GARY BROOKER, BANDLEADER, E A FORMIDÁVEL SAGA DO PROCOL HARUM

Escrever sobre a convivência de 54 anos é, ao mesmo tempo uma honra, e a visão da minha própria finitude.
A partida recente de GARY BROOKER, em 19 de fevereiro de 2022, me faz pensar nisso. A cada morte de alguém significativo eu acelero o caminhar em direção ao inevitável…
Não gosto de pieguices. E muito menos dos sentimentos mal definidos aflorados – e que sempre assolam.
Procuro o tempo inteiro tornar as impressões inteligíveis. Mas, não abro mão de viajar por mim mesmo durante a confecção do texto.
Então, vou ziguezaguear em busca da memória de emoções soterradas. Nunca é apenas a história que me interessa. Mas, como a vivi – e ainda vivo! E, parafraseando a turma dos anos 1970, o texto que saiu é um MORRETÃO, de tão longo; e a minha sentida homenagem à companhia que ele me fez e ainda fará.
A DESCOBERTA E O MITO
Lá por setembro de 1967 – acho ou invento – ouvi falar do PROCOL HARUM pela primeira vez.
Eu era “office boy” na diretoria de um banco que não existe mais há décadas, o NOVO MUNDO. E a secretária de um figurão passou uma lista de discos, o lugar onde comprar, e uma grana rombuda – ao menos para mim…
Recomendou tomar cuidado, conferir o troco e trazer a nota fiscal.
Missão dada, missão cumprida.
A loja eu não lembro mais o nome. Era de esquina; grande, tradicional, e durou talvez até o meio da década de 1990. Ficava na Rua Direita, próxima à Praça da SE’ , no centro de São Paulo.
Os discos? Eu recordo de LPs de três artistas: THE MAMAS & THE PAPAS; FRANK SINATRA e MATT MONRO;
E, também, o inesquecível compacto do PROCOL HARUM, “A WHITER SHADE OF PALE”. Estava tocando, quando cheguei. Era hit estourado! Achei bonito, diferente.
A conjunção astral da “poesia” de KEITH REID, letrista exclusivo da banda, com a música de GARY BROOKER e MATHEW FISHER, resultou em canção de amor em versos sujeitos a várias interpretações; mais climas e sugestões misturados a um certo mistério tipicamente inglês.
A parte instrumental foi baseada em “AIR ON THE G STRING”, de BACH, com destaque absoluto e indissociável para o ÓRGÃO HAMMOND de FISHER, e o vocal BLUESY de GARY BROOKER.
E consolidou-se um fenômeno que ultrapassou a seguinte história contada por PETER BROWN, quando entregou a letra de “SUNSHINE OF YOUR LOVE” – a canção símbolo do CREAM – para JACK BRUCE compor a música.
PETE fez o seguinte comentário: “Cara, esta vai pagar o aluguel da gente para o resto da vida”!
Pagou e ainda paga!
Agora, imaginem “A WHITER SHADE OF PALE”, peça sofisticada em plena transição entre o ROCK PSICODÉLICO e o PROGRESSIVO, e totalmente inserida no clima “hippie” daqueles tempos, com trajetória histórica e muito mais popular????
A canção tomou dinâmica própria, e tornou-se fenômeno cultural de proporções avassaladoras: acima de dez milhões de SINGLES vendidos; mais de mil regravações; milhões de discos vendidos, em vários formatos e épocas!
E, glória suprema: é a canção mais executada em todos os tempos no REINO UNIDO!
Com “BOHEMIAN RAPSODY”, do QUEEN, ambas foram eleitas os melhores SINGLES da história por aqueles recantos!!!!
A HISTÓRIA E O RITO
O PROCOL foi sucessor modificado dos PARAMOUNTS, que gravou e atuou entre 1963 e 1965. Era uma “BEAT BAND” inglesa na linha do R&B de grupos como ROLLING STONES, MANFRED MANN, ARTWOODS e tantos e vários. Tiveram pouco sucesso, mas eram bem legais!
O PROCOL HARUM foi estruturado sobre o núcleo voz, piano, órgão, guitarra; e, claro, imprescindíveis baixo e percussão.
O diferencial da banda sempre foi a integração conseguida com magistral competência pelo uso de orquestra e coro. O PROCOL HARUM esteve entre as poucas bandas que fizeram a transição do BEAT ROCK à PSICODELIA, como THE ZOMBIES e os HOLLIES; e, daí para o ROCK PROGRESSIVO, tais quais os MOODY BLUES e o MANFRED MANN (EARTH BAND).
A figura principal, o líder, era GARY BROOKER; bom pianista e arranjador, além de belíssimo e versátil cantor de R&B, SOUL, e BLUES, cujo timbre vocal lembrava RAY CHARLES, seu ídolo supremo.
BROOKER sempre deu o colorido suis-generis e notável às várias formações do PROCOL, onde imprimiu a sua personalidade marcante por tudo o que fizeram, inclusive um pouco de FOLK. Ele e banda desaguaram principalmente no ROCK PROGRESSIVO em suas variadas formas.
Mas, não pensem que era uma banda do “AMOR, O SORRISO E A FLOR”. Ao contrário: a música é lúgubre e pesada. A sonoridade em geral tende ao grave, e ao sujo. O órgão de MATHEW FISHER, ou sucessores, lembra JON LORD, no DEEP PURPLE; distorcido, “sério”.
E a guitarra de ROBIN TROWER até hoje, mais de meio século após ter saído da banda, mantém “aquele som” algo solene e “discreto”; e sem humor…
Para ter uma ideia, o biógrafo da banda disse que MATHEW FISHER saiu porque não aguentava mais letras sobre morte, caixões, naufrágios e desgraças em geral!
O PROCOL HARUM ideologicamente estava longe do FLOWER POWER. Entre 1967 e 1973 chegou à fase áurea. Gravaram 7 LONG PLAYS magníficos: PROCOL HARUM, 1967; SHINE ON BRIGHTLY e A SALTY DOG, 1968; HOME, 1970; IN CONCERT WITH EDMONTON SYMPHONY ORCHESTRA, 1971; BROKEN BARRICADES, 1971; e GRAND HOTEL, 1973.
Durante a saga tiveram de enfrentar concorrência em nível do FOCUS, THE NICE; EMERSON, LAKE & PALMER; KING CRIMSON, JETHRO TULL, RENAISSANCE, YES, GENESIS, os MOODY BLUES, e diversos que souberam muito bem o que fazer com a inspiração da música clássica – e além dela. Era mundo e tempo de gigantes!
O excelente guitarrista ROBIN TROWER que, aos poucos, vinha assumindo maior protagonismo, saiu para bem sucedida carreira solo, em 1971. E permanece firme e relevante! E lúgubre!
