RUSH: PROGRESSIVE POWER TRIO, 1974 EM DIANTE…

VALIAM POR UMA ORQUESTRA.
OUVIRAM À EXAUSTÃO E APRENDERAM COM O “CREAM” E O “EXPERIENCE, DE JIMI HENDRIX”. NO DECORRER DO TEMPO, MUITO EMPENHO E TRABALHO DURO, DESENVOLVERAM ESTILO PRÓPRIO – E TALVEZ ÚNICO. AS BANDAS QUE ELES INSPIRARAM, SEUS IMITADORES, CONTAM-SE ÀS CENTENAS – TALVEZ MILHARES!
NO COMEÇO, TENDERAM PARA UM “BLEND” ENTRE O “HEAVY METAL” E O “HARD ROCK”. SEGUIRAM MAIS OU MENOS O QUE FIZERAM OS GRUPOS DA ÉPOCA, COMO O “LED ZEPPELIN”, “HUMBLE PIE”, O “DEEP PURPLE”… E, PAULATINAMENTE, FORAM DESENVOLVENDO UM ROCK PROGRESSIVO ESTILOSO E ORIGINAL. NO FINAL DA CARREIRA, SITUARAM-SE NO QUE HOJE É CONHECIDO COMO “PROG”…
“NEIL PEART” FOI BATERISTA TOP NO ROCK; UM DOS TRÊS MAIORES. TORNOU-SE LETRISTA ORIGINAL E CHEIO DE IMAGINAÇÃO. MORREU MUITO CEDO, INFELIZMENTE.
O GUITARRISTA “ALEX LIFESON”, SEMPRE ADEQUADO E EFICIENTE, ERA PERFEITO PARA O GRUPO. E “GEDDY LEE” ESTÁ ENTRE OS MELHORES BAIXISTAS DAQUELA GERAÇÃO – E APESAR DE SUA VOZ DE “GALINÁCEO CURRADO NO TERREIRO”, IMPRIMIU VOCAL DISTINTO E MARCANTE À BANDA.
AS PERFORMANCES AO VIVO ERAM, “SÃO”, ESTACULARES! ALGUMAS HISTÓRICAS! ENCHIAM A CENA COM SONORIDADE AMPLA, VIGOROSA E PRECISA. NÃO À TOA, GRAVARAM TANTO EM CONCERTO. ASSISTI – LOS É VIBRANTE; EMOCIONA PLATEIAS E O MUNDO!
OS TRABALHOS EM ESTÚDIO SÃO CHEIOS DE NUANCES, DETALHADOS. E ALIAM ESFORÇO, INSPIRAÇÃO E ALTO NIVEL TÉCNICO E ARTÍSTICO; PERTINÊNCIA E PRECISÃO. NEM É PRECISO CITAR ALBUNS, PORQUE TODOS SÃO, E CADA UM A SEU MODO, EXCELENTES. E ALGUNS TORNARAM-SE CLÁSSICOS DO ROCK.
O “TIO SÉRGIO” GOSTA; MAS NÃO OS PREFERE. TALVEZ SEJA IMPLICÂNCIA COM O “GEDDY” CANTANDO. ELE ME FAZ PENSAR EM UM GALETO CANORO – QUE PREFIRO ASSADO.
O “RUSH” FOI IMENSO, E É IMPRESCINDÍVEL. MAS, CURIOSAMENTE, OS TRÊS NÃO GOSTAVAM DE VIAJAR; OU FAZER TURNÊS MUITO LONGE DO CANADÁ E DOS ESTADOS UNIDOS. AINDA ASSIM, PERMANECEM CULTS E VENDEM BASTANTE MUNDO AFORA – MESMO DEPOIS DE ENCERRAR ATIVIDADES.
JÁ PENSEI QUE O RUSH TALVEZ FOSSE A BANDA PREDILETA DOS BRASILEIROS, PAREANDO COM O “PINK FLOYD”. MAS NÃO. OS INGLESES SUPERAM OS CANADENSES EM FAMA E FÃS BRASIL ADENTRO…
ESTÃO AÍ ALGUNS DISCOS E O DVD QUE TENHO. E, MESMO ESCUTANDO POUCO, NÃO VOU DEIXAR DE COMPRAR OS QUE APARECEREM À MINHA FRENTE, QUANDO O PREÇO E A OPORTUNIDADE COMPENSAREM.
ENTÃO, VOCÊS TRATEM DE GOSTAR E COLECIONAR!
É GRUPO ARTISTICAMENTE ACIMA DO MUITO BOM. UM CLÁSSICO DEFINIDOR E DEFINITIVO!
