DAVID SYLVIAN & ROBERT FRIPP – 1993\1995 – CONJUNÇÃO ESPETACULAR!

Seria impossível contar a HISTÓRIA DO ROCK sem considerar o que fizeram e fazem esses dois cavalheiros.
ROBERT FRIPP, é a essência do KING CRIMSON, talvez a mais emblemática entre as bandas de MUSICA DE VANGUARDA dos últimos cinquenta e tantos anos. Eles percorreram, e permanecem ousando por veredas conhecidas, ou não, do que se pode chamar de o vasto BIG-BANG DO ROCK PROGRESSIVO.
FRIPPP é um guitarrista de múltiplos talentos. É músico dos músicos. Um general do bem orientando invasões, estranhamentos, e pacificações musicais por onde passa e toca.
Ele e o KING CRIMSON estiveram por aqui no Rock in Rio, em 2019, onde fizeram show memorável! Quase sacrifiquei a minha preguiça para vê-lo…
Para se ter uma ideia aproximada, quando CURT COBAIN do NIRVANA morreu, estava escutando o disco “RED”, do KING CRIMSON, um primor estranho lançado em 1974!
CURT considerava o “maior álbum de ROCK de todos os tempos”. Elogio considerado por alguns improvável, já que vindo de um “GRUNGE”. É obra que se pode considerar de “ART ROCK”, ou sei lá o quê… Porque é muito mais do que isso!
DAVID SYLVIAN percorreu outro caminho. Fez sucesso nos a 1980 com o JAPAN, grupo “NEW WAVE”… hummm!…. algo vanguardesco, portanto diferenciado.
A carreira solo de SYLVIAN é magnífica! Imperdível! Ele possui voz é belíssima! Timbre diferenciado entre o tenor e o barítono; um colorido sempre identificável à primeira audição, que DAVID usa emoldurado por arranjos entre o ETHEREAL, o NEW AGE e a AMBIENT MUSIC. Deslumbrante!
SYLVIAN é seguidor de outra vanguarda desenvolvida pelo multi-expressivo BRIAN ENO, que junta MINIMALISMO, EXPERIMENTAÇÕES COM MÚSICA DE VANGUARDA EUROPEIA, e KRAUTROCK. E, digamos, pitadas de “NÃO MÚSICA”, na definição escorregadia do próprio ENO!
Os discos de DAVID SYLVIAN são aconchegantes, agradáveis, intrigantes; e sempre tangenciando o desconhecido… Servem para quem gosta de MEDITAÇÃO. Encanta os que “CURTEM UM SOM” viajante. É artista raro e precioso!
Tudo considerado, se você juntar SYLVIAN e FRIPP terá o melhor do ROCK PROGRESSIVO em compósito ao ELETRÔNICO DE VANGUARDA CONTEMPORÃNEO!
A primeira colaboração entre os dois foi em “GONE TO EARTH, disco solo de SYLVIAN, em 1986, onde um time de craques participa. É música para sensibilidades, gostos variados e sofisticados. Tio SERGIO recomenda.
Baseado na experiência, FRIPP convidou DAVID para entrar no KING CRIMSON, em 1991.
Não fizeram isso; mas juntaram o CRIMSON com a voz e criatividade de SYLVIAN em QUATRO DISCOS na foto. Entre eles um BOOTLEG raríssimo e fantástico: “THE DAY BEFORE”; e um disco de remixes, DARSHAN, 1993.
Quando “THE FIRST DAY” saiu, em 1993, houve um pequeno terremoto pop. Eu recordo do meu grande amigo, o falecido jornalista JEAN YVES DE NEVILLE, chegando em minha casa com o CD e exigindo que eu escutasse imediatamente!
Achei e acho obra imprescindível!
Também por aqui COLETÂNEA DUPLA espetacular da carreira de SYLVIAN: EVERYTHING AND NOTHING, lançada me 2000, e bastante pertinente ao contexto. E um sensacional SHOW AO VIVO, “LIVE IN THEATRE”, de 1988; em BOOTLEG raríssimo e de qualidade perfeita, onde toda a verve, técnica e riqueza musical de DAVID ficam expostas.
São discos que servem de resumo para outros que tenho dele. E quem escutar e não correr atrás para conseguir, não passa no “vestibular”. São currículo básico em ROCK e outras VANGUARDAS!
POSTAGEM ORIGINAL 17/02/2023
Pode ser uma imagem de 3 pessoas e texto

“ROCK AND ROLL RAIZ”, AS FLORES, ESPINHOS E COMORBIDADES LANÇADAS PELA BEAR FAMILY RECORDS !

