O PIANO E SUAS VANGUARDAS EM DOIS CONCEITOS

Se você quiser construir uma casa é bom pensar o projeto desde o início.
Supondo-se que já exista o terreno e uma certa grana disponível, a próxima atitude é “ESBOÇAR” o que se pretende. Ter ideia básica de tamanho e funcionalidades.Em seguida, contrate um arquiteto para refinar o projeto e torná-lo o mais exato possível à sua necessidade, intenção e conceito de beleza. Assim, “o espírito da sua vontade” toma a sua primeira materialidade formal.
Mas antes de pôr mãos à obra há um terceiro passo imprescindível: a elaboração de um PROJETO EXECUTIVO onde tudo estará definido: os roteiros, etapas, prazos, custos, etc…
Agora, observe as semelhanças com a COMPOSIÇÃO MUSICAL ESCRITA. Principalmente na MÚSICA CLÁSSICA, por aqui conhecida como ERUDITA:
O COMPOSITOR tem uma ideia, desenvolve e sugere a melodia. Em seguida, vai escrevendo a PARTITURA onde constam o ritmo, o andamento, harmonias… E estabelece no curso desta CONSTRUÇÃO outros elementos constituintes que procuram expressar o que ele esboçou.
A PARTITURA É O PROJETO EXECUTIVO DA MÚSICA!
O local onde as orientações para a execução da obra estarão definidas. É o parâmetro para a SENSIBILIDADE de cada músico e a correta regência do maestro realizarem a intenção do COMPOSITOR.
Se na MÚSICA ESCRITA é possível orientar para que não se improvise, na vida nem sempre é possível, necessário, ou até desejável que isto ocorra. O acaso e a criatividade contam e podem ser perfeitos e pertinentes.
Dia qualquer comprei CDS na lojinha do SESC de São Paulo. Um deles deixou-me fascinado! “PIANO PRESENTE”, 2013, da exímia pianista, pesquisadora e professora JOANA HOLANDA. É obra de ousadia exata e planejada.
O PIANO é a maior invenção musical da humanidade, leio na apresentação do álbum. É instrumento de incontáveis recursos. Nele é possível “reproduzir tudo”; o que o torna ideal para criar composições, ajustar ideias e até conceber iconoclastias variadas.
O PIANO É UMA ORQUESTRA EM SI MESMO.
JOANA neste seu único disco – pelo que sei – grava composições de NOVE autores da vanguarda musical “CONTEMPORÂNEA” brasileira (vá lá, talvez acrescentar o ERUDITA, como se prefere no Brasil) abrindo mentes e possibilidades para um gênero difícil, pouco divulgado e necessariamente elitista – ao menos num primeiro momento….
JOANA HOLANDA expõe o trabalho deles como foram escritos, e nos faz perceber as dificuldades técnicas impostas por cada uma das obras escolhidas. Os COMPOSITORES são todos professores universitários de música, renomados em suas respectivas cátedras, e atuantes em sala de aula e recitais.
É instigante perceber em cada uma das obras linhas que as compõe; os impasses em que chegam e as soluções encontradas. Foram todas pensadas para fugir de algum desfecho óbvio, vez por outra parecendo inevitáveis.
Um dos papéis da ESCRITA MUSICAL é controlar os impasses, exibir soluções; portanto, procurar não perder o artístico que sempre se reivindica. E, claro, ajudar a encontrar o diferente mesmo quando “NÃO NOVO” – se me expressei de maneira inteligível.
Quanto à intérprete, é pianista estudiosa, competente e dedicada à música brasileira ERUDITA DE VANGUARDA CONTEMPORÂNEA. JOANA literalmente estuda e dedilha o instrumento buscando expressar o inédito com seus detalhes e armadilhas. Embate muito difícil!
É como recriar e não apenas armar um quebra-cabeças. Ela vai encaixando as peças adequadamente com fluidez, ritmo e, muito importante, naturalidade. É preciso ser craque para transmutar o lido e pensado na PARTITURA em espontaneidade artisticamente reconhecivel.
JOANA HOLANDA pertence ao universo de outras duas professoras brasileiras fundamentais: JOCY de OLIVEIRA a pioneira, no BRASIL, da música ELETROACÚSTICA. E MARISA REZENDE, pianista e compositora de “MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA”, com extensa obra escrita e gravada e, também, representada nesse disco.
Realizar esse trabalho imenso requer apoio. Compor e dedicar-se à MÚSICA DE VANGUARDA, ou a qualquer arte de ponta, é atividade com riscos de mercado evidentes. E só pode ser realizada se houver incentivos e subvenções oficiais de INSTITUIÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS como o SESC. Ou de a gatos pardos dedicados ao mecenato – mais raros ainda….
É arte necessariamente permeada pelo mérito. Mas é preciso descobrir os talentosos ou esforçados nas escolas e ambientes propícios. Portanto, é imprescindível incentivar, desenvolver e financiar posturas de iconoclastia consciente para atingir outro nível de criatividade. Resumindo, criar arte do futuro exige um sentido de cidadania que no BRASIL está em falta.
E este “papo de urubus” nos leva à hipótese de que A MÚSICA CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA seja a antítese da IMPROVISAÇÃO JAZZÍSTICA. Ambas são plenas de criatividade. Porém, a atitude frente ao piano é o fundamental.