O RITO, A SAGA E O DECLÍNIO
O PROCOL HARUM perseguiu a fusão entre o melhor da base legada pela BLACK MUSIC, principalmente o vocal de BROOKER, e as diversas possibilidades do ROCK PROGRESSIVO. Era mais SINFÔNICO do que EXPERIMENTAL.
Em seus discos havia “MINI SINFONIAS”, como “For Liquorice Joe”, “Conquistador”, “Quite Rightly So”, “Fires”, “A Salty Dog”, “Wreck of the Hasperus”, “Whaling Stories”, “Shine on Brightly”, “Broken Barricades”, “The Worm & the Tree”, etc….
Inclusive “HOMBURG”, o SINGLE que sucedeu ” A WHITER SHADE O PALE…”, em 1967. Música belíssima, e ainda mais densa e interessante. A letra espetacular descreve o fim de um caso amoroso, abandono e a depressão!
É a minha predileta em toda a discografia!
O pessoal do QUEEN e do WHO eram fãs do PROCOL HARUM!
GARY BROOKER conta que BRIAN MAY lhe explicou que na estrutura de “BOHEMIAN RAPSODY”, o QUEEN comprimiu várias ideias para caberem em 6/7 minutos de gravação”; bem ao estilo do PROCOL HARUM. E que a ideia do grande hit do QUEEN foi inspirada em WHALING STORIES, do álbum HOME, 1970, quarto LP do PROCOL.
PETER TOWNSHEND falou coisa semelhante sobre “TOMMY”. Não a ideia de uma ÓPERA ROCK, ou melhor, ÁLBUM CONCEITUAL. Mas, que a estrutura geral foi baseada em “IN HELD TWAS IN I”, faixa longa e PROGRESSIVA do LP SHINE ON BRIGHTLY, de 1968, o segundo e, para mim, o melhor LP da banda.
Ouvindo com atenção, é perfeitamente perceptível. Não são plágios ou cópias, mas a forma criada para o desenvolvimento de cada projeto, e os diversos elementos em comum.
Coisa típica de quem estudou o que existia e se inspirou. É comum nas artes; e recorrente na vida.
O PROCOL continuou fazendo bons discos, mas sem a criatividade anterior. EXOTIC BIRDS AND FRUIT, 1974; E um retorno ao PROGRESSIVO “modernoso”, “ma no troppo”, incluindo sintetizadores em SOMETHING MAGIC, lançado em 1977.
Houve uma quase exceção ao estilo em PROCOL’S NINTH, 1975, um passo em direção clara ao R&B, com a produção dos consagrados JERRY LIEBER & MIKE STOLLER, grandes “fazedores” de hits na BLACK MUSIC.
Não é de estranhar. Em meados da década de 1970, tanto SANTANA quanto BOB MARLEY faziam sucesso e influenciavam cabeças e paixões. Tudo se intercomunica, se a gente prestar devidas atenções….
A revista RECORD COLLECTOR perguntou a GARY BROOKER, em junho de 2009, qual o melhor show que ele havia assistido na vida?
Resposta na lata: BOB MARLEY & THE WAILERS, AT LONDON HAMMERSMITH ODEON!
TIO SÉRGIO explica: o REGGAE é música negra de base. É o R&B em fusão como o “jingado” latino!
Então, nesse nono LONG PLAY estão PANDORA BOX, uma “GUAJIRA” cubana algo… hum… “PROG”; e uma versão matadora BEAT/R&B de “EIGHT DAYS A WEEK”, single clássico dos Beatles. Entre outras músicas todas tendendo ao R&B e SOUL.
Ora, no vocal há GARY BROOKER, um BLACK SINGER de primeira linha!
GARY BROOKER colocou o PROCOL HARUM em “stand by”, em 1978. E saiu para carreira solo, e diversas contribuições em discos de outros artistas: esteve com GEORGE HARRISON, THE HOLLIES, KATE BUSH, ALLAN PARSONS, etc.., e principalmente, ERIC CLAPTON, de quem era amigo íntimo de fazer pescarias juntos. GARY salvou CLAPTON da morte por consumo de drogas. É verdade!
BROKER gravou 3 discos solo em estúdio: “NO MORE FEAR OF FLYING”, 1979; “LEAD ME TO THE WATER”, 1982; e “ECHOES IN THE NIGHT”. Todos, claro, pescando na fonte do R&B, mas cozinhados na “modernidade”. Há, também, um disco ao vivo raro, em edição limitada e já esgotada.
Em 1991, o PROCOL HARUM retomou a carreira com THE PRODIGAL STRANGERS; Em 2003, saiu THE WELL´S ON FIRE; e o último, NOVUS, foi lançado em 2017. Como sempre, bons e coerentes com a história da banda. E, seguindo talvez um “auto conselho”, vieram à luz espaçados no tempo para ver no que dava…
SHOWS AO VIVO E RESURREIÇÃO
Sempre foi no palco que o PROCOL HARUM comprovou a excelência. Algo não muito comum na seara do ROCK PROGRESSIVO, mais dado a pesquisas, complexidades e até frescuras.
A banda fez shows espetaculares!
BROOKER foi profissional exigente e grande BANDLEADER. Sabia fazer a banda render o máximo, e destacar a beleza musical contida em cada obra. Está evidente em quaisquer dos shows, sempre variados, densos e instigantes. Há muitos disponíveis em vários formatos.
O primeiro disco ao vivo, e quinto LP do grupo, existe apenas em VINIL E CDs. “IN CONCERT WITH THE EDMONTON SYMPHONY ORCHESTRA”, gravado no CANADÁ, 1971, é sensacional para dizer o mínimo!
A qualidade da captação, mixagem e produção é em estado da arte. A integração total da banda com a orquestra e o coro é um primor técnico e artístico! GARY BROOKER, como sempre, está em excelente forma. E detalhe curioso: o vocal estava mais adequado ao ROCK PROGRESSIVO, por assim dizer…soa menos BLUESY.
Os dois DVDS da foto são MONUMENTAIS: a modernidade lavrada para o eterno.
Em “LIVE AT THE UNION CHAPEL”, 2004, é a banda “pura”, sem acompanhamento de orquestra. Música popular em estado da arte. Viva e pulsante. Eles conseguem sair de um ROCK PROGRESSIVO, “SHINE ON BRIGHTLY”, para uma deliciosa e dançável GUAJIRA CUBANA, em “PANDORA BOX “, com refrescante naturalidade!
No decorrer do DVD, o repertório PROGRESSIVO vai desfilando magistralmente; e há sessão de BLUES e ROCK de todos os tipos. Tudo realizado em alto nível técnico e artístico. O guitarrista GEOFF WHITEHORN, BROOKER, FISHER e o restante da banda dão show!
Em outro DVD, a banda vem acompanhada por ORQUESTRA SINFÔNICA E CORO, em concerto nos jardins de um CASTELO NA DINAMARCA.
