BJORK: AVENTURA SINGULAR DO GELO AO COSMOS

O TIO SÉRGIO foi ótimo office boy. Desde os 14 anos, desenvolvi o senso de direção adquirido intuitivamente, e que me levava e trazia dos confins da cidade até onde horizontes fossem vistos. Durante uns sete meses, passei buscando coisas, pacotes, processos, e o escambau determinado pelas secretárias da diretoria. Eram amorosas e despóticas – e bem ao gosto brasileiro…
A remuneração em um grande banco da época, o NOVO MUNDO, era um atentado aos direitos humanos. Eu ganhava, em 1967, o chamado “SALÁRIO MÍNIMO DO MENOR”. A exata metade do mínimo de um adulto para trabalhar o dia inteiro, de segunda a sexta feira – e durante certo tempo, aos sábados até o meio-dia!!!!
Se hoje vivemos tempos de abusos, há cinquenta e tantos anos era “proto-escravidão” impingida.
Valeu a pena: eu girava São Paulo e, vez por outra, parava em lojas de discos, minha eterna paixão!
Mas também fui péssimo jogador de futebol. Não tinha orientação espacial para jogar em espaços curtos, e muito menos habilidade motora para dribles, marcação, essas coisas que definem um garoto até, digamos, uns 16 anos.
Fui estudante ruim, medíocre, e perdi dois anos no antigo ginásio tentando aprender a jogar bola. Aprendi? Claro que não! Vocês lembram, Renato César CuryJoão Raphael Ditommaso?
Então, fui mesmo em direção aos discos, e depois aos livros.
Por isso, TIO SÉRGIO descobriu fácil a BJORK; mas deixou de lado BRUCE SPRINGSTEEN – hipoteticamente, mais afeito à vida de garoto pobre em metrópole incipiente do terceiro mundo. Eu deveria ter estado mais para o “BORN TO RUN”, do que para “HEART FULL OF SOUL”, dos YARDBIRDS. Mas, não foi.
A BJORK eu conheci no final dos anos 1980, com os SUGARCUBES – que pouco me diziam. Mas ela saiu do gelo para o mundo; olhar de “laser”, talvez lince, enxergou seu diferencial até agora não transposto: um cantar único auxiliado por um timbre soprano raro, mesclado com a estranheza do sotaque “islandês” imposto como regra e não exceção. BJORK entrou no mundo POP e submeteu-o, colocou-se.
TIO SÉRGIO, apesar da idade, tem o estranho orgulho de conhecer mais HITS da nórdica excêntrica, do que do BRUCE SPRINGSTEEN.
E por que seria? Fácil. O americano é óbvio, mesmo que talentoso. Então, TIO atentou-se mais para ela.
A moça islandesa autotransplantada para o REINO UNIDO espanta! Como alguém vinda do gelo interessou-se por gente tão tropical como MILTON NASCIMENTO e ELIS REGINA, e convocou EUMIR DEODATO para produzi-la? E mais agora de seu tempo, incorporou e digeriu DJs do mundo inteiro para amplia-la? Pois, é!
E, pasme! Como não se desfigurou sob influências tão exóticas? Eu não sei: de alguma forma assimilou, foi em frente – expandiu as próprias hipóteses.
Você sabia que BJORK coleciona discos da ELIS REGINA? E que ISOBEL foi composta em homenagem a ela? Não notou? Não tem importância – mas certamente tem substância…
Ela é moderníssima, multiartista e multimídia. Quando assisti a “DANCING IN THE DARK”, filme do… ahnn psicopata… LARS VON TRIERS, grande cineasta do mal (desculpem – me se não concordam) fiquei mais fascinado ainda por ela! Principalmente pela crueldade do epílogo, em que acaba sendo executada injustamente por enforcamento, em cena horrorosamente brilhante. Está no filme CATHERINE DENEUVE – musa recorrente de minha adolescência “anarcoetílicointelectualizada”.
A reação que tive depois do filme foi desfazer-me da trilha sonora, tal a repulsa por aquilo tudo! Não consegui escutar mais, ou sequer manter na coleção! Faltará sempre.
Conclusão lateral inescapável: BJORK é, além de grande, criativa, e sempre mutante compositora e arranjadora, ótima atriz! Conclusão lateral número dois: sou fascinado por VON TRIER, assisti e assisto a todos os filmes que ele faz. Mas o quero preso em algum hospício. Ele não é humano!
BJORK é diferenciada. Não repete coisas. Compõe melodias, todas “DARK”, “DISMAL”, TRISTES, como sinopse de filme de terror. E orienta arranjos misteriosos que lembram “FILMES NOIR”. Tudo o que ela faz é relevante e de qualidade artística indiscutível.
A voz de BJORK determina o andamento de suas músicas, é simbiótica às suas criações, composições, sei lá o quê! O senso melódico da moça é meticulosamente ajustado à sua voz e ideias. É única! Tem estilo.
É minha opinião que DAVID SYLVIAN, BJORK e o RADIOHEAD são os mais importantes artistas de relevância do ROCK DE VANGUARDA, surgidos nos últimos 40 anos. Seriam?
Fui atrás do que pensam sobre a música dela. A quantidade de fusões identificadas é imensa! Talvez a maior que vi por aí! Cito poucas: MÚSICA CONCEITUAL, TRIP-HOP, ETHEREAL, DREAM POP, e tantas mais e tão bonitas que tanto faz…E são dez álbuns originais de estúdio e várias coletâneas.
Nem vou me concentrar em seus CONCERTOS! Diferentes, com a banda organizando outras sonoridades. São visualmente intrigantes, e é onde mais bem ela exerce seu lado teatral. Muita gente a estranha, e nem sempre dela gosta.
BJORK é um pequeno gênio nórdico? Superdotada seguramente ela é! Ah, sim!
Como sempre, eu escrevo sobre impressões pessoais. Sou um memorialista, digamos… Por isso as digressões, falas e resmungos espalhados ao longo do texto.
