ELIZETH CARDOSO E ARACY DE ALMEIDA: O QUE TÊM EM COMUM DISCOS DESSAS GRANDES SENHORAS?

Sou gato de bibliotecas e discotecas. Ando por elas assediando -palavrinha da moda, heim ! – cheirando e apalpando bumbuns e outras partes de discos e livros; leio contracapas e orelhas; vou observando os designs gráficos, e os selos de gravadoras.
Tudo considerado, vou cumprindo um ritual que me fascina desde criança por coisas gravadas e impressas. Acho que gosto mais dos “objetos” , dos discos e e dos livros, do que da “escutação” ou das leituras.
Claro; é mais ou menos. Estou exagerando… Sou meio grávido de leituras e de músicas ouvidas . Muita coisa feita pela metade: “enxergação” de pequenas partes, e com pouco método. Assimilei muito através da sensibilidade – e estudando, também; ou por osmose e “gravidade” se imbricaram, se inculcaram, ou caíram sobre mim …
Colecionar é um hobby viciante. Não largo nem por ameaça ou porrada literalmente aplicada .
Dia incerto, eu andava atrás de cds lançados pela GRAVADORA ELENCO, na década de 1960. São fascinantes! Um acervo diferenciado, criado, gravado e produzido por ALOYSIO DE OLIVEIRA , que juntou patos e sapatos; jacarés e tigresas; a velha guarda e os modernos artistas da época.
Era uma gravadora BOUTIQUE refinada, como a BLUE NOTE e a VERVE, americanas; e exemplos magníficos.
Vagando pelo virtual cheguei em um disco lançado na ELENCO, em 1966, chamado “SAMBA É ARACY DE ALMEIDA”.
Muito interessante. ARACY era sambista da velha guarda. E, nesse disco gravou os compositores clássicos como NOEL ROSA, ASSIS VALENTE e ARY BARROSO. E, também, ARCOS VALLE, atualíssimo ainda hoje!
O diferencial é que ARACY está acompanhada pelo conjunto de ROBERTO MENESCAL. E a produção de ALOYSIO trouxe todo o repertório para o som contemporâneo da época do lançamento.
ARACY canta com leveza e descontração. O resultado é BOSSA NOVA de verdade.!
Inspirado nela escutei, também, o “CULT” “CANÇÃO DO AMOR DEMAIS”, de ELIZETH CARDOSO, lançado em 1958, e por muitos considerado o primeiro disco gravado de BOSSA NOVA, porque as musicas são de TOM JOBIM e VINÍCIUS DE MORAES; e JOÃO GILBERTO toca violão – mesmo que sem ousadias que já vinha desenvolvendo.
Porém, é bastante convencional. Foi feito para a voz de ELIZETH, e com destaque total para ela. Os arranjos de TOM JOBIM são bem feitos, mas nada inovadores. Ele usa violinos, harpas e toda a tradição sonora do SAMBA-CANÇÃO, onde ELIZETH era mestra consumada.
Mesmo com “CHEGA DE SAUDADES” no repertório, eu acompanho a opinião do poeta e professor AUGUSTO DE CAMPOS: “está longe de ser um disco de BOSSA NOVA”.
Tempos atrás, a revista RECORD COLLECTOR fez resenha elogiosa e curta do disco, e lhe deu 4 estrelas. Uma chancela relevante! Agora, ouvindo e comparando os dois discos, eu cheguei a algumas conclusões:
Os inventores da BOSSA NOVA são, mesmo, JOÃO GILBERTO e TOM JOBIM. VINÍCIUS tangenciou o gênero.
O SAMBA CANÇÃO não transitou para a modernidade; não havia elos possíveis já que, de certa forma, a BOSSA o contestava na sua “breguice” formal, e no uso “açucarado ” das cordas – “assassina serial” de ouvintes “musicalmente diabéticos” !
Mas era um jeito americano de fazer e arranjar músicas, contemporâneo à grande canção americana da época. É só dar uma olhada nas paradas e identificar…
De outro lado, o SAMBA DE RAIZ forma a base da BOSSA NOVA com naturalidade impressionante. A tradição de ARACY juntada ao “POP” de MENESCAL e sua turma, são exemplos claros. Ao adicionar uma colherada de JAZZ no otimismo dos tempos democráticos de JUSCELINO KUBISTCHEK, criou-se uma receita musical próxima da perfeição.
Bem, como gato velho, miei demais por aqui. Mas, acho que ainda mantenho parte do meu faro.
Escutem as duas grandes senhoras. Elas merecem!
POSTAGEM ORIGINAL :19\01\2018
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FELIX CAVALIERI – RASCALS – & SOLO YEARS

