JEFF BECK – PARTE 2 : FUSION & BEYOND – INFLUÊNCIAS & CONFLUÊNCIAS

JEFF BECK, à partir de 1972, pôs-se na confluência de várias ideias e vastos dilemas. Ele jamais foi um atleta da guitarra, alguém interessado em performances virtuosísticas.

Ao contrário, sempre foi refinado melodista, cultor das sutilezas do toque, da expressão nítida e sem exagero. Daí, a paixão pelo R&B, SOUL, BLUES e, em doses reduzidas, até algo de MÚSICA CLÁSSICA.

E, também, autocriticou-se com certo pudor e restrição ao que fez com BOGERT & APPICE, 1972/1973 onde, limitados pela ausência de um cantor adequado, os três partiram em direção ao quase “atletismo”.

A torcida adorou! Muita gente aprecia ainda hoje, principalmente o duplo LIVE NO JAPÃO, mas…

Os caminhos de BECK, um inovador, não estão próximos de SATRIANI, VAN HALEN, VAI, MALMSTEEN, músicos técnicos, exibicionistas e performáticos.

JEFF BECK é essencialmente um guitarrista clássico e inteligível. O que não significa desprezo pela inovação, vanguardas, e o diferente desafiador.

Ao contrário: ele apenas usa tecnologias e o novo como expansão dos limites, e sempre dentro e a favor do musical identificável.

Na pauta perene de alguém sempre na vanguarda, como ele, resvalando rupturas e as fronteiras em diversos momentos da carreira, JEFF BECK sempre soube dosar ousadias sem perder a essência de seu estilo. Ele sempre esteve na moda.

A ideia de FUSION é abrangente demais para ser rapidamente resumida.

Pode-se entrevê-la desde o surgimento da BOSSA NOVA, no cenário internacional, no final dos anos 1950. Afinal de contas, JOÃO GILBERTO e TOM JOBIM SÃO O QUÊ?

FUSION, é claro!

E aprofundou-se em meados da década de 1960, quando grandes nomes do JAZZ toparam fazer discos de covers de música POP mais conhecida. Os músicos, claro, precisavam sobreviver. E muitos gravaram tocando de maneira simplificada, LOUNGE, e o resultado foi palatável, mas nada lisonjeiro.

Um exemplo que jamais esqueço, é disco de WES MONTGOMERY tocando com toda sua técnica “CALIFORNIA DREAMING”, hit dos MAMAS & THE PAPAS. Disco agradável, e medíocre.

O JAZZ estava em crise!

A FUSION foi tentada por vários grupos de ROCK. O TRAFFIC, por exemplo, em álbuns como “JOHN BARLEYCORN MUST DIE”, 1970, em que fundem JAZZ e BLUES, mas pela ótica do ROCK.

Experiência bem sucedida que os levou a “LOW SPARK OF HIGH HILLING BOYS”, 1971, um clássico daqueles tempos.

Porém e certamente, o marco inicial do FUSION JAZZ, como em geral o percebemos, foi determinado pelo trompete de MILES DAVIS.”IN A SILENT WAY”, 1969, é obra magnífica com os tecladistas JOE ZAWINULL e CHICK COREA; JACK DeJOHNNETE, na bateria; e DAVID HOLLAND, no baixo.

Mas, é a a participação definidora de outro talentoso guitarrista inglês, JOHN McLAUGHLIN, antecipando em quase três anos a performance que inspirará JEFF BECK em “MAX´TUNES ou RHEYNES PARK BLUES”, do álbum “ROUGHS AND READY”, de 1971.Esta é a primeira faixa realmente FUSION JAZZ que JEFF BECK gravou. E dá charme a um disco repleto de R&B e SOUL, já inclinado para o futuro.

É, também, a gênese e inspiração para a sonoridade desenvolvida pela gravadora ECM e seus guitarristas, como PAT METHENY, TERJE RYPDAL, e incontáveis outros músicos desse JAZZ climático, frio, sofisticado e moderníssimo.

JEFF BECK não criou o conceito de FUSION para a guitarra. Mas, expandiu suas fronteiras com técnica e sonoridade únicas. Com dificuldades para encontrar o vocalista ideal, aos poucos ele foi dirigindo seus discos para o INSTRUMENTAL.

BECK deve ter notado que, lá por 1971 em diante, um grupo holandês fazia muito sucesso naquela fronteira que, por muito pouco, separa a FUSION do PROGRESSIVO. O FOCUS não usava vocalistas, e tinha o excelente guitarrista JAN ACKERMANN, um link entre os dois estilos, o que certamente acendeu luzes dos profissionais para essa hipótese.

Foi nesse mezzo lusco-fusco que o histórico produtor GEORGE MARTIN, que trouxe os BEATLES e depois outros para a relevância artística, entrou na parada.

Ele digamos “aliviou e sutilizou” o toque de JEFF BECK, na guitarra. E o aproximou ao “JAZZÍSTICO”, digamos. E às “baladas” POP sofisticadas. E BLOW BY BLOW, 1975, tornou-se um clássico da FUSION, aproveitando o talento e proficiência do pianista e tecladista MAX MIDLETTON, já revelada em discos anteriores e também expressa nos posteriores.

