MOODY BLUES – TO OUR CHILDREN´S, CHILDREN´S, CHILDREN – THRESHOLD – 1969 .

A SAGA CRIATIVA E TÉCNICA DE MIKE PINDER
Postei dois exemplares que possuo desta obra encantadora. A EDIÇÃO JAPONESA em SHMCD, lançada em 2008. E a EDIÇÃO DUPLA de LUXO americana, de 2006, contendo um CD com a remasterização do STEREO original. E o segundo, SUPER-ÁUDIO CD em SURROUND MULTI-CANAL. As duas são muito boas. Porém, tendo a preferir o STEREO ORIGINAL. Questão de gosto.
É um ALBUM CONCEITUAL, EXPERIMENTAL E TREMENDAMENTE POP! E sucedeu “A THRESHOLD OF A DREAM”, 1969, outro LP de sucesso como os anteriores “DAYS OF FUTURE PASSED”, 1967; e “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, 1968.
Esta semana, a nave ARTEMIS viajou aos arredores da LUA, mais de 57 anos depois do desembarque da APOLO 11 no satélite terrestre. Aliás, foi a viagem que inspirou os MOODY BLUES para criar “TO OUR CHILDRENS CHILDRENS CHILDREN”. A realização do álbum é um show de tecnologia de estúdio, qualidade na gravação, de talento artístico, e de performance da banda como um todo.
Para a primeira faixa, “HIGHER AND HIGHER”, a NASA emprestou a gravação do SOM do lançamento do foguete. Mas o grupo achou de baixa qualidade para ser usada em um disco. E refizeram tudo em estúdio. Trabalho magnífico!
MIKE PINDER é o destaque conceitual do DISCO. Ele pilota o MELOTRON e o ÓRGÃO com milimétrica competência. O tecladista original da banda foi um magnífico construtor de “CLIMAS SONOROS!”
O som do ÓRGÃO nos passa a nítida sensação do arranque e a subida da APOLO 11; recria o aumento de velocidade; o alcance da altitude, e até atingir o silêncio no espaço. E PINDER trabalha e pontua com o MELOTRON o tempo todo as diversas etapas desse viagem etérea e fantástica.
No decorrer do Long Play há momentos de música e sons pesados; outros leves, oníricos, românticos. Foram emulados até o suposto andar dos astronautas fora da nave, no espaço. Percebe-se a velocidade, as mudanças de ritmo; a calma, e a sensação de paz. Tudo bastante expressivo e sugestivo.
PINDER cria uma narrativa sólida na base das músicas, que incentiva a performance instrumental coletiva. Principalmente a diferenciada e aclamada harmonia e qualidade vocal da banda. Todos sabem cantar – e muito bem: o guitarrista JUSTIN HAYWARD, o flautista RAY THOMAS, MIKE PINDER, e o baixista JOHN LODGE. O baterista GREAME EDGE geralmente declama os textos e as poesias, frequentes nas composições do grupo dos MOODIES.
TO OUR CHILDREN… é um disco experimental melodioso; coeso e bonito. Às vezes resvalando para o excesso de “açúcar”…
Eu tenho certeza de que os criadores da “NEW AGE MUSIC” ouviram pesquisaram e curtiram os MOODY BLUES à exaustão. Esse lado reforçando o melódico é uma das características do subgênero. Os colegas do ROCK PROGRESSIVO, também. Procurem as opiniões de RICK WAKEMAN, e de ANNIE HASLAN, do RENAISSANCE.
Os Moody Blues sempre souberam compor letras. Algumas são obras poéticas, e conscientes do ponto de vista existencial. Escapistas? nem sempre; Muitas são apenas canções românticas, e às vezes de rasa substância, ingênuas – mas em linha com o público da banda: pessoas em busca de amor, esperança, paz, misticismo e visões “alternativas -light” em tempos conturbados. Ouvi-los é relaxante, divertido, e interessante. E culturalmente muito instigante!
Os MOODY BLUES foram muito famosos; fizeram discos importantes, se tornaram sucesso de vendas, crítica e público. Tiveram e ainda têm legiões de fãs mundo afora!
No entanto, foram desprezados pela turma da pesada; porque tidos como POP DEMAIS pela média da turma do ROCK. Hoje, mais bem compreendidos, estão em convivência pacífica com a própria História.
MIKE PINDER, foi o primeiro deixar a banda, em 1978. Foi para a retaguarda cuidar da administração. E com o tempo, tornou-se renomado consultor de fábricas de instrumentos. Ele é um dos desenvolvedores do MELOTRON e outros equipamentos.
Hoje, somente JUSTIN HAYWARD permanece vivo
Eu e um montão de gente galáxia afora adoramos os MOODIES!
