“INSÔNIAS: E O “OUTONO DE MINHA LOUCURA”! MEMÓRIAS DO PROCOL HARUM; GRATEFUL DEAD; JEFFERSON AIRPLANE. E A INSANIDADE CRIATIVA DOS PIXIES

“In the autumn of my madness, when my hair is turning gray”… canta GARY BROOKER, em uma das faixas de “SHINE ON BRIGHTLY”, 1968, obra maior do genial, subavaliado e irrepetível “PROCOL HARUM”!
Clássico do ROCK na transição entre o PSICODÉLICO e o PROGRESSIVO, é disco acessível para quase todo gosto musical.
É Lindo e triste; “BRITISH”. A construção das letras é sublime. Eles tinham letrista exclusivo, KEITH REID; sofisticadíssimo, em nível da música que o PROCOL HARUM fazia.
GARY BROOKER morreu. Assim, como FREDDIE MERCURY e JIM MORRISON, ele deixou uma cratera intransponível. Não haveria jeito de continuar o grupo. Certas perdas são definidoras e definitivas.
Quase sempre me vem à cabeça esta faixa quando a insônia recorrente assola, e desencadeia medos e paranoias. E ativa desconexões entre os fatos objetivos. Ela realça o lusco-fusco sonolento que tranca o raciocínio, e me faz sofrer antecipadamente por algo que, talvez, jamais ocorra. É parte do outono da minha vida – loucura? É possível. Eu estou envelhecendo….
Algum tempo atrás, eu li no Estadão que BILL KREUTZMANN, baterista e fundador do GRATEFUL DEAD, estava lançando livro de memórias. Detalhe: as que ficaram, sobreviventes do excesso de drogas, álcool, sexo e tudo o mais que mitificou os “1960”; da cultura hippie à contestação política e comportamental. BILL não se lembra dos CONCERTOS, das JAM-SESSIONS ininterruptas, verdadeiras “RAVES SEM D.Js”.
JERRY GARCIA, mito do ROCK, líder, guitarrista, e também fundador do GRATEFUL DEAD, morreu durante um processo de desintoxicação. Teve um infarto, aos 53 anos, em 1995. O estado “natural” dele sempre fora estar constantemente “nublado”. JERRY preferiu ser livre e se drogar indefinidamente. E o corpo definiu: “e finito!”
JERRY GARCIA não teve tempo de escutar o professor, filósofo e historiador, LEANDRO KARNAL que, recentemente ponderou: “é preciso ter cuidados nesse debate sobre a liberação das drogas. Porque todo viciado é um dependente”.
Mais claro, impossível.
O GRATEFUL DEAD é, certamente, a banda americana de ACID-ROCK, também conhecido como PSICODELIA, mais famosa de sua época. Porém, tornou-se empresa que produz, vende, administra, os RITOS que mantêm o MITO em movimento. Estão corretos. Quem não age assim, é explorado e morre.
O GRATEFUL DEAD começou como todos. Inspirados nos BEATLES, STONES e na turma do COUNTRY e do BLUES. O primeiro disco é bastante convencional. Mas, do segundo em diante, para usar a expressão da época, houve DESBUNDE total. Eles nunca mais REBUNDARAM!
O charme do GRATEFUL DEAD é a constante improvisação, principalmente nas gravações ao vivo. As performances lembram resquícios do FREE – JAZZ , na tentativa de expandir a música “ad-infinitum”. Mas percebe-se nitidamente alguma limitação técnica, e repetição nos desempenhos.
É a forma livre de ver e executar obras que mesclam BLUES, ROCK e algo de JAZZ; sempre e exalando um quê da COUNTRY MUSIC…. O GRATEFUL DEAD têm um extenso fã clube, que os idolatra acima de tudo: os DEADHEADS! Eita nominho!!!!
Entre os contemporâneos, eu prefiro o JEFFERSON AIRPLANE, também americano da Califórnia. Faz músicas mais enxutas; EXPERIMENTAL e MUSICAL na medida certa. O caras eram tão desviantes comportamental e filosoficamente quanto o DEAD. Ambos faziam ROCK com estilo e imediatamente identificável.
Deixei exemplos dessa turma “nublada” na foto…
Por causa da insônia, noite incerta acabei assistindo a show dos PIXIES, feito em 2006. É a diferença entre o pato e o sapato: avesso do avesso total do GRATEFUL DEAD, PROCOL HARUM, e os nublados PSICH/PROGS em geral.
PIXIES fazem ROCK, claro; mas de outra estirpe. Talvez seja a banda que mais bem definiu a expressão ROCK ALTERNATIVO. Brilharam entre 1987 e 1991; e influenciaram decisivamente a geração GRUNGE, e bandas como o NIRVANA (US) e todo o novo ROCK que decolou de lá, e resiste até hoje. Já estiveram por aqui, no HOSPÍCIO DO SUL, conhecido como BRASIL. E continuam por aí, impunes…
A música dos PIXIES é dura, curta, visceral, mas bem tocada. FRANK BLACK, o vocalista gorducho e gritalhão, é a improvável mistura de querubim e rebelde sem nenhuma, mas nenhuma causa mesmo! Ele vocifera frases desconectadas, que contam fragmentos de histórias, ou sensações de alguma vivência… FRANK é lenda no PUNK e no GRUNGE; KIM DEAL, a baixista, também é! e JOEY SANTIAGO, o guitarrista eficaz ajuda na gandaia non-sense generalizada.
Se BOB DYLAN “KNOCKS ON THE HEAVEN´S DOOR”; e LOU REED espreita os “WILD SIDES”- os portais do inferno urbano; FRANK BLACK et caterva, parecem saídos de um CURSO PARA TREINAR DRAGÕES: cospem fogo pra todo lado! O público, muito jovem, adora. A gritaria que surge de repente casa com o instrumental insinuante e nem sempre óbvio; são enérgicos, e “anarquicamente organizados”!
Fazem show legal para assistir! Mas, será que eu gosto daquilo? Tenho dúvidas… Em meio ao caos acabei pegando no sono; dormitei e acordei – como está óbvio! Mas a vida nem sempre é tão óbvia assim!
E ainda bem!
POSTAGEM ORIGINAL: 11/07/2022
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TEN YEARS AFTER – BOX SET – 1967/1974 – DERAM, CHRYSALIS RECORDS, E OUTROS COMPLEMENTOS.

A SAGA DE ALVIN LEE, LEO LYONS, CHIC CHURCHILL e RIC LEE nesta BANDA SEMINAL na HISTÓRIA DO ROCK!
Imagine-se na pessoa do guitarrista e cantor de BLUES americano, GEORGE THOROGOOD, quando compôs HAIR CUT? Talvez a música mais legal, em um dos melhores discos que gravou!
GEORGE descreve minuciosamente, com humor e ironia, em um “BLUES – ROCK” da pesada, como era ser cabeludo, meio revoltado, aluno medíocre, e a vida inteira correndo atrás de discos!
A família dele tinha algumas receitas para desentortar o pepino. Mas não adiantou… Ele canta a própria vitória no underground com talento e algo mais…
Vá na estante, pegue e coloque um disco de BRUCE SPRINGSTEEN para rolar. E fique sabendo de frase corrosiva e lapidar que THE BOSS disse pelaí: “Na minha casa havia duas “coisas” impopulares: eu e a minha guitarra…”
Agora, cruze o Atlântico e dê uma parada na IRLANDA. E tome ciência de que o pai de VAN MORRISON era colecionador de discos de JAZZ e BLUES – e sua mãe também gostava e cantava…
Depois, pegue voo até NOTTINGHAM, na INGLATERRA, onde nasceu ALVIN LEE. E descubra que SAM e DORIS LEE, o papai e a mamãe de ALVIN, tinham discoteca “HIP”, fabulosa e rara, de BLUES E JAZZ, inclusive originais em 78 RPM…
Certa noite, foram ao concerto de BIG BILL BROONZY, o histórico BLUES MAN americano, que excursionava por lá. Na saída, carregaram BIG BILL para a casa deles.
