GENE É UM GÊNIO!

GRAM PARSONS morreu de OVERDOSE. Foi guitarrista ligado ao FOLK e pioneiro do COUNTRY ROCK, com a banda FLYING BURRITO BROTHERS em meados dos 1960. Era muito próximo ao pessoal dos BYRDS e outros da CALIFÓRNIA.
GENE CLARK era cantor e compositor, foi vocalista dos BYRDS e singrou carreira cheia de altos e baixos. Ele brincava com a ideia da morte dizendo “I WENT LOOKING FOR GRAM PARSONS”.
Há e houve poucos músicos com tão pouca propensão ao estrelato quanto GENE. Era tímido, inseguro, falava pouco e tinha mais do que medo de voar. Simplesmente paúra!
Um cantor de voz diferenciada e que sabia compor. Bom letrista e melodista, tocava guitarra adequadamente, e harmonizava muito bem dentro dos grupos.
Seu primeiro momento como profissional foi no lendário grupo FOLK americano, “THE NEW CHRISTY MINSTRELS”, por volta de 1962. CLARK escondia-se no palco, não era notado, mesmo sendo eficiente.
Em 1964, encontrou-se com ROGER McGUINN e DAVID CROSBY, guitarristas e compositores, e os três criaram algo novo. Um tipo de FUSION entre o BEAT INGLÊS e o FOLK AMERICANO, que o trio gostava e conhecia. Foi o início do seminal THE BYRDS.
O single Mr. TAMBOURINE MAN, composição de BOB DYLAN, foi lançado em abril de 1965 e simplesmente arrasou!
O arranjo das guitarras e a produção foi do lendário ENGENHEIRO DE SOM da COLUMBIA RECORDS, TOM WILSON. Ele revolucionou aqueles tempos quando adicionou guitarras e instrumentos elétricos ao FOLK TRADICIONAL. Ele observou principalmente o timbre sonoro da guitarra RICKENBACKER, usada pelos ingleses THE SEARCHERS.
WILSON começou eletrificando “LIKE A ROLLING STONE”, hit histórico de DYLAN. Depois, seguiu com os BYRDS. E fez o mesmo em outras músicas, até a espetacular “SOUNDS OF SILENCE”, de SIMON & GARFUNKEL. Todas canções históricas e seminais.
Detalhe saboroso: TOM WILSON era um negão, oooopss!!!, um PRETÃO, na exigência politicamente correta de hoje!!!!
Resumindo: o FOLK ROCK foi “criado sonoramente” por um NEGRO. Da mesma forma que a imensa maioria da SOUL MUSIC feita pela ATLANTIC RECORDS, também na década de 1960, foi arranjada e executada por BRANCOS!
Mas, tio SÉRGIO, o que isto quer dizer?
Sei, lá! Apenas que talentos estão disseminados aleatoriamente mundo afora! E que racismo, além de crime, é bobagem retumbante! Mas saber disso é instiga! Ahhhh, e como!!!!
GENE CLARK com os BYRDS durou menos de dois anos. E gravaram juntos integralmente os LONG PLAYS “MR. TAMBOURINE MAN” e “TURN, TURN, TURN”, ambos em 1965. ELE colaborou um pouco nos dois álbuns seguintes.
CLARK saiu do grupo, no início de 1966, porque era o principal compositor e ganhava mais do que os outros. Houve tensões e disputas, já que o falecido e genial CROSBY, e o grande McGUINN também compunham – e muito bem, obrigados…
Mesmo com divergências e disputas, todos se cruzaram ao longo dos caminhos, e houve restaurações diversas da banda. É argumentável que a ruptura meio traumática revelou-se benéfica para todos. Ironias que a vida gera impõe.
Os BYRDS dali seguiram partiram na linha do ROCK PSICODÉLICO, e frutificaram em várias frentes.
E GENE CLARK prosseguiu na integração do FOLK ao ROCK, sem grandes experimentações, mas aprofundou o lado melódico e as buscas no sentido da COUNTRY MUSIC. Ele foi errático o tempo inteiro, mas também um desbravador. E, digo eu, diferenciado e criativo.
Sempre se disse que os relativamente poucos discos que GENE CLARK gravou são “no mínimo interessantes”. No entanto, a carreira dele não andou por causa de suas limitações e temores pessoais. E muitos argumentaram que pouco adiantava fazer discos brilhantes, se o artista não viajava para divulgar e promover. Além dos problemas recorrentes que teve a vida inteira com as drogas.
Por isso tudo, os discos fracassaram em vendas, mesmo tendo fãs ardorosos e fidelíssimos, entre os quais faço questão de me incluir.
Encontrar vinis ou CDS de GENE CLARK é uma quase aventura para os colecionadores. Álbuns como THIS BYRD HAS FLOWN, aqui postado, versão em CD do original FIREBYRD, demorou mais de 4 anos para ficar pronto. Idas e vindas, pouca grana, e tudo o que os contumazes “OUTSIDERS” pagam pela falta de assertividade.
O lado puramente artístico, no entanto, é uma delícia! Quando deixou os BYRDS, a COLUMBIA produziu seu primeiro LP solo, em 1967: GENE CLARK & THE GOSDIN BROTHERS, aqui na versão em CD rebatizada por ECHOES. É disco magnífico, na linha dos BYRDS originais, com a participação da nata dos músicos de estúdio da CALIFÓRNIA.
Em seguida, houve reviravolta quando CLARK juntou-se aos irmãos DILLARDS, em 1968/69, para mergulho no COUNTRY mais puro, legando dois discos amados pelos puristas. Depois, ele seguiu procurando destino incerto, ou projetos que suspeitava querer de seguir…
E retornou ao FOLK ROCK nos excelentes GENE CLARK (WHITE LIGHT) , 1971; ROADMASTER, 1972; NO OTHER 1974; e no raro e precioso TWO SIDES TO EVERY STORY, 1977 – belo disco abrangendo os dois lados do rio: o FOLK e o COUNTRY, e muito mais bem trabalhados.
GENE fez, também, mais dois álbuns de relativo sucesso como McGUINN, CLARK & HILLMAN, no início dos 1980, em híbrido POP que ia de uma tintura quase-REGGAE ao COUNTRY diluído. Para mim, sem grandes atrativos, mesmo que agradáveis…
Um acaso o levou, em 1987, a seu disco mais vendido até hoje.
CARLA OLSON, cantora, guitarrista e compositora americana, quase famosa com sua banda PROTO-PUNK, os TEXTONES, foi meio na cara dura incitada a subir ao palco onde GENE CLARK estava se apresentando.
Ela ficou meio sem jeito, mas foi.
GENE perguntou o nome dela e só. E a banda introduziu “I FEEL A WHOLE LOT BETTER”, clássico dos BYRDS.
A química foi imediata!
CARLA é uma loirinha baixinha, incendiária e memorável, com vozeirão COUNTRY-BLUESY.
Quem não a conhece precisa ficar sabendo!
Ela é também famosa por seu disco ao vivo com MICK TAYLOR, ex- guitarrista dos ROLLING STONES. “TOO HOT FOR THE SNAKES” é álbum onde o “HARD” e o “SOUTHERN ROCK” se imbricam de forma sensacional e pesada – como em vários discos solo da musa, lançados no decorrer dos tempos.
CARLA OLSON construiu e mantém carreira sólida. É pauleira brava! E nada fica a dever aos grandes do pedaço. Ela e GENE CLARK gravaram o COUNTRY e imprescindível “SO REBELIOUS A LOVER”, no final dos 1980, que levantou GENE e redirecionou a carreira dela.
Só como referência, os dois discos que GENE e CARLA gravaram juntos influenciaram as incursões de ROBERT PLANT & ALLISON KRAUSS; e BILLY JOE ( do GREEN DAY ) & NORA JONES. E não ficam abaixo artisticamente! A gente também escuta o eco de GENE CLARK em grupos como os COWBOYS JUNKIES.
Em maio de 1991, com vários problemas causados pelas drogas, e um câncer na garganta, GENE CLARK foi definitivamente em busca de GRAM PARSONS. Eu e muitos ficamos consternados por sua vida sofrida, talvez curta, mas completa em si mesma. É minha impressão que a História retomará a obra de GENE CLARK com mais vigor e zelo.
Enquanto isso, encontrem o álbum triplo, “COLLECTED”, postado no centro das fotos, que traz o melhor da produção dele, inclusive “demos recordings” e coisas inacabadas. Vale muito mais do que custa.
GENE CLARK é inigualável! Acreditem: GENE é um gênio!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\01\2022
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AMERICAN BLUES ROCK – PAIXÃO DE MUITOS!

