JEFF BECK – LIVE! DVDS e CDS – SHOWS DE TÉCNICA, ECLETISMO E ORIGINALIDADE

Dia qualquer, entrei na padaria e pedi Coca Cola e um sanduíche de alguma Mortadela razoável – tem de todo tipo, algumas lixo puro. Preço: R$ 21,00!!! A refeição estava mais ou menos…
Fim de semana seguinte, TIO SÉRGIO foi à POPS DISCOS, a loja que frequento e das poucas que sobraram em São Paulo. Comprei o BLUE RAY do JEFF BECK, “LIVE IN TOKYO”, gravado em 2014. Custou R$ 25,00.
É produto completamente original, veio lacrado. Som e imagens de primeira qualidade. Pra resumir, a tecnologia, os impostos, o desenvolvimento de produto; a durabilidade quase indefinida do objeto, e tudo o que é preciso para fazer um artefato desse nível. e mais a performance espetacular de um gênio e seus músicos custou um dólar a mais!
Como diriam os economistas versados em Shakespeare, “algo de muito podre acontece no reino dos preços relativos no Brasil”…
No DVD, JEFF BECK continua o que talvez algum ouvinte desatento diga ser mais do mesmo. Não é. A banda que ele montou com os excelentes JONATHAN JOSEPH, bateria; NICOLAS MEYER, guitarra; e RONDHA SMITH – a excepcional ex-baixista que acompanhava o PRINCE, tocam parte do repertório clássico de BECK. Porém, sem teclados. O que deixa o som mais compacto e pesado.
Em linhas gerais, é mergulho ampliado, agora em teatro imenso, o TOKYO DOME CITY HALL. Um concerto sob o silêncio e atenção dos japoneses, que respeitam os artistas e aplaudem muito somente ao final de cada música.
O contrário simétrico do que acontece por aqui. No show de JACK BRUCE, em São Paulo, outro músico de gênio, um bando de bocós berrava e avançava sobre a fileira de cadeiras e o corredor central do Teatro Bradesco; cena de agressividade típica de torcida organizada em campos de futebol. Coisa de gente boçal!
Se comparado à outra performance espetacular do mago, no clássico gravado na Inglaterra, em 2009, “PERFORMING THIS WEEK AT RONNIE SCOTT´S”, as diferenças ressaltam: a performance é mais JAZZY.
Os excepcionais VINNIE COLAIUTA, baterista; a quase menina TAL WILKENFELD no baixo, e o tecladista JASON RABELLO criam estrutura mais sutil, mais voltada à FUSION; e talvez com abertura para o ROCK PROGRESSIVO. E vamos incluir a presença de ERIC CLAPTON; de JOSS STONE, excelente cantora de R&B; e da “muito diferente” IMOGEN HEAP – uma estilista cantando!
É um show inesquecível!!!! Portanto, DVD imperdível.
Conheci o som de JEFF BECK em 1967, na casa do meu amigo SILVIO DEAN, quando por aqui foi lançado o “HAVING A RAVE-UP”, dos YARDBIRDS. Disco/evento imperdível!!!
No lado A do LONG PLAY está BECK na guitarra solo. E o primeiro SINGLE que ele gravou com o grupo: “HEART FULL OF SOUL”, de 1965. E outras músicas imperdíveis.
No segundo lado, quem toca é ERIC CLAPTON, ao vivo, em outra performance antológica, lançada em 1965 como “FIVE LIVE YARDBIRDS” – um E.P. cult e colecionável.
THE YARDBIRDS Foi a primeira banda inglesa que adorei à beira do fanatismo. Ainda idolatro; e sempre os colecionei. Acho que fui o primeiro a escrever sobre eles, no Brasil, lá por 1977…
JEFF BECK é um eclético soberbo! Pode tocar “TUDO”. Simplesmente. Procurem o DVD “JEFF BECK ROCK’ N’ ROLL PARTY, honouring LES PAUL”. Quem está acostumando com ele na FENDER, precisa ver o que faz ao vivo em uma “GIBSON LES PAUL”!
O DVD é show realizado em 2010, no “IRIDIUM JAZZ CLUB, em NOVA YORK”. BECK é o convidado principal, claro! A banda de apoio é excelente. Vão do ROCKABILLY ao R&B. E JEFF viaja de SHADOWS a GENE VINCENT; passa por montes de músicas de “LES PAUL”, e acompanha uma cantora e intérprete sensacional, que eu só conhecia de nome: IMELDA MAY! – a moça arrasa no ROCKABILLY, com estilo e voz adequados! E arrebenta no R&B!!! O evento, além de uma festa de ROCK AND ROLL clássico, explica os caminhos que JEFF BECK cruzou, e porque chegou em nível tão alto!
