LI ALGUÉM DA BANDA CONTAR O ENCONTRO QUE O “FREE”, NO INÍCIO DE CARREIRA, E “THE WHO” JÁ FAMOSO, TIVERAM EM UM FERRY BOAT, NA INGLATERRA. ELE DISSE QUE OS QUATRO DO “WHO” VIERAM ELOGIAR “ALL RIGHT NOW”, A MAIS DESTACADA MÚSICA FEITA PELO FREE, E QUE BOMBAVA NAS PARADAS DAQUELES TEMPOS. É UM BAITA ELOGIO, QUE “TIO SÉRGIO” CONCORDA PLENAMENTE. NO ENTARDECER DA PSICODELIA E NO RAIAR DO HARD ROCK SURGIRAM GRUPOS COMO O “FREE”, O “SPOOKY TOOTH” E O “HUMBLE PIE”. TODOS FAZIAM “HARD ROCK” AINDA NÃO TÃO PESADO, COM O ANDAMENTO LENTO DO BLUES E TOQUES DE VANGUARDA DOS CONTEMPORÂNEOS DO ROCK PROGRESSIVO. NÃO TIVERAM GRANDE SUCESSO. MAS, CRIARAM ESTILOS, SONS DIFERENCIADOS E MUITO APRECIADOS ATÉ HOJE PELO PESSOAL, QUE OSCILAVA ENTRE OS DOIS ESTILOS. ALIÁS, ERA MUITO COMUM: “TIO SÉRGIO”, Claudio Finzi FoáNelson Rocha Dos Santos E MAIS UM PEQUENO MONTE DE GENTE ESTAVA NESSA. A DISCOGRAFIA COMPLETA DO “FREE” É INDISPENSÁVEL PARA COLECIONADORES DE ARTISTAS DAQUELES TEMPOS. EU GOSTO DE TUDO, PRINCIPALMENTE “HEARTBREAKER”, QUE É DISCO DE ANDAMENTOS MAIS RÁPIDOS, E TRAZ UM CULT INESQUECÍVEL: “WISHING WELL”. NO ENTANTO, POR MERO GOSTO PESSOAL, ACHO AS PERFORMANCES AO VIVO UM “TANTO QUANTO… SOBRE UM TANTO QUANTO”. NÃO EMPOLGAM. PARA MIM, DÃO SONINHO…. O “FREE” FOI O LABORATÓRIO QUE LANÇOU UM DOS MAIORES CANTORES CONTEMPORÂNEOS, “PAUL RODGERS”. VOCALISTA EXUBERANTE DE REPERTÓRIO MEIO “QUADRADO” E… HUMMMM… RECORRENTE, REPETITIVO… NO FREE TAMBÉM ESTEVE “PAUL KOSSOFF”, GUITAR HERO CULT, E ESTILISTA RECONHECIDO, QUE MORREU MUITO JOVEM…. O BAIXISTA ERA , “ANDY FRASER”, QUE TEVE CURTA PASSAGEM PELO “BLUESBREAKERS”, DE “JOHN MAYALL”. E O BATERISTA “SIMON KIRK”, FUNDADOR COM “RODGERS” DA “BAD COMPANY”. ESTA, SIM, BANDA DE MUITO SUCESSO COMERCIAL, NA DÉCADA DE SETENTA E INÍCIO DOS OITENTA, MAIS DINÂMICA E RITMADA, QUE VEZ POR OUTRA AINDA RENASCE PARA TURNÊS, E ETC… PARA A MAIORIA, HÁ EXCELENTE COLETÂNEA DUPLA, LANÇADA NA DÉCADA DE 1990, COLIGINDO MAIS DE TRINTA MÚSICAS. É O SUFICIENTE. CURTAM O FREE. A SONORIDADE PERMANECE ATUAL, E MUITA COISA INTERESSANTE TEVE O INÍCIO LÁ.
TEMPOS ANTIGOS, VIDA MAIS ESPERANÇOSA E ARTE DE PRIMEIRA ORDEM!
GERMANO MATHIAS É ARTISTA URBANO E POPULAR. LEVAVA A PERFORMANCE DO SAMBA A LIMITES DA ARTE. TIMBRE VOCAL PECULIAR, RITMO CONTAGIANTE E A BANDA QUE O ACOMPANHA NESSE DISCO DE 1961 É EXUBERANTE.
VEJAM A CONJUGAÇÃO ENTRE O TECLADO E O RESTO DO GRUPO, MODERNÍSSIMO ATÉ HOJE. TOCARIA NOS CLUBES DE LONDRES, NO INÍCIO DOS ANOS 1960, FÁCIL, FÁCIL!
SE HOUVER EM CD EU VOU ATRÁS. COLECIONÁVEL PRA CASCALHO!!!! POSTAGEM 31/03/2020
Em 31 de março de 1964, eu estava recebendo aula de piano da PROFESSORA LYDIA.
Excelente mestra, senhora conservadora e recatada, e não só do lar: lecionava para meninos e meninas que pudessem pagar e aprender.
