ENQUANTO ISSO EM PATÓPOLIS…, 2014

Vocês viram, ontem, a propaganda política do PSB, com o Eduardo Campos e a Marina Silva? Fantásticos!

A Marina nos brindou com cara, boca e jeito de missionária evangélica misturados à pregação ambientalista. Misto de Rousseau e Igreja Universal do Reino de Deus.

Sinceramente, num país que se pretende moderno é possível uma postura desta? Uma santa na Presidência da República exalando verdades moralistas em qualquer decisão que venha tomar? Que falácia, que mistificação, que criatura inadequada. Imaginem os casos de urgência tratados por uma purista? O dia-a-dia da polítca e da administração eivado por preconceitos, idealizações remotas e nojo moral dos que não concordam? Mulher por mulher na presidência, a Dilma é menos pior!

Mas, isto parece irrelevante, já que ela veio para fazer o bem…. A Marina Silva me lembra a Banda do Zé Pretinho do Jorge Benjor: mistura bumbo com violino e reveste o “arranjo” com um vácuo de ideias – tipo Lula do sexo feminino. Gente como a Marina tende a travar o progresso, ser inimiga do moderno, da urgência e do futuro. Falando sério, não precisamos de Marina Silva.

E o Eduardo Campos, heim? Bom, era neto do Miguel Arraes, conhecido por ser lacônico, um político carismático que falava pouco… um Lula ao contrário.

O Miguel Arraes e o Lula tinham algo em comum: nada a dizer, nítidos nulos. E o filho do Chico – oops, isto é pecado! – vai no mesmo caminho. Muito a falar e nada a dizer. Espero que aqui, em Patópolis, a patalhada fique atenta quando tiver de rechear as urnas. Quá, quá, pra vocês.
PUBLICADO EM 26/02/2014

BRASIL, INFLAÇÃO E UM ACASO TENEBROSO

FINAL DO GOVERNO DILMA – 2016

Vejam o que é a vida no Brasil. Tanto esforço, tanta briga, uma luta feroz de todo o povo brasileiro para superar a inflação e recolocar o país no caminho de um desenvolvimento mais ajustado, e caímos nas mãos de um governo, um partido, e principalmente uma governante, que se lixam para isso. O Brasil quebrou, completaremos no final desse governo criminoso mais dez anos de perdas; vinte anos jogados no lodo em menos de quarenta; de viagens rumo ao inferno, diagnósticos errados, de incompreensão de como funcionam as coisas no mundo.

O pai da Presidenta veio para o Brasil fugindo do comunismo na Bulgária. Deixou família por lá e fez outra por aqui. Sua filha Dilma representa tudo aquilo do qual ele fugiu – o que é muito comum em qualquer família e na relação pai e filhos. Se ele não tivesse vindo para o Brasil certamente estaríamos hoje e sempre bem melhores.

Pagamos muito caro pelo idealismo dos medíocres.

Curtir

Comentar

KEITH JARRETT ( parte 2 )- E.C.M. RECORDS – “A EXATIDÃO INTUITIVA”

Fiz IMERSÃO nos poucos discos que tenho dele, e fiquei convencido de que JARRETT é imprescindível, apesar da irritante antecipação dos solos com sua VOZ DE PATO DONALD, simultaneamente induzida à música genial que constrói nas gravações ao vivo.

É uma chatice não evitável. Mas, tem remédio. É bem possível no decorrer dos tempos, que muitos de seus discos venham a ser tratados em estúdio para eliminar o… “PROBLEMA”. A “falas” desconcentram o ouvinte. São ruídos inseridos que tornam a música feia e chata. Tornam esquisita a obra em desenvolvimento..

Em resumo, KEITH JARRETT realizou, pela ECM, quatro tipos de trabalhos.

1) Iniciou acompanhado por um quarteto de músicos europeus, em contraste à sua formação clássica e jazzística nos Estados Unidos.

Sua música peculiar, e bela por definição, casava-se perfeitamente ao JAZZ FRIO do SAXOFONISTA JAN GARBAREK; do baixista PALLE DANIELSSON, e do baterista JON CHRISTENSEN, músicos típicos da ECM.

Com esse conjunto, KEITH gravou diversas composições de sua autoria, todas ALÉM-JAZZÍSTICAS, e que destacam sua reconhecida HABILIDADE PIANÍSTICA. O exemplo aqui é o disco “MY SONG”…

2) KEITH tem enorme vocabulário artístico, e talento para construir frases inusitadas no piano; estendê-las ou encurta-las, e mesmo terminá-las inesperadamente. JARRETT sabe usar o intervalo entre as notas, espaços, e fazer música totalmente pessoal. Ele cria “PONTOS e VÍRGULAS” na concepção instantânea de sua música, talento que o tornou concertista solo de grandeza ímpar.