“IN CONCERT WITH THE DANISH NATIONAL ORCHESTRA & CHOIR”, foi gravado em 2009. É de beleza plástica e musical, comprovando a histórica compatibilidade à proposta artística da banda conseguida ao longo de quase 50 anos.
A música do PROCOL HARUM é densa, pesada, e suporta arranjos orquestrais. Mas, não tem profundidade para transcender o ROCK. Tudo fica evidente em um projeto curioso, lançado em 1995, pela gravadora BMG:
“SYMPHONIC MUSIC OF PROCOL HARUM”, traz a formação da época: BROOKER; GEOFF WHITEHORN, guitarra; DAVE BRONZE, baixo; MARK BRZEZICKI, bateria. Estão Juntos com orquestra regida por NICHOLAS DODD, e pelo velho conhecido da turma do ROCK PROGRESSIVO, o tecladista e maestro DARRYL WAY.
Há convidados ilustres, como o grande flautista JAMES GALWAY; os guitarristas ANDY FAIRWEATHER-LOW e ROBIN TROWER.
E, curiosamente, TOM JONES canta SIMPLE SISTER, música pesada e algo tétrica que fala sobre “tosse comprida”, um flagelo sanitário na metade do século XX. Ficou bom? Talvez…
MEMÓRIA E CULTO
GARY BROOKER recebeu o título de “SIR”. Em 2003 foi indicado para o “ORDER OF BRITISH EMPIRE”, como ELTON JOHN, PAUL McCARTNEY, JIMMY PAGE, JEFF BECK. Vários artistas também já receberam.
Perguntaram a GARY onde esperava estar quando se aposentasse?
Ele respondeu: “em algum lugar quente, com a minha mulher”.
GARY conheceu a suíça FRANÇOISE RIEDO, a FRANKIE, em 1965. E se casaram, em 1968. Não fizeram filhos. E, permaneceram juntos até a morte dele.
Ele saiu do palco para o nosso eterno pesar e memória.
GARY BROOKER.
POSTAGEM ORIGINAL: 27/02/2020
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JANIS JOPLIN : A PRIMEIRA GRANDE ESTRELA DO ROCK MODERNO – BOX OF PEARLS – COLUMBIA – 2005

A moça explodiu sobre o ROCK, no final dos anos 1960, feito míssil de múltiplas ogivas!
Espalhou música, iconoclastia, comportamento auto-destrutivo e criatividade, num cenário onde a concorrência era enorme e tão fulgurante quanto ela!
Foi da mesma geração e atuou ao mesmo tempo que LENNON e McCARTNEY, JAGGER e RICHARDS; viu os nascentes HEAVY METAL e HARD ROCK; o RHYTHM’N BLUES e a SOUL MUSIC; transitou da PSICODELIA para a mais avançada FUSION BLUES/POP com pontinhas do repertório do JAZZ atemporal. Esteve onde estavam JIM MORRISON, BRIAN JONES e HENDRIX. Viveu e morreu como eles.
“Who’s That Girl?” certamente se perguntaria MADONNA. Sua voz extensa, potente e rouca (Louca?). Sexy e selvagem; interpretação de jaguatirica no cio, e vigor de 20 e poucos anos em tempos de liberação e libertinagem. Cada ogiva um alvo certeiro. Em menos de cinco anos de carreira, JANIS JOPLIN entrou eternamente para para a História da música popular.
Ela gravou pouco e discos de qualidade um tanto desigual. Seu segundo disco, CHEAP THRILLS, 1968, vendeu no lançamento 1 milhão de cópias. Se o JEFFERSON AIRPLANE fundia o FOLK à PSICODELIA; o BIG BROTHER AND THE HOLDING COMPANY fazia o mesmo com o BLUES. Você não verá uma interpretação de SUMMERTIME tão explícita, vigorosa e destruidora como a que está nesse disco! E nem falo de “PIECE OF MY HEART ou “BALL AND CHAIN” . Não precisa…
Em 1969 saiu em carreira solo, montou a KOSMIC BLUES BAND. Irrepreensível, coesa e criativa com o guitarrista Sam Andrews, ex-BIG BROTHER; o espetacular baixista Brad Campbell; mais sopros e cozinha. Saíram em turnê e passaram pelo OLIMPIA de PARIS; encerraram com show inesquecível em LONDRES, no ROYAL ALBERT HALL lotado. Os BEATLES E STONES na plateia!
Voltando para os EUA, gravou o seu melhor disco, …KOSMIC BLUES…, a banda voando e amalgamando ROCK PSICODÉLICO, R&B, BLUES, SOUL e o que mais quiserem. Foi o ápice da performance em disco clássico, imprescindível e cult – tudo junto ao mesmo tempo para sempre. Antonio Molitor você não escutará um “To Love Somebody”, dos BEE GEES, em versão tão bluesy e sensacional como esta!
Se JANIS tivesse continuado provavelmente ROBERT PLANT e ROD STEWART teriam sido “menores”. E talvez tivéssemos mais garotas no ROCK.
JANIS JOPLIN foi a primeira ROCK-STAR do ROCK MODERNO.
POSTAGEM ORIGINAL: 22/02/2020
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BUFFALO SPRINGFIELD – ATCO RECORDS – 1966/1968 – COMPLETE RECORDINGS

“Música de STEPHEN STILLS, na interpretação de BUFFALO SPRINGFIELD: “”BLUEEEEBIRRDDDD””… “locutou” CARLOS ALBERTO LOPES, o SOSSEGO, em seu programa de rádio, em 1967!!!
Entrou aquele RIFF espetacular, e TIO SÉRGIO em seus 15 anos de curiosidade intensa afogou-se um pouco mais no ROCK!
Foi definidor e definitivo. Lá por 1968, eu trabalhava no extinto BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO, na RUA AUGUSTA, nos JARDINS. Quase em frente a agência, do outro lado da rua havia uma loja chamada DRUGSTORE. Vendia artigos variados, camisas e calças da moda, e objetos de consumo para jovens com grana. Discos, inclusive. E também tinha um bar, onde havia drinks sofisticados. Claro, não era para o meu bolso…
Mas dia qualquer, e depois de quase ser atropelado por um “ônibus elétrico” que descia a AUGUSTA sem o menor cuidado, como era “normal”, resolvi entrar e ver o que rolava por lá. Dei de cara com um SINGLE do BUFFALO SPRINGFIELD. Não foi sucesso, mas é um clássico na voz de NEIL YOUNG: “Expecting to Fly’ está no álbum “AGAIN”, de 1967. É psicodelia de alta qualidade; arranjo refinado, viajante. Foi o primeiro disco que consegui da banda.