Eu não podia pagar. Eram tempos dificílimos para os meus pais, e muita, muita gente mesmo. Algum tempo depois, desisti das aulas…que tentei retomar uns 38 anos atrás.
Porém, a minha falta de determinação e pouco tempo disponível boicotaram a iniciativa…A música me persegue e fascina. Mas, tocar um instrumento, ou cantar, não fazem parte da coreografia da minha “ópera” existencial….
Em 1964, eu tinha onze anos de idade. E ideia nenhuma do que seria a política, a vida, e essas coisas todas que vieram quando tornei-me adolescente. A POLÍTICA nunca mais deixou de ser preocupação cotidiana: Eu vivo intensamente a movimentação, transformação, e aflições decorrentes. Estou sempre discutindo, opinando e propondo com amigos, adversários e até gente que não gosta de mim…
Na antevéspera do GOLPE, recordo muito bem o clima de tensão nas pessoas, rádios e televisões, com o movimento de tropas e a iminência de algo já esperado…
Ansiedades sibilavam no ar feito serpentes.
Na minha família, que oscilava entre a classe média e a média baixa, a maioria estava a favor do golpe, pelo que depreendi algum tempo adiante.
A inflação, instabilidade e nenhum diálogo político preenchiam o vácuo de poder existente no governo JANGO – resultado da fracassada tentativa de auto golpe do ex-presidente JANIO QUADROS, um palhaço sinistro, despreparado e autoritário…
Meus pais trabalhavam muito e lutavam para sobreviver na fronteira da pobreza. Eu suponho que não tivessem opinião formada sobre aquilo tudo…
Certamente queriam estabilidade, emprego e inflação controlada – algo fora de foco naqueles tempos doentios, mas interessantes.
A exceção visível, dentro da minha família, era o TIO TONICO, Antonio Garini, jornalista que teve seu destaque do final dos anos 1950, até os 1970.
TONICO foi dos primeiros que orientaram e despertaram o meu interesse em política, uns quatro anos depois do golpe. Ele era de esquerda, autodidata, lia muito, e também fazia traduções. Era interessado em assuntos culturais. Principalmente literatura.
Os INTELECTUAIS NÃO ACADÊMICOS foram personagens atuantes dos anos 1920 até meados da década de 1970. Depois, foram ultrapassados pelo conhecimento legitimado pelas universidades. No entanto, o jargão acadêmico e metalinguagens, por princípio e necessidade, são não-jornalísticos. Se ampliam perspectivas para o conhecimento, simultaneamente restringem acesso a público maior.
As resenhas de livros, artes e discos, feitas por não acadêmicos que sabem sobre o quê escrevem, são mais gostosas e interessantes de ler. Prenhes de humanismos e opiniões enriquecedoras.
O acesso à cultura geral pelos grandes jornais era muito possível, aos alfabetizados interessados, até o final dos anos 1970. Eu e meus amigos SILVIO DEAN e NAIEFF HAIDAR éramos leitores costumazes da caudalosa EDIÇÃO DE DOMINGO do ESTADÃO. Formou a base humanista que nós jamais renunciamos.
Agora, volto ao rugido dos leões cutucados com a vara curta: os militares – sempre assediados pelas elites e a classe média de direita. A sanha golpista não começou com BOLSONARO. Ela é falha geológica na cultura e no “caráter” político brasileiro.
Entre 1961 e 1964, todas as tendências políticas tinham os seus planos de golpe. Da extrema esquerda à extrema direita, todos pregavam insurgências.
Até que os militares deram o esperado golpe; e acabaram com a democracia, defenestraram os liberais, e reprimiram a esquerda. E destruíram as INSTITUIÇÕES POLÍTICAS, com reflexos até o presente…
O golpe não era necessário. Haveria eleição presidencial em outubro de 1965. Os candidatos que lideravam a disputa eram JUSCELINO KUBISTCHEK e CARLOS LACERDA, direita notória!
E a desculpa de que os COMUNISTAS tomariam o poder não se sustentava. Nas eleições anteriores, o P.C.B jamais ultrapassara 3% dos votos!
E poderia ter sido evitado se personagens como ROBERTO CAMPOS e CELSO FURTADO, por exemplo, intelectuais bem preparados, mantivessem enfrentamentos pelos jornais, e mídias em geral. Na FRANÇA, RAYMOND ARON e SARTRE polemizaram pelas vias institucionais o tempo inteiro. E essa válvula de escape, via fala e escrita, reduz sim, as tensões mantendo o diálogo e os desacordos políticos nas vistas do público.
Sempre pensei sobre isso.
Nos tempos de JOÃO GOULART, personagem politicamente inábil e sem legitimidade, as coisas estavam difíceis. E continuaram durante os primeiros três anos do novo regime.
Depois, estabilizada a economia, iniciou-se período de crescimento que foi até o final da ditadura Medice, em 1973.
Nossa família e muitas e muitas outras aproveitaram esse momento para equilibrarem-se e continuar em frente.
A eficiência econômica passou a ser perseguida; houve progresso e empregos. O Brasil estava sendo modernizado.
Já a política, a evolução institucional e os direitos humanos, tiveram retrocessos que sentimos até hoje!
