INCERTO SÁBADO À TARDE, EM 1973…

Eu me lembro com bastante nitidez de certo sábado, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia; deve sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre eu sei. Mas, desfrutando momento de rara completude. Palavra mágica e conclusiva.
Quase 50 anos se foram, mas aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, ainda não existiam a WOP BOP ou a BARATOS AFINS, as duas lojas que fizeram história por conseguir congregar um certo público que curtia o UNDERGROUND, o ROCK e arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas. Aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE, já circulando por aqui; e jornais alternativos onde esforçados jornalistas, como LUIZ CARLOS MACIEL, nos informavam sobre o novo “perenizado” pós a suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL. Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas não removidas – feito tatuagens.
Existiam grandes lojas que importavam, traziam discos e novidades. Mas eram tão caros como hoje é, e sempre foram…
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras!
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN, naquela coisa do americano solitário contra o sistema, e sempre “ON THE ROAD”; torturado pela imprecisão psicológica, feito um JAMES DEAN ou JIM MORRISON, que os antenados de minha geração conheceram. Vem daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade alguns anos depois, lá por 1977/1978, Mas, jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”. O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite da SOUL MUSIC e do R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
Nesse álbum ele está acompanhado por craques, como J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e desconhecido disco, TIO SÉRGIO garante. Brilhando no fundo do poço do ROCK. Experimente.
Também me recordo de ter visto o disco de BOB SEGER e separado para comprar. Enquanto isso, rolava no PICK UP outro chegado naquele momento, o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Mais um Impacto fulminante. Míssil direto no cérebro e no corpo! Para mim, até hoje é o melhor disco que fizeram.
Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY, algumas novidades tecnológicas, como “delays” e outros “babados”; faixas interligadas e sem espaço, e dão sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso, na década de 1970. E fez outros discos bastante bons. É álbum bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, claramente “Made in America”, como um CAPTAIN BEYOND e o KANSAS; ou o GRANDFUNK RAILROAD.
Um pouco antes, eu havia comprado o HUMBLE PIE – ROCK ON, de 1971. Eu lembro bem: estava aberto e foi no MUSEU DO DISCO. Os meus amigos SILVIO DEAN, FRED FRANCO JR. e ALDAHYR RAMOS, estavam lá!
A capa bizarramente americana não descreve o conteúdo magnífico. E a sequência é matadora: começa com SHINE ON, prossegue em altíssimo nível e repertório variado, expondo habilidades instrumentais e vocais de STEVE MARRIOTT e PETER FRAMPTON; e as performances corretas do baterista JERRY SHIRLEY e de GREG RIDLEY, no baixo.
O álbum vai do BLUES ao HARD ROCK em fogo crescente; explodindo feito vulcão. Não tem jeito de não empunhar um “AIR GUITAR” no final, quando FRAMPTON E MARRIOTT duelam e se complementam. E você jamais ouvirá ROLLING STONE, de MUDDY WATERS, em gravação tão precisa, empolgante e explosiva como aqui. É um dos melhores discos da década de 1970! Só isso! Obra de arte vibrante, incomparável!
Se você está ou esteve com uns 19 anos; e acha que a vida pode sorrir para sempre, observará que certas coisas e momentos marcam no “fundo profundo…”
Aproveitei para trazer outros discos que rodeavam o meu espírito, naqueles tempos. São parte e também motivos de a memória daquele inesquecível sábado me sequestrar até hoje.
Desejo a todos que tenham ou venham a ter experiência tão cativante…
Justificam viver!
POSTAGEM ORIGINAL REDEFINIDA : 06/08/2025
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FLORESTAN FERNANDES, SOCIÓLOGO – INTELECTUAL ÍNTEGRO E ÚTIL

O epíteto que arrumaram para ele não condiz. Se FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, que foi seu assistente, era conhecido como o “Príncipe dos Sociólogos” ( ridículo! ), então o Rei seria quem?
FLORESTAN era um homem de esquerda, mas não militante. Um teórico que sabia sobre o que ensinava. E ouvi de professores que tive formados por ele, que o mestre era inflexível na exigência de estudos e disciplina de aprendizagem.
FHC em seu recente livro de Memórias, “UM INTELECTUAL NA POLÍTICA”, conta que a politização da UNIVERSIDADE veio muito depois, e que FLORESTAN era um professor que trabalhava baseado em teorias e, principalmente, em pesquisas empíricas, de campo. E que só radicalizou-se em função do GOLPE de 1964 – aliás como todos os que sobreviveram, na FFLCH da USP. Eu sou discípulo direto intelectual e politicamente desses professores e daquela condicionante histórica.
O antropólogo AMADEU LANA, meu ex-professor e discípulo direto de FLORESTAN FERNANDES, certa vez disse humoradamente à classe, que aquele bando de “pós-hippies esquerdistas” ( nós ) não tínhamos ideia do que nos aconteceria se fôssemos alunos do mestre! Não haveria oba-oba, moleza ou badalação. Ficamos incrédulos e paralisados!