Que pena MIDLETTON não ter vindo com MICK TAYLOR ao BRASIL!!!!

“BLOW BY BLOW Foi o míssil sonoro que relançou o guitarrista para o futuro transformado em presente quase eterno. BECK TORNOU-SE CONTEMPORÂNEO ATÉ MORRER!!!!

JEFF BECK observou e sintetizou ideias que JOHN McLAUGHLIN desenvolvia com a MAHAVISHNU ORCHESTRA, colegas na COLUMBIA RECORDS, e onde brilhava um tecladista visionário e criativo:

JAN HAMMER, depois seu parceiro nos discos fundamentais “THERE AND BECK”, 1980; “WIRED”, 1976; e JEFF BECK & JAN HAMMER GROUP, 1977.

Ambos criaram a simbiose da guitarra vívida de JEFF com o ELETRÔNICO DE VANGUARDA, que se estabelecia na música no começo da década de 1980, e passou a dominar cenário. E até hoje…

É crer, ouvir, e concluir!

PÉROLAS AOS PORCOS DE TOM RAPP – MARCO ANTONIO GASPARI

TRANSCREVO AQUI O TEXTO DE MEU AMIGO Marco Antonio Gaspari também sobre TOM RAPP e o PEARL BEFORE SWINE. Acho que, no Brasil, apenas eu e ele escrevemos sobre os dois!!

Foi um acaso feliz, em cima de assunto raro, com poucas fontes de informação original, mas nós dois conhecíamos os discos e tivemos motivações para escrever! São perspectivas diferentes, e complementares. Por isso, é pertinente e justo manter o que ele escreveu muito bem!

A safra de LSD produzida e distribuída por Owsley Stanley em São Francisco naquele ano de 1967 devia ser das melhores, porque os freaks da cidade simplesmente alucinaram quando viram nas lojas aquele disco incomum, cuja capa mostrava um detalhe do quadro “O Jardim das Delícias” do pintor flamengo Hyeronimus Bosch.

O nome do disco era “One Nation Underground”, estréia da banda Pearls Before Swine, que na contracapa não fornecia nada mais além das letras de algumas músicas. Nada de ficha técnica, nada de foto da banda, um mistério que só serviu para alimentar as especulações da população hippie que já havia chapado com o último disco dos Beatles:

Sargeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Como o som era algo que hoje podemos rotular de acid folk melódico, e os arranjos traziam exóticos instrumentos árabes e asiáticos sobre um Farfisa garageiro, o cérebro fritado em banha ácida da comunidade hippie começou a viajar e boatos foram levantados de que aquele disco deveria ser uma não creditada parceria entre ninguém menos do que Bob Dylan e os Beatles.

Bom, as letras eram originais, poéticas, desarticuladas e longe do estilo dylanesco, o que não impediu que justificassem como letras de outra pessoa na voz de Mr. Zymmerman. E quanto aos arranjos sofisticados, eles até que tinham um pedigree que se encaixava na árvore genealógica dos rapazes de Liverpool, mas a viagem não acabava por aí. A alucinação bateu forte por causa do selo que lançou o disco: o novaiorquino ESP Records, com certeza o selo mais anticomercial daquela época, que já havia lançado dois discos da banda The Fugs e vários álbuns experimentais de free jazz. Se dois dos maiores expoentes da música jovem de então quisessem documentar uma parceria e escapar dos problemas contratuais com suas gravadoras, nada melhor do que um disco fantasma lançado pelo mais underground dos selos. Na cabeça de todo pirado que habitasse entre o distrito de Haigh-Ashbury, em São Francisco, e o bairro do SoHo, em Nova York, tudo se encaixava e “One Nation Underground” vendeu na época cerca de 200.000 unidades. É até hoje o disco mais vendido da história da ESP Records.

No ano seguinte, um novo disco do Pearls Before Swine, tão bom quanto o primeiro, aterrissou nas lojas: “Balaklava”. Desta vez, o disco trazia na capa uma pintura do também pintor flamengo Pieter Bruegel (o velho) chamada “O Triunfo da Morte”; e não por acaso, Bruegel tinha Bosch como uma de suas principais influências. Aqui o PBS revela não apenas sua temática “anti-war” como também todo o seu mistério para aqueles que não se deram ao trabalho de ler resenhas sobre o primeiro disco nas revistas da época, já que traz uma foto da banda na contracapa e o nome de seus integrantes.

Para ser sincero, não sei se é correto chamar o PBS de banda. Estava mais para um projeto de um jovem e brilhante músico, autor de muitas das letras mais poéticas e surrealistas dos anos 60, chamado Tom Rapp. Tom nasceu na cidade de Bottineau, Dakota do Norte, quase na fronteira com o Canadá, e cresceu em Minnesota, onde foi muito influenciado pelos músicos de country e folk locais. Seu estalo para a música, porém, aconteceu quando ouviu no rádio Peter, Paul and Mary tocando “Blowing In The Wind”. Resolveu aprender a tocar a música imediatamente e, quando soube que era de Bob Dylan, interessou-se pelo compositor e passou também a compor. Espécie de autodidata, Tom aprendeu tudo o que sabia sobre tocar um instrumento nas folhas de um song book de Joan Baez. Junto com três amigos da escola onde fazia o colegial em Melbourne, na Flórida, formou uma banda (Wayne Harley no banjo e bandolin, Lane Lederer no baixo e guitarra e Roger Crissinger nos teclados) e gravou uma fita demo que foi enviada à ESP Records. Imediatamente foram convidados a gravar um álbum.