Já escrevi sobre o BUFFALO SPRINGFIELD de vários jeitos formas ou em citações. Eles estão na gênese de parte do ROCK AMERICANO feito daqueles tempos em diante. Foi celeiro de craques e criativos. Havia STEPHEN STILLS, guitarrista espetacular, o melhor da banda; e NEIL YOUNG, aos poucos se firmando como estrela nos próprios termos. E, também, RICHIE FURAY, guitarrista e cantor que depois fundou o POCO, com JIM MESSINA – Country Rock Band duradoura e famosa. O baixista BRUCE PALMER e DEWEY MARTIN, baterista, seguiram em frente com menos visibilidade…
Mas, talvez como disse a imensa CAROL KAYE, a mais profissional e talvez a maior baixista da música popular americana, ” O BUFFALO SPRINGFIELD não tocava nos discos. Éramos nós de estúdio”, O “nós” era gente como GLEN CAMPBELL, o baterista HAL BLAINE, o pianista JACK NITZCHE, o guitarrista TOMMY TEDESCO e diversos.. O livreto no BOX confirma em parte isso… no entanto….
O nome BUFFALO SPRINGFIELD foi adotado porque eles viram uma barca, barcaça, sei lá… batizada com este nome expressivo. Hoje é história.
Lembro quando ouvi e adorei “For What it´s Worth”, do primeiro álbum da banda, lançado em 1966. É canção libertária contra a eterna “cisma” das polícias contra “gente diferente”. Foi possivelmente na RÁDIO ELDORADO; em meados dos “sixties” era suficientemente eclética para ter na programação desde a MÚSICA CLÁSSICA, passando pelo JAZZ; MPB de qualidade; e um programa de novidades da “música americana”, chamado “DANCE COM A ELDORADO”, no ar às sextas e sábados depois da 22 horas. Lá rolava de tudo…
Eu e meu amigo SILVIO DEAN compramos o BUFFALO SPRINGFIELD AGAIN, em 1968. Foi no MUSEU DO DISCO. É um dos LONG PLAYS que mais curti na vida! “MR. SOUL” e “BLUEBIRD” são verdadeiras epifanias! Músicas “YARDBIRDIANAS” onde STILLS, YOUNG e FURAY dão show total nas guitarras! Primórdios do HARD ROCK. Essenciais!!!
O restante do LP é diferenciado, múltiplo: PSICODELIA, FOLK, e até um R&B SENSACIONAL cantado por DEWEY MARTIN, com sua voz de negão, feito MIKE SMITH, do DAVE CLARK FIVE! Ah, é bom lembrar que o disco foi lançado pela ATLANTIC RECORDS, que se dedicava ao R&B, e tinha um dos maiores CASTS de pretões e pretinhas de talentos descomunais! Era a casa de ARETHA FRANKLIN, WILSON PICKETT, OTIS REDDING, dos RASCALS… e muitos, muitos mais!
O terceiro CD, “LAST TIME AROUND”, 1968, eu comprei dia desses. Além do trivial da banda, também flerta com LATIN ROCK; e tem um arremedo de BOSSA NOVA no meio – “Pretty Girl Why?”
Mas TIO SÉRGIO, por que você tem os três CDS de série, em edições alemãs medíocres; se já possuía o caixotão com os discos originais, e cheio de OUT TAKES , e DEMOS?
Ora, porque sim… Com essa postagem, encerro o ciclo. Acho que vou arquiva-los por um bom tempo!
Divirtam-se!
POSTAGEM ORIGINAL: 22/02/2025
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BEATLES – MAGICAL MISTERY TOUR – 1967 – E HELLO, GOODBYE

A POSTAGEM É MENOS SOBRE O DISCO EM SI, EM QUE ESTÃO REUNIDOS ALGUNS DE SEUS MELHORES SINGLES, E CANÇÕES NITIDAMENTE PSICODÉLICAS DE ALTA QUALIDADE!
NÃO VOU COMENTAR SOBRE “PENNY LANE”, “STRAWBERRY FIELDS FOREVER”, “I`M THE WALRUS”, E OUTRAS VANGUARDISTAS E ETERNAMENTE BELAS.
O FOCO É UMA PEQUENA E QUASE INGÊNUA OBRA PRIMA CHAMADA “HELLO, GOODBYE”!
CANÇÃO SOBRE INCOMPATIBILIDADES, NEGAÇÕES, DISCÓRDIAS E UM MONTE DE CACOS PERFEITAMENTE ENCAIXÁVEIS NOS DIAS DE HOJE!
“YOU SAY YES, I SAY, NO!
YOU SAY STOP, AND I SAY GO”…
MINHAS CONVERSAS, AQUI NO FACEBOOK, PRINCIPALMENTE SOBRE POLÍTICA, SEGUEM ESTA FÓRMULA. ALIÁS, JEITO ETERNO DA HUMANIDADE TAMBÉM RELACIONAR-SE: CONTRAPOSIÇÃO SEM NARRATIVAS; COISA NORMAL ENTRE CASAIS, AMIGOS, E INTERAÇÕES DIVERSAS.
ETERNO AMIGO/IRMÃO FALECIDO, ALDAHYR OLIVEIRA RAMOS, COM QUEM CONVIVI DESDE MINHA PRÉ-ADOLESCÊNCIA ATÉ SUA MORTE, TINHA COMIGO ESSAS INCOMPATIBILIDADES.
DISCORDÁVAMOS MUITO E SOBRE MUITAS COISAS. EU DIZIA SIM E ELE NÃO; VAI E ELE FICA… BEATLES NA VEIA! TÍNHAMOS VISÕES DE MUNDO DIVERGENTES, E TEMPERAMENTOS OPOSTOS, MAS QUE JAMAIS INTEREFERIRAM EM NOSSO AFETO, AMIZADE E CONVIVÊNCIA CONTÍNUA POR QUASE 50 ANOS.
QUANDO ELE SE FOI, EU E OUTROS NOSSOS AMIGOS, TAMBÉM ÍNTIMOS DELE, TIVEMOS REAÇÕES CATÁRTICAS!
ELE ERA “BEATLEMANÍACO” FANÁTICO E AGUERRIDO. MAS EM SEU VELÓRIO AS IRMÃS TOCARAM O “WE ARE THE CHAMPIONS” DO “QUEEN”, BANDA QUE ELE TAMBÉM GOSTAVA. PORÉM, A MÚSICA PERANTE TODOS NÓS QUE MAIS BEM O EXPLICAVA É
“HELLO, GOODBYE ” .
HOJE, ACHO EU, É UMA DAS MÚSICAS DEFINIDORA DOS TEMPOS ATUAIS. LOCUÇÕES SINTÉTICAS, CONTRAPOSTAS SEM MAIORES EXPLICAÇÕES.
SEM OS BEATLES TUDO SERIA
MAIS DIFÍCIL E SEM GRAÇA!
