PENA DE MORTE – SOU RADICALMENTE CONTRA!

 

A existência e aplicação da PENA DE MORTE sempre me consterna e apavora! Evito, inclusive assistir a filmes em que ela é parte do enredo.

A PENA DE MORTE é o suprassumo do niilismo e da negação do civilizado. Discordo frontalmente de sua existência e sempre combaterei, dentro da lei, um Estado que a tenha em sua Constituição.

A CONSTITUIÇÃO DO BRASIL a impede por cláusula pétrea. Concordo e tenho orgulho disso!

Muitos argumentarão que há gente irrecuperável, que não pode conviver junto aos cidadãos de bem. Concordo; não penso como ROUSSEAU; e já fui vítima de gente que precisava, ou precisa permanecer atrás das grades.

Eu sou favorável a penas mais fortes e a redução da maioridade penal – assuntos polêmicos, porém contidos às fronteiras da civilização. São discussões eticamente possíveis.

É minha opinião, que o Estado tem sempre de estar acima da barbárie de alguns; e deve aplicar leis que deem exemplos e punam os criminosos.

Mas, o ESTADO jamais deve igualar-se a qualquer assassino, matando com o aval da justiça. Repito, é questão de ética.

A pena de morte não é pedagógica, porque não ensina; além de equiparar moralmente o executor ao condenado. E tornando indistinguível, nesse caso, a justiça da vingança pura e simples.

Considero a PENA DE MORTE tão covarde quanto um atentado a civis pacíficos; ou um homicídio premeditado; e a qualquer latrocínio. Porém, com o agravante de ter a legitimação social e legal para imobilizar e executar o condenado. É atroz. Simplesmente.

Sem comentar muito, é óbvio que a existência e aplicação da PENA DE MORTE é, também, filosoficamente indefensável. Eu não autorizo, como cidadão, que o ESTADO que representa a minha NAÇÃO, desça ao nível de barbárie planejada e ritualística que aquilo implica.

Mas, por que, TIO SÉRGIO?
Imagine a cena: o condenado é amarrado, e friamente e protocolarmente executado, sem qualquer possibilidade para reagir ou defender-se. Do ponto de vista do “ato em si”, ele é assassinado covardemente!
E há, também, os executores, médicos, enfermeiros e toda camarilha de psicopatas amparados em lei para fazê-lo! Não consigo imaginar algo tão repugnante!

Hoje em dia, usa-se a injeção letal. No entanto, a maioria das INDÚSTRIAS QUÍMICAS se recusa a coonestar a barbárie. E não vende anestésicos e preparados indolores para esta finalidade. Um baita drama ético: recusar-se a coonestar a barbárie, ao mesmo tempo que impinge sofrimento inimaginável ao condenado!!!!

EXECUTAR ALGUÉM é de imoralidade e falta de ética ímpar! E gente civilizada deve opor-se a isso, independentemente do instinto de vingança que alguns facínoras suscitem na maioria de nós – em mim, inclusive!

Anos atrás, dois rapazes brasileiros, idiotas e criminosos, foram executados em uma prisão na Indonésia. Foram condenados por tráfico de drogas. Eram dois típicos irresponsáveis, que julgaram outro país pela leniência de nossas Instituições legais. E há, hoje, outra brasileira condenada aguardando a fila andar…

Tenho compaixão por eles todos! E tenho sérias críticas, e até raiva, de quem os educou; e censuras a eles mesmos, é claro!, que traficaram por hedonismo e “boa vida”. São vítimas da quebra de valores crescente que assola o planeta….

Eram dois vagabundos que pagaram com a vida pelos medíocres que se tornaram. E foram detidos para a consumação suprema de uma barbaridade maior! Onde faltou a inserção da educação humanista eficaz, um bem histórico negligenciado demais nesses tempos?

Existe um aspecto político que não vi comentaristas dando conta, à época: o BRASIL interveio e apoiou a separação do TIMOR LESTE, da INDONÉSIA. E devem ter ficado sequelas diplomáticas; portanto, o governo indonésio certamente não levou em consideração quaisquer pedidos de clemência feito pelo governo brasileiro. Aliás, um jeito de mostrar distância diplomática. Foi um gesto deplomático….