Essa tal de ESP Records foi a primeira gravadora dedicada quase que exclusivamente à música underground. Pertencia a um advogado do ramo musical de nome Bernard Stollman e foi fundada em 1963 na cidade de Nova York com o nome de Esperanto Disk, cuja especialidade era gravar LPs nessa língua universal. Quando encurtou o nome da gravadora para ESP, Stollman passou a oferecer, podemos dizer, a única oportunidade para músicos de jazz de vanguarda, folk-rock boêmio e colagens experimentais gravarem um disco. Graças a esse espírito pouco convencional e alheio ao mainstrem, a ESP lançou discos de Sun Ra, Pharoah Sanders, Paul Blee, The Fugs e Holy Modal Rounders, entre outros alucinados. Também tinha parte de seu catálogo dedicado ao que hoje chamamos de World Music, com discos de música regional de vários países.

Aliás, isso explica a sonoridade medieval e os instrumentos exóticos do primeiro disco do PSB. Quando Tom Rapp e cia. entraram no estúdio da ESP em Nova York, encontraram vários instrumentos das bandas étnicas que gravavam por lá. Como a gravadora cedia apenas o estúdio, sem ter um produtor ou engenheiro de som, as bandas usavam seu tempo como queriam e o PSB se sentiu à vontade para tirar um som dos sarangis, ouds (espécie de balalaika) e osciladores que estavam dando sopa.

O sucesso de Balaklava, tanto de público quanto de crítica, acabou animando Bernard Stollman a oferecer uma compensação financeira a Tom Rapp, mas imagino que não deva ter sido muito boa pois já li algumas entrevistas do artista dizendo que ele não fez dinheiro algum com esses discos.

Balaklava também marca o final da carreira do Pearls Before Swine como grupo, pois os três amigos de Rapp debandaram logo após e ele continuou como artista solo, mas usando ainda o nome do PBS. Lançou 5 discos pela Warner/Reprise e 2 pela Blue Thumb até 1973.

Em 1976, finalmente caiu a ficha de que, apesar de ter gravado quase uma dezena de LPs, lançado vários compactos, feito vários shows e conquistado um certo reconhecimento da crítica especializada, não valia mais a pena para um artista com tão pouco apelo comercial como ele viver quebrado financeiramente. Rapp então abandonou a música e voltou a estudar, formando-se em economia e advocacia.

Em 1995, após aceitar um convite do fanzine Ptolomaic Terrascope, apresentou-se ao vivo junto com seu filho David e pode constatar que sua música havia influenciado vários novos artistas. Muitos deles, inclusive, gravaram um CD tributo ao Perls Before Swine em 1997.

Vou finalizar com um trecho de uma entrevista de Rapp à Revista Goldmine de outubro de 1994: -“ Eles (Warner/Reprise) disseram que havia um público para o que eu estava fazendo, mas não tinham nenhuma idéia de onde ele estaria ou de como alcançá-lo, mas os discos estavam vendendo e havia difusão em todo o mundo. Realmente, uma vez eu recebi um cheque da BMI da Albania ou Paquistão no valor de $22.50, então as pessoas ainda estavam me ouvindo”.

JEFF BECK – A CONSTRUÇÃO DA CARREIRA DE UM GÊNIO MULTIFACETADO. (PARTE 1) – DOS YARDBIRDS A BECK, BOGERT & APPICE

 

– NÃO PARA!!! CONTINUA!!! TÁ MUITO BOM!!!!

– MAS, STEVIE, EU NÃO SOU BATERISTA!!!

– SEGUE! A PARTIR DE AGORA, O CUSTO É POR MINHA CONTA….

Certo dia, em 1972, STEVIE WONDER entrou dançando no estúdio ELECTRIC LADYLAND, em NOVA YORK, onde meio secretamente estava gravando para depois fechar novo acordo financeiro com a MOTOWN…

O disco tornou-se “TALKING BOOK”, o início da renovação vitoriosa de sua espetacular carreira!

Foi assim: JEFF BECK, um dos músicos que participava da sessão, adorava “dedilhar” ( OOOPPPSSS!!!) a bateria escondido. E WONDER o percebeu fazendo o que viria a ser o RIFF de bateria na entrada de “SUPERSTITION”, um de seus clássicos!

Gravaram imediatamente a DEMO, e a MOTOWN aprovou. Renovou o contrato de WONDER por muito mais grana, além de permitir liberdade artística para STEVIE criar…

A música foi cedida a BECK como parte de pagamento pelas sessões em que trabalhou.

