JOHN MAYALL LIVE
“JOHN MAYALL” é o mais importante e completo ‘BLUESMAN” que a INGLATERRA produziu! O interesse, conhecimento e a quantidade vasta de perspectivas, estilos, fronteiras que explorou, conectou, justapôs ou fundiu o BLUES ao ROCK, ou ao JAZZ, deve ser considerada única, histórica.
Há poucos artistas que tenham ENGENDRADO um legado tão pessoal, enciclopédico e significativo. Sob este ponto de vista, MAYALL está ao lado de criadores da estatura de “MILES DAVIS”, “DAVID BOWIE”, “CAETANO VELOSO”, “PAUL McCARTNEY”, e outros poucos.
JOHN MAYALL era um gênio? Se não, esteve muito próximo. No mínimo, foi um superdotado. Era “workaholic” convicto e incrivelmente produtivo e proficiente! “ERIC CLAPTON” conta que lá por 1966, os “BLUESBREAKERS” se apresentavam quase toda noite em cidades variadas e a quilômetros de distância. Iam e voltavam na mesma noite. Durante o dia, ele trabalhava como DESIGNER GRÁFICO…
JOHN MAYALL era, antes de tudo, um GRANDE BAND LEADER e descobridor de talentos. Ousado e assertivo, abria espaço aos mais jovens e aos competentes. Ele crescia junto e através dos talentos que lançava e prestigiava.
Também agia como HISTORIADOR e ARQUEÓLOGO – quem sabe? Vasculhou catálogos e artistas do passado trazendo desconhecidos para o presente; polindo e destacando detalhes e originalidades. Lembram-se de J.B.LENOIR?
Por ser compositor prolífico, MAYALL tem carreira plena de memórias e histórias transformadas em “BLUES”, como se espera de um autêntico “BLUESMAN”. Em leitura livre, a trajetória de vida, experiências e longevidade possibilitam analisa-lo sob perspectiva sociológica. Sua memorialística através da música é bastante crível.
TALVEZ?
O vocal dele sempre foi limitado, algo chato, e muitas vezes não dava conta do recado, Mas é personalíssimo; e lembra um pouco o timbre de “BOBBY BLUE BLAND” – um referencial elogioso, claro!
Os discos do “JOHN MAYALL & THE BLUESBREAKERS” para a gravadora DECCA, na década de 1960, são todos diferentes entre si. Vão do SOLO à proeminência dos três super “guitar heroes” ingleses que revelou para o estrelado: “ERIC CLAPTON”, “PETER GREEN” e “MICK TAYLOR”.
O primeiro LONG PLAY que fez para a “DERAM”, em 1964, “JOHN MAYALL PLAYS JOHN MAYALL”, foi totalmente gravado ao “VIVO” em um dos “CLUBES TEMPLO” da INGLATERRA, o “KLOOK´S KLEEK”. É o “BLUES/R&B” típico da época, como aqueles feitos pela concorrência: “ANIMALS”, “ROLLING STONES”, “YARDBIRDS” e tantos mais. Está lá “JOHN McVIE”, baixista depois famoso no “FLEETWOOD MC”.
Observem, também, outro álbum com performances ao VIVO coligidas no início nos “sixties”: “PRIMAL SOLOS” traz “ERIC CLAPTON”, “MICK TAYLOR” e inclusive “JACK BRUCE”!
“MAYALL” jamais se intimidou com toques de VANGUARDA. E frequentou os mais de “CINQUENTA TONS do BLUES” – parafraseando nome de filme famoso – e garantiu o prazer de todos nós.
Ele ampliou a HISTÓRIA do gênero com DOIS ÁLBUNS que se pode identificar como “FUSÃO” do “BLUES” e do “ROCK PSICODÉLICO PROGRESSIVO”: “BLUES FROM LAUREL CANYON” e “CRUZADE”, saíram entre 1967 e 1968. E há DISCOS ao VIVO documentando esta fase: “THE DIARY OF A BAND, VOL. 1 E 2”, 1967/1968. Nesses discos, imperam “MICK TAYLOR” na GUITARRA, e outros COBRAS.
“JOHN MAYALL” fez e gravou incontáveis e diferenciados SHOWS ao VIVO, quando mudou para a gravadora “POLYDOR”. Ele ficou por lá de 1969 até 1975.
O primeiro deles é o HISTÓRICO e DEFINIDOR “THE TURNING POINT”, captado no FILLMORE EAST, EM NOVA YORK, em julho de 1969. É TOTALMENTE ACÚSTICO e traz uma grande novidade: não há BATERIA! “JON MARK”, guitarra; “STEVE THOMPSON”, baixo e “JOHNNY ALMOND”, sopros, juntaram-se a “MAYALL”, que fez o VOCAL e tocou HARMÔNICA.
É outro disco fundamental daqueles tempos. E antecipatório: porque uns TRINTA ANOS DEPOIS, certamente caberia no formato ACÚSTICO popularizado pela “MTV”!!!!