JEFF BECK foi um guitarrista de ROCK – e “BEYOND” – originalíssimo. Ele domina e reinventa o seu instrumento em altíssima performance. Foi um criador de sons e sonoridades que combinava, equilibrava, peso e lirismo. Seu “FINGERPICKING GUITAR” – tocar só com os dedos e sem palheta -, é perfeito! Em concerto, ele se concentra totalmente. Daí, as execuções brilhantes.
Em 1973, BECK juntou-se ao baixista TIM BOGERT e ao baterista CARMINE APPICE, ex-integrantes do CACTUS, banda de HARD ROCK AMERICANA. Era intenção antiga que não havia progredido porque BECK sofrera grave acidente de automóvel, que o deixou fora de atividade por um ano e meio.
Quando se recuperou, o trio gravou um primeiro CD controvertido. A ideia era mais ou menos seguir o que fizera o CREAM, e o WEST, BRUCE & LAING, mas cruzando R&B, HARD ROCK e resquícios da PSICODELIA. Eu acho que não deu certo, porque nenhum dos três conseguia cantar adequadamente.
Porém, gravaram um álbum duplo ao VIVO, no JAPÃO, que se tornou CULT e colecionável. A insuficiência dos vocais foi compensada por performances instrumentais exuberantes. O BECK, BOGERT & APPICE serviu para BECK dar a guinada definitiva na carreira.
Em 1975, GEORGE MARTIN, famoso por sua ligação com os BEATLES ( ora, TIO SÉRGIO, não seja óbvio…) produziu para a EPIC RECORDS o álbum “BLOW BY BLOW”, que levou JEFF BECK a outra perspectiva artística.
A EPIC era filiada à COLUMBIA RECORDS, que desenvolvia projetos com FUSION JAZZ e outras vanguardas, como o ROCK PROGRESSIVO.
É interessante notar convergências. No “CAST” da COLUMBIA havia artistas de vanguarda em nível de MILES DAVIS, WEATHER REPORT e a MAHAVSHNU ORCHESTRA, do guitarrista JOHN McLAUGHLIN. E BECK também foi orientado para a FUSION. E os discos que gravou são principalmente instrumentais. Em 1977, foi lançado JEFF BECK with JAN HAMMER GROUP – músicos da CENA FUSION e próximos a McLAUGHLIN. O disco exemplifica bem o estilo da época, a opção do artista, e o “cerne artístico no jazz” do “business” da COLUMBIA.
BECK circulou por todos os cantos da modernidade musical: do FUNK à SOUL MUSIC; ao HEAVY, e à FUSION; do R&B ao BLUES; ao PROGRESSIVO ao ELETRÔNICO. Ele cita compositores CLÁSSICOS em várias de suas composições ou performances.
Procurem escutar o que ele fez em 1968 com “LOVE IS BLUE”, a baba orquestral de PAUL MAURIAT. Mas, não deixe de curtir o “seu” BECK´S BOLERO (de RAVEL) no álbum “TRUTH”, 1968. E aproveite para ouvir com atenção “NESSUN DORMA”, de PUCCINI, no CD EMOTION & COMMOTION, 2010. É o articulado ecletismo de JEFF em demonstrações explícitas!
Na opinião do TIO SÉRGIO, JEFF BECK há muito ultrapassara HENDRIX em técnica e inventividade. ( Take It easy, Querubins e Vizigodos, é só uma opinião… )
A obra de BECK não é muito extensa, mas é importante e original. E o estilo e sonoridade que desenvolveu foram seminais para a evolução do ROCK antes de HENDRIX. Eu tenho a impressão de que muitas vezes BECK realizava fusões dentro das fusões que fazia. Mudava a direção dos solos, dos ritmos e andamentos, e de um estilo musical para outro. Criava coisas novas inesperadamente…
JEFF BECK foi um gênio produtivo e operante. Está duas vezes no “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”. A primeira com os YARDBIRDS. A outra, pela carreira solo. Além da música, ele gostava, entendia e colecionava automóveis. E montava carros de corrida e competição. Tinha uma oficina em casa; e era respeitado no meio automobilístico por seu conhecimento de motores, veículos, essas coisas…
Ele morreu quase repentinamente de MENINGITE BACTERIANA aos 78 anos, em 10 dejaneiro de 2023. JOHNNY DEPP com quem vinha gravando e excursionando, o acompanhou até o final.
E nós sentiremos a falta dele pela eternidade.
POSTAGEM ORIGINAL: 30\4\2024
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