ERIC CLAPTON – BACK HOME – REPRISE RECORDS – 2005

É isso aí! ERIC PATRICK foi pegador serial. Esteve com tantas e tontas que é difícil e desnecessário nomeá-las. Mas TIO SÉRGIO, o mundano, não se furtará: vocês se lembram da PATTIE BOYD, que ele tomou de GEORGE HARRISON, e mesmo assim continuaram amigos?
ERIC CLAPTON também esteve com a “socialite”, modelo, mulher bela, fascinante e diferenciada cantora CARLA BRUNI – que percorreu a pista com MICK JAGGER, DONALD LARANJÃO, KEVIN COSTNER… e estacionou em NICOLAS SARKOSY, ex-presidente da França.
E vá no Google para buscar o restante do prontuário que o jacaré abraçou, traçou e desfrutou ao longo do périplo…
Mas tio Sérgio é um cara sério. Em almoço incerto botou pra rebolar este CD adquirido nas estranjas – que palavras mau escolhidas! – há não tanto tempo atrás.
ERIC CLAPTON é um ícone da melhor música popular dos últimos 60 anos. Portanto, não faz discos ruins ou inaudíveis. Ao contrário, produz música agradável, às vezes algo LOUNGE, mesclando BLUES, POP, REGGAE, SOUL, R&B e tudo aquilo que faz a turma bater a patinha no chão, enquanto bate papo e se diverte ou come alguma coisa – gente incluída…
A banda que toca em BACK HOME é de veteranos capazes de fazer de PADRE MARCELO a XUXA; ou de SEAL ao GIL renderem no auge dos respectivos talentos…
O álbum é muito legal se vocês – como eu fiz – esquecerem que o gênio explícito ficou no passado, mas nos legando o profissional completo. O cara canta, compõe e toca bem ainda toca baseado em certa centelha artística ancestral.
O momento atual de ERIC CLAPTON, quase, quase 80 anos, é de um senhor dedicado à família; homem riquíssimo, próximo do feliz, e sóbrio há três décadas. Está casado com MELLIA McNERY, a esposa invicta desde 2002, e vive rodeado pelos filhos que ajudou rebentar e criar. Parece ter soterrado o fauno priapico do passado.
Enfim, é o ERIC CLAPTON que aprendemos gostar na alegria e na tristeza; na saúde e na doença. E forever and ever.
Angela, a minha mulher, MICHELLE e PAULO, nossos amigos presentes naquele almoço, ouviram e adoraram o disco. Chegou a preço baixo antes da curra cambial e do PHALUS DEI entumecido ordenado pelo CONGRESSO, HADDAD e LUIZ INÁCIO.
Se o preço for bom, então comprem.
Para ERIC CLAPTON não há contra indicações!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/10/ 2024
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RAY DAVIES e CHICO BUARQUE DE HOLANDA: E TUDO POR CULPA DO WALDICK SORIANO….

TIO SÉRGIO é um impreciso sensível. Vez por outra, opera feito um RADAR TÃ TÃ ou como os foguetes do HAMAS nos céus do LEVANTE: cai um pouco fora do alvo. Mas é necessário um DOMO DE FERRO para abatê-lo. Eu dou trabalho para as defesas contra o imponderável empoderado – ou não… e seja lá o que eu tenha tentado explicar…
Estava quieto em meu canto espocando latinhas de cervejas, quando apareceu na tela notícia sobre magnífica coleção de LPS do WALDICK SORIANO, nosso preclaro e inefável ídolo popular. Ele é um CULT rematado, e teve os discos digitalizados para os pósteros desfrutarem de suas criações!
TIO SÉRGIO é espécie de piloto de bombardeiro intelectual
algo incompetente, e sempre cheira encrencas. Vive chamuscado no rabo feito FRANGO DEPENADO em casa – técnica das vovós muito antes de a indústria ter aprendido a abatê-lo higienicamente. Alguém se lembra disso?
Então, encarei a parada e prospectei memórias indeléveis.
Lá por 1966/1967/, ainda com poucos discos e sem vitrola, eu costumava escutar a parada de sucessos no rádio. E lembro que na esteira do sucesso de A BANDA, outra música deliciosa e bem CHICO BURQUE despontou: CAROLINA… aquela que não via o mundo passar pela janela.
Meu tio TONICO GARINI, jornalista de esquerda, intelectual algo militante, muito bem humorado e corrosivo, respondeu a “somebody” que o questionou sobre o WALDICK SORIANO – que também se espalhava do nordeste para o HOSPÍCIO DO SUL INTEIRO…hummm.