A fase na “POLYDOR” foi período de renovação marcante. E “MAYALL” começou a explorar outros territórios reaproximando o BLUES do JAZZ, como nos primórdios. E persistiu em FUSÕES em busca de originalidade. E além do semiacústico memorável, gravou mais dois álbuns ao VIVO sensacionais, e com “ORQUESTRA”:
Fez o icônico “JAZZ BLUES FUSION”, em 1971, com banda coalhada de CRAQUES AMERICANOS identificados com o JAZZ – como o TROMPETISTA “BLUE MITCHELL” e o GUITARRISTA “FREDDY ROBINSON”.
E inclusive o meu predileto entre todos: O SHOW no lendário “WHISKY A GO GO”! “MOVING ON”, lançado em 1972, impressiona pela concentração de JAZZISTAS próximos ao BLUES – mas enquanto variante do JAZZ e não coadjuvante do ROCK. O SHOW é DINÂMICO e de ALTO NÍVEL TÉCNICO e ARTÍSTICO. E com direito a PERFORMANCE estonteante de “LARRY TAYLOR”, um dos melhores BAIXISTAS da História! VALE a PENA CAÇAR e COMPRAR O CD – OU O VINIL!
É interessante notar que este conceito “ESPECÍFICO DE ORQUESTRA” foi desenvolvido nos anos 1950 pelos grandes “RHYTHM´N´BLUES MEN” americanos. Eles agregaram à BASE RITMICA a GUITARRA e o BAIXO elétricos ao NAIPE DE METAIS. É o fino! Foi daí que também derivaram os arranjos para a SOUL MUSIC, na década seguinte.
Grandes “BLUESMEN” como FREDDIE KING e ALBERT KING construíram “ORQUESTRAS” neste molde para acompanhá-los. E
quando “B.B.KING” esteve no BRASIL, em 1978, ao entrar no palco foram anunciados como “THE B.B.KING ORCHESTRA”!
EXCEPCIONAIS!!
EM 1975, JOHN MAYALL foi gravar na “ABC RECORDS” e seguiu nesta linha com “SABOR” mais acentuadamente AMERICANO”. Ficou diferentes. E é muito bom, claro! Tempos novos, outros modos…. Mudou novamente em torno de1990, e retornou ao formato de pequenos grupos. Afinal, “CUSTO CUSTA”…
Porém, é assunto para outras resenhas.
PEQUENO PERFIL DO ÍDOLO FEITO PELO FÃ
“JOHN MAYALL” sempre foi considerado um GRANDE PERFORMER. Certa vez, contou que não vendia muitos discos. Mas fez entre 1966 e 2000 cerca de duzentos CONCERTOS AO VIVO POR ANO!!! Tinha muita saúde, talento e boa vontade! Quando morreu, dizem que deixou algo entre cinco e dez milhões de dólares de patrimônio líquido. Acho pouco; mas essas coisas nunca se sabe com precisão.
Eu assisti JOHN MAYALL e os BLUESBREAKERS ao VIVO, em SÃO PAULO, na década de 1980. Eletricidade vazando pelos poros! Fez show por mais de duas horas; Ele e BANDA retornaram e deram autógrafos para quem pediu. Eu tenho os meus! Depois, voltou para ajudar a desmontar os equipamento! Ele é músico histórico e quase um atleta!
Em 2005, MAYALL recebeu merecidamente a COMENDA da ORDEM DO IMPÉRIO BRITÂNICO. A mesma que “PAUL McCARTNEY’ e todos os BEATLES receberam. E também “GARY BROOKER’, “ELTON JOHN”, ‘CLAPTON’ BRIAN MAY, JEFF BECK e tantos mais. Todos com méritos comprovados.
Fofocas no decorrer dos tempos diziam que “JOHN” era um grande COLECIONADOR DE REVISTAS PORNOGRÁFICA. Enfim… Sabemos que lutou na GUERRA DA COREIA e iniciou carreira na música perto dos trinta anos de idade. É raro porque já um pouco velho para esse “ramo de serviço”.
Sei lá exatamente quantos recortes, textos, livros desse ídolo o TIO SÉRGIO tem na coleção! São mais de sessenta CDS, DVDs e ainda faltam…. Não muito tempo atrás, foi lançado um SUPER BOX com 35 CDS, LIVRO, ETC… abrangendo “SÓ” as fases na DECCA e na POLYDOR, agora controladas pela “UNIVERSAL MUSIC”. Não tenho.
TIO SÉRGIO afirma que “JOHN MAYALL” é maior e mais importante do que a própria fama. EU sou fã e colecionador da obra ele há mais de meio século. E vou continuar sendo.
No século XXI, JOHN MAYALL prosseguiu ativo e sólido. Talvez sem a criatividade de antes. E quando esta resenha foi escrita primeira vez, ele estava com 89 ANOS! E, havia desmaiado no palco, durante outra turnê. Ele se recuperou-se, continuou, e faleceu em 22 de julho de 2024 ao 90 anos.
“JOHN MAYAL” certamente se manterá reconhecido e festejado no futuro. Percam-se na vasta obra que ele nos deixou.
POSTAGEM ORIGINAL REVISTA: 21\08\2022
