TIO SÉRGIO E OS “SEBENTOS”: E TRÊS PRECIOSIDADES EM VINIL EDITADAS NO BRASIL

Eu, tu, nós, eles… que apreciamos coisas velhas, somos frequentadores de SEBOS. Catadores de relíquias, velharias, e tudo o que preserve legados, ilumine o passado, nos aproxime do eterno. É HOBBY delicioso e instrutivo. Portanto, somos SEBENTOS…
Esta semana, fui a um antigo SEBO na região do CAMPO BELO, bairro nobre de SAMPA, um dos lugares onde giro com alguma frequência.
Bom; quem garimpa em sebos, feiras, lojas, etc… sabe o que interessa. E, por isso mesmo, a experiência nos atenta para presepadas; e nos faz ficar com duas de nossas quatro patas atrás, em alerta…
O TIO SÉRGIO aqui, mesmo quadrúpede semialfabetizado, tem noção das coisas. Porque cata latas desde os 14 anos; quer dizer, faz 58 unidades ahhh… anais… oopss, quero dizer anuais, mais ou menos… Por isso, aprendi o quanto as “latas” podem valer…
Pois bem! Os álbuns na foto pintaram na minha frente no SEBO. Fato talvez inspirado pelos “céus”. Examinei, constatei o estado lamentável, “cheios de navalhadas na carne”; riscos, valetas intransponíveis. E aparência “molamba” fruto de quem torturava os pobres com agulhas deterioradas; dedos imundos, e outros acepipes encontráveis em masmorras de ditaduras. Mas, eles foram cheirados, olhados, apreciados, vistoriados e cheguei a conclusão de que não estavam em condições de uso…
Fazer o quê? Perguntar o preço, claro. A primeira resposta foi ofensiva. Não havia preço no produto. Então, foram consultar o dono; e, como é “normal”, olhou em minha cara e deu o veredito: “Eu posso fazer R$ 50 reais cada um”. TIO SÉRGIO, que é grandalhão, iluminou o diálogo e respondeu: “Mas de jeito nenhum! São imprestáveis” – e são mesmo! – “Eu ofereço R$ 80,00 reais por todos! ” É pegar ou largar! “O cara fez muchocho, reclamou e acabou pegando.
Os dois BYRDS, mas em compactos duplos, eu havia recebido de meus pais no natal de 1966! São edições brasileiras da CBS: MR. TAMBOURINE MAN saiu aqui, em 1965; e TURN! TURN! TURN, em 1966! As capas estavam mal conservadas, mas recuperáveis. O vinil? Dá dó!
O LONG PLAY dos YOUNG RASCALS saiu em 1967 – e foi dos primeiros que comprei com o meu próprio salário! A capa exigiu operação drástica. Por sorte, mantive umas capas de vinis avulsas, mas sem uso. Tirei cópia do original, dei um jeito de colar, e transformei em outro objeto não xexelento. Limpei, lavei e consertei o que foi possível. Continuam inaudíveis; mas estão apresentáveis. Comprei pelo valor sentimental.
Em defesa do “sebento”, eu afirmo que “preservou” três raridades. Fez a intermediação para alguém que poderia recuperar ao menos para guardar e conservar o objeto histórico.
Será que eu fiz bem?
POSTAGEM ORIGINAL: 15\02\2025
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KRAUTROCK : ANDANÇAS, VIAGENS E CHEGANÇAS DE BOWIE, ENO, IGGY POP & OUTROS

ANDANÇAS, VIAGENS E CHEGANÇAS DE BOWIE, IGGY POP, E OUTRO CRIATIVOS PELOS HANGARES E RADARES DO KRAUTROCK, E DA MÚSICA EXPERIMENTAL E ELETRÔNICA: 1973/1979

Em 2022, PHILLIP GLASS terminou e lançou a sua DÉCIMA SEGUNDA SINFONIA, e completou a sua visão sobre a trilogia BERLIM, de DAVID BOWIE – que junta três discos seminais da saga criativa do ROCK através dos tempos.
