B.B.KING E SEU LEGADO

A diversidade imensa de artistas e propostas à disposição do público, é parte do encanto de viver nos tempos atuais.
TIO SÉRGIO sempre foi um desviante, principalmente quando a estética e a arte estão envolvidas. Concordo com a subversão progressista de tentar enxergar o novo, abrir caminhos, ampliar horizontes; e usar das liberdades para agir e modificar. Eu sou amigo de fronteiras perigosas.
Hoje, se gente curte ROCK, BLUES, MPB, RAP ou seja lá o que for, sem a limitação nacionalista, muito comum nas décadas de 1960 e 1970.
Claro! É explicável: sob ditadura você retorna para a defesa do que é mais legítimo na cultura popular e suas tradições. Gostar “só” de MPB era ato de preservação, e militância contra o autoritarismo.
Eu sempre gostei e preferi a música internacional – ROCK, BLUES e JAZZ – em relação à MÚSICA BRASILEIRA.
Eu sei o quê e o quanto perdi por minha ignorância e até preconceito! Da mesma forma, nacionalistas intransigentes de antes, que hoje também curtem e respeitam o legado de outros povos. Mudei; aprendi, sofistiquei meu gosto e incorporei a MPB MODERNA a meu dia-a-dia. No final, ganhamos todos com a amplitude, visão e tolerância. É civilizatório.
E tudo isso para falar do B.B.KING. Ele morreu há mais de uma década. Claro, como velho ROCKER e colecionador de discos, B.B. sempre caminhou ao meu lado…
No começo, não. B.B. KING ERA ÍDOLO DOS MEUS ÍDOLOS. E eu estava para a música dos 1950, como os PUNKS estiveram para o ROCK PROGRESSIVO na década de 1970; e a turma de hoje em relação ao que foi feito de 1980 para trás: ignorância e rejeição.
TIO SÉRGIO e muitos e muitos, achavam que os novos eram os nossos contemporâneos; e não a história traçada, geração após geração, que sempre desemboca na contemporaneidade de nossos sentimentos.
O novo é sempre o eterno movimento que a História nos traz… Mesmo que raramente alguém identifique com discernimento e clareza, o que nunca antes havia sido feito. E menos ainda o quê permanecerá.
Eu estava cego e surdo, é claro! e peço vênia a SANTO COLOMBINO, BUDHA, CRISTO e outros santos e gurus!!!!!!! Por isso, nas cinco últimas décadas vim convergindo para outros espectros, vivências alternativas – sejam em direção ao passado ou para o futuro…
Meu amigo FÁBIO DEAN, também colecionador de discos, especialista e profundo conhecedor do ROCK, BEAT, R&B… e tudo o que for sonoro dos 1950 até meados dos 1970 – e beyond! -, sempre defendeu a tese de que, no fundo, a rotulagem de estilos é apenas classificatória, para sucessores mais bem compreenderem.
Então, o que chamamos de ROCK, BLUES, DO-WOP, R&B…, na década de 1950 vinham todos embolados, muito próximos: ELLA FITZGERALD era perfeitamente possível de ser colocada lado – a -a lado com B.B.KING; e, se bobear, nos arredores de ELVIS PRESLEY.
É verdade, tenham certeza! Para escrever sobre isto, coloquei no CD player um disco do B.B.KING com gravações feitas entre o final dos anos 1940 até 1966, mais ou menos.
Uma delas, “Don´t get around much anymore”, de 1961, foi gravada com a sessão de metais e ritmos da ORQUESTRA de DUKE ELLINGTON. Quer mais? Consigam este pequeno BOX que traça a obra do KING de 1949 até 1962. Ou, o maior deles na foto, mais abrangente, porém, com menos gravações.
É argumentável que B.B.KING tenha sido o principal BLUESMAN da história; e o que mais bem representa a tendência do BLUES mais próxima ao ROCK. É a minha opinião.
B.B.KING gravou, até onde pude pesquisar, comparar e certificar, 60 albuns – claro, alguns já na era do CD. E mais 14 LONG PLAYS de COMPILAÇÕES, HITS e o escambau à oitava!
Legou, também gloriosos e catalogados 290 SINGLES – o primeiro deles, gravado em 1949!! Hey, BIG BROTHERS !!! eu escrevi 290! É só acessar um site chamado “45 CAT”. Herança incrível!
Existe um disco de B.B. com o ERIC CLAPTON, “Ridding with the King”. Não é grande coisa, mas vale a pena ter. E outro muito legal com a cantora de JAZZ BRANCA e CEGA, DIANA SCHURR. Ele fez muitos e muitos álbuns mais. Fiquem à vontade para descobrir!
O legado de B.B.KING como influência e mestria está por todo lado, nas mídias: Em JORNAIS, REVISTAS ESPECIALIZADAS, LIVROS, VÍDEOS, ETC…
Resta dizer que, se a guitarra é icônica e sempre identificável, mesmo que monocórdica; a voz do mestre ganhou força e expressão na maturidade, em meados dos anos 1960, e se manteve até grande parte de sua velhice. Esta voz e timbre, reconhecemos!
Talvez a minha única frustração tenha sido B.B KING não ter feito discos com JOHN MAYALL, seu contraparte inglês. Uma pena; e certamente falha histórica!
No mais, é e sempre será ” THE B.B.KING ORCHESTRA”!
É para ouvir pelo resto da vida, e “per omnia secula seculorum!”
POSTAGEM ORIGINAL: 16/05/2022
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KEITH TIPPET & CENTIPEDE – SEPTOBER ENERGY – 1971 JAZZ AVANT GARDE + ROCK PROGRESSIVO + FUSION JAZZ= a?

TENHO DUAS EDIÇÕES DIFERENTES. A COM A CAPA INGLESA, BRANCA E LETRAS EM PRETO, DERIVADA DO ORIGINAL DA RCA. AS 4 PARTES ESTÃO EM ÚNICO CD.
E A EDIÇÃO AMERICANA, COLORIDA, MAIS BONITA E ATRAENTE, EM DOIS CDS COMO AS EDIÇÕES EM LONG PLAY, EM ÁLBUNS DUPLOS.
Conheço o disco faz décadas. É um CULT do COLECIONISMO tanto para a turma do ROCK PROGRESSIVO, quanto para o pessoal do JAZZ mais experimental, ou da FUSION, que procura jacarés nos pântanos da música.
Só que o álbum é um ornitorrinco!
Imagine o seguinte: KEITH TIPPET, é pianista, arranjador e compositor desta peça difícil, e muito complicada para ser gravada.
