Cantor diferente, poeta e letrista sintético e original.
Ouvir as canções de WALTER é assistir imagens cantadas em nossa frente! Ele é “visual”, impecável, delicado e rascante. Tudo junto ao mesmo tempo na tela da mente!
A carreira de WALTER FRANCO não teve auge. Só a paulatina continuidade significativa. Militou poetando reflexões íntimas. E deu concretude a seu pensamento através do cantar.
Ouvir “CANALHA”, um grande ROCK PSICODÉLICO PESADO, com “SÉRGIO HINDS” na guitarra, é observar a dor mental, traiçoeira e “mau caráter” perseguindo o WALTER – e a gente também,! Não é ironia, é sarcasmo puro!
“CABEÇA”, é um compêndio “eletroacústico – concretista” que nos faz perceber como a razão nos trai. É um espelho de nosso interior fragmentado. Ressurreição dolorosa da parte indomada que nos habita.
E, curiosamente, talvez espécie de contraponto ao “DESENHO LÓGICO” cantado por CHICO BUARQUE, em “CONSTRUÇÃO” descrevendo a REALIDADE ABSURDA e ALIENANTE de um trabalhador braçal em uma sociedade capitalista periférica, no início da década de 1970 – e além dela.
WALTER FRANCO gravou pouco, e nos legou enormidades! Instilou versos em folha branca e prensados em bolacha preta ou prateada. Poesias que contêm mundos.
Quando ele for redescoberto, todos perceberemos a tremenda falta que WALTER faz!
Recomeça já.
POSTAGEM ORIGINAL: 14/10/2021

POSTAGEM ORIGINAL: 14/10/2021