E o nosso herói comentou que, sem querer, tornou-se parceiro em dois grandes RIFFS da História. A bateria e seu ritmo dançante, conjugada ao RIFF do teclado desenvolvido por STEVIE WONDER! Inesquecível!

O acaso é um grande realizador! E demolidor implacável, também, como veremos!

Alguém citou para mim dito popular de MOÇAMBIQUE: “Se a sorte não penetra, tens no C#, e etc…”

Explícito e definidor…

JEFF BECK estudava piano desde os 4 anos, e um dia arrancou tecla do instrumento… Mamãe BECK entendeu que a do rebento era outra…

Aos 8 anos, ele construiu uma guitarra para emular seu ídolo, CLIFF GALLUP, guitarrista de GENE VINCENT. Aliás, um dos ídolos de JIMMY PAGE, também…

Os dois se conheceram porque a irmã de JIMMY estudava com JEFF. Um dia foi visita-la e, enquanto mamãe PAGE fazia um chá, os dois ficaram tocando guitarra…

Precoce desde sempre, e inventor de instrumentos e sonoridades, BECK foi se enturmando até tornar-se meio conhecido com os TRIDENTS, banda onde tocou por quase 2 anos, e aprendeu a tirar sons e a fazer barulho…

BECK sempre se interessou por tecnologia, experimentações e máquinas… Mas, um desastre de automóvel, em 1969, foi outro acaso que quase líquida a carreira dele…

JIMMY PAGE lá por 1964/65 já faturava bem tocando em estúdios. Há dezenas de participações deles em discos da época.

E quando CLAPTON deixou os YARDBIRDS, ele foi a primeira opção para substitui-lo…

Mas não topou, e indicou BECK.

Depois de um SHOW, JEFF foi quase sequestrado por GIORGIO GOMELSKY, “empresário”. E bem ao estilo máfia russa da época, o convenceram que uma banda TOP precisava de um guitarrista, e o levaram ao MARKEE CLUB.

Eram os YARDBIRDS.

FOR YOUR LOVE, com CLAPTON na guitarra e BRIAN AUGER, no cravo, havia ido muito bem. Sucesso marcante, e meu primeiro contato com a banda. Parte do grupo queria seguir por ali…

Mas, BECK trouxe inovações na guitarra, e foi muito além de GEORGE HARRISON, em I FEEL FINE, hit dos BEATLES, e outro marco pouco reconhecido…

Quando entrou para os YARDBIRDS, JEFF percebeu a diferença de status e projeção. O sucesso com a mulherada era total, recordou: a VAN da banda estava sempre com marcas de batom, telefones, endereços e os etcs… que compõe o sucesso dos POP STARS…Gostou, é claro!

E as ideias futuristas de JEFF BECK grudaram na performance do grupo.

Os SINGLES fabulosos de sua curta era, “HEART FULL OF SOUL”, “OVER, UNDER, SIDEWAYS DOWN”, “YOU ARE BETTER MAN THAN I”… e mais outras gravações seminais, algumas com a participação de PAGE, como “HAPPENING TEN YEARS TIME AGO”, revolucionaram e “liberaram” a guitarra para brilhar e tornar-se o ponto focal do ROCK de meados da década de 1960 em diante.

BECK FOI A ORIGEM DO NOVO JEITO DE TOCAR E FAZER AS GUITARRAS SOAREM.

Certamente influenciou a metamorfose no som de CLAPTON, quando no CREAM, que por sua vez, influenciou JIMI HENDRIX…

E a espaçonave decolou eras adentro.

HARD ROCK, HEAVY METAL, DAVID GILMOUR, PROGRESSIVOS, e tantos e tamanhos que trouxeram o que até hoje é ouvido “pelaí”.

É instigante especular sobre as tendências e realizações artísticas de CLAPTON, PAGE E BECK.

Claro, eles todos originários e interessados no BLUES e no ROCK. Mas, muito diferentes entre si.

CLAPTON é e permaneceu um BLUES MAN, com viés competente no POP.

Explorou um pouco o REGGAE, e até a BOSSA NOVA, sempre em FUSÃO com o POP JAZZ, onipresente e cultivado…

Além disso, ERIC desenvolveu diferencial insuperável: CLAPTON SABE CANTAR. E muito bem! E isso fez toda a diferença no decorrer da carreira!

JIMMY PAGE é um grande produtor, e homem de estúdio focado essencialmente no HARD ROCK, com incursões no FOLK, audíveis em quaisquer discos do LED ZEPPELIN.

E, por mais de uma década, enquanto a banda performou, teve a seu lado o talento de JOHN PAUL JONES, até hoje grande arranjador e baixista; e principalmente ROBERT PLANT, ainda entre os maiores vocalistas de todos os tempos e eras.

Vantagem incontrastável para quem tem nenhum talento para cantar, não é mesmo…

JEFF BECK é um inventor de sonoridades e guitarrista incomparável!

Mas, sempre esteve limitado pela falta de talento vocal. Tem voz feia e canta mal. Então, aos poucos foi assumindo o interesse pelo instrumental e sempre trazendo, alguém para cantar.

