FRANGOS, UMA REFLEXÃO. E A TRILHA SONORA POSSÍVEL: CHICKEN SHACK, ATOMIC ROOSTER, E OS ROLLING STONES

Eu adoro! Assado, grelhado, cozido, a passarinho, numa bela canja, por aí… É bicho gordurento, mas tanto faz: humanos dão conta disso…
Pensando bem, que pobre bichinho! Há bilhões e bilhões deles espalhados pelo mundo. Valem nada; e crescem para os nossos prazeres e alimentação. Vivem sob nossos desígnios e poderes. São, metaforicamente, os chineses e os hindus, os africanos e os miseráveis do mundo… Custam barato.
O nascimento é uma sentença de morte: 60 e poucos dias e ponto. Sem história, e nem glória. São precários por necessidade e condicionamentos que o homem lhes impõem… Talvez sejam os maiores oprimidos do reino animal! São devastados e repostos continuamente…
Esses dias, comprei um peito para fazer canja. Não reparei, mas o bicho estava crescido: era um galo quando foi abatido. E se vingou de mim e minha panela de pressão: carne dura, e sem sabor…
Poucas vezes reclamei deles. Mas achei um descaso o bicho estar tão sem gosto. Então, eu o algoz do bicho, pensei comigo: nunca mais! Toda a vez em que for buscar o pobre galináceo vou dar uma geral, e ver se tem o tamanho máximo; e se tenro para o meu deleite.
Eu, você e o mundo somos cruéis com criatura tão útil e indefesa. Hoje, hipocritamente faço orações quando meu prato chega. E, quem sabe, ele reencarne homem ou bicho menos vulnerável.
Para se ter uma ideia do “quê” somos basta verificar a nossa posição na cadeia alimentar.
O resultado não é lisonjeiro.
Ah, fui buscar na coleção alguns discos e artistas que tenham relação com o nobre e supliciado bichinho, estão na foto:
CHICKEN SCHACK ( galinheiro ); ATOMIC ROOSTER (galo atômico), e os ROLLING STONES no clássico ‘LITTLE RED ROOSTER”, de Willie Dixon.
Có, có, có, cocoreco, có, có!!!!!!!!!
POSTAGEM REVISTA: 31/05/2025
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LORD SUTCH – ENTRE O ENIGMA E O CULT COLECIONÁVEL!

MAL SEI POR ONDE COMEÇAR.
ENTÃO, VOU PELO CAMINHO ESCORREGADIO PERCORRIDO POR FARSANTES, OPORTUNISTAS OU SIMPLESMENTE PERSONAGENS ESQUISITOS, IMPROVÁVEIS E CLAUDICANTES QUE LOTAM AS VEREDAS DO SHOW BUSINESS.
EM MEUS “ALFARRÁBIOS” ENCONTREI UMA ENTREVISTA DO REFINADO PRODUTOR CHRIS THOMAZ (PROCOL HARUM, ENTRE VÁRIOS ARTISTAS ), SOBRE A SESSÃO DE GRAVAÇÃO QUE O EMPRESÁRIO “MALCOLN MC LAREN” CONTRATOU PARA FAZER O PRIMEIRO DISCO DOS “SEX PISTOLS”, “NEVER MIND THE BULLOCKS”, EM 1976.
AUDIÇÃO E VEREDITO:
THOMAS: “TÁ LEGAL! A BANDA DEIXA PRA LÁ. EU TENHO O MEU TIME NO ESTÚDIO E A GENTE FAZ TUDO ISSO AÍ COM UM PÉ NAS COSTAS”. MAS O CANTOR ( JOHNNY ROTTEN ) NÃO TEM JEITO! ARRUMA OUTRO, PORQUE NÃO HÁ CONDIÇÕES DE FAZER ESSE CARA CANTAR!”
E DEPOIS DISSERAM QUE “LORD SUTCH” NÃO SABIA CANTAR!!!!
NÃO SABIA. MAS, E DAÍ?
DAVID SUTCH sempre foi muito pobre. Trabalhou como auxiliar de mecânico de automóveis; foi encanador; e desenvolveu outra obsessão: o ROCK AND ROLL.
O LORD era híbrido mal feito de “quase – cantor” de ROCK; “quase – ator” ;- e performer aloprado. Contradição explícita para um sujeito “quase tímido”, reservado, e que não saía do quarto durante as turnês. Ele nunca tomou drogas ou passou dos limites. E morava com a mãe e a cachorra.
Por suas bandas, sempre efêmeras, passaram alguns históricos: RITCHIE BLACKMORE, depois guitarrista do DEEP PURPLE; o pianista NICKY HOPKINS; e o organista MATHEW FISHER
( PROCOL HARUM ). Ele gravou alguns SINGLES produzidos pelo histórico doidivana e produtor JOE MEEK. Mas, sem qualquer sucesso.
