Meu grande amigo já falecido, JEAN YVES DE NEUFVILLE, era excelente crítico de MÚSICA POPULAR, e deixou uma filha chamada “NAIMA”. Se alguém por aqui souber o porquê, vai ganhar uma coleira de prata, e uma guia bem longa para levar o gambá passear no Shopping!!!
Bidú! O nome da moça é homenagem a uma das obras primas de COLTRANE, registrada em 1959 e, também, neste box primoroso!
Neste BOX está o que JOHN COLTRANE gravou entre 15 de janeiro de 1959 e maio de 1961. TUDINHO! 87 músicas em 62 TAKES completos e 25 incompletos; realizadas em 13 Dias e em 13 sessões alternadas ao longo do tempo.E renderam DEZ LONG PLAYS ORIGINAIS, e quase incontáveis compilações e reedições.
O BOX tem DESIGN muito bonito, com seis CDS em ordem cronológica de gravação. E mais outro com ‘OUT-TAKES’ guardado em uma embalagem imitando a “CAIXA” de uma fita profissional de gravação! Grande ideia!!!
O LIVRETO contém ensaios eruditos a respeito da obra, FOTOS e tudo o mais que interessa a colecinadores.
Em suma, é um compêndio criativo muito próximo da magia.
“TOM DAWD”, histórico engenheiro de som e produtor da “ATLANTIC RECORDS”, tem no currículo dezenas de artistas produzidos e centenas de clássicos do JAZZ e do ROCK. Escreveu no livreto texto enxuto sobre as sessões de gravação realizadas por “COLTRANE”, o pianista “McCOY TYNER” e o baterista “ELVIN JONES”- o núcleo preciso e precioso que acompanhava “TRANE” naquela época.
Observou que o estúdio tinha o tamanho “exato” para abrigar e captar o magnífico som do trio, e dos membros itinerantes que os circundavam. As sessões sempre começavam depois das 14 horas, porque os músicos tocavam na noite.
DAWD conta que JOHN sempre chegava uma hora antes e praticava sozinho. Mudava diversas vezes a palheta do SAX, até concluir qual seria a melhor para o que pretendia fazer. Encontrava o tom e o fraseado, a respiração adequada e a movimentação dos dedos nas chaves do instrumento.
COLTRANE criava “um clima”, os músicos iam chegando e se encaixando; ajustavam o repertório por puro feeling e magia faziam as JAMS.
A música saía calma e controladamente, do jeito que “JOHN COLTRANE” era, em pessoa: tocava com leveza, e se não estava satisfeito repetia o “Take” até gostar…
Quando acabava, lembra TOM DAWD, estava leve como se tivesse passeado em um parque. “JOHN COLTRANE” era COOL, HEEP, DISCIPLINADO E GENIAL.
O fraseado de TRANE sempre manteve sonoridades totalmente identificáveis. Quem ouve sempre sabe que é ele tocando.
Das sessões para a “ATLANTIC” saíram o clássico “GIANT STEPS”, de 1960. E, também, as inovações de “AVANT GARDE”, lançado em 1966.
Os dez discos “originais” e “oficiais”, foram montados ao longo do tempo com músicas identificadas e coligidas “tematicamente”.
São todos inesquecíveis, cults e colecionáveis. TIO SERGIO os revela: “COLTRANE JAZZ”, 1961; “MY FAVOURITES THINGS”, 1961; “PLAYS THE BLUES”, 1962 e “OLÉ COLTRANE”, de 1962.
É interessante notar que a fase dele na ATLANTIC sucedeu a seu período com MILES DAVIS. E quando se fala em “KIND OF BLUE”, quase imediatamente aparece na memória “JOHN COLTRANE”. Um gênio sempre desvela outro.
Foi período curto e riquíssimo, dois anos e meio apenas. Há faixas que são clássicos absolutos, como “Giant Steps”, “Naima” e “My Favourites Things” . E, também, STANDARDS gloriosos como “Body and Soul”, “But Not for me”… E JAMS vanguardistas memoráveis como “Equinox” e “Liberia”.
E partindo do COOL JAZZ, e já consagrao, COLTRANE fez algumas inovações no “BLUES”, e até experimentações que o guiaram para os discos posteriores na fase IMPULSE; e ao constante e exaustivo trabalho em dezena de álbuns próprios, ou em participações nós de outros artistas.
“JOHN COLTRANE” era viciado em drogas, todos sabem. E morreu aos 41 anos, em 17 de julho de 1967. No final da vida, as fotos mostravam um “idoso”. A vida profissional durou perto de 18 anos. Muito curta, muito densa, muito cool. Muito COLTRANE, por supuesto!
Eu assisti a “McCOY TYNER” ao vivo, em 1978, acho. E consegui este BOX, há décadas atrás, em troca de outro semelhante com “10 LPS de 180 gramas e acabamento primoroso!”
Arrependimento constrange! Eu deveria ter mantido os vinis!!!! Hoje, valem uma baba! E, aos poucos, tento comprar cada vinil, um a um!
Se arrependimento matasse eu não estaria por aqui! E se vocês pudessem chutar o meu rabo, tenho certeza de que tentariam… Eu mereço!
COLTRANE é um HIPERGÊNIO ETERNO e IMPRESCINDÍVEL.
POSTAGEM ORIGINAL: 59/09/2020

POSTAGEM ORIGINAL: 59/09/2020
