GENE VINCENT, EDDIE COCHRAN e BUDDY HOLLY formaram a trágica trindade do “Rock and Roll”, na segunda metade dos anos 1950.
Sucesso, influência e vidas curtas demais. Seguiram e consolidaram o ROCKABILLY, a forma inicial e original do lado “branco” do rock americano.
Nem é preciso dizer que eram fãs de ELVIS PRESLEY. E principalmente EDDIE E GENE emulavam o jeito e tom de voz do ídolo.
Talvez os não tão jovens recordem a excelente banda americana dos anos 1980, STRAY CATS, quem sabe o principal nome de um crossover entre o PUNK e o ROCKABILLY, que rolou forte 40 anos atrás, por aí. Pois bem, mesclaram com arte e força EDDIE COCHRAN e GENE VINCENT. Aliás, fizeram um ROCK portentoso citando em pot-pourri trechos das músicas desses dois, e BRIAN SETZER é guitarrista que precisa ser lembrado. Vez por outra ainda toca em rádios. Imperdíveis!
Desastres automobilísticos marcaram a vida desses dois. GENE VINCENT sofreu um atropelamento tão sério, em 1955, que os médicos quiseram amputar sua perna. Mas, duro na queda, como o Dr, HOUSE da série famosa, recusou. Aguentava dores lancinantes e longos períodos de internação, e mesmo assim construiu fama e carreira – mesmo curta por causa do físico.
E para não dizer que o destino não vigia certas almas, VINCENT estava no carro que levava EDDIE COCHRAN e outra cantora para o Aeroporto de Londres, em 1960, quando houve a trágica derrapagem, que jogou para fora EDDIE, e o matou, aos 21 anos e apenas 4 anos de carreira. GENE VINCENT jamais recuperou-se do trauma. Jogo duríssimo.
EDDIE COCHRAN era bom cantor e guitarrista, mas gravou muito pouco. Em vida apenas um LP, SINGING TO MY BABY, em 1957.
Mas a influência dos singles no ROCK mais pesado que se fez, dos anos 1960 para frente, é monumental: SUMMERTIME BLUES e seus vários overdubs de violão elétrico toca até hoje, porque moderno ao extremo. Lembrem-se da versão ao vivo que fez THE WHO, pesada como determina a tradição. Há outras, inclusive a noise-psicodélica feita pelo BLUE CHEER, em 1968. Gritante!
Há várias músicas cults e outros standards inesquecíveis como TWENTY FLIGHT ROCK, C´MON EVERYODY, SOMETHING ELSE e o que se pensar. EDDIE COCHRAN vive!
GENE VINCENT também era bom cantor e teve a sorte de contar no início de carreira, entre 1956 e 1958, com um dos melhores guitarristas da história do ROCK: CLIFF GALLUP, timbre único, sonoridade clara, solos consagrados. GENE legou ao ROCK AND ROLL os classicos BE-BOP A LULA, RACE WITH THE DEVIL, entre várias.
A fase áurea da carreira de VINCENT começou a decair em 1958. Ele gravou alguns outros discos, e faleceu em 1971 de cirrose e consequências da vida trágica e doentia que teve.
Mas fez em Londres, em 1961, no ABBEY ROAD STUDIO, I´M GOING HOME ( to see my baby…), recriada em cima de uma composição de BO DIDDLEY, e acompanhado por um dos bons grupos instrumentais ingleses da era pré-BEATLES, THE SOUNDS INCORPORATED.
Pois bem, para os velhões como eu, a versão arrepiante do TEN YEARS AFTER, no festival de WOODSTOCK, em 1969, é a base para um fantástico show de ALVIN LEE, na guitarra, transformando em HARD-ROCK trechos de clássicos dos anos 1950, em performance histórica.
É por essas e outras que vamos ao rock com GENE & EDDIE.
E que porra é isso, tio Sérgio, seu “VAGO LUME DEAMBULANTE” ?
Nonada…quero dizer: porra nenhuma.
Tenho dificuldade em adequar-me; resisto a obedecer cegamente.
E gosto de um ritual: se os tempos vão à esquerda, eu os espreito à partir da direita, mas sem aderir plenamente a nada.
