Certa vez, “OTIS REDDING”, o grande “SOUL MAN” de carreira sólida na década de 1960 quis conhecer os RASCALS no estúdio da ATLANTIC RECORDS, onde ele e a banda estavam gravando. OTIS não acreditava que fossem brancos!
Eram três “ITALIANOS” : “EDDIE BRIGATTI”, vocal; “FELIX CAVALIERI”, órgão e vocais e “DINO DANELLI”, baterista. E havia um “IRLANDÊS” na guitarra, “GENE CORNISH”.
Os quatro RASCALS se juntaram em NOVA JERSEY, onde surgiram “FRANK VALLI e os FOUR SEASONS”, “BRUCE SPRINGSTEEN”, “MADONNA” e mais pra frente o “BON JOVI”.
Todos fãs dessa marcante e talentosa banda local que inaugurou o chamado “BLUE EYED SOUL – não, não vou traduzir!
“STEVE VAN ZANDT”, da turma de “SPRINGSTEEN”, os “introduziu” na cerimônia do “ROCK AND ROLL HALL OF FAME” onde merecidamente os quatro estão. Disse maravilhas sobre o talento, a excitação e histeria que os “RASCALS” provocaram de 1965 até 1972. Foram 7 anos de sucesso. Depois… enfim;
Entre 1966 e 1969, foram os donos do HIT PARADE americano. Eles e os BEATLES. O BLEND de “R&B”, “BLUES-EYED SOUL”, “PSICODELIA” e um tipo de “PROTO-ROCK-JAZZ” os elevou ao topo! Sim, fizeram SUCESSO de PÚBLICO e CRÍTICA.
Dia qualquer o meu amigo FABIO DEAN provocou argumentando que “SEE” era mais bem realizado e sucedido do que um dos CLÁSSICOS da FASE PSICODÉLICA, “ONCE UPON A DREAM”, lançado em1968. Fiquei surpreso! Seria?
Voltei a escutar o álbum após décadas! E gostei bem mais! Constatei, inclusive, que também estão por lá “RON CARTER”, “BARRY GOLDBERG”, “HUBERT LAWS” e “CHUCK RAYNES”, músicos de alta performance – ahhh, vocês vão saber qual instrumento cada um tocou.
O nível TÉCNICO-ARTÍSTICO da banda experimentou o efeito de um “VIAGRA”! Subiu.
Artistas criativos, os “RASCALS” costumam não se conterem nos moldes. O que é mérito e risco.
Está no DNA da banda mesclar ou alternar ingredientes num cardápio onde a PSICODELIA, SOUL, R&B e ROCK se articulam na “FUSION POP” agradável e sofisticada que legaram. Em vários sentidos há vizinhança e influência no que fez o STEELY DAN – vizinhos de época e um quarteirão a frente no tempo.
O risco talvez tenha sido confundir o seu público tradicional. Os “RASCALS” fizeram em profusão SINGLES de muito sucesso. Contrastavam com LONG PLAYS mais elaborados e bem pensados.
“SEE” foi o penúltimo. Depois, encerraram carreira na “ATLANTIC” com “SEARCH AND NEARNESS”, de 1971, e que talvez seja o mais fraco de toda a discografia.
Em seguida saíram para a”COLUMBIA RECORDS”, onde feneceram com dois ótimos e derradeiros álbuns de “JAZZ-ROCK”: “PEACEFUL WORLD”, 1971; e “THE ISLAND OF REAL”, 1972. Em 1973, FELIX CAVALIERI seguiu e permaneceu em carreira solo; ainda canta bastante bem! Dizem as boas línguas que ele é um cara legal para conviver e trabalhar.
Então, procurem os dois discos que fez com o HIPER-CULT “guitar heroe” “STEVE CROPPER” . Em 2008 saiu “NUDGE IT UP A NOTCH”. E veio ao lume – eeepa! – “MIDNIGHT FLYER”, em 2010. São álbuns de R&B; dançantes e deliciosos de ouvir.
Algum tempo atrás, foi lançado um BOX com 7 CDS cobrindo tudo ou quase tudo o que os “RASCALS” fizeram. E apesar de eu já ter cada álbum e SINGLE, pus olho grande para consegui. Sou fã de carteirinha dos caras e recomendo que vocês também se tornem.
Experimentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023

POSTAGEM ORIGINAL: 23\06\2023
