CAMINHAR CONTRA O VENTO, A CHUVA, E O ÓBVIO

Tarde bela, mas sentimentos algo mórbidos passam em FLASH BACK pela memória.

Não adiantou HUMBLE PIE, JIMMY WITHERSPOON, e um PROGRESSIVO que não tenho, ainda, a menor ideia do que seja: BORDERLINE, em “Sweet Dreams and Quiet Desires”… Do you?

E peguei a “clássica” Country Rocker / Rockabillier BRENDA LEE, em excepcional CD com 36 faixas da série ROCKS. Em seguida, uma das miscelâneas de DOO WOOP – vocês sabem o que é? Qualquer hora eu escrevo a respeito – da coleção STREET CORNER SYMPHONIES. E ali tem de tudo: de SHIRELLES, a FOUR SEASONS, IMPRESSIONS, DRIFTERS, TEMPTATIONS, SUPREMES, aos ISLEY BROTHERS; e ambos discos lançados pela incomparável BEAR FAMILY RECORDS!

Desfilaram também, pela “VITROLA”, o grande maestro PIERRE BOULEZ regendo THE PERFECT STRANGERS composta por FRANK ZAPPA, em lançamento de 1984… De fato, é uma luz sobre a inteligibilidade possível para a obra iconoclasta e criativa de ZAPPA.

Escutei, mesmo, foi o último do DAVID BOWIE, “STARS”. Disco terminal pós “THE NEXT DAY”, portanto, o “DERRADEIRO ÚLTIMO” do gênio peripatético-mutante-transeunte -“PERMANECENTE”… Opa!!!! criei neologismo!!!!

Como eu nunca digo, “QUANDO O CORPO JAZ É NADA JAZZ”. E, como prefere um amigo, “O VELÓRIO É A ÚLTIMA HUMILHAÇÃO” a que quase todos nos submeteremos”.

É fato, e acho inevitável, porque rito de passagem obrigatório “para os que ficam”. Prometo ouvir melhor, mais…amiúde… Mas, não tenho clima para tanta coragem que o BOWIE exala e certifica….

Sem pressa, dona Vida. Vá mais devagar!

Eu jamais disse, mas confirmo: “A VIDA É UM SEGMENTO DE RETA, COM TRILHA SONORA OSCILANDO DE LOU REED a ROBERTO MENESCAL. Vivemos passeando no “WILD SIDE”. E o “BARQUINHO” vai singrando do ritmo em BOSSA NOVA, ao THRASH METAL e HARD CORE”. O LOU eu trouxe para cá em disco algo … algo… algo… ah! qualquer hora escuto melhor….E terminei com BILL EVANS, que não tem erro, com algumas exceções meio fora de foco que perpetrou.

Foi tudo feito meio fora dos orifícios sexuais legitimados. Quer dizer, ouvi meio nas coxas…

Então, ofereço um chopinho por conta de cada um de vocês. E, em vez do viva!, “VIVAM”!

O carnaval é metáfora algo restrita para o que viver realmente implica…
Texto original 09/02/2024

MICHEL FOUCAULT – E O ESTUDO

Taí um autor essencial da modernidade. Dificílimo de ler e, como todo grande teórico, necessita de bons professores ou livros de referência ao lado para mais bem compreender.

EU NÃO ACREDITO EM QUEM DIZ QUE LÊ CARAS COMO MARX, FOUCAULT, KANT, DERRIDA, E IMENSA CATERVA, NUMA BOA.

Não são para serem lidos, mas estudados passo a passo, compondo um painel de compreensão que leva tempo, exige muito trabalho e concentração.

Quem se dispuser que faça bom proveito. Eu, nunca mais…, acho, sei lá!!!!

DAVID BOWIE E A MORTE: O PÉRIPLO RUMO AO FIM

CAZUZA definhou em praça pública; FREDDIE MERCURY em casa, e DAVID BOWIE no estúdio.

Três artistas corajosos, ousados e três atitudes reveladoras.