E vice-versa; porque o vício sempre versa… Tenho críticas quase sempre; e isto eu acho bom. Concordo comigo quase sempre.
Então, o TIO SÉRGIO aqui trouxe para vocês coisas um tanto quanto oblíquas que mantenho na discoteca.
Discos estranhos, entranhados em minh ‘alma, que estão comigo há anos. E a maioria permanecerá.
Será?
Eu garanto que são todos de alguma forma interessantes. Parte deles apenas pelo fato de existirem e trazerem um quê qualquer. Outros, porque feitos por gente criativa, não conformista e nem conformada. A maioria não é para ser ouvida direto, o tempo todo. E alguns, uma vez só já foi bom demais…
Vamos lá;
CID CAMPOS, filho do poeta AUGUSTO DE CAMPOS, músico e produtor, é culto e bem formado.
Ele saiu da turma do TEATRO LIRA PAULISTANA, em São Paulo, fábrica informal de contestações, propostas, ideias não alinhadas ao sistema, e que aconteceram no princípio dos 1980.
CID é da mesma geração de ARRIGO BARNABÉ, VANIA BASTOS, GRUPO RUMO, LÍNGUA DE TRAPO e etc…
“NO LAGO DO OLHO” saiu em 2001. Foi susto POP sofisticado. Por injunções imprescindíveis, também está na gravação ARNALDO ANTUNES. É garantia de boa poesia. E a produção do disco estava em dia com a vanguarda: instrumentação eletrônica e o vasto etc…. daqueles tempos.
Se cruzar com isto compre.
Eu conheci PRISCILLA ERMEL. Fomos rigorosamente contemporâneos na FFLCH da USP. Entramos em 1974 e nos formamos em 1979. Convivemos, mas nos falamos pouco. Eu estudava a noite e ela de tarde.
PRISCILLA é muito inteligente e criativa, e era muito querida pelos colegas. Ela se dirigiu prioritariamente para a ANTROPOLOGIA; e eu para a CIÊNCIA POLÍTICA.
Hoje, ela é pós doutora, dá aulas de ETNOMUSICOLOGIA, e sobre as várias integrações possíveis entre a antropologia, a música, e as artes visuais.
Além de textos acadêmicos, ela fez uma peça de teatro infantil, BOI BONIFÁCIO.
Gravou, também, discos do que hoje chamamos NEW AGE / WORLD MUSIC. Tudo bem pesquisado, interessante, bonito e musicalmente relevante.
Aqui, uma coletânea retirada de seus três primeiros LPs, lançada em 1994. Se encontrarem, não percam. Este ficará comigo para sempre. E espero um dia saber da PRISCILA, eu cruzarmos nas redes sociais.
Na linha de PRISCILLA, há o interessante disco de MAY EAST, ex-GANG 90 E ABSURDETES, grupo CULT formado por JÚLIO BARROSO em plena NEW WAVE pátria.
TABAPORA foi lançado pelo meu amigo@Rene Ferri em sua gravadora WOP BOP, em meados dos 1980.
MAY EAST “simplesmente” inventou a WORLD MUSIC!!!!Hoje, também tem vida acadêmica e é referência internacional em sustentabilidade.
A minha edição é de 2000, e vai continuar comigo. E, se encontrarem outra por aí, devorem. Não tenham pudores…
E mais três recalcitrantes:
MARCONI NOTARO, compositor, escritor e vida torta, fez esta pedra basilar do colecionismo, em 1973: NO SUB – REINO DOS METAZOÁRIOS”.
Está entre os discos que foram para o ralo, quando uma inundação destruiu a imensa maioria em estoque, no depósito da gravadora ROSEMBLIT, no Recife.
Inclusive o mítico PAEBIRU, de LULA CÔRTEZ e ZÉ RAMALHO.
MARCONI é alguma coisa tipo juntar RAUL SEIXAS com SAMBA “ANÁRQUICO”. O disco tem letras bem escritas e instigantes.
O vinil você não encontrará, e talvez nem este CD…É de coleção, mesmo.
WALTER FRANCO?
Bem, é WALTER FRANCO. O álbum “OU NÃO”, de 1973, traz CABEÇA, um “KRAUT talvez ROCK” totalmente experimental. Coisas também certamente
inspiradas pela obra de nossa “compositora-gênio alternativa”, JOCY DE OLIVEIRA.