A hoje madura senhora é um sucesso de público. Também por isso, tempos atrás colocou à venda um apto, em Nova York, por $ 4,2 milhões dólares. Saiu na RECORD COLLECTOR – que também baba-ovo por ela, como o TIO SÉRGIO aqui.
Ah, o imóvel já foi vendido….
POSTAGEM ORIGINAL: 03\07\2024
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HERMAN’S HERMITS – INTO SOMETHING GOOD – BOX COM CINCO CDS, 121 MÚSICAS, E LIVRETO – EMI 1964/1972

Quase uma “BOY BAND”, o HERMAN’S HERMITS tiveram muito sucesso nos dias áureos, entre 1964/1967. Faziam o BEAT óbvio daquele momento – Bonitinho, dançável e agradável. Tinham caras, jeitos e atitudes de bons meninos. Venderam no decorrer da carreira 60 milhões de discos! Foi uma das poucas bandas que esteve no Brasil enquanto era
sucesso. Apareceram ao vivo na TV. RECORD, em 1968, se bem recordo.
Eram fortes nos ESTADOS UNIDOS, como outros ingleses contemporâneos: “BEATLES”, “DAVE CLARK FIVE”, “HOLLIES”… Na época, o MERCADO AMERICANO tinha tamanho e faturamento quase dez vezes maior do que o inglês.
“HERMAN´S HERMITS” estiveram muitas vezes no show de “ED SULLIVAN”, o maior programa televisivo no “HOSPÍCIO DO NORTE”. Assistido de costa-a-costa levantava ou enterrava qualquer pretendente ao sucesso.
SULLIVAN gostava deles porque eram moços educados, ao contrário da concorrência. E levantou os meninos, que aproveitaram bem as chances.
Não contei o número de HITS mas passaram de quinze, fora os menores… “THERE´S A KIND OF HUSH”, por exemplo, bombou e foi sucesso global. Outro que fervia em bailinhos da época, “THE END of THE WORLD” foi clássico baba ideal para tentar “roer o pescoço da mulherada, enquanto se dançava” – ooops… frase inescrupulosa rolava entre adolescentes… É Incrível o que a falta de sexo gerava na garotada e marmanjos conexos…
Porém, “NO MILK TODAY” – sucesso por aqui – fracassou na América. O tema era inglês demais… Aliás, a canção é um caso interessante: estourou em várias partes do mundo, Inglaterra, Japão e na Europa toda. E foi composta por um digamos… “BOY GÊNIO” da composição POP naqueles tempos:
GRAHAN GOODMAN, também inglês, compôs a canção em 1966, ainda adolescente, e a ofereceu a PETER NOONE, o “HERMAN” que era seu amigo. GOODMAN também compôs “HEART FULL OF SOUL”, 1965, gravada pelos YARDBIRDS; e “BUS STOP”, grande sucesso internacional dos HOLLIES, em 1966.
Depois, na década de 1970, tornou-se além de compositor um produtor, e formou com outros músicos o “10 CC” grupo POP de razoável fama com um grande HIT, que até hoje rola por ai nas rádios FM. “I´M NOT IN LOVE”, é agradável e “progressiva” – cheia de efeitos produzidos em estúdio.
Em discos dos HERMAN´S HERMITS tocaram parte dos músicos de estúdios importantes do ROCK INGLÊS. No primeiro álbum está JIMMY PAGE, por exemplo. O destaque é um RIFF e SOLO em “SILHOUETTE”, 1964, HIT SINGLE baba e… “chicletável” – também no BOX.
No final dos 1960, PETER NOONE abandonou o “HERMAN”, e saiu para carreira solo. Discreta. E ainda assim, em 2008 quando saiu essa compilação, ele fazia cerca de cem shows por ano! Nada mal!!!
Como tantos, PETER NOONE vive muito bem da glória passada. Que não foi pouca!
O BOX é muito legal para a turma que gosta do “BEAT POP LIGHT” e de cabeça vazia. ROCKERS de verdade teriam acesso de fúria homicida.
TIO SERGIO gosta e recomenda.
POSTAGEM ORIGINAL:  01\07\2020
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BJORK : BASTARDS! – 2 LPS. REMIXES – 2012

TIO SÉRGIO, você gosta de remixes?
Eu gosto muito, muito, é da BJORK!
Agora, pulando de pato pra sapato, eu acho que fazer remixes na própria composição, ou na de qualquer artista que autorize, é estética e artistica legítimo e amplamente democrático. REMIXAGENS ampliam o escopo da criação original, e abrem para novos entendimentos, intervenções e reinvenções.
Remixar não é mutilar ou conspurcar um trabalho. E, sim, não se conformar e potencializar a criação original sugerindo interação homenageando e respeitando o criador.
Ao mesmo tempo, e talvez paradoxalmente, é antídoto ao ego ou possível egoísmo do compositor. É “mais uma discussão” que propõe divulgar trabalhos alternativos e complementares ao original. Vários REMIXES são trabalhos de alto nível.
Este álbum duplo da BJORK ostenta uma das capas ARTISTICAMENTE MAIS BONITAS QUE JÁ VI!!
E, nos discos há vários DJs, REMIXERS – e sei lá mais o quê…, retrabalhando a obra de uma gênio musical contemporânea.
BJORK é artista original, surpreendente, arrojada etalvez atrevida. É muito difícil de ser resenhada por causa de sua enorme versatilidade e criatividade. Ela não se repete; portanto, esconde possíveis parâmetros de comparação. É sempre imperdível e desafiadora sob quaisquer pontos de vista.
Este álbum duplo chegou em minha toca por R$ 170,00 MANDACARUS. Uns $ 34,00, BIDENS, ou TRUMPS, ou simplesmente dólares!!!