É obra cheia de sutilezas expressas ou requeridas, que junta uma orquestra com 50 músicos ( na verdade 55 ) – daí o nome “CENTIPEDE”, centopeia -, para executar as 4 partes que a compõe!
O quebra cabeças é imenso. Há vinte violinos, 7 cellos, 3 baterias, 6 baixos ( elétricos, ou não ), 1 guitarra, 1 piano e 4 vocalistas. E todos servem de suporte para 5 trompetes, 4 sax altos, 4 tenores, 3 barítonos e 4 quatro trombones!!!! Que tal?
E, não para por aí!
O disco foi pensado em núcleos, por assim dizer; e é executado nos instrumentos de sopro por duplas, trios, quartetos, e quintetos de “solistas” !!! E todos procuram tocar em contraponto, ou em massa, suportados pela turma das cordas, que faz base harmônica em alguns momentos um pouco mais identificável e mais próxima do tradicional. Em outros, porém, gerando “pseudo anarquia”.
Captaram?
Seria FREE JAZZ?
Eu acho que não totalmente.
Mas, vamos caminhar com “os ouvidos” um pouco além, e ver no que dá…
KEITH TIPPET é o pianista inglês de vanguarda, que em 1971 havia participado em 3 discos do KING CRIMSON: “LIZARD”, “ISLAND” e “IN THE WAKE OF THE POSEIDON”. Ele consegue ser simultaneamente lírico e ousado. É um MESTRE DAS SUTILEZAS!
TIPPET para fazer o disco convocou amigos, gente do SOFT MACHINE, DO KING CRIMSON, do IAN CARR & NUCLEUS, e outros luminares da linha de frente britânica da música contemporânea.
Se vocês clarificarem o tamanho da encrenca encontrarão lá;
Trompetes e corneta (?): IAN CARR e MARK CHARING; sax alto: ELTON DEAN, IAN McDONALD; tenor: ALAN SKIDMORE; barítono: KARL JENKINS; trombones: NICK EVANS, PAUL RUTHERFORD; bateria: JOHN MARSHALL e ROBERT WYATT; baixo: ROY BABBINGTON, JEFF CLINE, DAVE MARKEE. Em resumo, a raiz, o caule e as folhas do novo JAZZ INGLÊS da época!
Nos vocais, e só para garantir anarquia, MIKE PATTO ( literalmente grasnando!!! ), ZOOT MONEY; e JULIE TIPPET, ex – JULIE DRISCOLL, conhecida e CULT cantora que participou com o tecladista BRIAN AUGER em vários discos legais no ” melting pot que abrange R&B, ROCK PROGRESSIVO, JAZZ, BLUES, e vasto enfim!!!
Pois, então: e para coordenar os trabalhos, produzir, organizar o caos possível e comprovável?
ROBERT FRIPP.
Mas, o FRIPP????!!!, TIO SÉRGIO?
Sim, escolha exata!
Ele retribuiu a TIPPET a participação nos discos do KING CRIMSON. É o cara certo para botar ordem, convencer, mandar. Tem um intelecto organizado, sabe deixar rolar, colocar, vírgulas, e mandar parar… E conhece as experimentações e vanguardas.
FRIPP é ousado e meticuloso. E conhecido como um déspota do bem: discute; mas, “não é não”!!!
Quanto ao disco em si, li que a ideia de KEITH TIPPET era “ROMPER FRONTEIRAS FEROZMENTE”; buscando no “momento executado” o “AGORA”; mas dentro de uma lógica que fugisse do “conforto” e das regras rígidas da “HIGH ART”!
Entenderam? Estou tentando…
Talvez, como também está no livreto: “ele orientasse os riffs básicos do JAZZ – ROCK para sustentar estruturas mais “soltas”, mais próximas do FREE-JAZZ.” Ou, a ideia central quem sabe fosse captar a energia das BIG BANDS com a sensibilidade dos pequenos grupos!
Sacaram? Eu vou tentando desvendar e descontruir o quebra-cabeças!!!
Presumo, resumindo, que ele pretendesse deixar o time improvisar com liberdade, mas dentro da melhor técnica musical possível. Em alguns momentos, a turma da base também participa do forrobodó; em outros, a turma de frente volta-se à base harmônica. É bonito, e distinguível quando se ouve a obra com mais atenção…
Curiosamente, em alguns momentos tudo parece rompido ou consolidado por alguns riffs e solos de guitarra, feitos por BRIAN GODDING. Porque FRIPP não tocou uma linha sequer no disco!
Lembram-se do show do KING CRIMSON, no último ROCK IN RIO?
FRIPP comandava a banda com a guitarra; mandava e desmandava; rompia o construído, ou deixava andar a seu comando. Vi semelhanças entre os dois gestos…
Quando o disco foi lançado, houve uma avalanche de críticas. A turma do ROCK, que o comprou por causa de ROBERT FRIPP, frustrou-se: ele só produziu. A turma da VANGUARDA achou o disco não coeso, um monumento desencontrado…
Talvez merecesse uma remasterização com algum craque de estúdio contemporâneo. Fico imaginando STEVEN WILSON. Ou algum japonês meticuloso em atividade. Mas, quem sabe um alemão desses que fazem o trabalho espetacular com a BEAR FAMILY RECORDS!
Gente capaz de colocar as coisas no lugar, limpar excessos, realçar trechos esquecidos ou mal masterizados. Essas coisas complexas, que deixam audiófilos e ouvintes sofisticados de orelhas em riste!
TIO SÉRGIO aqui passou duas tardes escutando para ver se compreendia o que foi esboçado e feito… Comparei, observei, bebi…. depois, tomei a vacina contra a COVID e fui ouvir o disco de novo…
E de tanto pensar virei jacaré!
POSTAGEM ORIGINAL: 01/04/2021
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COLIN BLUNSTONE – ONE YEAR – COLUMBIA, 1971 50 ANOS DE UM “CLÁSSICO-CULT EM ASCENÇÃO”

COLIN BLUNSTONE é um cara tímido que entrou para o mundo da música meio por acaso, e foi ser vocalista de banda.
Mas, deu alguma sorte: os ZOMBIES estouraram mundialmente, em 1964, com um MEGA HIT que trouxe peculiaridade ao BEAT INGLÊS: em SHE´S NOT THERE há um solo de teclado bem jazzístico. Uns doze segundos que serviram de cartão de visitas para ROD ARGENT, músico profissional de verdade….
Pois, é; o SINGLE vendeu mais de um milhão de cópias, mundo afora! Mas, vida de músico é difícil. Os ZOMBIES gravaram um LP e outros SINGLES; a maioria foi mal. Participaram de shows, excursionaram, ganharam uns trocos. E finito.