Um dia desses, acordei com o ATLÂNTICO, o meu vizinho mais poderoso, tão lânguido e preguiçoso que logo intuÍ: é o calor!
Não tem jeito! Nem o ZELÃO e família apareceram para dar um alô! Ah, para os que não sabem, o ZELÃO é um imenso URUBU que faz “SPA” no patamar da janela do apartamento.
Acho que ele fica lá cantando “ALL ALONG THE WATCH TOWER”, do JIMI HENDRIX, esperando pra ver se aparece algum peixe pra “caçar”! E todo dia aparecem vários…
Então, fui dar um passeio pela discoteca e lembrei que aprecio – e muito! – o BLUES ROCK! Oh yes, crazy people! Nos 1960/1970, foi moda forte. Boa parte dos rockers que conheci e convivi curtiam e curtem esta inevitável fusão de estilos.
Os ídolos de meus, ooopppsss, nossos ídolos eram, basicamente, gente do BLUES. E boa parte de quem foi jovem do final dos anos 1950 em diante, na Inglaterra principalmente, estava sintonizada em R&B, ROCK AND ROLL e BLUES.
Porém, a maioria dos cantores e músicos do BLUES ORIGINAL jamais aceitou que ERIC CLAPTON, STEVE MILLER, ALLMAN BROTHERS e a turma aqui postada, fizesse o autêntico BLUES. E prevaleceu – para o meu encanto e o de legião imensa – o BLUES ROCK, sua eletricidade e energia!
No Brasil, quem curte um som mais pesado sempre gostou. E dos 1970 em diante, a plateia se dividiu entre os que apreciavam o HARD ROCK, o PROGRESSIVO e o nascente HEAVY METAL.
Então, vamos à FUSÃO criativa em goles, servidos em “frascos” que mantenho na discoteca:
PAUL BUTTERFIELD BLUES BAND é seminal. Aqui, o primeiro álbum gravado em 1965. Nas guitarras estão MIKE BLOOMENFIELD e ELVIN BISHOP. Está bom para começar?
Certamente!
E que tal ícones da guitarra como STEVIE RAY VAUGHAN, JOHNNY WINTER e ALLMAN BROTHERS BAND? Sim, com DUANE ALLMAN e DICKEY BETTS voando alto!!!
Há, também, ROY BUCHANAN, em show deslumbrante. O único pecado venial no disco dele é o vocalista sem inspiração, que não acompanha a performance da banda – espetacular!
Desenterrei da prateleira o LONNIE MACK, ídolo do próprio STEVIE RAY, com quem faz dupla arrasadora nesse disco da cult ALLIGATOR RECORDS!
E, por que não a explêndida “Fusion’ JAZZ/BLUES/ROCK do GOV´T MULE? WARREN HAYNES, o guitarrista, foi quem substituiu DUANE ALLMAN nos A.B.B! Estão em mesmo nível técnico e artístico.
Vamos saltar para a expressiva e veterana BONNIE RAITT, referência entre as mulheres no BLUES contemporâneo; e instigante como sempre!
Passo à frente na estante, e dou de cara com a irrequieta e cult CARLA OLSON, que veio do PUNK, e tem voz e potência para arrasar quarteirões.
Ela gravou disco fundamental de COUNTRY – ROCK , com o ex – BYRDS GENE CLARK. E este outro em parceria ao vivo com MICK TAYLOR, ex- ROLLING STONES. É diversão e currículo avançado para quem fizer “mestrado” em ROCK’ N’ ROLL!
BOB SEGER, surgiu na tela. Vocês se recordam? Em minha opinião, o BRUCE SPRINGSTEEN aprendeu com ele a ser um ROCKER AMERICANO autêntico – quer dizer algo “loser”…
SEGER, é branco de sua voz negra, e retrata cantando com o vigor das profundezas da alma em “BACK IN 72”.
É um álbum escandalosamente bem feito, acompanhado pela nata dos músicos de estúdios do sul dos EUA, a MUSCLE SHOALS BAND! Uma vereda entre o R&B e o BLUES ROCK na veia!!!
Aliás, esse disco é um dos prediletos do TIO SÉRGIO no gênero. Está comigo faz mais de meio século!
E que tal outros veteranos craques:
BARRY GOLDBERG & BLUES BAND trazendo, CHARLIE MUSSELWHITE na harmônica; e HARVEY MANDEL, na guitarra. É disco raro gravado em 1966.
Vocês já ouviram a SY KLOOPS BLUES BAND?
Mas TIO SÉRGIO, what porra it’s this?
É o velho STEVIE MILLER com pseudônimo, em disco de gente grande lançado em 1994, com as participações de NEAL SCHON, estrela da guitarra, e o prestigiado NORTON BUFFALO, na harmônica. Ouçam, é bem legal!
E aproveitemos para cruzar no caminho com GEORGE THOROGOOD & THE DESTROYERS, em seu melhor e mais divertido disco: HAIR CUT, de 1993! Em seguida, sair para encontrar o festeiro, rústico e alternativo THE RED DEVILS, fazendo show em boteco de periferia, em1992!
Pausar só um pouco faz bem. Enquanto isso, vou apresentar outro BLUES-ROCKER pra lá de CULT que, possivelmente, muitos já ouviram alguma coisa por aí, sem conhecer: JOHN CAMPBELL tem cara demoníaca, voz fortíssima, e é slide-guitarrista exímio. Eu já escutei em várias coletâneas e lugares “DEVIL IN MY CLOSET”, pedrada BLUESY certeira.
Procurem a turma toda pelaí;
The ROCK goes on, forever!
INDEED!
POSTAGEM ORIGINAL: 30\01\2021
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BIG JOE TURNER – “O” BLUES SINGER!

