VIAGEM À MINHA “ADEGA DE ÓDIOS”, A INSÔNIA! NOTAS SOBRE PROCOL HARUM, GRATEFUL DEAD, PIXIES E AS DANÇAS DO “QUEBRA-BUNDAS”!

“IN THE AUTUMN OF MY MADNESS, WHEN MY HAIR IS TURNING GREY” ..canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, de 1968, do genial, subavaliado e não-repetível “PROCOL HARUM”.
CLÁSSICO DO ROCK em transição entre a PSICODELIA e o ROCK PROGRESSIVO, é recomendável para quaisquer paladares. O disco é lindo; e é triste. E a construção das letras é sublime.
O PROCOL HARUM tinha um letrista exclusivo, erudito e sofisticadíssimo: KEITH REID. Ouçam! será marcante.
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa quando a INSÔNIA RECORRENTE assola e desencadeia os medos e paranoias; as desconexões entre os fatos objetivos. Mas realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
Nada mais humano do que sofrer por algo que talvez não aconteça!!! É parte do outono da minha vida – loucura? – estou envelhecendo.
Tempos atrás li, no Estadão, que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. As que ficaram, claro! Sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os anos 1960/1970, da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, jam-sessions ininterruptas, “raves sem D.Js.” , que notabilizaram a banda.
JERRY GARCIA, mito do rock, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação.
Teve um infarto, em 1995, aos 53 anos. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. Não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Bidú! Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. Feito o KING CRIMSON, e todo o mundo! E quem não faz, é explorado e morre. Portanto, vivas à boa administração!
O DEAD começou como todos: Inspirados nos BEATLES, STONES, e na turma do COUNTRY e do BLUES americanos. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época, DESBUNDARAM. E nunca mais REBUNDARAM – como gosta de dizer o TIO SÉRGIO.
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos gravados ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ, pela tentativa de expandir a música ad-infinitum.
Mas percebe-se, nitidamente, alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as música, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC. Claro, são muito legais, e imprescindíveis, para entender a evolução do ROCK.
Entre os seus contemporâneos eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto, musical, experimental na medida certa; e tão desviante filosófica e comportamentalmente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eu tangencio. Mas, para os que gostam, é perfeitamente possível ter acesso a tudo o que gravaram, porque lançaram em incontáveis discos… “póstumos”, não. Eles prosseguem, de um jeito ou de outro…
Por causa da insônia acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre pato e sapato. É ROCK, claro, mas de outra estirpe. Talvez sejam a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991, e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá e resiste até hoje. Já estiveram por aqui, não faz tempo. Continuam por aí, impunes…
É interessante notar que os PIXIES são o inverso do DEAD e do PROCOL HARUM. Criam música dura, curta, visceral, mas bem tocada. JOEY SANTIAGO, guitarrista, é lenda no PUNK e no GRUNGE;
O vocalista gorducho e gritalhão BLACK FRANCIS, é improvável misto de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias ou sensações de alguma vivência.
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED, “WALKS ON THE WILD SIDE, espreitando os portais do inferno urbano. SANTIAGO, et caterva, parecem haver saído de um curso para dragões, e cospem fogo para todo lado!
E há, também, KIM DEAL, a baixista. Espiroqueta abrasiva, com longo prontuário prestado ao ROCK nada convencional; CONTRA-MUSA da mesma forma que ANITA PALLEMBERG, PATTY SMITH, MARIANNE FAITHFULL, NICO…
O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge, de repente, casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, e energético!
Os PIXIES Fazem show legal para assistir. Mas será que eu gosto disso?
E por falar em dissonâncias comportamentais, bem mais do que sonoras, dei uma espreitada em algumas performances das moderninhas do PROTO-PORNO-DANCE – GLÚTEO RETAL, que assola o POP.
Haja contravenção, e LUBRIFICANTES e XUCAS, antes e pós BAILES e “RAVES”! As praticantes são, também, notórias ANTI-MUSAS…
E acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! A vida nem sempre é linear! E ainda bem!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\02\2021
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PAUL BADURA-SKODA E ALFRED BRENDEL. MEUS DOIS PIANISTA DE MÚSICA CLÁSSICA PREDILETOS

Por óbvio que seja, é impossível saber ou informar-se completamente sobre assunto qualquer. Ninguém sabe tudo, ou de forma efetiva sobre os macro temas da vida.
Se você gosta de música e quer saber um pouco mais, convém não ter ilusões. É recomendável privilegiar entre o CLÁSSICO e o POPULAR e, dentro deles, períodos, estilos ou seja mais o que for.
Ninguém sabe tudo sobre MPB, ou JAZZ, BLUES, ou ROCK, etc… São subdivisões enormes dentro de universo vastíssimo, espalhado e tão inconsistente e variado, que é bom ir com modéstia e calma.
Entendo quase nada sobre a música CLÁSSICA, ou de CONCERTO. Há quem prefira o nome música “ERUDITA”. Aliás, no BRASIL é assim denominada. Mas eu não vejo motivo: no mundo quase inteiro é simplesmente chamada de MÚSICA CLÁSSICA – Veja Europa, EUA….
O que sei a respeito é superficial e foi aprendido por algum objetivo ou gosto transitório. Mesmo assim, mantenho discos que aprecio, e para mim, são significativos.
Ando, no entanto, paulatinamente renovando o meu interesse. Voltei a comprar mais discos.
Gosto de PIANO em suas variações possíveis, do CLÁSSICO ao POPULAR. E os dois cavalheiros aqui postados estão entre os maiores pianistas do século XX . E, mais: são intelectuais da música, estilistas do piano e concertistas magníficos, de obra gravada enorme gravada; prêmios ao redor do universo e tudo o mais a que têm direito.
Ambos são austríacos. E ALFRED BRENDEL, hoje, 2024, continua vivo aos 92 anos.
O que me leva à única percepção mais detida sobre o assunto: os pianistas alemães, como WILHEM KAMPF, fazem um ataque mais incisivo ao instrumento. Os dois austríacos não. Seria uma escola? Ou apenas personalíssimas interpretações do mesmo repertório?
Adoro BRENDELL por causa do dedilhado perfeito, onde se ouve nota por nota. Ele controla a música de maneira soberba. Aliás, ele se auto – identifica como um executor fiel dos objetivos e ideias do compositor.
Seu ciclo de BEETHOVEN, das sonatas aos concertos para piano, parecem supremos! De uma leveza contrastante com o estilo de seus primos alemães…
BADURA-SKODA coleciona pianos e gravou muita coisa. Fez, inclusive, ciclos de obras com instrumentos de épocas diversas, portanto com resultados diferentes.
Para mim, ele retira sonoridade única dos teclados. O TRÍPLICE CONCERTO de BEETHOVEN, na foto, é de beleza ímpar. E a execução do COLLEGIUM AUREUM é espetacular em quaisquer aspectos: compreensão da obra, sentimento e técnica.
Eu incentivo os meus amigos a buscar o vinil original da gravadora alemã “HARMONIA MUNDI”, lançado por aqui em 1974. Ou, quem sabe importá-lo. Talvez não sejam caros demais. Da capa à qualidade técnica e artística da gravação vale muito além do que custa.
E quanto aos CDs?
Esqueçam. O que recentemente vi disponível custa mais de R$ 500,00!!!!
Magia, mestria e refinamento esperam os que ousarem.
O TIO SÉRGIO, aqui, ainda ousa.
POSTAGEM ORIGINAL: 26\01\2018
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ORNETTE COLEMAN, FREE JAZZ, ATLANTIC RECORDS, 1961. A MAIS RADICAL EXPERIÊNCIA DA MÚSICA POPULAR