POSTAGEM ORIGINAL: 23/02/2021
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KEITH JARRETT – EXPECTATIONS – 1972 – E 0 DETALHE QUE AUMENTA O PRAZER DA AUDIÇÃO

KEITH JARRETT – EXPECTATIONS – 1972 –
E 0 DETALHE QUE AUMENTA O PRAZER DA AUDIÇÃO
Nesta fase, o “KATARINO” ainda usava “mordaça”. Não têm grunhidos, nem barulhinhos de orgasmos, flatulências ou gritinhos…
Nada disso. Apenas a música excepcional que ele produz!
Eu vou tentar descrever percepção algo fugidia da experiência de ouvir o disco:
Para mim, é um compósito de “FREE JAZZ, “AVANT GUARD” e “FUSION”. Tem algo de “LATIN JAZZ”, pitacos de “PERCUSSÃO À BRASILEIRA”; e um quê recôndito de ROCK transitando do PSICODÉLICO para o PROGRESSIVO. “KATARINO” é um artista cintilante. O estilo de JARRETT, com suas frases longas, e aqui está ladeado por um grupo que participa muito, construindo base harmônica e rítmica para KEITH brilhar.
A bateria de PAUL MOTIAN tem sutilezas e um retrogosto do JAZZ EUROPEU DE VANGUARDA daquela época, início dos 1970. Ela se casa com as percussões latina e brasileira de AIRTO MOREIRA, que sabe conduzir o balanço dançante que sempre permeia as suas intervenções.
O baixo pulsante, onipresente, de CHARLIE HADEN ressalta o andamento da música, e preenche os espaços abertos no ritmo pela bateria, que também funciona como instrumento de SOLO na base da música – se é que assim posso definir.
E DEWEY REDMAN entra com o sax tenor em linguagem de VANGUARDA, criando complemento dissonante ao dedilhado nítido, claro, inteligível de KEITH. Sofisticadíssimos!
Para temperar de vez o caldo saboroso, a menos presente guitarra distorcida no ponto certo, tocada por SAM BROWN, realça o aspecto ROCK alinhavando tudo isso, sem destoar do clima JAZZY total das músicas.
A construção do álbum revela a FUSION de ritmos e tendências diversas. E, se percebi corretamente, é um disco bastante variado, mas sem intenção de ser álbum conceitual. São músicas suficientemente ricas e bem compostas. Portanto, possibilitam outras leituras. E aí cabe o prazer em repetir audições.
Eu gostei! É tecnicamente bem gravado, e a participação dos músicos se revela em recortes claros, discernimento e foco, resultando em textura bem construída e sofisticada.
Os temas de cada música ficam evidentes para o ouvinte durante cada execução. Bem compreendendo ou não, o acontecimento musical é um monumento que merece estar em diversas discotecas e coleções por aqui.
E, para deixar o TIO SÉRGIO e todo mundo contente, chegou na minha casa por menos de $ 8,00 BIDES, uns R$ 40,00 MANDACARUS! Precinho comportado para um CD importado.
Falei.
Será que eu “disse”?
POSTAGEM ORIGINAL 19/02/2023Nenhuma descrição de foto disponível.

HISTORINHAS QUE O TIO SÉRGIO CONTA: AS MEMÓRIAS DA COMPAIXÃO NECESSÁRIA, E DA DELINQUÊNCIA SONORA ESTIMULANTE

Toda vez que paro ao lado de algum carro onde algum moleque está tocando aquele horror atual, RAP, PANCADÃO, ou SERTANEJOS do tipo DENTISTA E CARIADO, LEÃO E LEOPARDO, MAYARA E MARAÍSA… e sei lá mais o quê, eu penso: calma, SERJÃO, você foi muito pior e sabe disso!!!
Tempos atrás, eu assistia a um torneio de GOLFE pela televisão, e um comentarista e instrutor falou o seguinte:
“Todo dia aparece alguém querendo aprender a jogar. Pedem logo um taco para dar uma porrada letal na bola, e mandá-la a sei lá quantas jardas de distância…” E o cara ponderou. “Dar tacada é apenas uma parte do esporte”. Mas, não é assim que a banda toca. “O mais difícil é botar a bola nos buracos”.
O “GREEN” é terra indomada, cheia de armadilhas, então você precisa aprender a “PATHEAR”, tocar a bola nas curtas distâncias, calcular o toque, e adquirir técnica. Demora, é o mais difícil… Em vista disso e incontáveis experiências passadas, aprendi a ser tolerante e manter o bom humor.
Certa vez, TIO SÉRGIO e amigos “comórbidos” estavam em restaurante, quando apareceu um garoto com a mãe. Eles ouviram o papo “ilustrado” da mesa ao lado: Nós! O menino tentou entregar um CD “promo” de REGGAE, gravado pela banda que integrava. Eu fui o único que aceitou, e ainda bati um papo! Ser gentil não custa. É pedagógico, e até hoje obrigatório – eu acho…
O garoto explicou que ainda estavam no início, coisa e tal, e pediu para eu ouvir e dizer o que achei do que “cometeram”. Fiz isso em nome do que é justo, e do meu passado nada recomendável em termos de comportamento frente à música – e vá lá, às vezes frente à vida também…
Resumindo, o disco era muito ruim. Dias depois, liguei para ele e expliquei os meus motivos:
1) letras ruins e português péssimo. Recomendei que estudassem a língua antes de compor. Observei que é essencial, porque um comportamento cidadão exigível de qualquer profissional sério;
2) Argumentei que o REGGAE é enganosamente óbvio. Então, superar-se, evoluir, implica em criatividade e muito ensaio;
3) Elogiei a iniciativa dos meninos, mas ponderei que antes de gravar é preciso lapidar o que se pretende fazer. Ter menos pressa – o que é difícil frente à motivação para fazer o quanto antes…
Não sei o que aconteceu com a banda. Nunca soube no que deram…
Mas penso, também, que conselhos sinceros e adequadamente expostos são fundamentais para qualquer iniciante. E um jeito maduro de ajudar; ensinar, orientar, incentivar…
O TIO SÉRGIO aqui ainda é um tanto da fuzarca! Aprendi em meus compêndios sobre ROCK, JAZZ E MÚSICA “ANTISSOCIAL” em geral, que a boa MÚSICA POP necessariamente precisa incomodar os mais velhos.
É vero, é fato. É assim que as coisas se desenvolvem ( eu escrevi desenvolvem, e não a palavra “evoluem”, diferença de conceitos abissal). Pentelhar o próximo é essencial para o mais jovem se distinguir dos velhos.
Vocês duvidam? Então, respondam: por que será que eles fumam? Porque é perigoso, desafiante, rebeldia e contestação explícitas. A vida é tão medíocre e trivial assim….