LORD SUTCH já conhecia SCREAMING JAY HAWKINS, “BLUES-SINGER” e performer americano, que entrava no palco dentro de um caixão junto com uma cobra de borracha… Mas legou ao mundo “I PUT SPELL ON YOU”, 1956, clássico do R&B gravado por muitos, como NINA SIMONE e o CREEDENCE CLEARWATER RIVIVAL…
Baseado nas performances de HAWKINS, em 1961 SUTCH, acompanhado por uma banda de ROCK, começou a desenvolver JACK THE RIPPER, um “GRAND GUIGNOL” sobre o famoso estripador e serial killer inglês. De certa forma, ele tornou-se o antecessor de ALICE COOPER, IGGY POP, ARTHUR BROWN e outros malucos “histórico/histéricos” do ROCK. O show do LORD era anarquia e non – sense puros. As fotos do público assistindo testemunham a paralisia frente ao caos!
É argumentável que seu “espectro de insanidade” e contestação também influenciaram o PUNK-ROCK! Afinal, seus “não – atributos” artísticos tornaram-se a essência do LOW-FI ALTERNATIVO; que ditou regra, em vários casos, de meados dos 1970 em diante…
Em meio a tudo isso, LORD SUTCH meteu-se em política e ajudou a bagunçar o REINO UNIDO com o inacreditável partido que fundou, em 1963:
O “NATIONAL TEENAGE PARTY” tinha um lema: “VOTE FOR INSANITY. YOU KNOW, IT MAKES SENSE”, frase típica dos movimentos “político – nefelibatas”, que desaguaram em 1968…
O partido cativou os mais jovens, porque propunha voto aos 18 anos; e descriminalizar as rádios clandestinas, que desafiavam o monopólio da estatal B.B.C.
LORD SUTCH participou de incontáveis eleições e jamais foi eleito. Ele e seu partido foram escorpiões no sapato da elite inglesa.
O nosso “Lorde de araque” atazanou – e muito – a vida da futuro Primeiro – Ministra MARGARETH THATCHER.
Por caminhos não bem explicados começa o foco maior de nosso interesse nele. No início de 1969, LORD SUTCH andava esquecido no mundo do ROCK, e resolveu tentar carreira nos Estados Unidos. Claro, não deu certo!
Mas gravou um disco contestado, de popularidade e aceitação ciclotímica, mal compreendido – ou muito bem compreendido, alegam outros… Horroroso, ou… e inevitavelmente CULT?
LORD SUTCH & THE HEAVY FRIENDS, produzido por JIMMY PAGE, foi eleito o pior disco da história pela BBC, quando lançado em 1970! E ganhou o GUINESS como um “BRILHANTEMENTE INAUDÍVEL CLÁSSICO”. A maioria dos participantes tentaram “esquecer” que lá estiveram, tal o julgamento que à época foi feito…
Porém, TIO SÉRGIO pergunta: como pode ser ruim um disco em que a banda tem a seguinte formação básica?
Estão preparados? JIMMY PAGE e JEFF BECK, nas guitarras; NICK HOPKINS, no piano; JOHN BOHNAN, na bateria; e NOEL REDDING (JIMI HENDRIX ) no baixo; e sem falar em outros músicos de estúdio experientes, e todos no auge da forma artística e técnica?
Vamos em frente:
O segundo álbum, gravado ao vivo em estúdio pelos HEAVY FRIENDS, em 1971, “HANDS OF JACK THE RIPPER”, traz uma sequência esfuziante de ROCK AND ROLL CLÁSSICO, como “ROLL OVER BEETHOVEN”, “GREAT BALLS OF FIRE”, e similares…
Está lá, inclusive, a hilária e estravagante “performance integral ” ao vivo de “HANDS OF JACK THE RIPPER”, com mais de dez minutos de gritos, assassinatos, urros e flatulências. E a inestimável contribuição na algazarra de KEITH MOON ( AHHH vocês sabem quem é ) berrando insanamente ao fundo!
Mais um complemento, a banda que foi ao palco era: RITCHIE BLACKMORE, na guitarra; KEITH MOON, na bateria; NOEL REDDING, no baixo e MATHEW FISHER, no teclado. E mais uns 6 músicos profissionais de estúdio e de outras bandas…
É algazarra beirando a música. É muito legal, sim, majestades!
Eu acho que a má recepção do primeiro disco deveu-se a ele estar totalmente fora do contexto artístico da época. Em 1970, o nascente ROCK PROGRESSIVO ditava as regras. Portanto, o esmero na produção já era indispensável.
Mas os dois álbuns são de ROCK´N`ROLL PESADO PURO E SIMPLES, sem alusões vanguardistas ou vanguardeiras. Não são HARD ROCK; e nem HEAVY METAL E sem quaisquer firulas ou produção mais acurada. Quase LOW-FI! ROCK, e ponto!
De alguns tempos para cá, foram resgatados grupos das décadas de 1960/1970, à época desconhecidos, com a marcante característica de serem básicos, chão duro. Ouçam um deles, o hoje “CULT”: JOSEPHUS!!!!
No primeiro disco dos HEAVY FRIENDS, a banda toca completa em duas faixas, e a dobradinha BECK/PAGE é inesquecível. Nas demais, JIMMY PAGE testa mil coisas, como wah-wahs, delays e câmaras de eco, com liberdade total. Eu diria que são preâmbulos de futuro muito próximo!