JOANA HOLANDA claramente não é e nem pretende ser KEITH JARRETT, CHICK COREA ou HERBIE HANCOCK. Mas na coletânea PIANO 1 estão outros pianistas também chegados ao JAZZ FUSION e de criatividade variada:
Temos o consagrado RYUICHI SAKAMOTO, que trabalhou de TOM JOBIM a DAVID SYLVIAN, passando por outros mundos. EDDIE JOBSON, musicista fantástico, e bem conhecido pela turma do ROCK como violinista que esteve com o CURVED AIR e o ROXY MUSIC. E JOACHIM KUHN, craque alemão com vários discos gravados para ECM. E aqui fazendo versão criativa da “internacional-brega” “FEELINGS”. Acredite, a versão dele ficou bem legal!
Então, vamos apreciar a Professora JOANA HOLANDA e seus múltiplos conhecimentos. TIO SÉRGIO garante que ninguém vai se arrepender!
POSTAGEM ORIGINAL: 22\07\2022
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COLECIONADORES, CÃES E GATOS: INSTINTOS – RARIDADES E OUTRAS HISTÓRIAS

Três animais de instinto aguçado: sentem o cheiro e vão atrás das caças. Ouvi de uma veterinária que o gato deixa tudo e persegue por quilômetros, dias, cheiro qualquer que o interessou! Os cães farejam, encontram e apontam o alvo.
Colecionadores fazem mais ou menos a mesma coisa: correm obsessivamente por décadas atrás de uma ideia, de um som, um livro, um sei lá o quê… No meu caso, sismo com determinada música às vezes ouvida há trinta, quarenta, cinquenta anos atrás!
Os discos da postagem são eivados por canções memoráveis – ao menos para mim – e ilustram o texto. Escutei durante a vida incontáveis melodias e não esqueci. Eu não sabia quem eram os artistas, e nem onde estavam as gravações. Mas fui xeretar e tentar conseguir.
Desde criança, alguns desses fragmentos sonoros impregnam-me. Instalaram-se em minha cabeça; e tocam durante anos dentro do cérebro. São coisas, eu acho – melhor dizer eu tenho certeza! – que de certa maneira ouvi….
Antes da INTERNET era muito difícil encontrar os discos, origens. TIO SÉRGIO exercitava um jogo de memória e comparações para tentar concluir quem estaria cantando ou tocando. Farejava, ruminava cérebro adentro. E deu certo na maioria das vezes.
No final dos anos 1960, comprei por preço extorsivo três fitas
“FITAS K7”, gravadas por um sujeito cheio de grana e acesso a discos e “tapes”.
Sei lá como cheguei até o cara! Joaquim era um playboy curtidor da noite e possuía um amontoado de compactos e fitas importados. E os punha pra rolar em boates da moda – lugares onde jamais estive, e que depois se perderam na cachoeira dos tempos.
As músicas foram captadas – capturadas? – principalmente do HIT PARADE americano em momento determinado daqueles tempos. Coisas escondidas, escorregadas no PICK-UP de um D.J. anônimo em recanto qualquer da AMÉRICA. Mal atingiam a parada nacional do “HOSPÍCIO DO NORTE”. Pilhas de lixo e preciosidades convivendo lado-a-lado esquecidas, subestimadas, negligenciadas.
O acesso `aquilo tudo era difícil e, como sempre, impermanente, surpreendente, porque gravados em discos legais, mas que ninguém conhecia. A imensa maioria permaneceu no limbo.
Pois bem, comprei muito daquelas coisa posteriormente, e ao longo de décadas. Fui descolando aos poucos.
Dia incerto, anos atrás li matéria na “RECORD COLLECTOR” sobre um produtor da década de 1960, chamado “CURT BOETTCHER”. O jornalista que o entrevistou citou o hipotético nome de certa música, “MRS. BLUE BIRD”… Era uma das minhas memórias!
Pesquisei, encontrei o CD dos “ETERNITY´S CHILDREN”, lançado em 1968. É delicioso.
SUNSHINE POP para quem aprecia o “MAMAS & THE PAPAS”, “THE ASSOCIATION”, e a linha soft da PSICODELIA.
Aos poucos fui descobrindo música por música da fita. No álbum “A CHILD IS A FATHER TO THE MAN”, o primeirão do “BLOOD, SWEAT and TEARS”, 1968, está a encantadora “MORNING GLORY”, um show de interpretação e voz de STEVE KATZ. Encontrei outra mais ouvindo o “VANILLA FUDGE”: “SOME VELVET MORNING”, 1968.
E descolei por absoluto acaso pérola em um disco da banda “OHIO EXPRESS”: procurem ouvir “BEG, BORROW & STEAL”, 1968, um sensacional GARAGE ROCK! Assim como “I SEE THE LIGHT”, lado B de “A LITTLE BIT OF SOUL” , 1968, sucesso de outra banda de “BUBBLEGUM” algo “GARAGE-FAKE”, “THE MUSIC EXPLOSION”.
E assim, diversas várias foram surgindo feito espinhas na cara de adolescentes…
A turma que aprecia R&B precisa conhecer “THE GOODEES”, trio de mulheres brancas que fez um “PSICHEDELIC SOUL” matador chamado “CONDITION RED”, em 1969. É na mesma linha do excelente HIT menor “NATHAN JOHN”, gravado pelas “SUPREMES”. Toda essa turma habita minhas estantes.