KEITH JARRETT praticamente criou o improviso ao vivo no piano solo. Há enorme discografia nesta linha. Aqui, por exemplo, estão “THE KÖLN CONCERT”, que vendeu muito; “THE VIENNA CONCERT”, e o excepcional “STAIRCASE”.

Há muito tempo caiu em minhas mãos um box com 10 LPs da ECM, chamado THE SUN CONCERTS, gravados ao vivo no Japão. Uma doideira de improvisos inacabáveis! Louquíssimos! Álbum caríssimo, que acabei me desfazendo e hoje lamento “abissalmente”…. BURRAGENS do COLECIONISMO…

3) Talvez o trabalho mais profícuo e de maior sucesso seja, também, o mais “conservador”. O trio americano que formou com o baixista GARY PEACOCK e o baterista JACK DEJOHNETTE, teve duração enorme para os padrões do JAZZ. Mais de 25 anos. Começaram no início dos 1980, e foram até aproximadamente 2010 – e quem sabe além disso.

A CRÍTICA AMERICANA considera essa formação talvez o melhor TRIO de JAZZ história! Não é pouca fama!!!! Os três juntos gravaram coisas vanguardistas e originais; principalmente STANDARDS JAZZÍSTICOS, mas sob outra ótica…

Veja exemplo aqui em “TRIBUTE”. Um álbum duplo composto por coleções de standards recriados não sob a perspectiva do compositor original, mas com base nas versões que a banda considerava relevantes.

Então, há “SOLAR”, de MILES DAVIS, na versão da perspectiva de BILL EVANS; e SMOKE GETS IN YOUR EYES, vista como fosse por COLEMAN HAWKINS; ALL THE THINGS YOU ARE, de JEROME KERN, no olhar de SONNY ROLLINS e por aí vai…

E não deixem de ouvir o espetacular YESTERDAYS. Foi gravado ao vivo no Japão, e a qualidade técnica da gravação é extraordinária. Disco imperdível; o trio está no auge criativo e em total sinergia aproveitando cada nota em razão da vantagem de haver um tema condutor nas músicas. É coisa relativamente recente, feita em torno de 2010. E explica muito da grandeza dos três músicos. É Fantástico, acredite.

4) Como gênio complexo e produtivo, JARRETT meteu-se com a música CLÁSSICA, e fez discos considerados entre os melhores sobre as composições que escolheu. Gravou com estilo BACH, por exemplo.
E fez versão para TABULA RAZA, obra do estoniano ARVO PART, talvez o maior compositor de música “CLÁSSICA CONTEMPORÂNEA”!

O catálogo enorme e em trânsito de KEITH JARRETT está entre os grandiosos da produção contemporânea. É música de alta qualidade, melódica sem ser vulgar ou brega, e muito acima e além dos rótulos. JARRETT toca sem parar; fraseia e harmoniza o tempo inteiro, e tem noção absoluta de ritmo.

Vou buscar mais coisas dele. É inevitável e prazeroso demais!
Postagem original: 25/02/2020

Nenhuma descrição de foto disponível.

MEMÓRIAS DA NECESSÁRIA COMPAIXÃO, E DA DELINQUÊNCIA SONORA!!!

Toda vez que paro ao lado de um carro onde algum moleque está tocando aquele horror atual, RAP, PANCADÃO, ou SERTANEJOS tipo DENTISTA E CARIADO, LEÃO E LEOPARDO, MAYARA E MARAÍSA…e sei lá mais o quê, eu penso: calma, SERJÃO, você foi muito pior e sabe disso!!!

Tempos atrás, eu assistia a um torneio de GOLFE pela televisão, e um comentarista e instrutor disse o seguinte:

“Todo dia aparece alguém querendo aprender a jogar. Pedem logo um taco para dar uma porrada letal na bola, e mandá-lo a sei lá quantas jardas de distância…”

E o cara ponderou. “Dar tacada é apenas uma parte do esporte”.

Mas, não é assim que a banda toca. “O mais difícil é botar a bola nos buracos”.

O “GREEN” é terra indomada, cheia de armadilhas, então você precisa aprender a “PATHEAR”, tocar a bola nas curtas distâncias, calcular o toque, e adquirir técnica. Demora, é o mais difícil…

Em vista disso e muito mais, aprendi a ser tolerante e manter o bom humor.

