MILES DAVIS – EDIÇÕES LIMITADAS PARA COLECIONADORES

 

O Rodrigo Marques Nogueira certa vez levantou a bola na área. Publicou um vídeo de outro colecionador que, aparentemente, tem completas as várias edições limitadas de MILES DAVIS, lançadas há uns 20 anos. Esforço fantástico!

Sou MILESMANÍACO, se der eu compro o que aparece. Pensei que tivesse todos. Vi coisas que deu vontade de uivar e chorar!

Observando melhor, percebi que entre os vários que tenho, apenas três são limitados para colecionadores. Artigos espetaculares em acabamento, material, mas com foco diferente do esperado: pega a produção total de Miles em períodos determinados, foca no conceito gráfico lembrando um bloco de notas preso por um

talvez suporte, ou garra de metal, que abraça e mantém folhas e discos unidos. É lindo e refinado!

A organização das músicas fica além dos discos lançados. Em alguns, dispensa fotos das capinhas tradicionais, mas sempre descreve as sessões de gravação e shows de cada época.

A fadinha MASTERCARD permitiu que eu comprasse: MILES DAVIS QUINTET 1965-1968; MILES DAVIS e JOHN COLTRANE, entre 1955/1961; MILES DAVIS e GIL EVANS, mais ou menos 1957/1963 . Um monte de CDs! Alguns sumiram do mercado, para a minha frustração. Hoje, são raros e preciosos!

Como artigo, é luxo só! E a perspectiva é semelhante aos boxes lançados nos anos 1990. Mas, com outro e espetacular visual.

Os Tapes , remasterizados, estão no auge do que a COLUMBIA produziu. Um XTUDO imperdível.

No entanto, fui coletando outros lançamentos de MILES DAVIS à partir dalí! São edições limitadas, também, mas não tão luxuosas: MILES DAVIS QUINTET, LIVE IN EUROPE, 1967, com WAYNE SHORTER, HERBIE HANCOCK, RON CARTER e TONY WILLIANS. É a última formação pré a erupção do JAZZ ROCK/FUSION JAZZ, que veio a seguir:

THE COMPLETE IN A SILENT WAY SESSIONS, disco seminal da FUSION, e seu mais próximo ao ROCK PROGRESSIVO, gravado em 1968 e 1969, e seu time estelar: JOE ZAWINUL, CHICK COREA, HERBIE HANCOCK, DAVE HOLLAND, JACK DeJOHNNETTE e JOHN McLAUGHLIN, todos em auge técnico e artístico!!!

Em seguida, temos BITCHES BREW 40TH ANIVERSARY; lançado em 1970, outro disco revolucionário, em que MILES observa a trajetória da turma do ROCK PSICODÉLICO e da SOUL MUSIC: JIMI HENDRIX, SLY & THE FAMILY STONE, MARVIN GAYE, SANTANA, JAMES BROWN.

Por consequência algo indireta, BLACK BEAUTY, LIVE AT PHILLMORE WEST, DE 1970, com CHICK COREA, DAVE HOLLAND, JACK DeJOHNETTE e AIRTO MOREIRA e STEVE GROSSMAN, soprano.

E já novamente inovando temos DARK MAGUS, SHOW ao VIVO de 1974, base do que assisti por aqui, em show memorável e indescritível, no TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO, naqueles tempos;

Há, também, edições do talvez maior disco do JAZZ MODERNO, KIND OF BLUE, 1959. ÁLBUM DUPLO EM VINIL de 180g, como masterização em MONO e STEREO; e duas versões em CD, a tradicional, em álbum triplo, e uma edição europeia dupla que encontrei pelaí, também MONO e STEREO.

Quer dizer, uma chuva de meteoros para todos curtirem!

Quem encontrar e puder comprar não deve perder.