Para BECK desenvolver a carreira foi mais difícil!. Ele extrapolou o BLUES ROCK em TRUTH, 1968 e BECK-OLA, 1969, quando reinou ROD STEWART, em disputa suicida com o próprio BECK pela primazia na banda.

Claro, tinha de acabar como terminou…Chuva de Egos e o derretimento de um grupo notável…

É memorável, em TRUTH, a faixa cult “BECK´S BOLERO”, executada por SUPERGRUPO histórico: BECK e PAGE nas guitarras; JOHN PAUL JONES, no BAIXO; e NICK HOPCKINS, no piano.

KEITH MOON, estrela explosiva no THE WHO, literalmente arrebenta a performance destruindo a bateria. É faixa de referência, tanto quanto ‘BLUES DE LUXE”, onde ROD STEWART e JEFF BECK dão aula de ENGLISH BLUES & beyond…

TRUTH é um clássico da época, e modelo para o LED ZEPPELIN I,1968, moldado por PAGE no disco de BECK. É a história e suas contradições em movimento.

Na entreato torrencial de 1968/1970, aconteceram os primeiros discos do JEFF BECK GROUP, e os três iniciais do LED ZEPPELIN.

JIMMY PAGE estava em alta como produtor e músico de estúdio, e participou de vários projetos paralelos.

Destacando as participações de BECK, há um disco polêmico, de fama ciclotímica no correr do tempo. Para muitos, LORD SUTCH & HEAVY FRIENDS, 1970, é ruim.

Eu discordo veementemente! Como um grupo base com PAGE, BECK, JOHN BONHAN e NOEL REDDING, baixista de HENDRIX, poderia legar um disco ruim?

Para os que duvidam, há duas faixas sensacionais: “WOULD YOU BELIEVE” e “BRIGHTEST LIGHTS” com BECK e PAGE acompanhados por outros craques.

No mais, é pauleira brava! Debochado, gritado, meio PUB/PUNK ROCK e não alinhado com a moda.

Os tempos exigiam o BLUES, o HARD, e o nascente ROCK PROGRESSIVO.

Ainda assim, o disco é um clássico!

Curiosos são dois álbuns duplos, também lançados no BRASIL posteriormente, que trazem a nata daquela época.

BLUES ANYTIME vem com os três seminais da guitarra, mais ROD STEWART, SAVOY BROWN, e vasto montão de craques em faixas desconhecidas. É item de coleção disputado.

Somam, é óbvio, para a compreensão dos caminhos trilhados por JEFF BECK, que buscou seguidamente o menos frequente RHYTHM´N´BLUES.

E o resultado é o fantástico “blend” MOTOWN/ STAX, em discos como “ROUGH AND READY”, 1971; ou “JEFF BECK GROUP”, 1972 – produzido por STEVE CROPPER, tido por muitos como guitarrista dos guitarristas. E ELE é.

E, JEFF saltou mais de uma década para desaguar na DISCO e na DANCE MUSIC, com FLASH, 1985, produzido alternadamente por NILE RODGERS (CHIC) e ARTHUR BAKER.

E devemos observar JEFF BECK no segundo álbum do inglês SEAL, de 1994, onde participa com sua verve, estilo e técnica, depois de terem colaborado em STONE FREE, tributo eclético a JIMI HENDRIX, lançado em 1993.

Tudo considerado, é o R&B modificado que sempre fascinou BECK, um cultor de sutilezas melódicas. Álbuns excelentes, em tempos diversos que certamente complementaram ciclo criativo para JEFF BECK.

Nos movimentos oscilantes que a carreira lhe trouxe, tudo foi arrematado com peso pelo POWER TRIO redivivo, exalando RETRÔ em HARD BLUES/ROCK:

Em 1972 , BECK, BOGERT & APPICE emularam o CREAM e o MOUNTAIN, fizeram sucesso de público, conseguiram disco de ouro, turnês, etc….

E definitivamente convenceu JEFF de que seu caminho era outro, mais sutil e independente.

Cronologia é bom artifício para fixar ideias. Mas, os movimentos nas artes e na vida, extrapolam aparências e coerências. Tendências vão e voltam; se imbricam é separam. É a vida agindo…

Para mais bem compreender a sequência da carreira de BECK, vamos recorrer à dialética ( eta cara chato! larga de ser pedante, TIO SÉRGIO! ) e ao papel do contraditório, também.

A lógica de cada indivíduo, de cada artista, é o compósito criativo que a vida e a prática os torna.

Então…

ELIZETH CARDOSO E ARACY DE ALMEIDA. O QUE TÊM EM COMUM ESSES DOIS DISCOS?

Sou gato de bibliotecas e discotecas.

Ando por elas assediando ( palavrinha da moda, heim ! ), cheirando e apalpando bumbuns e outras partes de discos e livros; lendo contracapas e orelhas; observando os designs gráficos, e os selos de gravadoras.

Tudo considerado, ckntinuo cumprindo um ritual que me fascina, desde criança, por coisas gravadas e impressas.

Acho que gosto mais dos “objetos” discos e livros, do que da “escutação” ou das leituras.

