Eu entrava no meu canto de música e tinha arrepios. Sobrevinha a sensação de estar perdido em meio aos CDs, vinis, etc… Se procurava um disco, frequentemente não encontrava. Às vezes, ele “morava” – ou havia mudado – mais pra frente na estante; outras pra baixo; ao lado, quem sabe? E obliquamente, sem rumo, caído em lugar qualquer: “OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN, como na música dos “YARDBIRDS”…
O meu amigo JUNINHO enfatizava que “pra organizar direito tem de ter critério. Qualquer critério.” Na minha discoteca há certas “ideossincrasias” – vou definir assim.
Eu estou simultaneamente além e aquém de ser um colecionador. Gosto e acompanho várias tendências. E coleciono diversos artistas.
Então, pra começar eu organizo as estantes em macro setores: ROCK, JAZZ, BLUES/FOLK, BLACK MUSIC , M.P.B e CLÁSSICOS.
Tá bom assim?
Não; Não está. Porque desse jeito o TIO SÉRGIO não dá conta mínima da exuberante diversidade que exibe a porra da música – e mais ainda, dos estilos, épocas, artistas, e o vasto escambau!
E aí, começa pra valer a confusão e a complexidade insanável. A minha customização é complicada, insuficiente, cheia de furos e temerária….
Então, deixa prá lá.
Vou comentar alguns discos da foto. Formam parte dos que “reencontrei” no meio da confusão em que a discoteca se encontrava. Eles “tocaram” enquanto eu trabalhava. Foram todos resgatados de lugares onde não deviam estar.
“ROSCOE MITCHELL” – SUSTAIN and RUN – 2013: Ele é americano, está vivo e com mais de 80 anos, e toca muito! É um criador de sonoridades experimentais – coisas para iniciados. Dá verdadeira aula de técnicas de respiração, e vasto etc…
Porém, é um masturbador de saxofones, soprano e “sopranino” – “What porra it´s that????” – instrumentos que também podem ser usados para tortura…
O concerto é “SOLO”; foi gravado ao vivo em SAMPA, no SESC POMPEIA, em 2013. ROSCOE veio sem cúmplices para infligir os sofrimentos.
TIO SÉRGIO ouviu, se irritou, e mandou pra estante – para o todo sempre. O disco é mais chato do que a propaganda do “OVO MANTIQUEIRA”.
PRIAM – DIFFRACTION, 2001: É disco muito aclamado pela crítica. O grupo é francês, e faz JAZZ FUSION e ROCK PROGRESSIVO, estruturando o eletrônico, o elétrico e o acústico de jeitos criativos. É bonito, e agradável, e dura quase 70 minutos.
Foi lançado pela cult MUSEA RECORDS; está comigo há quase um quarto de século. E não me recordo de ter ouvido antes! Achei muito bom e instigante. Recomendo pra valer!
VAN MORRISON – ASTRAL WEEKS – 1968. O disco é icônico e idolatrado. Mas o TIO SÉRGIO sempre achou superestimado.
E ouvindo novamente, eu confirmei.
O venerável MORRISON exagera na gritaria histérica. A banda e os arranjos criativos submergem na tentativa de VAN ser um BLUES SHOUTER. É disco de um jovem promissor, mas ainda em formação.
Enfim;
LESLIE WEST: – FIVE ORIGINALS – 2021. Adorei e curti muito! Contém os cinco álbuns mostrados na capa. E a voz potente e agressiva de LESLIE se une à guitarra delicadamente tocada. É um “slowhand” . Sua técnica criativa coordena força e sutileza. WEST solo é tão bom quanto o MOUNTAIN; e talvez melhor do que o WEST, BRUCE & LAING.
Eu assisti ao gordão de muito perto! E agradeço à vida e a ele por isso!!!!
ARTHUR PRYSOCK – MILESTONE YEARS – 2000: Um grande cantor, baixo-barítono e estilista supremo, põe todo mundo para dançar ou curtir. Gravou mais de 40 álbuns originais!
Esse disco estava perdido em meio ao JAZZ – que ele também domina competentemente.
Ouvi e adorei. E mandei o pretão de volta para o R&B, onde ele é imperdível. Hey, BIG BROTHERS and SISTERS!!!! TIO SÉRGIO escreveu imperdível!
Uma palavrinha sobre o grande NEIL YOUNG. Ele sempre causou “problemas de moradia” , aqui na minha toca. Sempre inclassificável e recalcitrante, andava perdido e meio sem rumo. Parei, olhei, pensei um pouco mais, e mandei o cara para morar com os ALTERNATIVOS. Ele é um dos pioneiros daquela turma.
Os restantes, entraram na fila para ouvir, quando eu for limpar e organizar o outro lado.
POSTAGEM ORIGINAL: 04\06\2026

POSTAGEM ORIGINAL: 04\06\2026