O professor FLORESTAN ensinava nos EUA quando estive na USP entre 1974 e 1979, do século passado ( pasmem rindo! ). Fui aluno por uns tempos de HELOÍSA FERNANDES, filha dele, e ótima professora da geração 68. FLORESTAN foi mito sem rito possível no meu tempo.
Mas o mundo roda e a pomba-gira!!!! ( que infâmia!!! )
Quando FHC foi eleito Presidente da República, em 1994, no dia da posse FLORESTAN, já Deputado Federal pelo PT, disse a ele a frase seminal: “EU NÃO CRIO GATOS, EU CRIO TIGRES”! ” Pois é, um sociólogo na Presidência do Brasil foi prova cabal!
Pouco tempo depois, foi descoberto um câncer de intestino do mestre FLORESTAN. FHC e todos os amigos, agora postos no governo, ofereceram ao professor tratamento diferenciado no exterior. Ele recusou. Não achava correto ter além do que a média do povo brasileiro teria – e ainda mais às custas do Estado! FERNANDO HENRIQUE também conta que pela vida inteira jamais chamou o velho mestre de “você”. Ele e seus alunos o chamavam de SENHOR!
FLORESTAN FERNANDES tinha caráter. E ser íntegro é pressuposto essencial para um MITO!
Que Deus o tenha. E a História o reverencie.
POSTAGEM ORIGINAL: 6/08/20218

GREGORY PORTER – A BOLA DA VEZ NO RHYTHM’N’BLUES

Dia desses, vi o moço e banda na televisão. Gostei; e resolvi tentar.
GREGORY PORTER está por aí faz um bom tempo. E faturou GRAMMY, em 2014, por seu álbum LIQUID SPIRIT. Foi premiado na categoria de melhor cantor de JAZZ.
JAZZ? Eu acho que não é.
Coisa imprecisa e irritante nos tempos atuais, é classificar qualquer música que tenha arranjos mais elaborados, usem instrumentos presentes na tradição jazzística, e sejam tocados de maneira similar ao “JAZZ”, como sendo verdadeiramente JAZZ.
Nem tudo; pensando melhor, quase nada é JAZZ. Venderam também a BOSSA NOVA como JAZZ. E ela não é; ainda que música de alta qualidade, portanto “jazzificável”… BOSSA NOVA é MPB.
GREGORY PORTER não canta JAZZ, mas RHYTHM ´N´BLUES, o popular R&B. Ele é bom e versátil cantor, e tem iniciativas e estratégias de repertório muito adequadas. Está dentro da tradição da melhor música negra – ooopss!, melhor dizer BLACK MUSIC americana.
Ele vem bem acompanhado por banda competente e integrada. E TIVON PENNICOTT, o sax tenor, é muito bom; com fraseado elegante, pessoal, inteligível e cheio de balanço. Ouvir GREGORY é muito agradável. Mesmo ele tendo sutis deficiências nos registros baixos, e pouca extensão de voz para tentar alcança-los.
Paciência; porque isto não o diminui. Apenas o torna um cantor um pouco menos interessante do que supõe-se que seria… Ele é BARÍTONO. Vai bastante bem em registros médios, e atinge fácil o TENOR.
STILL RISING, CD DUPLO lançado pela UNIVERSAL mundo afora, através do selo BLUE NOTE ( que não se perca pelo Status ), saiu também no BRASIL.
É um projeto bem pensado. O primeiro disco é coletânea de sucessos e melhores faixas. E PORTER segura o jogo em repertório com várias possibilidades do R&B, e da SOUL MUSIC MODERNA.
Estão por lá, inclusive, surpresas como “WHY DOES MY HEART FEEL SO BAD, música do famoso D.J. MOBY; além de faixas acompanhadas por ORQUESTRA. Tudo é adequadamente produzido e cantado. GREGORY foge do açucarado nas músicas românticas. E o jeito NEGÃO de cantar cobre legal as faixas mais ritmadas e dançáveis.
O segundo disco é, também, surpresa interessante. Virou prática na indústria da música pegar um artista de sucesso e testa-lo em duplas com outros artistas – mortos ou vivíssimos. E, também, em repertórios além do encontrado em seu estilo habitual.
Eu acho muito bom, porque expõe os limites e as potencialidades; e de alguma forma renova em tempo real o próprio artista. Aqui há outra música dele e MOBY; e duplas com gente atual: JAMIE CULLUM, PALOMA FAITH, RENÉE FLEMING, LAURA MVULA, a para mim desconhecida e impronunciável TRIJTJE OOSTERHUIS. O venerável violoncelista YO YO MA também contribuiu refinando PORTER um pouco mais ainda.
Muito legais são as duplas com “de cujos” famosos. GREGORY foi bem com ELLA FITZGERALD, BUDDY HOLLY, JULIE LONDON, NAT KING COLE e DIANE REEVES. Ressuscitou defuntos célebres, eternamente insepultos. O NEGÃO mostra talento, versatilidade, bom gosto e competência cantado com todos.
O seu estilo de cantar é influenciado por gente do naipe de RAY CHARLES, DONNY HATHAWAY, BILL WITHERS e, acrescento eu, GIL SCOTT- HERON e BOBBY WOMACK. Tudo fica mais nítido enquanto ouvimos.
