OTIS REDDING: “NÃO ACREDITEI QUE FOSSEM BRANCOS! ENTREI NO ESTÚDIO PARA CONFIRMAR”. EZEQUIEL NEVES EM RESENHA CRÍTICA EM 1971: “ESSES CARAS NÃO SABEM O QUE QUEREM FAZER: SE SÃO R&B, PSICODÉLICOS, BEAT, SEI LÁ. ..”
E TIO SÉRGIO, ETERNO FÃ: “É POR ISSO QUE ADORO A BANDA. FIZERAM DE TUDO COM EXTREMA QUALIDADE”.
THE YOUNG RASCALS, POR VOLTA DE 1967 SIMPLIFICARAM O NOME PARA RASCALS, E GRAVARAM OITO LPS, DEZENAS DE SINGLES, E FORAM SUCESSO ABSOLUTO ENTRE 1966 E 1970!
A CARREIRA DUROU OITO ANOS E MARCOU O POP. ESTÃO CONSAGRADOS NO “ROCK AND ROLL HALL OF FAME”.
ERAM DE NOVA YORK. TRÊS DESCENDENTES DE ITALIANOS O CANTOR E ORGANISTA FELIX CAVALIERI; DINO DANELLI, BATERISTA, E EDDIE BRIGATTI, CANTOR.
E GENE CORNISH, DESCENDENTE DE IRLANDESES, TOCAVA E GUITARRA.
ELES FORAM OS PIONEIROS DO CHAMADO BLUE EYES SOUL, COMO O “SIMPLY RED” E “DARYL HALL & JOHN OATES”, ENTRE TANTOS…
FELIX CAVALIERE CONTINUA CANTOR TÃO BOM E IDENTIFICÁVEL QUANTO ANTES. PROCUREM OS DOIS DISCOS RELATIVAMENTE RECENTES GRAVADOS COM O LENDÁRIO STEVE CROPPER – UM “GUITARRISTA DOS GUITARRISTAS”.
FELIX CONTINUA REFERÊNCIA DA FUSION R&B/ROCK/ E ALGUM JAZZ. FAZ MÚSICA POPULAR DE QUALIDADE!
A primeira vez que a escutei VÂNIA fazia backing vocal na BANDA SABOR DE VENENO, de ARRIGO BARNABÉ, em tumultuado festival no final de 1979 / início dos anos 1980. Foi televisionado.
E “SABOR DE VENENO” foi tão vaiado quanto SABIÁ, de CHICO BUARQUE e TOM JOBIM, no FESTIVAL DA CANÇÃO, em 1967, acho – aquele onde GERALDO VANDRÉ ficou em segundo lugar com “PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES “.
Os motivos das vaias foram muito diferentes: CHICO e TOM concorreram com música totalmente fora do clima político da época, pleno de mudanças e radicalismos.
ARRIGO, ao contrário , estava na absoluta VANGUARDA MUSICAL: quebra de ritmos e andamentos, arranjo anárquico e atonal, letra fora do comum, e tudo o mais que macacos como eu adoraram! Mas, a média da plateia obviamente, não!
VÂNIA se destacava. Voz cristalina tinindo agudos com técnica e alguma anarquia. Contestatária e irônica, numa apresentação cheia de sarcasmos.
Corte.
VÂNIA foi por outra vertente em sua carreira. Sempre moderna, jamais abdicou de seu inigualável talento!
A VOZ DE CRISTAL E LUZES, sua dicção perfeita e a capacidade vocal de ir ao extremo agudo sem jamais perder a afinação.
Além das interpretações sublimes que faz ao transitar por toda a riqueza da nossa MPB.
VÂNIA BASTOS grava pouco. Talvez porque escolhe e refina repertório à altura de sua capacidade de cantar. Um disco a cada três anos, em média.
Vai de JOSÉ MIGUEL WISNIK e MILTON NASCIMENTO, a DOMINGUINHOS e RITA LEE. Flertou, inclusive, com versões de COLE PORTER.
E tudo perfeitamente colocado, estudado; para que a emoção interponha-se, mas sem macular a técnica. VANIA BASTOS é “quente” e cristalina. E seus arranjadores e acompanhantes trabalham em função do melhor realce possível para seu estilo e talento.
VÂNIA BASTOS é a minha cantora brasileira favorita.
À parte o “certo quê” no ver o mundo, que gente como eu Rodrigo Marques Nogueira, e a turma que passou pela FFLCH da USP sempre identificamos uns nos outros.
