CHET BAKER: BORN TO BE BLUE – GENIALIDADE, PAIXÃO E MORTE

Madrugada qualquer e já pronto para encerrar ir dormir, dei de ouvidos, olhos e compaixão em filme sobre CHET BAKER, com ETHAN HAWKE no papel do gênio.
O filme é emotivo e convincente, feito por fã declarado abordando um período da vida de CHET BAKER lá pelo final dos anos 1950, início dos 1960.
Foram momentos de baixa total e vivências infernais, e até o diabo duvidaria que alguém resistisse assolado por vício tão destruidor: as drogas injetáveis – não importam quais – seguramente todas.
Mas, foi assim. E aconteceu a incontáveis outros e outras – muito sofrimento e luta. E, para alguns, a glória e o reconhecimento. É o caso de BAKER e da turma na foto…
O filme nos defronta com um ser humano carente, fragilizado, destruído. E, ao mesmo tempo, exímio trompetista, e o cantor paradigma da modernidade; a influência direta em JOÃO GILBERTO, CAETANO VELOSO, na turma da BOSSA NOVA – em todos e todas capazes de cantar com sutilezas e voz pequena e contida: COOL é a “palavra – conceito”!
Em vários períodos da história, a heroína e correlatos foram vícios glamourizados. E legitimado pela genialidade real, ou suposta, do indivíduo. Nas décadas de 1950, 1960 e 1970, principalmente essas, tornar-se marginal era reforçado pelo discutível elogio de que significaria ser herói.
O tempo nos enaltece. Mas, raramente nos honra. Ele é inimigo do corpo, traidor da alma, revelador de fraquezas, fracassos e lapsos.. E inexoravelmente traz a morte… seja lá de que jeito for…
Esse inventário de karmas criou a fama, o sofrimento e o estigma de NELSON GONÇALVES, CHET, COLTRANE, PARKER, RAUL, KURT COBAIN, JIM MORRISON, BRIAN JONES, JANIS, AMY, HENDRIX, CLAPTON, RICHARDS, BILLIE… e vá colocando na fila para a decapitação quem mais você quiser…
Humanos produtivos, porém esgotados, dilacerados, falidos e falíveis como todos nós. E todos destruídos e cobrados, talvez injustamente, por o que poderiam ter sido, se…
O trágico “se”. Inimigo do “ser”.
A compaixão é o maior e mais difícil sentimento que se pode construir ou nutrir em relação ao próximo. Pobres diabos eles – e nós. E todos julgamos terem sido sido deuses…
A trilha sonora aqui e na tela é magnífica, com a música de CHET revisitada e recriada. Em homenagem sincera a ele, eu escrevi o texto ouvindo CHET BAKER, LIVE IN TOKYO, 1987; ouça no YOUTUBE.
TIO SÉRGIO, quem sabe um moralista, convida vocês todos para viajar em CHET BAKER.
POSTAGEM ORIGINAL: 10/10 2022
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