Outro disco agradável e bem feito por GREGORY PORTER é “NAT KING COLE & ME”, também lançado pela BLUE NOTE, em 2017.
Achei as versões muito boas, porque fogem do jeito de cantar do grande NAT COLE, e de seus contemporâneos JOHNNY MATHIS e EARL GRANT: aquele “algo mais exótico, tipo um certo branqueamento” da VOZ NATURAL da maioria dos PRETOS.
GREGORY mantém o jeitão mais R&B, e o resultado é uma atualização dos clássicos para os tempos correntes. Ele é acompanhado pela LONDON STUDIO ORCHESTRA, regida por EVERTON NELSON, que emula o estilo do grande maestro e arranjador alemão CLAUS OGERMAN. Os que ouviram as orquestrações que ele fez para TOM JOBIM, JOÃO DONATO, e DIANA KRALL entenderão.
Aqui, a orquestra soa “ao POP romântico” e algo açucarado dos tempos áureos de COLE, MATHIS, etc. Agradará aos mais velhos e saudosistas; e, também, a turma que aprecia BLACK MUSIC artística, melódica e mais tradicional.
Tente. É interessante e bonito!
POSTAGEM ORIGINAL: 05/08/2023
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A SAGA DE DICK ROWE, O ANJO CAÍDO

Acasos fazem parte da vida e tanto premiam quanto punem.
O produtor DICK ROWE e o goleiro BARBOSA, da seleção brasileira de 1950, foram escrachados enquanto viveram por terem cometido falhas imperdoáveis!
BARBOSA, um grande goleiro, ficou associado à vitória do URUGUAI naquele fatídico jogo na final COPA DO MUNDO de1950. Ele não pegou o chute de GIGHIA, sempre hipótese possível quando se dá de cara com um adversário habilidoso.
E o pobre MOACIR BARBOSA DO NASCIMENTO frustrou o Brasil inteiro, porque “todo brasileiro homem” estava literalmente no MARACANÃ… Eu conheci um monte de gente que jurou haver assistido tudo de perto… HUMMMM!!!! Pela minha conta, havia uns dois milhões de compatriotas no estádio…
Talvez mais…
DICK ROWE cuidava do departamento de A&R (artistas e repertórios) da GRAVADORA DECCA quando BRIAN EPSTEIN, naquele primeiro dia de janeiro de 1961, levou os BEATLES para gravar umas demos, e ver se a gravadora os aprovava.
No estúdio estavam MIKE SMITH, famoso produtor da casa; TONY MEEHAN, ex-baterista dos SHADOWS, que dirigiu a sessão – e ficou tristemente famoso por garantir que BANDAS DE GUITARRA já estavam fora de moda, em 1961…
Perspicácia com certeza não era o forte do moço. Afinal de contas, os SHADOWS gravaram mais do que CEM Long Plays. E em mais 70 anos de ROCK não faltaram guitarristas e GUITAR BANDS… Mas há dois fatos: o histórico THE DECCA TAPES, que resultou daquela sessão, é ruim de fazer porco mugir! E TONY MEEHAN sabia o que era um bom ROCK AND ROLL…
Se querem contraexemplo nítido, ouçam o disco de CLIFF RICHARDS gravado ao vivo em estúdio, em 1959, acompanhado pelos DRIFTERS, o primeiro nome da banda que se tornou THE SHADOWS.
Ladys and Gentlemen, TIO SÉRGIO garante: aquilo sim é ROCK AND ROLL: LONG PLAY vibrante, que também foi lançado no BRASIL com o nome sonoro de ROCK TURBULENTO!!! álbum colecionável de primeira linha!
Terminando o “início”, a DECCA não aprovou. E coube a DICK ROWE, o chefe da turma e notório queixo duro, dizer na lata para BRIAN EPSTEIN que eles não gostaram do som da banda, e por isso, etc…e tal.
Sorte dos BEATLES. Se tivessem ido para a DECCA não teriam sido produzidos por GEORGE MARTIN, na PARLOPHONE. E, certamente, discos seminais, como REVOLVER, RUBBER SOUL e SGT PEPPERS não existiriam.
Mas como estigmas persistem, poucos observam que DICK ROWE não era bobo. Ele sentiu o baque das críticas, mas não perdeu tempo. E contratou para a DECCA os ROLLING STONES, e os MOODY BLUES; lançou os ZOMBIES, o THEM de VAN MORRISON e os SMALL FACES. E até JOHN MAYALL & THE BLUESBREAKERS!!!
Cuidou da carreira de BILLY FURY (esqueci de postar..) lançou TOM JONES, e também POP HIT MAKERS anos 1960, como THE MARMELADE e os TREMELOES para ficar em poucos…
Ao contrário do nosso lendário e triste BARBOSA, um estigmatizado sem glória, DICK ROWE deu a volta por cima e continuou se lixando…
POSTAGEM ORIGINAL: 04/08/2022
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TRAFFIC – DA PSICODELIA AO CROSSOVER “R&B – PROGRESSIVO & JAZZ” – 1967/1974

EM QUALQUER ATIVIDADE HÁ PRECOCES, SUPERDOTADOS E GÊNIOS.