Sua discografia é composta por 11 discos (será que você gravou algum outro que eu não tenha? )e 1 DVD, até agora. Infelizmente eu não consegui ainda o CLARA CROCODILO, do ARRIGO…
Eu os acho gravações imperdíveis e colecionáveis. Todos eles! E são por questões de mercado mais baratos do que mereceriam.
Escrevi essa postagem ouvindo BELAS E FERAS, DE 1999.
VÂNIA faz, eu suponho, um resumo de sua percepção de ser mulher através de músicas de outras autoras. É muito bom!
Ouçam a VÂNIA, minha quase contemporânea nas CIÊNCIAS SOCIAIS da USP – só que em outro campus. Ela enriquece a alma!
DIGAM O QUE DISSEREM, AQUI ESTÃO OS DISCOS SEMINAIS DA PSOCODELIA INGLESA.
NADA SE COMPARA!
ABSOLUTAMENTE RADICAL E NOVO. FOLK+EXPERIMENTAÇÃO EM ROCK PSICODÉLICO.
E HOUVE “ARNOLD LAYNE” E “SEE EMILY PLAY”, TAMBÉM COM SYD BARRET. DOIS SINGLES DEFINIDORES DO CHAMADO “ROCK ESPACIAL”, QUE ELES AMPLIARIAM À PARTIR DA METADE DO LP SEGUINTE: “A SAUCERFULL OF SECRETS”, DE 1968, MAS COM DAVID GILMOUR, NA GUITARRA.
O PINK FLOYD COM SYD BARRETT ERA OUTRO CONCEITO. HÁ QUEM NÃO GOSTE OU COMPREENDA. MAS, QUANDO OUVI O “SEE EMILY PLAY”, HOJE RARÍSSIMA EDIÇÃO DA FERMATA BRASILEIRA EM 1967, OUTRO MUNDO POSICIONOU-SE PARA MIM.
AS EDIÇÕES EM CD AQUI POSTADAS TAMBÉM SÃO LUXO PURO. ALGO DIFÍCEIS E PRECIOSAS.
SEMPRE HOUVE INTELIGÊNCIA VIVA NESSA BANDA IMPRESCINDÍVEL!
Interessante, em 2013 passei por mudanças radicais. Simplesmente eu e a Angela invertemos os pontos de estabilidade, nossas casas, e saímos de nosso apartamento grandão nos Jardins, para outro menor na Rua Oriçanga, perto da Praça da Árvore, também em São Paulo.
E, ao mesmo tempo, fomos para um apto maior ainda no Guarujá. Mudar é semelhante a demolir uma parede: você não imagina o quanto de “entulho” tem de remover.
Casa arrumada, com tudo no lugar, é uma coisa. Abrir os armários e começar a encaixotar dá desespero. É a desorganização de uma história de vida.
E fazer isto com 61 anos de idade, e em dezembro, é pior ainda, já que o natal nos remete à estabilidade emocional – principalmente.
Ficamos contentes e felizes pela ousadia mas, de qualquer maneira, nos sentimos talvez como dois sem-teto: desalojados, mesmo que momentaneamente.
O substrato de espiritualidade pela aproximação do natal permaneceu. Mesmo que, hipocritamente, soubéssemos que o vício do consumo é homenagem à virtude de pensar no próximo e talvez em Deus…
Nossa vida mudou bastante. Cinco anos depois, deixamos definitivamente São Paulo. E nos instalamos “definitivamente” no Guarujá.
Eu adoro advérbios. Principalmente quando intuo que a palavra definitivo não expressa conceito que se aplique automaticamente a nós dois.
Paciência, perfeccionismo e gosto apurado ao extremo tem TAKESHI TEE FUJI, o criador da gravadora THREE BLIND MICES , a cult, cara e espetacular TBM. Um caldeirão dos feiticeiros da técnica de alguns dos mais perfeitos discos já gravados ou transcritos!
TEE, como gosta de ser chamado, fundou a gravadora em 1970, na expectativa de gravar e produzir JAZZ, no Japão, com artistas talentosos e desconhecidos.
Fez; não ganhou dinheiro, mas desenvolveu técnica de equalização do que foi gravado de que, quando transcrita, a música não perdia “nada” do que estava contido no master original. Um prodígio!
