“LUCY IN THE SKY” – FILME DE NOAH HAWLEY, COM “NATALIE PORTMAN” & JON HAMM, 2021 E A DISCOGRAFIA PERTINENTE: DAVID BOWIE, BEATLES E RIHANNA

LUCY COLA é astronauta. E isto significa disciplina, inteligência acima do normal, determinação, autocontrole e coragem. E mais um acúmulo estruturado de informações, conhecimentos científicos e tecnológicos. E tudo para “sair da TERRA”!
Eis a tórrida e definitiva observação de “MAJOR TOM” , o astronauta depressivo. Personagem criado por DAVID BOWIE, em seu primeiro clássico, “SPACE ODDITY,” gravado em 1969: “THE PLANET EARTH IS BLUE, AND THERE’S NOTHING I CAN DO!”. Diz o “MAJOR” para o Controle de Terra.
Não,😒 queridões, queridonas, e queridexes, TIO SÉRGIO não vai traduzir…
Assistam a este filme. É inquietante, inteligente e filosoficamente demolidor, como deveria ser – concordo eu, um agnóstico relutante, mesmo rezando todas as noites…
A questão é: será que um ser humano treinado, recheado de lógica e álgebra; e condicionado a responder com a eficácia de um robô às circunstâncias que humanos não conseguiriam, se deveria esperar respostas e decisões excepcionais?
Definitivamente, talvez;
Oi, pessoal, apresento-lhes uma “NATALIE PORTMAN” em grande performance interpretativa. Ela e o elenco adequado e afiado.
Pois, bem; LUCY fez viagem espacial. É da elite da NASA, e ficou encantada com o que viu lá de cima… Mas retorna à sua vida aqui na terra; tem marido e filha, e dá de cara com o cotidiano.
Não foi um choque óbvio, mediano, trivial. E, sim, uma verdadeira desconstrução do “EU”. As perguntas e possíveis respostas se transportaram para dentro – e não para fora dela, como “LUCY” esperaria…
Afinal, aquela “dimensão incomensurável”, que todos observamos daqui da Terra, repleta de luzes de estrelas emitidas milhões, sei lá, bilhões de anos atrás; e talvez provindas de corpos que não existam mais, não são assimiláveis e, menos ainda, traduzíveis às dimensões humanas. Mesmo para uma superdotada como ela.
Pessoas vivem até 70/90 anos, se superestimamos o prazo para o “countdown” rumo à extinção de cada um de nós… É muito pouco frente ao Universo!
Resumindo, como lidar com o vazio imenso e a nossa insignificância em relação ao “INFINITO”? Foi o que LUCY sentiu.
Então, como e por que estar metido nisso, se todos somos segmentos de retas; frutos, em geral, da ejaculação de um homem em uma mulher, num momento de prazer – ou não? Vamos viver tão pouco e ser interrompidos…
Em viagens rumo ao desconhecido, se encontrará “nada” por distâncias que podem ultrapassar vidas e vidas? Centenas, milhares de anos… para chegar a … algo.
Devemos concordar: com a tecnologia disponível, nos defrontar com isto é um monumento à frustração. E nem a expectativa de ser filho de um DEUS criador, e mitigador de sofrimentos, está no aprendizado de um astronauta!
Então, como aguentar o retorno para dentro de si mesmo?
LUCY COLA pirou porque precisava, no mínimo, identificar um propósito para perceber-se “gente”. E tentou. Mas, isso deixo para vocês concluírem, quando assistirem ao filme.
O médico da famosa série “Dr. HOUSE”, em rara discussão com uma paciente, ouve dela que “Se Deus não existe, a vida não faz sentido”. E responde: “A vida não faz sentido se não tiver um propósito”! E é aí que os problemas começam.
De BOWIE voltamos aos BEATLES, 1967.
“LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS” é um clássico alternativo e cult do ROCK. A letra é totalmente lisérgica e surrealista. Melodia e harmonia são ricas e bem trabalhadas.
Mas a viagem interior através das drogas também contempla a mente expandida em direção ao Universo. Os diamantes, metáforas para estrelas, refletem a imaginação sobre algo parcialmente visível, mas de grandeza e riquezas inimagináveis.
Estão aí os telescópios, as novas tecnologias e as descobertas assombrando crédulos e agnósticos; céticos e nefelibatas.
A viagem que faz RIHANNA é terrena, palpável, enamorada, e mostra um bom propósito para continuar vivo: amar. Mesmo que o eterno seja breve.
Em DIAMONDS, 2012, seu clássico POP instantâneo, ela identifica a pessoa que está com ELA como “BEAUTIFUL LIKE DIAMONDS IN THE SKY. A música belíssima foi produzida por “STARGATE”. Aliás, nome mais significativo é difícil de imaginar… Através de RIHANNA, eu compreendi melhor os BEATLES…
Pois, é! A viagem de LUCY COLA refletiu a inquietação de DAVID BOWIE, a ousadia de JOHN LENNON, e o romantismo de RIHANNA.
E, também, a imaginação de bilhões de terráqueos – e talvez de habitantes de outras galáxias.
Mas…
POSTAGEM ORIGINAL: 06\05\2023
Pode ser uma arte pop de 2 pessoas, botão e texto

UM PROJETO FRUSTRADO DE VAGABUNDO: EU!

Minha pré-adolescência foi um fracasso. Foi muito ruim.
Pois é, saí da antiga “QUINTA SÉRIE”, em 1963, e fui para o “GINÁSIO”; sei lá como se chama, hoje? Segundo grau?
Escola pública de bom nível, o “RUI BLOEN”, com trema no O, continua instalado há quase 70 anos no bairro do Planalto Paulista, em São Paulo.
Vivi horror escatológico! Eu era criança um tanto imatura. Muito preso, morei uns 4 anos com meus tios e tias durante o ensino primário, por superproteção de meus pais que moravam “longe” em, hoje, bairro muito bom de classe média e próximo ao Aeroporto de Congonhas.
Morar com os tios não foi ruim, não! Solitário, eu gostava meio sem muita noção de ler. Mas, era reprimido; não tinha amigos, não socializava, não tinha conflitos com a garotada, portanto não amadureci com as devidas cautelas e defesas.
Meu amigo era o BETÃO, primo coetâneo, de quem fui próximo a vida inteira, até a morte dele. Tenho saudades irrecorríveis…
Vou contar um pouco
Eu gostava de jogar “botão”. Um sucedâneo caseiro do futebol de rua que eu não praticava. Fui bom no jogo. Fiz esforços enormes para montar times, sei lá como…
Dinheiro não havia. Mesadas? Quá!!! nem as literais; meus pais eram ponderados…, mesmo que o Seo Fernando, com sua voz de Baixo barítono, bonita, extensa e forte, colocasse ordem na casa pelo terror que não praticava. Jamais apanhei do velho; e raramente levei merecidas palmadas de dona Helena – opa! minha mãe.
Pois bem, no ginásio eu ia bem em português, história geografia…, Educação física? Como? Eu não sabia jogar futebol. Sempre o foco das aulas.
Meu horror e cadafalso foi a matemática. Eu simplesmente não entendia e não sabia como aprender. Minha falta de noção era tanta que acabei levando pau na primeira série.
Naquele tempo, ser reprovado em qualquer matéria te condenava a repetir novamente a série inteira. Um crime contra qualquer motivação e autoestima do aluno, que perdia os colegas promovidos para outra classe, outros desafios.
Para mim, foi uma desgraça e vexame demolidores…
Enfrentei a repetência. Consegui passar de ano, e fui para a segunda série; e quase fui reprovado novamente.
Junto com a escola eu jogava botão com alguns amigos, e passei a cabular aulas. Eu e outros projetos de vagabundos fugíamos da escola, íamos para a casa de um deles, o Cury, e passávamos a tarde jogando….
E aconteceu o inevitável. Fiquei para a chamada segunda época! Foi aí que minha vocação marginal começou a ser desmontada.
Quando os meus pais examinaram a minha caderneta de notas, perto do final do ano de 1966, houve uma explosão nuclear a céu aberto em minha casa!!! Hiroshima foi brincadeira perto do que eu tive de enfrentar. Houve um complô contra, digamos, o meu desempenho. Fui intimado a passar de ano nem que fosse a última coisa que fizesse vivo…
Fui colocado em quarentena durante as férias de fim de ano,
janeiro e fevereiro – antes era assim: 2 meses. Arranjaram uma professora particular que inculcou em mim o básico em matemática, tive aprender na marra, quase a tapa. Passei de ano.
E meu prêmio?
Fui retirado da escola diurna e fui estudar à noite e trabalhar. E com a incumbência e ameaça de não fazer besteira. Fiquei sob intervenção “Federal”.
Eu mal havia completado 14 anos e nova revolução estrutural baixou em minha vida. E foi aí que fracassou o projeto de eu me tornar um vagabundo.
E ainda bem! Mas, em lugar do botão, entrou o futebol…
Aí é outra história…
Para complementar, vai aqui sugestão de trilha sonora. Afinal, um pouco depois, ou algo antes, era mais ou menos isso que o futuro TIO SÉRGIO gostava.