Há, também, “BOHNAN” e “REDDING” além do parâmetro básico. E participações excelentes com BECK na guitarra e KENT HENREY, guitarrista do BLUE IMAGE e do STTEPPENWOLF, tocando o fino pesado, também.
Sou suspeito para dizer. Mas este é um dos MELHORES DISCOS DE ROCK QUE OUVI NA VIDA! E a cotação digamos… artística… vem subindo ao longo do tempo.
No último relançamento, há uns dez anos, a RECORD COLLECTOR já deu quatro estrelas para o álbum. E vários elogios, também… Há uma foto histórica nessa postagem: JEFF BECK e JIMMY PAGE no estúdio juntamente com o LORD SUTCH.
Para complicar, observem um aspecto intrigante sobre a “pessoa” do LORD: Os companheiros de banda contavam que se houvesse alguma encrenca, a simples presença dele acalmava os ânimos dos policiais. Os ingleses, sempre formais, o respeitavam por aquilo que ele “representaria”…
DAVID SUTCH foi encontrado morto pela namorada, em junho de 1999. Ele havia se enforcado em casa. Era bipolar, e não aguentou a morte da mãe e da cachorra. Morreu de solidão…
No seu funeral, em LONDRES, estavam centenas de pessoas. E foi a primeira e última vez que se cantou “ROLL OVER BEETHOVEN”, na SAINT PAUL CHURCH.
REST IN PEACE – ou “PIECES”? – LORD DAVID SUTCH!
POSTAGEM ORIGINAL: 29/05/2021
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JANIS SIEGEL – A CULTIVADORA DE PÉROLAS

Ela é parte do excelente JAZZY/POP sofisticado e talentoso grupo vocal americano MANHATAN TRANSFER.
Quatro cantores capazes de elevar em nível máximo COLE PORTER, JONI MITCHELL, DJAVAN, SLY & THE FAMILY STONE, TOM JOBIM, e tantos outros: sabem cantar tudo!
JANIS tem carreira solo tão virtuosa e versátil quanto em grupo. Vai muito bem com trios, quartetos e outras formações. E ajusta em estado da arte sua voz expressiva e controlada, bela e quente, ao piano de FREDDIE HERSCH.
Aliás, tenham o prazer em conhecê-lo. FREDDIE é músico e artista de altíssima qualidade. Arranjador de bom gosto, capaz de realçar repertórios extensos e inusitados, dando-lhes a tintura jazzística adequada e imprescindível aos que procuram seu talento e competências.
Os discos aqui postados são todos recomendáveis. Relaxantes sem serem vulgares; e melodiosos sem pieguices. São gravações em alto nível artístico e técnico – seguramente!
O meu predileto é “SLOW HOT WIND”, de 1989, em que SIEGEL & HERSCH iluminam compositores modernos como JAMES TAYLOR, JULIA FORDHAN, JUDY COLLINS outros vários. Escolheram músicas e repertório pouco usuais. E muito interessantes. TIO SÉRGIO garante.
Um instigante bálsamo para esses tempos vorazes e doentios. Descubram e curtam! Valem a pena!
POSTAGEM ORIGINAL: 29/05/2021
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HORACE SILVER , ENTRE O BE-BOP E O HARD BOP, ENXARCADO POR FUNK E BLUES

Estão aqui talvez uns 30% do que HORACE TAVARES DA SILVA produziu. Não se percam por este nome. Ele era americano, nasceu em 1928,e morreu em 2014. Seu pai era de CABO VERDE.
JOHN MAYALL em uma de suas passagens pelo Brasil, comentou que cruzou com HARACE SILVER nos bastidores do festival que participaram. Eram velhos conhecidos. E, claro, o BLUES os aproximava.
SILVER passou 28 anos na BLUE NOTE RECORDS . Muito tempo para um jazzista de sua geração. E muitos o consideram compositor melhor do que pianista.
Sei, lá. É notório seu capricho no lado melódico, daí ter composto uma série de STANDARDS, “DOODLING”, OPUS THE FUNK e PEACE, entre vários.
HORACE SILVER influenciou pianistas como RAMSEY LEWIS e LES McCANN, notórios cultores de ritmos e coisas mais funkeadas. Mas, também vanguardistas como CECIL TAYLOR.
Gosto dele; o lado BLUESY meio festeiro, tingido por algo meio DARK e GOSPEL e um toque seco, o tornam muito agradável e divertido.
Aqui está uma seleção bem substancial de discos do mestre. Esse box 12 CLASSIC ALBUMS 1953/1962, cerca bem a franga no terreiro, e é barato: uns R$ 140,00 MANDACARUS, na POPS DISCOS.
Mas, escutem antes de comprar.
Eu vou continuar comprando.
POSTAGEM ORIGINAL: 23/05/2023
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FRANGOS, UMA REFLEXÃO

Eu adoro! Assado, grelhado, cozido, a passarinho, numa bela canja, por aí… É bicho gordurento, mas tanto faz: o bicho homem dá conta disso…
Pensando bem, que pobre bichinho! Há bilhões e bilhões deles espalhados pelo mundo. Valem nada, crescem para os nossos prazeres e alimentação. Vivem sob nossos desígnios e poderes. São os chineses e os hindus, africanos pobres do mundo… Custam barato.