ALVIN LEE tinha doze anos, em 1957, e conta que os pais o retiraram da cama para apresenta-lo ao ídolo. E depois, DORIS, BILL e SAM passaram a noite tocando BLUES no violão e cantando…
Conclusão: o JAZZ e o BLUES já circulavam pela GRÃ BRETANHA antes da explosão do BRITISH BLUES, no meio dos “1960”. E alguns pais eram suficientemente abertos para ouvir, comprar discos, e até incentivar aquela geração revolucionária! Ou seja, não faltou motivação. E deu no que deu…
Cortando caminho, o TEN YEARS AFTER desde o embrião, em 1962, e daí em diante, é criação de dois jovens músicos determinados e trabalhadores: ALVIN LEE, guitarrista e cantor; e LEO LYONS, baixo – o mais insistente, empreendedor e resiliente dos dois. Foi LEO quem cavou os primeiros contratos, impulsionou o fazer.
Aguentaram o papo das namoradas e o clássico atemporal: “ou eu, ou a banda”, ecoado universo afora…; Eles resistiram por todo “o” sempre… Foram amigos e parceiros de negócios o tempo inteiro. A banda era deles.
Juntos, toparam comer o pão que Asmodeu fermentou. Estiveram como JAYBIRDS em HAMBURGO, em 1962, no STAR CLUB, o caminho “natural” dos ingleses do BEAT/R&B da época. Lá, ALVIN LEE e LEO LYONS desenvolveram habilidades para tocar em conjunto. O SET da banda durava horas e não dava para cantar o tempo inteiro. Eram dois craques em seus instrumentos; e são a base JAZZY/BLUESY do futuro grupo.
Quando retornaram à INGLATERRA, aos poucos armaram o TEN YEARS AFTER. Veio CHIC CHURCHILL, tecladista e pianista excelente; em nível de ALVIN E LEO. E acharam RIC LEE, o baterista ideal e sem frescuras, que sabia garantir o ritmo e o andamento para os três outros brilharem. Cozinha e sala completadas, botaram pra quebrar.
O quatro são fundamentais para esse grupo formidável destacar-se já em 1967!
E a sorte ajudou. A gravadora DERAM ficava na sobreloja, em cima do KLOOKS KLEEK, clube de JAZZ e BLUES de LONDRES, onde tocavam JOHN MAYALL, AYNSLEY DUNBAR, o TEN YEARS AFTER e muitos e muitos outros.
Fizeram teste. Os executivos não gostaram. Mas MIKE VERNON, histórico produtor, assistira ao show sensacional que o TEN YEARS AFTER fazia, insistiu na contratação; e produziu os três primeiros discos:
TEN YEARS AFTER, 1967, o primeiro, é basicamente o resumo do SET LIST que faziam ao vivo. O segundo, UNDEAD, 1968, gravado ao vivo no KLOOKS KLEEK, foi antecipado por causa do sucesso do primeiro disco na AMÉRICA. É show vibrante misturando ROCK, JAZZ e BLUES na medida ´precisa. Expõe a dimensão do que conseguiam fazer. Musicalmente, é o melhor AO VIVO que gravaram. Empolgante, irrestrito…
O terceiro álbum, STONEDHENGE, 1969, é mais PSICODÉLICO, EXPERIMENTAL, SOLTO, e revela o potencial da banda para outros caminhos. A turma que gosta de testar equipamentos de som precisa ouvir a primeira faixa, “GOING TO TRY”, e observar a técnica de gravação dos TRANSIENTES. É sensacional!
O primeiro disco do “T.Y.A” acabou nas mãos de BILL GRAHAN, o famoso empresário americano, dono de épicos locais de shows: “FILLMORE EAST e do FILLMORE WEST”, palcos de lendas do ROCK e “beyond”…, nas décadas de 1960 e 1970.
Por lá, tocaram o JEFFERSON AIRPLANE, HENDRIX, GRATEFUL DEAD, DOORS, MILES DAVIS, JANIS JOPLIN e os ALLMAN BROTHERS. É resumo pequeno. GRAHAN contratou o “T.Y.A” para uma série de shows, e foi sucesso retumbante!
A odisseia expandiu-se e se manteve até 1974, consolidando o TEN YEARS AFTER entre os grandes nomes da cena mundial do ROCK.
Em 1969, estiveram em WOODSTOCK. Chegaram e partiram de HELICÓPTERO. O show foi histórico; em minha opinião, o melhor do FESTIVAL. Porém, cheio de contratempos; houve chuva torrencial que atrasou o início por 8 horas, e os deixou sentados no BACKSTAGE esperando com pouca água potável e nenhuma comida …
Um pouco antes, haviam tocado no FESTIVAL DE NEWPORT, mais dedicado ao JAZZ, BLUES e FOLK. E, no dia anterior a WOODSTOCK, fizeram show com NINA SIMONE (uau!!!), onde tudo correu bem.
Entre 1969 e 1974, já estabelecidos como HARD ROCK BAND, gravaram mais três discos excelentes pela “DERAM”:
“SSSSSH…”,1968; “CRICKLEWOOD GREEN”, 1970; “WATT”, 1970. E mais quatro pela “CHRYSALIS”: o clássico “A SPACE IN TIME”, 1971; e “ROCK & ROLL MUSIC TO THE WORLD”, 1972. E fizeram o festejado, mas algo desleixado RECORDED LIVE, em 1973. O álbum final POSITIVE VIBRATIONS, foi lançado em 1974.
Banda integradíssima, o TEN YEARS AFTER atuava destacando a guitarra de LEE, o baixo de LEO e o órgão de CHIC. Em seus momentos JAZZY/BLUESY muitas vezes lembrava WES MONTGOMERY e JIMMY SMITH. Sempre FUNKY, mas com o retrogosto típico do BRITISH BLUES.
No ROCK, o baixo se destacava garantindo um HARD BLUES vibrante, tangenciando o PSICODÉLICO E O PROGRESSIVO.
ALVIN LEE, foi vendido pelo marketing como o “guitarrista mais rápido do mundo”. Mas nem sempre conjugava imaginação aos solos. Ele era notável, mesmo quando repetitivo. A sua “tabelinha” com LEO LYONS era eficaz e pesada. E a participação de CHURCHILL turbinava os dois. O resultado está entre os melhores da história do HARD ROCK.
Uma das marcas registradas da banda era iniciar mais lentamente, e acelerar no decorrer da música. Aproveitavam a competência que desenvolveram para tocar o BLUES e liga-lo ao ROCK. O que dava dinâmica e pique aos discos e shows.
Em vários discos que fizeram há faixas memoráveis como WORKING ON THE ROAD, LOVE LIKE A MAN, MY BABY LEFT ME, 50.000 MILES BENEATH MY BRAIN, ONE OF THESE DAYS, I’D LOVE TO CHANGE THE WORLD e claro, I’M GOING HOME – principalmente a versão em WOODSTOCK , antológica e definitiva!
A saga da banda pela AMÉRICA e o MUNDO, entre 1967 e 1974 foi sucesso notável de grana e público. Mas demolidora do ponto de vista físico para os quatro. Os shows eram quase diários, exigentes. LEO LYONS arrebentou as mãos e os dedos nas cordas do BAIXO, houve dias que chorava de dor, contou.