JORGE LUIS BORGES E O UNIVERSO CONCENTRADO EM “EL ALEPH” 

TENHO PENSADO BASTANTE, SOBRE QUAL SERIA O PRESENTE DEFINTIVO PARA QUAISQUER DE MEUS AMIGOS, PRINCIPALMENTE OS QUE GOSTAM DE PENSAR, ESPECULAR, PERSCRUTAR?
PESSOAL, SE EU PUDESSE LHES DARIA “EL ALEPH”: AQUELE PONTO NO VÉRTICE DO TETO DO QUARTO, ONDE O ESCRITOR ARGENTINO E GÊNIO DA LITERATURA, “JORGE LUIS BORGES”, “IDENTIFICOU” O LUGAR ONDE ACONTECIMENTOS, HIPÓTESES, SABEDORIAS E IDEIAS; O PRESENTE, O PASSADO E O FUTURO ESTARIAM CONCENTRADOS, E PODERIAM SER VISTOS POR QUEM OS ACESSASSE.
PROCUREM LER ESSE CONTO ESPETACULAR E CURTO; REALISMO MÁGICO DA MELHOR QUALIDADE; PLENO DE IMAGINAÇÃO E VIAGENS MENTAIS. É OBRA DE CONCISÃO E BELEZA ABSOLUTAS!
POIS, É! FALARAM MUITO MAL DO VELHO BORGES. FOI ACUSADO DE APOIAR A DITADURA ARGENTINA DOS ANOS 1970.
É VERDADE. MAS APOIOU A INTERVENÇÃO DA MESMA FORMA QUE MUITA GENTE BOA APOIOU A DITADURA BRASILEIRA, AMBAS CONTEMPORÂNEAS.
BORGES NÃO ERA UM OGRO REACIONÁRIO E VIOLENTO. APENAS LAMENTAVA NO QUE A ARGENTINA, PAÍS PUJANTE, DESENVOLVIDO E CULTO, ESTAVA PROGRSSIVAMENTE SE TORNANDO; UM PAISECO DE TERCEIRO MUNDO, GOVERNADO POR POPULISTAS INCOMPETENTES E INCONSEQUENTES – NO CASO, OS PERONISTAS E SUCESSORES…
CLARO, BORGES, E MUITOS EM DESESPERO, APOSTARAM EM OUTRO CAVALO ERRADO. O FATO É QUE, SOB DITADURA OU NÃO, LOS HERMANOS MANTÊM-SE EM SUCESSIVAS CRISES; AGRURAS E AMARGURAS PERENES.
PORÉM, REGIMES AUTORITÁRIOS SÓ PIORAM AS COISAS: DESMONTAM AS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS, QUE DEPOIS DEMORAM DÉCADAS PARA SEREM RESTAURADAS.
“JORGE LUIS BORGES” JAMAIS COMPACTUOU COM A REPRESSÃO E A TORTURA. A ENTREVISTA EM QUE ELE DEU, DIGAMOS, AS BOAS VINDAS À “REAÇÃO”, É EIVADA POR SAUDOSISMOS E VERGONHAS. EU LI.
O VELHO BORGES ERA UM CONSERVADOR ALGO ARISTOCRÁTICO E NEFELIBATA, E SÓ NÃO GANHOU O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA POR CAUSA DO APOIO AOS MILITARES.
EM MINHA OPINIÃO, O VELHO FOI TRATADO COM RIGOR EXCESSIVO POR CAUSA DAQUELAS DECLARAÇÕES INTERPRETADAS COMO DESASTROSAS. AINDA ASSIM, ELE É PATRIMÔNIO CULTURAL DA AMÉRICA LATINA E DE TODA A HUMANIDADE.
E, VAMOS FALAR SÉRIO: ELE TINHA RAZÃO NO DIAGNÓSTICO. A ARGENTINA É CASO ÚNICO DE PAÍS QUE TRANSITOU DO PRIMEIRO PARA O TERCEIRO MUNDO. UM FEITO DELETÉRIO INÉDITO. NA REVISÃO DESSE TEXTO, AGORA EM ABRIL.DE 2026, A DECADÊNCIA E OS MESMOS PROBLEMAS PERMANECEM PIORADOS…
HOJE, “EL ALEPH” PODE SER METAFORICAMENTE IDENTIFICADO COM OS COMPUTADORES QUE POSSUÍMOS: ATALHOS E SÍNTESES PARA MUNDOS. ENTÃO, DESEJO A TODOS QUE ABRAM A CABEÇA E LEIAM UM “BORGES DE BOA CEPA”, ACOMPANHADO POR UM VINHO ARGENTINO.
PODE SER NA TELA DE UM TABLET…
POSTAGEM ORIGINAL: 03\05\2014

