TRÊS DISCOS DE MÚSICA POPULAR DE VANGUARDA:

 THELONIOUS MONK & SONNY ROLLINS, DE 1953/54; ERIC DOLPHY NOS ESTERTORES DO BE BOP, EM 1960, JÁ ANTECIPANDO O FREE JAZZ; E O PRIMEIRO DISCO DO KING CRIMSON, DE 1969, PROPONDO UM NOVO JEITO DE FAZER O ROCK PROGRESSIVO, COM ELEMENTOS DA VANGUARDA E DO FREE JAZZ.

TALVEZ TENHAM EM COMUM O CONTROLE DA EXPLOSÃO MUSICAL QUE PROPUNHAM, REORGANIZANDO O CAOS QUE CRIAVAM E GERANDO UMA NOVA ESTABILIDADE HARMONIZANDO A PRÓPRIA DESTRUIÇÃO CRIATIVA QUE PROPUSERAM.
PODE SER UM JEITO DE VER A COISA.

“UM VERÃO NA GRÉCIA.” GRANDE FILME SOBRE TEMPOS DENSOS: 1967/1969, MÚSICA, POLÍTICA, MUDANÇAS SOCIAIS…

 Os cinco CDS aqui postados foram lançados pela excelente RHINO RECORDS, no início da década de 1990.

Coligem o fino do “GARAGE ROCK” e do “SUNSHINE POP”, uma das fases mais interessante, criativa e bonita da música POP.

“SUMMER OF LOVE”, em dois volumes, foca no SUNSHINE POP, o misto de ROCK PSICODÉLICO mais leve, e música dançável e alto astral.

A série NUGGETS traz GARAGE BANDS e também SUNSHINE POP. E se baseia, mas vai além do colecionável LP DUPLO ORIGINAL, lançado nos anos 1970.

Foi o primeiro álbum a trazer parte da História, e principalmente legitimidade, para o ROCK DE GARAGEM de bandas desconhecidas que se tornaram míticas: SEEDS, CHOCOLATE WATCH BAND, ELECTRIC PRUNES, e incontáveis… hoje, monumentos da discografia imprescindível sobre a década de 1960.

A trilha sonora do filme é composta de músicas e artistas conhecidos naqueles tempos: MAMAS & THE PAPAS, ANIMALS, PROCOL HARUM…

Mas, curiosidade interessante: a quase totalidade das versões foi feita por bandas italianas daqueles tempos; e algumas bem legais! Instigantes! No mundo inteiro, “aconteceram” bandas copiando ou vertendo esses grandes clássicos…

A melhor música da trilha aparece em versão original. É um CULT meio esquecido do “POP – BARROCO – PSICODÉLICO – PROGRESSIVO” (Ufa!!!): a longa, densa e sofisticada ELOISE, com BARRY RYAN. Procure conhecer. Um ÉPICO POP sensacional!!!

E, lá vai o filme.

UM VERÃO NA GRÉCIA, ( LA SYNDROME DI ANTONIO ) 2016

DIREÇÃO: CLAUDIO ROSSI MAXIMI, COM QUERALT BADALAMENTI ( MARIA ) E BIAGIO IACOVELLI (ANTONIO)

É o melhor filme que assisti em 2021!

Profundamente humano, política e existencialmente inquietante; cheio de referências e diálogos profundos; e visitas por conhecidos lugares históricos.

Claro, permeado por algum humor, nem sempre refinado, como o bom cinema italiano geralmente traz. E tudo sintetizado em menos de duas horas.

Assisti-lo é muito prazeroso, e deve ser revisto algumas vezes, principalmente pelos quê se interessam por dilemas daquela geração, suas repercussões; conquistas, ganhos, perdas, oportunidades não identificadas, e vívidas frustrações.

Eu “estive lá”, digamos….

A vida pode ser lida como a construção de uma grande MANDALA. É frágil, bela, feia, às vezes… E a sua regra maior e mais frustrante é a IMPERMANÊNCIA de tudo… É muito trabalho realizado, que pode ser destruído por sopros de vento.

Literalmente, o resultado e a resposta estão “BLOWING IN THE WIND”…, como cantam dois chatos pertinentes e imprescindíveis: BOB DYLAN e o deputado paulista EDUARDO SUPLICY…

O grande momento daquela geração, a minha, foi a sequência explosiva e rica, abrangendo meados da década de 1960 até 1975, mais ou menos.

O ponto existencial, artística e politicamente culminantes foi 1968. Houve rebeliões, e confrontos geracionais no mundo inteiro.

Atingiu os ESTADOS UNIDOS, passou por toda a EUROPA democrática, principalmente FRANÇA, ALEMANHA e INGLATERRA…

Com resquícios na TCHECOSLOVÁQUIA, comunista, mas com certas liberdades interrompidas com a invasão soviética na PRIMAVERA de PRAGA, 1968.

A rebelião global chegou à ARGENTINA e URUGUAI; ao CHILE e ao BRASIL, também – enquanto houve liberdades e democracia…

Foi período político coalhado de ditaduras. E por prazeres explícitos liberados pelas inovações científicas e comportamentais, como a liberação que a pílula anticoncepcional trouxe às mulheres.

Tempo rico, nobre e denso E, torpe ao mesmo tempo. Pode-se alterar a ordem desses 4 fatores como se quiser…A vida ainda é mais ou menos assim…

“UM VERÃO NA GRÉCIA”, é uma pequena obra de arte.

As tramas acontecem em 1969/1970. E um dos subtemas é o reflexo disso tudo na ITÁLIA. E na GRÉCIA, principalmente, governada por um coronel golpista e sanguinário de nome PAPADOPOULOS – já acomodado na lixeira da História.

O roteiro mostra a construção de uma curta história de amor, interrompida pela distância, por dúvidas, e a inexperiência principalmente de ANTONIO. Tudo vem mesclado à filosofia, política e arquitetura. E com ensinamentos da mitologia grega, seus “deuses-espelhos” cheios de boas qualidades, defeitos, maldades, intrigas, perfídias e taras. ( na dúvida, visite o planeta TERRA).