Naqueles tempos, jamais havia visto tanta gente torcendo pela execução dos caras, como aqui nas redes sociais.

Na escala evolutiva, estamos macaco abaixo. Deus e a lucidez nos livrem disso tudo.

Rezo uma prece, e faço um repúdio a mais!

P.F.M. – PREMIATA FORNERIA MARCONI –

MANTICORE YEARS – 1973 / 1977

Por volta de 1975/1976 “COOKING”, o disco deles gravado ao vivo no Canadá e no Central Park, em Nova York, tocou muito no melhor programa UNDERGROUND já transmitido pelas RÁDIOS BRASILEIRAS!!!!

KALEIDOSCÓPIO, na RÁDIO AMÉRICA de SAMPA, durava 4 horas diariamente! Era esperado pela galera alternativa. Foi criado e apresentado por um maluco talentoso chamado Jaques Sobretudo Gersgorin , e tocava o “up-to-date” em ROCK, principalmente PROGRESSIVO.

Oi, Jaques Sobretudo Gersgorin!!!!

Entre as bandas frequentes por lá, causava merecido furor o PREMIATA FORNERIA MARCONI; que para entrar no mercado global do ROCK teve o nome reduzido para P.F.M.

O grupo sofria influências, como todos, de PROGRESSIVOS feito YES, GENESIS, KING CRIMSON, MOODY BLUES…

Era formado por excelentes músicos veteranos da CENA POP ITALIANA e foi, digamos “descoberto”, por PETER SINFIELD, membro-letrista do KING CRIMSON, que os apresentou a GREG LAKE, do EMERSON, LAKE & PALMER, e daí para um contrato com a gravadora MANTICORE.

SINFIELD havia deixado o CRIMSON, em 1971, e criou as letras em inglês para os dois primeiros discos do P.F.M, “PHOTOS OF GHOSTS”, 1973; e “THE WORLD BECAME THE WORLD”, 1974, ambos lançados com sucesso na Inglaterra e América.

É argumentável que PETER tentou prosseguir com o PREMIATA, do ponto em que o KING CRIMSON fez inflexão para novos tipos de ROCK PROGRESSIVO e de VANGUARDA.

Aliás, FRIPP e a constelação de craques que o acompanham permanecem, até hoje, em auge criativo aparentemente inesgotável!

Porém, talvez o disco ISLAND, de 1971, simbolize o final de uma das fases conduzidas pelo genial e autocrático ROBERT FRIPP, líder e dono inconteste do CRIMSON.

Em minha opinião, o ponto fraco do P.F.M. estava nos vocais; abaixo do nível técnico e artístico do grupo.

Mas de CHOCOLATE KINGS, o quarto disco em diante, contrataram BERNARDO LANZETTI – bom cantor, na linha de PHIL COLLINS e PETER GABRIEL. E o grupo virou espécie clone talentoso do GENESIS – da mesma forma que o MARILLION também foi, quase uma década após.

Excelente e colecionável, o PFM revela originalidade ao combinar traços de música italiana tradicional ao ROCK PROGRESSIVO. E ao utilizar-se muito de violões acústicos combinados com o ROCK necessariamente elétrico.

Este ótimo BOX de 4 CDS, lançado pela gravadora inglesa ESOTERIC RECORDINGS, traz os 4 primeiros discos da banda. É bem acabado, com as capas duplas originais, e boa masterização.

Se você conseguir o “COOKING”, ao vivo, acho que o legado da banda estará perfeito para qualquer coleção.

Procure.

DON McLEAN – AMERICAN PIE – A ODE AO ROCK CONSERVADOR

Geralmente não gosto muito do ROCK AMERICANO. E este CD entrou em baita rolo com velho amigo. Foi bom para os dois.

DON McLEAN é um bom

cantor FOLK. Suas melodias e arranjos são algo recorrentes e datados. E, mesmo fazendo boas letras, bem encaixadas, está longe do talento de um GORDON LIGHTFOOT. E, claro, nem é possível compará-lo a DONOVAN e outros mais votados.