TER DISCOS DO “RUSH” É MANDATÓRIO!
POSTAGEM ORIGINAL: 08\03\2021
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ALICE COLTRANE: DO LEGADO AVANT – GARDE À FUSION e NEW AGE

ALICE McLEOD foi apresentada a JOHN COLTRANE, em 1963, por TERRY GIBBS, vibrafonista e líder do grupo onde ela tocava piano. São os cruzamentos que a vida traz. Todos eram músico se apresentando no mesmo local, quando ALICE ficou fascinada pela música que JOHN COLTRANE estava fazendo: O AVANT GARDE JAZZ – que auxiliou na progressiva desconstrução da sonoridade tradicional já desafiada pelo BE-BOP e o FREE JAZZ, e apontava para o incerto criativo que perdura até hoje!
Seria?
Ela, obviamente, foi além. Casou-se com JOHN, ainda em 1963, e tiveram 3 filhos. Permaneceram juntos até julho de 1967, quando COLTRANE morreu vítima de um câncer de fígado diagnosticado tardiamente.
ALICE COLTRANE, moça alta, esguia, discreta e cool. Ah, claro: ótima pianista, excelente harpista! E, contou GIBBS, vibrafonista eficiente. Criatura multitalentosa, por supuesto!
ELa tomou lições de música em casa, e foi se desenvolvendo. Tornou-se profissional. Depois, virou lenda.
Nunca se sabe o que a vida faz, realmente, a cada um de nós.
É fato que os anos 1960 foram abrasivos para os jazzistas. A desconstrução da música mais sofisticada, do CLÁSSICO ao JAZZ, foi minando as tradições. Tempos difíceis para os mais criativos!
A GRANDE CANÇÃO AMERICANA estava em fase descendente, com o fim do predomínio de ELLA, SARAH, BILLIE e SINATRA… Ainda assim, continuou sobrevivendo com o rugido global da BOSSA NOVA…
Mas TIO SÉRGIO, o que tem o BRASIL a ver com isso?
Tudo, ué?!!!?
Como vocês encaram a BOSSA NOVA?
Foi o último espasmo de uma sofisticação no molde conservador que chegara ao fim. Dizendo de maneira mais precisa, tudo foi substituído pelo POP – ROCK. E a trajetória do JAZZ, música de construção complexa, também ia cachoeira abaixo.
ALICE COLTRANE entrou em cena no final daquela era magnífica!
Em 1966, substituiu o pianista McCOY TYNER ( TIO SÉRGIO o assistiu ao vivo, no Rio de Janeiro!!! ), no grupo de COLTRANE. Esteve na última fase da carreira de JOHN por cerca de um ano.
Participou de “STELLAR REGIONS”, o penúltimo de JOHN, gravado em 1967, disco de performances mais contidas ( ele já sabia que estava com câncer ). E, também, em COSMIC MUSIC, 1966, doideira AVANT GUARDE fronteiriça ao inaudível. Ambos foram lançados postumamente.
Com a morte de “TRANE”, ALICE tentou retomada, mas sem grande convicção. Ela havia mudado. Gravou um disco de transição, “A MONASTIC TRIO”, 1968, acompanhada por músicos da banda de COLTRANE – PHAROAH SANDERS, tenor, etc; JIMMY GARRISON, baixo; BEN RILLEY e RASHID ALI, na bateria. Tocou harpa e piano.
Fez melhor, depois.
Seu disco mais elaborado e técnico é “PTAH THE EL DAOUD”. Que não se perca pelo nome: é pós FREE JAZZ puro! Com PHAROAH SANDERS e JOE HENDERSON, nos saxes tenores, e RON CARTER e BEN RILLEY, baixo e bateria. Foi gravado em janeiro de 1970. Eu recomendo. É disco melódico e avançado, e ALICE está tocando muito bem!
Depois disso, ALICE COLTRANE desbundou de vez. Havia assumido o hinduísmo antes; passou a administrar um museu e memorial, e a fazer um “blend” de MÚSICA ORIENTAL, ROCK PROGRESSIVO, JAZZ FUSION E NEW AGE. Assestou a mira para os tempos correntes. Seu disco mais famoso, “JOURNEY IN SATCHIDANANDA”, novembro de 1970, é marco da NEW AGE.
Eu adorava esse disco! Hoje, gosto.