Em 1967, dei de cara com a ditadura meio sem querer.
Eu estudava em uma escola estadual à noite, e as instalações não eram das melhores. Comentei com o GARINI, que perguntou se eu daria uma entrevista para a televisão onde ele trabalhava, acho que a RECORD. Não tive dúvidas e fiz. Apareci na TV.
De noite, fui chamado à diretoria da escola, repreendido e até sutilmente ameaçado. Lá, também estava um colega de classe, bem mais velho, ao lado do diretor.
Bidú! O cara era informante da ditadura. Sim, sempre existiram, e não só nas UNIVERSIDADES. A coisa deu em nada, mas eu amadureci. E passei me interessar por política.
Mas, essa é outra história, que uma hora eu conto melhor… POSTAGEM ORIGINAL 31/03/2022
No final dos anos 1980 e princípio dos anos 90 o BLUES, no Brasil e no mundo, reviveu de várias formas e jeitos.
Em mesclas com RYTHYM ´N ´BLUES e SOUL, ROBERT CRAY, por exemplo. E fusões com outros gêneros, também.
Vejam ERIC CLAPTON e sua levada tangenciando a BOSSA NOVA, juntando-se a músicos de JAZZ, e tornando-se mais acústico e FUSION. Tendências claras.
ARI BORGER é um ORGANISTA, PIANISTA e MULTI-TECLADISTA que faz grande aproximação da música negra com ela própria, suas vizinhanças e outras fronteiras.
Em seus discos vai de HORACE SILVER a HERBIE HANCOCK. Dá um alô a PINETOP PERKINS; cruza com HERBERT VIANA; e teve a ousadia na criativa “NEM VEM, MILES”, de fundir “SO WHAT”, de MILES DAVIS com “NEM VEM QUE NÃO TEM”, sucesso “SEMI-RAP” de WILSON SIMONAL, nos anos 1960!
Deu Certo!
Fez o mesmo com “NORWEGIAN WOOD”, a música daqueles caras de LIVERPOOL. E “sugeriu” que um pouquinho de LUIZ GONZAGA era FUSION possível e consistente – e é!
Digo apenas mais, (oooops!), que músico e banda capazes de tocar clássicos do R&B, do FUNK – JAZZ , e de toda a modernidade pós BE-BOP, acrescidos por um “retrogosto” à brasileira, é legal de ser ouvido.
ARI BORGER não é JIMMY SMITH e nem WALTER WANDERLEY, mas orbita. Tem estilo e caráter. E há riqueza na escolha do repertório, também!
TIO SERGIO recomenda: pode e deve tocar em quaisquer festas ou reuniões de amigos. Funciona – e muito!
Para terminar eu conto para vocês que ele é compositor. E de jeito tão interessante que JIMMY JOHNSON, pianista do CHUCK BERRY e uma das referências do piano no ROCK e no R&B, fez uma apresentação para o BORGER, no disco “BLUES DA GARANTIA”:
Lá pelo meio escreveu: “Do jeito que você toca atualmente, está muito bom! Apenas tem que melhorar à medida em que fica mais velho!”
Elogio e conselho melhor eu não imaginaria!
Eu gosto; e tenho certeza de que vocês gostarão. E não é difícil de achar por aí!
É só um cara legal, espontâneo, e comedido; mas prenhe de bom senso.
Tinha até um apartamento pra comer gente! E olha que ele não é antropófago!
O importante é que ele é um sujeito de família; mas tão de família, que conseguiu eleger três filhos, montar uma dinastia mambembe, e todo mundo entendeu a mensagem.
É um predestinado: Deus, pátria, família e um apartamento- alçapão pra debulhar moçoilas não tão incautas assim, né!
E tem mais, o moço tem um exército oficial, que ele chama de ” o meu exército”, mas parece que os “milicares” não são muito afins de servirem de bucha de canhão pra ele dar tiro na sociedade…
O JAIR aprendeu a dançar, a se ajeitar. E, como o seu antípoda também peçonhento, o LUIZ INÁCIO, tudo o que acontece não é culpa dele. Não era o que ele queria. É a elite; o Judiciário; o Congresso; esse malditos jornalistas comunistas e as minorias: estas sim, culpadas pela decadência moral da sociedade.
Este é o JAIR; mais esperto do que parece. E muito mais inadequado para o cargo de Presidente do que todo mundo já sabe…
Deus tá vendo. Não toma providência nenhuma, mas está vendo…
Espero que tenha votos suficientes para ficar em terceiro lugar no primeiro turno da próxima eleição!
Obs: acabou em segundo, e quase empatado com Luiz Inácio. Tempos difíceis permanecem.
O biógrafo e escritor RUY CASTRO é um jornalista cultural conhecedor de artes e cinema. É sabedor e contador de histórias saborosas sobre artistas, diretores, e vasto etc…
RUY CASTRO é, principalmente, amante e colecionador de discos. Há mais de vinte anos, começou um artigo desse jeito: “Quando eu morrer vou assombrar e morar na discoteca do CARLOS CONDE”!
