“NUGGETS” – ROCK DE GARAGEM AMERICANO DOS ANOS 1960: ESSENCIAL E CULT

AS SÉRIES AQUI POSTADAS TÊM ORIGEM, OU INSPIRAÇÃO, EM UM VINIL DUPLO LANÇADO NA DÉCADA DE 1970. AS FAIXAS FORAM COLIGIDAS POR “LENNIE KAYE”, NA ÉPOCA JORNALISTA; DEPOIS, GUITARRISTA DA BANDA DA COMPOSITORA E CANTORA PATTI SMITH; E UM RELEVANTE ESCRITOR SOBRE A CULTURA POP.
FOI A PRIMEIRA PESQUISA HISTÓRICA DO “FUNDÃO DO ROCK”; DAS COISAS QUASE “LOW-FI”, GRAVADAS POR BANDAS E ARTISTAS DESCONHECIDOS, ESPALHADOS AMÉRICA ADENTRO.
“TIO SERGIO” TRAZ PARA VOCÊS O FABULOSO SUB-MUNDO DO “GARAGE ROCK”, DA “PSICODELIA” E DO “SUNSHINE POP”. O FINO DO FINO AMPLIADO E OFERECIDO EM EDIÇÕES ADEQUADAS PELA “RHYNO RCORDS”, NO FINAL DOS ANOS 1980 E DURANTE OS 1990.
A SÉRIE “NUGGETS” FOI A PRIMEIRA A SER RELANÇADA. OS TRÊS CDs. BATISADOS POR “CLASSICS FROM THE PSYCHEDELIC SIXTIES VOLUMES 1,2 e 3”, SÃO CARTÕES DE VISITA RELUZENTES! VOCÊS DEVEM COLOCAR NA DISCOTECA.
OS REPERTÓRIOS FASCINANTES FORAM AMPLIADOS PELA SÉRIE “SUMMER OF LOVE”, EM DOIS VOLUMES, LANÇADOS EM 1992.
O PRIMEIRO DELES, INTITULADO “MIND EXPANSION & SIGNS OF THE TIME” É, DIGAMOS, MAIS “CONSCIENTE” E “REFLEXIVO”: TEM “ELECTRIC PRUNES”, “STRAWBERRY ALARM CLOCK”, “CHOCOLATE WATCH BAND”, “LOVIN’ SPOOFUL”, ” THE BYRDS” E OUTROS IMENSOS – E, TAMBÉM, ALGUNS NÃO AMERICANOS…
O SEGUNDO DISCO É MAIS “OBA-OBA”, E TRAZ CANÇÕES DE AMOR E DE AFETO CONSAGRADAS, COMO “SAN FRANCISCO” DE SCOTT McKENZIE; “GET TOGETHER”, COM OS YOUNBLOODS; “GROOVING” E “THE RAIN, THE PARK & THE OTHER THINGS”, RESPECTIVAMENTE COM “THE YOUNG RASCALS” E OS “COWSILLS”. E UM MONTÃO DE HITS E OUTRAS DELÍCIAS DO “FLOWER POWER”…
AS “PEPITAS” FORAM EM PARTE REPETIDAS E AMPLIADAS EM QUATRO CDS, NO LUXUOSO BOX “NUGGGETS”, ACOMPANHADAS POR LIVRETO EXPLICATIVO, COM FOTOS E MUITO MAIS; E OUTRAS COISAS INÉDITAS VIERAM À LUZ.
E NÃO FALTAM OS JÁ CITADOS; E AINDA TEMOS “SEEDS”, “OUTSIDERS”, STANDELLS”, “13TH FLOOR ELEVATORS”, “COUNT FIVE” , E ATÉ OS “HUMAN BEINZ”- QUE ERAM ÓTIMOS “GARAGEIROS – PSYCHS”! E FORAM LANÇADOS COM “NOBODY BUT ME”, SUCESSO RETUMBANTE NOS BAILES DA DÉCADA DE 1960 EM DIANTE – E FOREVER AND EVER!!!
EU COLECIONO AQUELES TEMPOS IDÍLICOS E MAGNIFICOS! HOJE HÁ INCONTÁVEIS DISCOS ESPALHADOS COSMO ADENTRO, PRESERVANDO AS MÚSICAS E A PRODUÇÃO DE UMA ÉPOCA MARCANTE E SIGNIFICATIVA.
MAS SINTO FALTA DE OUTROS ARTISTAS, E DE CANÇÕES QUE SAÍRAM NO BRASIL, E NÃO VI “PELAÍ”: “THE OX BOW INCIDENT”, COM LOVE SWEET LOVE, COMPACTO QUASE DESTRUÍDO DE TANTO TOCAR! “THE PLASTIC PEOPLE”, EM “IT’S NO RIGHT”, PRODUZIDO PELO “CULT” “CURT BOETTCHER”; “IF I NEVER LOVE AGAIN”, EXCELENTE LADO B DE SINGLE DE ALGUM SUCESSO DO GRUPO “THE LOOKING GLASS”
EM 1967, OUTRO “MEGAHIT” FOI “BEND ME SHAPE ME”, COM “THE AMERICAN BREED” – AO QUE PARECE, JAMAIS CEDIDO PARA COLETÂNEAS!!! E INCLUO UMA VELHA SISMA: “I SEE THE LIGHT”, LADO B DO HIT SINGLE “A LITTLE BIT OF SOUL”, GAVADO POR “THE MUSIC EXPLOSION” – MISTO DE BUBBLEGUM E “GARAGE ROCK” NO TOP DO CONCEITO!
O “ROCK MOLEQUE” DE VERDADE MORA POR AQUI. “LOW-FIS” AUTÊNTICOS E IMPRESCINDÍVEIS; PAIS ESPIRITUAIS DOS “PUNKS”, DOS “GRUNGES” E DE OUTRAS TENDÊNCIAS QUE EXPUSERAM SUAS GARRAS!