TIO SÉRGIO vai contar. Mas, só um pouquinho:
Sabe aqueles artistas e discos de caras que você ouviu falar, e um monte de outros que nem imaginava existirem? É o pessoal hoje classificado como “VINTAGE”, gente que veio antes dos BEATLES, do METAL, do PUNK…
Estão nessa classificação branquinhos, brancões, pretinhas e pretões. Há meninas brancas não exatamente tímidas ou recatadas. Mas às vezes sim, algumas comportadinhas! Estão aqui pretinhas e pretonas que punham os “Yas, Yas” e os vozeirões pra fora em igrejas e outros recintos não tão consagrados…
Sabe não? Sabe mais ou menos? Pois, é! Este problema foi equacionado e resolvido.
Se quiser conhecer mesmo sobre esses tempos e gentes, há uma série fabulosa lançada pela honorável BEAR FAMILY RECORDS; meticulosa, audaciosa, e incrivelmente eficiente gravadora alemã, que mapeia à exaustão OLDIES e VINTAGES do ROCK e da BLACK MUSIC, principalmente americanos.
A SÉRIE ROCKS traz uns 70 CDS produzidos e soando no ESTADO DA ARTE. Vêm com LIVRETOS, FOTOS e TEXTOS, em design soberbo e matador! É coleção exuberante!
Os preços também são abrasivos, insuportáveis! Hoje, uns $35 “TRUMPINÁCIOS” – a moeda que combina LULA e o DONALD; curra fiscal incluída.
Está todo mundo lá. Menos o ELVIS PRESLEY, de quem eles já lançaram e continuam lançando dezenas de Vinis, CDs e Vídeos. Mas se tivessem feito uma coletânea espetacular como essas todas aqui, sempre com no mínimo 30 músicas, seria pura e espetacular autofagia!
Por enquanto, tenho esses. Históricos! Nos próximos meses chegarão outros. Antes, eu planejara conseguir todos. Entre eles “notáveis” como SLEEPY La BEEF, GLEN GLEN e + e + e até cumprir e dobrar a meta… ( oi, presidenta DILMA! A senhora gosta de ROCK AND ROLL? ).
Mas, TIO SÉRGIO, quem são esses dois caras aí no final do parágrafo?
Sei lá! Nunca ouvi falar deles e de mais uns tantos que fazem parte da coleção!!! Mas, se estão aí é porque são legais, complementares e colecionáveis.
No entanto, esfriei; e reduzi para uns 30 ou 35… Vou ficar com artistas mais famosos e importantes. Afinal, estão caros demais, e não são tão assim a minha praia…
Procurem!!!! Porque eu já encontrei.
Pode ser uma imagem de 6 pessoas, toca-discos, saxofone e texto que diz "PoCKS Br enda Lee ROCk THE 15T ROYALES ROSKS EDDIE EDDIE_COCHRAN COCHRA BOCKS PERK SLIMHARPP HARPO GENE ROCKS GENE NEVINCENT VINCENT CONSLE DOCKS CONNIE CONNIEFRANG FRAN BOCKS BODIDOLEY BO DIDDLEY Bock's LittieRichara Little Richard ROCES HALEY HALE DEDOY POCkS JERRY JERRYLEELEWIS LEE LEWIS Docks GhuckBejry Bejry Chụck Roces Big Joe Turner BigJoeTurner ner 0OO RUCKS ROVORBISONI N FATS FOCES FATS DOMING"

TIO SÉRGIO E OS “SEBENTOS”: E TRÊS PRECIOSIDADES EM VINIL EDITADAS NO BRASIL

Eu, tu, nós, eles… que apreciamos coisas velhas, somos frequentadores de SEBOS. Catadores de relíquias, velharias, e tudo o que preserve legados, ilumine o passado, nos aproxime do eterno. É HOBBY delicioso e instrutivo.
Esta semana, fui a um antigo SEBO na região do CAMPO BELO, bairro nobre de SAMPA, um dos lugares onde giro com alguma frequência.
Bom; quem garimpa em sebos, feiras, lojas, etc… sabe o que interessa. E, por isso mesmo, a experiência nos atenta para presepadas; e nos faz ficar com duas de nossas quatro patas atrás, em alerta…
O TIO SÉRGIO aqui, mesmo de quadrúpede semialfabetizado, tem noção das coisas. Porque cata latas desde os 14 anos; quer dizer, faz 58 unidades ahhh… anais… oopss, quero dizer anuais, mais ou menos… Por isso, aprendi o quanto as “latas” podem valer…
Pois bem! Os álbuns na foto pintaram na minha frente no SEBO. Fato talvez inspirado pelos “céus”. Examinei, constatei o estado lamentável, “cheios de navalhadas na carne”; riscos, valetas intransponíveis. E aparência “molamba” fruto de quem torturava os pobres com agulhas deterioradas; dedos imundos, e outros acepipes encontráveis em masmorras de ditaduras. Mas, eles foram cheirados, olhados, apreciados, vistoriados e cheguei a conclusão de que não estavam em condições de uso…
Fazer o quê? Perguntar o preço, claro. A primeira resposta foi ofensiva. Não havia preço no produto. Então, foram consultar o dono que, como é “normal”, olhou em minha cara e deu o veredito: “Eu posso fazer R$ 50 reais cada um”. TIO SÉRGIO, que é grandalhão, iluminou o diálogo e respondeu: “Mas de jeito nenhum! São imprestáveis” – e são mesmo! – “Eu ofereço R$ 80,00 reais por todos! ” É pegar ou largar! “O cara fez muchocho, reclamou e acabou pegando.
Os dois BYRDS, mas em compactos duplos, eu havia recebido de presente de meus pais, no natal de 1966! São edições brasileiras da CBS: MR. TAMBOURINE MAN saiu aqui, em 1965; e TURN! TURN! TURN, em 1966! As capas estavam mal conservadas, mas recuperáveis. O vinil? Dá dó!
Quanto aos YOUNG RASCALS, o Long Play saiu em 1967 – e foi dos primeiros que comprei com o dinheiro do meu próprio salário! A capa exigiu operação drástica. Por sorte, mantive umas capas sem uso de vinis. Tirei cópia do original, dei um jeito de colar, e transformei em outro objeto não xexelento. Hoje, limpei, lavei, consertei o que foi possível. Continuam inaudíveis; mas estão apresentáveis. Comprei pelo valor sentimental.
Em defesa do “sebento”, eu afirmo que acabou por “preservar” três raridades. Fazer a intermediação para alguém que poderia recuperar ao menos para guardar, conservar o objeto histórico.
É isso. Será que eu fiz bem?
POSTAGEM ORIGINAL: 15/02/2025
Pode ser uma imagem de 5 pessoas, toca-discos e texto

FRANK ZAPPA, ROBERT FRIPP E DAVE CLARK. ARTISTAS QUE ASSUMIRAM O CONTROLE DA PRÓPRIA CARREIRA E COM SUCESSO.