JORGE LUIS BORGES E O UNIVERSO CONCENTRADO EM “EL ALEPH” – E “DISCOGRAFIA ESVOAÇANTE” INDICADA

TENHO PENSADO BASTANTE, SOBRE QUAL SERIA O PRESENTE DEFINTIVO PARA QUAISQUER DE MEUS AMIGOS, PRINCIPALMENTE OS QUE GOSTAM DE PENSAR, ESPECULAR, PERSCRUTAR?
PESSOAL, SE EU PUDESSE LHES DARIA “EL ALEPH”: AQUELE PONTO NO VÉRTICE DO TETO DO QUARTO, ONDE O ESCRITOR ARGENTINO E GÊNIO DA LITERATURA, “JORGE LUIS BORGES”, “IDENTIFICOU” O LUGAR ONDE ACONTECIMENTOS, HIPÓTESES, SABEDORIAS E IDEIAS; O PRESENTE, O PASSADO E O FUTURO ESTARIAM CONCENTRADOS, E PODERIAM SER VISTOS POR QUEM OS ACESSASSE.
PROCUREM LER ESSE CONTO ESPETACULAR E CURTO; REALISMO MÁGICO DA MELHOR QUALIDADE; PLENO DE IMAGINAÇÃO E VIAGENS MENTAIS. É OBRA DE CONCISÃO E BELEZA ABSOLUTAS!
POIS, É! FALARAM MUITO MAL DO VELHO BORGES. FOI ACUSADO DE APOIAR A DITADURA ARGENTINA DOS ANOS 1970.
É VERDADE. MAS APOIOU A INTERVENÇÃO DA MESMA FORMA QUE MUITA GENTE BOA APOIOU A DITADURA BRASILEIRA, AMBAS CONTEMPORÂNEAS.
BORGES NÃO ERA UM OGRO REACIONÁRIO E VIOLENTO. APENAS LAMENTAVA NO QUE A ARGENTINA, PAÍS PUJANTE, DESENVOLVIDO E CULTO, ESTAVA PROGRSSIVAMENTE SE TORNANDO; UM PAISECO DE TERCEIRO MUNDO, GOVERNADO POR POPULISTAS INCOMPETENTES E INCONSEQUENTES – NO CASO, OS PERONISTAS E SUCESSORES…
CLARO, BORGES, E MUITOS EM DESESPERO, APOSTARAM EM OUTRO CAVALO ERRADO. O FATO É QUE, SOB DITADURA OU NÃO, LOS HERMANOS MANTÊM-SE EM SUCESSIVAS CRISES; AGRURAS E AMARGURAS PERENES.
PORÉM, REGIMES AUTORITÁRIOS SÓ PIORAM AS COISAS: DESMONTAM AS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS, QUE DEPOIS DEMORAM DÉCADAS PARA SEREM RESTAURADAS.
“JORGE LUIS BORGES” JAMAIS COMPACTUOU COM A REPRESSÃO E A TORTURA. A ENTREVISTA EM QUE ELE DEU, DIGAMOS, AS BOAS VINDAS À “REAÇÃO”, É EIVADA POR SAUDOSISMOS E VERGONHAS. EU LI.
O VELHO BORGES ERA UM CONSERVADOR ALGO ARISTOCRÁTICO E NEFELIBATA, E SÓ NÃO GANHOU O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA POR CAUSA DO APOIO AOS MILITARES.
EM MINHA OPINIÃO, O VELHO FOI TRATADO COM RIGOR EXCESSIVO POR CAUSA DAQUELAS DECLARAÇÕES INTERPRETADAS COMO DESASTROSAS. AINDA ASSIM, ELE É PATRIMÔNIO CULTURAL DA AMÉRICA LATINA E DE TODA A HUMANIDADE.
E, VAMOS FALAR SÉRIO: ELE TINHA RAZÃO NO DIAGNÓSTICO. A ARGENTINA É CASO ÚNICO DE PAÍS QUE TRANSITOU DO PRIMEIRO PARA O TERCEIRO MUNDO. UM FEITO DELETÉRIO INÉDITO. NA REVISÃO DESSE TEXTO, AGORA EM ABRIL.DE 2026, A DECADÊNCIA E OS MESMOS PROBLEMAS PERMANECEM PIORADOS…
HOJE, “EL ALEPH” PODE SER METAFORICAMENTE IDENTIFICADO COM OS COMPUTADORES QUE POSSUÍMOS: ATALHOS E SÍNTESES PARA MUNDOS. ENTÃO, DESEJO A TODOS QUE ABRAM A CABEÇA E LEIAM UM “BORGES DE BOA CEPA”, ACOMPANHADO POR UM VINHO ARGENTINO.
PODE SER NA TELA DE UM TABLET…
AHH, SOBRE OS DISCOS ABAIXO, DIREI NADA. IMAGINEM VOCÊS.
POSTAGEM ORIGINAL: 03\05\2026

THELONIOUS SPHERE MONK

O nome já revela o CARISMA. Afinal, alguém se chamava como ele?
Pianista genial, TOCAVA CONTROLANDO O SILÊNCIO, e INSTILANDO GOTAS DE NOTAS e ACORDES NO DECORRER DA MÚSICA.
Escutar o seu DISCO CLÁSSICO com SONNY ROLLINS é perceber um SAX DE FRASEADO CURTO E CONTINUADO, PONTUADO POR NOTAS ENCAIXADAS PELO PIANO DE MONK NA HARMONIA.
THELONIOUS MONK criou jeito de tocar NÃO REPETIDO ATÉ HOJE. Passou por GRAVADORAS CULT como “BLUE NOTE”, “PRESTIGE” “COLUMBIA”. E seus discos vão do INSTIGANTE ao INIGUALÁVEL.
Conhecer THELONIOUS MONK, é mais do que OBRIGATÓRIO. É MANDATÓRIO!
THELONIOUS SPHERE MONK é de tal forma seminal que merece postagem maior e mais bem estudada, abrangendo outras fases em outras gravadoras, etc… Mas não hoje.
Porém, SPHERE (Sim, é também parte do nome dele!!) tem características que ressaltam. MONK é grande operador do SILÊNCIO como integrante da música. Seu fraseado é curto e “duro”. O piano é tocado quase nota por nota, com certa agressividade e força. Emite sons sempre mais altos do que se espera da maioria dos jazzistas.
Eu acho THELONIOUS nada sutil. Ele toca usando muita dissonância e de maneira totalmente pessoal. É um GÊNIO da música; estilista moderníssimo. Tudo fica perceptível nas gravações solo. E bastante evidenciado em sua fase na COLUMBIA RECORDS, (1962/1968), onde estúdio, captação, mixagem e masterização, tudo… é de alto nível técnico e artístico, como sempre a hoje SONY MUSIC fez e faz.
Não viva sem ele.
POSTAGEM ORIGINAL: 23\04\2027
Nenhuma descrição de foto disponível.