ASSIM, “TUDO O QUE VOCÊS QUERIAM SABER SOBRE O “PRÉ-SAL” DOS ANOS 1960, E NÃO SABIAM COMO PERGUNTAR”, “TIO SÉRGIO” MOSTRA NESSES COMPÊNDIOS EXAUSTIVOS E BEM DOCUMENTADOS!
É MATERIA PARA “VESTIBULAR, E ATÉ DE PÓS GRADUAÇÃO, EM ROCK’N’ ROLL”. TRECOS E COISAS DESLIZANTES NAS DOBRAS DO TEMPO-ESPAÇO.
VIAJEM!
POSTAGEM ORIGINAL: 17\04\2020
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PHIL SPECTOR: PARANÓICO, PSICOPATA, TORTURADOR, ASSASSINO… E PRODUTOR GENIAL!

Será que é possível em um só cara este “conglomerado de qualificativos”?
Provavelmente, sim! Porque o indivíduo é o “compósito” peculiar das qualidades e defeitos; emoção e razão; loucura e sanidade; o bem e o mal, o maléfico e o bom; mais a biologia e o ambiente social…
E esse agregado faz sentido. A coerência é presumida em torno do que se sabe sobre cada pessoa. É explicável partindo de cada história, atos e suas consequências.
Indivíduos são únicos e constroem vidas únicas e perspectivas próprias, dentro de um psicológico exclusivo, que não dá para repetir. O resultado é mensurável; mesmo que imprevisto e imprevisível.
PHIL SPECTOR era um indivíduo especial. Por suas boas qualidades ou a falta delas. Virou um astro combinando “si mesmo” ao que realizou profissionalmente. Parte de seu legado é glorioso! Mesmo quando sob influência do monstro repulsivo que foi!
Aliás, vamos combinar: no POP há várias criaturas repugnantes. MARVIN GAYE era de tal maneira intratável, que seu pai o assassinou com tiros na cara! ROY BUCHANAN matou a própria mãe. LINDOMAR CASTILHO assassinou a esposa por puro machismo, já em época de plena contestação a tais, hummmm… atributos masculinos…
PHIL SPECTOR assassinou LANA CLARKSON, em 2003, e pegou prisão perpétua, em 2009. Morreu aos 81 anos. Era um doido completo; e portador de transtorno de personalidade psicopata. Sujeito asqueroso!
Enfim…
Não seguirei cronologia.
Em 1977, PHIL SPECTOR assistiu a show dos RAMONES no WHISKEY A GO GO, em Los Angeles. Gostou de verdade, e ligou para JOEY RAMONE. Disse a ele que poderia transformá-los na maior banda de ROCK do mundo!
Pô, é claro!!! JOE ficou entusiasmado!
Os RAMONES já estavam à procura de alternativas. Então, por que não tentar com um dos grandes produtores da História?
Eu suspeito que PHIL SPECTOR percebeu que os RAMONES eram excelentes em seus acordes básicos. E a SONORIDADE da BANDA era perfeita para o mantra que pregava: a “VOLTA AO “MONOAURAL”
O “WALL OF SOUND”, a grande criação de SPECTOR, não pode ser conseguido em STEREO. Eu explico mais à frente.
Breque. ( mas deixa o samba pra lá… )
Vocês assistiram ao filme sobre a vida de PHIL SPECTOR, depois de ter matado com um tiro na boca
LANA CLARKSON – que havia descolado em um bar, em 2003? Andou passando no HBO, eu acho.
A resposta pra quase tudo está na “tela”. Em cena qualquer, simplesmente manda uma banda continuar tocando indefinidamente no estúdio da casa dele. Um músico reclamou. E SPECTOR deu “dois tiros” no teto!!!!
Ele sempre tratava os músicos e os contratados na porrada, aos palavrões, ou ameaçando com armas!
Era um PSICOPATA!
Os RAMONES aceitaram e a gravadora contratou PHIL SPECTOR. No GOLD STAR STUDIO, onde as mágicas aconteciam, ele obrigou os RAMONES a ensaiarem exaustivamente! Colocou os amplificadores acima de 130 decibéis, e o barulho era tal que eles só se comunicavam via gestos!
Em certo momento, depois de mandar JOHNNY RAMONE repetir por horas o acorde de abertura de “ROCK AND ROLL SCHOOL”, o guitarrista deu um basta. PHIL tentou evitar na marra que ele abandonasse tudo. Rolou “bacobufo”, e JOHNNY perguntou, “O que você vai fazer? Atirar em mim?”
o nome daquilo é TORTURA!!!
A gravadora, empresário, banda e SPECTOR se acertaram. E o disco “END OF CENTURY”saiu em 1978. Apesar do imenso desgaste, os RAMONES disseram que a participação do produtor foi “cosmética”! Vale a pena ouvir algumas faixas para constatar – ou não…
Se vocês quiserem saber como SOM MONAURAL pode ser impactante, voltem a 1968 e procurem a versão para o SINGLE de “I CAN SEE FOR MILES”, do THE WHO. É demolidora!!! Os RAMONES jamais conseguiram atingir tal impacto..
PHIL SPECTOR foi consagrado por um histórico de realizações que dificilmente serão repetidas. Coproduziu com bons resultados para os BEATLES, LENNON, HARRISON, LEONARD COHEN, YOKO ONO… e algum etc….
Mas nada que se comparasse ao que fizera no passado. E nem poderia…
Em sua carreira, SPECTOR produziu, entre 1958 e 2003, vinte e três álbuns, e mais de 50 SINGLES de sucesso.
Gravou IKE & TINA TURNER, por exemplo. Lançou grupos vocais femininos de muito sucesso, como as CRISTALS. Produziu as RONETTES, banda onde cantava sua futura mulher, RONNIE SPECTOR. Que era mantida presa em casa, vítima de outro escândalo que protagonizou em sua vida.
Aliás, o nome disso é PARANÓIA!
Entre as produções espetaculares de PHIL SPEKTOR está a dupla THE RIGHTEOUS BROTHERS. O grande HIT “UNCHAINED MELODY”, de 1966, foi escolhido para tema do filme GHOST.