Eu sei de alguns discos por eles produzidos. Consegui esta coletânea com gravações a maioria realizada entre 1973 e 1977. São vários artistas sensacionais, com catálogo bem recheado, e até cantora fazendo clássicos eternos do JAZZ.
A qualidade é divinamente indescritível! Mais de 43 anos de ultra fidelidade exposta.
A produção gráfica e a edição da JVC japonesa são, também, de primor tangível.
Certa vez, ouvi outro disco desta série em uma loja de equipamentos de som. A MÚSICA literalmente invadia o cérebro vinda de algum lugar entre o teto e as caixas! Subia e descia pelas paredes!
Dá medo tentar descrever o que havia lá e o que postei aqui.
Eu falo de gravações com mais de 40 anos, captadas e trabalhadas no estado da arte! Desconfio que não seriam superadas pelas técnicas atuais de nossos amiguinhos de olhos puxados.
A MINHA DISCOTECA TEM PECULIARIDADES. ALGUMAS QUASE EXCÊNTRICAS, POR EXEMPLO: EU JUNTO BEAT COM ROCK DE GARAGEM.
E POR QUÊ? PORQUE A GARAGEM É “IRMÃ SIAMESA”DO BEAT, MAS TAMBÉM “IRMÃ GÊMEA” DA PSICODELIA – QUE, EM MINHAS ESTANTES, TEM NICHO E DEFINIÇÃO EM SEPARADO.
ENTENDERAM?
“NÃO, TIO SÉRGIO; SEU QUASE “CHACRINHA” DO POP, QUE VEM AQUI PARA CONFUNDIR E NÃO PARA ESCLARECER”!!!
DEPONHA, SOB VARA, E JÁ!
Então, tá. Eu consigo explicar e para isso vou usar o bom nome desta excelente banda absolutamente POP, campeã de vendas, longe do ROCK sofisticado, mas submersa na diversão imprescindível.
PAUL REVERE & THE RAIDERS passaram raspando, ou colidindo, com tudo o que se fez de POP dos anos 1960 até a metade dos 1970. Eram americanos, e longe do epicentro pop: IDAHO!!!
Formados no final dos1950, quando PAUL REVERE, tecladista, e MARK LINDSAY, vocal, juntaram “fraquezas” pra ver no que daria. Foram do RHYTHM´N´BLUES ao SURF; e usaram o SAX como o DAVE CLARK FIVE fez depois com enorme sucesso.
Falaram de carros como os BEACH BOYS, caíram de boca no BEAT dos ingleses BEATLES, STONES, todos – escolham…
E mostraram o indefectível órgão ( Farfiza, suponho ) em todos os discos. Aos poucos juntaram fãs, principalmente a meninas inebriadas por MARK LINDSAY, que foi o que JON BONJOVI se tornou muito depois, e compraram revistas teen até cansar.
Em 1967, já tinham conseguidos disco de ouro em três LONG PLAYS!
Bela performance, heim?
Aqui na postagem está um CD triplo com 66 músicas, os 33 singles gravados na COLUMBIA RECORDS!
Isso mesmo, eles eram, antes de tudo, uma banda de SINGLES, como seus concorrentes diretos, na década de 1960!
Eram pau a pau nas paradas de de sucesso com os RASCALS, os GRASS ROOTS, TOMMY JAMES & THE SHONDELLS, ASSOCIATION. E com a turma da música negra da MOTOWN, SRAX, ATLANTIC; ou quem viesse do BUBBLE GUM – outra praia em que nadaram, venderam e fizeram nome.
Estiveram próximos ao SUNSHINE POP – e, claro, militaram por lá, também!
Gravaram, inclusive, um LONG PLAY “PSICODÉLICO”, o amarelinho da foto “SOMETHING HAPPENING”,1968. E ousaram clonar, em 1966, a ideia dos BEATLES em ELEANOR RIGBY: escutem “Undecided Man”, um BARROQUE POP sem tirar e nem por, lançado como B side!
Em 1967, já eram o maior sucesso da gravadora COLUMBIA, com direito a produção de TERRY MELCHER, que fez os dois primeiros LPs dos BYRDS. Vendiam mais do que os BYRDS e BOB DYLAN!
“INDIAN RESERVATION”, mega hit da banda, em 1970, com mais de 6 MILHÕES de unidades, foi o SINGLE da COLUMBIA que mais vendeu, nos dez anos seguintes!!!