GLASS acertara com BOWIE que também comporia sobre “LODGER”, original de 1979, e o terceiro disco da trilogia original. Ele Já havia feito magníficas sinfonias baseadas em “LOW”, em 1993; e “HEROES”, em 1996. Agora, esse triatlo artístico de grande fôlego e pertinência, já está disponível. Não percamos. É obrigatório! DAVID e PHILLIP merecem.
O histórico e pioneiro do ROCK PROGRESSIVO nas rádios de São Paulo, Jaques Sobretudo Gersgorin, dizia no KALEIDOSCÓPIO, o programa dele,😀 que ROCK era o encontro da “MAGIA COM A TECNOLOGIA”.
E a tecnologia recuperou a magia desenvolvida por um SUPERGRUPO alemão de KRAUTROCK, formado em 1973.
O HARMONIA foi a coalisão – colisão? – que juntava MICHAEL ROTHER, guitarrista e multi-instrumentista, que iniciou a carreira emulando KINKS, HENDRIX e o THEM; e depois, os desconstruiu no NEU, a dupla CULT que formou com KLAUS DINGER – outro criativo fora de esquadro.
Para constituir o HARMONIA vieram mais dois músicos com sobrenomes que parecem retirados de algum alfarrábio escrito em latim: HANS-JOACHIM ROEDELIUS e DIETER MOEBIUS. Ambos em teclados, percussão e instrumentos eletrônicos variados. A dupla estava na praça desde 1971, sob o nome de CLUSTER – que subsistiu longamente em idas e vindas, associações, e vasto etc… existencial.
Para simplificar, sobras do NEU + CLUSTER = HARMONIA. O nome que escolheram quase ironicamente, tanto por causa da beleza de FORST, no interior da ALEMANHA onde viviam, quanto pela tensão criativa gerada pelos três. “Foi quase um amor à primeira vista”, brincavam.
Em frase brilhante que li sobre eles, os três sabiam perfeitamente que a ALEMANHA OCIDENTAL não era o QUINQUAGÉSIMO PRIMEIRO ESTADO AMERICANO!
Portanto, desfigurar, reconstruir, e recriar um ROCK à imagem e semelhança da sólida e independente cultura ALEMÃ, era mais do que ESTÉTICA: Ladeava com a ÉTICA! Vocês recordam BELCHIOR quando canta que um TANGO ARGENTINO LHE CAÍA BEM MELHOR DO QUE UM BLUES?
Pois, é!
STOCKHAUSEN e a MÚSICA de VANGUARDA falava mais aos músicos experimentalistas e “progressivos”. E dava o tom para quase a totalidade do “KRAUTROCK” – visto como ROCK PROGRESSIVO alemão de características próprias.
O “KRAUTROCK” é pleno de ELETRÔNICA, IMPROVISAÇÃO e POLIRITMIA. E vai da “MÚSICA ESPACIAL” à “NEW AGE”; e comporta percussão inspirada por diversos lugares do mundo.
No KRAUTROCK viajam do TANGERINE DREAM ao CAN, passando pelo KRAFTWERK e incontáveis e apreciados militantes.
E acreditem, não é um modismo e nem movimento xenófobo.
Ao contrário, é um enorme criadouro cultural. Um compósito versátil de “ROCK”, “WORLD MUSIC” e o “PROGRESSIVO” tradicional. Abrange e integra o “FOLK”, o “HEAVY”, o “HARD” e até o BEAT; e articula elementos do JAZZ de VANGUARDA e da música de CONCERTO (CLÁSSICA? ERUDITA?) É uma macrocosmo vibrante!
Todos combinados, ou não; misturaram-se a essa estética poderosa e produtiva que se instalou na EUROPA, e mantem-se.
O tempo e a criatividade perfuraram as camadas que se abriram para o “ROCK INDUSTRIAL”, o “TECHNO” e o “GOTHIC ROCK.” E, vertiginosamente fertilizou o RAP, e as diversas variações da MÚSICA POP ELETRÔNICA atual!
Mas TIO SÉRGIO, o que têm o BOWIE, o PHILLIP GLASS e o BRIAN ENO com este “SMÖRGÁSBORD” maluco?
tô indo lá!