Acho que faltaram umas três ou quatro músicas interessantes naquelas fitas que jamais identifiquei ou descolei. E, confesso, tenho “RETROGOSTO AUDITIVO” – humm!!! – de apenas uma que, também, não tenho pista do que seja. Era violentíssima, em 1968, até para coisas do BLUE CHEER!
E assim, cacei, comprei, troquei e aos poucos fui colecionando “NUGGETS” “BANDAS DE GARAGEM”. Muita música legal escondida na bruma do tempo faz parte do repertório de bandas “quase inexistentes” como “SOUTHWEST FOB”, “FORUM QUORUM”, “THE HOBBITS”, “NEW COLONY SIX”, “PEPPERMINT TROLLEY CO.” Ou CULTS quase famosos como “THE BEAU BRUMMELS”, “THE STANDELLS”, e centenas encontrados no cheiro, na raça e no chute em décadas de capinagens por sebos, livros, revistas, acasos e o vasto etc… que a vida desvela.
CODA
Dia qualquer, em uma das lojas de CD que tive, a CITY RECORDS, apareceu um cliente mais ou menos da minha idade e perguntou se eu identificaria certa música que açoitara o cérebro dele por décadas dele. Cantarolou. E eu matei de cara: “THE WORST THAT COULD HAPPEN”, com THE BROOKLIN BRIDGE, 1968. Importei e vendi o disco. Ah, essa eu não tenho…
Assistindo a filme antigo e banal na televisão, descobri outra canção que me torturava desde 1971! De repente, ela impregnou meu cérebro e imaginação. Fui ao GOOGLE, escrevi trechos da letra, informei que poderia estar em alguma trilha sonora. E vá lá, Bingo! ENCONTREI!
É um filme francês chamado “UN BEAU MONSTRE”, e a música se chama “STAY”. Foi gravada por um grupo “POP/PROGRESSIVO” BELGA e quase famoso na época: “WALLACE COLLECTION”.
A música é BABA PURA, e hoje parece-me um tanto óbvia. Mas e daí? Está na coleção guardadinha.
Os que apreciam o POP romântico daqueles tempos vão gostar dessas duas “babas.
Da minha parte, fico satisfeito por ter usado a expressão CODA em outro contexto. Ela vem da música. É um restinho da música, ou acorde, que soa depois da música ter tecnicamente acabado. E, aqui, é um restinho de texto agregado à ideia principal da postagem.
POSTAGEM ORIGINAL:  20\07\2022
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VAMOS “RIFFAR” ? ALGUNS RIFFS CLÁSSICOS DO ROCK E PELAÍ. E FALTAM MUITOS E MUITOS!!!!

TIO SÉRGIO, está faltando música de montão?!?!
Está, sim! Ou não lembrei, ou não tenho na discoteca!
TIO SÉRGIO, cadê o SWEET CHILD OF MINE, do GUNS & ROSES? E o METTALICA, com ENTER SANDMAN? E o COME AS YOU ARE, do NIRVANA?
O TIO SÉRGIO também adora, mas deixou de ter. E o motivo é motivo meu, pô! E vocês os encontram fácil por aí…
Mas generoso como manda o BUDAH, o TIO trouxe estes:
Começo pelo início, humm!!! DUANE EDDY: A enciclopédia dos RIFFS. Tudo o que inventaram mais ou menos passou por lá!
Selecionei os BEATLES, claro! Em “I Feel Fine”, a mais YARDBIRDIANA gravação deles! Os KINKS? Ora! ” You Realy Got Me”! The TROGGS? “Wild Thing” – tá bom?
Agora, ponto e parágrafo:
Jamais esqueceria os YARDBIRDS nem sob tortura. E vamos de “Heart Full Of Soul” com JEFF BECK expondo o porquê tornou-se quem foi!! LED ZEPPELIN? “Whole Lotta Love”, por supuesto, em meio a vários legados pelo JIMMY PAGE.
Os ROLLING STONES? “Jumping Jack Flash” funciona? Trouxe o FREE, nítido e cristalino: “All Right Now” é clássico atemporal nas cordas de PAUL KOSSOF. Recrutar o BLACK SABBATH é fácil!!! “Paranoid” é imbatível, né TOMMY IOMMI?
E vamos a outro parágrafo:
JETHRO TULL? Não pode faltar “Acqualung”, é óbvio – MARTIN BARRE arrasa; DEREK & THE DOMINOS, com ERIC CLAPTON na “infaltável” (meu Santo Colombino!!!! ) “Layla”, concordam? DEEP PURPLE entra redondinho, facinho, “Smoke On The Water” cravando com RITCHIE BLACKMORE. Para WEST, BRUCE & LAING, o TIO pensou em “Why Dont´cha”! DAVID BOWIE é certeiro e direto com “Rebel, Rebel”. AHHH, recuperei mais um perdido no espaço: JAMES, em “Born Of Frustration”, hit lá pelo ano 2000. É pop pegajoso, com RIFF plantado no meu cérebro!
Agora, trancado por cadeado de ouro, o maior criador de RIFFS do HARD-BLUES de 1970 em diante: RORY GALLAGHER. Escolhi “Shadow Play”! Mas na discografia dele a gente encontra mais, muito, muito mais… Então, finalizando para o todo sempre (definitivamente talvez?), o IRON MAIDEN em “The Number Of The Beast””.