ALVIN LEE acabou-se psicologicamente, mesmo tendo comprado, em 1970, a mansão no campo, com piscina, quadra de tênis, estúdio, e outros quesitos, onde morou por muito tempo.
Muita grana e trabalho enlouquecedor em tempo curto demais os levou à exaustão. A banda rompeu, em 1974. Não conseguiram transitar para algo hoje normal entre os grandes: abrir tempo e espaço para cada um fazer o que quisesse; diminuir e controlar atividades, e assim manter o grupo.
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ALVIN LEE saiu, em 1974, para carreira solo. Estava rico e queria voltar a ser um artista “comum”. Era basicamente um cara tímido. Disseram suas ex-mulheres, que ele era um grande contador de histórias e muito bem humorado! Teve uma filha, JASMIN, que vive e trabalha em LONDRES.
ALVIN morreu em 6 de março de 2013, de problemas no coração, que sofria há muito tempo, e pouca gente sabia. Ele morava na ESPANHA, desde 1994, e continuava trabalhando.
CHIC CHURCHILL e RIC LEE mantiveram a banda viva. E LEO LYON mudou-se para NASHVILLE, USA.
Este BOX foi feito na REPÚBLICA TCHECA, e traz livreto e dez CDS. A qualidade sonora é adequada. Eu não percebi muita diferença em relação aos CDS originais.
Porém, poucas vezes vi trabalho gráfico tão horroroso e mal feito!
As capas são réplicas dos álbuns originais; só que não há capas duplas onde deveria haver. Os CDS não trazem os logos originais das gravadoras. Falha inadmissível.
O BOX tem arte é de quarta categoria, e sem qualquer imaginação. Inaceitavelmente pobre para a produção de uma banda tão importante!. A qualidade das fotos e da impressão ofende a banda, os fãs, e os consumidores! E tudo isso pelo preço revoltante de $65,00! Por isso, TIO SÉRGIO recomenda: Fujam desse BOX!!!
Mas, procurem os discos da banda. O três primeiros, lançados pela DERAM, receberam edições duplas e caprichadas. Eu as mantive. O ideal é aguardar reedições melhores. Porque o TEN YEARS AFTER é IMPRESCINDÍVEL!
POSTAGEM ORIGINAL: 09/07/2022
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VETERANOS DO R&B, DO BLUES E DO ROCK, E SEUS DISCÍPULOS

Essa postagem provavelmente atrairá também os mais jovens. Além de discos clássicos, históricos e colecionáveis, a maioria foi produzida nos últimos 40 anos ou menos, e os aproxima do presente. A qualidade técnica e artística é muito boa! Exemplos do melhor BLUES, SOUL e R&B mesclados com o ROCK!
Dia incerto, eu postei algo semelhante concentrado na geração do ROCK INGLÊS dos anos 1960, com seus ídolos e mestres AMERICANOS. Há histórias e discos variados mostrando isso. E, claro, não parou por aí, e nem ficou apenas no REINO UNIDO.
Então, dei busca sem muito empenho em outras correlações e colaborações. Se eu focar mais detidamente, acabo descobrindo outros discos na discoteca. Sem falar no que sei, mas ainda não tenho…
Vão aqui mergulhos que, vez por outra faço, e continuo sem me afogar. A não ser de prazer por conhecê-los e poder contar pra vocês. Preparar o texto foi uma delícia, porque temperado por nova audição de alguns discos que se perderam na coleção.
Então, de cima para baixo, à partir da esquerda:
1) CANNED HEAT & JOHN LEE HOOKER, foi lançado em 1971. Esta edição em CD traz coisas antes deixadas de fora. É a banda americana TOP e CULT, acompanhando um de seus ídolos e motivação para existir. “HOOKER ‘ HEAT” é lição sobre o estilo do velho mestre que inspirou quase todo mundo. Sim, todo mundo!
Alguns recordarão de SHOW dos ROLLING STONES, bem mais de 20 anos atrás, em que HOOKER era um dos convidados, junto com ERIC CLAPTON. O “Seo JOÃO LEE PUTA” tocou seus RIFS de maneira desordenada, mas emotivamente. Ao sair, foi cumprimentado por todos e principalmente KEITH RICHARDS. É um ícone como poucos.
2) ERIC BURDON & JIMMY WITHERSPOON , “BLACK AND WHITE”, 1971. disco raro e precioso. O nome do LONG PLAY original é GUILTY, e traz composições de BURDON e WITHERSPOON, JOHN MAYALL, e etc… Uma das faixas foi gravada na prisão de “ST QUENTIN” com a banda dos presidiários. Iconoclasta como ERIC BURDON sempre foi, em parceria com uma das grandes vozes do R&B. Imperdível!
3) CHAMPION JACK DUPREE & TONY S.McPHEE, ‘THE COMPLETE SESSION”, com o guitarrista dos ingleses GROUNDHOGS. Mais o piano, e voz de DUPREE. É da gravadora inglesa BLUE HORIZON, e saiu em 1967, no auge do BRITISH BLUES.
Os GROUNDHOGS também acompanharam JOHN LEE HOOKER e JIMMY REED em turnês por lá. Foi antes de criarem o próprio estilo de BLUES tendendo ao PSICODÉLICO, que os consagrou.
4) THE ANIMALS featuring SONNY BOY WILLIAMSON, 1963: Misto de empresário e bandido, GEORGIO GOMELSKY montou turnês pela Inglaterra para SONNY BOY. Contratou bandas locais. Em NEWCASTLE, foram os ANIMALS. Ensaiaram na raça uma só vez, e ficou tão vibrante, que gravaram parte de duas apresentações.
5) SONNY BOY WILLIAMSON & THE YARDBIRDS, 1965. GOMELSKI seguindo o esquema, agora gravando ao vivo no CROWDADDY CLUB, em LONDRES. Na guitarra, ERIC CLAPTON. O disco é referência básica do BRITISH BLUES.
6) SONNY TERRY, JOHNNY WINTER e WILLIE DIXON. “WHOOPPING”, 1984. Dizer o quê? Álbum clássico reunindo duas gerações de grandes do BLUES americano. Gravação da ALLIGATOR RECORDS, uma referência na década de 1980/1990.
7) B.B. KING “IN LONDON”, 1971. Gravado por uma das maiores concentração de craques por metro quadrado!
RINGO, PETER GREEN, ALEXIS KORNER, JIM PRICE, BOB KEYS, GARY WRIGHT, STEVE MARRIOT, e outros menos votados. É ter ou se arrepender!
😎 AVERAGE WHITE BAND & BEN E. KING – BENNY AND US, 1977. A sensacional banda britânica que fundia R&B+JAZZ+ROCK + adjacências; com mais de 15 LPS gravados, acompanhando um
grande SOUL MAN americano.
Show de balanço e estilo algo diferente do feitos pela ATLANTIC e outras grandes gravadoras americanas. É prenhe de originalidades, molho e gás! Garante qualquer festa.
9) STEVE CROPPER, POP STAPLES & ALBERT KING – JAMMED TOGETHER, 1988: Três estilistas da guitarra, em show de balanço e técnica. O som é da STAX RECORDS; em resumo, é imperdível. A produção é de ISAAC HAYES. Cabe em qualquer festa e discoteca.
10) GARY MOORE: COLD DAY IN HELL, EP de 1992, com trechos de famoso SHOW ao vivo da época. Tem versão “não superada” de STORMY MONDAY BLUES, com ALBERT KING na outra guitarra. Para BLUES ROCKERS e HARD ROCKERS não botarem defeito. Fiquei uivando na janela do apartamento!