Quando ouvir falar em MICHAEL JACKSON, EAGLES, e vasto etc… posterior, não esqueçam que houve gente de enorme sucesso, antes. Mas, é história para outra postagem.
No início da década de 1970, a COLUMBIA investiu mundos e fundos em MARK LINDSAY, como artista solo. Começou bem, mas não segurou a onda. Outros tempos; o exigido para um SINGER-COMPOSER era muito mais do que ele conseguia entregar. MARK jamais foi uma CARLY SIMON, ou NEIL DIAMOND.
Se vocês quiserem dar uma pesquisada, percorram grandes hits de PAUL REVERE & THE RAIDERS. Alguns muito conhecidos e que marcaram época, como MR. SUN E MRS MOON, LET ME, CINDERELA SUNSHINE. E vejam os tempos GARAGEM e PSICODÉLICOS com KICKS, CORVAIR BABY, HUNGRY, GOOD THING, ITS HAPPENING´ e um monte!
Pedradas POP!
Ou assistam a um filme do TARANTINO, que anda em cartaz: ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, lá estão três músicas deles na trilha sonora.
Ah, o ROCK DE GARAGEM e a PSICODELIA estão juntos, quase indistintos, na discografia clássica do assunto. Mas, ouçam, por exemplo, ELECTRIC PRUNES, BYRDS, SPIRIT, de um lado, e MUSIC MACHINE, BLUES MAGOOS e PAUL REVERE & the RAIDERS do outro. Moram no mesmo prédio, e cada um em seu apartamento.
Quando comecei a colecionar pra valer, em torno de 1969, a curiosidade sobre o que ouviam e como se divertiam os meus ídolos aguçou.
E GEORGIE foi um deles.
Discos e informações eram dificílimos de serem encontrados, naqueles tempos. E, como também sabe a turma de hoje, “sempre foram caros e algo raros”.
As primeiras enciclopédias que saíram nos anos 1970 eram muitas vezes precárias, mesmo havendo exceções – e qualquer dia posto sobre isto.
Talvez os sixties tenham consolidado a liberdade pessoal como valor absoluto, no mundo ocidental desenvolvido, independentemente de grana e classe social.
Um direito e ponto; que foi sendo expandido e, espera-se, continuará.
E tudo isso para dizer que na Inglaterra, claro, havia bares, clubes e locais onde bandas profissionais divertiam os mais jovens e os músicos de quem eles gostavam. E GEORGIE FAME & THE BLUE FLAMES era a banda titular do “FLAMINGO”, em Londres, e foi dos primeiros CLUBES a trazer famosos como BEATLES, STONES, CLAPTON, PAGE, BECK, e a vasta gama de pop rockers. Iam para dançar e curtir junto a seus fãs a deliciosa mistura de BLUES, R&B e JAZZ que eram a moldura para a cena jovem da época.
O que GEORGIE FAME fazia está em um dos discos aqui: “RHYTHM`N`BLUES AT THE FLAMINGO”. de 1964. Gravado ao vivo, pega o clima em cheio. Assim como os seus contemporâneos, GRAHAN BOND ORGANIZATION, JOHN MAYALL & THE BLUES BREAKERS, ZOOT MONEY & BIG ROLL BAND, e só para ficar na epiderme do melhor BLUES / SOUL/ R&B e outros ritmos da época!
Este box traz os cinco primeiros discos FAME, que gravou mais de 45 álbuns originais, uns 70 singles e até hoje é “alvo” de compilações diversas .
É bom cantor de RHYTHM`N`BLUES e pop em geral, algumas vezes pouco inspirado, mas que foi melhorando no decorrer da carreira.
GEORGIE gravou com grupos, BIG BANDS, grandes artistas e o que mais se imaginar.
Há um excelente disco de GEORGIE FAME com VAN MORRISON, “HOW LONG HAS THIS BEEN GOING ON”, lançado em 1995, pela VERVE RECORDS, que dá a medida do que ambos faziam e ainda fazem.
GEORGIE FAME tem repertório eclético e amplo partindo de standards para coisas mais originais. Talvez alguns ainda tenham a lembrança do filme “BONNIE & CLYDE”, cuja canção título foi por ele gravada e consagrada.
Os discos que ele fez são, essencialmente, cults e colecionáveis. São boa cartografia do que foi o pop nas decadas de 1950/60 e 70, extendidos para talvez eternidade.