SLIM HARPO & SAM LAY: O BLUES EM DUAS TENDÊNCIAS

 

Vou contar uma historinha que li sobre SLIM HARPO:

Certo dia, do início para meados dos anos 1960, HARPO foi ao banco para depositar um cheque de royalties que recebera.

Lá, encontrou o cantor JOHN FRED ( & THE PLAYBOYS), ilustre semidesconhecido, que talvez alguns da minha geração saibam quem foi, porque fez sucesso mundial com a música JUDY IN DISGUISE, 1968 , um ROCK – R&B muito dançável que tocou bastante por aqui, também.

E o papo rolou mais ou menos assim:

SLIM: Você sabe quem são esses tais ROLLING STONES?

FRED: Claro, são ingleses e muito famosos por lá e também aqui;

SLIM: ( pegou o cheque e mostrou. ) E esse valor, está bom?

FRED: Claro, pô! São 25 mil dólares???!!! Como é que você conseguiu?

SLIM: Estes são os royalties que recebi pela composição de “I´M YOUR KING BEE”, gravada por eles, outros ingleses, e sei lá mais por quem!! ( Depois, vem mais, disseram …). Eu sei: MUDDY WATERS, PRETTY THINGS, YARDBIRDS e um monte.

Moral instrutiva da história: naqueles tempos, arrecadava-se corretamente os direitos autorais e a BMI, administradora, pagava os compositores.

SLIM HARPO era cantor, gaitista e compositor. Um dos criadores do chamado SWAMP ROCK, na LOUSIANA, um “COUNTRY – BLUES” de andamento rápido, e dançável.

Como cantor não era tão notável, a voz não é a do negão padrão, mas algo mais leve, anasalada, vez por outra correndo para o country…

HARPO, que assinava com seu próprio nome, JAMES MOORE, compôs outros clássicos do gênero, como “I GOT LOVE IF YOU WANT IT”, “SHAKE YOUR HIPS”, BABY, SCRATCH MY BACK . A inglesada adorava, e tornaram-se STANDARDS do BLUES ROCK. E teve um hit SOUL considerável, em 1961, “RAINING IN MY HEART”.

SLIM HARPO foi um “sider” na história, mas quem coleciona BLUES e ROCK pode ter essa coletânea da BEAR FAMILY, competente como sempre. Mas, para conhecê-lo, é melhor buscar versões de outros artistas, mais instigantes e criativos.

Outro “sider” histórico é o baterista SAM LAY. Descolei este cd, muito bem gravado para a TELARC BLUES, em 1999, xereteando na WEB. Saiu barato, uns R$ 40,00 mandacarus, com frete e tudo. O preço de um cd comum nacional.

É um bom disco para quem gosta do BLUES ELÉTRICO ao estilo CHICAGO. SAM canta bem, a banda é entrosada e alguns arranjos são algo diferenciados. Bom de se ter, se não for caro.

SAM LAY era “o” baterista oficial da CHESS RECORDS. Tocou, por lá, com o mundo e Deus também: WILLIE DIXON, HOWLING WOLF, JOHN LEE HOOKER, JUNIOR WELLS, MUDDY WATERS. Tá bom, né? Só que tem bem mais no currículo…

Ele foi da histórica PAUL BUTTERFIELD BLUES BAND, (1965/1971) elevada ao ROCK AND ROLL HALL OF FAME, EM 2015, onde esteve recebendo seu prêmio.

Participou, em 1965, do galáctico eterno clássico “61 AVENUE REVISITED”, de BOB DYLAN, disco em que está LIKE A ROLLING STONE. E do histórico festival de NEWPORT- onde houve a bronca dos puristas contra o ELECTRIC – FOLK-BLUES-ROCK que DYLAN e banda apresentaram por lá.

SAM LAY e SLIM HARPO são partes da história vasta. E diversão para quem gosta e coleciona. Procurem conhecê-los.

Valem a pena.

