ROCOL HARUM: A TRANSIÇÃO DO PSICODÉLICO AO PROGRESSIVO, E O GRANDE CONCERTO COM A EDMONTON SYMPHONY ORCHESTRA, 18\11\1971

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“IN THE AUTUMN OF MY MADNESS, WHEN MY HAIR IS TURNING GREY” …, canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, de 1968, do genial, subavaliado e não repetível “PROCOL HARUM”. CLÁSSICO DO ROCK em transição entre a PSICODELIA e o ROCK PROGRESSIVO, é recomendável aos paladares mais sofisticados. É lindo e triste! – e lúgubre.
Quase sempre me vem à cabeça a suíte pesarosa “IN HELD TWAS IN I” quando a INSÔNIA RECORRENTE assola e desencadeia os medos e paranoias, e as desconexões entre os fatos objetivos.
Mas realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
Nada mais humano do que sofrer por algo que pode não acontecer!!! É parte do outono da minha vida – loucura? – estou envelhecendo.
O nome “PROCOL HARUM” surgiu de um equívoco. Era pra ter sido PROCUL HORUM – o nome do gato do produtor GUY STEVENS, misturando o “advérbio latino” “PROCUL” – que significa distante, ao longe – e o nome “AHARON”. Na hora de assinar o contrato, soletraram “PROCOL HARUM”, e assim ficou.
A banda tinha KEITH REID, letrista exclusivo, um literato erudito. Ele e GARY BROOKER construíram juntos parceria diferenciada, entre discordâncias e certo mal-estar.
GARY tinha voz inconfundível, foi grande cantor com nítida vocação o para o R&B – além de melodista único, pianista e músico proficiente. Foi o notório BANDLEADER, o forjador do destino e o dono da banda. REID, que compôs profissionalmente a vida inteira, afirma que “se libertou” do tom lúgubre e depressivo da maior parte do que compusera, quando passou a trabalhar com outros parceiros.
Seja lá como a História for interpretada, o PROCOL HARUM sempre foi marcado por um compósito inicial e criativo único, modificado no decorrer do tempo.
Além de BROOKER, o único a participar em todos os discos; a sonoridade determinante do órgão, cravo etc… de MATHEW FISHER, marca definitivamente o HIT eterno “A WHITER SHADE OF PALE”, e outras faixas do início, como HOMBURG, QUITE RIGHTLY SO. Todas canções perfeitas e assombrosas.
Há, também, a guitarra icônica, perfeita, grave, pesada, e de inspiração “HENDRIXIANA”, tocada por ROBIN TROWER” – um GUITAR-HERO de verdade! E o excelente e imprescindível baterista B.J.WILSON – que dá show à parte no CONCERTO ao vivo, que resume a fase inicial.
Houve um fugaz baixista que pontuou criativamente os andamentos pesados da banda – mas largou tudo para se tornar acadêmico em ciências espaciais: CHRIS COPPING tocou em “HOME”, mas firmou tendência para o grupo.
O charme adicional do PROCOL é a mistura certeira de R&B e HARD ROCK em certas faixas onde TROWER detona pra valer! Ouçam WHISKEY TRAIN , de “HOME”, 1970; e em “SIMPLE SISTER”, em “BROKEN BARRICADE” , 1971, álbum final com ROBIN TROWER.
Desse ponto de vista, o PROCOL HARUM segue seus contemporâneos FREE, TRAPEZE, HUMBLE PIE… Mas sem perder a identidade.
Ouçam os discos na foto, porque expõem essa transição. ‘A partir de 1972, continuaram lançando ótimos discos, criativos e algo ecléticos, até encerrarem a carreira, em 1977. BROOKER partiu para carreira solo, e 14 anos depois, em 1991, retomou o PROCOL HARUM, com mais sucesso de público do que nunca!
POSTAGEM ORIGINAL: 14\02\2026
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