11) MUDDY WATERS, JOHNNY WINTER e JAMES COTON – BREAKIN’N IT UP, BREAKIN’ IT DOWN. É a tour dos craques acima, gravada em 1977. Completa o time BOB MARGOLIN, guitarra, PINETOP PERKINS, piano, para ficar nos mais famosos.
BLUES como deve ser; e é.
12) JIMMY ROGERS ALL STAR. BLUES, BLUES, BLUES , 1999. Homenagem ao grande JIMMY. Estão aqui ERIC CLAPTON, LOWELL FULSON, JEFF HEALEY, MICK JAGGER, TAJ MAHAL, JIMMY PAGE, ROBERT PLANT, KEITH RICHARDS e STEPHEN STILLS.
Tá bom, né!?!?
13) B.B.KING & ERIC CLAPTON – RIDING WITH THE KING, 2000.
Bem, é ERIC CLAPTON E B.B.KING juntos. Um marco, talvez mais CULT do que original. Porém, obrigatório!
POSTAGEM ORIGINAL: 09/07/2023
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LENNIE DALE & BOSSA TRÊS – UM SHOW DE BOSSA –  ELENCO – 1963 – EDIÇÃO JAPONESA

Passei uns 20 anos tentando encontrar esse disco. Eu coleciono Bossa Nova e, aos poucos, venho reconstituindo o selo da gravadora Elenco. Pra mim, equivalente nacional à BLUE NOTE, ATLANTIC, VERVE, etc…
Muita coisa não existe disponível; e é possível que não seja relançada. Imagine lançar o CD de TOM JOBIM e VINÍCIUS DE MORAIS juntos! A turma que hoje toma conta dos espólios de ambos criaria empecilhos intransponíveis !!!???? O mesmo serve para outros importantes e já esquecidos.
Vocês conhecem o LENNIE DALE?
Era um dançarino e coreógrafo americano. Veio e ficou no Brasil; e trabalhou com Deus e mundo, em sua época. ELIS REGINA, por exemplo. A turma gostava muito dele.
LENNIE gravou 4 discos e só dois foram lançados em CDS. O BOSSA 3, que o acompanhou, era um trio com LUIZ CARLOS VINHAS, piano; TIÃO NETO, baixo acústico, e o histórico baterista EDISON MACHADO. Muito bom, é claro! Ah, DALE tentava cantar…
Pois bem, comprei o disco; não foi barato, mas encarei, ouvi e… LENNIE DALE mal falava português e não cantava bem.
O repertório é adequado. SAMBA, BOSSA, JAZZ e tudo o que ainda se espera de um clássico da época. Foi gravado ao vivo, é muito bem tocado, e o público ajuda. Mas, deixa a desejar… É compreensível.
Seja como for, eu o incorporei ao acervo com a devida honra e pompa. Se eu acho que vocês devem comprar? É só para os completistas. Há inclusive, edição inglesa em LP, que tentei trazer quando custava “leite de pato”. Sumiu no caminho…
Artisticamente falando, todos temos coisas melhores pra garimpar. E do ponto de vista histórico, é troféu de caça a ser conquistado.
Decidam!
POSTAGEM ORIGINAL: 09/07/2020
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PINK FLOYD – TRILHAS SONORAS  E TRANSIÇÕES – 1967/1972

Em 1972, talvez, eu fui pela primeira e única vez a um Salão do Automóvel. Meu interesse por máquinas é mínimo. Porém, havia um stand em que, de hora em hora, dançarinas apresentavam um balé guiado por trilha sonora instigante e de vanguarda para aqueles tempos.
Fiquei fascinado, quis saber o que era. Resposta: “PINK FLOYD”, PARTY SEQUENCE, DO LP “MORE”, de 1969. Assisti duas vezes! Ouçam e compreendam porquê o FLOYD é uma das bandas mais “visuais” do rock.
Há músicas deles que você “assiste” ouvindo. Exemplo? “SEE-SAW” , em a “A SAUCERFUL OF SECRETS, de 1968! E a suíte em “ATOM HEART MOTHER”, entre mais um montão discografia adentro. Foi essa constatação que fez cineastas perceberem o potencial para trilhas sonoras que a banda apresentava.
Eles sempre estiveram ligados a shows de luzes, e criaram talvez o primeiro sistema de som “surround” da história, mesmo que precário, e o usavam em concertos no início de carreira. Ajudou a forjar e ampliou o culto e a fama do grupo.
O PINK FLOYD é um tanto diferente de seus contemporâneos, principalmente os americanos. Criava música viajante “PARA FORA”. O tal “ROCK ESPACIAL”. Ouvi-los é participar de aventura visual, climática e, como seus pares e para quem gosta, “maconhante” – o que não é o meu caso.
O lado “SIDERAL” está no DNA da banda desde SYD BARRET.
Fizeram a trilha para um documentário, em 1967, chamado “TONITE, LET´S ALL MAKE LOVE IN LONDON”. A música “INTERESTELAR OVERDRIVE” está em várias cenas.
Criaram, também, para outro curta: “THE COMMITTÉ”; e haja “CAREFUL WITH THE AXES, EUGENE” , e outras invenções eletrônicas de “ROGER WATERS”. Todas essas, curiosamente não aparecem nem nos boxes de imersão total do que haviam gravado ou testado, e onde “tudo” foi lançado!
Mas, a primeira trilha de verdade, integrante da discografia da banda, foi para o filme “MORE”, de BARBET SCHROEDER, em 1969. Mais experimentações eletrônicas de WATERS; e também RICK WRIGHT definindo o clima “ONÍRICO-ESTELAR”; NICK MASON e sua competência percussiva pontuando climaticamente. E o estilo de tocar guitarra que definirá o futuro da banda, com DAVID GILMOUR, que aí fica mais explícito.
O PINK FLOYD, em 1969, entrou em sintonia com o quasi-HEAVY METAL. Afinal, já contemporâneos do SPOOKY TOOTH, do ZEPPELIN e do HUMBLE PIE. E todos tateavam o PROGRESSIVO, apontando para o HARD ROCK e o METAL, que dominaria o ROCK para sempre!
Através de “MORE”, MICHELANGELO ANTONIONI os contratou para musicar ZABRISKIE POINT, filme ícone da época, também em 1969.
O sucesso da experiência e o trabalhão que deu, geraram a ideia-base para “ATOM HEART MOTHER” e depois “MEDDLE”, discos de transição para o PINK FLOYD de sucesso extremo que conhecemos.
A obra final dessa fase, ‘OBSCURED BY CLOUDS” é, também, uma trilha sonora composta para “LA VALLÉE”, outro filme dirigido por SCHROEDER, já em 1972.
É curioso! O disco foi gravado na França, em estúdio comparativamente precário, e o som ficou…digamos próximo ao do ROCK DE GARAGEM!!!! Mas, foi o que os impulsionou para o estrelato nos EUA, e daí em frente para os mais de 250 milhões de discos vendidos!
Prestigiem os meninos desde os tempos remotos. Eles merecem…
POSTAGEM ORIGINAL 09/07/2020
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FRANK ZAPPA: DISCOS CLÁSSICOS, ORQUESTRAIS E INTERPRETADO POR OUTROS

COMPOSITOR, ARRANJADOR E MAESTRO DE SUA OBRA, FRANK ZAPPA NÃO É PARA TODO GOSTO.
ELE FEZ MÚSICA EXPERIMENTAL, LOUCA E ATÉ CEREBRAL DEMAIS PARA UM ESCRACHADO MILITANTE, COMO ELE!