RECOMENDO SEM OUVIR. Deve ser bom por definição…
POSTAGEM ORIGINAL: 31\07\2023
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MOODY BLUES – A QUESTION OF BALANCE – THRESHOLD RECORDS, 1970

Entre os melhores discos gravados pelos MOODIES, e um dos primeiros a falar abertamente sobre ecologia. O primeirão, saiu em 1967: “VILLAGE GREEN & THE PRESERVATION SOCIETY”, dos “KINKS”.
Depois e quase simultaneamente, foram lançados este álbum dos “MOODY BLUES”, e “WHATS GOING ON”, clássico absoluto de MARVIN GAYE. O tema é pulsante, prioritário e inesgotável há mais de meio século.
“A QUESTION OF BALANCE” é magnífico! Fala sobre temas universais do humanismo não ideológico, amor, direitos humanos, oposição à guerra, pacifismo… Agenda permanente de pessoas civilizadas.
Os “MOODY BLUES” eram sagazes para fazer letras. Iam do sublime – “NIGHTS IN THE WHITE SATIN” e “TUESDAY AFTERNOON”, por exemplo – ao piegas açucarado de fazer inveja a “JOHN LENNON” e “MILTON NASCIMENTO”. E esta é uma das razões terem sido enormes na AMÉRICA – terra de letristas magníficos, e da breguice deslavada. Em quaisquer das hipóteses, faziam bem feito; e formavam na estirpe que tinha pudores e não se misturava a essa “COPROFILIA PANDÊMICA” em que se tornou grande parte das letras e músicas do POP.
Neste álbum, é referência para o sublime a música e letra de “QUESTION”. O amor é colocado em um contexto mais amplo, transcendendo o pessoal. E a letra é construída mixando sentimentos e as preocupações humanistas da banda.
A integração entre o MELOTRON e a guitarra acústica, violenta e memorável, foi certamente inspiradora da versão do U2, para “EVERLASTING LOVE”. Ouçam e comprovem.
A variação de andamentos na música; a melodia elaborada; e o vocal de JUSTIN HAYWARD formam composição notável! Mas a faixa boboca, eu acho, é “THE MINSTREL´S SONG” – breguice açucarada de matar diabéticos incautos!
“A QUESTION OF BALANCE” é um álbum que se pode classificar como “PROG”: conceito atual para colocar enorme gama de artistas sob uma classificação ampla e aceitável, e que transcende o POP mais comum, mas sem a pretensão de se equipararem ao GENESIS, ao KING CRIMSON, ou ao PINK FLOYD.
Os discos anteriores dos MOODY BLUES, “DAYS OF FUTURE PASSED”, 1967; “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”,1968; “ON THE THRESHOLD OF A DREAM”, 1969; “TO OUR CHILDREN´S, CHILDREN´S, CHILDREN, também lançado em 1969; e o posterior a este, “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, são “ROCK PROGRESSIVO”, com nuances variadas.
Durante a década de 1970, a turma da vanguarda renegou os “MOODY BLUES” ao segundo time. Hoje, recuperaram o prestígio. Merecidamente.
As gravações de todos os discos que realizaram são tecnicamente invejáveis! Todos em alto nível de criação artística, originalidade e inventividade no estúdio . E como tinham vozes bonitas e cantavam bem, esses caras!
A produção gráfica e o DESIGN das capas estão entre os melhores e mais bonitos da época! E também por isso, os lançamentos da banda eram eventos culturais e de mídia ansiosamente aguardados!
OS MOODY BLUES lotavam e teatros sempre que voltavam à cena, e isto até poucos anos atrás – apesar de ao vivo não serem tão marcantes. Com exceção do “PINK FLOYD”, os “MOODIES” certamente foram a banda de maior sucesso nos ESTADOS UNIDOS e no JAPÃO, entre os “PROGRESSIVOS”.
Conheçam os “MOODY BLUES”. Eles fazem parte do primeiro time do “ROCK” de todos os tempos.
POSTAGEM ORIGINAL: 01\07\2020
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PAT METHENY – SIDE EYE – VOL1 – IV – AO VIVO

TIO SÉRGIO é uma espécie de futurista retardatário. Às vezes demoro; mas chego ao presente inevitável; no caso, é comprar vinis quando acho os preços aceitáveis leves curras financeiras.
Foi o caso. Eu siderava pela NET e apareceu o “site” da UNIVERSAL MUSIC. Claro, dei atenção e…
Encontrei este LONG PLAY do PAT METHENY, um admirado que coleciono há décadas. Ele é um superdotado da música. Foi do FUSION JAZZ algo POP, derivou para, e retornou do experimental; e sempre tangencia algo do ROCK e sua intensa jovialidade. METHENY conhece de WES MONTGOMERY a ORNETTE COLEMAN – e muito, mas muito mais mesmo…
PAT consegue mixar todas e quaisquer informações e trazê-las para seu estilo sutil de tocar e criar, tornando os incontáveis discos que gravou extremamente agradáveis e instigantes.
Na foto, temos um dos vinis de uma série interessantíssima criada por ele e o produtor STEVE RODBY. São vários concertos gravados ao vivo; e com o generoso diferencial de juntar gente nova na banda para cada disco, dando passos certeiros do presente para o futuro.
Neste aqui, vem acompanhado, para não variar, por dois músicos talentosos: JAMES FRANCIES, no órgão e teclados vários; e o baterista MARCUS GILMORE.
Mas TIO SÉRGIO, ficou bom mesmo?
Ora, lindos e lindas e lindexes! É óbvio que sim! É um álbum duplo vinil de 180g, capa muito bonita e bem feita, e o som gravado é profissional.
É o PAT dando aulas de guitarra com o bom gosto de sempre, passando por variado repertório e alguns de seus clássicos, como “BRIGHT SIZE LIFE’. É o mestre destacando e deixando dois discípulos mostrarem o porquê de comporem o trio.
Ahhh, voltando ao vil metal, TIO SÉRGIO pagou R$ 231,00 mandacarus, em cinco vezes, uns $ 42,00 TRUMPS, usando a fadinha MASTERCARD.
Se você não vai assistir ao DARK HORSE, do “Inolvidável”, então estará na “VIBE” desse artefato.