THELONIOUS MONK, ALFRED BRENDEL E JOÃO DONATO, PIANISTAS: PONTOS DE CONFLUÊNCIA

SAUDAÇÕES COTOVELARES! Por causa da pandemia:
Não tenho medo de voar. Seja por avião ou pensamentos; ou especulações em cima de assuntos que aprecio e suponho saber um pouco.
Dia desses, eu estava selecionando discos aprisionados em minha discoteca de música brasileira. Passei pente grosso em um cipoal de coisas que, suponho, estavam deslocadas do foco de meus interesses. Separei uns 40 para vender, trocar… sei lá!
Eu não lembrava bem de JOÃO DONATO e o porquê de sua importância e fama rediviva, aqui e lá fora. Escutei discos e gostei. Mesmo quando pré-Bossa Nova, onde ele mistura música latina – boleros – com música brasileira em seu piano excelente, mas ainda não tão pessoal.
TOM JOBIM começou carreira na gravadora ODEON selecionando repertório para “CHÁ DANÇANTE, o disco de JOÃO DONATO, de 1956. Miscelânea de coisas dançáveis, lounge, comerciais e belas.
O DONATO que mais nos importa começa em 1958, quando gravou duas músicas de JOÃO GILBERTO: MINHA SAUDADE e MAMBINHO. Depois, excursionou com ele pela Europa.
JOÃO DONATO foi para os EUA em 1959, e pertenceu às orquestras de MONGO SANTAMARIA e TITO PUENTE… onde refinou o seu repertório latino. Em 1963, já em plena BOSSA NOVA, instalou-se de vez na AMÉRICA e ficou por lá gravando com NELSON RIDDLE, HERBIE MANN, CHET BAKER… artistas consagrados. Ele foi pianista requisitado. Merecidamente!
Quando retornou ao Brasil, em 1973, já havia consolidado seu estilo sincopado de tocar piano; as frases curtas que estancam repentinamente. Ele trabalha muito com o ritmo; e tem o SILÊNCIO como parte estrutural da música – compreensão importante para músicos de alta classe…
Este é o JOÃO DONATO – um péssimo cantor – que ressuscitou para as novas gerações, e é “sampleado” de montão. Ouçam os discos LEILÍADAS, 1986; e QUEM É QUEM, 1973; onde os diferenciais estão nítidos.
THELONIOUS MONK é de tal forma seminal que merece postagem única e mais bem estudada. Mas hoje, não.
Porém, SPHERE (Sim, é também parte do nome dele!!) tem características que ressaltam. MONK é outro grande operador do SILÊNCIO como integrante da música. Seu fraseado é curto e “duro”. O piano tocado quase nota por nota, com certa agressividade e força, emite sons sempre mais altos do que se espera da maioria dos jazzistas.
Eu acho THELONIOUS nada sutil. Ele toca usando muita dissonância e de maneira totalmente pessoal. É um GÊNIO da música; e um estilista moderníssimo. Tudo fica bastante perceptível nas faixas solo. E muito evidente em sua fase na COLUMBIA RECORDS, (1962/1968), onde as gravações são de alto nível técnico e artístico, como sempre a hoje SONY MUSIC fez e faz.
ALFRED BRENDEL é austríaco e ainda vivo. Está entre os grandes pianistas de música clássica dos anos 1950 em diante. Um virtuose superdotado de obra extensa e importante. Ele é especialista em MOZART e SCHUBERT, e referência em BEETHOVEN.
Está suficiente, você não acha?
VON KARAJAN gravou três vezes o ciclo completo para PIANO e ORQUESTRA da obra de BEETHOVEN. BRENDEL fez quatro vezes o mesmo ciclo! E três vezes a integral das 32 sonatas compostas pelo gênio!!!! Ele teve imaginação, empenho e determinação como poucos!
Curiosamente, ALFRED BRENDEL pertence à escola dos pianistas que procuram executar a música de acordo com as indicações e partituras originais do compositor. Ele defende que obras magistrais são de inesgotável densidade. Por isso, comportam infinitas leituras por cada um, ou por vários artistas – e não se esgotarão jamais! A HISTÓRIA lhe dá razão!!!!
BRENDEL é um intelectual, professor e pesquisador incansável, com vários livros publicados!!! Está aposentado das salas de concerto. Tem 94 anos, em 2025.
Ele é um estilista, e seu dedilhar é perfeito. A gente escuta nota por nota, em tempo e ritmo precisos; ele não usa muito os efeitos dos pedais. Tudo isso o ajuda a construir e controlar o SILÊNCIO e as pausas, entendidos como recursos musicais.
ALFRED BRENDEL faz uso massivo e denso de acordes nos registros baixos. E sua interpretação vai do barulho desconcertante à suavidade extrema. E sempre com pertinência, e elegância elevada. É um intérprete exímio e pianista de técnica apuradíssima.
Aliás, é o meu pianista predileto!
Mas TIO SÉRGIO, o que te trouxe à pretensão e arrogância de escrever sobre três músicos tão excepcionais e diferentes entre si?
Talvez a minha percepção seja incompleta e simplista. Mas vejo em DONATO, THELONIOUS e BRENDEL o domínio do SILÊNCIO e das PAUSAS como parte integrante e ativa da concepção e da execução musical. Porque sempre parte das composições, interpretações e, claro, execuções das obras!
Mal comparando, se os três jogassem futebol pertenceriam àquela estirpe de craques que sabem jogar sem a bola; e dominam o espaço, o tempo, e se deslocam magicamente pelo campo.
No caso desse trio, a música e a “não música” se complementam integradamente.
TALVEZ?
POSTAGEM ORIGINAL: 02\05\2021
Nenhuma descrição de foto disponível.