Antes do final, em 1967, deixaram pronto um álbum conceitual de “PSYCH – BAROQUE ROCK”, o clássico inesperado ODISSEY & ORACLE. Procuraram seguir a onda que aparecera na sequência do BEAT, com o SGT PEPPERS, dos BEATLES; e DAYS OF FUTURE PASSED, dos MOODY BLUES.
Mas, os que recebiam alguma grana eram “ROD ARGENT”, tecladista, e o guitarrista CHRIS WHITE, os compositores na banda. Tinham direito a royalties. Por absoluta insustentabilidade financeira, os ZOMBIES romperam em fins de 1967.
E cada um foi cuidar da própria vida. COLIN BLUNSTONE aceitou o emprego de “recepcionista/atendente” em uma Companhia de Seguros. E contou : “eu topei o primeiro emprego que apareceu, em vez de passar fome.”
Vocês sabem para o quê serve um PRODUTOR?
Bem, para muitas coisas artístico – práticas.
Mas poucos, muito poucos, têm a visão do todo e das possibilidades como AL KOOPER. Músico e arranjador americano muito inspirado, mas cantor nada empolgante. Para ampliar a história, KOOPER esteve com os BLUES PROJECT e havia gravado com BOB DYLAN. Inclusive o clássico LIKE A ROLLING STONE. Em 1968, estava envolvido com BLOOD, SWEAT & TEARS e outros projetos na COLUMBIA RECORDS.
AL KOOPER passeava em LONDRES e, por algum descaminho, acabou conhecendo e comprando o ODISSEY & ORACLE. Adorou e compreendeu o tamanho da obra. Convenceu a EPIC RECORDS a bancar a edição do disco nos Estados Unidos, através de uma de suas subsidiárias, a DATE.
Para mais bem expor os talentos de KOOPER, vamos lembrar que ele descobriu e produziu um dos maiores fenômenos do ROCK AMERICANO, a banda LYNYRD SKYNYRD. Entre outros e outros…
Pois, ótimo! O restante é a história da fama crescente de ODISSEY & ORACLE, álbum hoje entre os 50 maiores da música popular!
COLIN EDWARD MICHAEL BLUNSTONE, tem nome “british”, sonoro e formal. Disse que ouviu “TIME OF THE SEASON”, o “SINGLE” retirado de ODISSEY & ORACLE, quando trabalhava na seguradora.
E, a partir daí, o interesse na voz dele renasceu.
CHRIS WHITE e ROD ARGENT haviam fundado uma produtora e o convidaram para gravar alguns demos. Fizeram. e, daí, outros SINGLES…
Mas COLIN foi além disso, e detém enorme legitimidade que pode ser medida pelas frases de colegas admiradores; muitos de tendências musicais antagônicas.
NEIL TENNANT, considera “ONE YEAR”, o primeiro disco solo de BLUNSTONE, um incrível e romântico álbum POP”. Tudo bem! Ele se afina com a linha musical dos PET SHOP BOYS.
Mas que tal a opinião de THURSTON MOORE, guitarrista do SONIC YOUTH: “É um exemplo clássico do melhor BRITISH POP. Um disco muito sofisticado e pessoal”! Aí, pessoal, já é admiração pelo talento explícito mesmo!
Para confirmar a reputação, após a gravação de três LPS para a EPIC, ele foi convidado pela ROCKET RECORDS, propriedade de ELTON JOHN, onde fez mais três álbuns. Depois, foi trabalhar com ALLAN PARSONS, e gravou com bastante frequência.
E daí seguiu errática, mas ininterrupta carreira.
Sem dúvidas, COLIN BLUNSTONE tem voz única, frágil, de pouca extensão e marcante originalidade. Levemente metálica, talvez “sparkling”, como um champagne; e algo “enfumarada” – um sutil aproach a tabaco? Se consigo definir assim…
Na voz dele habita um quê de DUSTY SPRINGFIELD; um timbre tangenciando o feminino, como DEMIS ROUSSOS, do APHRODITE’S CHILD; ou JON ANDERSON, do YES…. Mas, ele é um tenor sem arroubos; controlado. E suas eventuais “alegrias incontidas” duram micro segundos.
Quem sabe?
“ONE YEAR, lançado em 1971, completou 50 anos e será brevemente relançado com destaque. A obra vem subindo paulatinamente de STATUS junto aos colecionadores, e à turma que conhece música POP e ROCK PROGRESSIVO.
Para mais ou menos definir, é tido como sequência ( ou seria consequência? ) de ODISSEY & ORACLE. Um dos focos, é óbvio, está no excelente vocal de COLIN, também compositor de quatro faixas, e que se revelou talentoso para baladas e músicas românticas.
O disco foi produzido por CHRIS WHITE; e gestado e gravado, em 1971, por outra derivação dos ZOMBIES, o ARGENT. Ótimo grupo de ROCK PROGRESSIVO inglês; com RUSS BALLARD, na guitarra; BOB HENRITT, baterista; JIM RODFORD, no baixo. E ROD ARGENT, teclados e vocal, que foi o arranjador da parte instrumental da banda para acompanhar COLIN BLUNSTONE; e sugeriu o uso de cordas e alguns sopros.
Foi assim: ROD andava escutando os quartetos de BELA BARTÓK, e inspirou o diferencial marcante, e hoje definidor desse disco. Mas foram os arranjos para grupo de câmara feitos pelo compositor inglês de trilhas sonoras, CHRIS GUNNING, que deram o clima e o acabamento final da obra. Duas faixas foram produzidas por TONY VISCONTI, à época entretido com MARK BOLAN e DAVID BOWIE; e, mesmo sendo boas, estavam pouco encaixadas no todo. Ainda assim, o que conseguiram gravar foi aproveitado.
O projeto foi realizado com orçamento muito limitado, gravado quando dava, e no decorrer de um ano – por isso o nome “ONE YEAR”.
A produção de CHRIS WHITE conseguiu dar cara e coesão à obra. Ouça a versão de MISTY ROSES, de TIM HARDIN – naqueles tempos, um compositor de sucesso. É um “compósito-amálgama” altamente criativo entre a BOSSA NOVA “quasi” JOÃO GILBERTO, justaposta a uma pequena obra de câmara nitidamente evocando BELA BARTÓK, e que se estende até o final da faixa! O efeito é lindíssimo! Como, aliás, toda intervenção dos arranjos de GUNNING!