Certa vez, TIO SÉRGIO e amigos “comórbidos” estavam em restaurante, quando apareceu um garoto com a mãe. Eles ouviram o papo “ilustrado” da mesa ao lado. Nós.

O menino tentou entregar um CD “PROMO” de REGGAE gravado pela banda que ele fazia parte.

Eu fui o único que aceitou, e ainda bati um papo! Ser gentil não custa. É pedagógico, e até hoje obrigatório – eu acho…

O garoto explicou que ainda estavam no início, coisa e tal, e pediu para eu ouvir e dizer o que achei do que “cometeram”.

Fiz isso em nome do que é justo, e do meu passado nada recomendável em termos de comportamento frente à música – e vá lá, frente à vida também…

Resumindo, o disco era muito ruim. Dias depois, liguei para ele e expliquei os meus motivos: 1) letras ruins e português péssimo. Recomendei que estudassem a língua antes de compor. Observei que é essencial, porque um comportamento cidadão exigível de qualquer profissional sério.

2) Argumentei que o REGGAE é enganosamente óbvio. Então, superar-se, evoluir, implica em criatividade e muito ensaio.

3) Elogiei a iniciativa dos meninos, mas ponderei que antes de gravar é preciso lapidar o que se pretende fazer. Ter menos pressa, o que é difícil frente à motivação para fazer o quanto antes…

Não sei o que aconteceu com a banda. Nunca soube no que deram…

Acho, também, que conselhos sinceros e adequadamente expostos são fundamentais para qualquer iniciante. Um jeito maduro de ajudar.

O TIO SÉRGIO aqui ainda é um tanto da fuzarca! Aprendi em meus compêndios sobre ROCK, JAZZ E MÚSICA “ANTISSOCIAL” em geral, que a boa MÚSICA POP necessariamente precisa incomodar os mais velhos.

É vero, é fato. É assim que as coisas se desenvolvem ( eu escrevi desenvolvem, e não a palavra “evoluem”, diferença de conceitos abissal).

Pentelhar o próximo é essencial para o mais jovem se distinguir dos velhos.

Vocês duvidam?

Então, respondam? Por que será que eles fumam?

Porque é perigoso, desafiante, rebeldia em explícita. A vida é tão medíocre e trivial assim.

Dia desses, acordei com a macaca! Não, não torço pela PONTE PRETA!!! E baixou vontade incontrolável de ouvir o inaudível e o inacreditável.

E tenho um lado insalubre, esquisito e provocador; os meus amigos sabem…Aproveitei para escutar coisas como MERETRIO, WALTER FRANCO, THROBBING GRISTLE, FRANK ZAPPA, SHAGGS, CARLA BLEY, e o FOSSORA, da BJORK.

Quem sabe ponha pra rolar as pianistas “erudito contemporâneas” HÈLÉNE GRIMAUD e BEATRICE BERRUT, artistas excelentes e moças belíssimas! As duas e a BJORK merecem audições cautelosas, detidas, detalhadas. Por isso, não estão na foto.

Ouvi novamente o MERETRIO. É interessante. Mas, lembram um pouco a afobação do garoto do REGGAE. Fazem FUSION com certa pretensão e algum discernimento.

Mas, por que músicos da geração deles sempre voltam aos clássicos na MPB, tentando atualizar a linguagem sem observar essências?

Honestamente, LUIZ GONZAGA tem nada a ver com JAZZ e nem pretendia. Deixar os mortos em seu lugar e com o devido respeito, talvez seja mais produtivo do que ressuscita-los em Igrejas que jamais frequentaram. Principalmente, se o exorcista não tiver tantos apetrechos artísticos, técnicos e de talento assim…É o caso dos meninos aí…

Ouvi outra vez “THE PERFECT STRANGER”, de FRANK ZAPPA, em arranjo e regência de PIERRE BOULEZ, gravado em 1984.

Achei magnífico!!!

E concluí o óbvio: craque grava craque. Na metalinguagem peculiar do ex-deputado e modista CLODOVIL HERNANDEZ, para referir-se aos homossexuais, “Boi preto reconhece Boi preto”!!!!

Somando vivências eu vou continuar na direção e na procura de tudo que não me lembre o “ÓBVIO ESFOLIANTE”.

Eu acho que tornar-me um COMPÓSITO CONTRADITÓRIO é mais desafiador do que ser METAMORFOSE DEAMBULANTE.

Escrevi e pronto! A irresponsabilidade é minha.
Postagem original 21/02/2023

BUDISTAS – DUAS HISTÓRIAS: MONJA COHEN, E O “NOSSO” MONJINHO.