E saiu-se com esta: “Prefiro o WALDICK porque é sujeito do povo, analfabeto e ignorante, mas autêntico…
“O CHICO é filho de intelectual importante, o SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA. E é parente de um “DICIONÁRIO”, o “AURÉLIO”. Mas fez “A BANDA”, música e letra conservadoras e saudosistas”… “Esse cara é jovem, mas não está percebendo as mudanças na sociedade brasileira. Eu vou de WALDICK”, argumentou o GARINI.
A reação da turma em volta foi confusa. As tias, discordando e adorando o lirismo do CHICO. Os tios não se meteram; e o “sobrinho” SÉRGIO arquivou o fato na cachola…
Claro, os tempos eram de completa contestação cultural e radicalização política. A família quase toda votara, no JÂNIO, em 1961. O TONICO votou no LOTT. A maioria dos mais velhos de certa maneira apoiaram ou aceitaram o golpe de 1964. O TONICO, não”.
Hoje, sabe-se que o CHICO paulatinamente foi mudando e que suas letras iniciais – de grande qualidade, como sempre – escondiam ironias e revelavam alguém ainda imaturo, mas não alienado.
O TIO SÉRGIO sempre desconfiou que RAY DAVIES, o líder e principal figura da lendária banda inglesa, THE KINKS, enquanto compositor tinha algo a ver conosco… E tive um INSIGHT:
RAY está entre os maiores compositores da HISTÓRIA da música POP. Nunca foi um “revolucionário”, um propositor de revoltas juvenis. E muito menos um conservador…
É contemporâneo do CHICO BUARQUE. A visão dele também “era” da “JANELA”, de onde observava o mundo à sua volta. Porém, ao contrário da CAROLINA do CHICO, RAY enxergou nitidamente; percebeu e descreveu as mudanças – e as cantou!
RAY DAVIES e CHICO BUARQUE são dois observadores argutos de pessoas, fatos e ambientes.
As mulheres enxergam em CHICO um desvelador de suas percepções íntimas. E RAY DAVIES escreveu letra magnífica sobre o fascínio e as incertezas que um ser “feminino”, exuberante e inesperado, exercia bem mais de meio século atrás.
Espero que todos conheçam LOLA, canção sobre um travesti, sucesso dos KINKS, DE 1969. Então, ouçam novamente e acompanhem a letra instigante, irônica e bem construída que leva ao desfecho.
Tanto RAY quanto CHICO têm talento especial para conhecer e escrever sobre pessoas. Aliás, RAY tem uma filha com CHRISSIE HINDE, a musa POP alternativa, líder dos PRETENDERS.
Ele e o irmão DAVE DAVIES são torcedores do ARSENSAL e sabiam jogar bola, como ROD STEWART, ROBERT PLANT… e o CHICO BUARQUE DE HOLANDA.
Vejo outras semelhanças entre o CHICO e RAY. Ambos têm vozes peculiares, e talvez desagradáveis. São preservadores de suas origens; escrevem sobre as respectivas sociedades, entornos, deficiências, injustiças…
Na sequência de carreira, RAY e os KINKS enveredaram para um tipo de híbrido que mesclava MUSIC HALL inglês com resquícios do SKIFFLE e, claro, do ROCK! Depois, alinharam-se por uns tempos ao PUNK – aliás, decorrência quase natural da evolução do BEAT primordial da banda.
Hoje, RAY é um intimista diferenciado, por assim dizer (seria, Ayrton Mugnaini Jr.?) Se o percebo adequadamente, anda lembrando BRUCE SPRINGSTEEN nessa introspecção em busca da raiz…
CHICO BUARQUE entre os grandes compositores do BRASIL sempre foi o mais explicitamente nacionalista. Quase toda obra dele gira em torno da MPB mais tradicional. O samba, principalmente. E a sua evolução artística revela esta opção. Ele não ousa fora do mapa… não faz concessões para FUSIONS.
RAY e CHICO não são almas gêmeas, e talvez mal se conheçam. Mas que há idiossincrasias e possíveis paralelos isto há: são coetâneos, nasceram em 1944. O CHICO em 19 de junho, e RAY no dia 21! São quase “gêmeos”.
POSTAGEM ORIGINAL: 16/10/2023
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WALTER FRANCO: MENTE ABERTA VELEJANDO

Cantor diferente, poeta e letrista sintético e original.
Ouvir as canções de WALTER é assistir imagens cantadas em nossa frente! Ele é “visual”, impecável, delicado e rascante. Tudo junto ao mesmo tempo na tela da mente!
A carreira de WALTER FRANCO não teve auge. Só a paulatina continuidade significativa. Militou poetando reflexões íntimas. E deu concretude a seu pensamento através do cantar.