Pois é, CONDE foi grande colecionador de LONG PLAYS desde os anos 1950. Durante muito tempo produziu e apresentou um delicioso programa sobre JAZZ, na rádio Cultura de São Paulo. CARLOS quase sempre colocava a própria discoteca para tocar. Quem gostasse de JAZZ uivava feito coiote pra lua! E éramos, e ainda hoje somos muitos. talvez mais ainda!
Eu conheci o CONDE em uma circunstância curiosa. Nos encontramos em um acanhado SEBO DE DISCOS abarrotado, escondido em porão no centro do bairro da PENHA, em SÃO PAULO. Lugar implausível. Vou dizer o porquê, depois de contar uma história real, objeto de matéria no extinto JORNAL da TARDE, daqui de Sampa. Eu sei um pouquinho mais…
No final dos anos 1990, faleceu um banqueiro da pesada; era da família Simonsen. Ele tinha um hobby sensacional: desde a década de 1940, o cara comprava discos em quantidades industriais! Ele tinha grana, muita grana!
Parou de comprar no início dos anos 1990, já muito velho. O cara gostava de tudo, e acompanhou tempos, estilos e eras. Edições e renovações de tecnologias. Colecionou, guardou, acumulou. Em última análise, PRESERVOU um acervo inacreditável!!!!
Descreveu a reportagem que, na mansão dele, havia um pequeno teatro completamente montado com o fino em equipamentos de som! Coisa para os muito ricos
Pois, bem; o cara morreu e a família começou o inventário e a “prospecção” dos acúmulos e coleções. Encontraram milhares e milhares de discos, e nos lugares mais inusitados. Havia pacotes ainda fechados enviados pela BRENO ROSSI e BRUNO BLOIS, lojas em que a elite comprava música de qualidade, dos anos 1950 ao início dos 1990 – e que os enviava aos montes para o sujeito, e outros clieentes selecionados. Era quase tudo importado, claro.
Bom, o que fazer com aquilo?
Eram tempos de vinil em baixa e sendo sucateado.
Primeiro, procuraram um SHEIK ÁRABE que, dizia-se, era o maior colecionador do mundo, com mais 400 mil itens à época. Mas, ele não se interessou porque possuía a maioria dos discos…
Acabaram se aproximando de uma famosa loja de discos usados, em São Paulo, que existe até hoje Mas, não chegaram a um acordo.
Porém, o filho do dono topou abrir uma loja só para vender o acervo. Houve cisão na família…
Pois bem, com essa “Meca Vinílica” solta por aí, colecionadores babões engalfinharam-se como hienas. E, tempos depois, o que sobrou foi parar no sebo subterrâneo da Penha.
Em uma tarde de sábado, eu fui até lá dar uma olhada. Era o ano 2000. Estava lá CARLOS CONDE ajudando um amigo a comprar alguns “lixos”: ELLA FITZGERALD, MILES DAVIS, SARAH, ELLINGTON e outros “menos votados”… O sujeito estava iniciando no colecionismo. Conversamos e trocamos telefones.
Havia mais gente garimpando JAZZ. Eu comprei alguns discos que estavam sendo vendidos a R$ 4,00 cada um. Não era pouco tão pouco dinheiro, mas valia a pena. Eu peguei um original da BLUE NOTE, do HORACE SILVER, o que está postado aqui; eu o mantenho até hoje. E manterei vida afora… OOOPPPSSS. E, também, o BOX com 10 long plays de KEITH JARRET, a edição japonesa do ‘THE SUN CONCERTS” – estava incompleta, mas e daí!!! Encontrei, também, um original americano da cantora de BLUES inglesa, JO ANNE KELLY. Custam uma baba, hoje!
Anos depois, eu me desfiz de tudo junto com mais uns 500 discos de vinil de MÚSICA CLÁSSICA que ainda tinha, conseguidos como descrevi em outra postagem – que qualquer hora eu acesso…
Troquei a coleção toda por um equipamento de som HIGH END de entrada. Na época, o Up grade valeu a pena para mim…Hoje, eu não teria feito…
Pois, é! Ninguém prevê as voltas e piruetas que a história e a vida fazem…
DE REPENTE, O PAI DAS MOÇAS RESOLVEU FINANCIAR A GRAVAÇÃO DE UM DISCO PARA ELAS.
E POR QUE NÃO?
NO INTERIOR DA AMÉRICA, NEW HAMPSHIRE, LÁ POR 1969, ELE DAVA DE BARATO QUE A TURMA QUE TOCAVA NAS RÁDIOS ERA LIXO FÁCIL DE FAZER. ENTÃO, POR QUE NÃO ELAS?
DIZ O MITO QUE O DISCO ORIGINAL FOI GRAVADO E PRENSADO. MAS, O DONO DA GRAVADORA SUMIU COM O PRODUTO. ERAM 900 CÓPIAS, SOBRARAM 100! E, CLARO, A QUANTIDADE ÍNFIMA GARANTIU A RARIDADE, INDEPENDENTEMENTE DA QUALIDADE…
LÁ NA DÉCADA DE 1980, COMEÇARAM A NOTAR SINGULARIDADES NO DISCO – OS QUE SOBRARAM, CLARO…
FRANK ZAPPA, COM SEU “PECULIAR BOM SENSO”, DISSE QUE AS MOÇAS ERAM MELHORES DO QUE OS BEATLES!!!!