É muito comum. O fluxo da vida é interrompido, vem o choque e a espera pela inexorável hora de acabar. Tudo estanca e a nave aponta para o derradeiro pouso. Câncer no fígado é difícil…

BOWIE revelou um desprendimento e uma coragem que boa parte de nós duvidaria. Foi até o final, e deixou dois álbuns feitos no período de luta e perda.

Já cansado, voz sem força, mas a determinação de sempre para estender a vida até o seu limite. ENCAROU A MORTE, VITÓRIA DA VIDA…E acabou no ESTÚDIO.

Depois, viajou para LONDRES, reviu sua origem e caminhou para o adeus. PÉRIPLO CONSCIENTE PARA O APOGEU CONSTRUÍDO POR LIBERDADE PESSOAL ABSOLUTA, certezas cultivadas e, talvez, a melhor obra entre seus pares mais famosos no mundo POP-ROCK-OUSADIA.

Estive escutando e gostando de uma versão mais sofisticada de seu penúltimo disco: “THE NEXT DAY”. Faixas bônus de montão, portanto trabalho pra valer. Tudo muito bom, tudo muito Bowie. E, principalmente, tudo gloriosamente humano.

DAVID BOWIE: IMENSO, OUSADO E INSUBSTITUÍVEL!

Texto original 09/02/2019

LAMONT DOZIER – INSIDE SEDUCTION – 1991

COM ERIC CLAPTON E PHIL COLLINS

 

LAMONT DOZIER era parte do trio que levantou a MOTOWN RECORDS, na década de 1960, escrevendo e, no caso dele, arranjando para artistas como “THE SUPREMES”, “FOUR TOPS”, “ISLEY BROTHERS”, entre incontáveis .

Ele conhece por dentro SOUL, R&B, e tudo o que se refere a fazer música negra de sucesso, como prova a grife HOLLAND – DOZIER – HOLLAND, a base do MOTOWN SOUND.

Nesse disco, LAMONT trouxe dois amigos e fãs para ajudar. CLAPTON na guitarra – é óbvio! – e PHIL COLLINS na bateria. O restante foi com ele mesmo: teclados eletrônicos em profusão.

E o problema é precisamente esse. Tentou de alguma forma atualizar sua “griffe”…

Publiquei o disco porque exemplo típico do pior, mais irritante e brega foi feito nos anos 1980/1990, com SINTETIZADORES e PARAFERNÁLIA ELETRÔNICA. Acho que não ornou, digamos assim…

Músicas e arranjos melosos a ponto de levar diabéticos ao coma. E feito quando a eletrônica já estava sendo mais bem utilizada. É disco datado, mesmo que “COLECIONÁVEL “.

E quanto a CLAPTON e COLLINS? O trivial.

Ouçam e constatem.

Ou, não?
texto original: 09/02/2020

 

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QUERIDA E AMADA TIA DIVA GARINI:

“A vida é o que acontece com você, enquanto você faz planos para ela”. Encontrei esta frase, atribuída a John Lennon, em um cartão de aniversário, enquanto procurava documentos para providenciar o enterro de tia DIVA. Ela morreu, dia 29 de agosto de 2015; foi-se muito rapidamente aos 88 anos. Não sofreu.

Toda vida é completa por si mesma. Não é, geralmente, o que cada um pensa a respeito de sua própria. Mas, ela é.

Quando a vida se acaba e a energia que nos mantêm solares cessa, a feição de luas pálidas sobrevém e se mantém, até nos auto-consumirmos e voltarmos ao nada. Pelo menos o corpo que a suporta…

Sobre o espírito especulamos e desejamos que seja eterno. Não pedimos para nascer e a maioria de nós vai embora compulsoriamente.

Somos assim, segmentos de reta, finitos num universo impensável; inesquecíveis para um círculo pequeno de amigos e parentes – enquanto não nos esquecem…definitivamente.

Tia DIVA era pessoa de fé. Católica por formação e quase espírita por aprendizado; como boa brasileira não resistiu aos apelos por algo a mais que lhe tornasse inteligível o viver.

Diva tinha um quê de budista no comedimento, na recusa às grandes emoções, às paixões súbitas e a quaisquer arroubos ou cenas.