Os RASCALS entre 1965 e 1970 fizeram sucesso enorme! Venderam SINGLES e LPS aos montes, com o largo espectro de criatividade que desenvolveram.
Do BEAT à PSICODELIA há sucessão de HITS de alta qualidade mesclando POP, R&B, SOUL, e até uma “chanson française”, a magnífica “HOW CAN I BE SURE”, 1968. Reinaram e competiram com os BEATLES e outros contemporâneos.
De repente, tudo mudou de maneira radical. Em 1970, gravaram “SEARCH AND NEARNESS”, o último álbum para a ATLANTIC, e um fracasso de vendas. Em seguida, saíram da banda EDDIE BRIGATI, cantor, e GENE CORNISH, guitarrista.
Muitos acham – eu inclusive – que o centro dos RASCALS sempre foi o cantor e organista FELIX CAVALIERI. A característica “BLUE – EYES SOUL” era nitidamente marcada pela voz e jeito de FELIX cantar.
Certo dia, o magnífico OTIS REDDING estava gravando na ATLANTIC, em estúdio ao lado ao dos RASCALS. E foi lá conhecê-los. Simplesmente não acreditava que fossem brancos! São!
Mas em 1971, FELIX e DINO DANELI, o baterista remanescente, levaram o nome RASCALS para a COLUMBIA RECORDS. Fazia total sentido: a “FUSION R&B – JAZZ – SOUL” encaixava com o portfólio, onde brilhavam o JAZZ ROCK do “CHICAGO”, “BLOOD SWEAT & TEARS”, “MILES DAVIS”, “ELECTRIC FLAG”; e a fusão Latina criada pelo “SANTANA”.
THE RASCALS em “PEACEFUL WORLD”, 1971, e “ISLAND OF REAL”, 1972, tornou-se outra coisa. Muito mais sofisticados. O lado JAZZ/R&B foi acentuado.
E um time de craques como “HUBERT LAWS”, flautista, “ALICE COLTRANE” multi-instrumentista, o guitarrista “BUZZ FEITEN”, o saxofonista “DAVID SANBORN”, o baixista ‘RON CARTER” e vários outros colaboraram.
São álbuns notáveis, mas sem grande sucesso. Porém, detêm prestígio entre os críticos. E, de certa forma, antecipam o que veio a fazer o “STEELY DAN”. Acho que a turma da boa BLACK MUSIC e da FUSION vai gostar – e muito!
A saga dos “RASCALS” terminou ali.
E FELIX CAVALIERI continuou. Ele pretendia fazer uma “ÓPERA ROCK”. Não conseguiu; os tempos eram outros. Então, ele iniciou carreira solo sem grande brilho, mas com discos bem conceituados.
Estão aqui os dois primeiros gravados na “BEARSVILLE”:
FELIX CAVALIERI, 1974, tem a produção esmerada de TODD RUNDGREN. Mantém um certo hálito SOUL e a bela voz de FELIX. Porém, enfeites excessivos de produção, pouco peso nos baixos, e quase ausência de metais o tornaram datado.
O BAIXO precisa pesar na música POP, principalmente no R&B… É mandatório!
O segundo álbum, DESTINY, 1975, é retorno ao R&B; e traz, inclusive, alguma “DISCO MUSIC”.
E outra constelação de cobras voltou à cena, inclusive LESLIE WEST e LAURA NIRO. É álbum mais ao estilo de FELIX.
Em 2008, o grande “STEVE CROPPER”, estava procurando ideias para gravar mais um álbum. Alguém sugeriu FELIX como parceiro – que, dizem, é um cara legal para se conviver e trabalhar.
Conexão pra lá de adequada! “CROPPER”, o guitarrista dos guitarristas, foi lançado por BOOKER T, o grande organista de R&B, e sucesso com os M.Gs. na década de 1960.
Então, por que não fazer dupla com um tecladista e, ainda por cima, cantor de R&B reconhecido, bom de palco, contemporâneo a ele – e ainda em ótima forma?
E lançaram o excelente NUDGE IT UP A NOTCH, álbum de R&B de qualidade, onde ambos dão show de competência. É, claro, disco bastante dançável, como recomenda a melhor BLACK MUSIC.
Funcionou!
E lançaram MIDNIGHT FLYER, em 2010. Ambos notados por público e crítica. Excursionaram, fizeram shows e a vida seguiu.
FELIX CAVALIERI não conseguiu carreira e notoriedade como outros contemporâneos dele. Mas é defensável que seja o criador do BLUE EYES SOUL – o estilo de “HALL & OATES”, “MICK HUCKNALL” e o “SIMPLY RED”, e incontáveis variados.
FELIZ continua ativo, cantando bem e com a voz preservada. Os disquinhos por aqui são pra lá de recomendáveis – e muito colecionáveis. E o TIO SÉRGIO recomenda de montão.
Tente!
POSTAGEM ORIGINAL: 15\01\2021
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“JEFF BECK GROUP – TRUTH” versus “LED ZEPPELIN 1”: DOMANDO TIGRES. A DESLOCADA POLÊMICA ENTRE DOIS ÁLBUNS SEMINAIS!