“CABEÇA” foi vaiada pela turba “MPBÓIDE” radical, em um festival de música, no ano de 1972, aqui em PANDEBRAS.
Os alemães começaram com isso, pioneiros da música ELETROACÚSTICA, na década 1950, com STOCKHAUSEN e outros.
E, depois, com o KRAUTROCK no final da década de 1960, e hoje estilo consagrado e cheio de decendências e consequências. WALTER FRANCO trouxe para cá e CAETANO caiu de cabeça dentro da nova perspectiva por ele aberta., com ARAÇÁ AZUL, 1973.
É obra Imperdível e imperdoável!
Mais recente, outra gravação fora do óbvio. O encontro ao vivo, em 2015, de ARRIGO BARNABÉ, LUIZ TATIT e a cantora LÍVIA NESTROVSKY. E com tudo o que você tem direito em letras não convencionais, instrumentação experimental e estranhamento explícito.
É muito legal! Mas para poucos orgasmos. É conhecer, ter, e vez por outra retomar.
Favor não esquecer do verso definidor e definitivo em BABEL:
“Ser humano é tudo igual
É bem bom mas é falho;
Ser humano é cerebral
CEREBRAL, O CARALHO!”
Alguém duvida?
E vamos prosseguir;
FREE BOSSA é obra fora do esquadro do NOUVELLE… hã… CUISINE.
É disco criativo, mesclando eletrônica e instrumentos convencionais. Vai de “I LOVE YOU PORGY” a “MULHER RENDEIRA”. E passa por um delicioso quase hit recôndito: “SAIR DO AR”. Excelente!
NEYDE FRAGA?
Sim, “MAIS BALANÇO” é um disco mesclando SAMBA, BOSSA, SWING – JAZZ, e com direito a câmara de eco e reverberação em uma das músicas! É de 1965!!
Pois, é; por isso está na coleção.
MORENA BOSSA NOVA”, é de 2003. CLARA MORENO é filha de JOYCE E NELSON ANGELO, e fez disco agradável de NEW BOSSA dançável e moderninha. Mescla BOSSA NOVA com MÚSICA ELETRÔNICA. Dá festa!
Por falar em dançar, pulem com DAÚDE. “SIMBORA”, 1999, é TECHNO SAMBA-POP com PERCURSÃO AFROBAIANA.
Tudo junto, tio SÉRGIO? Será?
É.
Artefato excelente, anima qualquer rastapé; e é muito, mas muito mais legal do que IVETE SANGALO et caterva. DAÚDE é diferenciada.
Para encerrar, o BATACOTÔ, traz BRASILIDADES AFRO em música de primeira linha.
Estão no projeto os convidados DIONNE WARWICK, GILBERTO GIL, ERNIE WATTS, LENINE e o violinista JERRY GOODMAN, ex – MAHAVSHNU ORCHESTRA! Todos acompanham um grupo sui-generis em disco inusitado, sofisticado e algo difícil de encontrar.
Pra exemplificar a zoeira, um verso de “QUITAMBÔ”:
” No meio do mês de maio
É festa do véio laio
que inventou a gandaia
que toca tambô na praia
pra gente qui num trabaia
Pra gente da tua laia
Por isso é que nóis num faia…”
Se encontrar por aí vai ser baratinho. E num faia!
Mas, quem “faiou fui eu”. Acabei vendendo este exemplar e o disco da DAUDE…
Pois é, turma: postei verdadeira seleção de recalcitrantes e inesperados. Gente que disse “NÃO” para várias coisas. Mas, a caminho de um “SIM” muito mais interessante!
CRAQUES EMULANDO CRAQUES. NA IDEIA GERAL, UM QUÊ DE JOHN COLTRANE ( REDMAN ), CONSTRUÍDO COM GUITARRA À WES MONTGOMERY ( METHENY ), E SOBRE A SOFISTICADA BASE DE HADEN E HIGGINS, NO BAIXO E NA BATERIA, AMBOS FORÇAS DINÂMICAS DO FREE JAZZ.
E TUDO FUNCIONA PORQUE TRABALHAM, DE FATO, BUSCANDO UM JAZZ MELÓDICO E CONTEMPORÂNEO, SEM GRANDES INVENCIONICES.