Alguns talvez considerem o resultado um pouco açucarado. Mas, os MOODY BLUES, ALLAN PARSONS e KATE BUSH também são. E todos entregam trabalhos de alto nível.
O disco teve relativo sucesso; e de lá foram retirados três excelentes SINGLES que venderam razoavelmente: “SAY YOU DON´T MIND”, “CAROLINE GOOD BYE” e “I DON´T BELIEVE IN MIRACLES”.
COLIN saiu em turnê, mesmo dificultado pela necessidade em levar a banda e mais um quarteto de cordas. E, também, atrapalhado pela timidez e problemas na voz, que se tornaram recorrentes por muito tempo.
A EPIC lançou mais dois LPS interessantes; e um tanto disformes, mas com momentos que lembram o primeiro álbum. Eu aconselho aos que tiverem interesse em ONE YEAR, que procurem um pequeno, bem gravado e barato box da série “ORIGINAL ALBUM CLASSICS”. Lá estão, também, ENNISMORE, 1972 e JOURNEY, 1974, tudo o que ele produziu nesta fase.
COLIN BLUNSTONE é talentosos e diferente! E vale a pena descobrir sua voz inesquecível.
POSTAGEM ORIGINAL:02/05/2022
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SONNY STITT: SEGUIDOR DE CHARLES PARKER. 

Discografia imensa e variada, que vai do BEBOP ao FUNK JAZZ. A sonoridadeé rebuscada, como a de PARKER. E comandando a banda, SONY STITT tem aquele jeito de falar de negão malandro. É a linguagem do final dos anos 1950. E mais não digo, por falta de elementos e tempo. Ele é um HIP!!!
Mas ouçam esses discos aqui, principalmente “STITT PLAYS BIRD”, de 1963, com reedições às pencas “pelaí”. Esta foi lançada em 2003, e remasterizada como se deve! A gravação original é da ATLANTIC RECORDS.
SONNY está com músicos em nível de JOHN LEWIS, JIM HALL e CONNIE KAY, pesquisem o que eles tocavam… E não vou dizer em homenagem a quem foi gravado o disco, vocês sabem…
Também não percam, se acharem nas garimpagens, “ONLY THE BLUES”, gravado para a VERVE, 1957, em companhia de nobres como OSCAR PETERSON, HERB ELLIS, RAY BROWN e ROY ELDRIDGE! Não queridos, queridas e querides!!! TIO SÉRGIO não vai identificar os instrumentos que a turma dele tocava. É lição de casa e cai em vestibular para enteder de JAZZ.
Há outros dois ótimos discos nesta postagem, que anos atrás estiveram em catálogo aqui em PATÓPOLIS.
SONNY STITT é para os que mais ou menos acompanham as polêmicas sobre estilos e técnicas desenvolvidas por COLTRANE e PARKER. São escolas diferentes e concorrentes. É pra ouvir e curtir de cabeça aberta, e mente corrediça feito cachoeira.
Desfrutem!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/05/2023
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RUSH – THE STUDIO ALBUMS – THE ATLANTIC YEARS 1989/2007 – 7 CDS BOX SET

O RUSH tornou-se uma das melhores bandas de ROCK da História, porque uniu características indispensáveis para trabalhar e ter sucesso:
1) FOCO, estudo e observação dos detalhes;
2) PERSISTÊNCIA, PERFECCIONISMO e COMPETÊNCIA na busca de um estilo e linguagem próprios;
3) Junte isso à PAIXÃO, ao TALENTO, e uma segura administração da SORTE – sempre indispensável;
Quem consegue e faz isto, se põe no caminho certo. O RUSH conseguiu e fez!
O grupo se formou em TORONTO, em 1968. Mas, só foi gravar em 1974. O primeiro álbum, “RUSH”, ainda foi com o baterista, JOHN RUTSEY. No segundo disco, FLY BY NIGHT, assumiu a bateria NEIL PERT , e a formação clássica com GEDDY LEE, baixista e vocal, e o guitarrista ALEX LIFESON projetou de vez a banda.
Iniciaram muito bem, porém anódinos. Nos primeiros discos eram mais um trio de HARD ROCK disputando com o “TRAPEZE”, “WEST BRUCE & LAING”, o “BUDGIE”… Mas de olho no “CREAM”, e admirando “JIMI HENDRIX EXPERIENCE”. Escutavam, claro, “HUMBLE PIE” entre vários. Afinal, bons “livros e professores” também são fundamentais.
E, aos poucos, encontraram voz própria migrando para o ROCK PROGRESSIVO, ou o que lá seja o compósito criativo que desenvolveram e os levou à fama. O “RUSH” vendeu mais de 65 milhões de discos; fizeram discografia de 20 álbuns, só em estúdios. Sempre foram excepcionais AO VIVO; e gravaram mais oito álbuns em concertos mundo afora, e vídeos e montes de etc… mais, em diversos formatos.
NEIL PERT dominou o topo do “ranking” como melhor baterista de ROCK, entre 1980 e 1986. Além de ser o compositor da maioria das letras excelentes que fizeram. GEDDY LEE esteve entre os grandes baixistas, na mesma época. ALEX LIFESON, é bom guitarrista, mesmo não estando no nível técnico dos colegas. Os três são artistas e profissionais impecáveis.
Por isso, o “RUSH” desfruta merecida fama muito bem demonstrada,
e chegou ao ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 2013. Estavam no palco DAVE GROHL e TAYLOR HAWKINGS, do “FOO FIGHTERS”, que fizeram o “discurso de indicação e posse”.
A turma do “METALLICA” e do “DREAM THEATRE”, e incontáveis outras bandas, por décadas a fio vêm agradecendo, penhoradamente, a existência e a influência dos mestres.
E nós também agradecemos!
O BOX chegou em casa, tempos atrás, graças à FADINHA MASTERCARD que, apesar dos correios e da confusão na economia internacional, possibilitou que o TIO SÉRGIO o comprasse por $ 35,00 BIDENS, uns R$ 190 MANDACARUS. Valem cada cent….oooops centavo!
É artefato prático e bonito. Os CDs estão em formato MINI-LP, e as capas foram feitas em materiais lamentáveis, como hoje é usual. São bem gravados, e sem faixas bônus. Também acompanha um livreto “infrabásico”; ridículo para artigo de pretensão bem maior: só letras, nenhum texto ou quaisquer informações pertinentes!!!! É lamentável. Por que? Ora, pois, pois!