Quando o meu dileto amigo JEAN YVES DE NEUFVILLE faleceu, anos atrás, fui comunicado por sua namorada de que ele seria CREMADO no CEMITÉRIO de VILA ALPINA, em São Paulo.

A morte do Jean, jornalista e crítico de música, me pegou de surpresa. Angela e eu ficamos desolados. ÉRAMOS AMIGOS de fazer CHURRASCO de MADRUGADA ouvindo CHARLIE PARKER, e conversar sobre as inúmeras voltas que a música dá. E a vida, também.

Jean não era religioso, que eu soubesse. Mas, sua ex-esposa e filhos eram BUDISTAS da linha ZEN.

A cerimônia foi conduzida pela MONJA COHEN. Personalidade marcante, carismática, de vida rica e experienciada ao máximo. Por motivos que, acho, somente ela sabe converteu-se e assumiu o zen-budismo integralmente. Buscou o caminho do meio e de algum jeito o encontrou em sua vida atribulada, terrena, explícita.

SUA FORÇA PESSOAL IMPRESSIONA; e a cerimônia antes da cremação foi de simplicidade exuberante. Efetiva, bela e reconfortante eu diria. Meu amigo partiu em paz.

Eu acredito em conversões autênticas por experiências pessoais ou religiosas radicais. Confio ser possível atingir profundidades ou amplitudes na alma, pelos que conseguem sair do cotidiano e adentrar por um mundo misterioso e mais rico. Achar outra vivência aflorada na pedra – que é a vida.

O BUDISMO É UMA SABEDORIA SUI-GENERIS.

Você chega a ele através de seu lado filosófico. Pelo aprendizado de que a impermanência de tudo é a regra básica da vida. E, também, a constatação de que todos sofrem: portanto, desenvolver a compaixão, conceito sofisticado, espécie de compreensão incondicional e não egoísta e não exclusivista, sobre as mazelas e misérias do outro independentemente da circunstância, é qualidade pessoal imprescindível de ser desenvolvida.

É luta árdua!

Para isso, é necessário buscar o caminho do “meio” pela meditação disciplinada e o despojamento.

Os que ultrapassam esta barreira, com o tempo percebem que o lado religioso do budismo se abre com seus ritos e mitos; verdades e “poderes”. “A long way” mais restrito, mais secreto, quase monástico.

Ser um budista de verdade é muito difícil! E o caminho fica longe…

Isso tudo para contar-lhes outra historinha recente, descrita por pessoas lúcidas, cultas e de minha absoluta confiança. Um grupo fechado que pratica e estuda o budismo da linha tibetana em alto nível – e muito além do rudimentar e filosófico, há mais de trinta anos.

Angela, minha mulher, participa desde o início e também testemunhou o fato.

São orientados por um LAMA butamês idoso, sábio, trabalhador incansável, e que vive no Brasil há mais de trinta anos:

O “MONGINHO”, como carinhosamente o tratam, ficou doente. Foi levado a um Hospital de primeira linha. Fizeram exames, constataram a necessidade de uma operação. A Shanga – comunidade budista – se cotizou para pagar as despesas.

Pois bem, dias depois retornou ao hospital para fazer novos exames pré-operatórios e deu-se o seguinte fato e diálogo:

MÉDICOS: ” Mas, o senhor não tem mais nada, sumiram os problemas nos exames de agora!!!”;

LAMA: “Eu não quero ser operado e coloquei tudo no lugar dentro de mim”, disse modestamente.

MÉDICOS: “Isso é um absurdo, não pode ocorrer, o senhor é médico?”

LAMA: “Não sou. Mas, eu ainda não quero morrer. Meditei e me tratei. Faço sempre…”

Eram três médicos, o mais “brasileiro” entre eles começou a rir e disse aos outros:

“Também acho impossível. Mas, a gente precisa estudar o caso” … Sei lá, todos somos prifissionais e já vimos coisas incríveis…Talvez não tanto quanto essa”.. e continuou:

“Mas, LAMA conta pra gente que história é esta de controlar a própria morte?

