SOUTHERN ROCK, ORIGENS, TENTÁCULOS, E SIMPATIZANTES. E A CARTINHA DA LEITORA “LORELEY-CLORA KINA RIDER”.

Recebi carta chorosa de minha leitora LORELEY-CLORA KYNA RIDER, de DEVIL´S HOLE VALLEY, nos confins do TEXAS. Ela não é pé de chinelo, não! É COWGIRL! e ficou meio abalada com a foto que postei.
LORELEY escreveu:
“TIO SÉRGIO, eu estou com medo de que meu futuro noivo, o CHIP, queira te cobrir de porradas e não se casar comigo!
E tudo por causa de alguns discos que você fotografou e eu gostei; mas ele não! Vê se corrige o malfeito, senão o CHIP não vai mais me levar pra catar coquinho atrás do celeiro!
E se ele fizer isso, eu fico falada por aqui, e acabo morrendo semivirgem!”
Minha resposta:
Cara LORELEY-CLORA, TIO SÉRGIO é meio assim mesmo: escreve coisas aparentemente absurdas. Mas chama a tua atenção, para que observe o SOUTHERN ROCK, que não é apenas um estilo do ROCK AMERICANO. É, também, um estado de espírito que se espalhou por vários rincões, épocas, invernadas, e celeiros.
Há quem identifique seus primórdios na década de 1940. E pode ser mesmo!
Lembra do amado ELVIS PRESLEY, e do teu quase – primo CARL PERKINS?
Eles juntos com aquele guy da outra cidade, um certo JOHNNY CASH, e mais toda a caipirada que gravava na “SUN RECORDS” na década de 1950?
Pois, então: de certo modo juntavam na boleia do mesmo caminhão o BLUES, O GOSPEL e o COUNTRY. E acabaram gerando aquele vermífugo sonoro chamado ROCKABILLY!
Não vou te lembrar de outro desvirtuado, um tal JERRY LEE LEWIS, que toca piano e se casou com a prima menor de idade, uns treze anos, (hummm, dizem que ele fez mal à moça antes…).
Os guapos meninos eram mais interessados nas “GREAT BALLS OF FIRE” das amiguinhas da tua tia. Mas, foram os grande responsáveis pela rapaziada do país todo gostar de ROCKS, guitarras e música de caipira americano modificada.
Mas não parou aí, não!
Houve, também, um bando de HIPPIES maconheiros que gostavam do COUNTRY e do FOLK, e meio que se meteram no ROCK PSICODÉLICO, lá por meados dos anos 1960!
Um certo THE BAND – você conhece LORELEY-CLORA KINA? -, por exemplo. Lá havia um guitarrista chamado ROBBIE ROBERTSON, que aliás bateu as esporas recentemente, e nem americano era! Mas canadense!!! Eles também estão no rodeio inicial do SOUTHERN ROCK.
Assim como o Z.Z.TOP e o CREEDENCE CLARWATER REVIVAL… E há marcas no JAMES GANG e no NITTY DIRTY GRITTY BAND. Sem falar no POCO! – que não era nada pouco!
Tá bom, o CHIP e mais uma meia dúzia de uns 3 ou 4 mil ROCKERS não vão concordar comigo! A sina é minha…
O CHIP vai argumentar que SOUTHERN ROCK de verdade é essa turma mais ligada aos tempos de 1970, e daí em frente: ALLMAN BROTHERS BAND; LYNYRD SKYNYRD, GOV´T MULE, MOLLY HATCHET. Inclusive OUTLAWS, WIDESPREAD PANIC, e o casal SUSAN TEDESCO E DEREK TRUCKS, para lembrar uns poucos, muito poucos!
E, já que vocês aí gostam de dar uns tiros, o TIO SÉRGIO não esquece o “38 SPECIAL”, banda excelente e ROCK de ótimo calibre…
TIO SÉRGIO vai acalmar o CHIP e suavizar tua “pain”, lembrando que existe vida inteligente e sensível nas proximidades.
Diga para ele escutar a BONNIE RAITT. E procurar discos da CARLA OLSON, em parceria com o GENE CLARK ou com o MICK TAYLOR; e desfrutar a excelente carreira solo da moça – que continua de vento e voz em popa!
Pede pra ele tomar um trago ouvindo coisas mais moderninhas, como os primorosos duetos entre o ROBERT PLANT ( que horror, um “Ingreis”! )” & ALISON KRAUSS! E dar um mergulho para ver o retorno da tradição, como fizeram BILLY JOE, do GREEN DAY, e NORA JONES, no impecável “SONGS THAT OUR FATHER TAUGHT US”, regravação de um álbum clássico dos EVERLY BROTHERS!
“Mas, TIO SÉRGIO, isso não vale!!!!” escreveu a LORELEY-CLORA! “Você está falando de moderno POP, COUNTRY E FOLK! Sem dizer que o som é muito mais maneiro!!!”
E TIO SÉRGIO concorda. Só que isso tudo pode ser pretexto para estender o papo até a periferia do gênero, e lembrar que há muita coisa legal sem o recurso da porrada sonora!
E, se você desapertar o coldre, e der uma olhada direito, também estão no título aí em cima!
Então, querida LORELEY-CLORA KYNA, pode continuar catando coquinho com o CHIP.
Mas cuida para fazer direitinho; ir pros finalmentes, e acabar de vez com a “semi😃” na tua disputada virgindade.
Beijão do yours trully aqui,
TIO SÉRGIO
POSTAGEM ORIGINAL: 29/092021
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THE WHO: ROCK IN RIO 2017, OUTROS SHOWS E A ESSÊNCIA DA OBRA.