BLUE NOTE RECORDS – UNCOMPROMISING EXPRESSION – 2014. 5 CDS BOX SET – 75 CLÁSSICOS LANÇADOS EM SINGLES E 78 RPMs!

TIO SÉRGIO tem dezenas de discos da BLUE NOTE. Será que precisava pegar essa caixinha com o fino do fino gravado por eles?

A resposta é: definitivamente talvez! Já que quase tudo está nos CDs e LPs dos artistas.

Mas, a BLUE NOTE sempre apostou nos 78RPMs e nos SINGLES. E aqui estão as versões originais lançadas no correr dos tempos naqueles formatos.

TIO SÉRGIO é velhinho da fuzarca e mimado quando o assunto é música e discos. E vi chegar mais um risco no cabo da minha faca – metáfora ruim nesses tempos de violência imoral.

Tenho quase CEM discos da BLUE NOTE até agora. Mas, presenteei a mim mesmo com este PEQUENO BOX, que vinha paquerando há anos. O assédio quase virou saga.

De repente, ele sumiu do mercado, e ficou caro e raro – já que precioso sempre foi! Porém, o encontrei e resolvi resolver:

A fadinha MASTERCARD fez o trabalho sujo, e ele chegou em casa.

Mas, TIO SÉRGIO, WHAT PORRA IT’ S THIS?

É uma puta coletânea com os grandes nomes que lá gravaram, em versões originais lançadas em SINGLES ou 78RPM!

É sortida o suficiente, tem faixas de astros: JIMMY SMITH, MILES, THELONIOUS, HANCOCK, LOU DONALDSON, DEXTER GORDON, HORACE SILVER, BLACKEY, … todo mundo!

E cobre de MEADE LUX LEWIS a BOBBY MACFERRIN, CASSANDRA WILSON, GREGORY PORTER, US3, NORAH JONES…

O BOX pega forte na fase áurea e essencial entre 1939 e 1965. Porém, é no quinto volume onde estão “FUSIONS” dançantes, lançadas também originalmente, claro, em… ahhh , acabei de repetir…

Elas alcançam a volta da gravadora de 1969 em diante, com idas e vindas esparsas, mas concentrando no ACID JAZZ, no POP-JAZZ, no FUNK – JAZZ e novos caminhos abertos pela modernidade. É tudo muito – mas muito mesmo! – legal!

E se você pensa que o NIRVANA do KURT COBAIN seria “infenso à Acid – jazzificação”, então se surpreenderá ouvindo “SMELLS LIKE TEEN SPIRIT, com ROBERT GLASPER, um pianista e “arranjador arrojado” ( êpa!!!).

Se você gostar de COUNTRY há faixa com ROSANNE CASH – quebrando deliciosamente o clima urbano dos night-clubs.

O ponto negativo é a pobreza do box em si. As capas são verdadeiros “samplers”, apesar da excelente qualidade de som, da caixinha charmosa e do BOOKLET bem informativo.

Talvez seja o ideal para quem deseja ter visão abrangente dessa GRAVADORA-BOUTIQUE; estão aqui os grandes sucessos, por assim dizer.

Definitivamente, comprei!

E, se passar à sua frente uivando, ou rebolando, saque a “fadinha” do bolso! E use como varinha mágica!!!!

FOCUS – HOCUS POCUS – BOX SET

COMPREI ESTE BOX HÁ UNS TRÊS ANOS. CLARO, É LEGAL, COMPLETO, MAS A MASTERIZAÇÃO É PRECÁRIA.

VÁRIOS DISCOS MERECERIAM UM TRATAMENTO MELHOR, PRINCIPALMENTE PORQUE FOI O GRUPO DE ROCK PROGRESSIVO DA EUROPA CONTINENTAL (ERAM HOLANDESES ) QUE MAIS FEZ SUCESSO NA INGLATERRA, EM MEADOS DOS ANO 1970/80. UM POUCO MAIS DE CAPRICHO TERIA SIDO MUITO BEM VINDO, MAS ENFIM…

A IDEIA SOBRE A SONORIDADE BÁSICA DO FOCUS INCORPORAVA ALGO DO JETHRO TULL, UM TANTO DO PROCOL HARUM E ATÉ OS MOODY BLUES, SINTETIZADOS NA FLAUTA E ÓRGÃO DE THEJS VAN LEAR.