O nascimento é uma sentença de morte: 60 e poucos dias e ponto. Sem história, sem glória. São precários por necessidade e condicionamentos que o homem lhes impõem… Talvez os maiores oprimidos do reino animal! São devastados e repostos…
Esses dias comprei um peito para fazer canja. Não reparei, mas o bicho estava crescido, era um galo quando foi abatido. E se vingou de mim e minha panela de pressão: a carne era dura, e sem sabor…
Poucas vezes reclamei deles. E achei um descaso o bicho estar tão sem gosto; então, pensei comigo, seu algoz: nunca mais! Toda a vez em que eu buscar o pobre galináceo vou dar uma geral, e ver se tem o tamanho máximo; e se tenro o meu para meu deleite.
Eu, você e o mundo somos cruéis com criatura tão útil e indefesa. Hoje, hipocritamente faço orações quando meu prato chega. E, quem sabe, ele reencarne homem ou bicho menos vulnerável.
Para se ter uma ideia do “quê” somos basta verificar a nossa posição na cadeia alimentar. O resultado não é lisonjeiro.
POSTAGEM ORIGINAL:28/05/2021
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Carlos Mendes Lupa, Paulo Faciola e outras 8 pessoas

KRAUT ! – COLEÇÃO ESPETACULAR E IMPRESCINDÍVEL DO ROCK PROGRESSIVO FEITO NA ALEMANHA

Comprei os BOXES no espaço de uns 4 meses, porque bastante caros! Preços muito mais altos do que a média, por causa do excepcional trabalho para a sua realização.
A BEAR FAMILY RECORDS é a mais perfeita pesquisadora, preservadora e editora de quaisquer coisas relevantes do passado musical gravado. Não tem pra ninguém: não há produtos mais perfeitos, amplos, relevantes e bem feitos na indústria discográfica mundial. Obras de arte, sempre!
Os quatro BOXES, cada um com 2 CDS, foram baseados nas regiões geográficas da antiga “ALEMANHA OCIDENTAL”. E trazem livretos excepcionais com fotos, históricos, etc… em qualidade gráfica suprema. Mas pecam por um absurdo: o TEXTO É EM ALEMÃO. E ler “ozalemão” vamos combinar que não dá! Cadê a tradução para o inglês, PÔ!
Mesmo assim, as biografias completas de cada uma das 87 bandas e artistas que aparecem nas coletâneas, são diagramadas de forma que se ter acesso direto ao nome dos integrantes, e a fotos espetaculares de tudo o que gravaram. Ou seja, permite uma comunicação visual direta e imediatamente compreensível.
Os artistas escolhidos são incontestáveis. Mas, incompleto: não há nada dos 3 principais e mais famosos representantes do KRAUTROCK: KRAFTWERK, CAN e AMON DUULL- 2. Questões contratuais, essas coisas, impediram…
Fazem falta? Certamente; porém são bandas e discos de fácil acesso internacional, e a opção adotada é plenamente supletiva e vitoriosa.
Entre as 87 faixas, todas remasterizadas, há várias com mais de 6 minutos. Estão aí 24 de bandas muito conhecidas, como TANGERINE DREAM, EMBRYO, GURU-GURU, PASSPORT, TRIUNVIRAT, LUCIFER FRIENDS, NOVALIS, BIRTH CONTROL, JANE, FRUMPY, ELOY, NEKTAR e KHARTAGO. Não vou citar todos.
As restantes 63 músicas são igualmente representativas, relevantes, e fazem uma cartografia do KRAUTROCK inédita, abrangente e integradora. Por enquanto, não escutei a tudo. Vou fazê-lo aos poucos. É audição difícil, truncada; é “alemão e racionalista” demais para um velhinho já não tão da pesada, feito eu…
A BEAR FAMILY lançou mais dois “BOXES” DUPLOS, com os grupos e artistas da EX-ALEMANHA ORIENTAL! Portanto, mapeamento concluído! CHUCRUTE para todo lado…
É preciso relembrar a espetacular e ainda subestimada participação de BRIAN ENO na consolidação da vertente. Ele tangencia a tudo isto, mas é inglês, portanto…
A concepção de ENO na FASE BERLIM de DAVID BOWIE, 1977/1980; audível nos LPs: LOW, HEROES, LODGER, STATION TO STATION, STAGE – é enunciadora dos novos tempos. Ou alguém ainda duvida que a MÚSICA DE BASE ELETRÔNICA domina progressiva e inexoravelmente, o cenário musical dos últimos quase 50 anos?
Ahnnn, hoje o CONCEITO DE KRAUTROCK é mais abrangente. Então, “aproveito o ensejo” para também recomendar o BEAT e o ROCK PSICODELICO ALEMÃO.
Ouçam THE BOOTS, e principalmente THE LORDS – PSICODELIA de alto nível, mais para o estilo INGLÊS do que para o AMERICANO.