HARMONIA + ENO: TRACKS AND TRACES AMPLIADO, 1976, LANÇAMENTO EM VINIL
BRIAN ENO disse que o HARMONIA foi o “melhor grupo do mundo, entre 1973 e 1975”!!!! Mas durou apenas 3 discos e nenhum sucesso de público, e terminaram!
Porém, juntaram-se por umas semanas, em 1976, para fazer “TRACKS AND TRACES”, por iniciativa de ENO, que levou para a ALEMANHA um gravador de 4 pistas e o histórico sintetizador VCS3.
Eles gravaram tudo em fita cassete, e o produto final saiu de baixa qualidade técnica. E os “tapes” se extraviaram! E quase perdemos esse disco lindo, que mistura a crueza do ROCK ELETRÔNICO alemão à concepção melódica da AMBIENT MUSIC – que ENO já vinha desenvolvendo, e intensificou à partir dali.
Os “tapes” originais somente foram localizados mais de vinte anos depois! Porém, a MAGIA DA TECNOLOGIA atual possibilitou recompor tudo, e utilizar as faixas extras, que também foram feitas durante onze dias de gravação e convivência entre os quatro músicos.
O produto está aí. E, para os mais curiosos, existe um BOX com 7 CDS e tudo o que o HARMONIA gravou. Para mim, é overdose – mas pensando melhor… Para muitos, será um importante reconhecimento histórico e objeto de coleção!

E o BOWIE, como entrou nisso?
Perfeitamente; e vou acrescentar o IGGY POP na equação. BOWIE e ENO eram fãs e ouviam muito KRAUTROCK. Ambos gostavam do HARMONIA, do CLUSTER e do KRAFTWERK. E anteciparam a importância da nova música que estava sendo feita na ALEMANHA, desde o início dos 1970.
Antes da fase BERLIM, os indícios de outra mudança na carreira de BOWIE já despontavam. O LP “STATION TO STATION”, 1976, pode ser considerado o primeiro da fase eletrônica de BOWIE. A influência do KRAFTWERK é notória!
Em 1977, BOWIE produziu dois discos para IGGY POP; e excursionou com ele para promovê-los, tocando teclados em meio à penumbra dos palcos. “THE IDIOT” é, também, claramente marcado pelo KRAUTROCK, e “LUST FOR LIFE”, mais pesado, segue por ali.
Logo após gravar com o HARMONIA, adivinhem o que ENO fez? Encontrou-se com BOWIE e TONY VISCONTI, em BERLIM, e gravaram “LOW”, cuja metade da obra é instrumental; é KRAUTROCK eivado por AMBIENT MUSIC.
ENO participou intensamente dos três discos da TRILOGIA BERLIM, arranjando, compondo, etc. E consolidou sua marca e criação. As produções foram de TONY VISCONTI, parceiro de DAVID desde sempre.
A bem da exatidão histórica, HEROES, 1977, foi gravado na FRANÇA. E a guitarra “icônica” na faixa título é tocada por ROBERT FRIPP, do KING CRIMSON, outro fã das vanguardas musicais, e participante com ENO em discos criativos e ousados de música eletrônica.
LODGER, 1979, o último da trilogia, foi gravado em NOVA YORK. E o guitarrista é de ADRIAN BELEW, muito próximo de FRIPP ao longo da vida, e integrante em várias bandas que BOWIE montou. Uma perspectiva histórica mais correta consideraria a TRILOGIA BERLIM uma “TETRALOGIA”, se “STATION TO STATION”, entrar na dança. Eu voto nessa hipótese. E você?
E a isso tudo é bom parear as duas produções de BOWIE para IGGY POP. E tratar os discos instrumentais de ENO, por exemplo ANOTHER GREEN WORLD, como pioneiros daquela modernidade em ebulição.
Agora, dou o meu pitaco final: o HARMONIA “harmoniza” muito bem com isso tudo!
Tentem e lambuzem-se, pois vale a pena conhecer!