Dei uma “ouvida” em PRESTO e COUNTERPARTS. E já conhecia ROLL THE BONES, o melhor entre eles. Os restantes pretendo encarar aos poucos…
Mas o que “salta aos ouvidos” é a melhora na qualidade da voz de GEDDY LEE. Amadurecida, ficou mais agradável, mais contida e bem postada. E menos agreste; perdeu aquela entonação juvenil . Deixou de ser “galinácea”. Ele está cantando melhor.
Ouvi com mais atenção, por curiosidade arqueológica, o disco de COVERS que fizeram: FEEDBACK. É bem instrutivo. Traça de certa forma as inspirações originais da BANDA.
SUMMERTIME BLUES, de “EDDIE COCHRAN””, combina a versão do “BLUE CHEER” com a do “WHO”. É muito bom, pesado, marcante!
Mas, a versão original de “COCHRAN” continua imbatível.
Há versões decentes de HEART FULL OF SOUL e SHAPES OF THINGS, dos “YARDBIRDS”; THE SEEKER, também do “WHO”; SEVEN AND SEVEN IS, original do “LOVE”; e CROSSROADS, emulando o “CREAM”.
Verteram, também, MR.SOUL e a espetacular FOR WHAT IT´S WORTH – uma das maiores canções libertárias em todos os tempos! – ambas gravadas originalmente pelo “BUFFALO SPRINGFIELD”.
Tudo considerado, é um BOX decente, colecionável e com preço adequando. E vai fazer a alegria dos fãs do “RUSH” – banda que o TIO SÉRGIO, aqui, também gosta. Mas, não prefere…
POSTAGEM ORIGINAL: 14/05/2022
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ELLA FITZGERALD, HAROLD ARLEN, BILLY MAY E NORMAN GRANZ. E O B.B. KING COM ISSO?

Um de meus fascínios é observar o mundo da música de um metafórico terraço, vendo passar a história da intensa, contraditória, rica e diversificada produção artística entre mais ou menos 1955 E 1962.
O período talvez esteja para a MÚSICA o mesmo que a virada do século XIX para o XX esteve para a FILOSOFIA, ARTES PLÁSTICAS, CIÊNCIAS, ARQUITETURA… O melhor que a razão e a criação humanas haviam chegado – e se instalado.
ELLA FITZGERALD já era cantora suprema no início dos 1950, quando gravava para a DECCA. Sua enorme sensibilidade e técnica estavam meio limitadas por repertório um tanto popularesco, e produções aquém de sua genialidade como cantora e intérprete.
Foi em 1954, quando entrou de sola NORMAN GRANZ, empresário e produtor, e conseguiu negociar e contratar ELLA para a VERVE RECORDS.
Ele talvez tenha sido o primeiro a incentivar a definição do que viria a ser o JAZZ como gênero moderno e autônomo. Algo diverso e à parte das criações musicais da BROADWAY, e do RHYTHM’ AND BLUES imperante na música negra.
NORMAN GRANZ percebeu a grandeza de ELLA FITZGERALD, e providenciou o fino entre os músicos, e a elite de arranjadores e orquestradores para destacar e construí-la como estrela.
Trouxe gênios ou perto disso, comoDUKE ELLINGTON, BILLY STRAYHORN, NELSON RIDDLE, BILLY MAY…, e organizou os famosos e imprescindíveis SONGBOOKS, gravados à partir de 1955.
O primeiro deles foi o “THE COLE PORTER SONGBOOK”. Mas, vou concentrar atenção em “HAROLD ARLEN”, que tinha fama imprecisa de ser um compositor de “BLUES”.
Mas, não apenas isso, é claro. Seu foco maior eram peças e musicais para a BROADWAY.
Ele compôs a clássica “OVER THE RAINBOW”, por exemplo; que faz parte deste disco. Mas ELLA e o maestro BILLY MAY não gostaram do resultado. A escolha para o disco foi imposta por NORMAN GRANZ…
O repertório aqui é uma OVERDOSE DE STANDARDS do BLUES, aqui em sua concepção “JAZZÍSTICA”: “STORMY WEATHER”. “BLUES IN THE NIGHT”, “COME RAIN OR COME SHINE”, “ONE FOR MY BABY”, “I GOT THE RIGHT TO SING THE BLUES” … e várias de igual nível formando álbum excepcional.
As gravações remasterizadas para essa edição em 2001, estão em absoluto estado da arte! E foram realizadas em poucas sessões, quase todas feitas em janeiro de 1961. A produção com TINTURA JAZZY de NORMAN GRANZ, é o Topo do TOP, claro!
ELLA estava com 42 anos e no auge de seu domínio técnico e expressão artística! A voz de pureza e doçura absolutas, a dicção perfeita, e a compreensão das letras e interpretação, estão em nível de poucos cantores de quaisquer épocas!
Mrs. FITZGERALD é a minha cantora predileta entre as imprescindíveis SARAH, BILLIE e DINAH WASHINGTON.
BILLY MAY, o arranjador e maestro deste SONGBOOK, contou que ELLA era tímida, algo insegura, tremendamente crítica, e tinha ouvido musical perfeito.
Foi fácil trabalhar com a Deusa; que acertava no primeiro “take”, mas não se conformava e sempre pedia outros…. Era comum após o término das gravações os músicos, todos do mais alto nível artístico, aplaudirem de pé!
A orquestra e os arranjos de BILLY MAY são absolutamente sensacionais! Os metais tocam à perfeição; a bateria e o baixo BLUESY são precisos e requintados.
A gente ouve tudo com nitidez cristalina; cada instrumento em seu lugar. E quando as cordas participam jamais caem no lacrimoso ou flertam com o brega. É o suprassumo da grande canção americana, que não é JAZZ, mas POP no estamento mais alto!
Mas, TIO SÉRGIO, o que faz B.B.KING por aqui?
Eu penso que ELLA, MAY e GRANZ trouxeram o BLUES NA CONCEPÇÃO JAZZÍSTICA ao APOGEU, nessas gravações. B.B.KING pegou o remo, e foi um dos que o apresentou para o reino do ROCK, e ajudou a desenvolver a fama, contribuindo para defini-lo como estilo autônomo. É curioso observar como B.B.KING em 1950, lembra os ROLLING STONES, em 1964… Ou não?
Mas, não esqueçam: sempre foi B.B.KING ORCHESTRA. E ELLA FITZGERALD fez, também, parte da mesma geração.
Se tudo isso não te convenceu, saiba que a capa original de “ELLA FITZGERALD SINGS THE HAROLD ARLEN SONG BOOK”, é uma ilustração feita por HENRI MATISSE, e sob encomenda…
Desfrute, consiga e mantenha na discoteca. Melhor não há!