CELLY E TONY CAMPELLO, E O DILEMA DE ESTAR ENTRE DUAS GERAÇÕES

Noite incerta, quase madrugada, assisti “BROTO LEGAL” , filme que expõe o período de nascimento e a quase glória da primeira fase do ROCK BRASILEIRO.
TIO SÉRGIO, que é um chato recorrente, observa que faltou ao roteiro alguma sofisticação sociológica e questionamentos pertinentes, mesmo que não estridentes ou militantes.
Reviver aqueles tempos incentiva ao “viajante” reflexões mais amplas.
E eu vou tentar.
CELLY CAMPELLO, cantora talentosa, voz delicada, dicção perfeita e clara, foi o BROTO LEGAL entre 1958 e 1962. Era a imagem da menina jovial, “virginal” e de família – mas recatada na medida certa. O SIGNO de um tempo que rumava célere para a extinção…
TONY CAMPELLO, seu irmão e coadjuvante também talentoso, cantava em bailes na região de TAUBATÉ, no Estado de São Paulo.
Em 1956, mudou-se para SAMPA, a capital. Foi trabalhar no SESC, o antídoto encontrado pelos pais tentando evitar que ele enveredasse em vida desregrada… Porém, com as noites vagas descolou jeito de continuar cantando.
Nessas, TONY cruzou com o grupo de MARIO GENARI FILHO; músico, produtor, e talvez o primeiro a tentar introduzir no BRASIL o ROCK AND ROLL- sucesso da hora, na AMÉRICA.
GENARI convidou o TONY para cantar em um 78 RPM, que pretendia lançar pela ODEON. CAMPELO gravou o lado A. Mas para o lado B, o ideal seria uma cantora. Testaram esquecida veterana – eu não sei quem. Quase rolou… @quase.
Foi quando TONY sugeriu a irmã, CELLY, de 15 anos! E já apresentando programa na rádio CACIQUE de TAUBATÉ, e causando pequeno agito regional!
CELLY deu conta do recado muito além do que esperavam! E TONY convenceu o relutante pessoal da ODEON a gravar versão de um HIT mundial da cantora CONNIE FRANCIS: e “ESTÚPIDO CUPIDO” foi explosão instantânea!
CELLY virou sucesso arrasador, em 1958. Excursionou pelo BRASIL; e gravou e vendeu discos até 1962, quando desistiu da carreira para casar-se com o namorado de adolescência, JOSÉ EDWARD CHACON. Ela tinha 20 anos, gravou mais alguns discos, até 1965. E saiu de cena.
No início da década de 1970, houve certo “REVIVAL” com a novela “ESTUPIDO CUPIDO”. Mas CELLY não voltou a desenvolver carreira. Ela e o marido permaneceram casados até a morte dela, em 2003.
Entre os CDs na postagem, está um CD DUPLO dedicado aos dois, que faz parte da COLEÇÃO BIS, da gravadora EMI – que relançou, em, 2000, coletâneas da turma da JOVEM GUARDA. Mas, todos os CDS foram mal concebidos, e não trazem quaisquer informações sobre artistas e obras.
No repertório, estão 28 músicas, em qualidade técnica aceitável. Porém, CELLY mereceria algo feito pela BEAR FAMILLY RECORDS, especialista no POP/ROCK dos 1950/60. Certamente, os alemães dariam tratamento adequado tanto às músicas, quanto na parte gráfica e textos.
CELLY CAMPELLO foi a primeira TEEN IDOL brasileira. Era contemporânea de outra teenager, também baixinha e superdotada: BRENDA LEE, que forjou carreira de imenso sucesso, saindo do POP indo para o COUNTRY e até o GOSPEL; e continua viva… Postei aqui.
Sem dúvidas, CELLY CAMPELLO influenciou ELIS REGINA que, em 1961, lançou “VIVA A BROTOLÂNDIA”. Certamente, CELLY inspirou RITA LEE, PAULA TOLLER e, talvez, SANDY; entre diversas cantoras que, se repararmos bem… Dizem as boas línguas que TOM JOBIM gostava do jeito de CELLYcantar…
É interessante notar que os TEEN IDOLS explodiram para valer anos depois: STEVIE WONDER, STEVIE WINWOOD e PETER FRAMPTON; e sem focar nas BOYS BANDS tipo MENUDOS, BACK STREET BOYS, NSYNC. Ou, também, os meninos coreanos de agora, e tantos e tontos outros, ao longo das décadas. Opa!!! , não vamos esquecer MICHAEL JACKSON, o maior deles todos!
Há um detalhe “histórico e sociológico” fundamental. CELLY, como NEIL SEDAKA, PAUL ANKA, BRENDA e CONNIE, os TEEN IDOLS da década de 1950, são frutos de uma geração intermediária de artistas. Estão entre o ROCK AND ROLL clássico de ELVIS, CHUCK, JERRY LEE LEWIS, e BUDDY HOLLY.., e a emergência do BEAT, na Inglaterra e nos E.U.A..
Quando CELLY desistiu, em 1962, os BEATLES, os STONES, DYLAN e os BEACH BOYS estavam se firmando, e mudando completamente o panorama da música popular no mundo inteiro!
CELLY não topou fazer a JOVEM GUARDA com ROBERTO e ERASMO CARLOS, em 1966. Ela estava casada e com dois filhos. Preferiu cuidar da família. O lugar que seria dela foi para WANDERLEIA. Com certeza, CELLY não tinha noção do momento histórico. Porém, acertou: ela e TONY tinham nada a ver com o projeto do programa!!! Eram de outra geração e, possivelmente, teria sido um fracasso.
É curioso, CELLY gravou versão de “AS TEARS GO BY”, clássico CULT dos STONES, de 1965, e também vertido por FRED JORGE, o profissional predileto para fazer as versões do POP estrangeiro daquele momento. Ficou algo romântico demais, e ao estilo do que era feito na década de 1950. O que dá a medida dos desafios que CELLY teria, caso enfrentasse as mudança na moda e nos comportamentos. Ela não participou da era BEAT. E não tinha perfil para encarar os novos tempos de completo desregramentos.
“AS TEARS GO BY” é música de transição para o ROCK PSICODÉLICO, e fala de depressão. Em tese, não é para jovens esperançosas e alegrinhas. Eu especulo se a decisão apaixonada, conservadora e imprevista que CELLY tomou, não acabou por favorecer o seu MITO? Mas é muito possível; talvez bem provável!!!
Décadas atrás, eu conheci e me tornei amigo de TONY CAMPELLO. É um excelente sujeito. Aberto, discreto e bem-humorado – um cavalheiro!
Certa vez, na mesa de um bar, na Avenida Paulista, eu contei pra ele que, na primeira vez que andei sozinho de ônibus, em 1959, tocava no rádio “O CANÁRIO “, música singela, bonita e gentil, cantada em dupla por TONY e CELLY. Eu jamais esqueci do momento, da sensação, do bem estar e liberdade que estava provando ao me locomover sem a presença de minha mãe ou do meu pai. E a música transmitia o afeto e a empatia, que só os realmente talentosos conseguem passar.
Enquanto eu pesquisava para o texto, depois de anos, toquei novamente a música. E aqueles instantes únicos voltaram com a emoção e a nitidez de 60 e tantos anos atrás!
TONY CAMPELO se referia sobre a morte da irmã de um jeito delicado e apropriado. Ele não dizia que CELLY havia morrido. E, sim, que estava viajando por um lugar muito melhor!!!
Ele foi, além de cantor, um produtor musical interessante. Lançou SÉRGIO REIS, já no pós – JOVEM GUARDA; E produziu, entre várias outras músicas, PANELA VELHA, talvez o marco inicial desse misto de COUNTRY MODERNO, MÚSICA CAIPIRA, GUARÂNIA, etc…, batizado de SERTANEJO! TONY contribuiu para que essa música híbrida se tornasse o verdadeiro POP do Brasil. Gostemos ou não, é um fato.
TONY também organizou, para a B.M.G, ótima coleção de “CAIPIRAS” de raiz. E fez reviver uma série de “DUPLAS” do passado tidas como artisticamente relevantes. Ele trabalhou, e viveu de música a vida inteira. E conhece muito o POP ROCK da década de 1950 e início dos 60; e a música verdadeiramente popular feita por aqui.
Faz muito tempo que não o vejo. Infelizmente. Hoje, ele é o decano dos ROCKEIROS brasileiros, com 90 anos de idade! CELLY e TONY CAMPELO são parte relevante da HISTÓRIA MUSICAL BRASILEIRA, e merecem o nosso respeito, e o resguardo de suas memórias!
POSTAGEM ORIGINAL: 29\04\2023
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JEFF BECK – LIVE! DVDS e CDS – SHOWS DE TÉCNICA, ECLETISMO E ORIGINALIDADE