POSTAGEM ORIGINAL: 11\02\2023
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THE BEATLES – BOX SET – EDIÇÃO LIMITADA JAPONESA, COM “HELP”, “RUBBER SOUL” e “REVOLVER”. E O “SGT PEPPERS…” DA MESMA SAFRA

Encrenca típica em que o TIO SÉRGIO se mete.
Um grande amigo propôs troca entre materiais disponíveis.
Eu tinha alguns bons cabos sobrando: de caixa, elétricos, e de conexão. E ele edições raras e limitadas em CDS.
E, foi assim, como cantou WANDERLEIA.
Eu fiquei com este BOX dos BEATLES, edição japonesa meio doida, e outros discos que comentarei em outras ocasiões.
A CAIXA é sólida e numerada. Esta é a 2165 de 3000 que fizeram. Foi produzida no JAPÃO.
Acompanha um LIVRO muito bem feito, 176 páginas, lançado pela OMNIBUS PRESS americana, mas editado na INGLATERRA. Traz fotos, dados de gravações, e entrevistas com os 4 e todos os que estiveram envolvidos. O material abrange de 1962 a 1970. Está aí, também, um lindo PIN.
No BOX, três CDS: HELP, RUBBER SOUL e REVOLVER, edições inglesas, com a mixagem mais bem cuidada processada em 1987.
Segundo esse meu amigo, é bem melhor do que as posteriores e mais conhecidas do mesmo GEORGE MARTIN. Eu também percebi.
Juntei à foto minha edição especial do SGT. PEPPERS, também de 1987, o que formou um quarteto algo raro.
Claro, o trabalhos de mixagens e remasterizações que vêm sendo realizados pelo filho de GEORGE MARTIN, o excelente GILES MARTIN, vêm trazendo vida nova a tudo isso. E até o presente é o que existe de melhor…
Troquei e gostei. Enriqueceu a minha coleção, porque material inusitado e talvez precioso.
Eu coleciono BEATLES; mas não sou BEATLEMANÍACO!
POSTAGEM ORIGINAL:03\02\2023
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CDs. UM PRODUTO A CAMINHO DA EXTINÇÃO: INFLAÇÃO, AUMENTO NO PREÇO, CUSTO BRASIL, QUEDA NO CONSUMO, ETC

Não vou fazer resenha dos últimos discos que entraram para a minha discoteca. Chegaram – fui buscar – ontem. A música é do meu gosto, são artisticamente relevantes, enfim, audíveis e comentáveis.
Porém, os preços tornaram-se proibitivos.
Não vou me ater ao preço do luxuoso BOX com quatro CDS, de JONI MITCHELL – JONI JAZZ, 2025 -, que colige o que ela gravou e pode ser considerado JAZZ e adjacências. É produto especial, limitado, e imperdível.
Mesmo assim, custou uns $ 86,00! Muito caro, comparando-se ao que custaria uns dois anos atrás!!! E, principalmente, porque todo o material eu tenho nos CDS originais.
Mas os restantes, também importados, suplantaram a decência e a razoabilidade, e chegaram por $32,00 cada um!
E eu te lembro que a queda no preço do dólar, no BRASIL e no mundo é contínua e persistente. Hoje, o dólar turismo usado para a importação de pequenos objetos, está cotado em torno de R$ 5,50!
Você dirá: TIO SÉRGIO, What fuck porra it´s that!?!?
Pois, é!!!
No entanto, o preço dos CDS no exterior vem progressivamente aumentando. Os dois novos relançamentos dos clássicos do BLACK SABBATH, na foto, chegaram para mim, com o frete, a curra fiscal e o trabalho do lojista importador por $ 32,00 (trinta e dois dólares!), uns R$175,00 CADA UM!
E vou te informar, é a mesma mixagem e a masterização do CD lançado uns onze anos atrás pela BMG. É o mesmo artefato com outra roupagem – e a capa do CD anterior tinha mais vida!!!!
O mesmo preço custou MY BLOOD VALENTINE, lançado originalmente em 1991. Ou seja…
Ahhh, tomei coragem e importei o PORTAS, último CD de MARISA MONTE, gravado uns 4 anos atrás, mas que a SONY não lançou no BRASIL!!!! Custou um pouquinho mais caro!!!