Quem se interessa por ROCK não se surpreendeu com o assistido na televisão. Encontramos o MITO, finalmente.
Mas a todo MITO deve corresponder um RITO, que pode ser mais ou menos convincente. No caso,
é o show, a performance. Há mais de 40 anos, THE WHO deixou de se apresentar com a plástica iconoclasta que os tornou famosos – quebrar guitarras, microfones, essas coisas. Eles envelheceram.
Na minha opinião, sempre houve insuficiência artística em ROGER DALTREY. O que ele tinha e tem como performer e carisma, jamais se expressou enquanto cantor.
DALTREY desafina; e geralmente não aguenta os shows. Em seus discos solo, muitas vezes ficam “visíveis/audíveis” suas falhas; honestamente incorporadas às gravações. É um certificado de autenticidade.
Claro, é apenas minha opinião…
Porém, jamais vi DALTREY ao vivo igualar-se ao que fez no FESTIVAL DE WOODSTOCK, 1969, onde o quarteto teve performance memorável, e talvez não superada em garra, eletricidade e peso. Foi um dilúvio de emoções afogando a plateia!
THE WHO, sob quaisquer critérios, é ,e sempre foi, “A” BANDA DE ROCK PESADO. Ponto!
Meu coração dispara sempre que escuto, ou assisto, ao que fizeram em “SEE ME, FEEL ME” e “SUMMERTIME BLUES”!
Talvez o mesmo deva ser dito sobre “THE WHO LIVE AT LEEDS”, de 1971, até hoje considerado um dos TOPS em apresentações ao vivo.
PETER TOWNSHEND, claro, também não toca ou pode tocar como antigamente. Ele tem problemas de saúde que o impedem. E, mesmo sendo compositor do primeiro time da música popular do século vinte, e autor de um dos HINOS DO ROCK de todos os tempos: “MY GENERATION”. Esperar do talentoso PETE algo acima de sua capacidade física é desrespeito inaceitável!
A carreira da banda é espetacular entre os LPS “THE WHO SINGS MY GENERATION” e “QUADROPHENIA”. E todos os discos que gravaram são excelentes! Inclusive o clássico seminal e meio chato “TOMMY”.
E sem esquecer a constelação de SINGLES! Entre os mais espetaculares da HISTÓRIA DO ROCK!!!!
E graças, inclusive, a portentosa e pesada “âncora” do grande baixista JOHN ENTWISTLE. E do inigualável baterista KEITH MOON, responsável direto pelas doideiras e maluquices além música do quarteto. Ambos já subiram aos céus. Infelizmente.
Observe, na foto, a sequência dos três CDS que compõem “THE WHO ESSENTIAL”, 2020; é aula magna resumida! E a maioria foi reproduzida na apresentação que vimos, aqui, no ROCK IN RIO, em 2017.
Vou contar uma historinha pessoal. Como quase todos da minha geração de OLD ROCKERS (roqueiro velho, mesmo…) eu adoro THE WHO!
No final da década de1960, gastei uma baba do meu irrisório salário para adquirir um LP dos ELECTRIC PRUNES, e dois SINGLES – um deles foi THE WHO, “I CAN SEE FOR MILES/ PICTURES OF LILY”, edição da MCA americana. Lado A e lado B estão entre os melhores ROCKS de todos os tempos! A gravação em MONO está acima do espetacular!
Até então, eu não havia escutado nada de tão violento e abrangente, do ponto de vista sonoro. Em CD, somente agora, acho, conseguiram reproduzir o impacto torrencial do SINGLE!
Voltando ao show, fiquei surpreso com as excelentes performances do filho de RINGO STARR, o também baterista ZACK STARKEY!!! E do baixista (seria o PINO PALADINO?); e, não juntei nome à figura conhecida do velhinho dos teclados, nitidamente debilitado, mas autenticamente ROCKER!!!!
Senti encantamento e compaixão!
O show em si foi mediano, claro, mas inesquecível! Justíssima homenagem de nós para eles e deles para nós.
Cobriram a obra toda e deu para fazer avaliação artística da ascensão, do auge e da decadência do MITO.
Claro, eles como toda aquela geração, flertam com o final inexorável. THE WHO vai para o PANTEÃO. Em vez do descanso eterno e nada pacífico nas tumbas do POP.
THE WHO é e foi imprescindível!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 24/09/2023
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THE WHO – MY GENERATION – 1965 – O BEAT/R&B INGLÊS EM ESTADO PURO!

Por volta de 1969, acho, passou em alguns cinemas de SAMPA um filme/show apresentado pela DUPLA americana JAN & DEAN, com várias bandas e cantores de sucesso daqueles tempos.
Lá pelas tantas, um dos dois entrou no palco fantasiado de bombeiro. E o outro perguntou por que estava vestido daquele jeito?
A resposta: “É porque agora vai pegar fogo”. E anunciou JAMES BROWN & THE FLAMES. Não deu outra, o negão incendiou a plateia com o R&B dançável, anárquico, cheio de irreverência e violência.
MAS, tio SÉRGIO, o que aquilo tem a ver com THE WHO?
Vou fazer uma digressão provocativa.
Vocês lembram do OASIS, lógico? E do BLUR? Também, é claro.
E quando escutamos as duas bandas, quem vem à cabeça?
Para mim, BEATLES e THE KINKS. Eu defendo.
Agora, retornem para mais ou menos 1976, e pensem em THE CLASH, em seu memorável primeiro álbum; e em THE JAM, de PAUL WELLER. E de cara vêm THE WHO à memória.
Provocando vocês, o PUNK do CLASH e do JAM têm filiação direta no BEAT do WHO! Ou não?