Dia desses acordei com a “macaca ” e fui dar uma repassada em alguns discos “relaxantes”. Comecei com MILES DAVIS em “KIND OF BLUE”, disco elegante mas nervoso como todo o BE-BOP.
Depois, fui direto para o ORNETTE COLEMAN e a mais avassaladora experiência musical até aqueles tempos, 1961!
Ainda seria?
É curioso. A música popular moderna havia chegado a seu ápice técnico e de bom gosto, com as grandes cantoras e cantores americanos fazendo os ciclos de compositores como GERSHWIN, COLE PORTER e diversos vários. E, quase ao mesmo tempo, o JAZZ instrumental vivia um refinamento estético brilhante: JOHN COLTRANE, MILES, DIZZY, CHARLIE PARKER e outros mais.
O interessante é que ao invés de expandir-se e repetir-se houve implosão: a DESCONSTRUÇÃO RADICAL da MELODIA, a SUBVERSÃO da HARMONIA, e a RECONCEITUAÇÃO do RITMO.
Pareando, mas sem comparar, foi o equivalente à aparição de STOCKHAUSEN na “música clássica moderna”, após SCHOEMBERG e DEBUSSY. Em poucas palavras, o advento do caos após revoluções quase radicais. Terremotos destrutivos exigindo construções em cima de outras bases.
COLEMAN teve a ideia libertária e libertadora de propor a IMPROVISAÇÃO TOTAL. E foi além: juntou dois quartetos de formação igual, com sax, trompete, baixo e bateria. Os músicos são todos de primeira linha, e com recursos técnicos e formação para compreender a VANGUARDA DA ÉPOCA.
No estúdio havia dois gravadores registrando o que estava sendo feito. Ficou estabelecido que, em alguns pontos pré-definidos, todos tocam ao mesmo tempo. E a “coisa (des) andou” por 38 minutos, em take único. Cada músico atua em ANDAMENTO, RITMO ou MELODIA à sua própria escolha! Radical mesmo!
Resultado: O caos?
Não!
O que resultou é obra com início, meio e fim. E simplesmente porque depois de gravada, se consolida um produto que se mantém intacto para a eternidade. Portanto lógico, autossuficiente e coeso em si mesmo. Criação espontânea, e indiscutível!
“FREE JAZZ, A COLLECTIVE IMPROVISATION”… é obra revolucionária e libertária ao mesmo tempo. Mas pronta e acabada, e inteligível para quem vier ouvi-la a qualquer tempo e época!!!!
Você está obrigado a conhecê-la!
Inigualável!
POSTAGEM ORIGINAL: 28\01\2018
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UTE LEMPER – THE PUNISHING KISS – DECCA 2000

IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO observou em seu livro de 1984, “O VERDE VIOLENTOU O MURO”, que “NA ALEMANHA ATÉ PUNK É DISCIPLINADO”: contou que viu em rua deserta um jovem PUNK esperar o semáforo abrir para atravessar “na faixa”… E isso diz muito sobre o povo alemão, para o bem e para o mal, não é mesmo?
E abre hipóteses para entender esse disco intrigante de UTE LEMPER, atriz e cantora alemã, que faz um…”TAKE A WALK ON THE WILD SIDE” das PAIXÕES UNDERGROUND do íntimo humano.
BERLIM é cidade tida como “afetivamente fria”. Mas intensa, porque expõe o sexo e suas implicações; os relacionamentos casuais; os desejos; a prostituição sem pieguice. Em suma, mostra o desalento e o desamparo; a falta de grana; e, também, o não arrependimento reflexivo de seus viventes. É o existir com suas dores explicitadas, portanto.
No repertório, vem tudo descrito em letras de autores excelentes e sofisticados. E compositores íntimos do UNDERGROUND CONTEMPORÂNEO, que pintam um quadro DARK sem ilusões ou desesperos. Algo depressivo, mas COOL. Controlado e reprimido simultaneamente.
Coisa de alemão?
Do ponto de vista musical há direção estudada, produção firme, portanto obra coesa como se a pretensão fosse um álbum CONCEITUAL. E talvez seja. Há música de CABARÉ, TANGO, CHANSON FRANÇAISE… e POP ROCK, também.
Enquanto escuta, a gente viaja pela translúcida selva da marginália CULT. Há NICK CAVE, ELVIS COSTELLO, PHILLIP GLASS, DIVINE COMEDY, TOM WAITS, SCOTT WALKER E KURT WEILL. Autores escolhidos e apresentados de forma a dar sentido ao que, imagino, seja a essência da frieza proficiente e ativa dos alemães, também para lidar com as emoções e desejos…
Claro, é tudo sob o ponto de vista dos produtores e da cantora; já que também buscados em autores americanos, ingleses, etc… Enfim, onde há DARKS é instigante colher metáforas.
UTE LEMPER é competente sem ser brilhante. A maior parte da obra é feita por NEIL HANNON e o DIVINE COMEDY. No disco há música e uma orquestração de SCOTT WALKER, naquele estilo próprio de expressar maremotos e inundações; refluxos e desolação.
Amedrontador!
Você ouvirá, também, um PHILLIP GLASS “quase minimalista”, e fazendo um POP ROCK com a sonoridade básica e o estilo transposto para as sinfonias compostas sobre a fase BERLIM de DAVID BOWIE. Mas é adequado ao disco. E há muito, muito mais…
TIO SÉRGIO recomenda. Mas questiona: será que gosto, mesmo, disso?
E você gostará?
Tente, porque é fascinante!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\01\2020
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BLUES – ROCK DA INGLATERRA E ADJACÊNCIAS 1960/1990