Mas a coisa não está muito diferente aqui. O RENAISSANCE, uma reedição nacional do clássico PROLOGUE, lançado originalmente no ano de 1972, custou perto de R$ 80,00! quase $15,00! Eu tenho outra edição, e comprei esta não sei o porquê!!!!
Quer dizer, estamos fo… Toffoli!
Tudo considerado: os preços mais caros no exterior, que são explicados também pela queda no consumo de CDS, um objeto já fora de moda nesses tempos de STREAMING e VINIS. E a isso a gente soma a curra fiscal do insaciável Estado brasileiro, os custos crescentes da produção aqui no BRASIL; e com a queda da renda, e das vendas desse objeto outrora do desejo. As lojas estão cada vez mais raras…
E chegamos aos portais da extinção.
O TIO SÉRGIO propõe aos SOBRINHOS a seguinte questão:
Qual o preço justo para cada um de nós comprar, vender, ou avaliar quaisquer CDS de nossas coleções?
Eu respondo com uma negação: faz algum tempo que tenho evitado trocar em lojas os meus CDS usados, todos em excelente estado, e de qualidade musical acima de dúvidas.
Todos custaram caro, e hoje são subavaliados, o que me impossibilita de fazer “upgrades”.
Não posso comprar um CD por $ 32,00 e entregar os meus por menos de $4,00. Não é justo.
POSTAGEM ORIGINAL: 12\02\2026
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CHICK COREA: MEMÓRIAS, DISCOS E MUITO MAIS

Aconteceu em tarde qualquer perdida na década de 1980.
Fui visitar a BARATOS & AFINS, loja cult e imprescindível em SAMPA, conhecida pelos que curtem música, gostam ou colecionam discos. Estão por aqui faz quase meio século!!!!
O Luiz Calanca talvez não se recorde, mas conversamos um pouco sobre discos variados. Ele fez um comentário que sintetiza a posição da loja e do próprio Luiz sobre o que vale a pena ter em estoque e vender.
Esquecido na fluidez de minha memória, e na imprecisão que a idade “conserva”, o LUIZ disse algo assim: “Há discos que eu compro além do que vou vender de imediato. É porque confio no produto. São obras para o tempo julgar!”
É isso! E pegou o disco amarelo na foto, CIRCLE – PARIS CONCERT, e mostrou como exemplo.
Eu já havia comprado aquela
mesma edição brasileira da ECM; álbum duplo, qualidade gráfica e industrial de primeira ordem, lançada por aqui na década de 1970. Tenho orgulho e até ciúme!
Era ousado demais para um roqueiro embebido em cervejas e HARD BLUES. Mas eu já fazia travessia para outras galáxias musicais! Então…
Pois bem, o tal disco me perseguiu; e me intriga até hoje! Era e permanece VANGUARDA. É “Pós FREE JAZZ” perscrutando o “FUSION JAZZ”. Talvez além disso. É intrincada OBRA DE ARTE!
Mas quem está lá?
Claro, CHICK COREA, piano; DAVID HOLLAND, contrabaixo; BARRY ALTSCHULL, bateria; e ANTHONY BRAXTON, sax e outros apetrechos roncadores e sonantes. É gente do primeiro time do “porvir”!
Não foi a primeira vez que dei de cara com o CHICK. Eu já conhecia o BITCHES BREW, 1970, do “MILES DAVIS”. E, também, o grupo “RETURN TO FOREVER”, que fez grande sucesso juntando JAZZ a elementos de música LATINA e de MPB. Um reflexo da revolução que a BOSSA NOVA e, depois, o guitarrista CARLOS SANTANA fizeram no mercado musical e nas sensibilidades.
Mudando de pato a sapato, o TIO SÉRGIO gosta muito de SPACES, álbum lançado em 1974, onde COREA e o guitarrista LARRY CORYELL, organizam FUSION soberba encostando no ROCK PROGRESSIVO. O disco foi um “must” naqueles tempos – e é até hoje!!!!