E o clássico supremo, “YOU´VE LOST THAT LOVIN FEELING”, em 1965 foi sucesso tão grande, que desbancou YESTERDAY, dos BEATLES, do topo das paradas! E tornou-se a música mais tocada na AMERICA, durante o século XX! Ahhh, são dois exemplos perfeitos do uso da técnica do WALL OF SOUNDS.
SPECTOR entrou para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 1989, pelo conjunto da obra artística. Era bom pianista, e curiosamente, produziu muito POP romântico, um contraponto notório com sua personalidade – muito além de um PUNK, digamos!
O ESTÚDIO E A MÁGICA
“THE WALL OF SOUND” é uma técnica de gravação para capturar músicas gravadas ao vivo, em meio ao “caos e a saturação sonora”. O som “saltava ao redor do estúdio em meio à bagunça sonora e a riqueza de sobre tons gerados” – descreveu um músico. É um jeito, técnica, para criar e manipular o eco.
O GOLDEN STAR RECORDING era estúdio muito pequeno. E PHIL SPECTOR juntava 36 músicos, todos muito próximos, impossibilitando a captação individual do som de cada instrumento .
Ele usava simultaneamente 4 guitarras ou mais; 4 pianos e teclados; 2 baixos – sendo um deles elétrico. Além de naipes de metais, coro, e se preciso, cordas. Tudo junto e ao mesmo tempo na hora!
PHIL SPECTOR trabalhava sempre com o mesmo grupo de músicos. O famoso WRECKING CREW, responsável por milhares de gravações de artistas como os BEACH BOYS, e os RIGHTEOUS BROTHERS…
Pertenciam ao grupo gente como a cantora CHER, que fazia BACKING VOCALS, e o guitarrista, cantor e compositor GLEN CAMPBELL. Inclusive dois dos mais perfeitos músicos de estúdio da História: o baterista EARL PALMER, e a baixista CAROL KAYE.
Resumindo, formavam constelação de craques talentosos e experientes. E SPECTOR os fazia ensaiar exaustivamente antes de gravar. Sadismo, é claro!
Um dos músicos frequentes era o saxofonista NINO TEMPO, que gravou com a cantora APRIL STEVENS, em 1962, talvez o primeiro grande HIT de sensualidade explícita: “TEACH ME TIGER”. Foi bem antes de JANE BIRKIN e SERGE GAINSBOURGH lançarem “JE T’AIME ”, em 1965.
TEMPO contou que o objetivo de PHIL SPECTOR era cansar os músicos de tal forma, até que produzissem massa sonora compacta, onde a individualidade ficasse dissolvida no todo!!!
Era a TORTURA e o abuso como instrumentos de arte!!!
PHIL SPECTOR tratava pessoas como coisas; andava armado e ameaçando quem não fizesse o que ele ordenava!
O grupo tocava em conjunto, em volume altíssimo, que era gravado por microfones espalhados pelo teto, e pelo estúdio. Os sinais, durante a gravação, eram “transmitidos” para uma “câmara de eco, digamos “natural”, no SUB SOLO DA SALA DE GRAVAÇÃO – que também era. equipada com microfones e caixas acústicas!!!!!!!!!!!!
Lá embaixo se formava uma “saturação” de FEEDBACK retransmitida em tempo real ao estúdio, em cima, onde se juntava ao que estava sendo produzido na hora pelos músicos. O resultado era captado no gravador AMPEX 350, na cabine de controle.
Essa “MAGIA ACÚSTICO -TECNOLÓGICA” era o segredo do MURO DE SOM. E, se o TIO SÉRGIO entendeu corretamente, o produto gravado era “um bombardeio sonoro espesso” que mais ou menos voava, por causa do eco gerado!
Na sala de gravação, o engenheiro de som, LARRY LEVINE, organizava a captação, e PHIL SPECTOR dava seus toques finais.
Em rápido resumo, a sonoridade captada só era possível em um estúdio com tais características. E, muito importante: a TÉCNICA DO “WALL OF SOUND” SÓ ERA EFICAZ EM SUA PLENITUDE NAS GRAVAÇÕES EM MONOAURAL! Não fazia sentido separar tal massa sonora em STEREO, porque perdia o ECO e a FORÇA. Daí a pregação de SPECTOR PELA VOLTA AO “MONO”.
Remasterizar as coisas que PHIL criou é muito difícil de fazer. Um dia, quem sabe, a gente veja tentativas por aí…
POSTAGEM ORIGINAL: 15\04\2022
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ROBERT JOHNSON & SEGUIDORES: BLUES CLÁSSICO E SEMINAL

A minha edição da obra de ROBERT JOHNSON não é a clássica e definitiva em CDs que inspirou, para não dizer ditou, as capas internas deste CD triplo do guitarrista inglês PETER GREEN, “ME & THE DEVIL”.
O exemplar do TIO SÉRGIO foi “exarado” – huummm!!!! lá fui eu de “metonímia” – do mesmo álbum lançado na década de 1960, também pela COLUMBIA RECORDS, chamado KING OF THE DELTA BLUES SINGERS. Para mim, é o suficiente; e tem visual menos lúgubre.
Porém, o que eu gostaria, mesmo, é de poder pagar a edição em VINIL, feita há uns vinte anos, trazendo as cópias das edições “originais” em 78RPM, gravadas entre 1936 e 1937, que foram feitas em “GOMA LACA”!!!!
A edição que urro de volúpia para obter está na foto abaixo, à direita: “THE COMPLETE ORIGINAL MASTERS: CENTENNIAL EDITION” é composta por 12 similares, em vinil de dez polegadas, em 45RPM , com as 24 gravações originais que sobreviveram.
Nos discos, há reprodução dos selos das gravadoras originais! E foram acondicionados em CAIXA de MADEIRA, verdadeira obra prima, com BOOK expondo e explicando quem foi o negão, OOOPPSSS, o PRETÃO!!!! Garantem pelaí que a qualidade do som é excelente.
Mas nem sonhar, tio SÉRGIO! não é pro teu bico!
Música e artes, como tudo na vida, são mais bem definidos por seu contexto. Na perspectiva de um ouvinte de JOHNSON, hoje, a sonoridade é rascante e básica demais. Música radical – de raiz, claro – e genuína. Então, voltar ao mestre foi penoso.