O QUE TÊM EM COMUM OS TRÊS? DO PONTO DE VISTA ARTÍSTICO, AS PROPOSTAS DE CADA UM É ORIGINAL, IDENTIFICÁVEL E ADMIRÁVEL EM SEU NICHO DE MERCADO. MAS DA PERSPECTIVA EMPRESARIAL, TANTO “DAVE CLARK”, QUANTO “FRANK ZAPPA” OU “ROBERT FRIPP” SOUBERAM TOMAR CONTA DA CARREIRA, E DA PRÓPRIA VIDA DE JEITO COMPETENTE.
CONSEGUIRAM PRODUZIR, GANHAR DINHEIRO, ESTABELECER RENDAS E ACERVOS PARA O FUTURO. E TIRAM PROVEITO DESSA LIBERDADE RARA.
O PRIMEIRO A CONSEGUIR ISSO FOI O “DAVE CLARK 5”. UM RETUMBANTE SUCESSO ENTRE 1964 E 1969. VENDERAM MILHÕES DE DISCOS MUNDO AFORA, E PRINCIPALMENTE NOS ESTADOS UNIDOS.
O “DC5” CHEGOU A GRAVAR 4 LONG PLAYS POR ANO! TODOS MAIS CURTOS DO QUE DISCOS DE “JOÃO GILBERTO”: EM TORNO DE 23 MINUTOS, NO TOTAL!!!!
FORAM MAIS VEZES DO QUE OS “BEATLES” AO GRANDE PROGRAMA DA TELEVISÃO AMERICANA EM MEADOS DA DÉCADA DE 1960, O “ED SULLIVAN SHOW”. E RECEBIAM CACHÊS 50% MAIOR! EXCURSIONARAM MUITO PELO PLANETA COM A LOTAÇÃO ESGOTADA.
DETALHE FUNDAMENTAL: A NEGOCIAÇÃO ERA FEITA DIRETAMENTE COM ‘DAVE CLARK”, BATERISTA, PRODUTOR E DONO DA BANDA. PORTANTO, A PARTE DO LEÃO TAMBÉM FICAVA COM ELE!
JAMAIS FORAM EXPLORADOS PELA GRAVADORA, E DAVE FINACIAVA A PRODUÇÃO DOS DISCOS, CONTROLANDO DESDE SEMPRE TODA A DISCOGRAFIA, RELANÇAMENTOS, LICENCIAMENTOS.
EM 1968, “DAVE CLARK” JÁ MORAVA EM UM “PENTAHOUSE” EM MAYFAIR, BAIRRO CHIQUE DE LONDRES. NA MESMA ÉPOCA, OS “BEATLES” FALIRAM; E OS “ROLLING STONES” NÃO ERAM OS DONOS DO QUE PRODUZIRAM NA FASE ÁUREA – O RESULTADO FOI APROPRIADO DURANTE DÉCADAS POR “ALEIN KLEIN”, EMPRESÁRIO NADA ESCRUPULOSO.
“ROBERT FRIPP”, É DONO DE TUDO NO “KING CRIMSON”, HÁ MAIS DE 40 ANOS. É SUCESSO ARTÍSTICO ININTERRUPTO, E ESTÁ CERCADO POR CUIDADOS PARA MANTER O ACERVO E A INDEPENDÊNCIA.
FRIPP É VISTO COMO DÉSPOTA ESCLARECIDO, E UM LÍDER E CONVINCENTE. ROBERT CUNHOU A FRASE DEFINITIVA SOBRE A INDÚSTRIA MUSICAL: “A HISTÓRIA DO POP É A CRÔNICA DO ROUBO, DA USURPAÇÃO E DO DESRESPEITO.” BASTA LER BIOGRAFIAS DOS GRANDES ASTROS, SEUS IMPASSES E MARTÍRIOS PARA CONCORDAR.
COM ELE, NÃO!
“FRANK ZAPPA” TAMBÉM NÃO SE DEIXAVA ENGANAR. E CONTOU, CERTA VEZ, QUE EM TURNÊ VIU “DUKE ELLINGTON” IMPLORANDO PARA O EMPRESÁRIO COMPRAR UM SANDUÍCHE!!!!!!
ZAPPA FICOU TÃO HORRORIZADO QUE PASSOU ELE MESMO A CONTROLAR TUDO; DA GRANA À PRODUÇÃO ARTÍSTICA. CONCLUIU E DISSE: “SE FAZEM ISSO COM UM DOS GRANDES GÊNIOS DA MÚSICA, O QUE FARIAM DE MIM?!?!
TRÊS GRANDES ARTISTAS E CARAS LÚCIDOS E REALISTAS! SEUS ENSINAMENTOS SERVEM PARA CADA UM DE NÓS: É PRECISO TENTAR SER O INSTRUMENTO DE “SUA PRÓPRIA POLÍTICA”. ADMINISTRAR A PRÓPRIA VIDA É MUITO DIFÍCIL! MAS É MANDATÓRIO!!!
POSTAGEM ORIGINAL: 23/02/2023
Pode ser uma imagem de 2 pessoas

HARMONIA + ENO: TRACKS AND TRACES AMPLIADO, 1976, LANÇAMENTO EM VINIL E ANDANÇAS E VIAGENS DE ALGUNS CRIATIVOS PELOS HANGARES E RADARES DO KRAUTROCK, E DA EXPERIMENTAÇÃO MUSICAL: 1973/1979

