JOE WALSH – UM DIFERENCIADO EM VIAGEM POR DESVÃOS DO ROCK:

“JOE WALSH” é tamanco sem couro: é pau puro!”
Porra, TIO SÉRGIO, o que você quer dizer com isso aí?
A resposta é: Sei lá, entende… Como sempre dizia o nosso único rei putativo, EDISON ARANTES DO NASCIMENTO I, o PELÉ.
Vez por outra eu cito a frase, que li sei lá onde? Mas pega o espírito, digamos, primevo do grande JOSEPH FIDLER – sobrenome que, se acrescentarmos um “E” depois do “I”, significa “violinista”… enfim.
TIO SÉRGIO gosta de submergir buscando histórias, origens. E foi encontrar o JOE em mar profundo e quase inatingível. Quase.
Observe os dois primeiros CDs na foto. Moram nas catacumbas da minha discoteca. São raros e meio irrelevantes, artisticamente falando. Porém, contudo, todavia, JOE WALSH treinou lá suas garras, em 1967.
O “RARE BREED” foi banda prá cá de obscura; os caras tinham algum talento, e tocavam num espaço qualquer em Nova York, quando foram “cooptados” pelos produtores JERRY KASENETZ e JEFF KATZ – craques do BUBBLEGUN, a baba dançável da moda.
O detalhe, é que o “RARE BREED” tornou-se o “OHIO EXPRESS”, que aproveitou e regravou a faixa BEG, BORROW AND STEAL – um GARAGE ROCK perfeito! Ahhhh, se ainda existe o vinil? Ninguém sabe, ninguém viu….
A gravação foi em N.Y.C, mesmo. E quem tocou a guitarra?
Claro, ele mesmo… “JOE WALSH”. Ouça, é muito legal! Aproveite e ouça “TRY IT “, com o “OHIO EXPRESS”; é pesada e foi censurada. Pra mim, o JOE também está lá…
“JAMES GANG” veio logo depois e foi caso interessante no ROCK americano. Era um POWER TRIO com sonoridade inspirada “IN ENGLAND”, digamos. São contemporâneos do “TRAPEZE”, do “HUMBLE PIE”, do “MOUNTAIN”… Portanto, herdeiros do “CREAM” e do “BLUE CHEER”; e antecessores da “BAD COMPANY”- para ficar entre poucos.
Os caminhos que a banda tomou à partir do segundo disco; e o seguido principalmente por JOE WALSH, mais à frente, os recolocou em contato com o “ROCK AMERICANO”. E a influência de “TED NUGENT e os AMBOY DUKES” vai ficando nítida.
Dia qualquer, dando uma passeada pela ilha, apareceu em minha “play – list” um CD só com músicas ao vivo.
Pus lá duas faixas em sequência, pinçadas no magnífico “JAMES GANG LIVE IN CONCERT”, gravado em 1971, no CARNEGIE HALL, em NOVA YORK!
Uns 50 anos atrás, comprei o álbum original, lançado por aqui em 1972. Ele me acompanha até hoje; é vulcânico! Uma coleção de terremotos, erupções em HARD ROCK e HARD BLUES, perpetradas por um TRIO de jovens talentosos em estado de fúria e criatividade!
O disco abre com “STOP,” um HARD ROCK / R&B; emenda “YOU GONNA NEED ME”, HARD BLUES como poucos, em que JOE WALSH simplesmente aniquila a plateia com sua guitarra e interpretação! Vai em sequência a tal ponto matadora; que, lá pelo meio do SHOW, quando a banda desacelera para tomar fôlego e continuar a pauleira brava, a plateia no austero CARNEGIE HALL reage, “ruge”, como estivesse numa tourada, ou em um rodeio!
Os gritos animalescos de HEYA, HEYA… incitam WALSH, o baixista DALE PETERS e o baterista JIM FOX a explodir em ROCK PESADO e BARULHENTO!
Não, eles não estavam no TEXAS – ou em BARRETOS! Mas em lugar “civilizado”, rico e urbanizado, bem no centro financeiro deste planeta… A foto icônica da capa revela três cavalos amarrados na porta do TEATRO!!! E justifica o TAMANCO SEM COURO: PAU PURO, do título.
Quem coleciona discos é sempre surpreendido.. Tenho apenas dois discos do “JAMES GANG”, o referido ao VIVO; e o primeiro, “YER ALBUM”, de 1969, que há décadas eu não escutava. É ótimo álbum de HARD ROCK PSICODÉLICO. Cadenciado, têm algo de FUNK, muita noção de ritmo, e fica ao mesmo tempo na fronteira do ROCK PSICODÉLICO e do PROGRESSIVO. Estão lá três das músicas mais famosas do TRIO: STOP, TAKE A LOOK AROUND e FUNK #48.
