DOORS – THE SINGLES – JAPANESE EDITION – SHMCD

“I WOKE UP THIS MORNIN’
I GOT MYSELF A BEER”
THE FUTURE´S UNCERTAIN
AND THE END IS ALWAYS NEAR..”
“Roadhouse Blues”
THE DOORS talvez tenha sido a BANDA AMERICANA ÍCONE da segunda metade da década de 1960. E o motivo “é” JIM MORRISON (sim, no presente, porque transcendeu épocas e permanece).
Não, não foram os melhores no cenário; e nem os que mais venderam discos. Mas se tornaram de importância capital para a definição daqueles tempos de rebeldia, contestação e quebra de valores tradicionais.
JIM MORRISON “é” uma espécie de gênio anárquico. Tinha inteligência enorme, carisma gritante; foi criatura exuberante. E, para excitar legiões de garotas, e adjacências, era um cara bonito e sensual, que sabia expor-se.
A bela voz de “baixo – barítono” marcou época – enquanto não foi inteiramente destruída por gandaia, falta de cuidados, e excessos múltiplos.
MORRISON transitou, em seu auge, em constante decadência pessoal, e irrequieta vida sexual. Emulava seus ídolos negros do R&B e da SOUL MUSIC, bebendo e se drogando meio sem rumo, e coalhado por poesia e retórica. Aguentou até 1971, e morreu em PARIS. Destino poético e muito simbólico!
JIM foi uma contradição peripatética. Filho de almirante da frota americana, com quem jamais entendeu-se – é claro! -; era semelhante a um BEATNICK da década anterior, porém “trasfegado” para o seu tempo.
MORRISON estudou cinema na U.C.L.A, em LOS ANGELES, onde foi colega de FRANCIS FORD COPPOLA. Fez um filme “curricular” experimental Era um romântico; hedonista.
As composições que fez têm algo de “visual”; e são misteriosamente imprecisas. Desafiadoras. JIM MORRISON “escreve” muito bem. É autor estudado em UNIVERSIDADES, e objeto de teses por suas poesias originais, enigmáticas… e vasto sei lá o quê!
Sua maluquice meteórica juntou-se a RAY MANZAREK, ROBBY KRIEGER e JOHN DENSMORE, em 1966. AHHH, vocês sabem quais instrumentos tocavam… Os três se tornaram veículos para a voz e rebeldia de MORRISON. Formaram banda, criativa e adequada – enquanto duraram. Transitaram pela BLACK MUSIC de maneira peculiar. Alguns SINGLES impressionam pela FUSION que conseguiram entre o PSICH ROCK e o R&B; sempre arranjados com muito requinte, bom gosto e ímpeto!
No estúdio, foram excelentes; apesar das loucuras de JIM. E o tempo inteiro tiveram dificuldades para colocar MORRISON em condições de cantar. Mas, fizeram….
Quem assistiu ao filme sobre os DOORS percebeu que os shows eram rituais de horror; geravam rebeliões em teatros, e deixavam a polícia em ponto de bala para intervir.
JIM era um libertário extravagante o suficiente para desafiar a caretice “intrínseca” da sociedade americana, e dar conteúdo simbólico a um período histórico riquíssimo.
O filme catapultou para a História JIM MORRISON e os DOORS. Definitivamente!
Em essência, THE DOORS era um grupo BEAT/R&B mesclado com ROCK PSICODÉLICO. Aquele órgão inesquecível de RAY MANZAREK, que transita – e transcende – por todas as faixas e discos, é marca de um tempo preciso e glorioso.
Eu tinha uns 14 anos quando ouvi LIGHT MY FIRE pela primeira vez. Foi em 1967; e percebi algo que vinha mudando em mim, desde a primeira vez que escutei THE BYRDS, em 1965.
O RIFF com teclado, no início da faixa, vale a música. A voz BLUESY e a interpretação de JIM MORRISON são antológicas. Percebi a conotação sexual irresistível, cinquenta e tantos anos atrás! É um dos maiores SINGLES da história do ROCK!!!
Os DOORS consolidaram em mim “mutação existencial” irreversível. O primeiro quadro “que cometi” – porque horrendo! -, tem o JIM e suas ideias como tema!!!
O SINGLE e, claro, o COMPACTO SIMPLES trazem a versão reduzida, sem a parte JAZZY/R&B/ PSICODÉLICA da extensão do solo do “FARFISA” de MANZAREK, parte da versão original do primeiro LP.
É uma catarse concisa. Tudo resolvido em menos de três minutos! Inesquecível!
Aqui estão todos SINGLES, lados A e B, inclusive os sem JIM MORRISON. Foram lançados pela ELEKTRA RECORDS, e nesta edição, coligidos pela RHYNO, em 2017. A maioria em MONO. Na época não existia o STEREO para SINGLES, EPS e COMPACTOS.
O repertório vai das seminais BREAK ON THROUGH e PEOPLE ARE STRANGER, passando pelas esfuziantes HELLO, I LOVE YOU, TOUCH ME e LOVE HER MADLY, até a expressiva e horrendamente macabra THE UNKNOWN SOLDIER. E deságua em ROADHOUSE BLUES e na bela RIDERS ON THE STORM.
Sobram estilhaços como GLORIA, de VAN MORRISON, em interpretação visceral de JIM! E
CHANGELING, um HEAVY BLUES sensacional e meio desapercebido. São 44 mísseis “transtemporais”!!!!!
Eu adoro os SINGLES gravados com JIM! E o meu predileto é uma das canções mais enigmáticas e bonitas que fizeram: WISHFUL SINFUL, 1969.
Após a morte de JIM MORRISON, o óbvio foi confirmado: THE DOORS não existe sem ele.
Nem preciso recomendar este CD duplo, também lançado no BRASIL. Aqui estão partes suficientes da alma de um grande artista, e de uma banda histórica!
Guerreiem, se preciso, para tê-los!
POSTAGEM ORIGINAL: 23/07/2023
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MOODY BLUES – A FASE ÁUREA – (1967 – 1972 ) – (1978)

ELES FIZERAM SETE DISCOS DE TIRAR O FÔLEGO, LANÇADOS ENTRE 1967 E 1972! E MUITA GENTE INCLUI, TAMBÉM, “OCTAVE”, 1978 – QUE APESAR DE “TEMPORÃO”, FOI O ÚLTIMO COM A FORMAÇÃO CLÁSSICA: “JUSTIN HAYWARD”, GUITARRA; “RAY THOMAZ”, FLAUTAS; “GREAME EDGE”, BATERIA; “MIKE PINDER”, TECLADOS E “JOHN LODGE”. TODOS CANTAVAM BEM, E CRIARAM A FABULOSA HARMONIA VOCAL QUE OS DISTINGUIU POR DÉCADAS!
DEPOIS DE “OCTAVE”, O TECLADISTA “MIKE PINDER” DEIXOU A BANDA E CONCENTROU-SE NA ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO. EM SEGUIDA, DEDICOU-SE À TECNOLOGIA TRABALHANDO NO DESENVOLVIMENTO DE TECLADOS, MELOTRONS E APETRECHOS QUE DOMINAVA EM ESTÚDIO E PALCO.
SÃO OITO ÁLBUNS EXCELENTES. E OS DOIS PRIMEIROS SEMINAIS:
“DAYS OF FUTURE PASSED”, DE 1967 – O MARCO ZERO DO “ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO”. E “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, LANÇADO EM 1968, É FUSÃO DE ROCK PSICODÉLICO E TEMAS ORIENTAIS; ELEITO ENTRE OS DEZ ÁLBUNS MAIS IMPORTANTES DA PSICODELIA INGLESA, PELA REVISTA “RECORD COLLECTOR” – LEITURA MENSAL SACRADA PARA OS COLECIONADORES.
TAMBÉM NA FOTO, “A QUESTION OF BALANCE”, 1970; É O PRIMEIRO DISCO A FALAR ABERTAMENTE SOBRE TEMAS ECOLÓGICOS. LONG PLAY MAGNÍFICO POR ELE MESMO: “ROCK PROGRESSIVO MELÓDICO” QUE AGRADA A TODOS; PORÉM, É MENOS EXPERIMENTAL.
OS “MOODY BLUES” EM CADA NOVO ÁLBUM EXPLORARAM NOVIDADES TÉCNICAS, COMBINADAS A REQUINTES DE PRODUÇÃO, E EXECUÇÃO DE ALTA QUALIDADE ARTÍSTICA.
A DISCOGRAFIA DA BANDA, NESTE PERÍODO, MERECE UM ENSAIO MAIS AMPLO.
OS VOCAIS SUBLIMES DO GUITARRISTA “JUSTIN HAYWARD” E DO FLAUTISTA “RAY THOMAS”, SEMPRE MUITO BEM HARMONIZADOS ÀS VOZES DO BATERISTA “GREAME EDGE”, DO BAIXISTA “JOHN LODGE”, E DO TECLADISTA “MIKE PINDER”, ESTÃO ENTRE OS BONITOS DA HISTÓRIA DO ROCK.