BIG JOE TURNER – “O” BLUES SINGER!
Como dizem na Alemanha e na Áustria, BIG JOE TURNER É “DAS KARRALHAS”. Eu juro! Ele era de KANSAS CITY, onde a confluência simbiótica entre o BLUES e o JAZZ foi desenvolvida.
E, de lá foi pro mundo, cruzou com COUNT BASIE, cantou e serviu em bares e salões até ser descoberto como outros e outras – muitos outros e muitas outras ! -, por JOHN HAMMOND, grande produtor, que o levou para NOVA YORK.
Os fatos confirmam a existência do mito: BIG JOE botava todo o mundo pra dançar. Fez à perfeição a virada do BOOGIE-WOOGIE para o RHYTHM’N’ BLUES, e dai para o nascente ROCK AND ROLL”. Ele era e sempre será ídolo da geração que singrou dos anos 1950 em diante.
TURNER compôs e gravou muito. É cantor excelente, original, e autor de clássicos sempre regravados:”SWEET SIXTEEN”, “SHAKE, RATTLE and ROLL” , entre vários. E a parceria dele por décadas com o pianista PETE JOHNSON é antológica.
A coletânea dupla aqui mostrada colige a fase áurea na ATLANTIC RECORDS, entre 1950-1959. É o fino do “R&B-BLUES-ROCK AND ROLL”, em simbiose perfeita. O nome das gravações, e os músicos que acompanharam JOE TURNER, eu nem vou citar. Mas você deve pesquisar, porque estelar; solar; é cósmica!
O disco “SINGING THE BLUES”, de 1967, é o BLUES-ROCK moderno burilado por um BLUESMAN clássico, e ainda em excelente forma.
E, como todo super craque do R&B e do ROCK AND ROLL, teve discos lançados pela “BEAR FApMILY RECORDS”, a gravadora boutique alemã, especializada naqueles tempos. Da série ROCKS, este CD sofisticadíssimo abrangendo de “1944 a 1959”, o supra sumo de sua gloriosa carreira.
Qualquer coisa que se pense, ou discos que se tenha ou cite, é insuficiente frente à enormidade do talento, carreira e voz de TURNER!
Percam-se no BLUES. Mas, não percam BIG JOE TURNER. Porque ele é mesmo um BLUES SHOUTER das KARRALHAS!!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 18\01\2024
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ARVO PART E AS FRONTEIRAS DA MODERNIDADE

Sempre a curiosidade. A inimiga da monotonia e da repetição, mas desafiadora do bom senso e da autocontenção.
Caçando discos no MERCADO LIVRE, pois o CORREIO cassara minha tranquilidade, porque eu sempre fora previamente avisado da chegada de meus … humm… “stuffs”… e, agora não mais… OOOPS…, parece que voltaram a notificar…
Mas, já aconteceu do “MAIL NACIONAL” devolver Europa adentro as compras que fiz. Fiquei surpreso e indignado, mas adequei-me ao novo método da estatal, que mescla vagabundagem com economia porca em prejuízo da clientela. Paciência sem resignação; mas, fazer o quê?
Então, fiz.
Procurando alguns itens de JAZZ e MÚSICA MAIS SOFISTICADA, tentei encontrar discos da GRAVADORA ECM. Achei vários; e nada baratos. Ouvi apenas um deles, que juntei à foto na expectativa de um possível mix “artístico conceitual” para um comentário.

Sei lá se consegui…E aqui vai a falta de

ARVO PART” E AS FRONTEIRAS DA MODERNIDADE
Sempre a curiosidade. A inimiga da monotonia e da repetição, mas desafiadora do bom senso e da auto-contenção.
Caçando discos no MERCADO LIVRE, pois o CORREIO cassara minha tranquilidade, porque eu sempre fora previamente avisado da chegada de meus … humm… “stuffs”… e, agora não mais… OOOPS…, parece que voltaram a notificar…
Mas, já aconteceu do “MAIL NACIONAL” devolver Europa adentro as compras que fiz. Fiquei surpreso e indignado, mas adequei-me ao novo método da estatal, que mescla vagabundagem com economia porca em prejuízo da clientela. Paciência sem resignação; mas, fazer o quê?
Então, fiz.
Procurando alguns itens de JAZZ e MÚSICA MAIS SOFISTICADA, tentei encontrar discos da GRAVADORA ECM. Achei vários; e nada baratos. Ouvi apenas um deles, que juntei à foto na expectativa de um possível mix artístico-conceitual para um comentário.
Sei lá se consegui…E aqui vai a falta de auto-contenção.
A ECM tem uma série de CLÁSSICOS MODERNOS buscados nas fronteiras da música ocidental. E, como sempre, em nível máximo.
A enorme fama do estoniano ARVO PART foi levantada por MANFRED EICHER e sua turma, que lançou incontáveis obras do, hoje, mais executado compositor contemporâneo.
PART começou “SERIAL – DODECAFÔNICO” e foi nada sutilmente “analisado” por um “COMISSÁRIO-CRÍTICO-CULTURAL” da próspera e desenvolvida Estônia dos anos 1950: A obra dele foi incluída no “Index” como “ocidental e decadente”. E teve a carreira retardada por aquela gente aberta e progressista…
Em 1980, desentendeu-se de vez com os soviéticos e o governo. Então, saiu do país, instalou-se na SUÍÇA, e de lá foi para o mundo. Ele é cristão e sua arte exala isto…
A música de ARVO PART não é nacionalista; não se fixou no folclore e raízes de seu país. Ele faz MÚSICA ATEMPORAL, um arco incandescente unindo ideias do presente, passado e o “do futuro”, também!
ARVO foi inspirado pela MÚSICA RENASCENTISTA e o CANTO GREGORIANO. E construiu dentro do MINIMALISMO um estilo que batizou de “TINTINABULI” – algo como “o soar dos sinos”…
Ele trabalha na linha de PHILLIP GLASS, STEVE REICH e GÓRECKI, compositores criativos contemporâneos.
A música de ARVO PART é uma “hipnótica espiral descendente” cuidadosamente construída – se me faço compreender. É de beleza total!
Procurem o disco “TABULA RASA”, lançado pela ECM, em 1984. Escutem a versão com o violinista GIDON KREMER e dois outros músicos. Lá você verá o que é, e como se toca e “aplica” um “PIANO PREPARADO”. Emocionante!
Falando de fronteiras e religiosidade; e de estar só num mundo isolado e limítrofe com outras culturas, vamos a um achado instigante e único:
A ARMÊNIA FOI O PRIMEIRO “ESTADO” QUE ADOTOU O CRISTIANISMO COMO RELIGIÃO. Foi no ANO DE 304!
E os armênios foram os primeiros a construir uma linguagem de notações musicais! É isso aí, caras! Há composições do século X que sobreviveram e são executadas até hoje, porque escritas, notadas!
É um povo profundamente religioso, mas isolado dos países cristãos, e muito perto dos muçulmanos. Estão na fronteira cultural OCIDENTE-ORIENTE.
A MÚSICA CLÁSSICA deles abarca elementos de CANTOS GREGORIANOS, e se combina aos folclores local e dos vizinhos. O resultado é sonoridade exótica, e muito particular.
Aqui há dois discos que exploram exatamente isso, lançados pela excepcional gravadora “CELESTIAL HARMONIES”.
E também há outro da ECM, com música do armênio TIGRAN MANSURIAN, gravada pelo ARMENIAN CHAMBER CHOIR cantando poemas desse compatriota moderno.
Aliás, é outro disco que comprei porque não estava caro. Escuta-lo fez – me pensar, e remeteu-me à IMENSA RIQUEZA QUE O MULTICULTURALISMO oferece, em oposição ao nacionalismo rústico e impeditivo.
OOOPPPSSS…. enquanto revisava o texto para republicação, janeiro de 2025, o TRUMP retornava à Presidência no HOSPÍCIO DO NORTE, vomitando fel e fogo contra o mundo: Ridículo, antipático e contraproducente.
Em fevereiro de 2020, assisti pela TV a um concerto gravado na Espanha com o maestro sul-coreano “MYUNG – WHUN CHUNG” regendo a “ACADEMIA NAZIONALE DE SANTA CECILIA” (italiana), e tocando adivinhem quem?
ARVO PART.
Somatória multicultural magnífica e instigante! Tchau, OGRO DONALD!
TIO SÉRGIO recomenda efusivamente os discos aqui postados!

