OREGON – FUSÃO ORIGINAL DE VÁRIOS ESTILOS MUSICAIS

A primeira vez que ouvi a banda foi por volta de 1977. Naqueles tempos, havia um programa diário na RÁDIO AMÉRICA de São Paulo, chamado KALEIDOSCÓPIO, produzido e apresentado ao vivo pelo maluco criativo e alternativo @Jaques Sobretudo Gersgorin .
Maratona viajante de 4 horas, lá se curtia vanguardas do ROCK, principalmente PROGRESSIVOS; mas eventualmente “FUSION ROCK – JAZZ” – e adjacências…
Em uma daquelas noites, JAQUES programou o OREGON em música extremamente bela, AURORA – que está no terceiro álbum deles: “DISTANT HILLS” , Vanguard Records, 1973.
Pois bem: A música original e instigante do OREGON não se pode chamar de ROCK, mesmo que elementos dele e do FOLK PROGRESSIVO estejam por lá.
É, com certeza, uma variação do JAZZ de VANGUARDA, com ritmos e harmonias intrincados. Vai além: É um “CROSSOVER” entre MÚSICA de CÂMARA, WORLD MUSIC – principalmente HINDU -; e algo da NEW AGE e suas melodias etéreas.
E o que mais se perceber!
TIO SÉRGIO tem alguns discos. O ‘primeirão’ , “OUR FIRST RECORD”, é uma exuberante edição japonesa! Foi gravado em 1970, mas lançado em 1980. “MUSIC OF ANOTHER PRESENT ERA”,1972, é o único que saiu no BRASIL, na época. E consegui “MOON AND MIND”, de 1979. Os três foram gravados pela VANGUARD RECORDS.
OREGON é uma banda americana formada na Universidade do… claro, OREGON, no início dos 1970, e tem nada a ver com a música americana tal qual estamos acostumados a ouvir.
É um QUARTETO de CÂMARA composto por artistas intelectualizados. Junta e articula OBOÉ, FLAUTAS, VIOLÃO, SITAR, PERCUSSÃO HINDU e PIANO. E outros instrumentos que circulavam muito no ROCK PSICODÉLICO, no PROGRESSIVO, ou na TRANSGRESSÃO JAZZÍSTICA moderna.
O conceito em movimento é de original e profunda beleza! Cósmica e etérea, eu afirmo. Tal sofisticação, “europeia ao extremo”, os levou a gravar para a E.C.M alemã. Estão aqui “OUT OF THE WOODS”, 1978; e “OREGON”, 1983. todos no mesmo alto nível técnico e artístico!
O grupo tem aquele encantamento e charme únicos, talvez vizinhos a EGBERTO GISMONTI e sua MÚSICA TRANSBRASILEIRA E FUTURISTA.
Não por acaso, o percursionista NANÁ VASCONCELOS, o trompetista DON CHERRY e o também percussionista do OREGON, COLIN WALCOTT, gravaram dois álbuns de nomes “onomatopaicos” e óbvios para a ECM: “CODONA 1 e 2”.
Também não é coincidência que o super – violonista da banda, RALPH TOWNER, falecido em janeiro de 2026, tenha feito carreira no JAZZ em alta cotação artística e com enorme discografia. Exemplo seminal e matador é ‘SOLSTICE”, E.C.M., 1975, onde está acompanhado por três luminares: JAN GARBAREK, saxes; EBERHARD WEBER, baixo; e JON CHRISTENSEN, bateria..
Eficiente e produtivo, o OREGON gravou perto de quarenta discos. Fora os projetos solos de TOWNER e WALCOTT; e também dos baixista GLEN MOORE e PAUL McCANDLESS – o craque do OBOÉ, e instrumentos de sopros em geral.
Ouçam e cultivem o surpreendente OREGON! Vocês ficarão encantados. Eu ainda tenho poucos discos dessa turma toda! Mas que a coleção vai esticar; aahhhh, isso vai!
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