GRANDES E ORIGINAIS ARTISTICAMENTE, OS “MOODY BLUES” ESTÃO LIMITADOS A “LODGE” E “HAYWARD”, ÚNICOS SOBREVIVENTES. ELES FORAM ENORME SUCESSO COMERCIAL E DE CRÍTICA, PRINCIPALMENTE NOS ESTADOS UNIDOS – ONDE ATÉ HOJE LOTAM OS TEATROS, QUANDO FAZEM CADA VEZ MAIS RARAS TURNÊS POR LÁ.,
OS “MOODY BLUES” SÃO CONTEMPORÂNEOS DE GERAÇÃO DOS BEATLES. INICIARAM CARREIRA COM O BEAT E O “R&B” SESSENTISTA, MAS SEM GRANDE EXPRESSÃO. EM 1967, FIZERAM MUDANÇA RADICAL COM A ENTRADA DE “JUSTIN HAYWARD” E “JOHN LODGE”, REINICIANDO A CARREIRA DE ENORME ÊXITO, PRINCIPALMENTE NAS DÉCADAS DE 1970 E 1980.
EM 2018 ENTRARAM, FINALMENTE, PARA O “ROCK & ROLL HALL OF FAME”, PELO CONJUNTO DA OBRA. FORAM APRESENTADOS POR “ANN WILSON”, VOCALISTA E GUITARRISTA DO “HEART” – NOTÓRIOS FÃS DO GRUPO”.
O DISCOS POSTERIORES VÁRIOS – SÃO PAPO PARA OUTRA OCASIÃO.
POSTAGEM ORIGINAL: 21/07/2022
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ALEXIS KORNER & CYRIL DAVIES, E AS ORIGENS DO BRITISH BLUES

O ACASO É UM GRANDE CONSTRUTOR DE MUNDOS, MITOS E VIDAS.
O fundador ou primeiro catalizador do BRITISH BLUES, portanto um dos “irresponsáveis” pelo ROCK MODERNO, nasceu em PARIS, em 1928.
Foi por acaso, também. ALEXIS ANDREW NICHOLAS KOERNER, era filho de mãe GRECO-TURCA (PASMEM!!!), e pai AUSTRÍACO descendente de aristocratas russos. A família girou pela Europa, após a primeira guerra mundial, até fixar-se em LONDRES.
ALEXIS era tido como superdotado, indisciplinado, e com problemas mentais. Foi expulso de escolas, e aprendeu sozinho a tocar violão e ukelele.
Dia incerto, começou a praticar no piano da família. Era “BOOGIE – WOOGIE”. O pai bateu “a tampa” e trancou o instrumento, proibindo ALEXIS de tocar “aquele tipo de música”. Mas, não adiantou muito. Ele foi tocar guitarra e continuou subvertendo valores … KORNER era, antes de tudo, ativo e determinado. Basta passar a vista em sua carreira para concluir.
Em 1947, ele já tocava semiprofissionalmente, e colecionava discos de JAZZ. Fez o serviço militar na ALEMANHA, onde enturmou-se com os americanos e os discos que eles traziam de casa.. Apaixonou-se pelo BLUES ACÚSTICO depois de assistir a um concerto do cantor FOLK-BLUES americano LEADBELLY. Foi em Paris, 1949.
Nas décadas de 1940 a 1960, a FRANÇA foi lar para grandes músicos que o mundo e a vida exilou . Os franceses estavam muito influenciados pelo JAZZ e a BLACK MUSIC AMERICANA. A discografia de JAZZ lançada ou produzida neste período naquele país, é grandiosa e culturalmente importante.
Quando saiu das forças armadas, ALEXIS KORNER caiu direto na música. Sua primeira gravação conhecida é de 1954, como parte do KEN COLLIER SKIFFLE GROUP.
Aliás, o SKIFFLE era a grande sensação da música popular inglesa, no início dos 1950. Um “blend” feito por “JAZZ+BLUES+FOLK +REGTIME”, tocado com instrumentos acústicos e “WASHBORD” – a popular tábua de lavar roupa.
Em 1956, havia bares e clubes especializados no gênero espalhados pela Inglaterra. Foi em um deles, onde ALEXIS e CYRIL DAVIES, também cantor, guitarrista e gaitista se conheceram e perceberam afinidades.
CYRIL, “O ARQUITETO DO BRITISH BLUES”, era proprietário do ROUNDHOUSE, um PUB no SOHO londrino. E propôs a ALEXIS fechar o PUB, reformar o local e sair direto para o BLUES, deixando o SKIFFLE de lado. Fizeram. Virou HISTÓRIA.
Na inauguração do “LONDON BLUES & BARRELL HOUSE CLUB” apenas 3 gatos molhados apareceram; e a coisa não engrenou muito bem. No entanto, lá foi concebido o disco que sintetizou a primeira experiência que desaguou no BRITISH BLUES:
O histórico BLUES FROM ROUDHOUSE do “ALEX KORNER´S BREAKDOWN GROUP featuring CYRIL DAVIS” ( escrito errado mesmo ), foi gravado em 1957, na minúscula “77 RECORDS”. É Long Playing de dez polegadas e 8 músicas. Foram prensadas somente 99 cópias, o padrão inglês para que ficassem isentas de impostos.
Pois bem, meninos, meninas e adjacências que pretendam colecionar: este é o disco a ser buscado! É o “CHEGA DE SAUDADES”, do moderno “BLUES-ROCK” inglês! Só que podem esquecer: existem algumas cópias do original em mãos de grandes colecionadores e custam o terceiro olho. Nem é cotado em revistas especializadas…
A minha edição em compact disc traz o disco original e mais os dois outros EPs., lançados posteriormente pela DECCA RECORDS, e também impossíveis de serem conseguidos. Complementam o CD as gravações de KORNER com o KEN COLLIER SKIFFLE GROUP.
A História é longa; e, aqui faço apenas uma introdução…
O BLUES pegou mesmo na Inglaterra, depois que MUDDY WATERS fez histórica performance por lá, em 1958, apresentando o ELECTRIC BLUES DE CHICAGO. Até 1961, o JAZZ dominava quase totalmente as noites inglesas. Mas, aos poucos, foi sendo solapado. E o motivo é nítido! O BLUES ELÉTRICO era muito mais afeito aos jovens, já inebriados pelo ROCK AND ROLL e o POP crescentes. E, é bom para tomar cervejas, curtir em grupo, dançar, essas coisas…
Então, ALEXIS KORNER abriu o EALING RHYTHM AND BLUES CLUB, e não deu outra: o BLUES, já destacado do JAZZ, pegou de vez.
O ALEXIS KORNER´S BLUES INCORPORATED que abriu a primeira noite, em 17/03/1962 trouxe CHARLIE WATTS, na bateria – ahhh, vocês sabem quem é; KORNER, guitarra, CYRYL DAVIES, harmônica; e o vocal de ART WOOD, irmão de RON WOOD, dos STONES.
Para iluminar a estrada imensa, eis alguns memoráveis que passaram pela banda naqueles tempos: ERIC BURDON, GINGER BAKER, JACK BRUCE, DAVE GRAHAN, JOHN SURMAN… E surgiu o tsunami que revelou e arrastou bandas como os ROLLING STONES, ANIMALS, YARDBIRDS, JOHN MAYALL`S BLUESBREAKERS, MANFRED MANN, e tantos e tão variados que é impossível de serem totalmente citados!
O seminal “R&B FROM THE MARQUEE”, do ALEXIS KORNER´S BLUES INCORPORATED, foi gravado ao vivo por insistência de JACK GOOD, produtor e homem de televisão. Só que a contragosto da gravadora DECCA. E foi lançado em novembro de 1962.
Vocês certamente se lembram que a DECCA também rejeitara os BEATLES… Então, dá pra arriscar que eles estavam, mesmo, “por fora”, como se dizia por aqui, na década de 1960/70… Claro, a gravadora não promoveu o disco, que era vendido a preços de liquidação antes de firmar-se cult e colecionável.
No entanto, exemplifica muito bem o BLUES BOOM, que juntamente com a nova música BEAT assolaram a Inglaterra… e depois o mundo!
A edição original do álbum é, hoje, raríssima e ultra colecionável! Alguma dúvida? E traz músicos históricos e artisticamente profícuos. Estão ali o saxofonista DICK HECKSTALL-SMITH; na harmônica CYRIL DAVIES, também revezando o vocal com LONG “JOHN” BALDRY – de quem ELTON JOHN pinçou o nome artístico; e o baixista DANNY THOMPSON – enorme na cena inglesa, e fundador do PENTANGLE, grupo espetacular que executa uma FUSION entre o FOLK e o JAZZ . É suficiente?
Se eu tivesse de escolher alguns discos entre os muitos que KORNER gravou, ficaria com este; e principalmente “ALEXIS KORNER ALL STAR´S BLUES INCORPORATED”, lançado em 1964.
Mas TIO SÉRGIO, por que?
É a síntese do “principal rumo” que ALEXIS pretendeu dar à sua obra: o encontro do JAZZ com o BLUES; ênfase nos metais, muito ritmo, e principalmente o gosto de modernidade que seus discípulos – os nossos ídolos dos anos 1960! – escutavam nas baladas, clubes e pubs que frequentavam: é a fusão animada e dançável entre o JAZZ e o R&B, coalhada por BLUES e retro gosto de ROCK AND ROLL!