Ouvir “CANALHA”, um grande ROCK PSICODÉLICO PESADO, com “SÉRGIO HINDS” na guitarra, é observar a dor mental, traiçoeira e “mau caráter” perseguindo o WALTER – e a gente também,! Não é ironia, é sarcasmo puro!
“CABEÇA”, é um compêndio “eletroacústico – concretista” que nos faz perceber como a razão nos trai. É um espelho de nosso interior fragmentado. Ressurreição dolorosa da parte indomada que nos habita.
E, curiosamente, talvez espécie de contraponto ao “DESENHO LÓGICO” cantado por CHICO BUARQUE, em “CONSTRUÇÃO” descrevendo a REALIDADE ABSURDA e ALIENANTE de um trabalhador braçal em uma sociedade capitalista periférica, no início da década de 1970 – e além dela.
WALTER FRANCO gravou pouco, e nos legou enormidades! Instilou versos em folha branca e prensados em bolacha preta ou prateada. Poesias que contêm mundos.
Quando ele for redescoberto, todos perceberemos a tremenda falta que WALTER faz!
Recomeça já.
POSTAGEM ORIGINAL: 14/10/2021
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KING CRIMSON – “LIVE IN TORONTO”, 2015 – E OUTRAS ESPECULAÇÕES SOBRE O SHOW NO ROCK IN RIO – OUTUBRO DE 2019 .

A intenção é especular um pouco sobre aquela fase dos caras, e o que fizeram no palco durante o curto e magnífico show. Aliás, foi a primeira vez do KING CRIMSON, no Brasil! Um lapso vergonhoso em nossa agenda cultural!
A essência expandida da performance está contida neste SHOW gravado no QUEEN ELIZABETH THEATRE, em 20/11/2015, transmitido via satélite, e lançado em duplo HQCD japonês pelo WOWOW – um canal de televisão da terra dos irmãozinhos de olhinhos puxados.
Nas apresentações em SÃO PAULO e no RIO de JANEIRO, a banda é quase a mesma: ROBERT FRIPP, o inconteste dono da banda, na guitarra e teclados; os bateristas PAT MASTELOTTO, GAVIN HARRISON e BILL RIEFLIN; mais JAKKO LEVIN guitarra e vocal; TONY LEVIN, baixos e adjacências e MEL COLLINS, sopros.
O SHOW no ROCK in RIO foi uma verdadeira epifania! FRIPP e companhia fotografaram o público à partir do palco – talvez expressão do quanto estavam impressionados com o público!
E somado ao profissionalismo de ROBERT FRIPP, que grava cada performance ao VIVO da banda há mais de meio século, e hoje as disponibiliza via STREAMIN, ou CD, para quem quiser comprar – o que um desafio para os fãs, em vista da enorme disponibilidade do material coletado e preservado!
Para completar, a banda parecia tocar sob encantamento!
ROBERT FRIPP é um corajoso e grande profissional. Foi um dos primeiros astros do ROCK a dar um basta na exploração promovida por gravadoras, empresários – escrupulosos ou não – e ao vasto sistema que sempre lucrou demais às custas dos artistas.
A gestão de ROBERT seguiu o exemplo do DAVE CLARK FIVE, na década de 1960; de FRANK ZAPPA anos 1970, em diante. E também dos ROLLING STONES década de 1980 e até sempre…
E de todos que compreenderam o negócio da música em sua verdadeira dimensão: BOWIE, GENTLE GIANT, GRATEFUL DEAD e incontáveis: há muito tempo empreendimentos independentes de ousados.
Em São Paulo, a performance do KING CRIMSON foi bem mais longa, com 19 músicas. Mais ou menos a base do SET LIST do CD, na foto. Resumindo, é uma sucessão de clássicos arranjados seguindo essa tendência mais recente.
Mas o que eles pretenderam, ou pretendeu ROBERT FRIPP, com três baterias de marcas diferentes DW, TAMA e SONOR, cada uma delas em kits próprios e alternativos; e sonoridades, timbres e afinações diferenciadas entre si?
Eu especulo que não estavam lá apenas para o acompanhamento rítmico – o que bastaria uma só. E, sim, para criar harmonias e, principalmente, “um coro de vozes” construindo melodias através de cada intervenção solo ou coletiva da percussão. E, de quebra, “polirritmos” – o que era o esperado, também.
Seria?
E FRIPP, heim? o que faz o “dono da banda” durante as performances?
Ele é o “maestro e o anti – maestro”; lembrando a definição de BRIAN ENO sobre si mesmo: “um não músico”.