A fusão de JAZZ VANGUARDA e MÚSICA HINDU, instigante por definição, esbarra no uso implacável do TAMBOURA, instrumento que lembra o visual do SITAR, mas tem o som de uma “cigarra pentelha”, insistente, monocórdica e recorrente. Serviu de base para as loucuras de SANDERS, no tenor, e ALICE na harpa e no piano, acompanhada de jeito monótono por CECIL McBEE, e CHARLIE HADEN no baixo.
O DISCO FICA ENTRE O PSICODÉLICO E O TREMENDAMENTE CHATO! É um orgasmo cósmico, infindável e não resolvido. Eu preferiria uma ejaculação “mais” precoce… Porém… é um sucesso, e vá lá, bom de ter na coleção!
ALICE fez outros discos. Em 1976, lançou ETERNITY. Inicia com orquestração interessante, algo etérea, mas despenca para as “SANTANISSES” ( da banda SANTANA…) da época: percussão latina, mais órgão e harpa. É dispensável, mas tem o colorido de seu tempo e dentro do estilo por ela desenvolvido.
Curiosamente, ALICE nos faz perceber o quanto CARLOS SANTANA é marcante. Ele recolocou e mantém a música latina no mapa de várias maneiras, via FUSION, inclusive.
Resumindo temas tão amplos, ouçam os três. JOHN COLTRANE, ALICE e o SANTANA, também! Gente que nos faz voar!
POSTAGEM ORIGINAL: 07\03\2021
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COLIN VALLON: “RRUGA”, 2011 & ELINA DUNI QUARTET: “DALLENDYSHE”, 2015 – JAZZ – FUSION COM ELEMENTOS DE MÚSICA DOS BALCÃS

As mulheres albanesas criaram metáfora poética para definir o amado que partiu, ou aquele cara que veio ao primeiro encontro e nunca mais apareceu: ARCO-ÍRIS. Porque é bonito, desaparece nas brumas, no céu, esvaece no horizonte, e deixa imagem longínqua e, às vezes, saudades…
É um jeito belo e triste para definir algo que todos já vivenciaram. Poético e criativo.
Quem fala isto sobre homens que partiram é ELINA DUNI, mulher atraente e excelente cantora de FOLK-JAZZ, que saiu da ALBÂNIA para estudar na SUÍÇA, onde começou a cantar MÚSICA FOLCLÓRICA de seu país, canções de exílio eivadas por saudades. E acabou evoluindo para uma forma de FUSION – JAZZ COM ELEMENTOS TRADICIONAIS DOS BALCÃS.
Funciona. Acredite!
Para mim, a comunicação entre universos tão distintos tem de ser feita através de alguma forma compreensível e universal, acessível a outras culturas.
Penso que o JAZZ e a MÚSICA CLÁSSICA são as mais sofisticadas maneiras contemporâneas de combinar e transmitir vivências únicas. Têm legitimidade e tradição para intermediar e inspirar outras gentes a conhecer o diferente.
Lembre-se de VILLA LOBOS, no Brasil; BELA BARTÓK, na Hungria; e GERSHWIN, na América.
Mirem TOM JOBIM e a BOSSA NOVA levando o SAMBA brasileiro ao mundo; ou EGBERTO GISMONTI cantando o interior do Rio; e MILTON NASCIMENTO expondo Minas de forma inteligível a outros povos.
Mas, não esqueçam ELOMAR criando a simbiose entre o SERTÃO o e a MÚSICA DE CÂMARA (ARMORIAL?), sonoridade simultaneamente POPULAR e CLÁSSICA. Um quase “JETHRO TULL DO SERTÃO”. Linguagens originais e comunicáveis.
ELINA DUNI E COLIN VALLON ( pronunciem o nome do moço, pianista excelente em ascensão, como um francês ) ambos fazem isto.
COLIN VALLON fez parte do soberbo quarteto de ELINA. Desenvolveu um fraseado no piano que capta a emissão do cantar, e põe em relevo o jeito de falar dos povos dos Balcãs. O efeito é belíssimo. É um JAZZ com sotaque peculiar!
VALLON inspira-se nas fronteiras de outros povos; tem influência da MÚSICA TURCA e da MÚSICA dos povos lindeiros à RÚSSIA. Ele é um suíço que prospectou a Europa Oriental.
A produção da ECM é a base comum a ambos. A fluidez e o som etéreo da FUSION que a gravadora de MANFRED EICHER injeta em seus artistas, garante essa comunicabilidade universal. Mas sem a perda do vigor da cultura regional.
Se vocês querem algo novo em perspectiva instigante, então procurem os discos da foto, gravados por esses dois quase jovens.