Curta sem moderação.
POSTAGEM ORIGINAL 04\07\2026
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DOORS: EDIÇÃO DE 50 ANOS DO PRIMEIRO E SEMINAL DISCO DA BANDA, 1967

Edição bonita, em CAPA DURA, com LIVRETO e VINIL. de 180g MASTERIZADO EM MONO; mais dois CDs contendo as versões em MONO e STEREO do álbum original; e um terceiro CD gravado ao vivo em 1967, no MATRIX CLUB. Aliás, é performance histórica – mas horrorosa e amadora!
Quem já ouviu os “DOORS” ao VIVO sabe que técnica e não eram lá essas coisa. Porém, ESTARDALHAÇO e MITO à parte, o que vale é a energia liberada, o clima de suspense, a intensidade e o imenso carisma de JIM MORRISON e o efeito catártico que tudo junto causava sobre o público!
O texto no LIVRETO diz que “pelo menos em algumas faixas” foi o pianista e baixista “LARRY KNECHTEL” quem tocou contrabaixo. Para mim, está claro: ele tocou no disco inteiro.
“LARRY” é competente e criativo. Fez o piano em “BRIDGE OVER TROUBLED WATERS”, de “SIMON & GARFUNKEL”, também canção inesquecível. Depois, tornou-se parte do “BREAD”, banda POP de sucesso enorme, no inícios da década de 1970.
TIO SÉRGIO ouviu a versão em STEREO. A REMASTERIZAÇÃO está muito boa, transparente e musical. O BAIXO ficou mais evidente; pulsante. A percepção é de que tudo está no lugar correto.
O primeiro álbum dos “DOORS” foi um assombro matador quando lançado! O ÓRGÃO “VOX CONTINENTAL” de “RAY MANZAREK”, a GUITARRA de “ROBBIE KRIEGER”, e principalmente a personalidade magnética e a VOZ inconfundível de JIM MORRISON, tornaram certas canções lendárias:
o HARD BLUES em “BREAK ON THROUGH”; o BLUES com toques psicodélicos em “THE CRISTAL SHIP”, “TWENTIETH “CENTURY FOX “, “SOUL KITCHEN”; a BLUESY sensual, explícita e pesada “BACK DOOR MAN”; ROCKS dinâmicos em “TAKE AS IT COMES” e “I LOOKED AT YOU”; e a CULT e BRECHTIANA “ALABAMA SONG”.
O que torna este álbum definitivo são dois clássicos atemporais:
“LIGHT MY FIRE”, o “BLUES-ROCK-PSICODÉLICO” que assaltou o mundo com os inesquecíveis solos e riffs legados por RAY MANZAREK. O canto imponente e a lasciva masculinidade e ousadia controlada de “JIM MORRISON”. Quando ouvi no rádio pela primeira vez, em 1967, foi mais um rito de passagem definitivo para a minha adolescência.
O álbum culmina em “THE END”. Incesto, violência e poesia cantados intensamente num clima “DARK”. É uma das primeiras canções delineando o que faria o pessoal do “GOTHIC ROCK” uns dez anos depois. E, também, marca inaugural da “ORATÓRIA POP” criada por “JIM MORRISON”, e conduzida por sua
voz barítono – veículo perfeito para poesias e outros escritos que fez.
THE “DOORS”, o ÁLBUM, é um clássico definitivo. Marca a chegada triunfante, e o início da progressiva decadência de “JIM MORRISON” em direção da autodestruição física e mental.
Pra variar, o disco demorou demais para sair no Brasil, em 1968 – se bem recordo. E a qualidade gráfica e do material da capa estavam abaixo do razoável. O som também não era lá essas coisas. Assim, o entusiasmo inicial esvaiu-se.😴
Em 1968, foi lançado o segundo e ótimo LONG PLAY, “STRANGE DAYS”. Anos passaram até sair a edição brasileira. A voz de MORRISON já não era a mesma, apesar da interpretação emocional e tórrida e de sua crescente limitação técnica como cantor.
A construção do MITO narrava o jovem bonito e artista maldito; o astro alternativo, anti-sistema, desregrado, libertário e libertino; e vários predicados consolidados em meados da década de 1960.
Era o tempo da CONTRACULTURA e dos HIPPIES, de radicalização política, e contestação geral das tradições e dos valores.
De 1968 até 1971, os DOORS lançaram álbuns interessantes, na gangorra de sempre durante a queda paulatina e não revertida da BANDA.
Mas no capítulo final, em 1971, sai o lendário “L.A. WOMAN”. E lá reaparece um “JIM MORRISON” “maturado” emulando BLUES SINGERS que o inspiraram. É um epílogo digno para um ídolo superior.
A MORTE de “JIM MORRISON” , em 03 de julho e 1971, o reposicionou enquanto lenda ao longo das décadas. A ressurreição consumou-se em 1991 com “THE DOORS, O FILME”. Lá é descrita a trajetória meteórica, trágica e oscilante durante os quase seis anos de construção deste personagem único – e simultaneamente idílico e mundano.
Mas TIO SÉRGIO, vale a pena comprar o BOX?
Para os muito FÃS, sim.Talvez pela efeméride e recordação. Para mim, faltou a versão original do “SINGLE” de “LIGHT MY FIRE”, bem mais pesada e impactante do que a longa viagem PSICODÉLICA do LONG PLAY. Os “SINGLES” servem para isso: DAR a REAL! O MURRO DEFINITIVO…No fundo, à parte o vinil, é possível conseguir este BOX com os três CDS. Ou alguma das muitas versões que existem por aí.
ENFIM, é o “JIM MORRISON”. Então, o reverencie como quiser. Ele merece.
POSTAGEM ORIGINAL CORRIGIDA: 30\06\2026
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B.M.G. MUSIC PUBLISHING – ENCICLOPÉDIA E CATÁLOGO DE TRILHAS SONORAS ORIGINAIS

Eu conheci um advogado que escondia discos no meio do jornal. Entrava em casa, enfiava tudo na estante do jeito que dava…
Depois, longe da mulher, olhava o butim e o reposicionava adequadamente. Claro, sumiam todos na “mata densa”- quer dizer, no meio de outros discos!