MAS, CHEGA-SE À FAIXA SETE, “TEARS IN HEAVEN”, UM DOS LAMENTÁVEIS MOMENTOS DA ILUSTRE CARREIRA DE ERIC CLAPTON.
É CANÇÃO COMPREENSIVELMENTE CHOROSA E EMOCIONAL.
A MÚSICA É EM TAL GRAU SIMPLISTA E RUIM, QUE FOI IMPOSSÍVEL PARA QUATRO MESTRES SALVÁ – LA!
COMEÇA E ACABA RÁPIDO, POIS NÃO DA’ PRA FAZER JAZZ COM BASE HARMÔNICA TÃO RUDIMENTAR.
O DISCO É RUIM? NÃO. TALVEZ PRECISASSE DE MAIS CUIDADOS, REFLEXÃO SOBRE OS CAMINHOS ENCONTRADOS.
O RESULTADO SOA PRECIPITADO, E POUCO PLANEJADO. TRANSPARECE A JUNÇÃO OPORTUNISTA DE GRANDES TALENTOS OCUPADOS DEMAIS PARA CRIAR ALGO MAIS SUBSTANTIVO.
Apenas um rapaz latino-americano, com uma ideia na cabeça, algum dinheiro no bolso, e instrumentos de ROCK nas mãos?
Ele é mais do que isso!
Imagine alguém como tantos, fascinado pelo YES, intrigado pela percussão latina do SANTANA; banhado por JETHRO TULL, e ouvindo a reviravolta ao ROCK PROGRESSIVO que THE WHO conseguiu em “Who’s Next”, lá por 1971!?!?
Depois, tempere com uns toques de KRAUTROCK, e pense o tempo inteiro em RICK WAKEMAN.
Pois bem: desse coquetel monte uma banda mesclando teclados, guitarras e instrumentos latinos. Organize tudo isso baseado na sonoridade que emana dos ANDES, em concertação de bom gosto, mas tangenciando clichês – quer dizer flertando com a “EXOTICA”…
E você terá um excelente álbum de ROCK PROGRESSIVO!
Foi isto que o remoto, implausível e quase desconhecido tecladista VYTAS BRENNER fez, em 1973!
As “CHAVES” que fecharam a VENEZUELA esqueceram um rock MADURO no passado! ( hummm…, piadinha infame, né TIO SÉRGIO? )
O Long Play original é raro, precioso e colecionável! O CD também é difícil encontrar. E quem o tocava muito, em meados da década de 1970, era o Jaques Sobretudo Gersgorin, em seu pioneiro e inesquecível KALEIDOSCOPIO, programa de rádio furor entre os esquisitos e amantes do ROCK naqueles tempos.
Procurem conhecer VYTAS BRENNER. Os que não gostarem ganham foto autografada do KIM JONG UN dançando RUMBA! Ou um sorriso amarelo do MESSI, depois do jogo contra a ARÁBIA SAUDITA.
É coletânea famosa, que abrange os cinco primeiros discos do GRAND FUNK: “ON TIME” E “GRAND FUNK”, 1969; “CLOSER TO HOME” e “LIVE ALBUM”, 1970; E “SURVIVAL”, 1971.
Um álbum duplo como apenas doze músicas, algumas bem longas, mas emblemáticas do que a banda fez em sua, digamos, primeira fase.
Claro, nos tempos do CD teria sido possível acrescentar mais algumas músicas para dar aos fãs, e ao consumidor, alguma vantagem, já que estavam disponíveis há décadas, e abrangiam apenas os primeiros cinco discos.
Mas, não fizeram.
Os irmãozinhos de olhinhos puxados sempre foram rígidos com isso. Normalmente, os discos saem com a quantidade original de músicas. Raras exceções…
Ainda assim, para os que gostam da fase inicial, garageira, rude, dura, algo mal acabada, mas genuinamente HARD ROCK, o Tio SÉRGIO aconselha – e muito!!!!
Mas, e sempre tem algum mas, quando acessamos algum produto feito pelos nossos brothers do oriente, como esta edição, encontramos algo simplesmente primoroso!!!