ROBERT FRIPP sabe trabalhar o silêncio como integrante pontual da música ( não sei se fui claro ou percebi adequadamente… ). Ele cria algumas texturas, pontua os clímaces e, principalmente, desconstrói performances quando exacerbam – do ponto de vista dele – as intenções da composição executada.
Explico: MEL COLLINS, um músico arrasador e ultra criativo, na tradição vanguardista do JAZZ BRITÂNICO, e que explicita o lado FUSION do grupo, em dado momento engatou um trecho de “Take the A train” de DUKE ELLINGTON!
E FRIPP simplesmente “limitou o discurso” do cara com ruídos. Quer dizer, dirige o KING CRIMSON como decide fazer; e o leva para onde quer! Ele não comanda a banda. FRIPP manda!
O KING CRIMSON não faz FREE JAZZ; mas JAZZ – ou simplesmente MÚSICA de VANGUARDA CONTEMPORÂNEA.
E, por que?
O FREE-JAZZ pressupõe total liberdade dos músicos para improvisar e se interrelacionar durante a execução dos temas..
No entanto, a minha impressão foi ter assistido a um show milimetricamente calculado e conduzido.
Deste ponto de vista, talvez ROBERT FRIPP seja um misto de maestro, patologista de laboratório de análises clínicas, e cirurgião preciso: o resultado do exame é aplicado na operação das músicas.
Exagero meu? Pode ser.
As cordas – as duas guitarras e o baixo “high-end” de TONY LEVIN, “stick” – trabalham andamentos e solos mesclando cacofonias controladas e melodias típicas do ROCK PROGRESSIVO.
O resultado é o que um dos nossos por aqui definiu como JAZZ PROGRESSIVO. Que eu redefiniria a escrita para “JAZZ / PROGRESSIVO”. Algo “simbiótico”, e não “adjetivo’; seja para um estilo ou qualquer outro.
Então amigos, o que tivemos foi um resumo da alta performance musical, cuja definição de estilos e objetivos é muito difícil de fazer. Eu arriscaria algo como “JAZZ VANGUARDA PROGRESSIVO MESCLADO COM MÚSICA LIVRE, MAS NÃO ALEATÓRIA”.
Nossa, TIO SÉRGIO? Enlouqueceste?
Não. (acho que não…) Então, incorporo a sugestão desafiadora do meu amigo @Gerson Périco: MÚSICA TEMPESTIVA!
Quem não fuça no KING CRIMSON não tem ideia dos 50 e tantos anos de música de qualidade que está perdendo!
KING CRIMSON é indispensável; é inigualável!
POSTAGEM ORIGINAL: 15/10/2025
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THE MOODY BLUES – OCASO DE UMA BANDA SEMINAL E MUITO CRITICADA!

Pois, é! Foi-se mais um descendo a cachoeira do tempo. Os MOODY BLUES, após a morte de GREAME EDGE, em novembro de 2021, já não persistiam tanto. Não que precisassem excursionar ou gravar.
Com certeza, o núcleo fundador do grupo vive bem, muito bem! São ricos. Porém, fazer o que se sabe e se fez a vida inteira é vício assolador.
Porque sempre há o que perseguir; frustrações não superadas ou desafios não cumpridos. Enfim, o eterno enfim… parado no ar da vida de cada um de nós…
OS MOODIES começaram em 1963, em BIRMINGHAM. Formaram uma banda BEAT comum. RAY THOMAS, vocalista e flauta, MIKE PINDER, tecladista, e GREAME EDGE, baterista, lá por 1966, depois da saída do bom guitarrista DENNY LAYNE, já não tinham fogo e importância. Iriam parar.
Foi quando ERIC BURDON – ahhh, vocês sabem quem é… indicou o guitarrista, cantor e compositor JUSTIN HAYWARD e JOHN LODGE, o baixista da banda também falecido. Os dois conduziram a mudança de rota na construção de outro estilo em direção ao ROCK PSICODÉLICO e ao PROGRESSIVO.
O sucesso foi retumbante! Avassalador! Principalmente nos ESTADOS UNIDOS, onde a criatividade e a bela harmonia vocal de JUSTIN, RAY e JOHN, combinadas ‘as melodias e arranjos sofisticados, foi imediatamente reconhecida.
É bom comentar sobre as letras, que vão do sublime (NIGHTS IN WHITE SATIN e TUESDAY AFTERNOON, por exemplo) ao simplório explícito e bem ao gosto americano – e há várias no repertório. A isto se juntou a produção exuberante e requintada para encontrar a plateia ideal.
Assim, transitaram pela década de 1960, 1970, e 1980 no auge. E prosseguiram com sucesso de público anos 1990 e além.