O mesquinho e o sublime mesclados e identificáveis na História humana em todos os tempos. Deuses e mitos humanos até demais!

O primeiro personagem principal é ANTONIO, um jovem estudante italiano interessado por filosofia e mitologia; inteligente, crítico, algo recatado e sonhador; que, ao formar-se no ensino médio, faz viagem de carro à GRÉCIA para seguir os passos, visitar locais, e verificar ensinamentos de seu ídolo: PLATÃO – o inventor do conceito de ALMA.

ANTONIO procura identificar em si mesmo os fundamentos básicos da filosofia platônica: instinto, emoção, razão. Mas, está principalmente interessado em outro aspecto enfatizado por PLATÃO: a IGUALDADE, que inspirou politicamente todo o pensamento da esquerda, do final do século XIX, em diante.

Para ANTONIO, era CHE GUEVARA e a militância peripatética pela AMÉRICA LATINA, quem incorporava a figura de PLATÃO.

E aqui entra a cálida, graciosa, inteligente, corajosa e progressista MARIA. A garota grega que estudara na Itália, e indicada por um amigo para orientar as buscas de ANTONIO.

Ela é o modelo de feminista que admiro. Em vez das vulgares e tão faladas, como LEILA DINIZ, por exemplo. Ou as ditas liberadas que vemos cotidianamente expostas no açougue de carne humana.

MARIA é arrebatamento e charme, na medida … digamos, certa. Suas intervenções irônicas e inteligentes; e as engraçadas e corrosivas manifestações de ciúmes, que todo homem casado, ou comprometido, já assistiu alguma vez, são inesquecíveis porque humanas demais…

Deixo o desenrolar para vocês assistirem.

E vou comentar sobre o sutil tema central do filme: a IMPERMANÊNCIA. E as fugazes oportunidades que a vida apresenta. Mas que, se não percebidas, muitas vezes determinam perdas insuperáveis…

Entre o arrependimento e o remorso oscila a MANDALA que cada um de nós constrói. E a sorte sempre está lançada.

Porque são demais os perigos dessa vida….

Ouça as músicas, e assista ao filme!

TEMPOS DENSOS: 1967/1969, MÚSICA, POLÍTICA, MUDANÇAS SOCIAIS… E UM GRANDE FILME SOBRE TUDO ISTO: “UM VERÃO NA GRÉCIA.”

Os cinco CDS aqui postados foram lançados pela excelente RHINO RECORDS, no início da década de 1990.

Coligem o fino do “GARAGE ROCK” e do “SUNSHINE POP”, uma das fases mais interessante, criativa e bonita da música POP.

“SUMMER OF LOVE”, em dois volumes, foca no SUNSHINE POP, o misto de ROCK PSICODÉLICO mais leve, e música dançável e alto astral.

A série NUGGETS traz GARAGE BANDS e também SUNSHINE POP. E se baseia, mas vai além do colecionável LP DUPLO ORIGINAL, lançado nos anos 1970.

Foi o primeiro álbum a trazer parte da História, e principalmente legitimidade, para o ROCK DE GARAGEM de bandas desconhecidas que se tornaram míticas: SEEDS, CHOCOLATE WATCH BAND, ELECTRIC PRUNES, e incontáveis… hoje, monumentos da discografia imprescindível sobre a década de 1960.

A trilha sonora do filme é composta de músicas e artistas conhecidos naqueles tempos: MAMAS & THE PAPAS, ANIMALS, PROCOL HARUM…

Mas, curiosidade interessante: a quase totalidade das versões foi feita por bandas italianas daqueles tempos; e algumas bem legais! Instigantes! No mundo inteiro, “aconteceram” bandas copiando ou vertendo esses grandes clássicos…

A melhor música da trilha aparece em versão original. É um CULT meio esquecido do “POP – BARROCO – PSICODÉLICO – PROGRESSIVO” (Ufa!!!): a longa, densa e sofisticada ELOISE, com BARRY RYAN. Procure conhecer. Um ÉPICO POP sensacional!!!

E, lá vai o filme.

UM VERÃO NA GRÉCIA, ( LA SYNDROME DI ANTONIO ) 2016

DIREÇÃO: CLAUDIO ROSSI MAXIMI, COM QUERALT BADALAMENTI ( MARIA ) E BIAGIO IACOVELLI (ANTONIO)

É o melhor filme que assisti em 2021!

Profundamente humano, política e existencialmente inquietante; cheio de referências e diálogos profundos; e visitas por conhecidos lugares históricos.

Claro, permeado por algum humor, nem sempre refinado, como o bom cinema italiano geralmente traz. E tudo sintetizado em menos de duas horas.

Assisti-lo é muito prazeroso, e deve ser revisto algumas vezes, principalmente pelos quê se interessam por dilemas daquela geração, suas repercussões; conquistas, ganhos, perdas, oportunidades não identificadas, e vívidas frustrações.

Eu “estive lá”, digamos….

A vida pode ser lida como a construção de uma grande MANDALA. É frágil, bela, feia, às vezes… E a sua regra maior e mais frustrante é a IMPERMANÊNCIA de tudo… É muito trabalho realizado, que pode ser destruído por sopros de vento.

Literalmente, o resultado e a resposta estão “BLOWING IN THE WIND”…, como cantam dois chatos pertinentes e imprescindíveis: BOB DYLAN e o deputado paulista EDUARDO SUPLICY…

O grande momento daquela geração, a minha, foi a sequência explosiva e rica, abrangendo meados da década de 1960 até 1975, mais ou menos.

O ponto existencial, artística e politicamente culminantes foi 1968. Houve rebeliões, e confrontos geracionais no mundo inteiro.

Atingiu os ESTADOS UNIDOS, passou por toda a EUROPA democrática, principalmente FRANÇA, ALEMANHA e INGLATERRA…

Com resquícios na TCHECOSLOVÁQUIA, comunista, mas com certas liberdades interrompidas com a invasão soviética na PRIMAVERA de PRAGA, 1968.

A rebelião global chegou à ARGENTINA e URUGUAI; ao CHILE e ao BRASIL, também – enquanto houve liberdades e democracia…

Foi período político coalhado de ditaduras. E por prazeres explícitos liberados pelas inovações científicas e comportamentais, como a liberação que a pílula anticoncepcional trouxe às mulheres.