POSTAGEM ORIGINAL: 08\04\2026
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PINK FLOYD – “SEE EMILY PLAY”- 1967 : SINGLE IMPRESCIDÍVEL

É o SINGLE de maior sucesso na primeira fase da banda, ainda com SYD BARRET na guitarra. Foi lançado em 1967; um fato relevante na história contra a bizarrice uivante, já que fora do BEAT convencional, ou da simples breguice imperante.
A edição brasileira saiu pela FERMATA, também naquele ano. É colecionável no MUNDO INTEIRO, porque raríssima, preciosa e muito difícil de ser encontrada URBE ET ORBI…
Este SINGLE é obra de arte reconhecida. Confirma a PSICODELIA INGLESA que se esboçava. Usaram câmaras de eco e outras técnicas e conhecimentos já testados:
Vide “TELSTAR”, produzido por JOE MEEK, “mago’ inglês dos estúdios, e gravado por THE TORNADOS, em 1962. E recurso semelhante foi usado por DEL SHANNON, grande Rocker americano, em THE BIG HURT, de 1966.
Um ano depois do FLOYD, por aí, THE SMALL FACES lançou outro SINGLE matador: “ITCHCOO PARK”, juntando o vocal R&B de STEVE MARRIOTT, com o experimentalismo PSICODÉLICO nascente. Mais um artefato magnífico nitidamente inspirado no que fez o PINK FLOYD.
São quatro clássicos com ARTIMANHAS de ESTÚDIO que fizeram a música “VOAR”! Magia + tecnologia!
Eu tive acesso irrestrito ao COMPACTO do PINK FLOYD a vida inteira. Quem o comprou foi meu eterno amigo SILVIO DEAN.
Na época, colecionávamos discos juntos, numa espécie de COOPERATIVA que implantamos desde quando nos conhecemos, na escola, em junho de 1967. A falta de grana pode ser força motriz poderosa…
Hoje, eu, ele e o filho dele, FÁBIO, continuamos “parças” e amigos. Discutimos, convivemos, trocamos e emprestamos discos entre nós. O SILVIO e o FÁBIO são totalmente responsáveis pela continuidade de minha paixão pels música. Ambos também colecionam!!!
“SEE EMILY PLAY” e outros SINGLES do PINK FLOYD são fundamentais. Estão neste CD, que faz parte do excepcional e belo BOX, “SHINE ON”, lançado em 1992, coligindo a produção da banda nos primeiros 25 anos de existência, entre 1967 e 1992!
Um espetáculo à parte!
POSTAGEM ORIGINAL: 07/04/2026

SANDY DENNY – “WHO KNOWS WHERE THE TIME GOES?” – 1985

FOLK SINGER muito talentosa e algo errática, apareceu no circuito FOLK de LONDRES, em meados da década de 1960. Tinha voz afinadíssima e muito forte – normal em baixinhos como ela – “do you remember” VAN MORRISON, ERIC BURDON, ANNIE HASLAN, para citar muito poucos.
Amigos e parceiros diziam que SANDY tinha talento para compor. E suas letras perspicazes despertavam em gente próxima a “certeza” de que várias canções teriam sido inspiradas neles…
Esta COLETÂNEA tem quase quarenta anos. Há um livreto muito bom, com fotos, letras de músicas e a escalação dos que gravaram com ela:
Músicos relevantes como RICHARD THOMPSON – Ahhh, você sabem quem é…- , o violinista DAVE SWARBRICK, os bateristas DAVE MATTACKS e GERRY CONWAY, e o baixista DAVID PEGG, e vários diversos craques do passado. Não vou esquecer os produtores JOE BOYD e GLYN JOHNS.
O BOX contém TRÊS CDS, sumário dos DEZ ANOS de carreira, com gravações originais e vários COVERS. Ela passou pelos “STRAWBS”, “FAIRPORT CONVENTION”, FOTHERIGAY e estava em meio de uma carreira SOLO.
SANDY DENNY MORREU AOS TRINTA E UM ANOS, EM 1978, de hemorragia cerebral causada por queda na casa de seus pais.
Era profissionalmente assertiva; mas pessoa insegura e carente, o que a manteve emocional pessoalmente instável a vida inteira.
O tempo, que “ninguém sabe para onde vai”, sempre a traz de volta, e sua reputação é consolidada. SANDY canta deliciosa e delicadamente bem. E é ÍCONE DA MÚSICA FOLK DA GRÃ BRETANHA.
Pobre SANDY DENNY, viveu entre a luz de seu talento e o atormentado lusco-fusco imposto por sua alma sofrida.
Não esqueçam dela.