Acontece que DON compôs um clássico absoluto. Tão significativo que só não tornou-se um STANDARD, porque tem mais de 8 minutos e letra imensa para ser repetida.

Foi entendida como homenagem à morte de BUDDY HOLLY. E falta completar que, no mesmo desastre aéreo, em 1958, morreram também RICHIE VALLENS ( LA BAMBA) e BIG BOPPER, um quase famoso em ascenção.

HOLLY já era artista pronto. Com vários Hits tocando e cantando seu ROCKABILLY agitado, e tão relevante que virou inspiração para o nome dos ingleses THE HOLLIES, sucesso na década de 1960, e parte dos 1970.

DON McLEAN compreendeu a extensão artística de HOLLY, sua interação com os jovens americanos, e o que significava em termos de aspirações, história, e o emocional dos fãs.

E escreveu essa ODE ao ídolo que, ultrapassa e muito, do que apenas ele.

AMERICAN PIE é um compêndio histórico do que aconteceu com a música, principalmente o ROCK, seu desenvolvimento, problemas. E, mais do que isso, contestação estética, filosófica, existencial, aspirações e destruições consequentes.

McLEAN compôs e cantou sobre esses fatos. E conseguiu, através de METÁFORA, expressar a ruptura do cotidiano:”AMERICAN PIE” , uma torta “americana”, quer significar sobre a rotina, o conservadorismo, e o esperado; que foram rompidos quando um ídolo integrado desaparece, abrindo fenda que revela vulcões, o inesperado, o subversivo.

No decorrer da música, ficamos sabendo que a grande aspiração dos jovens dos 1950, de comunicar-se romanticamente, através dos bailes, casarem-se, foi sendo rompido…

Ele não intui ELVIS, outro contemporâneo entre o integrado e o subversivamente sensual.

Mas, diz poeticamente sobre os ingleses, que iniciaram emulando os americanos; e acabaram por subverte-los, pondo em risco existencial a geração que ouviu e compreendeu os BEATLES, em SGT PEPPERS, ou em HELTER SKELTER.

E, também, os contemporâneos americanos e suas experiências com drogas, Há citação nada encoberta dos BYRDS, em EIGHT MILES HIGH.

E JANIS JOPLIN, caricaturizada em uma cantora de BLUES a quem perguntou sobre “alguma novidade mais alegre” – e ela fugiu, porque não havia… Coisas daqueles tempos…

O refrão “THE DAY THAT MUSIC DIE” repetida a música inteira, pode ( e eu acho que deve ) ser interpretado como os vários dias, e as tantas vezes em que a música morreu, perdendo sua característica de algo construtivo e afetivo, tornando-se metáfora para algo ruim, corrosivo, preocupante, inconclusivo…

Se bem compreendi, essa ODE AO PROFUNDO E ATÉ AO DESAGRADÁVEL, teve outro alvo claro: OS ROLLING STONES, e principalmente o “JESTER” , O JUMPING JACK FLASH, O GRANDE PALHAÇO SINISTRO dos palcos, MICK JAGGER.

Ninguém representou tão bem a quebra de valores como religião, tradição e ordem, quanto JAGGER. Talvez um Pan sexual promíscuo buscando o fogo do inferno, e que “sentava-se em um castiçal de velas em chamas”.

Tudo isso está lá, no vasto poema; de maneira quase figurada, mas sem qualquer dúvida para quem acompanhou o féretro da civilização ocidental, sob alguns pontos de vistas nítidos na segunda metade dos anos 1960…

Para terminar, mas bem no começo, há citação sobre LENIN lendo MARX, como a subversão dos valores americanos mais estimados.

E concluindo, uma alusão ao “LAST TRAIN” para sabe-se onde… lembranças dos alienados MONKEES?

Quer dizer: DON McLEAN regurgitou e expeliu um CLÁSSICO. Para mim, fica nítido que ele apreciava a estabilidade conservadora da cultura americana.

Mas, como é muito bem escrito, vários talvez discordem.