Claro; mais ou menos. Estou exagerando… Sou meio grávido de músicas ouvidas e leituras feitas.

Muita ainda é ou foi feita pela metade; por pequenas partes e muito pouco método. Assimilei muito através da sensibilidade; ou por osmose e gravidade ( caíram sobre mim …) É um hobby viciante. Não largo nem por ameaça ou porrada literalmente aplicada .

Recentemente, eu andava atrás de cds lançados pela GRAVADORA ELENCO, na década de 1960. São fascinantes! Um acervo diferenciado, criado, gravado e produzido por ALOYSIO DE OLIVEIRA , que juntou patos e sapatos; jacarés e tigresas; a velha guarda e os modernos artistas da época.

Era uma gravadora temática, BOUTIQUE sonora refinada, como a BLUE NOTE e a VERVE, americanas, exemplos magníficos.

Vagando pelo virtual cheguei em um disco lançado na ELENCO, em 1966, chamado “SAMBA É ARACY DE ALMEIDA”.

É muito interessante. ARACY era sambista da velha guarda. E, nesse disco gravou os compositores clássicos como NOEL ROSA, ASSIS VALENTE e ARY BARROSO. E, também, MARCOS VALLE, atualíssimo ainda hoje!

O diferencial é que ARACY está acompanhada pelo conjunto de ROBERTO MENESCAL, e a produção de AlOYSIO trouxe todo o repertório para o som contemporâneo da época do lançamento. E ARACY canta com leveza e descontração.

O resultado é BOSSA NOVA de verdade.!

Inspirado nela escutei, também, o “CULT” “CANÇÃO DO AMOR DEMAIS”, de ELIZETH CARDOSO, lançado em 1958, e por muitos considerado o primeiro disco gravado de BOSSA NOVA, porque as musicas são de TOM JOBIM e VINÍCIUS DE MORAES; e JOÃO GILBERTO toca violão – mesmo que sem as ousadias que vinha desenvolvendo.

Porém, o disco é convencional. Feito para a voz de ELIZETH, e com destaque total para ela. Os arranjos de TOM JOBIM são bem feitos, e nada inovadores. Ele usa violinos, harpas e toda a tradição sonora do SAMBA-CANÇÃO, onde ELIZETH era mestra consumada.

Mesmo com “CHEGA DE SAUDADES” no repertório, eu acompanho a opinião do poeta e professor AUGUSTO DE CAMPOS: está longe de ser um disco de BOSSA NOVA.

Tempos atrás, a revista RECORD COLLECTOR fez resenha elogiosa e curta do disco, e lhe deu 4 estrelas. Uma chancela relevante!

Agora, ouvindo e comparando os dois discos eu cheguei a algumas conclusões:

Os inventores da BOSSA NOVA são, mesmo, JOÃO GILBERTO e TOM JOBIM. VINÍCIUS tangenciou o gênero.

O SAMBA CANÇÃO não transitou para a modernidade; não havia elos possíveis, já que, de certa forma, a BOSSA o contestava na sua “breguice” formal e no uso “açucarado ” das cordas – “assassina serial” de ouvintes diabéticos!

Mas, era um jeito americano de fazer e arranjar músicas, contemporâneo à grande canção americana da época. É só dar uma olhada nas paradas e identificar…

De outro lado, o SAMBA DE RAIZ forma a base da BOSSA NOVA com naturalidade impressionante. A tradição de ARACY juntada ao “POP” de MENESCAL e sua turma, são exemplos claros. Ao adicionar uma colherada de JAZZ no otimismo dos tempos democráticos de JUSCELINO KUBISTCHEK, criou-se uma receita musical próxima da perfeição.

Bem, como gato velho, miei demais por aqui. Mas, acho que ainda mantenho parte do meu faro.

CANNED HEAT – CULT PSYCHEDELIC BLUES

ALTERNATIVOS sempre! E, ao mesmo tempo, “discutindo o conceito” do verdadeiro BLUES. Também TRADICIONALISTAS, mas longe do CONSERVADORISMO e da monotonia melódica do BLUES. No fundo “seriam” JOHN LEE HOOKER redivivo expandindo o ensinamento e a pegada criada por HOOKER.

Ideia Maluca?

Então vamos lá: BOOM BOOM, clássico de HOOKER, “está” em “SHOULD I STAY OR SHOULD A GO “, HIT do THE CLASH, gravado 1977. E, mais ainda, em THE BEAR, de JOHN MAYALL, 1968.

BOOM BOOM permeia redefinido em PSICODELIA o hit cult de NORMAN GREENBAUN, “SPIRIT IN THE SKY”, 1969;

E, também, no TRANSGRESSIVO ACID ROCK “ON THE ROAD AGAIN”, dos caras da foto, o próprio CANNED HEAT, já notados em 1968 por velhinhos como o TIO SÉRGIO, aqui!

E só para citar alguns filhotes espirituais, quando não criadores de plágios escarrados daquele RIFF SEMINAL E RECORRENTE perpetrado por JOHN LEE…

E há mais, muito mais! Perguntem pro Valdir ZamboniAyrton Mugnaini Jr.Mauricio Dos Santos NascimentoClaudio Finzi FoáGeninho PintoKlaus SveignerGerson Périco

O CANNED HEAT faz isso desde sempre. E para sempre. Têm muitos discos gravados. Um deles, clássico , com o próprio JOHN LEE HOOKER.

