Revolver memórias e escavar o fundo da alma. É para isso que navego!
Pois, é!
Em 1990, eu e meu grande amigo SILVIO DEAN estávamos em vasto impasse profissional.
Sem entrar em detalhes, porque a vida seguiu para ambos e frutificou em outras paragens, decidimos tentar viabilizar um grande sonho para ganhar dinheiro.
Observando a nascente revolução musical trazida pelo COMPACT DISC ( CD ), abrimos uma loja na GALERIA TRIANON, em plena AV. PAULISTA, onde ainda hoje é o local de famosa e eventual FEIRA DE DISCOS.
Tínhamos pouca grana viva, algo em torno de $ 1000 ( isso mesmo, Hum Mil!) dólares cada um, para montar equipar, e o decorrente escambau a quatro exigido para qualquer empreendimento.
A solução foi colocar acervos pessoais de vinis à venda.
Eu e o SILVIO sempre colecionamos discos. No começo, fizemos em conjunto mesmo; já que nunca baratos, então sempre viabilizamos o máximo com a grana disponível.
Em resumo: juntamos perto de DOIS MIL LONG PLAYS, imensa e significativa coleção de rock e raridades, que foram vendidos e capitalizaram a CITY RECORDS para formar acervo em CDS.
No início deu bastante certo.
No entanto, a junção maligna da recessão necessária para eliminar a inflação e estabilizar a moeda e a economia, com a concorrência desleal de todos os lados; mais o advento da pirataria ostensiva e não combatida e reforçada pela incúria da Indústria Discográfica – a principal responsável pela própria quase extinção… então;
Inventário das cicatrizes: em 1996, o SILVIO saiu para melhor. E eu aguentei o baque até junho de 2002.
Ponto parágrafo.
Entre os incontáveis discos fascinantes que vendemos havia um luxuoso álbum duplo ( talvez triplo ) americano da SIRE RECORDS, que abrangia o catálogo da BLUE HORIZON, gravadora boutique criada pelo produtor MIKE VERNON, na Inglaterra, nos anos 1960. Eu não me recordo o nome@Claudio Finzi FoáLuiz Sérgio Do Espírito SantoMauricio Dos Santos NascimentoAyrton Mugnaini Jr.Luiz Calanca, mas talvez alguém o conheça e mantenha a obra.
Isso tudo serve como “prolegômeno” para falar dos CDs postados.
A BLUE HORIZON combinava edições de BLUESMEN americanos, a maioria menos famosos, com o nascente interesse por BLUES dos jovens e dos músicos da GRÃ BRETANHA.
E aqui está a pálida e importante aquarela de quase todos eles. Tem JOHN MAYALL, FLEETWOOD MAC, SAVOY BROWN, CHICKEN SHACK, TONY McFEE E ROD STEWART? Tem, sim senhor!
E muito, muito mais! Da permanente desconhecida MARTA VELEZ a B.B.KING… em setenta faixas do embrião não abortado do melhor BLUES – ROCK, em harmonia com os velhos e respeitados senhores. Tudo considerado: sabor e apetite insaciável de quero mais…
REPESCAGEM 2
Quando o CD veio ao mercado de consumo mais amplo, no início dos anos 1990, uma das formas de baratear custos foi lançar artistas conhecidos em gravações não famosas ou alternativas. Algumas artisticamente pobres. E outras, de memorialística relevante mas qualidade técnica nem tanto…
No Brasil, a gravadora MOVIEPLAY viabilizou-se através das duas formas! Propuseram calvário e renascimento. E, muitas vezes, apenas a crucificação dos ouvidos e sensibilidades do ouvinte…
No decorrer dos tempos vieram outros, como a gravadora NAXOS, que trouxe artistas e orquestras relevantes de MÚSICA CLÁSSICA do LESTE EUROPEU. Um ótimo serviço!
Assim, na busca por preciosidades baratas, a GRAVADORA ELDORADO lançou os dois BLUES ANYTIME, por volta de 1989, cada um deles em vinil duplo. Festa para os colecionadores!
A edição, aqui postada, desses dois CDS individuais, abarcando os LPs, saiu no início dos anos 1990.
O curioso e imperdível é que além de algumas gravações da BLUE HORIZON, estão nos discos preciosidades feitas e produzidas por JIMMY PAGE com a nata dos amigos de primeiro time: Há JEFF BECK, PAGE&CLAPTON juntos e separados, e também o grande pianista NICK HOPCKINS, e diversos mais…
Estão aí gravações com bandas de nomes criativos para disfarçar a origem e conteúdo. Por exemplo o SANTA BERBERA MACHINE HEAD, onde estavam RON WOOD, ALBERT LEE, JON LORD, e muitos e tão variados astros futuros e presentes. E todos gravados em JAMS informais e muito significativas! OOOOOOOOOOOOPPPPPPPsss. esqueci de falar dos ALL STARS, coletivo de craques históricos que acompanhavam, o na época já falecido CYRIL DAVIES! Há faixas deles acompanhando os grandes e já famosos. Festão!
Encerrando talvez com… hipotética classe, resta dizer para vocês que, se derem de cara e carteira recheada com quaisquer desses discos, ou cruzarem com um LP do início dos anos 1970, chamado GUITAR BOOGIE, então não refuguem e nem resfoleguem: são dois vinhos potáveis que envelheceram bem!
POSTAGEM ORIGINAL: 26/09/2021
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POSTAGEM ORIGINAL: 26/09/2021

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