Tempo rico, nobre e denso E, torpe ao mesmo tempo. Pode-se alterar a ordem desses 4 fatores como se quiser…A vida ainda é mais ou menos assim…

“UM VERÃO NA GRÉCIA”, é uma pequena obra de arte.

As tramas acontecem em 1969/1970. E um dos subtemas é o reflexo disso tudo na ITÁLIA. E na GRÉCIA, principalmente, governada por um coronel golpista e sanguinário de nome PAPADOPOULOS – já acomodado na lixeira da História.

O roteiro mostra a construção de uma curta história de amor, interrompida pela distância, por dúvidas, e a inexperiência principalmente de ANTONIO. Tudo vem mesclado à filosofia, política e arquitetura. E com ensinamentos da mitologia grega, seus “deuses-espelhos” cheios de boas qualidades, defeitos, maldades, intrigas, perfídias e taras. ( na dúvida, visite o planeta TERRA).

O mesquinho e o sublime mesclados e identificáveis na História humana em todos os tempos. Deuses e mitos humanos até demais!

O primeiro personagem principal é ANTONIO, um jovem estudante italiano interessado por filosofia e mitologia; inteligente, crítico, algo recatado e sonhador; que, ao formar-se no ensino médio, faz viagem de carro à GRÉCIA para seguir os passos, visitar locais, e verificar ensinamentos de seu ídolo: PLATÃO – o inventor do conceito de ALMA.

ANTONIO procura identificar em si mesmo os fundamentos básicos da filosofia platônica: instinto, emoção, razão. Mas, está principalmente interessado em outro aspecto enfatizado por PLATÃO: a IGUALDADE, que inspirou politicamente todo o pensamento da esquerda, do final do século XIX, em diante.

Para ANTONIO, era CHE GUEVARA e a militância peripatética pela AMÉRICA LATINA, quem incorporava a figura de PLATÃO.

E aqui entra a cálida, graciosa, inteligente, corajosa e progressista MARIA. A garota grega que estudara na Itália, e indicada por um amigo para orientar as buscas de ANTONIO.

Ela é o modelo de feminista que admiro. Em vez das vulgares e tão faladas, como LEILA DINIZ, por exemplo. Ou as ditas liberadas que vemos cotidianamente expostas no açougue de carne humana.

MARIA é arrebatamento e charme, na medida … digamos, certa. Suas intervenções irônicas e inteligentes; e as engraçadas e corrosivas manifestações de ciúmes, que todo homem casado, ou comprometido, já assistiu alguma vez, são inesquecíveis porque humanas demais…

Deixo o desenrolar para vocês assistirem.

E vou comentar sobre o sutil tema central do filme: a IMPERMANÊNCIA. E as fugazes oportunidades que a vida apresenta. Mas que, se não percebidas, muitas vezes determinam perdas insuperáveis…

Entre o arrependimento e o remorso oscila a MANDALA que cada um de nós constrói. E a sorte sempre está lançada.

Porque são demais os perigos dessa vida….

Ouça as músicas, e assista ao filme!

VELHICE CHEGANDO: PENSANDO EM CRISTO E NO BUDA

 

Banho de piscina e meditação.

Perscrutei um pouco, tomei outros goles e veio à cabeça o dilema: Céu ou inferno?

Talvez, não?

Quem sabe purgatório e reencarnação? Os deuses não gostam de infidelidade partidária. Então, escolhe o time, pô: ou cristão ou budista?

Discordo, é claro!

Acho que tenho o direito à dúvida, à especulação, e a ser mais bem convencido dessas coisas…

No fundo, admiro os dois: CRISTO e BUDA.

Os budistas são mais abrangentes. Para eles, CRISTO É UM BUDA. E, faz todo o sentido, porque ambos são iluminados militantes, moral e eticamente influentes, no decorrer dos séculos.

Mas, existe o lado prático.

Hoje, pensei nos cristãos: céu, inferno, purgatório…

Pelo meu passado, acho que nadar no caldeirão do capeta é menos provável. À parte ROCK ‘N’ ROLL, vários copos a mais e algumas ranzinzices, faço parte da turma dos certinhos. Fui bom menino, e sou bom velhão. Mais, ou menos, quem sabe…

Ir para o céu direto?

Difícil. Primeiro, não agendei com o CRIADOR.

Sei lá, entende; entre os deslizes, eu tinha estilingue quando criança, e matei uns passarinhos desavisados. Chutei a canela de um farmacêutico escalado para aplicar umas injeções na minha bunda…

E puxei o rabo de cavalo da minha mulher, ANGELA, pedindo cola em uma prova para entrar no “colegial”, em 1969. Nos conhecemos lá, namoramos… Mas, isto já está prescrito. E paguei com a minha liberdade: casei com ela…

Sobrou o PURGATÓRIO.

Andei lendo a respeito, e concluí que é administrado por funcionários públicos. Lá ninguém decide nada…

O foguete para o infinito, entrar no paraíso e outras possibilidades, dependerá de muitos vistos, entrevistas, horas marcadas que são adiadas, muita desconversa…

E descer para cozinhar no tacho de Belial ou sentar no colo de Asmodeu, também é complicado, porque os burocratas de lá não assumem a responsabilidade. Ficam sempre na dúvida: e se queimar o desgraçado além do ponto? E, se der Procom? Sair nas redes sociais? E, se o cara reclamar no Datena? E, se acabar em C.P.I?

Eles não topam, não; acham melhor não decidir…

Na dúvida, eu permaneço por aqui. A cerveja continua gelada, apesar da pandemia e da política escrota dominante.

Mas, como sempre, quem sabe alguns luminares não sejam reeleitos. E, talvez, até sejam indicados para uma vaga na pensão Papuda , em Brasília – nenhuma estrela no guia Michelin…

E tem a copa do mundo, também; e vários discos legais chegando, alguns amigos, leituras…

Mas, principalmente, tem a ANGELA, que não quer que eu parta para a derradeira gargalhada – ao menos por enquanto…

MEMÓRIAS: QUE INVEJA, PROFESSOR MOTA!

