JOÃO GILBERTO e o TIO SÉRGIO se defrontaram algumas vezes.
Não, queridões, queridonas e “querides”! Quem sou eu para encarar um gênio da magnitude do JOÃO? Foi por admiração e necessidade que eu o descobri e dele me aproximei.
TIO SÉRGIO é do ROCK. E o JOÃO já “causava” desde 1959. E continuou causando ao mesmo tempo que os BEATLES, os ROLLING STONES e a turma da minha praia começaram a existir musicalmente – lá por 1962/63.
JOÃO GILBERTO não fez JAZZ. Ele é um revolucionário da MPB. Redimensionou o SAMBA. Naqueles tempos, seu jeito de tocar e usar o violão abriu possibilidades. JOÃO impôs barreira ao passado, por assim dizer, que foi reinterpretado depois que ele surgiu. E quando juntou-se a VINÍCIUS de MORAES e a outros jovens, a música brasileira se sofisticou.
A ‘BATIDA BOSSA NOVA’ que o JOÃO inventou sintetiza uma “Escola de Samba”‘. Pasmem! Ele trouxe o ritmo e a sonoridade, principalmente do tamborim, para o violão. E inventa acordes e trabalha harmonias à partir disso.
JOÃO GILBERTO expandiu o alcance do instrumento e criou um novo estilo e técnica de tocar. É muito mais difícil do que se imagina! Incontáveis, “mundo et orbi” imitam ou estudam o JOÃO. Mas só ele faz desse jeito perfeito.
Nem vou falar da imensa influência em STAN GETZ, CHARLIE BYRD, JIM HALL e o flautista HERBIE MANN, FRANK SINATRA e diversos tantos que colocaram a nossa música sofisticada além do mercado brasileiro.
Na América, e em quase todo canto, a turma classifica a música do JOÃO como EASY LISTENING, ou JAZZ…
Porém, a BOSSA NOVA é plenamente “JAZZIFICÁVEL”, porque plena de recursos, hipóteses e grandezas que a tornam harmonicamente apta para improvisações jazzísticas, e criações além do que parece no primeiro contato.
Tentem ouvir as incontáveis simplificações, “musaks” e “lounges” que povoam as rádios e as discotecas, trilhas sonoras, publicidades… Nada chega aos joelhos do que fizeram o JOÃO, TOM JOBIM e o VINICIUS com esta criação genuinamente brasileira!
Anos atrás, fui fazer exames de saúde. A médica fez as perguntas de praxe. E, puxando papo, eu disse que gosto de música.
Ela respondeu que o marido adorava o JOÃO GILBERTO e a BOSSA NOVA. Mas ela não sabia muito bem o porquê? Expus detalhes, explicações; e confirmei que o maridão tinha muito bom gosto…
Não muito tempo depois, em feira de discos na AVENIDA PAULISTA apareceu o 78 RPM original com “CHEGA DE SAUDADES” e, no lado 2, “BIM-BOM”. Eu estava duro e sem a FADINHA MASTERCARD. Pedi um tempo ao vendedor para tentar encontrar meios de ficar com o raro artefato.
Para mim, o disco simboliza o marco inicial da BOSSA NOVA e da revolução que trouxe à música brasileira. Não consegui comprar. E nunca mais vi o disco!
Dia incerto, encomendei o LONG PLAY da postagem. A edição original não tinha mais do que 23 minutos de duração. Coisa que o que só o DAVE CLARK FIVE cometia em seus tempos áureos, lá por 1964/1966…
A versão nova do vinil traz 20 músicas ocupando todo o espaço disponível. É justo; já que o preço final, uns $ 40 dólares, cerca de R$ 200 mandacarus, justifica entregar algo mais completo.
Este é um naco da importância de JOÃO GILBERTO. Disseram que o ERIC CLAPTON tentou contatá-lo para gravarem um disco juntos – o que teria sido um evento cultural relevante, histórico e inesquecível. Mas o GIBERTO já não atinava com a realidade. E o motivo do apelido que lhe deram, João Maconha, revelara os seus efeitos…
Vai demorar um bom tempo até que eu possa ouvi-lo em VINIL. Continuo sem toca-discos. Não importa: JOÃO GILBERTO é único, ultramoderno, e faz parte dos imortais da cultura POP universal!
POSTAGEM ORIGINAL: 11\07\2023
POSTAGEM ORIGINAL: 11\07\2023