O SMALL FACES tem o status do THE WHO junto à imprensa inglesa e aos colecionadores em geral.
São ícones!
As duas bandas eram vizinhas, em bairros próximos, e competiam enquanto a “cultura” “MOD” esteve no auge, em meados dos 1960. Depois, confluíram; e tornaram-se amigos.
Muitos daqueles tempos fizeram a mesma trajetória, e saíram do BEAT para o ROCK PSICODÉLICO. THE WHO foi mais longe, e adentrou um pouco ao PROGRESSIVO.
O SMALL FACES também foi um serpentário do ROCK. Cobras criadas, criativas e criadoras, como RONNIE LANE, STEVE MARRIOTT e KENNY JONES estiveram por lá…
Gravaram muitos SINGLES de sucesso, e LPS menos vistosos, porém interessantes. Os discos originais valem uma baba, porque bons e relativamente poucos.
De seu período áureo, entre 1965 e 1968, três compactos foram lançados no BRASIL: o cult e imprescindível “ITCHCOO PARK”, PSICODELIA INGLESA de alto nível; “HERE COMES THE NICE” e “LAZY SUNDAY”, na mesma direção, porém menos inspirados. Apesar do sucesso na Inglaterra, no Brasil jamais aconteceram…
Deles, muitos sabem que o espetacular vocalista e guitarrista STEVE MARRIOTT saiu para o HUMBLE PIE, onde fez dupla cintilante com PETER FRAMPTON.
Mas, na banda permaneceram o baixista RONNIE LANE e o tecladista IAN McLAGAN. Juntos, fizeram a sequência para o “apenas” FACES. Quando atraíram a bordo dois ex-membros do JEFF BECK GROUP: o já famoso cantor ROD STEWART, que deu o gingado “WHITE” SOUL que faltava. E o guitarrista RON WOOD, futuro e definitivo ROLLING STONE.
Em nova configuração, a sonoridade do grupo foi renovada. Fiicou mais pesada. Entre 1969 e 1975, o FACES gravou diversos discos de HARD ROCK / R&B bem legais, e com grande sucesso!
Mas, a banda começou a decair após ROD STEWART focar cada vez mais em sua espetacular e ascendente carreira solo.
E, naufragou pra valer em 1975, com a saída de RON WOOD, que tornou-se e mantem-se parte dos ROLLING STONES há décadas.
Talvez a maior aproximação entre o SMALL FACES e THE WHO, tenha facilitado outros projetos. Com a morte de KEITH MOON, em 1978, o baterista KENNY JONES juntou -se ao THE WHO.
E há um disco cult e colecionável, gravado por PETER TOWNSHEND e RONNIE LANE, em 1977, chamado ROUGH MIX.
Bons amigos, excelentes negócios….
Os discos aqui postados formam o artefato mais colecionável e cult da banda. O projeto gráfico original de OGDENS NUT GONE FLAKE, 1968, é o fino!
São dois LONG PLAYS, acondicionados em capa totalmente redonda, com muitos encartes; e que certamente inspirou o design do “E PLURIBUS FUNK”, o disco da moeda gravado pelo GRANDFUNK, 1971.
OGDENS é exemplo cult do ROCK PSICODÉLICO INGLÊS.
E, claro, é raro e precioso!
A minha edição, em três C.Ds, emula o LP original. Está em caixinha de madeira do tipo usada no brasileiríssimo “queijo Catupiri”. É muito bonita; e difícil de encontrar, hoje em dia…
Tão vibrantes quanto THE WHO, o SMALL FACES merece audição mais atenta. Eu acho banda ótima!
Os SINGLES, principalmente, são excelentes! E a voz única e “WHITE” SOUL de STEVE MARRIOTT teve seguidores notáveis, como MICK HUCKNALL, do SIMPLY RED; e GLEHN HOUGHES, ex – TRAPEZE, DEEP PURPLE e desenvolvedor de carreira solo reconhecida.
SMALL FACES eu recomendo de olhos fechados – mas sorriso e ouvidos abertos!
50 anos atrás, a tia de meu amigo-irmão Silvio Luciano Dean, entrou e viu um pôster com uns sujeitos cabeludos em meio a peles, casacos, e não lembro mais o quê…
E perguntou: “Silvinho, quem são esses moços aí na parede?”
Resposta: São os “YARDBIRDS”, tia!
Escandalizada! A tia quase gemeu : QUEM????!!!! OS VIADOS VERDES???