CHICK COREA nasceu em 1941, fez carreira em alto nível; e na maior parte do tempos desafiando VANGUARDAS, inovando. Gravou de tudo e um pouco mais. É de competência incontestável!!!!
De certa forma, ele retornou para o JAZZ CONTEMPORÂNEO de feitio “mais tradicional” – se isto for possível…
COREA foi um craque na elaboração de melodias, sempre capaz de tocar confortavelmente solo, em grupos, duos, ou quaisquer outras formações que ouvi.
Ele e seu contemporâneo também genial, HERBIE HANCOCK, nascido em 1940, desenvolveram ao limite o MODERNO PIANO JAZZÍSTICO.
E, ao longo de suas carreiras, incluíram teclados elétricos, sintetizadores e outros brinquedinhos da modernidade. Ambos flertaram com o FUNK e o ROCK. Aliás, todos discos de nível estético superior.
HERBIE e CHICK são duas lendas e ritos, que dialogaram quase o tempo todo e por décadas; como se disputassem entre si para ver quem era o mais antenado, competente, gênio e influente.
Estavam empatados, quando CHICK morreu de um câncer raro, em 2021.
Como legado artístico, gravaram em dueto bastante cult e colecionável: COREA/HANCOCK, de 1978. Um testamento de afeto e respeito que seguramente sobreviverá.
Postei aqui o que tenho de CHICK COREA. Ouvi alguns; e estou terminando com LIVE IN MONTREUX, gravado em 1994. É um primor de modernidade melódica. Um disco Imprescindível e até fácil de encontrar.
Com a morte de COREA eu fiquei um pouco mais pobre interiormente. A falta de CHICK é mais um prego no caixão existencial de minha geração. Houve e sei que haverá outras perdas. Infelizmente. É do existir…
Talvez algum dia lancem BOX coligindo a obra completa dele; e à altura do que a SONY fez com HERBIE HANCOCK.
CHICK COREA merece artefato mais eloquente, completo e respeitoso. E definitivo, quem sabe?
Se e quando acontecer, espero que o preço não emascule os homens e nem estupre as mulheres, em suas respectivas contas bancárias.
Artistas como CHICK COREA são sempre provedores de arte. E também de afetos!
Brindes ao CHICK, e com a reverência que ele merece!
POSTAGEM ORIGINAL: 13\02\2021
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OTIS REDDING – “PAIN IN MY HEART”, E NINA SIMONE, : I’M NOT A BLUES SINGER”. AMBOS EM VINIL, 180G.

Pois, é!
Cada um deles chegou no apto do TIO SÉRGIO bonitinho, lacradinho, e por algo em torno de $ 10 BIDENS/TRUMPS, uns R$ 53,00 MANDACARUS! Uma baba!!!! Por preços baixos, eu compro LONG PLAYS apenas pelo prazer de tê-los.
Este é o primeiro disco de OTIS REDDING. que saiu em 1964. Mas não reproduz exatamente a edição original; porque a gravadora reteve os direitos para uso futuro…
Adquiri, também, uma coletânea de EUNICE KATHLEEN WAYMON. Ooopppsss! a grande NINA SIMONE!!! E, que eu saiba, não é um disco original.
Mais uma vez, comprei por gosto e oportunidade. Eu não tenho PICK UP; portanto, não posso ouvi-los. Espero que a qualidade técnica seja suficiente. Se não, valem pelas capas, a curiosidade, e minha admiração.
POSTAGEM ORIGINAL: 04\02\2023
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ROCOL HARUM: A TRANSIÇÃO DO PSICODÉLICO AO PROGRESSIVO, E O GRANDE CONCERTO COM A EDMONTON SYMPHONY ORCHESTRA, 18\11\1971

P
“IN THE AUTUMN OF MY MADNESS, WHEN MY HAIR IS TURNING GREY” …, canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, de 1968, do genial, subavaliado e não repetível “PROCOL HARUM”. CLÁSSICO DO ROCK em transição entre a PSICODELIA e o ROCK PROGRESSIVO, é recomendável aos paladares mais sofisticados. É lindo e triste! – e lúgubre.
