Comprei o BOX anunciado diretamente pela UNIVERSAL MUSIC. Lá estão os cinco primeiros LONG PLAYS lançados no Japão, na década de 1960 – é claro!
Tudo o que fazem nossos brothers de olhinhos puxados quase sempre é trabalho exuberante, meticuloso e graficamente; e a qualidade sonora é a melhor possível naquele momento.
Está tudo lá. Por isso, justificam os R$ 999,00 MANDACARUS que paguei pelo produto. Algo tipo $40,00 ( quarenta dólares!!! ) por cada disco. Incluídos o BOX e o LIVRETO escrito em japorongo, e com as letras originais das canções em inglês.
Coloquei na foto outro raro CD em edição japonesa: “INTRODUCING THE BEATLES”, lançado em 1964, pela VEE JAY RECORDS, nos EUA… O vinil original custa uma baba!
Esta fase dos BEATLES situa-se num período anterior ao que hoje é a fronteira do conceito de OLDIES: os lançamentos após 1966, mais ou menos. Em linguagem de Rocker vai da PSICODELIA PRA FRENTE – de 1966 até, quem sabe, ao surgimento do BRITPOP, lá por meados da década de 1990 …. Seria?
Os BEATLES antes de “REVOLVER”, 1966, é VINTAGE, mesmo!
Mas, TIO SÉRGIO, e daí?
Pois, é: do ponto de vista das letras juvenis e rasas que tive a paciência de velho aposentado para revisitar, é um compêndio de “sofrências” que devem nada aos atuais sertanejos”made in Brasil” !!!
Há umas 60 canções narrando casinhos semelhantes, mas com a essência do BEAT – melodia e ritmo que a todos encantou e trouxe muita grana para JOHN, RINGO, PAUL e GEORGE. E, claro, para a PARLOPHONE, a gravadora que os lançou. Tudo legítimo, consagrado – e no passado…
A maioria os contemporâneos dos BEATLES estava nessa juvenília estacionária que mal dava dicas do que viria a ser o ano de 1968 e suas repercussões: o marco da verdadeira REVOLUÇÃO de COMPORTAMENTOS, na POLÍTICA e na sociedade.
Do ponto de vista musical, aqueles HITS são pegajosos e aderentes, poucos de minha geração deixavam de gostar. Eu confesso: continuo gostando.
Porém, há uma PULGA de mais ou menos 1,80 metros de altura bem atrás de minha orelha direita, que permanece retumbando e picando a lucidez que desconfio possuir… E me pergunto se são “esses BEATLES” que as gerações atuais dizem gostar?
Eu acho que não. Mas será?
Resumindo: quanto mais ouço esta fase dos “CABRITLES”, mais gosto dos KINKS e de RAY DAVIES, o letrista principal. E dos YARDBIRDS, outro convivente inigualado. E, mesmo dos SEARCHERS, para muitos a melhor banda de LIVERPOOL naqueles dias; mas com a vantagem/desvantagem de gravarem covers ou composições inéditas de profissionais mais “capacitados”…
Nem vou citar os ROLLING STONES, já transgressivos e desviantes em 1965 com SATISFACTION, o HIT atemporal que demarcou a diferença entre eles e aqueles “meninos sofrência choramingões” – sempre sujeitos a pés-na-bunda descritos nas canção que gravaram…
Eu compreendo a inevitabilidade da supremacia de BOB DYLAN, PAUL SIMON e outros. Letristas capazes de oxigenar aquele ar intelectualmente rarefeito, e que trouxeram o ROCK a patamares bem mais elevados. Para não citar a notável criação POP da concorrência. Não esqueça de BRIAN WILSON e os BEACH BOYS – quase sempre encostando ou ultrapassando os caras de LIVERPOOL…
Claro, cometo exageros. Afinal de contas, no espaço/tempo histórico de de uns 3 anos os BEATLES conseguiram produzir REVOLVER, RUBBER SOUL e SGT PEPPERS..
TIO SÉRGIO acha que naquela primeira fase os BEATLES foram melhores no ROCK do que no POP. Músicas do naipe de “I SAW HER STANDING THERE”, “BOYS”, “TWIST and SHOUT”; e já em outro nível “I FEEL FINE”, são muito melhores do que “I WANNA HOLD YOUR HAND”, “FROM ME TO YOU”, e etc.
E HELP é um disco de sofrível para baixo, desvelando o buraco criativo em que estavam metidos, entre 1964/1965. Apesar de “YESTERDAY”, talvez a primeira composição de LENNON e McCARTNEY cuja letra tenha superado o óbvio esperneante.
Pois é, pessoal; eu convido vocês à imersão nos BEATLES dessa fase. Se puderem consigam edições mais bem elaboradas do ponto de vista técnico. Será elucidativo encarar e comparar com os passos à frente – não muito tempo depois. Com RUBBER SOUL, REVOLVER e SGT PEPPERS, acrescidos dos SINGLES e EPS da fase PSICODÉLICA ( 1966 em diante ), a conversa muda de pato a sapato.
A minha aposta é que a turma gosta, mesmo, é dali pra frente.
POSTAGEM ORIGINAL: 16\06\2022
POSTAGEM ORIGINAL: 16\06\2022