Porém, a maioria de nós teve acesso a ele via a turma do ROCK. E ROBERT JOHNSON é inspiração principalmente para guitarristas. A versão ao vivo de CROSSROADS, feita pelo CREAM em 1967, é de longe a mais progressiva, pesada, verdadeira e expressiva da obra do VELHO MESTRE !
Quase todo guitarrista de BLUES/ROCK que se preze, abordou e tentou tocar algo de JOHNSON. Aqui, um álbum triplo de PETER GREEN e seu EXPLINTER GROUP, interpretando ROBERT. GREEN, era guitarrista de alta inventividade e técnica. Mas cantor sem qualquer inspiração. Mesmo assim, é artefato interessante para ser ouvido, possuído e colecionado.
Em minha opinião, entre os ingleses é ERIC CLAPTON o mais afinado com a intenção de JOHNSON, seu jeito de cantar, e o uso da guitarra. São de ERIC as melhores versões e arranjos a que tive acesso.
Há um vídeo/documentário onde CLAPTON mostra poster de JOHNSON, e observa o tamanho dos dedos do negão, quando postos no braço da guitarra !
Impressionantes!
Corolário irreverente do TIO SÉRGIO: ainda bem que ROBERT JOHNSON foi músico, e não UROLOGISTA… Não consigo imaginar o estrago que o “DR.” causaria em seus pacientes realizando um exames de próstata!
Melhor continuar ouvindo a música que ele compôs…
POSTAGEM ORIGINAL: 01042022

PRESTIGE RECORDS STORY- 1949/1971 – BOX SET – IMPERDÍVEL

É interessante observar o capitalismo democrático, onde a maioria decide pelo voto os destinos políticos de um país. Um contraponto curioso aos milhões de pequenos, médios a grandes empreendedores, quase autocracias que tocam os negócios orientados pela visão de seus donos.
Assim é a democracia liberal. Onde prevalece a liberdade individual e de empreender. Sem a iniciativa privada seria impossível a criação de gravadoras como a PRESTIGE, VERVE, BLUE NOTE, ECM, TRAMA, BISCOITO FINO, DISCOBERTAS, entre muitas e muitas várias. É a diversidade equilibrando a concorrência, opiniões e poderes. E é tão importante quanto a criação e a criatividade dos artistas.
GRAVADORA “BOUTIQUE” de alto nível, a PRESTIGE foi criada em Nova York por BOB WEINSTOCK, um colecionador de discos – claro, como sempre! -, que aos 20 anos de idade vislumbrou a chance. Começou gravando e prensando os discos, inicialmente vendidos pelo correio. Depois, virou também lojista.
Ler os livretos dessas coleções é uma delícia!
Este, por exemplo, vai fundo em poucas páginas, e recorda engenheiros, gente do marketing, funcionários e os vários que fizeram a gravadora prosperar em ESTADO DA ARTE.
É difícil saber o que é melhor no catálogo artístico. Se os “LEADERS”, gente como COLTRANE, MILES, GENE AMMONS. Ou os “SIDERS”, músicos em nível de ART BLAKEY, KENNY BURRELL, PERCY HEATH, e incontáveis!
Todos por lá militaram nos 21 anos de existência da gravadora; e até que o “selo” fosse vendido para a “FANTASY RECORDS”. Daí em diante, ganhou o mundo através de reedições diversas e imprescindíveis!
WEINSTOCK orientou o estilo para o “HARD-BOP”, e o que foi descrito como “DISTINCTIVE BOP”, fronteiras com a “VANGUARDA” de gente como ERIC DOLPHY. E foi fundo no “SOUL – JAZZ” revelando organistas da estirpe de GROOVE HOLMES, JACK MCDUFFY e SHIRLEY SCOTT. É tudo feito com muito balanço, e festeiro até hoje!
BOB WEINSTOCK, gravava e gostava de “JAMS-SESSIONS”; incentivava a espontaneidade e a “SELF-EXPRESSION ESTILÍSTICA”, digamos.
Por isso, há poucos takes alternativos nas gravações. Gravaram pouquíssimos cantores e cantoras. Curiosamente…. Mas, lá estiveram ETTA JONES e ANNIE ROSS.
A PRESTIVE gravou MOSE ALLISON – um dos inovadores do vocal “JAZZY”, como CHET BAKER e JOÃO GILBERTO. Em resumo, alta classe eternizada em conta-gotas nas coleções de quem gosta.
Este BOX tem um pouco de todos, e abre apetites e ouvidos. E cada CD traz a estampa e a evolução dos selos originais.
É muito legal de ouvir e ter!
Recomendo pra valer!
POSTAGEM ORIGINAL: 13\04\2020
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PINK FLOYD, ROGER WATERS & DAVID GILMOUR: E A PASSAGEM PARA O ALÉM.

Eu tenho um grande amigo que não gosta de ser identificado e não frequenta as redes sociais. O FÁBIO compra somente CDs de altíssimo nível técnico e artístico.
É grande colecionador de vinis originais de ROCK and ROLL e DOO WOP. E de ROCK CLÁSSICO principalmente das décadas de 1950, 1960, e 1970. O FÁBIO repassa para mim CDS que não gostou por quaisquer motivos. Nossas coleções batem em vários sentidos, e discrepam em outros.
Há pouco tempo fiquei com dois CDS bastante curiosos; tanto pelos artistas com a qualidade técnica das edições. Não tenho nenhum disco solo de “ROGER WATERS”, o ex – baixista do PINK FLOYD. Nunca prestei muita atenção a ele. Porém, e como sempre, foi oportunidade imperdível. Portanto;
O álbum é bastante famoso, e foi lançado originalmente em 1992: “AMUSED TO DEATH” é bem gravado, como se esperaria. A edição é JAPONESA da SONY MUSIC, em BSCD2 – tecnologia de ponta, em 2015, ano deste relançamento.