A receita base foi seguida, entre vários, por GRAHAN BOND ORGANIZATION ( JACK BRUCE+GINGER BAKER+JOHN McLAUGHLIN… ); GEORGIE FAME & THE BLUE FLAMES; e ZOOT MONEY BIG ROLL BAND. E, principalmente, pelo maior de todos, JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS – também descoberto e trazido à cena por ALEXIS KORNER.
Todos foram inspirados em jazzistas americanos, como JIMMY SMITH, RAY CHARLES, LOU DONALDSON, e tantos e tão variados. Além, “por supuesto” de BLUESMEN da estirpe de B.B.KING, SONNY BOY WILLIANS, JOHN LEE HOOKER, e não restrito etc….
E tudo desaguou no estuário do ROCK moderno.
Não à toa infinidade de outros britânicos, alguns eminentes ou evidentes, como NICK HOPKINS, ROBERT PLANT, MICK JAGGER, PAUL JONES ( vocalista do MANFRED MANN, etc… ), MIKE PATTO, KEITH RICHARDS, STEVE MARRIOTT… de um jeito ou de outro cruzaram a carreira de ALEXIS.
Em 1970 KORNER, já amplamente reconhecido, teve algum sucesso com o C.C.S. ( COLLECTIVE CONSCIOUSNESS SOCIETY ), em versão bem legal de WHOLE LOTTA LOVE, do LED ZEPPELIN. O disco também saiu no BRASIL.
Porém, o mais inusitado talvez tenha sido o SNAPE, grupo juntado por ALEXIS KORNER para acompanha-lo, em 1972. Nada menos que gente saída do KING CRIMSON: MEL COLLINS, IAN WALLACE e BOZ BURRELL… Vai entender as “FUSIONS” que o nosso “francês” quase fake prospectava!
ALEXIS KORNER, de quem tenho poucos discos, continuou gravando e “deambulando” por aí. Morreu em 1984. E CYRIL DAVIES, o arquiteto do BRITISH BLUES, também gravou pouco. Morreu de Leucemia, em 1964. Mas, é impossível esquecê-lo porque imprescindível coadjuvante na criação do BLUES nas terras do REI CHARLES – não confundir com o grandíssimo cantor, claro!
A coletânea PREACHIN´ THE BLUES colige tudo o que ele fez. É notável a participação do CYRIL DAVIES ALL STAR, em algumas faixas de uma série de LPS chamados BLUES ANYTIME, organizados, em 1966, por MIKE VERNON, para a cult BLUE HORIZON RECORDS.
Curiosamente, dois álbuns duplos, juntando os 4 Long Plays originais, foram lançados por aqui pelo selo ELDORADO, no início dos anos 1990. Meu amigo Ayrton Mugnaini Jr., traduziu e complementou o texto! São álbuns imperdíveis! Tente acha-los; porque aulas magnas de história do BRITISH BLUES.
Outra coisa, TIO SÉRGIO, que “eu não entendeu”:
por que estão na foto esses discos: VAN MORRISON, THE SKIFFLE SESSIONS, com LONNIE DONEGAN & CHRIS BARBER, lançado de 2000? E o DICK HECKSTALL-SMITH AND FRIENDS, BLUES & BEYOND, lançado em 2001?
Seguinte, sobrinhos and beyond: porque exemplos modernos do que é o SKIFFLE. E ALEXIS ANDREW NICHOLAS KOERNER substituiu LONNIE DONEGAN, guitarrista, no grupo de CHRIS BARBER, trombonista e baixista, no início da década de 1950. A conexão é histórica!
E o DICK está na origem e sequência da carreira de ALEXIS, “et MONDO” no BRITISH BLUES!!! Ahh! observem quem está com ele: PETE BROWN, JACK BRUCE, CLEM CLEMPSON, PETER GREEN, MAYALL, MICK TAYLOR e outros! São mais dois disquinhos pra vocês procurarem!
Procurem conhecer os discos do “MITO” (oooopaahhh, não aquele que vocês já imaginaram) !!!! “”.
Por aqui, eu demonstrei o “RITO”. Esfalfem-se, e consigam o ALEXIS KORNER!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 17/07/2023
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ROBERT PLANT: RECONSTRUÇÃO VITORIOSA DA CARREIRA DEPOIS DO LED ZEPPELIN

Gênios a gente conta nos dedos. São poucos.
Artistas como TOM JOBIM, PAUL McCARTNEY, MILES DAVIS, JOHN COLTRANE, e DAVID BOWIE por exemplo, são exceções dentro da minoria que congrega os grandíssimos e talentosos. São gênios!
Os geniais e superdotados existem aos montes – e ainda bem!
Vejam o LED ZEPPELIN. Lá havia três superdotados musicais: JIMMY PAGE, JOHN PAUL JONES ( baixo ) e ROBERT PLANT, “músicos geniais”. E um adequado eficaz: o baterista JOHN BOHNAN.
A conjunção terrena, e astral também, conspirou para a formação da talvez maior banda de ROCK da década de 1970. Eles imperaram; mesmo concorrendo com gente de nível igual, como o PINK FLOYD.
Limpando minhas coisas, observo a estante e vejo uma coletânea de PLANT. Esquento os motores com a vassoura e o espanador, e ponho pra rolar. Eu já gostava, e acho que o compreendi mais a fundo.
Estão no disco dez entre as 40 canções dos CINCO discos que PLANT gravou, entre 1981 e 1990. São muito boas. Melódicas, mas pesadas. E venderam bem; facilitando para que ROBERT reorientasse a carreira.
O LED ZEPPELIN é ícone, e o que fez está disponível para quem quiser ouvir. Explodiu na AMÉRICA e no mundo, e se tornou a referência maior para os nascentes HARD ROCK e HEAVY METAL, gêneros ainda indistinguíveis, em 1969.
ROBERT PLANT é considerado o maior cantor de HEAVY METAL da HISTÓRIA, por muitas publicações e vasto etc… ( Eu concordo!!!).
Mas, TIO SÉRGIO, PLEASE!!!! Como pode!!! se o ZEPPELIN e o PLANT jamais cantaram o HEAVY METAL típico?
Pois, é: essa é mais uma das características de PLANT. Um óbvio potencial vocal para o que viria ser o HEAVY METAL, canalizado para a outra possibilidade nascente: o HARD ROCK.
Sua voz aguda, extensa e clara facilitou que PLANT abarcasse os dois mundos de maneira pessoal, única! Para, no decorrer da carreira, adapta-la a outras possibilidades.
PLANT é bom ouvinte, descobridor e agregador de talentos, e sabe de seus limites e potenciais. Hoje, coloca a voz com pertinência estudada. Administrou-se artisticamente a vida inteira.
A morte de JOHN BOHNAN, em dezembro de 1980, extinguiu o LED ZEPPELIN por falta de clima e outros detalhes. PLANT tinha apenas 32 anos de idade! E sucesso absoluto e inquestionável, por doze!!! Extremamente jovem e vivido!
Então, o quê fazer?
ROBERT é lúcido, estratégico; e mesmo tendo a possibilidade, intuiu que prosseguir carreira fazendo mais do mesmo poderia limitá-lo e torná-lo autoparódia; espelho borrado de um passado onde estivera entre os maiores.
É minha opinião que PLANT sabia mais o quê não queria, e menos sobre o caminho a seguir. Tinha ciência do legado que ajudara a forjar e não poderia ser descartado. Não dá pra imaginar concerto de quaisquer dos ex-ZEPPELIN sem tocar os grandes clássicos atemporais. Não rola; porque são obrigatórios.
Então, o novo jogo seria um sutil equilíbrio entre o “porvir” – nossa TIO SÉRGIO!!! -, a fidelidade a si mesmo, e a base de fãs do LED ZEPPELIN. E PLANT necessitou aprender o “novo”, e observar “o que” funcionava para ele.
Seus discos na década de 1980 são pesados, e incorporam tecnologias e novidades: sintetizadores, teclados, e o uso dos nascentes computadores na música. Mas, não fogem do ROCK, do “BLUES – ROCK” e algo do PROGRESSIVO. Estilos em voga naqueles tempos e parte do acervo de potencialidades de PLANT.
As produções evitam longos solos de guitarras, mas não o uso correto e instigante do instrumento. PHIL COLLINS está nos dois primeiros discos. E PAGE participou de algumas faixas, mas sem o jeito caudaloso, típico da década de 1970. Gosto já questionado pelo público mais jovens, que exigia mais concisão.
ROBERT PLANT recolocou-se na geração do novo ROCK simpático às tecnologias nascentes, à música eletrônica e às várias formas do PÓS-PUNK e da NEW WAVE. Mas sem ser chato, pretencioso, ou perder a essência do original; e cuidou para não tornar-se datado por modismo escancarado.
Com o tempo, trabalhou com gente graúda, também. Mas, sem esquecer os primórdios; e aproveitou bem o novo, criando discos artisticamente relevantes.
De qualquer forma, ele se manteve antenado com a tradição do COUNTRY, do BLUES, do ROCK AND ROLL CLÁSSICO e do FOLK BRITÂNICO. Acervo imenso!