Que eu saiba não eram…
O pôster retratava a banda na fase final com JIMMY PAGE, na guitarra….
Há muito o que falar e considerar sobre eles. A maioria é consenso entre a TURMA DO ROCK: quem teve ERIC CLAPTON, JEFF BECK E JIMMY PAGE tenderia a não ser banda qualquer. E não eram! Vou resumir ao essencial:
Transitaram do BEAT ao BRITISH BLUES, e para a PSICODELIA com JEFF BECK e sua guitarra inovadora.
Foi dali que nasceu o LED ZEPPELIN e o RENAISSANCE. Estão na gênese da sonoridade moderna do HEAVY ROCK , esta que ouvimos ainda hoje.
SEMINAIS de verdade!
Foram imensos em 5 anos de vida e turbulência. Uma verdadeira “PAN-ESPERMIA” criativa. Em cada fase uma característica diferente. E tudo o que gravaram parece exaurido. Inclusive série de shows da fase áurea pela ESCANDINÁVIA, FRANÇA e etc… recentemente descobertos, mas que ainda não tenho.
Estão redivivos e os remanescentes excursionam ainda hoje.
ERIC CLAPTON está no Long play “FOR YOUR LOVE”, 1964. E na metade ao vivo de “RAVE-UP”, retirada do FIVE LIVE YARDBIRDS, 1964.
ERIC também acompanhou a gravação ao vivo na excursão inglesa do BLUESMAN americano SONNY BOY WILLIANSOM, 1965.
A outra metade é show de inovação em estúdio, com JEFF BECK em SINGLES monumentais e no Long Play “OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN” , a famosa versão inglesas “ROGER, THE ENGENEER”.
E JIMMY PAGE está em “LIVE YARDBIRDS”!, show de 1968, já um tanto ZEPPELINIANO, agora remasterizado e trazido para o estado de excelência.
E, também, no magnífico e conceitualmente quasi-LED ZEPPELIN “LITTLE GAMES”, de 1967.
HÁ somente duas músicas gravadas com BECK e PAGE juntos: HAPPENING TEN YEARS TIME AGO e STROLL ON – versão do filme BLOW UP, de MICHELANGELO ANTONIONI.
Sou fã de acariciar os discos, procurar fotos, livros, vídeos e etc; sou um “radical-contido”. E talvez tenha sido o primeiro brasileiro a escrever sobre eles, na década de 1970, no cult fanzine do Rene Ferri, o WOOP-BOP.
O que postei é parte da minha coleção. Tenho alguns boxes, VÍDEOS DVDs, e vários etc…
E tive todos os LONG PLAYS ORIGINAIS, alguns BOOTLEGS, SINGLES, e faixas esparsas em coletâneas “pela aí”.
Claro, é pouca música para tantos discos. Não gravaram muito. Aqui estão edições, reedições, coletâneas, achados, invenções e raspas do fim da barrica do grupo.
QUEM NÃO CONHECE OS YARDBIRDS NÃO PASSA DE ANO EM ROCK´N´ROLL!
Ter os YARDBIRDS na coleção é mais do que obrigatório; é mandatório! Os que já ouviram sabem sobre o quê estou falando.
Vou pela mais tradicional: estamos acostumados com precoces como MICHAEL JACKSON, STEVIE WONDER, STEVE WINWOOD, e nos esquecemos de outro famoso menos badalado. PETER FRAMPTON já tocava ganhando algum aos 14 anos de idade!
Em 1967, aos 17, liderava o HERD, excelente banda parte da transição entre o ROCK PSICODÉLICO em direção ao PROGRESSIVO SINFÔNICO. Fizeram ótimo LP, “PARADISE LOST”, e colocaram três SINGLES no topo da parada.
No mágico e definidor ano de 1968, PETER FRAMPTON foi eleito o “FACE OF THE YEAR”, na Inglaterra. Traduzindo, ele era um “teenager” que não fazia parte de uma “BOY BAND”, mas de um grupo de vanguarda.
OUÇAM O HERD! É surpreendente.
FRAMPTON não queria ser cantor, era fã ardoroso de HANK MARVIN, guitarrista dos SHADOWS, ídolo supremo e inatingível. Mas, cantava bem e era bonitão, então assumiu também o vocal. Vejam só! Deu certíssimo!
Outro jeito de começar teria sido dizer que FRAMPTON era filho do professor de artes OWEN FRAMPTON, que incentivou e orientou DAVID BOWIE!