TIO SERGIO propõe uma questãozinha: Será que existe RIFF de CONTRABAIXO?
Bom, se existir invoco MILES DAVIS:
Em “So What?”, 1959, lá pelos 65 segundos PAUL CHAMBERS faz um “RIFF HISTÓRICO” introduzindo a bateria de JIMMY COBB!!!
E o JAZZ assestou rumo em direção à eternidade!!!
Experimentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 19\07\2020
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BRAD MEHLDAU TRIO , LIVE , 2008 – E OUTROS QUITUTES EM MESMO NÍVEL

O disco foi gravado em Nova York, no “VILLAGE VANGUARD”, em curta temporada entre 11 E 15 de outubro de 2006. São três feras lideradas pelo excepcional pianista “BRAD MEHLDAU”.
É JAZZ CONTEMPORÂNEO sem masturbações exibicionistas e de alta qualidade técnica e musical. A gravação é da NONESUCH RECORDS, garantia de audiofilia.
“MELDHAU” é um superdotado estilista e vem acompanhado pelo baixo exato de “LARRY GRANADIER”, que mantém criativamente o andamento para “BRAD” e o fantástico baterista “JEFF BALLARD” – que faz solos em ritmo e intensidade alucinantes!
O TRIO perfirma “Wonderwall”, do “OASIS” e “BLACK HOLE SUN”, do “SOUNDGARDEN”. Dois clássicos do ROCK ALTERNATIVO da década de 1990. Viaja por “JOHN COLTRANE” e “CHICO BUARQUE DE HOLANDA”. E visita outras músicas contemporâneas.
Os arranjos são “TRANSFIGURADOS” e se abrem para formas que tornam as “peças” quase irreconhecíveis – como é característico no JAZZ CONTEMPORÂNEO.
Em conjunto eles realizam “CONTRA – OBVIEDADES” nas quase duas horas e meia de música deste álbum duplo.
É um enorme “HAMBURGÃO”. Verdadeiro “BIG BRAD” feito para saciar a fome de JAZZ e seus arredores!
“MEHLDOU et CATERVA” cozinham pratos de alto teor nutritivo para ouvidos atentos. E liberam energias que iluminam o quarteirão em repertório temperado com “BALADAS” e “BLUES”, completando um cardápio de bom gosto e bem temperado, “mas sem Cravo” – que piadinha sem graça, TIO SÉRGIO…
O trio sempre expõe versatilidade tecendo no espaço sonoridades melódicas, mas sem capotar no convencional. Arte relevante incorpora essas coisas…
Para abrir o apetite, trouxe aqui um supermercado com a “BRADOLOGIA”, que venho colecionando.
Confiem no TIO SÉRGIO, procurem pelaí e alimentem – se. Porque é um arraso!
POSTAGEM ORIGINAL 19\07\2026
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JETHRO TULL, 1968/1972, ORIGENS: DO FOLK – BLUES `AS FRONTEIRAS DO ROCK AO PROGRESSIVO

Há possíveis mitos e verdades sobre o JETHRO TULL. Aprendi com meus alfarrábios que IAN ANDERSON foi assistir a um show de SIMON & GARFUNKEL, e comentou: “Mas é só isso? Pô, eu consigo fazer melhor!!!”
E fez, em minha opinião! Aliás, fizeram…
Mito ou verdade?
Em um dos encartes, ANDERSON conta que trocou sua guitarra que havia pertencido a LEMMY – AHHHH… vocês sabem quem é!!! – por uma flauta “Selmer” “de entrada”. E foi o que deu o tom diferenciado à banda e fama a ele mesmo.
Porém, o TRAFFIC, também inglês surgido em 1967, já usava flautas, sopros; e, sabe-se lá, pode ter sido a inspiração…
É também verdade que TOMMY IOMMI, futuro BLACK SABBATH, tocou uns meses no TULL, em 1968, mas não gravou com a banda. Porém, ele toca guitarra naquele disco famoso lançado posteriormente, chamado “ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS”, onde o TULL participa.
Tudo isto é acessório e imagem. O que vale, mesmo, é a imensa obra concebida, burilada e parida, onde MARTIN BARRE despontou e se firmou como o “guitar man” sinônimo da banda.
É bastante curioso que o JETHRO TULL não tenha ao menos tangenciado a PSICODELIA. O primeiro álbum, “THIS WAS”, era algo garageiro e próximo ao “ENGLISH BLUES” daqueles tempos. Damos graças à MICK ABRAHAMS, o guitarrista.
O JETHRO justapôs o BLUES ao FOLK, e ornamentou com tingimentos JAZZÍSTICOS. E fizeram versão áspera e rude para “Serenade to a Cockoo”, de ROLAND KIRK , um multi-saxofonista e tocador de outros “metais”.
Mas há também ali algo de “DAVE BRUBECK”, digamos… Porém, um quê injetado por ANDERSON impediu que a música descambasse de vez para o “EASY LISTENIN”. IAN ANDERSON toca e faz “scating” com a voz, como fazia ROLAND KIRK. E o caminho não ficou tão longe para aproximar o grupo ao JAZZ. A música se
tornou “rocksticamente” delicada.
