B.B.KING, SEU LEGADO E TRANSCENDÊNCIA

A diversidade imensa de artistas e propostas à disposição do público, é parte do encanto de viver nos tempos atuais.
TIO SÉRGIO sempre foi um desviante, principalmente quando a estética e a arte estão envolvidas. Concordo com a subversão progressista de tentar enxergar o novo, abrir caminhos, estender horizontes; e usar das liberdades para agir e modificar. Eu sou amigo de fronteiras perigosas.
Hoje, é normal curtir ROCK, BLUES, MPB, RAP, JAZZ, ou seja lá o que for, sem a limitação nacionalista, muito comum nas décadas de 1960 e 1970.
Claro! Era explicável: sob ditadura a gente se volta para a defesa do que é mais legítimo na cultura popular do país, e suas tradições. Gostar “só” de MPB era ato de preservação e militância contra o autoritarismo.
Eu sempre gostei e preferi a música internacional – ROCK, BLUES e JAZZ – em vez da MÚSICA BRASILEIRA. Eu sei o quê e o quanto perdi por minha ignorância e até preconceito! Da mesma forma reconhecem os nacionalistas intransigentes de antes, que hoje também respeitam, e até curtem o legado de outros povos.
Mudei; aprendi, sofistiquei o meu gosto e incorporei a MPB MODERNA a meu dia-a-dia. No final, ganhamos todos com a amplitude, visão e tolerância. É postura civilizatória.
E tudo isso para falar do “B.B.KING”. Ele morreu em 15 da maio de 2015, aos 89 anos. No entanto, perto de outros deixou fortuna pequena, uns $10 milhões de dólares. Para efeito de comparação, até agora, JOE WALSH juntou $75milhões de dólares!!!, e ROBERT SMITH já passa dos $ 40 milhões… Nem é preciso dizer que “B.B.KING” está no “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”, no “BLUES” , e no R&B, ambos também “HALLs OF FAME”.
Claro, como velho ROCKER e colecionador de discos, ele. sempre caminhou a meu lado… No começo, não. B.B. KING ERA ÍDOLO DOS MEUS ÍDOLOS. Eu estava para a música dos 1950, como os PUNKS estiveram para o ROCK PROGRESSIVO na década de 1970; e a turma de hoje em relação ao que foi feito de 1980 para trás:
TIO SÉRGIO e muitos e muitos, achavam que os novos eram os nossos contemporâneos; e não a história traçada, geração após geração, que sempre desemboca na contemporaneidade de nossos sentimentos. Eu era um combo em rebeldia, ignorância e rejeição.
O novo é sempre o eterno movimento que a História nos traz… Mesmo que raramente alguém identifique com discernimento e clareza, o que nunca antes havia sido feito. E menos ainda o quê permanecerá.
Eu estava cego e surdo, é claro! E peço vênia a SANTO COLOMBINO, BUDHA, CRISTO e outros santos e gurus!!!!!!! Por isso, nas cinco últimas décadas, vim convergindo para outros espectros, vivências alternativas – sejam em direção ao passado ou para o futuro…
Meu amigo FÁBIO DEAN, também colecionador de discos, especialista e profundo conhecedor do ROCK, BEAT, R&B… e tudo o que for sonoro dos 1950 a meados dos 1970, e beyond! – sempre defendeu que a rotulagem de estilos é, no fundo, apenas classificatória, orienta para os sucessores mais bem compreenderem.
Então, o que chamamos de ROCK, BLUES, DO-WOP, R&B…, na década de 1950 vinham todos embolados, e muito próximos: “ELLA FITZGERALD” era perfeitamente possível de ser colocada lado – a -lado com “B.B.KING”; e, se bobear, nos arredores de “ELVIS PRESLEY”.
É verdade. Tenham certeza!
Em 1978, eu tive o privilégio de “ouvi-lo”, ao vivo e no ato, via RÁDIO CULTURA , no FESTIVAL INTERNACIONAL DE JAZZ, de São Paulo. Impossível conter-se ouvindo a “B.B.KING ORCHESTRA”!
Enquanto escrevia sobre isto, coloquei no CD player um disco do B.B.KING ,com gravações feitas entre o final dos anos 1940 até 1962, mais ou menos.
Uma delas, “Don´t get around much anymore”, de 1961, foi gravada com a sessão de metais e ritmos da “ORQUESTRA de DUKE ELLINGTON”. Querem mais? Então, consigam este pequeno BOX, na foto, que traça a obra do KING de 1949 até 1962. Ou, o maior deles, que é abrangente, porém, com menos gravações.
É argumentável que mestre KING tenha sido o principal “BLUESMAN” da história; e quem mais bem representa a tendência do BLUES mais próxima ao ROCK. É a minha opinião.
B.B. KING foi o inventor do chamado “FLUTTER”, o vibrato de pulso usando alavanca no corpo da guitarra, para modificar e ampliar o som do instrumento. E apresento-lhes a “LUCILLE”, a guitarra, que fazia “flutuar” o som, acompanhando as letras em perfeita sintonia.
O legado de B.B.KING como influência e mestria está por todo lado, nas mídias: JORNAIS, REVISTAS ESPECIALIZADAS, LIVROS, VÍDEOS, ETC… E se a guitarra é icônica e sempre identificável, mesmo que monocórdica; a voz de “B.B.KING” ganhou força e expressão na maturidade, em meados dos anos 1960, e se manteve até grande parte de sua velhice. Esta voz e timbre, reconhecemos no ato! E compõem um achado estilístico!
B.B.KING gravou, até onde pude pesquisar, comparar e certificar, em torno de 60 álbuns – claro, alguns já na era do CD. E mais de 14 LONG PLAYS de COMPILAÇÕES, HITS e o escambau à oitava!
Legou gloriosos e catalogados 290 SINGLES – o primeiro deles, gravado em 1949!! – Hey, BIG BROTHERS !!! eu escrevi 290 SINGLES ! É só acessar um site chamado “45 CAT”. Herança fabulosa!
Existe um disco de B.B. com o ERIC CLAPTON, “Ridding with the King”. Não é estruturante, digamos. Mas vale a pena ter pelo encontro de dois gênios que se admiravam mutuamente. E anima reuniões entre amigos e festinhas. E há outro álbum delicioso e beirando o “espetacular”, com a cantora de JAZZ, DIANA SCHURR – que é branca e cega.
Ele fez outros e outros álbuns mais. Gravou com muitos que importam, como BOBBY BLUE BLAND, VAN MORRISON, U-2, e os ROLLING STONES. E influenciou tontos e tantos guitarristas, que seria prudente citar ao menos dez – mas fico em quatro notórios: BUDDY GUY, ERIC CLAPTON, GARY MOORE e SLASH. Estejam à vontade para continuar descobrindo…
Talvez a minha única frustração tenha sido B.B. KING não ter gravado com JOHN MAYALL, seu contraparte inglês. Uma pena; e certamente uma falha histórica!
Além desse ponto, é e sempre será ” THE B.B.KING ORCHESTRA”!
É para ouvir pelo resto da vida, “e per omnia secula seculorum”!
POSTAGEM REDEFINIDA EM 15\05\2026
Pode ser uma imagem de saxofone e texto

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