Fiquei sabendo que PHILLIP GLASS terminou e lançou em 2022, a sua DÉCIMA SEGUNDA SINFONIA, completando a trilogia BERLIM de DAVID BOWIE, que junta três discos seminais da saga criativa do ROCK através dos tempos.
GLASS havia acertado com BOWIE que também comporia sobre o terceiro o disco, LODGER, original de 1979. Já havia feito magnificamente sinfonias baseadas em LOW, em 1993; e HEROES, em 1996.
Agora, esse triatlo artístico de grande fôlego e pertinência já está disponível.
Não percamos. É obrigatório; e DAVID e PHILLIP merecem.
O histórico e pioneiro do ROCK PROGRESSIVO nas rádios de São Paulo, Jaques Sobretudo Gersgorin, dizia no KALEIDOSCÓPIO, o seu programa,😀 que ROCK era o encontro da “MAGIA COM A TECNOLOGIA”.
E a tecnologia recuperou a magia desenvolvida por um SUPERGRUPO alemão de KRAUTROCK formado em 1973.
O HARMONIA foi um trio em coalisão – colisão? – que juntava MICHAEL ROTHER, guitarrista e multi-instrumentista, que iniciou a carreira emulando KINKS, HENDRIX e o THEM. E, depois, os desconstruiu no NEU, a dupla CULT que formou com KLAUS DINGER, outro fora de esquadro.
Para construir o HARMONIA vieram mais dois músicos com sobrenomes que parecem retirados de algum alfarrábio escrito em latim:
HANS-JOACHIM ROEDELIUS, e DIETER MOEBIUS, ambos em teclados, percussão e instrumentos eletrônicos vários, formavam desde 1971 o CLUSTER, dupla que subsistiu longamente em idas e vindas, associações, e vasto etc… existencial.
Para simplificar, NEU + CLUSTER = HARMONIA, nome que escolheram quase ironicamente, tanto por causa da beleza de FORST, no interior da ALEMANHA onde viviam, quanto pela tensão criativa gerada pelos três, quase um amor à primeira vista, brincavam.
Em frase brilhante que li sobre eles, os três sabiam perfeitamente que a ALEMANHA OCIDENTAL não era o QUINQUAGÉSIMO PRIMEIRO ESTADO AMERICANO!
Portanto, desfigurar, reconstruir, e recriar um ROCK à imagem e semelhança da sólida e independente cultura ALEMÃ, era mais do que ESTÉTICA. Ladeava com a ÉTICA!
Vocês recordam BELCHIOR quando canta que um TANGO ARGENTINO LHE CAÍA BEM MELHOR DO QUE UM BLUES?
Pois, é!
STOCKHAUSEN e a MÚSICA DE VANGUARDA falava aos meninos. E dava o tom para quase a totalidade do KRAUTROCK, visto como ROCK PROGRESSIVO alemão de características próprias:
É PLENO DE ELETRÔNICA, IMPROVISAÇÃO e POLIRITMIA. E vai da MÚSICA ESPACIAL à NEW AGE; comporta percussão inspirada em diversos lugares do mundo. E, nele viajam do TANGERINE DREAM, ao CAN, passando pelo KRAFTWERK e incontáveis e apreciados militantes…
O KRAUTROCK não é um modismo, e nem movimento xenófobo.
Ao contrário, é um enorme criadouro cultural. Um compósito versátil de ROCK, WORLD MUSIC e o PROGRESSIVO tradicional. Abrange e integra o FOLK, o HEAVY, e o BEAT; e articula elementos do JAZZ de VANGUARDA e da música CLÁSSICA.
Todos combinados, ou não, misturaram-se a essa estética poderosa e produtiva, que se instalou na EUROPA, e mantem-se.
O tempo e a criatividade perfuraram as camadas que se abriram para o ROCK INDUSTRIAL, o TECHNO e o GOTHIC ROCK. E, vertiginosamente fertilizou o RAP, e as diversas variações da MÚSICA POP ELETRÔNICA atual.
ENO disse que o HARMONIA era o “melhor grupo do mundo, entre 1973 e 1975”!!!!
Mas, duraram apenas 3 discos, nenhum sucesso de público, e terminaram!
Porém, juntaram-se por umas semanas, em 1976, para fazer “TRACKS AND TRACES”, por iniciativa de BRIAN ENO, que levou para a ALEMANHA um gravador de 4 pistas e o histórico sintetizador VCS3.
Gravaram tudo em fita cassete, e o produto final resultou em baixa qualidade técnica.
Os tapes se extraviaram!
E quase perdemos esse disco lindo, que mistura a crueza do ROCK ELETRÔNICO alemão à concepção melódica da AMBIENT MUSIC – que ENO já vinha desenvolvendo, e intensificou à partir dali.
Os tapes só foram localizados mais de vinte anos depois! Mas, a MAGIA DA TECNOLOGIA atual possibilitou recompor tudo, e utilizar faixas extras, também feitas durante onze dias de gravação e convivência entre os quatro músicos.
O produto está aí. E, para os mais curiosos, existe BOX com 7 CDS e tudo o que o HARMONIA gravou. Para mim, é overdose. Para muitos, um importante reconhecimento histórico!
Mas, tio SÉRGIO, e o BOWIE, como entrou nisso?
Perfeitamente:
Vou acrescentar o IGGY POP na equação, também!
BOWIE e ENO eram fãs e ouviam muito KRAUTROCK . Ambos gostavam do HARMONIA, do CLUSTER e do KRAFTWERK. Perceberam a importância da nova música que estava sendo feita na ALEMANHA, desde o início dos 1970.
Antes da fase BERLIM, os indícios de outra mudança na carreira de BOWIE já despontavam.
O LP “STATION TO STATION”, 1976, pode ser considerado o primeiro da fase eletrônica de BOWIE. A influência do KRAFTWERK é notória!
Em 1977, BOWIE produziu dois discos para IGGY POP, e excursionou com ele para promover os discos tocando teclados meio na penumbra dos palcos.
“THE IDIOT” é, também, claramente marcado pelo KRAUTROCK, e LUST FOR LIFE, mais pesado, segue por ali.
Logo depois da gravar com o HARMONIA, adivinhem o que ENO fez?
Encontrou-se com BOWIE e TONY VISCONTI em BERLIM e gravaram “LOW”. Metade é instrumental, KRAUTROCK eivado por AMBIENT MUSIC.
ENO participou intensamente dos três discos da TRILOGIA BERLIM, arranjando, compondo, etc. E consolidou sua marca e criação.
As produções foram de TONY VISCONTI, parceiro de DAVID desde sempre.
A bem da exatidão histórica, HEROES, 1977, foi gravado na FRANÇA. E a guitarra “icônica” é tocada por ROBERT FRIPP, do KING CRIMSON, outro fã das vanguardas musicais, e participante com ENO em discos criativos e ousados de música eletrônica.
LODGER, 1979, o último da trilogia, foi gravado em NOVA YORK. E a guitarra é de ADRIAN BELEW, muito próximo de FRIPP ao longo da vida, e integrantes de várias bandas que BOWIE montou.
Uma perspectiva histórica mais correta consideraria a TRILOGIA BERLIM uma “TETRALOGIA”.
E a isso tudo é bom parear as duas produções de BOWIE para IGGY POP. E tratar os discos instrumentais de ENO, por exemplo ANOTHER GREEN WORLD, como pioneiros daquela modernidade em ebulição.
E dou meu pitaco final: o HARMONIA “harmoniza” muito bem com isso tudo!
Tentem, vale a pena conhecer.
POSTAGEM ORIGINAL FEVEREIRO 2022
Pode ser uma imagem de 1 pessoa

ELETRONICA: MENTES – A INTRODUÇÃO AOS FEITOS DE UMA GÊNIO BRASILEIRA: JOCY DE OLIVEIRA. E INDIVIDUAL INDUSTRY : POP ELETRÔNICO BRASILEIRO DE VANGUARDA, ANOS 1990.