O box aqui, “THE WHOLE WORLD´S SHAKING”, abrange os primeiros discos de GEORGIE. É muito bem gravado e produzido. Rico em fotos e artes gráficas, traz os discos com faixas bônus e as capas originais.
É muito bom para os que ainda revivem o período. Como o TIO SÉRGIO, que aqui vos escreve…
AQUI, DEZOITO DOS QUARENTA E SETE DISCOS QUE GRAVOU.
GEORGE HARRISON era; e MILTON NASCIMENTO é tímido e calado.
VAN MORRISON É QUIETO E INTROSPECTIVO. Disse que falava pouco, e que a mente dele estava permanentemente invadida por sons, arranjos, músicas, ideias…
Então, ele ouvia-se o tempo inteiro.
VAN MORRISON é baixinho. E daí?
E daí? MICK JAGGER, ERIC BURDON E JON BONJOVI também são… E todos têm voz forte e potente.
Assisti a um vídeo dele um tanto paradoxal: a banda que o acompanhava era composta por gente alta, muito alta.
Meu irmão, Ciro de Moraes, contou que, num evento de negócios, quem se apresentou foi o sertanejo DANIEL: também baixinho referendado. Mas, havia um detalhe: as BAILARINAS que o acompanhavam eram todas do mesmo tamanho, o menores do que ele!!!!
Estratégias diferentes para se destacarem? Sei lá…
VAN MORRISON nasceu em Belfast, na Irlanda do Norte, e começou a carreira no início dos anos 1960. Fez algum sucesso com um grupo BEAT, o THEM. Gravou alguns SINGLES e dois LPs.
Chegaram a excursionar na América junto com os DOORS. E JIM MORRISON E VAN se conheceram, tornaram-se amigos…o que é lendário. Há gravação memorável de GLORIA, música de VAN e também gravada pelos DOORS.
Voltando à Inglaterra, VAN separou-se do grupo – que prosseguiu… E, depois rebatizou-se para BELFAST GYPSYES
Mas, na América, viram em VAN MORRISON talentos a serem explorados. Retornou, gravou o que recentemente foi relançado por aqui e mundo afora “THE AUTHORIZED BANG COLLECTION”, coisa menor. Mas, indicativa de talento em ascensão.
Imaginem o seguinte: um artista jovem lança, de cara, o que é conhecido como seu melhor disco, e um dos vinte maiores de todos os tempos!!!
Foi isso, ASTRAL WEEKS, 1968, é um marco POP tido como obra de arte. Um amálgama de ideias, que vão do FOLK IRLANDÊS, agrega muito de BLUES; transita no JAZZ, mas é ROCK!
Um ROCK não muito bem definido? Defendo que, sim. Vai além do que fizeram JETHRO TULL, FAIRPORT CONVENTION e outros vários…
No início vendeu pouco.
É do porte e importância do VELVET UNDERGROUND & NICO, de 1967. Disco seminal que, consistentemente nunca sai de moda.
Ambos foram legados de geração para outra, e até sabe-se lá quando? Dois clássicos esquisitos; e, para muitos, um tanto incompreensíveis…
VAN MORRISON desabrochou a partir dali. Partiu do cume. Exigente e focado, sua produção na década de 1970 é sucessiva entrega de bons discos baseados em RHYTHM´N´BLUES, SOUL, BLUES, perpassados por algum JAZZ e ROCK .
É desse tempo um dos maiores shows ao vivo da história: o álbum duplo “IT´S TOO LATE TO STOP NOW”,1974, perfeição gravada e lançada sem qualquer “overdubing”. Na raça, no jogo duro do palco. Pauleira brava imperdível!
VAN MORRISON tem voz e timbre únicos.
É um grande cantor?
Antes de tudo, ele é um BLUES-SHOUTER explícito. Porém, contido em arranjos de bom gosto, com forte influência de SAM COOKE, RAY CHARLES, OTIS REDDING, e outros americanos raiz.
O tempo todo MORRISON nos dá o retrogosto da tradição americana; dos metais aos riffs de guitarra. Um feeling do R&B americano, porém puxando para algo do FOLK IRLANDÊS, e do BRITISH BLUES. Está claro?
VAN tem algo indefinível que só encontrei em JOHN MAYALL e sua enorme e consistente carreira: MORRISON e MAYALL são artistas sedentos e curiosos. Frequentaram todos os recantos e escaninhos da melhor música popular de seus tempos!