Aqui, vale uma pequena digressão:
O “PINK FLOYD” sempre foi banda ligada à VANGUARDA. Desde os SINGLES no início de carreira, em 1967, ainda com SYD BARRETT, na guitarra; até o último álbum, THE ENDLESS RIVER, 2014, álbum quase todo instrumental, com DAVID GILMOUR, na guitarra; NICK MASON, bateria; e RICHARD WRIGHT nos teclados, os quatro remanescentes originais do grupo.
A banda sempre esteve imersa no ROCK PROGRESSIVO que, paulatinamente, foi se tornando menos experimental, e parte do “MAINSTREAM”. É quase NEW AGE, mas ainda o PINK FLOYD…
Eles cresceram artisticamente fazendo algumas trilhas sonoras para filmes, onde o deixar correr solto era típico do ROCK PSICODÉLICO da década de 1960; que marcou o trabalho do grupo daí em frente – e para sempre.
Eu identifico um ponto de fissura que se alargou para a definitiva separação de ROGER WATERS dos restantes: foi o álbum duplo UMMAGUMMA, de 1969. Há um disco ao vivo. E o disco de ESTÚDIO foi dividido em quatro partes, para cada um fazer o que desejou. Lá, a participação de WATERS é bem diferente da proposta dos outros três. Mais verborrágica…. e, talvez, indicativa do que veio a fazer na carreira solo.
“ZABRISKIE POINT”, lançado em 1970, é trilha sonora feita para o cineasta MICHELANGELO ANTONIONI, e foi a ignição para a banda desenvolver ideias aplicadas em “ATOM HEART MOTHER”, 1970 e “MEADOWS”, 1971; e para explodir em 1972, com “DARK SIDE OF THE MOON”, o CULT CLÁSSICO imprescindível. Um quarteto reluzente!
A partir daí, instalou-se o conflituoso e instável caminho para o estrelato, fama, e FÃ CLUB universal. E apesar de terem lançado comparativamente poucos discos, em carreira de bem mais de 55 anos – um feito épico!
Seja como for, ROGER WATERS manteve a mística e o sucesso compondo quase integralmente “THE WALL”, “THE FINAL CUT” e “ANIMALS”. Depois que patiu, em 1984, o PINK FLOYD nunca mais reluziu.
Com todo esse passado, fiquei surpreso por “AMUSED TO DEATH” ser um disco tão previsível. Ouvi-lo, em minha opinião, é perceber músicas que soam semelhantes; construídas da mesma forma. A criatividade é restrita – foi o que achei…
Na maneira de tratar as melodias há um quê proeminente de BOB DYLAN. E o vocal ressoa algo do pior DAVID BOWIE. ROGER é cantor de pouca inspiração. E o álbum é sonolento, apesar da participação de JEFF BECK e outros iluminados – que estão “foscos”.
A edição especial japonesa de “RATTLE THAT LOCK”, 2015, de DAVID GILMOUR, é um primor! Há CD + DVD convencional gravados em BSCD-2, a tecnologia da SONY MUSIC para alta qualidade. A sonoridade vale o disco.
É um BOX com dois LIVRETOS: em um deles estão as letras e ficha técnica, em inglês; No outro, há o poema PARADISE LOST de JOHN MILTON. E contém texto em japonês explicando tudo – presumo -; uma palheta de guitarra exclusiva e belíssima; e mais alguns acessórios. O BOX é um luxo só!!!
O disco é bom; escorreito e enxuto; e a produção é muito bem feita. Mas é PROG moderno e convencional, pontuado por algum FOLK, um “quase-JAZZ”; e a guitarra de GILMOUR, identificável há mais de 50 anos… É bem melhor do que o de ROGER WATERS.
Estão com ele PHIL MANZANERA, ROGER ENO, DAVID CROSBY, JOOLS HOLLAND, e outros. Ahhh, não vou apresentar os caras… É disco agradável, e diferente do seu primeiro, também aqui postado.
Tudo considerado, passear por essas duas obras, de dois caras tão significativos, é muito interessante.
Porém, a cada dia está mais nítido que ambos estão a caminho do acostamento. Afinal, fazem parte de uma geração em despedida. Eu, eles, e vários de vocês estamos a caminho do “bote” que nos levará a fazer a passagem….
A “FINAL CUT”, nesse “ENDLESS RIVER”, que é A EXISTÊNCIA!
POSTAGEM ORIGINAL: 09\04\2022
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JOHN LYDON & P.I.L. – PUBLIC IMAGE LTD. THE METAL BOX, 1979 – A EVOLUÇÃO ARTÍSTICA DE UM CRIATIVO DIFERENTE!

Eu sempre quis ter esTe disco. Uns trinta anos atrás, consegui uma cópia em vinil com a embalagem metálica em mau estado. Eram três LPs de 12 polegadas, em 45RPM. Tempos depois, passei para frente… Eu havia aderido aos CDS – fazer o quê!
Agora, comprei a edição japonesa com três CDs, como a original em vinil. É muito bem remasterizada. A produção gráfica deixa a desejar, porque o texto só vem escrito na língua de nossos irmãozinhos de olhos puxados… Escutei vários dias para tentar escrever alguma coisa que valha a pena.
Gostei. É obrigatório reconhecer que JOHN LYDON melhorou enquanto artista e profissional. Foi criando obra consistente e diferenciada.
Mas confesso que mal sei por onde começar a falar sobre o ex-ROTTEN e sua aventura artística; sua mística e fama nada recôndita no UNDERGROUND da música; e de sua importância para o ROCK após o advento do PUNK. JOHN LYDON, com o P.I.L. – “PUBLIC IMAGE LIMITED” – é considerado o iniciador do PÓS – PUNK, em 1978.
Mas TIO SÉRGIO, o que é esse tal de PÓS-PUNK?
É vasto Universo expandido abarcando variadas tendências que se entrelaçam, contradizem e reafirmam. E talvez bastasse dizer que da NEW WAVE, passando pelo TECHNOPOP, ROCK INDUSTRIAL, MÚSICA EXPERIMENTAL ELETRÔNICA, ROCK ALTERNATIVO, e até o GRUNGE, é tudo obviamente PÓS-PUNK.
