ROBERT JOHNSON & SEGUIDORES: BLUES CLÁSSICO E SEMINAL

A minha edição da obra de ROBERT JOHNSON não é a clássica e definitiva em CDs que inspirou, para não dizer ditou, as capas internas deste CD triplo do guitarrista inglês PETER GREEN.
O exemplar aqui é inspirado em álbum lançado na década de 1960, chamado KING OF THE DELTA BLUES SINGERS, também pela COLUMBIA RECORDS.
Para mim, é o suficiente; e tem visual menos lúgubre. Porém, o que eu gostaria, mesmo, de poder pagar e ter, é a edição feita uns vinte anos atrás, em VINIL do tamanho original das edições de época, em 78 rotações!!!!
A edição é composta por “todos” os “vinis” originais encontrados. Foram acondicionados em CAIXA de MADEIRA, verdadeira obra prima, com BOOK expondo e explicando quem foi o negão, OOOPPSSS, o PRETÃO aí!!!! Mas, nem sonhar, tio SÉRGIO! não é pro teu bico!
Música e artes – e como tudo na vida -, são mais bem definidos por seu contexto. Na perspectiva de um ouvinte de JOHNSON, hoje, a sonoridade é rascante e básica. Então, voltar a ouvir foi, pra mim, penoso. Genuíno e raiz, sem dúvida.
Porém, a maioria de nós teve acesso a ele via a turma do ROCK. E ROBERT JOHNSON é inspiração principalmente para guitarristas. A versão ao vivo de CROSSROADS, feita pelo CREAM em 1967, é de longe a mais progressiva, pesada, verdadeira e expressiva da obra do VELHO MESTRE !
Quase todo guitarrista de BLUES/ROCK que se preze, abordou e tentou tocar a obra de JOHNSON. Aqui, álbum triplo de PETER GREEN e seu EXPLINTER GROUP, interpretando ROBERT. GREEN era guitarrista de alta inventividade e técnica. Mas cantor sem qualquer inspiração. Mesmo assim, é versão interessante de se possuir, ouvir e colecionar.
Em minha opinião, entre os ingleses é CLAPTON o mais afinado com a intenção de JOHNSON, seu jeito de cantar, e o uso da guitarra. Foi ERIC quem fez as melhores versões e arranjos a que tive acesso. Há um vídeo/documentário onde CLAPTON mostra poster de JOHNSON, e observa o tamanho dos dedos do negão, quando postos no braço da guitarra !
Impressionantes!
Corolário irreverente do TIO SÉRGIO: ainda bem que ROBERT JOHNSON foi músico, e não UROLOGISTA… Não consigo imaginar o estrago que o “DR” causaria em seus pacientes realizando um exames de próstata!
Melhor continuar ouvindo a música que ele compôs…
POSTAGEM ORIGINAL: 01\04\2022
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KEITH TIPPET & CENTIPEDE – SEPTOBER ENERGY – 1971 JAZZ AVANT GARDE + ROCK PROGRESSIVO + FUSION JAZZ