ACRESCERAM A ISSO UM ÓTIMO GUITARRISTA, JAN ACKERMAN, E A COMBINAÇÃO DOS TRÊS LEVOU A UM SOM PESADO E VIAJANTE, AO MESMO TEMPO.

PROCUREM ESCUTAR. FOCUS 3, HOCUS POCUS E O LIVE AT THE RAINBOW, PORQUE DÃO A MEDIDA CLARA DO QUE FIZERAM. HÁ OUTROS LEGAIS, TAMBÉM! E VALE A PENA CONSEGUIR O BOX.

MEMÓRIA: ASSISTI AO JAN ACKERMAN EM UM SHOW DA TURNÊ “NIGHT OF THE GUITAR, 1989”, JUNTAMENTE COM O LESLIE WEST DO MOUTAIN, E O WISHBONE ASH ORIGINAL, EM UM TEATRO IMPROVISADO EM SÃO PAULO, CHAMADO PROJETO SP!

FOI NOITE INESQUECÍVEL E COM POUCA GENTE, MUITA CERVEJA E AS TRÊS BANDAS ARRASANDO NO PALCO!

PORTANTO, SE INESQUECÍVEL, ENTÃO “INESQUECI”!!!!

RECORDANDO A COMISSÃO DA VERDADE

 

Sou totalmente a favor da maneira como ela foi organizada.

Eu, como cidadão, não aceito um Estado que usa métodos medievais para obter informações. Não aceito ser representado por Instituições que torturem, violem direitos de maneira geral, e direitos humanos em particular.

Então, se eu tivesse ingerência sobre as Forças Armadas, os “milicares”, e todos os que foram citados no relatório final, exigiria que o Estado abrisse totalmente as informações restritas sobre o período. Quem reprimiu já sabemos.

Agora, vamos saber o que confessaram os reprimidos da esquerda, o que fizeram, como fizeram, se houve mortos e quem matou quem do outro lado. E como foram os assaltos, os justiçamentos, as desapropriações. E quem colaborou com o regime, quem eram os traidores e todo um painel político e delinquencial, feito por essa ala da sociedade civil.

E, também, apareceria uma penca de cidadãos civis ditos de extrema-direita que fizeram atentados a bancas de jornais, à OAB, empastelaram jornais independentes, espancaram adversários pelo simples fato de serem de esquerda ou não concordarem como o regime vigente.

Os que cometeram atos de terrorismo urbano em nome de ideologias, fé religiosa e muitas outras barbaridades. Onde estão e quem são esses rapazes e moças bem nascidos, hoje bem postos por aí? Eles também devem ser contemplados com uma referência na história dessa sofrida Patópolis tropical, vocês concordam?

Ou seja, do “heroico brado retumbante”, conheceríamos “os heróis cobrados ressonantes”. E, se a história presente não se alterar muito, teremos elementos fáticos para escrever melhor a história para o futuro. Pois sociólogos, antropólogos, historiadores, e estudiosos de diversas áreas poderão fazer análises mais precisas do ponto de vista marxista, estruturalista, weberiano e o escambau. Que tal a minha sugestão?

É por isso que sou favorável à elucidação dos fatos históricos, mas que a lei da anistia seja preservada como está. Vamos encerrar de vez esse período lamentável de nossas existências.

“SEO FLORIANO”

 

Anos atrás, no apto de um amigo, aqui no Guarujá, eu conheci o Floriano. Sim, ele fez questão de ser chamado assim.