O FLEETWOOD MAC, SAVOY BROWN, TEN YEARS AFTER, PINK FLOYD, FREE e HUMBLE PIE e, claro o JETHRO TULL, são “vizinhos” de geração. E todos entre 1967 e 1969, estavam naquele “lusco-fusco” sonoro `a época não muito bem especificado. Não eram PSICH, nem FOLK, e nem BLUES. E ainda não havia sido definido completamente o conceito de ROCK PROGRESSIVO.
Não durmam com um barulho desses!!!!
O JETHRO TULL como o conhecemos surge à partir do segundo L.P, “STAND-UP”, lançado em 1969; e se estabiliza no magnífico BENEFIT, de 1970. E ambos entre o pesado e o FOLK; o urbano e o bucólico.
Prestem atenção no craque JOHN EVANS arrasando no piano! Ouçam e tenham o imprescindível e “quasi”- coletânea dupla “LIVING IN THE PAST” (1972). É artefato gráfico dos mais sofisticados já produzido na indústria musical!!
Atentem para a espetacular gravação ao vivo! Eles foram e são um grande sucesso nos EUA e mundo afora! Ultra merecidamente, diga-se!
Em 1971, a banda sobe como foguete com “ACQUALUNG”. Arquivem na mente aquele riff histórico e matador. É álbum conceitual que marcou época, inclusive pela capa impactante.
Para a imensa legião de fãs é o melhor que fizeram. Ainda bem que não há concordância plena! Porque alguns de seus LPs estão em mesmo nível!
E, por que tal impulso?
Uma das razões é a simbiose entre a flauta de IAN e o virtuoso guitarrista MARTIN BARRE, que incrustou no grupo a essência da guitarra pós HENDRIX, BECK, PAGE E CLAPTON: Distorção controlada, agressiva e ao mesmo tempo melódica e fora dos cânones do BLUES. A guitarra soa mais próxima a DAVID GILMOUR – vocês conhecem, é claro! – portanto mais progressiva; mais tempos futuros…
MITO e RITO prontos; e o foguete permaneceu siderando. É o JETHRO TULL clássico e inconfundível que paira na estratosfera da música! Magnífico até hoje!
“THICK AS A BRICK”, também gravado em 1972, é o começo de nova história. E tão grande e variada quanto essa. Mas cheia de percalços exigindo outras visões para decifra-la. Qualquer hora, o TIO SÉRGIO tenta.
Ah, tá; se alguém não lembra do LEMMY, eu refresco a memória. Foi o histórico baixista e cantor de voz rouca, fundador do MOTORHEAD. Nada a ver com o TULL? Sabe-se lá…
Percam-se no som e talento desta banda inigualada!
POSTAGEM ORIGINAL: 16\07\2026
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MARISA MONTE, JORGE BEN (JOR) E DAVE BRUBECK QUARTET: SINTONIAS

Várias vezes eu questiono o porquê de certos discos terem sido tão impiedosamente criticados?
Rondando minha discoteca, enfiei a mão na “braguilha” de uma estante e puxei o primeiro CD que o meu assédio encontrou: “MARISA MONTE”: “O QUE VOCÊ QUER SABER DE VERDADE”, lançado em 2011, pela EMI.
Eu havia escutado meio por alto. Mas cansado pelo trampo doméstico, e pela mudança de lugar e reinstalação de um par de caixas acústicas, sentei; e coloquei o CD – deixei rolar, e gostei.
É um disco singelo, jovial e cheio de canções de amor bem contemporâneas feitas por trio de superdotados: “MARISA”, “CARLINHOS BROWN” e “ARNALDO ANTUNES”.
“ARNALDO” é letrista telegráfico, escorreito, conciso e claro. “MARISA” é excelente cantora, muito agradável! E juntos com BROWN, DADI e outros, conseguem canções melódicas e cativantes. Ao contrário de muita gente, o TIO SÉRGIO achou o álbum bem feito, e deliciosamente emocional.
Claro, irei além de HITS como “DEPOIS”; há outras pequenas delícias: AMAR ALGUÉM, O QUE SE QUER, ERA ÓBVIO, HOJE EU NÃO SAIO… Tudo funciona a contento, sem a pretensão de ser OBRA DE REFERÊNCIA – eita, TIO! deixa de ser “burocra”!
Mas logo de cara, na segunda faixa está “DESCALÇO NO PARQUE”, de “JORGE BEN (JOR)”. A canção é pegajosa, “chicletesca”, e foi gravada originalmente pelo autor, em 1964. Esta nova versão também é muito legal!
No entanto, contudo, todavia e porém, os seis neurônios do TIO SÉRGIO ( até outro dia contaram cinco… ) identificaram, parearam e compararam com “TAKE FIVE”, do DAVE BRUBECK QUARTET, lançada em 1959.
Conclusão: Eu quero ser “CASTRATO” em ÓPERA BUFA, se não for a mesma música!
Vai lá, e confere!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 12\07\2025
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“INSÔNIAS: E O “OUTONO DE MINHA LOUCURA”!

MEMÓRIAS DO PROCOL HARUM; GRATEFUL DEAD; JEFFERSON AIRPLANE. E A INSANIDADR CRIATIVA DOS PIXIES
“In the autumn of my madness, when my hair is turning gray”… canta GARY BROOKER, em uma das faixas de “SHINE ON BRIGHTLY”, obra maior do genial, subavaliado e irrepetível “PROCOL HARUM”, lançada em 1968!