A memória trai e atrai; a frase é um possível simplismo e jogo de palavras. Mas dia desses assisti no CANAL CURTAS, um documentário muito interessante sobre a música eletrônica brasileira, abrangendo dos “CLÁSSICOS/ERUDITOS” ao meramente POP/ROCK. Uma recuperação da importância de um cenário nada marginal, mas apocalíptico e integrado simultaneamente, por assim dizer.
Assistir ao filme trouxe à memória o histórico das vanguardas musicais não convencionais do século XX. Gente como LUCIANO BERIO, KARLHEINZ STOCKHOUSEN, IANNIS XENAKIS, LUCAS FOZZ, JOHN CAGE, CLAUDIO SANTORO; e uma pletora de “exóticos” vinculados de alguma forma à música elétrica e eletrônica, ou seja: não identificados com a modernidade da música “CLÁSSICA” mais conhecida.
Por assim dizer, eles formavam a nova concorrência outsider dos grandes “CLÁSSICOS – vá lá, ERUDITOS MODERNOS” – , gênios como ARNOLD SCHOEMBERG ou STRAVINSKY; e muito além de DEBUSSY, RAVEL ou mesmo OLIVIER MESSIAEN. Todos esses, claro, acústicos. Gente ousada por meios de expressão ainda bem tradicionais.
Seriam?
E, neste enorme ESPAÇO/TEMPO abrangido pelas duas macrotendências destaca-se a participação de uma das maiores artistas e teóricas da música contemporânea: a criativa professora, grande pianista, poetisa, e compositora brasileira JOCY DE OLIVEIRA, ainda viva e influente aos 86/7/8 anos!!!! E que os deuses a preservem!
Não vou me estender. Porque a estatura de JOCY é de tal magnitude, que estou fascinado estudando o que me é compreensível de sua multifacetada obra. Voltarei especificamente à mestra, qualquer outro dia…
Mesmo assim, vão aqui uns “parangolés” sobre JOCY. Vou apenas fazer duas citações:
1) JOCY gravou cantando e tocando piano, em 1958, o primeiro LONG PLAY de MPB DE TRANSVANGUARDA da história: “A MÚSICA SÉCULO XX DE JOCY DE OLIVEIRA”. Eu arriscaria dizer que é a “ANTI-BOSSA NOVA”. Disco inimaginável pelo conteúdo musical sofisticado e as letras não convencionais; e sobre o qual pretendo abordar outro dia.
2) Ela é o grande nome brasileiro da música “ELETROACÚSTICA”, designação apropriadíssima a parte da vanguarda musical, que surgiu na década de 1940. JOCY é uma teórica complexa; artista MULTIMÍDIA, compositora de “digamos”, ÓPERAS – porque ela mesma discorda do termo” – e outras invenções.
A sua primeira composição nesta linha, “APAGUE O MEU SPOTLIGHT” foi encenada em 1961, e sacudiu o TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO durante dez dias. Depois, viajou mundo afora.
A obra foi regida pessoalmente por LUCIANO BERIO, coautor com JOCY. No elenco, FERNANDA MONTENEGRO, FERNANDO TORRES, SÉRGIO BRITO e um “ENSEMBLE” criado para isso, tendo JOCY no piano. Foi a vulcânica introdução da nova música de vanguarda no BRASIL… JOCY é a grande inspiradora, no BRASIL, para o surgimento da CENA ELETRÔNICA no erudito e no POP!
Há uns dez anos, promovi um bota-fora seletivo e controlado de um monte de música eletrônica. Ter coisas demais excede ao controle possível; abre arestas e desperdícios. Mas, a parte ruim é que avaliações posteriores sempre trazem arrependimentos.
Naquela “razia” mandei para a cachoeira dos tempos, eletrônicos de vanguarda mais ligados à música pesada e dançável.
E por dois motivos:
Ganharam a concorrência contra sons mais intimistas; viraram “sal” na lista de produtos: baixo valor e “consumo inelástico”; ou seja, música superficial, que não vou escutar novamente.
Fiquei, portanto, com a vanguarda eletrônica mais cerebral; herdeiros do KRAUTROCK, anos 1970, e dos clássicos eletrônicos tipo STOCKHAUSEN, PIERRE HENRI, etc..; que são indutores de tendências dos anos 1980/1990: GÓTICOS, COLD-WAVE, NEW WAVE, ETHEREAL, DREAM POP, e o que se imaginar que possa trazer um pouco de melodias e criatividade ao POP.
ALEX TWIN, que hoje é dono da WAVE RECORDS, foi um dos visionários incrustado no underground paulistano. Eu o conheci quando era dono da a “MUSIC” – grafada em grego -, lá por 1994. Foi das primeiras lojas e distribuidoras a operar com a vanguarda eletrônica europeia. Fui lá por curiosidade; e acabei fascinado!
Ele e o sócio, ENÉAS NETO, as trouxeram para o Brasil em suas duas tendências: os “FRIOS”, e os “PESADOS” – e muitos dançáveis. ENÉAS produziu para a GRAVADORA ELDORADO, na década de 1990, coletâneas abrangendo as duas tendências eletrônicas.
E TWIN fez mais: entrou na tendência com seu projeto “INDIVIDUAL INDUSTRY”. Frequentemente, um trio com MAURÍCIO BONITO e as cantoras oscilantes – LILIAN VAZ e DANIELA ROCHA. Trabalharam com alma e garra na tendência internacional mais vanguardesca daquele tempo. Todos estão citados no filme, “ELETRONICA: MENTE”.
É bom constatar o pioneirismo da obra nos escaninhos geográficos onde habitamos. Eu gosto muito; tenho os discos e os manterei. Foram construídos, forjados em cima do fogo, na hora em que tudo acontecia. Estão em nível com a concorrência lá de fora.
Por isso, trago para vocês curtirem. É viagem no tempo para universos muito próximos.
É bom notar que essa mesma vanguarda que partiu da EUROPA, passou por JOCY, e desembocou na música eletrônica mundial, influenciou certos horrores contemporâneos que nos assolam.
As meninas e meninos do “PROTO DANCE GLÚTEO RETAL” não devem ter ideia de quem foi JOCY DE OLIVEIRA.
Quem sabe um dia aprendam.
TEXTO ORIGINAL: 09/02/2022
Pode ser uma imagem de 1 pessoa

