Quem procura discos de JAZZ e ARREDORES encontra em oferta, com alguma frequência, obras de música EXPERIMENTAL. Acho que no mundo inteiro é mais ou menos assim.
O “descarte” é explicável. A maioria não gosta porque é música não linear, ou cheia de invenções nada ortodoxas; algumas francamente provocadoras e difíceis de apreciar.
Eu gosto; tenho curiosidade e boa variedade na discoteca – mesmo escutando com certa parcimônia, digamos… É preciso chegar no clima para desfrutar.
Comentar música “não espontânea” bem engendrada é difícil e complicado. Porque é necessário exercício sobre percepções que nem sempre podem ser nomeadas por substantivos. E talvez sejam mais bem expressas através de adjetivos cuidadosamente selecionados e organizados. A criação de uma prosa cheia de metáforas, algumas poéticas, pode ser instrumento adequado.
Resenhar discos não é um exercício impessoal. Não se faz em “LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS”, por exemplo. Não existem amostras de material bem definido para observar e cravar um diagnóstico inequívoco e incontestável.
E as músicas de VANGUARDA exigem mais ainda de quem as ouvem e observam. É preciso tentar captar a intenção da obra através de um trabalho de abstração, onde o gosto pessoal sempre interfere na análise e na conclusão .
E o TIO SÉRGIO ousou tentar.
MUJICIAN é um quarteto formado por KEITH TIPPET, piano; TONY LEVIN, ( não confundir!!! homônimo do baixista do King Crimson!!!! ) bateria e percussão; PAUL ROGERS ( não confundam!!! ) e baixo; PAUL DUNMALL, sopros. THE JOURNEY – foi gravado no Festival de BATH, em 1990, e transmitido ao vivo pela B.BC.
MUJICIAN é um quarteto formado por KEITH TIPPET, piano; TONY LEVIN, ( não confundir!!! homônimo do baixista do King Crimson!!!! ) bateria e percussão; PAUL ROGERS ( não confundam!!! ) e baixo; PAUL DUNMALL, sopros. THE JOURNEY – foi gravado no Festival de BATH, em 1990, e transmitido ao vivo pela B.BC.
THE JOURNEY é composição de fôlego, 55 minutos numa tacada só – direta! Um “HOLE IN ONE”, como dizem os golfistas.
É tapeçaria sonora entre a MÚSICA CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA, o FREE e o FUSION JAZZ de “cara europeia”, confeitados por elementos do ROCK PROGRESSIVO.
É espontaneamente anárquica – “ma non tropo”; e habilmente concatenada e executada numa longa interação gravada ao vivo em JAM SESSION culta, e até acadêmica, que desafia o limite artístico e técnico de cada um dos músicos participantes.
E todos são da elite da música europeia de VANGUARDA, com vasta experiência em gravações e participação em grupos consagrados.
O álbum é para “ouvidos e corações e de inverno”; é algo frio, digamos; é experimental, mas em busca do melódico instigante. Há espaço para que individualidades quase no limite da egolatria realizem solos primorosos e difíceis.
Não é FREE ANÁRQUICO, como na experiência de ORNETTE COLEMAN, em 1961. É liberdade incontida – mas vigiada. Coisa para músicos de altíssimo gabarito, como o quarteto MUJICIAN.
Antes de tocar FREE ou AVANT GARDE, primeiro é imprescindível estudar, praticar ao limite, tornar-se íntimo e dominar o instrumento o tempo inteiro – e na fronteira da perfeição técnica. Exige, também, tenacidade, curiosidade, cultura histórico musical, paciência, imaginação e capacidade para adentrar caminhos difíceis e traiçoeiros.
Este é um disco recheado de propostas. E nada do que está na composição é gratuito. Mas é para ser curtido, absorvido devagar – aos goles curtos feito whisky de primeiríssima linha.
Tudo considerado, é composição transgressora, mesmo não sendo agressiva. E com tantos elementos da música experimental, THE JOURNEY soa mais próxima à delicada vanguarda desenvolvida pela ECM RECORDS de hoje.
CODA
O público passou o tempo todo quieto e comportado, em respeito aos músicos. No final, aplaude torrencialmente!
Nem todos apreciarão. Mas eu recomendo vivamente que escutem.
POSTAGEM ORIGINAL: 06\10\2020

POSTAGEM ORIGINAL: 06\10\2020