Papo veio e conversa foi, passamos uma tarde inteira tomando vinhos e comendo peixes. Melhor impossível.

Em quatro na mesa, a maioria aposentados, a prosa foi de música a praia, vivências, convivências, gentes e variedades que os muito rodados são capazes de botar na mesa.

Lá pelas tantas, aquele senhor jovial, lúcido, conversador, que nos acompanhou nos pratos e copos, contou que tinha 98 anos!!!! E que ainda pretendia comprar uma casa em Portugal e viver “um pouco” por lá. Morava sozinho, com empregada, cozinheira e motorista; independente, sem parentes para mandar, era dono de sua própria política!

Esteve em ação do governo Vargas em diante. Criou indústrias, empreendeu, viajou, fez filhos, viveu intensamente, como até agora…Uma filha sua é militante sincera de esquerda, conhecida, e vive em Paris… Sobre os outros eu não soube.

Floriano ia aonde desse na telha e meu amigo, entre outros, o levassem. Frequentava a praia todos os dias, batia perna e papo.

Noite dessas, novamente tomando algumas juntos, eu soube por meu amigo que o Floriano fora levado para SAMPA. A família achou mais conveniente manter um ícone vital como ele vivo, aos 100 anos, e cuidado durante esses tempos perigosos e bicudos.

Ele foi. Mandou foto de recordação para o meu amigo: em Londres, nos anos 1960/1970, a bordo de um “Rolls Royce”! Continua seguro e ativo como sempre. E disse que volta para o Guarujá assim que o bichinho da COVID e a família deixarem.

Quem se pensa eterno, desdenha o fim enquanto a vida durar.

COLIN VALLON TRIO – RRUGA – ECM RECORDS – 2011

 

Este é um dos discos mais bonitos que ouvi nos últimos dez anos!

Os que me conhecem devem saber que eu gosto muito do conceito, sonoridade, ética e princípios musicais da gravadora ECM. Eles vão fundo e sem preconceitos.

O critério é a qualidade artística e técnica, e certa compatibilidade com a percepção musical estendida, mas compreensível, pela cultura ocidental.

A ECM não é e nunca foi uma gravadora de WORLD MUSIC estrito senso.

De PAT METHENY a EGBERTO GISMONTI, passando por KEITH JARRETT e ARVO PART, navegam e prospectam em quaisquer cantos do mundo, onde a quase infindável quantidade de bandas e propostas se cruzem ou manifestem.

O exótico sempre se mantém. Mas, compreensível o tempo inteiro, porque comunicável através da riqueza propiciada pela estrutura do JAZZ e da MÚSICA EXPERIMENTAL; e até do POP desenvolvidos no ocidente. É o estranhável comunicado sem pastiche, redução ou simplismo mistificador. É sempre novo!

Aqui, mais um exemplo das fronteiras expandidas. COLIN VALLON, ótimo pianista; PATRICE MORET, um baixista que sabe garantir o andamento sutil; e SAMUEL ROHRER, baterista diferenciado. São jovens e suíços, e compuseram o repertório do disco.

O três têm vivências acompanhando jazzistas e músicos populares de arredores próximos e longínquos. Vão da cantora JAZZ – FOLK albanesa, ELINA DUNI; ao saxofonista suíço CYRILLE BUGNON. Eles pesquisaram até o FOLK TURCO substanciado e arranjado em JAZZ, em uma das faixas. E MORET é fã do RADIOHEAD!

Tudo isto perfaz um compósito original, melódico, sofisticado e belo! É “tudo junto ao mesmo tempo agora” – e novo!

RRUGA, algo como jornada, caminho, em língua albanesa, é o primeiro disco deles gravado para a ECM. Traz aquela paz inquieta, mas não a inquietude e urgência que, por exemplo, a música de MILES DAVIS nos transmite!