Pois bem, as performances e o repertório do WHO, na fase BEAT/R&B, 1964/1966, emulam diretamente JAMES BROWN!
MODS até o último trago no PUB. A banda era fã de artistas americanos de R&B; de negões e neguinhas; e suas performances espetaculosas e ardentes evocavam o R&B original.
O vocal de ROGER DALTREY tenta trazer JAMES BROWN à Inglaterra de 1965. Claro, ROGER é cantor menor; e astro e performer de primeiro time!
O ROCK da banda funciona em torno do seguro baixista JOHN ENTWISTLE; na explosão rítmica de KEITH MOON, na bateria; e na guitarra agressiva e letras vigorosas de PETE TOWNSHEND.
O WHO da fase inicial era, antes de tudo, uma poderosa banda de SINGLES. E o primeiro e seminal LP, THE WHO SINGS MY GENERATION, saiu também no Brasil, em 1966. É amostra perfeita da melhor e mais transgressora performance do ROCK INGLÊS daqueles tempos! Guitarras e baterias destruídas inclusas!
THE WHO se equiparava aos ROLLING STONES, em termos de um funeral para o “bom-mocismo – musical”, que ainda sobrevivia.
Para confirmar a usina de forças que geravam ao vivo, assistam ao FESTIVAL DE WOODSTOCK, de 1969, onde o quarteto fez performance memorável, e talvez não superada em eletricidade e emotividade. Talvez o mesmo deva ser dito sobre “THE WHO LIVE AT LEEDS”, de 1971; até hoje considerado um dos shows de ROCK ao vivo mais delirantes . Dilúvios torrenciais sobre a plateia!
Claro, daí em diante, a história é outra na construção do caminho da merecida elevação da banda ao Olimpo.
Mas, se queres ROCK´N´ROLL, de verdade, o disco é esse aqui!
POSTAGEM ORIGINAL: 27/09/2022
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ALFRED BRENDEL – “O” PIANISTA!

INICIAR PELO USUAL NÃO VALE A PENA. SERIA ENFATIZAR O ÓBVIO. PORÉM, BRENDEL É MESMO DOS MAIORES MUSICISTAS DA HISTÓRIA. É UM INTELECTUAL DA MÚSICA, E UM ARTÍFICE DA EXECUÇÃO PIANÍSTICA.
NÃO SEI SE ESTE VÍDEO TEM VERSÃO PARA O INGLÊS. EU O PUBLIQUEI PARA MOSTRAR A FIGURA DO VELHINHO, SEU AMBIENTE, E PARA DIZER QUE FOI FEITO, EM 2015, QUANDO FOI LANÇADO MAIS UM “BOX-SET” COM SUA OBRA:
É PROJETO MONUMENTAL E CANDIDATO AO DEFINITIVO, COM NADA MENOS QUE 114 CDS!!!! “TIO SÉRGIO” REPETE PASMO: 114 CDS! ABRANGE TODA A CARREIRA, E FOI FEITO PARA OS COMPLETISTAS, OS FANÁTICOS, OS MEMORIALISTAS, OU SIMPLESMENTE PARA OS DILETANTES RICOS PRA CARAMBA!!!
NÃO ENTENDO DE MÚSICA CLÁSSICA. MAS SEI QUE A PERSPECTIVA DE “ALFRED BRENDEL” É ÚNICA. SUA TÉCNICA, O ESTILO, E O DEDILHAR ABSOLUTAMENTE CORRETO, NOTA POR NOTA; E DE TAL FORMA QUE SE OUVE CLARAMENTE A EXECUÇÃO DE CADA PEÇA, É DE INCONTESTÁVEL EXCELÊNCIA!
BRENDEL É UM RACIONALISTA COM SENSIBILIDADE EXTREMADA. UM ARTISTA COM TOTAL DOMÍNIO DE SUA TÉCNICA E DOM, E DE COMO USA-LOS NA REALIZAÇÃO DE SUA OBRA!
ENTÃO, PARA OS QUE SABEM COM MAIOR PROFUNDIDADE – E NÃO É O MEU CASO – TENTEM COMPARAR POR EXEMPLO, O SEU ESTILO AO DE “WILHELM KEMPFF”, OUTRO PIANISTA SUPREMO – DE TOQUE “MAIS DURO”, ATAQUES MAIS ACENTUADOS.
ALFRED BRENDEL É ESPECIALISTA EM BEETHOVEN; E GRAVOU TRÊS VEZES O CICLO COMPLETO DAS SONATAS, E QUATRO VEZES O DOS CONCERTOS PARA PIANO. EU DISSE 3 E QUATRO VEZES!
O KARAJAN, QUE NÃO ERA PREGUIÇOSO… FEZ TRÊS VEZES O CICLO COMPLETO DAS SINFONIAS E CONCERTOS PARA PIANO!
SE VOCÊ QUISER UM RESUMO ( NÃO UMA COLETÂNEA ) DE SUA MAIS FAMOSA VERSÃO DA OBRA DE BEETHOVEN, EXISTE UM BOX – NADA CARO! – LANÇADO PELA “DECCA RECORDS”, COM DOZE CDS, GRAVADOS NOS ANOS 1970, TRAZENDO UM DOS CICLOS INTEGRAIS DAS SONATAS. E, TAMBÉM, OS CONCERTOS PARA PIANO ACOMPANHADOS PELA FILARMÔNICA DE LONDRES, SOB A REGÊNCIA DE BERNARD HAITINK.
SÃO EXUBERANTES! TIO SÉRGIO GARANTE!
OUSE.