Aliás, PETER e DAVID se consideravam irmãos. Ambos estudaram na mesma escola pública onde lecionava o professor OWEN, que foi a vida inteira amigo e conselheiro de DAVID – que era considerado “parte da família”.
PETER FRAMPTON sempre foi excelente guitarrista, dinâmico e seguro sobre o que pretendia. Aos poucos, tornou-se um estilista. E aos 19 anos, já lenda no UNDERGROUND, juntou-se a STEVE MARRIOTT, que o convidara para entrar para o SMALL FACES – mas os músicos restantes da banda não quiseram.
Mesmo assim, foi com eles para a França gravar e acompanhar o cantor e arrogante supremo, JOHNNY HALLIDAY. Fizeram disco que eu desconhecia, “RIVIERE…OUVRE TON LIT”, que você encontra no Youtube. Ouça a música, é bem interessante!
Em seguida, MARRIOTT e FRAMPTON formaram o HUMBLE PIE.
A voz entre o BLUESY e SOUL de STEVE MARRIOT; e o excelente instrumental mais o vocal entre o POP e o BLUES de PETER FRAMPTON, consolidaram a banda, e seu BLUES/ROCK pesado e algo contido.
Gravaram juntos 4 discos, entre 1969 e 1971, todos bons.
Para FRAMPTON, e eu concordo, o melhor de todos é ROCK ON, de 1971. Espetacular! Não se ouvirá versão mais legal BLUES/ROCKER de “ROLLING STONE”, de MUDDY WATERS, do que a deles. E há “SHINE ON, clássico do HARD BLUES!
Mas, foi o cult ao vivo, gravado, também de 1971, PERFORMANCE ROCKIN´THE FILLMORE, que os levou de fato aos primeiros lugares nas paradas americanas. É um show fantástico!
Porém, quando o disco atingiu o auge, PETER pediu para sair. Foi uma surpresa, tudo caminhando muito bem, porém ele tinha ideias próprias aos 21 anos. Estava na estrada desde os 14, e partiu para carreira solo.
Teria havido influência do amigo BOWIE e seu pai?
Os 4 primeiros LPs, WIND OF CHANGE, 1972; FRAMPTON´S CAMEL, 1973; SOMETHING HAPPENING, 1974 e FRAMPTON, 1975 são todos muito satisfatórios.
Entre o POP e o BLUES/ROCK, mas com FRAMPTON dominando estilo e a técnica. A banda que ele formou é excelente!
Entre os músicos, o exuberante baixista RICK WILLS, um diferenciado que dá show no instrumento e depois tocou, também, com os santos e o mundo! Do FOREIGNER a DAVID GILMOUR ao ROXY MUSIC…
PETER FRAMPTON fez um dos discos mais vendidos de todos os tempos. Talvez o show ao vivo que mais vendeu na história da música pop: “FRAMPTON´S COMES ALIVE!” foi gravado em 1976, e tornou-se um sucesso estrondoso!
PETER FRAMPTON FOI O BON JOVI DOS ANOS 1970.
Eu o assisti, na época, em São Paulo. Realmente, uma farra! E o ápice do conceito que vinha desenvolvendo.
FRAMPTON manteve-se no auge, mas parou por 4 anos, em 1982, para colocar-se em ordem – inclusive os negócios. Apesar do sucesso enorme, quase faliu por má administração, roubos e tudo o que se sabe do submundo da música.
DAVID BOWIE o resgatou do baixo astral, em 1987, e o convidou para tocar no disco “NEVER LET ME DOWN”, e na turnê SPIDER GLASS TOUR.
Depois, ele não sumiu. Passou a pegar mais leve, e inclusive gravou dois outros discos muito elogiados: FINGERPRINTS, instrumental que lhe deu o primeiro GRAMMY, em 2007. E, em 2019, ALL BLUES, um disco FUSION/JAZZ/BLUES, com versões extraordinárias, e primeiro lugar na BILLBOARD BLUES.
A versão de ALL BLUES é sensacional!
Nessa trajetória toda, em 2015 caiu no palco, em meio a uma turnê com STEVE MILLER. Não levou muito a sério. Caiu outras vezes, foi examinado e constataram que estava sofrendo uma doença que provoca falência muscular e fraqueza progressiva. IBM, é a sigla em inglês. Não mata, mas não tem cura. Por isso, continua tocando e gravando para o futuro, enquanto consegue…
FRAMPTON hoje mora em NASHVILLE e promete não se aposentar totalmente. Não seria atitude do feitio do garoto que, em 1967, ouviu o leiteiro comentando com a mãe dele, no portão:
Mas, senhora FRAMPTON, o menino está em todos os programas de televisão! Então, cadê o ROLLS ROYCE?”