Talvez boa definição para o trabalho de VAN MORRISON seja: “O CRIADOR DE UMA ENCICLOPÉDIA DE SONORIDADES CONDENSADAS”. Às vezes, uma quase FUSION, amarrada por seu talento único. E, quem sabe, o uso de muitos músicos ingleses traga esta coloração cultural híbrida: AMERICAN R&B + BRITISH BLUES.
VAN MORRISON foi muito além disso tudo. Sua imensa discografia abarca a MÚSICA CELTA, e aquela sonoridade peculiar das ilhas britânicas; e, ouso dizer, ultrapassa os limites britânicos e circula por um certo “soar” do norte europeu. Transita por coisas meio nórdicas, e meio quase fora da casinha da tradição inglesa-americana. Um retro gosto talvez de New Age. E, talvez, devesse gravar ao menos um disco para a gravadora alemã E.C.M.
Seria?
E para não dizer que não falei de tradição, gravou muitos STANDARDS, BLUES, e o que se quiser procurar ao longo de sua vida artística.
Fez Álbuns com artistas consagrados também dos EUA. JOEY DE FRANCESCO, aqui na foto, por exemplo. E outros grandes da Inglaterra e sua vizinhança, como GEORGIE FAME, ou LONNIE DONEGAN.
A curiosidade que VAN MORRISON sempre teve, vez por outra o levava propositalmente para algum descarrilamento temático.
Em uma canção do disco DOWN THE ROAD, 2002, em que cita nominalmente dois baixos-barítonos do pop inglês SCOTT WALKER e P.J. PROBY, lembrados junto com o desvairado, e quem sabe o maior gritalhão do ROCK da inglaterra, LORD SUTCH. Miscelânea criada pela cabeça deste superdotado peculiar e indispensável.
A exigência que MORRISON sempre fez em sua carreira, e ao longo dos tempos, é que seus discos fossem bons, muito pessoais, e impressionantes.
E todos são!
Aqui, temos uma refeição. Mas é possível conseguir um banquete. Está faltando muita coisa que fez e continua fazendo.
Então, percam-se no mundo que ele criou!
Com certeza vão encontrar vida e arte que nunca imaginaram que existiria…
Foi o momento mais cativante, do ponto de vista do astral e das melodias, na segunda metade dos anos 1960.Talvez até uma “REAÇÃO CONSERVADORA” ao BEAT, SURF, e FOLK DE PROTESTO, destacando apuro vocal, melodias trabalhadas, e oposição a horrores políticos, como a guerra do Vietnã.
Não há quem não se lembre dos MAMAS & THE PAPAS, ASSOCIATIONS, THE 5TH DIMENSION, ou SPANKY AND OUR GANG , entre centenas, talvez milhares de outros. Todos criativamente alienados, porém mantendo a sanidade em tempos sofridos, e cheios de revoltas e lutas políticas.
Esse THE MAMAS & THE PAPAS – COMPLETE ANTHOLOGY colige tudo o que eles gravaram. Os cinco LONG PLAYS, também lançados no BRASIL, e todos os SINGLES de imenso sucesso. Estão ali faixas solo de MAMA CASS, entre várias outras parcerias e participações.
A qualidade técnica, gráfica e informativa é de alto nível. Um must para os fãs!
Eu os assisti ao vivo, em São Paulo, na boate do Hotel MACKSOUD PLAZA, a bem mais de trinta anos.
O local era pequeno, a banda ótima e reforçada por SCOTT MACKENZIE, um dos maiores “ONE HIT WONDER” da história do POP, com a inesquecível SAN FRANCISCO. Ele substituiu DANNY DOHERTY, da formação original.
O lugar de MAMA CASS foi ocupado por SPANKY McFARLAND, da concorrente de grande sucesso SPANKY AND OUR GANG.
E, claro, o membro original e “dono da banda”, JOHN PHILLIPS, e sua filha MACKENZIE PHILLIPS, que atuou no filme “AMERICAN GRAFFITE”, e veio substituindo a mãe MICHELLE, a “Mama” original.
Foi um belo show. Correto, emocionante, e digno do legado “HIPPIE – FLOWER POWER que eles simbolizaram.
OS MAMAS & THE PAPAS eram ótimos, quentes e e melódicos. Um naco “eterno” e revivido dos sixties. Eu vejo, porém, um detalhe curioso: as duas moças do ABBA com toda certeza ouviram MICHELLE E CASS. E cantavam “lá no alto” como elas . ..
