COMPOSIÇÕES CLÁSSICAS MODERNAS E CONTEMPORÂNEAS EM DISCOS MEMORÁVEIS.

TIO SÉRGIO começa por uma interessante discussão que assola o universo da “MÚSICA ERUDITA” há decadas.
No mundo quase inteiro, à exceção do BRASIL e ARGENTINA, e talvez uns poucos países mais, usa-se a expressão MÚSICA CLÁSSICA para definir o que não é MÚSICA POPULAR, “POP”e seja MPB, JAZZ, ROCK, BLUES, WORLD MUSIC, e etc…
Para comprovar, observem as publicações alemãs, americanas e inglesas, especializadas em “MÚSICA DE CONCERTO”: todas usam a expressão “CLASSICAL MUSIC”.
Isto seria o correto? Com quem está a razão? Os dois lados têm argumentos de sobra para justificar suas opções.
Muitos dizem que MÚSICA CLÁSSICA SE REFERE AO “PERÍODO CLÁSSICO” DA MÚSICA ERUDITA.
Eu discordo. Afinal, alí falamos do “PERÍODO CLÁSSICO” do não-POP, e não da MÚSICA CLÁSSICA como designação genérica para “MUSICA NÃO POP”.
O amigo Rodrigo Marques Nogueira, quase me convenceu a deixar tal convicção. Ele argumenta, como todos, que é MÚSICA ERUDITA, em contraponto a MÚSICA POPULAR.
Para complicar, muita música hoje classificada como ERUDITA era , simplesmente, música popular, quando composta. Lembre-se do nosso adorado padreco, o VIVALDI!
Enfim…
Eu não decidi, portanto, continuo incorrendo teimosamente “no erro” – quem sabe não tão errado – e chamando “MÚSICA CLÁSSICA” de “MÚSICA CLÁSSICA”. Então, postei os discos como “CLÁSSICOS MODERNOS e CONTEMPORÂNEOS”.
Quer dizer, Pierre Mignac e amigos variados, eu sou CACHORRO VELHO, e acho que não aprendi nada! E, como faz parte das minhas predileções, pesquei coisas na discoteca tangenciando, ou derivadas do ROCK:
PHILLIP GLASS, maravilhoso compositor minimalista, transformou os temas de três discos de ‘DAVID BOWIE e BRIAN ENO”, na fase Berlim, em obras “CLÁSSICAS CONTEMPORÂNEAS’:
“HEROES”, “LOW” e “LODGER” eram espetaculares como discos de ROCK. Mas tornaram-se maravilhosos em composições “CLÁSSICAS”.
Há também, “GLEHN BRANCA”, compositor americano, inspiração e professor dos integrantes do grupo de ROCK ALTERNATIVO “SONIC YOUTH”. Sei lá, mas o que ele propõe com as guitarras é no mínimo “REVOLUCIONANTE”. Vai além do SONIC. E deve ser apreciado.
Talvez, o pioneiro dessa turma toda, TERRY RILLEY, e sua composição “IN C”, sejam o marco inicial do “CLÁSSICO QUASE ROCK.”
Mas TIO SÉRGIO, dá pra gostar ?
Perguntem ao Claudio Finzi FoáGerson Périco. Eu e eles achamos que é pra adorar! O que não dá é pra não ter…
Quando olharem o CD do MAESTRO “LEOPOLD STOKOWSKI” não foquem em CARMINA BURANA. Mas, em “A PAGAN POEM”, do compositor americano “CHARLES MARTIN LOEFFLER”, gravada em 1958. É moderna, sem ser experimental, e o tratamento do maestro “LEOPOLD STOKOWSKI” à orquestração e ao clima exalado pela obra é sensacional!
É sutil, romântico e solitário, e tudo simultaneamente: um “CLÁSSICO DE VANGUARDA CONSERVADORA CONTEMPORÂNEA”?
Seria? Existiria? Tio SÉRGIO, que não é lá essas coisas, sempre volta a esse disco. Tente você, uma vez ao menos….
Há por aqui, ‘ANDRE PREVIN” executando “RHAPSODY IN BLUE” de “GERSHWIN”. Esta é a melhor gravação que ouvi da obra! O alcance do clarinete na introdução é espetáculo à parte! A força e a sonoridade com que a orquestra “toma” a cena é inesquecível.
Curiosamente, eu a tive em vinil quando lançada, no início dos anos 1980. Foi editado em 45RPM. Não ouvi gravação em digital com tanto impacto!!!! Colossal!!! IMPERDÍVEL!!!
No mais, outros nada óbvios, de “KRONOS QUARTET” a “ARVO PART”, passando por “RAUTAVAARA” – um finlandês melódico e bucólico. E há “LIGETI’, ‘NONO” e “PIERRE BOULEZ’. E obras pianísticas de “ERIC SATIE”, com o pianista japonês “RIRI SHIMADA”.
E, claro, não esqueci STOCKHAUSEN para inspirar a turma da MÚSICA ELETRÔNICA, e outros babados influentes no POP contemporâneo. Procurem, também, a nossa gênio solitária, ainda viva e lúcida, “JOCY DE OLIVEIRA”, amiga de STRAVINSKY e de STOCKHAUSEN, que interveio nesse guisado, no final dos 1950, início dos 1960!
A obra da professora foi a primeira exibição de MÚSICA ELETROACÚSTICA em qualquer palco brasileiro! E foi regida no TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, por três dias seguidos, em 1961! “APAGUE MEU SPOTLIGHT” foi sucesso enorme, histórico, e depois encenado mundo afora….
Eu tive disco do “KARLHEINZ” ( para os íntimos…) na década de 1970. Comprei na excepcional loja BRENO ROSSI, por indicação de um “fogoso senhor”, que buscava discos do meu lado, na loja…
Levei uma cantada e revidei com um olhar “PÁSSARO DE FOGO”!!!! – para não esquecer “STRAVINSKY”, outro MODERNO CONSERVADOR…
O proponente sumiu na hora. E o TIO SÉRGIO foi tomar chopes na esquina da IPIRANGA COM A AVENIDA SÃO JOÃO….
Coisas de SAMPA, não é CAETANO VELOSO!
Recomendo tudo e todos; polêmicas incluídas!
POSTAGEM ORIGINAL: 26\01\2018
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