E LYDON, com o P.I.L, flerta inclusive com sobreviventes meio tortos do KRAUTROCK – tipo o “CAN”; e remanescentes do PROGRESSIVO como “PETER HAMILL” e o “VAN DER GRAAF GENERATOR”. E não deixar de lembrar do “KING CRIMSON”, cujo álbum RED foi encontrado no CD player de KURT COBAIN – o “GRUNGE” primordial com o NIRVANA -, quando ele suicidou-se. De certa forma, todos de algum modo foram aliciados para orbitar o PÓS-PUNK, esse “AMPLO RÓTULO RELUZENTE”!
Você tá maluco de vez, TIO SÉRGIO?
Acho que não. Mas muita gente sustentaria que sim… Eu só exponho a controvérsia.
Estão na formação da música do “P.I.L” desde o “CAPTAIN BEEFHEART”, lascas de “ALICE COOPER”, e “JOHN CALE” do VELVET UNDERGROUND. E tudo amalgamado ao GOTHIC ROCK; e com levadas do REGGAE, e coisas de WORLD MUSIC distorcidas via o guitarrista NICK SCOPPELITS; e baixistas alternativos como BILL LAZWELL, e JAH WOBBLE – com seu ritmo e andamentos marcantes e repetitivos.
E para arrematar, tudo bem azeitado por “DANCE MUSIC MEIO TRIBAL”, misturada nessa “fritada” ROCK do “suis – generis” estilista da guitarra, KEITH LAVENE: som cortante até os nervos, feito bisturi; e pontiagudo – penetrando no ouvido feito agulha!
Tudo isso junto, misturado – e às vezes, não – embalando as letras de LYDON, por ele cantadas de maneira peculiarmente estudada e – pasmem!!! – “afinada”: porque cheio de estilo e personalidade, controlando as dissonâncias, interpretando e dando sentido ao trabalho da banda – que é boa e sustenta o criativo e controlado caos gerado!
Pra tentar resumir de outro jeito, fiz um apanhado de conceitos e adjetivos usados para definir a música do “P.I.L”: DARK, ANSIOSA, RITMICAMENTE REPETITIVA, FRIA, AVANT – GARDE, DISSONANTE, ABSTRATA, NIILISTA, SARCÁSTICA, HIPNÓTICA, RUDE, ETÉREA, MISTERIOSA, CATÁRTICA e NOTURNA!”
Deu pra sacar?
Provavelmente, porra nenhuma! Ou, quem sabe… alguma coisa se depreenda nessa maçaroca diferenciada e cativante…
JOHN LYDON levou o grupo em um crescendo de fama e performances pelos primeiros quatro discos do P.I.L. Depois, ele e banda ao tentar fazer o quinto, chamado de simplesmente ALBUM, se desentenderam. E como havia mais grana para produzir, LYDON saiu do alternativo geral e contratou gente famosa e craque:
GINGER BAKER e TONY WILLIANS na bateria. STEVE VAI, na guitarra e LEON SHANKAR, violino. E junto com BILL LAZWELL, na produção e no baixo, gravaram rapidamente o disco. Ninguém foi creditado nos encartes ou capas, mas todos ganharam bem…
O álbum ficou espetacular!
LYDON já passou dos 70 anos. Esteve com a mesma mulher, a ex -modelo NORA FORSTER de 1979 até 2023, quando ela morreu de ALZHEIMER com 80 anos de idade. Ele deixou de fazer shows durante dois anos para cuidar dela. É um cara ético. Pouco depois, seu empresário e amigo desde o começo, JOHN “RAMBO” STEVENS, também morreu, o que o pôs fora de rumo.
Li coisas surpreendentes para um indivíduo tido como drogado e maluco… O se sabe de verdade, é que fuma loucamente; bebe cerveja LAGER, e torce para o ARSENAL. Ele pode ser muita coisa, mas irracional e ingênuo não é!
No decorrer da vida, mostrou ser excelente relações públicas, muito esperto, inteligente, e pessoa comunicativa. Ficou íntimo do tecladista KEITH EMERSON, um suposto antípoda. Foram vizinhos na Califórnia. E ele foi dos primeiros a chegar para o ver o amigo que havia se suicidado.
Aliás, ao contrário da maioria dos PUNKS, LYDON permanece um eclético e antenado amante de música. Gosta de COLTRANE, adora MILES DAVIS, os citados que o influenciaram; entre muitos e muitos outros. E aprecia RAY DAVIS, NEIL YOUNG e BRYAN FERRY. Sua coleção de discos é imensa, e segundo ele, impossível de transportar de LONDRES, onde tem uma casa, para a MALIBU, na Califórnia, onde passou a morar.
LYDON está em plena atividade. Eu o assisti com a banda no YOUTUBE, não muito tempo atrás. Entrou na “vibe” de seus pares de geração, THE CURE, SIOUXIE, NEW ORDER, etc… no mesmo tipo de som, algo “PROG” que, no caso dele, faz todo sentido estético.
Fofocas também são parte da fama. Li que a sua fortuna é imensa! Seu ativo seria de 245 milhões de dólares: perto de um R$ 1 BILHÃO E MEIO DE REAIS!!! mais ou menos. Você leu corretamente! hummmm!!!!!
Devemos acreditar? Eu tenho dúvidas!!!!! Anos atrás, ele perdeu ação contra os SEX PISTOLS, porque se opôs a licenciar as músicas da banda para uma série feita sobre eles… Ainda assim, faturou $ 5 milhões de dólares com a cessão…
E, se ROBERT SMITH ( THE CURE ) muito mais ativo e famoso, e de carreira contínua e bem sucedida teria um ativo de $ 44 milhões de dólares… O salto cósmico na riqueza de LYDON cheira improvável… Mas, vai saber, né! Por que ele mentiria, atraindo o fisco contra si mesmo?
Enfim, este é o JOHN LYDON, um artista e homem um tanto longe do que aparentava ser! Eu recomendo que ouçam esse rebelde surpreendente! O interesse pela obra dele vem aumentando. Vale tentar.