POSTAGEM ORIGINAL: 05\04\2026
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ROLLING STONES – SINGLES COLLECTION – THE LONDON YEARS – 1963/1971

TIPO ASSIM: 58 FAIXAS GRAVADAS naquele período. Ou sejam, 29 COMPACTOS, SINGLES, ou seja lá o que se batizou. E, também, respectivos lados B. Abrange a fase BEAT, R&B; há coisas PSICODÉLICAS e BAROQUE ROCK. Viagem enorme feita em pouco tempo, e antes da plena consagração.
Traz a formação original com MICK JAGGER, KEITH RICHARDS e BRIAN JONES, nas guitarras; BILL WYMAN, no baixo, e CHARLIE WATTS, o baterista. Há, também, coisas com MICK TAYLOR, o guitarrista que substituiu JONES, em junho de 1969.
O repertório coligido é pletora de sucessos marcantes; alguns grandiosos, e todos comprovando claramente que “Los ROLLINGS” – como dizem os argentinos – jamais foram banda qualquer. Estão lá SATISFACTION, JAMPING JACK FLASH, BROWN SUGAR, PAINT IT BLACK, LADY JANE, e vasto etc…
Este BOX é até COMUM e fácil de conseguir em suas EDIÇÕES POSTERIORES. Mas esta é a ORIGINAL. Tem as dimensões de LONG PLAY; traz BOOK contendo a FICHA TÉCNICA, os músicos participantes, além do quinteto fundador. Há fotos e LETRAS impressas. E se pode observar a mestria, perspicácia e, muitas vezes a sofisticação das composições. É fácil perceber como MICK JAGGER e KEITH RICHARDS se completam… Bidu!
Na época, os STONES eram, principalmente, uma banda de SINGLES. Mais do que de álbuns marcantes – também existentes, claro… Este BOX é a revelação de todo um RITO percorrido pela memória de quem viveu, ou acessou posteriormente o trabalho dos caras.
Entre 1963 e 1971 aconteceu a fase mais conturbada do grupo. Foram roubados, usurpados, explorados, e tiveram coisas apropriadas de seu período mais criativo pelo “competente e ignóbil empresário” ALLEN KLEIN! Que Asmodeu o retenha…
Os ROLLING STONES foram forçados a esperar anos por um acordo que, aparentemente, não restituiu completamente o controle da obra para a seus criadores originais. Contudo, e apesar de tudo, ao menos recuperaram o período áureo, mais criativo e relevante artisticamente.
Ouvir alguns SINGLES acompanhando as letras é vivência artística, antropológica e sociológica fundamental para conhecer como, e o quê faziam e pensavam os artistas naqueles idos 1960.
RECOMENDO COM ENTUSIASMO.
POSTAGEM ORIGINAL: 05\04\2018
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CHARLIE WATTS, O BATERISTA PRECISO – ROCK, JAZZ E CARREIRA ALTERNATIVA

CHARLIE WATTS era um diferenciado e um diferente. Músico preciso, ideal para os ROLLING STONES, banda pesada e algo volátil que congrega personalidades carismáticas e/ou simplesmente doidas: MICK JAGGER, KEITH RICHARDS, RONNIE WOOD e até BILL WYMAN. E BRIAN JONES, também… Tá, stop!
Todos são, ou eram, provocantes, excêntricos e provocadores. E houve CHARLIE WATTS, o “não – ídolo”, o discreto, o animal imprescindível do mesmo zoológico, mas que não precisava e nem admitia jaulas. Vivia solto, livre, independente. Ferocidade contida…
A vida e o comportamento apagados de CHARLIE talvez tenham influenciado diretamente na precisão da “COZINHA” dos STONES. BILL WYMAN e CHARLIE WATTS formavam o monolito estável que garantiu o som da banda durante décadas. BILL saiu antes. Mas, CHARLIE permaneceu.
É folclore no ROCK que WATTS não usava telefone celular. E comunicar-se com ele exigia certo rito, o que deixava MICK JAGGER – um trêfego notório – à beira da loucura… Pressa? Pra que pressa! O POP é o habitat dos paradoxos e das imagens deturpadas construídas de propósito, afirma o Tio Sérgio de Moraes.