POSTAGEM ORIGINAL: 22/09/2024
Alfred Brendel spricht über seine Aufnahmen für Philips

FRANÇOISE HARDY – E O ALEATÓRIO QUE NOS FASCINA!

Aventurar-se pelo mundo das coisas, pessoas e ideias é penetrar por veredas insondáveis. A lógica da procura está no decorrer da História que foi ou vai sendo tecida. E, para sermos realistas, na profusão de histórias que iniciam de um jeito e desembocam em outro; e podem requerer artifícios para serem seguidas, e nos levar a infinitas possibilidades que vamos descobrindo no caminho. E, também, às escolhas feitas pelos personagens, muitas vezes circunstanciais e aleatórias. É preciso observar mundos, e perscrutar pedaços de realidades para imaginar “verdades possíveis”.
A História real não se expressa em sequência; e nem é homogênea: pode ser montada do ponto de vista do observador – ou dos vários observadores. E se a verdade considerada científica é uma construção epistemológica, para as coisas mais cotidianas, da existência simples no dia a dia, pode ser a narrativa de cada observador. E isto cabe para artes em geral, e música principalmente….
Ou não?
Deste ponto de vista, tudo pode acontecer e a tudo cabem interpretações entre as muitas escolhas possíveis, mas não feitas; ou que simplesmente não rolaram. O papel do”SE” na História da Arte é intrigante!
Se com livros, discos e opiniões em mãos o percurso atrás de alguma explicação está sujeito a chuvas, furacões e trovoadas; é perfeitamente possível acabar compreendendo a vitória do simplismo; das FAKE NEWS; das repetições; das ideias fixas e do conservadorismo, em geral.
Observem que a maioria dos artistas que descobre uma fórmula de sucesso a repete até os ouvintes não aguentarem mais! Estão faltando BOWIES e CAETANOS. E sobrando elencos quase inteiros do ROCK IN RIO…
Tá bom, TIO SÉRGIO! Você é um TIGRE de BENGALA (ainda, não; ainda, não!) pensativo e falastrão. E o que tem a FRANCISQUINHA a ver com as tuas elocubrações de insano manso?
É mais ou menos o seguinte: como apaixonado por música, e reincidente contumaz; até há poucos meses eu garimpava coisas baratas nos “sites” INTERNET afora. E, caso não gostasse, eu descartava, trocava. O prejuízo era pequeno.
Mas, com a imposição do DÓLAR CURRA, juntado à EXTORSÃO FISCAL ABJETA e aos fretes ABUSIVOS; tudo considerado, as minhas finanças saíram feridas de morte. Então, movi-me retro; como todo mundo que compra de calcinhas a LONG PLAYS. Fiquei tão isolado da economia internacional, como todo o mercado brasileiro de importados… A gente não decola nunca por causa da insanidade fiscal e tributária…
Mas antes do estupro definitivo, descolei três discos da FRANÇOISE HARDY. Quando aportaram à minha … “porta”…, somando a indigestão total cada um custou cerca de $ 6,00 BIDENS, uns R$ 36,00 mandacarus. E mesmo sob o DÓLAR CURRA atual, custaram mais barato do que qualquer CD lançado no Brasil à época, e hoje em dia…
Então, vamos à parte legal da narrativa.
Lá no meio da foto, está o CD FRANÇOISE HARDY, gravado quando ela tinha tinha apenas 18 anos. É o primeirão da musa; um BEAT POP FRANCÊS mambembe. Mas traz o clássico “TOUS LES GARÇONS ET LES FILES”. Foi lançado em 1962 pela VOGUE, e vendeu 5 milhões de cópias no mundo inteiro!!! Um HIT de verdade!
Porém, FRANCISQUINHA não gostou do “rebento”, e relatou pra gente: – “Estou acompanhada pela pior banda do mundo! A minha voz era fina, a melodia simplista, e as letras inconsequentes. Eu fiquei satisfeita de ter feito, mas não orgulhosa”… Ela vendeu mais em dezoito meses, do que EDITH PIAF em dezoito anos!!!! Sacaram a ressaca da gata?
FRANCISQUINHA estudou Ciência Política e Literatura na SORBONNE, mas não concluiu os cursos. Viveu 1968 e suas consequências. Com o tempo, além do sucesso enorme, tornou-se modelo; e depois astróloga com vários livros publicados.
Na FRANÇA, ela era vista como tímida e tristonha. E nem tão bonita assim!!! Ofídios de plantão diziam que FRANÇOISE parecia um aspargo: “alta e magra demais”… Por lá, a turma preferia mesmo a SYLVIE VARTAN, que nasceu na Bulgária…
Mas quando ela atravessou o CANAL DA MANCHA, os ingleses deliraram! Sua imagem causou sensação! JAGGER teve um quase namorico correspondido – mas exigir o mínimo de compostura de MICK é impossível… E até DYLAN escreveu poema homenageando a felina francesa, na contracapa de “ANOTHER SIDE OF BOB DYLAN”… E BOWIE sempre foi apaixonado…
Dos três discos postados, o mais interessante e surpreendente é “MIDNIGHT BLUES” – PARIS LONDON 1968/1972. São dois LPs. originais que ressaltam o hiato em meio à produção habitual de FRANÇOISE: “ONE-NINE-SEVEN-ZERO”, de… ora, ora…, 1969; e FRANÇOISE HARDY, lançado em 1972, são totalmente cantados em Inglês. Há canções compostas por FRANÇOISE e seu parceiro na época, PIERRE TUBBS. E. também COVERS de LEONARD COHEN, BEVERLY MARTIN, BUFFY SAINTE-MARIE, RANDY NEWMAN, LEIBER & STOLLER e NEIL YOUNG.