Tempos atrás, no Estadão, meu ex-professor – por pouquíssimas aulas, infelizmente – CARLOS GUILHERME MOTA, escreveu um artigo sobre a BIBLIOTECA BRASILIANA MINDLIN, agora instalada na USP. Nela está guardada e preservada a coleção de livros sobre assuntos brasileiros coletados, comprados, descolados e colecionados por JOSÉ MINDLIN e sua mulher, GUITA MINDLIN, durante uma vida longa, frutífera e decente.

É de causar inveja e de nos dar orgulho que alguém, um brasileiro bibliômano e bibliófilo, tenha feito isso e, posteriormente, doado à USP, que se encarregou de construir o prédio para abrigá-la!

Claro, esse tema não deveria sensibilizar a FILÓSOFA VANESSA POPUZUDA, celebrizada por um professor inconveniente, pretencioso e piadista de mal gosto, que indicou um dos ” textos criados por ela ” para ser comentado em uma prova que ministrou. Hummm…

Acho que o professor talvez gostasse, mas duvido que se importasse muito com alguém como MINDLIN e o que ele nos legou.

Mas deixa prá lá, o assunto é outro: é a inveja que tive do professor MOTA que, já veterano e realizado, dirigiu a biblioteca e os planos para democratizá-la, abrir acesso às pesquisas, tornar funcional um acervo de raridades e belezas que a maioria de nós, brasileiros, não sabe que existem.

Tive e tenho inveja, sim. O professor teve acesso direto aos livros, pode tocá-los, admirá-los e conviver com eles. E ajudou a definir políticas para que fossem social e culturalmente úteis.

Dizer para todo mundo que colecionar coisas belas vale, sim, a pena; e se, posteriormente, colocadas à disposição de um público maior será ato de cidadania e generosidade, contrastante com os tempos medíocres e violentos que vivemos!

Recomendo a todos que busquem o artigo do professor.

E, da minha parte, mestre, sinto muito não ter ficado sabendo e, quem sabe, ter tentado descolar uma boquinha para ajudar.

Na próxima eu sou primeirão qualquer coisa aí, tá ligado?

12 de abr de 2014 15:01

COMO EU PENSAVA O BRASIL EM 2014, PERTO DA ELEIÇÃO

Claro, quem é eleito tem o direito de aplicar o programa que o elegeu. E o PT não poderia ser exceção, não para quê formar um partido ideológico, que demorou mais de 20 anos para chegar ao poder e com apoio da sociedade, não é mesmo?

O PT criou alguns fatos consumados, que não poderão deixar de ser considerados, seja lá quem for eleito.

1) melhorou a distribuição de renda. Do jeito que o fez, não interessa, mas melhorou;

2) Criou e manteve empregos para os mais pobres, empregos simples, mas empregos para a base da sociedade, o que é ótimo; 3) Incentivou que a sociedade se organizasse, principalmente os mais necessitados. E isso tudo vai permanecer, porque correto e qualquer partido moderno – PSDB incluidíssimo ! – persegue isto;

4) Pôs ênfase, mesmo que retórica, na educação.

Então, qual é o problema com PT?

Um monte.

1) Busca um hipotético socialismo com empreguismo, e o faz porque precisa tomar conta do Estado empregando seus correligionários, estejam eles preparados, ou não.

Só no governo Federal são quase 25.000 cargos de confiança. Fora ONGs patrocinadas pelo Estado, uso de empresas estatais para acomodar gente do partido e etc. e tal…

2) A corrupção é decorrência direta da ocupação de cargos para beneficiar um política partidária, vide mensalão e, agora, petrolão. 3) Aumentos salariais na base da economia, sem o contraponto da produtividade geram inflação e carestia. Mesmo assim, vamos considerar que eram urgentes e necessários, afinal, o brasileiro ganha pouco, muito pouco e trazer a ninguenzada para o mercado é uma questão ética.

5) As benesses sociais sem o aumento da produção, sem o incentivo a quem produz; sem parcerias público-privadas; sem concessões de serviços públicos em número adequado; e sem deixar o capitalista lucrar, tendem ao inflacionário e à estagnação econômica.

6) Nem comentei a ojeriza ideológica do partido às privatizações de empresas pura e simplesmente – um erro crasso e repetido pelo partido.

7) Considerem, se o PT não tivesse imposto ao Itamarati uma política externa contrária às nossas tradições, possivelmente teríamos mais parceiros externos, acordos com a Europa, Estados Unidos, Ásia e a Comunidade do Pacífico. Venderíamos mais e importaríamos mais tb.

Do jeito que está, exportamos nosso produtos industrializados apenas para a Argentina, Venezuela e outros caloteiros ou duros na África.

A sorte brasileira é a performance da Agroindústria, que supre o mercado interno e exporta com magnífica eficiência. Só que a turma do campo é assediada pelo MST e outros, incentivados pelo PT e grupos de esquerda, que não lhes dão paz. Ou seja, tiros no pé o tempo inteiro.

😎 Então, manter a coisa desse jeito implica em dar bilhões de reais em subsídios.

Começa pela gasolina, quebrando a Petrobras e por tabela a produção de álcool. Depois à geração de energia, quebrando, também o setor elétrico, entre outros.

Isto quer dizer que, independentemente de quem vencer a eleição, terá um perereco nas mãos: reajustar os preços defasados e congelados. Portanto, está claro que haverá inflação, mas é inevitável que seja feito.

Mas, não era preciso DILMA ROUSSEFF ter feito desse jeito,. Bastava seguir com mais calma e não onerar tanto o tesouro, ou seja: confiar um pouco mais no mercado.

Isto nos levou a algumas novidades na vida política, inclusive o ressurgimento da oposição. É muito difícil dizer se chegaríamos aonde estamos, com a Dilma empatada com o Aécio, se o Eduardo Campos estivesse na parada.

Mas, é bem possível, que sim, porque:

1) O Brasil é, e a maioria da população quer que continue sendo, um país capitalista. Haja vistas para a quantidade de gente que quer empreender e trabalhar por conta. Então, é preciso deixar de frescura e aceitar esse fato, o que o PT não pode, por questões ideológicas e etc. e tal.