No entremeio abriu-se para o que acontecia na ÁFRICA, no ORIENTE MÉDIO e na ÁSIA. Flertou muito com o nascente WORLD BEAT, formando bandas e recrutando músicos talentosos para compor o seu “approach” diferenciado com a tradição. Ele encontrou o diferente, mas não assumiu o totalmente exótico.
Em 1993, PLANT criou “FATE OF THE NATIONS”, álbum seminal em seu portfólio. Tocam e cantam lá constelação de craques daquela geração; e gente mais tradicional, como o guitarrista RICHARD THOMPSON, e a vocalista do CLANNAD, MÁIRE BRENNAN.
O disco tem “sonoridade” que recorda “WISH”, excelente álbum do CURE, de 1992, o que reflete a tendência da época.
De algum jeito o disco inspirou a incursão de ROBERT PLANT e JIMMY PAGE na WORLD MUSIC. Culminando em “NO QUARTER”, disco ao vivo de 1994, mesclando “set” que inclui o ZEPPELIN clássico, e certas músicas como KASHMIR – em releituras ultra criativas, juntando orquestra de músicos do Marrocos, e outras paragens.
Uma das consequências foi o “Revival” da dupla por quase quatro anos, com passagem espetacular pelo BRASIL, no ROCK IN RIO, de 1996. Eles fizeram outro disco perfeitamente dispensável, BACK TO CLARKSDALE. E fecham um ciclo na vida de ambos.
PLANT seguiu e formou a STRANGE SENSATION BAND, continuou gravando e mesclando sonoridades ligadas à WORLD MUSIC, e usando instrumentação eletrônica. Os discos tornaram-se mais “ETHEREALS”, viajantes. E fora da “tradição” .
DREAM LAND, 2002, tem parte do repertório composto por covers: coisas de DYLAN, TIM ROSE, etc…, músicas mais tradicionais com tratamento atualizado para aqueles tempos. O disco foi indicado ao GRAMMY.
MIGHT REARRANGERS, 2005, retoma a FUSION AFRO-BLUES-FOLK – WORLD MUSIC – ROCK – CELTA, sei lá… e acrescenta à banda o guitarrista JUSTIN ADAMS. Músico incomum e fora do escopo tradicional do ROCK.
Só que…
O produtor de TV americano, BILL FLANAGAM, convidou PLANT e a excelente cantora e violinista de COUNTRY/ BLUEGRASS, ALISON KRAUSS, para gravarem cantando juntos em seu programa. A ideia era explorar a possível, ou não, integração entre contrastes.
Foi sucesso retumbante!
A voz bonita, educada, afinada e quase angelical de ALISON combinou com a de ROBERT PLANT – contida, bluesy, e adequadamente postada. Fluíram bem no repertório tradicional da COUNTRY MUSIC.
E o resultado foi o belíssimo “RAISING SAND”, gravado em 2007; e ultra bem produzido por T.BONE BURNNET, com a participação de músicos em nível de MARC RIBBOT, na guitarra. A banda soa pesada, com baixos mais nítidos e percussão marcada – afinal, ROBERT está lá! – , mas sem perder afinidade com a delicadeza da música COUNTRY, e ressaltando os talentos de ALISON KRAUSS.
Resultado? Foi 5 vezes premiado com o GRAMMY; e os dois correram o mundo em shows. Que, aliás, recomeçaram para divulgar o novo disco da dupla, RAISE THE ROOF TARGET, lançado em 2021.ROBERT PLANT se considera um cara de sorte – e ela novamente bateu na porta…
A boa experiência com ALISON aproximou ROBERT da versátil cantora COUNTRY, PATTY GRIFFIN. Em 2010, ele formou o BAND OF JOY, com os excelentes guitarristas BUDDY MILLER e DARREL SCOTT, parte da nata dos músicos de NASHVILLE. Gravaram um disco bem sucedido e deixaram outro inédito na gaveta..
Vale a pena procurar no YOUTUBE os shows ao vivo; dinâmicos e mais para o COUNTRY, porém eivados por BLUES e ROCKABILLY, o que dá outro tempero às músicas do LED ZEPPELIN e da carreira solo dele. Em sentido mais amplo, é uma banda de SOUTHERN ROCK, talvez…
PLANT e PATTY GRIFFIN, eram namorados e romperam, mas são amigos. Ela continua em carreira solo, no TEXAS. E ele aproveitou a guinada ao tradicional para voltar ao país PAÍS DE GALES, descansar, repensar, enfim….
Do retiro resultaram LULLABY AND THE CEASELESS ROAR, 2014; e CARRY FIRE. 2017, mais focados no FOLK CELTA, e muito além… Ambos foram gravados com sua banda de longa data, THE SENSATIONAL SPACE SHIFTERS, uma transmutação ampliada da STRANGE SENSATIONAL BAND.
Estão lá o tecladista JOHN BAGGOTT, que passou pelo MASSIVE ATTACK e o PORTISHEAD – pasmem!!! -, responsável pelo som etéreo e climático dos discos. Também JUSTIN ADAMS, o genial multi – guitarrista e adjacências, e o excelente SKIN TYSON, também na guitarra.
Pelo que assisti, em show de anos atrás, eles conseguiram fundir a MÚSICA CELTA à “AFRICANO MARROQUINA”, e ajustar o que PLANT criou em sua carreira, do ROCK ao BLUES ao FOLK , para a sonoridade atualizada que vêm formatando há tempos.
ROBERT PLANT parece um sujeito sensato, que sabe dirigir o trabalho e prestigiar os que o assessoram. Mas talvez irremediavelmente solitário. Teve filhos; e um deles é dono de Cervejaria. E, depois que separou – se da mulher, na década 1970, namorou a cunhada e fizeram outro bebê… e lá se foi a putativa sensatez…
Sua carreira solo é pequena, uns dezesseis discos, alguns premiados, mas todos comercialmente vitoriosos. Ele continua relevante do ponto de vista musical.
Experimente; ou melhor: deguste.
POSTAGEM ORIGINAL:16/07/2022
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FEIJOADA? EU GOSTO!!!

No Guarujá existe um restaurante muito popular e tradicional chamado PANELA VELHA.
SÉRGIO REIS cantou os benefícios das caçarolas e suas parentes, em metáfora com o “sabor” das mulheres mais velhas, experientes, afirmando que se faz com elas comida boa.
Ahhn, nem sempre…
O restaurante é, para o meu gosto, agradável de ficar. Eu aprecio lugares simples, com atendimento simpático, bebidas geladas e comida honesta.
Gosto, também, de comer e beber sozinho acompanhado por um livro ou jornais. Sou amigo de botecos.
O PANELA é um desses lugares onde mais ou menos tudo funciona…
Mais ou menos. A comida transita entre o razoável e o medíocre; viés gastronômico é de baixa.
Quarta feira passada fui, sozinho, enfrentar uma feijoada. Prato popularíssimo da casa, pela quantidade oferecida, e o número de pessoas por lá comendo.
Bom, vou comentar: a dos caras deixa e sempre deixou a desejar, apesar do sucesso de público.Eu cozinho e gosto de cozinhar, portanto sei que não há justificativas para certos pratos serem mal feitos. A feijoada é um deles.
O que é uma feijoada além de um ensopado de feijão com carnes de porco e boi, temperados por ervas e condimentos do cotidiano, e acompanhado por couve, farofa, arroz e um bom molho?
Este, aliás, tem de ser um dos pontos fortes, senão desmerece; não ressalta o sabor.
Eu tenho uma receita básica: Depois dos procedimentos para dessalgar, coloco o feijão e os pertences numa panela de pressão com cebola, alho, cebolinha, louro e um pouco de sal.
Cozinho tudo junto; frito nada. Eu acho que dá certo e agrega sabor ao feijão, temperado por todos os ingredientes e tudo junto ao mesmo tempo na hora. O feijão fica divino – pelo menos no conceito do tio Sérgio.
O molho eu faço com pimenta dedo de moça, retirando um pouco das sementes; agrego louro, alho, cebola, cebolinha e limão para dar o acento final. Misturo tudo isto com o caldo do feijão; e pronto.
Um contêiner de cervejas e a perplexidade de nossas mulheres acompanham o banquete . Mas, a caipirinha e a trilha sonora garantem o prazer final. É fácil e muito eficaz.
POSTAGEM ORIGINAL: 15/07/02017

JETHRO TULL: DO FOLK – BLUES AO ROCK AO PROGRESSIVO: 1968 / 1972

Há possíveis mitos e verdades sobre o JETHRO TULL. Aprendi com meus alfarrábios que IAN ANDERSON foi assistir a um show de SIMON & GARFUNKEL, e comentou com amigo: “Mas é só isso? Pô, eu consigo fazer melhor!!!”
E fez, em minha opinião! Aliás, fizeram… Mito ou verdade?
Em um dos encartes que li ANDERSON conta que trocou sua guitarra, que havia pertencido a LEMMY – AHHHH… vocês sabem quem é!!! – por uma flauta Selmer “de entrada”.
E foi o que deu o tom diferenciado à banda e fama a si mesmo. Mas não a “paternidade”: o TRAFFIC já usava flautas e sopros e, sabe-se lá, pode ter sido inspiração…
É também verdade que TOMMY IOMMI, futuro BLACK SABBATH, tocou uns meses no TULL, em 1968. Gravou?