“PETER FRAMPTON” É UM SUPERDOTADO: AOS 16 ANOS ERA PROFISSIONAL; AOS 18 TINHA 3 SINGLES DE RELATIVO SUCESSO COM O GRUPO “THE HERD”; E TORNOU-SE GUITARRISTA E CANTOR ADMIRADO ATÉ HOJE.
HÁ, TAMBÉM, STEVIE WONDER, QUE AOS DOZE ANOS GRAVOU LP AO VIVO PARA MOTOWN; AOS 16 OSTENTAVA SÉRIE DE SINGLES E LPS. HOJE, É INSTITUIÇÃO; E GÊNIO CONSUMADO ENTRE OS PRECOCES. ALGUÉM DISCUTE?
E TEMOS STEVE WINWOOD. UM OUTRO CASO SÉRIO:
Algum tempo atrás, a revista RECORD COLLECTOR o entrevistou. Em dado momento perguntaram algo assim: ” STEVE, aos 13 anos você tocava piano em pubs e já cantava com voz peculiar. Você não sente falta de não ter jogado bola, e coisas que todo adolescente faz?
A resposta: Rindo; “Fiz coisas e adquiri vivências que os garotos se matavam para conseguir muito, mas muito mais tarde do que eu.” Ele falava de farras e mulheres. Aos 15 anos, com o “SPENCER DAVIS GROUP” ele tocava em boates de Strip Tease !
Você dirá; “Mas como, TIO SÉRGIO? Na Inglaterra “poser” e conservadora de 1964?”
Funcionava assim: colocavam o órgão na porta da cozinha, e estendiam um lençol em frente para o nosso garoto não assistir às “Saliências”. Mas não adiantava. Menino bonito e talentoso atraía meninas (muitas!) para fazer o que o jovem Macron fez com a professora… (hum …. alguém se lembra?)
Vamos falar sobre a carreira do espetacular e diferenciado TRAFFIC. A intenção inicial de WINWOOD era formar uma banda e veicular suas ideias. Mas não aconteceu bem assim. Ele se juntou a “JIM CAPALDI “, bom baterista e letrista; “CHRIS WOOD”, sax, flauta, etc… E, também, a DAVE MASON, multi-instrumentista, cantor, compositor, e outro caso à parte na história do POP; porém, concorrente interno na direção do grupo. Todos, exceto WOOD, fizeram carreira solo de algum sucesso.
STEVE e MASON discordavam muito, mas se entenderam. E os dois primeiros álbuns, “MR. FANTASY”, de 1967, e “TRAFFIC”, DE 1968, são joias da PSICODELIA INGLESA. O trio “CAPALDI, MASON E WINWOOD” compôs o repertório. A eficiência e bom gosto de WOOD e CAPALDI deram a solidez para dois músicos criativos: STEVE e DAVE.
Tudo o que você queira saber sobre o ROCK PSICODÉLICO INGLÊS dos 1960, de certa forma está contido no “TRAFFIC”: WORLD MUSIC HINDU; resquícios de JAZZ e MÚSICA CLÁSSICA; base em BLUES, e algo indefinido do R&B, com STEVE cantando.
O som em geral, é algo “triste e melancólico”, e agrega o FOLK PSICODÉLICO em transição para o ROCK PROGRESSIVO, culminando em FUSION peculiar – Inédita!
Não deixem de ouvir uma das canções mais inventivas de todos os tempos. Completamente ROCK e VANGUARDA, tocada com SITAR, CRAVO, FLAUTA, e etc…, “PAPER SUN” é monumental!
Antecipa, de certa maneira, a ideia dos MOODY BLUES para outro grande disco da PSICODELIA INGLESA: “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, feito em 1968 – Também álbum inovador e grandioso!
Quer dizer, TIO SÉRGIO, que a gente deve considerar a sonoridade do TRAFFIC, nesta fase, um tipo de “FUSION”? Sim; e por que não? E também ROCK PROGRESSIVO, por supuesto! E que tal um defini-lo “CROSSOVER” entre estilos que se interpõe,” intrapõe “, e se amalgamam? Sugiro que assim seja. É genial e belíssimo!
Porém, como a vida e as relações entre pessoas são imperfeitas; se de certa forma o produto agradava MASON, estava um tanto longe da ideia concebida por WINWOOD; que buscava por um som mais JAZZY, mais BLUESY; e um tanto percussivo!
Quem sabe, na linha do que JOHN MAYALL fez em “CRUZADE”, por exemplo. E acrescido com outro sabor da moda: o LATIN ROCK do “SANTANA”. “Vício emulado” que habita WINWOOD até hoje!
DAVE MASON saiu do TRAFFIC porque pretendia algo mais autoral e menos chegado ao BLUES. Talvez?
Com “STEVE” no comando eles transitaram para outro universo. “JOHN BARLEYCORN MUST DIE”, de 1970, álbum entre os melhores feitos por eles, é mais instrumental. Apoiou-se no R&B e no JAZZ, com aproximações tanto ao BLUES e ao FOLK, por assim dizer. Esqueçam alavancagens psicodélicas e outras originalidades pregressas.