Aos meninos e moças, virgens ou maturados (as), e apreciadores de ROCK e ADJACÊNCIAS: Vou expor algumas ideias sobre os dois álbuns, e ousar conclusões.
Pra começar, é bom contextualizar desde a origem provável das ideias e sonoridades, que de maneira geral estão presentes nas duas obras. Por isso, coloquei na foto outros discos e artistas.
A linha mestra da guitarra moderna no ROCK INGLÊS provém dos YARDBIRDS, entre 1963/1967. Tá; todo mundo sabe. Foi onde começaram ERIC CLAPTON, JEFF BECK E JIMMY PAGE. Beleza; fotografei dois discos de carreira do grupo:
“LITTLE GAMES”, 1967, com PAGE na guitarra, é interessante porque várias sonoridades desenvolvidas no LED ZEPPELIN provêm dali.
Antes, porém, houve outro álbum de carreira da banda, “OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN”, ou “ROGER THE ENGENEER”, 1965. É a participação suprema de JEFF BECK na banda, e a criação do som que o tornou seminal, e famoso.
São álbuns que confirmam PAGE e BECK principalmente guitarristas de ROCK – e não de BLUES. Para mim, é nítido.
E isto fez diferença.
E há JOHN MAYALL, ícone supremo do BRITISH BLUES. Mas este é fácil: O clássico definitivo, JOHN MAYALL & THE BLUESBREAKERS, FEATURING ERIC CLAPTON, é imbatível; atemporal.
MAYALL também legou CRUZADE, 1968, com MICK TAYLOR, revelação da guitarra, antes de ir para o ROLLING STONES. O disco retoma o BLUES, já modernizado e com elementos da contemporaneidade à época.
Notem: CLAPTON e TAYLOR são guitarristas mais afinados com o BLUES. E caso faça algum sentido, destacam as diferenças entre o BLUES BRITÂNICO se desenvolvendo em meados dos ANOS 1960; e o corte estético promovido pelo CREAM, já entre 66 e 68: trio que desvendou caminhos diferentes para unir ROCK/BLUES e PSICODELIA.
Se o TIO SÉRGIO tiver razão, ou palpite plausível, o CREAM inaugurou a sonoridade que passou a ditar estética para guitarras e bandas; posteriormente expandida por HENDRIX e desaguando em oceano infinito, que abarca o HARD ROCK, o HEAVY METAL e a miríade cacofônica de “ROCKS PROGRESSIVOS”.
Resumindo, o CREAM é a pedra angular que inspirou tanto o JEFF BECK GROUP quanto o LED ZEPPELIN – e “zilhões” – ÊEEEPAPPA! – de artistas daí para frente.
Ponto.
Parágrafo:
Entre as discussões eternas, a seguinte é das prediletas: o LED ZEPPELIN teria ido além da inspiração, e copiado o JEFF BECK GROUP e atrapalhando a carreira de “TRUTH”, 1968, que foi lançado primeiro?
Mas existem fatos a considerar:
A sonoridade básica daquela época já estava dada. Não foi criação exclusiva de ninguém. No entanto, talvez “organizada” pelo CREAM.
Mas guitarras distorcidas e baixo pesado; referências ao BLUES e outros elementos, eram comuns naquele ambiente musical. E tendência em desenvolvimento desde o advento da PSICODELIA, uns três anos antes, que tornou-se parte da estética do ROCK e do BLUES.
Tanto TRUTH como o LED 1 são, claro, discos seminais. E contêm semelhanças inescapáveis:
Ambos trazem BLUES e FOLK no repertório; e contêm a mesma música: YOU SHOOK ME. São duas bandas excelentes com destaques para a guitarra. E PAGE e JOHN PAUL JONES, um dos artífices do LED ZEPPELIN, participaram na gravação de ambos LONG PLAYS!
Mas diferenças notáveis se destacam. Estão em destaque dois vocalistas solares:
ROD STEWART, que tende ao RHYTHM´N´BLUES e ao POP, explícitos em TRUTH. E ROBERT PLANT é o bagunçador no coreto; o “crooner galináceo” que solidificou o estilo vocal dos futuras “metaleiros”, inaugurado por DICK PETERSON, com o BLUE CHEER, em 1967.
Então, ROBERT PLANT ao mesmo tempo em que desenhou junto com PAGE, BONHAN e JONES a base HARD ROCK/BLUESY; incluiu o diferencial que consagraria o futuro “HEAVY METAL”.
Com PLANT no pedaço, os portais do galinheiro foram escancarados. E IAN GILLAN, entrou para o DEEP PURPLE; vieram OZZY, e depois JOHN LAWTON; e a honorável descendência fortíssima que por aqui milita e permanece há mais de meio século.
Há, também, detalhes históricos significativos na trajetória das duas bandas. Mesmo que gravados com apenas dois meses de diferença, o disco do LED veio depois, em outubro de 1968…
E voltemos ao ZEPPELIN. E para esquentar, uma fofoquinha legal: a versão que preponderou por muito tempo sobre a criação do nome da banda, afirmava que KEITH MOON, baterista do THE WHO, havia dito que “eles eram pesados e voavam, como um ZEPPELIN DE CHUMBO (LED)”.
Só que existe outra: KEITH MOON cunhou frase frequente para quando as turnês iam mal: “Going down like a “lead” Zeppelin”. Traduzindo: “Desabando desastrosamente como um ZEPPELIN”. PAGE gostava da frase e substituiu o “LEAD” por LED… ZEPPELIN.
A fonte é confiável, a revista “Q” MAGAZINE em sua enorme enciclopédia…
Enfim;
O ZEPPELIN assinou com a ATLANTIC RECORDS por indicação da grande cantora DUSTY SPRINGFIELD, e o disco foi lançado nos Estados Unidos e se tornou sucesso quase imediato de vendas!
Em janeiro de 1969, eles abriram show para o IRON BUTTERFLY, a banda americana de PSICODELIA PESADA e imenso êxito, na época. A plateia gostou tanto do LED ZEPPELIN que o IRON BUTTERFLY desistiu de tocar e retirou-se do palco!
Observem: talvez exatamente ali tenham se estabelecidos o nascente HARD ROCK e o HEAVY METAL, substituindo a PSICODELIA, que já dava sinais de esgotamento junto ao público…
No sentido contrário, o JEFF BECK GROUP “TRUTH”, que saiu em agosto de 1968, e para mim é disco melhor, se consolidava. Teve pouco sucesso na Inglaterra, e também foi melhor na América.
Porém, a carreira de BECK na época era muito mal administrada.
Teve shows cancelados, e não conseguiu estabilizar o excelente time de músicos. A apresentação que fariam no FESTIVAL de WOODSTOCK, em 1969, foi cancelada. E, para muitos, foi o prego que faltava no caixão da banda…
Ainda assim, gravaram o segundo disco, o excelente BECK-OLA, em 1969. Em seguida, JEFF BECK teve sério acidente de automóvel que o deixou hospitalizado por mais de um ano e meio!!!
No entanto, TRUTH se tornou outro clássico absoluto. O JEFF BECK GROUP amalgamava ROCK+BLUES+R&B. Portanto, é injusto condenar o disco do ZEPPELIN por canibalismo e usurpação contra BECK. São trajetórias e históricos bem diferentes. Estilos e tendências, também.
Acima de tudo, se ambos foram desenhados e criados no mesmo ambiente e concorrência, seria como acusar CINDY LAUPER por concorrer com MADONNA; ou o BLUR por competir com o OASIS; e mesmo o QUEEN por ter, nos primeiros três discos, grudado na rabeira do LED ZEPPELIN! Tudo isto é do jogo.
E é do jogo, também, muito ti,ti,ti e muito mi, mi, mi! O LED ZEPPELIN e o JEFF BECK GROUP são geniais em quaisquer tempos ou encarnações.
Ouçam, observem, concluam e desfrutem!
É imprescindível e mandatório!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 03\04\2021
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BARULHO! MUITO “BARULHO BRANCO” E O DIA EM QUE PUSEMOS PARTE DA MAGISTRATURA PRA CORRER!!!