A esposa não compreendia o porquê da coleção engordar tanto! Afinal, o “doutor causídico” dizia ter parado de comprar discos???!!! Um crime quase perfeito!
Outro fanático era funcionário público apaixonado por vinis. Adorava TRILHAS SONORAS. E procurava onde pudesse encontrar músicas que embalavam STREAP TEASES!
Conseguiu de montão! E quase chorou, lá pela década de 1990 quando a RHINO RECORDS lançou uma série só com músicas de… ahnnn… provocação: safadezas mesmo! Sensacional! Essa até eu gostaria de ter…
O mais compulsivo deles, na época, era o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo. Pasmem! Décadas atrás, eu e meu amigo Silvio Dean, outro” gostador” de discos, fomos ao apto onde ele morava! Havia estantes por todo canto, e discos até debaixo das camas! A coleção de trilhas sonoras era quilométrica!
ERIC nos mostrou sua enorme e incrível discoteca de vinis! E, lá, a invejável e rara COLEÇÃO de TRILHAS!.
Colecionar trilhas é doideira incontrolável. Imaginem que é estimado em mais de “milhão” os filmes de longa metragem lançados até agora!!!! Sem contar as séries para TV, e o imenso universo adjacente e paralelo!!!
TIO SÉRGIO engasgou e não vai repetir… são músicas e discos pra dedéu!!! Talvez sessenta por cento deles tenham trilhas sonoras originais. Fora músicas coligidas e organizadas para “fazer pintar um clima entre o som e os filmes”! Não consigo estimar quantidades. Todo mundo mantém uma trilhazinha na discoteca. E hajam Djs, organizadores, entendidos de música e etc… trabalhando. Pensem no número que você quiser. Pouco importa…
É quase impossível pesquisar e catalogar completamente tal variedade, os países de origem e outras dificuldades para acesso. Principalmente quando se pensa sobre as novas séries ou filmes que, além do tema principal composto especificamente, na maioria das vezes são agregadas músicas de outros artistas.
Em uma frase até desanimadora: colecionar trilhas não tem fim!
Mas é possível especular sobre o talvez padroeiro dessa atividade de compor “trilhas”. Sempre penso em “VIVALDI”. Diz a lenda que o “padreco” fazia uma composição por dia para entreter seus “alunos”. Fez mais de 1000. Trabalhou a tal ponto que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso adorado santinho: “ele não compôs mil músicas, mas a mesma música 1000 vezes!”
Julgue, mas seja compassivo..
Não há criação musical mais realista e avessa à hipocrisia do que compor sob encomenda. Dá um trabalhão doido! Tem prazo de entrega e nenhum glamour se pensarmos no processo; e na absoluta imposição de profissionalismo para refletir a obra sob a qual ela será inserida… É magia, técnica e tecnologia.
Pensem nos caras e nas meninas que produzem tais “artesanias” para abastecer filmes, novelas, peças teatrais e publicitárias!
Estou tentando cada vez mais assistir a filmes, vídeos, essas coisas…
Mas, confesso, não tenho ânimo para colecionar TRILHAS: BELEZAS CONSTRUÍDAS DE PROPÓSITO E COM ESFORÇO. E NAS QUAIS SE OBSERVAM QUALIDADES ARTÍSTICAS INDISCUTÍVEIS.
Porém, morro de vontade e vez por outra compro alguma. E, apesar de não ser a mesma coisa, penso em baixar o que me agrada e manter no computador. Porque isoladamente formariam “pout-pourri” temático sensacional!
Este BOX com dez CDS, “THE FAMOUS MUSIC CATALOGUE”, produzido pela BMG em cima das TRILHAS SONORAS feitas para filmes da PARAMOUNT. O conjunto revela uma incrível MISCELÂNEA TEMÁTICA de músicas conhecidas coligidas com objetivo claro.
Foi distribuído promocionalmente, lá por em 1997, e apareceu por acaso quando eu era dono da CITY RECORDS, loja de CDs em SAMPA. Alguém, um jornalista ou gente do meio de comunicações, veio trocar por outros discos. E retive para mim.
O BOX traz indicações como nome do FILME ou da MÚSICA, o COMPOSITOR, a data de estreia, e mais nada… Não divulgaram o nome dos artistas que interpretam!!! Estão aqui, coisas desde os anos 1930 até gravações contemporâneas. Há de tudo gravado durante décadas: R&B, ROCK, COUNTRY, EASY LISTENING, JAZZ, BLUES e o capeta a quatro….
As gravações são todas originais. E confesso , é um dos vários casos em que tenho o disco e jamais ouvi direito – quando cheguei a ouvir…
Então, tentei identificar. Dou de cara com “EYES OF THE TIGER”, com o SURIVIVAL, tema de ROCKY 1; CALL ME, com a BLONDIE; e clássicos maravilhosos como JACK JONES cantando CALL ME IRRESPONSIBLE. Ou a baba ostensiva de JOHNNY MATHIS (HUMM… PHODIS…, como dizia minha turma, na décadas de 1960/70) interpretando o tema de ROMEU e JULIETA. Há, também, o clássico BONANZA, série de televisão mundialmente famosa, exibida bem mais de meio século atrás!
Estão ali, variedade intrigante desde CARLY SIMON, em COMING AROUND AGAIN; ao LIVING COLOR, em CULT OF PERSONALITTY. E o belo tema de GHOAST, de MICHEL JARRE. Não faltou THE GODFATHER, conhecidíssimo. Além de “surpresas ultra conhecidas”, rodadas frequentemente nas FMS e filmes. Deve ter mais – obviamente, não posso comentar o que ainda não consegui ouvir… Enfim, um mundo à disposição revivido nesta postagem.