A coleção KRAUT! é matéria para MESTRADO em ROCK ´n´ ROLL. E quem não buscar acesso não ganha o título de “MESTRE”.
Vá atrás. É imprescindível!
POSTAGEM ORIGINAL: 27/05/2021
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BILLY COBHAM – CINCO PRIMEIROS DISCOS SOLO, GRAVADOS ENTRE 1973 E 1975 – ORIGINAL ALBUM SERIES

Estou entre os que não gostam muito de bateristas e percussionistas como líderes de grupos.
Não há razão objetiva; e não é de meu feitio alegar platitudes do tipo “gostos e cores não se discutem”. Porque é falso: cores existem em relação às outras; e não são tão específicas, porque há incontáveis matizes, e vasto etc… Como escolher?
E os gostos são preferências ainda mais difíceis de pontuar, já que tudo tem uma base e mil possibilidades.
Eu simplesmente não aprecio bateristas como líderes de bandas. E talvez por preconceito. Já que alguém em nível dele tem de ser reconhecido entre os melhores. E bateristas e percussionistas são essenciais na música popular moderna.
COBHAM nasceu no PANAMÁ e esteve com muita gente. É baterista preciso, cheio de recursos, e muito requisitado. Tocou, na década de 1970, em discos de MILES DAVIS. Participou da MAHAVISHNU ORCHESTRA, de JOHN McLAUGHLIN, uma das principais implementadoras da FUSION.
Os cinco discos neste pequeno BOX deram poder de fogo para BILLY. O primeiro deles, SPECTRUM, é considerado clássico no gênero, e é o mais “ROCKER” entre todos. Estão lá o guitarrista TOMMY BOLIN, depois no DEEP PURPLE; o excelente baixista LELAND SKLAR, rodado ad-infinitum na música, principalmente no FOLK e no POP; e JAN HAMMER, nos teclados. Claro, vocês os conhecem!
Na sequência, os discos foram se definindo cada vez mais na FUSION, mas com “sotaques” do FREE JAZZ, e o colorido enorme da palheta musical norte americana. Muito bons!
Estão presentes em sua discografia músicos em nível dos irmãos BRECKER: MICHAEL e RANDY, nos sopros. E guitarristas como de JOHN ABERCROMBIE e JOHN SCOFIELD, entre os melhores dos últimos quarenta e tantos anos. Sem falar nos demais músicos. Afinal, craque procura craque…
Para resumir, se você gostar de FUSION, e esse BOX aparecer em sua frente a preço baixo, não perca.
É isso. Eu e muita gente se diverte bastante bastante com o BILLY COBHAM!
POSTAGEM ORIGINAL: 07/05/2023:
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JOHN PIZZARELLI: A ARTE DE SER COOL USANDO VOZ PEQUENA.

Eu gosto muito do cara!
E não só eu; o mundo e PAUL McCARTNEY, também. Ele tocou guitarra no disco do EX-BEATLE gravado em 2012, “Kisses in the Botton”. Em troca, PAUL o instigou a gravar um repertório de músicas dele no estilo JAZZ digamos…pizzarelliano. E deu em “MIDNIGHT McCARTNEY”; um hit internacional.
JOHN PIZZARELLI é ótimo guitarrista, capaz de emular WES MONTGOMERY e DJANGO REINHARDT; dar vida nova aos BEATLES; gravar TOM WAITS, JONI MITCHEL, NEIL YOUNG, BRIAN WILSON, além de um monte de autores novos.
Sua voz pequena e bem postada, herdeira de estilistas como CHET BAKER e JOÃO GILBERTO, casa suavemente com imenso repertório.
Ele não é um mestre da interpretação. Mas, vai do POP ao JAZZ. E sua versatilidade disciplinada, estudada, e ao mesmo tempo COOL e relaxada, traz achados sobre quaisquer autores que escolha gravar. Ele não tem discos ruins. Todos são prazerosos e tecnicamente muito bem gravados.
Recentemente, PIZZARELLI revisitou o fundamental disco de FRANK SINATRA e TOM JOBIM. Não escutei; mas as críticas foram boas. Tá na lista, e um dia vai aparecer em casa…
Vários músicos jovens, como ele, perceberam ser preciso ir além dos clássicos. E PIZZARELLI não se limitou a fazer eternamente o AMERICAN SONG BOOK tradicional. Muito bem comparando, a tocar os eternos e geniais CHICOS e JOBIMS do cancioneiro americano. Mesmo assim, sempre dá nova perspectiva à grande canção americana com arranjos que tangenciam a tradição, mas sempre modernos e de excelente gosto.
Na imensa discografia de PIZZARELLI não faltam COLE PORTER, GERSHWIN, JOHNNY MERCER e muita MÚSICA BRASILEIRA. Aliás, há discos dedicados somente a ela. E, complementando, JOHN PIZZARELLI cai bem em quaisquer festas e reuniões. Seus discos são dançáveis, cheios de balanço. E ele é COOL, POP e MODERNO.