Dia qualquer, entrei na padaria e pedi Coca Cola e um sanduíche de alguma Mortadela razoável – tem de todo tipo, algumas lixo puro. Preço: R$ 21,00!!! A refeição estava mais ou menos…
Fim de semana seguinte, TIO SÉRGIO foi à POPS DISCOS, a loja que frequento e das poucas que sobraram em São Paulo. Comprei o BLUE RAY do JEFF BECK, “LIVE IN TOKYO”, gravado em 2014. Custou R$ 25,00.
É produto completamente original, veio lacrado. Som e imagens de primeira qualidade. Pra resumir, a tecnologia, os impostos, o desenvolvimento de produto; a durabilidade quase indefinida do objeto, e tudo o que é preciso para fazer um artefato desse nível. e mais a performance espetacular de um gênio e seus músicos custou um dólar a mais!
Como diriam os economistas versados em Shakespeare, “algo de muito podre acontece no reino dos preços relativos no Brasil”…
No DVD, JEFF BECK continua o que talvez algum ouvinte desatento diga ser mais do mesmo. Não é. A banda que ele montou com os excelentes JONATHAN JOSEPH, bateria; NICOLAS MEYER, guitarra; e RONDHA SMITH – a excepcional ex-baixista que acompanhava o PRINCE, tocam parte do repertório clássico de BECK. Porém, sem teclados. O que deixa o som mais compacto e pesado.
Em linhas gerais, é mergulho ampliado, agora em teatro imenso, o TOKYO DOME CITY HALL. Um concerto sob o silêncio e atenção dos japoneses, que respeitam os artistas e aplaudem muito somente ao final de cada música.
O contrário simétrico do que acontece por aqui. No show de JACK BRUCE, em São Paulo, outro músico de gênio, um bando de bocós berrava e avançava sobre a fileira de cadeiras e o corredor central do Teatro Bradesco; cena de agressividade típica de torcida organizada em campos de futebol. Coisa de gente boçal!
Se comparado à outra performance espetacular do mago, no clássico gravado na Inglaterra, em 2009, “PERFORMING THIS WEEK AT RONNIE SCOTT´S”, as diferenças ressaltam: a performance é mais JAZZY.
Os excepcionais VINNIE COLAIUTA, baterista; a quase menina TAL WILKENFELD no baixo, e o tecladista JASON RABELLO criam estrutura mais sutil, mais voltada à FUSION; e talvez com abertura para o ROCK PROGRESSIVO. E vamos incluir a presença de ERIC CLAPTON; de JOSS STONE, excelente cantora de R&B; e da “muito diferente” IMOGEN HEAP – uma estilista cantando!
É um show inesquecível!!!! Portanto, DVD imperdível.
Conheci o som de JEFF BECK em 1967, na casa do meu amigo SILVIO DEAN, quando por aqui foi lançado o “HAVING A RAVE-UP”, dos YARDBIRDS. Disco/evento imperdível!!!
No lado A do LONG PLAY está BECK na guitarra solo. E o primeiro SINGLE que ele gravou com o grupo: “HEART FULL OF SOUL”, de 1965. E outras músicas imperdíveis.
No segundo lado, quem toca é ERIC CLAPTON, ao vivo, em outra performance antológica, lançada em 1965 como “FIVE LIVE YARDBIRDS” – um E.P. cult e colecionável.
THE YARDBIRDS Foi a primeira banda inglesa que adorei à beira do fanatismo. Ainda idolatro; e sempre os colecionei. Acho que fui o primeiro a escrever sobre eles, no Brasil, lá por 1977…
JEFF BECK é um eclético soberbo! Pode tocar “TUDO”. Simplesmente. Procurem o DVD “JEFF BECK ROCK’ N’ ROLL PARTY, honouring LES PAUL”. Quem está acostumando com ele na FENDER, precisa ver o que faz ao vivo em uma “GIBSON LES PAUL”!
O DVD é show realizado em 2010, no “IRIDIUM JAZZ CLUB, em NOVA YORK”. BECK é o convidado principal, claro! A banda de apoio é excelente. Vão do ROCKABILLY ao R&B. E JEFF viaja de SHADOWS a GENE VINCENT; passa por montes de músicas de “LES PAUL”, e acompanha uma cantora e intérprete sensacional, que eu só conhecia de nome: IMELDA MAY! – a moça arrasa no ROCKABILLY, com estilo e voz adequados! E arrebenta no R&B!!! O evento, além de uma festa de ROCK AND ROLL clássico, explica os caminhos que JEFF BECK cruzou, e porque chegou em nível tão alto!
JEFF BECK foi um guitarrista de ROCK – e “BEYOND” – originalíssimo. Ele domina e reinventa o seu instrumento em altíssima performance. Foi um criador de sons e sonoridades que combinava, equilibrava, peso e lirismo. Seu “FINGERPICKING GUITAR” – tocar só com os dedos e sem palheta -, é perfeito! Em concerto, ele se concentra totalmente. Daí, as execuções brilhantes.
Em 1973, BECK juntou-se ao baixista TIM BOGERT e ao baterista CARMINE APPICE, ex-integrantes do CACTUS, banda de HARD ROCK AMERICANA. Era intenção antiga que não havia progredido porque BECK sofrera grave acidente de automóvel, que o deixou fora de atividade por um ano e meio.
Quando se recuperou, o trio gravou um primeiro CD controvertido. A ideia era mais ou menos seguir o que fizera o CREAM, e o WEST, BRUCE & LAING, mas cruzando R&B, HARD ROCK e resquícios da PSICODELIA. Eu acho que não deu certo, porque nenhum dos três conseguia cantar adequadamente.
Porém, gravaram um álbum duplo ao VIVO, no JAPÃO, que se tornou CULT e colecionável. A insuficiência dos vocais foi compensada por performances instrumentais exuberantes. O BECK, BOGERT & APPICE serviu para BECK dar a guinada definitiva na carreira.
Em 1975, GEORGE MARTIN, famoso por sua ligação com os BEATLES ( ora, TIO SÉRGIO, não seja óbvio…) produziu para a EPIC RECORDS o álbum “BLOW BY BLOW”, que levou JEFF BECK a outra perspectiva artística.
A EPIC era filiada à COLUMBIA RECORDS, que desenvolvia projetos com FUSION JAZZ e outras vanguardas, como o ROCK PROGRESSIVO.
É interessante notar convergências. No “CAST” da COLUMBIA havia artistas de vanguarda em nível de MILES DAVIS, WEATHER REPORT e a MAHAVSHNU ORCHESTRA, do guitarrista JOHN McLAUGHLIN. E BECK também foi orientado para a FUSION. E os discos que gravou são principalmente instrumentais. Em 1977, foi lançado JEFF BECK with JAN HAMMER GROUP – músicos da CENA FUSION e próximos a McLAUGHLIN. O disco exemplifica bem o estilo da época, a opção do artista, e o “cerne artístico no jazz” do “business” da COLUMBIA.
BECK circulou por todos os cantos da modernidade musical: do FUNK à SOUL MUSIC; ao HEAVY, e à FUSION; do R&B ao BLUES; ao PROGRESSIVO ao ELETRÔNICO. Ele cita compositores CLÁSSICOS em várias de suas composições ou performances.
Procurem escutar o que ele fez em 1968 com “LOVE IS BLUE”, a baba orquestral de PAUL MAURIAT. Mas, não deixe de curtir o “seu” BECK´S BOLERO (de RAVEL) no álbum “TRUTH”, 1968. E aproveite para ouvir com atenção “NESSUN DORMA”, de PUCCINI, no CD EMOTION & COMMOTION, 2010. É o articulado ecletismo de JEFF em demonstrações explícitas!
Na opinião do TIO SÉRGIO, JEFF BECK há muito ultrapassara HENDRIX em técnica e inventividade. ( Take It easy, Querubins e Vizigodos, é só uma opinião… )
A obra de BECK não é muito extensa, mas é importante e original. E o estilo e sonoridade que desenvolveu foram seminais para a evolução do ROCK antes de HENDRIX. Eu tenho a impressão de que muitas vezes BECK realizava fusões dentro das fusões que fazia. Mudava a direção dos solos, dos ritmos e andamentos, e de um estilo musical para outro. Criava coisas novas inesperadamente…
JEFF BECK foi um gênio produtivo e operante. Está duas vezes no “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”. A primeira com os YARDBIRDS. A outra, pela carreira solo. Além da música, ele gostava, entendia e colecionava automóveis. E montava carros de corrida e competição. Tinha uma oficina em casa; e era respeitado no meio automobilístico por seu conhecimento de motores, veículos, essas coisas…
Ele morreu quase repentinamente de MENINGITE BACTERIANA aos 78 anos, em 10 dejaneiro de 2023. JOHNNY DEPP com quem vinha gravando e excursionando, o acompanhou até o final.
E nós sentiremos a falta dele pela eternidade.
POSTAGEM ORIGINAL: 30\4\2024
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ROCK DE GARAGEM, BUBBLEGUM E BEATNICKS… E OS ENSINAMENTOS DE DOSTOIÉVSKI PARA ANTROPÓLOGOS E MUSEÓLOGOS.