QUEM ESCUTA “PHILOSOFY OF THE WORLD” DO, DIGAMOS TRIO POP “THE SHAGGS”, FICA CHOCADO E CONFUSO FRENTE AO QUE OUVE.
E NÃO PODERIA SER DIFERENTE. O ÁLBUM LANÇADO DE 1969, É UM PRODUTO ESPONTÂNEO DA MAIS ABSOLUTA IGNORÂNCIA MUSICAL. PORÉM, REALIZADO COM PERSISTÊNCIA; E TALVEZ ALGUM MÉTODO IMPOSSÍVEL DE IDENTIFICAR.
AFIRMA O MITO QUE, DURANTE AS GRAVAÇÕES, ELAS PARAVAM PARA DISCUTIR E REPASSAR PONTOS COMBINADOS. EU DUVIDO QUE ELAS SOUBESSEM O QUÊ “ESTAVA COMBINADO”!
EM MINHA OPINIÃO, É PRECISAMENTE ISSO: ELAS DEFINITIVAMENTE NÃO SABEM TOCAR, CANTAR OU ARRANJAR. MAS – E O “MAS” É O CENTRO DA QUESTÃO – SUAS IDÉIAS, MELODIAS, ETC., GRAVADAS NUM ÚNICO “TAKE” QUANDO ESTAVAM “QUENTES” – NAS PALAVRAS DO PAI DELAS – DÃO À OBRA UM CONTEÚDO, UM CLIMA DE ALEATORIEDADE. E, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, DE CONCISÃO. O QUE ESTÁ LÁ É IMPOSSÍVEL DE SER REPRODUZIDO, COPIADO OU RECRIADO. É OBRA DE ARTE LEGÍTIMADA…
AS MÚSICAS QUE AS MENINAS FIZERAM NEM MESMO PODERIAM TER SIDO TOCADAS AO VIVO: PORQUE UMA SEQUÊNCIA DE SHOWS TERIA FEITO AS “SHAGGS”“MELHORAREM”. E, SE ISTO TIVESSE ACONTECIDO, A MÚSICA SE REVELARIA O QUE “ERA” DE VERDADE: ESPONTANEIDADE INFANTIL EXPLÍCITA.
ELAS NÃO TINHAM TALENTO. COM FICOU PROVADO NO PRÓXIMO E FINAL DISCO QUE TENTARAM. E, PARADOXALMENTE, FIZERAM UMA OBRA DE GÊNIO!
EXPLIQUEM!
CADA UMA DAS TRÊS TOCA O QUE DÁ NA TELHA DE MANEIRA ESPONTÂNEA, PRIMÁRIA E CONFUSA. NÃO HÁ, TAMBÉM, SINCRONIA ENTRE LETRA, MÚSICA E CANTO. A GUITARRA É JUDIADA POR UMA INICIANTE COM POUQUÍSSIMOS “QUASE RUDIMENTOS”; A BATERIA É MONOCÓRDICA, FORA DE TEMPO, INDESCRITÍVEL E IMPLACAVELMENTE RUIM.
E O BAIXO? BEM, O BAIXO NÃO DÁ PARA OUVIR, TALVEZ NEM TENHA SIDO MIXADO. SOBRE A PARTE VOCAL… BEM, EM NÍVEL DA XUXA ANTES DE “APRENDER A CANTAR”! A OBRA JÁ FOI DEFINIDA COMO “TRABALHO DE ARTE BRUTA E INTUITIVA”. CONCORDO.
NO DISCO NÃO HÁ INFORMAÇÃO MUSICAL ARTICULADA E MUITO MENOS IMPROVISAÇÃO – A MÚSICA É EXECUTADA, NO SENTIDO DE ASSASSINADA MESMO, DENTRO DE PARTITURA PRÉ-DEFINIDA…
FRANK ZAPPA DISSE QUE, EM ALGUNS MOMENTOS DO TRABALHO DE GUITARRA, PARA CADA SÍLABA ELAS PUNHAM UMA NOTA DIFERENTE”!!!! MAS, TERIA SIDO AQUILO MESMO QUE ELAS QUISERAM REALIZAR?
ACHO QUE NÃO! O QUE CERTAMENTE PRETENDIAM ERA TER GRAVADO UM DISCO POP CONVENCIONAL, PARA ADOLESCENTES, COMO TUDO O QUE OUVIAM NA ÉPOCA.
MAS, PARA SORTE DELAS E DA CULTURA POP EM GERAL, “É” O QUE SABIAM E PODIAM TER FEITO.
PORÉM, COMO BOAS AMERICANAS, CAPRICHARAM NO QUE FIZERAM; OU SEJA, DEDICARAM-SE COM AFINCO E DE MANEIRA ACRÍTICA, A REALIZAR UM OBJETIVO. UMA DAS CARACTERÍSTICAS DOS AMERICANOS É FAZER BESTEIRA, BURRAGENS E PRODUTOS RUINS COM MUITA COMPETÊNCIA E TRABALHO…
MAS, ENTÃO, QUAL É O MISTÉRIO?