FRANK FOI UM GÊNIO QUE TANGENCIOU O UNIVERSO MUSICAL. UM COMETA FORA DE ÓRBITA QUE ABALOU PARTITURAS E OS JEITOS DE FAZER MÚSICA. ELE COMEÇOU EM MEADOS DOS ANOS 1960, E INOVOU COM ORIGINALIDADE ATÉ A SUA MORTE NA DÉCADA 1990.
COMPARANDO LIVREMENTE, ZAPPA FOI UMA ESPÉCIE DE “DR. HOUSE”, O MEDICO DA FAMOSA SÉRIE DE TELEVISÃO: SEGURO DE SI, ICONOCLASTA, CONTRAVENTOR E INVENTOR CONTUMAZ.
DIAGNOSTICAVA E CONTRATAVA MÚSICOS DE JEITO INUSITADO. CONTA-SE DO GRANDE GUITARRISTA ADRIAN BELEW, QUE TOCOU ENTRE VÁRIOS COM DAVID BOWIE: ELE FEZ ENSAIOS E ARRASOU.
DEPOIS DE ESCUTÁ-LO, TESTÁ-LO, ZAPPA DEU O VEREDITO: ” CARA, GOSTEI DA TUA VOZ ” – E BELEW FOI CANTAR EM VEZ DE PRIORITARIAMENTE TOCAR GUITARRA…PEGADINHA MALDOSA…
FRANK ZAPPA TEVE FORMAÇÃO MUSICAL SÓLIDA. FOI ALUNO DE GRANDES COMPOSITORES CLÁSSICOS CONTEMPORÂNEOS, COMO EDGARD VARESE. COMPÔS E DEIXOU GRAVADAS OBRAS REGIDAS POR MAESTROS COMO LEONARD BERNSTEIN.
TODAS ÓTIMAS E PECULIARES!
MAS, ANTES DE TUDO, CRIOU UM TIPO HÍBRIDO DE MÚSICA SOFISTICADA E ICONOCLASTA, COM ALTERNÂNCIA DE RITMOS E ANDAMENTOS, QUE MISTURAVA ROCK, JAZZ, CLÁSSICO E MÚSICA EXPERIMENTAL DE VANGUARDA.
E TUDO JUNTO E AO MESMO TEMPO.
SEM FALAR DE SUAS LETRAS VERBORRÁGICAS, HILARIANTES; E MUITAS VEZES SEM SENTIDO, MESMO QUE PERFEITAMENTE INTEGRADAS AO CONCEITO DE SUAS COMPOSIÇÕES.
FRANK TEVE CARREIRA PRODUTIVA AO EXTREMO PARA TÃO POUCO TEMPO DE VIDA. DEIXOU MAIS DE 60 DISCOS GRAVADOS, ALÉM DE QUANTIDADE AINDA NÃO TOTALMENTE MAPEADA DE PARTITURAS, GRAVAÇÕES EXPERIMENTAIS, SHOW INÉDITOS, E ETC…ERA UM WORKHOLIC ATÍPICO.
ZAPPA ENQUANTO VIVEU ADMINISTROU SUA VIDA E PATRIMÔNIO DE MANEIRA EXEMPLAR. DESDE CEDO PERCEBEU OS PERIGOS DA INDÚSTRIA DA MÚSICA, QUE EXPLORA, USURPA, ROUBA E TRITURA SEUS PARTICIPANTES.
ELE TESTEMUNHOU E CONTOU SOBRE CENA CONSTRANGEDORA E REVOLTANTE ACONTECIDA COM O GENIAL MÚSICO, “DUKE ELLINGTON”: ZAPPA VIU O MAESTRO MENDIGANDO AO EMPRESÁRIO PARA CONSEGUIR GRANA E COMER UM SANDUÍCHE!!!
ISTO FOI NOS ANOS 1970, NO BACK STAGE DE UM SHOW EM QUE AMBOS PARTICIPARAM…
DEPOIS DA CENA, FRANK PROMETEU A SI MESMO QUE ISTO NÃO ACONTECERIA COM ELE!
TAL COMO O MAESTRO LEOPOLD STOKOWSKI; “DAVE CLARK – (FIVE)” LÍDER DA FAMOSA BANDA INGLESA DA DÉCADA DE 1960, QUE VENDEU MILHÕES DE DISCOS. E, DEPOIS, “ROBERT FRIPP”, CRIADOR DO KING CRIMSON, “FRANK ZAPPA” TOMOU CONTA DE SUA PRODUÇÃO, FOI DONO DE SEU NARIZ, E INSTRUMENTO DE SUA PRÓPRIA POLÍTICA ATÉ O FINAL DA VIDA.
ZAPPA MORREU JOVEM, DE CÂNCER NA PROSTATA. E SEU LEGADO MUSICAL É RELANÇADO, ESTUDADO E VISITADO CONSTANTEMENTE.
FOI UM GÊNIO DA MUSICA, E ADMINISTRADOR COMPETENTE DO PRÓPRIO DESTINO!
POSTAGEM ORIGINAL: 07/07/2020

OS FUNDADORES DO ROCK AND ROLL, E A NATA DO ROCK INGLÊS DOS ANOS 1960/1970.

Quem gosta de ROCK sabe que durante a década de 1960, os ingleses trouxeram a velha geração do BLUES do R&B e do ROCK AND ROLL ao conhecimento do público jovem.
A geração dos ROLLING STONES, BEATLES, ANIMALS… sempre respeitou e acolheu os velhos ídolos americanos primordiais. Pretos ou Brancos e sem preconceitos: “CHUCK BERRY”, “B.B.KING”, “JOHN LEE HOOKER” e RAY CHARLES; e, também”, “ELVIS PRESLEY”, “JERRY LEE LEWIS”, “BUDDY HOLLY,” “JOHNNY CASH”; e séquito enorme.
Vários desses patriarcas excursionaram pela Inglaterra acompanhados por bandas como “YARDBIRDS”, “ANIMALS”, “GROUNDHOGS”, e contemporâneos, são devedores espirituais e profissionais da velha geração.
No início dos 1970, muitos LONG PLAYS-TRIBUTOS foram gravados em LONDRES com os mestres, e sempre acompanhados por seus fãs. Foram e são um “must” entre os colecionadores.
A nova elite do ROCK daqueles tempos está por aqui formando com verdadeiros supergrupos. Alguns potencialmente milionários, e posteriormente impossíveis de serem reunidos novamente.
Claro, em alguns desses álbuns, há participação de membros das bandas dos velhos mestres.
Querem ver?
1)) Acompanhando “HOWLIN’ WOLF” estão “ERIC CLAPTON”, “STEVE WINWOOD” e a “cozinha” dos ROLLING STONES, “BILL WYMAN” e “CHARLIE WATTS!!!
2) Com “MUDDY WATERS” a presença de RORY GALLAGHER, WINWOOD e GEORGIE FAME, além de americanos como MIKE BLOOMFIELD e PAUL BUTTERFIELD. “Cult” absoluto!
3) BO DIDDLEY está com os menos votados porém excelentes ROY WOOD, RAY FENWICK e EDDIE HARDIN;
4) CHUCK BERRY juntou KENNY JONES e IAN McLAGAN, do FACES e mais alguns.
Por último, o meu predileto: JERRY LEE LEWIS, também com edição nacional em álbum duplo matador da MERCURY, lançada em 1973.
JERRY LEE regravou seus clássicos acompanhado por um imenso time de craques.
Reinam PETER FRAMPTON, RORY GALLAGHER, ALVIN LEE, GARY WRIGHT e mais uns dez da mesma grandeza.
Os quatro primeiros foram gravados sob o selo da CHESS, e lançados também no BRASIL! E todos mencionados na postagem são LPS ou CDs imperdíveis, mas não tão caros ou raros para se adquirir.