 

TIO SÉRGIO e suas buscas e predileções. Agora, os ingleses. Eles são, possivelmente, os inventores do BLUES-ROCK; e de suas extensões para o HARD ROCK, HARD BLUES, PSICHEDELIC BLUES, e o que mais houver!
E fiquei envergonhado!!!!
Cadê o JOHN MAYALL, ALEXIS KORNER e CYRIL DAVIES, os antecessores da bagaça local? E o TEN YEARS AFTER? E o HUMBLE PIE? Não lembrou dos GROUNDHOGS, TIO SÉRGIO?
Acertaram! Cadê? O gato comeu? Ou “eu esqueceu”?
“Eu não esqueceu”. Ou, melhor: “eu optou” por não incluir. Já escrevi muito sobre MAYALL, e tenho uns 60 e tantos discos dele. Do FREE e do HUMBLE PIE o TIO SÉRGIO tem tudo”. E também da banda do ALVIN LEE! Quanto aos “MARMOTAS”, ficaram entocados aqui na estante.
Xiiii!!!! E a banda do PAGE, do PLANT, do JOHN PAUL JONES e do BONHAN? Perderam o avião? Inclusive há mais dois óbvios que surgiram em minha frente e eu “pegou pra foto”: JEFF BECK e DEREK & THE DOMINOS – CLAPTON, por supuesto!

Em compensação, arrastei artistas mais RAROS e “BELICOSOS” – gente que não se encontra por aí com facilidade. Mas há esquecidos e escondidos; raros, caros e preciosos; e, talvez, desvalidos e amotinados.
Apenas uma garantia o TIO SÉRGIO “garante”: são todos legais e colecionáveis – cutucados um por um. Eu me orgulho por tê-los prospectado, coletado, guardado e, vez por outra, vou exibindo para a turma.
As fotos são lavras da minha festejada e relevada incompetência. Acho que é possível identificar disco a disco, e vou contar ao menos sobre “uns alguns”:

1) THE BRITISH INVASION ALL – STARS, lançado em 1991, é um ônibus que pôs na estrada um amálgama de gente dos YARDBIRDS, PROCOL HARUM, CREATION, DOWNLINER SECT, NASHVILLE TEENS e PRETTY THINGS: é “mexido” cult com fragmentos de bandas legais dos 60’s fazendo BLUES e outros “HITS”. Para mim, é imperdível!

2) CHRIS YOULDEN foi o vocalista da fase áurea do SAVOY BROWN. Legal, muito legal. Mas ele próprio não achava. Dizia que era só uma pecinha no almoxarifado do BLUES – ROCK. Ele exagerou pra baixo, claro!

3) DIRTY BLUES BAND, 1968, revelou um quase famoso gaitista chamado ROD PIAZZA. O disco é muito raro e não faz feio….

4) NIGHTS OF THE BLUES TABLE, 1992, é miscelânea ultra legal: os suspeitos de sempre, e outros quase imprescindíveis. Procurem por aí;

5) PRETTY THINGS / YARDBIRDS BLUES BAND. Bem, vocês imaginam o que seja ligar o ferro de solda e fundir gente das duas bandas… Imperdoável é ter.

6) JOHN DUMMER BLUES BAND, raro e colecionável; muito legal e pouco citado. O vinil original vale a terceira margem do rio…

7) Um espetacular EP de GARY MOORE, ao vivo com ALBERT KING, tocando “STORMY MONDAY BLUES”. “Must imperdível” de quase dez minutos! Foi gravado lá por 1994! Saiu por aqui integrando o conhecido SHOW ao vivo de GARY.

8) Também posto a CLIMAX BLUES BAND; o CHICKEN SHACK, com o guitarrista STAN WEBB; ERIC BURDON BAND; KEEF HARTLEY BAND; SAVOY BROWN, TEN YEARS AFTER; CHRIS FORLOWE, PETER YORK – ahhh, vão pesquisar quem são os caras…
E não esqueci o organista BRIAN AUGER, músico celebrado, de carreira extensa. É criador de FUSIONS entre o JAZZ e o BLUES; e militou em torno do PROGRESSIVO. É técnico, estudioso e competente.
Finalmente, a magnífica THE BLUES BAND, um coletivo de “blueseiros” que militam desde os anos 1960. É gente conhecida, de carreira longa e sólida.
Enfim, sirvo sofisticado repasto para “gostantes” do BLUES-ROCK inglês, adjacências, e paragens mais longínquas. Ou seja, a maior parte de nós todos!
Prospectem, desvendem e curtam essa galáxia esfuziante.
Infinita est!
POSTAGEM ORIGINAL: 31\01\2021
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GENE É UM GÊNIO!