Descobriram que sim! Conhecem aquele disco de época, que saiu posteriormente, chamado “ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS”? O JETHRO TULL participa e o guitarrista é o TOMMY!
Mas, tudo isto é acessório e imagem. O que vale é a obra concebida, parida e burilada pela banda. É curioso que não tenham ao menos tangenciado a PSICODELIA.
O primeiro álbum “THIS WAS”, era algo garageiro e próximo ao “ENGLISH BLUES” daqueles tempos. Damos graças à guitarra de MICK ABRAHAMS. Curioso: o JETHRO justapôs o BLUES ao FOLK, e ornamentou com tingimentos JAZÍSTICOS. É rude e áspero, mas tem algo de DAVE BRUBECK, digamos, “EASY LISTENING” … tipo assim injetado: está lá “Serenade to a Cukoo” de ROLAND KIRK!
O uso da flauta expandiu a banda em direção ao JAZZ. E IAN ANDERSON tocava fazendo “scating” com a voz, como ROLAND KIRK. O caminho não ficou tão longe…
JETHRO TULL, FLEETWOOD MAC, SAVOY BROWN, TEN YEARS AFTER, PINK FLOYD, FREE e HUMBLE PIE, para citar poucos, são “vizinhos” de geração. E todos, entre 1967 e 1969, estavam naquele lusco-fusco sonoro até hoje ainda não bem titulado. Porque não é PSICH, nem FOLK, e nem BLUES. Ainda não se havia definido completamente o ROCK PROGRESSIVO. Não durmam com um barulho desses!!!!
O JETHRO TULL como o conhecemos surge à partir do segundo disco, “STAND-UP”, de 1969; e se estabiliza no magnífico BENEFIT, em 1970; ambos entre o pesado e o FOLK; o urbano e o bucólico.
JETHRO sempre foi banda excelente, e prestem atenção ao craque JOHN EVANS arrasando no piano! Ouçam e tenham o imprescindível e “quase”- coletânea “LIVING IN THE PAST” (1972). Atentem, principalmente, para o lado gravado ao vivo! Eles foram e são grande sucesso nos EUA, e até hoje. Ultra merecidamente, diga-se!
Em 1971, eles sobem como foguete em ACQUALUNG, com o riff histórico e matador. É álbum conceitual que marcou época, inclusive pela capa impactante.
Para a imensa legião de fãs, é o melhor disco deles. Ainda bem que não há concordância plena! Já que alguns de seus LPs estão em mesmo nível.
E, por que tal impulso?
Uma das razões é a simbiose entre o IAN e o novo guitarrista. MARTIN BARRE incrustou no grupo a essência da guitarra pós HENDRIX, BECK, PAGE E CLAPTON:
Distorção controlada, agressiva e, ao mesmo tempo, melódica e fora dos cânones do BLUES. É a guitarra soando mais próxima a DAVID GILMOUR, portanto mais progressiva; mais tempos futuros…
MITO e RITO prontos; e o foguete permaneceu siderando. É o JETHRO TULL clássico e inconfundível que paira na estratosfera da música! É magnífico, até hoje.
“THICK AS A BRICK” é o começo de nova história. Tão grande e variada quanto essa. Mas cheia de percalços exigindo outras atenções para decifra-la. Qualquer hora eu tento…
Ah, tá; se vocês não lembraram quem era o LEMMY, eu refresco a memória. Foi o histórico baixista, cantor de voz rouca, e fundador do MOTORHEAD. Nada a ver com eles? Tenho dúvidas…
Percam-se no som e talento desta banda inigualada!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/07/2020
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GOLPE DE 1964, OS MILITARES, E O NACIONALISMO POSSÍVEL. E A BOA MÚSICA JOVEM DA ÉPOCA!

Minha vida é pautada por música. Boa, de preferência. Quem me conhece, sabe que o meu interesse como cidadão vai além da música. Por isso, trouxe trilha sonora representativa do que rolava naquela época. Um pouco antes, um pouco depois, mas precioso e relevante.
Então,
1) Em 1964 houve, sim, um GOLPE de ESTADO e os militares assumiram o poder. Eu, democrata radical fui, e permaneço contra o movimento golpista.
E acho que faltou, por aqui, luta ideológica e intelectual pela imprensa e academia. Não houve discussão aberta e pública de ideias. Lembra muito os tempos correntes, de 2021 pra cá: muita gritaria e nenhum diálogo produtivo.
No início da década de 1960, já tínhamos gente como os franceses RAIMOND ARON e JEAN PAUL SARTRE que, do final dos anos 1950 a meados dos 1970, incendiaram os debates político-existenciais dentro da democracia francesa.
Porém, no BRASIL, faltou-nos o ativismo de ideias de intelectuais como ROBERTO CAMPOS, à direita; e CELSO FURTADO, pela esquerda. Ambos eram economistas preparados, atuantes, lúcidos e patriotas. Cito duas inteligências de peso, e que poderiam ter redirecionado as elites para uma solução “emotivo-racional” dentro de um regime democrático. Não aconteceu, infelizmente!
Eu partilho da opinião de que quase todos os grupos políticos daquele momento tinham projetos de golpe em andamento.
A começar por JOÃO GOULART, seus aliados e colaterais, que forçavam a reeleição dele, mesmo sabendo que era ANTICONSTITUCIONAL. E, inclusive por isso, mobilizavam ferrenha oposição ao governo de JANGO. E, da mesma forma, CARLOS LACERDA e grupos de direita. No final, deram o golpe os que detinham armas; e ponto. Os militares, claro!
Golpe nefasto, sob qualquer ponto de vista: porque a próxima eleição presidencial teria sido um ano e meio depois, em 1965. E os favoritos disparados eram LACERDA e JUSCELINO KUBISTCHEK.
Mas a geopolítica da época, Soviéticos versus Americanos – para variar – fermentada pela guerra fria, e principalmente pela “REVOLUÇÃO CUBANA”, feita na cara e no quintal dos americanos, incentivou os EUA desestabilizarem politicamente os países latinos. O Brasil, incluído, porque o maior da região.
O prejuízo maior e irremediável, para o BRASIL, foi INSTITUCIONAL. Até agora se fala do fatídico março de 1964, mobilizando nervos e cérebros; e estendendo a conversa, agora fiada, para os dias atuais, com BOLSONARO x LULA, na horrenda calcificação que nos desvia da solução do que importa.
Deu ruim!!! E assim permanece.
2) Para colocar pimenta nessa FEIJOADA PSICODÉLICA, vou lembrar fato interessante contado por OZIRES SILVA, fundador do ITA e da EMBRAER, no programa RODA VIVA, da TV CULTURA. Mostra bem o papel do acaso e da oportunidade na HISTÓRIA.
O coronel contou que, certo dia em 1968, o ditador – presidente, COSTA e SILVA rumava para SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP) e o aeroporto de lá estava fechado. Não teve jeito e o avião pousou em CAÇAPAVA (SP). Quem o recebeu foi o então CAPITÃO OZIRES SILVA.
Muito jovem e bom de papo, OZIRES ousou e apresentou ao presidente uma série de ideias para a fundação de uma fábrica de aviões genuinamente brasileira. E foi de tal maneira convincente que, ao subir no avião, COSTA e SILVA disse que iria pensar no assunto.
Semanas depois, o general chamou OZIRES em Brasília, e o encarregou de fazer e dirigir o projeto da EMBRAER – que, hoje, é a potência “industrial – tecnológica” que sabemos.
No decorrer dos tempos, como um patriota verdadeiro e útil, OZIRES SILVA percebeu que a PRIVATIZAÇÃO da companhia era necessária e inevitável. E não se opôs.
COSTA e SILVA era chamado de burro e despreparado pela elite da época. Mas só por ter criado a EMBRAER, para mim o mito foi desmentido. E, convenhamos, COSTA e SILVA foi muito mais perspicaz e eficiente do que muito governo civil que veio após a redemocratização.
Alguém dúvida?
Ah, para dar charme à postagem, vai na foto alguns discos relevantes na época! E bem menos contestáveis do que as minhas opiniões sobre política.
Curtam!
POSTAGEM ORIGINAL: 13/07/2025
Pode ser uma imagem de 6 pessoas e texto que diz "KINKS 凶 แมรูง SEARCHERS THE THE STAR-CLUB CLUB STAR- ANPONTO CARISSN HOENI Wilson Simonal Noma NwboSadasombo Samba @WIL.SONSIMONAL WILSON SIMONAL S G BAMBA NOVO THE THE BEATLES' SECOND ALBUM MTE LONES ONESYB BOLL 0在家 IER BIBUYEA T6O4EM e STONES 12X5 LONON SVLVIA TELLES BOSSA BALADA BAЛbACO CO"

TEN YEARS AFTER – BOX SET – 1967/1974 – DERAM, CHRYSALIS RECORDS, E OUTROS COMPLEMENTOS.

A SAGA DE ALVIN LEE, LEO LYONS, CHIC CHURCHILL e RIC LEE nesta BANDA SEMINAL na HISTÓRIA DO ROCK!