CHARLIE WATTS conheceu a mulher, SHIRLEY ANN SHEPHERD, antes da existência dos ROLLING STONES. Casou-se com ela em 1964, viveram juntos 57 anos, até a morte de CHARLIE, em 2019. Tiveram filha e neta. SHIRLEY, que sempre se deu bem com todos os STONES, morreu dois anos depois…
A paixão e fidelidade de CHARLIE tornou-se mítica, em uma banda de faunos. Era caseiro, gostava de arquitetura, cavalos e colecionava carros – mas não dirigia…
WATTS não foi o único discrepante, no cenário da algo falsa mística sobre os ROCKERS: ROBERT SMITH, líder do THE CURE, é um chorão apaixonado. ROGER DALTREY, eterno crooner com THE WHO, e putativo “BAD BOY” ; e GARY BROOKER, do PROCOL HARUM, já na cachoeira das eras, também viveram a vida inteira com as mesmas mulheres. Acho explicável: estabilidade emocional ajuda suportar rotinas dissonantes e desconcertantes…
CHARLIE era membro fundador dos STONES – LOS ROLLINGS, para os argentinos… Saiu do ALEXIS KORNER BLUES INCORPORATED, em 1963, nos primórdios da cena BLUES, na INGLATERRA, e ajudou a fundar os ROLLING STONES. Na banda, participava na definição dos visuais, palcos e tudo o que tivesse a ver com artes gráficas. Antes de ter sido músico, era DESIGNER GRÁFICO profissional.
CHARLIE gostava de JAZZ, e nas folgas mantinha um quinteto dedicado. Aqui, vão três discos diferentes e muito interessantes.
O BOX “FROM ONE CHARLIE”, 1991, é uma preciosidade para colecionadores! Dentro, há um livreto escrito e desenhado por ele, sobre outro CHARLIE, o PARKER. É parte de um estudo em suas aulas de design gráfico.
O livreto foi publicado pela primeira vez em 1964, quando WATTS começava a fazer sucesso com os ROLLING STONES. Ficou bonito, e hoje é difícil de encontrar. Mas, ele selou a paixão por CHARLIE “YARDBIRD” PARKER, desde cedo. E nesse BOX combina o JAZZ e o VISUAL.
O CD que acompanha o BOX traz cinco músicas compostas por PETER KING, o sax alto e um dos músicos do quinteto de CHARLIE WATTS. E inclui mais dois clássicos de CHARLIE PARKER: “BLUE BIRD” e “RELAXING AT CAMARILLO”. O nível técnico e artístico das gravações é excelente!
Os dois outros CDS também foram gravados pelo exuberante CHARLIE WATTS QUINTET, que além de PETER KING trazia BRIAN LEMON, piano; GERARD PRESENCER, trompete e fluegelhorn; e DAVID GREEN, baixo. E, solarmente claro, o próprio WATTS, na bateria.
Eles gravaram “WARM AND TENDER”, 1993; e “LONG AGO AND FAR AWAY”, 1996; que formam deliciosa coleção de clássicos da “GRANDE CANÇÃO AMERICANA”, e do JAZZ.
São ótimos discos; e trazem o excelente cantor BERNARD FOWLER – que acompanha a Los ROLLINGS desde 1989, fazendo “backing vocals em discos e turnês.
Este é o CHARLIE WATTS eterno: ultra profissional, refinado, independente e discreto. Mas que pouca gente conhecia.
Desfrutem!
@destacarKlaus SveignerGerson PéricoAdalberto GraciolliNelson Rocha Dos SantosCesar LimaRenato César CuryRenato de Moraes, esta resenha é dedicada a vocês, abração!
POSTAGEM ORIGINAL: 04\03\2023
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ROBERT JOHNSON & SEGUIDORES: BLUES CLÁSSICO E SEMINAL

A minha edição da obra de ROBERT JOHNSON não é a clássica e definitiva em CDs que inspirou, para não dizer ditou, as capas internas deste CD triplo do guitarrista inglês PETER GREEN.
O exemplar aqui é inspirado em álbum lançado na década de 1960, chamado KING OF THE DELTA BLUES SINGERS, também pela COLUMBIA RECORDS.
Para mim, é o suficiente; e tem visual menos lúgubre. Porém, o que eu gostaria, mesmo, de poder pagar e ter, é a edição feita uns vinte anos atrás, em VINIL do tamanho original das edições de época, em 78 rotações!!!!
A edição é composta por “todos” os “vinis” originais encontrados. Foram acondicionados em CAIXA de MADEIRA, verdadeira obra prima, com BOOK expondo e explicando quem foi o negão, OOOPPSSS, o PRETÃO aí!!!! Mas, nem sonhar, tio SÉRGIO! não é pro teu bico!
Música e artes – e como tudo na vida -, são mais bem definidos por seu contexto. Na perspectiva de um ouvinte de JOHNSON, hoje, a sonoridade é rascante e básica. Então, voltar a ouvir foi, pra mim, penoso. Genuíno e raiz, sem dúvida.
Porém, a maioria de nós teve acesso a ele via a turma do ROCK. E ROBERT JOHNSON é inspiração principalmente para guitarristas. A versão ao vivo de CROSSROADS, feita pelo CREAM em 1967, é de longe a mais progressiva, pesada, verdadeira e expressiva da obra do VELHO MESTRE !