O álbum abre com micro introdução Sinfônica de uns 30 segundos; é peça criativa, progressiva, e bem mais típica de grupos ingleses do que de americanos. O clima e andamento geral do disco é à inglesa.
A banda desempenha bem, as músicas são legais, mas não se desenvolvem com espontaneidade. É “travado”, como seus colegas britânicos. É o som daqueles tempos – final dos 1960, início do 70. O disco foi bem de crítica e vendas, mas não estourou. A gravação foi feita em Nova York, na HIT FACTORY, estúdio muito requisitado naqueles tempos. E a primeira coisa que ouviram da equipe técnica foi: “FAÇAM UM HIT”. O disco foi produzido por “BILL SZYMCZYK”, famoso pelo nome impronunciável, e a notória qualidade do que faz. Ele trabalhou muito com WALSH, e principalmente para os “EAGLES”.
O JAMES GANG era muito bom como grupo – e individualmente, inclusive. Fizeram duas versões matadoras de músicas importantes de bandas ícones: BLUEBIRD, do “BUFFALO SPRINGFIELD”, ficou diferente da original; é mais lenta e muito bem arranjada. E LOST WOMAN, dos “YARDBIRDS” é muito inventiva, empolgante, longa; e foi gravada direto e sem “overdubs” – uma proeza!
Imaginem: os caras foram fazer COVERS do fino do ROCK!
O TRIO abriu temporadas para “THE WHO”, principalmente na América, e PETE TOWNSHEND dizia que JOE WALSH era o seu guitarrista favorito! Outros que gravaram com WALSH foram “STEVIE WINWOOD” e a “STEVIE NICKS”.
Os membros originais da banda se conheceram na UNIVERSIDADE DE KENT, em OHIO. Eu nem cheguei a ouvir dois dos três LONG PLAYS seguintes, RIDES AGAIN, 1970; e THIRDS, 1972, que juntos com o LIVE, aqui postado, estouraram nas paradas americanas.
É minha impressão que JOE WALSH percebeu, depois do primeiro álbum, que o grupo, e principalmente ele, estavam muito orientados para o ROCK PESADO INGLÊS. E desenvolveram sonoridades mais próximas ao ROCK AMERICANO.
Em 1972, JOE WALSH saiu da banda e partiu para carreira solo. Criou um sucedâneo pesado, porém mais sofisticado, o “BARNSTORM”, com o baterista “JOE VITALE” e o baixista “KENNY PASSARELLLI”, dois músicos posteriormente ligados à turma da Califórnia, “STEPHEN STILLS” e “NEIL YOUNG”, principalmente.
Gravaram três álbuns já tangenciando a transição do PSICODÉLICO para o PROGRESSIVO, mas com viés para um tipo de “BLUES- COUNTRY – ROCK, atualizado. O mais famoso é “THE SMOKER YOU DRINK, TH PLAYER YOU GET, 1973, onde está o sucesso “ROCK MOUNTAIN WAY, standard inescapável da discografia dele.
Aqui na foto está “YOU CAN´T ARGUE WITH A SICK MIND”, já em nome dele mesmo, e gravado ao vivo. É já bem diferente do “JAMES GANG”. Há muita percussão, ritmo, alguma latinidade e a musicalidade típica do ROCK americano daqueles tempos.
Eu gosto, mas não tem o pique do LIVE inicial. E vai ficando paulatinamente claro que “JOE WALSH” confluiu para o “SOUTHERN ROCK” e se aproxima do COUNTRY e do FOLK, e da sonoridade em voga na linha de grupos como “MANASSAS” e “DOOBIE BROTHERS”.
JOE WALSH sempre foi um guitarrista diferenciado e talentoso. Mas tem voz limitada e algo esganiçada; e o timbre um tanto para o “PATO DONALD”, o que o cerceava como líder.
Em 1976, passou a fazer parte do “EAGLES”, supergrupo de excelência vocal, onde vários cantam, e a voz diferente de WALSH integrou-se com personalidade. O efeito foi semelhante ao da entrada de “NEIL YOUNG”, para complementar o “CROSBY, STILLS & NASH”. JOE WALSH controlou o ímpeto e ficou mais POP e, daí, caminhou definitivamente para a fama.
JOE FIDLER continua ativo com seu jeito escrachado e meio hippie. Eu já o assisti nos vídeos do CROSSROADS FESTIVAL GUITAR, produzido por “ERIC CLAPTON”, na América.
TIO SÉRGIO e muita gente continuam gostando dele
POSTAGEM ORIGINAL: 12\05\2026
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