JAN GARBAREK é norueguês e artista diferenciado, E tão importante que ao consultar o nome do cara em minhas resenhas achei umas 50 menções!!!!!
Ele está com 79 anos e semiaposentado. Mas ainda ativo e bem – ao que tudo indica. A sonoridade “nórdica” da gravadora se deve à atuação de JAN – um dos patronos daquele JAZZ FRIO, original, belíssimo e, contraditoriamente, acolhedor!
Na ECM, acrônimo para “EDITIONS OF CONTEMPORARY MUSIC”, Ele e o pianista KEITH JARRET se tornaram os artistas mais destacados.
A quantidade de discos solo e de participações em obras de mestres e colegas como EGBERTO GISMONTI, MIROSLAV VITOUS, BILL FRISELL, CHARLIE HADEN, RALPH TOWNER e TERJE RYPDAL…, somam perto de cinquenta álbuns. E nem vou retroceder a outros cantos, associações, encontros, fluências e influências, desde 1962…
JAN GARBAREK toca principalmente SAX ALTO. É um superdotado de talento notório. Criou um “SMORSGASBORD” suculento fundindo o que aprendeu em JOHN COLTRANE, PHAROAH SANDERS, ARCHIE SHEPP, ALBERT AYLER, DEXTER GORDON, BEN WEBSTER…
Esteve, também, quatro anos com o grupo do pianista, compositor americano de vanguarda e grande teórico do JAZZ, GEORGE RUSSELL, quando ele morou e trabalhou na Escandinávia, em meados da década de 1960 – e, por lá, cruzou com outros craques da futura ECM: RYPDAL, ANDERSEN e CHRISTENSEN, e o pianista BOBO STENSON.
A isso tudo, GARBAREK agregou música hindu, latino americana e folclórica dos países nórdicos. E desenvolveu seu estilo distinto de tocar: um som agudo, de notas longas e o uso do silêncio e do espaço entre as frases.
JAN GARBAREK é um estilista!
A primeira gravação que realizou na gravadora foi “AFRIC PAPPER BIRD”, em 1970, consolidando “a linguagem sonora” da ECM. Ele prosseguiu carreira por lá. E fez sua participação derradeira em “OFFICIUM NOVO”, álbum famoso e imprescindível, gravado em 2010 com o quarteto masculino britânico especializado em música antiga, THE HILLIARD ENSEMBLE.
Contudo, seu último trabalho “de carreira” para ECM foi “IN PRAISE OF DREAMS”, lançado em 2004. O álbum foi indicado ao GRAMMY, em 2005, concorrendo como o melhor disco de JAZZ. Mas não levou.
E a meu ver, corretamente. Porque não é JAZZ.
No entanto, é audição rica, deliciosa, e interessante! Tangencia uma volta à NEW AGE salpicada com WORLD MUSIC.
E não por acaso: GARBAREK está inspirado e “sonda” o FOLK JAZZ NÓRDICO, sua principal morada, com a sonoridade aconchegante dos SAXES TENOR e SOPRANO. E deixa um pouco de lado a sua “expertise” principal, o SAX ALTO. Ele também opera “teclados climatizantes” para aquecer o “ambiente do repertório”.
Ao, hummm, ágape, se junta a VIOLISTA ( não violeira, se toquem…) americana, KIM KASHKASHIAN, que depois levou o GRAMMY de melhor artista de música clássica SOLO e de ORQUESTRA, na edição de 2012. Só isso! Acho que nunca percebi o som de uma VIOLA “clássica” tão insinuante, delicadamente grave, e integrado aos SAXES!
E para salgar adequadamente o molho está a percussão afro do franco – marfinense MANU KATCHÉ, unindo ritmo e andamento e pontuando com a sutileza que um “disco tão fronteiriço” de gêneros merece.
PHOTOS WITH BLUE SKY, WHITE CLOUD, WIRES AND RED ROOF
Um grupo jazzístico que tenha músicos excepcionais como o baixista EBERHARD WEBER; JON CHRISTENSEN, na bateria; e JOHN TAYLOR, no piano é infenso a vulgaridades e caminha para longe do óbvio!
O disco é de 1978 e a minha edição em CD é alemã dos anos 1990. Talvez ajudado pelos ajustes de cabos em meu “set-up”, o som está “demoniacamente angelical” !
Sobre a música?
O melhor que se pode desejar num disco de JAZZ contemporâneo é que traduza avanços artísticos em harmonias e melodias inteligíveis. E traga o conhecimento das vanguardas expostos em musicalidade explícita; mas de jeito que a beleza da obra construída fique distante do convencional, e soe para quaisquer ouvidos bem equilibrada e agradável.
É difícil alguém não gostar deste álbum, porquê o quarteto conseguiu tudo isso! E nem vou comentar o espetacular e meticuloso sax tocado por GARBAREK!
Se você tiver de escolher somente um disco da sideral gravadora ECM escolha este “PHOTO WITH BLUE SKY…, resumo das obras intensas e indispensáveis criadas pelo compositor.
Ouça o quanto antes! E compre se puder. É para a vida inteira. E a bela capa te convida a viajar.
JAN GARBAREK nos legou arte notável e “ocultou-se” em cena.
POSTAGEM ORIGINAL: 06\09\2026

POSTAGEM ORIGINAL: 06\09\2026