Clássico do ROCK na transição entre o PSICODÉLICO e o PROGRESSIVO, é disco acessível para quase todo gosto musical.
É Lindo e triste; “BRITISH”. A construção das letras é sublime. Eles tinham letrista exclusivo, KEITH REID; sofisticadíssimo! Em nível com a música que o PROCOL HARUM fez.
GARY BROOKER morreu. E como FREDDIE MERCURY e JIM MORRISON deixou uma cratera intransponível. Não haveria jeito de continuar o grupo. Certas perdas são definidoras e definitivas.
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa quando a insônia recorrente assola, e desencadeia medos e paranoias. E ativa desconexões entre os fatos objetivos. Ela realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio, e me faz sofrer antecipadamente por algo que talvez jamais ocorra. É parte do outono da minha vida – loucura? É possível. Eu estou envelhecendo….
Algum tempo atrás, eu li no Estadão que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. Detalhe: é sobre as que ficaram, sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os “1960”; da cultura hippie à contestação política e comportamental. BILL não se lembra dos CONCERTOS, das JAM-SESSIONS ininterruptas, verdadeiras “RAVES SEM D.Js”.
JERRY GARCIA, mito do ROCK, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD morreu durante um processo de desintoxicação. Teve um infarto aos 53 anos, em 1995. O estado “natural” dele sempre fora estar constantemente “nublado”. JERRY preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. Então, o corpo definiu: “e finito!”
JERRY GARCIA não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL que ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Mais claro, é impossível.
O GRATEFUL DEAD é a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa de sua época. Porém sábia e realisticamente se tornou empresa que produz, vende e administra os RITOS que mantêm o MITO em movimento. Estão corretos. Quem não age assim, é explorado e morre.
O GRATEFUL DEAD começou como todos. Inspirados nos BEATLES, STONES e na turma do COUNTRY e do BLUES americano. O primeiro disco é bastante convencional. Mas do segundo em diante, para usar a expressão da época, houve DESBUNDE total. Eles nunca mais REBUNDARAM!
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nas gravações ao vivo. As performances lembram resquícios do FREE – JAZZ, na tentativa de expandir a música “ad-infinitum”. Mas percebe-se nitidamente alguma limitação técnica, e repetição nos desempenhos.
É a forma livre de ver e executar obras que mesclam BLUES, ROCK e algo de JAZZ sempre exalando um quê da COUNTRY MUSIC…. O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube que o idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eita nominho!!!!
Entre os artistas contemporâneos do DEAD eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia.
Porque fizeram músicas mais enxutas; combinando EXPERIMENTAL e MUSICAL na medida certa. O caras eram tão desviantes comportamental e filosoficamente quanto o DEAD. E ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
Deixei exemplos dessa turma “nublada” na foto…
Por causa da insônia, noite incerta o TIO SÉRGIO acabou assistindo a um show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre o pato e o sapato: avesso do avesso total do GRATEFUL DEAD, PROCOL HARUM, e os nublados PSICH/PROGS em geral.
PIXIES fazem ROCK, claro; mas de outra estirpe. Talvez seja a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991; e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, de bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá, e resiste até hoje. O PIXIES estive por aqui, no HOSPÍCIO DO SUL, conhecido como BRASIL. E continuam circulando impunes…
A música do PIXIES é dura, curta, visceral, mas bem tocada. FRANK BLACK, o vocalista gorducho e gritalhão é a improvável mistura de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Ele vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias, ou sensações de alguma vivência… FRANK é lenda no PUNK e no GRUNGE; KIM DEAL, a baixista, também é! e JOEY SANTIAGO, o guitarrista eficaz ajuda efetivar a gandaia non-sense generalizada.
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED espreita os “WILD SIDES”- os portais do inferno urbano; BLACK FRANCIS – isso mesmo – et caterva parecem saídos de um CURSO PARA TREINAR DRAGÕES: cospem fogo pra todo lado! O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge de repente casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, e “anarquicamente organizados”! Os caras fazem show legal de assistir!
Mas será que o TIO SÉRGIO gosta mesmo daquilo? Tenho dúvidas… Em meio ao caos acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! Mas a vida nem sempre é tão óbvia assim!
E ainda bem!
POSTAGEM ORIGINAL 11\07\2022
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A TERCEIRA MARGEM DO RIO: A INSÔNIA E AS VIAGENS QUE ELA ME OBRIGA

A SAGA INDEPENDENTE DO ROCK PSICODÉLICO NORDESTINO
Noite insone dessas dei de cara com o vídeo dessa conjunção extraordinária entre ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO DO RECIFE.
Ambos são casos à parte na cultura nacional: profundamente brasileiros, porém ligados, “quase soldados” ao ROCK INTERNACIONAL.
E talvez seja o que os torne distintos de “OS NOVOS BAIANOS”. A constatação é que BABY, MORAES, GALVÃO, PEPEU e turma estavam “ligados cronicamente” à MPB. O lado ROCK dos NOVOS BAIANOS é incidental.
Não basta ter guitarras e a eletrificação dos instrumentos para ser ROCK. E ZÉ RAMALHO e ROBERTINHO conhecem perfeitamente os pontos de integração e da completa distinção.