Se DON McLEAN é conservador, reacionário não é.

AMERICAN PIE INCOMODA.

Bye, Bye..

SLOWDIVE, LUSH, RIDE e OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

A sensação de que tudo na vida, artes incluídas, se transformou em um “eterno presente”, mais ou menos à partir de 1970; e revelando tendência à permanente “atemporalidade”, até hoje me deixa perplexo!
Quando se pensa no desenvolvimento da música, e nem sempre por causa de cada obra em si que, em sua imensa maioria, surgiu para ser consumidas no ato. Mas, pela sobrevivência de parte do passado, que se mantém no presente quase incólume, através de vários estilos e artistas.
Vide, por exemplo, a influência do mais que cinquentenário HEAVY METAL, e a persistente atualidade de bandas como LED ZEPPELIN e BLACK SABBATH, ainda a base sacrossanta do gênero, apesar de evoluções, mudanças, e outras propostas.
A perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…
Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.
E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, e suportes para além do imediato. Há “momentos vindos do pretérito, e estendidos no presente eterno imediato”…
Seria?
O ROCK é pleno de “revivals”. Recuperações de ídolos do passado, e suas influências nas propostas do presente.
Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás, e até mais tempo, voltaram à tona. E os melhores entre eles, portanto já “estendidos indefinidamente”, se mantiveram no circuito.
Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, NEW ORDER…, em meio a outros, se apresentando renovados.
E, o mais interessante, incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. Isto fez e faz a diferença…
Quando houve, no BRASIL, em 2023, o festival PRIMAVERA SOUNDS, estava anunciado o inglês SLOWDIVE. Banda desconhecida por aqui, e com certo prestígio, mas vendas pequenas.
Eu gosto. E tanto quanto do LUSH, e o RIDE. E postei os CDs que deles todos mantenho.
O SLOWDIVE veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!!!
Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo segue.
Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica do evento está ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que vinham se apresentando há muito tempo com o repertório curto, insuficiente.
A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…
Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP” com “AMBIENT MUSIC”. Destacando o vocal da baixinha RACHEL…
E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.
O efeito geral é melódico, “esvoaçantes, e agradável.
Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.
O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia e recusava o virtuosismo egoísta. Gente como SATRIANI, ALVIN LEE e MALMSTEEN passavam anos luz dos alternativos.
A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Um Coletivo; conceito que se instaurou, nas últimas décadas…
Mas, francamente, juntando os discos que tenho do SLOWDIVE, o somatório daria um excelente álbum POP.
No entanto, um dos quase HITS da banda, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!
Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música PSICH/PROG solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica instantânea e simultaneamente recatada e reluzente gravada por GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos da “GARAGE BAND” “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.
Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!
Sim, e muito delicadas, e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…
O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Sei lá…, mas bom é; e reafirma o estilo da banda…
Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE”
à moda. A rigor, é apenas uma postura das bandas no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrados na execução da música…
Com o tempo, virou sinônimo de um “estilo” do início da década de 1990!
RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.
O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras distorcidas e pesadas; arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.
Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criaram um BLEND muito sugestivo entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.
É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás, que retornou revigorada pela sonoridade da turma da década de 1990 … Resumindo, algo bem novo e interessante!


Procure ouvir. 

SLOWDIVE & OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

Entre os fatos e coisas que me surpreendem, é constatar a tendência à atemporalidade, que a vida – artes incluídas – tomaram no mundo pós 1970.

A sensação é que tudo se transformou em um eterno presente. Principalmente, quando se fala de artes, e nem sempre por causa das obras em si que, em sua maioria, surgiram para ser consumidas no ato.

Perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…

Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.

E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, suportes para além do imediato. É o “momento vindo do pretérito, e estendido no presente eterno imediato”…

Seria?

O ROCK, por exemplo, é pleno de “revivals”. Recuperações que podem trazer os ídolos do passado, assim como as influências deles nas propostas do presente.

Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás voltaram à tona. Mesmo que os melhores entre eles, portanto estendidos indefinidamente, jamais tenham saído do circuito.

Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, em meio a vários, se apresentando renovados, mas incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. E isto fez e faz a diferença.