Para mais bem compreender essa trajetória, surgiu em cena um acaso significativo: a profusão de grupos BEAT ingleses no mercado, lá por 1963/65, que expulsou vários deles para outros cantos.
E migrou para a ITÁLIA o “famoso” “NERO & THE GLADIATORS”, que logo depois foi parar na FRANÇA. E lá, parte formou a banda de SYLVIE VARTAN que abriu para os BEATLES no histórico show no OLYMPIA de PARIS, em 1964. Só isso…
O guitarrista era um certo MICKY JONES; que era e é CRAQUE. Ele ficou uns seis anos na FRANÇA, e gravou com SYLVIE, JOHNNY HALIDAY, e outros. Com FRANÇOISE HARDY fez sessões para o disco ONE NINE, SEVEN, ZERO, de 1969, realçando um BEAT/FOLK à THE BYRDS, SEARCHERS … e outras pitadas transferidas do ROCK PSICODÉLICO….
FRANÇOISE HARDY era precoce. E fascinada com a hipótese de expandir carreira na INGLATERRA, percebeu que havia uma revolução estética que poderia coadunar-se ao seu jeito algo ensimesmado de cantar, contido; FOLKISH, por que, não?
E, após “EN ANGLAIS”, 1968, o primeiro dela gravado por lá, FRANÇOISE fez JOE BOYD, o famoso produtor inglês, saber que ELA gostaria de gravar um disco inteiro de canções compostas por NICK DRAKE.
E lá foram BOYD e DRAKE encontrar-se com FRANÇOISE, em PARIS. Conta BOB STANLEY, músico e criador do grupo pop SAINT ETIENNE, hoje articulista da RECORD COLLECTOR, que se a francesinha era tímida, DRAKE era quase incomunicável. E nenhum falava a língua do outro. O clima frio congelou de vez, e o disco não rolou.
Mas, o fracasso a levou a gravar o “FRANÇOISE HARDY, 1972”, acompanhada por orquestra e banda formada por gente do FAIRPORT CONVENTION e do FOTHERINGAY. Durante a sessão, “quase todo o mundo musical de LONDRES”, apareceu para simplesmente ver, ou tentar gravar com aquele espécime humano magnético, exuberante!
E a história foi ficando mais saborosa. Entre os dois discos cantados em inglês, e enquanto a aventura britânica se fechava, FRANÇOISE gravou, em 1971, seu álbum mais famoso e bem sucedido: “LA QUESTION”, com a icônica guitarrista brasileira TUCA.
Ou seja, MADAME HARDY trocou a frieza dos compatriotas dos STONES… pelo quase ardor latino de toques bossanovistas. Ela se reinventou; se aconchegou. E tornou – se a inspiração para outras. Inclusive CARLA BRUNI, ex – primeira dama da França; excelente, sutil e “caliente” cantora ítalo francesa. FRANÇOISE permaneceu COOL; e bem longe da concupiscência que CARLA inspira e derrama…
FRANÇOISE HARDY tentou bastante entrar no mercado inglês, mas sem grande sucesso. Mesmo assim, a “paixão atávica”por lá despertou; e levou, na década de 1990, grupos como o BLUR e os PET SHOP BOYS a gravarem com ela SINGLES de muito sucesso.
Fecho essa narrativa torta, cheia de altos e baixos feito montanha russa, que vai do BEAT INGLÊS, deságua na FRANÇA, vai até os BEATLES no OLYMPIA, volta para uma francesa que gostava de NICK DRAKE, mas que retorna ao calor latino. Mas sempre perto da contemporaneidade.
E recordo outro herói recôndito e “ziguezagueante”: MICKY JONES, que ajudou a atualizar o POP ROCK FRANCÊS, e voltou para a INGLATERRA; entrou para o SPOOKY TOOTH, passou por incontáveis, e fundou o FOREIGNER, em 1976, onde fez fama, fortuna e lá permanece.
Se alguém acha que isso tudo faz sentido, é porque enxerga razões objetivas na aventura humana pela vida fragmentada que todos vivemos.
Viver é tentar compor acasos aleatórios esparsos e soltos pelaí…
Foi o que tentei!
POSTAGEM ORIGINAL : 21/09/2024
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WALL STREET – TRILHA SONORA de DAVID BYRNE e BRIAN ENO – 2010

E aí, TIO SÉRGIO, gostou?
Vou pelo começo. Uns tempos atrás, eu estava caçando pela INTERNET- LOJAS, essas coisas, e dei de cara com esse disco a preço da honra de certos políticos…
Parei, olhei, procurei saber.
E soube que é uma trilha composta por DAVID BYRNE, o cara dos TALKING HEADS, e o BRIAN ENO… Hummm, pensei, cogitei, separei. Comprei.
Depois, percebi uma coisa interessante. A trilha, na verdade, foi literalmente exarada de um disco dos dois chamado “EVERY THING THAT HAPPENS WILL HAPPEN TODAY”, e uma faixa de outro disco; mais outra dos TALKING HEADS; e uma composição do produtor CRAIG ARMSTRONG. Quer dizer, vale por uma coletânea de BYRNE e ENO.
Então tá!
Mas TIO SÉRGIO, você gostou? É bom?
Bom, é tipo assim. Eu gosto muito do ENO; mas pro BYRNE e os TALKING HEADS jamais dei bola…
Ahhh, não é ruim, não é desinteressante, não é intragável, não é cativante, vou deixar na estante, mas não é … pra mim.
