THE PENTANGLE – THE ALBUMS 1968/1972 – TRANSATLANTIC RECORDS YEARS – BOX SET – SEIS DISCOS. E UM AVULSO.

Vou começar por efeméride luxuosa: o PENTANGLE é banda inglesa histórica e seminal.
Os integrantes, todos eles, são músicos de altíssimo nível. E alguns são estilistas e referência para o híbrido enorme que abarca e funde o FOLK, O JAZZ, O ROCK PROGRESSIVO e, claro, talvez principalmente o BLUES! É time de primeira divisão!
Eram totalmente acústicos; fugiam da eletrificação típica da época deles. Os dois guitarristas são referências na música britânica: BERT JANSCH e JOHN RENBOURN. E são os principais compositores do repertório do PENTANGLE. Ambos têm sólida e imensa carreira solo – pesquise!
São dois estilistas; diferentes e complementares: RENBOURN é um especialista no BLUES tradicional americano, emulando BIG BILL BROONZY. E BERT JANSCH é mais ligado ao FOLK BRITÂNICO em toda a sua extensão. Ambos são exemplos destacados do “FINGERSTYLE GUITAR”: as cordas do violão são tocadas individualmente e com as pontas dos dedos.
Este jeito e técnica de tocar o violão ultrapassa o COUNTRY, o FOLK e o BLUES: JOÃO GILBERTO, por exemplo, é exímio na técnica; e a refinou, com seu estilo único, na criação da BOSSA NOVA. Guitarristas de FLAMENCO, como PACO de LUCIA, também são cultores e executores esplêndidos do FINGERSTYLE!
Como dá pra perceber BERT E JOHN estão em ótima companhia, portanto.
Compunham a banda, também, o baterista TERRY COX, de carreira sólida e ampla. E, principalmente, o excelente baixista DANNY THOMPSON – que esteve com ALEXIS KORNER, CLIFF RICHARDS, DONOVAN, MARIANNE FAITHFULL, JOHN McLAUGHLIN… e muita, muita, e muita gente mais…
A única que não se destacou posteriormente, mesmo continuando a carreira, foi a cantora JACQUIE McSHEE. Ela é claramente FOLK, tem voz suave na linha de JUDY COLLINS, SANDY DENNY, ANNIE HASLAN, JUNE TABOR… e até ENYA – também discípula algo desviante das tradições.
O quinteto era perfeito em si mesmo; muito coeso e integrado; foi aclamado pela crítica da época. Porém, fez relativo sucesso de vendas, mesclando clássicos da tradição folclórica, e composições próprias. Influenciam, e muito, a música FOLK até do presente.
Acho correto defini-los como FUSION: integração sofisticada entre o FOLK+BLUES+JAZZ com toques de ROCK PROGRESSIVO. E sempre realizada em alto nível, e de tal forma que esse BLEND EXPLÊNDIDO jamais resultou em LOUNGE MUSIC, NEW AGE ou MUSAK.
Curiosamente, mesmo com a suavidade aparente dos resultados, eram enérgicos e pesados. Talvez por causa do baixo, em mesmo nível de técnica e complexidade, e mixado na mesma altura que as guitarras.
Os instrumentos sempre soam com absoluta nitidez, e são tocados nota por nota, até nas frequentes improvisações; e sem jamais perder a noção de ritmo e andamento.
A esta somatória complexa, se costuma chamar de JAZZ!
Os sete discos na foto, seis deles no BOX, são ótimos!
O album duplo “SWEET CHILD”, 1968/1969, um disco ao vivo, e outro em estúdio; e “BASKET OF LIGHT”, 1969; são, ambos, espetaculares e considerados clássicos. Vale a pena serem ouvidos e trazidos para a discoteca.
Outra opinião relevante sobre este “Malte Supremo”: WILLIAN REID, do grupo britânico de BRIT POP, JESUS & MARY CHAIN, disse que BERT JANSCH precisaria de um terceiro braço para tocar daquele jeito.
Muitos acham isso. E você concordará com certeza!
TENTE.
POSTAGEM ORIGINAL: 24/09/2021
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