Quando houve o festival PRIMAVERA SOUNDS por aqui, em 2023, estava anunciado o inglês SLOWDIVE, grupo de certo prestígio, mas vendas pequenas. Eu gosto. Agora, postei os CDs que deles mantenho.

O grupo veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!

Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo seguiu.

Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica é ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que eles vinham se apresentando há muito tempo com repertório curto, insuficiente. A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…

Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP”, com ênfase no vocal feminino, e “AMBIENT MUSIC”. E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.

O efeito geral é belo e agradável.

Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.

O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia do virtuosismo egoísta. A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Coletiva; palavra que se instaurou, nas últimas décadas…

Mas, francamente, juntando os discos que tenho, o somatório daria um excelente álbum POP.

Um dos quase HITS do SLOWDIVE, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!

Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música viajante e solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica perfeita de GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.

Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!

Sim, e todas delicadas; e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…

O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Não achei pra tanto, mas é bom; e reafirma o estilo…

Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE” à onda!!! Que, repetindo, é apenas uma postura da banda no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrada na execução da música… e que se tornou “estilo”, moda, no início da década de 1990!

RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.

O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras pesadas, arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.

Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criou um BLEND entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.

É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás que retornou revigorada…

Procure ouvir.

GARY BROOKER, VOCALISTA DO PROCOL HARUM – SOLO

 

Há gente com enorme e reconhecido talento, mas que não consegue transcender em carreira solo o que produziu no grupo de origem.

Alguns casos de ícones óbvios: FREDDIE MERCURY sem o QUEEN; MICK JAGGER fora dos STONES; IAN ANDERSON, à parte o JETHRO TULL.

GARY BROOKER teve criativa, longeva e bem sucedida carreira com o PROCOL HARUM.

Mas, quando o ROCK PROGRESSIVO decaiu, gravou três discos medianos, com boas faixas pontuais, na década de 1980.

Claro, trouxe amigos para participar. Artistas como ERIC CLAPTON – de quem era íntimo -, GEORGE HARRISON, PHIL COLLINS, entre diversos, o que aumentou o interesse do público, e tornou os discos objetos de coleção.

GARY BROOKER sempre foi um grande cantor de “RHYTHM’ N’ BLUES”, e BLACK MUSIC, em geral. O que o tornou um vocalista diferenciado no campo do ROCK PROGRESSIVO.

Seus discos solo são bem distintos do que ele fez em grupo. E a sua fantástica e reconhecida voz SOUL / BLUESY nos discos solo permanece firme e intacta!

BROOKER convidou, também, outros letristas no lugar de KEITH REID, o “poeta responsável pelos textos” no PROCOL HARUM.

Álbuns solo impõem responsabilidade total ao artista.

Expondo, inclusive, seu limite de criatividade. As escolhas de instrumentos, arranjos, e outras atitudes profissionais antes tomadas conjuntamente, tendem a se limitar ao artista e ao produtor.

Talvez a imensa identificação de cada um deles com seus grupos originais, os tenham impedido de criar além e melhor do que haviam feito. O condicionamento reforça o bloqueio criativo.

E há, também, a dificuldade em selecionar os repertórios na composição dos SET LISTS para shows, em caso de poucos discos individuais lançados.

E foi o quê aconteceu a esses três grandes artistas.

Lançar disco solo é outro papo.

Talvez?

AS FACES DE TONY ERDMANN, FILME DE MAREN ADE, COM PETER SIMONISCHEK E SANDRA HULLER, 2016

O filme é recorrente e insistente nos canais Telecine da NET. Eu zapeando minha insônia defrontei-me várias vezes com ele. madrugada qualquer eu deixei rolar para tentar sacar do que realmente se tratava.

É inusitado e fascinante. A história central pouco importa; e menos ainda a quase sempre sinopse das programadoras.

Pela descrição incrivelmente simplista, mas não tão longe do mostrado, seria a preocupação de um pai com sua filha yuppie à procura de ser bem sucedida, e vinda de uma sociedade ex-comunista bucólica e inerte, que em poucos anos vai se transformando em “alvo” da globalização no centro da Europa.