LAMA: “É assim: quando eu perceber que quero morrer, vou reunir os mais próximos e comunicar que entrarei em estado de meditação profunda e morrerei. Foi assim que aprendi e assim vou fazer. Mas, ainda vai demorar…”

Pra concluir, o LAMA continua trabalhando, rindo, e tranquilo em seus ninguém sabe ao certo quantos anos de idade. O que se sabe, e até já apareceu em filmes, é que essas coisas acontecem…

Eu dou fé. Conheço os que estavam lá. Mistérios da vida. Inclusive controlar a própria morte.
PUBLICAÇÃO REVISTA, 2023

BLOWING THE FUSE 1955 – SWEET SOUL MUSIC 1966

BLOWING THE FUSE 1955 – SWEET SOUL MUSIC 1966

ESSES DOIS CHEGARAM HOJE. SÃO PARTE DE DUAS SÉRIES ESPETACULARES DA CULT, TECNICAMENTE PERFEITA E IRREPREENSÍVEL “FAZEDORA” DE DISCOS ALEMÃ “BEAR FAMILY RECORDS”. PRODUÇÃO GRÁFICA, TEXTOS E FOTOS TUDO EM ESTADO DA ARTE.

CADA SÉRIE TEM 15 CDS INDEPENDENTES, CADA UM COBRINDO A MELHOR PRODUÇÃO DA MÚSICA NEGRA AMERICANA, ANO A ANO.

A PRIMEIRA SÉRIE, “BLOWING THE FUSE”, É DEDICADA AO FINO DO “RHYTHM AND BLUES” DE 1945 A 1960. A SEGUNDA SÉRIE, “SWEET SOUL MUSIC” , É A SEQUÊNCIA LÓGICO – ARTÍSTICA DEDICADA À SOUL MUSIC, E VAI DE 1961 A 1975.

EM RESUMO, TODOS OS HITS, E O QUE É RELEVANTE EM QUASE 900 MÚSICAS! TUDO O QUE VOCÊ QUERERIA EM MÚSICA DE NEGÕES E NEGUINHAS, EM VOCAIS E INSTRUMENTAIS EXUBERANTES E DANÇÁVEIS. O SUMO E O SUPRA-SUMO!

EU VENHO FAZENDO O PERCURSO EM DOIS CDS POR MÊS. MINHA ESTRATÉGIA É SIMPLES E ATÉ ÓBVIA. O PRIMEIRO “FUSE” QUE COMPREI FOI DO ANO 1960; E VOU DESCENDO, ANO A ANO, ATÉ CHEGAR EM 1945. NA SOUL MUSIC INICIEI POR 1961 E VOU ATÉ 1975 – SE ELES PARAREM MESMO POR AÍ.

TENHO MUITA COISA DE MÚSICA NEGRA EM VARIADOS BOXES, DISCOS E VASTO ETC… MAS, NADA SE COMPARA ÀS DUAS SERIES.

RECOMENDO DE OLHOS FECHADOS – E BOLSO ABERTO. SÃO RELATIVAMENTE CAROS, EM TORNO DE 30 DÓLARES CADA UM – TUDO INCLUÍDO…

COLEÇÃO EM NÍVEL DE DOUTORADO!
Postagem original: 21/02/2018

SUN RA – THE HELIOCENTRIC WORLDS – 1965

Ao contrário do FREE JAZZ, de ORNETTE COLEMAN, onde a liberdade para improvisar era total, a proposta AVANT GARDE de SUN RA é uma construção/desconstrução ativa, mesmo que não-programada, de uma obra musical que requer disciplina, técnica e sensibilidade.

SUN RA é um arquiteto do caos sonoro inteligível. Ele intervinha nas gravações trocando músicos durante a execução dos trechos. Dava o tom, a ideia, e se não gostasse do som de um trombone, digamos, fazia o trompetista, por exemplo, executar aquela parte do jeito que quisesse.

Se RA concordasse, ia juntando, gravando tudo de acordo com a sua percepção e gosto.

SUN RA acrescentava ou retirava instrumentos, ideias, frases; e o resultado é uma colagem sonora com liberdade vigiada, livre ‘ma, non tropo”.

Fica estranho, mas é coeso e musicalmente instigante. A metáfora que me ocorre, é consertar o motor do avião em pleno voo…

SUN RA subverteu e rompeu a ideia inicial do FREE JAZZ, e está nas raízes da FUSION, e DO ROCK PROGRESSIVO; e é o precursor “AFRO-FUTURISMO” jazístico. SUN RA é espécie de compositor, arranjador, maestro maluco, que dirige sua orquestra ao sabor de si mesmo.

Diferentemente do FREE JAZZ, onde cada um tocava sua parte sem a censura de outros, nos discos dele o comandante supremo é SUN RA. Ele é o diretor de obras do caos. Não sabia onde queria chegar, mas chegava prospectando, caminhando, perscrutando, tocando, construindo, destruindo, mudando a música.