Eles usam o PAU DE MACARRÃO MUSICAL para abrir a massa do BLUES. São tradicionalistas e revolucionários ao mesmo tempo. Um fenômeno!

É o BLUES ALTERNATIVO transitando pelo tempo: é sessentista ou cheirando grunge. Tem pra todo mundo! AHHH, o CANNED HEAT faz coisas algo “PROG”, mas sempre BLUES…

Por tudo isto, há quem os adore, como o TIO SÉRGIO! Existem uns poucos que nem tanto…

E você? Vai testar?

Vale a pena ir fundo.

O “O MUSEU ON CO TÔ” E A TURNÊ “KNOCK KNOCK KNOCK ON HEAVEN”S DOOR” … AI, AI, AI MINHAS COSTAS…

Certa vez comentei com o meu amigo Paulo Aristeu:

“Acho que vou juntar uns caras e criar um TEATRO/MUSEU para trazer concertos da turma da segunda, terceira e quarta idade do POP e do ROCK”.

O TEATRO eu já batizei, vai ser: “MUSEU ON CO TÔ?” Uma redução à mineira da expressão “ONDE É QUE EU TÔ”?

Na frente, haverá um eterno outdoor escrito: “GERIATRIA IN CONCERT”.

O prédio terá enfermaria, cozinha de Hospital, enfermeiros, nutricionista; e, sempre, um médico de plantão, e até uma ambulância de última geração.

E um baita bar, claro!

Na parte museu do “ON CO TÔ?” haverá um vasto arquivo e discoteca para dados digamos… pós biográficos: quem morreu, onde está enterrado – ou se foi cremado -; e onde vive aposentado. Memórias e memorabilia várias e ainda vivas.

Vejam que legal!

Não faltam atrações, a maioria delas CINQUENTENÁRIA – ou quase…

Estão ainda por aí o DEEP PURPLE, RENAISSANCE, o CURVED AIR. E os STONES, o CAETANO e o GIL…

Infelizmente, as madrinha não matronas RITA LEE e GAL COSTA – rezo para elas – não tiveram tempo de ver o projeto. Então, vamos trazer os vivos e os vivaldinos.

E os mortos insepultos como BLUE OYSTER CULT, NEW MODEL ARMY, GEORGE CLINTON, NILE RODGERS, JUSTIN HAYWARD, JOHN MAYALL e um montão mais… se der tempo.

E, claro, os vivíssimos e criativos, como o KING CRIMSON e o U2, também, ué? Quantos anos vocês pensam que a banda e os caras têm?

OOOPSSS… não pode faltar SIR PAUL McCARTNEY, o mais ilustre deles todos? E o ELTON JOHN? E, que tal o EGBERTO GISMONTI – que, dizem, não quer mais nada com o batente pesado …. ou quase?

Todos estão perto ou além da aposentadoria. E alguns em processo de extinção.

Por isso, jamais esqueceremos aqueles que bateram a caçoleta, ultrapassaram o portal, escorregaram na cachoeira dos tempos e já desembarcaram no além! BOWIE, NEIL PERT, GENE CLARK, JIM MORRISON… e lista é infindável. Vai lembrando e sugerindo.

Todo mês tem embarque garantido… ooopss….é só acompanhar pelos jornais, redes…

O legal em tudo isso, é que sempre vou estar lá recebendo os caras; e comendo uma saladinha, papeando e papando uma canjinha. Claro, enquanto eu puder, sempre tomando umas cervejinhas…

E, quando eu trouxer o OZZY OSBOURNE vou mandar fazer um poster assim:

OZZY: “ONTEM DIABÓLICO, HOJE DIABÉTICO!”

Vai sobrar bengalada pra todo lado…

RYIUICHI SAKAMOTO E ALVA NOTO!

Acordei no meio da madrugada pensando em SAKAMOTO. E tudo porque a minha última leitura, antes de embarcar nos sonhos, foi uma resenha crítica do disco ao vivo dele com “ALVA NOTO”: “TWO – LIVE AT SIDNEY OPERA HOUSE”.

ALVA, de quem jamais ouvira falar é, na definição da “RECORD COLLECTOR” , uma “compositora alemã minimalista”. E, para meu susto contido, é o quinto disco que os dois fazem juntos!!!

A moça organiza “abstrações eletrônicas, beeps, interferências, e vasto etc…” acompanhando RYIUICHI e suas improvisações ao piano. “SUSHI e CHUCRUTE” – dupla nipo-germânica.

A música é “acalmante e instigante”, para dizer o mínimo…

Mas, que mistérios e talentos têm esse mago monástico iluminado e perfeccionista, que singra o piano esculpindo músicas? E torna as composições de Tom Jobim, por exemplo, mais cintilantes do que sempre são?