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A ECM tem uma série de CLÁSSICOS MODERNOS buscados nas fronteiras da música ocidental. E, como sempre, em nível máximo.
A enorme fama do estoniano ARVO PART foi levantada por MANFRED EICHER e sua turma, que lançou incontáveis obras do, hoje, mais executado compositor contemporâneo.
PART começou “SERIAL – DODECAFÔNICO” e foi nada sutilmente “analisado” por um “COMISSÁRIO-CRÍTICO-CULTURAL” da próspera e desenvolvida Estônia dos anos 1950: A obra dele foi incluída no “Index” como “ocidental e decadente”. E teve a carreira retardada por aquela gente aberta e progressista…
Em 1980, desentendeu-se de vez com os soviéticos e o governo. Então, saiu do país, instalou-se na SUÍÇA, e de lá foi para o mundo. Ele é cristão e sua arte exala isto…
A música de ARVO PART não é nacionalista; não se fixou no folclore e raízes de seu país. Ele faz MÚSICA ATEMPORAL, um arco incandescente unindo ideias do presente, passado e o “do futuro”, também!
ARVO foi inspirado pela MÚSICA RENASCENTISTA e o CANTO GREGORIANO. E construiu dentro do MINIMALISMO um estilo que batizou de “TINTINABULI” – algo como “o soar dos sinos”…
Ele trabalha na linha de PHILLIP GLASS, STEVE REICH e GÓRECKI, compositores criativos contemporâneos.
A música de ARVO PART é uma “hipnótica espiral descendente” cuidadosamente construída – se me faço compreender. É de beleza total!
Procurem o disco “TABULA RASA”, lançado pela ECM, em 1984. Escutem a versão com o violinista GIDON KREMER e dois outros músicos. Lá você verá o que é, e como se toca e “aplica” um “PIANO PREPARADO”. Emocionante!
Falando de fronteiras e religiosidade; e de estar só num mundo isolado e limítrofe com outras culturas, vamos a um achado instigante e único:
A ARMÊNIA FOI O PRIMEIRO “ESTADO” QUE ADOTOU O CRISTIANISMO COMO RELIGIÃO. Foi no ANO DE 304!
E os armênios foram os primeiros a construir uma linguagem de notações musicais! É isso aí, caras! Há composições do século X que sobreviveram e são executadas até hoje, porque escritas, notadas!
É um povo profundamente religioso, mas isolado dos países cristãos, e muito perto dos muçulmanos. Estão na fronteira cultural OCIDENTE-ORIENTE.
A MÚSICA CLÁSSICA deles abarca elementos de CANTOS GREGORIANOS, e se combina aos folclores local e dos vizinhos. O resultado é sonoridade exótica, e muito particular.
Aqui há dois discos que exploram exatamente isso, lançados pela excepcional gravadora “CELESTIAL HARMONIES”.
E também há outro da ECM, com música do armênio TIGRAN MANSURIAN, gravada pelo ARMENIAN CHAMBER CHOIR cantando poemas desse compatriota moderno.
Aliás, é outro disco que comprei porque não estava caro. Escuta-lo fez – me pensar, e remeteu-me à IMENSA RIQUEZA QUE O MULTICULTURALISMO oferece, em oposição ao nacionalismo rústico e impeditivo.
OOOPPPSSS…. enquanto revisava o texto para republicação, janeiro de 2025, o TRUMP retornava à Presidência no HOSPÍCIO DO NORTE, vomitando fel e fogo contra o mundo: Ridículo, antipático e contraproducente.
Em fevereiro de 2020, assisti pela TV a um concerto gravado na Espanha com o maestro sul-coreano “MYUNG – WHUN CHUNG” regendo a “ACADEMIA NAZIONALE DE SANTA CECILIA” (italiana), e tocando adivinhem quem?
ARVO PART.
Somatória multicultural magnífica e instigante! Tchau, OGRO DONALD!
TIO SÉRGIO recomenda efusivamente os discos aqui postados!
POSTAGEM ORIGINAL: 23\01\2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