Depois de gravada, claro, restava a música composta: original, intuitiva, provavelmente não repetível, mas obra “organizada”, porque “petrificada” em disco.

Se o FREE JAZZ é obra coletiva, o AVANT – GARDE parece um produto individual: o conceito é do artista.

A história da música popular é um caminho tortuoso, desruptivo, e, ao mesmo tempo, previsível. Muita coisa díspar convive ao mesmo tempo.

Para muitos, o ápice da sofisticação na música popular foi a GRANDE CANÇÃO AMERICANA, de GERSHWIN, COLE PORTER…, na voz de ELLA, BILLIE, SINATRA, entre vários. E a BOSSA NOVA talvez tenha sido o último ato da grandeza musical “tradicional conservadora”. E tudo isto culminando no final dos anos 1950 do século passado!

No mesmo espaço/tempo, o R&B e o ROCK AND ROLL comiam solto feito por incontáveis grupos de DOO-WOP, ELVIS PRESLEY e contemporâneos.

E nem vou citar as experiências radicais na MÚSICA CLÁSSICA contemporânea – como a MÚSICA ELETROACÚSTICA – também em curso subvertendo o gosto tradicional, e acrescentando mais elementos de ruptura fundamental.

Talvez a década de 1950 tenha sido o período histórico onde ocorreram as mais significativas erupções e terremotos estéticos.

SUN RA não existiria sem este amplo painel, composto por contradições procurando sínteses e saltos à frente.

A entropia foi o FREE JAZZ, sucedido por uma quase-reorganização da vanguarda com o AVANT-GARDE. Ao mesmo tempo, vieram os BEATLES e os formatos tradicionais simplificados tomaram a cena novamente.

Até que…
Publicação original: 21/02/2018

ANTÔNIO JACINTHO GARINI – JORNALISTA

Os que estão mortos há muito tempo vão sumindo da visão que a memória preserva, esbranquiçando-se como se retornados à placenta – para antes de terem nascido. Tornam-se miragens resguardadas por um líquido que as transparecem, trêmulas, e cada vez mais sem detalhes. “Os mortos são ingratos, eles não nos abandonam “- escreveu o Fabrício Carpinejar, poeta contemporâneo, atuante e atual. Os mortos nos são gratos, nós não os abandonamos…sabemos todos que permanecem.

O Garini foi jornalista conhecido em São Paulo, homem vivido, culto e autodidata. Militou na imprensa do final dos anos 1940, eu acho, até o final dos setenta – tenho certeza. Era enérgico, leitor contumaz e boêmio assumido. Gostava da noite e, como alguns de nós, tinha atração intelectual pelo “wild side”, pela periferia, a vida dura dos humilhados e ofendidos, e a malandragem, que retratou em crônicas de jornal, na Última Hora, nos anos 50 e parte dos 60.
GARINI Cobriu a polícia, foi editor de jornalismo em rádio, principalmente. Era amigo do Jô Soares, do Ignácio de Loyola Brandão, do escritor João Antonio. E orientou o início de carreira do Fausto Silva e do Wanderley Nogueira, entre tantos outros. Foi se recriando como um dos cronistas radiofônicos mais escutados na cidade. E acabou nome de rua habitável no Jardim Imperador, em São Mateus, zona leste de São Paulo.

Tinha humor explícito, inteligente e mordaz. Tratava a mim e ao meu primo Betão como “Analfasérgio” e “Analfabeto”. Faz tempo, estava coberto de razão. Começou a ficar surdo; os irmãos alertaram e ele respondeu: “melhor; assim eu não preciso ouvir besteiras”. Um dia eu e o Betão “nos oferecemos” para sair com ele nas baladas da época. Pirralhos pentelhos e roqueiros que éramos, insistimos. A resposta: -“vocês têm grana para acompanhar?” – Quanto, Tonico? – “Sei, lá. Eu vou ao Gigetto encontrar uns amigos para jantar, e pedir um rabo de galo para começar: Vodca Wiborova com Carpano Punte e Més, italiano. “Ceis encaram?” – Não. Éramos um pouco mais que indigentes, com alguns trocados para tomar cerveja e olhe lá. Sem falar que menores de idade. ´

Cada macaco ficou em seu galho. O do Garini era bem mais em cima, na árvore.