Nenhum deles é ou foi instrumentista excepcional. Eram adequados, meticulosos, trabalhadores, e sempre souberam atualizar o som e a performance ao longo das mudanças que o tempo e o mercado impuseram.
Os MOODY BLUES foram criticadíssimos pela turma do ROCK. Por aqui, no BRASIL, eram considerados “POPELHOS” demais! E sub – PROGRESSIVOS, apesar de terem inaugurado o ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO. No entanto, o correr dos tempos posicionou a banda no merecido lugar entre os estilistas mais originais da música popular.
Postei parte de meus discos e DVDS. Eu os coleciono. A vida, manteve apenas JUSTIN HAYWARD que, em tempos áureos, tinha uma das mais belas vozes do universo POP. Ele sempre foi o mais criativo, e o compositor principal do grupo.
TIO SÉRGIO, aqui, teve uma relação de amor e alguma decepção com eles. Mas tudo considerado, hoje, simplesmente eu os adoro! Várias lágrimas não retidas caíram enquanto eu os escutava escrevendo mais um texto sobre os caras!
O céu não é o limite para quaisquer deles. RIP.

JOCY DE OLIVEIRA, A ICONOCLASTA: “A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY”

O disco A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY, foi lançado em 1959.
O LONG PLAY original e os outros relançamentos tocam em 45RPM. É um tanto fora do convencional. São 13 músicas, com total de 20 minutos! A duração é mais curta do que os discos de “JOÃO GILBERTO” e do “DAVE CLARK FIVE” considerados “concisos”… hum!
O disco não foi ignorado. Mas execrado pela crítica e o público, porque concebido intencionalmente para ser “mal compreendido”.
JOCY tinha 22 anos, naquela época!!! E a cabeça muito além de um “barquinho e um violão”… No decorrer das décadas, tornou-se caso à parte na música popular brasileira. Eu afirmo que o álbum é a “anti – BOSSA NOVA”!
Por isso, coloquei foto de CD com os três primeiros discos de JOÃO GILBERTO. Falsos parâmetros para algo tão inovador e contestador.
Mas como assim, TIO SERGIO??!!!
Vou tentar descrever:
Começo citando algumas faixas do disco: SOFIA SUICIDOU-SE; UM ASSALTO NO MORUMBI; INCÊNDIO; BRASÍLIA SÉCULO I; A MORTE DO VIOLÃO; UM CRIME; SAMBA GREGORIANO, entre outras iconoclastias.
E, agora, algumas do JOÃO: CHEGA DE SAUDADE; DESAFINADO; LOBO BOBO; NOSSO AMOR; A FELICIDADE; AMOR CERTINHO; O BARQUINHO… e uma fieira de clássicos…
Sacaram a VIBE em termos de lírica?
JOÃO, TOM, VINÍCIUS e os bossa – novistas nos brindavam com o otimismo da era JUSCELINO. Cantaram o amor, o sorriso e a flor.
E João trabalhou em seu violão sofisticando o samba. Sua voz foi cuidadosamente posta, e o canto com as divisões musicais alteradas e muito estudadas. Obras de arte.
Uma evolução sofisticada, mas conservadora e de bom gosto evidente. A turma da Bossa Nova conseguiu “jazzificar” o samba, tornando – o rico em estrutura harmônica, o que enriqueceu e favoreceu para improvisar, estender, enriquecer cada tema.
Pois, saibam: o contraste com o disco de JOCY é chocante! Procurem escutar no YOUTUBE. É rápido, instigante, diferente, dolorido; e talvez desagradável ao primeiro contato.
Um retrato certeiro de um Brasil despontando, e visto por outro tipo de classe média intelectualizada!
JOCY de OLIVEIRA é paranaense, bem formada, e também da classe média alta. Ouvir “A MÚSICA SÉCULO XX”, é descobrir que ela se utiliza – talvez o verbo correto seja emular – de modernidades e ensinamentos dos bossa novistas para subvertê-los e contradizê-los.
Em vários momentos a gente “acha” que é Bossa Nova. Mas não é!
O grupo faz introduções nitidamente inspiradas em STRAVINSKY e outros clássicos (vá lá, eruditos) modernos. E JOCY os amalgama com rupturas de andamentos; mudanças abruptas de ritmo na narrativa musical; quebras de métrica – mas que se adaptam livremente ao discurso cantado por ela.
A música de JOCY é uma crítica aberta à sofisticação conservadora de seus companheiros de geração da Bossa Nova. É feita de propósito para contrapor-se ao bom-gosto absorvível de imediato. É constante ela cantar quase à beira da desafinação, fazendo harmonizações na ladeira do atonal…
Seria???
As letras de JOCY são inspiradas em cenas de violência e desespero. Expõem o vazio e a depressão de seus personagens através de sua poesia peculiar e de observações agudas.