As faixas são algo recorrentes… meio repetitivas. Achei o disco longo… E mais ao estilo BYRNE do que ENO. Tem aquela levada vocal do BYRNE, manjada; a gente sabe que é ele. Mas, no fundo, e daí…
Foi uma compra que não senti no bolso. E nem na alma…
Sei lá, entende…
POSTAGEM ORIGINAL: 20/09/2025
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OS EFEITOS DO “GOLPE DE 1964” TERMINARAM COM AS CONDENAÇÕES DE 11/09/2025!

Os conspiradores que tramaram romper a INSTITUCIONALIDADE durante o governo BOLSONARO, foram julgados e condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em 11 de setembro de 2025; encerrando de vez os efeitos e a memória histórica do GOLPE de 1964.
À luz do evento de 1964, restou o medo, que sempre pairou sobre a sociedade, de que permanecia, entre os militares, o desejo latente de insurreição e golpe; temido ao longo das décadas, inclusive após a CONSTITUIÇÃO DE 1988.
Nas intervenções muito bem documentadas, em reuniões onde a hipótese de GOLPE foram aventadas, os MINISTROS do EXÉRCITO e da AERONÁUTICA de BOLSONARO se recusaram a dar apoio a quaisquer rompimentos da legalidade.
Os dois ministros: o general MARCO ANTONIO FREIRE GOMES, e o tenente – brigadeiro CARLOS DE ALMEIDA BATISTA JR, segundo testemunhas, confrontaram o ex-presidente BOLSONARO, que estava em sala, no Palácio da Alvorada, e dirigindo a reunião realizada em 7/12/2022, onde foi aventada a hipótese de ruptura democrática, um golpe de Estado, para evitar que LULA, vencedor no pleito de 2022, assumisse o poder. Há provas disso.
O possível golpe foi sustado no coração do sistema militar. O que denota a solidez das INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS BRASILEIRAS, inclusive nas forças armadas.
Não importa o que venha a ocorrer daqui para frente. Se haverá diminuição de penas; ou cumprimento fora das grades; e mesmo que, no futuro, eventualmente haja anistia para os participantes. O fato é que nunca se imaginou militares de alta patente no banco dos réus; Generais e Almirantes presos preventivamente; e políticos e populares processados e presos por conspiração contra o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO.
O gesto efetivo de identificar, investigar, julgar e punir os principais responsáveis pela trama golpista, é o símbolo que faltava para a CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA NO BRASIL.
Fazendo um paralelo sociológico, e utilizando a metodologia de MAX WEBER, na tese da acusação foi realizada a construção de um TIPO IDEAL para demonstrar todo o percurso do crime.
A linha seguida pelo SUPREMO foi traçar um histórico detalhado do processo golpista; incorporando cada momento e ato, o que revela com nítida clareza as intenções da somatória dos fatos. Não vou fazer digressões. Está tudo documentado; está nas mídias.
Por isso, a tese adotada pela PROMOTORIA e aceita pela maioria do SUPREMO, é a mais correta, sustentável, e lógica:
A CONSPIRAÇÃO GOLPISTA FOI UM PROCESSO DINÂMICO, QUE SEGUIU UM ENCADEAMENTO DE ATOS OBSERVÁVEL NO TEMPO, ONDE FICARAM EVIDENCIADOS E EXPLICADOS A CORRELAÇÃO ENTRE ATOS E FATOS DE MANEIRA LÓGICA, E COM OS PARTICIPANTES INEQUIVOCAMENTE IDENTIFICADOS NO DECORRER; E, TAMBÉM, FICOU DEMONSTRADO QUE AS RESPONSABILIDADES FORAM COMPARTILHADAS ENTRE OS IMPLICADOS. PORTANTO, CONFIGURANDO “FORMAÇÃO DE QUADRILHA”.
No entanto, mesmo considerando as preliminares, onde o juiz LUIZ FUX acusou a impertinência do foro – e foi contestado e não aceito -; e mesmo que seja verdade que não tenha havido tempo hábil para os advogados examinarem a imensa quantidade de material apensado ao auto. Ocorreu que a interpretação adotada por FUX, restritamente formal, concluiu não ter identificado culpas individualizadas. O que foi também contestado pelos outros integrantes da “PRIMEIRA TURMA”, e a maioria dos outros juízes da Corte.
Eu não sou advogado, e muito menos jurista. Mas talvez o DIREITO PENAL não tenha amplitude e instrumentos adequados para lidar com uma TRAMA POLÍTICO-CRIMINAL de tal envergadura? Ou teria FUX, à priori’, descartado a Formação de quadrilha?
Só quero entender como foi possível ter havido esse tipo de crime, sem ampla organização, o que demanda tempo, planejamento, e requer inúmeros implicados?
Mas, o crime houve, julgou o próprio FUX, que identificou dois culpados de alto coturno, o tenente – coronel MAURO CESAR BARBOSA CID, ajudante de ordens do ex-presidente BOLSONARO; e o general WALTER SOUZA BRAGA NETTO, que foi ministro da Casa Civil, e depois, entre 2021 e 2022, final do governo, o MINISTRO DA DEFESA.
Seria ingenuidade dizer que ambos não eram da convivência direta, e da irrestrita confiança de BOLSONARO! Eram, e foram condenados. Mas a quem “aproveitaria” um desfecho golpista?
Se aconteceu desse jeito, como foi possível FUX ter concordado que tenha havido tentativa de golpe não consumado, e livrar BOLSONARO, o verdadeiro beneficiário do golpe? É claro e nítido! Se não fosse, então quem assumiria o poder se o plano golpista tivesse dado certo?