Ele morreu relativamente cedo, em 1979, se não me engano. Tinha perto de 60 anos. Um câncer da pesada o abateu em pouco tempo. Quem cuidou dele, e da melhor forma possível, foi o Dr. Dráuzio Varella. Sua morte repercutiu. Sua arte ficou num livro de crônicas de rádio muito ouvidas, que ele escrevia diariamente, e o tema sempre era a cidade de São Paulo. Vendeu bem, naquele momento. Mas, o livro não refletiu quem ele era e o quanto ele sabia.
Fui honrado pela herança da boa biblioteca que deixou. Conservo muita coisa, e aprendi outras diversas zelando por patrimônio eclético e interessante.

Tudo considerado, provavelmente como a maioria de nós será, certp dia o TONICO foi parado pela blitz que o corpo promove. E, como a maioria de nós, quem sabe, achou que saiu antes do tempo regulamentar.

No entanto, como poucos de nós fez muito mais do que achou que tinha feito. Ele permanece em mim.

postagem original 22/02/2015

BEATLES – MAGICAL MISTERY TOUR E OS FANTÁSTICOS SINGLES DE 1967

A POSTAGEM É MENOS SOBRE O DISCO EM SI, EM QUE ESTÃO REUNIDOS ALGUNS DE SEUS MELHORES SINGLES, E CANÇÕES NITIDAMENTE PSICODÉLICAS DE ALTA QUALIDADE!

NÃO VOU COMENTAR SOBRE PENNY LANE, STRAWBERRY FIELDS FOREVER, I`M THE WALRUS, E OUTRAS VANGUARDISTAS E ETERNAMENTE BELAS.

O FOCO É UMA PEQUENA E QUASE INGÊNUA OBRA PRIMA CHAMADA “HELLO, GOODBYE”!

UMA CANÇÃO SOBRE INCOMPATIBILIDADES, NEGAÇÕES, DISCÓRDIAS E UM MONTE DE CACOS PERFEITAMENTE ENCAIXÁVEIS NOS DIAS DE HOJE!

“YOU SAY YES, I SAY, NO!

YOU SAY STOP, AND I SAY GO”…

MINHAS CONVERSAS, AQUI NO FACEBOOK, PRINCIPALMENTE SOBRE POLÍTICA SEGUEM ESTA FÓRMULA. ALIÁS, JEITO ETERNO DA HUMANIDADE TAMBÉM RELACIONAR-SE: CONTRAPOSIÇÃO SEM NARRATIVAS; COISA NORMAL ENTRE CASAIS, AMIGOS, E INTERAÇÕES DIVERSAS.

ETERNO AMIGO/IRMÃO FALECIDO, ALDAHYR OLIVEIRA RAMOS, COM QUEM CONVIVI DESDE MINHA PRÉ-ADOLESCÊNCIA ATÉ SUA MORTE, TINHA COMIGO ESSAS INCOMPATIBILIDADES.

DISCORDÁVAMOS MUITO E SOBRE MUITAS COISAS. EU DIZIA SIM E ELE NÃO; VAI E ELE FICA… BEATLES NA VEIA…

TÍNHAMOS VISÕES DE MUNDO DIVERGENTES, E TEMPERAMENTOS OPOSTOS, MAS QUE JAMAIS INTEREFERIRAM EM NOSSO AFETO, AMIZADE E CONVIVÊNCIA CONTÍNUA POR QUASE 50 ANOS.

QUANDO ELE MORREU, EU E OS OUTROS NOSSOS AMIGOS, TAMBÉM ÍNTIMOS DELE, TIVEMOS REAÇÕES CATÁRTICAS!

ELE ERA BEATLEMANÍACO FANÁTICO E AGUERRIDO MAS, EM SEU VELÓRIO, AS IRMÃS TOCARAM O “WE ARE THE CHAMPIONS” DO QUEEN, BANDA QUE ELE TAMBÉM GOSTAVA.

PORÉM, A MÚSICA PERANTE TODOS NÓS QUE MAIS O BEM EXPLICAVA É

“HELLO, GOODBYE ” .

HOJE, ACHO EU , É A MÚSICA DEFINIDORA DOS TEMPOS ATUAIS. LOCUÇÕES SINTÉTICAS, CONTRAPOSTAS SEM MAIORES EXPLICAÇÕES.

SEM OS BEATLES TUDO FICARIA MAIS DIFÍCIL E SEM GRAÇA!
postagem original: 23/02/2021

BECK: MUTATIONS, 1998 & SEA CHANGES, 2002.

OS DISCOS NEOPSICODÉLICOS DE UM ARTISTA ORIGINAL NO ROCK ALTERNATIVO.

BECK talvez desafiando a esfinge tenha proclamado: DEVORA-ME. EU TE DECIFREI!

Mas, tio SÉRGIO!!! Você bebeu e ouviu tudo errado de novo?

Quem sabe.