Imagine-se na pessoa do guitarrista e cantor de BLUES americano, GEORGE THOROGOOD, quando compôs HAIR CUT? Talvez a música mais legal, em um dos melhores discos que gravou!
GEORGE descreve minuciosamente, com humor e ironia, em um “BLUES – ROCK” da pesada, como era ser cabeludo, meio revoltado, aluno medíocre, e a vida inteira correndo atrás de discos!
A família dele tinha algumas receitas para desentortar o pepino. Mas não adiantou… Ele canta a própria vitória no underground com talento e algo mais…
Vá na estante, pegue e coloque um disco de BRUCE SPRINGSTEEN para rolar. E fique sabendo de frase corrosiva e lapidar que THE BOSS disse pelaí: “Na minha casa havia duas “coisas” impopulares: eu e a minha guitarra…”
Agora, cruze o Atlântico e dê uma parada na IRLANDA. E tome ciência de que o pai de VAN MORRISON era colecionador de discos de JAZZ e BLUES – e sua mãe também gostava e cantava…
Depois, pegue voo até NOTTINGHAM, na INGLATERRA, onde nasceu ALVIN LEE. E descubra que SAM e DORIS LEE, o papai e a mamãe de ALVIN, tinham discoteca “HIP”, fabulosa e rara, de BLUES E JAZZ, inclusive originais em 78 RPM…
Certa noite, foram ao concerto de BIG BILL BROONZY, o histórico BLUES MAN americano, que excursionava por lá. Na saída, carregaram BIG BILL para a casa deles.
ALVIN LEE tinha doze anos, em 1957, e conta que os pais o retiraram da cama para apresenta-lo ao ídolo. E depois, DORIS, BILL e SAM passaram a noite tocando BLUES no violão e cantando…
Conclusão: o JAZZ e o BLUES já circulavam pela GRÃ BRETANHA antes da explosão do BRITISH BLUES, no meio dos “1960”. E alguns pais eram suficientemente abertos para ouvir, comprar discos, e até incentivar aquela geração revolucionária! Ou seja, não faltou motivação. E deu no que deu…
Cortando caminho, o TEN YEARS AFTER desde o embrião, em 1962, e daí em diante, é criação de dois jovens músicos determinados e trabalhadores: ALVIN LEE, guitarrista e cantor; e LEO LYONS, baixo – o mais insistente, empreendedor e resiliente dos dois. Foi LEO quem cavou os primeiros contratos, impulsionou o fazer.
Aguentaram o papo das namoradas e o clássico atemporal: “ou eu, ou a banda”, ecoado universo afora…; Eles resistiram por todo “o” sempre… Foram amigos e parceiros de negócios o tempo inteiro. A banda era deles.
Juntos, toparam comer o pão que Asmodeu fermentou. Estiveram como JAYBIRDS em HAMBURGO, em 1962, no STAR CLUB, o caminho “natural” dos ingleses do BEAT/R&B da época. Lá, ALVIN LEE e LEO LYONS desenvolveram habilidades para tocar em conjunto. O SET da banda durava horas e não dava para cantar o tempo inteiro. Eram dois craques em seus instrumentos; e são a base JAZZY/BLUESY do futuro grupo.
Quando retornaram à INGLATERRA, aos poucos armaram o TEN YEARS AFTER. Veio CHIC CHURCHILL, tecladista e pianista excelente; em nível de ALVIN E LEO. E acharam RIC LEE, o baterista ideal e sem frescuras, que sabia garantir o ritmo e o andamento para os três outros brilharem. Cozinha e sala completadas, botaram pra quebrar.
O quatro são fundamentais para esse grupo formidável destacar-se já em 1967!
E a sorte ajudou. A gravadora DERAM ficava na sobreloja, em cima do KLOOKS KLEEK, clube de JAZZ e BLUES de LONDRES, onde tocavam JOHN MAYALL, AYNSLEY DUNBAR, o TEN YEARS AFTER e muitos e muitos outros.
Fizeram teste. Os executivos não gostaram. Mas MIKE VERNON, histórico produtor, assistira ao show sensacional que o TEN YEARS AFTER fazia, insistiu na contratação; e produziu os três primeiros discos:
TEN YEARS AFTER, 1967, o primeiro, é basicamente o resumo do SET LIST que faziam ao vivo. O segundo, UNDEAD, 1968, gravado ao vivo no KLOOKS KLEEK, foi antecipado por causa do sucesso do primeiro disco na AMÉRICA. É show vibrante misturando ROCK, JAZZ e BLUES na medida ´precisa. Expõe a dimensão do que conseguiam fazer. Musicalmente, é o melhor AO VIVO que gravaram. Empolgante, irrestrito…
O terceiro álbum, STONEDHENGE, 1969, é mais PSICODÉLICO, EXPERIMENTAL, SOLTO, e revela o potencial da banda para outros caminhos. A turma que gosta de testar equipamentos de som precisa ouvir a primeira faixa, “GOING TO TRY”, e observar a técnica de gravação dos TRANSIENTES. É sensacional!
O primeiro disco do “T.Y.A” acabou nas mãos de BILL GRAHAN, o famoso empresário americano, dono de épicos locais de shows: “FILLMORE EAST e do FILLMORE WEST”, palcos de lendas do ROCK e “beyond”…, nas décadas de 1960 e 1970.
Por lá, tocaram o JEFFERSON AIRPLANE, HENDRIX, GRATEFUL DEAD, DOORS, MILES DAVIS, JANIS JOPLIN e os ALLMAN BROTHERS. É resumo pequeno. GRAHAN contratou o “T.Y.A” para uma série de shows, e foi sucesso retumbante!
A odisseia expandiu-se e se manteve até 1974, consolidando o TEN YEARS AFTER entre os grandes nomes da cena mundial do ROCK.
Em 1969, estiveram em WOODSTOCK. Chegaram e partiram de HELICÓPTERO. O show foi histórico; em minha opinião, o melhor do FESTIVAL. Porém, cheio de contratempos; houve chuva torrencial que atrasou o início por 8 horas, e os deixou sentados no BACKSTAGE esperando com pouca água potável e nenhuma comida …
Um pouco antes, haviam tocado no FESTIVAL DE NEWPORT, mais dedicado ao JAZZ, BLUES e FOLK. E, no dia anterior a WOODSTOCK, fizeram show com NINA SIMONE (uau!!!), onde tudo correu bem.
Entre 1969 e 1974, já estabelecidos como HARD ROCK BAND, gravaram mais três discos excelentes pela “DERAM”:
“SSSSSH…”,1968; “CRICKLEWOOD GREEN”, 1970; “WATT”, 1970. E mais quatro pela “CHRYSALIS”: o clássico “A SPACE IN TIME”, 1971; e “ROCK & ROLL MUSIC TO THE WORLD”, 1972. E fizeram o festejado, mas algo desleixado RECORDED LIVE, em 1973. O álbum final POSITIVE VIBRATIONS, foi lançado em 1974.
Banda integradíssima, o TEN YEARS AFTER atuava destacando a guitarra de LEE, o baixo de LEO e o órgão de CHIC. Em seus momentos JAZZY/BLUESY muitas vezes lembrava WES MONTGOMERY e JIMMY SMITH. Sempre FUNKY, mas com o retrogosto típico do BRITISH BLUES.
No ROCK, o baixo se destacava garantindo um HARD BLUES vibrante, tangenciando o PSICODÉLICO E O PROGRESSIVO.
ALVIN LEE, foi vendido pelo marketing como o “guitarrista mais rápido do mundo”. Mas nem sempre conjugava imaginação aos solos. Ele era notável, mesmo quando repetitivo. A sua “tabelinha” com LEO LYONS era eficaz e pesada. E a participação de CHURCHILL turbinava os dois. O resultado está entre os melhores da história do HARD ROCK.
Uma das marcas registradas da banda era iniciar mais lentamente, e acelerar no decorrer da música. Aproveitavam a competência que desenvolveram para tocar o BLUES e liga-lo ao ROCK. O que dava dinâmica e pique aos discos e shows.
Em vários discos que fizeram há faixas memoráveis como WORKING ON THE ROAD, LOVE LIKE A MAN, MY BABY LEFT ME, 50.000 MILES BENEATH MY BRAIN, ONE OF THESE DAYS, I’D LOVE TO CHANGE THE WORLD e claro, I’M GOING HOME – principalmente a versão em WOODSTOCK , antológica e definitiva!
A saga da banda pela AMÉRICA e o MUNDO, entre 1967 e 1974 foi sucesso notável de grana e público. Mas demolidora do ponto de vista físico para os quatro. Os shows eram quase diários, exigentes. LEO LYONS arrebentou as mãos e os dedos nas cordas do BAIXO, houve dias que chorava de dor, contou.
ALVIN LEE acabou-se psicologicamente, mesmo tendo comprado, em 1970, a mansão no campo, com piscina, quadra de tênis, estúdio, e outros quesitos, onde morou por muito tempo.
Muita grana e trabalho enlouquecedor em tempo curto demais os levou à exaustão. A banda rompeu, em 1974. Não conseguiram transitar para algo hoje normal entre os grandes: abrir tempo e espaço para cada um fazer o que quisesse; diminuir e controlar atividades, e assim manter o grupo.