POR QUE GENTE COMO O “FRANK ZAPPA”, E A PIANISTA E COMPOSITORA “CARLA BLEY” – MÚSICOS DE ENORME COMPETÊNCIA, TALENTO E ORIGINALIDADE OUVIRAM NO “PHILOSOFY OF THE WORLD”?
EU ACHO QUE ESCUTARAM TUDO O QUÊ UM ARTISTA PODERIA ALMEJAR: INOCÊNCIA, ESPONTANEIDADE E ORIGINALIDADE CULMINADAS NUM EXPERIMENTALISMO JAMAIS CONSEGUIDO EM UM DISCO POP!
TANTO ZAPPA COMO CARLA TRABALHAM COM ASSINCRONIAS DE TEMPOS, RITMOS E ANDAMENTOS. MAS, COMO ARTISTAS “DE VERDADE”, DÃO FORMA À MÚSICA QUE FAZEM.
PORTANTO, PERDEM EM ESPONTANEIDADE; AO CONTRÁRIO DAS SHAGGS, CRIADORAS DO NOVO POR ABSOLUTO ACASO! “KURT COBAIN” – AHHH, VOCÊS SABEM QUEM FOI… – TAMBÉM AS IDOLATRAVA!
EM SÍNTESE, O QUE SÃO AS SHAGGS?
PARA MIM ESTÁ CLARO, SÃO ADOLESCENTES BRINCANDO DE TOCAR, COMPOR E ARRANJAR. EM CERTO SENTIDO É POSSÍVEL LEMBRAR DOS MAMONAS ASSASSINAS: FIZERAM TUDO O QUÊ QUAISQUER JOVENS GOSTARIAM DE FAZER. MAS, SÓ ELES GRAVARAM E LANÇARAM; E COM ENORME SUCESSO
MAS, “TIO SÉRGIO”, AQUILO É MÚSICA, MESMO?
SEM DÚVIDAS! O PRODUTO FINAL É UM DISCO IMPACTANTE E ORIGINAL. E CONCISO TAMBÉM. PORQUE DEPOIS DE COLOCADO EM VINIL, TORNADO PERMANENTE E IMUTÁVEL, REVELA-SE OBRA COMPLETADA ÚNICA E IRREPETÍVEL. UM ESPANTOSO E BEM SUCEDIDO IMPREVISTO!
E SERIA MÚSICA DE QUALIDADE?
ISTO É IRRELEVANTE. O QUE IMPORTA, REALMENTE, É A ESPONTANEIDADE, A ORIGINALIDADE, A GARRA E A IMPOSSIBILIDADE DE ALGO ASSIM SER REPETIDO, EM QUALQUER TEMPO, OU POR QUALQUER OUTRO ARTISTA.
ELAS REALIZARAM UMA OBRA PRIMA POP! E O FIZERAM ANTES QUE ALGUÉM TIVESSE A IDÉIA E A CORAGEM DE PERPETRAR ALGO DO TIPO. ESTÁ PARA AS ICONOCLASTIAS DE “JOHN CAGE”, “EINSTURZEND NEUBAUTEN”, E POUCOS OUTROS…
AHHH, NOSSO AMIGO Ayrton Mugnaini Jr. TEM UMA VERSÃO DE “MY PAL FOOT-FOOT”, ADEQUADAMENTE VERTIDA PARA O PORTUGUÊS COMO “MEU AMIGO TOTÓ”, QUE ESCANCARA NA LATA A MÚSICA DELAS. PROCUREM NA NET!!
“PHILOSOFY OF THE WORLD” É UM DOS DISCOS MAIS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DO ROCK.
E, DO PONTO DE VISTA DA “ATITUDE” E DO “LOW-FI”, O MAIS DESTACADO E INCRÍVEL DE TODOS OS TEMPOS! É ARTEFATO INIGUALÁVEL PARA COLECIONAR PELA VIDA TODA.
MAS, “TIO SÉRGIO”, VOCÊ VAI OUVIR DE NOVO? EUUUUU???? NEM PENSAR! POSTAGEM ORIGINAL: 29/03/2020
OS ROLLING STONES SEMPRE FORAM UM COMPÓSITO ORGÂNICO FUNCIONANDO PARA UM DESTAQUE: MICK JAGGER.
ELE É O ASTRO POP SUPREMO. PERFORMER E HOMEM DE PALCO INIGUALÁVEL, LETRISTA PERSPICAZ, MAS CANTOR DE RECURSOS LIMITADOS.
NADA ERRADO QUE A BANDA, FIRME E COESA, ATUASSE DESTA FORMA E COM SUCESSO INDISCUTÍVEL.
MAS, EXPLICA PORQUÊ “RON WOOD” ENTROU COM PESO E ENTROSAMENTO ÚNICOS GARANTINDO, ATÉ AGORA, UM GRUPO EFICAZ E COMPACTO.