POSTAGEM ORIGINAL: 06\04\2024
Pode ser uma imagem de texto que diz "Metal M PiL PiL"

MOODY BLUES – TO OUR CHILDREN´S, CHILDREN´S, CHILDREN – THRESHOLD – 1969 .

A SAGA CRIATIVA E TÉCNICA DE MIKE PINDER
Postei dois exemplares que possuo desta obra encantadora. A EDIÇÃO JAPONESA em SHMCD, lançada em 2008. E a EDIÇÃO DUPLA de LUXO americana, de 2006, contendo um CD com a remasterização do STEREO original. E o segundo, SUPER-ÁUDIO CD em SURROUND MULTI-CANAL. As duas são muito boas. Porém, tendo a preferir o STEREO ORIGINAL. Questão de gosto.
É um ALBUM CONCEITUAL, EXPERIMENTAL E TREMENDAMENTE POP! E sucedeu “A THRESHOLD OF A DREAM”, 1969, outro LP de sucesso como os anteriores “DAYS OF FUTURE PASSED”, 1967; e “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, 1968.
Esta semana, a nave ARTEMIS viajou aos arredores da LUA, mais de 57 anos depois do desembarque da APOLO 11 no satélite terrestre. Aliás, foi a viagem que inspirou os MOODY BLUES para criar “TO OUR CHILDRENS CHILDRENS CHILDREN”. A realização do álbum é um show de tecnologia de estúdio, qualidade na gravação, de talento artístico, e de performance da banda como um todo.
Para a primeira faixa, “HIGHER AND HIGHER”, a NASA emprestou a gravação do SOM do lançamento do foguete. Mas o grupo achou de baixa qualidade para ser usada em um disco. E refizeram tudo em estúdio. Trabalho magnífico!
MIKE PINDER é o destaque conceitual do DISCO. Ele pilota o MELOTRON e o ÓRGÃO com milimétrica competência. O tecladista original da banda foi um magnífico construtor de “CLIMAS SONOROS!”
O som do ÓRGÃO nos passa a nítida sensação do arranque e a subida da APOLO 11; recria o aumento de velocidade; o alcance da altitude, e até atingir o silêncio no espaço. E PINDER trabalha e pontua com o MELOTRON o tempo todo as diversas etapas desse viagem etérea e fantástica.
No decorrer do Long Play há momentos de música e sons pesados; outros leves, oníricos, românticos. Foram emulados até o suposto andar dos astronautas fora da nave, no espaço. Percebe-se a velocidade, as mudanças de ritmo; a calma, e a sensação de paz. Tudo bastante expressivo e sugestivo.
PINDER cria uma narrativa sólida na base das músicas, que incentiva a performance instrumental coletiva. Principalmente a diferenciada e aclamada harmonia e qualidade vocal da banda. Todos sabem cantar – e muito bem: o guitarrista JUSTIN HAYWARD, o flautista RAY THOMAS, MIKE PINDER, e o baixista JOHN LODGE. O baterista GREAME EDGE geralmente declama os textos e as poesias, frequentes nas composições do grupo dos MOODIES.
TO OUR CHILDREN… é um disco experimental melodioso; coeso e bonito. Às vezes resvalando para o excesso de “açúcar”…
Eu tenho certeza de que os criadores da “NEW AGE MUSIC” ouviram pesquisaram e curtiram os MOODY BLUES à exaustão. Esse lado reforçando o melódico é uma das características do subgênero. Os colegas do ROCK PROGRESSIVO, também. Procurem as opiniões de RICK WAKEMAN, e de ANNIE HASLAN, do RENAISSANCE.
Os Moody Blues sempre souberam compor letras. Algumas são obras poéticas, e conscientes do ponto de vista existencial. Escapistas? nem sempre; Muitas são apenas canções românticas, e às vezes de rasa substância, ingênuas – mas em linha com o público da banda: pessoas em busca de amor, esperança, paz, misticismo e visões “alternativas -light” em tempos conturbados. Ouvi-los é relaxante, divertido, e interessante. E culturalmente muito instigante!
Os MOODY BLUES foram muito famosos; fizeram discos importantes, se tornaram sucesso de vendas, crítica e público. Tiveram e ainda têm legiões de fãs mundo afora!
No entanto, foram desprezados pela turma da pesada; porque tidos como POP DEMAIS pela média da turma do ROCK. Hoje, mais bem compreendidos, estão em convivência pacífica com a própria História.
MIKE PINDER, foi o primeiro deixar a banda, em 1978. Foi para a retaguarda cuidar da administração. E com o tempo, tornou-se renomado consultor de fábricas de instrumentos. Ele é um dos desenvolvedores do MELOTRON e outros equipamentos.
Hoje, somente JUSTIN HAYWARD permanece vivo
Eu e um montão de gente galáxia afora adoramos os MOODIES!
POSTAGEM ORIGINAL: 08\04\2026
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PINK FLOYD – “SEE EMILY PLAY”- 1967 : SINGLE IMPRESCIDÍVEL

É o SINGLE de maior sucesso na primeira fase da banda, ainda com SYD BARRET na guitarra. Foi lançado em 1967; um fato relevante na história contra a bizarrice uivante, já que fora do BEAT convencional, ou da simples breguice imperante.
A edição brasileira saiu pela FERMATA, também naquele ano. É colecionável no MUNDO INTEIRO, porque raríssima, preciosa e muito difícil de ser encontrada URBE ET ORBI…
Este SINGLE é obra de arte reconhecida. Confirma a PSICODELIA INGLESA que se esboçava. Usaram câmaras de eco e outras técnicas e conhecimentos já testados:
Vide “TELSTAR”, produzido por JOE MEEK, “mago’ inglês dos estúdios, e gravado por THE TORNADOS, em 1962. E recurso semelhante foi usado por DEL SHANNON, grande Rocker americano, em THE BIG HURT, de 1966.
Um ano depois do FLOYD, por aí, THE SMALL FACES lançou outro SINGLE matador: “ITCHCOO PARK”, juntando o vocal R&B de STEVE MARRIOTT, com o experimentalismo PSICODÉLICO nascente. Mais um artefato magnífico nitidamente inspirado no que fez o PINK FLOYD.
