ROLLING STONES – A QUASE FALÊNCIA, ENCRENCAS, COLETÂNEAS, COMPILAÇÕES E OUTAKES DA PRIMEIRA FASE: 1963 – 1970.

TIO SÉRGIO acordou com a macaca “furta-cor” importunando a sanidade. Escrevi “furta-cor” para que nenhum “proto – engraçadinho” tente filiar-me a quaisquer ideias racistas, misóginas ou pentelhativas.
Dia desses, eu estava consultando catálogos e tomando susto dos preços, para decidir se me submeteria a algum estupro qualificado no bolso (sem “naro”, pelo amor de SHIVA!), caso comprasse algum CD, VINIL, essas coisas… Os preços caminham entre o desavergonhado e a tunga ofensiva.
Mas fui em frente e comprei dois CDS antigos, em edições mais ou menos atuais. Coisas lançadas há mais de meio século e que ainda faltavam para completar a coleção.
No jargão dos economistas, deveriam ser mercadorias de valor depreciado por já terem sido fabricadas e vendidas vezes incontáveis ao longo do tempo. Portanto, o custo, lucro e o retorno do capital já foram realizados “n” vezes…
Mas não. A volúpia por grana somada à curra fiscal, mais o frete e a margem do “salve-se quem puder” que regra o mercado da música desde sempre, levou aos seguintes preços pagos pelo cavalheiro que vos escreve:
ROLLING STONES: “THROUGH THE PAST DARKLY””: edição ultra simples fabricada na República TCHECA anos atrás, $ 24,00 TRUMPS. “MADE IN THE SHADE”, edição japonesa básica, mas decente: $ 41 TRUMPS!!!.
Muitos argumentarão que é o novo normal…
No entanto, surgiu a ideia de tentar compreender as minhas COLETÂNEAS e algumas COMPILAÇÕES com material da década de 1960, lançadas pelos STONES ou seus… associados, digamos…
E passei o dia ouvindo CHARLIE, MICK, KEITH, BILL, BRIAN JONES, e MICK TAYLOR. Foi prazeroso, instrutivo e revelador.
“LOS ROLLINGS”, como dizem os argentinos, são ótimos! E essa fase coincide com a etapa final dos BEATLES, concorrentes que pararam em abril de 1970. Os caras de LIVERPOOL talvez tenham sido mais criativos naquele período. Mas tenho dúvidas que a
produção passada tivesse, hoje, o mesmo impacto que teve sessenta anos atrás.
Os HITS dos STONES parecem mais atualizados para os tempos presentes. KEITH RICHARDS é um nítido ROCKER! E um musicista criativo que faz bases sensacionais. Ele compôs RIFFS históricos: BROWN SUGAR, JUMPING JACK FLASH, HONKY TONKY WOMEN, 19TH NERVOUS BREAKDOWN, GET OFF OF MY CLOUND, SATISFACTION e outras diversas várias…. As grandes músicas da década de 1960 até hoje são imprescindíveis ao repertório e aos SHOWS dos caras.
As mais lentas e sofisticadas, como RUBY TUESDAY, LADY JANE, AS TEARS GO BY, SHE´S A RAINBOW e DANDELION são clássicos definitivos. E mesmo ANGIE, do início dos 1970, exprime a ponte que sempre tiveram com o R&B.
Os melhores COVERS que fizeram também são de canções dos pretos americanos – o que não surpreende: Os ROLLING STONES são e sempre foram uma banda de HARD ROCK e R&B conjugados. Claro, rolam BLUES, algo na linha do COUNTRY e até REGGAE, gêneros ainda importantes. Os STONES são ecléticos e se mantêm na moda com eficácia indiscutível.
Na década de 1960, eles lançaram quatro COLETÂNEAS e uma COMPILAÇÃO de faixas de menor sucesso. Como era normal, os lançamentos no mercado inglês eram algo diferentes dos feitos para o mercado americano. Não cabe ficar comparando, já que meio chato e está disponível para conferir.
Em resumo;
HIGH TIDE AND GREEN GRASS, a primeira delas, saiu em março de 1966. Começa com SATISFACTION e segue por mais onze faixas cobrindo de 1964 a 1966.
FLOWERS foi lançada em junho de 1967. O foco era o mercado americano mas não contém HITS esfuziantes. É oportunista e foi ordenada pelo empresário deles, na época, ANDREW LOOG OLDHAM, e à revelia da vontade da banda. São gravações anteriores a 1965 com faixas dos álbuns AFTERMATH e BETWEEN THE BUTTONS. É mais para os completistas.
Em setembro de 1969 saiu a terceira COLETÂNEA de HITS e a mais interessante de todas: “THROUGH THE PAST DARKLY”.