ROCK DE GARAGEM, BUBBLEGUM E BEATNICKS… E OS ENSINAMENTOS DE DOSTOIÉVSKI PARA ANTROPÓLOGOS E MUSEÓLOGOS.
Parte da década de 1960 trouxe para mim dias menos sombrios, apesar de o BRASIL estar imerso na DITADURA MILITAR.
Eu era jovem, e perambulava entre a consciência política ainda não adequadamente despertada, e o interesse ascendente para coisas culturais. Foi quando comecei a prospectar e colecionar discos de ROCK!
No início dos 1970, resolvi melhorar o meu inglês, e procurei um curso. Fui em duas escolas de referência, em São Paulo: a “CULTURA INGLESA” e a “UNIÃO CULTURAL BRASIL – ESTADOS UNIDOS”. Assisti aulas promocionais, e optei pela “CULTURA INGLESA”.
Pois bem: rolou o que vou descrever. E, por consequência, a minha “inflexão” e posterior “reflexão” ética (nossa, TIO SÉRGIO, manera aí!).
Eu tive em vinil a maioria desses discos da postagem. Todos bem legais: descolei um raro álbum dos FUGS, grupo FOLK BEATNIK ALTERNATIVO. Inaudível para os mais sensíveis. E até os HUMAN BEINZ, “protopsicodélicos” dançantes criadores, em 1968, de um clássico dos bailes daqueles tempos em diante: Quem não conhece “NOBODY BUT ME”, não foi jovem em 1969!
E possuí os dois LONG PLAYS contidos no CD dos BUCKINGHAMS – excelente banda contratada pela COLUMBIA RECORDS. São pequenas jóias POP gravadas em 1967 e 1968. E, muito importante: foi a primeira intervenção de JAMES WILLIAN GUERCIO, lendário e requintado produtor. E criador do “JAZZ – ROCK”, antecessor da “FUSION”, que se consolidou como expressão do enorme “MIX” de conceitos que passaram a ser o dia-a-dia da criatividade musical.
A criação de GUÉRCIO foi muito contestada na época, e além… Principalmente pelos JAZZISTAS e JAZÓFILOS mais clássicos. GUERCIO foi um inovador da linguagem musical do POP! No fundo, instaurou possibilidade para artistas de alto nível se reciclarem frente às mudanças do mercado. Creiam; não é pouca coisa!
Com os BUCKINGHAMS, ele esboçou e produziu o que depois desenvolveu com o BLOOD, SWEAT & TEARS, e o CHICAGO TRANSIT AUTHORITY, dois sucessos merecidos e retumbantes! Procure conhecer e ouvir!!
Na contramão desse tráfego deslumbrante, TIO SÉRGIO propõe THE SHADOWS OF KNIGHT e a CHOCOLATE WATCH BAND, artífices do mais ( im ) perfeito ROCK DE GARAGEM da História! Eu os acho Imprescindíveis, também!
Aqui estão dois originais que foram salvos da “extinção por maus tratos e tortura”. Explico em partes, como recomendam os princípios da dissecção…ooopss, what porra it´s that, TIO SÉRGIO?
Pô, eu disse metaforicamente, é claro:
“THE MUSIC EXPLOSION” foi uma das invenções da dupla de empresários, JERRY KASSENTEZ e JEFFREY KATZ, que produziu e vendeu como chicletes músicas comerciais dançáveis do final dos 1960, até meados dos 1970. A banda gravou um LP ( que tive o “original massacrado”… ) e vários SINGLES:
“A LITTLE BIT OF SOUL”, 1967, estourou! Curiosamente, o LADO B, “I SEE THE LIGHT”, é garageira radical e matadora! Eu escuto até hoje! E vou contar a história do “salvamento” desse LP logo mais…
O duo K&K foi um dos criadores do chamado “BUBBLEGUM”. Subgênero meio fake, festeiro e juvenil, que legou “artistas montados sob encomenda”, e que transitavam entre as diversas bandas e projetos da dupla, e no grande entorno.
Ficaram quase famosos grupos como “1910 FRUITGUM CO.” e “OHIO EXPRESS”, notórios frequentadores das trilhas sonoras dos bailinhos e paradas de sucesso daqueles tempos. Ambos gravaram SINGLES de sucesso. E o primeiro álbum do “OHIO EXPRESS” é imperdível: puro GARAGE ROCK!!!
O maior sucesso da era do BUBBLEGUM foram os ARCHIES, criados por “DON KIRSCHNER”, concorrente fortíssimo. Mas “KASSENETZ & KATS” eram os caras! Depois, envolveram – se em outras formas de ARTE POP, CINEMA, e etc…
Outro disco que “salvei” foi KICKS, com PAUL REVERE & THE RAIDERS, grupo legal de verdade, que andava mais ou menos por ali.
Transitavam do POP radiofônico ao ROCK DE GARAGEM, e vice – versa, com tudo o que uma… digamos… “BOYS BAND DA PESADA” poderia fazer de melhor! Tinham imenso FAN CLUB, e um grande “TEEN IDOL” , o cantor MARK LINDSAY. Tocavam bem; e a sonoridade e produção da COLUMBIA RECORDS garantia o restante!
PAUL & THE RAIDERS gravaram mais de 30 SINGLES de sucesso, e alguns álbuns que ficam bem em qualquer coleção de BEAT e GARAGE ROCK. Ouçam no álbum KICKS a cheia de pique CORVAIR BABY! Vale o disco.
Agora, vou contar sobre os salvamentos e a ressurreição. Durante um mês, eu frequentei a UNIÃO CULTURAL – mas “não a escolhi”. Por lá, havia uma discoteca gerenciada por uma senhora que tratava os discos como o KIM JONG UN trata os adversários; e a guarda revolucionária iraniana cuida dos dissidentes…
Olhando a pequena estante, enxerguei dois LPs jogados, sujos e capas vilipendiadas. E claramente manuseados com o desdém estúpido dos desinteressados: “KICKS”, de PAUL REVERE & THE RAIDERS, e “A LITTLE BIT OF SOUL”, do MUSIC EXPLOSION. Eram vistos como lixos descartáveis…
Uma tarde, houve o “descolamento e, ao mesmo tempo, o deslocamento” dos objetos… TIO SÉRGIO concluiu que foi por “desmaterialização”… Técnica que o CAPITÃO KIRK, da nave ENTERPRISE, fazia na época. Ainda não havia a “INTERNET DAS COISAS”…
Acho que a combinação de magia e tecnologia fez os discos migrarem para a minha coleção…
Eu tratei bem deles. Foram lavados, curados, capas recompostas, entre diversos atos de afeto. Hoje, tenho quase certeza de que sobrevivem pelaí…
Essa historinha que narrei nos leva aos ensinamentos da ARQUEOLOGIA, da ANTROPOLOGIA e de DOSTOIÉVSKI:
Incerta vez, um ANTROPÓLOGO americano deu surpreendente resposta para o colega ARQUEÓLOGO mexicano, enquanto faziam considerações sobre os males do imperialismo, e os desvios e roubos das riquezas culturais de seu país para outros locais.
O americano simplesmente disse:
“Você está certo. Nós e outros paises tiramos daqui, e de vários lugares do mundo, parte de suas relíquias e as levamos para os nossos museus. E, também estão em coleções particulares metade do patrimônio arqueológico “removido”.
“Mas, eu pergunto: O que aconteceu com a parte restante das relíquias?”
E o professor mexicano respondeu constrangido:
“pois, é; perdeu-se ou foi destruída…”
E um grande dilema ético se instalou: Roubar, mas preservar? Ao invés de “respeitar” e perder um passado relevante e precioso? Uma escolha de Sofia?
Durante muito tempo senti-me um transgressor por causa da materialização daqueles discos em outro lugar…
No entanto, eu li CRIME E CASTIGO, de DOSTOIÉVSKI. É sobre a racionalização de um crime hediondo: o assassinato premeditado de uma criatura nefasta e deletéria pelo personagem principal do livro.
Considerando as devidas proporções, eu sou o RASKOLNIKOFF do colecionismo.
Eu e muita, mas muita gente, né pessoal?
POSTAGEM ORIGINAL: 22\04\2022
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BUBBLEGUM, POP DESCARTÁVEL, ROCK DE GARAGEM… E “DISCOS DESMATERIALIZADOS”. E OS ENSINAMENTOS DE DOSTOIÉVSKI PARA ANTROPÓLOGOS E MUSEÓLOGOS.