Aqui, alguns entre os quase 40 álbuns que já gravou. Inclusive o icônico com as músicas dos BEATLES. Tudo muito bem e muito bom. De vez em quando PIZZARELLI passa por aqui no Brasil e América Latina, e a turma vai assisti- lo.
JOHN PIZZARELLI, é filho do grande músico, BUCK PIZZARELLI. Ele cresceu rodeado da fina flor do JAZZ , e ilimitada adjacência. JOHN é rapaz de bem, trabalhador incansável, e vem construindo obra relevante, que muita gente ainda vai gostar. Ele é um futuro “clássico” para outras gerações.
Não perca; “se perca’ nos discos que ele gravou!
POSTAGEM ORIGINAL 23/05/2023
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KING CRIMSON: HEROES – EP AO VIVO, e OUTROS GATOS PINGADOS NA DISCOTECA

Pois, é; TIO SÉRGIO É FUCEIRO – como quase todo mundo por aqui. Para discos, música, livros, essas coisas…, eu me comporto feito um GATO que “SUPERVISIONOU” o churrasco que assei no quintal, uns 30 anos atrás: dei mole e o bichano queimou a pata na grelha tentando pegar um peixe… E, mais rápido do que a língua da GLEISI HOFFMANN, o felino escalou o muro e foi comer na casa do vizinho…
O TIO prospecta na internet e consegue achar coisas muito legais; às vezes a preços abaixo da linha da ganância. Parte do aqui postado é assim. De vez em quando, agindo feito aquele gato, eu me estrepo por causa do risco que “arrisco”. Aí estão alguns discos que ainda não ouvi direito, misturados a velhos conhecidos em novas edições.
Começo por gratíssima surpresa que chegou por $ 8,00, com tudo incluído. Acima, e o primeiro à direita, está O EP. “HEROES”, do KING CRIMSON. Cinco faixas ao vivo, adequadamente gravadas em BERLIM, VIENA e PARIS durante a turnê de 2016. Pra variar, MEL COLLINS, GAVIN HARRISON, TONY LEVIN, PAT MASTELLOTO e FRIPP estão em plena forma criativa.
Quatro músicas são cantadas pelo guitarrista JAKKO JAKYZIK, de voz clara que ressoa a GREG LAKE: “EASY MONEY”, “STARLESS” e duas versões deliciosas do clássico HEROES, em arranjo muito próximo do original, onde ROBERT FRIPP e sua guitarra despontaram e pespontaram à época. A gravação comemorava 40 anos, e sua inclusão foi homenagem ao BOWIE, que falecera em 10 de janeiro de 2016.
Agora, os gatos pingados:
1) THE ARTWOODS, “LIVE AT KLOOKS KLEEK”. É show abaixo da linha da pobreza artística, gravado em 1965. Se a carrocinha passar em frente ao prédio, é capaz de me carregar para um centro de controle de zoonoses! Estou indignado e enraivecido! A performance deles está anos – luz aquém da excelente banda que nos legou “ART GALERY”, em 1964; um clássico da era BEAT! O LIVE custou muito caro e não vale o quê o gato excretou depois de papar o peixe….
2) MIKE SMITH, “IT´S ONLY ROCK ´N´ ROLL”, 1990. “Pout pourri” de clássicos do ROCK AND ROLL feito pelo vocalista do DAVE CLARK FIVE – entre os melhores “crooners” de seu tempo -, com pegada mesclando BEAT e R&B. É disco para completistas; ou indicado aos que gostam de “GOING BACK HOME”, disco de ROGER DALTREY e WILKO JOHNSON. Pepita a ser considerada.
3) SOFT MACHINE, “BUNDLES”, 1975, álbum clássico na intersecção entre o ROCK PROGRESSIVO e FUSION JAZZ; com pitadas de PHILLIP GLASS. A edição é japonesa, SHMCD de alta qualidade. E CARAVAN, “NONE OF YOUR BUSINESS”, 2021, que ainda não ouvi, mas “Sei que vou te amar”, como filmou o JABOR! São duas bandas de CANTERBURY, cidade e ambiente musical que definiram estilo preciso no ROCK.
4) SPOOKY TOOTH e PIERRE HENRI, “CEREMONY”, 1969. VANGUARD ROCK mesclando MÚSICA ELETROACÚSTICA e ROCK PESADO. Disco imperdível e ultra colecionável, edição japonesa em SHMCD, que voltarei a ouvir com interesse e a redobrada “paixão da razão”!
5) GURU GURU GROOVE, disco experimental de 1969, nos primórdios do KRAUTROCK. Não escutei ainda. “Só relei a orelha”… e vou devagar. Pode ser um “andor”, carregando um santo de barro. É um trio alemão de guitarra, baixo e bateria, totalmente imbuído do marmóreo propósito de arruinar minha sanidade já mínima… Hummm!!!! Saberei.
6) LEE RANALDO, “BETWEEN THE TIMES AND TIDES”, 2012. Ele é um dos guitarristas do SONIC YOUTH, a extraordinária, criativa e vanguardista sem ser chata NOISE GUITAR BAND americana. Ele fez esse disco pesado, mas “amenamente dosado” com certo retrogosto do SHOEGAZE. O clima é algo lírico/onírico resvalando o DREAM POP. Dois estilos vizinhos naqueles tempos entre 1980 e 2010 – e talvez beyond. É ROCK pra valer, e o TIO SÉRGIO está gostando muito!!! Vê aí, pô!