É impossível não identificar mais envolvidos e corresponsáveis, por quaisquer dos métodos de análise! Os quatro outros juízes da TURMA afirmaram que LUIZ FUX deixou de considerar várias provas no percurso…. E vários integrantes do SUPREMO também criticaram a conclusão do JUIZ FUX.
A sociedade, e a extrema direita bolsonarista em particular, precisam compreender que um GOLPE DE ESTADO é, pura e simplesmente, a tentativa de alijar pela força os que não concordam com o desenrolar da política normal em uma democracia. Portanto, É USURPAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS E DA CIDADANIA de outros. É ilegal, imoral, ilegítimo e antiético!
As eleições que elegeram tanto BOLSONARO como LULA foram livres e honestas; realizadas através de urnas eletrônicas seguras; em campanhas políticas abertas nas ruas, ou pelas redes sociais; com imprensa e debates livres, e os direitos individuais respeitados. Os resultados foram, também, auditados e se deram dentro das margens de erro nas diversas pesquisas eleitorais realizadas.
Foram eleições legítimas. E não houve dúvidas sobre os vencedores. Assim como não há dúvidas de que as forças políticas antagônicas se equivalem, e os embates democráticos e legítimos continuam na sociedade e no CONGRESSO. Portanto, nada justificava pressões pela ruptura da democracia. Aliás, nada justifica. Nunca!
Digressão histórica relevante: a tese da ANISTIA AMPLA, GERAL e IRRESTRITA, votada em 1979, no governo do GENERAL FIGUEIREDO, foi considerada falha pela oposição da época. Porque foram perdoados torturadores e outros responsáveis por crimes cometidos pelo regime militar.
Segundo a tese da oposição, a prevalência da injustiça e da impunidade incentivaria golpes futuros. No entanto, no enfrentamento ao BOLSOGOLPE as INSTITUIÇÕES mantiveram-se firmes. Então, é também possível admitir que a ANISTIA POSSÍVEL, no final do regime militar, foi correta para o BRASIL.
O que não foi possível fazer depois de 15 de março de 1985, por absoluta falta de PODER REAL das oposições, na transição do regime militar para o civil, quando JOSÉ SARNEY sucedeu o general JOÃO BATISTA FIGUEIREDO;
Atos como investigar e julgar os responsáveis pelo golpe de 1964, e suas consequências; em 11 de setembro de 2025, ocorreram em absoluta normalidade no julgamento dos TRAMA GOLPISTA de BOLSONARO e asseclas.
Então, eu reafirmo: A LEI DA ANISTIA, DE 1979, se comprovou eficaz e funcional.
Hoje, apesar de TRUMP, da turbação internacional, da sociedade brasileira polarizada, da fragilidade do CONGRESSO, e da suposta sedição de EDUARDO BOLSONARO; o SISTEMA JUDICIAL prevaleceu. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, liderado pelo JUIZ ALEXANDRE DE MORAES assumiu o caso, enfrentou resistências corajosamente, e deu o veredito.
Resumindo, agora é possível confirmar o acerto da LEI DE ANISTIA DE 1979, que trouxe a normalidade política, apesar das imperfeições.
E quando houve a recente TRAMA GOLPISTA, e as tentativas de subversão da DEMOCRACIA, os implicados diretos foram, e ainda estão sendo julgados, e vários já estão sendo punidos.
Em minha opinião, a eficiência da resposta das INSTITUIÇÕES às tramas golpistas, ajudaram a encerrar um capítulo da HISTÓRIA BRASILEIRA: os efeitos da memória e de 1964, foram encerrados em 11 de setembro de 2025. O GOLPE DE 1964 ACABOU 61 ANOS DEPOIS.
POSTAGEM ORIGINAL:13/09/2025

E EU ATÉ ACHAVA QUE SABIA PINTAR… E ATÉ ESCREVI UNS VERSOS SOBRE O QUADRO “A CIDADE E OS LIVROS”, QUE FOI “COMETIDO” EM MAIO DE 2012

ÁGUA QUE LAVRA FEITO LAVA;
ENCOBRE O ETERNO QUE NO PASSADO FICOU;
PERMANECE O HOMEM INCOMPLETO:
CONHECIMENTO, WEB, DESAMOR;
TUDO ESMAECE, EVAPORA, PASSA;
MUSEUS BROTARÃO EM CADA ESQUINA ;
A ESTANTE, O PAPEL, E A IMPERMANÊNCIA;
EM CHIP CONCENTRADOS:
MODERNA SINA
O SOLITÁRIO QUE NOS LIVROS NAVEGAVA,
CONTEMPLA A VIDA NO COMPUTADOR.
ABRAÇA O TEMPO ISOLADO EM SI;
HORROR PEQUENO;
PENSANDO BEM: TORPOR!
Não ficou tão ruim..
POSTAGEM ORIGINAL:16/09/2020
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SPIRIT – FUSÃO PSICODÉLICA – 1967 /1973

Estão aqui, os gloriosos primeiros discos do SPIRIT, gravados para a COLUMBIA RECORDS, entre 1967 e 1970, onde se destaca o guitarrista “HENDRIXIANO” RANDY CALIFORNIA. São quatro supra sumos do melhor ROCK PSICODÉLICO feito na América daqueles tempos!
Também está postado o CD DUPLO com os dois álbuns que fizeram na MERCURY RECORDS: “FEEDBACK”, – sem CALIFORNIA -, que voltou à banda para “SPIRIT of 76”.
Nesta fase, tentaram ajustar o grupo para o HARD ROCK ao estilo HUMBLE PIE, SPOOKY TOOTH, por aí… Era a sonoridade em voga do final dos anos 1960 e início da década de 1970, pareando com o nascente ROCK PROGRESSIVO.