GRAM PARSONS morreu de OVERDOSE. Foi guitarrista ligado ao FOLK e pioneiro do COUNTRY ROCK, com a banda FLYING BURRITO BROTHERS em meados dos 1960. Era muito próximo ao pessoal dos BYRDS e outros da CALIFÓRNIA.
GENE CLARK era cantor e compositor, foi vocalista dos BYRDS e singrou carreira cheia de altos e baixos. Ele brincava com a ideia da morte dizendo “I WENT LOOKING FOR GRAM PARSONS”.
Há e houve poucos músicos com tão pouca propensão ao estrelato quanto GENE. Era tímido, inseguro, falava pouco e tinha mais do que medo de voar. Simplesmente paúra!
Um cantor de voz diferenciada e que sabia compor. Bom letrista e melodista, tocava guitarra adequadamente, e harmonizava muito bem dentro dos grupos.
Seu primeiro momento como profissional foi no lendário grupo FOLK americano, “THE NEW CHRISTY MINSTRELS”, por volta de 1962. CLARK escondia-se no palco, não era notado, mesmo sendo eficiente.
Em 1964, encontrou-se com ROGER McGUINN e DAVID CROSBY, guitarristas e compositores, e os três criaram algo novo. Um tipo de FUSION entre o BEAT INGLÊS e o FOLK AMERICANO, que o trio gostava e conhecia. Foi o início do seminal THE BYRDS.
O single Mr. TAMBOURINE MAN, composição de BOB DYLAN, foi lançado em abril de 1965 e simplesmente arrasou!
O arranjo das guitarras e a produção foi do lendário ENGENHEIRO DE SOM da COLUMBIA RECORDS, TOM WILSON. Ele revolucionou aqueles tempos quando adicionou guitarras e instrumentos elétricos ao FOLK TRADICIONAL. Ele observou principalmente o timbre sonoro da guitarra RICKENBACKER, usada pelos ingleses THE SEARCHERS.
WILSON começou eletrificando “LIKE A ROLLING STONE”, hit histórico de DYLAN. Depois, seguiu com os BYRDS. E fez o mesmo em outras músicas, até a espetacular “SOUNDS OF SILENCE”, de SIMON & GARFUNKEL. Todas canções históricas e seminais.
Detalhe saboroso: TOM WILSON era um negão, oooopss!!!, um PRETÃO, na exigência politicamente correta de hoje!!!!
Resumindo: o FOLK ROCK foi “criado sonoramente” por um NEGRO. Da mesma forma que a imensa maioria da SOUL MUSIC feita pela ATLANTIC RECORDS, também na década de 1960, foi arranjada e executada por BRANCOS!
Mas, tio SÉRGIO, o que isto quer dizer?
Sei, lá! Apenas que talentos estão disseminados aleatoriamente mundo afora! E que racismo, além de crime, é bobagem retumbante! Mas saber disso é instiga! Ahhhh, e como!!!!
GENE CLARK com os BYRDS durou menos de dois anos. E gravaram juntos integralmente os LONG PLAYS “MR. TAMBOURINE MAN” e “TURN, TURN, TURN”, ambos em 1965. ELE colaborou um pouco nos dois álbuns seguintes.
CLARK saiu do grupo, no início de 1966, porque era o principal compositor e ganhava mais do que os outros. Houve tensões e disputas, já que o falecido e genial CROSBY, e o grande McGUINN também compunham – e muito bem, obrigados…
Mesmo com divergências e disputas, todos se cruzaram ao longo dos caminhos, e houve restaurações diversas da banda. É argumentável que a ruptura meio traumática revelou-se benéfica para todos. Ironias que a vida gera impõe.
Os BYRDS dali seguiram partiram na linha do ROCK PSICODÉLICO, e frutificaram em várias frentes.
E GENE CLARK prosseguiu na integração do FOLK ao ROCK, sem grandes experimentações, mas aprofundou o lado melódico e as buscas no sentido da COUNTRY MUSIC. Ele foi errático o tempo inteiro, mas também um desbravador. E, digo eu, diferenciado e criativo.
Sempre se disse que os relativamente poucos discos que GENE CLARK gravou são “no mínimo interessantes”. No entanto, a carreira dele não andou por causa de suas limitações e temores pessoais. E muitos argumentaram que pouco adiantava fazer discos brilhantes, se o artista não viajava para divulgar e promover. Além dos problemas recorrentes que teve a vida inteira com as drogas.
Por isso tudo, os discos fracassaram em vendas, mesmo tendo fãs ardorosos e fidelíssimos, entre os quais faço questão de me incluir.
Encontrar vinis ou CDS de GENE CLARK é uma quase aventura para os colecionadores. Álbuns como THIS BYRD HAS FLOWN, aqui postado, versão em CD do original FIREBYRD, demorou mais de 4 anos para ficar pronto. Idas e vindas, pouca grana, e tudo o que os contumazes “OUTSIDERS” pagam pela falta de assertividade.
O lado puramente artístico, no entanto, é uma delícia! Quando deixou os BYRDS, a COLUMBIA produziu seu primeiro LP solo, em 1967: GENE CLARK & THE GOSDIN BROTHERS, aqui na versão em CD rebatizada por ECHOES. É disco magnífico, na linha dos BYRDS originais, com a participação da nata dos músicos de estúdio da CALIFÓRNIA.
Em seguida, houve reviravolta quando CLARK juntou-se aos irmãos DILLARDS, em 1968/69, para mergulho no COUNTRY mais puro, legando dois discos amados pelos puristas. Depois, ele seguiu procurando destino incerto, ou projetos que suspeitava querer de seguir…
E retornou ao FOLK ROCK nos excelentes GENE CLARK (WHITE LIGHT) , 1971; ROADMASTER, 1972; NO OTHER 1974; e no raro e precioso TWO SIDES TO EVERY STORY, 1977 – belo disco abrangendo os dois lados do rio: o FOLK e o COUNTRY, e muito mais bem trabalhados.
GENE fez, também, mais dois álbuns de relativo sucesso como McGUINN, CLARK & HILLMAN, no início dos 1980, em híbrido POP que ia de uma tintura quase-REGGAE ao COUNTRY diluído. Para mim, sem grandes atrativos, mesmo que agradáveis…
Um acaso o levou, em 1987, a seu disco mais vendido até hoje.
CARLA OLSON, cantora, guitarrista e compositora americana, quase famosa com sua banda PROTO-PUNK, os TEXTONES, foi meio na cara dura incitada a subir ao palco onde GENE CLARK estava se apresentando.
Ela ficou meio sem jeito, mas foi.
GENE perguntou o nome dela e só. E a banda introduziu “I FEEL A WHOLE LOT BETTER”, clássico dos BYRDS.
A química foi imediata!
CARLA é uma loirinha baixinha, incendiária e memorável, com vozeirão COUNTRY-BLUESY.
Quem não a conhece precisa ficar sabendo!
Ela é também famosa por seu disco ao vivo com MICK TAYLOR, ex- guitarrista dos ROLLING STONES. “TOO HOT FOR THE SNAKES” é álbum onde o “HARD” e o “SOUTHERN ROCK” se imbricam de forma sensacional e pesada – como em vários discos solo da musa, lançados no decorrer dos tempos.
CARLA OLSON construiu e mantém carreira sólida. É pauleira brava! E nada fica a dever aos grandes do pedaço. Ela e GENE CLARK gravaram o COUNTRY e imprescindível “SO REBELIOUS A LOVER”, no final dos 1980, que levantou GENE e redirecionou a carreira dela.
Só como referência, os dois discos que GENE e CARLA gravaram juntos influenciaram as incursões de ROBERT PLANT & ALLISON KRAUSS; e BILLY JOE ( do GREEN DAY ) & NORA JONES. E não ficam abaixo artisticamente! A gente também escuta o eco de GENE CLARK em grupos como os COWBOYS JUNKIES.
Em maio de 1991, com vários problemas causados pelas drogas, e um câncer na garganta, GENE CLARK foi definitivamente em busca de GRAM PARSONS. Eu e muitos ficamos consternados por sua vida sofrida, talvez curta, mas completa em si mesma. É minha impressão que a História retomará a obra de GENE CLARK com mais vigor e zelo.
Enquanto isso, encontrem o álbum triplo, “COLLECTED”, postado no centro das fotos, que traz o melhor da produção dele, inclusive “demos recordings” e coisas inacabadas. Vale muito mais do que custa.
GENE CLARK é inigualável! Acreditem: GENE é um gênio!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\01\2022
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AMERICAN BLUES ROCK – PAIXÃO DE MUITOS!