Se alguém quiser comprovar o fascínio de STEVE por percussão, vá lá e ouça os discos ao vivo do TRAFFIC. Ela é linguagem integrante, e não como acessória. “WELCOME TO THE CANTEEN”, o primeiro deles, gravado em 1971, é claramente “SANTANISTA”, com focos nos bateristas JIM GORDON, CAPALDI, e no percussionista ganense “REEBOP KWAKU BAAH”. O álbum encerra a fase psicodélica com o repertório dos primeiros discos. DAVE MASON também voltou à banda pela última vez.
Em seguida, veio o que é para muitos o melhor e mais conhecido álbum do TRAFFIC: “THE LOW SPARK OF HIGH HEELED BOYS”, 1971. Lá está agregado RICK GRETSCH, baixista que estivera com o quase natimorto cult BLIND FAITH. O LONG PLAY traz, também, uma inovação no design da capa, que se repetiu no disco seguinte: ela é criativamente “oitavada”. É disco que forma com o subsequente “SHOOT OUT AT THE FANTASY FACTORY” , 1973, o “intercurso estético” entre o ROCK PROGRESSIVO e a FUSION-JAZZ-BLUES que os consagrou. Foram os dois maiores sucessos comerciais da banda; aliás, muito famosa nos EUA. E ambos se tornaram Discos de Ouro.
Tecnicamente, o grupo atingiu o seu clímax. WOOD, CAPALDI e WINWOOD trouxeram a consagrada cozinha rítmica dos americanos do “MUSCLE SCHOALS STUDIO”: ROGER HAWKINS, bateria; e DAVID HOOD, baixo .Estão presentes diversos HITS da “SOUL MUSIC ” e do “R&B” gravados para a ATLANTIC RECORDS. REEBOP também permaneceu na banda.
Para selar em definitivo a nova sonoridade e a integração entre todos gravaram, em 1973, o disco duplo ao vivo “TRAFFIC ON THE ROAD”. STEVE WINWOOD toca como se fora “THELONIOUS MONK”, cheio de silêncios e intervalos. O espaço dado ao sopro para CHRIS WOOD também funciona magicamente: sutil, compassado, efetivo. É outro álbum indispensável em qualquer discoteca de bom gosto.
A saga do TRAFFIC termina em 1974 com “WHEN THE EAGLE FLIES”. Menos ambicioso – e bastante bom. Algo a caminho do que hoje se chamaria de “PROG”. Quer dizer, parece ROCK PROGRESSIVO, mas não é, necessariamente…
Deixo de lado a tentativa de retorno que fizeram em 1994. Acho que “não ornou”. Resumindo, o TRAFFIC construiu uma discografia e perspectiva musical que se justifica por ela mesma.
Perca-se neles!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/08/2020
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ART BLAKEY & THE JAZZ MESSENGERS – HARD BOP NA VEIA!

Senhoras e senhores leitores, amigos e conversadores:
serei breve e ultra claro.
Se vocês querem ouvir JAZZ MODERNO pra valer; sem fricote, sem frescura e cheio de balanço; com piano e metais ultra bem tocados; e a bateria em sua função primeira, que é garantir o ritmo; então, caiam de boca, pernas, ouvidos e coração no HARD BOP!
O estilo é uma evolução do BEBOP, que teve o seu período áureo entre 1955 e 1965. Mas ainda inspira seguidores e fãs.
Ele se desenvolveu contra o COOL JAZZ e seus maneirismos, delicadezas e sofisticações. É TAMANCO SEM COURO: PAU PURO! E “ART BLAKEY e os JAZZ MESSENGERS” foram os representantes mais famosos do HARD BOP.
Tentar seguir o mestre é muito difícil; foi um grande baterista que tocava direto, pesado e limpo. “ART BLAKEY” não era PRIMA DONA egocêntrica. Sua performance como LÍDER sempre foi garantir a seus músicos o espaço, e a eficiência do ritmo e do andamento para que brilhassem, e fizessem JAZZ divertido e autêntico!
“BLAKEY” passou por por umas 15 gravadoras! Entre elas, a COLUMBIA, BLUE NOTE, ATLANTIC e CONCORD. E mesmo ficando se gravar entre 1966 e 1972, ele deixou 47 álbuns originais de estúdio; e 21 gravados ao vivo – o que dá ideia do que era o JAZZ pra ele: arte popular direta para a plateia.
O “JAZZ MESSENGER” foi criado em 1953 por BLAKEY e o pianista HORACE SILVER – que saiu logo em seguida. E a quantidade de artistas do primeiro time que tocaram em seu grupos, até 1990, é espantosa!
Gente como os saxofonistas LOU DONALDSON, HANK MOBLEY, LEE MORGAN, BENNY GOLSON, WAYNE SHORTER, TERENCE BLANCHARD, e SONNY STITT. E trompetistas da estirpe de CLIFFORD BROWN e DONALD BYRD, para citar muito poucos!