Quase todo guitarrista de BLUES/ROCK que se preze, abordou e tentou tocar a obra de JOHNSON. Aqui, álbum triplo de PETER GREEN e seu EXPLINTER GROUP, interpretando ROBERT. GREEN era guitarrista de alta inventividade e técnica. Mas cantor sem qualquer inspiração. Mesmo assim, é versão interessante de se possuir, ouvir e colecionar.
Em minha opinião, entre os ingleses é CLAPTON o mais afinado com a intenção de JOHNSON, seu jeito de cantar, e o uso da guitarra. Foi ERIC quem fez as melhores versões e arranjos a que tive acesso. Há um vídeo/documentário onde CLAPTON mostra poster de JOHNSON, e observa o tamanho dos dedos do negão, quando postos no braço da guitarra !
Impressionantes!
Corolário irreverente do TIO SÉRGIO: ainda bem que ROBERT JOHNSON foi músico, e não UROLOGISTA… Não consigo imaginar o estrago que o “DR” causaria em seus pacientes realizando um exames de próstata!
Melhor continuar ouvindo a música que ele compôs…
POSTAGEM ORIGINAL: 01\04\2022
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KEITH TIPPET & CENTIPEDE – SEPTOBER ENERGY – 1971 JAZZ AVANT GARDE + ROCK PROGRESSIVO + FUSION JAZZ

TENHO DUAS EDIÇÕES DIFERENTES: A “INGLESA” TEMCOM A CAPA BRANCA E AS LETRAS EM PRETO. É DERIVADA DO ORIGINAL DA R.C.A. E AS QUATRO PARTES DA OBRA ESTÃO EM ÚNICO CD.
A “EDIÇÃO AMERICANA” É COLORIDA, MAIS BONITA E ATRAENTE. SÃO DOIS CDS, COMO OS “LONG PLAYS” DUPLOS ORIGINAIS.
Conheço o disco faz décadas. É um CULT do COLECIONISMO para os que procuram jacarés nos pântanos da música. E tanto para a turma do ROCK PROGRESSIVO, quanto para o pessoal do JAZZ mais experimental, ou da FUSION.
O álbum é um ornitorrinco!
Imagine o seguinte: KEITH TIPPET é pianista, arranjador e compositor desta peça difícil, e muito complicada para ser gravada.
É obra cheia de sutilezas expressas ou requeridas, que junta uma orquestra com 50 músicos ( na verdade 55 ) – daí o nome “CENTIPEDE”, centopéia -, para executar as 4 partes que a compõe!
O quebra cabeças é imenso. Há vinte violinos, 7 cellos, 3 baterias, 6 baixos ( elétricos, ou não ), 1 guitarra, 1 piano e 4 vocalistas. E todos servem de suporte para 5 trompetes, 4 saxes altos, 4 tenores, 3 barítonos e 4 quatro trombones!!!! Que tal?
E, não para por aí!
O disco foi pensado em núcleos, por assim dizer; e é executado nos instrumentos de sopro por duplas, trios, quartetos, e quintetos de “solistas” !!! E todos procuram tocar em contraponto, ou em massa, suportados pela turma das cordas, que faz base harmônica em alguns momentos um pouco mais identificável e mais próxima do tradicional. Em outros, porém, gerando “pseudo anarquia”!
Captaram?
Seria FREE JAZZ?
Eu acho que não totalmente.
Mas vamos caminhar com “os ouvidos” um pouco além, e ver no que dá…
KEITH TIPPET é o pianista inglês de vanguarda, que em 1971 já havia participado em 3 discos do KING CRIMSON: “LIZARD”, “ISLAND” e “IN THE WAKE OF THE POSEIDON”. Ele consegue ser simultaneamente lírico e ousado. É um MESTRE DAS SUTILEZAS!
TIPPET para fazer o disco convocou amigos. Gente do SOFT MACHINE, DO KING CRIMSON, do IAN CARR & NUCLEUS, e outros luminares da linha de frente britânica da música contemporânea.
Se vocês clarificarem o tamanho da encrenca encontrarão lá:
Trompetes e corneta (?) com IAN CARR e MARK CHARING; saxes altos: ELTON DEAN, IAN McDONALD; tenor: ALAN SKIDMORE; barítono: KARL JENKINS; trombones: NICK EVANS, PAUL RUTHERFORD; bateristas: JOHN MARSHALL e ROBERT WYATT; baixos: ROY BABBINGTON, JEFF CLINE, DAVE MARKEE. Em resumo, a raiz, o caule e as folhas do novo JAZZ INGLÊS da época!