Não existia. Ele tinha apenas um MORRIS velho e usadíssimo; batido. O equivalente inglês ao um FUSQUINHA 1962, parado na frente da casa dos pais.
A vizinhança, as “inimiga” e os “inimigo” todos dizem que a culpa não é só dele…
Verdade! Mas, foi o ALVES quem deu visibilidade, e bagunçou a quebrada. Depois do SINATRA, foi ele quem botou pererecas em chamas América e mundo afora! O pior é que o ALVES era, também, um puritano. Em última análise, moço de família que meio se perdeu na barafunda da vida e da fama.
O ALVES é mais do que um ídolo morto. Tornou-se uma INSTITUIÇÃO americana. Vendeu “zilhões”; vende e venderá sempre.
Sua discografia é imensa, refeita, redefinida, recriada várias vezes. É quase impossível de ser colecionada em suas diversas edições mundo afora, décadas atrás de décadas…per omni a seculo seculorum…
É desse jeito.
O ALVES teve seguidores. No Brasil, o amigo de fé e irmão camarada ROBERTO CARLOS, fez igualzinho a ele. Começou com a JOVEM GUARDA, aquele ROQUINHO BEAT…
Na INGLATERRA foi um certo CLIFF RICHARDS, que agora é “SIR”: saiu do ROCK AND ROLL, passou e continua no POP para adultos, e já vendeu mais de 250 milhões de discos!
A FRANÇA teve o JOHNNY HALIDAY; e em cada canto de mundo certamente há um clone; e seguidores variados para especialistas e chatos pesquisarem.
Essa turma inspirada pelo ALVES fez a mesma coisa quase ao mesmo tempo. Viraram todos “CANTORES ROMÂNTICOS”, em meados dos anos 1960. Tornaram-se mais desinteressantes; gente séria fazendo música mais insípida. E o ALVES também.
Digam o que disserem, o ALVES é o maior ídolo musical de todos os tempos. Perene. Seu espólio fatura uma baba por ano, e discos e vasto etc… continuam saindo. Eles precisam.
O ALVES, oooops…ELVIS PRESLEY, vendeu mais de 1,250 BILHÃO DE DISCOS. Merreca!
TIO SÉRGIO e quase o mundo inteiro gostam do ALVES. Mas, o tio aqui é meio chato e nunca ligou muito pra ele…
Pudera e pasmem, sou da geração dos BRITOLS, aquele bando de ingleses babacas, de LIVERPOOL – cuidado, torcida do FLAMENGO! – que fazem um sonzinho que o tio acha mais maneiro.
Ah, os BRITOLS jamais acompanharam o cantor pátrio SILVIO BRITO, fofoca ardente e mentirosa que jamais rolou por aquí.
Meio sem jeito, publico os discos que tenho do ALVES na coleção. Não são muitos.
Pois bem, aqui estão os testes feitos pelos BEATLES na gravadora DECCA, em 1 de janeiro de 1962. Quem os coordenou e deu a palavra final foi TONY MEEHAN, baterista da grande banda pré-BEAT, “THE SHADOWS”. Grupo que entendia do riscado e sabia tocar os instrumentos do ROCK em nível de excelência.
Os BEATLES foram reprovados. E o Mito histórico reza que a DECCA arrependeu-se amargamente…
Em 1962, calculava-se que só em LIVERPOOL havia perto de 400 (quatrocentas!) – isso, mesmo! – bandinhas de ROCK do tipo deles. Já existia um cenário. Portanto, um potencial mercado.
Escutei o disco algumas vezes…
Se eu estivesse no estúdio da DECCA observando os moços para possível contratação, os teria posto pra fora na terceira música!
Eram horripilantes, patéticos, desorientados! Ruins de dar raiva! NADA, MAS NADA MESMO, entrevia que poderiam tornar-se quem foram e chegar aonde chegaram!
Escutem o disco, é baratinho e fácil de achar. E compreendam os porquês de terem sido reprovados
Os caras da DECCA tinham toda a razão!
Estavam, também, anos-luz de serem otários. E não eram desinformados: contrataram os ROLLING STONES, TOM JONES e os SMALL FACES, entre muitos outros!
Mas, BRIAN EPSTEIN sabia das coisas, e o que estava fazendo!!! E os BEATLES tiveram a sorte, na PARLOPHONE, de cair nas mãos de GEORGE MARTIN, que aos poucos os refinou e lapidou o máximo que podiam render!