7) LANA DEL REY – “VIOLET BENT BACKWARDS OVER THE GRASS”, 2021. É uma coleção de poesias escritas e narradas pela algo pachorrenta gatona canora… Há discreto acompanhamento instrumental. Eu não sabia o que era. Mas, custou tão barato que, sei lá… Vai enclausurar-se em minha discoteca, porque eu gosto da moça.
POSTAGEM ORIGINAL: 25/05/2024
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THE WHO E ROGER DALTREY: JORNADA INTENSA E GLORIOSA

Eu me lembro da circunstância em que cheguei ao meu primeiro SINGLE do THE WHO. Foi em 1968. Por algum jeito, contatei um cara que possuía o primeiro LP. dos “ELECTRIC PRUNES” – ‘I HAD TOO MUCH TO DREAM”, 1967, e queria vendê-lo. Ele morava no bairro do Planalto Paulista, em SAMPA, e perto de onde vim morar uns 12 anos depois. E hoje, também mora por lá o FERNANDO HADDAD – ah, vocês o conhecem…
Cheguei; e lá estava o LONG PLAY em MONO, hoje raro de dar soluços! Comprei junto com outros dois SINGLES fenomenais: “TIME FOR LIVING” dos “ASSOCIATIONS”; e, principalmente, “I CAN SEE FOR MILES” com “THE WHO”.
Bom, se vocês acham “MY GENERATION” pesada e violenta, então ouçam a versão mono de “I CAN SEE FOR MILES”: É demolidora! E no lado B, está a ode à masturbação que PETE TOWNSHEND compôs: “MARIANNE WITH THE SHAKING HANDS” . Não preciso descrever a especialidade da guria moça com os rapazes… Duas músicas sensacionais!
TIO SÉRGIO já conhecia o primeiro LP deles, lançado por aqui em 1966, “THE WHO SINGS MY GENERATION”. Era do meu amigo Silvio Dean. Disco de estreia, em 1965, com KEITH MOON destruindo na bateria, e JOHN ENTWISTLE detonando o baixo. Os dois formaram uma das melhores cozinhas do ROCK.
E claro, PETE TOWNSHEND na guitarra. Trio pesado, violento, em mescla de BEAT e R&B. No vocal ROGER HENRY DALTREY, o fundador da banda, moleque agitado, briguento; e que havia sido expulso da escola. No entanto, como é comum, quando encontrou a mulher certa, Heather, no segundo casamento; e criou juízo para sempre…
Dia desses, postei dizendo que DALTREY é mau cantor. Talvez eu tenha exagerado. Mesmo porque isso não importa. THE WHO é banda completa em si mesma, vívida, clássica, histórica. E o conjunto da obra recomenda qualquer esforço para colecioná-los.
Se você quer saber a intensidade do grupo no palco, ouça “THE WHO LIVE AT LEEDS”, 1970, gravado na fase áurea da banda.
E veja, inclusive, a imortal apresentação no “FESTIVAL DE WOODSTOCK”, 1969, com “WE´RE NOT GONNA TAKE IT” ( SEE ME, FEEL ME), que até hoje me dá arrepios, tal a eletricidade e a violência da performance! Foi gravado depois deles esperarem 9 horas para subir ao palco, sem comida, no meio do barro, excrementos e bebidas ruins. Experiência rascante, trágica, mas que suplantaram com emoção… É uma das grandes performances do ROCK!
ROGER DALTREY é um ser humano forte, resiliente, corajoso. Nasceu em 1944, durante a segunda guerra mundial, sob intenso bombardeio alemão. Em 2015, ele estava desenganado no Hospital, com meningite viral. Havia se despedido dos amigos e da família. Está curado! É um sobrevivente acostumado a intempéries e lutas. ROGER é casado com a mesma mulher há quase 50 anos, Heather; eles têm 8 filhos!!!! Volúpia não faltou….
DALTREY é um vencedor!
Em 2019, já totalmente recuperado, DALTREY gravou versão orquestral ao vivo de TOMMY, considerada excepcional e inovadora. Foi arranjada pelo maestro DAVID CAMPBELL, que é pai do cantor/compositor prodígio BECK. A performance vocal de ROGER é tida como excelente!
THE WHO teve carreira atribulada, e quase romperam definitivamente duas vezes. A ideia de DALTREY, que no início dava as cartas na banda, era seguir a linha R&B do primeiro disco. Mais ou menos como no excelente disco dele com WILCO JOHNSON, do DR. FEELGOOD, feito em 2014. Mas, o estilo de composição de PETER TOWNSHEND não ia muito por aí…
Com o sucesso do single “MY GENERATIOM” excursionaram exaustivamente pelo Reino Unido. Geralmente faziam como JOHN MAYALL descreveu: iam 200Km, 300km além, e voltavam na mesma noite! No dia seguinte, outra turnê. Coisa que só jovens aguentam. E é aí que entram as drogas.