Quem não conhece “NOBODY BUT ME”, não foi jovem em 1969!No início dos 1970, resolvi melhorar o meu inglês, e procurei um curso. Fui em duas escolas de referência, em São Paulo: a “CULTURA INGLESA” e a “UNIÃO CULTURAL BRASIL – ESTADOS UNIDOS”. Assisti aulas promocionais, e optei pela “CULTURA”…
Pois bem: rolou o que vou descrever. E, por consequência, a minha “inflexão” e posterior “reflexão” ética ( nossa, TIO SÉRGIO, manera aí!).|
Aqui estão dois originais que foram salvos da “extinção por maus tratos e tortura”. Explico em partes, como recomendam os princípios da dissecção…ooopss, what porra it´s that, TIO SÉRGIO?
Pô, eu disse metaforicamente, é claro:
“THE MUSIC EXPLOSION” foi uma das invenções da dupla de empresários, JERRY KASSENTEZ- que morreu há pouco tempo – e JEFFREY KATZ. Eles produziram e venderam como chicletes músicas dançáveis do final dos 1960, até meados dos 1970. A banda gravou um LP ( que tive o “original massacrado”… ) e vários SINGLES:
“A LITTLE BIT OF SOUL”, 1967, estourou! Curiosamente, o LADO B, “I SEE THE LIGHT”, é garageira e matadora! Eu escuto até hoje!
O duo K&K foi um dos criadores do chamado “BUBBLEGUM”. Subgênero meio fake, festeiro e juvenil, que legou “artistas montados sob encomenda”, que transitavam entre as diversas bandas e projetos da dupla.
Ficaram quase famosos os grupos “1910 FRUITGUM CO.” e “OHIO EXPRESS”; notórios frequentadores das trilhas sonoras dos bailinhos e paradas de sucesso daqueles tempos. Ambos gravaram SINGLES de sucesso. E o primeiro álbum do “OHIO EXPRESS”, BEG, BORROW and STEAL é imperdível: puro GARAGE ROCK!!! Mas “KASSENETZ & KATS” foram os caras! Depois, envolveram – se em outras formas de ARTE POP, CINEMA, e etc…
O maior sucesso da era do BUBBLEGUM foi SUGAR, SUGAR, com “THE ARCHIES”. Grupo “artificial”, inspirado por um desenho animado de sucesso, foi criatura do empresário “DON KIRSCHNER”, um concorrente fortíssimo e muito envolvido com os MONKEES.
Outro álbum que “salvei” foi KICKS, com PAUL REVERE & THE RAIDERS, banda legal de verdade, que também andava por ali.
Transitavam do POP radiofônico ao ROCK DE GARAGEM, e vice – versa, e com tudo o que uma… digamos… “BOYS BAND DA PESADA” poderia fazer de melhor! Tinham imenso FAN CLUB, e um grande “TEEN IDOL” , o cantor MARK LINDSAY. Tocavam bem; e a sonoridade e produção da COLUMBIA RECORDS garantia o restante!
PAUL & THE RAIDERS gravaram mais de 30 SINGLES de sucesso, e alguns LPs que ficam bem em qualquer coleção de BEAT e GARAGE ROCK. Ouçam no álbum KICKS a cheia de pique CORVAIR BABY! Vale o disco.
E quem quiser curtir essa “BUBBLEZEIRA” deliciosa, deve procurar o BOX da foto, “POUR A LITTLE SUGAR ON IT”. São 91 faixas de puro “nothing”. Está todo mundo lá! Artistas como LOBO, TOMMY JAMES & THE SHONDELLS, CUFF LINKS, ANDY KIM, CRAZY ELEPHANT, GARY LEWIS & THE PLAYBOYS, TOMMY ROE, JOHN FRED & HIS PLAYBOYS. E até – pasmem!!! – VELVET UNDERGROUND!!!!
Agora, vou contar sobre os salvamentos e a ressurreição. Durante um mês, eu frequentei a UNIÃO CULTURAL – mas “não a escolhi”. Por lá, havia uma discoteca gerenciada por uma senhora que tratava os discos como o KIM JONG UN trata os adversários; e a guarda revolucionária iraniana cuida dos dissidentes…
Olhando a pequena estante, enxerguei dois LPs jogados, sujos e capas vilipendiadas. E claramente manuseados com o desdém estúpido dos desinteressados: “KICKS”, de PAUL REVERE & THE RAIDERS, e “A LITTLE BIT OF SOUL”, do MUSIC EXPLOSION. Eram vistos como lixos descartáveis…
Uma tarde, houve o “descolamento e, ao mesmo tempo, o deslocamento” dos objetos… TIO SÉRGIO concluiu que foi por “desmaterialização”… Técnica que o CAPITÃO KIRK, da nave ENTERPRISE, fazia na época. Ainda não havia a “INTERNET DAS COISAS”…
Acho que a combinação de magia e tecnologia fez os discos migrarem para a minha coleção… Eu tratei bem deles. Foram lavados, curados, capas recompostas, entre diversos atos de afeto. Hoje, tenho quase certeza de que sobrevivem “pelaí”…
Essa historinha que narrei nos leva aos ensinamentos da ARQUEOLOGIA, da ANTROPOLOGIA e de DOSTOIÉVSKI:
Incerta vez, um ANTROPÓLOGO americano deu surpreendente resposta para o colega ARQUEÓLOGO mexicano, enquanto faziam considerações sobre os males do imperialismo, e os desvios e roubos das riquezas culturais de seu país para outros locais.
O americano simplesmente disse:
“Você está certo. Nós e outros países tiramos daqui – e de vários lugares do mundo -, parte de suas relíquias e as levamos para os nossos museus. E, também estão em coleções particulares metade do patrimônio arqueológico “removido”.
“Mas, eu pergunto: O que aconteceu com a parte restante das relíquias?”
E o professor mexicano respondeu constrangido:
“Pois, é; perdeu-se ou foi destruída…”
E um grande dilema ético se instalou:
Roubar, mas preservar? Ao invés de “respeitar” e perder um passado relevante e precioso? Uma escolha de Sofia?
Durante muito tempo senti-me um transgressor por causa da materialização daqueles discos em outro lugar…
No entanto, eu li CRIME E CASTIGO, de DOSTOIÉVSKI. É sobre a racionalização de um crime hediondo; o assassinato premeditado de uma criatura nefasta e deletéria pelo personagem principal do livro.
Considerando as devidas proporções, eu sou o RASKOLNIKOFF do colecionismo.
Eu e muita, mas muita gente, mesmo, né pessoal?
POSTAGEM ORIGINAL: 24\04\2026
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