Se consigo descrever, afirmo que são composições intelectualmente muito bem desenvolvidas. Não há fios deixados soltos. Tudo foi ensaiado; nada parece improvisado, mesmo sendo a música livre, melódica, harmônica e ritmicamente desenhada para voar sem repetições ou “motivos” muito claros.

É obra construída por quem teve tempo para pesquisar, fazer e criar cada passo. Não há exageros; os andamentos são mais lentos, e tudo é costurado pela ação e interdependência entre os três ótimos músicos!

Não é o FREE e nem JAZZ EXPERIMENTAL. Quem sabe um tipo de MULTI-FUSION?

No disco, se observa um baterista de imenso repertório rítmico, quem sabe emulando o atual KING CRIMSON e suas três baterias afinadas diferentemente para também fazer “melodias”, e não somente acompanhar…

SAMUEL ROHRER constrói melodias e sonoridades para contrapontuar a melodia e harmonia do piano tocado por COLIN VALLON. E o faz com tal estilo, controle e destaque, como poucos que conheci. É um músico diferenciado, um grande baterista, que vale a pena observar! O resultado em cada faixa é mágico, quando percebemos a bateria transitando para o melódico, além do percussivo.

Mas, em momento algum há virtuosismo explícito e exacerbado de nenhum dos músicos. Elegância pode ser uma boa aproximação para a música que escutamos aqui.

Este é o único disco de VALLON gravado com a participação de ROHRER – que partiu para carreira solo. É muito possível que não tenha existido espaço para dois protagonistas desse nível em um trio…

A única contraindicação é você não ouvir o quanto antes esse disco irrepreensível. Um ótimo presente para ganhar no natal!

THE STORY OF JAMAICAN MUSIC – 1958/1993 -BOX COM 4 CDS

Tempos atrás, passei horas escutando este box de minha coleção. Ele está comigo há duas décadas ou mais e, confesso, nunca dei muita bola.

Dia desses, comentei que o REGGAE e estendo para a música jamaicana em geral, como o SKA, DUB, ROCK STEADY… são de chatice abissal.

Minha opinião não mudou muito, porém quando se escuta em sequência e sob uma perspectiva histórica, outras nuances e características vêm à tona.

O “BOX” tem quatro CDS e abrange de 1958 até 1993. Portanto, a nata do que foi criado no gênero está contemplada.

A música jamaicana melhora bastante a partir dos anos1970, com estúdios de gravação melhores e músicos mais refinados. O resto, é questão de gosto.

E se escuta nitidamente quando gente como SLY DUMBAR E ROBBIE SHAKESPEARE introduziram maior qualidade ao GÊNERO, com baixo e bateria mais pesados, variados, negros e dançantes, em meados dos 1980.

A coleção neste box é muito bem organizada, com ótimo livreto explicativo e interpretativo e, mesmo pegando em sua maior parte o acervo da GRAVADORA ISLAND, fica nítida a evolução dos diversos estilos, que mantêm como cerne o ritmo e a característica base de guitarras. O que nos dá a permanente sensação da unidade, um tanto óbvia e previsível, atravessando desde a transformação de um RHYTHM´N´BLUES quase tradicional americano; e caminhando lentamente para os ritmos jamaicanos e suas derivações. Tudo é dançável, festeiro, CLARO!l!

São 95 músicas, entre elas o primeiro grande HIT INTERNACIONAL que notei, o excepcional e até hoje delicioso e animador de festas “MY BOY LOLLIPOP,” um SKA cantado por MILLIE SMALL, no início dos anos 1960!

Tem “ISRAELITES”, com DESMOND DEKKER, mega hit em 1968; há “THE HARDER THEY COME “, com o lendário JIMMY CLIFF, quase hino de 1972. Está lá, também, “NO WOMAN NO CRY”, com BOB MARLEY, gravação ao vivo de 1975, em show histórico em Londres, entre tantas várias.

E não se pode esquecer que I SHOTT THE SHERIFF, com ERIC CLAPTON, que obviamente não está na caixa, trouxe o REGGAE para o público do ROCK. E daí em diante, a porteira se abriu!