Quase sempre me vem à cabeça a suíte pesarosa “IN HELD TWAS IN I” quando a INSÔNIA RECORRENTE assola e desencadeia os medos e paranoias, e as desconexões entre os fatos objetivos.
Mas realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
Nada mais humano do que sofrer por algo que pode não acontecer!!! É parte do outono da minha vida – loucura? – estou envelhecendo.
O nome “PROCOL HARUM” surgiu de um equívoco. Era pra ter sido PROCUL HORUM – o nome do gato do produtor GUY STEVENS, misturando o “advérbio latino” “PROCUL” – que significa distante, ao longe – e o nome “AHARON”. Na hora de assinar o contrato, soletraram “PROCOL HARUM”, e assim ficou.
A banda tinha KEITH REID, letrista exclusivo, um literato erudito. Ele e GARY BROOKER construíram juntos parceria diferenciada, entre discordâncias e certo mal-estar.
GARY tinha voz inconfundível, foi grande cantor com nítida vocação o para o R&B – além de melodista único, pianista e músico proficiente. Foi o notório BANDLEADER, o forjador do destino e o dono da banda. REID, que compôs profissionalmente a vida inteira, afirma que “se libertou” do tom lúgubre e depressivo da maior parte do que compusera, quando passou a trabalhar com outros parceiros.
Seja lá como a História for interpretada, o PROCOL HARUM sempre foi marcado por um compósito inicial e criativo único, modificado no decorrer do tempo.
Além de BROOKER, o único a participar em todos os discos; a sonoridade determinante do órgão, cravo etc… de MATHEW FISHER, marca definitivamente o HIT eterno “A WHITER SHADE OF PALE”, e outras faixas do início, como HOMBURG, QUITE RIGHTLY SO. Todas canções perfeitas e assombrosas.
Há, também, a guitarra icônica, perfeita, grave, pesada, e de inspiração “HENDRIXIANA”, tocada por ROBIN TROWER” – um GUITAR-HERO de verdade! E o excelente e imprescindível baterista B.J.WILSON – que dá show à parte no CONCERTO ao vivo, que resume a fase inicial.
Houve um fugaz baixista que pontuou criativamente os andamentos pesados da banda – mas largou tudo para se tornar acadêmico em ciências espaciais: CHRIS COPPING tocou em “HOME”, mas firmou tendência para o grupo.
O charme adicional do PROCOL é a mistura certeira de R&B e HARD ROCK em certas faixas onde TROWER detona pra valer! Ouçam WHISKEY TRAIN , de “HOME”, 1970; e em “SIMPLE SISTER”, em “BROKEN BARRICADE” , 1971, álbum final com ROBIN TROWER.
Desse ponto de vista, o PROCOL HARUM segue seus contemporâneos FREE, TRAPEZE, HUMBLE PIE… Mas sem perder a identidade.
Ouçam os discos na foto, porque expõem essa transição. ‘A partir de 1972, continuaram lançando ótimos discos, criativos e algo ecléticos, até encerrarem a carreira, em 1977. BROOKER partiu para carreira solo, e 14 anos depois, em 1991, retomou o PROCOL HARUM, com mais sucesso de público do que nunca!
POSTAGEM ORIGINAL: 14\02\2026
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PROGRESSIVOS E SEUS DECORRENTES. ALBUNS MEIO ESQUECIDOS DO “VAN DER GRAAF GENERATOR”, “JETHRO TULL” E “FLASH”

A minha geração, a turma que foi jovem na década de 1970, amadureceu aprendendo a gostar de ROCK PROGRESSIVO. Era parte de uma pretensa evolução rumo a músicas mais sofisticadas.
Eu gosto. Assim como aprecio FUSION, MÚSICA DE VANGUARDA, ROLOS INDEFINÍVEIS, JAZZ… e COISAS QUETAIS.
No início, se caça os grandes nomes. E, como também é comum em pessoas da minha idade, vamos perseguindo coisas em vários níveis conforme aparecem.
Claro, tenho PINK FLOYD, quase tudo do KING CRIMSON e do GENTLE GIANT. E também YES, GENESIS, MOODY BLUES, PROCOL HARUM, e vá juntando sílabas e formando nomes de bandas e grupos que você prefira… É parte do hobby.