É ironia e iconoclastia combinadas o disco inteiro. Ela escreve bem e criativamente.
JOCY arquitetou essa desconstrução. E a música que faz está sintonizada ao caos que observa. Afinal, a mestra entende e especializou-se em operar os sons incidentais e sem explicações, que habitam ou recaem sobre as pessoas e as cidades, que por ela são tecidos em colagens eletrônicas – os ancestrais dos SAMPLERS de hoje.
JOCY de OLIVEIRA sempre operou na criação do inusitado que a música de vanguarda e os computadores de hoje permitem cada vez mais.
Claro, tudo isso requer organização. E ela existe. As músicas sempre acabam abruptamente! O que dá a impressão de síntese reticente e inconclusa. Um nada mais a dizer repentino. E pronto! Para não dizer F@-se!
Impressiona!
Eu imagino o susto e a perplexidade do ouvinte comum, uns sessenta e tantos anos atrás, dando de ouvidos com essa cacofonia mascarada por uma tentativa de JOCY, de violão “em punho, ser doce, contemporânea e alegrinha!
Em uma das audições que fiz, sei lá o porquê este LP juntou-se a outro gravado por JOCY: “HISTÓRIA PARA VOZ, INSTRUMENTOS ACÚSTICOS E ELETRÔNICOS”, lançado em 1981. Também disco magnífico, e certamente dificílimo de achar.
Pois, então: de alguma forma casaram-se, e não me perguntem o motivo!
E acabou.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10/2022
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CHET BAKER: BORN TO BE BLUE – GENIALIDADE, PAIXÃO E MORTE

Madrugada qualquer, eu já pronto para encerrar ir dormir, dei de ouvidos, olhos e compaixão em filme sobre CHET BAKER, com ETHAN HAWKE no papel do gênio.
O filme é emotivo e convincente, feito por fã declarado abordando um período da vida de CHET lá pelo final dos anos 1950… início dos 1960.
Foram momentos de baixa e inferno astral vivenciados em níveis extremos, que até o diabo duvidaria existir alguém assolado por vício tão destruidor! Sim, as drogas injetáveis – não importam quais, porque todas são devastadoras.
Mas foi assim. E aconteceu a incontáveis outros e outras causando muito sofrimento e luta para deixar o vício. Mesmo que alguns tenham obtido reconhecimento e glória póstuma. É o caso de BAKER e da turma na foto…
O filme nos defronta com um ser humano carente, fragilizado, destruído. E, ao mesmo tempo, conhecemos melhor um exímio trompetista, e o cantor paradigma da modernidade. E influência direta em JOÃO GILBERTO, CAETANO VELOSO, na turma da BOSSA NOVA – e, posteriormente, todos e todas capazes de cantar com sutilezas e voz pequena e contida: COOL é a “palavra – conceito” para definir esses artistas.
Em vários períodos da história, a heroína e correlatos foram vícios glamourizados. E legitimados pela genialidade real, ou suposta, do indivíduo dependente. Nas décadas de 1950, 1960 e 1970… tornar-se marginal foi romantizado pelo discutível elogio de que seriam heróis.
O tempo nos enaltece. Mas, raramente nos honra. Ele é inimigo do corpo, traidor da alma, revelador de fraquezas, fracassos e lapsos.. E inexoravelmente traz a morte… seja lá de que jeito for…
Esse inventário de karmas criou a fama, o sofrimento e o estigma de NELSON GONÇALVES, CHET, COLTRANE, PARKER, RAUL, KURT COBAIN, JIM MORRISON, BRIAN JONES, JANIS, AMY, HENDRIX, CLAPTON, RICHARDS, BILLIE… e vá colocando na fila para a decapitação quem mais você quiser…
Humanos produtivos, porém esgotados, dilacerados, falidos e falíveis como todos nós. E destruídos e cobrados, talvez injustamente, pelo quê poderiam ter sido, se…
O trágico “se”. Inimigo do “ser”.
A compaixão é o maior e mais difícil sentimento que se pode construir em relação ao próximo. Pobres diabos eles – e nós. E todos julgamos terem sido sido deuses…
A trilha sonora aqui e na tela é magnífica, com a música de CHET revisitada e recriada. Em homenagem sincera a ele, eu escrevi o texto ouvindo CHET BAKER, LIVE IN TOKYO, 1987; Procure no YOUTUBE.