Ele, velho demais e criado por valores em decadência tenta preservar um pouco a própria sanidade e a da filha – que se derrama ao novo, pouco se importando com causas, consequências ou escrúpulos.

A estratégia do velho é a galhofa e a bizarrice permanentes, que se misturam à cobiça, necessidade de produzir e ao non-sense dos estrategistas de negócios da nova ordem para o ex-bloco oriental.

Há uma coleção de situações beirando o impossível, mas plausíveis para um mundo que perdeu valores e, realmente, não está em busca de novos. Só de grana e progresso material.

O filme mostra a conversa velha e presente em momentos de crises e mudanças bruscas, na periferia do capitalismo. O país no caso é a Romênia pós comunista, em uma Bucarest simples, precária, mas sob cobiça provisória do mundo global.

E fez com que eu pensasse o nosso Brasil, no governo BOLSONARO. Em busca de nova arrancada, cheio de códigos quebrados, em busca de valores do passado que se mesclariam com a nova ordem capitalista anti-China. Mas, hipoteticamente pró cristã. Globalização versus desglobalização?

Na Bucarest de INES, a personagem central, o que valeria é o sucesso profissional e grana. Mas, ao contrário dela – que vence e é transferida para Singapura -; nós fomos atrás do desenvolvimento olhando para nossa brazuca ancestral e buscando ideias e valores tradicionais, muitos deles reacionários.

Claro, o cenário mudou, E LULA venceu. Mas, foram revogadas aquelas ideias, que fizeram 48% dos votantes sufragarem seo JAIR?

Para um filme eficaz, nos falta um Toni Erdmann. Personagem que não consigo associar a ninguém suficientemente patético para ser interpretado.

Mas, certamente há….

Se puderem assistam.

TERJE RYPDAL – ESTILISTA DA GUITARRA

RYPDAL REFINOU A TÉCNICA DO USO DE ARCOS PARA VIOLINOS E VIOLONCELOS, QUE JIMMY PAGE TENTOU COM OS YARDBIRDS, EM 1967, E USOU MUITAS VEZES COM O LED ZEPPELIN.

DITO ASSIM, É POUCO PARA COMPREENDER A EXTENSÃO E REFINAMENTO DE PROPOSTA E ESTILOS QUE TERJE ULTRAPASSOU.

CLARO, O ARCO É PARTE DA SONORIDADE. ELE É UM GUITARRISTA MAIS COMPLETO, QUE INICIOU NO ROCK E DERIVOU PARA O FREE JAZZ, E A FUSION JAZZÍSTICA. SUA MÚSICA É DE BELEZA EVIDENTE; ELE ESBANJA TALENTOS…

TERJE RYPDAL FEZ CARREIRA NA ALEMÃ E.C.M. RECORDS, ONDE GRAVOU COM DEUS E O MUNDO. E TEM PRODUÇÃO INTENSA NAQUELA MÚSICA SOFISTICADA, CLIMÁTICA E DIFERENTE. TOCOU EM GRUPOS QUE JUNTAVAM TROMPETES, MELLOTRON, ÓRGÃO… ; OU SE ORGANIZAVAM COM FORMAS ALGO CONVENCIONAIS PARA O JAZZ. E, TAMBÉM OUTROS DERIVANDO PARA O VASTÍSSIMO ETC… ALTERNATIVO.

NÃO ESTOU INTRODUZINDO UM ARTISTA COMUM. MAS, COM OUTRAS VISÕES DA MÚSICA, CULTURAS E PERSPECTIVAS.

OS DISCOS ACIMA SÃO DE FASE MAIS PRODUTIVA DA CARREIRA DELE, QUE É DURADOURA E DIFERENCIADA.

PARA CONHECER TERJE RYPDAL, PROCURE “WORKS” , COLETÂNEA EXCELENTE. ESCUTEM. É MUITO INTERESSANTE!

ANNIE HASLAN, RENAISSANCE E CARREIRA SOLO.