Dia desses, acordei com a macaca! Não, não torço pra PONTE PRETA!!! E baixou vontade incontrolável de ouvir o inaudível e o inacreditável…
Eu tenho um lado insalubre, esquisito e provocador; e os meus amigos sabem… Aproveitei para escutar coisas como MERETRIO, WALTER FRANCO, THROBBING GRISTLE, FRANK ZAPPA, SHAGGS, CARLA BLEY; e o FOSSORA, da BJORK.
Outro dia, inverti o jogo e pus pra rolar as pianistas “erudito contemporâneas” HÈLÉNE GRIMAUD e BEATRICE BERRUT, artistas excelentes, e moças belíssimas! As duas merecem audições cautelosas, detidas, detalhadas. Por isso, não estão na foto… A BJORK, também; mas ela é sempre caso a parte….
Voltando ao infernal, ouvi novamente o MERETRIO. É interessante. Mas lembram um pouco a afobação do garoto do REGGAE. Fazem FUSION com certa pretensão e algum discernimento.
Mas, por que músicos da geração deles sempre voltam aos clássicos na MPB, tentando atualizar a linguagem sem observar essências? Honestamente, LUIZ GONZAGA tem nada a ver com JAZZ e nem pretendia. Deixar os mortos em seu lugar e com o devido respeito, talvez seja mais produtivo do que ressuscita-los em Igrejas que jamais frequentaram. Principalmente, se o exorcista não tiver tantos apetrechos artísticos, técnicos e de talento assim…É o caso dos meninos aí…
Seria?
Ouvi outra vez “THE PERFECT STRANGER”, de FRANK ZAPPA, em arranjo e regência de PIERRE BOULEZ, gravado em 1984.
Achei magnífico!!! E concluí o óbvio: craque grava craque. Na metalinguagem do ex-deputado e modista CLODOVIL HERNANDEZ, para referir-se aos homossexuais, “boi preto reconhece boi preto”!!!!
Somando vivências eu vou continuar na direção e procurando tudo que não me lembre o “ÓBVIO ESFOLIANTE”.
Eu acho que tornar-me um COMPÓSITO CONTRADITÓRIO é mais desafiador do que ser uma METAMORFOSE DEAMBULANTE.
Escrevi e pronto! A irresponsabilidade é minha.
POSTAGEM ORIGINAL 23/02/2023
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THE PAUL JONES COLLECTION – SOLO YEARS

Os bancos servem para organizar o fluxo financeiro da economia. Eles intermedeiam capitais e aplicações de quem tem algum sobrando para os que precisam, cobrando taxas de juros e remunerando “rentistas” e poupadores….Well, você sabe disso tudo, claro…
Mas, TIO SÉRGIO por que esse introito desmazelado explicando o óbvio retumbante pra nóis aqui?
Pelo seguinte: as únicas coisas que recebi… digamos de graça do Banco Itaú Personallité foram duas caixas promocionais que acompanhavam cartões de crédito. Faz uns 15 anos. Eu as guardei pensando montar um BOX para alguns CDS específicos.
E fiz este aqui: peguei os 3 CDS e mais um DVD do PAUL JONES, e porca mas criativamente forjei um objeto exclusivo!
Hummmm, Ah, tá!!! Quanta pretensão…
Para os que não sabem, PAUL JONES foi o vocalista da primeira fase da notável banda inglesa MANFRED MANN, entre 1963 e 1966. Ele está em SINGLES de muito sucesso, como DO WAH DIDDY DIDDY; 5,4,3,2,1; e em vários R&B e BEATs nos primeiros e excelentes discos do grupo.
Em 1966, como tornou-se comum, tentaram lança-lo como artista solo, e esses 3 CDS coligem as gravações que geraram LPS, vários SINGLES, e etc…e que podem interessar a colecionadores e completistas.
Comercialmente, não rolou muito; e ele tornou-se também ator… Tentaram de tudo para levantar a carreira solo de PAUL. De arranjos orquestrais, ao BLUES, ao POP, etc…
O Mesmo esquema depois foi tentado com sucesso para ROD STEWART, SCOTT WALKER, COLIN BLUNSTONE, PETER FRAMPTON, VAN MORRISON, PAUL WELLER e outros…
Sempre por ali, e próximo ao R&B e ao ENGLISH BLUES, PAUL JONES acertou o passo novamente no início do anos 1980, quando juntou-se aos profissionais TOM McGUINESS, DAVE KELLY, GARY FLETCHER, HUGH FLINT e vários luxuosos contemporâneos. Gente que havia estado com JOHN MAYALL, MANFRED MANN… ou em carreiras solo algo vistosas na Inglaterra.
E fundaram a BLUES BAND, que perdurou por quase três décadas e muitos discos legais gravados. Inclusive o primeiro deles, BOOTLEG ALBUM, lançado no Brasil, talvez em 1980.
PAUL JONES acho bom lembrar para não ser confundido com o JOHN PAUL JONES, baixista do LED ZEPPELIN – que esteve entre os muitos arranjadores que ajudaram o quase xará. PAUL JONES, vocalista histórico e de talento eclético, foi mais bem aproveitado na BLACK.MUSIC em geral.
Enquanto eu elaborava esse POST escutei o P.J. solo. Entre os quase sucessos houve “I’VE BEEN A BAD, BAD BOY”, deliciosamente regravado por RITCHIE, aquele inglês “exilado” aqui no BRASIL, e incentivado pela RITA LEE.
Além do excelente e grudento MENINA VENENO, grande sucesso que vez por outra ainda frequenta as rádios, RITCHIE gravou, entre outros, um ótimo CD com inesquecíveis HITS da década de 1960.
“RITCHIE 60”, saiu em 2012 e vai alegrar a velha guarda. Gente como eu, Antonio Molitor e um montinho por aqui.
Tentem ouvir os dois, farinhas de sacos diferentes .
POSTAGEM ORIGINAL: FEVEREIRO 2023
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HARMONIA + ENO: TRACKS AND TRACES AMPLIADO, 1976, LANÇAMENTO EM VINIL E ANDANÇAS E VIAGENS DE ALGUNS CRIATIVOS PELOS HANGARES E RADARES DO KRAUTROCK, E DA EXPERIMENTAÇÃO MUSICAL: 1973/1979

Fiquei sabendo que PHILLIP GLASS terminou e lançou em 2022, a sua DÉCIMA SEGUNDA SINFONIA, completando a trilogia BERLIM de DAVID BOWIE, que junta três discos seminais da saga criativa do ROCK através dos tempos.
GLASS havia acertado com BOWIE que também comporia sobre o terceiro o disco, LODGER, original de 1979. Já havia feito magnificamente sinfonias baseadas em LOW, em 1993; e HEROES, em 1996.
Agora, esse triatlo artístico de grande fôlego e pertinência já está disponível.