Um dia desses, acordei com o ATLÂNTICO, o meu vizinho mais poderoso, tão lânguido e preguiçoso que logo intuÍ: é o calor!
Não tem jeito! Nem o ZELÃO e família apareceram para dar um alô! Ah, para os que não sabem, o ZELÃO é um imenso URUBU que faz “SPA” no patamar da janela do apartamento.
Acho que ele fica lá cantando “ALL ALONG THE WATCH TOWER”, do JIMI HENDRIX, esperando pra ver se aparece algum peixe pra “caçar”! E todo dia aparecem vários…
Então, fui dar um passeio pela discoteca e lembrei que aprecio – e muito! – o BLUES ROCK! Oh yes, crazy people! Nos 1960/1970, foi moda forte. Boa parte dos rockers que conheci e convivi curtiam e curtem esta inevitável fusão de estilos.
Os ídolos de meus, ooopppsss, nossos ídolos eram, basicamente, gente do BLUES. E boa parte de quem foi jovem do final dos anos 1950 em diante, na Inglaterra principalmente, estava sintonizada em R&B, ROCK AND ROLL e BLUES.
Porém, a maioria dos cantores e músicos do BLUES ORIGINAL jamais aceitou que ERIC CLAPTON, STEVE MILLER, ALLMAN BROTHERS e a turma aqui postada, fizesse o autêntico BLUES. E prevaleceu – para o meu encanto e o de legião imensa – o BLUES ROCK, sua eletricidade e energia!
No Brasil, quem curte um som mais pesado sempre gostou. E dos 1970 em diante, a plateia se dividiu entre os que apreciavam o HARD ROCK, o PROGRESSIVO e o nascente HEAVY METAL.
Então, vamos à FUSÃO criativa em goles, servidos em “frascos” que mantenho na discoteca:
PAUL BUTTERFIELD BLUES BAND é seminal. Aqui, o primeiro álbum gravado em 1965. Nas guitarras estão MIKE BLOOMENFIELD e ELVIN BISHOP. Está bom para começar?
Certamente!
E que tal ícones da guitarra como STEVIE RAY VAUGHAN, JOHNNY WINTER e ALLMAN BROTHERS BAND? Sim, com DUANE ALLMAN e DICKEY BETTS voando alto!!!
Há, também, ROY BUCHANAN, em show deslumbrante. O único pecado venial no disco dele é o vocalista sem inspiração, que não acompanha a performance da banda – espetacular!
Desenterrei da prateleira o LONNIE MACK, ídolo do próprio STEVIE RAY, com quem faz dupla arrasadora nesse disco da cult ALLIGATOR RECORDS!
E, por que não a explêndida “Fusion’ JAZZ/BLUES/ROCK do GOV´T MULE? WARREN HAYNES, o guitarrista, foi quem substituiu DUANE ALLMAN nos A.B.B! Estão em mesmo nível técnico e artístico.
Vamos saltar para a expressiva e veterana BONNIE RAITT, referência entre as mulheres no BLUES contemporâneo; e instigante como sempre!
Passo à frente na estante, e dou de cara com a irrequieta e cult CARLA OLSON, que veio do PUNK, e tem voz e potência para arrasar quarteirões.
Ela gravou disco fundamental de COUNTRY – ROCK , com o ex – BYRDS GENE CLARK. E este outro em parceria ao vivo com MICK TAYLOR, ex- ROLLING STONES. É diversão e currículo avançado para quem fizer “mestrado” em ROCK’ N’ ROLL!
BOB SEGER, surgiu na tela. Vocês se recordam? Em minha opinião, o BRUCE SPRINGSTEEN aprendeu com ele a ser um ROCKER AMERICANO autêntico – quer dizer algo “loser”…
SEGER, é branco de sua voz negra, e retrata cantando com o vigor das profundezas da alma em “BACK IN 72”.
É um álbum escandalosamente bem feito, acompanhado pela nata dos músicos de estúdios do sul dos EUA, a MUSCLE SHOALS BAND! Uma vereda entre o R&B e o BLUES ROCK na veia!!!
Aliás, esse disco é um dos prediletos do TIO SÉRGIO no gênero. Está comigo faz mais de meio século!
E que tal outros veteranos craques:
BARRY GOLDBERG & BLUES BAND trazendo, CHARLIE MUSSELWHITE na harmônica; e HARVEY MANDEL, na guitarra. É disco raro gravado em 1966.
Vocês já ouviram a SY KLOOPS BLUES BAND?
Mas TIO SÉRGIO, what porra it’s this?
É o velho STEVIE MILLER com pseudônimo, em disco de gente grande lançado em 1994, com as participações de NEAL SCHON, estrela da guitarra, e o prestigiado NORTON BUFFALO, na harmônica. Ouçam, é bem legal!
E aproveitemos para cruzar no caminho com GEORGE THOROGOOD & THE DESTROYERS, em seu melhor e mais divertido disco: HAIR CUT, de 1993! Em seguida, sair para encontrar o festeiro, rústico e alternativo THE RED DEVILS, fazendo show em boteco de periferia, em1992!
Pausar só um pouco faz bem. Enquanto isso, vou apresentar outro BLUES-ROCKER pra lá de CULT que, possivelmente, muitos já ouviram alguma coisa por aí, sem conhecer: JOHN CAMPBELL tem cara demoníaca, voz fortíssima, e é slide-guitarrista exímio. Eu já escutei em várias coletâneas e lugares “DEVIL IN MY CLOSET”, pedrada BLUESY certeira.
Procurem a turma toda pelaí;
The ROCK goes on, forever!
INDEED!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\01\2021
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BIG JOE TURNER – “O” BLUES SINGER!