O RENAISSANCE e ANNIE HASLAN são grandes. Fazem um misto de FOLK/POP LIGHT e ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO. Realizaram discos muito legais e artisticamente inovadores.

O RENAISSANCE foi uma das vertentes da prolífica linhagem inaugurada pelos YARDBIRDS, que legaram ERIC CLAPTON, JIMMY PAGE e JEFF BECK, os três na gênese do HARD-ROCK e do HEAVY METAL. E, também do ROCK PROGRESSIVO.

O RENAISSANCE começou como projeto de KEITH RELF e JIM McCARTHY, vocalista e baterista da nova banda, em 1968.

Gravaram dois LPs seminais, em sentido diametralmente oposto ao dos outros integrantes, mesclando FOLK, MÚSICA RENASCENTISTA, PSICODELIA e POP MELÓDICO.

A vocal feminino era de JANE RELF, irmã de KEITH. Um cantar algo lúgubre. Mas, claro, já eram ROCK PROGRESSIVO. E, com o tempo, transformaram-se no ILUSION, mais ou menos na linha do RENAISSANCE.

Com ANNIE HASLAN, nos vocais, e mudança radical na formação, o RENAISSANCE foi um grande sucesso, na década de 1970.

Ouçam e tenham “PROLOGUE”, de 1971; e “ASHES ARE BUURNING”, 1972; os dois primeiros discos da nova fase, e que sintetizam muito bem o conceito que pretendiam seguir.

Os discos finais, em torno dos anos 1980, são algo medianos, e com uso de sintetizadores, como pediam aqueles tempos.

ANNIE é pessoa encantadora. Conta-se, que fãs do RENAISSANCE a abordaram, no CANADÁ, se não estou enganado. E a convidaram para fazer apresentações no BRASIL. Ela adorou, e veio mesmo, anos atrás.

ANNIE andou outras vezes por aqui; e há vídeo amador com ela e fãs cantando e tomando caipirinhas, no RIO DE JANEIRO. Há um CD gravado ao vivo em PETRÓPOLIS, no Rio de Janeiro chamado, chamado “UNDER BRAZILIAN SKIES”. E outro pirata e delicioso, gravado com o FLAVIO VENTURINI & BANDA.

ANNIE e VENTURINI são, de certa forma, artistas afins e complementares.

A carreira solo de ANNIE é interessante, e o primeiro disco, de 1977, “ANNIE IN THE WONDERLAND, é um clássico do CROSSOVER/FUSION de POP-NEW AGE e ROCK PROGRESSIVO. Teve a produção instigante e luxuosa de ROY WOOD, que foi marido dela, e mago da música alternativa

ROY era mentalmente instável, e deu vida ao THE MOVE, ao WIZZARD, e fundou a ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA, com JEFF LINNE, no ínício da década de 1970. Um consórcio sacro-iconoclasta, e certamente imperdível!!!!!

O álbum “ANNIE HASLAN”, gravado em de 1989, foi produzido por MIKE OLDFIELD, e tem participação e música composta por JUSTIN HAYWARD, dos MOODY BLUES – outra banda estilisticamente muito próxima ao RENAISSANCE.

É nele onde está a linda “MOONLIGHT SHADOW”, que toca em rádios FM mundo afora.

ANNIE é a precursora/inspiradora de KATE BUSH, ENYA e FLORENCE & THE MACHINE, certamente outras várias. Ela tornou-se modelo e referência para o NEW AGE MUSIC, com acento FOLK e muita doçura no repertório.

Seu repertório é quase “baba”; mas só tangencia. Tudo o que ANNIE HASLAN gravou é delicioso e de bom gosto. ANNIE não é para diabéticos; e muito menos para demoníacos.

Desfrutem sem moderação.

TIO SÉRGIO a respeita e adora!

RYIUCHI SAKAMOTO, MÚSICO SUPERDOTADO.

Os que não conhecem o japonês saberão o quê perdiam quando o conhecerem.

É um virtuose do piano, teclados e da produção. E, mais que isso: é um arrojado intérprete e compositor.

Vai da música POP à VANGUARDA ELETRÔNICA. Fez TRILHAS SONORAS, também; e gravou e tocou TOM JOBIM com mestria e originalidade irrepreensíveis!