Não percamos. É obrigatório; e DAVID e PHILLIP merecem.
O histórico e pioneiro do ROCK PROGRESSIVO nas rádios de São Paulo, Jaques Sobretudo Gersgorin, dizia no KALEIDOSCÓPIO, o seu programa,😀 que ROCK era o encontro da “MAGIA COM A TECNOLOGIA”.
E a tecnologia recuperou a magia desenvolvida por um SUPERGRUPO alemão de KRAUTROCK formado em 1973.
O HARMONIA foi um trio em coalisão – colisão? – que juntava MICHAEL ROTHER, guitarrista e multi-instrumentista, que iniciou a carreira emulando KINKS, HENDRIX e o THEM. E, depois, os desconstruiu no NEU, a dupla CULT que formou com KLAUS DINGER, outro fora de esquadro.
Para construir o HARMONIA vieram mais dois músicos com sobrenomes que parecem retirados de algum alfarrábio escrito em latim:
HANS-JOACHIM ROEDELIUS, e DIETER MOEBIUS, ambos em teclados, percussão e instrumentos eletrônicos vários, formavam desde 1971 o CLUSTER, dupla que subsistiu longamente em idas e vindas, associações, e vasto etc… existencial.
Para simplificar, NEU + CLUSTER = HARMONIA, nome que escolheram quase ironicamente, tanto por causa da beleza de FORST, no interior da ALEMANHA onde viviam, quanto pela tensão criativa gerada pelos três, quase um amor à primeira vista, brincavam.
Em frase brilhante que li sobre eles, os três sabiam perfeitamente que a ALEMANHA OCIDENTAL não era o QUINQUAGÉSIMO PRIMEIRO ESTADO AMERICANO!
Portanto, desfigurar, reconstruir, e recriar um ROCK à imagem e semelhança da sólida e independente cultura ALEMÃ, era mais do que ESTÉTICA. Ladeava com a ÉTICA!
Vocês recordam BELCHIOR quando canta que um TANGO ARGENTINO LHE CAÍA BEM MELHOR DO QUE UM BLUES?
Pois, é!
STOCKHAUSEN e a MÚSICA DE VANGUARDA falava aos meninos. E dava o tom para quase a totalidade do KRAUTROCK, visto como ROCK PROGRESSIVO alemão de características próprias:
É PLENO DE ELETRÔNICA, IMPROVISAÇÃO e POLIRITMIA. E vai da MÚSICA ESPACIAL à NEW AGE; comporta percussão inspirada em diversos lugares do mundo. E, nele viajam do TANGERINE DREAM, ao CAN, passando pelo KRAFTWERK e incontáveis e apreciados militantes…
O KRAUTROCK não é um modismo, e nem movimento xenófobo.
Ao contrário, é um enorme criadouro cultural. Um compósito versátil de ROCK, WORLD MUSIC e o PROGRESSIVO tradicional. Abrange e integra o FOLK, o HEAVY, e o BEAT; e articula elementos do JAZZ de VANGUARDA e da música CLÁSSICA.
Todos combinados, ou não, misturaram-se a essa estética poderosa e produtiva, que se instalou na EUROPA, e mantem-se.
O tempo e a criatividade perfuraram as camadas que se abriram para o ROCK INDUSTRIAL, o TECHNO e o GOTHIC ROCK. E, vertiginosamente fertilizou o RAP, e as diversas variações da MÚSICA POP ELETRÔNICA atual.
ENO disse que o HARMONIA era o “melhor grupo do mundo, entre 1973 e 1975”!!!!
Mas, duraram apenas 3 discos, nenhum sucesso de público, e terminaram!
Porém, juntaram-se por umas semanas, em 1976, para fazer “TRACKS AND TRACES”, por iniciativa de BRIAN ENO, que levou para a ALEMANHA um gravador de 4 pistas e o histórico sintetizador VCS3.
Gravaram tudo em fita cassete, e o produto final resultou em baixa qualidade técnica.
Os tapes se extraviaram!
E quase perdemos esse disco lindo, que mistura a crueza do ROCK ELETRÔNICO alemão à concepção melódica da AMBIENT MUSIC – que ENO já vinha desenvolvendo, e intensificou à partir dali.
Os tapes só foram localizados mais de vinte anos depois! Mas, a MAGIA DA TECNOLOGIA atual possibilitou recompor tudo, e utilizar faixas extras, também feitas durante onze dias de gravação e convivência entre os quatro músicos.
O produto está aí. E, para os mais curiosos, existe BOX com 7 CDS e tudo o que o HARMONIA gravou. Para mim, é overdose. Para muitos, um importante reconhecimento histórico!
Mas, tio SÉRGIO, e o BOWIE, como entrou nisso?
Perfeitamente:
Vou acrescentar o IGGY POP na equação, também!
BOWIE e ENO eram fãs e ouviam muito KRAUTROCK . Ambos gostavam do HARMONIA, do CLUSTER e do KRAFTWERK. Perceberam a importância da nova música que estava sendo feita na ALEMANHA, desde o início dos 1970.
Antes da fase BERLIM, os indícios de outra mudança na carreira de BOWIE já despontavam.
O LP “STATION TO STATION”, 1976, pode ser considerado o primeiro da fase eletrônica de BOWIE. A influência do KRAFTWERK é notória!
Em 1977, BOWIE produziu dois discos para IGGY POP, e excursionou com ele para promover os discos tocando teclados meio na penumbra dos palcos.
“THE IDIOT” é, também, claramente marcado pelo KRAUTROCK, e LUST FOR LIFE, mais pesado, segue por ali.
Logo depois da gravar com o HARMONIA, adivinhem o que ENO fez?
Encontrou-se com BOWIE e TONY VISCONTI em BERLIM e gravaram “LOW”. Metade é instrumental, KRAUTROCK eivado por AMBIENT MUSIC.
ENO participou intensamente dos três discos da TRILOGIA BERLIM, arranjando, compondo, etc. E consolidou sua marca e criação.
As produções foram de TONY VISCONTI, parceiro de DAVID desde sempre.
A bem da exatidão histórica, HEROES, 1977, foi gravado na FRANÇA. E a guitarra “icônica” é tocada por ROBERT FRIPP, do KING CRIMSON, outro fã das vanguardas musicais, e participante com ENO em discos criativos e ousados de música eletrônica.
LODGER, 1979, o último da trilogia, foi gravado em NOVA YORK. E a guitarra é de ADRIAN BELEW, muito próximo de FRIPP ao longo da vida, e integrantes de várias bandas que BOWIE montou.
Uma perspectiva histórica mais correta consideraria a TRILOGIA BERLIM uma “TETRALOGIA”.
E a isso tudo é bom parear as duas produções de BOWIE para IGGY POP. E tratar os discos instrumentais de ENO, por exemplo ANOTHER GREEN WORLD, como pioneiros daquela modernidade em ebulição.
