CARAVAN – WATERLOO LILLY – 1972 – DERAM RECORDS. ENTRE O ROCK PROGRESSIVO E O “JAZZ – FUSION”

Em 1973, havia no centro de SÃO PAULO três excelentes lojas de discos; todas muito próximas: “MUSEU DO DISCO”, na rua DOM JOSÉ DE BARROS, mais procurada pela turma do ROCK e do POP. “BRENO ROSSI” e “BRUNO BLOIS” – ENORMES! -, ambas na 24 de MAIO, que focavam mais o público da MPB, do JAZZ e, principalmente, dos CLÁSSICOS e ÓPERAS.
Incerto dia, fui na BRENNO ROSSI, onde havia lugar para escutar discos, logo após ter lido, no “JORNAL DA TARDE”, resenha perspicaz escrita pelo jornalista EZEQUIEL NEVES – depois produtor/inventor do BARÃO VERMELHO e do CAZUZA.
“ZECA JAGGER” – um dos apelidos de EZEQUIEL – incitava a “curtir” o recém lançado álbum da banda inglesa CARAVAN.
Fui lá, peguei o Long – Play WATERLOO LILLY, e outros também, e comecei a ouvir. Eu já havia assimilado o PINK FLOYD, MOODY BLUES e o PROCOL HARUM. Mas, ainda não conhecia o SOFT MACHINE e outros progressivos.
Pouco depois, tive contato com o “IN A SILENT WAY” de MILES DAVIS, e consolidei a correção de rumos. Estava amadurecendo e me abrindo para “outras músicas”. Mesmo jamais abandonando o bom e velho ROCK.
Confesso que fiquei entre confuso e instigado com o disco do CARAVAN; e resolvi comprar. O álbum foi revelando a complexidade sonora, que era simultaneamente JAZZ e ROCK, “ma no tropo.” Ainda não havia a expressão FUSION para definir “parte” do disco. Aliás, eu acho que fica mais preciso se denominado por ROCK PROGRESSIVO.
Recebi a minha a quarta ou quinta cópia daquele disco. Estou com três edições diferentes em CD. Excelentes, todas; mas com variações na masterização e mixagem – sempre de ótima qualidade técnica. A mais recente, é um “SHMCD” japonês! O som voa!!!
Sei lá; talvez por já estar há quase 50 anos repetindo o mesmo disco, surgiu ofuscada em minha memória canção lançada, na década de 1960, pelo cantor americano de “POP para adultos”, JACK JONES: “CALL ME IRRESPONSIBLE”- é um de seus HITS.
E irresponsável é certamente o que sou, em se tratando de música e discos…
O CARAVAN foi uma das principais bandas do CANTERBURY SCENE, polo de ROCK PROGRESSIVO da cidade, onde surgiu, entre vários, o SOFT MACHINE. A banda faz um som diferente dos grandes nomes que a gente conhece. Porém, elaborado ao extremo e bastante ousado.
“WATERLOO LILLY” sucedeu ao consagrado e pouco vendido – sempre normal na indústria musical -“IN THE LAND OF GREY AND PINK”, de 1971, outro clássico do gênero.
Mas são discos bem diferentes. Naqueles tempos, entrou e saiu gente da banda, e acabaram por contratar um novo tecladista, STEVE MILLER – não, não, não confundam!!!! -, de orientação mais JAZZY. E isto acabou alterando o ROCK PROGRESSIVO que vinham fazendo, para incursão mais decidida em direção ao “JAZZ – ROCK”. A denominação FUSION, como disse o TIO SÉRGIO, surgiu depois.
A derivação entre as vertentes foi definidora. Mas não definitiva.
O disco “WATERLOO LILLY”, em minha opinião, é o triunfo artístico. Expõe a integração perfeita entre o “ROCK PROGRESSIVO” e laivos de “FREE JAZZ” , com as inovações que MILES DAVIS trouxe em “IN A SILENT WAY”.
É extremamente musical, audaz, e bem humorado, como quase tudo o que gravaram. Também não vendeu! ( grande novidade…)
Ouçam atentamente “o lado ROCK”, no baixo de RICHARD SINCLAIR – um show de bola! E a inquietação JAZZY nas texturas do teclado e guitarras, e nos solos decididamente vanguarda do sax de “LOL COXHILL”. Arrasadores!
Na época do lançamento, surpreendentemente não foi bem recebido pela crítica, claro. Porém, no decorrer dos tempos, sobe paulatinamente de STATUS junto ao público, os colecionadores e a crítica atual. É justo, acreditem.
O CARAVAN continuou a carreira, claramente tornou-se mais PROGRESSIVO, e desfrutou mais sucesso. Então, percam-se por aí; mas não percam WATERLOO LILLY – que, vez por outra, é relançado.
O disco é espetacular! Portanto, é mandatório frequentar e morar na discoteca de todos nós!!!!
POSTAGEM ORIGINAL 08\05\2021
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