTO ALEGRE.
No CD player ou no YOUTUBE é mais rápido ainda. Viajem com os dois.
POSTAGEM ORIGINAL:03\03\2021
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O BIG BANG CÓSMICO NA DISCOTECA DO TIO SÉRGIO. E A LEMBRANÇA DE “MARIA OFÍDIA”!

Inicio por um encantamento de minha juventude. No ensino médio, apelidamos certa coleguinha de “MARIA OFÍDIA”. Houve razão: a fofa era peçonha embrulhada em BLUE JEANS. Envenenava modos e relacionamentos. Fazia fofocas, crueldades, essas coisas…
A suposta língua de cobra foi comprovada. Alguns amiguinhos que a beijaram garantiram que a língua de MARY POISON era bipartida feito a da SURUCUCU… E pior; ela nem sabia o que era o ROCK…
Mas TIO SÉRGIO, WHAT PORRA ARE ESSES DISCOS AQUI?
Vou explicar: Ando meio religado. Circulei por lojas virtuais procurando coisas sem nexo e nem sexo. Achei algumas:
A minha coleção/discoteca lembra o BIG BANG CÓSMICO. Tipo assim, ela explode em todas as direções. Volta ao passado; se catapulta, quem sabe, para diversos níveis do presente. Busca e abarca muita coisa futurista – sei lá… E algumas prateleiras formam granja de frangos doidos fugindo do matadouro… coisas que mal sei ou entendi.
Voltando à parte quem sabe compreensível desta “catilinária algo non sense” achei, NET afora, uns discos de VINIL: EPS, MAXI EPS, e LPS que resolvi chamar para morar comigo. Um harém não erótico, porém variado. Parte foram para a granja…
O Ayrton Mugnaini Jr. conhece de cór e “assaltado” esse EP. de 1965: “KWIET KINKS”. Eu acho mrio chato. Mas há “A WELL RESPECTED MAN”. Então, é KINKÔNICO”, do jeito que eu e ele adoramos!
Ah, tem o SINGLE do “ART”, reedição do original lançado décadas atrás. Para quem não sabe, era a banda antecessora do “SPOOKY TOOTH”!
E esse “P.I.L” aí?
É o “PUBLIC IMAGE LTD” a banda do “JOHNNY ROTEN”, o medonho “vocalista” dos “SEX PISTOLS”, em MAXI SINGLE com 3 faixas gravadas num SHOW EM NOVA YORK, em 2010.
Desça à esquerda. Há um SINGLE do impenetrável experimentalista “SUN RA.” No lado B veio uma “entrevista – interrogatório” considerada “esclarecedora”, feita em uma rádio. ( Eu Duvido!! )
Depois, outro SINGLE suis-generis. De um lado o GROBSHNITT, banda alemã CULT, que deambulou da PSICODELIA para o PROGRESSIVO e derrapou caindo no POP. E tudo mais ou menos entre 1970 e 1989,. No lado B, “TARAS BULBA” – aliás, exemplificado no único CD da foto.
TIO SÉRGIO, agora você endoidou geral? O primeiro, a turma em nível de mestrado em PROG/KRAUTROCK conhece. Mas, e o segundo?
Pois, é! São dois ex-integrantes do GROBSHNITT enveredando pelo ETHEREAL ROCK – o resultado é muito bonito!
Esta “evolução” toda fez o TIO SÉRGIO confirmar antiga suspeita de que o KRAUTROCK extrapola o PROGRESSIVO, e inclui o BEAT e o PSICODÉLICO feitos na década de 1960 por bandas como “LORDS”, “THE BOOTS”, etc… E, daí avançando até o DREAM POP anos 1990, e prosseguiu e permanece…
Quer dizer, Valdir ZamboniKRAUTROCK não é apenas um subgênero do ROCK PROGRESSIVO. Mas também abrange o ESTILO ALEMÃO de fazer POP/ROCK. Que é bem distinto dos ingleses e dos americanos…
A quem interessar possa, cada disco custou menos de $ 10,00 BIDENS\TRUMPS -, entregues na porta da casa desse ex-colega da “MARIA OFÍDIA” – que certamente mandaria um beijo de língua pra todo mundo que está lendo isso…
POSTAGEM ORIGINAL: 01\03\2023
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