São quatro clássicos com ARTIMANHAS de ESTÚDIO que fizeram a música “VOAR”! Magia + tecnologia!
Eu tive acesso irrestrito ao COMPACTO do PINK FLOYD a vida inteira. Quem o comprou foi meu eterno amigo SILVIO DEAN.
Na época, colecionávamos discos juntos, numa espécie de COOPERATIVA que implantamos desde quando nos conhecemos, na escola, em junho de 1967. A falta de grana pode ser força motriz poderosa…
Hoje, eu, ele e o filho dele, FÁBIO, continuamos “parças” e amigos. Discutimos, convivemos, trocamos e emprestamos discos entre nós. O SILVIO e o FÁBIO são totalmente responsáveis pela continuidade de minha paixão pels música. Ambos também colecionam!!!
“SEE EMILY PLAY” e outros SINGLES do PINK FLOYD são fundamentais. Estão neste CD, que faz parte do excepcional e belo BOX, “SHINE ON”, lançado em 1992, coligindo a produção da banda nos primeiros 25 anos de existência, entre 1967 e 1992!
Um espetáculo à parte!
POSTAGEM ORIGINAL: 07/04/2026

SANDY DENNY – “WHO KNOWS WHERE THE TIME GOES?” – 1985

FOLK SINGER muito talentosa e algo errática, apareceu no circuito FOLK de LONDRES, em meados da década de 1960. Tinha voz afinadíssima e muito forte – normal em baixinhos como ela – “do you remember” VAN MORRISON, ERIC BURDON, ANNIE HASLAN, para citar muito poucos.
Amigos e parceiros diziam que SANDY tinha talento para compor. E suas letras perspicazes despertavam em gente próxima a “certeza” de que várias canções teriam sido inspiradas neles…
Esta COLETÂNEA tem quase quarenta anos. Há um livreto muito bom, com fotos, letras de músicas e a escalação dos que gravaram com ela:
Músicos relevantes como RICHARD THOMPSON – Ahhh, você sabem quem é…- , o violinista DAVE SWARBRICK, os bateristas DAVE MATTACKS e GERRY CONWAY, e o baixista DAVID PEGG, e vários diversos craques do passado. Não vou esquecer os produtores JOE BOYD e GLYN JOHNS.
O BOX contém TRÊS CDS, sumário dos DEZ ANOS de carreira, com gravações originais e vários COVERS. Ela passou pelos “STRAWBS”, “FAIRPORT CONVENTION”, FOTHERIGAY e estava em meio de uma carreira SOLO.
SANDY DENNY MORREU AOS TRINTA E UM ANOS, EM 1978, de hemorragia cerebral causada por queda na casa de seus pais.
Era profissionalmente assertiva; mas pessoa insegura e carente, o que a manteve emocional pessoalmente instável a vida inteira.
O tempo, que “ninguém sabe para onde vai”, sempre a traz de volta, e sua reputação é consolidada. SANDY canta deliciosa e delicadamente bem. E é ÍCONE DA MÚSICA FOLK DA GRÃ BRETANHA.
Pobre SANDY DENNY, viveu entre a luz de seu talento e o atormentado lusco-fusco imposto por sua alma sofrida.
Não esqueçam dela.
POSTAGEM ORIGINAL: 05\04\2026
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ROLLING STONES – SINGLES COLLECTION – THE LONDON YEARS – 1963/1971

TIPO ASSIM: 58 FAIXAS GRAVADAS naquele período. Ou sejam, 29 COMPACTOS, SINGLES, ou seja lá o que se batizou. E, também, respectivos lados B. Abrange a fase BEAT, R&B; há coisas PSICODÉLICAS e BAROQUE ROCK. Viagem enorme feita em pouco tempo, e antes da plena consagração.
Traz a formação original com MICK JAGGER, KEITH RICHARDS e BRIAN JONES, nas guitarras; BILL WYMAN, no baixo, e CHARLIE WATTS, o baterista. Há, também, coisas com MICK TAYLOR, o guitarrista que substituiu JONES, em junho de 1969.
O repertório coligido é pletora de sucessos marcantes; alguns grandiosos, e todos comprovando claramente que “Los ROLLINGS” – como dizem os argentinos – jamais foram banda qualquer. Estão lá SATISFACTION, JAMPING JACK FLASH, BROWN SUGAR, PAINT IT BLACK, LADY JANE, e vasto etc…
Este BOX é até COMUM e fácil de conseguir em suas EDIÇÕES POSTERIORES. Mas esta é a ORIGINAL. Tem as dimensões de LONG PLAY; traz BOOK contendo a FICHA TÉCNICA, os músicos participantes, além do quinteto fundador. Há fotos e LETRAS impressas. E se pode observar a mestria, perspicácia e, muitas vezes a sofisticação das composições. É fácil perceber como MICK JAGGER e KEITH RICHARDS se completam… Bidu!
Na época, os STONES eram, principalmente, uma banda de SINGLES. Mais do que de álbuns marcantes – também existentes, claro… Este BOX é a revelação de todo um RITO percorrido pela memória de quem viveu, ou acessou posteriormente o trabalho dos caras.
Entre 1963 e 1971 aconteceu a fase mais conturbada do grupo. Foram roubados, usurpados, explorados, e tiveram coisas apropriadas de seu período mais criativo pelo “competente e ignóbil empresário” ALLEN KLEIN! Que Asmodeu o retenha…
Os ROLLING STONES foram forçados a esperar anos por um acordo que, aparentemente, não restituiu completamente o controle da obra para a seus criadores originais. Contudo, e apesar de tudo, ao menos recuperaram o período áureo, mais criativo e relevante artisticamente.
Ouvir alguns SINGLES acompanhando as letras é vivência artística, antropológica e sociológica fundamental para conhecer como, e o quê faziam e pensavam os artistas naqueles idos 1960.
RECOMENDO COM ENTUSIASMO.
POSTAGEM ORIGINAL: 05\04\2018
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