POSTAGEM ORIGINAL: 13/05/2020
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JOE WALSH & JAMES GANG, EAGLES, ETC… : TAMANCO SEM COURO: É PAU PURO! A VIAGEM DE UM DIFERENCIADO PELOS DESVÃOS DO ROCK.

Porra, TIO SÉRGIO, o que você quis dizer com esse título?
A resposta é: SEI LÁ, ENTENDE…
Como sempre dizia nosso único rei putativo, o EDISON ARANTES DO NASCIMENTO I, o PELÉ.
A “JAMES GANG” foi um caso interessante no ROCK americano. Era um POWER TRIO curiosamente com sonoridade MADE IN ENGLAND, digamos. São contemporâneos do “TRAPEZE”, DO “HUMBLE PIE”, e do “FREE”. Sucessores do “CREAM”, do “BLUE CHEER” e antecessores da “BAD COMPANY”.
Os caminhos que tomaram à partir do segundo disco; e o que seguiu principalmente JOE WALSH mais à frente, os recolocou em contato com a AMÉRICA.
Hoje, dando uma passeada de carro pela ilha, apareceu em minha play – list um CD que gravei só com músicas ao vivo.
Pus lá duas faixas em sequência pescadas no magnífico JAMES GANG LIVE IN CONCERT, gravado em 1971, no CARNEGIE HALL, em NOVA YORK!
O disco é vulcânico! Uma coleção de terremotos, erupções em HARD ROCK e HARD BLUES, perpetradas por um trio de jovens talentosos em estado de fúria e criatividade.
Comprei, faz uns 50 anos, o disco original lançado por aqui em 1972. Ele sempre me acompanhou; e até hoje!
O álbum abre com STOP, um HARD ROCK / R&B; emenda “YOU GONNA NEED ME”, um HARD BLUES como poucos, em que JOE WALSH simplesmente aniquila a plateia com sua guitarra e intepretação!
E vai em sequência matadora a tal ponto, que lá pelo meio do SHOW, quando a banda desacelera um pouco pra tomar fôlego, e continuar a pauleira brava, a plateia no austero CARNEGIE HALL reage, “ruge”, como se estivesse na tourada, ou em um rodeio!
Os gritos animalescos de HEYA, HEYA… incitam WALSH, o baixista DALE PETERS e o baterista JIM FOX a explodir em ROCK PESADO E BARULHENTO.
Não, não estavam no TEXAS e nem em BARRETOS! Mas, num dos lugares mais urbanizado, rico e civilizado desse planeta… A foto icônica da capa, são três cavalos amarrados, na porta do TEATRO!!!
Esse disco explica o TAMANCO SEM COURO: PAU PURO do título.
Quem coleciona discos sempre se surpreende.
Tenho apenas dois discos da JAMES GANG, o referido ao VIVO; e o primeiro entre todos: “YER ALBUM”, de 1969, que há décadas não escutava.
É surpreendente! Um ótimo álbum de HARD ROCK PSICODÉLICO, e a minha versão em CD remasterizado é de alta qualidade sonora. Fiquei impressionado com o que consegui ouvir!
A GRAVAÇÃO ORIGINAL foi feita em Nova York, na HIT FACTORY, estúdio muito requisitado naqueles tempos. E, nas palavras do baterista JIM FOX, ao chegar no local, a primeira coisa que ouviu da equipe foi: “FAÇAM UM HIT”.
O disco foi bem, mas não estourou, e o álbum inteiro é muito bom! Cadenciado, têm algo de FUNK, muita noção de ritmo, e fica ao mesmo tempo na fronteira do PSICODÉLICO e do PROGRESSIVO. Estão lá três das músicas mais famosas do trio: STOP, TAKE A LOOK AROUND e FUNK #48.
Abre com micro introdução sinfônica, uns 30 segundos; muito criativa, progressiva, e bem mais típica de grupos ingleses do que americanos.
O clima e andamento geral do disco é à inglesa. A banda desempenha bem, as músicas são legais, mas não se desenvolvem com liberdade. É “travado” como seus colegas britânicos citados. Era o som daqueles tempos, final dos 1960/70.
Eles são muito bons como grupo e individualmente. Também fizeram duas versões matadoras de músicas importantes de bandas ícones:
BLUEBIRD, do “BUFFALO SPRINGFIELD”, ficou diferente da original, é mais lenta, e muito bem arranjada. E LOST WOMAN, dos “YARDBIRDS” é muito criativa, empolgante, longa e foi gravada direto e sem overdubs – uma quase proeza. Imaginem vocês: foram achar COVERSno fino do ROCK!
JOE WALSH é um “guitarrista britânico”, digamos… A sonoridade de sua guitarra está muita mais próxima a CLAPTON. BECK e PAGE, e à turma do HARD e do METAL, do que do BLUES e do ROCK AMERICANO.
O trio abriu temporadas para THE WHO, principalmente na América, e PETE TOWNSHEND dizia, naqueles tempos, que JOE WALSH era o seu guitarrista favorito. Outro que gravou com WALSH foi STEVIE WINWOOD.
A “JAMES GANG” original se conheceu na UNIVERSIDADE DE KENT, em OHIO. E os três LONG PLAYS seguintes, dos quais os dois primeiros eu nem cheguei a ouvir: RIDES AGAIN, 1970; e THIRDS, 1972. E o LIVE, 1972, aqui postado, estouraram nas paradas americanas.
É minha impressão que JOE WALSH percebeu, depois do primeiro álbum, que o grupo, e principalmente ele, estavam muito orientados para o ROCK PESADO INGLÊS.
Em 1972, JOE saiu da banda e partiu para carreira solo.
Aqui na foto está , de 1976, “YOU CAN´T ARGUE WITH A SICK MIND”, gravado só vivo, e já bem diferente do JAMES GANG. Há muita percussão, ritmo, alguma latinidade e a musicalidade típica do ROCK americano daqueles tempos.
Eu gosto, mas não tem o pique do LIVE com o trio. E vai ficando paulatinamente claro que “JOE WALSH” confluiu para o “SOUTHERN ROCK”; se aproxima do COUNTRY e do FOLK, e da sonoridade em voga na linha de grupos como “MANASSAS” e “DOOBIE BROTHERS”.
JOE WALSH sempre foi um guitarrista diferenciado e talentoso. Mas tem voz limitada, algo esganiçada, e timbre um tanto para o PATO DONALD, o que o cerceava como líder.
Em 1976, passou a fazer parte dos EAGLES, supergrupo de excelência vocal, onde vários cantam, e voz diferente de WALSH integrou-se com personalidade. Ele controlou o ímpeto para ficar mais POP, e daí caminhar definitivamente para a fama.