Viveu bem, mas a meio-pau. Não exacerbou, não sofreu intensamente por nada ( que se saiba ), mesmo tendo sido constantemente solidária com os que convivia e gostava. Era amada por todos e certamente nos amou, também.

Foi professora, era solteira, independente, e algo severa e rígida.

Jamais soubemos de algum alguém que a tivesse tirado do sério. Duílio, um dos irmãos, que também já cumpriu a tabela no jogo da vida, certa vez brincou perguntando se ela pretendia morrer “invicta”.

Ninguém sabe, ninguém viu e, em família, pouco se especulou sobre isso – eu acho. DIVA viveu como quis e às próprias custas. Foi feliz?

Na juventude e na maturidade foi mulher bonita e atraente. Era simpática, educada e fina. E ALDAHYR, amigo de todos nós, que também já percorreu os dezoito buracos do “green”, quando adolescente nela reparava atributos que, para nós sobrinhos, não seria, digamos, legal observar.

Acho que ela jamais soube. Mas, o que acharia disso na intimidade?

Eu e os primos mais próximos convivemos com ela a vida inteira. Quando criança morei em sua casa e com os outros tios solteiros – Tonico, Norma, Juliano e a vó Maria, também. Foi um período interessante, de formação, que deixou em mim detalhes de caráter marcantes. Recentemente, eu soube que, de certa maneira, “os meus direitos federativos” foram “emprestados” para que DIVA e irmãos dessem um jeito em mim.

Parece que minha mãe não me aguentava, que eu dava trabalho além da conta. Eu jamais me vi assim. Vai saber…

Por essas e outras – muitas outras – sou grato à DIVA GARINI pela convivência que ela a mim e a todos propiciou.

Na semana derradeira, como sempre eu e Angela estivemos presentes quase todos os dias. Os primos próximos, também.

Um dia antes de entrar em coma, conversamos bastante e ela me agradeceu por estar lá. Não precisava. Todos fizemos por afeto e gratidão.

DIVA se foi tão discretamente quanto viveu. E nós permanecemos feridos e saudosos dos capítulos que escrevemos juntos. Deixou memórias no profundo da alma dos conviveram juntos a ela.
TEXTO ORIGINAL 01/09/2015

ERIC CLAPTON, DAVE BROCK & HAWKWIND LIVE – NOVEMBRO 2019

Quanto mais rezamos, mais despertamos fantasmas que nos habitam. E isso é muito bom!

E ficou melhor ainda quando ERIC CLAPTON subiu ao palco do ROYAL ALBERT HALL, em Londres, para tocar em show comemorativo de 50 anos do HAWKWIND!

Era para ele ter feito duas ou três músicas, mas permaneceu o CONCERTO inteiro por iniciativa própria. Pode significar que está melhorando da doença degenerativa que o impedia de andar normalmente e tocar guitarra.

Graças ao universo e suas divindades; à medicina, aos médicos; e à torcida organizada urbi et orbi! ERIC merece e nós precisamos!

Mas, dirão vocês e o TIO SÉRGIO concordará: “WHAT PORRA WAS THAT?” Tocar com HAWKWIND?

Precisamente, madames e cavalheiros: CLAPTON e DAVE BROCK são amigos desde os anos 1960. São amantes do BLUES.

Aliás, é a simplicidade formal do BLUES que orienta a pauleira brava do HAWKWIND. Um compósito MÚSICA AMBIENTE, KRAUTROCK, e ROCK PROGRESSIVO algo meio MOODY BLUES, nesta poção mágica pesada e inusitada conhecida por SPACE ROCK.

O HAWKWIND está e permanece na área junto com os 78 anos de DAVE BROCK, na época! A banda é, também, ponto de encontro da modernidade pesada do ROCK. Jamais esqueçam que O MOTORHEAD saiu dali. O PROTO-PUNK METAL do trio é fatia indigesta desse bolo sonoro. LEMMY KILMINSTER tocou por 4 anos no “WIND”, antes de partir para a gandaia total…

E onde entrou CLAPTON no enredo? Nos slides de guitarra e HARD BLUES de base da banda. Foi certamente inesquecível ver ERIC solando “ASSAULT AND BATTERY”, e outras iconoclastias. Uma festa de RITMOS, ELETRÔNICA e ROCK PESADO.