BIG JOE TURNER – “O” BLUES SINGER!
Como dizem na Alemanha e na Áustria, BIG JOE TURNER É “DAS KARRALHAS”. Eu juro! Ele era de KANSAS CITY, onde a confluência simbiótica entre o BLUES e o JAZZ foi desenvolvida.
E, de lá foi pro mundo, cruzou com COUNT BASIE, cantou e serviu em bares e salões até ser descoberto como outros e outras – muitos outros e muitas outras ! -, por JOHN HAMMOND, grande produtor, que o levou para NOVA YORK.
Os fatos confirmam a existência do mito: BIG JOE botava todo o mundo pra dançar. Fez à perfeição a virada do BOOGIE-WOOGIE para o RHYTHM’N’ BLUES, e dai para o nascente ROCK AND ROLL”. Ele era e sempre será ídolo da geração que singrou dos anos 1950 em diante.
TURNER compôs e gravou muito. É cantor excelente, original, e autor de clássicos sempre regravados:”SWEET SIXTEEN”, “SHAKE, RATTLE and ROLL” , entre vários. E a parceria dele por décadas com o pianista PETE JOHNSON é antológica.
A coletânea dupla aqui mostrada colige a fase áurea na ATLANTIC RECORDS, entre 1950-1959. É o fino do “R&B-BLUES-ROCK AND ROLL”, em simbiose perfeita. O nome das gravações, e os músicos que acompanharam JOE TURNER, eu nem vou citar. Mas você deve pesquisar, porque estelar; solar; é cósmica!
O disco “SINGING THE BLUES”, de 1967, é o BLUES-ROCK moderno burilado por um BLUESMAN clássico, e ainda em excelente forma.
E, como todo super craque do R&B e do ROCK AND ROLL, teve discos lançados pela “BEAR FApMILY RECORDS”, a gravadora boutique alemã, especializada naqueles tempos. Da série ROCKS, este CD sofisticadíssimo abrangendo de “1944 a 1959”, o supra sumo de sua gloriosa carreira.
Qualquer coisa que se pense, ou discos que se tenha ou cite, é insuficiente frente à enormidade do talento, carreira e voz de TURNER!
Percam-se no BLUES. Mas, não percam BIG JOE TURNER. Porque ele é mesmo um BLUES SHOUTER das KARRALHAS!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 18\01\2024
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ARVO PART E AS FRONTEIRAS DA MODERNIDADE

Sempre a curiosidade. A inimiga da monotonia e da repetição, mas desafiadora do bom senso e da autocontenção.
Caçando discos no MERCADO LIVRE, pois o CORREIO cassara minha tranquilidade, porque eu sempre fora previamente avisado da chegada de meus … humm… “stuffs”… e, agora não mais… OOOPS…, parece que voltaram a notificar…
Mas, já aconteceu do “MAIL NACIONAL” devolver Europa adentro as compras que fiz. Fiquei surpreso e indignado, mas adequei-me ao novo método da estatal, que mescla vagabundagem com economia porca em prejuízo da clientela. Paciência sem resignação; mas, fazer o quê?
Então, fiz.
Procurando alguns itens de JAZZ e MÚSICA MAIS SOFISTICADA, tentei encontrar discos da GRAVADORA ECM. Achei vários; e nada baratos. Ouvi apenas um deles, que juntei à foto na expectativa de um possível mix “artístico conceitual” para um comentário.