2) Está se consolidando uma imensa quantidade de jovens que têm preocupações sociais, mas não são nem COMUNISTAS e nem SOCIALISTAS. Isto é visível no dia-a-dia, na web em geral, e aqui no Facebook. Vejam as observações que faz o professor PONDÉ sobre seus alunos na faculdade.

3) A sociedade parece estar cansada da militância barulhenta e está se tornando mais conservadora. Vejam o novo Congresso. Veremos até onde vai o aplauso direto a causas mais progressistas como o aborto, casamento entre homossexuais e descriminalização das drogas

Dessas três causas, a única que eu não defendo integralmente é a total descriminalização. Acho que apenas a maconha deve ser liberada.

4) A sociedade está exigindo mais e melhores serviços públicos. O que é justíssimo, mas custa caro. Então, o governo vai ter que se virar para deixar que a economia funcione mais livre; resumindo, com mais capitalismo. O PT não gosta disso, entrava, problematiza, então… teremos problemas.

5) A corrupção quase se tornou um fato cultural irremovível, no Brasil. Mas, não é. Justo ou não, o fato é que ela exacerbou-se e generalizou-se no governo do PT – não só dele, é claro. Mas, é assim que está sendo percebido e, na maioria dos casos comprovado.

5) A essência do PT é a permanente mobilização. A turma deles na Web, nas Universidades, etc., defende com unhas e dentes a manutenção do poder, só que a sociedade periodicamente se cansa disso;

A) se cansou quando elegeu o Collor;

B) o PT votou se opondo a tudo no governo Itamar e FHC – e a sociedade elegeu FHC por dois mandatos, e nunca se falou tanto em medidas neoliberais para consertar a economia, o que acabou acontecendo;

C) A sociedade tolerou e entrou na onda quando Lula foi eleito; deu, também, voto de confiança para a Dilma;

D) Agora, no final do governo Dilma, um novo surto conservador está se impondo.

Conclusão: é falta de sabedoria política dizer que se vai avançar mais. As pessoas parecem querer mais sossego, trabalhar em paz, sem muito alarde e com um governo mais eficiente, contido, mais bem administrado e menos militante. E bem menos corrupto.

Isto, a meu ver explica a vitória do Alckmin, em São Paulo. Ele fala pouco, trabalha, vai ajustando as coisas pontualmente. Claro, seu governo não é qualquer maravilha, mas funciona – apesar da falta d´água, uma aposta que pode acabar com a carreira política dele. Tudo caminha com certa normalidade no governo dele. O orçamento é cumprido, as finanças estão mais ou menos em dia, sai uma estação de metrô aqui, uma ponte ali, e vamos andando. Há problemas de monte, mas a população em geral confia nele, lhe deu votação consagradora e renovou a Assembleia com políticos da situação.

O Brasil parece mais inclinado a saborear quitutes de chuchu e cervejinhas baratas, do que apostar em hipóteses mais retumbantes.

Eu vou de Aécio Neves por questões políticas e ideológicas, mas sei que ele terá de fazer um governo perto do impecável. Porque se realmente a sociedade quer mais calmaria e sossego, com o PT na oposição para o governo isto não vai acontecer.

12 de out de 2014 18:24

PENA DE MORTE – SOU RADICALMENTE CONTRA!

A existência e aplicação dela sempre me consterna e apavora! Evito, inclusive assistir a filmes, em que ela é parte do enredo.

A PENA DE MORTE é o suprassumo do niilismo e da negação do civilizado. Discordo frontalmente de sua existência e sempre combaterei, dentro da lei, um Estado que a tenha em sua Constituição.

A CONSTITUIÇÃO DO BRASIL a impede por cláusula pétrea. Concordo e tenho orgulho disso!

Muitos argumentarão que há gente irrecuperável, que não pode conviver junto aos cidadãos de bem. Concordo; não penso como ROUSSEAU; e já fui vítima de gente que precisava, ou precisa permanecer atrás das grades.

Eu sou favorável a penas mais fortes e a redução da maioridade penal – que são assuntos polêmicos, porém contidos às fronteiras da civilização. Discussões eticamente possíveis.

É minha opinião, que o Estado tem, sempre, de estar acima da barbárie de alguns; e aplicar leis que deem exemplos e punam.

Mas, jamais se igualar a qualquer assassino, matando com o aval da justiça.

A pena de morte não é pedagógica, porque não ensina; além de equiparar moralmente o executor ao condenado. Tornando indistinguível, nesse caso, justiça a vingança.

Considero a PENA DE MORTE tão covarde quanto um atentado a civis pacíficos; ou um homicídio premeditado; e qualqueer latrocínio.

Porém, com o agravante de ter a legitimação social e legal para imobilizar e executar o condenado.

Sem comentar muito, é óbvio que a existência e aplicação da PENA DE MORTE é, também, filosoficamente indefensável. Eu não autorizo, como cidadão, que o ESTADO que a representa a minha NAÇÃO, desça ao nível de barbárie planejada e ritualística que aquilo implica.

Imagine a cena: o condenado é amarrado, e friamente executado, sem qualquer possibilidade para reagir ou defender-se. Ele é assassinado covardemente! E há os executores, médicos, enfermeiros e toda camarilha de psicopatas amparados em lei para fazê-lo! Não consigo imaginar algo tão repugnante!

Hoje em dia, usa-se a injeção letal. No entanto, a maioria das INDUSTRIAS QUÍMICAS se recusa a coonestar a barbárie. E não vende anestésicos e preparados indolores para essa finalidade.

EXECUTAR ALGUÉM é de imoralidade e falta de ética ímpar! E gente civilizada deve se opor a isso, independentemente do instinto de vingança que alguns facínoras suscitem na maioria de nós – em mim, inclusive.

Anos atrás, dois rapazes brasileiros, idiotas e criminosos, foram executados em uma prisão na Indonésia. Foram condenados por tráfico de drogas. Eram dois típicos irresponsáveis, que julgaram outro país pela leniência de nossas Instituições legais.