JOE WALSH continua ativo com seu jeito escrachado e meio hippie. Eu tenho, e já o assisti nos vídeos do CROSSROADS FESTIVAL GUITAR, produzido por ERIC CLAPTON, na América.
TIO SÉRGIO e muita gente continuam gostando dele!
POSTAGEM ORIGINAL: 12/05/2023
Pode ser uma imagem de texto

MÚSICA BOA EM MATERIAL DE BAIXA QUALIDADE!!!!!

SÃO TRÊS EXEMPLOS: “JOHN COLTRANE” – BLUE WORLD – 2019
“DIANA KRALL” – THIS DREAM OF YOU – 2020.
E “LAZAR US” – TRILHA SONORA DE MUSICAL COMPOSTO POR DAVID BOWIE, 2016
CLARO, “DIANA” E “COLTRANE” SEMPRE SÃO BONS E AGRADÁVEIS. CHEGARAM EM MINHA CASA COMPRADOS DIRETAMENTE DA UNIVERSAL MUSIC.
PORÉM, O MOTIVO DA POSTAGEM É A PÉSSIMA QUALIDADE MATERIAL DAS CAPAS!!!! O PAPELÃO É TÃO FINO E FRÁGIL, QUE RASURARAM QUANDO TENTEI RETIRAR OS DISCOS!!!!!
DOIS PRODUTOS VERGONHOSOS! E COM UM DETALHE: DIANA É NACIONAL; E COLTRANE IMPORTADO. AMBOS SELO “VERVE”, QUE POR DÉCADAS, FOI SINÕNIMO DE QUALIDADE”.
FUI ENGANADO, TAMBÉM, NA COMPRA DE UMA PICHINCHA: A TRILHA DE UM MUSICAL COMPOSTO POR “DAVID BOWIE” E “ENDA WALSH”, CHAMADO “LAZAR US” . É UM ÁLBUM DUPLO, E FOI LANÇADO PELA “SONY MUSICA”, EM 2016. SÓ QUE OS CDS SÃO DE TAL MANEIRA “FINOS”, QUE PARTIRAM AO MEIO QUANDO TENTEI RETIRAR DAS “GRARRAS” DA EMBALAGEM!!!! UM ABSURDO QUE JAMAIS VI ACONTECER!!! É ÓBVIO, EU NÃO CONSEGUI OUVIR!!!!
É INACREDITÁVEL A QUE PONTO CHEGARAM AS GRANDES GRAVADORAS!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/05/2025

NOUVELLE – FREE BOSSA – 2000

É o núcleo do incensado e já extinto NOUVELLE CUISINE, sofisticado grupo de JAZZ de São Paulo, com discografia pequena, porém marcante.
Sobraram três craques da formação inicial, o excepcional clarinetista LUCA RAELE; GUGA STROETER, no vibrafone e MAURICIO TAGLIARI, na guitarra. No lugar de CARLOS FERNANDO entrou a cantora ESTELA CASSILATTI sem grande brilho, mas eficiente .
O disco é bastante agradável, mesmo errático e indefinido. De STANDARDS JAZÍSTICOS a DORIVAL CAYMMI; passando por DUKE ELLINGTON, APOLO 9, OTIS REDDING… e terminando em “MULHER RENDEIRA”, de ZÉ do NORTE.
São ótimos compondo TEXTURAS de VANGUARDA. GUGA e LUCA trabalham de jeito moderno CLÁSSICOS do JAZZ; e ousam por saborosos descaminhos pelo TRIP-HOP: procurem ouvir “SAIR do AR”, que é jovial, bem humorada, e ainda atual.
Vivo tocando em casa…
O disco vai legal em FESTAS. Porque tudo é de bom gosto e até inusitado. Se encontrarem por aí a bom preço vale o risco!
POSTAGEM ORIGINAL 09/05/2020
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“O QUAM TRISTIS” … “( 2000 – 2008 ) – THE COMPLETE WORKS – BOX EDIÇÃO LIMITADA COM 5 CDS E BOOKLET. DARK WAVE!

A professora, compositora e pianista JOCY DE OLIVEIRA, é a criadora da MÚSICA ELETROACÚSTICA NO BRASIL, na década de 1950, portanto, influenciadora da moderna MÚSICA ELETRÔNICA,
JOCY talvez não sonhasse o “QUAM” longe sua opção repercutiu. Ponto!
Existe no mundo, inclusive no Brasil e principalmente em São Paulo, um cenário “GÓTICO UNDERGROUND” rico e muito diferenciado. Vem desde a década de 1980, e persiste com muita distinção até os dias atuais.
Usar a expressão “GOTHIC ROCK” é algo limitadora para atividade musical ativa e vulcânica. Melhor usar DARK WAVE, mais ampla, que transcende as origens, e de certa maneira mantêm sob sua definição quase tudo o que foi feito posteriormente.
Hoje, são vistos como DARK WAVE originais, e mesmo ainda no final dos 1970, THE CURE e SIOUXIE & THE BANSHEES. E invadindo a década de 1980, o BAUHAUS, JOY DIVISION, SISTERS OF MERCY, CLAN OF XYMOX, THE CULT e vasta “troupe”.
O espectro penetra a década de 1990, com o “DREAM POP”; passa por expressivas formas de WORLD MUSIC, e pela expansão da AMBIENT MUSIC.
Esta resenha focará em discos e sonoridades produzidos por gravadoras alternativas espalhadas mundo afora. Gravadoras diferenciadas como DISCHORDIA, CLEOPATRA, PROJEKT, e HYPERIUM… E a PALACE OF WORMS, que lançou “O QUAM TRISTIS…”. São todas eivadas por ELETRÔNICOS DE VANGUARDA e música não convencional.
É preciso lembrar a brasileira “WAVE RECORDS”, talvez sucessora da “CRI DU CHAT”, e detentora de bom acervo e de lançamentos. Ela é tocada por ALEX TWIN, músico, agitador cultural, e idealista da VANGUARDA MUSICAL UNDERGROUND, com bons serviços prestados nada silenciosamente…
ALEX também criou e participa de dois projetos da vanguarda eletrônica brasileira. Os “Cults”e conhecidos INDIVIDUAL INDUSTRY e o 3 COLD MEN.
Ele fez ou produziu outros. E toca a loja, a gravadora e um espaço cultural, em SÃO PAULO, dedicado a essas tendências.
O TWIN, é resiliente; e está do seu jeito original no seleto conclave dos criadores do UNDERGROUND paulista.