LEMMY deve ter gostado. E o público, disseram os críticos, amou! Mas, faltamos eu, vocês e uns PINTS de cerveja naquela noite talvez histórica!
Texto original: 08/02/2020

MEMÓRIAS DO MEU SEGUNDO ESCOMBRO DIGITAL

 

Estou em guerra de extermínio contra o meu computador. Este é o segundo de safra antiga, porque o primeiro simplesmente aniquilou com um livro que tentava escrever, e desfigurou outro que Angela vinha fazendo.

Aliás, estamos ele e eu mutuamente num ciclo de agressão e intolerância progressiva. Ele está velho e eu também. Ele é teimoso e eu idem.

A Angela tem me dito, há tempos, para aposentar essa ruína pós-moderna e comprar outro melhor, mais prático, mais tudo. Ela tem razão, mas eu venho adiando o inevitável em parte por comodismo, e também, planejamento de prioridades. Grana é sempre facilitador ou empecilho…

Acontece que substitui-lo é essencial. Porque como todo mundo, não consigo viver sem computador. Eu preciso dele – um locutor silencioso de minha voz escrita (Vige!!!). Ultimamente, ele me declarou “personna non grata”. E eu o condenei como satã que trunca minhas ideias, impede os trabalhos, subserve a meus planos, e conspira contra a minha paciência.

O computador-escombro acaba ganhando todas. Afinal, a raiva é minha. Mas, a vingança é dele… O impasse é total. A engenhoca não manda em mim, e eu não a comando mais. Está na hora do divórcio; quem sabe litigioso e com baixaria. Talvez eu seja preso pela atitude medíocre de agredir um “quê” inanimado.

Em fúria, mas com calor ( e quê calor! ) e afeto, subscrevo-me, em pé de guerra!!!

Ah, já o substituí faz anos e, por enquanto, estou me dando bem com este aqui! Até sei lá quando!!!!!
Postagem original 2014

MILES DAVIS – BLACK BEAUTY – 1970

O disco foi gravado AO VIVO no FILLMORE WEST, em São Francisco, o “planetário” do ROCK PSICODÉLICO e PROGRESSIVO do início dos anos 1970.

E traz MILES DAVIS acompanhado por CHICK COREA nos teclado; DAVID HOLLAND tocando baixo; JACK De JOHNETTE, baterista; STEVE GROSSMAN, sax soprano; e o brasileiro AIRTO MOREIRA, na percussão.

É JAZZ FUSION ELÉTRICO da melhor qualidade, e bem no clima dos grandes concertos de bandas americanas de ROCK PROGRESSIVO PSICODÉLICO, como o GRATEFUL DEAD, JEFFERSON AIRPLANE, CHASE, MADURA e outras daqueles tempos.

É o MILES da fase BITCHES BREW “ENROQUECENDO” o “FREE JAZZ” e as experimentações de vanguarda.

Como de hábito, é um show de bola com músicos em via de consagração. Alguns por aí ainda hoje!

Os que acusaram o JAZZ de haver decaído, não se deram conta do quanto o ROCK se sofisticara e evoluíra!

Hoje, fusões de todos os tipos são o MAINSTREAM do POP. Só que MILES DAVIS é vanguarda em quaisquer de suas fases, e em qualquer tempo, C.Q.D…

Não percam, este álbum faz parte de alguns ” quase piratas ” do imenso acervo que a COLUMBIA RECORDS preserva, e foi lançando no decorrer dos tempos…
postagem original em 05/02/2019

SERRA ABAIXO: GUARUJÁ

Aeroportos, estações rodoviárias e ferroviárias … locais de envio para outros micro-mundos. Ritos de passagem, esperas, demoras. Eu tenho calafrios; ansiedade.

Gosto de chegar, ver chegar… Viajar? Talvez. Partir? Não. Talvez porque signifique abandono. Deixar quem amamos. O desconforto do desapego. Desaconchego?