Vejam os dois excepcionais discos disponíveis no Brasil gravados com JACQUES E PAULA MORELEMBAUM! O japa dá colorido ao brasileiro, que os três sabem “ser”.

E vai além. SAKAMOTO consegue casar-se ou justapor-se a outro estelar fugidio e solitário, DAVID SYLVIAN; duela com BOWIE, compôs incontáveis trilhas sonoras; vai do “tradicional moderno” à transvanguarda POP-JAZÍSTICA! Tudo junto ou em sequências impensáveis!

Esse “batráquio nipônico” é artista e músico excepcional!!!! Tenho quase nada do que ele gravou! De agora em frente, vou procurar mais.

Mas, o quê? Quais de seus discos ou fases?

A resposta que tenho para o mistério do moço, é o uivo uníssono das torcidas do FLAMENGO, LIVERPOOL, e KASHIVA ANTLERS: “NÃO SEI!, NÃO SEI!, NÃO SEI! Vou às cegas. E será difícil errar!!!

Conheçam o SAKAMOTO. A sonoridade que ele extrai do piano é bela, única e perfeita demais! Postagem original 17/01/2020

SEIJI OZAWA – EM 50 CDS – PELA DEUTCHE GRAMMOPHON

A toda vez em que me defronto com algo repelente ou absolutamente inaceitável para os meus valores, procuro um antídoto, uma vacina, qualquer coisa que me livre da visão ou sensação.

Dia desses, início da madrugada e zapeando pela televisão, caí em cena tenebrosa de um filme chamado “Em Luta pela Liberdade”, ou em busca… tanto faz. É sobre a condenação de um inocente a morte. Um tema que não digiro, não aceito, não assisto e não canso de mostrar o meu desprezo, oposição ou seja lá o quê for e contra quem for.

Sou radicalmente contrário e não importa o motivo da condenação.

Mudei imediatamente.

Caí, por sorte, em um concerto no Japão, com SEIJI OZAWA regendo a SEGUNDA e a SÉTIMA sinfonias de BEETHOVEN, com a “SAITO KINEN ORCHESTRA”, criada por ele em 1992 para divulgar músicos japoneses e sob o controle e a visão do grande maestro.

Claro, concerto no Japão, durante o FESTIVAL DE MATSUMOTO, em 2016. Um momento sublime, portanto.

SEIJI OZAWA é raro e precioso.

Nasceu na China, em 1935, durante a “ocupação japonesa”, e a família retornou ao Japão, em 1944.

Começou estudando piano, mas à semelhança de JOÃO CARLOS MARTINS, nosso grande pianista, machucou-se gravemente. SEIJI estava jogando RUGBY. Foi obrigado a largar o piano e passou a estudar regência.

OZAWA é possivelmente um gênio. Trabalhou com CHARLES MUNCH, VON KARAJAN e LEONARD BERNSTEIN. É um cara de vanguarda, incentivador de compositores contemporâneos em repertórios orquestrais. É encrenqueiro conhecido e regente de sonoridade, convicções e ideias muito originais.

Em meados da década de 1970, ouvi e comprei disco regido por ele com a SIMPHONIETA DE JANACECK, obra contemporânea que me deixou maluco – mas que não repus, ainda, em minha discoteca.

Comprei, também, uma cantata de BRAHMS, se não estou enganado, simplesmente imperdível.

O japa é esfuziante! Um regente de garra, grandiloquência sonora, e gestos precisos. E mesmo tendo gravado, e conhecer a fundo compositores como BEETHOVEN, entre vários, suas interpretações sempre são únicas, pessoais, talvez inusitadas. E mesmo eu, que deixei um pouco de lado a música clássica, jamais esqueço artistas como ele.

O que assisti, ontem, pareceu-me perfeito nas circunstâncias. SEIJI, com mais de oitenta anos, vestido de maneira informal à japonesa, velhinho mas quase lépido, cumprimentando e até confraternizando com seus músicos, regeu uma orquestra moderna, “multinacional/racial”, como quase certamente é a maioria das orquestras contemporâneas importantes.

A certeza do que pretendia com BEETHOVEN, a compreensão dos gestos até por mim, um leigo, para efetivar a regência; e aquela coisa indefinível, algo entre o celestial e o mundano elevado ao estado da arte, compensaram a minha quase incontida ira ao dar-me de frente com as ignomínias a que o mundo nos submete!

Publiquei um desejo imenso nesta foto e texto. Estou inclinado a correr risco e trazer este box para mim.

É a fase áurea de OZAWA. BOX com 50 cds em capas originais e, certamente, um livreto adequado para expor uma vida intensa, grandiosa, bela – arrogantemente bela! – por contraditório que eventualmente possa parecer!

SEIJI OZAWA, mesmo doente, continuava cabeludo, inquieto e decidido, sempre em linha com o contemporâneo. Está em vias de tornar-se imortal. É uma criatura em conformidade consigo mesma. Mas jamais em paz! O maestro é um rebelde com inúmeras causas; praticante da contestação e da ousadia, exercidas com método, proficiência, e uma peculiar forma de transmitir satisfação com os vários deveres cumpridos

Eu quero esse BOX! postagem original 17/01/2023