A embalagem é dos sonhos, com encartes, poster, letras, cuidados e acabamentos supremos!
E a remasterização foi feita no estado da arte! O que se ouve é infinitamente superior aos discos normais!!!!
Eu também tenho os cds originais e normais. Mas, para um fã incondicional essa edição, em MQA-CD UHQCD é o suprassumo disponível.
Estejam certos: não tem pra ninguém!!! É pauleira brava em estado superior!!!
O SMALL FACES tem o status do THE WHO junto à imprensa inglesa e aos colecionadores em geral.
São ícones!
As duas bandas eram vizinhas, em bairros próximos, e competiam enquanto a “cultura” “MOD” esteve no auge, em meados dos 1960. Depois, confluíram; e tornaram-se amigos.
Muitos daqueles tempos fizeram a mesma trajetória, e saíram do BEAT para o ROCK PSICODÉLICO. THE WHO foi mais longe, e adentrou um pouco ao PROGRESSIVO.
O SMALL FACES também foi um serpentário do ROCK. Cobras criadas, criativas e criadoras, como RONNIE LANE, STEVE MARRIOTT e KENNY JONES estiveram por lá…
Gravaram muitos SINGLES de sucesso, e LPS menos vistosos, porém interessantes. Os discos originais valem uma baba, porque bons e relativamente poucos.
De seu período áureo, entre 1965 e 1968, três compactos foram lançados no BRASIL: o cult e imprescindível “ITCHCOO PARK”, PSICODELIA INGLESA de alto nível; “HERE COMES THE NICE” e “LAZY SUNDAY”, na mesma direção, porém menos inspirados. Apesar do sucesso na Inglaterra, no Brasil jamais aconteceram…
Deles, muitos sabem que o espetacular vocalista e guitarrista STEVE MARRIOTT saiu para o HUMBLE PIE, onde fez dupla cintilante com PETER FRAMPTON.
Mas, na banda permaneceram o baixista RONNIE LANE e o tecladista IAN McLAGAN. Juntos, fizeram a sequência para o “apenas” FACES. Quando atraíram a bordo dois ex-membros do JEFF BECK GROUP: o já famoso cantor ROD STEWART, que deu o gingado “WHITE” SOUL que faltava. E o guitarrista RON WOOD, futuro e definitivo ROLLING STONE.
Em nova configuração, a sonoridade do grupo foi renovada. Fiicou mais pesada. Entre 1969 e 1975, o FACES gravou diversos discos de HARD ROCK / R&B bem legais, e com grande sucesso!
Mas, a banda começou a decair após ROD STEWART focar cada vez mais em sua espetacular e ascendente carreira solo.
E, naufragou pra valer em 1975, com a saída de RON WOOD, que tornou-se e mantem-se parte dos ROLLING STONES há décadas.
Talvez a maior aproximação entre o SMALL FACES e THE WHO, tenha facilitado outros projetos. Com a morte de KEITH MOON, em 1978, o baterista KENNY JONES juntou -se ao THE WHO.
E há um disco cult e colecionável, gravado por PETER TOWNSHEND e RONNIE LANE, em 1977, chamado ROUGH MIX.
Bons amigos, excelentes negócios….
Os discos aqui postados formam o artefato mais colecionável e cult da banda. O projeto gráfico original de OGDENS NUT GONE FLAKE, 1968, é o fino!
São dois LONG PLAYS, acondicionados em capa totalmente redonda, com muitos encartes; e que certamente inspirou o design do “E PLURIBUS FUNK”, o disco da moeda gravado pelo GRANDFUNK, 1971.
OGDENS é exemplo cult do ROCK PSICODÉLICO INGLÊS.
E, claro, é raro e precioso!
A minha edição, em três C.Ds, emula o LP original. Está em caixinha de madeira do tipo usada no brasileiríssimo “queijo Catupiri”. É muito bonita; e difícil de encontrar, hoje em dia…
Tão vibrantes quanto THE WHO, o SMALL FACES merece audição mais atenta. Eu acho banda ótima!
Os SINGLES, principalmente, são excelentes! E a voz única e “WHITE” SOUL de STEVE MARRIOTT teve seguidores notáveis, como MICK HUCKNALL, do SIMPLY RED; e GLEHN HOUGHES, ex – TRAPEZE, DEEP PURPLE e desenvolvedor de carreira solo reconhecida.