A começar pela capa original do LONG PLAY, que era “OCTOGONAL” e virou um clássico do colecionismo. Está novamente disponível no mercado brasileiro. No entanto, nem pensem naquela capa! O som do CD é muito bom e a remasterização feita para edição de 2002 é ótima! Detalhada e expressiva! Apesar do “preço curra”….
A quarta COLETÂNEA é excelente. Mas apareceu somente em 1975. MADE IN THE SHADE é a primeira oficial lançada depois de contratados pela ATLANTIC. Há COUNTRY BLUES como Wild Horses; R&B com Tumbling Dice; e, também, HARD ROCK : It´s Only Rock & Roll, Bitch e Brown Sugar.
A edição postada é japonesa e muito bem mixada e masterizada.
Aqui, também, mais outra COMPILAÇÃO interessante que pode ser considerada a COLETÂNEA de número cinco. Ela não abrange sucessos. Mas traz faixas variadas, OUT TAKES, e outras sobras. JIMMY PAGE e JOHN PAUL JONES estão nas sessões. METAMORPHOSIS saiu em 1975. E foi lançada por ALLEN KLEIN e sem autorização dos STONES, que haviam perdido os DIREITOS DE PROPRIEDADE DAS MÚSICAS gravadas entre 1964 e 1970 quando saíram da DECCA.
“ALLEN KLEIN” x “ROLLING STONES” e “RUPERT LOEWENSTEIN”
Ouvindo mais atentamente, achei um detalhe interessante:
O arranjo da introdução de “ANGIE”, 1973, é a “carinha ” e o “corpinho” de HOTEL CALIFORNIA dos EAGLES! Só que os americanos lançaram a música deles em 1976!!! Em minha opinião, cometeram plágio óbvio. Ouçam lá….
Nem sei se os STONES ligaram. Porque depois dos coices que levaram de ALLEN KLEIN – o “empresário autofilantropo” que os explorou mafiosamente – tudo o que veio se tornou banal.
KLEIN apropriou-se “contratualmente” de todo o catálogo da banda composto e gravado entre 1964 e 1970! Vocês leram direitinho: Os STONES perderam definitivamente a propriedade daqueles clássicos atemporais!
Não são donos do produzido na fase mais criativa. Mas conseguiram judicialmente um acordo para receber royalties melhores; e, também, o direito de uso das músicas em turnês, ou de pô-las em coletâneas junto com as músicas novas. A propriedade continua da família KLEIN – que pode usá-las como quiser…
Mr. ALLEN KLEIN, o responsável pela administração financeira da banda, não pagou os impostos devidos ao fisco inglês. E gerou processos que por pouco não levaram os integrantes para o xilindró de sua Majestade!
Ahhh, como se diz xilindró em inglês? “XILINJAIL”- quem sabe?
Aproveitando esse bacobufo todo, o TIO SÉRGIO recomenda aos amigos esquerdistas mais acríticos que reflitam sobre cargas tributárias escorchantes e seus efeitos:
Vocês sabem qual era alíquota em que os ROLLING STONES estavam incluídos, no final da década de 1960?
Resposta: 93% sobre o que lucravam!!!! Absurdo impagável que inviabilizou a economia inglesa até o advento da Santa mal compreendida, MARGARETH THATCHER!!! Não à toa, quem tinha poder e grana emigrou! Os STONES se exilaram na França fugindo da curra fiscal e da Polícia por causa de sonegação.
Entre os “feitos da administração KLEIN” constavam o não pagamento de impostos devidos; e ocultar da banda recebimentos – “não contabilizados e não controlados”. As consequências foram processos criminais e a quase falência de todos.
Na década de 1960, os STONES vendiam a imagem de “BAD BOYS”. Afora o “marketing”, o fato é que se tornaram bandidos involuntariamente. E só não pegaram cana ou perderam tudo, porque foram aconselhados por RUPERT LOEWENSTEIN, um aristocrata e banqueiro inglês que se tornou amigo de MICK JAGGER, e assumiu a direção dos negócios no lugar de ALLEN KLEIN.
RUPERT criou as condições para que os ROLLING STONES se tornassem uma “MULTINACIONAL BEM ADMINISTRADA”. E passassem a vender os seus produtos, shows, discos com mais profissionalismo. Ele constatou que a grana de verdade provinha de TURNÊS e APRESENTAÇÕES AO VIVO, e não da venda de discos.
O PRÍNCIPE, como era chamado, geriu os negócios por quase 38 anos. E fez com que percebessem o tamanho da empresa que possuiam! Reorganizou totalmente a gestão; e é o responsável direto pela ascensão ininterrupta dos ROLLING STONES – que saíram da falência e ficaram milionários!
RUPERT também ensinou e orientou JAGGER para se tornar o C.E.O. Hoje, MICK administra os STONES.
Mas esta é outra história saborosa e talvez um dia o TIO SÉRGIO conte melhor.
POSTAGEM ORIGINAL: 30\08\2026
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