Nos anos 1980, a MÚSICA JAMAICANA tomou conta das pistas de dança mundo afora. E frequentou inclusive FESTIVAIS DE JAZZ, ao redor do planeta. Os mais velhos talvez se recordem do “histórico e histérico” show de PETER TOSH, no FREE JAZZ FESTIVAL, de SAMPA!

Na época, a REVISTA ISTO É observou que o público presente havia FUMADO UM ALQUEIRE DE MACONHA durante o evento…

Mas, hoje não é somente a música que surgiu na JAMAICA. Se dermos olhada no cenário político, ele expandiu-se quando a globalização econômica e o multiculturalismo se tornaram presentes ( e até hoje ). E, com eles, eclodiu a chamada WORLD MUSIC, denominação para artistas de várias culturas, nacionalidades e localidades colocarem seus trabalhos para o mundo observar e consumir.

De BOB MARLEY a EGBERTO GISMONTI; de MILTON NASCIMENTO a GILBERTO GIL – o nosso REGGAEMAN! -; De NUZRAT FATEH ALI KHAN e FELA KUTI, a incontáveis músicos africanos, do leste europeu e Ásia todos tiveram sua hora.

A MÚSICA JAMAICANA têm DNA forte e identificável. Se olharmos de perto o BLUES e o SAMBA, percebemos que são vastos e característicos, também.

É impossível deixar de observar que, de certa forma, as tendências musicais desse…digamos… VASTÍSSIMO CARIBE , que vai do GOLFO DO MÉXICO à BAHIA, e passando por tanta coisa díspar e diferente, tem em comum um senso de ritmo dançante e sensual, e se comunica intensamente.

Do REGGAE ao AXÉ e o FORRÓ; da GAJIRA à CUMBIA, e etc.. são ritmos que põem o povo pra dançar, e ajudam a congregar pessoas e culturas.

São notáveis algumas técnicas e tecnologias para respaldar a diversão. O “SOUND – SYSTEM”, por exemplo, inventado nos anos 1950, nada mais é do que um D.J. com PICK UP ou CD PLAYER cercado por amplificação e caixas. É tocando em cada esquina da JAMAICA, e se comunica com as RADIOLAS do nordeste, e com os TRIOS ELÉTRICOS BAIANOS.

SÃO TECNOLOGIAS A SERVIÇO DA “MAGIA CULTURAL” PARTICIPANTE.

Em resumo: se a música jamaicana tem pouco a ver comigo; é muitíssimo desejada e curtida em todo o PLANETA TERRA ( quem sabe em outros, também… ). No gênero, tenho certeza de que este BOX histórico é excelente pedida. Um ótimo guia para começar a colecionar os vários subgêneros – que é repleto de discos raríssimos e muito disputados internacionalmente.

Portanto, divirtam-se e respeitem os “Januários” do Pop!

BLUES PROJECT & SEATRAIN – 1965/1972 O BLUES FORA DO ÓBVIO E MUITO ALÉM…

 

HOUVE TRÊS NOMES DE BANDAS QUE SEMPRE ME IMPRESSIONARAM : “ELECTRIC PRUNES”, “THE MUSIC EXPLOSION” E…”THE BLUES PROJECT”. NOMES FORTES, MAGNÍFICOS, EXPRESSIVOS, EU ACHO…

VOCÊS SABIAM QUE QUATRO “GUITAR – HEROES’ DA PESADA SÃO DE ORIGEM JUDAICA? VAMOS LÁ: “PETER GREEN”, INGLÊS. E TRÊS MERICANOS: “THAT FAT GUY FROM QUEENS”, COMO DIZIAM NOS ANOS 1970 SOBRE “LESLIE WEST”, CONSAGRADO NO MOUTAIN. E “MIKE BLOOMFIELD” E … “DANNY KALB”.