Ambos criaram no último trabalho, que não encontrei ainda em CD, outra intersecção possível.
ZÉ RAMALHO para os que sabem dos escaninhos do POP BRASILEIRO, é um dos autores de PAEBIRÚ, fantástico álbum FOLK-PSICODÉLICO com vestimenta nordestina. É, talvez, o disco mais raro e colecionável do Brasil. E carrega história trágica que o tornou internacionalmente CULT:
A gravadora ROZEMBLIT, no RECIFE, estocava a produção inteira do PAEBIRU, gravado pela SOLAR, o selo de música experimental e alternativa da gravadora, quando houve a inundação que destruiu quase tudo. A tragédia levou o disco original a tornar-se raro, precioso e, portanto caro.
É bom expor que não basta ser raro; tem de ser bom. ROBERTO CARLOS fez o LOUCO POR VOCÊ, também raríssimo, colecionável – mas ruim….
Na filmagem das gravações desse novo disco vemos um ZÉ RAMALHO que é ouro puro e duro. Metal bruto. Durável?
Cantando bem, com vozeirão entre o barítono e o baixo; extensão, intensidade e pique, contrastando com seu atual e frágil visual – consequência de vida derretida em… viver!
Se a voz de DYLAN envelheceu sem gás; se WILLIE NELSON retumbou pra baixo; e se BRUCE SPRINGSTEEN expõe maturidade sorumbática e baixo-astral que nos lega decepção; ZÉ RAMALHO impõe a voz e assume o ROCK com a naturalidade do veterano. E se mescla à sonoridade criada pela banda METALMANIA: 3 jovens + ROBERTINHO DO RECIFE – guitarrista de talento imenso!
Senhoras, senhores e adjacências: o som resultante é ZÉ RAMALHO + HEAVY METAL+GÓTICO+FOLK DE MATIZES DIVERSOS.
No disco há versões do MOTORHEAD e de OZZY, com a qualidade lírica de ZÉ RAMALHO! Barulhinho bom, concordaria MARISA MONTE!
Acho que haverá repercussão do trabalho desses dois. Por via das certezas, veja o vídeo no YOUTUBE: PORTAL DAS ENTIDADES, Autor: Zé Ramalho e Robertinho de Recife Intérprete: Zé Ramalho e Robertinho de Recife Avôhai Music 2019
TIO SÉRGIO vai comprar esse álbum!
\POSTAGEM ORIGINAL: 12\07\2023
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JOÃO GILBERTO, O SEMINAL. A ORQUESTRA E A ESCOLA DE SAMBA CONCENTRADAS NO VIOLÃO.

JOÃO GILBERTO e o TIO SÉRGIO se defrontaram algumas vezes.
Não, queridões, queridonas e “querides”! Quem sou eu para encarar um gênio da magnitude do JOÃO? Foi por admiração e necessidade que eu o descobri e dele me aproximei.
TIO SÉRGIO é do ROCK. E o JOÃO já “causava” desde 1959. E continuou causando ao mesmo tempo que os BEATLES, os ROLLING STONES e a turma da minha praia começaram a existir musicalmente – lá por 1962/63.
JOÃO GILBERTO não fez JAZZ. Ele é um revolucionário da MPB. Redimensionou o SAMBA. Naqueles tempos, seu jeito de tocar e usar o violão abriu possibilidades. JOÃO impôs barreira ao passado, por assim dizer, que foi reinterpretado depois que ele surgiu. E quando juntou-se a VINÍCIUS de MORAES e a outros jovens, a música brasileira se sofisticou.
A ‘BATIDA BOSSA NOVA’ que o JOÃO inventou sintetiza uma “Escola de Samba”‘. Pasmem! Ele trouxe o ritmo e a sonoridade, principalmente do tamborim, para o violão. E inventa acordes e trabalha harmonias a partir disso.
JOÃO GILBERTO expandiu o alcance do instrumento e criou um novo estilo e técnica de tocar. É muito mais difícil do que se imagina! Incontáveis, “mundo et orbi” imitam ou estudam o JOÃO. Mas só ele faz desse jeito perfeito.
Nem vou falar da imensa influência em STAN GETZ, CHARLIE BYRD, JIM HALL e o flautista HERBIE MANN, FRANK SINATRA e diversos tantos que colocaram a nossa música sofisticada além do mercado brasileiro.
Na América, e em quase todo canto, a turma classifica a música do JOÃO como EASY LISTENING, ou JAZZ…
Porém, a BOSSA NOVA é plenamente “JAZZIFICÁVEL”, porque plena de recursos, hipóteses e grandezas que a tornam harmonicamente apta para improvisações jazzísticas, e criações além do que parece no primeiro contato.
Tentem ouvir as incontáveis simplificações, “musaks” e “lounges” que povoam as rádios e as discotecas, trilhas sonoras, publicidades… Nada chega aos joelhos do que fizeram o JOÃO, TOM JOBIM e o VINICIUS com esta criação genuinamente brasileira!
Anos atrás, fui fazer exames de saúde. A médica fez as perguntas de praxe. E, puxando papo, eu disse que gosto de música.