E conseguiu extrair de 4 talentos competentes ao menos dois gênios: PAUL e LENNON!
Ao contrário do FREE JAZZ, de ORNETTE COLEMAN, onde a liberdade para improvisar era total, a proposta AVANT GARDE de SUN RA é uma construção/desconstrução ativa, mesmo que não-programada, de uma obra musical que requer disciplina, técnica e sensibilidade.
SUN RA é um arquiteto do caos sonoro inteligível. Ele intervinha nas gravações trocando músicos durante a execução dos trechos. Dava o tom, a ideia, e se não gostasse do som de um trombone, digamos, fazia o trompetista, por exemplo, executar aquela parte do jeito que quisesse.
Se RA concordasse, ia juntando, gravando tudo de acordo com a sua percepção e gosto.
SUN RA acrescentava ou retirava instrumentos, ideias, frases; e o resultado é uma colagem sonora com liberdade vigiada, livre ‘ma, non tropo”.
Fica estranho, mas é coeso e musicalmente instigante. A metáfora que me ocorre, é consertar o motor do avião em pleno voo…
SUN RA subverteu e rompeu a ideia inicial do FREE JAZZ, e está nas raízes da FUSION, e DO ROCK PROGRESSIVO; e é o precursor “AFRO-FUTURISMO” jazístico. SUN RA é espécie de compositor, arranjador, maestro maluco, que dirige sua orquestra ao sabor de si mesmo.
Diferentemente do FREE JAZZ, onde cada um tocava sua parte sem a censura de outros, nos discos dele o comandante supremo é SUN RA. Ele é o diretor de obras do caos. Não sabia onde queria chegar, mas chegava prospectando, caminhando, perscrutando, tocando, construindo, destruindo, mudando a música.
Depois de gravada, claro, restava a música composta: original, intuitiva, provavelmente não repetível, mas obra “organizada”, porque “petrificada” em disco.
Se o FREE JAZZ é obra coletiva, o AVANT – GARDE parece um produto individual: o conceito é do artista.
A história da música popular é um caminho tortuoso, desruptivo, e, ao mesmo tempo, previsível. Muita coisa díspar convive ao mesmo tempo.
Para muitos, o ápice da sofisticação na música popular foi a GRANDE CANÇÃO AMERICANA, de GERSHWIN, COLE PORTER…, na voz de ELLA, BILLIE, SINATRA, entre vários. E a BOSSA NOVA talvez tenha sido o último ato da grandeza musical “tradicional conservadora”. E tudo isto culminando no final dos anos 1950 do século passado!
No mesmo espaço/tempo, o R&B e o ROCK AND ROLL comiam solto feito por incontáveis grupos de DOO-WOP, ELVIS PRESLEY e contemporâneos.
E nem vou citar as experiências radicais na MÚSICA CLÁSSICA contemporânea – como a MÚSICA ELETROACÚSTICA – também em curso subvertendo o gosto tradicional, e acrescentando mais elementos de ruptura fundamental.
Talvez a década de 1950 tenha sido o período histórico onde ocorreram as mais significativas erupções e terremotos estéticos.
SUN RA não existiria sem este amplo painel, composto por contradições procurando sínteses e saltos à frente.
A entropia foi o FREE JAZZ, sucedido por uma quase-reorganização da vanguarda com o AVANT-GARDE. Ao mesmo tempo, vieram os BEATLES e os formatos tradicionais simplificados tomaram a cena novamente.
ROBERTINHO! ROBERTINHO! ROBERTINHO! Gritavam milhares de pessoas, no final do espetacular e antológico CONCERTO dado por “THE CURE”, no FESTIVAL PRIMAVERA SOUNDS, no autódromo de INTERLAGOS, em São Paulo, ontem à noite!
O afetivo ROBERTINHO apelidado pela multidão foi em reconhecimento à performance longa, perfeita, e que fez valer cada centavo, minuto e diversão que ROBERT SMITH e BANDA entregaram ao público.
Foi pura emoção mesclada com profissionalismo e respeito aos que deles gostam. THE CURE nunca nega fogo, e jamais pratica estelionato contra o consumidor!
E quase todos gostam da banda, mundo afora, nesses 45 anos de criatividade e ROCK honesto.
A presente turnê mundial é sucesso retumbante. Eu assisti a alguns dos Shows; de Nova York, no CARNEGIE HALL; Chicago, Buenos Aires, Santiago, e etc… Exuberantes!