E, quando lado-a-lado, dão ideia da resposta dos “alunos” homenageando seus professores.
Eu bolei fazer um BOX com os cinco juntos. Se realmente fizer, posto pra vocês verem o resultado.
Ponham na lista. Têm certamente lugar pra todos em qualquer discoteca.
POSTAGEM ORIGINAL: 08/07/2020
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MIKE TAYLOR & FRIENDS, O PIOR CD QUE COMPREI NA VIDA!!!!

A história é bizarra e vou compartilhar, porque só acontece aos colecionadores de encrencas, feito eu… e muita gente por aqui!
Na Inglaterra houve um pianista de JAZZ de grande talento, vida curta e doida, que se tornou CULT e colecionável, apesar de ter gravado apenas dois long-plays, hoje considerados importantes. As críticas são entusiasmantes.
O nome dele? MIKE TAYLOR; que agitou na década de 1960. Eu nunca vi um disco do cara, muito menos um mísero CD! Então, certo dia comecei a procurar na WEB e… nada.
De repente, surge à minha frente o objeto circular identificado abaixo. Fiquei contente e nem me dei ao trabalho de verificar a discografia… Achei que MIKE TAYLOR TRIO era o suficiente…
Não era!
Bom, encomendei o disco de uma distribuidora pequena, nos EUA. E os caras ficaram tão contentes que escreveram para mim agradecendo ao limite: disseram que festejaram porque sempre festejam quando alguém compra um CD produzido por eles. E me desejaram tudo de bom, jurando que eu estava comprando “o disco”.
Claro! Em vista de tal entusiasmo, escrevi de volta agradecendo por terem um disco que há anos eu procurava, e pela encantadora recepção…
Só que não!
O tal MIKE TAYLOR não é o inglês, mas um pianista amador americano, e seu grupo mal chega a isso… A criatividade e técnica pianística é “abaixo de zero”. O repertório, então, meu Deus!!!! Para completar, foi pessimamente gravado, a mídia é um CD regravável, e a capa é o horror que vocês estão vendo aí!! E, pior: o cara trouxe “asseclas” para o acinte. Os tais friends!!!!
Já o preço… bem, 11 dólares mais 7 de correio. Para selar minha boca e raiva, a Receita Federal reteve o produto e o taxou em 60%!!! Resumo do “Grand Guignol”: Uns $29,00 jogados fora!
Pessoal, este disco é tão ruim que resolvi ficar com ele. Não dá para vender, trocar ou dar de presente! É, de longe, a pior peça da minha coleção. Vai morrer comigo mas, quem sabe, algum dia eu o escute de novo para ver se melhorou – não! esse não tem jeito!
Não ouçam o MIKE TAYLOR fake. Se um dia relançarem o verdadeiro eu volto ao assunto…
P.S: acabei repassando o FAKE MIKE pela aí….🤣🤣🤣🤣
Então, abaixo OS FASCISTAS, OS POPULISTAS DESTRUTIVOS, os FALAZES e o “,MIKE TAYLOR TRIO” de araque…🤣🤣🤣🤣😛😛😛😛
POSTAGEM ORIGINAL: 08/07/2022
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MILES DAVIS – “THE COMPLETE IN A SILENT WAY SESSIONS”- 3 CDS BOX SET – COLUMBIA RECORDS

VOU COMEÇAR PELO BOX. EM 2001, A “SONY MUSIC” FEZ UMA SÉRIE LIMITADA, COLIGINDO AS SESSÕES DE GRAVAÇÃO, NO DECORRER DA CARREIRA DE MILES NA “COLUMBIA RECORDS”.
SÃO DIVERSOS BOXES FANTÁSTICOS! ESTE AQUI, TEM ACABAMENTO MUITO BOM, MAS INFERIOR A DE OUTROS QUE POSSUO. QUALQUER DIA, EU POSTO.
AS SESSÕES PARA “IN A SILENT WAYS” INICIARAM EM SETEMBRO DE 1968, E TERMINARAM EM FEVEREIRO DE 1969.
DE LÁ, FORAM RETIRADOS MATERIAIS, EM PARTE OU POR COMPLETO, PARA CINCO “LONG PLAYS”: “FILLES DE KILLIMANJARO”, 1969; “IN A SILENT WAYS” 1969; “WATER BABIES”, 1976; “CIRCLE IN THE ROUND”, 1979; E “DIRECTIONS, 1981.
A “COLUMBIA” PRODUZIU COM “MILES DAVIES” O MESMO QUE A “ATLANTIC RECORDS” FEZ COM JOHN COLTRANE: SESSÕES FORAM GRAVADAS EM SEGUIDA, NO INÍCIO DOS 1960, EM POUCO ESPAÇO DE TEMPO, E DALI “EXARARAM” UNS NOVE “ÁLBUNS”.
O JAZZ, QUE NUNCA VENDEU MUITO, TORNOU MUITAS GRAVADORAS E ARTISTAS VIÁVEIS E RICOS: TECERAM POLÍTICA DE REEDIÇÕES, JUNÇÕES E COMPILAÇÕES. SORTE A NOSSA; E A DELES, MAIS AINDA.
“IN A SILENT WAY” FOI MEU PRIMEIRO CONTATO COM MILES, LÁ POR 1972/73, ACHO. CONSEGUI O VINIL ORIGINAL EM UM SEBO – E NÃO ME LEMBRO COMO. O ÁLBUM HAVIA SIDO DA TEATRÓLOGA “LEILAH ASSUMPÇÃO” – QUE CERTAMENTE O RECICLOU.
“MILES IS MILES AND MILES AWAY!” , EXPRESSÃO PERFEITA PARA DEFINIR O HOMEM DA “REVOLUÇÃO PERMANENTE”. IRONIZANDO, MAS PAREANDO COMPARAÇÕES, MILES FOI TEÓRICO E PRÁTICO DE MUTAÇÕES REVOLUCIONÁRIAS. FEZ NO JAZZ O QUE TROTSKY PREGAVA – E NÃO CONSEGUIU – COMO NECESSÁRIO PARA TRANSFORMAR AS SOCIEDADES DO CAPITALISMO AO SOCIALISMO. MAS ISSO É OUTRO PAPO…
ESTE É UM DISCO ATÍPICO NO PORTFÓLIO DE “MILES”. HÁ QUEM O CONSIDERE UMA PORTA PARA A FUTURA “NEW AGE”. E É TOTALMENTE INTEGRADO AO MOMENTO EM QUE O “ROCK PROGRESSIVO” ESTAVA PARA SURGIR; E SEU CONTRAPONTO JAZZÍSTICO EXPLODIA – O NA ÉPOCA BATIZADO COMO “JAZZ-ROCK”.
“IN SILENT WAY” É UM PRIMOR! SE VIAJARMOS POR ELE, É POSSÍVEL DEPREENDER MEMÓRIAS E FORMAS DE TOCAR DE OUTRAS FASES DE MILES: UM QUÊ NERVOSO DO “KIND OF BLUE”; PITADAS DE “FREE JAZZ” , NA FASE POSTERIOR; ATÉ ESCORRER PARA O NOVO ABSOLUTO QUE NO HORIZONTE SURGIA: A “FUSÃO JAZZÍSTICA COM O ROCK”.
A BANDA É INDESCRITÍVEL E CÓSMICA: HÁ”COMETAS”, “METEOROS” E “ASTROS” QUE PERMANECEM NA HISTÓRIA E NO PANTEÃO DOS DEUSES.