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ALVIN LEE saiu, em 1974, para carreira solo. Estava rico e queria voltar a ser um artista “comum”. Era basicamente um cara tímido. Disseram suas ex-mulheres, que ele era um grande contador de histórias e muito bem humorado! Teve uma filha, JASMIN, que vive e trabalha em LONDRES.
ALVIN morreu em 6 de março de 2013, de problemas no coração, que sofria há muito tempo, e pouca gente sabia. Ele morava na ESPANHA, desde 1994, e continuava trabalhando.
CHIC CHURCHILL e RIC LEE mantiveram a banda viva. E LEO LYON mudou-se para NASHVILLE, USA.
Este BOX foi feito na REPÚBLICA TCHECA, e traz livreto e dez CDS. A qualidade sonora é adequada. Eu não percebi muita diferença em relação aos CDS originais.
Porém, poucas vezes vi trabalho gráfico tão horroroso e mal feito!
As capas são réplicas dos álbuns originais; só que não há capas duplas onde deveria haver. Os CDS não trazem os logos originais das gravadoras. Falha inadmissível.
O BOX tem arte é de quarta categoria, e sem qualquer imaginação. Inaceitavelmente pobre para a produção de uma banda tão importante!. A qualidade das fotos e da impressão ofende a banda, os fãs, e os consumidores! E tudo isso pelo preço revoltante de $65,00! Por isso, TIO SÉRGIO recomenda: Fujam desse BOX!!!
Mas, procurem os discos da banda. O três primeiros, lançados pela DERAM, receberam edições duplas e caprichadas. Eu as mantive. O ideal é aguardar reedições melhores. Porque o TEN YEARS AFTER é IMPRESCINDÍVEL!
POSTAGEM ORIGINAL: 09/07/2022
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MIKE TAYLOR & FRIENDS, O PIOR CD QUE COMPREI NA VIDA!!!!

A história é bizarra e vou compartilhar, porque só acontece aos colecionadores de encrencas, feito eu… e muita gente por aqui!
Na Inglaterra houve um pianista de JAZZ de grande talento, vida curta e doida, que se tornou CULT e colecionável, apesar de ter gravado apenas dois long-plays, hoje considerados importantes. As críticas são entusiasmantes.
O nome dele? MIKE TAYLOR; que agitou na década de 1960. Eu nunca vi um disco do cara, muito menos um mísero CD! Então, certo dia comecei a procurar na WEB e… nada.
De repente, surge à minha frente o objeto circular identificado abaixo. Fiquei contente e nem me dei ao trabalho de verificar a discografia… Achei que MIKE TAYLOR TRIO era o suficiente…
Não era!
Bom, encomendei o disco de uma distribuidora pequena, nos EUA. E os caras ficaram tão contentes que escreveram para mim agradecendo ao limite: disseram que festejaram porque sempre festejam quando alguém compra um CD produzido por eles. E me desejaram tudo de bom, jurando que eu estava comprando “o disco”.
Claro! Em vista de tal entusiasmo, escrevi de volta agradecendo por terem um disco que há anos eu procurava, e pela encantadora recepção…
Só que não!
O tal MIKE TAYLOR não é o inglês, mas um pianista amador americano, e seu grupo mal chega a isso… A criatividade e técnica pianística é “abaixo de zero”. O repertório, então, meu Deus!!!! Para completar, foi pessimamente gravado, a mídia é um CD regravável, e a capa é o horror que vocês estão vendo aí!! E, pior: o cara trouxe “asseclas” para o acinte. Os tais friends!!!!
Já o preço… bem, 11 dólares mais 7 de correio. Para selar minha boca e raiva, a Receita Federal reteve o produto e o taxou em 60%!!! Resumo do “Grand Guignol”: Uns $29,00 jogados fora!
Pessoal, este disco é tão ruim que resolvi ficar com ele. Não dá para vender, trocar ou dar de presente! É, de longe, a pior peça da minha coleção. Vai morrer comigo mas, quem sabe, algum dia eu o escute de novo para ver se melhorou – não! esse não tem jeito!
Não ouçam o MIKE TAYLOR fake. Se um dia relançarem o verdadeiro eu volto ao assunto…
P.S: acabei repassando o FAKE MIKE pela aí….🤣🤣🤣🤣
Então, abaixo OS FASCISTAS, OS POPULISTAS DESTRUTIVOS, os FALAZES e o “,MIKE TAYLOR TRIO” de araque…🤣🤣🤣🤣😛😛😛😛
POSTAGEM ORIGINAL: 08/07/2022
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MARVIN GAYE – WHAT´S GOING ON? – 1971 ELEITO, em 2020, PELA REVISTA “ROLLING STONE “, “O MAIOR DISCO DE TODOS OS TEMPOS”!!!

O MUNDO PASSOU POR TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS PROFUNDAS DURANTE A DÉCADA DE 1960. HOUVE OTIMISMO E HEDONISMO, E, TAMBÉM, RADICAIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTOS E PROPOSIÇÕES POLÍTICAS.
FORAM TEMPOS PLENOS DE EVENTOS CONTRADITÓRIOS, E MUITAS VEZES SIMULTÂNEOS. MAS FREQUENTEMENTE NÃO COMPREENDIDOS À ÉPOCA. PORTANTO, HÁ O LEGADO DE VASTA COLEÇÃO DE FATOS ESTRUTURANTES PARA O MUNDO CONTEMPORÂNEO.
A HISTÓRIA PASSADA CONDICIONA A “HISTÓRIA FUTURA”, MAS NÃO A DETERMINA. NOVOS FATOS NO CORRER DOS TEMPOS E A TODO MOMENTO, ABREM CAMINHOS PARA A REVISÃO DE IDEIAS E CONCEITOS NESSA INTERAÇÃO ININTERRUPTA .
A HISTÓRIA NÃO TEM FINAL; ELA É UM PROCESSO CONTÍNUO. E A DINÂMICA DO PRESENTE DESTACA A PERCEPÇÃO DO PASSADO, E POSSIBILITA NOVAS CONCLUSÕES, MESMO QUE TRANSITÓRIAS.
O PASSADO, DESTE PONTO DE VISTA, NÃO ESTÁ “MORTO”. OS FATOS ANTES DE SERVIREM COMO BASE CONSISTENTE PARA ANÁLISES, REQUEREM CERTO CONSENSO SOCIAL PARA SE IMPOREM COMO DE IMPORTÂNCIA EFETIVA.
AINDA ASSIM, O QUE É COMPREENDIDO NO PRESENTE COMO A “VERDADE”, SEMPRE PODERÁ SER CONTESTADO E RECUSADO NO FUTURO. A INCERTEZA E A IMPERMANÊNCIA SÃO AS “CONSTANTES INCONTESTÁVEIS” NA HISTÓRIA DOS HOMENS.
“WHAT’ S GOING ON ?”
O CONSENSO ATÉ 2018, CONSIDERAVA A OBRA PRIMA DOS “BEATLES” LANÇADA EM 1967, “SGT PEPPER´S LONELY HEART CLUB BAND”, O MAIOR, MAIS AMPLO E INOVADOR DISCO DE MÚSICA POPULAR GRAVADO EM TODOS OS TEMPOS. FOI PERCEBIDO COMO ESTÁGIO ADIANTE SOBRE O QUE HAVIA SIDO REALIZADO ATÉ AQUELE MOMENTO.
O ÁLBUM COMBINA, EM ALGUMAS FAIXAS, O MAIS MODERNO DO ROCK COM A MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA. E PRESERVA, EM OUTRAS CANÇÕES, ARRANJOS E RITMOS TRADICIONAIS.
E TUDO EMBALANDO LETRAS BEM FEITAS; COMENTÁRIOS POLÍTICOS E DE COSTUMES QUE DESCREVEM O PANORAMA CAMBIANTE DAS RELAÇÕES SOCIAIS EM MEADOS DA DÉCADA DOS 1960. A SOMATÓRIA DESSES FATORES FAZ A OBRA FUNCIONAR COMO “DOCUMENTÁRIO”; UM ÁLBUM CONCEITUAL; CRÔNICA SENSÍVEL REVERBERANDO NO PRESENTE.
“SARGENT PEPPER´S…” FOI GRAVADO COM AS TECNOLOGIAS DE ESTÚDIO MAIS INOVADORAS DA ÉPOCA. O QUE POSSIBILITOU SONORIDADES E RESULTADOS ATÉ HOJE PERCEBIDOS COMO “CONTEMPORÂNEOS”. ESTE DISCO DOS BEATLES SOBREVIVEU E TRANSCENDEU AS DÉCADAS.
É OBRA GRANDIOSA E AINDA VIVA, QUE REFLETE CERTA CONSTÂNCIA DA HISTÓRIA HUMANA EM ALGUNS DE SEUS “MACRO -TEMAS”: LIBERDADE, DROGAS, POBREZA, SOLIDÃO, CONSERVADORISMO, REBELDIA, SOLIDARIEDADE… É O COTIDIANO E SUAS MÁS NÓTÍCIAS; AS GUERRAS, E VÁRIOS ETC…; E SE TORNOU EXEMPLO DE ARTE EM COMPASSO COM A REALIDADE MUTANTE. TUDO CONSIDERADO, É UM SUMÁRIO DA CONTEMPORANEIDADE.