Há, hoje, outra brasileira por lá condenada…

Tenho compaixão por eles! E tenho sérias críticas e até raiva de quem os educou; e censuras a eles mesmos, é claro!, que traficaram por hedonismo e “boa vida”.

Eram moços eram dois vagabundos que pagaram com a vida pelos medíocres que se tornaram. E foram detidos para a consumação suprema de uma barbaridade maior!

Há um aspecto político que não vi comentaristas dando conta, à época: o BRASIL interveio e apoiou a separação do TIMOR LESTE da INDONÉSIA. Devem ter ficado sequelas diplomáticas; portanto o governo indonésio nem levou em consideração os pedidos de clemência feito pelo governo brasileiro; um jeito de mostrar distância diplomática.

E nunca vi tanta gente, aqui no BRASIL, torcendo pela execução dos caras, como aqui nas redes sociais.

Na escala evolutiva, estamos macaco abaixo. Deus e a lucidez nos livrem deles…

Uma prece e repúdio a mais, portanto!

PENA DE MORTE – SOU RADICALMENTE CONTRA!

A existência e aplicação dela sempre me consterna e apavora! Evito, inclusive assistir a filmes, em que ela é parte do enredo.

A PENA DE MORTE é o suprassumo do niilismo e da negação do civilizado. Discordo frontalmente de sua existência e sempre combaterei, dentro da lei, um Estado que a tenha em sua Constituição.

A CONSTITUIÇÃO DO BRASIL a impede por cláusula pétrea. Concordo e tenho orgulho disso!

Muitos argumentarão que há gente irrecuperável, que não pode conviver junto aos cidadãos de bem. Concordo; não penso como ROUSSEAU; e já fui vítima de gente que precisava, ou precisa permanecer atrás das grades.

Eu sou favorável a penas mais fortes e a redução da maioridade penal – que são assuntos polêmicos, porém contidos às fronteiras da civilização. Discussões eticamente possíveis.

É minha opinião, que o Estado tem, sempre, de estar acima da barbárie de alguns; e aplicar leis que deem exemplos e punam.

Mas, jamais se igualar a qualquer assassino, matando com o aval da justiça.

A pena de morte não é pedagógica, porque não ensina; além de equiparar moralmente o executor ao condenado. Tornando indistinguível, nesse caso, justiça a vingança.

Considero a PENA DE MORTE tão covarde quanto um atentado a civis pacíficos; ou um homicídio premeditado; e qualqueer latrocínio.

Porém, com o agravante de ter a legitimação social e legal para imobilizar e executar o condenado.

Sem comentar muito, é óbvio que a existência e aplicação da PENA DE MORTE é, também, filosoficamente indefensável. Eu não autorizo, como cidadão, que o ESTADO que a representa a minha NAÇÃO, desça ao nível de barbárie planejada e ritualística que aquilo implica.

Imagine a cena: o condenado é amarrado, e friamente executado, sem qualquer possibilidade para reagir ou defender-se. Ele é assassinado covardemente! E há os executores, médicos, enfermeiros e toda camarilha de psicopatas amparados em lei para fazê-lo! Não consigo imaginar algo tão repugnante!

Hoje em dia, usa-se a injeção letal. No entanto, a maioria das INDUSTRIAS QUÍMICAS se recusa a coonestar a barbárie. E não vende anestésicos e preparados indolores para essa finalidade.

EXECUTAR ALGUÉM é de imoralidade e falta de ética ímpar! E gente civilizada deve se opor a isso, independentemente do instinto de vingança que alguns facínoras suscitem na maioria de nós – em mim, inclusive.

Anos atrás, dois rapazes brasileiros, idiotas e criminosos, foram executados em uma prisão na Indonésia. Foram condenados por tráfico de drogas. Eram dois típicos irresponsáveis, que julgaram outro país pela leniência de nossas Instituições legais.

Há, hoje, outra brasileira por lá condenada…

Tenho compaixão por eles! E tenho sérias críticas e até raiva de quem os educou; e censuras a eles mesmos, é claro!, que traficaram por hedonismo e “boa vida”.

Eram moços eram dois vagabundos que pagaram com a vida pelos medíocres que se tornaram. E foram detidos para a consumação suprema de uma barbaridade maior!

Há um aspecto político que não vi comentaristas dando conta, à época: o BRASIL interveio e apoiou a separação do TIMOR LESTE da INDONÉSIA. Devem ter ficado sequelas diplomáticas; portanto o governo indonésio nem levou em consideração os pedidos de clemência feito pelo governo brasileiro; um jeito de mostrar distância diplomática.

E nunca vi tanta gente, aqui no BRASIL, torcendo pela execução dos caras, como aqui nas redes sociais.

Na escala evolutiva, estamos macaco abaixo. Deus e a lucidez nos livrem deles…

Uma prece e repúdio a mais, portanto!

JEFF BECK: FLASHES DA CARREIRA DE UM GÊNIO!

-” NÃO PARA, NÃO!!! CONTINUA TOCANDO !!! TÁ MUITO BOM!!!!
– MAS, STEVIE, EU NÃO SOU BATERISTA!!!
– SEGUE, PÔ!!! O CACHÊ É POR MINHA CONTA…”

