Em tudo o que se faz é aconselhável acrescentar empenho e prazer; impor certa volúpia controlada para que dê mais certo e valha a pena realizar.
Claro, eu não falo com sádicos, torturadores, assassinos, e “que tais”. Então, porções de prazer são sempre bem-vindas. Na apreciação de artes, principalmente!
Escrevendo, ouvindo, lendo e conversando criei frase que sempre cito: “GOSTO, MAS NÃO PREFIRO”. Foi mais ou menos a minha relação com ARETHA LOUISE FRANKLIN e as cantoras de R&B, POP, SOUL e BLUES mais extrovertidas.
Eu não gostava dos excessos minuciosamente perpetrados por ARETHA, para evidenciar a potência e alcance de sua extensa, bela, educada, cristalina e nítida voz.
Pensando e ouvindo melhor, ARETHA cantava e sempre cantou bem. Aliás, divinamente bem e de maneira perfeita quaisquer estilos a que se dedicou. Ela singrou por vários… e arrasava tecnicamente: sua voz ia do agudo extremo ao grave; tinha ritmo e timing precisos; é era melodiosa .
Um resumo adequado para o currículo dessa verdadeira DIVA – que morreu aos 76 anos, em agosto de 2018 -, é afirmar que foi legítima sucessora e está no mesmo time que ELLA FITZGERALD, SARAH VAUGHN, BILLIE HOLIDAY e DINAH WASHINGTON. Tá; o TIO SÉRGIO admite: elogio pouco é bobagem….
ARETHA gravou 11 LONG PLAYS, à partir de 1961, para a COLUMBIA RECORDS. Discos vigorosos de RHYTHM”N”BLUES com a verve jazzística da transição entre a década de 1950 para a de 1960. Seu “THE ELECTRIFYING”, lançado em 1962, é ótimo. Mas, “UNFORGETABLE, A TRIBUTE TO DINAH WASHINGTON”, 1964, é essencial!!!!
A voz espetacular de ARETHA FRANKLIN foi devidamente “amoldada” para manter as características essenciais do canto GOSPEL. Partiu do RHYTHM´N´BLUES clássico, eivando paulatinamente de sensualidade discreta a música negra ( preta? ) americana, e transitando para a SOUL MUSIC.
SOUL é a denominação pela qual parte do R&B foi batizado lá por 1960, e dali em diante. E ARETHA tornou-se a grande voz feminina do novo “subgênero”.
Porém, ninguém troca de gravadora para repetir-se. E a mudança de ares foi essencial para reposicionar seu talento único.
A ATLANTIC RECORDS foi criação de dois turcos, os irmãos AHMED e NESUHI ERTGUM, que tinham uma coleção com mais de 15 mil discos de 78RPMs!!!!. Juntos com um “judeu”, HERBIE ABRAHANSON, em 1947 fundaram uma das gravadoras mais importantes da História. Os três eram amantes de JAZZ e R&B!
Quando ingressou na ATLANTIC, em 1967, ARETHA FRANKLIN era mulher e artista madura. E, por lá gravou 24 LPS, até 1979. Foi a sua fase de maior sucesso, em aproximação sucessiva com a POP MUSIC daqueles tempos.
A extroversão vocal também era característica da época. Lembram-se de JANIS JOPLIN? Ela e ARETHA brilharam em paralelo. JANIS de certa forma preencheu o espaço deixado por ARETHA na COLUMBIA RECORDS. E as duas se modernizaram simultaneamente satisfazendo o gosto do público jovem também chegado ao ROCK.
O repertório, na ATLANTIC, é coalhado por HITS, como “THINK”, “RESPECT”, “DO RIGHT WOMAN, DO RIGHT MAN”, “SPIRIT IN THE DARK”, e uma série de clássicos e standards da BLACK MUSIC.
No BOX ORIGINAL ALBUM há os 5 principais discos para a ATLANTIC. Estão aqui postados E inclusive ARETHA LIVE AT FILLMORE WEST, onde mostra toda força e garra que liberava gravando ao vivo. E verteu para o “SOUL” músicas como “BRIDGE OVER TROUBLED WATERS”, sucesso marcante da época com SIMON & GAARFUNKEL; e “MAKE IT WITH YOU”, baba POP do pegajoso e competente grupo BREAD. Para variar, o ritmo e principalmente o andamento são esfuziantes!
A gente também percebe nos discos de ARETHA o que rolava por aqueles tempos. Ela gravou compositores da estatura de BURT BACHARACH, de quem fez versão para “I SAY A LITTLE PRAYER”. E outros HITS atemporais como “GROOVIN”, grande sucesso dos RASCALS, também contemporâneos e colegas na ATLANTIC RECORDS.
ARETHA era boa pianista e tocou em diversas gravações. Sempre foi acompanhada por time invejável de craques. Músicos como o baterista ROGER HAWKINS; o baixista JERRY JERMMOTT; o saxofonista KING CURTIS; e até o guitarrista DUANE ALMANN estiveram presentes.
A produção esmerada de JERRY WEXLER e a qualidade técnica das gravações dirigidas pelo engenheiro TOM DOWD, tornaram o elenco e discos da ATLANTIC sucesso artístico e comercial.
ARETHA FRANKLIN reinou por lá até assinar com a ARISTA RECORDS, em 1980. O disco JUMP TO IT, 1982, é uma atualização do R&B com pitadas de FUNK e alguma FUSION jazzística na instrumentação. Uau!!!
Para variar, traz muito balanço e produção primorosa. Desta vez, é de LUTHER VANDROSS, outro que espocou na década de 1980 e conseguiu manter-se…
Li, por aí, que ARETHA intimidava ERIC CLAPTON, que a reverenciava a ponto de quase travar quando perto dela!!!!
Ao mesmo tempo, ARETHA foi ícone e artista imensa e cidadã exemplar; muito presente e ativa em movimentos para os direitos civis, nos EUA. Claro, isto potencializou sua fama e importância além música.
ARETHA FRANKLIN recebeu 18 GRAMMYS!!!! Isso mesmo! E vendeu 75 milhões de discos. Eu espero que esteja arrasando no céu com outros “anteriormente convidados”.
HOJE, O TIO SÉRGIO “GOSTA E PREFERE ARETHA”, A INSUBSTITUÍVEL!
POSTAGEM ORIGINAL: 24\08\2022

POSTAGEM ORIGINAL: 24\08\2022