Nos vocais, e só para garantir anarquia, MIKE PATTO ( literalmente grasnando!!! ), ZOOT MONEY; e JULIE TIPPET, ex – JULIE DRISCOLL, conhecida e CULT cantora que participou com o tecladista BRIAN AUGER em vários discos legais no ” melting pot que abrange R&B, ROCK PROGRESSIVO, JAZZ, BLUES, e vasto enfim!!!
Pois, então: e para coordenar os trabalhos, produzir, organizar o caos possível e comprovável?
ROBERT FRIPP.
Mas, o FRIPP????!!!, TIO SÉRGIO?
Sim, escolha exata!
Ele retribuiu a TIPPET a participação nos discos do KING CRIMSON. É o cara certo para botar ordem, convencer e mandar. Tem um intelecto organizado, sabe deixar rolar, colocar, vírgulas, e mandar parar… E conhece as experimentações e vanguardas.
FRIPP é ousado e meticuloso. E conhecido como um déspota do bem: discute; mas, quando diz “não é não”!!!
Quanto ao disco em si, li que a ideia de KEITH TIPPET era “ROMPER FRONTEIRAS FEROZMENTE”; buscando no “momento executado” o “AGORA”; mas dentro de uma lógica que fugisse do “conforto” e das regras rígidas da “HIGH ART”!
Entenderam? Eu ainda estou tentando…
Talvez, como também está no livreto: “ele orientasse os riffs básicos do JAZZ – ROCK para sustentar estruturas mais “soltas”, mais próximas do FREE-JAZZ.” Ou, a ideia central quem sabe fosse captar a energia das BIG BANDS com a sensibilidade dos pequenos grupos!
Sacaram? Eu continuo desvendar e descontruir o quebra-cabeças!!!
Presumo, resumindo, que ele pretendesse deixar o time improvisar com liberdade, mas dentro da melhor técnica musical possível. Em alguns momentos, a turma da base também participa do forrobodó; em outros, a turma de frente volta-se à base harmônica. É bonito, e distinguível quando se ouve a obra com mais atenção…
Curiosamente, em alguns momentos tudo parece rompido ou consolidado por alguns riffs e solos de guitarra, feitos por BRIAN GODDING. Porque FRIPP não tocou uma linha sequer no disco!
Lembram-se do show do KING CRIMSON, no ROCK IN RIO?
FRIPP comandava a banda com a guitarra; mandava e desmandava; rompia o construído, ou deixava andar a seu comando. Vi semelhanças entre os dois gestos…
Quando o disco foi lançado, houve uma avalanche de críticas. A turma do ROCK, que o comprou por causa de ROBERT FRIPP, frustrou-se. Porque ele só produziu. A turma da VANGUARDA achou o disco não coeso, um monumento desencontrado…
Talvez merecesse uma remasterização com algum craque de estúdio contemporâneo. Fico imaginando STEVEN WILSON. Ou algum japonês meticuloso em atividade. Mas, quem sabe um alemão desses que fazem o trabalho espetacular com a BEAR FAMILY RECORDS!
Gente capaz de colocar as coisas no lugar, limpar excessos, realçar trechos esquecidos ou mal masterizados. Essas coisas complexas, que deixam audiófilos e ouvintes sofisticados de orelhas em riste!
TIO SÉRGIO aqui passou duas tardes escutando para ver se compreendia o que foi esboçado e feito… Comparei, observei, bebi…. depois, tomei a vacina contra a COVID e fui ouvir o disco de novo…
E de tanto pensar virei jacaré!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\04\2021
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VAINICA DOBLE – ÓPALO RECORDS – 1971

Dupla feminina espanhola de atuação inconstante, mas influência definidora no melhor POP ALTERNATIVO de lá.
VAINICA DOBLE significa “costura dupla”, metáfora bem apropriada para a belíssima HARMONIA VOCAL que “costuraram”. Elas cantam divinamente um “blend” de POP e FOLK PSICODÉLICO muito original, com retrogosto do melhor ROCK INTERNACIONAL da época.
CARMEM SANTOJA e GLORIA VAN AERSSEN possuem vozes lindas, educadas e cristalinas. E compõe de maneira criativa. É raro aparecer canções com melodias tão bonitas e bem construídas, do jeito as que duas fizeram! E, na época desse disco, já eram mulheres algo maduras. A banda que as acompanha é, também, ótima!
IAN ANDERSON, do JETHRO TULLl, falou certa vez que foi assistir a um show de SIMON & GARFUNKEL. E saiu convencido de que faria muito melhor. E fez!
Aconteceu o mesmo com as duas.
Assistindo a um festival qualquer na Espanha da era Franco, ficaram horrorizadas com nível dos artistas e seus repertórios. Resolveram compor; e fizeram melhor, muito melhor!