NO ENTANTO, PROFÉTICO MESMO FOI “TOMMY”, OBRA CONCEITUAL CRIADA POR “THE WHO”, EM 1969: METÁFORA SOBRE A ALIENAÇÃO E ATOMIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, REPRESENTADO PELO PERSONAGEM TOMMY, GAROTO SURDO E MUDO, MAS CRAQUE OBSECADO POR MÁQUINA ANTECESSORA DOS ATUAIS JOGOS ELETRÔNICOS: O PIMBALL, FLIPERAMA, EM PORTUGUÊS..
OS “TOMMYS” CONVIVEM CONOSCO HÁ DÉCADAS. ESTÃO NOS LARES, NOS BARES, NAS ESCOLAS; EM ÔNIBUS E METRÔS. E PROVAVELMENTE NOS ULTRASSARÃO, PORQUE LINKADOS À VIDA COTIDIANA, QUE É ELETRÔNICA, VIRTUAL, ATOMIZADA; ONIPRESENTE. E INEVITÁVEL!
MAS, OUTRO DISCO MONUMENTAL TOMOU A LIDERANÇA NESSE ETERNO “AGORA”. E A SENSAÇÃO DE ANTECIPAÇÃO QUASE PROFÉTICA FICOU MAIS UMA VEZ EXPLÍCITA.
SERIA “WHAT´S GOING ON”, DE “MARVIN GAYE”, LANÇADO EM 1971, MELHOR, MAIS ADEQUADO E ATUAL DOS QUE OS BEATLES?
Em primeiro lugar, .repare que ambos têm mais de cinquenta anos! E a diferença entre o surgimento de um e outro foram menos de quatro anos.
Mas quê quatro anos!!!!!
Quando o disco de “MARVIN GAYE” saiu, o pessimismo e o desencanto haviam tomado conta do mundo. A utopia hippie entrara em desuso; e continuaram as guerras e disputas entre potências e seus arsenais nucleares nas alturas. Ficou escancarado que ditaduras se espalhavam por todo o planeta, trivialidades que se repetem, nos tempos atuais. Tudo se reposicionou. Mas essencialmente pouco mudou.
Observe também, que em 1967 já havia brotado um ROCK PESSIMISTA, eivado por drogas, realista e marginal; e longe do “SUNSHINTE POP” e dos BEATLES. De certa forma, o “VELVET UNDERGROUND”, de “LOU REED”, anteviu o que ficara explícito, em 1971; e continua regra até agora…
Sobreviveram do passado vários temas retrabalhados por “MARVIN GAYE” em seu álbum imprescindível: pobreza, vida marginal, violência, drogas, racismo…desigualdade social e racial…
Para entender “WHAT´S GOING ON?”, é preciso notar que, em 1970/1971, foram lançados discos notáveis abordando as mazelas com muita crítica social explícita e militante. Todos eivados por tom pessimista e algo resignado. Inclusive o novo assunto daquele momento, e que todos nós, dali para frente, passamos a nos preocupar: a ECOLOGIA!
TIO SÉRGIO vai escavar mais. Naqueles tempos, “JONI MITCHELL” lançou “BLUE”, e “NEIL YOUNG” fez “AFTER THE GOLD RUCH”. Mais além, o “JETHRO TULL” criou “ACQUALUNG” – um olhar esquivo e duro sobre religião, educação, marginalidade e outros temas eternos.
E os “MOODY BLUES”, lançaram álbuns muito vendidos. “A QUESTION OF BALANCE”, 1970; e “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, 1971, são pioneiros em atentar sobre a ECOLOGIA.
E não se pode esquecer CHICO BUARQUE, na mais perfeita descrição poética das agruras da pobreza e do desalento, que ainda nos assolam: “CONSTRUÇÃO” e sua “complementar”, “DEUS LHE PAGUE”, 1971, são canções interativas com elementos de “ROCK PSICODÉLICO-PROGRESSIVO SINFÔNICO”, em arranjo “claustrofóbico” do maestro ROGÉRIO DUPRAT – que lembra os feitos pela banda americana SPIRIT, em 1968/1970. Isto só para citar um exemplo, entre tantos possíveis.
Dado fundamental une as obras naquele contexto histórico relevante: todos são DISCOS DE VANGUARDA, MUSICALMENTE FALANDO. E de acordo com o espírito de “FINAL DOS TEMPOS”.
E MARVIN GAYE é personagem expressivo: um “SINGER/SONGWRITER”; a tendência que se destacou e tomou conta do mercado musical no início dos 1970. Ele é contemporâneo de outros grandes como PAUL SIMON, JAMES TAYLOR, CARLY SIMON… E GIL, CAETANO e CHICO, também, claro; e todos componentes de um vasto etc…
É bom dizer que MARVIN GAYE sempre foi artista relevante para a BLACK MUSIC, e um dos grandes sucessos da MOTOWN RECORDS. Ele foi foi assassinado com três tiros pelo próprio pai, um pastor pentecostal… , em uma discussão de família! Está na cara que nenhum dos dois eram pessoas equilibradas.
MARVIN GAYE não foi um precursor, mas articulou artisticamente várias ideias e temas correntes na música e na sociedade. O disco “WHAT´S GOING ON” é, antes de tudo e simultaneamente, ÁLBUM CONCEITUAL, e de BLACK MUSIC! Um diferencial único entre seus pares. A faixa título é considerada a “quarta música mais importante da discografia americana”!
Da segunda à sexta faixa, há uma SUÍTE “SOUL/FUNK” com percussão latina mesclada ao JAZZ. Verdadeira FUSION dançante, de músicas ininterruptas e interligadas. E tocadas pelos magníficos e precisos “FUNK BROTHERS”, a banda principal da gravadora “MOTOWN”; portanto, garantia de excelência. As três faixas restantes esbanjam qualidade e ritmo, com destaque para a melhor de todas: “RIGHT ON”, um show!
O álbum é pequeno prontuário dos desencantos e desesperanças. E observação da violência e das iniquidades da sociedade americana. E tudo misturado e exposto em um tom espiritualizado, típico da melhor BLACK MUSIC feita no “HOSPÍCIO DO NORTE…” OOOPPPS, nos ESTADOS UNIDOS A AMÉRICA!
MARVIN canta sobre desemprego, inflação e a crise econômica daqueles dias. Cita, inclusive, a poluição, a superpopulação e outros temas candentes, e cada vez mais preocupantes e onipresentes, ligados à ECOLOGIA. Ele constata o racismo, a violência policial, o ódio e as injustiças contra os pobres e, principalmente, contra os pretos.
A obra não esquece dos que lutaram guerras para nada. Que tal recordar um filme com TOM CRUISE, chamado “Nascido em 4 de Julho? Pois bem, “MARVIN GAYE” é um preto que entendeu o drama daquele “branco” aleijado e descartado, o personagem de CRUISE, que a seu modo interpreta um deserdado da utopia americana, que sentiu e sofreu as iniquidades da sociedade que o usou e o abandonou; como ainda faz com incontáveis…
Pois, é! Acontece com a maioria dos pobres. E muitos e muitos pretos pobres, e pobres e pretos, que também viraram buchas de canhão nas constantes guerras do Império americano mundo afora…
MARVIN GAYE CANTOU A AMÉRICA NUA E CRUA SOB A PERSPECTIVA DOS PRETOS! Mesmo que os temas das letras magistralmente compostas por ele e “RENALDO BENSON”, um dos exuberantes vocalistas do “FOUR TOPS”, já houvessem sido expostos antes de ter sido gravado este álbum.
O caminhar bêbado da HISTÓRIA, a transição do mundo para tempos de radicalização política, ficaram evidentes na presidência de DONALD TRUMP, em 2020, quando o álbum foi escolhido o “Melhor de todos o tempos, pela revista ROLLING STONE.
A recorrente violência contra os pretos, na América; e o recrudescimento do racismo e da xenofobia mundo afora, ajudaram a elevar “WHAT´S GOING ON?” ao status alcançados.
A premiação recebida é para obra de altíssima relevância social e artística. É, simultaneamente, reação cultural ao ultraconservadorismo excludente nesses duradouros tempos de ignorância, falta de compaixão e pouca empatia. E foi realizada através de canções perfeitamente apreciáveis mais de 50 anos depois. O álbum não envelheceu! É verdadeiro marco.
Mas não promoveu a REVOLUÇÃO ou INOVAÇÃO na estética musical, como fizeram os BEATLES, em “SARGENT PEPPERS”. E isto parece claro.
Por isso, eu mantenho dúvidas de que seja o melhor disco da história do POP. Se é que isto realmente existe… A revista RECORD COLLECTOR faz listas anuais por gêneros, estilos, etc., o que é mais realista, perspicaz e “mensurável”.
Seja como for, “WHAT’S GOING ON?” sempre estará entre as dez melhores e mais relevantes. E a sua trajetória e peripécias acompanharemos por muito e muito tempo.
Ouçam e tenham na discoteca: é mandatório.
POSTAGEM ORIGINAL :03/10/2020
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