ACEITO DISCOS DE VINIL OU CDS : RECICLO AS TUAS TRALHAS

SABE AQUELAS PORCARIAS ANTIGAS FEITAS NOS ANOS 1950,1960 E 1970, 1980, E QUE O TEU PAI, TEU NAMORADO, TUA MÃE, E TIA ODIAVAM?
ACEITO, TAMBÉM, VELHARIAS EM DISCOS DE 78 ROTAÇÕES. E MELHOR AINDA SE TIVEREM SIDO GRAVADAS POR GENTE ESTRANHA E POBRE. SEI LÁ, TEM UM MONTE: ONDE JÁ SE VIU ALGUÉM CHAMAR “BIG JOE TURNER”, “LEADBELLY”, “SONNY BOY WILLIANSOM”, “ROBERT JOHNSON”, “B.B.KING”? É LIXO QUE TAMBÉM RECICLO.
E AQUELA COISA HORROROSA, JAZ, DE JAZER? OU SERÁ JAZZ? TAMBÉM FAÇO UM SACRIFÍCIO. EU RETIRO E MANDO PRA RECICLAGEM. MÚSICA DE PEDRA (ROCK, ACHO) EU TAMBÉM TE LIVRO DO PROBLEMA. E SE FOREM AQUELES DISQUINHOS PEQUENOS, IMPRESTÁVEIS QUE, PRA PIORAR, TÊM FOTO DO ARTISTA OU DA BANDA NA CAPA. SÃO BAGULHOS CHAMADOS COMPACTOS, SINGLES, ESSA ESTROVENGA TODA. E SE FOR GENTE FEIA E CABELUDA EU DOU CABO PARA VOCÊ MAIS RÁPIDO AINDA! E QUANDO EMPUNHAM UMA GUITARRA FICA MAIS FÁCIL AINDA!
E SE NO MONTURO HOUVER ALGUM PRETO OU PRETA, GENTE DE COMUNIDADE, SABE, COM NOME ESTRANHO DO TIPO “CARTOLA”, “MONARCO”, OU “WALTER ALFAIATE ( QUE APELIDO RIDÍCULO!!! ), INCLUSIVE AQUELE MONTE DE CARIOCAS E BAIANOS QUE SÓ JAPONÊS GOSTA – E VAI SABER O PORQUÊ?!? – EU TAMBÉM RETIRO E DEPOIS VEJO O QUE FAÇO.
MINHA MULHER DEIXOU EU CONSTRUIR UM DEPÓSITO PARA ESSAS COISAS EM NOSSO APARTAMENTO. DAQUI UNS TRINTA ANOS, DEPOIS DE TODO O CHORUME TER SIDO ESCORRIDO, TALVEZ EU DOE PRA ALGUM ESQUISITO E DESAVISADO.
ENTÃO, QUALQUER COISA TRATAR COM O INTRATÁVEL AQUI. E NÃO CHAMEM ANTES OUTROS CARAS POR AÍ, TÁ?
OBRIGADO?
É; EU SOU OBRIGADO A TE LIVRAR DISSO. QUESTÃO DE SOLIDARIEDADE!
POSTAGEM ORIGINAL: 27\01\2024
Pode ser uma imagem de 5 pessoas, banca de jornais e texto

COMPOSIÇÕES CLÁSSICAS MODERNAS E CONTEMPORÂNEAS EM DISCOS MEMORÁVEIS.

TIO SÉRGIO começa por uma interessante discussão que assola o universo da “MÚSICA ERUDITA” há decadas.
No mundo quase inteiro, à exceção do BRASIL e ARGENTINA, e talvez uns poucos países mais, usa-se a expressão MÚSICA CLÁSSICA para definir o que não é MÚSICA POPULAR, “POP”e seja MPB, JAZZ, ROCK, BLUES, WORLD MUSIC, e etc…
Para comprovar, observem as publicações alemãs, americanas e inglesas, especializadas em “MÚSICA DE CONCERTO”: todas usam a expressão “CLASSICAL MUSIC”.
Isto seria o correto? Com quem está a razão? Os dois lados têm argumentos de sobra para justificar suas opções.
Muitos dizem que MÚSICA CLÁSSICA SE REFERE AO “PERÍODO CLÁSSICO” DA MÚSICA ERUDITA.
Eu discordo. Afinal, alí falamos do “PERÍODO CLÁSSICO” do não-POP, e não da MÚSICA CLÁSSICA como designação genérica para “MUSICA NÃO POP”.
O amigo Rodrigo Marques Nogueira, quase me convenceu a deixar tal convicção. Ele argumenta, como todos, que é MÚSICA ERUDITA, em contraponto a MÚSICA POPULAR.
Para complicar, muita música hoje classificada como ERUDITA era , simplesmente, música popular, quando composta. Lembre-se do nosso adorado padreco, o VIVALDI!
Enfim…
Eu não decidi, portanto, continuo incorrendo teimosamente “no erro” – quem sabe não tão errado – e chamando “MÚSICA CLÁSSICA” de “MÚSICA CLÁSSICA”. Então, postei os discos como “CLÁSSICOS MODERNOS e CONTEMPORÂNEOS”.
Quer dizer, Pierre Mignac e amigos variados, eu sou CACHORRO VELHO, e acho que não aprendi nada! E, como faz parte das minhas predileções, pesquei coisas na discoteca tangenciando, ou derivadas do ROCK:
PHILLIP GLASS, maravilhoso compositor minimalista, transformou os temas de três discos de ‘DAVID BOWIE e BRIAN ENO”, na fase Berlim, em obras “CLÁSSICAS CONTEMPORÂNEAS’:
“HEROES”, “LOW” e “LODGER” eram espetaculares como discos de ROCK. Mas tornaram-se maravilhosos em composições “CLÁSSICAS”.
Há também, “GLEHN BRANCA”, compositor americano, inspiração e professor dos integrantes do grupo de ROCK ALTERNATIVO “SONIC YOUTH”. Sei lá, mas o que ele propõe com as guitarras é no mínimo “REVOLUCIONANTE”. Vai além do SONIC. E deve ser apreciado.
Talvez, o pioneiro dessa turma toda, TERRY RILLEY, e sua composição “IN C”, sejam o marco inicial do “CLÁSSICO QUASE ROCK.”
Mas TIO SÉRGIO, dá pra gostar ?
Perguntem ao Claudio Finzi FoáGerson Périco. Eu e eles achamos que é pra adorar! O que não dá é pra não ter…
Quando olharem o CD do MAESTRO “LEOPOLD STOKOWSKI” não foquem em CARMINA BURANA. Mas, em “A PAGAN POEM”, do compositor americano “CHARLES MARTIN LOEFFLER”, gravada em 1958. É moderna, sem ser experimental, e o tratamento do maestro “LEOPOLD STOKOWSKI” à orquestração e ao clima exalado pela obra é sensacional!
É sutil, romântico e solitário, e tudo simultaneamente: um “CLÁSSICO DE VANGUARDA CONSERVADORA CONTEMPORÂNEA”?
Seria? Existiria? Tio SÉRGIO, que não é lá essas coisas, sempre volta a esse disco. Tente você, uma vez ao menos….
Há por aqui, ‘ANDRE PREVIN” executando “RHAPSODY IN BLUE” de “GERSHWIN”. Esta é a melhor gravação que ouvi da obra! O alcance do clarinete na introdução é espetáculo à parte! A força e a sonoridade com que a orquestra “toma” a cena é inesquecível.
Curiosamente, eu a tive em vinil quando lançada, no início dos anos 1980. Foi editado em 45RPM. Não ouvi gravação em digital com tanto impacto!!!! Colossal!!! IMPERDÍVEL!!!
No mais, outros nada óbvios, de “KRONOS QUARTET” a “ARVO PART”, passando por “RAUTAVAARA” – um finlandês melódico e bucólico. E há “LIGETI’, ‘NONO” e “PIERRE BOULEZ’. E obras pianísticas de “ERIC SATIE”, com o pianista japonês “RIRI SHIMADA”.
E, claro, não esqueci STOCKHAUSEN para inspirar a turma da MÚSICA ELETRÔNICA, e outros babados influentes no POP contemporâneo. Procurem, também, a nossa gênio solitária, ainda viva e lúcida, “JOCY DE OLIVEIRA”, amiga de STRAVINSKY e de STOCKHAUSEN, que interveio nesse guisado, no final dos 1950, início dos 1960!
A obra da professora foi a primeira exibição de MÚSICA ELETROACÚSTICA em qualquer palco brasileiro! E foi regida no TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, por três dias seguidos, em 1961! “APAGUE MEU SPOTLIGHT” foi sucesso enorme, histórico, e depois encenado mundo afora….
Eu tive disco do “KARLHEINZ” ( para os íntimos…) na década de 1970. Comprei na excepcional loja BRENO ROSSI, por indicação de um “fogoso senhor”, que buscava discos do meu lado, na loja…
Levei uma cantada e revidei com um olhar “PÁSSARO DE FOGO”!!!! – para não esquecer “STRAVINSKY”, outro MODERNO CONSERVADOR…
O proponente sumiu na hora. E o TIO SÉRGIO foi tomar chopes na esquina da IPIRANGA COM A AVENIDA SÃO JOÃO….
Coisas de SAMPA, não é CAETANO VELOSO!
Recomendo tudo e todos; polêmicas incluídas!
POSTAGEM ORIGINAL: 26\01\2018
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TOM RAPP & PEARLS BEFORE SWINE – CULTS E DESCONHECIDOS!