SMALL FACES eu recomendo de olhos fechados – mas sorriso e ouvidos abertos!
50 anos atrás, a tia de meu amigo-irmão Silvio Luciano Dean, entrou e viu um pôster com uns sujeitos cabeludos em meio a peles, casacos, e não lembro mais o quê…
E perguntou: “Silvinho, quem são esses moços aí na parede?”
Resposta: São os “YARDBIRDS”, tia!
Escandalizada! A tia quase gemeu : QUEM????!!!! OS VIADOS VERDES???
Que eu saiba não eram…
O pôster retratava a banda na fase final com JIMMY PAGE, na guitarra….
Há muito o que falar e considerar sobre eles. A maioria é consenso entre a TURMA DO ROCK: quem teve ERIC CLAPTON, JEFF BECK E JIMMY PAGE tenderia a não ser banda qualquer. E não eram! Vou resumir ao essencial:
Transitaram do BEAT ao BRITISH BLUES, e para a PSICODELIA com JEFF BECK e sua guitarra inovadora.
Foi dali que nasceu o LED ZEPPELIN e o RENAISSANCE. Estão na gênese da sonoridade moderna do HEAVY ROCK , esta que ouvimos ainda hoje.
SEMINAIS de verdade!
Foram imensos em 5 anos de vida e turbulência. Uma verdadeira “PAN-ESPERMIA” criativa. Em cada fase uma característica diferente. E tudo o que gravaram parece exaurido. Inclusive série de shows da fase áurea pela ESCANDINÁVIA, FRANÇA e etc… recentemente descobertos, mas que ainda não tenho.
Estão redivivos e os remanescentes excursionam ainda hoje.
ERIC CLAPTON está no Long play “FOR YOUR LOVE”, 1964. E na metade ao vivo de “RAVE-UP”, retirada do FIVE LIVE YARDBIRDS, 1964.
ERIC também acompanhou a gravação ao vivo na excursão inglesa do BLUESMAN americano SONNY BOY WILLIANSOM, 1965.
A outra metade é show de inovação em estúdio, com JEFF BECK em SINGLES monumentais e no Long Play “OVER, UNDER, SIDEWAYS, DOWN” , a famosa versão inglesas “ROGER, THE ENGENEER”.
E JIMMY PAGE está em “LIVE YARDBIRDS”!, show de 1968, já um tanto ZEPPELINIANO, agora remasterizado e trazido para o estado de excelência.
E, também, no magnífico e conceitualmente quasi-LED ZEPPELIN “LITTLE GAMES”, de 1967.
HÁ somente duas músicas gravadas com BECK e PAGE juntos: HAPPENING TEN YEARS TIME AGO e STROLL ON – versão do filme BLOW UP, de MICHELANGELO ANTONIONI.
Sou fã de acariciar os discos, procurar fotos, livros, vídeos e etc; sou um “radical-contido”. E talvez tenha sido o primeiro brasileiro a escrever sobre eles, na década de 1970, no cult fanzine do Rene Ferri, o WOOP-BOP.
O que postei é parte da minha coleção. Tenho alguns boxes, VÍDEOS DVDs, e vários etc…
E tive todos os LONG PLAYS ORIGINAIS, alguns BOOTLEGS, SINGLES, e faixas esparsas em coletâneas “pela aí”.
Claro, é pouca música para tantos discos. Não gravaram muito. Aqui estão edições, reedições, coletâneas, achados, invenções e raspas do fim da barrica do grupo.
QUEM NÃO CONHECE OS YARDBIRDS NÃO PASSA DE ANO EM ROCK´N´ROLL!
Ter os YARDBIRDS na coleção é mais do que obrigatório; é mandatório! Os que já ouviram sabem sobre o quê estou falando.
Vou pela mais tradicional: estamos acostumados com precoces como MICHAEL JACKSON, STEVIE WONDER, STEVE WINWOOD, e nos esquecemos de outro famoso menos badalado. PETER FRAMPTON já tocava ganhando algum aos 14 anos de idade!