THE CURE vem, desde o início deste século, transitando do ROCK ALTERNATIVO para um híbrido mais pesado entre o GOTHIC e o que passou a ser chamado de “PROG ROCK”. O álbum WISH já apresenta isso.
Em 2012, entrou para o grupo REEVES GABRELS, excelente guitarrista que esteve com DAVID BOWIE no TIN MACHINE, craque em sutilezas e timbres. O som de GABRELS ressalta a sonoridade das guitarras de SMITH.
E, agora ao vivo, mais outro multi – instrumentista foi agregado, PERRY BAMONT. Ontem, em certos momentos do SHOW houve sinergia total entre três guitarras e o emblemático contrabaixo de SIMON GALLUP – que sempre dá a impressão de estar um “átimo” de segundo atrasado no andamento!
O excelente baterista, JASON COOPER é preciso, dinâmico e pleno de vitalidade.
E somado ao teclado, às guitarras e ao baixo compõe sonoridade original, mesmo sem perder as características históricas que os distinguem.
O resultado é um “ROCK PROGRESSIVO” “suis generis”, sofisticado, algo triste, mas viajante, e que envolve e acolhe o SHOW inteiro.
A parte instrumental deste renovado THE CURE está melhor do que sempre!
ROBERTINHO é um “case” de sucesso a ser estudado. Aos 64 anos, está cantando melhor ainda. Manteve a voz, o timbre e, pasme!!!, prescinde de BACKIN VOCALS, aguentando duas horas e meia de performance sem titubear ou desafinar! Disciplina é liberdade, escreveu RENATO RUSSO…
ROBERTINHO desfila aquele jeito de bebê chorão, resmungão, que o tornou ímpar e reconhecível com a eficiência inalterada!!!
As interpretações que faz em canções de amor são emocionantes, sinceras, sentidas, algo frágeis…E a gente percebe isso em PICTURE OF YOU, e mesmo em CHARLOTTE SOMETIMES…entre várias. São detalhes só perceptíveis em gente que realmente descobriu alguém para amar – e ser amado.
Ele e MARY POOLE, sua mulher, estão juntos desde a adolescência. E o clássico LOVESONG foi escrito para ela.
A canção tem 311 covers feitos por outros artistas! E está em mais de 50 trilhas sonoras de filmes!!! É uma das canções mais regravadas de todos os tempos!
O SET LIST do SHOW foi perfeito, adequado a cada momento. E as músicas mais pesadas, como A FOREST, ou depressivas como THE END SONG… sempre funcionam.
E da mesma forma que os HITS inevitáveis, BOYS DON’T CRY, THE WALK, IN BETWEEN DAYS, e incontáveis que tocaram…
A reconhecida proficiência da banda a gente comprova pelo número de gravações ao vivo: São 4 álbuns, e 5 VÍDEOS / DVDS!!!
A turma gosta e vai vê-los.
Ontem, os gritos de ROBERTINHO, quando o SHOW acabou, e ele ficou um bom tempo no palco agradecendo, revelaram o imenso afeto dos fãs.
É mais do que isso: ROBERTINHO é quase da família!
JIM MORRISON FOI UM DOS QUE INSPIRARAM EM MIM O INTERESSE PELO POP, PELA REBELIÃO POLÍTICA, E POR VIVER, INTELECTUALMENTE, DE MANEIRA INTENSA.
SOU OBSERVADOR DO REAL. MAS, SEM TALENTO PRA MILITÂNCIAS.
DOIS MOMENTOS TORNARAM-ME ADOLESCENTE: EM 1965, QUANDO ESCUTEI “MR . TAMBOURINE MAN”, COM THE BYRDS; E O INÍCIO DE 1967, QUANDO O RÁDIO TOCOU “LIGHT MY FIRE”! ACREDITEM: FORAM MEUS RITOS DE PASSAGEM!
JIM MORREU EM 1971. E EU “COMETI” ESTA COLAGEM EM 1977.
FOI O MEU PRIMEIRO QUADRO. É ARTISTICAMENTE RUIM, MAS CONCEITUALMENTE CORRETO: JIM APARECE EM MEIO AS SUAS DECLARAÇÕES E FRASES, EM FORMATO DE UMA EXPLOSÃO ATÔMICA, QUE SURGE DE UMA BANDEIRA AMERICANA DILASCERADA; E SOBRE UM MAPA AMERICANA RASGADA EM PEDAÇOS E LAVADA EM SANGUE.