O piano era estrutural para o HARD BOP. E passaram pelas variadas configurações dos “JAZZ MESSENGERS” pianistas em nível de KEITH JARRETT e CEDAR WALTON; e o magnífico JAMES WILLIAMS, que dá um SHOW no LP “REFLECTIONS IN BLUES”, na foto, gravado em 1978. Vocês precisam ouvir este LP!!!!
E se quiserem ver a bateria de BLAKEY aplicada ao ROCK e ao BLUES, procurem ouvir “MOVING ON”, de JOHN MAYALL, gravado AO VIVO em 1974. KEEF HARTLEY, discípulo direto de ART BLAKEY, introduz de cara, na primeira faixa, a sua bateria precisa: É HARD BOP na veia!!!!
Cultivem!
POSTAGEM ORIGINAL: 03/08/2023
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NINA SIMONE “SINGS ELLINGTON” – COLPIX, 1962 VINIL BRANCO – 180 GR – EDIÇÃO LIMITADA

Eu recordo de versão sacana de OH, SUZANA, canção popular do folclore americano, que a garotada no início da década de 1960 costumava cantar pra chatear a professora no recreio. Vai aí:
“OH SUZANA, NÃO CHORES POR MIM… PORQUE VOU PRO ALABAMA TOCANDO BANDOLIM” . A segunda frase os pequerrucho substituíam, gargalhando, por: “JACARÉ COMPROU CADEIRA, E NÃO TEM BUNDA PRA SENTAR…”
Pois, é: eu vez por outra compro algum LP, alguma edição oficial, mas alternativa à primeira edição no país de origem. Sempre da mesma época, mas lançada em outro país, essas coisas. Acho bonito.
Na começo dos 1960, era normal as edições inglesas e americanas serem diferentes. Algumas totalmente modificadas, combinando dois, três LPS em um só. Inclusive com outras fotos de capas.
E comparem, também, com os lançamentos da época,no BRASIL! Se considerar edições suecas e japonesas, então… permitam o neologismo, eram muitas vezes, “reoriginalizadas” da capa ao conteúdo. Com o tempo, isso tudo virou item de coleção. E me interessa.
Eu tenho pensado: se tenho todas as músicas do artista em algumas das edições em CDS, porque não conseguir, aos poucos, outras peças interessantes, mas em VINIL? Mesmo que eu não as ouça; e apenas para completar coleções?
E assim, dei de cara com este LONG PLAY atualizado: NINA SIMONE “SINGS ELLINGTON”, original da COLPIX, lançado em 1962! A capa tem foto ultra expressiva! E a prensagem em VINIL BRANCO é de qualidade e beleza nítidas.
Chegou via “FADINHA MASTERCARD” por $ 20,00 – uns R$ 100,00 MANDACARUS…Aproveitei, porque a festa pode estar acabando…
A maioria das músicas eu tenho em CDS. E, claro, posso ouvir o disco inteiro via “STREAMING”, se quiser…
É um bom disco, e pega EUNICE WAYMAN já artista madura, com 29 anos, e a voz expressiva de sempre. Mas, ainda sem o acento grave e rústico, que desenvolveu posteriormente, e a celebrizou.
O repertório é DUKE ELLINGTON, clara garantia de qualidade.
Mas, sem a orquestração do mestre. E, sim aquela sonoridade mais tradicional, que os “VINTAGES” como o TIO SÉRGIO aqui, identificam em gravações de orquestras acrescidas por corais de gostinho GOSPEL pós DOO-WOP. Por exemplo RAY CHARLES, no mega HIT “I CAN´T STOP LOVING YOU”, também de 1962.
Resumindo, o disco segue mais ou menos por este caminho; conteúdo algo POP, comercial, e não jazzístico. Ainda assim, está presente aquela fleuma BLACK, BLUESY, do RHYTHM´N´BLUES quase ROCK, do final dos 1950, até por volta de 1964.
Ela nem sempre é boa cantora. Mas, é a mais expressiva intérprete da negritude vocal americana, a lado de LOUIS ARMSTRONG.
EUNICE, oooopppss!!! NINA SIMONE, é o nome criativamente artístico que adotou juntando a expressão espanhola “NINA”, que significa “MENININHA”, com homenagem à grande atriz francesa SIMONE SIGNORET. NINA pretendia tornar-se a primeira americana negra pianista de música clássica. Estudou pra valer, tinha talento, técnica e determinação. Mas, a vida a levou para polo correlato.
Para manter-se, passou a tocar e cantar em clubes, bares, e foi descoberta. O vozeirão magnífico a desviou da meta.
Gravou os compositores clássicos da canção americana. Foi de GERSHWIN a COLE PORTER, e o que você lembrar. Trouxe ao repertório o POP de BEE GEES a LEONARD COHEN, passando por SANDY DENNY…
Muito sintética e inteligente, dizia fazer “BLACK CLASSIC MUSIC”, aquela somatória imensa de influência da cultura negra na moderna música popular americana.
NINA SIMONE é um patrimônio da humanidade! Deixou 69 ÁLBUNS; deu 3535 concertos, e gravou 152 SINGLES e EPS. E construiu STATUS enorme como cantora e intérprete diferenciada, até morrer ao 70 anos, em 2003.