Em 1967, aos 17, liderava o HERD, excelente banda parte da transição entre o ROCK PSICODÉLICO em direção ao PROGRESSIVO SINFÔNICO. Fizeram ótimo LP, “PARADISE LOST”, e colocaram três SINGLES no topo da parada.
No mágico e definidor ano de 1968, PETER FRAMPTON foi eleito o “FACE OF THE YEAR”, na Inglaterra. Traduzindo, ele era um “teenager” que não fazia parte de uma “BOY BAND”, mas de um grupo de vanguarda.
OUÇAM O HERD! É surpreendente.
FRAMPTON não queria ser cantor, era fã ardoroso de HANK MARVIN, guitarrista dos SHADOWS, ídolo supremo e inatingível. Mas, cantava bem e era bonitão, então assumiu também o vocal. Vejam só! Deu certíssimo!
Outro jeito de começar teria sido dizer que FRAMPTON era filho do professor de artes OWEN FRAMPTON, que incentivou e orientou DAVID BOWIE!
Aliás, PETER e DAVID se consideravam irmãos. Ambos estudaram na mesma escola pública onde lecionava o professor OWEN, que foi a vida inteira amigo e conselheiro de DAVID – que era considerado “parte da família”.
PETER FRAMPTON sempre foi excelente guitarrista, dinâmico e seguro sobre o que pretendia. Aos poucos, tornou-se um estilista. E aos 19 anos, já lenda no UNDERGROUND, juntou-se a STEVE MARRIOTT, que o convidara para entrar para o SMALL FACES – mas os músicos restantes da banda não quiseram.
Mesmo assim, foi com eles para a França gravar e acompanhar o cantor e arrogante supremo, JOHNNY HALLIDAY. Fizeram disco que eu desconhecia, “RIVIERE…OUVRE TON LIT”, que você encontra no Youtube. Ouça a música, é bem interessante!
Em seguida, MARRIOTT e FRAMPTON formaram o HUMBLE PIE.
A voz entre o BLUESY e SOUL de STEVE MARRIOT; e o excelente instrumental mais o vocal entre o POP e o BLUES de PETER FRAMPTON, consolidaram a banda, e seu BLUES/ROCK pesado e algo contido.
Gravaram juntos 4 discos, entre 1969 e 1971, todos bons.
Para FRAMPTON, e eu concordo, o melhor de todos é ROCK ON, de 1971. Espetacular! Não se ouvirá versão mais legal BLUES/ROCKER de “ROLLING STONE”, de MUDDY WATERS, do que a deles. E há “SHINE ON, clássico do HARD BLUES!
Mas, foi o cult ao vivo, gravado, também de 1971, PERFORMANCE ROCKIN´THE FILLMORE, que os levou de fato aos primeiros lugares nas paradas americanas. É um show fantástico!
Porém, quando o disco atingiu o auge, PETER pediu para sair. Foi uma surpresa, tudo caminhando muito bem, porém ele tinha ideias próprias aos 21 anos. Estava na estrada desde os 14, e partiu para carreira solo.
Teria havido influência do amigo BOWIE e seu pai?
Os 4 primeiros LPs, WIND OF CHANGE, 1972; FRAMPTON´S CAMEL, 1973; SOMETHING HAPPENING, 1974 e FRAMPTON, 1975 são todos muito satisfatórios.
Entre o POP e o BLUES/ROCK, mas com FRAMPTON dominando estilo e a técnica. A banda que ele formou é excelente!
Entre os músicos, o exuberante baixista RICK WILLS, um diferenciado que dá show no instrumento e depois tocou, também, com os santos e o mundo! Do FOREIGNER a DAVID GILMOUR ao ROXY MUSIC…
PETER FRAMPTON fez um dos discos mais vendidos de todos os tempos. Talvez o show ao vivo que mais vendeu na história da música pop: “FRAMPTON´S COMES ALIVE!” foi gravado em 1976, e tornou-se um sucesso estrondoso!
PETER FRAMPTON FOI O BON JOVI DOS ANOS 1970.
Eu o assisti, na época, em São Paulo. Realmente, uma farra! E o ápice do conceito que vinha desenvolvendo.
FRAMPTON manteve-se no auge, mas parou por 4 anos, em 1982, para colocar-se em ordem – inclusive os negócios. Apesar do sucesso enorme, quase faliu por má administração, roubos e tudo o que se sabe do submundo da música.