Vou escrever sem pensar, apenas usando a memória e justificando emocionalmente os porquês! Vou errar, mas naqueles tempos não tínhamos a informação mais correta, ou a percepção mais adequada. E, certamente, eu não tinha…
Então, vou na raça.
BARULHO?
Sim. O ROCK sempre foi música barulhenta; mas piorou – e muito -, em meados dos 1960, quando implementaram de vez os DISTORCEDORES para as GUITARRAS; ao mesmo tempo em que as técnicas de amplificação evoluíram demais….
Minha catarse número 1:
“I FEEL FINE” com os BEATLES! A primeira música “YARDBIRDIANA” DO ROCK, gravada em 1964.
Seria? Ou teria sido “YOU REALLY GOT ME”, com os KINKS?
Mas, esta não vale, já que “simplesmente” KINKIANA!!!
Não importa. Quando ouvi o compacto dos BEATLES, na casa de um amigo antes de sairmos pra jogar bola na rua com a molecada; eu quase caí de costas!
Uns três anos depois, consolidei o meu desvario com “Mr. YOU´RE A BETTER MAN THAN I” dos YARDBIRDS, original de 1965, e JEFF BECK e seus solos “assolando” meu pick up!
Foi por aí! Era o BEAT virando PSICODELIA; e abandonando, aos poucos, o “ROCK AND ROLL”, para ser chamado apenas de ROCK!
Nesse ínterim, muito FERRO, FOGO e BARULHO foi rolando, tornando-se cada vez mais pesado!
Acho que minha conversão total foi no começo de 1968, quando comprei compacto do BLUE CHEER, que saíra no Brasil.
Um escárnio monumental. BARULHO AMPLIFICADO e decorado pelo nascimento do “VOCAL GALINÁCEO”, que PLANT, OZZY, GILLAN, NODDY HOLDER e vasta “sequela” tornaram hábito e vício.
E tudo expelido pelo raro e precioso DICK PETERSON, baixo e vocal do BLUE CHEER, e talvez o DECANO DA GRITARIA BRANCA!
Quem acha que “SUMMERTIME BLUES” é o fino com EDDIE COCHRAN, ou com THE WHO – e, É!!!! -; não sabe o que é ICONOCLASTIA, e GRITARIA. Esta é, de longe, a melhor e mais violenta versão que já fizeram desse clássico.
É um aperitivo da fúria que o BLACK SABBATH encarnaria, pouco tempo depois. O lado B? Bem, é um primor do ROCK PSICODÉLICO: “OUT OF FOCUS”! BARULHO BRANCO e quase non-sense instrumental. Arrisque e tape os ouvidos!
O restante veio depois…
CLÁSSICO!
LED ZEPPELIN 1? Tá; vai de “COMMUNICTION BREAKDOWN”. Também em SINGLE por aqui, em 1968! Porém, a efusão definitiva sobreveio quando ouvi no rádio “WHOLE LOTTA LOVE”, enquanto jogava futebol de botão com o BETÃO, meu primo querido. Foi em 1969.
Caímos de costas!!!! Aquilo, sim, era HARD ROCK! Nós aguardávamos um jogo do CORINTHIANS contra o SANTOS; e nem lembro qual foi o resultado…
Algum tempo depois, descolei uma de minhas paixões irrefreadas (hummm)! Consegui comprar com o meu amigo SILVIO, o LP de LORD SUTCH AND HEAVY FRIENDS, em 1970! Imaginem: BECK, PAGE, NOEL REDDING, JOHN BONHAN, NICK HOPKINS, entre outros craques, acompanhando um “LUNÁTICO ERRÁTICO INVEROSSÍMIL”:
LORD SUTCH, com auxílio de JIMMY PAGE, LANÇOU um CLÁSSICO. Disco ciclotímico, não compreendido na época, e ainda contestado, mas ROCK PESADO na veia, e direto.
Coloquei na foto o BLACK SABBATH, principalmente por PARANOID, clássico dos clássicos, impossível de não curtir detonando ouvidos, inclusive dos meus dos meus pobres pais: BARULHO BRANCO, com morcegos ao molho pardo!!!
Fui declarado “PERSONNA NON GRATA”, em minha casa. E tal opróbrio levou tempo para ser corrigido em meu prontuário…Se é que foi…. PARANOID foi mais um prego no caixão do ROCK bem comportado! Mais de meio século depois, ainda se confirma original, atual!
Ao menos para mim, DEEP PURPLE IN ROCK é um monumento ampliado e refinado, de tudo o que descrevi. Um BLEND ENVELHECIDO EM MADEIRAS, CORDAS, E COURO. E muito BARULHO! HARD ROCK e HEAVY METAL, com tempero do ROCK PROGRESSIVO. Assombroso!
O PURPLE carrega um clima “LÚGUBRE, BRITÂNICO, e ALGO SOMBRIO”; dificilmente igualado em quaisquer discos que tive contato.
É o ROCK PESADO INGLÊS, com a cara molhada e fria daquela ilha úmida. Não há pontos luminosos ali. E só músicas legais!!!
De “SPEED KING” a “HARD LOVING MAN”, inexiste paz; mesmo que haja certa reflexão sombria em “CHILD IN TIME”. E tudo retorna sem folga para respirar, em “FLIGHT OF THE RAT”, ou “INTO THE FIRE”. É um álbum DARK, mesmo quando tocado em países solares como o Brasil.
Para culminar o INCÊNDIO SONORO CRIMINOSO, vou contar sobre o estrago que eu e amigos fizemos em churrasco na casa de um deles, o FRED, filho de juiz de direito. Foi em 1973!
O bom e tolerante Dr. Alfredo Franco, convidou um montão de MERITÍSSIMOS para uma reunião entre civilizados e circunspectos senhores e senhoras.
Tudo corria conforme a SENTENÇA PROLATADA. Até que nós, os macacos, levamos para o quintal o “móvel – vitrola”, e assolamos o “JUDICIÁRIO” com a nata do barulho da época!
Escalamos os já citados, e vários outros… indóceis ignóbeis…
Principalmente, um dos grandes monumentos à “PODREIRA ETERNA”, o imperdoável SLADE ALIVE!!!
Ecoou no purgatório, e a caminho do inferno!!! Asmodeu protestou em reunião de condomínio, “lá embaixo”! NODDY HOLDER, o… digamos… cantor, entre arrotos, flatulências e gritaria incontida pôs pra correr parte da magistratura paulista! Todos fugiram para dentro da casa!
Foi um vexame!
E teve consequências. Meu amigo / irmão, FRED FRANCO JR., hoje doutor em medicina, ouviu o que não quis, e comeu o pão que os anjos impuseram por um bom tempo!
Nós, outros, frequentadores assíduos, fomos incluídos nos sermões e outras sanções…
Aliás, os lançamentos desses discos todos aconteceram em meio à ditadura militar, nos governos Costa e Silva, e Médici. E isso talvez explique parte da minha percepção, e inserção, no ambiente melancólico do melhor ROCK INGLÊS. Aqui, as coisas andavam pesadas.
E nós, jovens, também; e já explodindo a tampa da panela de pressão …
POSTAGEM ORIGINAL : 10\01\2021
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Vila mariana? Qual rua?

Klaus Sveigner

Sérgio de Moraes ah, ok, me parece mais Vila Clementino, não?

Sérgio de Moraes

Klaus Sveigner sim, verdade. Mas por alguma razão vez por outra misturava-se. Deixei de morar por lá há uns 40 anos.

Klaus Sveigner

Sérgio de Moraes Vila Mariana é enorme, confunde-se mesmo

Sérgio de Moraes

Klaus Sveigner Você mora por aí? Onde?