Eu adoraria encontrar um EP. onde estão três músicas em gravações estelares que ela deixou: “I LOVE YOU PORGY”, “I PUT SPELL ON YOU” e “DON´T LET ME BE MISUNDERSTOOD”. Cairia bem na coleção que vou fazendo com os discos dela.
E se JACARÉ COMPROU CADEIRA, MAS NÃO TEM BUNDA PRA SENTAR; O TIO SÉRGIO COMPRA VINIL, MAS SEM PICK UP PRA TOCAR!
POSTAGEM ORIGINAL:01/08/2023
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UM SÁBADO A TARDE, EM 1973… COM BOB SEGER e THE BLUE OYESTER CULT!

Eu me lembro com nitidez de certo sábado à tarde, em 1973. Recordo a luminosidade daquele dia, e suponho que tenha sido entre e abril e maio.
Por motivo que não identifico claramente, eu estava tranquilo e feliz. Não alegre, eu sei. Mas desfrutando de raro momento de completude. Mais de 50 anos se foram, porém aquele sábado reteve-se em mim.
Em 1973, já existiam grandes lojas que importavam discos e novidades. Eram tão caros como hoje é, e sempre foram. Mas ainda não existiam a WOP BOP e a BARATOS AFINS, duas lojas que fizeram história por terem congregado um certo público UNDERGROUND, que curtia ROCK e seus arredores.
Informações do exterior existiam, mesmo poucas e truncadas; e aguçavam desejos. Estavam condensadas em publicações como a ROLLING STONE – já circulando por aqui – e jornais alternativos onde esforçados jornalistas como LUIZ CARLOS MACIEL, que nos informavam sobre o novo “perenizado” ; o pós suposta revolução trazida por HIPPIES e a NOVA ESQUERDA INTELECTUAL.
Claro, não durou o suficiente, mas deixou marcas não removidas – feito tatuagens.
Não consigo visualizar claramente se foi na BRUNO BLOIS, ou na BRENO ROSSI, onde naquela tarde inesquecível comprei dois entre os discos de que mais gosto até hoje.
Eu já conhecia o BOB SEGER. Cantor potente, BLUESY, e pesado. Teve dois SINGLES lançados por aqui, na segunda metada dos 1960: “2+2” e “RAMBLING GAMBLIN MAN”, estilingadas certeiras.
SEGER é uma espécie de antecessor de BRUCE SPRINGSTEEN, naquela mística do americano solitário contra o sistema, sempre “ON THE ROAD”, e torturado pela imprecisão psicológica, feito JAMES DEAN ou JIM MORRISON. E daí o fascínio que me causou.
BOB chegou ao sucesso de verdade anos depois, em 1977/1978. Mas jamais fez álbum tão bom e consistente quanto “BACK IN 72”.
O disco foi gravado no “MUSCLE SHOALS STUDIO”, onde a elite do SOUL e R&B gravava. Gente como ARETHA FRANKLIN, por exemplo.
“BACK IN 72” é um “espécime” perfeitamente integrado ao HARD ROCK & RHYTHM ‘n’ BLUES, também em voga naqueles tempos. Aqui, BOB SEGER está acompanhado por craques: J.J.CALE, JIMMY JOHNSON, BARRY BECKETT, DAVID HOOD e ROGER HAWKINS, para ficar no primeiro time. E mescla SOUL, R&B e ROCK com eficiência e sofisticação. É um grande e desconhecido álbum! Brilhando para ser pescado no fundo do poço do tempos. Experimente. Vale a pena!
Também recordo ter separado o BOB SEGER, enquanto rolava no PICK UP disco chegado naquele momento: o primeiro álbum do BLUE OYSTER CULT. Impacto fulminante! Um míssil direto no cérebro e no corpo!
Para mim, é o melhor disco que fizeram. Está entre o HARD ROCK e o PROGRESSIVO. Tem pegada BLUESY, e algumas novidades tecnológicas como “delays” e outros “babados”; as faixas estão interligadas e sem espaços, o que emite a sensação de continuidade, não importando as músicas que se sucedem.
É disco bastante original de ROCK PESADO americano. Sim, é claramente americano; como o CAPTAIN BEYOND e o KANSAS. Ou o DUST e o GRANDFUNK RAILROAD.
O BLUE OYSTER CULT foi grande sucesso, na década de 1970/80. E gravou outros discos bastante bons. O BOX aqui postado, aliás lançado no BRASIL não sei exatamente quando, traz os três primeiros álbuns da banda. São bons; mas nenhum se equipara ao primeiro; na foto, inclusive em edição para audiófilos.
Talvez seja por causa desses discos, que a memória daquele inesquecível sábado me sequestra até hoje. Desejo a todos experiência tão definidora e cativante quanto a que o TIO SÉRGIO teve.
POSTAGEM REDEFINIDA: 31/07/2025
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VERVE RECORDS – THE SOUND OF AMERICA – 2013 THE SINGLES COLLECTION – 1947 / 2001 – LANÇAMENTO 2013

COLEÇÃO DESSA DEMOCRÁTICA E REVOLUCIONÁRIA MARAVILHA: OS “SINGLES”.