OS STONES NÃO SÃO BANDA PARA SOLISTAS. POR ISSO, “MICK TAYLOR” NÃO DEU CERTO. E OS SUBSTITUTOS COGITADOS À EPOCA, “JEFF BECK” E “RORY GALLAGHER”, SE AJUSTARIAM MENOS AINDA: AMBOS TENDIAM A SE DESTACAREM ACIMA DOS RESTANTES NO GRUPO.
A EFICÁCIA ESTÁ NO TODO; E NOS RIFFS, SEMPRE CORTANTES E MATADORES. CADA MACACO COM SUAS BANANAS E TERRITÓRIO.
“GOAT’S HEAD SOUP” É DISCO MEDÍOCRE. MENOS POR SEU REPERTÓRIO INSOSSO; MAS, DESCONFIO E DISCUTO, POR UM ERRO ESTRATÉGICO E BÁSICO: FOI GRAVADO NO “BYRON LEE’S DYNAMIC STUDIOS”, EM KINGSTON, JAMAICA. O LOCAL É AUDIVELMENTE ABAIXO DO PADRÃO INTERNACIONAL PARA UMA BANDA DE TAL PORTE E PRESTÍGIO.
A CAPTAÇÃO SONORA E A QUALIDADE GERAL DA GRAVAÇÃO RESULTARAM PÉSSIMAS.
A REMIXAGEM ATUAL FEITA POR GILES MARTIN, FILHO DE GEORGE MARTIN, O LENDÁRIO PRODUTOR DOS BEATLES, MELHOROU MUITO A QUALIDADE GERAL DO ÁLBUM.
GILES É UM DOS CRAQUES DO ESTÚDIO NA ATUALIDADE. E POSSIBILITOU “RECORTE” AOS INSTRUMENTOS; QUE MELHOROU O SOM DAS GUITARRAS EMBOLADAS, E DOS METAIS ALGO SURDOS, QUE ATRAPALHAVAM O PESO R&B SEMPRE ESPERADO NOS DISCOS DOS ROLLING STONES.
MARTIN CONSEGUIU – COM MUITO CUSTO – PRESERVAR CORRETAMENTE O TRABALHO DE BAIXO FEITO POR BILL WYMAN. TALVEZ O ÚNICO DESTAQUE EFETIVO NA MASSAROCA SONORA ORIGINAL, HOMOGÊNEA E INDISTINGUÍVEL DOS TECLADOS, GUITARRAS E TUDO MAIS…
EM ALGUMAS FAIXAS AJUSTOU BEM MICK JAGGER. “ANGIE”, A ÚNICA REALMENTE DE SUCESSO, E PARTE DO REPERTÓRIO BASE DA BANDA, AGORA FICOU MELHOR E MAIS CONVINCENTE.
POSTO AQUI AS DUAS EDIÇÕES QUE TENHO:
A ANTERIOR É AMERICANA, LIMITADA, E FOI LANÇADA NA DÉCADA DE 1990; É, TAMBÉM, BASTANTE RUIM!
É MELHOR FICAR COM A RECENTE, AO MENOS FIZERAM O MÁXIMO COM AS GRAVAÇÕES ORIGINAIS DISPONÍVEIS. E HÁ FAIXAS BONUS: “SCARLET”, POR EXEMPLO, TRAZ JIMMY PAGE NA GUITARRA. NADA DEMAIS, PORÉM, É SEMPRE UM ATRATIVO.
NO GERAL, É DISCO PARA COLECIONADORES OU COMPLETISTAS. E O STONES TÊM COISAS MUITO MELHORES PARA A GENTE CORRER ATRÁS.
OUÇA ANTES DE COMPRAR. POSTAGEM ORIGINAL: 27/03/2021
ANITTA É ESPECIALISTA NO ASSUNTO. SEU LOOK LATINO EXUBERANTE, E SUAS PERFORMANCES “SALEROSAS”, TROUXERAM À TONA SEGREDO QUE JAMAIS EXISTIU: A TURMA É UNIVERSALMENTE CHEGADA A ESSA “PROTUBERÂNCIA ANTERIOR”.
MENINOS E MENINAS, EM QUANTIDADE CRESCENTE, ALMEJAM O “TIZIU” COMO PRÊMIO A SER DISPUTADO. É BATALHA ENVOLVENDO EXÉRCITOS E EXÉRCITOS DE CONQUISTADORES…
E ANITTA, ENTRE AS MUITAS E MUITOS ARTISTAS, INCLUSIVE MILEY, É HOJE A MAIOR DIVULGADORA DESSE ORNAMENTO ESTÉTICO TÃO APRECIADO.
MAS, PARA ANITTA CHEGAR EM POUCO TEMPO A MAIS DE 60 MILHÕES DE VISUALIZAÇÕES NOS STREAMINGS DA VIDA, EXIGE MAIS DO QUE ESSA DIVULGAÇÃO: TEM DE TER ESTRATÉGIA, ENSAIO, CUIDADOS CORPORAIS E VOCAIS, EMPATIA IMENSA COM SEU PÚBLICO ALVO EM FRANCA EXPANSÃO; E MUITO E MUITO TRABALHO:
ANITTA, MENINA DA ZONA NORTE CARIOCA, ESTÁ FORJANDO SEU LUGAR NO SHOW BUSINESS. E ELA MERECE!
