VIAGEM À MINHA “ADEGA DE ÓDIOS”, A INSÔNIA! NOTAS SOBRE PROCOL HARUM, GRATEFUL DEAD, PIXIES E AS DANÇAS DO “QUEBRA-BUNDAS”!

“IN THE AUTUMN OF MY MADNESS, WHEN MY HAIR IS TURNING GREY” ..canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, de 1968, do genial, subavaliado e não-repetível “PROCOL HARUM”.
CLÁSSICO DO ROCK em transição entre a PSICODELIA e o ROCK PROGRESSIVO, é recomendável para quaisquer paladares. O disco é lindo; e é triste. E a construção das letras é sublime.
O PROCOL HARUM tinha um letrista exclusivo, erudito e sofisticadíssimo: KEITH REID. Ouçam! será marcante.
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa quando a INSÔNIA RECORRENTE assola e desencadeia os medos e paranoias; as desconexões entre os fatos objetivos. Mas realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
Nada mais humano do que sofrer por algo que talvez não aconteça!!! É parte do outono da minha vida – loucura? – estou envelhecendo.
Tempos atrás li, no Estadão, que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. As que ficaram, claro! Sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os anos 1960/1970, da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, jam-sessions ininterruptas, “raves sem D.Js.” , que notabilizaram a banda.
JERRY GARCIA, mito do rock, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação.
Teve um infarto, em 1995, aos 53 anos. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. Não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Bidú! Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. Feito o KING CRIMSON, e todo o mundo! E quem não faz, é explorado e morre. Portanto, vivas à boa administração!
O DEAD começou como todos: Inspirados nos BEATLES, STONES, e na turma do COUNTRY e do BLUES americanos. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época, DESBUNDARAM. E nunca mais REBUNDARAM – como gosta de dizer o TIO SÉRGIO.
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos gravados ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ, pela tentativa de expandir a música ad-infinitum.
Mas percebe-se, nitidamente, alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as música, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC. Claro, são muito legais, e imprescindíveis, para entender a evolução do ROCK.
Entre os seus contemporâneos eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto, musical, experimental na medida certa; e tão desviante filosófica e comportamentalmente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eu tangencio. Mas, para os que gostam, é perfeitamente possível ter acesso a tudo o que gravaram, porque lançaram em incontáveis discos… “póstumos”, não. Eles prosseguem, de um jeito ou de outro…
Por causa da insônia acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre pato e sapato. É ROCK, claro, mas de outra estirpe. Talvez sejam a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991, e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá e resiste até hoje. Já estiveram por aqui, não faz tempo. Continuam por aí, impunes…
É interessante notar que os PIXIES são o inverso do DEAD e do PROCOL HARUM. Criam música dura, curta, visceral, mas bem tocada. JOEY SANTIAGO, guitarrista, é lenda no PUNK e no GRUNGE;
O vocalista gorducho e gritalhão BLACK FRANCIS, é improvável misto de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias ou sensações de alguma vivência.
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED, “WALKS ON THE WILD SIDE, espreitando os portais do inferno urbano. SANTIAGO, et caterva, parecem haver saído de um curso para dragões, e cospem fogo para todo lado!
E há, também, KIM DEAL, a baixista. Espiroqueta abrasiva, com longo prontuário prestado ao ROCK nada convencional; CONTRA-MUSA da mesma forma que ANITA PALLEMBERG, PATTY SMITH, MARIANNE FAITHFULL, NICO…
O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge, de repente, casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, e energético!
Os PIXIES Fazem show legal para assistir. Mas será que eu gosto disso?
E por falar em dissonâncias comportamentais, bem mais do que sonoras, dei uma espreitada em algumas performances das moderninhas do PROTO-PORNO-DANCE – GLÚTEO RETAL, que assola o POP.
Haja contravenção, e LUBRIFICANTES e XUCAS, antes e pós BAILES e “RAVES”! As praticantes são, também, notórias ANTI-MUSAS…
E acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! A vida nem sempre é linear! E ainda bem!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\02\2021
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