Há dias em que o TIO SÉRGIO agradece à vida e as Céus por existir, e ter o privilégio de ser contemporâneo a certas maravilhas quase indescritíveis!
O tempo inteiro estamos submetidos a quantidade imensa de irrelevâncias, ou a bens culturais simplesmente ruins. Em geral, há pouco incentivo para ultrapassar o hipermercado de vulgaridades que nos oferecem.
Mas nem sempre. E, se procurarmos bem, há muita coisa além do meio-fio. E como há!
Dia desses, caçando pelaí via internet, dei de cara com esta caixinha espetacular! Eu já sabia dela; tinha dado uma biscoitada, anos atrás. Mas, como a FADINHA MASTERCARD não aceita desaforos, fui adiando até que rolou cachoeira virtual abaixo…e sumiu.
Hoje, é um objeto raro e precioso!
É BOX com cinco CDS, contendo CEM SINGLES de JAZZ e seus arredores, lançados pela VERVE RECORDS durante sua fase áurea, e traz artistas magníficos e gravações mais ainda!
O BOX em si não está bem conservado. Mas o LIVRETO, os CDS e respectivas capas estão em núpcias com a perfeição! Custou relativamente pouco. Anos atrás, saiu por uns R$ 160 mandacarus, incluindo o frete. Algo em torno de $ 35,00 TRUMPS. Foi comprado através da AMAZON.
Há várias gravações lançadas em 78RPM, e principalmente SINGLES – aqui no BRASIL conhecidos por COMPACTOS – simples ou duplos. São artefatos que simbolizaram o máximo da popularização e popularidade, que um artista podia almejar.
É o produto mais democrático que a indústria da música criou e dispôs para os seus consumidores. Satisfazem do milionário ao pobre. É o hit em “gotas” pronto e barato para os fãs; ideal para as rádios; e meio simpático para divulgação do artista. Todo mundo gosta!
Dos anos 1940 em diante, o SINGLE tornou-se tão importante que, em 1956, havia mais de 750 mil JUKEBOX, as máquinas de tocar discos, espalhados pelos EUA!!! Não vou repetir!!!
Os SINGLES deram vida aos bares; foram instrumentos para disseminação de HITS; portanto, fomentadores de vendas. Além de meio eficaz de produzir receitas financeiras através de royalties, sempre que postos a tocar em JUKE BOXES – formavam o “STREAMING” da era do vinil.
FRANK SINATRA foi quem modernizou a estratégia de marketing da música. Ele exigia das gravadoras lançar SINGLES, um atrás do outro. Era o seu compromisso com os fãs, que ele jamais deixou de lado.
SINATRA somente trocou a COLUMBIA RECORDS, nos 1950, quando teve certeza de que a CAPITOL usaria os LPS para o seu trabalho mais refinado; e manteria para o consumidor normal SINGLES em profusão. Um respeito à livre escolha do cliente…E uma ideia de gênio!
A VERVE mesmo especializada em JAZZ, BLUES e imediações, aproveitou-se bem esse mercado. Usou e divulgou talentos como CHARLIE PARKER, LESTER YOUNG, OSCAR PETERSON, ELLA FITZGERALDO, JIMMY SMITH, BILLIE HOLIDAY, e tantos e tontos…
Depois, lançou a BOSSA NOVA, com STAN GETZ, TOM JOBIM, ASTRUD e JOÃO GILBERTO, na fronteira com a década de1960. O SINGLE “GAROTA DE IPANEMA” vendeu feito chicletes.
A VERVE foi além do JAZZ e do POP sofisticado, e incentivou lançamento em SINGLES de canções temas de filmes.
E gravou, também, artistas como WES MONTGOMERY, BILL EVANS e WILTON KELLY em HITS melodiosos/melosos; precursores do LOUNGE. A gravadora jamais perdeu o foco no que era vendável. E animou festas incontáveis através de seu elenco primoroso tocando músicas dançáveis e alto astral! Jamais se ouvirá HOOCHIE COOCHIE MAN, de MUDDY WATERS , como na versão de JIMMY SMITH! Suprema!
A gente costuma esquecer, mesmo porque fora do “core” da gravadora VERVE, que o VELVET UNDERGROUND; THE BLUES PROJECT, RIGHTEOUS BROTHERS, RICK NELSON e FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION também gravaram por lá! Mas não fazem parte desse BOX, que é focado no JAZZ, BOSSA e algum BLUES..
Tudo considerado, o SINGLE é o artista em essência iluminado para consumo. A maioria dos LONG PLAYS, em qualquer época, não resiste ao filtro de audição mais crítica. Grande parte das músicas é para preencher o espaço. Um SINGLE, ou um EP são mais honestos. Os tempos que correm e os custos de produção, poderão impor um novo padrão. Seja como for, é um BOX espetacular, animado e variado; retrato perfeito do talento de seus artistas. Se aparecer na frente, não deixe passar!
POSTAGEM ORIGINAL:: 31/07/2021
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