INSÔNIA COM PROCOL HARUM, GRATEFUL DEAD e THE PIXIES

“In the autumn of my madness, when my hair is turning gray”…canta GARY BROOKER, em uma das faixas do disco “SHINE ON BRIGHTLY”, 1968, do genial, subavaliado e não repetível “PROCOL HARUM”.
Clássico do rock em transição entre o PSICODÉLICO e o PROGRESSIVO, é acessível para quase todos os paladares musicais. É lindo, e é triste. A construção das letras é sublime. Eles mantinham um letrista exclusivo, KEITH REID; sofisticadíssimo! Ouçam; é marcante!
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa, quando a insônia recorrente assola e desencadeia os medos, paranoias, e as desconexões entre os fatos objetivos… Talvez por isso, realce o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio, e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra.
É parte do outono da minha vida – loucura? – Não; estou envelhecendo!
Claro, aproveitei e trouxe outros discos gravados por eles; também ótimos, porém menos badalados: “SOMETHING MAGIC”, 1977, já sem ROBIN TROWER, que foi substituído por MICK GRABHAM, um guitarrista bem menos luminoso, porém circunstante na turma deles.
E, posto um projeto sinfônico gravado entre 1994 e 1995, com a LONDON PHILHARMONIC ORCHESTRA, revezando com LONDON SYMPHONY ORCHESTRA.
Estão reunidos a formação da época: GARY BROOKER, o líder e dono incontestável; e o marcante GEOFF WHITEHORN, na guitarra; e outros convidados, entre eles, TROWER. E, fiquem assustados!, TOM JONES canta a lúgubre e tétrica SIMPLE SISTER! Fez sentido, acreditem…
O PROCOL HARUM é das melhores atrações ao vivo da História do ROCK. Procure os vídeos e DVDS. E é das raras bandas capaz de conjugar-se a orquestra sem soar “FAKE”. O repertório é exuberante – só para variar!!!! É minuciosamente escolhido para justificar possuir este “THE LONG GOODBYE”. Não perca!
Certa vez li, no “Estadão”, que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando um livro de memórias…
As que ficaram, sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os doidos anos 1960; da cultura hippie à contestação política e comportamental.
BILL não se lembra dos concertos, “JAM SESSIONS” ininterruptas, “RAVES SEM D.Js.” JERRY GARCIA, mito do ROCK, líder e guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação.
Sintomático, ou emblemático? Ele teve um infarto aos 53 anos, EM 1995. Preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. Ele não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL, que recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é certamente a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa da época. Hoje, é uma empresa que produz, vende e mantém o mito em movimento. E quem não faz isso é explorado e morre. Mito sem rito contínuo enfraquece a fé dos fãs!
Eles começaram como todos. Inspirados nos Beatles, Stones e na turma do country e do blues. O primeiro disco é bastante convencional. Do segundo em diante, para usar a expressão da época: desbundaram. E nunca mais rebundaram!
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nos discos ao vivo. Lembra resquícios de FREE-JAZZ pela tentativa de expandir a música “ad-infinitum”.
Mas, percebe-se nitidamente alguma limitação técnica e repetição no desempenho dos músicos. É forma livre de ver e executar as música, que mesclam BLUES, ROCK, e algo de JAZZ; e exalam, sempre, um quê da COUNTRY MUSIC.
Estão aqui duas reedições de originais famosos:
“AOXOMOXOA”, não se percam por causa do PALÍNDROMO… É duplo: O primeiro disco traz o MIX original, de 1969, e um REMIX feito em 1971. No segundo, show ao vivo em duas sessões no AVALON BALROOM, em SÃO FRANCISCO, realizadas em janeiro de 1969.
O outro álbum é famoso: GRATEFUL DEAD, 1971. Gravado ao vivo, e muito mais dinâmico e pesado. São apresentações variadas pelos Estados Unidos. E, o disco dois foi gravado em um dos templos prediletos da banda e dos “DEAD HEADS” – o extenso e leal fã clube que os idolatra acima de tudo: o FILLMORE WEST, em São Francisco. Ainda preciso ouvir essas reedições… Não tive tempo…
Confesso que entre os contemporâneos e concorrentes, eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. É mais enxuto e musical. Faz ROCK experimental na medida certa; e é tão desviante comportamental e filosoficamente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo imediatamente identificável. Um charme indiscutível.
Por causa da insônia acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre o pato e o sapato. É ROCK, claro. Mas de outra estirpe. Talvez seja a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991, e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá e resiste até hoje.
Já estiveram por aqui. E continuam por aí … impunes.
É interessante notar que são o inverso tanto do GRATEFUL DEAD quanto do PROCOL HARUM. Eles criam música dura, curta, visceral, mas bem tocada.
FRANK BLACK, o vocalista gorducho e gritalhão, rebatizado BLACK FRANCIS, é lenda no PUNK e no GRUNGE; assim como KIM DEAL, a baixista; e o guitarrista JOEY SANTIAGO, também.
O digamos cantor BLACK FRANCIS é improvável misto de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias ou sensações de alguma vivência. A vida em estado bruto, quem sabe…
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED espreita os portais do inferno urbano; FRANCIS BLACK et caterva parecem saídos de um curso para dragões, e cospem fogo para todo lado!
O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge de repente casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, íntegros! E fazem show legal para assistir…
Mas será que eu gosto disso? Tenho dúvidas…E acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! Mas a vida nem sempre é óbvia! E ainda bem!
TEXTO REVISADO: 25/01/2025
Pode ser uma arte pop de texto