Em 1966, gravaram um álbum ainda um tanto desprezado: “A QUICK ONE”. Degrau além do primeiro disco; e flerte mais direto com o ROCK PSICODÉLICO. As músicas são quase todas de TOWNSHEND; e lá está o esboço do que pode ser interpretado como MINI-ÓPERA, a faixa título. Ensaio geral para o que viria a ser TOMMY.
Em 1967, lançam “THE WHO SELL OUT”, outra experiência conceitual em clima da PSICODELIA vigente, e que relançado em BOX super bem-produzido com 5 CDS e adornos outros. É caro, bem caro!
PETE TOWNSHEND disse que ao entrar para o WHO achava que tinha ido para uma gangue. Quase! Quebrou 35 guitarras, só em 1967. Prejuízo imenso, que DALTREY reprovava – mas entendia que era parte da “imagem que estavam construindo”.
ROGER comenta que a zoeira, e quartos de hotéis arrebentados foram ideia e “performance” de KEITH MOON, que achava a destruição “um ato criador, uma obra de arte”. “Conceito” que trouxe para o grupo muita confusão, e quase os levou à falência. DALTREY disse que nunca participou daquilo tudo…
Em 1968, lançaram uma quase coletânea com singles recentes e faixas retiradas do disco anterior. “MAGIC BUS – THE WHO ON TOUR”, tem capa linda e é LP CULT, e muito legal de se ter na coleção.!
Finalmente, a obra definidora e definitiva da banda. PETE TOWNSHEND vinha elaborando um CONCEITO que havia sido usado em “S.F.SORROW, o principal disco da banda inglesa “THE PRETTY THINGS”, de 1967; que foi tido como a primeira “ÓPERA ROCK” da história. Porém, na real, é um álbum CONCEITUAL.
PETE já havia flertado com a ideia.
Em 1968, tecnicamente falidos e endividados, resolveram arriscar. TOMMY foi gravado em 1969, e a primeira performance integral ao vivo da banda deu-se no RONNIE SCOTT´S JAZZ CLUB, em Londres em 02 de maio do mesmo ano. Que “sacra ironia”. Obra que revigorou o ROCK divulgada em CLUBE DE JAZZ!!!!
O disco estourou no Reino Unido e na América. Foi lançado e relançado no mundo inteiro; e salvou THE WHO e os trouxe para o grau de importância artística que ainda hoje desfrutam.
Visto sob perspectiva “histórico-sociológica”, na época o disco parecia uma brincadeira infanto – juvenil. A história de um garoto cego, surdo e mudo que se torna campeão de pebolim (?) . Mas foi muito além!
O mundo caminhou em direção ao desenvolvimento do lazer, trabalho e outras formas de integração com os equipamentos eletrônicos. Não há menino ou menina que não saiba mexer, ou não se fascine com vídeo games e outros apetrechos e aplicativos do mundo eletrônico e, hoje, virtual.
Todos somos agentes e pacientes dessa realidade. O detalhe é que PETER TOWNSHEND a transformou em saga artística; viu primeiro.
THE WHO sempre foi percebido como a mais inglesa entre as bandas de ROCK. Há discussões e divergências.
THE KINKS, por exemplo, sempre cantaram a vida cotidiana do inglês médio com ironia e texto normalmente superiores. É deles outra obra conceitual contemporânea a TOMMY, e talvez mais passível ainda de encenação: “ARTHUR: THE DECLINE AND FALL OF BRITISH EMPIRE” . É terrivelmente sarcástica, divertida e crítica. Mas talvez não tenha alcançado a grandeza que merece, porque ainda “BEAT” demais na formulação musical, para tempos que já eram outros. O som já era ultrapassado.
THE WHO, na mesma época, estava transcendendo a PSICODELIA. Daí para frente, o caminho se abriu para DALTREY, TOWNSHEND, ENTWISTLE & MOON.
“WHO´S NEXT”, de 1971, é a primeira incursão que realizaram no ROCK PROGRESSIVO. E, talvez seja o disco preferido do pessoal da nova geração que os coleciona. É ROCK PESADO, criado também por sintetizadores e outros instrumentos que fizeram prevalecer bandas como KING CRIMSON, YES, GENESIS e infindáveis. É OBRA CLÁSSICA POR EXCELÊNCIA.
Outro clássico, QUADROPHENIA, mais um projeto grandioso de TOWNSHEND prospectando a própria memória de MOD adolescente, veio ao mundo em 1973. Envolveu orquestra e arranjos sofisticados; decididamente mais ROCK PROGRESSIVO do que o anterior. E também foi sucesso de crítica e público; manteve a banda na midia. E virou filme.
O caminho continuou para eles. E outras memórias deverão ser tecidas por quem mais bem os acompanhou. ROGER DALTREY há pouco tempo vinha trabalhando em script para um filme sobre KEITH MOON. Não sobre THE WHO, mas a respeito de um baterista suis-generis e indivíduo inigualado naquele mundo coalhado por doidos e visionários, onde todos eles fizeram parte excencial.
LONG LIVE ROCK!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 23/05/2021
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