DAVID BOWIE o resgatou do baixo astral, em 1987, e o convidou para tocar no disco “NEVER LET ME DOWN”, e na turnê SPIDER GLASS TOUR.
Depois, ele não sumiu. Passou a pegar mais leve, e inclusive gravou dois outros discos muito elogiados: FINGERPRINTS, instrumental que lhe deu o primeiro GRAMMY, em 2007. E, em 2019, ALL BLUES, um disco FUSION/JAZZ/BLUES, com versões extraordinárias, e primeiro lugar na BILLBOARD BLUES.
A versão de ALL BLUES é sensacional!
Nessa trajetória toda, em 2015 caiu no palco, em meio a uma turnê com STEVE MILLER. Não levou muito a sério. Caiu outras vezes, foi examinado e constataram que estava sofrendo uma doença que provoca falência muscular e fraqueza progressiva. IBM, é a sigla em inglês. Não mata, mas não tem cura. Por isso, continua tocando e gravando para o futuro, enquanto consegue…
FRAMPTON hoje mora em NASHVILLE e promete não se aposentar totalmente. Não seria atitude do feitio do garoto que, em 1967, ouviu o leiteiro comentando com a mãe dele, no portão:
Mas, senhora FRAMPTON, o menino está em todos os programas de televisão! Então, cadê o ROLLS ROYCE?”
Não existia. Ele tinha apenas um MORRIS velho e usadíssimo; batido. O equivalente inglês ao um FUSQUINHA 1962, parado na frente da casa dos pais.
A vizinhança, as “inimiga” e os “inimigo” todos dizem que a culpa não é só dele…
Verdade! Mas, foi o ALVES quem deu visibilidade, e bagunçou a quebrada. Depois do SINATRA, foi ele quem botou pererecas em chamas América e mundo afora! O pior é que o ALVES era, também, um puritano. Em última análise, moço de família que meio se perdeu na barafunda da vida e da fama.
O ALVES é mais do que um ídolo morto. Tornou-se uma INSTITUIÇÃO americana. Vendeu “zilhões”; vende e venderá sempre.
Sua discografia é imensa, refeita, redefinida, recriada várias vezes. É quase impossível de ser colecionada em suas diversas edições mundo afora, décadas atrás de décadas…per omni a seculo seculorum…
É desse jeito.
O ALVES teve seguidores. No Brasil, o amigo de fé e irmão camarada ROBERTO CARLOS, fez igualzinho a ele. Começou com a JOVEM GUARDA, aquele ROQUINHO BEAT…
Na INGLATERRA foi um certo CLIFF RICHARDS, que agora é “SIR”: saiu do ROCK AND ROLL, passou e continua no POP para adultos, e já vendeu mais de 250 milhões de discos!
A FRANÇA teve o JOHNNY HALIDAY; e em cada canto de mundo certamente há um clone; e seguidores variados para especialistas e chatos pesquisarem.
Essa turma inspirada pelo ALVES fez a mesma coisa quase ao mesmo tempo. Viraram todos “CANTORES ROMÂNTICOS”, em meados dos anos 1960. Tornaram-se mais desinteressantes; gente séria fazendo música mais insípida. E o ALVES também.
Digam o que disserem, o ALVES é o maior ídolo musical de todos os tempos. Perene. Seu espólio fatura uma baba por ano, e discos e vasto etc… continuam saindo. Eles precisam.
O ALVES, oooops…ELVIS PRESLEY, vendeu mais de 1,250 BILHÃO DE DISCOS. Merreca!
TIO SÉRGIO e quase o mundo inteiro gostam do ALVES. Mas, o tio aqui é meio chato e nunca ligou muito pra ele…
Pudera e pasmem, sou da geração dos BRITOLS, aquele bando de ingleses babacas, de LIVERPOOL – cuidado, torcida do FLAMENGO! – que fazem um sonzinho que o tio acha mais maneiro.
Ah, os BRITOLS jamais acompanharam o cantor pátrio SILVIO BRITO, fofoca ardente e mentirosa que jamais rolou por aquí.
Meio sem jeito, publico os discos que tenho do ALVES na coleção. Não são muitos.