A dupla gravou outros discos, sempre na confluência FOLK-PSICODELIA e ROCK PROGRESSIVO.
Este aqui é, também, indicação nos livros de HEINZ POKORA, o caçador e restaurador do submundo desconhecido da música POP. O álbum original vale muitos mandacarus! – dólares, euros…
Procurem as moças na internet. Tio Sérgio recomenda bastante!
POSTAGEM ORIGINAL: 03\04\2019
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RICK ASTLEY: ARTISTA MENOR E MÚSICAS LEGAIS. BOA RAZÃO PARA GARIMPAR NO SEGUNDO E TERCEIRO TIME

Sei lá se aconteceu por volta de 1971, pouco antes ou algo depois. Por aqueles tempos, eu e meu “amigoirmão” SILVIO DEAN , ainda colecionávamos discos juntos. A história é a seguinte:
Em1967, éramos adolescentes e completamente duros. E decidimos comprar discos diferentes para saciar as respectivas curiosidades.
Ambos adorávamos ROCK, e mais ou menos na mesma direção. E se ele comprava os “SEARCHERS”, o “DAVE CLARK FIVE” e os “SWINGING BLUES JEANS”; eu procurava “TROGGS”, “TRAFFIC”, “STEVE MILLER BAND” e “PROCOL HARUM”… O SILVIO comprou o primeiro dos “DOORS”; e eu o DISRAELI GEARS do “CREAM”… E, às vezes, batíamos cabeça com os “YARDBIRDS”, e o “MANFRED MANN”, bandas que nós dois adorávamos e cada um comprou os seus…
Numa dessas e certo dia, olhamos para a coleção e reparamos que tínhamos um acervo pouco variado… Muita coisa dos mesmos artistas… Então, o que fazer?
O negócio era ampliar, mas gostos e preferências aos poucos deambulavam por caminhos diferentes. Ainda assim, fomos “together” por mais algum tempo, abastecendo a discoteca.
Quando separamos os acervos, continuamos a frequentar as lojas, e a trocar/emprestar os discos entre nós, o que fazemos até hoje.
Mas TIO SÉRGIO, por que você fez esse “prolegômeno” para resenhar um disco do RICK ASTLEY?
É porque nenhuma discoteca, biblioteca, ou quaisquer coleções se mantêm apenas com artistas, propostas ou estrelas de primeiro time. E, garimpar no SEGUNDO e o TERCEIRO NÍVEL. é fundamental.
Artistas menores formam a imensa maioria, e produzem incontável variedade, e também fazem bons discos. São eles que irrigam o mercado com novidades. Preservam, e muito, o lado lúdico e a continuidade do HOBBY. Alternativas renovam o gosto e o prazer, ao longo do tempo.
“RICK ASTLEY” é a cara do meu amigo, o quase DECANO do ROCK NACIONAL, “TONY CAMPELLO”! Foi cantor de sucesso. Faz parte de uma geração “NEM-NEM-NEM”: nem SOUL, nem DISCO, nem R&B.
Ele está longe de ser um “JOE COCKER”; ou um “TOM JONES” – mesmo tendo alguns trejeitos do MACHO ALFA “number one” da música popular inglesa… E também não tem o talento quase específico de “MICK HUCKNALL”, ou o charme para o SOUL e o R&B de “SEAL”.
No entanto, “RICK” é artista eficiente, com uns 40 milhões de discos vendidos, e músicas que até hoje orbitam as RÁDIOS FM: “NEVER GONNA GIVE YOU UP” escalou as paradas mundiais, em 1987. E o mesmo aconteceu com “TOGETHER FOREVER” e “HOLD ME IN YOUR ARMS”. Depois da fase áurea, tentou novas fórmulas, como seus contemporâneos. Não rolou muito…
Então, por que eu comprei essa coletânea com dois discos?
Em primeiro lugar, o preço. Chegou às portas do TIO SÉRGIO por $ 10 BIDENS, uns R$ 50,00 MANDACARÚS, incluído frete, impostos, etc…
Quando se faz um pequeno mergulho na obra de RICK ASTLEY, o primeiro diagnóstico é colocá-lo no TERCEIRO TIME.