Kaka Neto Oliveira

Bela descrição desse período

Paulo Tanner

Clássicos do Heavy Metal!

Ayrton Mugnaini Jr.

Este disco de Lord Sutch é um exemplo do chamado “ouro de pessoa tola”, disco superestimado, com repertório cheio de derivadas de “You Really Got Me”. Lord Sutch foi uma espécie de Serguei inglês, mau cantor mas personagem simpático.

Sérgio de Moraes

Ayrton Mugnaini Jr. Sim, em parte. Há uns “YOU REALLY GOT ME, “SIM. Mas há duas faixas sensacionais em que Beck e Page tocam juntos. E é um disco extemporâneo, digamos, de rock. E quanto ao Sergei, é bem comparado.
O disco sobe e desce na cotação da crítica. Eu acho um clássico. Claro, por motivos emocionais inclusive.

Danillo Albuquerque

Esse primeiro do Led é muito bom

Bruno Floriano

Ótimo texto, as usual. Mas concordo com Ayrton Mugnaini Jr. Quanto ao Lord Stuch, não vejo graça; é uma boa turma reunida em um projeto ruim, tipo Viver Outra Vez e Nordeste Já, i.m.o

Sérgio de Moraes

Bruno Floriano um jeito de ver as coisas. Há quem adore o KISS. Pra mim nem pensar!

Bruno Floriano

Sérgio de Moraes sim! E confesso: Kiss foi minha banda preferida quando moleque, hoje olho pra trás com saudosismo, mas dou risada

Sérgio de Moraes

Bruno Floriano Da mesma forma que, hoje, raramente ouço rock hard, Heavy e essas coisas.
Foi assim.

Paulo Silva

Sérgio de Moraes eita, falou mais uma grande verdade.

Rene Ferri

Certos pecados não tenho, nunca tive, não assumo. Passei ao largo de Lord Such, Deep Purple, BS, Kiss et caterva, soube manter distância prudente da barulheira sem fundamento. Visto dessa prisma, mantive-me pio, e acredito que vou para o céu.

Sérgio de Moraes

Rene Ferri Você tem razão sob alguns aspectos. Um deles talvez seja a manutenção da tua semi-castidade auditiva.
Se bem que nem tanto: você apreciava, ou ao menos tolerava, a turma do punk e da New wave que, vamos combinar, garantiram ao menos alguma violação. Casto você não é.
Vai pro céu, mas vai pegar um carlor básico no purgatório!

Rene Ferri

poizintão, disse-o lá em cima “manter distância prudente da barulheira sem fundamento”; no punk/ new wave havia fundamento, integridade, essência. conteúdo, atitude — percebi isso de cara e caí total no punk, tive os LPs, livros, colecionei os compactos, editei fanzines, eu acho que mereço um busto na Vila Carolina, no mínimo; msm assim, topo encarar uns 3 séculos de purgatório por curtir adoidado Sex Pistols, Blondie, Stranglers, Ramones e + mil bandas e caras do movimento. Valeu a pena. 😎

Socrates Alves Araújo Neto

Só eles,a nata do rock n roll mundial…

Rossini Rossi

🎤🐔
Kkkkkkkkkkkkkkkk

Jeff Piero

Sentii a radio Luxembourg un brano con un’assolo strabiliante!
Era Jeff Beck con Mr your’re a Better man than i……da allora la mia vita musicale e’ cambiata!
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Sérgio de Moraes

Jeff Piero aconteceu comigo, também! Buon augúrio.

Leo Falabella

Muito bom texto!!! Ouvi tudo isso e com pouco tempo descartei vários… detesto heavy metal mas ainda curto muito o hard rock tradicional (Led, Who, Grand Funk, Deep… etc…) e amo a British Invasion. Atualmente procuro ouvir bandas de prog obscuras e as tradicionais, e me aprofundar no jazz e fusion!
Parabéns pelos excelentes “relatos”… 👍👍👍

Eduardo Salabert Rosa

Histórias que só o rock e sua psicodelia,podem proporcionar!! Long live to rock !!

Rossano Martins

Demais…lembrei de qdo escutei o primeiro do led. Nunca mais fui.o mesmo.

Klaus Sveigner

Senti isso quando ouvi motorhead a primeira vez, no início dos anos 80, eram outros tempos é verdade, mas pra mim foi avassalador, inesquecível.

Alexander Homan Santos

Blue Cheer 1969 ali começou o Heavy Metal que álbum sensacional

Alexander Homan Santos

Sérgio de Moraes Qual banda e álbum de 1967?

Sérgio de Moraes

Alexander Homan Santos BLUE CHEER, LP VINCEBUS ERUPTION, 1968.
Mas, o SINGLE parte do disco, com SUMMERTIME BLUES e OUT OF FOCUS, saiu em 1967 – acho. E saiu no Brasil.
Concordamos no essencial. Uns meses a mais ou a menos não alteram o pioneirismo!

Alexander Homan Santos

Sérgio de Moraes Obrigado pela informação

EUMIR DEODATO – O ECLÉTICO, E UM TANTINHO DE SÉRGIO MENDES

Quem puder ou souber responda: qual desses dois pianistas tornou-se mais famoso e influente: SÉRGIO MENDES ou EUMIR DEODATO?
Acho que a memória afetiva levaria a SÉRGIO MENDES.
Afinal, a FUSÃO SAMBA/POP que ele criou sucedeu ‘a BOSSA NOVA de TOM JOBIM e JOÃO GILBERTO, nas paradas de sucesso americanas, em meados da década de1960.
Na verdade, combina com a luz na cara daqueles tempos. Todos sabem do clima político e social do BRASIL: ditadura, nacionalismo, ufanismo, a vitória dos nossos “ensinando” aos gringos, e vasto etc…
Não que SÉRGIO MENDES tivesse qualquer culpa daquilo! Ao contrário, certamente.
No entanto, em termos de realizações DEODATO foi além.
Produziu, ou participou, em mais de 500 DISCOS e, acima de sua própria obra, conseguiu um feito POP EXTRAORDINÁRIO:
Chama-se PRELUDE, o disco de “JAZZ-POP-FUSION”, que lançou em 1972. É aquele do HIPER-HIT “ALSO SPRACH ZARATHUSTRA” que, em versão clássica, iluminou o filme ” “2001 UMA ODISSEIA NO ESPAÇO”!
Do you se lembra?
Pois bem, o disco sucessor, “DEODATO 2”, de 1973, foi um fracasso retumbante de vendas e levou a gravadora CTI à falência!
Mas isso é outra e mais complexa história. E tem pouco a ver com o artista.
EUMIR DEODATO sempre foi músico requisitado e competente. Seus discos instrumentais com os “CATEDRÁTICOS”, na década de 1960, são de SAMBA-JAZZ-BOSSA-POP – e excelentes!
Isto o levou para fora do Brasil, e depois consolidou sua carreira como ARRRANJADOR e PRODUTOR.
EUMIR DEODATO arranjou ou produziu discos de SINATRA a BJORK; passando por KOOL AND THE GANG. E fez sucesso produzindo incontáveis gravações e artistas.
É incomparável entre os brasileiros auto – exilados em termos de efetividade e, principalmente produtividade.
Ouçam e saibam sobre EUMIR DEODATO. É um artista completo e complexo. E bem atual.
POSTAGEM ORIGINAL: 01\01\2020
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SISMÓGRAFO