TIO SÉRGIO, quem sabe um moralista, convida vocês para viajar em CHET BAKER – e agradecer o que ele nos legou.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10/2022
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STEVE CROPPER, POP STAPLES & ALBERT KING – JAMMED TOGETHER, STAX , 1988

Anos atrás, alguém argumentou sobre guitarristas como STEVE RAY VAUGHN, RORY GALAGHER, ERIC CLAPTON e um montão, que os caras não faziam BLUES, mas ROCK.
Eu fecho com a gravadora BEAR FAMILY, que fez quatro BOXES com três CDS cada, historiando o BLUES do acústico ao elétrico em suas diversas vertentes. Eles garantem que a turma do primeiro parágrafo faz BLUES, sim, altezas!
Neste magnífico álbum gravado por três luminares do ELECTRIC BLUES AMERICANO e ricas adjacências – dois deles estão entre os TOP em quaisquer tempo e época: KING e CROPPER.
JAMMED TOGETHER é o BLUES elétrico mais tradicional. Os protagonistas são “curadores” dos modernos fundadores da guitarra no BLUES, como B.B.KING, FREDDIE KING, e do próprio ALBERT.
Eles não fazem as pirotecnias dos BLUES ROCKERS da década de 1960/1970 em diante. Usam pouca distorção, cuidam do ritmo, do andamento e do melódico. E não se distanciam do original R&B.
Se você quiser uma aula sobre a tradição, mais atualizada que sempre, vá atrás desse disco.
A ficha técnica da minha edição, lançada em 1990, não é das mais completas. Não cita quem são os excepcionais baixista e baterista que participaram, imprescindíveis para que um projeto executado por artistas desse nível arrase!
Tio Sérgio fez umas pesquisas e acha que são respectivamente, DUCK DUNN e ANTON FIG. Mas, não conseguiu comprovar.
Em tempos tão empobrecidos, onde o BLUES e sua tristeza podem ser opção de “cardápio”, JAMMED TOGETHER nos faz entender o porquê do BLUES sempre animar quaisquer festas!
Quem não tiver, não passa de ano em BLUES/ROCK!
Vá atrás!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/10/2022
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MUJICIAN – THE JOURNEY – CUNEIFORM RECORDS – 1992

Quem procura discos de JAZZ e ARREDORES encontra em oferta, com alguma frequência, obras de música EXPERIMENTAL. Acho que no mundo inteiro é mais ou menos assim.
O “descarte” é explicável. A maioria não gosta porque é música não linear, ou cheia de invenções nada ortodoxas; algumas francamente provocadoras e difíceis de apreciar.
Eu gosto; tenho curiosidade e boa variedade na discoteca – mesmo escutando com certa parcimônia, digamos… É preciso chegar no clima para desfrutar.
Comentar música “não espontânea” bem engendrada é difícil e complicado. Porque é necessário exercício sobre percepções que nem sempre podem ser nomeadas por substantivos. E talvez sejam mais bem expressas através de adjetivos cuidadosamente selecionados e organizados. A criação de uma prosa cheia de metáforas, algumas poéticas, pode ser instrumento adequado.
Resenhar discos não é um exercício impessoal. Não se faz em “LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS”, por exemplo. Não existem amostras de material bem definido para observar e cravar um diagnóstico inequívoco e incontestável.
E as músicas de VANGUARDA exigem mais ainda de quem as ouvem e observam. É preciso tentar captar a intenção da obra através de um trabalho de abstração, onde o gosto pessoal sempre interfere na análise e na conclusão .
E o TIO SÉRGIO ousou tentar.
MUJICIAN é um quarteto  formado por  KEITH TIPPET, piano; TONY LEVIN, ( não confundir!!! homônimo do baixista do King Crimson!!!! ) bateria e percussão; PAUL ROGERS ( não confundam!!! ) e baixo; PAUL DUNMALL, sopros. THE JOURNEY – foi gravado no Festival de BATH, em 1990, e transmitido ao vivo pela B.BC.
THE JOURNEY é composição de fôlego, 55 minutos numa tacada só – direta! Um “HOLE IN ONE”, como dizem os golfistas.
É tapeçaria sonora entre a MÚSICA CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA, o FREE e o FUSION JAZZ de “cara europeia”, confeitados por elementos do ROCK PROGRESSIVO.
É espontaneamente anárquica – “ma non tropo”; e habilmente concatenada e executada numa longa interação gravada ao vivo em JAM SESSION culta, e até acadêmica, que desafia o limite artístico e técnico de cada um dos músicos participantes.
E todos são da elite da música europeia de VANGUARDA, com vasta experiência em gravações e participação em grupos consagrados.
O álbum é para “ouvidos e corações e de inverno”; é algo frio, digamos; é experimental, mas em busca do melódico instigante. Há espaço para que individualidades quase no limite da egolatria realizem solos primorosos e difíceis.