Afinal, uma resenha não é uma crítica. Não tem abrangência e nem pretensão.

Foca em algumas ideias que podem, ou não, refletirem parte do real analisado. É um pequeno sumário de hipóteses. Espécie de MICRO-ENSAIO sobre futilidades não cotidianas.

Conheço e tenho os discos da postagem desde o lançamento. Eles me interessam. Integram a coleção pela inquestionável qualidade, e até relevância histórica.

Ambos retomam o ROCK PSICODÉLICO dos anos 1960 em duas perspectivas que, penso, são complementares e inclusivas.

Em meados da década de 1990 ressurgiu, principalmente na Inglaterra, um movimento de recuperação da herança artística e despojos da PSICODELIA original.

A NEO-PSICODELIA foi assumida por bandas BRIT-POP como RIDE, THE VERVE, CHARLATANS (UK) , RAIN PARADE, entre vários. Há discos notáveis dessa gente toda.

BECK é americano, e talvez tenha fechado a tendência com esses dois discos. Mas, o fez “on his way”: MONTOU SABOROSAS SALADAS DE FRUTA À PARTIR DE UMA SALADA DE “TRETAS”.

MUTATIONS – 1998

Quando escutei identifiquei prontamente que ele fizera um disco sob a visível influência dos PSICODÉLICOS AMERICANOS.

Homenageou a turma do FOLK-ROCK; do COUNTRY – ROCK e os GARAGEIROS CULTS recuperados à partir do final dos 1970.

O início do disco tem gosto de JEFFERSON AIRPLANE; e um quê discreto de ELECTRIC PRUNES. Mas, o cerne é o BOB DYLAN ELETRICO, pós FOLK, enveredando para o COUNTRY ROCK (John Wesley Harding ). Há, também, tinturas dos BYRDS da mesma leva ( Sweetheart of the Rodeo ).

E a tudo isto se adiciona o LOVE, PEARLS BEFORE SWINE, e GENE CLARK – algo esmaecidos…

Mas, quando pensei que havia decifrado a esfígie, BECK entra com ‘TROPICALIA”, num misto inusitado de GILBERTO GIL E TOM ZÉ. E, não para por aí: surge um lusco-fusco de TOM WAITS, no vocal dele. E uma lembrança meio LED ZEPPELIN / YARDBIRDS – talvez ecos de “House of the Holly” .

Assim que o caminho parecia orientado, BECK faz aparição cantando feito RAY DAVIES. E culmina emulando SYD BARRETT!!!!

Se entendi o despiste, parte de DYLAN resvala em TOM WAITS, caminha para RAY DAVIES, e faz o rito de passagem para o SYD BARRET, do primeiro PINK FLOYD. Seria?

SEA CHANGES – 2002

É a sequência mais bem elaborada do MUTATIONS, a meu ver.

Um disco fundamental da primeira década do milênio.

O foco é a PSICODELIA INGLESA, onde até o “FLOWER POWER” é triste, desencantado, e lúgubre.! A Inglaterra é fria, pouco sol, chuva, nevoenta. Então…

Os mais otimistas, feito DONOVAN, também eram sorumbáticos.

BECK toma como base o PINK FLOYD , lado 2 do “ATOM HEART MOTHER”, a pegada FOLK PSICODÉLICA de “Summer 68”. A guitarra à DAVE GILMOUR transpassa o álbum todo.

Eu vejo traços de compactos PÓS-BEAT dos SEARCHERS. Quem puder escute “Second Hand Dealer”. de 1965. Há algo dos STONES buscado em “Dandelion”, e outras. E tangencia os BEATLES no Rubber Soul.

Tudo ruma para retomar SYD BARRET, temperado com NICK DRAKE, SANDY DENNY – os depressivos de sempre -; mas envolvidos em sombras dos melotrons à MOODY BLUES, um pouco do THE MOVE, e outros nada alegrinhos…

Para vocês terem uma ideia menos escura é como se “PERFECT DAY”, de LOU REED, fosse música sobre um domingo alegre!

Há uma sequência de faixas, no final, “Already dead e Sunday Sun”, que dizem bastante sobre o clima do disco. E tudo cantado ao estilo RAY DAVIES, dos KINKS, outro que esbanja alegria pelos poros. BECK focou e criou sobre tudo isso aí.

Seria?

O texto original desta resenha foi dedicado ao meu amigo Elvio Paiva Moreira que, uns quatro anos atrás foi à horta ( a discoteca dele) puxar um maço de cenouras, e levantou uma baita lebre!!!!
Texto original: 23/02/2020