Depois de uma audiência, o advogado da parte contrária perguntou:
“Peraí, você é o TOM RAPP, do “PEARLS BEFORE SWINE”?” E a resposta: “Sou, sim”!
E o advogado: “Meu Deus, mas que honra! Você foi um dos meus ídolos, na juventude!”
A conversa espalhou-se e um “sumido” da história do POP foi redescoberto em sua reconfiguração!
Em 1977, já de saco cheio, e depois de um show abrindo para PATTY SMITH, TOM RAPP encerrou a vida artística.
Havia gravado sete discos; e ele calculava que não havia ganhado $ 200 ( duzentos dólares ), uns R$ 1.100,00 MANDACARUS com eles em mais de dez anos de carreira!!!!
Foi roubado várias vezes. O seu primeiro álbum para a pequena e cult ESP-DISK, vendeu 200 mil cópias! E ele não recebeu um centavo! E nem do segundo que fez por lá! A indústria da música tem antros e desvãos!!!! Em parte, sempre foi administrada por bandidos comuns e mafiosos…. Oi, TOMMY JAMES & THE SHONDELLS, viveram isso?
TOM RAPP contou, rindo, que na juventude, ficou na frente de um certo ROBERT ZIMMERMAN em concurso de poesias!
Ele era poeta e letrista que construía imagens fortes. E letras possíveis de visualizar os personagens, enredos, etc…
Quando surgiu em 1967, o VILLAGE VOICE, jornal underground de Nova York, escreveu sobre “ONE NATION UNDERGROUND”, o primeiro disco do “PÉROLAS PARAPORCOS” …OOOPS! “PEARLS BEFORE SWINE”, que TOM RAPP seria CULT por causa de seu jeito de “poetar” e a qualidade de suas músicas! E acertou!
As capas dos dois álbuns na ESP-DISK são reproduções de obras de arte inquietantes:
Em “ONE NATION UNDERGROUND”, 1967, está a pintura de HIERONYMUS BOSH, “GARDEN OF DELIGHTS”, absurdamente vanguarda para o século XVII! E, “BALAKLAVA”, 1968, traz “O TRIUNFO DA MORTE”, de BRUEGEL.
São pinturas “psicodelicamente aterrorizantes”! E, de certa maneira, expressam os medos e horrores do mundo em metáforas transposta para meados da década do 1960!
Para simplificar, TOM RAPP teve duas fases mais ou menos consequentes, e com certas diferenças de tom.
Começou nitidamente “FOLK – PSICODÉLICO”. Tem pontos experimentais, e algum RAGA-ROCK. Depois, rumou para o COUNTRY-ROCK de maneira algo esquiva, mas clara. Melodicamente soa, vez por outra, como o LOVE. No entanto, há quê de DONOVAN, e muito de DYLAN. Existe algo distinguível do próprio TOM que é, sim, um verdadeiro estilista!
Está lá música muito criativa que deu encrenca. Mas só os chatos que compreendem a linguagem dos “telégrafos” perceberam. MISS MORSE tem acompanhamento feito por um telégrafo que “transmite” obscenidades! Ideia, muito interessante, convenhamos!
O famoso D.J. das rádios daqueles tempos, MURRAY THE K, teve problemas com a polícia por causa disso. Ele também não sabia o quê estava tocando no programa dele…
O PEARLS BEFORE SWINE gravou belas, darks e tristes melodias. A coletânea que postei, “CONSTRUCTIVE MELANCHOLY”, é título preciso e primoroso. Descreve o que há dentro do disco. E abrange a discografia da segunda fase de TOM RAPP. Ouça, em qualquer formato “THE JEWELER”: canção linda, elaborada, emocionante, descritiva e quase visual. É profundamente melancólica!
A maioria dos cinco LPs, lançados pela REPRISE, na década de 1970, foram gravados em NASHVILLE, com músicos de alto nível que deram aos discos um standard de qualidade.
TOM “anasala” sutilmente o cantar, emulando DYLAN e quase todos que pularam para o COUNTRY, e o COUNTRY ROCK.
Os discos não venderam; só pra variar… o gás acabou, e TOM RAPP mudou de vida.
Voltou a estudar, formou-se em economia, depois em direito e tornou-se advogado de “direitos humanos”, defendendo militantes e outros marginalizados pelo sistema. Ayrton Mugnaini Jr.
A vida profissional posterior de TOM RAPP, manteve a coerência de suas posições artísticas. Vez por outra, apresentou-se em alguns festivais, e influencia gente como DAMON & NAOMI, do GALAXIE 500, e um punha dão de artistas não convencionais.
O “PEARLS BEFORE SWINE” é velho favorito do TIO SÉRGIO. Comprei os dois primeiros discos em edições originais, na ERIC DISCOS, talvez início dos 1980. Hoje, eu tenho edições especiais em CDS.
TOM RAPP assumiu atitude corajosa que admiro profundamente. Ele soube parar, quando concluiu que era o melhor a fazer.
Não julgo fracassados os que desistem. Uma carreira é muito mais do que ganhar muita grana, “dar certo”, essas coisas prestigiadas acriticamente pelo mundo em geral.
TOM RAPP desenhou sua carreira e a levou enquanto achou que deveria – ou pôde. Compôs canções colecionáveis, excepcionais, apreciáveis e densas. E morreu em 2018 de câncer.
Parar pode ser um modo de estar para um jeito de ser! É um direito, e não um fracasso.
TOM RAPP não será esquecido! É CULT de verdade!
POSTAGEM ORIGINAL: 21\01\2021
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ELIS REGINA: MEMÓRIAS DE 40 ANOS SEM ELA. E DE UM SHOW INESQUECÍVEL

