O ROXY MUSIC produziu oito álbuns de estúdio, duas coletâneas, diversos SINGLES e dois discos ao VIVO, em dez anos intensos. Começaram com o essencial e definidor ROXY MUSIC, em 1972; e terminaram com AVALON, obra prima do POP-ROCK, lançada em 1982.
Currículo soberbo!
No início, foram definidos como “GLAM ROCK” – o que, no caso deles, nunca entendi corretamente o que significava…
BRIAN ENO fez parte da banda, no primeiro LONG PLAY, ROXY MUSIC e No segundo, FOR YOUR PLEASURE, 1973. Ele e se autodefinia como “não músico”. E já trabalhava sonoridades eletrônicas influenciadas pela música eletro acústica desenvolvida pelo KRAUT ROCK. E, paulatinamente, se tornou um dos mestres do ROCK CONTEMPORÂNEO e o criador da AMBIENT MUSIC.
Porém, desentendeu-se com BRYAN FERRY, o líder supremo, que propunha um POP-VANGUARDA “mais assimilável” e não gostava da presença excessiva de ENO no palco. Acabou prevalecendo, e levou o ROXY MUSIC ao sucesso…
FERRY e o restante da banda tinham um acordo suis-generis: BRYAN compunha as melodias no piano. Entregava a progressão harmônica e rítmica para a banda, que construía os arranjos, e as intervenções eletrônicas.
As letras escritas por FERRY entravam depois, em cima da música pronta, o que dava um trabalhão para adaptar. Era um processo colaborativo, e com alto grau de liberdade. Juntos, seguiram viagem por diversas formas do PROGRESSIVO e do ART ROCK. Fizeram discos como STRANDED, em 1973; COUNTRY LIFE, 1974 e SIREN, em 1975.
E arremataram com um dos melhores discos ao vivo da história: “VIVA!”, gravado em 1976. No palco, o ROXY sempre fez o ROCK sofisticado entrar na alma do público. Este concerto é “DARK PROGRESSIVO” e curiosamente vibrante, onde ovações irrompem durante o SHOW, culminando no, talvez, maior pedido de bis que já escutei até hoje! Um assombro!
É interessante observar que o “barítono másculo” de BRYAN FERRY é um curioso contraponto à tibieza estudada de BOWIE durante o período GLAM, em álbuns como ZIGGY STARDUST, por exemplo. Mas o DAVID da fase BERLIM, em diante, aderiu ao registro vocal que emulava SCOTT WALKER e BRYAN FERRY…
BOWIE e BRYAN, aliás, são dois símbolos nessa transição do ambiente sócio-musical “líquido” existente no início dos anos 1970; em direção a posturas ainda mais abertas do que as de após a revolução de comportamentos vividas na década anos 1960. O tal GLITER ROCK incorporava e prenunciava isso.
No entanto, o ROXY MUSIC sempre ditou “música” antes de moda.
E, foram criando uma sonoridade POP-EXPERIMENTAL em ambiente onde o PÓS-PUNK se impunha. E legaram álbuns de alto nível: “MANIFESTO”, em 1979; “FLESH AND BLOOD”,1980. E desaguaram no mar aberto artístico, em 1982 com “AVALON” – para o TIO SÉRGIO aqui, um álbum essencial em toda discoteca!
No conjunto da obra, hoje podemos defini-los como “ART-ROCK”, ou simplesmente PROG – nova nomenclatura abrangente para tudo o que ultrapassa gêneros pré-definidos.
Então, postei dois BOXES: “THE THRILL OF IT ALL”, quatro CDs e um livreto excelente, coligido em 1995. É ótima trilha para conhecê-los, extrapolando o essencial. Se encontrar por aí, não se acanhe.
E mais outro: “THE COMPLETE STUDIO RECORDINGS” , lançado em 2012, é “quase” maravilhoso, com todos os discos de estúdio (
, as capas originais completas; e mais um álbum duplo de SINGLES, B-SIDES e REMIXES abrangendo além o que se precisa deles!
Mas cadê o LIVRO? Há nenhum roteiro escrito para introduzir o público no trabalho desta banda espetacular… Não fizeram! Lamentavelmente! – o que explica o “quase” no texto. Se encontrar e puder comprar, considere.
A produção do ROXY MUSIC sempre foi esmerada, e feita por gente em nível de “PETER SINFIELD”, letrista do KING CRIMSON, que os descobriu. E, também, o histórico CHRIS THOMAS, produtor craque de artistas fundamentais, como PROCOL HARUM, entre vários diversos de grande sucesso universo afora!
Para terminar, um toque pessoal.
Em novembro de 1994, eu estava passeando com Angela, a minha mulher, por NOVA YORK. O ônibus parou junto a um poste. E havia panfleto informando que naquela noite estrearia a turnê mundial de BRYAN FERRY, em um teatro nas proximidades.
Descemos do ônibus, entramos no espetacular e histórico BEACON THEATRE, compramos ingressos, e assistimos a um dos grandes shows de nossas vida!
Certo momento, eu estive de pé junto ao palco. Fotografei livremente, a poucos passos da performance… Ninguém me incomodou,
Assisti a tudo por um bom tempo; fiquei de cara para o ROBIN TROWER, o histórico guitarrista que infelizmente não veio ao BRASIL, na sequência da turnê. O ingresso está na postagem.
E, para comprovar que a vida conspira contra a perfeição, a banda que abriu o SHOW, a horrorosa COMBUSTIBLE EDSON, talvez tenha sido a pior performance que já assisti!!!
Quem não gosta do ROXY não percebeu, ainda, o que está perdendo.
POSTAGEM ORIGINAL: 21/10/2021

POSTAGEM ORIGINAL: 21/10/2021
