Não acho elegante e muito menos razoável desmontar ou destruir a reputação de quaisquer profissionais, principalmente artistas.
Muitos discordarão, uma vez que se o cara ou os caras gravam, põem a público, etc… e tal, estão obrigados a ouvir e respeitar as críticas que recebem.
É também verdade!
Eu vejo de maneira menos contundente. E sempre me pergunto: se não gosto, por que devo resenhar, criticar, ou discutir?
Há, no entanto, motivos para fazer. A começar pela importância do artista perante o público, ou pela imagem que construiu durante a carreira. E as carreiras seguem.
É difícil e talvez injusto falar sobre profissionais que apenas sobrevivem sem propor nada de novo; só cumprindo tabela para pagar as contas. É legítimo e necessário.
E há os fãs fieis que apoiam. E sempre haverá quem goste. Então, não é afronta tornar-se um ex-criativo em atividade vendendo o de sempre… Há bandas e artistas importantes que se repetem modificados por décadas, sempre empolgando…
Se o TIO SÉRGIO começar a declamar nomes, sobrará muita, mas muita pouca gente “artisticamente” ainda relevante. Inclusive e principalmente no poleiro de ouro frequentado pelos grandes.
É notório: o tempo inteiro profissionais da música aportam aqui no Hospício do Sul. Aliás, circulam o mundo exibindo carreiras já saturadas. Alguns poucos conseguem se revalidarem reinventando-se. THE CURE, ELTON JOHN e o IRON MAIDEN, por exemplo, têm ainda algo a dizer, mas pouco a acrescentar…
Estou enchendo alheiras para repetir o que os fãs do CARAVAN já sabem há quase meio século: a fase relevante encerrou-se lá por 1976/77. A banda encarou a realidade que pega geral: tornou-se infértil. Mas prosseguiu vivendo do trabalho que as diversas formações construiu.
E tudo bem! Afinal, quem os conheceu na fase áurea sabe que estiveram entre o ótimo e o excelente na maior parte do tempo. Mesmo sem o justo e grande êxito comercial que mereceriam.
No entanto, quando ouvimos esse disco as coisas ficam nítidas. Foi lançado em 2021; e da banda considerada “original”, a turma que foi até 1977, restam apenas o guitarrista e cantor PYE HASTINGS e GEOFFREY RICHARDSON, guitarra e viola, que participaram, por exemplo, do clássico WATERLOO LILLY, em 1972, e de outros discos memoráveis.
Mas aqui não se encontram vestígios do passado glorioso. Não está presente a prodigiosa “FUSION PROGRESSIVE ROCK” que os destacou. E nada de quebra nos andamentos ou ritmos; nem o baixo espetacular de RICHARD SINCLAIR. E menos ainda a capacidade de construção de sequências melódicas e harmônicas que, de certa forma, durante carreira coligavam as faixas. A capa é risível, feia. Incomparável em relação às que ornamentaram os LONG PLAYS iniciais!
IT´S NOT OF YOUR BUSINESS certamente é o título adequado para um álbum de PROG ROCK sem graça, enfadonho, repetitivo e descaracterizado. Mas o preço saiu barato. E mesmo depois de submetido à curra fiscal custou menos do que $10 dólares, uns R$ 55,00 MANDACARUS…
Eu respeito a história dos caras. Então, vou deixar na estante – mas sem prometer que será para sempre.
POSTAGEM ORIGINAL: 20/10/2024
POSTAGEM ORIGINAL: 20/10/2024