Mas tio Sérgio, quem é o honrado e último mencionado por sua impertinência?

Eu conto: “DANNY KALB” era o guitarrista dos “BLUES PROJECT”. Dedilhar minimalista, cuidadoso, com estilo identificável a cada audição.

😮 “BLUES PROJECT” foi um grupo espetacular, de vida curta e errática; criado em Nova York, em meados dos anos 1960 e, curiosamente, os integrantes eram todos descendentes de judeus…

Além de KALB, um craque explícito, passaram por lá “STEVE KATZ” e “AL KOOPER”, que ajudaram a fundar outro enorme, histórico e consagrado grupo americano, o “BLOOD, SWEAT & TEARS”, em 1969. A participação de ambos foi marcante!

O “BLUES PROJECT” esteve além da repetição dos STANDARDS DO REPERTÓRIO FOLK DA ÉPOCA. E das tradicionais características dos gêneros pelos quais transitou.

Criou um BLUES verdadeiro, amalgamado ao FOLK com pitadas de JAZZ, COUNTRY, algo de ROCK, mas sempre de vanguarda. Mais para a linha do que fizeram os ingleses a partir de 1966/1967, do que a tradição americana.

Eram PROGRESSIVOS? Certamente, se observarmos os aspectos de vanguarda na música deles.

“Ma non tropo”! Apenas faziam FUSIONS diversas entre elementos de músicas do dia-a-dia. Competentes.

Aqui estão alguns discos que fizeram. Uma coletânea dupla esplêndida, conjugando faixas dos seis Lps da banda. São todos interessantes – eu garanto.

E outros originais de estúdio, já com a formação alterada, mas não muito longe da linha original.

Entre os destaques o vital, cult e imprescindível “LIVE AT THE CAFE AU GO GO: show de técnica, feeling e calor! É pauleira brava!

Você jamais ouvirá uma gravação de “SPOONFUL” tão espetacular como a deles! Sem contar “BACK DOOR MAN”, “JELLY, JELLY BLUES” e “WHO DO YOU LOVE”, inesquecíveis, originais, pesadas e, quem sabe, ainda não superadas!!!!

Para os que colecionam informo que este LONG PLAY saiu no Brasil, em 1966, pela VERVE FORECAST. Eu tive. Consegui, por volta de 1969. Sei que dois dos nossos por aqui@Aldo Portes de FrançaLuiz Sérgio Do Espírito Santo também têm! Portanto, lição de casa para quem não sabia: conseguir uma cópia em vinil ( Quá, duvi-d-o= do!!! ). Tá bom, ao menos procurem em Cds, vale além da pena!!!

Indico, também, curiosidade imperdível: dois discos do “SEATRAIN”, uma dissidência dos “BLUES PROJECT”, gravados em 1971; e que trazem atrativo muito instigante: foram produzidos por “GEORGE MARTIN”!

Sim, aquele senhor fleumático que produziu, também, aquele grupo inglês…ahnnn “THE BEATLES”, quem sabe…

Ah, foi isso mesmo…

“MARTIN” fez um trabalho de produção espetacular para uma banda surpreendentemente boa, que mescla COUNTRY, BLUES e fortes pitadas de ROCK PROGRESSIVO.

As gravações são de clareza absoluta; límpidas; deixando de lado uma talvez esperada aspereza BLUESY. É um trabalho de primeiro nível!

Poucas vezes você ouvirá um violino em música popular tão bem tocado, como fez “RICHARD GREENE”. Performance verdadeiramente mágica; e corretamente integrada com teclados sutis, mas sem perder a referência do BLUES e do FOLK. São dois discos raros e preciosos.

Como sempre, seria possível continuar expondo curiosidades, mas será legal se vocês forem procurar saber também desses moços.

Vale o esforço, porque em troca haverá prazer de ouvir e, quem sabe, colecionar.

Tio SÉRGIO garante!