SPIRIT foi banda originalíssima que fundiu o ROCK PSICODÉLICO ao BLUES, e com pitadas de JAZZ MODERNO – a contribuição luxuosa do baterista ED CASSADY, padrasto de RANDY CALIFORNIA, e veterano do JAZZ com passagens por grupos de CANNONBALL ADDERLEY, THELONIOUS MONK , GERRY MULLIGHAN, TAJ MAHAL, e outros vários.
A banda “soava claustrofobia”; um clima que, para mim, sempre lembra o 1984, de GEORGE ORWELL; ou coisas de FRANZ KAFKA.
Eram pesados e algo lentos; talvez um pré – BLACK SABBATH mais intelectualizado. Filhos legítimos da ERA HIPPIE e da GUERRA FRIA, portanto embalados no desbunde crítico e anárquico dos contestadores de 1968I
Bingo! O LP de maior sucesso da banda, o espetacular “12 DREAMS OF DR.SARDONICUS”, de 1970, exala isto!
Houve, tempos atrás, polêmica sobre a abertura da música TAURUS, constante no álbum “SPIRIT”, lançado em 1967, e tida como plagiada pelo LED ZEPPELIN, em “STAIRWAY DO HEAVEN”.
Eu discordo. Acho acusação genérica e insuficiente. Afinal, o que existe é uma sequência de acordes encontrados em centenas de outras músicas. Nada demais.
O LED ZEPPELIN foi absolvido, com inteira justiça; mesmo que o ranço do estigma gerado pela discussão permaneça, confundindo o excelente currículo da banda com prontuário…
No entanto, o SPIRIT chegou a excursionar com o LED, que tocou “Fresh Garbage”, em um show, o que para muitos seria indício de fraude….
Sempre que ouço as orquestrações em discos do SPIRIT, me recordo de “CONSTRUÇÃO e DEUS LHE PAGUE” do CHICO BUARQUE. Percebo no arranjo de ROGÉRIO DUPRAT inspirações “orwellianas”, que lembram o “SPIRIT”…
Atentem: não falei em plágio – porque não é mesmo! Eles são contemporâneos; e DUPRAT foi o maestro da TROPICÁLIA, espécie de PSICODELIA À BRASILEIRA.
E, por proximidade lógico-estética-temporal, influências e memórias sempre parecem possíveis…
SPIRIT é banda fundamental! E cai em teste para “rockers” em nível de mestrado.
Não percam! São músicos e discos altamente criativos!
POSTAGEM ORIGINAL:15/09/2019
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THE ELECTRIC PRUNES – TRANSIÇÃO ENTRE O ROCK PSICODÉLICO E O PROGRESSIVO -1967 – 1969

Um caso a parte. A banda original existia, mas não era dona do nome ELECTRIC PRUNES, que pertencia ao empresário deles.
Mas, gravaram integralmente os dois primeiros discos, clássicos do ROCK PSICODÉLICO AMERICANO.
O primeiro deles, “I HAD TOO MUCH TOO DREAM”, 1967 , é espetacular! Talvez o indício primordial do que, uns doze anos depois, seria batizado “GOTHIK ROCK” .
Em minha opinião, não haveria THE CURE, JOY DIVISION e vários , sem a influência da sonoridade criada pelos PRUNES.
Eu ouvi os ELECTRIC PRUNES, no rádio , em 1967. Enlouqueci!!!!
E meu amigo – irmão SILVIO LUCIANO DEAN havia comprado o COMPACTO SIMPLES, lançado aqui em PATÓPOLIS. Ouvimos até abrir uma fenda!
Então, consegui o primeiro LP deles, em MONO, de alguém cujo pai era piloto de aviões, e trazia mercadorias “não oficialmente”.
Paguei sei lá quanto por ele e o espetacular single “I CAN SEE FOR MILES”, gravado por THE WHO.
Estão entre as melhores compras que fiz em minha vida!
Os membros originais dos ELECTRIC PRUNES participaram meio na marra de parte do terceiro disco, a monumental e intrigante “MASS IN F MINOR”, a missa católica completa, cantada em latim e tocada como ROCK PSICODÉLICO à JEFFERSON AIRPLANE com influências de JIMI HENDRIX. Ou seja, o uso de câmaras de eco, distorção, delay e tudo o mais que a modernidade iconoclasta da era hippie trouxe!
Este álbum foi composto e proposto por um músico de vanguarda DAVID AXELROD, e lançado sob o nome dos ELECTRIC PRUNES. Parte dele foi feita com banda de estúdio, que tomou o lugar da turma original. Foi um sucesso de crítica! e é cult, surpreendente e colecionável!
Talvez muitos não conheçam o quarto disco da “franquia”: “RELEASE OF AN OATH” , uma prece judaica, também composta por AXELROD, com ele e um espetacular time de estúdio em Los Angeles, entre eles a baixista ícone CAROL KAYE – que dá um show na gravação!
Também é disco é imperdível. Um dos elos entre a PSICODELIA e o nascente ROCK PROGRESSIVO. Mas, sem os resquícios da primeira formação da banda.
Os outros dois discos aqui postados são pra cumprir tabela e mais nada.
Eu recomendaria tranquilamente os 4 primeiros discos para quem gosta do gênero. E nome de banda pertencer a empresário era ainda muito comum.
Aqui, no HOSPÍCIO DO SUL, a famosa banda dos anos 1960, “OS INCRÍVEIS”, adotou esse nome porque o original, THE CLEVERS” , pertencia ao empresário e radialista, ANTONIO AGUILAR, com quem havia brigado.
POSTAGEM ORIGINAL: 14/09/2019
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