Mas, não duraram mais do que uns cinco anos, e saíram de moda. Seus antípodas e contemporâneo certamente foi o VELVET UNDERGROUND.
E foram superados por tendências musicais mais ensimesmadas, contidas, egocêntricas: CAROLE KING, CARLY SIMON, JAMES TAYLOR, LENNON…
E artistas corrosivos, lúgubres e até indigestos, como o MC 5, STOOGES, e o tormento PUNK, meia década depois.
Mas colecionar, para mim, começa pelo SAVOY BROWN. Talvez decorra dos tempos de transição entre a década de 1960 e 1970.
Ou, quem sabe, pela memória dos discos da LONDON/DECCA, emblemáticos de meados dos anos 1960 / 1970, quando a gene pegava as capas internas que protegiam os Lps; e todas apresentando outros lançamentos e bandas das gravadoras associadas.
Quem comprasse MOODY BLUES, por exemplo, via discos do SAVOY BROWN, do TEN YEARS AFTER, de JOHN MAYALL & THE BLYESBREAKERS… E, claro, do grande ídolo daquela época, TOM JONES, entre vários e relevantes outros!
Pois, é queridos, queridas e adjacências: Memories are made of this…
Os discos da LONDON/DECCA eram artigos luxuosos – luxurioso? – , que a gente via e, vez por outra, comprava nas lojas importadoras. Traziam a vanguarda do BRITISH ROCK da época, convite à sensibilização e à curiosa sensação de pertencimento a um culto quase secreto. Colecionar DERAM também é um must!!!1
O SAVOY BROWN, por ser BLUES com um algo de PSICODELIA; e ter feito alguns discos já a caminho do ROCK PROGRESSIVO, também teve capas magníficas e marcantes.
Para mim, até melhores do que alguns discos que produziu. Mas, sempre fascinou a minha adolescência e os colecionadores daquela geração.
Confesso ter comprado mais a discografia da concorrência. Afinal, grana curta implica discernimento e escolha rígida. Porém, passou o tempo e fui, aos poucos, colecionando os moços.
As fotos aqui mostram 8 anos da carreira do SAVOY BROWN, na DERAM, 14 Long Plays.
E mais dois de CHRIS YOULDEN, o segundo e mais célebre vocalista da banda – mas que desistiu da carreira por considerar-se apenas mais um entre centenas. E ele não era, defendo, tão limitado quando disse.
O SAVOY BROWN, como o FLEETWOOD MAC, JOHN MAYALL, CHICKEN SHACK e quase toda a BRITISH INVASION fez mais sucesso nos EUA do que na Inglaterra.
KIM SIMMONDS, guitarrista, compositor e vocalista, o dono do SAVOY, persistiu e continuou até morrer fazendo, com ou sem a banda, BLUES estiloso e pessoal, em carreira mais do que cinquentenária e momentos criativos.
É bom não esquecer o sabido por colecionadores em geral. Foi de lá saiu a estrutura do FOGHAT, famosa banda de HARD BLUES de meados da década de 1970 em diante, e grande sucesso na linha da matriz: um BLUES ROCK inspirado por JOHN LEE HOOKER.
Esteve por lá, também, um dos maiores “siders” da história do rock, PAUL RAYMOND, tecladista, guitarrista e vocalista lendário, falecido uns quatro anos atrás, e que participou de várias bandas, entre as quais o UFO, e muitos projetos e gravações ao longo de 50 anos de carreira, ou mais.
Trouxe aqui mais três discos feitos no final da década de 1980, agora com DAVE WALKER no vocal, gravados entre 1988 e 1990. Discos muito bons, também. E algo mais pesados.
E, claro, entre 1978 e 1988, houve outros de KIM SIMMONDS e banda.
Segundo o pesquisei, há 52 álbuns, alguns miscelâneas, 34 compilações e 28 SINGLES. Claro, todos com KIM MAIDEN SIMMONDS, que morreu em dezembro de 2022. Certamente os discos solos incluídos… O sobrenome MAIDEN para mim é novidade… curioso….
KIM era o SAVOY BROWN. Ele criou, manteve e cuidou da fama do grupo. Foi ícone CULT e PRODUTIVO.
Ouçam o SAVOY BROWN, nome de cor como DEEP PURPLE. Ambos na “palheta auditiva” de quem gosta de ROCK.
Para mim, restaram sensações profundas e inesquecíveis.