TIRANA, hoje, é cidade integrada ao mundo, exemplo de recuperação urbana e soluções arquitetônicas baratas. E o caminhar do centro ao periférico, dentro da Europa, é estrada curta. Entre a SUÍÇA e a ALBÂNIA, são pouco mais que 1.150km! Algo como ir de SÃO PAULO a PORTO ALEGRE.
No CD player ou no YOUTUBE é mais rápido ainda. Viajem com os dois.
POSTAGEM ORIGINAL:03\03\2021
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O BIG BANG CÓSMICO NA DISCOTECA DO TIO SÉRGIO. E A LEMBRANÇA DE “MARIA OFÍDIA”!

Inicio por um encantamento de minha juventude. No ensino médio, apelidamos certa coleguinha de “MARIA OFÍDIA”. Houve razão: a fofa era peçonha embrulhada em BLUE JEANS. Envenenava modos e relacionamentos. Fazia fofocas, crueldades, essas coisas…
A suposta língua de cobra foi comprovada. Alguns amiguinhos que a beijaram garantiram que a língua de MARY POISON era bipartida feito a da SURUCUCU… E pior; ela nem sabia o que era o ROCK…
Mas TIO SÉRGIO, WHAT PORRA ARE ESSES DISCOS AQUI?
Vou explicar: Ando meio religado. Circulei por lojas virtuais procurando coisas sem nexo e nem sexo. Achei algumas:
A minha coleção/discoteca lembra o BIG BANG CÓSMICO. Tipo assim, ela explode em todas as direções. Volta ao passado; se catapulta, quem sabe, para diversos níveis do presente. Busca e abarca muita coisa futurista – sei lá… E algumas prateleiras formam granja de frangos doidos fugindo do matadouro… coisas que mal sei ou entendi.
Voltando à parte quem sabe compreensível desta “catilinária algo non sense” achei, NET afora, uns discos de VINIL: EPS, MAXI EPS, e LPS que resolvi chamar para morar comigo. Um harém não erótico, porém variado. Parte foram para a granja…
O Ayrton Mugnaini Jr. conhece de cór e “assaltado” esse EP. de 1965: “KWIET KINKS”. Eu acho mrio chato. Mas há “A WELL RESPECTED MAN”. Então, é KINKÔNICO”, do jeito que eu e ele adoramos!
Ah, tem o SINGLE do “ART”, reedição do original lançado décadas atrás. Para quem não sabe, era a banda antecessora do “SPOOKY TOOTH”!
E esse “P.I.L” aí?
É o “PUBLIC IMAGE LTD” a banda do “JOHNNY ROTEN”, o medonho “vocalista” dos “SEX PISTOLS”, em MAXI SINGLE com 3 faixas gravadas num SHOW EM NOVA YORK, em 2010.
Desça à esquerda. Há um SINGLE do impenetrável experimentalista “SUN RA.” No lado B veio uma “entrevista – interrogatório” considerada “esclarecedora”, feita em uma rádio. ( Eu Duvido!! )
Depois, outro SINGLE suis-generis. De um lado o GROBSHNITT, banda alemã CULT, que deambulou da PSICODELIA para o PROGRESSIVO e derrapou caindo no POP. E tudo mais ou menos entre 1970 e 1989,. No lado B, “TARAS BULBA” – aliás, exemplificado no único CD da foto.
TIO SÉRGIO, agora você endoidou geral? O primeiro, a turma em nível de mestrado em PROG/KRAUTROCK conhece. Mas, e o segundo?
Pois, é! São dois ex-integrantes do GROBSHNITT enveredando pelo ETHEREAL ROCK – o resultado é muito bonito!
Esta “evolução” toda fez o TIO SÉRGIO confirmar antiga suspeita de que o KRAUTROCK extrapola o PROGRESSIVO, e inclui o BEAT e o PSICODÉLICO feitos na década de 1960 por bandas como “LORDS”, “THE BOOTS”, etc… E, daí avançando até o DREAM POP anos 1990, e prosseguiu e permanece…
Quer dizer, Valdir ZamboniKRAUTROCK não é apenas um subgênero do ROCK PROGRESSIVO. Mas também abrange o ESTILO ALEMÃO de fazer POP/ROCK. Que é bem distinto dos ingleses e dos americanos…
A quem interessar possa, cada disco custou menos de $ 10,00 BIDENS\TRUMPS -, entregues na porta da casa desse ex-colega da “MARIA OFÍDIA” – que certamente mandaria um beijo de língua pra todo mundo que está lendo isso…
POSTAGEM ORIGINAL: 01\03\2023
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