O terminal Jabaquara fica perto de onde quase acaba São Paulo, num dos pontos de expulsão para o litoral serra abaixo. É limpo como a maioria dos terminais. Mas é simples, algo lúgubre e com o barulho dos aviões que chegam e partem do Aeroporto de Congonhas.

O ônibus para o Guarujá saiu às 20,20 horas. Vizinhos de bancos cansados. Dia longo para todos, certamente… E chegar cada um sabe onde. Nenhuma comunicação. Humanos interrompidos.

Cheguei às 19,50. Vim de um restaurante recôndito, num bairro nobre agradável. Lugar somente curtido pelos moradores e ou quem lá trabalha. A exceção foi o dia em que entrou Aécio Neves. ..

Gosto do lugar. Comida quase boa, bebida gelada e garçons simpáticos. O ônibus saiu na hora; é quase confortável. Ordem : colocar o cinto de segurança. Partimos. E paro por aqui. Os buracos impedem escrever no celular. Minha garrafa de água sumiu.

MILES DAVIS – DARK MAGUS – 1974

Esse disco é a base do concerto que MILES DAVIS e banda fizeram quando passaram pelo Brasil pela segunda vez, em 1974.

Eu estava lá, no TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO, e vi aquele gênio original, ousado e vanguardista, tocando seu TROMPETE acoplado a uma pedaleira de guitarra, wah-wah, eco e tudo o que a tecnologia da época permitia!

Devastador!

Para um rocker como eu e amigos que estavam lá comigo, foi um bacanal sonoro iconoclasta.

Na metade da apresentação houve intervalo; e os mais velhos se retiraram protestando. Não era o MILES que por aqui estivera em fins dos anos 1950!

Ao contrário, havia aderido ao JAZZ FUSION. E trouxe uma banda jovem, com 3 guitarristas, baixo, bateria, dois percussionistas, e mais dois nos sopros. Foi tamanco sem couro: pau puro!

Quanto chegamos ao MUNICIPAL passamos por um preto magrinho e COOL, usando enorme echarpe; e postado nas escadarias fora do teatro. Era MILES DAVIS observando as potenciais vítimas ou futuros e reverentes cultores.

O que fizeram MILES e músicos é vanguarda até hoje, passados perto de 50 anos! Música livre, entrosada, mas sem roteiro muito definido. Na prática, um ROCK DA PESADA e sem piedade ou concessões. O concerto abalou o conservador, histórico e recatado principal teatro da cidade!

O repertório saiu pela primeira vez em disco no Japão, nos anos 1990 do século passado, após a morte de MILES DAVIS, em 1991. Depois, uma avalanche de discos inéditos, shows e vasto escambau foi despejado mundo afora!

Eu calculo que mais de 120 discos/CDs foram lançados ou relançados. Uma universidade sonora para estudo e curtição dos fãs, e todo o mundo.

Na edição limitada acima, o saxofonista e flautista DAVID LIEBMAN, que estava na banda, escreve um livreto expondo como o trabalho e os arranjos foram organizados.

Ele cita a criatividade, conhecimento musical e intuição de MILES DAVIS para fazer tocar a enorme máquina sonora que forjou. MILES dava organicidade ao caos domando a liberdade dos jovens músicos da banda.

Mas, não é disco para todos. É duro, multirrítmico, percussivo, e mescla o FREE JAZZ ao FUNK, algo entre SUN RA, JAMES BROWN e SLY & THE FAMILY STONE, em cima de um sub-reptício e recorrente ROCK (JAZZ?) MINIMALISTA.

E, claro, há os sopros, madeiras e metais, também nada convencionais. A começar por DAVIS, e sua engenhoca barulhenta: um trompete soando a galáxias do BE-BOP e de qualquer racionalidade tradicional!

Como disse um integrante da banda, à época, “MILES IS MILES AND MILES AWAY!” Um vulcão arrasador!

Verifique – se aguentar ou duvidar!!!! É para joviais e inconformistas. E, principalmente, para os que não perderam o humor e a curiosidade.
Original publicado em 04/02/2019