GOSTEI DO SHOW DA MILEY! É “POP ROCK” PESADO, E BEM AMERICANO. É TALENTOSA, POSSUI VOZ DIFERENCIADA, ANDRÓGINA, FORTE. TEM PIQUE, E SUA BANDA É BOA; INCLUSIVE A ESTRATÉGIA DO SHOW É MUITO ADEQUADA, FAZ COVERS – HEART O GLASS, DA “BLONDIE”, FICOU BASTANTE LEGAL.
MILEY ERA MENINA RICA MUITO ANTES DE FAZER SUCESSO. SEU PAI, “BILLY RAY CYRUS”, É UM DOS PRINCIPAIS CANTORES DA COUNTRY MUSIC, DOS ESTADOS UNIDOS. VENDEU MAIS DO QUE ELA…
ANITTA, QUANDO ENTROU, ESTAVA ELEGANTEMENTE VESTIDA. FOI RECEBIDA COM ANIMAÇÃO – E AUTORIDADE. MILEY NÃO DEU TEMPO PARA A NOSSA MENINA EXPOR SEUS TRUNFOS: DEU-LHE UNS TAPAS NA BUNDA, CANTARAM JUNTAS, DERAM UNS CATOS, ROÇARAM SUAS COMPATIBILIDADES, E SAIU DO PALCO.
AFINAL DE CONTAS, O SHOW ERA DE MILEY, QUE DEIXOU ISSO MUITO CLARO…
ASSISTI-LAS FOI ANTROPOLOGICAMENTE INTERESSANTE… Postagem original: 27/03/2022
Em 1968, escutei no rádio e pela primeira vez “I GOT A LINE ON YOU”, sucesso e um clássico do SUNSHINE POP.
No ano seguinte, conheci “1984”, um ROCK PSICODÉLICO de primeiríssima linha, faixa de um disco clássico do “SPIRIT: 12 DREAMS OF DR. SARDONICUS”. Foi na RÁDIO ELDORADO, a primeira emissora de SAMPA a programar música de qualidade, principalmente JAZZ, MPB, INSTRUMENTAIS e CLÁSSICOS.
Mas, havia um programa às sextas feiras e sábados, em torno das 11 horas da noite, chamado “DANCE COM A ELDORADO” – se a memória de crateras lunares não falhou. Lá desfilava seletivamente o “HIT PARADE” americano, independentemente de ser dançavel ou não.
Eu não perdia… Até começar a sair pra bailes, e o vasto é delicioso etc…
O primeiro álbum do SPIRIT que comprei foi uma coletânea. Logo depois descolei, também, o disco de carreira “12 DREAMS OF DR. SARDONICUS”, que vi em belíssima reedição atual em VINIL BRANCO – até considerei comprar. É um clássico do ROCK, na transição da PSICODELIA para o PROGRESSIVO.
A história é a seguinte: RANDY CALIFORNIA, o guitarrista, procurou NEIL YOUNG para saber o que achava de DAVID BRIGGS, que trabalhava com ele, para produzir “12 DREAMS…”
NEIL avalizou entusiasticamente.
Há, penso eu, aquele retrogosto de solidão “YOUNGIANA” perpassando o disco, que foi lançado, em 1971, depois da formação original do SPIRIT já desfeita.
Os 4 PRIMEIROS LONG PLAYS do SPIRIT, o primeiro deles de 1967, são todos igualmente ótimos. Estão mais na linha do JEFFERSON AIRPLANE e do LOVE; orbitam à distância, mas escapando feito cometa, o GRATEFUL DEAD. Tipicamente californianos, o grupo era de LOS ANGELES.
A banda faz um compósito de ROCK PESADO, algum FOLK e bastante BLUES. E tingidos por guitarras distorcidas, linhas de baixo quase discretas quanto espetaculares, teclados cósmicos e pesados circundados pela percussão “JAZZY” .
O baterista, ED CASSIDY, havia tocado com DEXTER GORDON, RY COODER e TAJ MAHAL; era do ramo. E os discos são “GUMBOS” originais e deliciosos, em “clima sonoro” algo opressivo. “ORWELLIANO”?
E, para isso, concorrem as ORQUESTRAÇÕES que envolvem certas músicas. Pesadas, tensas, claustrofóbicas…
O que leva, também, à minha irresponsável suspeita de que inspiraram de alguma forma ROGÉRIO DUPRAT nos arranjos de “CONSTRUÇÃO” e “DEUS LHE PAGUE”, obras de arte transcendentes de CHICO BUARQUE, gravadas em 1971! Talvez o mais brasileiro entre os modernos compositores pátrios! É curioso e instigante!
Não esqueçam, DUPRAT é o maestro chave da TROPICÁLIA, a PSICODELIA traduzida para a MPB. Escutem atentamente essas músicas. São PURA VANGUARDA. Em minha leitura, M.P.B.PSICODELICO-PROGRESSIVA: influencia do ROCK PROGRESSIVO e adjacências em expansão?