É INGÊNUO E POPULISTA. MAS, AINDA HOJE REFLETE OPINIÕES E SENTIMENTOS SOBRE OS GRINGOS…
EU PRETENDI UMA VISÃO DO CONFLITO DE GERAÇÕES EM MEIO À GUERRA FRIA, E DURANTE A DITADURA BRASILEIRA.
JIM TINHA VOZ PORTENTOSA, DE UM BELO TIMBRE, E ALCANCE BARÍTONO.
MAS ERA CANTOR MEDÍOCRE. A RIGOR, SÓ CANTOU RAZOAVELMENTE NO PRIMEIRO LP, THE DOORS, 1967.
NOS RESTANTES, CAPENGOU. E VOLTOU A FAZER TALVEZ A SUA MELHOR GRAVAÇÃO NO ÚLTIMO ÁLBUM, L.A. WOMAN, 1971.
MAS, NINGUÉM LIGOU. O CARISMA NO PALCO E NA VIDA SEGURAVA SUAS PERFORMACES.
SEMPRE QUE VEJO, OU LEIO, ALGO SOBRE MORRISON EU FICO EMOCIONADO. POUCOS ÍDOLOS SIMBOLIZARAM TÃO BEM O QUE ERA SER JOVEM, EMOCIONALMENTE ENVOLVIDO COM O VIVER, COMPROMETIDO COM A MUDANÇA, E CONTRA O REACIONARISMO DA SOCIEDADE.
E TUDO SOB O PONTO DE VISTA DE UM INDIVÍDUO DONO DE SI, E INSTRUMENTO DE SUA PRÓPRIA RAZÃO E POLÍTICA.
A PERSPECTIVA DE JIM MORRISON ERA A DE UM ARTISTA, E NÃO A DE UM MILITANTE POLÍTICO.
EU MUDEI UM POUCO; ENVELHECI COM LUCIDEZ – ACHO. MAS, PERMANEÇO LIBERTÁRIO INCONDICIONAL. SAÚDO CRITICAMENTE A VIDA E OS INCONFORMISTAS QUE LUTAM PARA QUE ELA SEJA MELHOR, MENOS MEDÍOCRE E MAIS JUSTA!
E, RECORDO PEDACO DE FRASE EM UMA CANÇÃO DOS DOORS: “I WATCH THE RIVER FLOW”…
MUITO ALÉM DE “THE HELIOCENTRIC WORLDS! Tive paciência e consegui mais ou menos saber quantos discos gravou SUN RA e sua ARKESTRA: foram 136. Quer em bom português? Contei cento e trinta e seis discos!
Entre os mitos que o cercam está o de ter criado a própria gravadora, “EL SATURN RECORDS”, prá lá de singular. E quase-famosa por ter feito LPS sem grandes sofisticações gráficas, mas artisticamente instigantes e muito difíceis de serem encontrados pelaí!
SUN RA foi um dos primeiros independentes.
Colecionador sortudo e destemido será quem achar algum daqueles discos. São raros e preciosos!
Quem se interessar pelo “MAGO” deve, também, dar uma olhada na produção do cara por outras gravadoras, como a também cult ESP, e a IMPULSE.
Mas, pode ir direto para as reedições em CDS, da suíça EVIDENCE MUSIC, que vem mapeando a carreira do cara com zelo e respeito.
SUN RÁ era de ecletismo total! Mas, à sua maneira peculiar e subversiva. Teve carreira longa e impressionante.
Começou na década de 1940, e trabalhou compulsivamente por mais de 50 anos! Era superdotado e workholic como JOHN MAYALL ou MILES DAVIS.
Acompanhou grupos de DOO-WOP; gravou BE-BOP; deu canjas várias na transição da música negra dos anos 1940 ao R&B em voga.
Envolveu-se com todo tipo de JAZZ, do RAG ao ROCK; gravou BLUES; meteu o criativo bedelho em mil coisinhas excêntricas e esotéricas.
DIZZY GILLESPIE e THELONIOUS MONK eram fãs se SUN RÁ.
Em 1956 gravou, inclusive, com um “esperma ensandecido” (PORRA-LOCA, para os menos recatados) chamado “YOCHANAN, A SPACE AGE VOCALIST”… um híbrido de cantor de R&B, Proto-RAPPER, ou simplesmente um preto maluco! Tudo isso está no CD duplo “SINGLES”, aqui na postagem!!!!