Faltava em minha coleção o “THE QUIET ZONE” e “THE PLEASURE DOME” (1977) do VAN DER GRAAF GENERATOR, coleção que formei sem qualquer outra frescura e nas edições originais e não remasterizadas.
São obras excelentes e bem captadas. Arranjei este no E-BAY; e para não fugir da regra, veio com algumas escoriações. É CD mal cuidado. Para colecionadores, é um pecado insuportável ver , nesse estado, objeto tão pequeno e fácil de conservar!
Fui, também, atrás de certos álbuns do JETHRO TULL que achei secundários em seus tempos. Apareceram a bom preço, então comprei “A” de 1980, e “STORM WATCH”, 1978.
Uau!!! foram gravados há quase meio século!!! Pasmem!!!! Eu mal os notei!!!! Para minha surpresa, agora relançados pela PARLOPHONE!!!! e com remasterizações feitas pelo STEVEN WILSON – garantia de qualidade. Enfim, estão integrados ao acervo.
Por fim, um ícone algo raro e precioso; FLASH – “IN THE CAN”, foi lançado em 1972 . É o segundo álbum da banda icônica do guitarrista idem, PETER BANKS – que participou nos dois primeiros Long Plays do YES: TIME AND A WORD,1970; e YES 1969.
Naqueles tempos, todos queriam o vinil importado, capa dupla. Não só pela música criativa; mas inclusive pelas mamas quase desnudas e atraentes da modelo da capa – fotografadas com mestria e sensualidade.
Ah, o disco realmente é muito bom.
E você perguntará: Mas, TIO SÉRGIO, seu boquirroto, ou digirroto, o que você achou deles?
Minha resposta é a do falecido rei PELÉ!!!
Sei, lá, entende. Ainda não ouvi direito nenhum deles. Apenas recordei o FLASH!!!
Tá postado!
POSTAGEM ORIGINAL: 08\02\2023
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THE FUGS – FIRST ALBUM

Inspiradores do Lou Reed, da turma do Velvet Underground, da Patti Smith e dos suspeitos de sempre. Estão tocando para (contra?) mim, agora!
Formalmente, eram um bando de poetas beatniks sobreviventes fazendo algo parecido com folk. Musicalmente é muito ruim. Mas, se você escutar o primeiro álbum deles, de 1965, encontrará o ovo da serpente do Velvet Underground. Inaudíveis, curiosos, iconoclastas, cultura do contra e o que mais as línguas de cobra e os escorpiões de plantão quiserem.
Eu tenho; não vendo, não troco e não ouço nunca mais!
POSTAGEM ORIGINAL: 06\02\2018
The Fugs - Boobs a Lot

P.I.L. – PUBLIC IMAGE LTD, COM 3 FAIXAS, DUAS AO VIVO, GRAVADAS EM 2010. E HARMONIA: LIVE, 1974. AMBOS EM VINIL!

Eles chegaram na porta do TIO SÉRGIO por $ 22,00 BIDENS, ou TRUMPS, uns R$ 110,00 MANDACARUS.
O P.I.L , BANDA EXPERIMENTAL DE JOHN LYDON, o inefável JOHNNY ROTEN, ícone com os SEX PISTOLS, custou abaixo de R$ 40,00 MANDACARUS! E o HARMONIA… façam as contas.
Eu só compro VINIL na marmita das almas.
HARMONIA é banda de KRAUTROCK formada por três luminares da cena: MICHAEL ROTHER, HANS -JOACHIM ROEDELIUS e DIETER MOEBIUS.
O disco foi gravado na fase áurea, em 1974.
Os caras são tão importantes que BRIAN ENO, criador da AMBIENT MUSIC, e um dos pioneiros do experimentalismo contemporâneo, gravou discos junto com eles.
Aqui, dois vinis caprichados, 180g, etc..
O que tem dentro eu não tenho a menor ideia! Não possuo PICK-UP!
Texto original 04/02/2023
Pode ser uma imagem de texto que diz "Harmonia live 197 PiL"