Certo dia em 1972, STEVIE WONDER entrou dançando no estúdio ELECTRIC LADYLAND, em NOVA YORK onde, meio em segredo, estava gravando para depois tentar fechar novo acordo financeiro com a MOTOWN RECORDS.
O disco tornou-se “TALKING BOOK”, o início da renovação vitoriosa de sua espetacular carreira!
Foi assim: JEFF BECK, um dos músicos que participava da sessão, adorava “brincar” na bateria quando ninguém estava olhando…
E WONDER o viu fazendo o RIFF de entrada do que viria a ser “SUPERSTITION”, um de seus clássicos!
Gravaram imediatamente a “DEMO”. A MOTOWN aprovou, e renovou o contrato de STEVIE WONDER por muito mais grana, além de garantir maior liberdade artística para ele criar…
A música foi cedida a JEFF BECK, como parte de pagamento da sessão. E o nosso herói comentou que, sem querer, tornou-se parceiro em um dos GRANDES RIFFS da História, tanto da bateria quanto do teclado desenvolvido por STEVIE WONDER!
Inesquecível!
O acaso é um grande realizador! E demolidor implacável, também! A sorte às vezes está lançada…
JEFF BECK começou a estudar piano aos quatro anos de idade. Um dia, arrancou tecla do instrumento…A mamãe BECK percebeu que o “instrumento” do garoto era outro…
Com 8 anos de idade, ele construiu uma guitarra para imitar seu ídolo, CLIFF GALLUP, o guitarrista de GENE VINCENT, figura central do histórico ROCK AND ROLL. Aliás, também um dos ídolos de JIMMY PAGE.
Os dois se conheceram porque a irmã de JIMMY estudava com JEFF. Um dia foi visita-la e, enquanto mamãe PAGE fazia um chá, os dois ficaram tocando…
Precoce desde sempre, e inventor de instrumentos e sonoridades, BECK foi se enturmando até ficar meio conhecido com os TRIDENTS, onde tocou por quase 2 anos, e aprendeu a tirar sons e a fazer “ruídos”… JEFF BECK sempre se interessou por tecnologia, experimentações e máquinas…
JIMMY PAGE lá por 1964/65 já faturava bem tocando em estúdios. E quando CLAPTON deixou os YARDBIRDS porque discordava da opção pelo POP ROCK, ele foi a primeira opção para substitui-lo…
Mas, não topou. E indicou BECK.
JEFF depois de um SHOW foi quase sequestrado por GIORGIO GOMELSKY, o “empresário” da banda que, bem ao estilo máfia russa da época, “o convenceu” que uma banda TOP precisava de um guitarrista, os dois foram ao MARKEE CLUB.
Eram os YARDBIRDS.
FOR YOUR LOVE, com CLAPTON na guitarra, havia ido muito bem, em 1965, e a maior parte do time queria seguir por ali…
Mas, BECK trouxe inovações no uso da guitarra, e foi muito além de GEORGE HARRISON, em “I FEEL FINE”, outro marco pouco reconhecido…
Suas ideias futuristas grudaram na performance da banda, e os SINGLES fabulosos em sua curta era, HEART FULL OF SOUL, OVER, UNDER, SIDEWAYS DOWN, YOU ARE BETTER MAN THAN I; e outras gravações seminais, algumas com PAGE na segunda guitarra, como HAPPENING TEN YEARS TIME AGO, revolucionaram e “liberaram” a guitarra no ROCK, em meados da década de 1960.
Quando entrou para os YARDBIRDS, JEFF BECK logo percebeu a diferença. O sucesso com a mulherada era total. A VAN da banda estava sempre com marcas de batom, telefones, endereços e os etcs… que compõe o sucesso entre as groupies e fãs.
BECK É PRIMEIRO SÍMBOLO DO NOVO JEITO DE TOCAR E FAZER AS GUITARRAS SOAREM. Certamente influenciou a sonoridade de CLAPTON no CREAM; que, por sua vez, influenciou JIMI HENDRIX…
E la nave va….

É interessante especular sobre as tendências artísticas de CLAPTON, PAGE E BECK. Claro, são todos interessados no BLUES e no ROCK; mas diferentes entre si.
CLAPTON era e permaneceu um BLUES MAN, mesmo também sendo excepcional no POP SOFISTICADO, que passou a desenvolver do início dos anos 1970, e até hoje.
No caminho, derivou um pouco para o REGGAE; depois foi paulatinamente na direção do POP JAZZ, e até com certo retrogosto de BOSSA NOVA.
Há um diferencial insuperável em favor de CLAPTON: Ele SABE CANTAR muito bem. E isto sempre fez toda a diferença!
JIMMY PAGE é um grande produtor, essencialmente de HARD ROCK, e com incursões no FOLK, audíveis em quaisquer discos do LED ZEPPELIN.
Por mais de uma década, teve a seu lado ROBERT PLANT, um dos grandes vocalistas de todos os tempos e eras, vantagem incontrastável para quem tem nenhum talento vocal, e todo talento para tocar guitarra, produzir …

JEFF BECK é um inventor de sonoridades e guitarrista incomparável. Mas, sempre foi limitado por não contar com talento para o vocal. Então, optou estudada, mas definitivamente pelo instrumental, trazendo vez por outra, alguém para cantar.
Desenvolver a carreira foi mais difícil para ele, que é o mais criativo de todos.
BECK extrapolou o BLUES ROCK em TRUTH, 1968; e BECK-OLA,1969, quando também reinou ROD STEWART, em disputa com o próprio BECK pela primazia na banda.
Tinha de acabar como terminou: cada um seguiu carreira solo vitoriosa.
Mas JEFF, em vez do BLUES, buscou seguidamente o RHYTHM´N´BLUES, onde explorou o estilo da MOTOWN; e passou pelo da STAX em discos como ROUGH AND READY, 1971; ou JEFF BECK, 1972 – este produzido STEVE CROPPER.
Ele aguardou mais de uma década para desaguar na DISCO e na DANCE MUSIC, com FLASH, 1985, disco produzido alternadamente por NILE RODGERS e ARTHUR BAKER.
Fez esses três excelentes álbuns de BLACK MUSIC, e com a marca indelével de seu criador.
JEFF BECK sempre soube a medida perfeita no uso dos experimentos e tecnologias de vanguarda. Adaptou-se à modernidade no decorrer dos tempos. E jamais perdeu o elo com a música bela, melodiosa e refinada, que “emprestou”, inclusive, para outros artistas.