Para meu “gáudio” – ooopppsss, volte ao presente, TIO SÉRGIO! -encontrei a versão original do espetacular tema de “PERRY MASON” – uma série que rolou entre 1957 e 1966, onde o astro é um advogado criminal craque – muito craque! Foi composto por FRED STEINER, e gravado por RAY CONNIFF e sua Orquestra.
Para rockers e bluezeiros mais jovens, existe versão ao vivo com os BLUES BROTHERS; muito pesada, excelente!
Acho este o mais espetacular entre todos os temas principais de TRILHAS SONORAS! Casamento perfeito entre o enredo, o filme e a música. Todo o clima de mistério “NOIR” expondo o que vamos assistir, e interpretado com intensidade talvez não superada!
Não incluído no BOX, mas está entre os meus temas prediletos a abertura da “série inacabável” “LAW AND ORDER”, da UNIVERSAL, escrito por MIKE POST: É perfeito! Denso, tenso, rápido e incisivo!!!
Então, jovens ou joviais desbravadores deem uma olhada nas telas, ouçam alguns compositores consagrados tipo ENNIO MORICONNE; e modernos como ANGELO BADALAMENTI. Observem os trabalhos, a beleza e os resultados. E foquem na complementação óbvia, as trilhas acessórias, as músicas captadas décadas afora recheando projetos e trazendo significado diferente à composição – e sentido mais amplo aos filmes…
Se tiverem coragem há incontáveis milhares de discos para vocês caçarem; e refinarem audição, texto e visual. Eu desejo aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 26\02\2022
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LANA DEL REY – ANGUSTIADA E BELA; CRAVO E CANELA

LANA DEL REY é a “IMPERATRIZ DA ANGST”, disse a revista RECORD COLLECTOR.
ANGST é a definição para um estado de espírito que mistura medo e apreensão antecipada por algo, ruim ou não, que vai ou possa acontecer. Um misto de solidão e ansiedade .
Seu disco, “DID YOU KNOW THAT THERE´S A TUNNEL UNDER OCEAN BOULEVARD?”, lançado em 2023, tem quase 78 minutos de duração. Há tempos eu não vejo disco original tão longo em único CD!!!
A capa saiu em três versões diferentes, à escolha do freguês, ou todas juntas em um BOX com três Compact Discs. Os LONG PLAYS devem estar, também, em álbuns duplos, e capas diferentes. Eu não conferi.
LANA é moça de pulcritude indiscutível. Mostrou sua bela e instigante “CARTOGRAFIA” na capa de uma das três versões em que o disco foi lançado. Exatamente a que eu possuo.
A exposição do relevo da fronteira entre vales, colinas e os picos que os consagram, tem despertado exames acurados de observadores. A vista é muito bonita…
Ela esteve por aqui, retomando a carreira de shows. Disseram que os cinco anos que passou sem excursionar a tornaram menos delgada, mais cheinha. LANA DEL REY teria extrapolado a silhueta que apresentava em 2013, na primeira vez em que deu concerto no Brasil, aos 27 anos de idade.
Certamente há exagero. Não é possível que tenha se esvaído feito um ARCO-ÍRIS aquele magnífico espécime que deixou em êxtase meninos, meninas e meninex. LANA os gratificou com simpatia. Desceu à plateia logo no início da performance para dar autógrafos, fazer selfies; e, apesar da segurança que a acompanhava, suportar até beijos roubados!!!???
A capa do disco comprova a maledicência. LANA continua bela.
Eu li, na RECORD COLLECTOR, que este disco é muito bom. Talvez o mais bem realizado dentro de seu estilo algo recorrente e perto do repetitivo no andamento e nas melodias. LANA é cantora reconhecível porque suas canções mantêm características…hum já testadas e conhecidas… ( minha nossa!!! A que ponto cheguei???!!! )
Eu já a conhecia. E desta vez a moça conseguiu fazer melhor. Tipo construir algo além, mais refinado, consagrando um jeito de cantar, compor e postar-se enquanto artista. Não é inovador, mas é o ápice de uma proposta.
Eu ouvi o disco diversas vezes. E com muito interesse e prazer. É belíssimo!
A sonoridade, em minha opinião, busca e mescla elementos do DREAM POP; e tem muito do FOLK PROGRESSIVO MODERNO.
Ela conseguiu ultrapassar o ROCK ALTERNATIVO do qual é mais ou menos parte. É, também, contemporânea do HIP-HOP; e a presença de JON BATISTE, um quase-astro em ascensão, serve à diversificação necessária elegantemente encaixada.
Há um condimento explícito e onipresente de JAZZ/BLUES/GOSPEL que permeia as músicas. Além de algumas experimentações adequadas, mas sem exageros.
O ritmo e andamento continuam lentos, como em tudo o que dela escutei. E o clima sombrio, DARK, envolve feito placenta o transcorrer da obra e se revela paulatinamente. É fascinante!
A voz distinta e delicada de LANA DEL REY, uma contralto de timbre encorpado, é simultaneamente melodiosa e seca. Talvez lembre LIZ FRAZER, do COCTEAU TWINS. Mas com a doçura e o lirismo de KATE BUSH nas brumas de seus versos uivantes. Porém, quando no limite do grave, recorda MARIANNE FAITHFULL por sua aspereza.
LANA tem jeito e porte de artista de FILME NOIR – mas transposto e atualizado para o presente. A moça é sensual sem ser vulgar. Assume o jeito de uma garota não tão recatada que parece reter, ou controlar, uma explosão vulcânica de sexo e desejos.
Mas, até que ponto seria ela mesma? Quem sabe ela esteja construindo um personagem…
Infelizmente, as letras não acompanham o CD. Uma perda e um empecilho para mais bem compreendê-la. Mesmo assim, tudo combinado resultou em trabalho amplo, pensado e coeso.
