DISCOGRAFIA EMI: 1963/1974 & LIVE AT BIRDLAND, COM STACEY KENT, 2014
Em 1958, JOÃO GILBERTO fez a grande ruptura conceitual na música.popular brasileira.
Então, o que deveriam fazer os cantores, compositores e músicos na pós “revolução”? Como construir e seguir carreira depois de “Chega de Saudades”?
Se percebi corretamente, MARCOS VALLE desde o primeiro disco, em 1963, focou mais na construção da melodia, para compor a mais bela, brasileira, e independente música que conseguisse fazer.
Ele trabalhou andamentos, usou orquestrações não convencionais, e assim ajudou a ampliar o pós – BOSSA NOVA.
Talvez?
MARCOS é, antes de tudo, ótimo cantor. Sua voz em alguns momentos tangenciava o WILSON SIMONAL bossanovista de 1961. Mas seu caminho corria paralelo ao timbre e às intenções musicais de MILTON NASCIMENTO. Ele tem algo dos mineiros; e não é por acaso: gravou com músicos de lá.
Muitas composições de MARCOS VALLE feitas na década de 1970 têm aquele sabor algo ROCK PROGRESSIVO; com melodias e vocais sempre bem arranjados e pessoais.
MARCOS VALLE é um estilista. Sua música, e as letras concisas, precisas e sintéticas de seu irmão, PAULO SÉRGIO VALLE, compõem universo musical de beleza radiante.
Sempre luminoso, mesmo quando há certo travo um tanto triste das canções de amor daquela época se manifestam. E, também, em temas sociais, ao tentar refletir sobre o quadro político ou existencial do período.
PAULO SÉRGIO e MARCOS não eram militantes. E muito menos alienados. Eram artistas conscientes; o meio de expressão e do engajamento da dupla era e é a música.
Acho que os irmãos VALLE construíam com “LUZES”. E o bônus desse talento límpido os levou ao sucesso no exterior. As melodias e harmonias de MARCOS VALLE têm comunicação instantânea Adalberto Graciolli com a sensibilidade POP transnacional.
Ele é brasileiro, carioca; e simultaneamente universal, do mundo. É compreendido em LONDRES ou em TÓQUIO.
Confirmem assistindo ao DVD gravado com a excelente STACEY KENT, cantora canadense que entende, fala e canta em português – entre várias línguas mais. Observem a sinergia entre ambos e o JAZZ-BOSSA-POP que fazem juntos. Delicioso!
O BOX com onze CDs foi produzido por CHARLES GAVIN, um dos TITÃS. Tem boa qualidade sonora, alguns dados técnicos e sobre os músicos, que participaram de cada disco.
Mas como é normal, no Brasil, infelizmente não há texto explicativo, introdutório que seja. E faz falta, muita falta! Ficou incompleto; manco. Paciência…
Não ouvi todos os discos para escrever a vocês. Mas se compreendi alguma coisa da música dele, e principalmente sobre a vida até agora, é que em tempos de brutalidade explícita e boçal, a luta em favor da delicadeza é indispensável – estratégica.
É preciso ter como objetivo o predomínio do belo. Ouçam “Meu Heroi” e “Remédio pro coração”, de 1974. É arte feita por gente que sabe desse complexo segredo escondido pelo dia-a-dia.
Ouçam os irmãos VALLE. Gente do mundo inteiro faz isso há tempos. Eles estão muito longe de ser um segredo brasileiro!
POSTAGEM ORIGINAL: 22\02\2020

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