ESTÃO NO DISCO, E NEM PRECISO CITAR QUAIS INSTRUMENTOS TOCAM”, JOHN McLAUGHLIN”, “HERBIE HANCOCK”, “CHICK COREA”, “WAYNE SHORTER”, “DAVID HOLLAND”, “JOE ZAWINUL” E “TONY WILLIANS”. TODOS COMBINADOS, ORGANIZADOS, E LIDERADOS POR “MILES”.
O SOM É UM PARAÍSO EM LEVITAÇÃO; “ESPACIAL” – TERMO QUE JÁ ROLAVA NA ÉPOCA – E REFINADO. FEITO PARA DESVIAR ROQUEIROS DO BARULHO E JAZÓFILOS DA TRADIÇÃO. DEU NO QUÊ FALAR; GEROU POLÊMICAS, MAS PERMANECE REFERÊNCIA ATÉ HOJE.
EM MINHA OPINIÃO, É AUDIÇÃO OBRIGATÓRIA PARA “PASSAR DE ANO EM “ROCK”, E COMEÇAR A FREQUENTAR AS DELÍCIAS MAIS PERENES DO “JAZZ”.
“IN A SILENT WAY” É UMA DAS INFLUÊNCIAS MARCANTES NA FORMAÇÃO DO MEU GOSTO MUSICAL.
POSTAGEM ORIGINAL: 07/07/2023
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MARVIN GAYE – WHAT´S GOING ON? – 1971 ELEITO, em 2020, PELA REVISTA “ROLLING STONE “, “O MAIOR DISCO DE TODOS OS TEMPOS”!!!

O MUNDO PASSOU POR TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS PROFUNDAS DURANTE A DÉCADA DE 1960. HOUVE OTIMISMO E HEDONISMO, E, TAMBÉM, RADICAIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTOS E PROPOSIÇÕES POLÍTICAS.
FORAM TEMPOS PLENOS DE EVENTOS CONTRADITÓRIOS, E MUITAS VEZES SIMULTÂNEOS. MAS FREQUENTEMENTE NÃO COMPREENDIDOS À ÉPOCA. PORTANTO, HÁ O LEGADO DE VASTA COLEÇÃO DE FATOS ESTRUTURANTES PARA O MUNDO CONTEMPORÂNEO.
A HISTÓRIA PASSADA CONDICIONA A “HISTÓRIA FUTURA”, MAS NÃO A DETERMINA. NOVOS FATOS NO CORRER DOS TEMPOS E A TODO MOMENTO, ABREM CAMINHOS PARA A REVISÃO DE IDEIAS E CONCEITOS NESSA INTERAÇÃO ININTERRUPTA .
A HISTÓRIA NÃO TEM FINAL; ELA É UM PROCESSO CONTÍNUO. E A DINÂMICA DO PRESENTE DESTACA A PERCEPÇÃO DO PASSADO, E POSSIBILITA NOVAS CONCLUSÕES, MESMO QUE TRANSITÓRIAS.
O PASSADO, DESTE PONTO DE VISTA, NÃO ESTÁ “MORTO”. OS FATOS ANTES DE SERVIREM COMO BASE CONSISTENTE PARA ANÁLISES, REQUEREM CERTO CONSENSO SOCIAL PARA SE IMPOREM COMO DE IMPORTÂNCIA EFETIVA.
AINDA ASSIM, O QUE É COMPREENDIDO NO PRESENTE COMO A “VERDADE”, SEMPRE PODERÁ SER CONTESTADO E RECUSADO NO FUTURO. A INCERTEZA E A IMPERMANÊNCIA SÃO AS “CONSTANTES INCONTESTÁVEIS” NA HISTÓRIA DOS HOMENS.
“WHAT’ S GOING ON ?”
O CONSENSO ATÉ 2018, CONSIDERAVA A OBRA PRIMA DOS “BEATLES” LANÇADA EM 1967, “SGT PEPPER´S LONELY HEART CLUB BAND”, O MAIOR, MAIS AMPLO E INOVADOR DISCO DE MÚSICA POPULAR GRAVADO EM TODOS OS TEMPOS. FOI PERCEBIDO COMO ESTÁGIO ADIANTE SOBRE O QUE HAVIA SIDO REALIZADO ATÉ AQUELE MOMENTO.
O ÁLBUM COMBINA, EM ALGUMAS FAIXAS, O MAIS MODERNO DO ROCK COM A MÚSICA ERUDITA DE VANGUARDA. E PRESERVA, EM OUTRAS CANÇÕES, ARRANJOS E RITMOS TRADICIONAIS.
E TUDO EMBALANDO LETRAS BEM FEITAS; COMENTÁRIOS POLÍTICOS E DE COSTUMES QUE DESCREVEM O PANORAMA CAMBIANTE DAS RELAÇÕES SOCIAIS EM MEADOS DA DÉCADA DOS 1960. A SOMATÓRIA DESSES FATORES FAZ A OBRA FUNCIONAR COMO “DOCUMENTÁRIO”; UM ÁLBUM CONCEITUAL; CRÔNICA SENSÍVEL REVERBERANDO NO PRESENTE.
“SARGENT PEPPER´S…” FOI GRAVADO COM AS TECNOLOGIAS DE ESTÚDIO MAIS INOVADORAS DA ÉPOCA. O QUE POSSIBILITOU SONORIDADES E RESULTADOS ATÉ HOJE PERCEBIDOS COMO “CONTEMPORÂNEOS”. ESTE DISCO DOS BEATLES SOBREVIVEU E TRANSCENDEU AS DÉCADAS.
É OBRA GRANDIOSA E AINDA VIVA, QUE REFLETE CERTA CONSTÂNCIA DA HISTÓRIA HUMANA EM ALGUNS DE SEUS “MACRO -TEMAS”: LIBERDADE, DROGAS, POBREZA, SOLIDÃO, CONSERVADORISMO, REBELDIA, SOLIDARIEDADE… É O COTIDIANO E SUAS MÁS NÓTÍCIAS; AS GUERRAS, E VÁRIOS ETC…; E SE TORNOU EXEMPLO DE ARTE EM COMPASSO COM A REALIDADE MUTANTE. TUDO CONSIDERADO, É UM SUMÁRIO DA CONTEMPORANEIDADE.
NO ENTANTO, PROFÉTICO MESMO FOI “TOMMY”, OBRA CONCEITUAL CRIADA POR “THE WHO”, EM 1969: METÁFORA SOBRE A ALIENAÇÃO E ATOMIZAÇÃO DO INDIVÍDUO, REPRESENTADO PELO PERSONAGEM TOMMY, GAROTO SURDO E MUDO, MAS CRAQUE OBSECADO POR MÁQUINA ANTECESSORA DOS ATUAIS JOGOS ELETRÔNICOS: O PIMBALL, FLIPERAMA, EM PORTUGUÊS..
OS “TOMMYS” CONVIVEM CONOSCO HÁ DÉCADAS. ESTÃO NOS LARES, NOS BARES, NAS ESCOLAS; EM ÔNIBUS E METRÔS. E PROVAVELMENTE NOS ULTRASSARÃO, PORQUE LINKADOS À VIDA COTIDIANA, QUE É ELETRÔNICA, VIRTUAL, ATOMIZADA; ONIPRESENTE. E INEVITÁVEL!
MAS, OUTRO DISCO MONUMENTAL TOMOU A LIDERANÇA NESSE ETERNO “AGORA”. E A SENSAÇÃO DE ANTECIPAÇÃO QUASE PROFÉTICA FICOU MAIS UMA VEZ EXPLÍCITA.
SERIA “WHAT´S GOING ON”, DE “MARVIN GAYE”, LANÇADO EM 1971, MELHOR, MAIS ADEQUADO E ATUAL DOS QUE OS BEATLES?