Ela respondeu que o marido adorava o JOÃO GILBERTO e a BOSSA NOVA. Mas ela não sabia muito bem o porquê? Expus detalhes, explicações; e confirmei que o maridão tinha muito bom gosto…
Não muito tempo depois, em feira de discos na AVENIDA PAULISTA apareceu o 78 RPM original com “CHEGA DE SAUDADES” e, no lado 2, “BIM-BOM”. Eu estava duro e sem a FADINHA MASTERCARD. Pedi um tempo ao vendedor para tentar encontrar meios de ficar com o raro artefato.
Para mim, o disco simboliza o marco inicial da BOSSA NOVA e da revolução que trouxe à música brasileira. Não consegui comprar. E nunca mais vi o disco!
Dia incerto, encomendei o LONG PLAY da postagem. A edição original não tinha mais do que 23 minutos de duração. Coisa que o que só o DAVE CLARK FIVE cometia em seus tempos áureos, lá por 1964/1966…
A versão nova do vinil traz 20 músicas ocupando todo o espaço disponível. É justo; já que o preço final, uns $ 40 dólares, cerca de R$ 200 mandacarus, justifica entregar algo mais completo.
Este é um naco da importância de JOÃO GILBERTO. Disseram que o ERIC CLAPTON tentou contatá-lo para gravarem um disco juntos – o que teria sido um evento cultural relevante, histórico e inesquecível. Mas o GIBERTO já não atinava com a realidade. E o motivo do apelido que lhe deram, João Maconha, revelara os seus efeitos…
Vai demorar um bom tempo até que eu possa ouvi-lo em VINIL. Continuo sem toca-discos. Não importa: JOÃO GILBERTO é único, ultramoderno, e faz parte dos imortais da cultura POP universal!
POSTAGEM ORIGINAL: 11\07\2023
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FRANK ZAPPA, O GÊNIO COMPETENTE

COMPOSITOR, ARRANJADOR E MAESTRO DE SUA OBRA, FRANK ZAPPA NÃO É PARA TODO GOSTO.
Ele fez MÚSICA EXPERIMENTAL, louca e até cerebral demais para um escrachado e iconoclasta militante!
FRANK foi um gênio que tangenciou o universo musical. Um cometa fora da órbita que abalou partituras e os jeitos de fazer música. Ele começou em meados da década de 1960, e criou o tempo todo com originalidade até morrer, em quatro de dezembro de 1993, de câncer na próstata.
Comparando livremente, ZAPPA foi uma espécie de “DR. HOUSE”, o médico da famosa série de televisão: seguro de si, iconoclasta, contraventor e inventor contumaz.
FRANK ZAPPA diagnosticava e contratava músicos de jeito inusitado. Conta-se que o grande guitarrista ADRIAN BELEW, que tocou entre vários cobras como DAVID BOWIE, ensaiou e arrasou!!!!
Depois de escutá-lo e testá-lo, ZAPPA deu o veredito: ” CARA, GOSTEI DA TUA VOZ ” – E BELEW foi cantar em vez de prioritariamente tocar GUITARRA… Pegadinha maldosa!!!!
A formação musical de FRANK ZAPPA foi sólida. Estudou com grandes compositores clássicos contemporâneos, gente em nível de EDGARD VARESE. E compôs e deixou gravadas obras regidas por maestros como LEONARD BERNSTEIN. E todas ótimas e peculiares.
Porém, antes de tudo criou híbrido de música muito sofisticada com alternâncias de RITMOS E ANDAMENTOS; e misturando ROCK, JAZZ, CLÁSSICO e MÚSICA EXPERIMENTAL DE VANGUARDA.
E tudo junto e ao mesmo tempo.
TIO SÉRGIO nem vai comentar as letras verborrágicas e hilariantes, muitas vezes sem qualquer sentido aparente, mas plenamente integradas ao conceito de suas composições.
ZAPPA teve carreira produtiva ao extremo para tão pouco tempo de vida. Deixou mais de 60 discos gravados, além de quantidade ainda não totalmente mapeada de PARTITURAS, GRAVAÇÕES EXPERIMENTAIS, SHOW INÉDITOS, e etc. Ele era um “WORKHOLIC ATÍPICO”.
FRANK ZAPPA, enquanto viveu administrou sua vida e patrimônio de modo exemplar. Desde cedo percebeu os perigos da INDÚSTRIA DA MÚSICA, que usurpa, rouba e tritura os seus participantes.
Ele testemunhou e contou sobre cena constrangedora e revoltante acontecida com o genial “DUKE ELLINGTON”: ZAPPA viu o maestro mendigando ao empresário para conseguir grana e comer um sanduíche!!!! Foi no BACK STAGE de um show em que ambos participaram, nos anos 1970.
FRANK prometeu a si mesmo que aquilo jamais aconteceria com ele. E seguiu os comportamentos do MAESTRO LEOPOLD STOKOWSKI; de “DAVE CLARK – (FIVE)” – o líder da famosa banda inglesa da década de 1960, que vendeu milhões de discos. ROBERT FRIPP, o criador do KING CRIMSON também entendeu isso há mais de meio século:
FRANK VINCENT ZAPPA tomou conta de sua produção, foi dono de seu nariz e tornou-se instrumento de sua própria política até o final da vida. O seu LEGADO MUSICAL é relançado, estudado e visitado constantemente. Ele “é” um GÊNIO da MUSICA, e foi ADMINISTRADOR COMPETENTE do próprio DESTINO!
POSTAGEM ORIGINAL: 07\07\2020
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