Algo neste último disco recorda os arranjos de ANGELO BADALAMENTI para a trilha sonora da série TWIN PEAKS: uma languidez nervosa, componente de certa… ANGST…
A senhorita ELIZABETH WOOLRIDGE GRANT nasceu em NOVA YORK, é filha de dois publicitários que entraram em BURNOUT (estresse total), e resolveram mudar para uma pequena cidade vizinha que, segundo LANA – oooopsss – lembra a fictícia “TWIN PEAKS”.
E os GRANTS refizeram suas vidas e profissões. LANA DEL REY, é um pseudônimo, Ela cresceu por lá. É moça de classe média, estudou filosofia, gosta de escrever e lê gente alternativa como NABOKOV, de quem emula falsamente uma quasi-LOLITA. E´ crescida demais para posar de ninfeta. Já disse gostar de homens mais velhos… Há fotos comprovando…
LANA é fã da poesia da geração BEAT. Mas tambémleu outros poetas americanos, como WALT WHITMAN e SILVIA PLATT. Assistiu a filmes NOIR. E gostou de CIDADÃO KANE…
Ela diz ter sido inspirada pelo GRUNGE. Principalmente o NIRVANA, de quem empresta aquela ansiedade explosiva – e nela apenas latente. Tornou-se muito amiga de COURTNEY LOVE, a mulher de KURT COBAIN. Mas, claro, LANA artisticamente foi por outros caminhos. É madura, e compõe como tal. Mesmo quando age feito adolescente.
Eu procurei ouvir os SINGLES de sucesso de sua carreira. São bons. Ela tem um jeito pessoal de compor letras que viajam do explicitamente romântico e flertam com o idilicamente trágico – como despedidas dolorosas de namoros, vistas como pequenas mortes, ou suicídio anunciados. Há sempre um quê de incestuoso rondando suas letras. Que fazem menções a drogas, e a sexo às vezes explicitamente.
A solidão, outra constante, é descrita para e do ponto de vista da geração dela. Deixa a impressão imprecisa de “estar sempre vestida para ir a lugar nenhum”…
Depressiva? Quem sabe. Solitária ela certamente é.
Há o fascínio pela vida bandida, e por marginais e Bad Boys. Mas vistos de um ponto de vista das garotas educadas e de classe média, que eventualmente se envolvem com o perigo… Acho que ela não se expôs, mas flertou, excitou-se com isso. E escreveu.
Talvez essa criatividade revele apenas estilo, letras mais ousadas de menina sonhadora. Mas quem sabe seja estrutura de um projeto de marketing , como jeito de consolidar sua já peculiar persona artística. Seus pais eram publicitários, eu não esqueço…
As músicas de LANA incorporam parte da mitologia americana do indivíduo livre, indomável e fora do sistema. Há um quê de BRUCE SPRINGSTEEN, e aquela vontade de fugir das amarras da sociedade – um fascínio pelo “BORN TO RUN”; ou, como em um dos hits dela, “BORN TO DIE”…
É também possível identificar influências de LOU REED; alguma irreverência à ALANIS MORRISETTE, e um não sei o quê de SINEAD O´CONNOR… Escavei pelaí a urgência ansiosa de ALISON MOYET (lembram – se dela? ) Se bem compreendi, é um ótimo COMBO, talvez um GUMBO artístico…
No seu primeiro SHOW em São Paulo, em 2013, no FESTIVAL PLANETA TERRA, a garotada urrava enquanto LANA desfilava no palco sua elegância de modelo, o corpo escultural, e o rosto hummm…. angelical…
Ela ria e brincava com a banda; e todos pareciam adorar estar lá apresentando a irreverência construída que LANA criou.
Para mostrar a quê veio e provocar, o SET abre com música dizendo explicitamente que a VAGINA dela tem gosto de “PEPSI COLA”!
E LANA enfatiza que é verdade. E que foi o namorado quem constatou… Aquilo deixou onanistas à beira de uma “PAN ESPERMIA”!
Tá bom;
Se tem gosto de PEPSI COLA, então: LANA, ANGUSTIADA E BELA; CRAVO e CANELA!
Tentem; mesmo sob tentação….
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
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THE RASCALS – “SEE” – 1970, E “SEARCH AND NEARNESS”, 1971, OS DISCOS FINAIS PARA A ATLANTIC RECORDS

Certa vez, “OTIS REDDING”, o grande “SOUL MAN” de carreira sólida na década de 1960 quis conhecer os RASCALS no estúdio da ATLANTIC RECORDS, onde ele e a banda estavam gravando. OTIS não acreditava que fossem brancos!
Eram três “ITALIANOS” : “EDDIE BRIGATTI”, vocal; “FELIX CAVALIERI”, órgão e vocais e “DINO DANELLI”, baterista. E havia um “IRLANDÊS” na guitarra, “GENE CORNISH”.
Os quatro RASCALS se juntaram em NOVA JERSEY, onde surgiram “FRANK VALLI e os FOUR SEASONS”, “BRUCE SPRINGSTEEN”, “MADONNA” e mais pra frente o “BON JOVI”.
Todos fãs dessa marcante e talentosa banda local que inaugurou o chamado “BLUE EYED SOUL – não, não vou traduzir!
“STEVE VAN ZANDT”, da turma de “SPRINGSTEEN”, os “introduziu” na cerimônia do “ROCK AND ROLL HALL OF FAME” onde merecidamente os quatro estão. Disse maravilhas sobre o talento, a excitação e histeria que os “RASCALS” provocaram de 1965 até 1972. Foram 7 anos de sucesso. Depois… enfim;
Entre 1966 e 1969, foram os donos do HIT PARADE americano. Eles e os BEATLES. O BLEND de “R&B”, “BLUES-EYED SOUL”, “PSICODELIA” e um tipo de “PROTO-ROCK-JAZZ” os elevou ao topo! Sim, fizeram SUCESSO de PÚBLICO e CRÍTICA.
Dia qualquer o meu amigo FABIO DEAN provocou argumentando que “SEE” era mais bem realizado e sucedido do que um dos CLÁSSICOS da FASE PSICODÉLICA, “ONCE UPON A DREAM”, lançado em1968. Fiquei surpreso! Seria?