JORGE DEGAS – XIAME – BAIXISTA NOTÁVEL – FUSION

JORGE FOI BRASILEIRO, MAS NATURALIZOU-SE DINAMARQUÊS. É EXCELENTE BAIXISTA DE FUSION – JAZZ, E TEM CARREIRA PROLÍFICA E BEM AVALIADA PELA CRÍTICA – A EUROPEIA, PRINCIPALMENTE.
CRIOU UM ESTILO TÉCNICO E MUITO LÍRICO DE TOCAR. FUNDE A MÚSICA BRASILEIRA COM O FOLK DA ESCANDINÁVIA E JAZZ NA LINHA DA GRAVADORA E.C.M..
MUITO INTERESSANTE, É SOFT E AGRADÁVEL DE ESCUTAR, FAZ ALGUMAS EXPERIMENTAÇÕES NOTÁVEIS, MAS NÃO AGRESSIVAS.
OS DISCOS DA FOTO FORAM GRAVADOS O PRIMEIRO NA DINAMARCA, O OUTRO NA ALEMANHA.
O JORGE DEGAS QUARTET ESTÁ DISPONÍVEL POR AÍ A UM PREÇO ACESSÍVEL, CERCA DE r$ 15,00 E RECOMENDO AOS CURIOSOS DE BOM GOSTO.
POSTAGEM ORIGINAL: 4/11/2018
Nenhuma descrição de foto disponível.

LANA DEL REY – ANGUSTIADA E BELA; CRAVO E CANELA

LANA DEL REY é a “IMPERATRIZ DA ANGST”, disse a revista RECORD COLLECTOR.
ANGST é a definição para um estado de espírito que mistura medo e apreensão antecipada por algo, ruim ou não, que vai ou possa acontecer. Um estado de solidão e ansiedade .
Seu último disco, “DID YOU KNOW THAT THERE´S A TUNNEL UNDER OCEAN BOULEVARD?”, lançado recentemente, tem quase 78 minutos de duração. Há muito eu não vejo disco original tão longo em único CD!!!
A capa saiu em 3 versões diferentes, à escolha do freguês, ou todas juntas em um BOX com três Compact Discs. Os LONG PLAYS devem estar, também, em álbuns duplos, e capas diferentes. Eu ainda não conferi.
LANA é moça de pulcritude indiscutível. Mostrou sua bela e instigante “CARTOGRAFIA” na capa de uma das três versões em que o disco foi lançado. Exatamente a que eu possuo.
A exposição do relevo da fronteira entre vales, colinas e os picos que os consagram, tem despertado exames acurados de observadores. A vista é muito bonita…
Ela esteve por aqui recentemente, retomando a carreira de shows. Disseram que os cinco anos que passou sem excursionar a tornaram menos delgada, mais cheinha. LANA DEL REY teria extrapolado a silhueta que apresentava em 2013, aos 27 anos, na primeira vez em que deu concerto no Brasil.
Certamente há exagero. Não é possível que tenha se esvaído feito um ARCO-ÍRIS, aquele magnífico espécime que deixou em êxtase meninos, meninas e meninex, os gratificando com simpatia descendo à plateia logo no início da performance para dar autógrafos, fazer selfies; e, apesar da segurança que a acompanhava, suportar até beijos roubados!!!???
A capa do disco comprova a maledicência. LANA continua bela.
Eu li, na RECORD COLLECTOR, que este disco é muito bom. Talvez o mais bem realizado dentro de seu estilo algo recorrente e perto do repetitivo no andamento e nas melodias. LANA é cantora reconhecível porque suas canções mantêm características…hum já testadas e conhecidas…( minha nossa!!! A que ponto cheguei???!!! )
Eu já a conhecia. E desta vez LANA conseguiu fazer melhor. Tipo construir algo além, mais refinado, e que consagra um jeito de cantar, compor e postar-se enquanto artista. Não é inovador, mas é o ápice de uma proposta.
Eu ouvi o disco diversas vezes. E com muito interesse e prazer. É belíssimo.
A sonoridade, em minha opinião, busca e mescla elementos do DREAM POP e tem muito do FOLK PROGRESSIVO MODERNO.
Ela conseguiu ultrapassar o ROCK ALTERNATIVO, do qual é mais ou menos parte. É, também, contemporânea do HIP-HOP, e a presença no disco de JON BATISTE, quase-astro em ascensão, serve à diversificação necessária elegantemente encaixada.
Há um condimento explícito e onipresente de JAZZ/BLUES/GOSPEL que permeia as músicas. Além de algumas experimentações adequadas, mas sem exageros.
O ritmo e andamento continuam lentos, como em tudo o que dela escutei. E o clima sombrio, DARK, envolve feito placenta o transcorrer da obra, e se revela paulatinamente. É fascinante!
A voz distinta e delicada de LANA DEL REY, uma contralto de timbre encorpado, é simultaneamente melodiosa e seca. Talvez lembre LIZ FRAZER, do COCTEAU TWINS. Mas com a doçura e o lirismo de KATE BUSH nas brumas de seus versos uivantes. Porém, quando no limite do grave, recorda MARIANNE FAITHFULL por sua aspereza.
Ela tem jeito e porte de artista de FILME NOIR, mas transposto e atualizado para o presente. LANA é sensual sem ser vulgar. Assume o jeito de uma garota não tão recatada que parece reter, ou controlar, uma explosão vulcânica de sexo e desejos.
Quem sabe ela esteja construindo personagem magnífico! Mas, até que ponto seria ela mesma?
Infelizmente, as letras não acompanham o CD. Uma perda e um empecilho para mais bem compreendê-la. Mesmo assim, tudo combinado resultou em trabalho amplo, pensado e coeso.
Algo neste último disco recorda os arranjos de ANGELO BADALAMENTI para a trilha sonora da série TWIN PEAKS: uma languidez nervosa, componente de certa ANGST…
A senhorita ELIZABETH WOOLRIDGE GRANT nasceu em NOVA YORK, é filha de dois publicitários que entraram em BURNOUT ( estresse total ), e resolveram mudar para uma pequena cidade vizinha que, segundo LANA – oooopsss – lembra a fictícia “TWIN PEAKS”.
E os GRANT refizeram suas vidas e profissões.
LANA DEL REY, é um pseudônimo, ela cresceu por lá. É moça de classe média, estudou filosofia, gosta de escrever, e lê gente alternativa como NABOKOV, de quem emula falsamente uma quasi-LOLITA. Ela é madura demais para posar de ninfeta. Já disse gostar de homens mais velhos… Há fotos comprovando…
LANA é, também, fã da poesia da geração BEAT. Mas, leu outros poetas americanos, como WALT WHITMAN e SILVIA PLATT. Assistiu a filmes NOIR. E gostou de CIDADÃO KANE…
Ela diz ter sido inspirada pelo GRUNGE. Principalmente o NIRVANA, de quem empresta aquela ansiedade explosiva – e nela apenas latente. Tornou-se muito amiga de COURTNEY LOVE, a mulher de KURT COBAIN. Mas, claro, LANA artisticamente foi por outros caminhos. É madura, e compõe como tal. Mesmo quando age feito adolescente.
Eu procurei ouvir os SINGLES de sucesso de sua carreira. São bons. Ela tem um jeito pessoal de compor letras que viajam do explicitamente romântico flertando com o idilicamente trágico – como despedidas dolorosas de namoros, vistas como pequenas mortes, ou suicídio anunciados. Há sempre um quê de incestuoso rondando suas letras. Que fazem menções a drogas, e a sexo às vezes explicitamente.
A solidão, outra constante, é descrita para e do ponto de vista da geração dela. Deixa a impressão imprecisa de “estar sempre vestida para ir a lugar nenhum”…
Depressiva? Quem sabe. Solitária ela certamente é. Solitude?
Há o fascínio pela vida bandida, e por marginais e Bad Boys. Mas, visto de um ponto de vista das garotas educadas e de classe média, que eventualmente se envolvem com o perigo… Acho que ela não se expôs, mas flertou, excitou-se com isso. E escreveu.
Talvez essa criatividade revele apenas estilo, letras ousadas de menina sonhadora. Mas, quem sabe seja estrutura de um projeto de marketing (seus pais eram publicitários), como jeito de consolidar sua já peculiar persona artística.
As músicas de LANA incorporam parte da mitologia americana do indivíduo livre, indomável, fora do sistema. Há um quê de BRUCE SPRINGSTEEN, e aquela vontade de fugir das amarras da sociedade – um fascínio pelo BORN TO RUN; ou, como em um dos hits dela, BORN TO DIE…
É também possível identificar influências de LOU REED; alguma irreverência à ALANIS MORRISETTE, e um não sei o quê de SINEAD O´CONNOR… Escavei pelaí a urgência ansiosa de ALISON MOYET (lembram dela? )
Se bem compreendi, é um ótimo COMBO, talvez um GUMBO artístico…
No seu primeiro SHOW em São Paulo, no FESTIVAL PLANETA TERRA, em 2013, a garotada urrava enquanto LANA desfilava no palco sua elegância de modelo, o corpo escultural, e o rosto hummm…. angelical.
Ela ria e brincava com a banda; e todos pareciam adorar estar ali, apresentando a irreverência construída que LANA criou.
Para mostrar a quê veio e provocar, o SET abre com música dizendo explicitamente que a VAGINA dela tem gosto de PEPSI COLA!
E LANA enfatiza que é verdade, e que foi um namorado quem constatou… Aquilo deixou onanistas à beira de uma “PAN ESPERMIA”!
Tá bom;
Se tem gosto de PEPSI COLA, então: LANA, ANGUSTIADA E BELA; CRAVO e CANELA!
Tentem; mesmo sob tentação….
POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2023
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto

THE MAMAS AND PAPAS – A REFERÊNCIA VOCAL SUPREMA DO FLOWER POWER

O SUNSHINE POP foi o momento mais cativante, do ponto de vista do astral e das melodias, na segunda metade dos anos 1960.
Talvez até uma “REAÇÃO CONSERVADORA” ao BEAT, SURF, e FOLK DE PROTESTO, destacando apuro vocal, melodias trabalhadas, e oposição a horrores políticos, como a guerra do Vietnã.
Não há quem não se lembre dos MAMAS & THE PAPAS, ASSOCIATIONS, THE 5TH DIMENSION, ou SPANKY AND OUR GANG , entre centenas, talvez milhares de outros. Todos criativamente alienados, porém mantendo a sanidade em tempos sofridos, e cheios de revoltas e lutas políticas.
Esse THE MAMAS & THE PAPAS – COMPLETE ANTHOLOGY colige tudo o que eles gravaram. Os cinco LONG PLAYS, também lançados no BRASIL, e todos os SINGLES de imenso sucesso. Estão ali faixas solo de MAMA CASS, entre várias outras parcerias e participações.
A qualidade técnica, gráfica e informativa é de alto nível. Um must para os fãs!
Eu os assisti ao vivo, em São Paulo, na boate do Hotel MACKSOUD PLAZA, a bem mais de trinta anos.
O local era pequeno, a banda ótima e reforçada por SCOTT MACKENZIE, um dos maiores “ONE HIT WONDER” da história do POP, com a inesquecível SAN FRANCISCO. Ele substituiu DANNY DOHERTY, da formação original.
O lugar de MAMA CASS foi ocupado por SPANKY McFARLAND, da concorrente de grande sucesso SPANKY AND OUR GANG.
E, claro, o membro original e “dono da banda”, JOHN PHILLIPS, e sua filha MACKENZIE PHILLIPS, que atuou no filme “AMERICAN GRAFFITE”, e veio substituindo a mãe MICHELLE, a “Mama” original.
Foi um belo show. Correto, emocionante, e digno do legado “HIPPIE – FLOWER POWER que eles simbolizaram.
OS MAMAS & THE PAPAS eram ótimos, quentes e e melódicos. Um naco “eterno” e revivido dos sixties. Eu vejo, porém, um detalhe curioso: as duas moças do ABBA com toda certeza ouviram MICHELLE E CASS. E cantavam “lá no alto” como elas . ..
Mas, não duraram mais do que uns cinco anos, e saíram de moda. Seus antípodas e contemporâneo certamente foi o VELVET UNDERGROUND.
E foram superados por tendências musicais mais ensimesmadas, contidas, egocêntricas: CAROLE KING, CARLY SIMON, JAMES TAYLOR, LENNON…
E artistas corrosivos, lúgubres e até indigestos, como o MC 5, STOOGES, e o tormento PUNK, meia década depois.
O sonho havia mesmo acabado.
POSTAGEM: 26/102019
Nenhuma descrição de foto disponível.