Memórias a gente escava como em buscas arqueológicas. VaI-SE fundo, porém atenta e cuidadosamente. Elas nunca são nítidas, e muito menos ressurgem completas. Mas vez por outra, recupera-se algum objeto encoberto pelo esquecimento, e perdido sob escombros.
Não costumo escrever sobre o que não domino com certa proficiência. Não sou crítico ou pesquisador de MPB. Tento, apenas, realçar memórias para mim mesmo. Eu gosto de música, e por isso ouvi a ELIS REGINA em vários contextos. Aliás, muita e muita gente, também.
Eu recordo um show que assisti, acho que no TEATRO PARAMOUNT, em SAMPA. Provavelmente, em 1966/1967. Eu e meu “amigoprimo” BETÃO GARINI ganhamos ingressos, talvez de nossos tios JULIANO ou ABRAMO GARINI, ambos músicos profissionais.
Foi evento exclusivo, penso, promovido pela ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL. Estavam lá os que faziam sucesso, e os artistas em ascensão.
Foi evento ecumênico: gente da MPB de tudo o que era jeito: BOSSA NOVA, BREGAS e SAMBISTAS; e o pessoal da TROPICÁLIA e da JOVEM GUARDA. Todos revezando aparentemente sem ordem mais explícita. Tocavam ou cantavam uma ou duas músicas, “AND THE SHOW GOES ON”…
Claro, eu tinha uns 14 anos, se tanto… e meu negócio era o POP/ROCK internacional, universo que me fascinava desde a infância.
Lembro pouco. Uma das bandas que se apresentou foi THE REBELS, instrumental SURF/BEAT, na linha dos SHADOWS, dos VENTURES, e dos JORDANS – também brasileiros. Eram razoáveis. E, quase com certeza, estiveram lá MARTINHA, WANDERLEIA, DEMÉTRIUS (não, não o MAGNOLLI…) ANTONIO MARCOS, e gente da JOVEM GUARDA…
Houve a turma do samba: MOREIRA DA SILVA, e GERMANO MATHIAS eu lembro bem; e alguns bregas irremissíveis, como RINALDO CALHEIROS e SILVANA. E gente flanando entre o auge e a decadência. Todos conhecidos.
Fiquei impressionado com uma garota muito jovem, tremendamente expressiva, e de voz enorme que atravessava o meu estômago e batia contra a muralha de toda a plateia: era MARIA BETHANIA! Cantou CARCARÁ seu incrível, contestatário e enorme sucesso presente em todas as rádios do país!
BETHANIA está entre as performances mais esfuziantes e inesquecíveis que assisti em toda a minha vida! Não era e não é minha praia; mas era impossível não admirar o talento abundante e agressivo, aplicado com a força de um BOTICÃO arrancando um molar…
Certa vez, ouvi no rádio um quase obituário exposto pelo PROFESSOR PASQUALE e JOÃO MARCELO BÔSCOLI, filho da ELIS.
O mestre é onipresente lutador para que a gente aprenda melhor o português. E imediatamente rememorei que a ELIS REGINA também estivera naquele SHOW. Apareceu cristalina dentro da minha cabeça. E o TIO SÉRGIO aqui a reviu no palco!!!
Por muito tempo, eu não a compreendi adequadamente. Achava que a potente, enorme e bela extensão vocal de ELIS REGINA era utilizada de forma explícita demais.
No entanto, fui percebendo que era isso mesmo que tinha de ter sido feito: ora, se ARETHA FRANKLIN podia, por que não ELIS?
Duas cantoras populares, com imensos atributos explorados e produzidos para se destacarem. Elas sempre me impressionaram! Impuseram-se !
Eu gosto muito dos LONG PLAYS de ELIS com JAIR RODRIGUES, acompanhados pelo JONGO TRIO. Os discos foram batizados DOIS NA BOSSA, volumes 1,2, e 3. Aprecio, mais ainda, o espetacular e imprescindível “O FINO DO FINO”, com o ZIMBO TRIO, de 1965!
São quatro shows da melhor fusão SAMBA/JAZZ expandidos ao estado da arte! É onde a versatilidade vocal e interpretativa de ELIS REGINA se realça!
A imensa discografia e repertório de ELIS descobre e desvenda a tradição e a modernidade crescente da MPB. Ela deu oportunidade ou revelou craques como GILBERTO GIL, MILTON NASCIMENTO, CHICO BUARQUE, BELCHIOR, ALDIR BLANC.. e tantos e muitos mais.
“Reesculpiu”, inclusive, a música de ADONIRAN BARBOSA, gênio único da velha guarda, artista culturalmente relevante, e em plena forma estética. A trajetória de ELIS se refina com a maturidade. Que o diga o clássico e cult imprescindível ELIS & TOM (JOBIM, claro!), gravado em 1974!
Na transversal do tempo, ELIS foi cantando cada vez melhor! Aperfeiçoou a emissão da voz, conteve exageros e explicitudes algo teatrais. E se tornou paulatinamente mais moderna e atualizada.
A discografia de ELIS REGINA está composta por 6 discos ao vivo, 18 gravados em estúdio, e mais 6 discos póstumos. Há participação em outros projetos. E, seja como for, 30 discos para carreira de pouco mais de 20 anos é muita coisa!
O BOX aqui postado compreende os LONG PLAYS originais por ela gravados. São os 23 LPS de carreira e duas coletâneas exclusivas para esta coleção. Ficou fora ‘VIVA A BROTOLÂNDIA”, 1962, sua estreia fazendo algo tipo CELY CAMPELLO. É fora de foco. E não era a dela…
Artistas e todos os que viveram nas década de 1960 /1970, têm a sina e a glória de haver sofrido, ou participado, de transições políticas, comportamentais, artísticas e filosóficas. Momentos cruciais e excruciantes da humanidade.
ELIS REGINA da mesma forma que JIM MORRISON, JANIS JOPLIN e JIMI HENDRIX, para ficar nos maiorais seus contemporâneos, foi vítima de excessos, do trabalho insano, e da vida vertiginosa daqueles tempos dilacerantes.
Passaram todos pelo frigorífico existencial. Carnes açoitadas, moídas, e consumidas. Gente que teve muita vida potencial desperdiçada.
Para eles todos restou a glória dos mártires. Para nós, ficou o vácuo da perda precoce dos que ainda tinham muito para produzir e legar.
Lágrimas eternas e nada ocultas para ELIS. Ela merece; e nós precisamos!
POSTAGEM ORIGINAL: 20\01\2022
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VELHICE CHEGANDO, E UNS DISQUINHOS TOCANDO…