Sei lá se consegui…E aqui vai a falta de

ARVO PART” E AS FRONTEIRAS DA MODERNIDADE
Sempre a curiosidade. A inimiga da monotonia e da repetição, mas desafiadora do bom senso e da auto-contenção.
Caçando discos no MERCADO LIVRE, pois o CORREIO cassara minha tranquilidade, porque eu sempre fora previamente avisado da chegada de meus … humm… “stuffs”… e, agora não mais… OOOPS…, parece que voltaram a notificar…
Mas, já aconteceu do “MAIL NACIONAL” devolver Europa adentro as compras que fiz. Fiquei surpreso e indignado, mas adequei-me ao novo método da estatal, que mescla vagabundagem com economia porca em prejuízo da clientela. Paciência sem resignação; mas, fazer o quê?
Então, fiz.
Procurando alguns itens de JAZZ e MÚSICA MAIS SOFISTICADA, tentei encontrar discos da GRAVADORA ECM. Achei vários; e nada baratos. Ouvi apenas um deles, que juntei à foto na expectativa de um possível mix artístico-conceitual para um comentário.
Sei lá se consegui…E aqui vai a falta de auto-contenção.
A ECM tem uma série de CLÁSSICOS MODERNOS buscados nas fronteiras da música ocidental. E, como sempre, em nível máximo.
A enorme fama do estoniano ARVO PART foi levantada por MANFRED EICHER e sua turma, que lançou incontáveis obras do, hoje, mais executado compositor contemporâneo.
PART começou “SERIAL – DODECAFÔNICO” e foi nada sutilmente “analisado” por um “COMISSÁRIO-CRÍTICO-CULTURAL” da próspera e desenvolvida Estônia dos anos 1950: A obra dele foi incluída no “Index” como “ocidental e decadente”. E teve a carreira retardada por aquela gente aberta e progressista…
Em 1980, desentendeu-se de vez com os soviéticos e o governo. Então, saiu do país, instalou-se na SUÍÇA, e de lá foi para o mundo. Ele é cristão e sua arte exala isto…
A música de ARVO PART não é nacionalista; não se fixou no folclore e raízes de seu país. Ele faz MÚSICA ATEMPORAL, um arco incandescente unindo ideias do presente, passado e o “do futuro”, também!
ARVO foi inspirado pela MÚSICA RENASCENTISTA e o CANTO GREGORIANO. E construiu dentro do MINIMALISMO um estilo que batizou de “TINTINABULI” – algo como “o soar dos sinos”…
Ele trabalha na linha de PHILLIP GLASS, STEVE REICH e GÓRECKI, compositores criativos contemporâneos.
A música de ARVO PART é uma “hipnótica espiral descendente” cuidadosamente construída – se me faço compreender. É de beleza total!
Procurem o disco “TABULA RASA”, lançado pela ECM, em 1984. Escutem a versão com o violinista GIDON KREMER e dois outros músicos. Lá você verá o que é, e como se toca e “aplica” um “PIANO PREPARADO”. Emocionante!
Falando de fronteiras e religiosidade; e de estar só num mundo isolado e limítrofe com outras culturas, vamos a um achado instigante e único:
A ARMÊNIA FOI O PRIMEIRO “ESTADO” QUE ADOTOU O CRISTIANISMO COMO RELIGIÃO. Foi no ANO DE 304!
E os armênios foram os primeiros a construir uma linguagem de notações musicais! É isso aí, caras! Há composições do século X que sobreviveram e são executadas até hoje, porque escritas, notadas!
É um povo profundamente religioso, mas isolado dos países cristãos, e muito perto dos muçulmanos. Estão na fronteira cultural OCIDENTE-ORIENTE.
A MÚSICA CLÁSSICA deles abarca elementos de CANTOS GREGORIANOS, e se combina aos folclores local e dos vizinhos. O resultado é sonoridade exótica, e muito particular.
Aqui há dois discos que exploram exatamente isso, lançados pela excepcional gravadora “CELESTIAL HARMONIES”.
E também há outro da ECM, com música do armênio TIGRAN MANSURIAN, gravada pelo ARMENIAN CHAMBER CHOIR cantando poemas desse compatriota moderno.
Aliás, é outro disco que comprei porque não estava caro. Escuta-lo fez – me pensar, e remeteu-me à IMENSA RIQUEZA QUE O MULTICULTURALISMO oferece, em oposição ao nacionalismo rústico e impeditivo.
OOOPPPSSS…. enquanto revisava o texto para republicação, janeiro de 2025, o TRUMP retornava à Presidência no HOSPÍCIO DO NORTE, vomitando fel e fogo contra o mundo: Ridículo, antipático e contraproducente.
Em fevereiro de 2020, assisti pela TV a um concerto gravado na Espanha com o maestro sul-coreano “MYUNG – WHUN CHUNG” regendo a “ACADEMIA NAZIONALE DE SANTA CECILIA” (italiana), e tocando adivinhem quem?
ARVO PART.
Somatória multicultural magnífica e instigante! Tchau, OGRO DONALD!
TIO SÉRGIO recomenda efusivamente os discos aqui postados!