Há uma profusão de artistas e vertentes influenciados pela DARK WAVE. Os conhecidos DEAD CAN DANCE, BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL, CHANDEEN, CLOCK DVA, e THIS MORTAL COIL,por exemplo. Há mais!
Claro, sobram estilhaços e resquícios para incensados como DAVID SYLVIAN, BJORK e COCTEAU TWINS; e até para ENYA e LOREENA MACKENITT. Todos “solares” como aurora boreal…
Para muitos cultores do não óbvio, o OPERA MULTI STEEL, e o grupo que o sucedeu, “O QUAM TRISTIS…” também são representantes perfeitos da DARK WAVE.
É interessante buscar em passado algo “remoto” sinais dessa onda toda.
Os que conhecem o ROCK PSICODÉLICO INGLÊS, talvez se recordem dos YARDBIRDS em música totalmente fora de seu repertório, mas instigante e experimental.
Com JEFF BECK na guitarra, em 1965, gravaram “STILL I’M SAD”, onde há “CANTO GREGORIANO” acompanhado por banda de ROCK. É fenomenal e imperdível!!! E DARK de dar medo!
Se a viagem se estender para 1968, ouviremos a talvez primeira banda digamos…”DARK PSICODÉLICA” da História!
Os americanos THE ELECTRIC PRUNES, na verdade um “projeto”, são, para mim, os primeiros inspiradores do GOTHIC ROCK! E gravaram, além de SINGLES matadores e tremendamente experimentais, a seminal MASS IN F MINOR (aí na foto).
É MISSA CATÓLICA cantada em latim; e em formato de ROCK DE VANGUARDA! A inspiração direta de JIMI HENDRIX nas guitarras é óbvia. O disco é um clássico UNDERGROUND.
Os que viveram os anos 1990, recordarão das gravações de cantores líricos, como PAVAROTTI, em incursões no POP e, às vezes acompanhados por grupos de ROCK. O encontro com o U2 é notório.
Muitos têm na memoria os CDS gravados por COROS de Igrejas. Os MONGES BENEDITINOS fizeram enorme sucesso no mundo inteiro. E até foram sampleados por D.Js; e tocados em danceterias e RAVES….Um must, na época!
Nesse “melting pot” da DARK WAVE, ERICH MIHIETT, PATRICK ROBIN, CATHERINE MARIE, e FRANCK LOPES criaram em BOURGES, na FRANÇA, o “OPERA MULTI STILL”, em 1983.
Todos cantam e são multi-instrumentistas. O grupo gravou 13 LPS/CDS, vários K7s, e fizeram incontáveis contribuições em miscelâneas e compilações de GOTH ROCK, AMBIENTE MUSIC e DARK WAVE. Espectro muito abrangente. Curiosamente, não conseguiram viver somente de música, e todos são profissionais em outras áreas…
Ainda assim, andaram e se apresentaram em vários lugares do planeta. Tocaram em SÃO PAULO, em 2011; e o show é tido como inesquecível.
Para constatar o intercâmbio e a característica multicultural desses artistas, FRANCK LOPEZ participa do 3 COLD MEN, com TWIN, e têm 4 discos gravados.
Vale a pena escutar a todos. Há vídeos e etc… no YOUTUBE.
“O QUAM TRISTIS” é o OPERA MULTI STEEL ampliado com a vocalista CARINE GRIEG. E foi criado depois de o proprietário da gravadora alternativa PALACE OF WORMS, GUIDO BORGHETTI, ter ouvido LAUDAMUS, música do O.M.S, cantada em latim.
BORGHETTI ofereceu-se para produzir um álbum inteirinho com músicas naquele idioma. E, para que não se confundissem com o OPERA MULTI STEEL, todos gravaram sob pseudônimo, e batizaram o novo projeto de “O QUAM TRISTIS”.
É nome bastante adequado, só ouvindo… Um “blend” de música acústica… “MEDIEVAL” feita com instrumentos antigos, como DULCIMER, FLAUTAS, CRAVOS, VIOLAS, etc…; mesclados a uma parafernália eletrônica; e acompanhando CANTOS LITÚRGICOS SACROS e / ou PROFANOS, e também CANTOS GREGORIANOS.
É tudo junto e ao mesmo tempo redivivo sob critérios contemporâneos, em cantares típicos do POP ETHEREAL feminino, muito em voga nas década de 1990 e 2000. E ali se juntou vocal masculino associado ao GOTHIC ROCK!
O tédio e a mesmice não habitam! Ao contrário: a sonoridade vai além do NEW AGE. Mas aquém do eletrônico de danceterias. É curioso, moderno e, quem sabe, atemporal… enquanto dure.
As letras incorporam poemas profanos e poesias recônditas, pinçados de autores anônimos – ou não – em séculos passados. Há, também, textos religiosos e litúrgicos, compostos na Idade Média. Uma espaçonave reversa…
E trazê-los sob arranjos contemporâneos expõe a estranheza deste mix de tempos e eras, garantindo impacto para os que os escutam hoje…
É bonito e nada óbvio!
Os cinco discos que compõe o BOX são diferentes entre si. Em quaisquer deles se percebe a integração com a sonoridade da época em que foram lançados, entre 2000 e 2008.
O títulos são bastante elucidativos. O primeiro disco FUNÉRAILLES DES PETITS ENFANTS, foi lançado em 2000. LES RITUEL SACRÉ saiu em 2002. MEDITATIONS ULTIMES veio àààà luz (?) em 2005; e LES CHANTS FUNESTES, de 2008, encerra o ciclo de álbuns originais e talvez da banda.
Para o BOX, há uma coletânea de RARE TRACKS, COVERS e REMIXES. Estamos no outono e a caminho do inverno.
Tente! Quem sabe com vinho tinto, chocolate quente ou cognac… Não é para festas…, e sim para público mais resguardado e reflexivo.
O desafio de todo artista é resguardar o próprio estilo e característica, dialogando com a contemporaneidade. O U2, o RADIOHEAD e DAVID BOWIE fazem ou fizeram isso muito bem!
O pessoal d’ O QUAM TRISTIS procura impor-se por um diferencial que os aproxima e, ao mesmo tempo os diferencia do OPERA MULTI STEEL e outros contemporâneos de estilo.
Não é para qualquer “paladar auditivo”. Mas, desperta ouvintes mais curiosos em busca do não óbvio.
Dedico o texto para o meu amigo Gerson Périco , que flutua e mergulha muito bem nesse mar interno…
POSTAGEM ORIGINAL 09/05/2022
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