Voltei a escutar o álbum após décadas! E gostei bem mais! Constatei, inclusive, que também estão por lá “RON CARTER”, “BARRY GOLDBERG”, “HUBERT LAWS” e “CHUCK RAYNES”, músicos de alta performance – ahhh, vocês vão saber qual instrumento cada um tocou.
O nível TÉCNICO-ARTÍSTICO da banda experimentou o efeito de um “VIAGRA”! Subiu.
Artistas criativos, os “RASCALS” costumam não se conterem nos moldes. O que é mérito e risco.
Está no DNA da banda mesclar ou alternar ingredientes num cardápio onde a PSICODELIA, SOUL, R&B e ROCK se articulam na “FUSION POP” agradável e sofisticada que legaram. Em vários sentidos há vizinhança e influência no que fez o STEELY DAN – vizinhos de época e um quarteirão a frente no tempo.
O risco talvez tenha sido confundir o seu público tradicional. Os “RASCALS” fizeram em profusão SINGLES de muito sucesso. Contrastavam com LONG PLAYS mais elaborados e bem pensados.
“SEE” foi o penúltimo. Depois, encerraram carreira na “ATLANTIC” com “SEARCH AND NEARNESS”, de 1971, e que talvez seja o mais fraco de toda a discografia.
Em seguida saíram para a”COLUMBIA RECORDS”, onde feneceram com dois ótimos e derradeiros álbuns de “JAZZ-ROCK”: “PEACEFUL WORLD”, 1971; e “THE ISLAND OF REAL”, 1972. Em 1973, FELIX CAVALIERI seguiu e permaneceu em carreira solo; ainda canta bastante bem! Dizem as boas línguas que ele é um cara legal para conviver e trabalhar.
Então, procurem os dois discos que fez com o HIPER-CULT “guitar heroe” “STEVE CROPPER” . Em 2008 saiu “NUDGE IT UP A NOTCH”. E veio ao lume – eeepa! – “MIDNIGHT FLYER”, em 2010. São álbuns de R&B; dançantes e deliciosos de ouvir.
Algum tempo atrás, foi lançado um BOX com 7 CDS cobrindo tudo ou quase tudo o que os “RASCALS” fizeram. E apesar de eu já ter cada álbum e SINGLE, pus olho grande para consegui. Sou fã de carteirinha dos caras e recomendo que vocês também se tornem.
Experimentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
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E COLECIONAR TRILHAS SONORAS, QUE TAL?

Colecionadores de trilhas eu conheci alguns. O mais diversificado e compulsivo é o ERIC CRAUFORD, dono da ERIC DISCOS, aqui de São Paulo.
Pasmem! Uns 40 e tantos anos atrás eu e meu amigo Silvio Dean, outro refinado cultor de discos, fomos ao apartamento do ERIC, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
E conhecemos a incrível discoteca de LONG PLAYS, principalmente a extensa, rara e “caçada” por todo o planeta COLEÇÃO de TRILHAS SONORAS. Havia alguns milhares!!!!! Hoje, nem consigo imaginar quantos…. Doideira magistral!
Considere as dificuldades para erguer um patrimônio daqueles. É impossível saber quantos filmes de longa metragem foram produzidos ao longo da história – e até agora!!!! Fora outros vídeos, curtas metragem, trilhas para o teatro, novelas, séries de Tv, documentários, e vasto etc… não tabulável!!!
Talvez cinquenta por cento dos longas tenham TRILHAS SONORAS ORIGINAIS. As que foram lançadas em discos ou disponibilizadas por outros meios são milhares. Pense nos números que você quiser. Pouco importa… Coleciona’ – las dá trabalho, e certamente prazer infindável!
Só para esquentar o papo, quem sabe o padroeiro na atividade de “compor profissionalmente” tenha sido VIVALDI. Diz a lenda que fazia uma composição por dia para educar os alunos dele. Fez mais de 1000…
Era um WORKHOLIC. E trabalhou a tal ponto que STRAVINSKY escreveu sobre o nosso querido padreco: “ele não compôs mil músicas; mas a mesma música 1000 vezes.” Julgue esta possível catilinária, mas seja compassivos…
O fato é que não há criação musical mais realista e avessa à hipocrisia do que escrever música sob encomenda. Pense nos caras e meninas que se dedicam a tal artesania. Dá um trabalhão doido! Existe prazo de entrega mas nenhum glamour, se pensarmos no processo e na implícita necessidade do produto refletir e se adequar ao filme sob o qual ela é inserida…
Dia desses oscilando entre o lusco-fusco mental e a sonolência da fria madrugada, eu assisti a um filme brasileiro sobre jovens algo além da adolescência e a caminho da maturidade: “A ÚLTIMA FESTA” é melhor do que eu suporia; e a trilha sonora é simples, moderninha e adequada ao filme.
Um bom compositor profissional de trilhas precisa deter conhecimento técnico e imaginação para combinar magia e tecnologia, ambas imprescindíveis para completar e materializar uma ilusão: o filme.
Estou cada vez mais tentado a assistir a filmes e vídeos. E talvez seja coisa de velho, mas não tenho ânimo para tentar colecionar TRILHAS SONORAS.
Mas vez por outra compro coisas correlatas ao JAZZ e ao ROCK – principalmente trilhas de filmes da década de 1960. E aqui estão algumas delas.
Então, jovens ou joviais desbravadores deem boa olhada nas telas. Ouçam mestres como ENIO MORICONNE, e outros modernos tipo ANGELO BADALLAMENTI.
E sem falar na complementação óbvia que são as trilhas acessórias, compostas por músicas caçadas por décadas afora recheando projetos… Aliás, formam o grosso do que postei…
Se tiverem coragem, há incontáveis milhares de discos soltos “pelaí”. TIO SÉRGIO deseja aos que tentarem saúde, sorte e demência controlada.
Vão precisar!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
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