Não é FREE ANÁRQUICO, como na experiência de ORNETTE COLEMAN, em 1961. É liberdade incontida – mas vigiada. Coisa para músicos de altíssimo gabarito, como o quarteto MUJICIAN.
Antes de tocar FREE ou AVANT GARDE, primeiro é imprescindível estudar, praticar ao limite, tornar-se íntimo e dominar o instrumento o tempo inteiro – e na fronteira da perfeição técnica. Exige, também, tenacidade, curiosidade, cultura histórico musical, paciência, imaginação e capacidade para adentrar caminhos difíceis e traiçoeiros.
Este é um disco recheado de propostas. E nada do que está na composição é gratuito. Mas é para ser curtido, absorvido devagar – aos goles curtos feito whisky de primeiríssima linha.
Tudo considerado, é composição transgressora, mesmo não sendo agressiva. E com tantos elementos da música experimental, THE JOURNEY soa mais próxima à delicada vanguarda desenvolvida pela ECM RECORDS de hoje.
                                                           CODA
O público passou o tempo todo quieto e comportado, em respeito aos músicos. No final, aplaude torrencialmente!
Nem todos apreciarão. Mas eu recomendo vivamente que escutem.
POSTAGEM ORIGINAL: 06\10\2020
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LÁ VEM O NEGÃO, CHEIO DE PAIXÃO, PRA CANTAR, CANTAR CANTAR….

TIO SÉRGIO acordou e abriu a porta. E deu cara com a revista VEJA. Na capa, a ministra ANIELLE FRANCO falando sobre o acontecido com o ex-ministro SILVIO ALMEIDA: o bacobufo que resultou por causa de assédio explícito que sofreu – todo mundo soube.
Bom, eu sou do tipo que não perde a piada. E veio à cabeça uma historinha que rolou na década de 1990. Dia incerto, entrou em nossa falecida loja em SAMPA, a CITY MUSIC, uma simpática e atraente balzaqueana (calma, crazy people: é currículo base de linguagens de um passado não muito distante: significa mulher em torno dos trinta anos ).
A moça chegou cantando e animada no BETÃO, “primoamigoirmão” que trabalhava conosco: “LÁ VEM O NEGÃO, CHEIO DE PAIXÃO, PRA TE CATAR, TE CATAR, TE CATAR”… e comentou: “eu tô louca para comprar este CD”… Havia no estoque. Afinal, o ART POPULAR que cantava o HIT, bombava nas rádios.
E o BETÃO, um cara simpático e carismático, brincou: “olha, se chegar aqui um NEGÃO CHEIO DE PAIXÃO para me catar, eu corro e atravesso a rua sem olhar pros lados… Risadas geral; ela comprou e saiu alegre pra curtir.
Por isso, cruzando as coisas, TIO SÉRGIO, o magnânimo, trouxe pra vocês um monte de CDS com “NEGÃO” pegador. Alguns nem tão conhecidos, mas todos emblemáticos.
Vou pontuar: ISAAC HAYES, voz baixo barítono sensual, cantando no limite do assédio. Há o SEAL, famoso, cheio de cicatrizes mas ícone da volúpia feminina – vi mulheres comentando como seria velejar o pretão só pra conferir o mastro…
Também vieram JOHNNY HARTMANN e JOHN COLTRANE. E quem assistiu a “AS PONTES DE MADISON”, 1995, com CLINT EASTWOOD e MERYL STREEP, vai recordar cena em que o os dois dançam ao som da sedutora voz do negão.
E temos muito e muito mais. Basicamente R&B e SOUL; e alguns com pitadas de DISCO MUSIC – O`JAYS, por exemplo. Também apresento o indefectível MARVIN GAYE, famoso pegador – é bom nem comentar “SEXUAL HEALING”… hummmm!!!
Porém, há um negão poderoso, talvez a voz mais bem desenvolvida e marcante: LOU RAWLS. O cara teria sido exemplar de perfeição, se não houvesse enfrentado um baita problema: sofreu acidente de carro, em 1958, e quase morreu.
LOU sobreviveu com sequelas profundas, e tinha dificuldades para se locomover. No palco, ficava quase parado e não conseguia expressar-se à altura de seu talento e poderio vocal.
Resumindo, LOU RAWLS legou enorme repertório; lançou em torno de 60 álbuns e vendeu mais de 40 milhões de discos. Mas não realizou o enorme potencial artístico que tinha. Uma lástima, indeed! E ainda assim, participou do restrito time das vozes cheias de paixão para nos catar, catar, catar pelo ouvido.
Arrisque! São artistas ariscos e afiados!
POSTAAGEM ORIGINAL: 05\10\2024
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