SUN RA propôs e conseguiu um jeito novo de “re-rever” a música de formas diferentes e nunca feitas! Era criativo, insistente e desbravador. Usou teclados eletrônicos ainda nos anos 1950; abusou de sintetizadores e tudo o que fosse ligado às vanguardas musicais esvoaçantes, ou que o ligasse às coisas cósmicas, míticas, místicas, ou simplesmente fora do eixo… e antes que o PINK FLOYD pensasse nisso…
SUN RA era uma METAMORFOSE GALOPANTE, foi um dos criadores do AFRO-JAZZ.
Ao contrário do FREE JAZZ, de ORNETTE COLEMAN, onde a liberdade para improvisar era total, a proposta AVANT GARDE de SUN RA é uma construção/desconstrução ativa, mesmo que não-programada, de uma obra musical que requer disciplina, técnica e sensibilidade.
SUN RA é um arquiteto do caos sonoro inteligível. Intervinha nas gravações, trocando músicos durante a execução dos trechos. Dava o tom, a ideia; e se não gostasse do som de um trombone, digamos, fazia o trompetista, por exemplo, executar aquela parte do jeito que quisesse. E, se RA concordasse, ia juntando, gravando tudo de acordo com a sua percepção e gosto.
SUN RA acrescentava ou retirava instrumentos, ideias, frases; e o resultado é uma colagem sonora com liberdade vigiada, livre ‘ma, non tropo”. Fica estranho, mas é coeso e musicalmente instigante. A metáfora que me ocorre, é consertar o motor do avião em pleno voo…
Ele rompeu e subverteu a ideia inicial do FREE JAZZ, e está nas raízes da FUSION, DO ROCK PROGRESSIVO, e é precursor do “AFRO-FUTURISMO” jazístico. SUN RA é um compositor, arranjador, maestro maluco, que dirige sua orquestra ao sabor de si mesmo.
Diferentemente do FREE JAZZ, onde cada um tocava sua parte sem a censura de outros; nos discos dele o comandante supremo é SUN RA. Ele é o diretor de obras do caos. Não sabia onde queria chegar, mas chegava prospectando, caminhando, perscrutando, tocando, construindo, destruindo, mudando a música…
Depois de gravada, claro, restava a obra composta: original, intuitiva, provavelmente não repetível, mas “organizada”, porque “petrificada” em disco.
Se o FREE JAZZ é obra coletiva, o AVANT – GARDE parece, em geral, produto individual: o conceito é do artista.
A história da música popular é um caminho tortuoso, desruptivo, e, ao mesmo tempo, previsível. Muita coisa díspar convive ao mesmo tempo.
Para muitos, o ápice da sofisticação na música popular foi a GRANDE CANÇÃO AMERICANA, de GERSHWIN, COLE PORTER…; e na voz de ELLA, BILLIE, SINATRA, entre vários.
A BOSSA NOVA talvez tenha sido o último ato da grandeza musical “tradicional conservadora”. E, tudo isto, culminando no final dos anos 1950 do século passado!
No mesmo espaço/tempo, o R&B e o ROCK AND ROLL comiam solto com incontáveis grupos de DOO-WOP, ELVIS PRESLEY e contemporâneos.
Além das experiências radicais na MÚSICA CLÁSSICA contemporânea, a ELETROACÚSTICA, por exemplo; à época estavam em curso subvertendo o gosto tradicional, e acrescentando elementos de ruptura.
No BRASIL, em 1959, a compositora JOCY DE OLIVEIRA, contestara sarcasticamente a BOSSA NOVA, em seu LP.
Mas, em 1961, executou no TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO a primeira obra de música ELETROACÚSTICA do BRASIL. JOCY esteve e está além de seu tempo…
Talvez a transição entre a década de 1950 e a de 1960 tenha sido o período histórico onde ocorreram as mais significativas erupções e terremotos estéticos.
SUN RA não existiria sem esse amplo painel, composto por contradições procurando sínteses, e de saltos à frente. A entropia foi o FREE JAZZ, sucedido por uma quase-reorganização da vanguarda com o AVANT-GARDE.
Ao mesmo tempo, vieram os Beatles e os formatos tradicionais simplificados tomaram a cena novamente.
Até que…
SUN RA morreu aos 79 anos, em 1993, mas sua ARKESTRA continuou sob a direção, talvez até hoje, do saxofonista MARSHALL ALLEN, que já a trouxe ao Brasil.
Quando eu morrer, vou-me embora pra SATURNO, de onde SUN RA disse que veio. Porque lá sou amigo do Rei…