E se eu me tornasse um editor de textos esquecidos, inconclusos; ou mal pensados?
De segredos mantidos, e histórias sem porquês?
Compositor de partituras imaginadas, e jamais executadas?
Poeta do aquém sentido?
Encenador sem público?
Colecionador do vir a não ser?
Ódio ao nexo? Ode ao sexo?
Que trabalhador magnífico eu me tornaria!!!!!
Apesar de mim…
Por isso, junto à “POESIA”, a DISCOGRAFIA talvez pertinente ao texto. São artistas variados com obras “inconclusivas”; e gravações instigantes: ARVO PART, DENISE MILAN, GIBERTO MENDES, BJORK ( dois álbuns ) BORDERLINE ( nem ouvi ainda, portanto, não concluí… MESSIEN , TUTO FERRAZ, e álbum de LARRY CORYELL, BADY ASSAD E JOHN ABERCROMBIE, três guitarristas originais.
Desfrute música muito além do óbvio.
POSTAGEM ORIGINAL: 08\01\2026
Pode ser uma imagem de texto

AFFINITY & LINDA HOYLE – 1968/1972 – FUSION SOFISTICADA

LINDA ERA VOCALISTA DO “AFFINITY”, EXCELENTE BANDA DO SUB-GÊNERO CONHECIDO NO POR “JAZZ-ROCK”, NO FINAL DO “SIXTIES”. HOJE, SERIA FUSION.
NAQUELES TEMPOS, PARTE DA FUSION INGLESA SE INSPIRAVA EM GRUPOS AMERICANOS NA LINHA DO “CHICAGO”, “BLOOD, SWEAT AND TEARS” E “THE ELECTRIC FLAG”. ERAM MAIS “BLUESY”, “FOLK’, “PROG” E “FUNKY’ , DO QUE JAZZY.
NA GRÃ BRETANHA ROLAVAM, O ” “IF”, “COLOSSEUM”, “KEEF HARTLEY BAND” , “AYNSLEY DUNBAR RETALIATION”, ETC…
E, INCLUSIVE, O ECLÉTICO “JOHN MAYALL´S BLUESBREAKERS” QUE, EM ÁLBUNS DE ESTÚDIO, COMO “CRUZADE, “BLUES FROM LAURELL CANION” E “BARE WIRE”; E NOS SHOWS CONTEMPORANEOS, OPERAVA NA TÊNUE FRONTEIRA DA “FUSÃO JAZZÍSTICO/BLUSEIRA”.
NO ENTANTO, A OPÇÃO INGLESA E EUROPEIA DO “FUSION” INCLINOU-SE MAIS PARA O “ROCK PROGRESSIVO” E O “JAZZ VANGUARDA”.
O “AFFINITY”, UMA BANDA COM GENTE DE FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA, GRAVOU ESSE DISCO EXCELENTE, EM 1969. O REPERTÓRIO É ABRANGENTE, E VAI DE “HENDRIX” A “LAURA NYRO’. OS ARRANJOS ORQUESTRAIS SÃO DE “JOHN PAUL JONES” – SIM, ELE MESMO!
QUANDO A BANDA ACABOU, QUASE TODOS CONTINUARAM NA MÚSICA.
“LINDA HOYLE”, BOA CANTORA E A ESTRELA DO “AFFINITY”, TIDA COMO A BOLA DA VEZ, FOI ORIENTADA POR “RONNIE SCOTT” – PERSONAGEM LENDÁRIO MISTO DE EMPRESÁRIO E MÚSICO.
ELA GRAVOU ESTE ÓTIMO “PIECES OF ME”, EM 1971, ACOMPANHADA POR ALGUNS CRAQUES DO “SOFT MACHINE”, E OUTROS LUMINARES.
NA ÉPOCA, NADA ACONTECEU. MAS NO DECORRER DOS TEMPOS, GANHOU STATUS DE ÁLBUM CULT E ALTAMENTE COLECIONÁVEL.
“LINDA HOYLE” DESISTIU DA MÚSICA, EM 1972, E MUDOU-SE PARA O CANADÁ. FORMOU-SE EM PSICOLOGIA, SEGUIU CARREIRA ACADÊMICA, E SE TORNOU PROFESSORA UNIVERSITÁRIA.
VEZ POR OUTRA, CANTAVA ENTRE AMIGOS. E, SE TIVESSE GRAVADO MAIS ALGUNS DISQUINHOS, TERIAM SIDO MUITO BEM – VINDOS!
TIO SERGIO RECOMENDA O “AFFINITY” E “LINDA HOYLE”. DOIS BÁLSAMOS CONTRA A MESMICE, E BARREIRAS SÓLIDAS ANTI – MEDIOCRIDADE.
POSTAGEM ORIGINAL: 05\01\2020
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“MOD JAZZ” – KENT / ACE RECORDS – 1960/1969 COMPÊNDIO EM NOVE CDS DO QUE ROLAVA NOS CLUBES E BARES INGLESES