No primeiro CD estão os HITS, e por aí. O segundo, é a tentativa dele posicionar-se em um mercado para gente mais madura – os seus fãs originais, claro. Gravou alguns clássicos de décadas passadas; e coisas e versões algo insossas dele mesmo…
O segundo motivo, eu confesso, é que desde os tempos da CITY RECORDS, uma das lojas de CDS que tive, quando escutava “CRY FOR HELP”, sucesso de ASTELY em 1991, pensava com as minhas latinhas de cerveja:
Essa música é linda! ele canta bem; o arranjo é bem equilibrado; e as meninas do “backing vocal” GOSPEL são perfeitas. Mas não tem a pegada necessária. Está faltando BAIXO! Principalmente na BRIDGE final, quando entra a bateria. E um ataque mais incisivo seria o grande diferencial para se tornar um clássico POP. Tá; a tia CAROL KAYE não participou das gravações…
Com o tempo, eu ouvi o “BLUR” na magnífica TENDER; um GOSPEL de arranjo pesado, e se acentuando à medida em que a música progride. Pensei: é isso que faltou ao ASTLEY!
Hoje, escutei atentamente “CRY FOR HELP” algumas vezes. E amenizo um pouco minha opinião inicial. No todo, a música funciona… Mas, poderia ter sido um clássico se tivesse havido luta mais aberta contra o “RAQUITISMO POP” habitual, forjado pelos produtores.
Ah, o meu amigo “SÉRGIO” CAMPELLO era muito mais bonito do que o RICK ASTLEY. E virou TONY, porque parecido com o ator TONY CURTIS!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\03\2024
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“NIGHT OF THE GUITAR” e ALGUNS PARTICIPANTES, EXEMPLO DE COMO SE FAZIA ROCK NA DÉCADA DE 1970.

Estão todos ali?
Não; claro que não!
PETE HAYCOCK, exímio guitarrista da CLIMAX BLUES BAND, contou: “Convidamos o RORY GALLAGHER, mas ele não tinha espaço na agenda”.
É correto dizer que a foto da postagem não reflete exatamente quem atuou. Expandi, inovei um tanto, para fazer um molho mais consistente do que o álbum original, também postado. Mas ilustra o que vi.
O “NIGHT OF THE GUITAR” foi um projeto amplo e itinerante, que abrangeu um monte de craques famosos, com exceção de JEFF BECK, ERIC CLAPTON e JIMMY PAGE – e do próprio RORY GALLAGHER.
Estiveram lá ALVIN LEE, LESLIE WEST, STEVE HOWE, ROBBY KRIEGER, ANDY POWELL, TED TURNER, PETE HAYCOCK, STEVE HUNTER, RANDY CALIFORNIA, JAN AKERMAN, e outros. Todos foram ou vieram nas várias turnês, que rolaram por uns dois anos. De tudo isso, lançaram o LONG PLAY duplo do mesmo nome e este CD na foto.
O disco foi produzido por MARTIN TURNER, baixista do WISHBONE ASH que, ao vivo, é um show à parte!
O cerne da escolha do elenco foi a turma fora do “NWOBHM”, acrônimo para “NEW WAVE OF BRITISH HEAVY METAL”. Ou seja, os convidados fizeram sucesso antes do IRON MAIDEN ou do VAN HALEN – este é americano, claro. É, também, elenco bem anterior aos ultra ensaiados e técnicos “ATLETAS da GUITARRA”, na linha de VAI, SATRIANI e MALMSTEEN…
Resumindo: juntou a turma do “HARD – BLUES – ROCK” e do PROGRESSIVO. Ícones nos anos 1960, 1970, e parte dos 1980. Muito legal! Gente memorável!
Uma “perna da turnê” passou pelo Brasil, em 1988/89, acho.
Eu assisti aos SHOWS com amigos, entre eles o @Edison Batistella Jr, o JUNINHO, amigão há décadas. Vimos o WISHBONE ASH, que veio com a formação clássica original – não a que está na foto. Assistimos ao LESLIE WEST; e, também, ao JAN AKERMAN – guitarrista do FOCUS. Shows inesquecíveis!
Aconteceu no falecido PROJETO SP, que era uma “tenda-teatro” (se bem me recordo), no bairro da Barra Funda, aqui em SAMPA. Havia um bar por lá, e umas trezentas pessoas no auditório.
Foi delirante! Principalmente a performance do “ASH”, craques consagrados e entrosadíssimos!
No dia anterior ao show, fui lá comprar ingressos e dei de cara com o LESLIE WEST; risonho, baixinho e imensamente gordo: um “botijão de gás peripatético”.
No palco, ele é um Ogro gritalhão que toca muito, e põe todo mundo para pular. Único!
AKERMAN fez performance mais contida. Algo entre o PROGRESSIVO e a FUSION. Um tanto fora do clima esperado, mas em nível do grande “guitar player” que sempre foi.
Recomendo o álbum, principalmente a edição em vinil duplo, que é mais completa, e onde há JAM SESSION capitaneada por ALVIN LEE, com quase todos os participantes. É bem difícil de achar pelaí, infelizmente.
Estar velho tem suas vantagens!
Estive lá, e com muito prazer!
POSTAGEM REVISTA: 30\03\2026
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