TENHO DUAS EDIÇÕES DIFERENTES: A “INGLESA” TEMCOM A CAPA BRANCA E AS LETRAS EM PRETO. É DERIVADA DO ORIGINAL DA R.C.A. E AS QUATRO PARTES DA OBRA ESTÃO EM ÚNICO CD.
A “EDIÇÃO AMERICANA” É COLORIDA, MAIS BONITA E ATRAENTE. SÃO DOIS CDS, COMO OS “LONG PLAYS” DUPLOS ORIGINAIS.
Conheço o disco faz décadas. É um CULT do COLECIONISMO para os que procuram jacarés nos pântanos da música. E tanto para a turma do ROCK PROGRESSIVO, quanto para o pessoal do JAZZ mais experimental, ou da FUSION.
O álbum é um ornitorrinco!
Imagine o seguinte: KEITH TIPPET é pianista, arranjador e compositor desta peça difícil, e muito complicada para ser gravada.
É obra cheia de sutilezas expressas ou requeridas, que junta uma orquestra com 50 músicos ( na verdade 55 ) – daí o nome “CENTIPEDE”, centopéia -, para executar as 4 partes que a compõe!
O quebra cabeças é imenso. Há vinte violinos, 7 cellos, 3 baterias, 6 baixos ( elétricos, ou não ), 1 guitarra, 1 piano e 4 vocalistas. E todos servem de suporte para 5 trompetes, 4 saxes altos, 4 tenores, 3 barítonos e 4 quatro trombones!!!! Que tal?
E, não para por aí!
O disco foi pensado em núcleos, por assim dizer; e é executado nos instrumentos de sopro por duplas, trios, quartetos, e quintetos de “solistas” !!! E todos procuram tocar em contraponto, ou em massa, suportados pela turma das cordas, que faz base harmônica em alguns momentos um pouco mais identificável e mais próxima do tradicional. Em outros, porém, gerando “pseudo anarquia”!
Captaram?
Seria FREE JAZZ?
Eu acho que não totalmente.
Mas vamos caminhar com “os ouvidos” um pouco além, e ver no que dá…
KEITH TIPPET é o pianista inglês de vanguarda, que em 1971 já havia participado em 3 discos do KING CRIMSON: “LIZARD”, “ISLAND” e “IN THE WAKE OF THE POSEIDON”. Ele consegue ser simultaneamente lírico e ousado. É um MESTRE DAS SUTILEZAS!
TIPPET para fazer o disco convocou amigos. Gente do SOFT MACHINE, DO KING CRIMSON, do IAN CARR & NUCLEUS, e outros luminares da linha de frente britânica da música contemporânea.
Se vocês clarificarem o tamanho da encrenca encontrarão lá:
Trompetes e corneta (?) com IAN CARR e MARK CHARING; saxes altos: ELTON DEAN, IAN McDONALD; tenor: ALAN SKIDMORE; barítono: KARL JENKINS; trombones: NICK EVANS, PAUL RUTHERFORD; bateristas: JOHN MARSHALL e ROBERT WYATT; baixos: ROY BABBINGTON, JEFF CLINE, DAVE MARKEE. Em resumo, a raiz, o caule e as folhas do novo JAZZ INGLÊS da época!
Nos vocais, e só para garantir anarquia, MIKE PATTO ( literalmente grasnando!!! ), ZOOT MONEY; e JULIE TIPPET, ex – JULIE DRISCOLL, conhecida e CULT cantora que participou com o tecladista BRIAN AUGER em vários discos legais no ” melting pot que abrange R&B, ROCK PROGRESSIVO, JAZZ, BLUES, e vasto enfim!!!
Pois, então: e para coordenar os trabalhos, produzir, organizar o caos possível e comprovável?
ROBERT FRIPP.
Mas, o FRIPP????!!!, TIO SÉRGIO?
Sim, escolha exata!
Ele retribuiu a TIPPET a participação nos discos do KING CRIMSON. É o cara certo para botar ordem, convencer e mandar. Tem um intelecto organizado, sabe deixar rolar, colocar, vírgulas, e mandar parar… E conhece as experimentações e vanguardas.
FRIPP é ousado e meticuloso. E conhecido como um déspota do bem: discute; mas, quando diz “não é não”!!!
Quanto ao disco em si, li que a ideia de KEITH TIPPET era “ROMPER FRONTEIRAS FEROZMENTE”; buscando no “momento executado” o “AGORA”; mas dentro de uma lógica que fugisse do “conforto” e das regras rígidas da “HIGH ART”!
Entenderam? Eu ainda estou tentando…
Talvez, como também está no livreto: “ele orientasse os riffs básicos do JAZZ – ROCK para sustentar estruturas mais “soltas”, mais próximas do FREE-JAZZ.” Ou, a ideia central quem sabe fosse captar a energia das BIG BANDS com a sensibilidade dos pequenos grupos!
Sacaram? Eu continuo desvendar e descontruir o quebra-cabeças!!!
Presumo, resumindo, que ele pretendesse deixar o time improvisar com liberdade, mas dentro da melhor técnica musical possível. Em alguns momentos, a turma da base também participa do forrobodó; em outros, a turma de frente volta-se à base harmônica. É bonito, e distinguível quando se ouve a obra com mais atenção…
Curiosamente, em alguns momentos tudo parece rompido ou consolidado por alguns riffs e solos de guitarra, feitos por BRIAN GODDING. Porque FRIPP não tocou uma linha sequer no disco!
Lembram-se do show do KING CRIMSON, no ROCK IN RIO?
FRIPP comandava a banda com a guitarra; mandava e desmandava; rompia o construído, ou deixava andar a seu comando. Vi semelhanças entre os dois gestos…
Quando o disco foi lançado, houve uma avalanche de críticas. A turma do ROCK, que o comprou por causa de ROBERT FRIPP, frustrou-se. Porque ele só produziu. A turma da VANGUARDA achou o disco não coeso, um monumento desencontrado…
Talvez merecesse uma remasterização com algum craque de estúdio contemporâneo. Fico imaginando STEVEN WILSON. Ou algum japonês meticuloso em atividade. Mas, quem sabe um alemão desses que fazem o trabalho espetacular com a BEAR FAMILY RECORDS!
Gente capaz de colocar as coisas no lugar, limpar excessos, realçar trechos esquecidos ou mal masterizados. Essas coisas complexas, que deixam audiófilos e ouvintes sofisticados de orelhas em riste!
TIO SÉRGIO aqui passou duas tardes escutando para ver se compreendia o que foi esboçado e feito… Comparei, observei, bebi…. depois, tomei a vacina contra a COVID e fui ouvir o disco de novo…
E de tanto pensar virei jacaré!
POSTAGEM ORIGINAL: 01\04\2021
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VAINICA DOBLE – ÓPALO RECORDS – 1971

Dupla feminina espanhola de atuação inconstante, mas influência definidora no melhor POP ALTERNATIVO de lá.
VAINICA DOBLE significa “costura dupla”, metáfora bem apropriada para a belíssima HARMONIA VOCAL que “costuraram”. Elas cantam divinamente um “blend” de POP e FOLK PSICODÉLICO muito original, com retrogosto do melhor ROCK INTERNACIONAL da época.
CARMEM SANTOJA e GLORIA VAN AERSSEN possuem vozes lindas, educadas e cristalinas. E compõe de maneira criativa. É raro aparecer canções com melodias tão bonitas e bem construídas, do jeito as que duas fizeram! E, na época desse disco, já eram mulheres algo maduras. A banda que as acompanha é, também, ótima!
IAN ANDERSON, do JETHRO TULLl, falou certa vez que foi assistir a um show de SIMON & GARFUNKEL. E saiu convencido de que faria muito melhor. E fez!
Aconteceu o mesmo com as duas.
Assistindo a um festival qualquer na Espanha da era Franco, ficaram horrorizadas com nível dos artistas e seus repertórios. Resolveram compor; e fizeram melhor, muito melhor!
A dupla gravou outros discos, sempre na confluência FOLK-PSICODELIA e ROCK PROGRESSIVO.
Este aqui é, também, indicação nos livros de HEINZ POKORA, o caçador e restaurador do submundo desconhecido da música POP. O álbum original vale muitos mandacarus! – dólares, euros…
Procurem as moças na internet. Tio Sérgio recomenda bastante!
POSTAGEM ORIGINAL: 03\04\2019
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