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A ECM tem uma série de CLÁSSICOS MODERNOS buscados nas fronteiras da música ocidental. E, como sempre, em nível máximo.
A enorme fama do estoniano ARVO PART foi levantada por MANFRED EICHER e sua turma, que lançou incontáveis obras do, hoje, mais executado compositor contemporâneo.
PART começou “SERIAL – DODECAFÔNICO” e foi nada sutilmente “analisado” por um “COMISSÁRIO-CRÍTICO-CULTURAL” da próspera e desenvolvida Estônia dos anos 1950: A obra dele foi incluída no “Index” como “ocidental e decadente”. E teve a carreira retardada por aquela gente aberta e progressista…
Em 1980, desentendeu-se de vez com os soviéticos e o governo. Então, saiu do país, instalou-se na SUÍÇA, e de lá foi para o mundo. Ele é cristão e sua arte exala isto…
A música de ARVO PART não é nacionalista; não se fixou no folclore e raízes de seu país. Ele faz MÚSICA ATEMPORAL, um arco incandescente unindo ideias do presente, passado e o “do futuro”, também!
ARVO foi inspirado pela MÚSICA RENASCENTISTA e o CANTO GREGORIANO. E construiu dentro do MINIMALISMO um estilo que batizou de “TINTINABULI” – algo como “o soar dos sinos”…
Ele trabalha na linha de PHILLIP GLASS, STEVE REICH e GÓRECKI, compositores criativos contemporâneos.
A música de ARVO PART é uma “hipnótica espiral descendente” cuidadosamente construída – se me faço compreender. É de beleza total!
Procurem o disco “TABULA RASA”, lançado pela ECM, em 1984. Escutem a versão com o violinista GIDON KREMER e dois outros músicos. Lá você verá o que é, e como se toca e “aplica” um “PIANO PREPARADO”. Emocionante!
Falando de fronteiras e religiosidade; e de estar só num mundo isolado e limítrofe com outras culturas, vamos a um achado instigante e único:
A ARMÊNIA FOI O PRIMEIRO “ESTADO” QUE ADOTOU O CRISTIANISMO COMO RELIGIÃO. Foi no ANO DE 304!
E os armênios foram os primeiros a construir uma linguagem de notações musicais! É isso aí, caras! Há composições do século X que sobreviveram e são executadas até hoje, porque escritas, notadas!
É um povo profundamente religioso, mas isolado dos países cristãos, e muito perto dos muçulmanos. Estão na fronteira cultural OCIDENTE-ORIENTE.
A MÚSICA CLÁSSICA deles abarca elementos de CANTOS GREGORIANOS, e se combina aos folclores local e dos vizinhos. O resultado é sonoridade exótica, e muito particular.
Aqui há dois discos que exploram exatamente isso, lançados pela excepcional gravadora “CELESTIAL HARMONIES”.
E também há outro da ECM, com música do armênio TIGRAN MANSURIAN, gravada pelo ARMENIAN CHAMBER CHOIR cantando poemas desse compatriota moderno.
Aliás, é outro disco que comprei porque não estava caro. Escuta-lo fez – me pensar, e remeteu-me à IMENSA RIQUEZA QUE O MULTICULTURALISMO oferece, em oposição ao nacionalismo rústico e impeditivo.
OOOPPPSSS…. enquanto revisava o texto para republicação, janeiro de 2025, o TRUMP retornava à Presidência no HOSPÍCIO DO NORTE, vomitando fel e fogo contra o mundo: Ridículo, antipático e contraproducente.
Em fevereiro de 2020, assisti pela TV a um concerto gravado na Espanha com o maestro sul-coreano “MYUNG – WHUN CHUNG” regendo a “ACADEMIA NAZIONALE DE SANTA CECILIA” (italiana), e tocando adivinhem quem?
ARVO PART.
Somatória multicultural magnífica e instigante! Tchau, OGRO DONALD!
TIO SÉRGIO recomenda efusivamente os discos aqui postados!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\01\2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

ACEITO DISCOS DE VINIL OU CDS : RECICLO AS TUAS TRALHAS

SABE AQUELAS PORCARIAS ANTIGAS FEITAS NOS ANOS 1950,1960 E 1970, 1980, E QUE O TEU PAI, TEU NAMORADO, TUA MÃE, E TIA ODIAVAM?
ACEITO, TAMBÉM, VELHARIAS EM DISCOS DE 78 ROTAÇÕES. E MELHOR AINDA SE TIVEREM SIDO GRAVADAS POR GENTE ESTRANHA E POBRE. SEI LÁ, TEM UM MONTE: ONDE JÁ SE VIU ALGUÉM CHAMAR “BIG JOE TURNER”, “LEADBELLY”, “SONNY BOY WILLIANSOM”, “ROBERT JOHNSON”, “B.B.KING”? É LIXO QUE TAMBÉM RECICLO.
E AQUELA COISA HORROROSA, JAZ, DE JAZER? OU SERÁ JAZZ? TAMBÉM FAÇO UM SACRIFÍCIO. EU RETIRO E MANDO PRA RECICLAGEM. MÚSICA DE PEDRA (ROCK, ACHO) EU TAMBÉM TE LIVRO DO PROBLEMA. E SE FOREM AQUELES DISQUINHOS PEQUENOS, IMPRESTÁVEIS QUE, PRA PIORAR, TÊM FOTO DO ARTISTA OU DA BANDA NA CAPA. SÃO BAGULHOS CHAMADOS COMPACTOS, SINGLES, ESSA ESTROVENGA TODA. E SE FOR GENTE FEIA E CABELUDA EU DOU CABO PARA VOCÊ MAIS RÁPIDO AINDA! E QUANDO EMPUNHAM UMA GUITARRA FICA MAIS FÁCIL AINDA!
E SE NO MONTURO HOUVER ALGUM PRETO OU PRETA, GENTE DE COMUNIDADE, SABE, COM NOME ESTRANHO DO TIPO “CARTOLA”, “MONARCO”, OU “WALTER ALFAIATE ( QUE APELIDO RIDÍCULO!!! ), INCLUSIVE AQUELE MONTE DE CARIOCAS E BAIANOS QUE SÓ JAPONÊS GOSTA – E VAI SABER O PORQUÊ?!? – EU TAMBÉM RETIRO E DEPOIS VEJO O QUE FAÇO.
MINHA MULHER DEIXOU EU CONSTRUIR UM DEPÓSITO PARA ESSAS COISAS EM NOSSO APARTAMENTO. DAQUI UNS TRINTA ANOS, DEPOIS DE TODO O CHORUME TER SIDO ESCORRIDO, TALVEZ EU DOE PRA ALGUM ESQUISITO E DESAVISADO.
ENTÃO, QUALQUER COISA TRATAR COM O INTRATÁVEL AQUI. E NÃO CHAMEM ANTES OUTROS CARAS POR AÍ, TÁ?
OBRIGADO?
É; EU SOU OBRIGADO A TE LIVRAR DISSO. QUESTÃO DE SOLIDARIEDADE!
POSTAGEM ORIGINAL: 27\01\2024
Pode ser uma imagem de 5 pessoas, banca de jornais e texto