Vou começar diferente: você sabe discotecar? Preparar trilhas sonoras para uma festa ou reunião entre amigos?
É mais difícil do que parece. Eu vou dar sugestões;
“TIO SÉRGIO, você já foi D.J?”
Não, não fui.
Mas nesses tempos dos CDS graváveis, eu me diverti fazendo trilhas para amigos, reuniões, jantares com pouca gente, festinhas, essas coisas. Selecionei músicas para tocar em casa e no carro. E dei de presente aos mais íntimos, também! Acho que ficaram legais, adequados!
Há uma regra básica e vital. A festa nunca é para você; mas para todos. Portanto, a minha receita era relativamente simples:
1) Eu descobria mais ou menos o público alvo, e o que ele esperava;
2) Equilibrava seleção de música e artistas entre vários gêneros que, supostamente, a média dos presentes iria gostar;
3) No set entrava “quase” de tudo. jamais fiz demagogia, ou populismo, cedendo ao mau gosto. Mas não deixava ninguém sentir-se excluído;
4) Tocava coisas, músicas e gêneros, que todos conhecem;
5) Escalava músicas que a turma “achava” que conhecia;
6) E botava pra rolar artistas desconhecidos, mas conectados ao clima da festa. Tem de entrar novidades – velhas ou novas, heheheh – elas são imprescindíveis;
7) A regra intransponível: tudo tem de ter “ar de balanço”. Em festas e ambientes descontraídos, os pés não podem deixar de marcar o ritmo. É axioma.
Costuma dar certo.
Eu sou fã do trabalho dos D.Js – para não dizer que os invejo!
É caro! Imagine aquele monte de discos e você, o Déspota Esclarecido” ( ou ensandecido? ) , orientando o quê vai ser tocado ou selecionado; e sob a batuta do teu gosto, timing e imaginação!!!
Glorifica o ego!!! É só observar “RAVES”, “FESTIVAIS”… e o escambau.
Fazer o mundo se divertir não tem preço ou poder que supere! Pôr a turma para dançar, então, é arte dificílima! Observe artistas de “tuti quanti” gêneros. É orgasmo sem sexo….
Todos já vimos um grande artista, ou banda, dominar o ambiente. É mágico! Organizado por você, é imperdível! Sensação de poder à parte – porque é responsabilidade traiçoeira, e pode dar tudo errado -, é um espaço fantástico e muito divertido para atuar!
E mais ainda, se você for alguém como o TIO SÉRGIO, que não sabe, e nunca soube dançar! Sim: Eu, me, myself and I prazer em recebê-los!!!
E aqui entra esta fantástica coleção de “MOD JAZZ”, da ACE / KENT RECORDS; que, acho, completei. São coletâneas do que rolava nos clubes onde jovens se reuniam, na Inglaterra, nos anos 1960! Claro, vai muito, mas muito além do JAZZ! E visava os jovens “MODERNOS”….
Trilha Sonora que antecediam apresentações de gente como os ROLLING STONES, YARDBIRDS, GEORGIE FAME, GRAHAM BOND, BEATLES…, e quem mais vocês pensarem…
Era a antessala da festa. Singles e faixas de LPS com gente desconhecida – e outros famosos; mas todos focados em festa, dança, momentos lúdicos. Coadjuvantes em altíssimo astral para beber, conversar, paquerar, e o que fosse!
Nesta coleção tem o que você imaginar e muito mais!
NINA SIMONE, JIMMY WHITERSPOON, SAMMY DAVIS JR, OTIS SPAN, T.BONE WALKER, JIMMY SMITH, RHITHM´N´BLUES, SOUL, ROCK, BLUES, B.B.KING, JOHN LEE HOOKER… Imagine americanos famosos ou não; ingleses em ascensão ou não. É salada mista e colorida da melhor qualidade, variedade e sabor! Há gente de todo tipo, e o denominador comum é fazer a turma festejar!
A turma da ACE/KENT os juntou em nove CDS ( por enquanto?) – mas existem vários esparsos “pela aí”, feitos por outras gravadoras.
Não perca! Valem uns mandacarus e boa vontade para colecionar, ouvir, curtir, viajar, e vasto sei lá o quê!
Em uma das faixa, com o pianista OTIS SPAN, um BLUES fantástico, eu aposto a sua orelha para um “Picadinho à VAN GOGH”, que é o JOHN MAYALL cantando!
POSTAGEM ORIGINAL: 06\01\2021
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THE SOUL EXPERIENCE – RHINO RECORDS – 2001 – 6 CDS, BOOK , EDIÇÃO LIMITADA

O DESIGN DA CAIXA DIZ TUDO! IMITA AS FITAS CARTUCHO PARA REPRODUTORES EM AUTOMÓVEIS. ERAM COMUNS NOS ANOS 1970/80 NÃO ME RECORDO SE CONCORRIAM COM AS FITAS K7.
UM LUXO SÓ!
TENHO O BOX HÁ MUITO TEMPO. E O ZE’ CARLOS, DONO DA FALECIDA E EXCELENTE LOJA “NUVEM NOVE”, EM SAMPA, ONDE COMPREI O BOX, DISSE QUE EU HAVIA DEIXADO O “NANDO REIS” FRUSTRADO – ELE NAMOROU ESSE ARTEFATO, MAS NÃO FECHOU NEGÓCIO… A COISA É RARA E PRECIOSA! TEM R&B, FUNK, SOUL, DISCO E FUSÕES COM JAZZ, BLUES, E ETC…
MAS, “TIO SÉRGIO”, O QUE TEM DENTRO?
ORA, SOBRINHOS!!! 136 FAIXAS! O FINO DA BLACK MUSIC AMERICANA DOS 1970! TUDO O QUE VOCÊ OUVIU E AINDA OUVE NAS RÁDIOS E MAIS, MUITO MAIS!!!! ACOMPANHA LIVRETO COM ENSAIO LONGO E MUITO BEM ESCRITO. HÁ VERBETES COM A DESCRIÇÃO TÉCNICA PORMENORIZADA DE CADA UMA DAS 136 FAIXAS.
INICIA COM “GRAZING IN THE GRASS”, MEGA SUCESSO COM “THE FRIENDS OF DISTINCTION”, EM 1969. E TERMINA COM “ROSE ROYCE’ EM “GOLDEN TOUCH”, DE 1981.
NO MEIO, “WILSON PICKETT,” “DONT KNOCK MY LOVE”, 1971, POR EXEMPLO. E TANTAS E DIVERSAS OUTRAS FAIXAS COM “AL GREEN”, “BROOK BENTON”, “SLY & THE FAMILY STONE”, “DELPHONICS”, “THREE DEGREES”. “100 PROOF AGED IN SOUL”, “HONEY CONE”, “CHI-LITES”, “ISAAC HAYES”, “STYLISTCS”, “SPINNERS”, “TOWER OF POWER”, “BILLY PAUL”, “WAR”, “KOOL AND THE GANG”, “JAMES BROWN”, “LaBELLE” ,”LOU RAWLS, “EARTH WIND AND FIRE”… E ASSIM CONTINUA CHEIO DE BALANÇO E FESTA.
É BOX MUITO LEGAL E PERTINITENTE DA PRIMEIRA À ÚLTIMA FAIXA! E MUITO DIFÍCIL DE ENCONTRAR, PORQUE ITEM DE COLEÇÃO MESMO!
TIVE SORTE, E SE APARECER REBOLANDO NA TUA FRENTE …, SAQUE A “FADINHA MASTERCARD”, OU QUAISQUER DAS “MAGAS” SEMELHANTES.
TIO SERGIO RECOMENDA!
POSTAGEM ORIGINAL:29\12\2020
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DISCOS DE VINIL RAROS DA COLEÇÃO DO TIO SÉRGIO: LP 10″; E.PS; SINGLES E COMPACTOS