Banho de piscina e meditação.
Perscrutei um pouco, tomei outros goles e veio à cabeça o dilema. Céu ou inferno? Talvez, não. Quem sabe purgatório e reencarnação? Os deuses não gostam de infidelidade partidária. Escolhe o time, pô: ou cristão ou budista.
Discordo, claro. Acho que tenho o direito à dúvida, à especulação, a ser mais bem convencido, essas coisas…
No fundo, admiro os dois, Cristo e Buda. Os budistas são mais abrangentes: para eles, Cristo é um Buda. Faz todo o sentido, porque ambos são iluminados militantes e influentes.
Mas existe o lado prático. Hoje, pensei nos cristãos: céu, inferno, purgatório. Pelo meu passado, acho que nadar no caldeirão do capeta é menos provável. À parte rock´n´roll, uns copos a mais e algumas ranzinzices, faço parte da turma dos certinhos. Bom menino, bom velhão.
Ir para o céu direto? Difícil.
Primeiro, não agendei com o criador. Sei lá, entende; entre alguns deslizes, eu tinha estilingue e matei uns passarinhos desavisados, chutei a canela de um farmacêutico escalado para aplicar umas injeções na minha bunda, e puxei o rabo de cavalo da minha mulher pedindo cola numa prova, em 1969, antes de nos conhecermos, namorarmos, etc… – mas, isto já está prescrito. E paguei com a minha liberdade: casei com ela…
Sobrou o purgatório. Andei lendo a respeito e concluí que é administrado por funcionários públicos relapsos. Lá ninguém decide nada. O foguete para o infinito, entrar no paraíso, e outras possibilidades dependem de muitos vistos, entrevistas, horas marcadas que são adiadas, muita desconversa…
E descer para o tacho do demo, e sentar no colo de Asmodeu, também é complicado porque os burocratas não assumem a responsabilidade. Dá de queimar o desgraçado, daí Procom, reclamações nas Redes sociais, Datena… fica melhor não decidir.
Sem falar que o primeirão da fila é o TRUMP…
Na dúvida, eu permaneço por aqui. A cerveja continua gelada; tem gente deletéria presa, e uma lista enorme para se hospedar na Pensão Papuda, em BRASÍLIA – “uma estrela no guia Michelin” – que deve ser interessante ver chegar.
E tem a copa do mundo, também; uns discos legais sempre chegando e principalmente a minha mulher que não quer que eu vá – por enquanto.
Então, já que sou velhão – mas não sou velhaco – postei umas coisinhas que muito senhorzinho não gosta; papinha que velhinho não come, mas o TIO SÉRGIO vai devorando aos poucos.
Tentem.
POSTAGEM ORIGINAL: 19\01\2026
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CURT BOETTCHER – O SUPERDOTADO CRIATIVO DO “SUNSHINE POP”.

Lembrei-me de CURT olhando discos e tocando músicas que estão quase deixando de serem catalogadas como “OLDIES, para ingressarem no degrau abaixo da memória, e se tornarem “VINTAGE”.
Então, recorri a meus “ALFARRÁBIOS”, como a revista RECORD COLLECTOR, que fez enorme ensaio sobre ele, em 1998! E, obviamente, à minha discoteca.
BOETTCHER foi músico e produtor, atuou na DÉCADA DE 1960, em meio ao mais criativo ambiente musical americano daqueles tempos, a CALIFÓRNIA.
Para os que não sabem ou não se recordam, entre 1965 e 1970 houve explosão de estilos, grupos e propostas de todos os tipos que foram genericamente batizados por “FLOWER POWER”.
Perscrutando com mais detalhes, há três subgêneros mais ou menos definíveis, mesmo que totalmente interrelacionados: “GARAGE ROCK”, “PSICODELIA” e o agora conhecido por “SUNSHINE POP”. Na prática da época ,era “tudo junto ao mesmo tempo agora”.
CURT BOETTCHER foi mago da produção do chamado “SUNSHINE POP”. Era exímio “articulador de vozes”, principalmente. Os delicados arranjos MULTI-VOCAIS que fez e produziu levaram à parada de sucessos grupos como “THE ASSOCIATION” – que teve seu primeiro LP produzido por ele. E músicas como CHERISH estão entre as mais tocadas em todos os tempos, e permanecem no imaginário popular até hoje.
Aqui estão alguns discos em que ele cantava, além de orientar a produção geral. A característica de todos é a beleza melódica, o MULTI-CANTO afinado e quase etéreo, além de algumas transgressões criativas típicas do POP-ROCK PSICODÉLICO.
Se você gosta dos “MAMAS & THE PAPAS” ou “SPANKY AND OUR GANG”, vai adorar grupos como “SAGITARIOUS”, “ETERNITY CHILDREN”, ou “MILLENIUM”. Tio Sérgio garante: são discos lindíssimos!
CURT impressionou BRIAN WILSON, e produziu discos de outros membros dos BEACH BOYS. A turma ligada aos BYRDS também o admirava. E GARY USHER, o produtor da banda, coproduziu e lançou esses discos aqui pela Columbia.
Mas fizeram quase nenhum sucesso. Com exceção de MRs. BLUEBIRD, single magnífico dos ETERNITY’S CHILDREN, que entrou no fundo da parada norte-americana, em 1968, e que demorei mais de 30 anos para identificar, e conseguir o CD aqui postado!!!!
Mas, os tempos os tornaram cults e colecionáveis…
Você dirá: “What porra it´s that compacto simples na foto?” E Tio Sérgio explica: é uma pequena joia FOLK-PSICODÉLICA, lançada no Brasil, em 1967, pela ROZEMBLIT. Não aparece em nenhuma coletânea conhecida. Mas, foi uma das coisas produzidas por CURT BOETTCHER e por ele renegada, e agora sumida nos desvãos do tempo…
Vale procurar e ouvir o que CURT fez. Então, curtam o CURT!
POSTAGEM ORIGINAL: 19\01\2020
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