RYUICHI SAKAMOTO, que faleceu em 2023, era um dos maiores pianistas de sua geração.

De formação acadêmica impecável; e alma com estadia em botequins, conjunção astral de imensos predicados para um artista dedicado à música popular. Tudo o que legou é de refinamento ímpar!

Na década de 1960, dizia-se pejorativamente que “havia japonês no samba”, quando alguma percussão, arranjo ou execução não rolavam. Isto parou.

E deixou de ser verdade porque os japoneses são, hoje, os maiores recuperadores, preservadores e colecionadores da música brasileira neste planeta, e em sua órbita!

Eles tratam com afeto e devoção do SAMBA DE MORRO, à BOSSA NOVA; de CARTOLA a PAULINHO DA VIOLA; e passando por TOM JOBIM, IVAN LINS, MILTON NASCIMENTO, EGBERTO GISMONTI, GIL, CAETANO…e centenas de perdidos que só por lá você encontra os discos, se quiser escutar ou adquirir…

OS JAPONESES SÃO OS CURADORES DO MUSEU VIVO DA RIQUEZA MUSICAL DE MUITOS POVOS!

Eu sou catador de coisas nas lojas virtuais do Japão. Eles são espetaculares em quase tudo. Fazem o mesmo com o ROCK, o POP, o BLUES, o COUNTRY, sabe-se lá mais de onde, ou o quê?

Sempre dedicados e com a disciplina e o “minimalismo perfeccionista” que nós, brasileiros, ironizamos mas admiramos porque bonito, eficiente e eficaz.

Eles são os historiadores da cultura popular que a imensa maioria dos países não tem a capacidade, ou determinação para fazer ou proteger.

BRASIL, incluído.

SAKAMOTO fez a trilha para o filme FURYO, EM NOME DA HONRA, em que DAVID BOWIE também atua com brilho!

RYUICHI tem discos intrigantes e experimentais, como este DISCORD, 1998; um ELETRÔNICO DE VANGUARDA mesclado à MÚSICA DE CÂMARA CONTEMPORÂNEA. E é “NOISE”…, sim! Vale a pena “instilar” gotas dele na alma…

Gravou, também, com o inglês DAVID SYLVIAN, que era do JAPAN, talvez menos acaso do que se suporia…

Procurem saber sobre esse artista, também. Um dos mais criativos dos últimos 35 anos, juntamente com a islandesa BJORK – ambos sobreviventes e transcendentes do ROCK dos 1980.

O Japa era antenado. Atuava em vários estilos, e com gente tão diferente; experiências que o tornaram um eclético seletivo imprescindível para quem se interessa e gosta de música diferenciada.

E ele nos prospectou muito de perto. Observem os dois CDs do trio MORELENBAUM2/ SAKAMOTO: CASA e A DAY IN NEW YORK, lançados em 2000 e em 2002. São fáceis de achar na Internet; e talvez ainda seja possível adquirir a cópia nacional.

São discos que trazem basicamente composições de TOM JOBIM. “CASA” foi gravado no estúdio na residência do próprio TOM, no Rio de Janeiro, e RIYUCHI toca no piano do maestro. É lindo, brasileiro, e sem deixar de ser universal.

É a nossa alma estudada por três músicos excelentes e dedicados, que acrescentam nuances aos clássicos e standards que o mundo inteiro já conhece.

E “DAY” ( IN NEW YORK ) é igualmente refinado e gostoso, e vai na mesma linha romântico-contida, por assim dizer. Foi gravado em NOVA YORK, no dia seguinte ao final da turnê que fizeram usando o repertório que desenvolveram na estrada.

JACQUES MORELEMBAUM é violoncelista em nível internacional, e PAULA, a mulher dele, é boa cantora, adequada para a nova MPB e, principalmente, para recordar a BOSSA NOVA. São dois CDs legais de ouvir e ter.

Cada um pode ter o SAKAMOTO que preferir. Eu aposto nesses aqui aqui. Por enquanto. O tempo trará outros.