E dou meu pitaco final: o HARMONIA “harmoniza” muito bem com isso tudo!
Tentem, vale a pena conhecer.
POSTAGEM ORIGINAL FEVEREIRO 2022
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ELETRONICA: MENTES – A INTRODUÇÃO AOS FEITOS DE UMA GÊNIO BRASILEIRA: JOCY DE OLIVEIRA. E INDIVIDUAL INDUSTRY : POP ELETRÔNICO BRASILEIRO DE VANGUARDA, ANOS 1990.

A memória trai e atrai; a frase é um possível simplismo e jogo de palavras. Mas dia desses assisti no CANAL CURTAS, um documentário muito interessante sobre a música eletrônica brasileira, abrangendo dos “CLÁSSICOS/ERUDITOS” ao meramente POP/ROCK. Uma recuperação da importância de um cenário nada marginal, mas apocalíptico e integrado simultaneamente, por assim dizer.
Assistir ao filme trouxe à memória o histórico das vanguardas musicais não convencionais do século XX. Gente como LUCIANO BERIO, KARLHEINZ STOCKHOUSEN, IANNIS XENAKIS, LUCAS FOZZ, JOHN CAGE, CLAUDIO SANTORO; e uma pletora de “exóticos” vinculados de alguma forma à música elétrica e eletrônica, ou seja: não identificados com a modernidade da música “CLÁSSICA” mais conhecida.
Por assim dizer, eles formavam a nova concorrência outsider dos grandes “CLÁSSICOS – vá lá, ERUDITOS MODERNOS” – , gênios como ARNOLD SCHOEMBERG ou STRAVINSKY; e muito além de DEBUSSY, RAVEL ou mesmo OLIVIER MESSIAEN. Todos esses, claro, acústicos. Gente ousada por meios de expressão ainda bem tradicionais.
Seriam?
E, neste enorme ESPAÇO/TEMPO abrangido pelas duas macrotendências destaca-se a participação de uma das maiores artistas e teóricas da música contemporânea: a criativa professora, grande pianista, poetisa, e compositora brasileira JOCY DE OLIVEIRA, ainda viva e influente aos 86/7/8 anos!!!! E que os deuses a preservem!
Não vou me estender. Porque a estatura de JOCY é de tal magnitude, que estou fascinado estudando o que me é compreensível de sua multifacetada obra. Voltarei especificamente à mestra, qualquer outro dia…
Mesmo assim, vão aqui uns “parangolés” sobre JOCY. Vou apenas fazer duas citações:
1) JOCY gravou cantando e tocando piano, em 1958, o primeiro LONG PLAY de MPB DE TRANSVANGUARDA da história: “A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY DE OLIVEIRA”. Eu arriscaria dizer que é a “ANTI-BOSSA NOVA”. Disco inimaginável pelo conteúdo musical sofisticado e as letras não convencionais; e sobre o qual pretendo abordar outro dia.
2) Ela é o grande nome brasileiro da música “ELETROACÚSTICA”, designação apropriadíssima a parte da vanguarda musical, que surgiu na década de 1940. JOCY é uma teórica complexa; artista MULTIMÍDIA, compositora de “digamos”, ÓPERAS – porque ela mesma discorda do termo” – e outras invenções.
A sua primeira composição nesta linha, “APAGUE O MEU SPOTLIGHT” foi encenada em 1961, e sacudiu o TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO durante dez dias. Depois, viajou mundo afora.
A obra foi regida pessoalmente por LUCIANO BERIO, coautor com JOCY. No elenco, FERNANDA MONTENEGRO, FERNANDO TORRES, SÉRGIO BRITO e um “ENSEMBLE” criado para isso, tendo JOCY no piano. Foi a vulcânica introdução da nova música de vanguarda no BRASIL… JOCY é a grande inspiradora, no BRASIL, para o surgimento da CENA ELETRÔNICA no erudito e no POP!
Há uns dez anos, promovi um bota-fora seletivo e controlado de um monte de música eletrônica. Ter coisas demais excede ao controle possível; abre arestas e desperdícios. Mas, a parte ruim é que avaliações posteriores sempre trazem arrependimentos.
Naquela “razia” mandei para a cachoeira dos tempos, eletrônicos de vanguarda mais ligados à música pesada e dançável.
E por dois motivos:
Ganharam a concorrência contra sons mais intimistas; viraram “sal” na lista de produtos: baixo valor e “consumo inelástico”; ou seja, música superficial, que não vou escutar novamente.
Fiquei, portanto, com a vanguarda eletrônica mais cerebral; herdeiros do KRAUTROCK, anos 1970, e dos clássicos eletrônicos tipo STOCKHAUSEN, PIERRE HENRI, etc..; que são indutores de tendências dos anos 1980/1990: GÓTICOS, COLD-WAVE, NEW WAVE, ETHEREAL, DREAM POP, e o que se imaginar que possa trazer um pouco de melodias e criatividade ao POP.
ALEX TWIN, que hoje é dono da WAVE RECORDS, foi um dos visionários incrustado no underground paulistano. Eu o conheci quando era dono da a “MUSIC” – grafada em grego -, lá por 1994. Foi das primeiras lojas e distribuidoras a operar com a vanguarda eletrônica europeia. Fui lá por curiosidade; e acabei fascinado!
Ele e o sócio, ENÉAS NETO, as trouxeram para o Brasil em suas duas tendências: os “FRIOS”, e os “PESADOS” – e muitos dançáveis. ENÉAS produziu para a GRAVADORA ELDORADO, na década de 1990, coletâneas abrangendo as duas tendências eletrônicas.
E TWIN fez mais: entrou na tendência com seu projeto “INDIVIDUAL INDUSTRY”. Frequentemente, um trio com MAURÍCIO BONITO e as cantoras oscilantes – LILIAN VAZ e DANIELA ROCHA. Trabalharam com alma e garra na tendência internacional mais vanguardesca daquele tempo. Todos estão citados no filme, “ELETRONICA: MENTE”.
É bom constatar o pioneirismo da obra nos escaninhos geográficos onde habitamos. Eu gosto muito; tenho os discos e os manterei. Foram construídos, forjados em cima do fogo, na hora em que tudo acontecia. Estão em nível com a concorrência lá de fora.
Por isso, trago para vocês curtirem. É viagem no tempo para universos muito próximos.
É bom notar que essa mesma vanguarda que partiu da EUROPA, passou por JOCY, e desembocou na música eletrônica mundial, influenciou certos horrores contemporâneos que nos assolam.
As meninas e meninos do “PROTO DANCE GLÚTEO RETAL” não devem ter ideia de quem foi JOCY DE OLIVEIRA.
Quem sabe um dia aprendam.
TEXTO ORIGINAL: 09/02/2022
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