Pois é! Quando vim para os CDS, em 1989, foi por decisão meditada. Dia incerto, a ANGELA, minha mulher, presenteou-me com um “CD PLAYER”. E, quando a coisa tocou, a “modernidade” esmurrou a minha cara!
À primeira “ouvida” , um som puro e sem chiados, Uau! Depois de comprar vários CDS, demorei meses até perceber a real diferença de tecnologia. E, também, o engodo sonoro intrínseco dos COMPACTS DISCS da primeira geração – que traziam som mais “achatado”, “brilhoso” e “sem nuances”…
Mesmo assim, fui firme e fundo substituindo minha já excelente discoteca de LONG PLAYS por CDS. Na verdade, eu e meu amigo SILVIO DEAN, abrimos uma loja de COMPACT DISCS, na Avenida Paulista, em SAMPA, e usamos nossas coleções de vinis para capitalizar a CITY RECORDS. Foi em 1991. E deu certo por algum tempo.
O fato é que os CDS haviam chegado para ficar – supúnhamos!!!. – e permanecem. Mesmo em retirada galopante e sendo substituídos pela nova geração de DISCOS DE VINIL!!! É volta ao passado que, devo confessar, ainda não descobri o PORQUÊ. Eles são caríssimos, pouco práticos, mesmo que esteticamente atraentes e refinados.
Claro, o COMPACT DISC e suas variantes melhoraram demais ao longo do tempo. Hoje, minha discoteca e coleções estão quase totalmente neste formato.
Mas tenho prospectado e “conseguido pelaí” exemplares raros ou inusitados em VINIL; que juntados a poucos remanescentes do passado, moram em cantinho na estante.
Aqui estão alguns interessantes, produtos de buraco em meu orçamento e da curra fiscal indecente promovida pelo ESTADO BRASILEIRO!
1) ART: É a banda antecessora da SPOOKY TOOTH. Aqui, a reedição de um SINGLE, lançado em 1967, pela ISLAND;
2) GROBSCHNITT: ótimo grupo alemão criado em 1970, que nos primeiros 20 anos oscilou entre a PSICODELIA e o PROGRESSIVO”, criando um KRAUTROCK original e CULT! “Anywhere”, foi gravado ao vivo em 2010. O lado dois deste SINGLE traz o duo TARAS BULBA, que foi parte da banda, mas tem vários discos no chamado DREAMPOP! Instigante!
3 ) SUN RA! Ele toca piano e dá entrevista neste SINGLE um tanto fora do esquadro;
4) KINKS: KWYET KINKS: Reedição de EP. de 1965, imperdível para os KINKÔNIKOS feito eu e o Ayrton Mugnaini Jr.
5) EPISODE SIX e WAIWRIGHT´S GENTLEMEN: duas BEAT BANDS com IAN GILLAN; a segunda, também com ROGER GLOVER. Lançados em 1965, muito antes de ambos se cruzarem novamente no DEEP PURPLE, em 1970! É um EP, reeditando dois SINGLES das duas bandas.
6) MOODY BLUES: TUESDAY AFTERNOON / VOICES IN THE STKY – Compacto simples nacional, raro e e preciso, lançado em 1968;
7) SOUL SURVIVORS: Banda de New Jersey, tipo sub- YOUNG RASCALS, em SINGLE original, que é o primeiro disco importado que comprei! EXPRESSWAY , foi razoável sucesso. E o lado B traz HEY GYP, composição de DONOVAN, aqui em versão psicodélica ultra expressiva! É relíquia de 1967!
😎 JOHNNY RAY, O Mr. EMOTION: o grande cantor branco e cego, e sua voz ultra peculiar! EP australiano.
9) JOHN´S CHILDREN: Outro EP de banda PSICODÉLICA inglesa, lançado no Austrália. MARK BOLLAN, antes do T.REX, também esteve por lá!
10) YARDBIRDS – LIVE IN SWEDEN, 1967 – JIMMY PAGE na guitarra, em LP de 10″ , com 8 músicas, considerado por muitos um ótimo achado relativamente recente!!! Eu não ouvi, ainda…
Este VINIL foi consequência de um engano. Pensei que havia comprado CD!!! Aliás, com este eu recebi 3 VINIS dias desses, que tinha certeza viriam em CD!!!!!
Adorei os erros cometidos! Exceto pelo preço abusivo pago: Apenas este LP, incluído ASSÉDIO CAMBIAL E CURRA FISCAL, custou $ 37,00 – uns R$ 230,00 mandacarus!
11) YARDBIRDS: “Happenings Ten Years Time ago / Psycho Daisies”: as duas únicas faixas em que JEFF BECK e JIMMY PAGE tocam juntos! É um CLÁSSICO ABSOLUTO da Psicodelia Inglesa. Em SINGLE maravilhoso, de 1966, relançado em 2023 pela DEMON RECORDS!!!
12) PLASTIC PEOPLE: Banda psicodélica americana. Obscura, produzida por CURT BOETTCHER, também ligado à produção dos BEACH BOYS. É um Compacto Simples nacional raro, lançado pela MOCAMBO, em 1967, e ninguém sabe bem por que? Não há nada em CD, mas no STREAMING é possível escutar. Eu adoro!
Ah, continuo não tendo um PICK UP para tocar. Mas, em 2026 eu vou comprar um!
POSTAGEM ORIGINAL: 29\12\2024
Pode ser uma imagem de 11 pessoas, toca-discos e texto