KING CRIMSON – “LIVE IN TORONTO”, 2015 – E OUTRAS ESPECULAÇÕES SOBRE O SHOW NO ROCK IN RIO – OUTUBRO DE 2019 .

A intenção é especular um pouco sobre aquela fase dos caras, e o que fizeram no palco durante o curto e magnífico show. Aliás, foi a primeira vez do KING CRIMSON, no Brasil! Um lapso vergonhoso em nossa agenda cultural!
A essência expandida da performance está contida neste SHOW gravado no QUEEN ELIZABETH THEATRE, em 20/11/2015, transmitido via satélite, e lançado em duplo HQCD japonês pelo WOWOW – um canal de televisão da terra dos irmãozinhos de olhinhos puxados.
Nas apresentações em SÃO PAULO e no RIO de JANEIRO, a banda é quase a mesma: ROBERT FRIPP, o inconteste dono da banda, na guitarra e teclados; os bateristas PAT MASTELOTTO, GAVIN HARRISON e BILL RIEFLIN; mais JAKKO LEVIN guitarra e vocal; TONY LEVIN, baixos e adjacências e MEL COLLINS, sopros.
O SHOW no ROCK in RIO foi uma verdadeira epifania! FRIPP e companhia fotografaram o público à partir do palco – talvez expressão do quanto estavam impressionados com o público!
E somado ao profissionalismo de ROBERT FRIPP, que grava cada performance ao VIVO da banda há mais de meio século, e hoje as disponibiliza via STREAMIN, ou CD, para quem quiser comprar – o que um desafio para os fãs, em vista da enorme disponibilidade do material coletado e preservado!
Para completar, a banda parecia tocar sob encantamento!
ROBERT FRIPP é um corajoso e grande profissional. Foi um dos primeiros astros do ROCK a dar um basta na exploração promovida por gravadoras, empresários – escrupulosos ou não – e ao vasto sistema que sempre lucrou demais às custas dos artistas.
A gestão de ROBERT seguiu o exemplo do DAVE CLARK FIVE, na década de 1960; de FRANK ZAPPA anos 1970, em diante. E também dos ROLLING STONES década de 1980 e até sempre…
E de todos que compreenderam o negócio da música em sua verdadeira dimensão: BOWIE, GENTLE GIANT, GRATEFUL DEAD e incontáveis: há muito tempo empreendimentos independentes de ousados.
Em São Paulo, a performance do KING CRIMSON foi bem mais longa, com 19 músicas. Mais ou menos a base do SET LIST do CD, na foto. Resumindo, é uma sucessão de clássicos arranjados seguindo essa tendência mais recente.
Mas o que eles pretenderam, ou pretendeu ROBERT FRIPP, com três baterias de marcas diferentes DW, TAMA e SONOR, cada uma delas em kits próprios e alternativos; e sonoridades, timbres e afinações diferenciadas entre si?
Eu especulo que não estavam lá apenas para o acompanhamento rítmico – o que bastaria uma só. E, sim, para criar harmonias e, principalmente, “um coro de vozes” construindo melodias através de cada intervenção solo ou coletiva da percussão. E, de quebra, “polirritmos” – o que era o esperado, também.
Seria?
E FRIPP, heim? o que faz o “dono da banda” durante as performances?
Ele é o “maestro e o anti – maestro”; lembrando a definição de BRIAN ENO sobre si mesmo: “um não músico”.
ROBERT FRIPP sabe trabalhar o silêncio como integrante pontual da música ( não sei se fui claro ou percebi adequadamente… ). Ele cria algumas texturas, pontua os clímaces e, principalmente, desconstrói performances quando exacerbam – do ponto de vista dele – as intenções da composição executada.
Explico: MEL COLLINS, um músico arrasador e ultra criativo, na tradição vanguardista do JAZZ BRITÂNICO, e que explicita o lado FUSION do grupo, em dado momento engatou um trecho de “Take the A train” de DUKE ELLINGTON!
E FRIPP simplesmente “limitou o discurso” do cara com ruídos. Quer dizer, dirige o KING CRIMSON como decide fazer; e o leva para onde quer! Ele não comanda a banda. FRIPP manda!
O KING CRIMSON não faz FREE JAZZ; mas JAZZ – ou simplesmente MÚSICA de VANGUARDA CONTEMPORÂNEA.
E, por que?
O FREE-JAZZ pressupõe total liberdade dos músicos para improvisar e se interrelacionar durante a execução dos temas..
No entanto, a minha impressão foi ter assistido a um show milimetricamente calculado e conduzido.
Deste ponto de vista, talvez ROBERT FRIPP seja um misto de maestro, patologista de laboratório de análises clínicas, e cirurgião preciso: o resultado do exame é aplicado na operação das músicas.
Exagero meu? Pode ser.
As cordas – as duas guitarras e o baixo “high-end” de TONY LEVIN, “stick” – trabalham andamentos e solos mesclando cacofonias controladas e melodias típicas do ROCK PROGRESSIVO.
O resultado é o que um dos nossos por aqui definiu como JAZZ PROGRESSIVO. Que eu redefiniria a escrita para “JAZZ / PROGRESSIVO”. Algo “simbiótico”, e não “adjetivo’; seja para um estilo ou qualquer outro.
Então amigos, o que tivemos foi um resumo da alta performance musical, cuja definição de estilos e objetivos é muito difícil de fazer. Eu arriscaria algo como “JAZZ VANGUARDA PROGRESSIVO MESCLADO COM MÚSICA LIVRE, MAS NÃO ALEATÓRIA”.
Nossa, TIO SÉRGIO? Enlouqueceste?
Não. (acho que não…) Então, incorporo a sugestão desafiadora do meu amigo @Gerson Périco: MÚSICA TEMPESTIVA!
Quem não fuça no KING CRIMSON não tem ideia dos 50 e tantos anos de música de qualidade que está perdendo!
KING CRIMSON é indispensável; é inigualável!
POSTAGEM ORIGINAL: 15/10/2025
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