Em primeiro lugar, .repare que ambos têm mais de cinquenta anos! E a diferença entre o surgimento de um e outro foram menos de quatro anos.
Mas quê quatro anos!!!!!
Quando o disco de “MARVIN GAYE” saiu, o pessimismo e o desencanto haviam tomado conta do mundo. A utopia hippie entrara em desuso; e continuaram as guerras e disputas entre potências e seus arsenais nucleares nas alturas. Ficou escancarado que ditaduras se espalhavam por todo o planeta, trivialidades que se repetem, nos tempos atuais. Tudo se reposicionou. Mas essencialmente pouco mudou.
Observe também, que em 1967 já havia brotado um ROCK PESSIMISTA, eivado por drogas, realista e marginal; e longe do “SUNSHINTE POP” e dos BEATLES. De certa forma, o “VELVET UNDERGROUND”, de “LOU REED”, anteviu o que ficara explícito, em 1971; e continua regra até agora…
Sobreviveram do passado vários temas retrabalhados por “MARVIN GAYE” em seu álbum imprescindível: pobreza, vida marginal, violência, drogas, racismo…desigualdade social e racial…
Para entender “WHAT´S GOING ON?”, é preciso notar que, em 1970/1971, foram lançados discos notáveis abordando as mazelas com muita crítica social explícita e militante. Todos eivados por tom pessimista e algo resignado. Inclusive o novo assunto daquele momento, e que todos nós, dali para frente, passamos a nos preocupar: a ECOLOGIA!
TIO SÉRGIO vai escavar mais. Naqueles tempos, “JONI MITCHELL” lançou “BLUE”, e “NEIL YOUNG” fez “AFTER THE GOLD RUCH”. Mais além, o “JETHRO TULL” criou “ACQUALUNG” – um olhar esquivo e duro sobre religião, educação, marginalidade e outros temas eternos.
E os “MOODY BLUES”, lançaram álbuns muito vendidos. “A QUESTION OF BALANCE”, 1970; e “EVERY GOOD BOY DESERVES FAVOUR”, 1971, são pioneiros em atentar sobre a ECOLOGIA.
E não se pode esquecer CHICO BUARQUE, na mais perfeita descrição poética das agruras da pobreza e do desalento, que ainda nos assolam: “CONSTRUÇÃO” e sua “complementar”, “DEUS LHE PAGUE”, 1971, são canções interativas com elementos de “ROCK PSICODÉLICO-PROGRESSIVO SINFÔNICO”, em arranjo “claustrofóbico” do maestro ROGÉRIO DUPRAT – que lembra os feitos pela banda americana SPIRIT, em 1968/1970. Isto só para citar um exemplo, entre tantos possíveis.
Dado fundamental une as obras naquele contexto histórico relevante: todos são DISCOS DE VANGUARDA, MUSICALMENTE FALANDO. E de acordo com o espírito de “FINAL DOS TEMPOS”.
E MARVIN GAYE é personagem expressivo: um “SINGER/SONGWRITER”; a tendência que se destacou e tomou conta do mercado musical no início dos 1970. Ele é contemporâneo de outros grandes como PAUL SIMON, JAMES TAYLOR, CARLY SIMON… E GIL, CAETANO e CHICO, também, claro; e todos componentes de um vasto etc…
É bom dizer que MARVIN GAYE sempre foi artista relevante para a BLACK MUSIC, e um dos grandes sucessos da MOTOWN RECORDS. Ele foi foi assassinado com três tiros pelo próprio pai, um pastor pentecostal… , em uma discussão de família! Está na cara que nenhum dos dois eram pessoas equilibradas.
MARVIN GAYE não foi um precursor, mas articulou artisticamente várias ideias e temas correntes na música e na sociedade. O disco “WHAT´S GOING ON” é, antes de tudo e simultaneamente, ÁLBUM CONCEITUAL, e de BLACK MUSIC! Um diferencial único entre seus pares. A faixa título é considerada a “quarta música mais importante da discografia americana”!
Da segunda à sexta faixa, há uma SUÍTE “SOUL/FUNK” com percussão latina mesclada ao JAZZ. Verdadeira FUSION dançante, de músicas ininterruptas e interligadas. E tocadas pelos magníficos e precisos “FUNK BROTHERS”, a banda principal da gravadora “MOTOWN”; portanto, garantia de excelência. As três faixas restantes esbanjam qualidade e ritmo, com destaque para a melhor de todas: “RIGHT ON”, um show!
O álbum é pequeno prontuário dos desencantos e desesperanças. E observação da violência e das iniquidades da sociedade americana. E tudo misturado e exposto em um tom espiritualizado, típico da melhor BLACK MUSIC feita no “HOSPÍCIO DO NORTE…” OOOPPPS, nos ESTADOS UNIDOS A AMÉRICA!
MARVIN canta sobre desemprego, inflação e a crise econômica daqueles dias. Cita, inclusive, a poluição, a superpopulação e outros temas candentes, e cada vez mais preocupantes e onipresentes, ligados à ECOLOGIA. Ele constata o racismo, a violência policial, o ódio e as injustiças contra os pobres e, principalmente, contra os pretos.
A obra não esquece dos que lutaram guerras para nada. Que tal recordar um filme com TOM CRUISE, chamado “Nascido em 4 de Julho? Pois bem, “MARVIN GAYE” é um preto que entendeu o drama daquele “branco” aleijado e descartado, o personagem de CRUISE, que a seu modo interpreta um deserdado da utopia americana, que sentiu e sofreu as iniquidades da sociedade que o usou e o abandonou; como ainda faz com incontáveis…
Pois, é! Acontece com a maioria dos pobres. E muitos e muitos pretos pobres, e pobres e pretos, que também viraram buchas de canhão nas constantes guerras do Império americano mundo afora…
MARVIN GAYE CANTOU A AMÉRICA NUA E CRUA SOB A PERSPECTIVA DOS PRETOS! Mesmo que os temas das letras magistralmente compostas por ele e “RENALDO BENSON”, um dos exuberantes vocalistas do “FOUR TOPS”, já houvessem sido expostos antes de ter sido gravado este álbum.
O caminhar bêbado da HISTÓRIA, a transição do mundo para tempos de radicalização política, ficaram evidentes na presidência de DONALD TRUMP, em 2020, quando o álbum foi escolhido o “Melhor de todos o tempos, pela revista ROLLING STONE.
A recorrente violência contra os pretos, na América; e o recrudescimento do racismo e da xenofobia mundo afora, ajudaram a elevar “WHAT´S GOING ON?” ao status alcançados.
A premiação recebida é para obra de altíssima relevância social e artística. É, simultaneamente, reação cultural ao ultraconservadorismo excludente nesses duradouros tempos de ignorância, falta de compaixão e pouca empatia. E foi realizada através de canções perfeitamente apreciáveis mais de 50 anos depois. O álbum não envelheceu! É verdadeiro marco.
Mas não promoveu a REVOLUÇÃO ou INOVAÇÃO na estética musical, como fizeram os BEATLES, em “SARGENT PEPPERS”. E isto parece claro.
Por isso, eu mantenho dúvidas de que seja o melhor disco da história do POP. Se é que isto realmente existe… A revista RECORD COLLECTOR faz listas anuais por gêneros, estilos, etc., o que é mais realista, perspicaz e “mensurável”.
Seja como for, “WHAT’S GOING ON?” sempre estará entre as dez melhores e mais relevantes. E a sua trajetória e peripécias acompanharemos por muito e muito tempo.
Ouçam e tenham na discoteca: é mandatório.
POSTAGEM ORIGINAL :03/10/2020
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