Sua incursão no FUSION JAZZ foi posterior a outro inglês imenso, o guitarrista JOHN McLAUGHLIN, que inaugurou o estilo na banda de MILES DAVIS, com o seminal e definitivo “IN A SILENT WAY, lançado em 1969.
JEFF BECK, fez seu primeiro experimento na FUSION com RHAYNES PARK BLUES, rebatizada “MAX TUNE”, faixa de ROUGH AND READY, 1971. Está lá toda a conjugação guitarra / teclados que PAT METHENY e LYLE MAYS desenvolveram 8 anos após na gravadora ECM – que se especializou nessa FUSION CLIMÁTICA à europeia.
Depois, houve a experiência entre 1972 e 1973, com o “BECK, BOGERT & APPICE”, o POWER TRIO que mesclava /BLUES/R&B/HARD ROCK/ e algum PROG. E sempre exagerando na performance, mas com notórias deficiências nos vocais!
Aí foi a gota d’água.
Mesmo que os discos, principalmente o AO VIVO GRAVADO NO JAPÃO, tivessem atingido sucesso de vendas…
A conversão definitiva de BECK à FUSION consolidou-se em um de seus discos mais famosos: BLOW BY BLOW, produzido em 1975 por GEORGE MARTIN, ícone dos estúdios, e responsável pelos BEATLES e outros astros.
MARTIN trouxe a contenção exata para JEFF “performar”, daí em frente, em outros albuns.
É bom observar que os vídeos, SHOWS e discos ao vivo de JEFF BECK oscilam entre o excelente e o espetacular!
Há vários, expondo seu bom gosto e técnica refinada.
É minha opinião que JEFF BECK ultrapassou artisticamente JIMMY HENDRIX.
Seria? 

WILLIAN WAACK – O INJUSTIÇADO MELHOR JORNALISTA DO BRASIL!

Reproduzo aqui o texto do jornalista William Waack, publicado há algumas horas, na “Folha de SP”, sob o título “Eu não sou racista. Minha obra prova”. Ele foi demitido pela TV Globo e linchado pela turba ignara por sua INFELIZ piada racista. É justo que ele seja lido e relido. E que seu texto seja objeto de reflexão sobre os tempos de intolerância que vivemos. A.

Se os rapazes que roubaram a imagem da Globo e a vazaram na internet tivessem me abordado, naquela noite de 8 de novembro de 2016, eu teria dito a eles a mesma coisa que direi agora: “Aquilo foi uma piada — idiota, como disse meu amigo Gil Moura—, sem a menor intenção racista, dita em tom de brincadeira, num momento particular. Desculpem-me pela ofensa; não era minha intenção ofender qualquer pessoa, e aqui estendo sinceramente minha mão.”

Sim, existe racismo no Brasil, ao contrário do que alguns pretendem. Sim, em razão da cor da pele, pessoas sofrem discriminações, têm menos oportunidades, são maltratadas e têm de suportar humilhações e perseguições.

Durante toda a minha vida, combati intolerância de qualquer tipo —racial, inclusive—, e minha vida profissional e pessoal é prova eloquente disso. Autorizado por ela, faço aqui uso das palavras da jornalista Glória Maria, que foi bastante perseguida por intolerantes em redes sociais por ter dito em público: “Convivi com o William a vida inteira, e ele não é racista. Aquilo foi piada de português.”

Não digo quais são meus amigos negros, pois não separo amigos segundo a cor da pele. Assim como não vou dizer quais são meus amigos judeus, ou católicos, ou muçulmanos. Igualmente não os distingo segundo a religião —ou pelo que dizem sobre política.

O episódio que me envolve é a expressão de um fenômeno mais abrangente. Em todo o mundo, na era da revolução digital, as empresas da chamada “mídia tradicional” são permanentemente desafiadas por grupos organizados no interior das redes sociais.

Estes se mobilizam para contestar o papel até então inquestionável dos grupos de comunicação: guardiães dos “fatos objetivos”, da “verdade dos fatos” (a expressão vem do termo em inglês “gatekeepers”). Na verdade, é a credibilidade desses guardiães que está sob crescente suspeita.

Entender esse fenômeno parece estar além da capacidade de empresas da dita “mídia tradicional”. Julgam que ceder à gritaria dos grupos organizados ajuda a proteger a própria imagem institucional, ignorando que obtêm o resultado inverso (o interesse comercial inerente a essa preocupação me parece legítimo).

Por falta de visão estratégica ou covardia, ou ambas, tornam-se reféns das redes mobilizadas, parte delas alinhada com o que “donos” de outras agendas políticas definem como “correto”.

Perversamente, acabam contribuindo para a consolidação da percepção de que atores importantes da “mídia tradicional” se tornaram perpetuadores da miséria e da ignorância no país, pois, assim, obteriam vantagens empresariais.

Abraçados a seu deplorável equívoco, esquecem ainda que a imensa maioria dos brasileiros está cansada do radicalismo obtuso e primitivo que hoje é característica inegável do ambiente virtual.

Por ter vivido e trabalhado durante 21 anos fora do Brasil, gosto de afirmar que não conheço outro povo tão irreverente e brincalhão como o brasileiro. É essa parte do nosso caráter nacional que os canalhas do linchamento —nas palavras, nesta Folha, do filósofo Luiz Felipe Pondé— querem nos tirar.

Prostrar-se diante deles significa não só desperdiçar uma oportunidade de elevar o nível de educação política e do debate, mas, pior ainda, contribui para exacerbar o clima de intolerância e cerceamento às liberdades –nas palavras, a quem tanto agradeço, da ministra Cármen Lúcia, em aula na PUC de Belo Horizonte, ao se referir ao episódio.

Aproveito para agradecer o imenso apoio que recebi de muitas pessoas que, mesmo bravas com a piada que fiz, entenderam que disso apenas se tratava, não de uma manifestação racista.

Admito, sim, que piadas podem ser a manifestação irrefletida de um histórico de discriminação e exclusão. Mas constitui um erro grave tomar um gracejo circunstanciado, ainda que infeliz, como expressão de um pensamento.

Até porque não se poderia tomar um pensamento verdadeiramente racista como uma piada.

Termino com um saber consagrado: um homem se conhece por sua obra, assim como se conhece a árvore por seu fruto. Tenho 48 anos de profissão. Não haverá gritaria organizada e oportunismo covarde capazes de mudar essa história: não sou racista. Tenho como prova a minha obra, os meus frutos. Eles são a minha verdade e a verdade do que produzi até aqui.

WILLIAM WAACK, 65, é jornalista profissional desde os 17; trabalhou em algumas das principais redações do país e foi correspondente internacional por 21 anos na Europa e Estados Unidos